Notícias

Fique por dentro de tudo o que acontece no universo do cinema!

Festival de Locarno 2026: A Margem do Rio, de Enock Carvalho e Matheus Farias, é premiado; coproduções brasileiras também se destacam

por: Cinevitor
Matheus Farias e Enock Carvalho: premiados pelo longa A Margem do Rio

Foram anunciados neste sábado, 15/08, os vencedores da 79ª edição do Festival de Cinema de Locarno, considerado um dos principais festivais de cinema autoral do mundo. O Leopardo de Ouro, prêmio máximo do evento, foi entregue para o romeno Nu e locul tau aici, dirigido por Florin Șerban

O cinema brasileiro se destacou na Competição Internacional, principal mostra do festival, com o longa pernambucano A Margem do Rio, de Matheus Farias e Enock Carvalho, que levou o Prêmio Especial do Júri: “Uma jornada cheia de paciência, solidariedade, atração, violência, corpos, sexo. Um horror erótico e mágico enraizado na tradição política do cinema brasileiro. Uma energia pulsante que só um primeiro longa pode ter”, disse a justificativa do júri, que foi presidido pelo cineasta belga Fabrice Du Welz e contou com Marco Alessi, Lolita Chammah, Paulina García e Olivier Père

O diretor Enock Carvalho dedicou o prêmio para sua família, equipe e elenco, especialmente, ao protagonista Caique Copque e “à nossa comunidade LGBTQ no Brasil”. E continuou: “Permaneçam juntos. Desejo a vocês muito amor e muitas coisas boas. Esta união não existiria sem o apoio de vocês”. Matheus Farias complementou lendo um trecho do texto do escritor brasileiro Tiago Guimarães: “Nós, pessoas LGBTQ, sempre vivemos da profanação e da desobediência. Se hoje podemos existir em público, em alguns lugares e sob algumas condições, é porque alguém desobedeceu antes de nós e provavelmente pagou um preço por isso. Então seja gay, seja queer, desobedeça, profane. Não acredite que, se você se comportar bem, o sistema vai te aceitar. Não vai. Estamos sempre à margem”

Rodado no Recife e estrelado por Caique Copque, premiado recentemente como melhor ator no Cine PE por Mapas, e Ítalo Martins, de O Agente Secreto e Guerreiros do Sol, também premiado no Cine PE como melhor ator coadjuvante por Resta Um, o filme marca a estreia dos diretores em um longa-metragem após uma sequência de celebrados curtas-metragens, incluindo o premiado Inabitável, exibido em diversos festivais. 

Em A Margem do Rio, Izaquiel (Caique Copque) trabalha como auxiliar de serviços gerais no Recife, cidade entrecortada por rios e manguezais. À noite, ele se aventura perigosamente em busca de encontros secretos no mangue. Seu mundo vira de cabeça para baixo quando ele cruza o caminho de Jeremias (Ítalo Martins), um pescador intrigante e magnético. À medida que uma ameaça externa invade o lugar trazendo violência, Jeremias conduz Izaquiel numa jornada rumo às profundezas do coração do manguezal.

Além de Caique Copque e Ítalo Martins, o longa também traz em seu elenco Robério Diógenes, Carlos Francisco, Isis Broken, Renna Costa, Enio Cavalcanti, Artia Lauandah, Albert Tenório, Ana Luiza Rios, Andrea Rosa, Bruno Goya, Igor de Araújo, Mariza Moreira, Matheus Neves, Mauricéa Conceição, Merry Batista, Naywá Moura, Raphael Bernardo e Rubens Santos

A Margem do Rio é uma coprodução entre Gatopardo Filmes, Moçambique Audiovisual e Vitrine Filmes, em parceria com a Tama Filmproduktion (Alemanha). O filme foi realizado com recursos da Ancine e do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), por meio do BRDE, e do Funcultura, contando ainda com o apoio do Projeto Paradiso, do World Cinema Fund e do Hubert Bals Fund. A distribuição no Brasil é da Vitrine Filmes.

A equipe do longa pernambucano conta com: Luciana Baseggio na direção de fotografia e Maíra Mesquita na direção de arte; Gabriella Marra e Maria Eugênia Cox assinam o figurino. A caracterização é de Patricia Martinelli e o som direto de Moabe Filho e Guma Farias. O elenco é assinado por Maria Clara Escobar com preparação de Nash Laila; a montagem é de Matheus Farias com Will Domingos. A música original é assinada por IDLIBRA, o desenho de som é de Daniel Turini, que também faz a mixagem, com João Victor Coura; Samanta do Amaral é a colorista. A direção de produção é de Mariana Jacob, com coprodução de Flavia Oertwig, Silvia Cruz e Letícia Friedrich; Breno Baptista assina como primeiro assistente de direção. As filmagens ocorreram entre julho e setembro de 2025 no Recife, com uma equipe de 150 profissionais, entre elenco e equipe técnica, e a pós-produção durou oito meses.

Além disso, o Brasil também se destacou com duas coproduções que receberam Menção Especial na mostra Concorso Cineasti del presente, que traz uma seleção de primeiro e/ou segundo longa-metragem, principalmente estreias mundiais, dirigidos por talentos globais emergentes: Hanabi, da brasileira Ana Vaz, uma coprodução entre França e Brasil; e Los días libres, de Lucila Mariani, uma coprodução entre Argentina, Brasil (Vulcana Cinema), México e França

Com onze mostras, sendo três competitivas, o festival suíço explora o cinema sob todas as perspectivas, selecionando cuidadosamente filmes realizados para inspirar, surpreender, abrir a mente e questionar seus pressupostos.

Conheça os vencedores do 79º Festival de Cinema de Locarno:

COMPETIÇÃO INTERNACIONAL

LEOPARDO DE OURO | MELHOR FILME
Nu e locul tau aici, de Florin Șerban (Romênia)

PRÊMIO ESPECIAL DO JÚRI
A Margem do Rio, de Matheus Farias e Enock Carvalho (Brasil/Alemanha)

MELHOR DIREÇÃO
Hong Sang-soo, por Nun Dul Dega Eomne

MELHOR INTERPRETAÇÃO
Kim Min-hee, por Nun Dul Dega Eomne
Monica Bellucci, por Ketticè

MENÇÃO ESPECIAL | INTERPRETAÇÃO
Xavier Bergeron, por Violence du corps de l’autre
Teodor Butănescu, por Nu e locul tau aici

CONCORSO CINEASTI DEL PRESENTE

LEOPARDO DE OURO | MELHOR FILME
La ilusión de un verano sin fin, de Alessandra Sanguinetti (Argentina/EUA)

PRÊMIO ESPECIAL DO JÚRI
Revolutionaries Never Die, de Mohanad Yaqubi (Palestina/Bélgica/Qatar)

MELHOR DIREÇÃO EMERGENTE
Beatrice Gibson, por At Night

MELHOR INTERPRETAÇÃO
Idrissu Tontie Jr., por Ego Reach We All
Manal Issa, por L’estive

MENÇÃO ESPECIAL
Los días libres, de Lucila Mariani (Argentina/Brasil/México/França)
Hanabi, de Ana Vaz (França/Brasil)

PARDI DI DOMANI | COMPETIÇÃO INTERNACIONAL

LEOPARDO DE OURO | MELHOR CURTA-METRAGEM INTERNACIONAL
Melk, de Filip Anthonissen (Bélgica)

LEOPARDO DE PRATA
Khufu, de Mahmoud Assi (Egito/França/Suécia/Canadá)

MELHOR DIREÇÃO
Marco Cavazzin, por Mutrion

CURTA-METRAGEM CANDIDATO AO EUROPEAN FILM AWARDS
Melk, de Filip Anthonissen (Bélgica)

MENÇÃO ESPECIAL
Las damas, de Camille Zéhenne (França)

PARDI DI DOMANI | COMPETIÇÃO NACIONAL

LEOPARDO DE OURO | MELHOR CURTA-METRAGEM SUÍÇO
Typhoon Mambo, de Domenico Singha Pedroli (Suíça/França/Tailândia)

LEOPARDO DE PRATA
Alles Gute, de Patricia Strübin (Suíça)

PRÊMIO REVELAÇÃO
Respirer une fois sur trois, de Charlyne Genoud (Suíça)

PARDI DI DOMANI | Concorso Corti d’Autore

LEOPARDO DE OURO
The Bovine Comedy, de Ratchapoom Boonbunchachoke (França)

MENÇÃO ESPECIAL
Et si Thuy n’existait pas, de Carlo Francisco Manatad (Filipinas/França/Indonésia)

OUTROS PRÊMIOS

PRÊMIO DO PÚBLICO | MELHOR FILME
Frank & Louis, de Petra Volpe (Suíça/Reino Unido)

*Clique aqui e confira a lista completa com os vencedores do Festival de Locarno 2026

Foto: Davide Padovan/Locarno Film Festival.

Festival de San Sebastián 2026 anuncia novos títulos; Vicentina Pede Desculpas, de Gabriel Martins, é selecionado 

por: Cinevitor
Rejane Faria em Vicentina Pede Desculpas, de Gabriel Martins: cinema brasileiro

Depois de anunciar os primeiros filmes selecionados, entre eles, alguns títulos brasileiros, a 74ª edição do Festival Internacional de Cinema de San Sebastián, considerado o mais importante festival de cinema da Espanha e um dos mais antigos da Europa, que acontecerá entre os dias 18 e 26 de setembro, revelou novas obras em sua programação.

O Brasil ganha destaque na Seleção Oficial, principal mostra do evento, com Vicentina Pede Desculpas, de Gabriel Martins, que disputará a Concha de Ouro, prêmio máximo do festival: “Me sinto muito honrado por fazer parte, pela primeira vez, de um festival tão prestigiado e tradicional, principalmente por estar na competição oficial. Sinto que será mais um caminho importante para a carreira do filme, que engrandece o trabalho não só da nossa equipe e do elenco, mas também do cinema brasileiro”, disse o diretor em comunicado oficial. 

Resultado da parceria entre a Netflix e a produtora Filmes de Plástico, Vicentina Pede Desculpas conta a história de uma mãe que decide buscar as famílias das vítimas de uma fatalidade envolvendo seu filho. Na trama, Vicentina, interpretada por Rejane Faria, precisa lidar com a tragédia que se segue à morte de seu filho, Wesley, em um acidente de ônibus do qual ele era o motorista. À medida que a investigação se desenrola, evidências sugerem que a ação de Wesley poderia ter sido proposital. Vicentina, então, embarca em uma jornada corajosa para encontrar as famílias das vítimas e pedir desculpas, enquanto é forçada a confrontar o próprio luto e suas maiores incertezas.

A seleção em San Sebastián também marca mais um momento especial para o cinema brasileiro e, acima de tudo, para os conterrâneos do diretor. Ambientado em Minas Gerais, estado natal de Gabriel Martins, que também dirigiu o consagrado Marte Um, o filme se soma a um ano de destaque para a produção cinematográfica do estado no circuito internacional: “Celebro esta seleção também como mais uma vitória para o cinema mineiro, que vem tendo um grande ano em 2026, desde o Festival de Berlim, o que me deixa muito feliz pelos artistas locais e animado com os próximos passos desta geração da qual faço parte”, disse Gabriel Martins. Antes de San Sebastián, o longa fará sua estreia no TIFF, Festival de Toronto, evidenciando a potência do cinema brasileiro no mercado internacional.

Com direção, roteiro e história original de Gabriel Martins, o longa tem Rejane Faria, de Marte Um, Leite em Pó e Yellow Cake, no papel principal e reúne no elenco grandes nomes do cinema nacional como Flavio Bauraqui, Giovanna Heliodoro, Giovanni Venturini, Carlos Francisco, Grace Passô, Karine Teles, Barbara Colen, Maíra Azevedo, Renato Novaes, Thalma de Freitas, Marisa Revert, Fernanda Vianna, Clébia Sousa, Fábio Leal, Docy Moreira e Miguelzinho do Cavaco

A produção é de Thiago Macêdo Correia, a direção de fotografia é assinada por Leonardo Feliciano, a trilha sonora é de Tiganá Santana e o design de produção de Rimenna Procópio; Diana Moreira assina o figurino. A edição é de Gabriel Martins e Thiago Ricarte; o som é assinado por Tiago Bello (edição e mixagem) e Gustavo Fioravante (gravação). Os efeitos especiais são de Rodrigo Jinks, Marcelo Cabral, Cajamanga e Quanta.

