Inscrições gratuitas até 9 de agosto para longas, médias e curtas
As inscrições para a 13ª edição da Mostra de Cinema de Gostoso, que acontecerá entre os dias 20 e 24 de novembro, em São Miguel do Gostoso, no Rio Grande do Norte, abrem nesta terça-feira, 9 de junho, e seguem até 9 de agosto no site oficial do evento de forma gratuita.
Filmes de todos os gêneros (obras ficcionais, não ficcionais e animações, exceto videoclipes) e durações (curtas, médias e longas-metragens) podem se inscrever na 13ª Mostra de Cinema de Gostoso, desde que tenham sido produzidos no Brasil e finalizados a partir de julho de 2025.
A Mostra de Cinema de Gostoso consolidou-se como um dos eventos audiovisuais mais singulares do país, com exibições ao ar livre na Praia do Maceió, em São Miguel do Gostoso, no litoral potiguar. A sala montada na areia conta com 700 espreguiçadeiras, tela de 12m x 6,5m, projeção 4K e som 7.1 oferece ao público uma experiência cinematográfica imersiva e gratuita.
A Mostra Competitiva, a Mostra Potiguar e as Sessões Especiais acontecem nesse espaço, reunindo diariamente milhares de espectadores, entre moradores, turistas e profissionais do audiovisual. Os filmes concorrem ao Troféu do Júri Popular (melhor curta e melhor longa) e ao Troféu da Imprensa, votado por jornalistas e críticos presentes.
Além da sala principal, o festival mantém sua tradicional tenda geodésica climatizada, instalada na Praia do Maceió. Com 7,5 metros de altura, projeção 4K, som 7.1 e capacidade para 130 pessoas, o espaço abriga a Mostra Panorama, dedicada a obras de relevância artística e diversidade de linguagens e a sessão Clássicos Restaurados do Cinema Brasileiro, inaugurada no ano passado e que terá continuidade nesta edição. A estrutura tornou-se um dos símbolos do evento, combinando conforto, impacto visual e excelência técnica.
Diariamente, o festival promove debates com diretores, produtores e atores, além de seminários que ampliam a reflexão sobre o cinema brasileiro contemporâneo.
Desde 2013, a Mostra realiza um amplo programa de Cursos de Formação voltado para jovens de São Miguel do Gostoso e arredores. As oficinas introduzem os participantes em diversas áreas da produção cinematográfica, resultando na realização de curtas-metragens e na participação dos alunos na organização do festival. Ao longo de suas edições, mais de 150 jovens já passaram pelos cursos, que resultaram em 29 curtas-metragens e 60 oficinas. Muitos desses alunos seguem estudando e trabalhando em audiovisual e áreas correlatas, e seus filmes já circularam por festivais nacionais e internacionais, além de serem exibidos em canais de TV aberta e por assinatura.
A Mostra de Cinema de Gostoso é reconhecida por envolver intensamente a comunidade local, que participa da programação, acolhe visitantes e fortalece o intercâmbio cultural com outras regiões do país. O evento movimenta o turismo, estimula a economia e reforça a posição de São Miguel do Gostoso como um dos destinos culturais mais vibrantes do Nordeste.
A equipe de curadoria é composta por Carine Fiúza, Eugenio Puppo, Janaína Oliveira, Mariana Souza e Matheus Sundfeld. A direção geral da Mostra é de Eugenio Puppo e Matheus Sundfeld. Em 2026, a Mostra de Cinema de Gostoso celebra não apenas mais um ano de programação, mas também um novo patamar institucional: desde 2025, o evento é oficialmente reconhecido como Patrimônio Cultural, Turístico e Imaterial do Estado do Rio Grande do Norte, reforçando sua relevância para a cultura e para o desenvolvimento regional.
Com produção da Heco Produções e CDHEC, Coletivo de Direitos Humanos, Ecologia, Cultura e Cidadania, a Mostra de Cinema de Gostoso 2026 é apresentada pelo Ministério da Cultura e Governo do Estado do Rio Grande do Norte. Conta com o patrocínio do Governo do Estado do Rio Grande do Norte, SECULT (Secretaria de Estado da Cultura), Fundação José Augusto e Lei Câmara Cascudo. Com apoio institucional da Prefeitura Municipal de São Miguel do Gostoso, conta também com apoio de Emprotur, Visite RN, IDEMA, Pousada dos Ponteiros, Restaurante Balica e APAN.
Arthur Leão no curta capixaba Irmã, dirigido por Anderson Bardot
Foram anunciados nesta terça-feira, 09/06, os filmes selecionados para as mostras competitivas da 33ª edição do Festival de Cinema de Vitória, o maior evento de cinema e audiovisual do Espírito Santo, que acontecerá entre os dias 18 e 25 de julho no Sesc Glória.
Com exibições gratuitas, os 87 filmes selecionados, sendo 80 curtas e sete longas-metragens, apresentam um recorte da produção audiovisual brasileira contemporânea. Destas, 24 produções são do Espírito Santo. As obras foram escolhidas pelas Comissões de Seleção e serão exibidas nas onze mostras competitivas que compõem a programação do evento.
“O cinema brasileiro vive um momento de grande efervescência criativa e a seleção de 2026 do festival reflete exatamente isso. Diante de milhares de inscrições, com obras tão interessantes, nossas mostras traduzem a pluralidade de olhares das realizadoras e dos realizadores brasileiros. O resultado é uma programação gratuita e imperdível, repleta de longas, curtas e videoclipes com narrativas instigantes para emocionar o público”, afirma Lucia Caus, diretora do festival.
Todas as produções concorrem ao Troféu Vitória, símbolo do evento. A escolha dos vencedores é feita pelo Júri Técnico do festival, composto por especialistas e profissionais ligados ao audiovisual brasileiro, além do Troféu Vitória de melhor filme pelo Júri Popular em todas as mostras competitivas. As produções selecionadas para a competitiva nacional de curtas-metragens também concorrem ao Prêmio Canal Brasil de Curtas.
Ao todo, foram 1.697 obras inscritas para a 33ª edição do festival, sendo 1.386 curtas-metragens e 311 longas. Divididos por gêneros, foram 1.023 filmes de ficção, 454 documentários, 86 animações e 68 obras experimentais. Já na categoria videoclipes, foram 66 produções.
Verónica Valenttino no longa As Florestas da Noite, de Priscyla Bettim e Renato Coelho
A Mostra Competitiva Nacional de Longas conta com sete filmes de seis estados brasileiros (Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Piauí, Paraíba e Santa Catarina), reunindo obras de destaque em grandes festivais. Estão na disputa: o documentário capixaba A Caminhada Sagrada de Tatatxi Ywarete, de Wera Djekupe; o premiado A Fabulosa Máquina do Tempo, de Eliza Capai, vencedor do Prêmio Técnico-Artístico no Festival de Guadalajara, no México, e exibido nos festivais de Berlim e Xangai; a ficção paulista As Florestas da Noite, de Priscyla Bettim e Renato Coelho, que teve sua pré-estreia mundial na Mostra Tiradentes e traz no elenco nomes como Silvero Pereira, Verónica Valenttino e Beatriz Bittencourt.
Também estão na lista de longas: o aguardado musical piauiense Babaçu Love, de Cícero Filho, que conta com o humorista, cantor e ator piauiense Whindersson Nunes; o documentário musical paulista Entre o Sucesso e a Lama, de Cristiano Burlan, exibido no In-Edit Brasil; o drama paraibano Malaika, de André Morais, que estreou mundialmente no Festival de Cinema de Biarritz, na França, e foi exibido na Mostra de São Paulo; além do suspense catarinense Virtuosas, de Cíntia Domit Bittar, estrelado por Bruna Linzmeyer, vencedor do prêmio principal no showcase Goes to Cannes do Marché du Film e exibido no Festival do Rio e na Mostra Internacional de Cinema em São Paulo.
A Comissão de Seleção do 33º Festival de Cinema de Vitória é composta por profissionais que têm estreita relação com o audiovisual. São eles: a curadora, cineasta e produtora Flavia Candida, o mestre em Cinema e Artes do Vídeo, Waldir Segundo, e a pesquisadora, roteirista, curadora, júri e crítica de cinema Viviane Pistache. O trio assina a curadoria da 30ª Mostra Competitiva Nacional de Curtas, da 16ª Mostra Quatro Estações, da 15ª Mostra Foco Capixaba, da 15ª Mostra Corsária e da 13ª Mostra Outros Olhares. Flavia Candida também é curadora da 11ª Mostra Cinema e Negritude, Viviane Pistache da 11ª Mostra Mulheres no Cinema e Waldir Segundo da 8ª Mostra Do Outro Lado – Cinema Fantástico.
A jornalista e produtora cultural Leila Bourdoukan e Gilberto Alexandre Sobrinho, pesquisador e professor no Instituto de Artes da Unicamp, assinam a seleção da 16ª Mostra Competitiva Nacional de Longas. A mestra em educação, bacharel em Rádio e TV e professora de audiovisual, Suellen Vasconcelos, e Vitor Búrigo, crítico de cinema, criador do site CINEVITOR e apresentador do podcast Plano Geral, respondem pela curadoria da 10ª Mostra Nacional de Videoclipes. Fechando a lista, a cineclubista, roteirista, produtora e realizadora de audiovisual Margarete Taqueti, o videomaker, crítico de cinema e escritor Lobo Pasolini e o cineasta, produtor audiovisual, roteirista e ambientalista Jefferson de Albuquerque Junior assinam a seleção da 9ª Mostra Nacional de Cinema Ambiental.
Além da programação de filmes, o 33º Festival de Cinema de Vitória presta homenagens a duas importantes personalidades da cultura. A Homenageada Nacional desta edição será Camila Morgado. A carreira da atriz no cinema soma mais de dez produções, com destaque para o longa-metragem Olga, drama biográfico dirigido por Jayme Monjardim; nas plataformas de streaming, teve destaque como Janete na primeira temporada de Bom Dia, Verônica, original Netflix. Já o Homenageado Capixaba será Rodrigo Aragão, que conta com mais de 30 anos de carreira e é considerado um dos nomes mais importantes do cinema de horror no Brasil.