Já na mostra WIP Latam do festival, que traz filmes latino-americanos em fase de pós-produção, o cinema brasileiro se destaca com O Último Canto dos Pássaros, de Beatriz Seigner, que conta com Laila Garin e Thomas Zamith no elenco. No Foro de Coproducción Europa-América Latina, que faz parte das atividades de mercado do festival, Rachel Daisy Ellis apresentará o projeto El último crucero, uma coprodução entre Brasil, Espanha, Portugal e Argentina pelas produtoras Desvia Filmes, Olhar de Ulisses e Gema Films; outro projeto que se destaca é O Estranho Menino, de Matias Mariani, produzido pela Primo Filmes; e também La revolución de las sirenas modernas, de Azul Vanni Núñez, coprodução entre Uruguai, Argentina e Brasil

Na mostra Perlak, destaque para o norte-americano Josephine, com Mason Reeves, Channing Tatum e Gemma Chan no elenco, e dirigido por Beth de Araújo, que foi premiado no Festival de Sundance deste ano. A diretora, que é filha de mãe sino-americana e pai brasileiro, nasceu e foi criada em São Francisco, porém tem dupla cidadania. A sinopse do filme diz: após Josephine, de 8 anos, testemunhar acidentalmente um crime no Golden Gate Park, ela reage em busca de uma maneira de recuperar o controle de sua segurança, enquanto os adultos se mostram impotentes para consolá-la.

O 74º Festival de San Sebastián, que traz Ricardo Darín no cartaz desta edição, apresentará, na mostra Otras Actividades, o novo filme do consagrado ator argentino: Lo dejamos acá, dirigido por Hernán Goldfrid, que conta também com Diego Peretti no elenco. Além disso, Le Faux Soir, de Michaël R. Roskam, será o filme de encerramento deste ano e será exibido fora de competição; a coprodução entre Bélgica e França traz Arieh Worthalter, Mélanie Thierry, Karim Leklou, Mara Taquin, Bouli Lanners, Julien Frison e François Damiens no elenco. 

Conheça os novos filmes selecionados para o 74º Festival de San Sebastián:

SELEÇÃO OFICIAL

Bian jing (Border), de Ah Biao (Hong Kong/EUA/Coreia do Sul)
Garrat du váimmu (Brace Your Heart), de Amanda Kernell (Suécia/Noruega/Dinamarca/Islândia/Bulgária)
Geister (Ghost Song), de Fatih Akin (Alemanha) (filme de abertura)
Heart of the Beast (En el corazón de la bestia), de David Ayer (EUA) (fora de competição)
Krux, de Tony Vahl (Alemanha/Polônia)
Les Misérables (Los Miserables), de Fred Cavayé (França)
The Debut (El Debut), de Jesse Eisenberg (EUA)
Vicentina Pede Desculpas, de Gabriel Martins (Brasil)

PERLAK

A Terra do Meu Pai (Fatherland), de Paweł Pawlikowski (Polônia/Alemanha/Itália/França)
Club Kid, de Jordan Firstman (EUA)
Coward, de Lukas Dhont (Bélgica/França/Holanda)
Fjord, de Cristian Mungiu (Romênia/França/Noruega/Suécia/Dinamarca)
Hope: O Primeiro Impacto, de Na Hong-jin (Coreia do Sul)
Josephine, de Beth de Araújo (EUA)
Juste une illusion, de Eric Toledano e Olivier Nakache (França)
La bola negra, de Javier Calvo e Javier Ambrossi (Espanha/França)
Le corset (Iron Boy), de Louis Clichy (França/Bélgica)
Minotaur (Minotauro), de Andrey Zvyagintsev (França/Alemanha/Letônia)
O Convite (The Invite), de Olivia Wilde (EUA)
Soudain (All of a Sudden), de Ryusuke Hamaguchi (França/Japão/Alemanha/Bélgica)
Succederà questa notte, de Nanni Moretti (Itália/França/Espanha)
Tangles, de Leah Nelson (Canadá/EUA)
The Man I Love, de Ira Sachs (EUA/França)
Wild Horse Nine, de Martin McDonagh (EUA/Reino Unido/Chile)

ZABALTEGI-TABAKALERA

A veces me entra tristeza, otras veces rebelión, de María Aparicio (Argentina/Espanha)
Abhinetri (Actress), de Tanmay Chowdhary e Tanvi Chowdhary (Índia) (curta-metragem)
Acampamento Miasma: Adolescência, Sexo e Morte (Teenage Sex and Death at Camp Miasma), de Jane Schoenbrun (EUA/Canadá)
As a Cure, de Dorothea Sing Zhang (China/Reino Unido) (curta-metragem)
Cine vivo: un artefacto, de Albertina Carri (Argentina/Chile/Espanha) (fora de competição)
El fantasma, de David Lamelas e Ignacio Masllorens (Argentina)
Ga-neung-han sa-rang (Possible Love), de Lee Chang-dong (Coreia do Sul)
Gluey Feathers, de Salka Tiziana (Alemanha) (curta-metragem)
HAMALAU gau (CATORCE noches), de Oskar Alegria Suescun (Espanha)
Jaleos (Flamenco Sketches), de Isaki Lacuesta (Espanha) (filme de encerramento)
La belle année, de Angelica Ruffier (Suécia/Noruega)
Lejos de los árboles, de Meritxell Colell (Espanha/Peru/Itália)
Les roches rouges, de Bruno Dumont (Portugal/França/Itália/Espanha/Qatar)
Para los contrincantes, de Federico Luis (México/Chile/Reino Unido/França) (curta-metragem)
Pedro en el país, de María Alché e Benjamín Naishtat (Argentina/México/Noruega) (filme de abertura)
Plan contraplan, de Radu Jude e Adrian Cioflâncă (Romênia) (curta-metragem)
The Loneliest Man in Town, de Tizza Covi e Rainer Frimmel (Áustria)
Tristan Forever, de Tobias Nölle e Loran Bonnardot (Suíça)
Weichen (Dust), de Tsai Ming-Liang (Espanha/Taiwan)
Whispers of a Burning Scent, de Mo Harawe (Áustria/Somália/Alemanha) (curta-metragem)
With Love and Rage, de Bojina Panayotova (França)
Yawman Ma Walad, de Marie-Rose Osta (França/Romênia/Líbano) (curta-metragem)

NEST

A. will raus (Über neutralität), de Zorah Berghammer (Áustria)
Bingo Night, de Maria Vaughan (Espanha/Colômbia)
Dihapus dari peta (Erased from the Map), de Maarij Reka (Indonésia)
Familie, de Marco Lawson (Dinamarca)
Gislaine, de Camila Encarnación (República Dominicana)
Home, de Hiromi Tanoue (Japão)
Jährlinge (Yearlings), de Jonathan Schaller (Alemanha)
Miriam, de Karla Condado Romero (México)
Ningú borda, de Júlia Coldwell Serra (Espanha)
Onde Nascem os Pirilampos, de Clara Vieira (Portugal)
Rise of the Dawn Phoenix, de Zhongyao Xie (China)
Small One, de Anne-Sofie Lindgaard (Reino Unido)
Talion, de Micha Straub (Suíça)
Zza szyby podglądam, jak umiera sarna, młoda, de Angelika Cygal (Polônia)

Foto: Denise dos Santos/Netflix.

54º Festival de Cinema de Gramado: conheça os integrantes dos júris

por: Cinevitor
Bárbara Paz: confirmada no júri de 2026

A 54ª edição do Festival de Cinema de Gramado, que acontecerá entre os dias 12 e 22 de agosto, com abertura oficial nesta sexta-feira, 14/08, selecionou diferentes nomes do audiovisual brasileiro para a importante tarefa de escolher os vencedores dos kikitos, que serão distribuídos em diversas mostras competitivas.

Os times responsáveis por essa missão se reúnem em Gramado para acompanhar as sessões no Palácio dos Festivais e definir as obras consagradas. Avaliando os seis títulos em competição na mostra de longas-metragens brasileiros estão: a atriz Cris Vianna; o cineasta Fabio Meira; a atriz Helena Ranaldi; a pesquisadora e professora Kênia Freitas; e o ator Marcelo Serrado.

Já na mostra de longas documentais, a diretora, artista visual, atriz e produtora Bárbara Paz, o ator e diretor Caco Ciocler e Paulo Mendonça, produtor de cinema, compositor, fotógrafo e dramaturgo, são os nomes que formam o júri. Ainda nos longas-metragens, o professor, jornalista e cineasta Milton do Prado, o cineasta e historiador Rodrigo Antonio e a atriz Vitória Strada respondem pela seleção de vencedores da mostra de longas gaúchos.

Entre os curtas-metragens, a mostra nacional será avaliada por: Eva Pereira, roteirista, diretora e produtora audiovisual; Gabriela Loran, atriz; Ícaro Silva, ator; Leonardo Martinelli, cineasta; e Marcos Veras, ator, roteirista e apresentador.

A crítica também marca presença em Gramado para conferir seus kikitos para os melhores filmes de cada mostra. Cinco profissionais estarão encarregados dessa missão, representando a Abraccine, Associação Brasileira de Críticos de Cinema, e a Accirs, Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul: Flavia Guerra, Pâmela Eurídice, Rafael Valles, Simone Zuccolotto e Victor Souza.

Realizada em parceria com a Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul, a mostra de curtas gaúchos do Festival de Cinema de Gramado tem troféu próprio e também convida profissionais do segmento audiovisual para avaliar as obras selecionadas. Neste ano, o quinteto que escolhe os vencedores do Troféu Assembleia Legislativa é formado por: Fernanda Lomba, cineasta e gestora; Hsu Chien, cineasta; Isabel Wittmann, crítica de cinema, antropóloga e pesquisadora; Tatiana Lohmann, diretora, roteirista e montadora; e Thuan Mozart, cineasta e antropólogo.

O Festival de Cinema de Gramado 2026 começa oficialmente nesta sexta-feira com a exibição especial do longa Antártida, dirigido por Bruno Safadi e escrito por Claudia Jouvin, com Andrea Beltrão, Marina Ruy Barbosa, Leandra Leal, Antonio Calloni, Lázaro Ramos, Gero Camilo, João Vitor Silva e Henrique Barreira no elenco.

Foto: Cleiton Thiele/Ag.Pressphoto.

FAM 2026: conheça os filmes selecionados

por: Cinevitor
Caique Copque no longa Mapas, de Rafael Lobo: filme selecionado

A 30ª edição do FAM, Festival Internacional de Cinema Florianópolis Audiovisual Mercosul, acontecerá entre os dias 3 e 9 de setembro na capital catarinense com 37 títulos, entre curtas, médias, longas-metragens e videoclipes, em sete mostras competitivas, além de nove filmes convidados

Com um total de 46 produções, de nove países, o FAM 2026 retorna ao centro da capital e ocupará o TAC, Teatro Álvaro de Carvalho, um dos espaços culturais mais emblemáticos de Florianópolis, e que foi o primeiro cinema de rua da capital. O novo palco reforça o caráter histórico da edição, que celebra três décadas dedicadas à difusão e ao fortalecimento do cinema latino e ibero-americano.

A Mostra Longas reúne três produções nacionais e três internacionais, com obras que percorrem diferentes territórios, personagens e temas contemporâneos. Do Rio de Janeiro vem Apopcalipse Segundo Baby, de Rafael Saar, uma viagem em primeira pessoa pela trajetória da cantora Baby do Brasil. De Brasília, Mapas, de Rafael Lobo, acompanha Júlia e Sérgio na busca por Rebeca, uma cicloativista desaparecida. Já a coprodução O Pai e o Pajé, de Iawarete Kaiabi, Felipe Tomazelli e Luís Villaça, realizada entre Natal, no Rio Grande do Norte, e Mato Grosso, conta a história de Iawarete Kaiabi e aborda a exploração e as ameaças enfrentadas por seu povo.

Do Uruguai, em coprodução com o Rio Grande do Sul, chega Quemadura China, de Verónica Perrotta. O filme acompanha as irmãs siamesas Annie e Dani diante do desafio da separação física em um processo tão cirúrgico quanto existencial. Do Equador, Mama, de Ana Cristina Benítez, retrata a trajetória de Ana após receber o diagnóstico de um câncer de mama em estágio avançado. Fechando a seleção, Un Futuro Brillante, coprodução entre Uruguai, Argentina e Alemanha, apresenta Elisa, uma das últimas jovens escolhidas para partir rumo ao Norte, uma espécie de terra prometida onde a história está sendo construída.

Neste ano, as obras que integrarão a programação da edição comemorativa de 30 anos do festival, foram escolhidas entre mais de mil inscrições recebidas de diversos países e refletem a diversidade estética, cultural e temática da produção audiovisual latino-americana. A Mostra Curtas Catarinenses, dedicada exclusivamente às produções do estado, contará com cinco filmes inéditos, mesmo número da mostra Videoclipe e da mostra On-line. Já as mostras Longas e Infantojuvenil apresentam seis obras cada.

A edição que marca os 30 anos do FAM reafirma o compromisso histórico do festival com a diversidade e a representatividade. Nesta seleção oficial, as mulheres assinam a maioria das direções, 51% dos filmes em competição são dirigidos por mulheres: 19 das 37 obras selecionadas. A seleção inclui ainda 12 produções dirigidas por pessoas pretas ou pardas, 10 por pessoas autodeclaradas LGBTQIAPN+, três por realizadores indígenas e duas por pessoas com deficiência (PcD). Também reúne dez filmes de diretores estreantes e 28 produções contempladas com o Selo Marias do Cinema, reconhecimento voltado à valorização da participação feminina no audiovisual.

“Chegar aos 30 anos reafirma a importância do FAM como um espaço de encontro entre o cinema, os realizadores e o público. Voltar ao centro de Florianópolis, ocupando um lugar tão simbólico como o Teatro Álvaro de Carvalho, é uma forma de honrar essa trajetória e, ao mesmo tempo, abrir um novo ciclo para o festival. O FAM segue olhando para o futuro sem perder de vista a sua essência: fortalecer o audiovisual latino-americano e formar novas gerações de espectadores”, declara o diretor-presidente da Panvision, Tiago Santos.

Além das sete mostras competitivas, o FAM exibirá nove filmes convidados. A Mostra ICPlay será apresentada de forma on-line e reúne cinco títulos, enquanto a Mostra Conversas FAM contará com três produções. Entre elas, Querido Mundo, de Miguel Falabella e Hsu Chien; O Sangue que Aterra Guarda, de Patricia Miranda; e o documentário Caminhos do Desejo, primeiro longa do diretor Andrey Santiago, que resgata a história do filme catarinense O Preço da Ilusão, considerado perdido. A obra será exibida em sessão especial realizada em parceria com a Cinemateca Catarinense, em comemoração aos 40 anos da instituição.

A programação inclui ainda o tradicional filme de abertura, que apresentará a obra de ficção catarinense Virtuosas, de Cíntia Domit Bittar, com Bruna Linzmeyer, Juliana Lourenção, Maria Galant, Sarah Motta e Brisa Marques no elenco. O longa aposta em uma trama de reviravoltas costurada por terror e humor ácido, cuja narrativa se passa em um retiro VIP para mulheres que se autodefinem como virtuosas e que estão em busca de sua melhor versão.

Ao longo de sete dias de programação, o público poderá acompanhar ao todo dez mostras entre competitivas e convidadas do FAM 30 anos. Os títulos em competição concorrem aos prêmios de melhor filme concedidos pelo Júri Oficial e pelo Júri Popular em cada categoria.

Conheça os filmes selecionados para o FAM 2026

MOSTRA LONGAS

Apopcalipse Segundo Baby, de Rafael Saar (RJ)
Mama, de Ana Cristina Benítez (Equador)
Mapas, de Rafael Lobo (DF)
O Pai e o Pajé, de Iawarete Kaiabi, Felipe Tomazelli e Luís Villaça (MT)
Quemadura China, de Verónica Perrotta (Uruguai/Brasil, RS)
Un Futuro Brillante, de Lucía Garibaldi (Uruguai/Alemanha/Argentina)

MOSTRA CURTAS

A Boneka de Derìì, de Ariska Derìì e William Dauricio (AM)
A Pele do Ouro, de Marcela Ulhoa e Yare Perdomo (RR)
Casi 30, de Mila Aquilia e Bianca Oliveti (Argentina)
Jemené, de Ernira Bailarín (Colômbia)
Luz Diabla, de Paula Boffo, Gervasio Canda e Patricio Plaza (Argentina/Canadá)
Raízes, de Larissa Nepomuceno (PR)
Refugiar el Gesto, de Adrián Villa-Dávila e Andrés Prado (Colômbia)
Vidros Fechados, de Duran Sodré (PR)
Volver a Verte, de Román Ruberti Godoy (Argentina)
Zebra, de Victor Nascimento (SP)

MOSTRA CURTAS CATARINENSE

A Fábrica, de Beatriz Silva (Florianópolis)
Gaita, de Michele Diniz (Rancho Queimado/Portugal)
Imaginário Bar, de Bhig Villas Boas (Itajaí)
Mosaico, de Vinicius Figueiredo (Imbituba)
O Inquilino, de Jordana Beck (Florianópolis)

MOSTRA INFANTOJUVENIL

Chica, de João Victor Silva e Matheus Malburg (SP)
Creaturas, de Lourdes Valeria Suarez Apesteguia (Argentina/Chubut)
Esperança, de Amora Moreira e Marcelo Pereira (RJ)
Nosso Tempero, de Alunos e alunas da Escola Municipal João Victor, Equipe Animazul (RN/ES)
O Jardim Mágico, de Naira Carneiro e Carlon Hardt (DF/PR)
Peixe Seco e Defumado, de Denis Souza (SC/RS)

MOSTRA VIDEOCLIPE

A Corrida Blues, de Sérgio Furlanetto (Artista: P3drinn) (SC/RS)
A Posse é um Fato, de Mar Fagundes e Murilo Munìí (Artista: Murilo Munìí) (RS)
Miudinho, de Babi Baracho (Artista: Skarimbó) (RN)
Monalisa, de Lucas Sá (Artista: Frimes) (MA)
Sansara, de Neri (Artista: Kfé) (SP)

MOSTRA ON-LINE

Capim, de Júlia Munhoz e Caio Pimenta (MT)
Entre la Sal Y el Cielo, de Felipe Rosa (Bolívia)
Las Piedras del Río, de Edna Sierra (Colômbia)
Ponto Cego, de Luciana Vieira e Marcel Beltrán (CE)
Primer Amor, de Iván Luna (Colômbia)

FILMES CONVIDADOS

FILME DE ABERTURA
Virtuosas, de Cíntia Domit Bittar (SC)

CONVERSAS FAM

Caminhos do Desejo, de Andrey Santiago (SC)
O Sangue que Aterra Guarda, de Patricia Miranda e Leonel Costa (SP)
Querido Mundo, de Miguel Falabella e Hsu Chien (RJ)

MOSTRA ICPlay

Aldeia Multiétnica: Território da Diversidade, de Ester de Maria, Lappa Amary, Juliano George Basso e Pedro Guimarães (GO)
Deyse Ex Machina, de Jasmelino de Paiva (AL)
Mãe Santíssima, de Buca Dantas (RN)
Tente Sua Sorte, de Guenia Lemos (PR)
Vou-me Embora, de Denise Szabo (SP)

Foto: Divulgação/Machado Filmes.

Festival de San Sebastián 2026: A Professora de Francês, com Grace Passô, de Ricardo Alves Jr., é selecionado

por: Cinevitor
Grace Passô no longa brasileiro A Professora de Francês, de Ricardo Alves Jr.

Considerado o mais importante festival de cinema da Espanha e um dos mais antigos da Europa, o Festival Internacional de Cinema de San Sebastián é também um dos mais prestigiados do mundo. Seu principal prêmio, a Concha de Ouro, é entregue ao melhor filme em competição da Seleção Oficial.

Para esta 74ª edição, que acontecerá entre os dias 18 e 26 de setembro, os primeiros títulos selecionados já foram revelados e o cinema brasileiro marca presença com alguns filmes. Na mostra Horizontes Latinos, que traz longas inéditos na Espanha, produzidos totalmente ou parcialmente na América Latina, dirigidos por cineastas de origem latina ou que abordem temas sobre comunidades latinas no resto do mundo, destaque para o filme A Professora de Francês, dirigido por Ricardo Alves Jr., de Parque de Diversões e Elon Não Acredita na Morte

Reflexão sobre intolerância de gênero, fanatismo religioso e violência produzida pelo preconceito, o filme é uma coprodução entre Brasil, França e Portugal e foi rodado em Belo Horizonte. A trama acompanha Graça, que mora com a namorada francesa, Clara, e sobrevive dando aulas particulares de francês. Após uma emergência de saúde do pai, Graça volta à casa onde cresceu e encontra vizinhos que lideram uma seita na comunidade. A protagonista é interpretada pela atriz Grace Passô, figura central da cena artística brasileira contemporânea e parceira de longa data do diretor.

A Professora de Francês utiliza os códigos do suspense, do thriller psicológico e do horror para investigar como o medo pode ser usado como instrumento de poder e dominação: “Escolhi abordar essas questões por meio do diálogo com o cinema de gênero porque acredito que o horror tem a capacidade de revelar, de forma contundente, violências que muitas vezes permanecem naturalizadas no cotidiano”, afirma Ricardo Alves Jr., que assina seu quarto longa.

Além de Grace Passô, premiada por filmes como Praça Paris, Temporada e O Dia que Te Conheci, o elenco reúne a artista francesa Jehnny Beth (do vencedor do Oscar e da Palma de Ouro, Anatomia de uma Queda), que interpreta Clara, namorada da protagonista, além de nomes como: Elisa Lucinda, Barbara Colen, Rômulo Braga, Eduardo Moreira, Babi Amaral e Italo Laureano; com destaque para o veterano Rodger Rogério, no papel do pai de Graça, e para Pedro Goifman, intérprete do jovem e enigmático Tomás, uma das figuras centrais da seita.

A seleção para San Sebastián reafirma a trajetória internacional de Ricardo Alves Jr., cujos filmes vêm sendo exibidos em importantes festivais ao redor do mundo. Para ele, ao construir uma atmosfera densa para retratar a ascensão da violência no interior da tradicional família brasileira, A Professora de Francês mostra que o verdadeiro horror nasce não do sobrenatural, mas de uma incômoda realidade: “O mal é a intolerância, a dominação e a homofobia, que se disfarçam de moral, proteção e compaixão. Me interessa observar como essas forças se infiltram nas relações mais íntimas, apropriando-se da fé, da solidariedade e da família para justificar diferentes formas de violência”, explica.

O filme brasileiro é produzido por Thiago Macedo Correia, através da EntreFilmes, com Justin Pechberty e Damien Megherbi, e será distribuído no Brasil pela Embaúba Filmes, com estreia prevista para 2027. O roteiro é de Germano Melo, a direção de fotografia é assinada por Vasco Viana e a montagem é de Mathilde Van de Moortel e Luisa Homem. A direção de arte é de Richard Tavares, com figurino de Luiz Dias e caracterização de Simone Curi. A música original é assinada por Florencia di Concilio, o desenho de som é de Antoine Bertucci, a mixagem de Emmanuel Croset e o som direto de Gustavo Fioravante. A produção executiva é de Lara Lima, Valentine Meiller e Giuliane Maciel; com coprodução de Renée Nader Messora e João Salaviza.

O ator brasileiro Selton Mello em La Perra, da chilena Dominga Sotomayor

Ainda na mostra Horizontes Latinos, o Brasil aparece com três coproduções, entre elas: La Perra, dirigida pela cineasta chilena Dominga Sotomayor, uma coprodução entre Chile e Brasil (pela RT Features, de Rodrigo Teixeira), que foi exibida na Quinzena de Cineastas, em Cannes. O filme, produzido em parceria com a Planta (Chile), é uma adaptação do romance homônimo de Pilar Quintana. O elenco conta com o brasileiro Selton Mello, Manuela Oyarzún, David Gaete, Paula Luchsinger, Paula Dinamarca e Rafaella Grimberg. A trama de La Perra é conduzida pela solitária Silvia, que vive em uma ilha remota no sul do Chile e resgata uma cachorra filhote e a chama de Yuri, o mesmo que escolheria para a filha que nunca teve. Esta união forma um vínculo improvável que força a protagonista a enfrentar ressentimentos profundos, relacionamentos rompidos e um trauma que se recusa a permanecer no passado.

E mais: Seis Meses no Prédio Rosa e Azul, do diretor mexicano Bruno Santamaría Razo, uma coprodução entre México (Ojos de Vaca), Brasil (Desvia) e Dinamarca (Snowglobe), que foi exibida na Semana da Crítica, em Cannes; o longa traz o ator cearense Demick Lopes, de A Filha do Palhaço, no elenco. Inspirado nas memórias do diretor, e rodado em 16mm, o filme leva o espectador para a Cidade do México no início da década de 1990. No dia em que Bruno completou 11 anos, percebeu sentimentos por seu melhor amigo, Vladimir. Os dois entram em conflito com o anúncio repentino de que seu pai foi diagnosticado com HIV. Como nas canções de salsa, a família canta e dança para se afastar da dor. Trinta anos depois, o diretor Bruno filma e reimagina a memória daquilo que não conseguiu compreender totalmente quando era criança. O elenco conta também com Jade Reyes, Sofia Espinosa, Lázaro Gabino, Eduardo Ayala, Valeria Vanegas, Anuar Vera, Teresa Sánchez, Valentina Cohen e Nara Carreira

Seis Meses no Prédio Rosa e Azul conta com uma significativa participação brasileira liderada pelas produtoras Rachel Daisy Ellis e Camille Reis. Além de um papel como coadjuvante para o ator brasileiro Demick Lopes, grande parte da pós-produção do filme foi feita no Brasil. O filme conta com participação dos editores Eduardo Serrano e Marília Moraes; a desenhista de som Miriam Biderman; o compositor musical Leo Chermont; o estúdio de efeitos especiais Aberração Kromatica Filmes; a produtora executiva Amanda Luna; e as pós-produtoras Bia Baggio e Ivich. A produtora mexicana do filme, Bruna Haddad, também tem nacionalidade brasileira. No Brasil, a distribuição ficará a cargo da Fistaile. No cenário global, as vendas internacionais serão representadas pela Luxbox.