Conheça os filmes selecionados para o 33º Festival de Cinema de Vitória:
30ª MOSTRA COMPETITIVA NACIONAL DE CURTAS-METRAGENS
A Pele do Ouro, de Marcela Ulhoa e Yare Perdomo (RR) A Tragédia da Lobo-Guará, de Kimberly Palermo (RJ) Ajude os Menor, de Janderson Felipe e Lucas Litrento (AL) Assalto, de PH Martins (ES) Espírito São: O Lugar de Toda Fé, de Matheus Costa e Breno Chamon (ES) Floresta do Fim do Mundo, de Denilson Baniwa e Felipe M. Bragança (RJ) Fronteriza, de Nay Mendl e Rosa Caldeira (PR/SP) Irmã, de Anderson Bardot (ES) Mercado Central, de Tássia Dhur (MA) Morfeu e Caronte, de Luiz Ulian e Jocimar Dias Jr. (RJ) O Que Faço com Isso Agora que Acabou?, de Julia Uliana e Natália Dornelas (ES) Pequeno London, de Victor Di Marco e Márcio Picoli (RS) Samba Infinito, de Leonardo Martinelli (RJ) Tião Personal Dancer, de Aristótelis Tothi (GO) Um Rio Não É, de Yurie Yaginuma e Amanda Miranda (ES)
16ª MOSTRA COMPETITIVA NACIONAL DE LONGAS-METRAGENS
A Caminhada Sagrada de Tatatxi Ywarete, de Wera Djekupe (ES) A Fabulosa Máquina do Tempo, de Eliza Capai (RJ) As Florestas da Noite, de Priscyla Bettim e Renato Coelho (SP) Babaçu Love, de Cícero Filho (PI) Entre o Sucesso e a Lama, de Cristiano Burlan (SP) Malaika, de André Morais (PB) Virtuosas, de Cíntia Domit Bittar (SC)
16ª MOSTRA QUATRO ESTAÇÕES
Boi de Salto, de Tássia Araújo (PI) Marimbã Está Acontecendo, de Maryn Marynho (CE) Noites Proibidas, de Júlio Cesar (ES) Picumã, de Sladká Meduza (SP) Ricardo, de Gino Batidão (PE)
15ª MOSTRA FOCO CAPIXABA
Cinema, Poema e Gangrena, de Gustavo Guilherme da Conceição (ES) Liberdade de Morar, de Penha Souza (ES) Salve, Rainha, de Estevão Ribeiro e Fábio Carvalho (ES) Superfície, de Carolina Campista (ES)
15ª MOSTRA CORSÁRIA
Depois Levanta Voo ou Abisma-se, de Marcus Neves e Aline Dias (ES) Diálogo Bulbul, de Bruno Churuska, Gledson Augusto, Nicole Mendes, Yan Altino e Zimá Domingos (RJ) Filme-Copacabana, de Sofia Leão (RJ) Trivakra, de Sofia Angst (RJ) Vim e Irei como uma Profecia, de Fábio Rogério (SE)
13ª MOSTRA OUTROS OLHARES
A Hora Dourada, de Juane Vaillant (ES) Caldeirão, de Bruno Fernandes (RN) Confluência dos Olhos D’Água, de Keila-Sankofa (AM) Eloísa Joga, de Yuri Rodrigues e Taís Melo (ES) Grão, de Gianluca Cozza e Leonardo da Rosa (RS) Kika Não Foi Convidada, de Juraci Júnior (RO) Ludmilla, de Vini Moreira (DF) Memória de Pivete, de Pedro Santi (SP) Os Arcos Dourados de Olinda, de Douglas Henrique (PE) Pra Morrer Basta Estar Vivo, de Francisco Xavier (ES)
11ª MOSTRA MULHERES NO CINEMA
Batata Frita na Chuva, de Ninah Nogino (RJ) Lactação, de Fernanda Taddei (SP) Maira Porongyta: O Aviso do Céu, de Kujãesage Kaiabi (MT) Nadar em Aquários, de Mariana Corrêa (SP) Núbia, de Barbara Bello (MG)
11ª MOSTRA CINEMA E NEGRITUDE
Às Compras, de Luiz Guilherme Assis (RJ) Dentro do Meu Peito Mora um Cão, de Gabriel Afonso (MG) Encantos para Omo e Iyá, de Antonio Balbino (DF) Faça uma Pose, de Alek Lean (RJ) O Pai da Rainha de Angola, de Rodrigo França (SP)
9ª MOSTRA NACIONAL DE CINEMA AMBIENTAL
Bijupirá, de Eduardo Boccaletti (BA) Concreto, de Sheila Rodrigues e Andresa Amaral (MG) Thayara, de Mila Leão (PR) Um Planeta no Sul do Mundo, de Lucas Furtado (RS) Umassuma: Lascas de Memórias, de Andrei Miralha e Guaracy Britto Jr. (PA) Valor é Tempo, de Lucas Barros de Souza, Mayara Perinni de Aguiar e Victor Costa de Almeida (ES)
8ª MOSTRA DO OUTRO LADO | CINEMA FANTÁSTICO
Cordão de Prata, de Getulio Ribeiro (RJ) Poronga, de Rafael Rogante (RO) Sob Olhos, de Gabriel Nadippeh (ES) Stregoneria, de Gian Orsini (PB) Ybi, de Elisa Telles e Begê Muniz (AM)
10ª MOSTRA NACIONAL DE VIDEOCLIPES
A Posse é um Fato, de Murilo Munìí e Mar Fagundes (Artista: Murilo Munìí) (RS) A Presa, de Tommaso Bellone e Julio Camelo (Artista: Big River) (ES) Astro Rei, de Gabriel Uchida e Talita Gusmão (Artista: Gabriê) (RO) Até, de Victorhugo Amorim, Taciano Faccini e Gabrielle Nalli (Artista: Ronnie Silveira) (ES) Cana Queimada de Desejos, de Ricardo Sékula e Sávio Sabiá (Artista: Sávio Sabiá) (PE) Cocô do Recado, de Clara Campos e Bianca Bomfim (Artistas: Christine Valença & Caetana) (PE) Distância, de Daniel Bones (Artista: Laika no Espaço) (ES) Epopeia de uma Vida Feliz, de Douglas Barros (Artista: Douglas Barros) (SE) Filtro, de Rayan Casagrande e Vinicius Caus (Artista: Inseton) (ES) Fino Prazer, de Tati Rabelo (Artista: Eloá Puri) (ES) Herança, de Keila-Sankofa (Artista: Keila-Sankofa e Rafa Militão) (AM) Histórias Periféricas, de Priscila Neres (Artista: Priscila Neres) (SE) Monalisa, de Lucas Sá (Artista: Frimes) (MA) Paladar, de André Castro Neto e Sthelô (Artista: Sthelô) (BA) Planeta Marte, de João Vitor Linhares e Zéca Vieira (Artista: Cesar Soares) (RJ) Quase Te Esqueci, de Raquel Pinheiro (Artista: Julia Branco) (MG) Sozinho Numa Bike pra 2, de Carlo De Cásula (Artista: Casu) (ES) Telaviva, de Rafael Sandim (Artista: Nobat) (ES) Tô Ligando pra Nada, de Enzo Rodrigues (Artista: Jessica Roberts) (ES) Vida que Segue, de João Wainer (Artista: Dexter) (SP)
Equipe do longa Mapas, de Rafael Lobo: cinco prêmios
Foram anunciados neste domingo, 07/06, no Teatro do Parque, no Recife, em cerimônia apresentada pela atriz pernambucana Nínive Caldas, os vencedores da 30ª edição do Cine PE – Festival do Audiovisual.
Mais do que celebrar três décadas de existência, em uma semana histórica para o audiovisual brasileiro, o festival tornou-se um símbolo de resistência, continuidade e amor ao cinema nacional em um momento de profunda emoção para toda a sua equipe.
Finalizada poucos dias após o falecimento de seu idealizador, Alfredo Bertini, a edição de 2026 foi marcada por uma mobilização coletiva para que o festival acontecesse da forma como ele sempre desejou. Entre homenagens, exibições e encontros, convidados, realizadores, parceiros, imprensa e equipe transformaram a dor da despedida em uma celebração do legado construído ao longo de 30 anos.
Para Sandra Bertini, diretora do festival, a realização desta edição só foi possível graças à rede de afeto construída por Alfredo ao longo de sua trajetória: “Vivemos dias muito difíceis, mas também muito bonitos. Recebemos demonstrações de carinho de todos os lugares do Brasil. Dos realizadores, dos convidados, da imprensa, dos parceiros e da nossa equipe. Foi uma edição marcada por um sentimento muito especial porque ao mesmo tempo em que sentimos a ausência de Alfredo, celebramos tudo o que ele construiu. O amor que ele dedicou ao cinema voltou para nós em forma de acolhimento. Tenho certeza de que ele estaria muito feliz e emocionado com tudo o que aconteceu aqui”.
Para Vitor Bertini, que passa a dividir com a mãe a responsabilidade de conduzir o futuro do festival, a continuidade do Cine PE representa o compromisso de preservar um legado construído ao longo de três décadas: “Meu pai dedicou a vida a este festival. Cresci acompanhando os bastidores do Cine PE e vendo de perto o amor que ele tinha por esse terceiro filho. Assumir essa responsabilidade ao lado da minha mãe é uma missão que carrego com muito orgulho e senso de dever. Nada vai substituir a presença dele, mas vamos trabalhar para honrar sua memória e garantir que esse legado continue vivo pelas próximas gerações”.
Os premiados e a equipe do Cine PE no palco: homenagem para Alfredo Bertini
Um dos momentos mais emocionantes da cerimônia de encerramento foi a homenagem prestada à Gullane Entretenimento, uma das mais importantes produtoras do audiovisual brasileiro. Representando a empresa, Fabiano Gullane recebeu a Calunga Dourada em reconhecimento à contribuição da produtora para o fortalecimento do cinema brasileiro: “Eu fiquei muito emocionado quando o Alfredo e a Sandra me chamaram. O Bicho de Sete Cabeças foi o primeiro filme da Gullane e foi muito importante pra gente estar aqui com ele. Então, a história da Gullane se mistura com a do Cine PE”. Na sequência, foi exibido, fora de competição, o longa O Cobrador de Fraque, de Tomas Portella, protagonizado por Leandro Ramos (clique aqui e saiba mais).
Na mostra competitiva de longas-metragens, o grande vencedor foi Resta Um, de Fernando Ceylão, que conquistou a Calunga de melhor filme pelo Júri Oficial, que foi formado por Carolina Kasting, Flavia Guerra, Fred Avellar, Helvécio Ratton e Sabrina Fidalgo. O longa também recebeu os prêmios de melhor roteiro, melhor ator coadjuvante e melhor atriz coadjuvante: “Essa é a nossa estreia no festival. Um momento muito importante pra gente”, afirmou Catarina Chamon, da Rubi Produtora.
O prêmio de melhor direção ficou com Eliza Capai por A Fabulosa Máquina do Tempo, filme que também recebeu as Calungas de melhor trilha sonora, melhor atriz e o Prêmio da Crítica, realizado pela Abraccine, Associação Brasileira de Críticos de Cinema, que contou com Enoe Lopes Pontes, Priscila Urpia e Sihan Felix no júri. O longa Mapas, de Rafael Lobo, foi consagrado com cinco troféus, entre eles, o de melhor ator para Caique Copque.
Na mostra competitiva de curtas-metragens nacionais, o destaque foi o pernambucano Os Arcos Dourados de Olinda, dirigido por Douglas Henrique, vencedor da Calunga de melhor filme, além dos prêmios de melhor roteiro e melhor montagem: “Esse filme foi feito a partir da coletividade das histórias. Esse é o cinema em que acredito: um cinema feito em Pernambuco e para as pessoas de Pernambuco”, destacou o diretor, que não marcou presença na cerimônia, mas enviou uma mensagem.
Já na mostra competitiva de curtas pernambucanos, o grande vencedor foi Os Urso e Nós, de Maria Acselrad, que conquistou os prêmios de melhor filme, melhor direção, melhor edição de som, melhor trilha sonora e também o Prêmio do Público: “Eu perguntei aos Ursos o que eles gostariam de dizer e a resposta foi uníssona: a La Ursa quer dinheiro, quem não dá é pirangueiro. Mas eles não querem só dinheiro, não. Eles querem o fortalecimento da cultura”, pontuou a diretora. O júri de curtas contou com Lucio Vilar, Marcus Vilar, Margarita Hernandez, Priscila Tapajowara e Simone Zuccolotto.