Também na Horizontes Latinos, destaque para Narciso, do cineasta paraguaio Marcelo Martinessi. A coprodução entre Paraguai, Espanha, Uruguai, Brasil (por Julia Murat), Portugal, Alemanha e França, conta com Diro Romero, Manuel Cuenca, Mona Martinez e Nahuel Perez Biscayart no elenco. O longa, premiado no Festival de Berlim deste ano, se passa no Paraguai, em 1958. O carismático Narciso retorna de Buenos Aires com o rock ‘n’ roll correndo em suas veias. Sob o regime militar sufocante, ele se torna uma sensação musical e um símbolo de liberdade. Mas então, após seu último show, ele é encontrado morto. 

Além disso, o Brasil também se destaca na Seleção Oficial e aparece na disputa pela Concha de Ouro com Glaxo, dirigido pelo cineasta argentino Benjamín Naishtat, de Puan e Vermelho Sol. A coprodução entre Argentina e Brasil (pela brasileira RT Features com Rodrigo Teixeira e Berta Marchiori), se passa em Chivilcoy, no ano de 1957. Em uma pacata cidade argentina, a chegada de um ex-policial e de sua sedutora esposa transforma para sempre a amizade de quatro jovens. Décadas depois, o passado ressurge, obrigando-os a confrontar antigas feridas, a culpa e a possibilidade de vingança. O elenco conta com Lali Espósito, Marcelo Subiotto, Esteban Bigliardi, Alan Sabbagh e Esteban Lamothe

Já no XIV Prêmio Sebastiane Latino, premiação paralela que antecede o festival com a exibição de filmes com a temática LGBTQIA+, o cinema brasileiro marca presença com quatro títulos: A Paixão Segundo G.H.B., de Gustavo Vinagre e Vinicius Couto; Nem Toda História de Amor Acaba em Morte, de Bruno Costa; Privadas de Suas Vidas, de Gurcius Gewdner e Gustavo Vinagre; e a coprodução Seis Meses no Prédio Rosa e Azul, de Bruno Santamaría Razo

Neste ano, o cineasta alemão Werner Herzog será homenageado com o Prêmio Donostia. Na ocasião, também exibirá seu novo trabalho: o longa Bucking Fastard, com Rooney Mara, Kate Mara, Orlando Bloom e Domhnall Gleeson no elenco. Em breve, novos títulos serão confirmados na seleção. 

Conheça os primeiros filmes selecionados para o 74º Festival de San Sebastián:

SELEÇÃO OFICIAL

5 minutos más (5 more minutes), de Javier Ruiz Caldera (Espanha)
7:40 ce matin-là (Milo), de Nicole Garcia (França)
Artakalan (What Remains), de Yeşim Ustaoğlu (Turquia/França/Luxemburgo/Bulgária)
El mal padre, de Roberto Bueso (Espanha)
Glaxo, de Benjamín Naishtat (Argentina/Brasil)
Markens Grode (Growth of the Soil), de Hans Petter Moland (Noruega/Dinamarca/Alemanha)
Mis muertos tristes (My Sad Dead), de Pablo Larraín (Chile/Argentina)
Muyou no hito (In My Father’s Room), de Maha Harada (Japão)
Sants (Saints), de Mikel Gurrea (Espanha/Itália)
Tender Loving Care, de Mike Leigh (Reino Unido)

SELEÇÃO OFICIAL | EXIBIÇÕES ESPECIAIS | FORA DE COMPETIÇÃO

Azken Agurra (The Last Goodbye/Último Adiós), de Koldo Almandoz (Espanha)
Bajañí, de Fernando María Trueba (Espanha)
Más allá de la sociedad (Beyond Society), de Carlos Torres (Espanha)
Ruega por nosotras (Pray for Us), de Daniel Monzón Jerez (Espanha/França)
Sacamantecas (The Harvester), de David Pérez Sañudo (Espanha/Bélgica)

SELEÇÃO OFICIAL | FORA DE COMPETIÇÃO
El castillo (The Castle), de Elena Martín Gimeno e Sandra Romero (Espanha)

HORIZONTES LATINOS

A Professora de Francês, de Ricardo Alves Jr. (Brasil/França/Portugal)
Ceniza en la boca, de Diego Luna (México/Espanha)
Chicas tristes, de Fernanda Tovar (México/Espanha/França)
Cinco años, cuatro meses, de Juan Miguel Gelacio e Esteban Hoyos García (Colômbia/EUA)
El deshielo, de Manuela Martelli (Chile/EUA/Espanha/México)
El tren fluvial, de Lorenzo Ferro e Lucas A. Vignale (Argentina)
La ilusión de un verano sin fin, de Alessandra Sanguinetti (Argentina/EUA)
La Perra, de Dominga Sotomayor (Chile/Brasil)
Moscas, de Fernando Eimbcke (México/Espanha)
Narciso, de Marcelo Martinessi (Paraguai/Espanha/Uruguai/Brasil/Portugal/Alemanha/França)
Seis Meses no Prédio Rosa e Azul (Seis meses en el edificio rosa con azul), de Bruno Santamaría Razo (México/Brasil/Dinamarca)
Siempre soy tu animal materno, de Valentina Maurel (México/Bélgica/França)

NEW DIRECTORS

Bloques erráticos, de Thomas Woodroffe (Chile/França/Argentina)
Body of Glass, de Naëmi Ada (Alemanha/França)
Cute, de Marlene Emilie Lyngstad (Dinamarca/Suécia/Noruega)
El mal hijo, de Jaime Lorente (Espanha) (filme de abertura)
Esta soledad, de Javier Giner (Espanha)
Florid, de Billy Lumby (Reino Unido/Suécia) (filme de encerramento)
Lovers Sleep Alone, de Massih Parsaei (Alemanha)
Morro, de Rodrigo García Saiz (México)
Mugalim, de Ayana Nurdinova (Cazaquistão)
Obuvkite na bashta mi (My Father’s Shoes), de Hristo Simeonov (Bulgária/França)
Ri Guang (Will You Still Be My Friend), de Lu Po-Shun (Taiwan/Singapura)
Sieben tage februar (February, Seven Days), de Tatjana Moutchnik (Alemanha/Áustria/Espanha)
The Ballet Lesson, de Kazuya Murayama (Japão)
The World Before, de Yoon Dan-bi (Coreia do Sul/Japão/França)

ZABALTEGI-TABAKALERA

HAMALAU gau (CATORCE noches), de Oskar Alegria Suescun (Espanha)
Jaleos (Flamenco Sketches), de Isaki Lacuesta (Espanha)
Lejos de los árboles, de Meritxell Colell (Espanha/Peru/Itália)
Les roches rouges, de Bruno Dumont (Portugal/França/Itália/Espanha/Qatar)

PERLAK
La bola negra, de Javier Calvo e Javier Ambrossi (Espanha/França)

XIV PRÊMIO SEBASTIANE LATINO

A Paixão Segundo G.H.B., de Gustavo Vinagre e Vinicius Couto (Brasil)
La virgen silenciosa, de Xavi Sala (México)
Nem Toda História de Amor Acaba em Morte, de Bruno Costa (Brasil)
Privadas de Suas Vidas, de Gurcius Gewdner e Gustavo Vinagre (Brasil)
Seis Meses no Prédio Rosa e Azul, de Bruno Santamaría Razo (México/Brasil/Dinamarca)

Fotos: Divulgação. 

Festival de Cinema de Toronto 2026: coproduções brasileiras são selecionadas

por: Cinevitor
Elefantes na Névoa, de Abinash Bikram Shah: coprodução brasileira selecionada

A 51ª edição do Festival Internacional de Cinema de Toronto, que acontecerá entre os dias 10 e 20 de setembro, revelou novos títulos selecionados para diversas mostras, entre elas, a Centrepiece, antes chamada de Contemporary World Cinema, que celebra as conquistas cinematográficas globais com uma variedade dinâmica de filmes contemporâneos.

A programação da mostra exibirá 54 títulos, de 50 países, reafirmando o compromisso do TIFF em destacar o que há de melhor no cinema mundial. A seleção traz novos trabalhos de vozes importantes e nomes consagrados pelo festival, além de uma forte presença de filmes canadenses; e um número recorde de oito longas-metragens de animação, marcando um feito inédito para a seção. 

Nesta seleção, o Brasil se destaca com Elefantes na Névoa, dirigido por Abinash Bikram Shah, uma coprodução entre Nepal, Alemanha, Brasil, França e Noruega, que foi premiada na mostra Un Certain Regard do Festival de Cannes deste ano. O filme conta com a participação de importantes produtoras do audiovisual brasileiro, como a Bubbles Project, responsável por títulos como Malu e O Riso e a Faca, e a Enquadramento Produções, que assina obras como Los Silencios e A Febre

Ambientado em um vilarejo no Nepal, à beira de uma floresta habitada por elefantes selvagens, o filme acompanha Pirati, líder de uma comunidade Kinnar, que vê sua vida abalada após o desaparecimento de uma de suas filhas. A partir deste evento, a narrativa se desenvolve como uma investigação, atravessada por conflitos íntimos e sociais. 

Elefantes na Névoa teve todo o som feito pelas produtoras brasileiras e este trabalho foi reconhecido com o prêmio de melhor criação sonora (Prix de la Meilleure Création Sonore), pela La Semaine du Son, do Festival de Cannes, algo que evidencia a importante participação dos profissionais brasileiros e reforça o excelente momento vivido pelo cinema nacional. O som foi desenvolvido por Pedro Sá Earp, que foi até o Nepal e trabalhou na captação do áudio durante as filmagens. Já na pós-produção, o diretor Abinash Bikram Shah esteve no Brasil e trabalhou na Confraria de Sons & Charutos com o designer de som Henrique Chiurciu; o mixador Daniel Turini; e o supervisor de som Fernando Henna

O filme, que será distribuído pela Imovision no Brasil, é o primeiro longa-metragem do cineasta Abinash Bikram Shah, que teve seu curta-metragem Lori premiado com uma Menção Especial na competição de Cannes em 2022; ele também assinou o roteiro do longa Shambhala, exibido na competição da Berlinale em 2024.

Ainda na mesma mostra, o Brasil também se destaca com Furies, dirigido pelo libanês Rami Kodeih, de A Sheherazade Tale e Alina. A coprodução entre Líbano e Brasil, pela RT Features, com Rodrigo Teixeira e Berta Marchiori, conta também com George Clooney como produtor executivo. Com Maria Nakouzi, Rym Mroue, Hasan Akil e Issam Bou Khaled no elenco, Furies se passa quando o sistema bancário do Líbano congela todas as contas da noite para o dia e uma jovem descobre que o dinheiro da cirurgia que poderia salvar a vida da irmã está bloqueado. Desesperadas, as duas irmãs arquitetam um ousado assalto ao banco para recuperar o que é delas por direito.

Além disso, o Festival de Cinema de Toronto 2026 também revelou os homenageados desta 51ª edição: a atriz espanhola Penélope Cruz receberá o TIFF Special Tribute Award; o cineasta e roteirista sul-coreano Lee Chang-dong será honrado com o TIFF Ebert Director Award; as atrizes Rosalind Eleazar e Isabelle Huppert serão homenageadas com o TIFF Tribute Performer Awards; e a cineasta e roteirista Siân Heder receberá o TIFF Tribute Award in Impact Media

Conheça os novos filmes selecionados para o 51º Festival de Cinema de Toronto:

CENTREPIECE

Ah Girl, de Ang Geck Geck Priscilla (Singapura)
Amor es el monstruo (Love is the monster), de Neto Villalobos Brenes (Costa Rica/Peru/Panamá/Chile/México)
Back in Black, de Ron Murphy (Canadá)
Ben’imana, de Marie-Clementine Dusabejambo (Ruanda/Gabão/França/Noruega)
Carmen, l’oiseau rebelle (Viva Carmen), de Sébastien Laudenbach (França)
Ceniza en la boca (Ashes), de Diego Luna (México/Espanha)
Congo Boy, de Rafiki Fariala (República Centro-Africana/França/Congo/Itália)
Das Geträumte Abenteuer (The Dreamed Adventure), de Valeska Grisebach (Alemanha/França/Bulgária/Áustria)
Después de Elena (After Elena), de Shawn Garry (Chile/Colômbia/Itália)
Donde Comienza el Río (Where the River Begins), de Juan Andrés Arango (Canadá/Colômbia/Noruega)
Dorothy, de Karthik Subbaraj (Índia)
Eklipse, de Manuel Wetscher (Áustria/Itália)
El bovino de los cuernos curvos (The bovine with the curved horns), de Omar E. Ospina Giraldo (Colômbia)
Elefantes na Névoa (Elephants in the Fog), de Abinash Bikram Shah (Nepal/França/Alemanha/Brasil/Noruega)
Empat Musim Pertiwi (Four Seasons in Java), de Kamila Andini (Indonésia/França/Holanda/Noruega/Polônia/Arábia Saudita/Singapura)
Everytime, de Sandra Wollner (Áustria/Alemanha)
Faux Gun Bandit (Toy Gun Bandit), de Rémi St-Michel (Canadá)
Furies, de Rami Kodeih (Líbano/Brasil)
Future Tense, de Jenna Cato Bass (África do Sul/Austrália)
God Bless You, Mr Kopu, de Alex Liu (Nova Zelândia/Austrália)
Ha-Chan, Shake Your Booty!, de Josef Kubota Wladyka (EUA)
Han ye deng zhu (Light Pillar), de Xu Zao (China)
Hiwar ma’ albahr (Conversation With The Sea), de Muayad Alayan (Palestina)
How We Stand, de Marie Clements (Canadá)
Inherit, de Banjong Pisanthanakun (Tailândia)
Intermission, de Yonfan (Hong Kong)
Julián, de Louise Bagnall (Luxemburgo/Irlanda/Canadá/Dinamarca)
Kvinde Ukendt (Woman Unknown), de May el-Toukhy (Dinamarca)
L’autre, de Alexandre Franchi (Canadá)
La città dei vivi (The City of the Living), de Edoardo Gabbriellini (Itália)
La Gradiva, de Marine Atlan (França/Itália)
La Violinista (The Violinist), de Ervin Han e Raúl García (Singapura/Espanha/Itália)
Le corset (Iron Boy), de Louis Clichy (França/Bélgica)
Lemonade, de Kim Bartley (Irlanda/Reino Unido)
Long Long Night, de Kyu Bock Youm (Coreia do Sul)
Marie Madeleine, de Géssica Généus (França/Haiti/Bélgica/Canadá/Luxemburgo)
Moscas (Flies), de Fernando Eimbcke (México)
Muyi, de Julien Chheng (França)
Neverman, de Rodrigo Barriuso (Canadá)
Our Loves, de Avi Nesher (Israel)
Rehearsals for a Revolution, de Pegah Ahangarani (República Tcheca/Espanha)
Smudge the Blades, de Cody Lightning (Canadá)
Soumsoum, la nuit des astres (Soumsoum, The Night of the Stars), de Mahamat-Saleh Haroun (Chade/França)
Sunburn, de Serville Poblete (Canadá)
Tangles, de Leah Nelson (Canadá/EUA)
The Betrayers, de David Bezmozgis (Canadá/Ucrânia)
The Difficult Bride, de Rubaiyat Hossain (França/Bangladesh/Alemanha/Noruega/Portugal)
The Lost Children Of Tuam, de Frank Berry (Irlanda)
The Secret Lives of Baba Segi’s Wives, de Daniel Oriahi (Nigéria)
The Surgeon, de Roshan Sethi (Irlanda)
Trash Mountain, de Kris Rey (EUA)
We Are All Strangers, de Anthony Chen (Singapura)
Wu ming nü hai (A Girl Unknown), de Zou Jing (China)
غزة 13 (Thirteen in Gaza), de Hosam Abu Dan (Palestina)

WAVELENGTHS | LONGAS-METRAGENS

At Night, de Beatrice Gibson (Reino Unido/França)
Biografía de Jorge Luis Borges (Life of Jorge Luis Borges), de Mariano Llinás (Argentina)
La libertad doble (Double Freedom), de Lisandro Alonso (Chile/Argentina/Luxemburgo/Alemanha/Reino Unido)
Le journal d’une femme de chambre (The Diary of a Chambermaid), de Radu Jude (França/Romênia)
Lo demás es ruido (Everything Else is Noise), de Nicolás Pereda (Alemanha/Canadá/México)
London, de Sebastian Brameshuber (Áustria)
Meine Frau Weint (My Wife Cries), de Angela Schanelec (Alemanha/França)
Once Upon a Time in Harlem, de William Greaves e David Greaves (EUA)
The Black Box is Orange, de Yuula Benivolski (Canadá)
The Remotes, de John Torres (Filipinas)
Violence du corps de l’autre (Nobody’s Violence), de Denis Côté (Canadá)

TIFF DOCS

Ba’s Book, de Ashley Duong (Canadá)
Black Sunflowers (чорні соняшники), de James Marcus Haney (Ucrânia/EUA)
Bleeding Hearts, de Andrew Morgan (EUA)
Cheyenne, de Taimi Arvidson (EUA)
Darlene Love: I Know Where I’ve Been, de Barry Avrich (Canadá)
Edward Said: Between Worlds, de Maiken Baird (EUA)
Gail, de Michael Maxxis (Canadá)
Le dernier acte (The Final Act), de Sophie Deraspe (Canadá)
Low Lies The Land, de Emanuele Gerosa (Dinamarca/Itália)
Musk, de Alex Gibney (EUA)
Por Arte de Magia (Like Magic), de Melissa Saavedra Gil (Colômbia/Argentina/Uruguai)
Rapinoe, de Rebeca Huntt (Reino Unido/EUA)
Re/Pair, de Lacey Schwartz Delgado (EUA)
Rescue, de Sine Plambech (Dinamarca/Itália/Alemanha/Suécia/Islândia)
Still Night, Burning House, de Carol Nguyen (Canadá)
Téhéran à vif (Tehran, Under the Skin), de Afsaneh Salari (França/Irã/Suécia)
The Hummingbird Paints Fragrant Songs, de Èlia Gasull Balada e Matteo Norzi (Peru/EUA/Qatar)
The Pervert’s Guide to Utopias, de Sophie Fiennes (Irlanda/Reino Unido/Eslovênia/Holanda/Noruega)
The Ultra Runner, de Mila Aung-Thwin (Canadá)
Turtle Island Rap, de Alexandra Lazarowich (Canadá)
Union Town, de Barbara Kopple (EUA)

MIDNIGHT MADNESS

Anchors Aweigh, de Matt Barats (EUA)
Arrested Memory, de SABU (Taiwan/Japão)
HALF, de Samjad (Índia)
Kick On, de Nick Kozakis (Austrália)
L’Estranea (The Spiral), de Paolo Strippoli (Itália/França/Bélgica)
Ladies and Gentlemen, Brian Mulroney, de Matthew Rankin (Canadá)
River, de Joshua Giuliano (EUA) (filme de abertura)
Rogue Trooper, de Duncan Jones (Reino Unido) (filme de encerramento)
The Face of Horror, de Anna Biller (Reino Unido)
Vintage Violence, de Eugene Kotlyarenko (EUA/Japão)

*Clique aqui e confira a seleção completa do 51º Festival de Cinema de Toronto com os títulos das mostras Short Cuts e TIFF Classics

Foto: Divulgação.

Prêmio Grande Otelo 2026: conheça os vencedores

por: Cinevitor
Equipe de O Agente Secreto no palco: filme premiado

Foram anunciados nesta terça-feira, 04/08, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, os vencedores da 25ª edição do Prêmio Grande Otelo, antes chamado de Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, conhecido como a mais importante festa do audiovisual brasileiro.

Os longas-metragens Manas, de Marianna Brennand, e O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, dividiram o prêmio de melhor longa-metragem de ficção com empate de votos. O longa de Brennand venceu ao todo cinco prêmios, incluindo melhor direção, melhor roteiro original, melhor montagem de ficção e melhor atriz coadjuvante para Dira Paes. Já o filme pernambucano de Mendonça Filho, que foi indicado ao Oscar deste ano, também conquistou os troféus de melhor direção de arte, melhor efeito visual e melhor direção de fotografia; quatro troféus no total. O Prêmio Grande Otelo tem apuração e acompanhamento da PwC Brasil.

Homem com H, dirigido por Esmir Filho, foi o longa com mais troféus; seis ao total: voto popular, trilha sonora, figurino, maquiagem, som e melhor ator para Jesuíta Barbosa. Os troféus de melhor documentário e melhor montagem em documentário foram para Apocalipse nos Trópicos, de Petra Costa. Velhos Bandidos, de Claudio Torres, venceu como melhor longa-metragem de comédia. Daniel Rezende ganhou o prêmio de melhor roteiro adaptado por O Filho de Mil Homens e Rafaela Camelo o de melhor primeira direção de longa-metragem por A Natureza das Coisas Invisíveis

O troféu Grande Otelo de melhor atriz foi para Denise Weinberg, de O Último Azul. O prêmio de melhor ator coadjuvante foi para Rodrigo Santoro, também por O Último Azul. Johnny Massaro foi laureado como melhor ator em série de ficção por Máscaras de Oxigênio Não Cairão Automaticamente e Alice Carvalho como melhor atriz em série de ficção pela segunda temporada de Cangaço Novo

Além dos concorrentes brasileiros, representantes das cinco produções internacionais indicadas na categoria de melhor longa-metragem ibero-americano vieram ao Rio de Janeiro para a celebração. Duas produções empataram e saíram vencedoras na categoria: a atriz Camila Plaate recebeu o prêmio pelo argentino Belén e o ator Jonathan Guilherme pelo português O Riso e a Faca

Entre os discursos marcantes desta 25ª edição, Denise Weinberg foi ovacionada pelo público ao vencer o prêmio de melhor atriz pelo longa O Último Azul, de Gabriel Mascaro: “Obrigada, Academia! Obrigada por estar recebendo o meu primeiro prêmio como protagonista de cinema. E obrigada por comemorar meus 70 anos ganhando esse prêmio. Quero dividir esse prêmio com toda a equipe de O Último Azul. Eu sou uma atriz de grupo, de teatro. Eu só sei trabalhar em coletivo. E todo mundo nesse filme vestiu a camisa para contar essa história”, disse sob aplausos. 

Denise Weinberg no palco: melhor atriz 

O cineasta pernambucano Kleber Mendonça Filho subiu ao palco ao lado da produtora Emilie Lesclaux e sua equipe para receber o prêmio de melhor longa-metragem de ficção por O Agente Secreto, que empatou com Manas, de Marianna Brennand: “Boa noite, uma noite muito longa. Ainda estamos aqui. Queria agradecer e dedicar a toda essa equipe incrível que fez O Agente Secreto. Amo todos vocês. Dá vontade de voltar para casa e começar a escrever um novo roteiro, que vai começar nessa semana, na verdade. Isso aqui é um estímulo. Queria agradecer a Academia Brasileira de Cinema e dizer que é muito importante que a Academia chegue em produtoras e estados bem distantes do sudeste. É extremamente importante. Essa é uma festa de todos nós que somos brasileiros. Não é a primeira vez que eu venho aqui. Já participei outras vezes com outros filmes. Há um ar forte sudestino que a gente precisa dissipar um pouco na Academia Brasileira de Cinema”

Realizada anualmente pela Academia Brasileira de Cinema, a cerimônia teve como apresentadoras Marieta Severo e Silvia Buarque, mãe e filha. O evento foi transmitido ao vivo para todo o país pelo Canal Brasil e pelo YouTube da Academia. Além disso, o público acompanhou a premiação ao vivo diretamente da praça, em um telão inflável em parceria com o Cine Zezé Motta, com pipoca gratuita e 250 lugares na plateia. Este ano, os finalistas chegaram ao Theatro Municipal a bordo de um trem exclusivo do VLT Carioca, no trajeto entre o Santos Dumont e a Cinelândia.

Foram anunciados 32 prêmios para longas-metragens, curtas e séries brasileiras: 31 produções escolhidas pelos mais de 350 profissionais associados à Academia Brasileira de Cinema, além do disputado Grande Otelo de melhor filme pelo Júri Popular, escolhido pelo público por meio de votação aberta realizada no site da Academia. Como é tradição, a abertura dos envelopes foi ao vivo. Neste ano, a lista de finalistas reuniu mais de 2.140 profissionais.

Ney Matogrosso abriu a cerimônia interpretando o clássico O Tempo Não Para, de Cazuza, acompanhado de Sasha ao piano e do Quarteto de Cordas. Durante a performance, cenas da cinebiografia do ex-vocalista do Barão Vermelho foram projetadas no telão. Renata Almeida Magalhães, presidente da Academia Brasileira de Cinema, em seu discurso, dedicou a noite ao cineasta Luiz Carlos Barreto: “Que alegria estar de volta ao Theatro Municipal comemorando 25 anos da nossa Academia e consagrando o Prêmio Grande Otelo como a grande celebração do cinema brasileiro. Fico verdadeiramente comovida em ver a quantidade de filmes que produzimos, mas sobretudo a qualidade deles. Quantos filmes são incríveis? Uma cinematografia de dar orgulho e que justifica toda a nossa insistência em produzir obras independentes que só nós podemos fazer. Valeu, vale e valerá a pena. Afinal, a nossa alma não é pequena. Essa noite é dedicada a ele, sem o qual provavelmente eu não estaria aqui. Penso mesmo que ninguém estaria aqui: Luiz Carlos Barreto. Mas quero crer que ele está nos assistindo agora. Se divertindo e nos abençoando junto com Glauber, Cacá, Nelson, Joaquim, Leon, Fábio e essa turma que já tá por aí no universo, essa noite é pra você, Luiz Carlos Barreto”

Eduardo Cavaliere, prefeito do Rio de Janeiro, também homenageou a trajetória e importância de Barretão para o audiovisual e anunciou uma novidade: “As grandes cidades precisam transformar sua cultura em políticas públicas e em legado. Por isso, tenho a alegria de informar que já sancionei um projeto de lei, de autoria da Joyce Trindade, que inclui oficialmente o Prêmio Grande Otelo no calendário oficial da cidade do Rio de Janeiro. A partir de agora, essa premiação passa a integrar, de forma permanente, o calendário oficial da nossa cidade. É um reconhecimento institucional à importância do cinema brasileiro, ao trabalho da Academia Brasileira de Cinema e à trajetória de um prêmio que, há 25 anos, celebra a excelência do nosso audiovisual”

O diretor de arte Thales Junqueira: premiado pelo filme O Agente Secreto

Ao longo da noite, o evento celebrou o aniversário de 25 anos de premiações da Academia, com uma homenagem a Luiz Antonio Viana, o primeiro presidente da instituição. Com direção de Batman Zavareze e roteiro de Bebeto Abrantes, a cerimônia deu destaque à diversidade no cinema brasileiro, com a ascensão do cinema indígena, produções periféricas, pretas e antirracistas, além de obras do universo LGBTQIAPN+. Durante a cerimônia, foram exibidas imagens de arquivo da primeira edição com Marieta Severo e Paulo José na apresentação, além de depoimentos marcantes do diretor Eduardo Coutinho sobre a importância de dar voz e reconhecimento a todos os trabalhadores do audiovisual brasileiro.