Conheça os vencedores do 30º Cine PE – Festival do Audiovisual:
MOSTRA COMPETITIVA DE LONGAS-METRAGENS
Melhor Filme: Resta Um, de Fernando Ceylão (RJ) Melhor Direção: Eliza Capai, por A Fabulosa Máquina do Tempo Melhor Roteiro: Resta Um, escrito por Fernando Ceylão Melhor Atriz: Coletivo de atrizes do filme A Fabulosa Máquina do Tempo Melhor Atriz Coadjuvante: Perla Carvalho, por Resta Um Melhor Ator: Caique Copque, por Mapas Melhor Ator Coadjuvante: Ítalo Martins, por Resta Um Melhor Fotografia: Mapas, por Emília Silberstein Melhor Direção de Arte: Doutor Monstro, por Débora Padial e Laís Vieira Melhor Montagem: Mapas, por Rafael Lobo e Tainá Menezes Melhor Trilha Sonora: A Fabulosa Máquina do Tempo, por Décio 7 Melhor Edição de Som: Mapas, por Olivia Hernandez
MOSTRA COMPETITIVA DE CURTAS-METRAGENS NACIONAIS
Melhor Filme: Os Arcos Dourados de Olinda, de Douglas Henrique (PE) Melhor Direção: Daniel Jaber e Lu Damasceno, por João-de-Barro Melhor Roteiro: Os Arcos Dourados de Olinda, escrito por Arnon Hochman e Douglas Henrique Melhor Ator: Daniel Jaber, por João-de-Barro Melhor Atriz: Gleide Firmino, por Via Sacra Melhor Fotografia: Mercado Central, por Danilo Rosa Melhor Direção de Arte: Mercado Central, por Neila Albertina Melhor Montagem: Os Arcos Dourados de Olinda, por Douglas Henrique Melhor Trilha Sonora: Da Aldeia à Universidade, por Heitor Martins Oliveira Melhor Edição de Som: O Véu, por Jonts Ferreira
MOSTRA COMPETITIVA DE CURTAS-METRAGENS PERNAMBUCANOS
Melhor Filme: Os Ursos e Nós, de Maria Acselrad Melhor Direção: Maria Acselrad, por Os Ursos e Nós Melhor Roteiro: Velha Roupa Colorida, escrito por Eduardo Santiago Melhor Ator: Beto Aragão, por Velha Roupa Colorida Melhor Fotografia: Salam, por William Tenório Melhor Direção de Arte: Medo Monstro, por Andrew Gladson e Eduardo Padrão Melhor Montagem: Salam, por Rafaela Albuquerque e William Tenório Melhor Trilha Sonora: Os Ursos e Nós, por Sérgio Godoy Melhor Edição de Som: Os Ursos e Nós, por Felipe Peixoto
*O júri da mostra de curtas-metragens pernambucanos decidiu declarar deserta a categoria de melhor atriz
OUTROS PRÊMIOS
JÚRI POPULAR Melhor Curta Pernambucano: Magritte, de Tom Nogueira Melhor Curta Nacional: Mercado Central, de Tássia Dhur (MA) Melhor longa-metragem: Mapas, de Rafael Lobo (DF)
PRÊMIO DA CRÍTICA | ABRACCINE Melhor Curta Nacional: Mercado Central, de Tássia Dhur (MA) Melhor longa-metragem: A Fabulosa Máquina do Tempo, de Eliza Capai (RJ)
Foram anunciados neste domingo, 07/06, no Reserva Cultural, em São Paulo, os vencedores da 15ª edição da Mostra Ecofalante de Cinema, o mais importante evento audiovisual sul-americano dedicado às temáticas socioambientais.
Neste ano, os documentários Arquivo Vivo, de Vincent Carelli e Ana Carvalho, e Mounir, de Juliana Borges, conquistaram o prêmio de melhor longa-metragem da seção Territórios e Memória, a principal competição do evento. O júri, formado por Djin Sganzerla, Lorran Dias e Tide Borges, concebeu uma Menção Honrosa para A Fabulosa Máquina do Tempo, de Eliza Capai, que acumulou também o Prêmio do Público.
Obra exibida em pré-estreia mundial, Arquivo Vivo revisa a atuação junto a comunidades indígenas do projeto Vídeo nas Aldeias, do qual Vincent Carelli é um dos fundadores. O filme revela a devolução dos arquivos captados ao longo de 40 anos para as novas gerações das primeiras comunidades visitadas pelo projeto. Em seu parecer, os jurados destacaram tratar-se de “um filme que não trata as imagens como vestígios imóveis do passado, mas como presenças que retornam às comunidades, às línguas, aos rituais, às lutas e aos modos de vida dos povos originários”.
Com sua primeira exibição brasileira na 15ª Mostra Ecofalante de Cinema, Mounir é uma obra que acompanha a trajetória de dez anos de um refugiado centro-africano cujas narrativas embaralham as fronteiras entre realidade e ficção. As filmagens ocorrem em três continentes diferentes, incluindo momentos cruciais na cidade de São Paulo, onde o protagonista se estabelece e conhece a diretora do filme, Juliana Borges, e viagens à África. Segundo o júri do festival, o filme “transforma uma trajetória singular em uma experiência profundamente humana”. E mais: “Com sensibilidade, delicadeza e riqueza de nuances, o filme nos convida a atravessar fronteiras geográficas, afetivas e culturais, revelando a complexidade de uma vida marcada pela coragem, pela memória e pelos deslocamentos”.
A Fabulosa Máquina do Tempo, que teve pré-estreia mundial no Festival de Berlim, retrata meninas no sertão do Piauí, em Guaribas, equilibrando a vida difícil de suas mães com sonhos de futuro, focando na transição para a adolescência. Com tom lúdico e doce, o filme aborda questões sociais, de gênero e a pobreza, celebrando a infância através da imaginação. Segundo o parecer do júri da 15ª Mostra Ecofalante de Cinema, a obra “enfrenta o desafio de abordar questões duras, especialmente para as mulheres que vivem longe dos grandes centros urbanos, sem perder de vista a potência da imaginação e da esperança”.
Na categoria de curtas-metragens da competição Territórios e Memória, analisada pelo mesmo corpo de jurados, o contemplado foi A Pele do Ouro, produção de Roraima dirigida por Marcela Ulhoa e Yare Perdomo. Com uma corajosa abordagem sobre a exploração sexual em garimpos da Amazônia, o filme teve sua premiação justificada pelos jurados do evento devido à sua “força estética e relevância política que emanam do universo filmado para pensar os territórios e memórias do Brasil”.
O alagoano O Mapa em que Estão Meus Pés, de Luciano Pedro Jr., recebeu Menção Honrosa do júri; o filme, que revive a memória de um pescador e agricultor do litoral alagoano, “se destacou por sua delicadeza formal, sua construção poética e sua capacidade de transformar paisagem em memória afetiva” na opinião dos jurados. Por sua vez, Replikka, vencedor do Prêmio do Público, uma coprodução entre Brasil, Estados Unidos e Reino Unido dirigida por Piratá Waurá e Heloisa Passos, retrata a reconstrução de uma gruta sagrada vandalizada em 2018, sendo inteiramente falado na língua indígena aruak e realizada com apoio de jovens da aldeia; o curta já havia sido premiado como melhor filme internacional no Hot Docs, o maior festival de documentários da América do Norte.
Já Um Pé de Caju, da dupla Pablo Monteiro e Cadu Marques, da Universidade Federal do Maranhão, venceu a premiação de melhor filme da competição Curta Ecofalante, exclusiva para obras de alunos de cursos audiovisuais. A obra retrata a importância da educação em uma comunidade quilombola para a garantia da preservação de seus valores históricos. Para o júri desta competição, sua premiação se deve ao fato de que “o filme reflete sobre como aqueles que saíram para estudar e retornaram ao território transformam a educação em uma ferramenta de fortalecimento coletivo”.
Uma Menção Honrosa foi destinada à Av. São João, 588, de Bruna Resende e Matheus Barbosa. Produzido por alunos do Senac de São Paulo, o filme narra a luta das mulheres pelo direito a uma moradia digna. Segundo os jurados, o filme evidencia “a potência de suas vozes e de seus modos de organização coletiva, reafirmando a importância de garantir o direito à cidade”. O júri desta premiação foi formado por Isaac Pipano, Larissa Barbosa e Luciana Resende. Pelo voto do público, o contemplado do Curta Ecofalante foi o paulista Trago Seu Amor de Volta, de Raíssa Anjos, realizado por alunos da ECA-USP; o filme acompanha uma personagem que encontra cartas de amor escritas por sua falecida mãe e parte em busca do destinatário desconhecido.
Considerado o mais importante evento audiovisual da América do Sul focado em questões socioambientais, o festival teve início no dia 28 de maio a segue até 10 de junho na cidade de São Paulo ocupando o Reserva Cultural, Centro Cultural São Paulo e mais 26 espaços culturais do Circuito Spcine, sempre com entrada gratuita; além de uma seleção em duas plataformas de streaming parceiras: Itaú Cultural Play e Spcine Play.
Conheça os vencedores da 15ª Mostra Ecofalante de Cinema:
COMPETIÇÃO TERRITÓRIOS E MEMÓRIA
PRÊMIO DO JÚRI | MELHOR LONGA-METRAGEM Arquivo Vivo, de Vincent Carelli e Ana Carvalho (PE) Mounir, de Juliana Borges (SP)
MENÇÃO HONROSA | LONGA-METRAGEM A Fabulosa Máquina do Tempo, de Eliza Capai (RJ)
PRÊMIO DO JÚRI | MELHOR CURTA-METRAGEM A Pele do Ouro, de Marcela Ulhoa e Yare Perdomo (RO)
MENÇÃO HONROSA | CURTA-METRAGEM O Mapa em que Estão Meus Pés, de Luciano Pedro Jr. (AL)
PRÊMIO DO PÚBLICO | LONGA-METRAGEM A Fabulosa Máquina do Tempo, de Eliza Capai (RJ)
PRÊMIO DO PÚBLICO | CURTA-METRAGEM Replikka, de Piratá Waurá e Heloisa Passos (MT/PR/RJ)
CONCURSO CURTA ECOFALANTE
MELHOR FILME Um Pé de Caju, de Pablo Monteiro e Cadu Marques (MA)
MENÇÃO HONROSA Av. São João, 588, de Bruna Resende e Matheus Barbosa (SP)
PRÊMIO DO PÚBLICO Trago Seu Amor de Volta, de Raíssa Anjos (SP)
Leandro Ramos e Fabiano Gullane no palco do Cine PE
Na última noite da 30ª edição do Cine PE – Festival do Audiovisual, antes da premiação, o evento celebrou a Gullane Entretenimento, uma das mais importantes produtoras do audiovisual brasileiro. Responsável por filmes, séries e documentários que marcaram a cinematografia nacional nas últimas décadas, a produtora foi homenageada por sua contribuição para o fortalecimento e a projeção do cinema brasileiro dentro e fora do país.
Fundada em 1996 pelos irmãos Caio Gullane e Fabiano Gullane, com Débora Ivanov como sócia, a produtora soma em seu catálogo mais de 60 longas lançados com destaque no cinema nacional e no exterior e mais de 40 séries para televisão e plataformas de streaming, além de 10 filmes e projetos especiais para TV e streaming.
Para celebrar tal honraria do Cine PE, Fabiano Gullane marcou presença no palco do Teatro do Parque e recebeu o troféu das mãos de Vitor Bertini, que, depois da morte do pai, Alfredo Bertini, idealizador do festival, passa a dividir com a mãe, Sandra, a responsabilidade de conduzir o futuro do evento: “Ouvindo você falar, eu sinto o seu pai aqui. O que o coração manda é fazer uma homenagem, não receber. Mas vamos fazer as duas coisas”, disse Fabiano.
E continuou seu discurso com a Calunga de Ouro em mãos: “Eu fiquei muito emocionado quando o Alfredo e a Sandra nos chamaram. O Bicho de Sete Cabeças foi o primeiro filme da Gullane e foi muito importante pra gente estar aqui com ele. Antes disso, fazíamos produção executiva, direção de produção; fizemos bastante coisa antes do nosso primeiro filme. Então, a história da Gullane se mistura com a do Cine PE. Esse festival engrandece muito a indústria audiovisual brasileira e expressa a representatividade de tudo que é feito aqui no Nordeste, aqui em Pernambuco”.
Fabiano Gullane recebe a Calunga Dourada das mãos de Vitor Bertini
Na sequência, foi exibido, fora de competição, o longa O Cobrador de Fraque, de Tomas Portella, protagonizado por Leandro Ramos e produzido pela Gullane. A coprodução luso-brasileira é inspirada em uma prática real que existia em Portugal, até 2008, que consistia em contratar profissionais vestidos de fraque para constranger devedores em espaços públicos e coagi-los a pagar suas dívidas; o filme tem previsão de estreia para o segundo semestre de 2026.
O ator Leandro Ramos, conhecido por seu personagem cômico Julinho da Van, do coletivo de humor Choque de Cultura, subiu ao palco para apresentar o filme: “Eu tô muito feliz de lançar o filme aqui. Eu cresci no subúrbio do Rio de Janeiro e fui a primeira pessoa da família a fazer faculdade. A primeira vez que eu saí do meu estado, que eu andei de avião, eu tinha 26 anos de idade e vim para o Cine PE, em 2007. Feliz em voltar para lançar meu primeiro longa como protagonista e com a Gullane que é uma produtora muito especial na minha vida”.