Ainda na parte musical, o Quarteto de Cordas fez arranjos inéditos para Bicho de Sete Cabeças e Vapor Barato. Ao som de Jards Macalé, o Prêmio fez uma homenagem especial aos profissionais do audiovisual que morreram no último ano, que entre muitos nomes destacou Luiz Carlos Barreto e a atriz potiguar Titina Medeiros. A noite também contou com um clipe comemorativo, cartazes e trechos de obras emblemáticas do cinema nacional premiadas nas categorias de ficção e documentário nos últimos 25 anos, tais como Santiago, Janela da Alma, Lixo Extraordinário, Chico: Artista Brasileiro, Menino 23 e Elis & Tom

O Prêmio Grande Otelo é organizado e votado pelos próprios profissionais do setor, uma forma da própria classe celebrar o seu trabalho e dar o devido reconhecimento ao talento de seus profissionais; a premiação é anual. Contribui para a elevação e a promoção do cinema brasileiro junto à população e ao público do país, através do reconhecimento da qualidade técnica e artística de seus filmes e da confraternização entre os profissionais da indústria. O processo de definição dos vencedores do Prêmio Grande Otelo é dividido em duas etapas: indicação e premiação. A partir de 2004, a votação passou a ser feita via internet, pelos sócios da Academia, que recebem uma senha eletrônica para votar pela internet.

Com sede no Rio de Janeiro e representatividade nacional, a Academia Brasileira de Cinema é uma entidade independente com a finalidade, entre outras, de instituir o Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, agora Prêmio Grande Otelo, e contribuir para a discussão, promoção e fortalecimento da indústria audiovisual em todo o Brasil. A Academia Brasileira de Cinema foi reconhecida, em 2020, pela Academy of Motion Picture Arts and Sciences como única entidade credenciada para indicar o longa que representa o cinema brasileiro na categoria de melhor filme internacional no Oscar, sem qualquer tutela do governo que esteja no poder.

Profissionais do setor, das mais diversas áreas, podem se associar à Academia, adquirindo assim não apenas o direito de votar no Prêmio Grande Otelo, mas de participar das assembleias e eventos que acontecem ao longo do ano, como a eleição para a comissão que escolhe o filme brasileiro indicado para representar o país no Oscar. A Academia Brasileira de Cinema é presidida por Renata Almeida Magalhães e a diretoria é composta por Paulo Mendonça (vice-presidente), Bárbara Paz, Ariadne Mazzetti, Allan Deberton e Jeferson De.

Conheça os vencedores do 25º Prêmio Grande Otelo:

MELHOR LONGA-METRAGEM | FICÇÃO
Manas, de Marianna Brennand
O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho

MELHOR FILME | VOTO POPULAR
Homem com H, de Esmir Filho

MELHOR LONGA-METRAGEM | DOCUMENTÁRIO
Apocalipse nos Trópicos, de Petra Costa

MELHOR LONGA-METRAGEM | ANIMAÇÃO
Tainá e os Guardiões da Amazônia: Em Busca da Flecha Azul, de Alê Camargo e Jordan Nugem

MELHOR LONGA-METRAGEM INFANTIL
O Diário de Pilar na Amazônia, de Eduardo Vaisman e Rodrigo Van Der Put

MELHOR LONGA-METRAGEM | COMÉDIA
Velhos Bandidos, de Claudio Torres

MELHOR LONGA-METRAGEM IBERO-AMERICANO
Belén: Uma História de Injustiça, de Dolores Fonzi (Argentina); indicação: Academia de las Artes y Ciencias Cinematográficas de la Argentina
O Riso e a Faca, de Pedro Pinho (Portugal); indicação: Academia Portuguesa de Cinema

MELHOR DIREÇÃO
Marianna Brennand, por Manas

MELHOR PRIMEIRA DIREÇÃO DE LONGA-METRAGEM
Rafaela Camelo, por A Natureza das Coisas Invisíveis

MELHOR ATRIZ
Denise Weinberg, por O Último Azul

MELHOR ATOR
Jesuíta Barbosa, por Homem com H

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Dira Paes, por Manas

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Rodrigo Santoro, por O Último Azul

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
Manas, escrito por Felipe Sholl, Marcelo Grabowsky, Marianna Brennand, Carolina Benevides, Antonia Pellegrino e Camila Agustini

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
O Filho de Mil Homens, escrito por Daniel Rezende; adaptado do livro O Filho de Mil Homens, de Valter Hugo Mãe

MELHOR DIREÇÃO DE FOTOGRAFIA
O Agente Secreto, por Evgenia Alexandrova

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE
O Agente Secreto, por Thales Junqueira

MELHOR FIGURINO
Homem com H, por Gabriella Marra

MELHOR MAQUIAGEM
Homem com H, por Martín Macías Trujillo

MELHOR EFEITO VISUAL
O Agente Secreto, por Alexandre Boiron, Luuk Meijer e David Van Heeswijk

MELHOR SOM
Homem com H, por Ana Luiza Penna, Martín Grignaschi e Armando Torres Jr.

MELHOR TRILHA SONORA
Homem com H, por Guilherme Amabis, Mariana Amabis e Rica Amabis

MELHOR MONTAGEM | FICÇÃO
Manas, por Isabela Monteiro de Castro

MELHOR MONTAGEM | DOCUMENTÁRIO
Apocalipse nos Trópicos, por David Barker, Tina Baz, Nels Bangerter, Jordana Berg, Victor Miaciro e Eduardo Gripa

MELHOR CURTA-METRAGEM | FICÇÃO
Amarela, de André Hayato Saito (SP)

MELHOR CURTA-METRAGEM | DOCUMENTÁRIO
Sebastiana, de Pedro de Alencar (RJ)

MELHOR CURTA-METRAGEM | ANIMAÇÃO
A Tragédia da Lobo-Guará, de Kimberly Palermo (RJ)

MELHOR SÉRIE | FICÇÃO | TV ABERTA, TV PAGA ou STREAMING
Máscaras de Oxigênio Não Cairão Automaticamente (1ª temporada) (Morena Filmes) (HBO Max)

MELHOR SÉRIE | DOCUMENTÁRIO | TV ABERTA, TV PAGA ou STREAMING
Caçador de Marajás (1ª temporada) (Boutique Filmes) (Globoplay)

MELHOR SÉRIE | ANIMAÇÃO | TV ABERTA, TV PAGA ou STREAMING
Osmar, a Primeira Fatia do Pão de Forma (3ª temporada) (44 Toons)

MELHOR ATRIZ | SÉRIE DE FICÇÃO | TV ABERTA, TV PAGA ou STREAMING
Alice Carvalho, por Cangaço Novo

MELHOR ATOR | SÉRIE DE FICÇÃO | TV ABERTA, TV PAGA ou STREAMING
Johnny Massaro, por Máscaras de Oxigênio Não Cairão Automaticamente

Fotos: R2 Foto. 

O Passeio de Dendiara: Camila Morgado é protagonista do novo filme de Elza Cataldo

por: Cinevitor
Camila Morgado em cena: protagonista 

A cineasta Elza Cataldo, de As Órfãs da Rainha e A Rainha Louca (uma coprodução com Portugal, com Maria de Medeiros, que está em fase de finalização), começou a rodar um novo longa-metragem: O Passeio de Dendiara, ficção baseada em casos reais de crianças brasileiras exploradas em garimpos ilegais na Amazônia. Inspirado no livro homônimo da diplomata Ana Beltrame, o filme é protagonizado por Camila Morgado e pela estreante Sophie Ataíde, que interpreta Dendiara.

A coprodução entre Brasil, Portugal e França é ambientada na fronteira com a Guiana Francesa e conta com elenco brasileiro e francês e diálogos em português e francês. Filmado no Amapá, O Passeio de Dendiara é o maior longa já rodado no estado; o filme também terá cenas em Belo Horizonte e na Guiana Francesa

A diretora, que também assina o roteiro ao lado de Fernanda Araújo, disse: “Ao ler o livro, imediatamente reconheci seu potencial para uma adaptação: história comovente, contexto social impactante e localização na região amazônica brasileira e em território francês. A temática se insere no foco do meu trabalho como cineasta, ao abordar a história das mulheres explicitando as violências sofridas desde a infância e ouvindo suas vozes silenciadas. Esse é um filme com viés humanista, por meio da construção de um olhar sensível e feminino, cuja linguagem persigo na minha filmografia”

No longa, Isabel, interpretada por Camila Morgado, Cônsul-Geral do Brasil, é chamada ao hospital de Caiena, capital da Guiana Francesa, para dar assistência à menina que, aos 11 anos de idade, está grávida. Determinada a encontrar os responsáveis pela criança, a Cônsul vai, pacientemente, conquistando a confiança da menina em passeios diários pelo hospital. Pouco a pouco, Dendiara revela os detalhes de sua história, carregada de medos e sonhos, na dura realidade dos garimpos ilegais na Amazônia.

Dentro dessa realidade complexa, a narrativa traz personagens fortes e multifacetados. Dendiara, a menina grávida, simboliza a resiliência e a coragem diante de adversidades inimagináveis, enquanto a Cônsul-Geral do Brasil na Guiana Francesa é uma figura determinada e incansável, movida por uma vontade inabalável de fazer justiça e resgatar a esperança. Do encontro entre elas nasce uma história de afeto e coragem, pautada pela esperança, e levando o público a refletir sobre a complexidade da natureza humana, a urgência de proteger os mais vulneráveis e a necessidade de encontrar redenção em um mundo marcado por cicatrizes profundas.

Camila Morgado e Sophie Ataíde em cena

O Passeio de Dendiara se desenrola na região fronteiriça entre a Guiana Francesa e o Brasil, e traz à telona a rica cultura local de Caiena, com sua diversidade na música, arquitetura e culinária. Ao mesmo tempo, apresenta as cicatrizes da selva, representadas por abusos e violência em atividades ilegais, como garimpo e exploração desenfreada de recursos naturais: “Ao relatar a vida em um garimpo ilegal podemos ver as mazelas e misérias dos personagens, bem como seus sonhos e ambições. São homens e mulheres em busca de riqueza e acabam sendo transformados em seres exauridos e cruéis. Entretanto, nesse universo improvável, surgem sentimentos como solidariedade e comprometimento. A floresta amazônica, com sua exuberância e mistérios, representa uma região pouco conhecida embora exerça uma força atrativa nacional e internacional”, completou Cataldo.

O longa ainda traz em seu elenco Ana Costa, o congo-brasileiro Bukassa Kabengele, Robert Frank, Odilon Esteves, o francês Pier Ewudu e a francesa Khanh: “A atriz mirim paraense Sophie Ataíde, escolhida numa seleção realizada no norte do Brasil, passou por uma preparação intensa e carinhosa para a proteger da gravidade da história e para facilitar sua compreensão da personagem. Dendiara conquista pelo carisma singelo e envolvente. Já a escolha de Camila Morgado foi pautada pela sua brilhante trajetória no cinema, pelo seu tipo físico quase europeu, que contrasta com o de Dendiara, e pela sua sensibilidade em captar o arco dramático da personagem”, disse a diretora.

Com uma narrativa sensível, O Passeio de Dendiara cumpre um papel de denúncia social chamando atenção para mazelas invisibilizadas, como a exploração sexual infantil em comunidades tradicionais amazônicas. Ao mesmo tempo, reforça a urgência de políticas públicas efetivas que garantam os direitos básicos e a dignidade dessas populações vulneráveis. O longa é uma produção da Persona Filmes, Maria Zimbro, Lira Filmes, Pixys Produções Artísticas e Boca a Boca Filmes.