O filme acompanha Peri, um truculento cobrador à serviço de agiotas no Brasil, obrigado a fugir para Portugal e reconstruir sua vida. Sem nunca ter exercido outro ofício, ele precisa aprender e se adaptar aos métodos dos cobradores de fraque para seguir sua profissão. A situação se complica quando se apaixona por uma devedora, a restauradora de arte Matilde, interpretada por Gabriela Barros.
Rodada nos dois países, a comédia brinca com temas como imigração e os contrastes entre Brasil e Portugal. No elenco também estão Marcello Melo Jr., Marcos Caruso e Marina Mota. Com roteiro de Clarice Falcão, Matheus Torreão, Tomas Portella, Mário Cunha, Juliana Soares, Leandro Soares e L.G Bayão, O Cobrador de Fraque é uma produção da Gullane, em coprodução com a Ukbar Filmes, Sony Pictures, Spcine e Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa de São Paulo, além da codistribuição da Pandora e Sony Pictures.
Vale relembrar que em 2001, a Gullane exibiu Bicho de Sete Cabeças, de Laís Bodanzky, que foi o grande destaque do Cine PE ao conquistar nove troféus, incluindo o de melhor filme. Em 2010, a parceria com a diretora se repetiu no sucesso de As Melhores Coisas do Mundo, que venceu em categorias principais, entre elas, o Prêmio da Crítica. O portfólio da produtora no Cine PE inclui também as exibições do documentário O Mundo em Duas Voltas, de David Schurmann, e do longa-metragem Os Enforcados, de Fernando Coimbra, na edição passada.
Cláudia Abreu: homenageada com a Calunga Dourada no Cine PE
Considerada uma das artistas mais consagradas do audiovisual brasileiro, Cláudia Abreu foi a grande homenageada da 30ª edição do Cine PE – Festival do Audiovisual na noite de sábado, 06/06, no Cinema do Teatro do Parque. A atriz recebeu a tradicional Calunga Dourada, principal honraria do festival, das mãos da diretora Sandra Bertini.
Emocionada, Sandra destacou que a escolha da homenageada desta edição histórica foi construída com muito carinho por ela e Alfredo Bertini, realizador do evento: “Cláudia, tu estás recebendo essa Calunga com o coração tão agradecido pela tua presença. Você não tem ideia da alegria que Bertini e eu tivemos quando você aceitou esse convite”. A diretora contou também que o troféu foi repaginado para celebrar os 30 anos do festival: “Essa Calunga está com uma roupagem nova com as cores da bandeira de Pernambuco para comemorar essa trigésima edição. E hoje ela chega às mãos de uma artista escolhida com muito carinho para fazer parte desta história”.
Ao receber a Calunga Dourada, Cláudia dedicou esse momento especial ao casal responsável pela construção do festival: “Só estou aqui recebendo essa homenagem por causa da Sandra e do Bertini. Então, eu queria dedicar essa homenagem a eles pela perseverança de fazer 30 edições desse Cine PE”. A atriz também aproveitou para homenagear Alfredo Bertini, idealizador do festival, que faleceu na última quinta-feira, 04/06, aos 65 anos, durante o festival: “Lembro até hoje de ouvir o áudio do Bertini, um áudio longo, entusiasmado, carinhoso, caloroso. Ele me falou sobre tudo, inclusive também sobre essa questão que estava acontecendo. Eu só estou aqui por ele. Queria agradecer demais e dizer que esse festival, simbolicamente, vai honrar a vida e o legado dele, que vai permanecer por todos esses anos através do cinema e dos afetos. Obrigada!”.
Ovacionada pelo público, seguiu seu discurso: “Eu pisei nesse palco há dois anos quando eu vim fazer um monólogo que escrevi sobre Virginia Woolf. Pisei sozinha aqui e achei esse teatro tão bonito… eu não poderia imaginar que dois anos depois eu voltaria para receber essa homenagem. É claro que receber uma homenagem pela trajetória da vida, da carreira, não é a mesma coisa que receber por um trabalho específico. É natural que você faça um inventário sobre todas as escolhas que determinam muito a cara de uma carreira, os erros, acertos, os encontros. E eu pensei, especificamente, sobre o cinema”.
Cláudia Abreu e Sandra Bertini no palco do festival
E continuou o discurso relembrando o início de sua trajetória e como tudo se desenrolou em seu ofício: “Eu sou parte de uma geração que pegou o Collor pela frente. Eu tinha 19 anos quando ele foi eleito e eu não tive a oportunidade de fazer cinema porque ele acabou com a Embrafilme. Fiz parte de Anos Rebeldes [minissérie da Rede Globo exibida em 1992], dois anos depois, que espelhou o Brasil durante o processo de impeachment. E houve, de fato, um impeachment. Então, eu tomei uma primeira grande decisão na minha vida, que foi não renovar um contrato longo com a televisão porque eu tive uma intuição muito forte: se ele tinha sido tirado do poder, poderia ser uma hipótese muito provável que o cinema também pudesse voltar. E voltou. Uns dois anos depois, o Cacá Diegues me chamou para fazer Tieta. Eu fiquei muito feliz de ter feito essa escolha, de estar disponível para participar ativamente da retomada do cinema brasileiro pós era Collor. Fiz Tieta, Ed Mort, O que é Isso, Companheiro?, Guerra de Canudos, O Xangô de Baker Street, O Homem do Ano, O Caminho das Nuvens, Os Desafinados”.
E seguiu sobre suas realizações profissionais e escolhas: “Eu fui fazendo um filme atrás do outro e posso dizer que coloquei um pé no cinema brasileiro e coloquei na minha carreira uma decisão de não ser uma atriz só de um lugar, mas de permanecer no teatro de onde eu tinha começado. Permanecer na televisão, sim, porque eu adoro fazer televisão sem desmerecer. E tinha um sonho de ser uma atriz de cinema também e poder fazer cinema no meu país. Esse sonho se realizou com uma decisão, com uma atitude, com tomar as rédeas da minha carreira naquele momento e ter essa intuição de que eu precisava estar livre para ser uma atriz de cinema. E cá estou eu, trinta anos depois, recebendo uma homenagem pela minha carreira, mas principalmente por ser um festival de cinema, é significativo que eu seja uma atriz de cinema”.
Ao final do discurso, Cacau agradeceu: “Mais uma vez eu dedico esse prêmio ao Bertini, Sandra e todas as pessoas que cruzaram comigo nessa trajetória: atores, diretores, técnicos, escritores. Todo mundo que me fez ser uma atriz melhor nessa troca. Queria também dedicar para minha mãe porque muito do que eu sou é por causa dela; e aos meus quatro filhos que não estão aqui, mas certamente verão esse momento. Muito obrigada!”.
Cláudia Abreu: carreira consagrada
Antes da homenagem no palco do Teatro do Parque, Cláudia Abreu participou de uma coletiva de imprensa, que foi mediada pelo curador Diego Edu Fernandes. Em certo momento, relembrou personagens marcantes e foi questionada sobre revivê-las em um novo projeto: “Quem sabe, né? Eu acho que a gente sempre tem saudades dos personagens. Se fosse uma boa oportunidade, acho que poderia ser divertido. É claro que tem sempre o desafio de não ser a mesma coisa, de não ser tão bom quanto a primeira vez, mas a gente só vai saber fazendo”.
A atriz também respondeu uma pergunta sobre suas vilãs icônicas, Laura Prudente da Costa, da novela Celebridade, e Chayene, da novela Cheias de Charme: “Eu pude fazer coisas muito diferentes e vilã é sempre mais livre. As duas tinham muito senso de humor. A Laura tinha algo mais vingativo, perverso. E a Chayene era competitiva diante de tanta insegurança; não queria perder o lugar e sabotava. Era má por isso também, que fazia mal aos outros. O nosso país adora gostar das vilãs porque elas são mais divertidas, são mais livres, elas podem tudo. Mas acho que seria muito bom também que os bons exemplos, sem ser de uma maneira careta ou irreal, fossem admirados. Uma heroína de verdade, com erros e acertos. Seria tão bom se a gente também torcesse pela heroína. Adoraria que a heroína tivesse o humor de uma vilã para rir de si mesma. Acho que isso ajudaria muito na identificação”.
Além da homenagem, a programação da noite do Cine PE 2026 contou com mais uma rodada das mostras competitivas do festival. O público acompanhou o documentário A Física dos Invisíveis, dirigido por Camilo Soares, representando a mostra competitiva de curtas-metragens pernambucanos. Na competitiva de curtas nacionais foram exibidos João-de-Barro, de Daniel Jaber e Lu Damasceno, e Punhal, com direção de Clementino Júnior. Encerrando a noite, o longa-metragem Onde Estamos Seguros, dirigido por Thais Scabio e Gilberto Caetano, integrou a mostra competitiva de longas-metragens e levou ao público reflexões sobre pertencimento, relações humanas e os desafios do mundo contemporâneo.
*Clique aqui e assista ao vídeo especial e entrevista com Cláudia Abreu sobre a homenagem
Sandra Bertini com os filhos Vitor e Patricia no palco do Cine PE
Nesta sexta-feira, 05/06, a 30ª edição do Cine PE foi marcada por uma das noites mais emocionantes das três décadas de existência do festival. O Cinema do Teatro do Parque recebeu uma homenagem especial ao idealizador do evento, o economista Alfredo Bertini, que reuniu amigos, realizadores, parceiros do audiovisual e a equipe do festival em torno de um documentário que celebrou a personalidade e trajetória profissional do fundador do Cine PE.
Produzido pela jornalista Mari Frazão, a produção trouxe depoimentos de pessoas que acompanharam a trajetória de Bertini e testemunharam sua dedicação ao fortalecimento do cinema brasileiro. O filme destacou o papel fundamental do produtor na consolidação do festival como um dos mais importantes eventos audiovisuais do país.
Ao final da exibição, o público presente no Teatro do Parque levantou-se para longos aplausos, em uma demonstração de carinho e reconhecimento ao legado deixado por Alfredo Bertini, que faleceu nesta quinta-feira, 04/06, aos 65 anos. Em seguida, a diretora do festival e companheira de Alfredo, Sandra Bertini, subiu ao palco ao lado dos filhos Vitor e Patrícia, e agradeceu pelas homenagens recebidas ao longo do dia e reforçou a continuidade do festival, conforme desejo manifestado pelo próprio fundador.
Emocionada, Sandra destacou a dedicação da equipe responsável pela realização do evento e o compromisso de manter viva a missão construída ao longo dos últimos 30 anos: “Muito difícil, né? Ter que falar… mas eu tô falando porque eu quero falar. Porque ele merece que eu fale. Porque ele faria o mesmo se fosse o inverso, tá certo? Agradeço muito nossa equipe que todos esses dias se empenhou para que a gente fizesse um Cine PE bonito, com generosidade e boas exibições. Todos falaram de Bertini com muita sabedoria. Não são todos que têm sabedoria. A sabedoria é para poucos, a inteligência para muitos. Todos o conheciam muito bem de todo esse convívio de 30 anos de Cine PE. Muitos estavam lá no começo e sabem como é duro fazer um festival”.
Durante o discurso, ela relembrou o convite que recebeu para integrar o projeto ainda nos primeiros anos e falou sobre a paixão compartilhada pelo cinema e pela cultura brasileira: “O Bertini foi buscar esse projeto cultural para o estado de Pernambuco. E ele viu a dimensão da importância de um festival num estado com uma potência tão grande cultural e de audiovisual em particular. Então, me convidou para ser sua produtora. Eu aceitei na hora. Me apaixonei ainda mais pelo cinema quando entendi o que é transformar um sonho em realidade”.
Roger Lerina, Simone Zuccolotto e Nínive Caldas no palco
Sandra também agradeceu aos realizadores, jurados, patrocinadores, instituições parceiras, público, equipe e familiares: “A gente precisa honrar cada filme exibido aqui. É um trabalho feito com muita responsabilidade, dedicação e amor ao cinema. Agradeço muito minha família, meu filho Vitor, minha filha Patrícia… e ao Bertini, que me ajudou em toda essa programação. Vamos fazer uma 31ª edição linda! Obrigada, Mari Frazão, nossa assessora de imprensa. Uma paixão minha. Eu não sei quem não é apaixonado nessa família Cine PE. Eles se entregam tanto, são os amores da minha vida. Os meus terceiros filhos”.
Ainda como parte da homenagem, a apresentadora Nínive Caldas chamou ao palco os jornalistas e críticos de cinema Roger Lerina e Simone Zuccolotto, que falaram sobre Alfredo: “Estamos aqui representando toda a imprensa do país e a comunidade do audiovisual brasileiro nessa homenagem a uma figura que durante mais de três décadas lutou pelo cinema brasileiro. Alfredo Bertini, sua parceira de vida e de sonho, a Sandra, foram aliados dos artistas e técnicos na reconstrução do nosso cinema, com dedicação e resiliência nos altos e baixos. Esse casal e seus colaboradores foram incansáveis na divulgação e no incentivo à produção nacional”.
Além da homenagem a Alfredo Bertini, a programação da noite manteve as exibições do festival. A sessão foi aberta com a mostra hors concours, que apresentou o documentário Guardiões da Floresta, produzido por estudantes da rede pública de ensino de Jaboatão dos Guararapes em oficina ministrada pelo cineasta Marlom Meirelles. No palco, os alunos também homenagearam o idealizador do Cine PE usando camisetas com o nome dele e com a seguinte frase: “Seu legado seguirá iluminando o cinema brasileiro”.
Entre aplausos e emoção, uma das alunas falou sobre a experiência de realizar um curta-metragem: “Eu queria agradecer pela oportunidade que o Cine PE deu pra gente. Antes a gente não tinha tanta dimensão do quão maravilhoso seria. Mas, estando aqui, com meus amigos, pessoas próximas e professores, que nos apoiaram muito, percebi que foi algo maravilhoso. Eu tenho muito orgulho de estar aqui representando a nossa escola porque é um colégio maravilhoso e esse filme foi muito bom”.
Em seguida, o público acompanhou a animação Medo Monstro, dirigida por Andrew Gledson e Eduardo Padrão, representante da mostra competitiva de curtas-metragens pernambucanos. Na mostra competitiva de curtas nacionais, foram exibidos Via Sacra, de João Campos, e Da Aldeia à Universidade, dirigido por Leandro de Alcântara e Túlio de Melo, que aborda trajetórias de estudantes indígenas no ensino superior. Encerrando a programação, o público assistiu ao documentário A Fabulosa Máquina do Tempo, da diretora Eliza Capai, longa-metragem que integra a mostra competitiva nacional e convida o espectador a refletir sobre memória, futuro e as transformações do mundo contemporâneo.
Inscrições abertas para curtas-metragens até 23 de junho
A 24ª edição da Goiânia Mostra Curtas, importante festival de cinema brasileiro de curtas-metragens, com mais de duas décadas de história, será realizada entre os dias 6 e 11 de outubro de 2026, no Teatro Goiânia, com entrada gratuita. Na edição anterior, o festival se organizou em torno da política da memória; em 2026, o festival desloca o eixo para a política da narrativa e da imaginação.
As inscrições para os filmes de curtas-metragens estão abertas até 23 de junho no site oficial do festival (clique aqui) e serão avaliados por uma curadoria especializada. Podem ser inscritos curtas-metragens de até 25 minutos, de todos os gêneros, finalizados a partir de janeiro de 2025; o regulamento também pode ser conferido no site. As produções selecionadas irão compor as mostras competitivas desta edição: Curta Mostra Brasil, Curta Mostra Goiás, Curta Mostra Origens (curtas universitários goianos) e concorrerão a prêmios em serviços e produtos oferecidos por empresas do setor audiovisual. A 23ª Mostrinha concorre a melhor filme pelo júri popular.
“A Goiânia Mostra Curtas construiu uma sólida reputação como espaço de fomento, experimentação e encontro entre realizadores, críticos, estudantes e público. Reconhecido nacionalmente como um dos festivais mais longevos e relevantes dedicados ao curta-metragem no Brasil, o evento já recebeu milhares de filmes e consolidou-se pelo compromisso com a diversidade cultural, a valorização regional e a democratização do acesso ao audiovisual”, destaca Maria Abdalla, diretora-geral e idealizadora do festival.
Mais do que uma vitrine para produções de curta duração, a Goiânia Mostra Curtas firmou-se como um território fértil para o surgimento de novas linguagens, estéticas e formas de narrar o país. O cinema, aqui, é compreendido como força ativa de construção de sentido, capaz de produzir desejo, reorganizar o sensível e projetar futuros. As imagens deixam de ser apenas testemunhos do real para assumir seu papel como operadores de mundo, instaurando formas de ver, sentir e imaginar o presente.
A programação desta edição reafirma o curta-metragem como território privilegiado dessa disputa narrativa. Cursos, laboratórios, estudos de caso, rodas de conversa e mostras especiais articulam processos de criação, ética, imaginação política e práticas formativas, conectando cinema autoral, educação, curadoria e desenvolvimento de projetos. O objetivo é fortalecer o festival como espaço de escuta, reflexão e elaboração crítica, estimulando realizadoras, realizadores e públicos a reconhecerem o cinema como prática situada, em continuidade, e profundamente implicada na construção de horizontes coletivos. Em 2026, a Goiânia Mostra Curtas propõe pensar o audiovisual não apenas como linguagem artística, mas como campo estratégico de invenção de mundos, desejos e futuros possíveis.
Marcélia Cartaxo, homenageada da edição passada, e Maria Abdalla, diretora do festival
A programação traz a tradicional Curta Mostra Brasil, com curadoria de Rafael de Almeida, cineasta, artista visual e professor, doutor em Multimeios pela Unicamp, pós-doutor pela UFG e professor da UEG. Rafael atua como curador em festivais como a Goiânia Mostra Curtas e o Pirenópolis Doc, com obras exibidas em diversos festivais e salões de arte no Brasil e no exterior.
A Curta Mostra Goiás será conduzida por Fabio Rodrigues Filho, realizador, crítico, pesquisador e curador de cinema, doutorando em Comunicação pela UFMG. Fábio atua nas áreas de crítica, curadoria e programação de cinema. É diretor dos curtas Tudo que é apertado rasga e Não vim no mundo para ser pedra, além de coordenador do Fluxo-Fixo, festival de filmes independentes.
A Curta Mostra Origens, de curtas universitários goianos, permanece na programação da Goiânia Mostra Curtas reafirmando o compromisso do festival com a formação, a experimentação e o fortalecimento das novas gerações do audiovisual goiano. Consolidada como um espaço dedicado às produções realizadas no ambiente universitário, a mostra evidencia a potência criativa que emerge das instituições de ensino, pesquisa e extensão em Goiás, reunindo obras marcadas pela diversidade de linguagens, pela inovação narrativa e pela experimentação estética. A iniciativa amplia o diálogo entre formação acadêmica e produção audiovisual contemporânea, estimulando a circulação de obras e o reconhecimento de jovens realizadoras e realizadores. A curadoria da mostra é assinada por Elinaldo Meira, professor na FAV/UFG, onde leciona Fotografia e Cinema, Arte e Educação.
Completa a grade da programação: a 23ª Mostrinha, mostra competitiva avaliada por Júri Popular. Ela tem curadoria de Gabriela Romeu, escritora, jornalista e documentarista, que há mais de vinte anos desenvolve projetos que criam pontes entre realidades e infâncias. A mostra é dedicada ao público infantojuvenil e propõe uma seleção de curtas sensíveis e inventivos, pensados para estimular o imaginário das crianças. Com uma curadoria atenta à diversidade de linguagens, narrativas e temas, a Mostrinha busca formar novas plateias e incentivar desde cedo o contato com o cinema como expressão artística e instrumento de reflexão.
Além das mostras permanentes, a cada edição, a Goiânia Mostra Curtas promove a Curta Mostra Especial, expressando um sentimento, um momento histórico, reflexões contemporâneas. Mostra não competitiva, que este ano está sob a curadoria de Kariny Martins, pesquisadora e roteirista; atualmente é autora-roteirista na TV Globo, mestre em Cinema e Artes do Vídeo pela Universidade Estadual do Paraná e Doutoranda em Comunicação pela Universidade Federal Fluminense. Em breve será divulgado o tema e a curadoria da Curta Mostra Especial.
O ator Danilo Castro marcou presença na edição passada
A cada edição, a Goiânia Mostra Curtas convida um artista visual goiano para criar a arte do cartaz. Essas obras servem como ponto de partida na forte corrente da cultura visual contemporânea, proporcionando diferentes formas de fruição ao espectador. A identidade visual da 24ª Goiânia Mostra Curtas é assinada por Genor Sales, artista visual nascido em Goiânia, em 1984, e graduado em Artes Visuais pela Universidade Federal de Goiás. Integrante do Jatobá Nascente: Ateliê-casa & Centro de Arte-educação, e representado pela Cerrado Galeria, desenvolve uma pesquisa atravessada por sua vivência periférica, mobilizando a subjetividade do peixe fora d’água como metáfora para discutir questões sociais, raciais e alimentares. Em 2025 e 2026, realizou exposições individuais em Goiânia e São Paulo, além de integrar mostras como Sertão Negro: Território Vivo, em Nova York. Foi indicado ao Prêmio PIPA 2025.
“Este trabalho, realizado especialmente para a Goiânia Mostra Curtas, parte de memórias de infância e de vivências familiares no contexto urbano periférico de Goiânia. A composição reúne objetos comuns do ambiente doméstico, como a rede de descanso, o filtro de barro, a televisão antiga com um copo d’água sobre ela e o padrão de energia com uma garrafa d’água pendurada, elementos que constroem um imaginário afetivo e cultural compartilhado”, reflete Genor Sales. A proposta visual dialoga com os debates desta edição do festival ao articular memória, território e cotidiano para refletir sobre as redes de afeto, informação, pertencimento e controle que atravessam a vida contemporânea, evocando o cinema como espaço de imaginação, disputa narrativa e invenção de mundos possíveis.
Além das exibições, a Mostra oferece uma ampla programação de atividades formativas: cursos, laboratórios de roteiro, estudos de caso, aula, oficinas, lançamento literário, debates, homenagens, encontro de realizadores, roda de conversa e ações de formação de plateia; todas gratuitas e abertas ao público. As atividades promovem o encontro entre diferentes gerações, fortalecem redes de colaboração e compartilhamento de conhecimento e reafirmam o curta-metragem como um espaço legítimo de invenção artística, reflexão crítica e transformação social. Reinventando-se a cada edição, a Goiânia Mostra Curtas segue como um dos principais motores do audiovisual independente brasileiro, sempre atenta às transformações e urgências do tempo presente.
“A Mostra tem papel decisivo na formação de novos cineastas e na criação de uma memória viva do cinema brasileiro contemporâneo de curtas-metragens. Mais do que exibir filmes, queremos promover encontros, trocas e visões plurais sobre o mundo, facilitando o acesso ao público em geral”, reforça Maria Abdalla.
Oswaldo Massaini e Aramis Trindade no palco do Cine PE
Exibidos na primeira mostra de longas-metragens promovida pelo Cine PE, há 30 anos, os filmes Baile Perfumado e O Cangaceiro foram homenageados na noite desta quinta-feira, 04/06, durante a programação da 30ª edição do festival audiovisual pernambucano.
Com temáticas que dialogam com a cultura nordestina e o universo do cangaço, os dois filmes marcaram um momento importante da retomada do cinema brasileiro e da história do festival: “O batismo do Cine PE teve a sorte e a visão de acolher esse encontro histórico entre a tradição e o mito na modernidade de uma nova geração de cineastas”, destacou a apresentadora do evento, Nínive Caldas.
Dirigido por Paulo Caldas e Lírio Ferreira, que assinam o roteiro ao lado de Hilton Lacerda, Baile Perfumado destaca o jovem libanês Benjamin Abrahão, homem de confiança de Padre Cícero, que parte de Juazeiro, na década de 1930, em busca de recursos para realizar um velho sonho: filmar Lampião e seu bando. Para isso, recorre as pessoas influentes, especialmente um coronel amigo do cangaceiro, mas os sonhos do mascate são prejudicados pela ditadura do Estado Novo.