A sinopse oficial diz: Isabel Valoni, cônsul brasileira na Guiana Francesa, está nos últimos dias de sua missão em Caiena quando é convocada ao hospital em caráter de urgência. Uma menina com traços indígenas foi encontrada sozinha na fronteira com o Brasil e se recusa a falar. Ao conhecer Dendiara, Isabel percebe a gravidade da situação: a menina, brasileira, de 11 anos, está visivelmente grávida. Com paciência e delicadeza, Isabel conquista a confiança de Dendiara durante passeios diários pelos corredores do hospital, reconstruindo uma história de abandono e exploração sexual em garimpos clandestinos no coração da Amazônia. Um mundo de brutalidade silenciosa, onde crianças valem ouro e, na realidade, não valem nada.

Fotos: Marcia Charnizon.

Conheça os vencedores do 5º Muído – Festival de Cinema de Campina Grande

por: Cinevitor
Um Oceano Inteiro, de Bruna Dias e Carine Fiuza: curta paraibano premiado

Foram anunciados neste domingo, 02/08, os vencedores da quinta edição do Muído – Festival de Cinema de Campina Grande, mais uma janela da produção cinematográfica paraibana e nordestina, que aconteceu no Teatro Municipal Severino Cabral

Neste ano, mais de 20 títulos foram selecionados entre 292 inscritos de todos os estados do Nordeste. A curadoria foi assinada por: André Santos e Tati Regis na Mostra Facheiro Luzente; e Janaína Lacerda e Breno César na Mostra Mundaréu. Já o time de jurados foi formado por Lunara Vasconcelos, Kennel Rogis e Ana Dinniz. Os vencedores receberam o Troféu Faxexo.

O tema desta quinta edição foi Acatar o Tempo, Refazendo Tudo, inspirado na música Refazenda, de Gilberto Gil; o Muído comemora meia década evocando a força de sempre renascer e de se reinventar, a conexão com os ciclos da natureza e o poder da vida: “Mesmo em meio a dificuldades e percalços, queremos celebrar a fartura, a vida, a arte e o cinema nordestino brasileiro”. A arte e a identidade visual foi assinada pelo artista Fernando JFL

Além dos filmes, a programação contou também com oficinas, mesas, debates, a famosa Feirinha do Muído e o Assustado do Muído. O longa paraibano Malaika, de André Morais, com Vitória Bianco e Norma Góes no elenco, foi o filme convidado deste ano e foi exibido na noite de encerramento

O Muído, realizado em Campina Grande, Paraíba, é um festival genuinamente paraibano e que tem como um dos objetivos ser uma tela para a produção do estado, do litoral ao sertão, passando pelo Cariri, Curimataú, Brejo, Seridó, entre outros.

Conheça os vencedores do 5º Muído – Festival de Cinema de Campina Grande:

MELHOR FILME | MOSTRA MUNDARÉU
Os Arcos Dourados de Olinda, de Douglas Henrique (PE)

MELHOR FILME PARAIBANO | PRÊMIO ELY MARQUES
Um Oceano Inteiro, de Bruna Dias e Carine Fiuza (João Pessoa)

MELHOR DOCUMENTÁRIO
Ninguém (Mais) Verá, de Fabiano Raposo (PB)

MELHOR DIREÇÃO
Janderson Felipe e Lucas Litrento, por Ajude os Menor

MELHOR ROTEIRO
Um Oceano Inteiro, escrito por Bruna Dias e Carine Fiuza

MELHOR ATRIZ
Soia Lira, por Ressonância

MELHOR ATOR
Servilio de Holanda, por Ratos

MELHOR PERSONAGEM
Silvo Silva, por Recife Tem um Coração

MELHOR MONTAGEM | PRÊMIO ALLAN VIDAL
Os Arcos Dourados de Olinda, por Douglas Henrique

MELHOR FOTOGRAFIA
A Vaqueira, a Dançarina e o Porco, por Linga Acácio

MELHOR DESENHO DE SOM
A Vaqueira, a Dançarina e o Porco, por Érico Sapão Paiva

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE
Doula: Todos os Dias, o Nascer do Fim, por Ary Régis e Ana Cristina Nascimento

MENÇÃO HONROSA
Retomada Étnica, de Jorge Elô (PB)
Nua, de Fabi Melo (PB)

Foto: Marcelo Quixaba.

Festival de Cinema de Vitória 2026: conheça os vencedores

por: Cinevitor
Wera Djekupe, diretor do longa A Caminhada Sagrada de Tatatxi Ywareté: grande vencedor

Foram anunciados neste sábado, 25/07, em cerimônia apresentada por Kelner Macêdo e Silvero Pereira, no Sesc Glória, os vencedores do Troféu Vitória, além dos contemplados com os prêmios especiais, da 33ª edição do Festival de Cinema de Vitória, o maior evento de cinema e audiovisual do Espírito Santo.

Durante o festival, que teve início no último dia 18/07 e reuniu na capital capixaba dezenas de realizadores e artistas, foram exibidos 87 filmes selecionados pela Comissão de Seleção: 80 curtas e sete longas-metragens distribuídos em 11 mostras competitivas, que apresentaram um recorte contemporâneo do audiovisual brasileiro com produções realizadas entre os anos de 2025 e 2026.

Na Mostra Competitiva Nacional de Longas, o vencedor do Troféu Vitória de melhor filme, tanto pelo Júri Técnico quanto pelo Júri Popular, foi o capixaba A Caminhada Sagrada de Tatatxi Ywareté, do diretor Marcelo Guarani (Wera Djekupe), que também foi laureado com o prêmio de melhor contribuição artística. O Troféu Vitória de melhor direção foi para Priscyla Bettim e Renato Coelho pela ficção As Florestas da Noite, que também ganhou os prêmios de melhor roteiro e melhor interpretação para Verónica Valenttino. O prêmio de melhor fotografia foi para Carol Quintanilha pelo documentário A Fabulosa Máquina do Tempo. O Júri Oficial foi composto pelo diretor e roteirista Fabio Meira; pela curadora, programadora e gestora cultural Simone Yunes; e pelo diretor, dramaturgo e preparador Vinicius Arneiro.   

Na Mostra Competitiva Nacional de Curtas, o vencedor do Troféu Vitória de melhor filme pelo Júri Oficial foi a produção goiana Tião Personal Dancer, de Aristótelis Tothi, que também venceu na categoria de melhor direção. O capixaba O que Faço com Isso Agora que Acabou?, de Julia Uliana e Natália Dornelas, recebeu o Troféu Vitória de melhor filme pelo Júri Popular e o Prêmio Especial do Júri. A produção do Espírito Santo, Irmã, de Anderson Bardot, recebeu dois prêmios oficiais: melhor interpretação para Arthur Batista Leão e melhor fotografia para Andie Freitas, além do Prêmio Canal Brasil de Curtas. O Troféu Vitória de melhor roteiro foi para Kimberly Palermo pela animação A Tragédia da Lobo-Guará. O prêmio de melhor contribuição artística foi para Luiz Ulian e Jocimar Dias Jr. por Morfeu e Caronte (RJ). O Júri Oficial da mostra foi composto pelo diretor do Festival MixBrasil, curador e pesquisador André Fischer; pela cineasta e roteirista Carol Benjamim; e pela professora, pesquisadora e cineasta GG Fákọ̀làdé; que também foram responsáveis pelo júri da Mostra Foco Capixaba.

Também foram entregues o Troféu Vitória de melhor Filme, pelo Júri Oficial e Júri Popular, para as obras que participaram das outras mostras. Já o júri do Prêmio Canal Brasil de Curtas elegeu Irmã, de Anderson Bardot, como o melhor filme da 30ª Mostra Competitiva Nacional de Curtas. A produção capixaba ganhou o Troféu Canal Brasil, além de uma premiação no valor de 15 mil reais; o júri do Prêmio Canal Brasil de Curtas foi formado pelos jornalistas Aline Almeida, Flávio Carvalho e Sé Souza, que participaram da cobertura do 33º Festival de Cinema de Vitória.

O Prêmio Sesc Glória, escolhido pela curadoria do Sesc, foi para o filme A Caminhada Sagrada de Tatatxi Ywareté, do diretor Marcelo Guarani, exibido na 16ª Mostra Competitiva Nacional de Longas. O prêmio consiste no licenciamento por dois anos para exibição nos cinemas do Sesc Espírito Santo. O júri do Prêmio Sesc foi formado pelos produtores culturais Gabriel Albuquerque e Leandra Moreira.

A Stone Milk, empresa de pós-produção, premiou os filmes vencedores da 30ª Mostra Competitiva Nacional de Curtas (Júri Oficial e Popular), da 16ª Mostra Competitiva Nacional de Longas e 10ª Mostra Nacional de Videoclipes. Os vencedores são os curtas-metragens Tião Personal Dancer, de Aristótelis Tothi, e O Que Faço Com Isso Agora Que Acabou?, de Julia Uliana e Natália Dornelas, o longa-metragem A Caminhada Sagrada de Tatatxi Ywareté, de Marcelo Guarani, e o videoclipe Monalisa, de Lucas Sá

O time de jurados desta 33ª edição do Festival de Vitória completou-se com: Douglas Soares, Erly Vieira Jr e Marina Abranches na mostra Quatro Estações; Daniela Zanetti, Douglas Soares e Gui Castor na mostra Corsária; Erlon Paschoal, Margarita Hernández e Thiago Moulin na mostra Outros Olhares; Gabriela Gastal, Leandra Moreira e Tati Rabelo na mostra Mulheres no Cinema; Paulo Sena, Tamyres Batista e Yasmine Evaristo na mostra Cinema e Negritude; Fabriccio, Gabriela Gastal e Patrícia Bragatto na Mostra Nacional de Videoclipes; Adriana Jacobsen, Margarita Hernández e Yasmine Evaristo na Mostra Nacional de Cinema Ambiental; e Bernadette Lyra, Gabriele Stein e Margareth Galvão na mostra Do Outro Lado: Cinema Fantástico

A noite de encerramento contou também com Sessões Especiais. Primeiro, foi exibido o longa Folclórica, dirigido por Rodrigo Aragão, homenageado capixaba desta edição. Na sequência, foi exibido o primeiro episódio da série Admirável Mundo Gordo, de Erly Vieira Jr e Melina Galante

Conheça os vencedores do 33º Festival de Cinema de Vitória:

30ª MOSTRA COMPETITIVA NACIONAL DE CURTAS

Melhor Filme | Júri Oficial: Tião Personal Dancer, de Aristóteles Tothi (GO)
Melhor Filme | Júri Popular: O que Faço com Isso Agora que Acabou?, de Julia Uliana e Natália Dornelas (ES)
Melhor Direção: Aristótelis Tothi, por Tião Personal Dancer
Melhor Roteiro: A Tragédia da Lobo-Guará, escrito por Kimberly Palermo
Melhor Fotografia: Irmã, por Andie Freitas
Melhor Contribuição Artística: Morfeu e Caronte, de Luiz Ulian e Jocimar Dias Jr. (RJ)
Melhor Interpretação: Arthur Batista Leão, por Irmã
Prêmio Especial do Júri: O que Faço com Isso Agora que Acabou?, de Julia Uliana e Natália Dornelas (ES)
Menção Honrosa: Espírito São: O Lugar de Toda Fé, de Matheus Costa e Breno Chamon (ES)

16ª MOSTRA COMPETITIVA NACIONAL DE LONGAS

Melhor Filme | Júri Oficial: A Caminhada Sagrada de Tatatxi Ywareté, de Wera Djekupe (Marcelo Guarani) (ES)
Melhor Filme | Júri Popular: A Caminhada Sagrada de Tatatxi Ywareté, de Wera Djekupe (ES)
Melhor Direção: Priscyla Bettim e Renato Coelho, por As Florestas da Noite
Melhor Roteiro: As Florestas da Noite, escrito por Priscyla Bettim
Melhor Fotografia: A Fabulosa Máquina do Tempo, por Carol Quintanilha
Melhor Contribuição Artística: A Caminhada Sagrada de Tatatxi Ywareté, de Marcelo Guarani (ES)
Melhor Interpretação: Verónica Valenttino, por As Florestas da Noite
Menção Honrosa: Entre o Sucesso e a Lama, de Cristiano Burlan (SP)
Menção Honrosa: Malaika, de André Morais (PB)

16ª MOSTRA QUATRO ESTAÇÕES
Melhor Filme: Marimbã Está Acontecendo, de Maryn Marynho (CE)
Melhor Filme | Júri Popular: Noites Proibidas, de Júlio Cesar (ES)
Menção Honrosa: Picumã, de Sladká Meduza (SP)

15ª MOSTRA FOCO CAPIXABA
Melhor Filme: Liberdade de Morar, de Penha Souza (ES)
Melhor Filme | Júri Popular: Liberdade de Morar, de Penha Souza (ES)