Com Luiz Carlos Vasconcelos e Duda Mamberti no elenco, o filme foi exibido no Festival de Havana, consagrado no Festival de Brasília e premiado com o Troféu APCA nas categorias de melhor trilha musical (para Chico Science, Fred Zero Quatro e Sérgio Siba Veloso) e melhor ator coadjuvante (Luiz Carlos Vasconcelos). A produção foi assinada por Cláudio Assis e o elenco traz também Aramis Trindade, Chico Diaz, Joffre Soares, Cláudio Mamberti, Germano Haiut, Manoel Constantino, Giovanna Gold, Johnny Hooker e Daniela Mastroianni.
Já em O Cangaceiro, dirigido por Aníbal Massaini Neto, a história mostra, em meio à luta com as tropas organizadas por voluntários em busca de defesa de seus vilarejos, o conflito entre dois cangaceiros por causa de uma professora raptada a quem um deles pretende libertar por amor. O elenco conta com Paulo Gorgulho, Luíza Tomé, Alexandre Paternost, Ingra Lyberato, Jece Valadão, Otávio Augusto, Jofre Soares, Dominguinhos, Cláudio Mamberti e Othon Bastos.
Para celebrar as duas obras, o ator Aramis Trindade, que interpreta o Tenente Lindalvo Rosas em Baile Perfumado, e o produtor Oswaldo Massaini, de O Cangaceiro, subiram ao palco do Cinema do Teatro do Parque para receber a tradicional Calunga Prateada, um dos símbolos do festival.
Aramis Trindade, Nínive Caldas e Oswaldo Massaini
Emocionado, Aramis Trindade relembrou os desafios enfrentados para a realização de Baile Perfumado, obra que ajudou a recolocar Pernambuco no mapa da produção cinematográfica nacional após duas décadas sem a realização de longas-metragens no Estado: “O Baile Perfumado tem a mesma idade do festival. Ambos são de 96. E a gente sabe que nem tudo é glamour, né? Eu imagino quantos nãos o Bertini e a Sandra devem ter tomado até ganhar um sim. Até Baile Perfumado, fazia vinte anos que Pernambuco não filmava um longa-metragem. O último filme tinha sido O Palavrão, de Cleto Mergulhão, de 1976. Eu não sabia, Lírio que me falou. Ou seja, Pernambuco estava há duas décadas sem rodar”.
E finalizou, ovacionado pelo público: “Tem uma frase de Clarice Lispector, que morou em Recife por muito tempo, que me guia: ‘O caminho lento aumenta a minha coragem secreta’. Acho que ela traduz muito da trajetória de quem acredita e insiste em fazer cinema”.
Na sequência, representando o diretor Aníbal Massaini Neto, Oswaldo Massaini, coprodutor do longa, destacou a relação histórica entre O Cangaceiro e o nascimento do festival: “Quem poderia imaginar, naquela época, tudo o que aconteceria dali em diante? Estava ali plantada a semente do festival. Hoje, com muito orgulho, podemos dizer que também nos sentimos pernambucanos e seguimos torcendo pela longevidade e pelo sucesso deste evento”.
Além das homenagens, a noite contou com a exibição dos filmes das mostras competitivas. Abrindo a programação, foi exibido o curta documental pernambucano Salam, dirigido por Bruna Tavares. Na mostra competitiva de curtas-metragens nacionais, os títulos foram: Um Certo Cinema Brasileiro, do sergipano Fábio Rogério; e a ficção A Ascensão da Cigarra, de Ana Clara Ribeiro, de Rondônia. Encerrando a noite, o público acompanhou a exibição de Mapas, longa-metragem de ficção dirigido por Rafael Lobo e protagonizado por Caique Copque e Beta Rangel.
A quinta noite do Cine PE 2026 também foi marcada pela despedida de seu idealizador, Alfredo Bertini, falecido na quinta-feira, 04/06, aos 65 anos. Criador do festival e um dos principais incentivadores do audiovisual brasileiro, Bertini dedicou três décadas à construção de um espaço que se tornou referência para realizadores, artistas e público de todo o país.
Em respeito à sua trajetória e ao legado que deixou para a cultura pernambucana e nacional, a programação do festival será mantida como ele planejou, reafirmando que a melhor homenagem ao fundador do Cine PE é manter viva a sala de exibição, os encontros e as histórias que ele ajudou a tornar possíveis. O velório de Bertini acontecerá nesta sexta-feira, 05/06, das 10h às 14h, na Sede Social do Sport Club do Recife. A cerimônia de cremação será realizada às 16h, no Memorial Guararapes.
Camila Morgado na peça A Falecida, de Nelson Rodrigues
A atriz Camila Morgado será a Homenageada Nacional da 33ª edição do Festival de Cinema de Vitória, que acontecerá entre os dias 18 e 25 de julho, no Espírito Santo; ela receberá o Troféu Vitória e o Caderno da Homenageada, publicação biográfica assinada pelos jornalistas Leonardo Vais e Paulo Gois Bastos.
Nascida em Petrópolis, Rio de Janeiro, a estreia de Camila Morgado em longas-metragens ocorreu em Olga, lançado em 2004, drama biográfico dirigido por Jayme Monjardim e baseado no livro de Fernando Morais. O papel foi um dos principais marcos na carreira da atriz, até hoje lembrada pela emblemática frase “eu estou grávida de Luiz Carlos Prestes”, uma das cenas mais marcantes do cinema brasileiro. O filme alcançou mais de três milhões de espectadores nos cinemas e conta a história da judia alemã Olga Benário Prestes, desde seu exílio e treinamento militar em Moscou até sua prisão e deportação para a Alemanha nazista.
A carreira de Camila nas telonas soma mais de dez produções, como o documentário Vinicius, de Miguel Faria Jr., em que ela conduz a narrativa da obra declamando poemas e histórias sobre o poeta carioca em parceria com o ator Ricardo Blat. Entre os blockbusters, integrou o elenco dos recordes de bilheteria nacional em 2013 e 2015, Até que a Sorte nos Separe 2 e 3, de Roberto Santucci, com Leandro Hassum. No circuito de festivais e cinema de gênero, protagonizou o thriller O Animal Cordial, de Gabriela Amaral Almeida, e o drama Vergel, coprodução internacional dirigida por Kris Niklison. Também atuou nas comédias Bem Casados, de Aluizio Abranches, com Alexandre Borges; e Divórcio, de Pedro Amorim, ao lado de Murilo Benício. Ainda em 2026, a atriz se prepara para o lançamento de dois longas inéditos: Sedução, de Zelito Viana e Marcos Palmeira; e Nova Éden, de Aly Muritiba.
Nas plataformas de streaming, teve destaque como Janete, mulher que enfrenta um relacionamento abusivo na primeira temporada de Bom Dia, Verônica, original Netflix; a interpretação lhe rendeu o Prêmio APCA de melhor atriz de televisão. Na sequência, protagonizou Sentença, série do Prime Video. Na produção, interpretou Heloísa, uma advogada criminalista responsável pela defesa de uma acusada em um crime que chocou o país.
No teatro, Camila estreou nos palcos no final da década de 1990 com o espetáculo Graal, em 1997, dirigido por Gerald Thomas, e que marcou sua formatura na CAL, Casa das Artes de Laranjeiras. Depois, a atriz integrou a Cia de Ópera Seca, coordenada pelo diretor, até 2001, quando esteve em projetos como Nowhere Man e Ventriloquist. Dois anos depois, estreou na minissérie A Casa das Sete Mulheres, em 2003, um sucesso da Rede Globo que se tornou um dos clássicos contemporâneos da televisão brasileira. Na obra dirigida por Jayme Monjardim, interpretou Manuela, uma mulher que destaca a importância do papel feminino durante a Guerra dos Farrapos.
Na televisão, esteve na novela América (2004), de Glória Perez, como a vilã May. Divertiu o público como Noêmia, uma das três mulheres de Cadinho, papel de Alexandre Borges, em Avenida Brasil (2012), de João Emanuel Carneiro, ao lado de Carolina Ferraz e Débora Bloch. A atriz voltou a repetir a parceria com a autora Maria Adelaide Amaral nas séries Um Só Coração (2005), em que interpretou Cacilda Becker; e JK (2006), como Ana Rosemberg, além da novela A Lei do Amor (2016). Também foi a empresária Mara Moreira em O Canto da Sereia (2013), microssérie baseada no livro homônimo de Nelson Motta; Maria Angélica no remake de O Rebu (2014); e a professora Gabriela em Malhação: Vidas Brasileiras (2018), na 26ª temporada da novela adolescente. Seus trabalhos mais recentes em telenovelas foram em dois remakes de Benedito Ruy Barbosa: Pantanal (2022), como Irma; e Renascer (2024), como Dona Patroa.
Nos palcos, foi dirigida por Marília Pêra na comédia Doce Deleite (2008), em que dividiu cena com Reynaldo Gianecchini. Ao lado de Vera Holtz e Antonio Petrin, esteve em Palácio do Fim (2012), dirigida por José Wilker, que abordava em textos intensos fatos ocorridos na Guerra do Iraque. Após um hiato de mais de dez anos, Camila voltou ao teatro em A Falecida (2023), texto de Nelson Rodrigues. A produção, dirigida por Sérgio Modena, foi a realização de um sonho da atriz que sempre desejou interpretar um dos maiores autores brasileiros de todos os tempos.
Taís Araujo e Marat Descartes na coletiva de imprensa
A 30ª edição do Cine PE – Festival do Audiovisual começou nesta segunda-feira, 01/06, no Cinema do Teatro do Parque, em cerimônia apresentada pela atriz pernambucana Nínive Caldas. A noite de abertura reuniu realizadores, artistas, produtores, autoridades e amantes do cinema para celebrar três décadas de um dos mais importantes festivais audiovisuais do país.
Para abrir a competição de longas-metragens, foi exibido Doutor Monstro, novo trabalho do cineasta paranaense Marcos Jorge, de Estômago. Inspirado em um dos mais emblemáticos tribunais do júri da crônica criminal brasileira, que envolveu o médico Farah Jorge Farah, o filme traz a atriz Taís Araujo como uma obstinada promotora de justiça, que tem pela frente a missão de colocar na cadeia um respeitado cirurgião plástico, vivido por Marat Descartes, que confessou ter assassinado e esquartejado uma ex-paciente. O que seria um caso simples se transforma em um dos mais difíceis e perturbadores trabalhos de sua carreira.
Antes da exibição, a equipe do filme se reuniu com a imprensa no Novotel Recife Marina. No bate-papo, Taís Araujo falou de sua personagem: “Eu já fiz tanta advogada nessa vida… fiz em Aruanas, que foram duas temporadas, fiz em Amor de Mãe e agora a Cláudia. Eu não sei nada de Direito, nada. Mas eu confio plenamente nos pesquisadores e no diretor que dizem como funciona. Eu questiono porque não sei nada. Mas eu sei interpretar, que é o que eu faço há trinta anos. É o meu trabalho”. E completou: “É muito lindo ela ser essa promotora que pega esse caso para ser o caso da vida dela. Ela não é uma personagem da história verídica porque era um promotor, né? Eu acho lindo essa escolha por ser uma mulher que busca, quase obsessivamente, fazer justiça para outra mulher. Em uma época do Brasil que não se falava em feminicídio. É uma personagem incrível e complexa. Ela tem uma personalidade que tem também muita humanidade”.
A atriz, que marcou presença no festival para a primeira exibição do filme no país, também refletiu sobre sua carreira: “No ano passado eu fiz 30 anos de televisão. Mas, de teatro eu tenho um pouquinho mais. Nossa, nem eu acredito! Mas é que passou tão rápido mesmo. E trinta anos de uma carreira que eu sou tão orgulhosa dela. Eu acho uma carreira bonita, com escolhas bonitas e muito leais ao que eu acredito artisticamente. E aí quando eu fiz 30 anos, eu fiquei pensando: ‘E agora?’. E é tão legal ter 47 anos, ter essa carreira que eu tenho e ter ainda tanta coisa para explorar; você ter o privilégio de escolher o que você quer fazer artisticamente. O que te preenche artisticamente? Que tipo de histórias você quer contar? Quais as narrativas que você pode investir seu tempo, seu desejo artístico e levar para o mundo? É tão bom já ter 30 anos de carreira, ter tantos anos pela frente e poder ter o privilégio de escolher o que vai fazer, a forma, com quem, como… isso é o que me deixa mais enérgica. E esse filme faz parte disso porque quando o Marcos [Jorge, diretor] me chamou, o que mais me interessou foi ser um filme de tribunal”.
O bate-papo aconteceu antes do filme porque Taís Araujo viajaria ainda na madrugada e não conseguiria participar da coletiva de imprensa oficial na manhã seguinte. Por conta disso, aproveitou o momento para refletir sobre sua trajetória: “Eu sou uma mulher que vai fazer 50 anos daqui a pouco. Eu comecei a trabalhar com 13 anos. Então, eu sou uma artista que vive a contemporaneidade. Para mim, artisticamente, faz todo sentido provocar reflexão, pensamentos e fazer do meu trabalho, da minha arte, esse tipo de provocação”. E continuou: “Em uma sociedade como o Brasil, que é forjada por todos esses pilares terríveis de racismo, machismo, misoginia, homofobia… são assuntos que me interessam transformar em arte para debater. Porque não tem nada mais poderoso do que o audiovisual para discutir esses assuntos, sabe? A arte é muito poderosa. Todo mundo que está aqui trabalha com isso, todo mundo sabe o poder que tem. É um poder de comunicação muito grande. Para mim, não faz sentido ser uma artista que não trate desses assuntos, que não provoque essas reflexões e que não queira ampliar debates nesse sentido”.
Equipe do longa Doutor Monstro no palco
Taís também falou da sua experiência nos palcos e das escolhas profissionais: “Eu, por exemplo, vou estrear minha peça [Mudando de Pele] agora em São Paulo. É um texto que eu tava procurando já… uma pesquisa de muitos anos sobre pessoas pretas, mas que a dor não seja a protagonista absoluta, sabe? E sim as subjetividades, as outras questões, o caos que tem dentro de todos nós. Isso também vem numa pesquisa de reduzir nossa população ao sofrimento e à dor para ampliar os olhares de tudo. Então, eu decidi que agora eu vou ter repertório de teatro. Tem essa peça, daqui a pouco vou fazer outra. O que vou fazer com as histórias que me interessam contar artisticamente? Eu posso fazer isso com as histórias que estão sob a minha curadoria. As que não estão, eu não tenho esse poder. Mas a questão que eu posso escolher, já é muito interessante, instigante e prazeroso”.
Além disso, a atriz desabafou sobre os obstáculos que enfrenta em seu cotidiano: “Seria lindo se a gente pudesse viver plenamente, mas, a gente não vive. Estamos sempre em estado de alerta, o tempo inteiro. Se você é mulher, então… E se você é mulher negra tudo vai se potencializando e os perigos vão aumentando. Não é porque sou conhecida, trabalho há 30 anos e tô nas campanhas publicitárias que estou salva disso. Não, não estou. E eu sei que não estou. E é por isso que também faz muito sentido continuar falando sobre o que tem que ser dito e não fingir que está tudo bem. Se você ascende socialmente, óbvio que as coisas melhoram em alguns aspectos, mas eu não estou salva disso. E, mesmo que melhorasse, a minha obrigação moral e artística era de continuar falando sobre os assuntos”.
O ator Marat Descartes também participou do bate-papo e falou sobre seu personagem e seu processo de criação: “Eu fui atrás de alguns desses outros casos para tentar entender se havia alguma semelhança porque como intérprete desse tipo de criatura, a gente não pode julgar, né? Temos que simplesmente tentar entender qual é o mecanismo psíquico que leva um ser a cometer uma atrocidade dessas. Na minha pesquisa, fui vendo outros casos parecidos com o dele. Foi uma pesquisa para tentar entender o que passa pela cabeça e também mergulhar um pouco na história particular desses médicos. Esse caso tem coisas bem particulares. Ele não é exatamente um serial killer. Então, o que o levou a cometer esse crime?”.
Já no palco do Teatro do Parque e ao lado de sua equipe, o diretor Marcos Jorge discursou: “Que bom estar aqui com esse povo vibrante, nessa cidade vibrante que todos nós agora aprendemos internacionalmente a apreciar. É um grande privilégio ser o filme de abertura desse lindo festival, que estive alguns anos atrás. Quando eu vi pela primeira vez a história do Farah Jorge Farah, eu não acreditei. Eu achei que aquilo não podia ser verdade. Mas era uma terrível verdade. E achei que ali tinha um filme muito interessante. Recentemente eu fui numa palestra de um diretor americano chamado Spike Jonze, que me ajudou a entender um pouco do filme que a gente acabou fazendo. Ele disse: ‘Os tempos surreais em que vivemos pedem filmes ainda mais surreais. A realidade é absurda’. Sim, a realidade é absurda e os filmes que nós fazemos, que nós assistimos, talvez seja uma das poucas maneiras que temos para lidar com elas”.
Taís Araujo também conversou com o público presente: “É um prazer lançar nosso filme aqui no Cine PE, que completa 30 anos. É a primeira vez que o filme vai ser exibido. Ninguém aqui viu ainda, eu acho. Só o diretor. Tá todo mundo ansioso para ver. Espero que seja um filme que provoque reflexão e eu acho que essa é a função dele”. Marat Descartes completou: “É uma alegria estar aqui. Filmamos em 2023 e, por isso, estou ansioso para ver o que fizemos. Eu acho de extrema importância a reflexão que esse filme traz em um momento em que o fenômeno do feminicídio está exponencial no nosso país. Acho também que ao focar na questão do tribunal, traz luz para a questão do que é verdade, o que é fato, mentira, fake”.
Com Guilherme Weber, Marcelina Fialho, Duílio De Pol, Paulo Matos, Bárbara Passos e Uyara Torrente no elenco, Doutor Monstro é uma produção da Zencrane Filmes, com coprodução da Paramount Pictures e distribuição da Olhar Filmes. A estreia comercial nos cinemas está prevista para o início do segundo semestre deste ano.
Zenaide e Fátima: cidadãs Cine PE
Ainda na noite de abertura, antes da exibição do longa, o festival teve início com a exibição do documentário comemorativo sobre os 30 anos do Cine PE. A produção revisita momentos marcantes da trajetória do festival, resgatando imagens históricas, depoimentos e registros que ajudam a contar a construção de uma iniciativa que se tornou referência para o audiovisual brasileiro: “Foram dois meses intensos para tentar resumir 30 anos de história. Fizemos um verdadeiro garimpo de imagens, desde fitas VHS até materiais mais recentes. Foi um trabalho feito com muito amor pelo festival”, disse Eduardo Cavalcanti, responsável pela direção do filme.
Outro momento emocionante da noite foi a homenagem às irmãs Zenaide Maria de Sousa e Fátima Maria de Sousa, carinhosamente conhecidas como As Irmãs do Cine PE. Presenças confirmadas em todas as edições do festival desde sua criação, elas receberam das mãos da diretora Sandra Bertini o título de Cidadãs Cine PE, em reconhecimento ao entusiasmo e amor demonstrados ao longo dos 30 anos de história do evento.
Emocionadas, agradeceram pela homenagem e lembraram a relação afetiva construída com o festival ao longo das décadas: “Gente, boa noite! Estou muito emocionada e gratificada por essa homenagem, que eu não esperava. Estou muito feliz, de coração. Eu amo o Cine PE há muitos anos. Acompanho desde o início, praticamente. Eu amo de coração!”, disse Zenaide. E Fátima completou: “Também estou muito, muito emocionada. Todos os anos são muitas emoções. Aqui, conhecemos muita gente. É muita coisa maravilhosa. Melhor do que todos esses carnavais que passam por aqui. Uma coisa linda que sempre emociona demais. A gente se sente tão feliz, sabe? É inexplicável o sentimento”. Ao entregar a homenagem, Sandra Bertini destacou a importância do público para a existência do festival: “A gente precisava homenagear Zenaide e Fátima. Elas sempre foram as primeiras da fila. Esse amor pelo Cine PE representa exatamente o encontro que buscamos promover entre o público e o audiovisual”.
Com sessões gratuitas até o próximo dia 7 de junho, o 30º Cine PE segue com mostras competitivas de curtas e longas-metragens, homenagens, debates e encontros com realizadores, celebrando uma trajetória que ajudou a fortalecer o audiovisual nacional e a formar gerações de espectadores.
Ítalo Martins e Robério Diógenes em O Agente Secreto: 18 indicações
Foram divulgados nesta terça-feira, 02/06, os finalistas ao Prêmio Grande Otelo 2026, que é realizado pela Academia Brasileira de Cinema e considerada a maior premiação do setor audiovisual nacional; e que, neste ano, celebra o aniversário de 25 anos.
Nesta 25ª edição, o consagrado O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, lidera a lista com 18 indicações, entre elas, melhor ator para Wagner Moura; Homem com H, O Filho de Mil Homens e O Último Azul aparecem na sequência com 12 indicações cada.
Em comunicado oficial, Renata Almeida Magalhães, presidente da Academia Brasileira de Cinema, disse: “Vinte e cinco anos é fato para comemorar. Estivemos, estamos e estaremos sempre junto com o que o audiovisual brasileiro produz”.
A cerimônia de premiação acontecerá no dia 4 de agosto no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, às 20h15, com transmissão ao vivo para todo o país pelo canal do YouTube da Academia e também pelo Canal Brasil.
Ao todo, serão anunciados 32 prêmios para longas-metragens, curtas-metragens e séries brasileiras: 31 produções serão escolhidas pelo amplo júri formado por profissionais associados à Academia Brasileira de Cinema, além do disputado Grande Otelo de melhor filme pelo Júri Popular, escolhido pelo público por meio de votação aberta realizada no site da Academia. Concorrerão ao voto popular os cinco finalistas das categorias: melhor longa-metragem de ficção, melhor longa-metragem de comédia e melhor longa-metragem documental. A edição deste ano marca o retorno da categoria de melhor longa-metragem de comédia e inclui o prêmio de melhor montagem de documentário.
Em 2026, foram 287 inscrições (com 2.140 profissionais inscritos) entre 162 longas-metragens (82 filmes de ficção, 59 documentários, 7 filmes do gênero infantil, 4 longas de animação e 10 ibero-americanos indicados pelas Academias que fazem parte da FIACINE, Federación Iberoamericana de Academias de Artes y Ciencias Cinematográficas); 59 curtas-metragens (21 de ficção, 26 documentários e 12 de animação); e 66 séries (24 de ficção, 34 documentários e 8 de animação).
“Os 25 anos são um marco para toda a indústria audiovisual brasileira e o Rio tem orgulho de fazer parte dessa história. O setor audiovisual movimentou R$ 4,7 bilhões na economia carioca em 2025, reúne mais de 2,7 mil empresas e gera emprego, renda e oportunidades. Somos hoje a cidade mais filmada da América Latina, com quase 11 mil diárias de filmagem autorizadas no ano passado. Apoiar o Prêmio Grande Otelo é fortalecer a cultura, a economia criativa e a projeção do Rio no Brasil e no mundo”, disse o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Cavaliere.
Conheça os indicados ao 25º Prêmio Grande Otelo:
MELHOR LONGA-METRAGEM | FICÇÃO Homem com H, de Esmir Filho Manas, de Marianna Brennand O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho O Filho de Mil Homens, de Daniel Rezende O Último Azul, de Gabriel Mascaro
MELHOR LONGA-METRAGEM | COMÉDIA Agentes Muito Especiais, de Pedro Antonio C.I.C. – Central de Inteligência Cearense, de Halder Gomes Sexa, de Gloria Pires Sonhar com Leões, de Paolo Marinou-Blanco Uma Mulher Sem Filtro, de Arthur Fontes Velhos Bandidos, de Claudio Torres
MELHOR LONGA-METRAGEM | DOCUMENTÁRIO A Queda do Céu, de Eryk Rocha e Gabriela Carneiro da Cunha Apocalipse nos Trópicos, de Petra Costa Hora do Recreio, de Lucia Murat Mambembe, de Fabio Meira Ritas, de Oswaldo Santana e Karen Harley
MELHOR LONGA-METRAGEM | INFANTIL Narciso, de Jeferson De O Diário de Pilar na Amazônia, de Eduardo Vaisman e Rodrigo Van Der Put O Último Episódio, de Maurilio Martins Os Dragões, de Gustavo Spolidoro Thiago & Ísis e os Biomas do Brasil, de João Amorim
MELHOR LONGA-METRAGEM | ANIMAÇÃO Authentic Games: No Império Desconectado, de Bruno Murtinho Eu e Meu Avô Nihonjin, de Celia Catunda Nosso Louco Amor, de Nelson Botter Jr. Tainá e os Guardiões da Amazônia: Em Busca da Flecha Azul, de Alê Camargo e Jordan Nugem
MELHOR DIREÇÃO Daniel Rezende, por O Filho de Mil Homens Esmir Filho, por Homem com H Gabriel Mascaro, por O Último Azul Kleber Mendonça Filho, por O Agente Secreto Marianna Brennand, por Manas
MELHOR PRIMEIRA DIREÇÃO DE LONGA-METRAGEM Douglas Soares, por Papagaios Gloria Pires, por Sexa Júlia Jordão, por Perfeitos Desconhecidos Márcia Faria, por A Procura de Martina Rafaela Camelo, por A Natureza das Coisas Invisíveis
MELHOR ATRIZ Camila Pitanga, por Malês Carolina Dieckmmann, por (Des)controle Denise Weinberg, por O Último Azul Jamilli Correa, por Manas Tânia Maria, por O Agente Secreto
MELHOR ATOR Antonio Pitanga, por Malês Ary Fontoura, por Velhos Bandidos Irandhir Santos, por Os Enforcados Jesuíta Barbosa, por Homem com H Rodrigo Santoro, por O Filho de Mil Homens Wagner Moura, por O Agente Secreto
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE Alice Carvalho, por O Agente Secreto Camila Márdila, por A Natureza das Coisas Invisíveis Dira Paes, por Manas Grace Passô, por O Filho de Mil Homens Hermila Guedes, por O Agente Secreto
MELHOR ATOR COADJUVANTE Adanilo, por O Último Azul Alejandro Claveaux, por Ruas da Glória Augusto Madeira, por Os Enforcados Carlos Francisco, por O Agente Secreto Gabriel Leone, por O Agente Secreto Robério Diógenes, por O Agente Secreto Rodrigo Santoro, por O Último Azul Rômulo Braga, por Manas
MELHOR ROTEIRO ORIGINAL A Melhor Mãe do Mundo, escrito por Anna Muylaert A Natureza das Coisas Invisíveis, escrito por Rafaela Camelo Homem com H, escrito por Esmir Filho Manas, escrito por Felipe Sholl, Marcelo Grabowsky, Marianna Brennand, Carolina Benevides, Antonia Pellegrino e Camila Agustini O Agente Secreto, escrito por Kleber Mendonça Filho O Último Azul, escrito por Gabriel Mascaro e Tibério Azul
MELHOR ROTEIRO ADAPTADO A Queda do Céu, escrito por Eryk Rocha e Gabriela Carneiro da Cunha; adaptado do livro A Queda do Céu, de Davi Kopenawa e Bruce Albert Barba Ensopada de Sangue, escrito por Aly Muritiba e Jessica Candal; baseado no livro Barba Ensopada de Sangue, de Daniel Galera Cinco Tipos de Medo, escrito por Bruno Bini; adaptado do curta-metragem Três Tipos de Medo, de Bruno Bini Enterre seus Mortos, escrito por Marco Dutra; baseado no livro Enterre seus Mortos, de Ana Paula Maia O Advogado de Deus, escrito por Wagner de Assis; adaptado da obra O Advogado de Deus, de Zíbia Gasparetto e Lucius O Filho de Mil Homens, escrito por Daniel Rezende; adaptado do livro O Filho de Mil Homens, de Valter Hugo Mãe
MELHOR DIREÇÃO DE FOTOGRAFIA Homem com H, por Azul Serra Manas, por Pierre de Kerchove O Agente Secreto, por Evgenia Alexandrova O Filho de Mil Homens, por Azul Serra O Último Azul, por Guillermo Garza
MELHOR DIREÇÃO DE ARTE Homem com H, por Thales Junqueira Manas, por Marcos Pedroso O Agente Secreto, por Thales Junqueira O Último Azul, por Dayse Barreto Um Lobo Entre os Cisnes, por Dina Salem Levy
MELHOR FIGURINO Homem com H, por Gabriella Marra Malês, por Rô Nascimento Manas, por Kika Lopes O Agente Secreto, por Rita Azevedo O Filho de Mil Homens, por Manuela Mello O Último Azul, por Gabriella Marra
MELHOR MAQUIAGEM Barba Ensopada de Sangue, por Andrea Tristão Homem com H, por Martín Macías Trujillo O Agente Secreto, por Marisa Amenta O Filho de Mil Homens, por Martín Macías Trujillo O Último Azul, por Juliana Bolze
MELHOR MONTAGEM | FICÇÃO Cinco Tipos de Medo, por Bruno Bini Homem com H, por Germano de Oliveira Manas, por Isabela Monteiro de Castro O Agente Secreto, por Eduardo Serrano e Matheus Farias O Filho de Mil Homens, por Marcelo Junqueira
MELHOR MONTAGEM | DOCUMENTÁRIO Apocalipse nos Trópicos, por David Barker, Tina Baz, Nels Bangerter, Jordana Berg, Victor Miaciro e Eduardo Gripa Cazuza: Boas Novas, por Jordana Berg Ecos do Teatro Experimental do Negro, por Cristina Amaral Mambembe, por Fabio Meira, Juliano Castro e Affonso Uchoa Ritas, por Oswaldo Santana Zico: O Samurai de Quintino, por André Felipe Silva e João Wainer
MELHOR EFEITO VISUAL Homem com H, por Massao Asaga O Agente Secreto, por Alexandre Boiron, Luuk Meijer e David Van Heeswijk O Diário de Pilar na Amazônia, por Claudio Peralta O Filho de Mil Homens, por Juliano Storchi O Último Azul, por Eduardo Kurt, Magdalena Maia, Sofia Sussekind, Beatriz Paixão e Vandré Huppes
MELHOR SOM Homem com H, por Ana Luiza Penna, Martín Grignaschi e Armando Torres Jr. Manas, por Valéria Ferro, Miriam Biderman, Ricardo Reis e Armando Torres Jr. O Agente Secreto, por Pedro Moreira, Moabe Filho, Tijn Hazen e Cyril Holtz O Filho de Mil Homens, por Lia Camargo, Toco Cerqueira e Alan Zilli O Último Azul, por Liliana Villaseñor, Heverson Batista, María Alejandra Rojas, Arturo Salazar R.B. e Vincent Sinceretti
MELHOR TRILHA SONORA A Melhor Mãe do Mundo, por André Abujamra e George Nahssen Homem com H, por Guilherme Amabis, Mariana Amabis e Rica Amabis Malês, por Antonio Pinto e Barulhista O Agente Secreto, por Tomaz Alves Souza e Mateus Alves O Filho de Mil Homens, por Fabio Góes
MELHOR CURTA-METRAGEM | FICÇÃO Amarela, de André Hayato Saito (SP) Arame Farpado, de Gustavo de Carvalho (SP) Boiuna, de Adriana de Faria (PA) Klaustrofobia, de João Londres (RJ) Peixe Morto, de João Fontenele (CE) Presépio, de Felipe Bibian (RJ)
MELHOR CURTA-METRAGEM | DOCUMENTÁRIO Cartas pela Paz, de Mariana Reade, Thays Acaiabe e Patrick Zeiger (RJ) Conselho, de Alice Riff (SP) Filme Sem Querer, de Lincoln Péricles (SP) Replikka, de Piratá Waura e Heloisa Passos (PR/MT/SP) Sebastiana, de Pedro de Alencar (RJ)
MELHOR CURTA-METRAGEM | ANIMAÇÃO A Tragédia da Lobo-Guará, de Kimberly Palermo (RJ) Como Nasce um Rio, de Luma Flôres (BA) Mãe de Manhã, de Clara Trevisan Farret (RS) Safo, de Rosana Urbes (SP) Seu Vô e a Baleia, de Mariana Elisabetsky (SP) Uma Menina, Um Rio, de Renata Martins Alvarez (SP)
MELHOR LONGA-METRAGEM IBERO-AMERICANO Belén: Uma História de Injustiça, de Dolores Fonzi (Argentina); indicação: Academia de las Artes y Ciencias Cinematográficas de la Argentina O Olhar Misterioso do Flamingo, de Diego Céspedes (Chile); indicação: Academia de Cine de Chile O Riso e a Faca, de Pedro Pinho (Portugal); indicação: Academia Portuguesa de Cinema Pepe, de Nelson Carlo de los Santos Arias (República Dominicana); indicação: Academia de las Artes y Ciencias Cinematográficas de la República Dominicana Um Poeta, de Simón Mesa Soto (Colômbia); indicação: Academia Colombiana de Cine
MELHOR SÉRIE | FICÇÃO | TV ABERTA, TV PAGA ou STREAMING Ângela Diniz: Assassinada e Condenada (1ª temporada) (Conspiração) (HBO Max) Beleza Fatal (1ª temporada) (Coração da Selva) (HBO Max) Cangaço Novo (2ª temporada) (O2 Filmes) (Prime Video) Emergência Radioativa (1ª temporada) (Gullane) (Netflix) Máscaras de Oxigênio Não Cairão Automaticamente (1ª temporada) (Morena Filmes) (HBO Max)
MELHOR ATRIZ | SÉRIE DE FICÇÃO | TV ABERTA, TV PAGA ou STREAMING Adriana Esteves, por Os Outros Alice Carvalho, por Cangaço Novo Bruna Linzmeyer, por Máscaras de Oxigênio Não Cairão Automaticamente Camila Pitanga, por Beleza Fatal Marjorie Estiano, por Ângela Diniz: Assassinada e Condenada Thainá Duarte, por Cangaço Novo
MELHOR ATOR | SÉRIE DE FICÇÃO | TV ABERTA, TV PAGA ou STREAMING Allan Souza Lima, por Cangaço Novo Chico Diaz, por Os Donos do Jogo Johnny Massaro, por Máscaras de Oxigênio Não Cairão Automaticamente Johnny Massaro, por Emergência Radioativa Ravel Andrade, por Raul Seixas: Eu Sou
MELHOR SÉRIE | DOCUMENTÁRIO | TV ABERTA, TV PAGA ou STREAMING A Mulher da Casa Abandonada (1ª temporada) (Coiote Produções) (Prime Video) Caçador de Marajás (1ª temporada) (Boutique Filmes) (Globoplay) Cazuza Além da Música (1ª temporada) (Conspiração) (Globoplay) Chico Anysio: Um Homem à Procura de um Personagem (Casé Filmes) (Globoplay) Congonhas: Tragédia Anunciada (Pródigo) (Netflix) O Testamento: O Segredo de Anita Harley (Globo) (Globoplay)
MELHOR SÉRIE | ANIMAÇÃO | TV ABERTA, TV PAGA ou STREAMING As Aventuras de Tita (1ª temporada) (FK Sound/Viu Cine) Esquadrão do Mar Azul (2ª temporada) (Belli Studio) Esse é o Bicho!(2ª temporada) (Sabiá Educacional) Gnaks! (1ª temporada) (Mandra Filmes) O Mundo (Sem Filtro) de Any Malu (1ª temporada) (Combo Estúdio Animações) Osmar, a Primeira Fatia do Pão de Forma (3ª temporada) (44 Toons) Senninha na Pista Maluca (3ª temporada) (Gullane)