15ª MOSTRA CORSÁRIA
Melhor Filme: Filme-Copacabana, de Sofia Leão (RJ)
Melhor Filme | Júri Popular: Depois Levanta Voo ou Abisma-se, de Marcus Neves e Aline Dias (ES)
Menção Honrosa: Vim e Irei como uma Profecia, de Fábio Rogério (SE)

13ª MOSTRA OUTROS OLHARES
Melhor Filme: Grão, de Gianluca Cozza e Leonardo da Rosa (RS)
Melhor Filme | Júri Popular: Pra Morrer Basta Estar Vivo, de Francisco Xavier (ES)
Menção Honrosa: Kika Não Foi Convidada, de Juraci Júnior (RO)

11ª MOSTRA MULHERES NO CINEMA
Melhor Filme: Núbia, de Barbara Bello (MG)
Melhor Filme | Júri Popular: Lactação, de Fernanda Taddei (SP)

11ª MOSTRA CINEMA E NEGRITUDE
Melhor Filme: O Pai da Rainha de Angola, de Rodrigo França (SP)
Melhor Filme | Júri Popular: Dentro do Meu Peito Mora um Cão, de Gabriel Afonso (MG)
Menção Honrosa: Dentro do Meu Peito Mora um Cão, de Gabriel Afonso (MG)

10ª MOSTRA NACIONAL DE VIDEOCLIPES
Melhor Videoclipe: Monalisa, de Lucas Sá (Artista: Frimes) (MA)
Melhor Videoclipe | Júri Popular: Filtro, de Rayan Casagrande e Vinicius Caus (Artista: Inseton) (ES)
Menção Honrosa: Até, de Victorhugo Amorim, Taciano Faccini e Gabrielle Nalli (Artista: Ronnie Silveira) (ES)

9ª MOSTRA NACIONAL DE CINEMA AMBIENTAL
Melhor Filme: Bijupirá, de Eduardo Boccaletti (BA)
Melhor Filme | Júri Popular: Bijupirá, de Eduardo Boccaletti (BA)

8ª MOSTRA DO OUTRO LADO | CINEMA FANTÁSTICO
Melhor Filme: Ybi, de Elisa Telles e Begê Muniz (AM)
Melhor Filme | Júri Popular: Cordão de Prata, de Getulio Ribeiro (RJ)

PRÊMIO CANAL BRASIL DE CURTAS
Irmã, de Anderson Bardot (ES)

PRÊMIO SESC GLÓRIA
A Caminhada Sagrada de Tatatxi Ywareté, de Wera Djekupe (ES) 

PRÊMIO STONE MILK | PÓS-PRODUÇÃO
Longa-metragem: A Caminhada Sagrada de Tatatxi Ywareté, de Wera Djekupe (ES) 
Curta-metragem: Tião Personal Dancer, de Aristótelis Tothi (GO)
Videoclipe: Monalisa, de Lucas Sá (Artista: Frimes) (MA)
Consultoria de Projetos: O que Faço com Isso Agora que Acabou?, de Julia Uliana e Natália Dornelas (ES)

Foto: Melina Furlan.

Festival de Cinema de Veneza 2026: coproduções brasileiras são selecionadas

por: Cinevitor
Brasil na disputa pelo Leão de Ouro: Paula Cohen em Retorno a Buenos Aires, de Marco Bechis

A 83ª edição do Festival Internacional de Cinema de Veneza, que acontecerá entre os dias 2 e 12 de setembro, revelou, nesta quinta-feira, 23/07, em uma coletiva de imprensa comandada por Alberto Barbera, diretor do festival, a lista completa com os filmes selecionados para este ano.

Na Competição Internacional, que traz 20 títulos na disputa pelo Leão de Ouro, prêmio máximo do evento, o cinema brasileiro se destaca com o longa Retorno a Buenos Aires (Ritorno a Buenos Aires), coprodução entre Itália e Brasil, dirigida por Marco Bechis, que também assina o roteiro ao lado de Vijaya Bechis Boll. Estrelado pelo italiano Adriano Giannini, o filme reúne ainda os brasileiros Paula Cohen e Eduardo Hoy em papéis de destaque, além das atrizes argentinas Ana Celentano, Vero Gerez e Olivia Nuss

Na obra, Mariano Guerra é chamado a retornar à Argentina para testemunhar no julgamento dos militares que o sequestraram e torturaram durante a ditadura militar; a mesma que, em 1978, organizou a Copa do Mundo de Futebol enquanto o país vivia sob uma repressão clandestina. A história dialoga diretamente com a trajetória do próprio diretor, preso político durante a ditadura argentina, experiência que marca sua filmografia e confere ao longa um caráter testemunhal.

O encerramento das filmagens coincidiu simbolicamente com os 50 anos do início da ditadura na Argentina, em março de 1976, reforçando a atualidade da reflexão proposta pelo filme sobre memória, justiça e sobrevivência: “Com Retorno a Buenos Aires, volto à Argentina 50 anos depois. Volto com uma história que não é a minha, mas que nasce de uma ferida que conheço. Eu também fui sequestrado durante a ditadura argentina, mas Mariano não sou eu. Escolhi a ficção porque, às vezes, ela é a única forma de se aproximar de uma verdade que a memória, sozinha, não consegue contar. Durante muitos anos pensei que o cinema tivesse me libertado dessa pergunta. Percebi que não era assim. Há muitos anos uma questão me acompanha: o que significa sobreviver? Não apenas salvar-se, mas continuar vivendo quando outros não puderam fazê-lo. Mariano retorna a Buenos Aires para depor em um julgamento. Por meio dele, procurei contar esse momento em que o passado volta a ocupar o presente. Busquei uma direção essencial, sem explicar nem julgar. Interessavam-me os silêncios, os rostos, o tempo da espera, os lugares que conservam as marcas do que aconteceu. No fundo, este filme fala de uma única coisa: da culpa do sobrevivente, que persiste”, afirma o diretor.

Com três meses de pré-produção e quatro semanas de filmagens no Brasil, realizadas em Porto Alegre, e mais três semanas em Turim, no norte da Itália, o projeto também consolida a atuação internacional da produtora brasiliense 34 Filmes e a parceria com André Ristum, que já colaborou em diversos projetos anteriores. O filme teve participação destacada de técnicos brasileiros, entre os quais: a direção de arte de Eduardo Antunes; a produção de elenco de Alessandra Tosi; o figurino de Coca Serpa; a produção executiva de André Ristum e Patrick de Jongh; e o line producer Beto Rodrigues. A coprodução entre Brasil e Itália reúne a 34 Filmes e as italianas Fandango, 39Films, Karta Film e Rai Cinema.

Liderada por Patrick de Jongh, a 34 Filmes, que tem sede em Brasília, financiou o filme através do FSA, Fundo Setorial do Audiovisual, com recursos geridos pelo BRDE, por meio do edital de coprodução internacional de 2024, como afirma o produtor: “A política de descentralização dos investimentos em cinema mais uma vez mostra resultados e confirma a necessidade deste tipo de investimento para que mais regiões e realizadores brasileiros possam marcar presença em grandes eventos internacionais como o Festival de Veneza”.

A coprodução é resultado de uma parceria frutífera, que já conta com vários projetos realizados, entre a Sombumbo, de André Ristum, e a 34 Filmes: “Marco me mandou esse roteiro alguns anos atrás e fiquei muito impactado. Somos próximos desde a produção do Terra Vermelha e pra mim não era aceitável que um talento como ele ficasse tantos anos sem filmar. Levei o projeto para a 34 Filmes e fiquei muito feliz com a recepção e parceria deles para fazer o projeto dar certo”, disse Ristum. Vale destacar que, além de Terra Vermelha, Marco Bechis também dirigiu Alambrado, Hijos/Filhos e Garage Olimpo

A parceria brasileira conta também com a Neocórtex, de Cibele Amaral, que comenta sobre a terceira coprodução internacional da 34 Filmes que traz um resultado inédito: “É uma grande alegria fazer parte da história do cinema brasileiro, tendo produzido o primeiro filme da região CONNE (região centro-oeste, norte e nordeste) selecionado para a competição principal do Festival de Veneza na história deste evento”

A sinopse oficial diz: Buenos Aires, 2008. Depois de trinta e três anos vividos na Itália, Mariano Guerra retorna à Argentina para depor no julgamento dos ex-militares que o sequestraram, torturaram e escravizaram durante a ditadura militar. Junto com outros sobreviventes, ele é hospedado nas instalações do Ministério da Justiça, onde reencontra pessoas com quem compartilhou o cativeiro e aguarda o dia de seu depoimento. Os dias passados ao lado dos demais sobreviventes, os encontros e os testemunhos trazem à tona acontecimentos que permaneceram sem resolução por décadas. Mariano é um dos poucos sobreviventes daquela tragédia e carrega consigo um peso que nenhuma sentença é capaz de aliviar. O retorno a Buenos Aires o obriga a se confrontar com o que significa ter permanecido vivo.

Cena do longa Furies: coprodução do brasileiro Rodrigo Teixeira na Biennale Cinema 2026

Além disso, o Brasil também se destaca na mostra Venezia Spotlight com Furies, dirigido pelo libanês Rami Kodeih, de A Sheherazade Tale e Alina. A coprodução entre Líbano e Brasil, pela RT Features, de Rodrigo Teixeira, conta também com George Clooney como produtor executivo. 

Com Maria Nakouzi, Rym Mroue, Hasan Akil e Issam Bou Khaled no elenco, Furies se passa quando o sistema bancário do Líbano congela todas as contas da noite para o dia e uma jovem descobre que o dinheiro da cirurgia que poderia salvar a vida da irmã está bloqueado. Desesperadas, as duas irmãs arquitetam um ousado assalto ao banco para recuperar o que é delas por direito.

Ainda na mesma mostra, destaque para Hombre al agua, dirigido por Gael García Bernal, que traz uma atriz brasileira no elenco: Débora Nascimento. O filme, também estrelado por Gael García Bernal, Esmeralda Pimentel, Jorge Salinas, Natalia Oreiro e Anna Díaz, conta a história de Camilo, um salva-vidas cubano que salva o empresário mexicano Abel de um afogamento. Grato, Abel leva Camilo para o México; lá, ele se casa com a filha de Abel, Juana, e o casal tem um filho. No entanto, Camilo logo descobre que sua nova vida faz parte de um plano maquiavélico de manipulação e controle arquitetado por Abel. Com seu mundo desmoronando, Camilo precisa desvendar a trama e assumir o controle de seu destino. Será que ele encontrará uma saída ou permanecerá preso nesse jogo de poder?

Como já anunciado anteriormente, a diretora, atriz, roteirista e produtora estadunidense Maggie Gyllenhaal será a presidente do Júri Internacional da Competição desta 83ª edição do Festival de Veneza: “Estou muito feliz em aceitar o convite para presidir o júri do Festival de Cinema de Veneza deste ano. Veneza sempre apoiou vozes autênticas e singulares, e sinto-me honrada em contribuir para a continuidade dessa tradição corajosa e necessária. Não estarei ali para julgar, mas sim movida pela curiosidade, pela admiração e pelo entusiasmo”, disse em comunicado oficial.

O time de jurados completa-se com: a cineasta tunisiana Kaouther Ben Hania, que levou o Leão de Prata com o Grande Prêmio do Júri no ano passado com A Voz de Hind Rajab; o compositor britânico Daniel Blumberg, vencedor do Oscar pela trilha sonora de O Brutalista; o italiano Francesco Casetti, teórico de cinema e televisão; o cineasta e roteirista francês Xavier Giannoli; a diretora afegã Shahrbanoo Sadat; e o cineasta e produtor Johnnie To, de Hong Kong.

Na mostra Orizzonti, a atriz, diretora e roteirista francesa Valérie Donzelli será a presidente do júri, que contará também com: Peter Becker, distribuidor americano; a cineasta Elizabeth Lo, de Hong Kong; o diretor e roteirista mexicano David Pablos; e a atriz italiana Barbara Ronchi.

Já o Prêmio Luigi De Laurentiis, Leão do Futuro, que será entregue a um filme de estreia, contará com a cineasta e roteirista italiana Carolina Cavalli como presidente do júri. O time de jurados será formado por: Akinola Davies Jr., diretor britânico-nigeriano; e Ted Hope, produtor cinematográfico americano.

Neste ano, o ator, produtor e roteirista George Clooney e a consagrada atriz Ellen Burstyn, vencedora do Oscar por Alice Não Mora Mais Aqui, serão homenageados com o Leão de Ouro honorário.

O filme de abertura desta edição será o drama biográfico Ink, dirigido por Danny Boyle, vencedor do Oscar por Quem Quer Ser um Milionário?; o longa, que retrata a ascensão do magnata Rupert Murdoch e a transformação do jornal The Sun no final da década de 1960, conta com Guy Pearce, Jack O’Connell e Claire Foy no elenco. Já o encerramento será com o drama italiano Dio ride, de Giovanni Veronesi, com Pierfrancesco Favino, Maurizio Lombardi, Silvio Orlando, Alma Noce, Francesco Gheghi, Paolo Rossi e Carlo Cecchi no elenco.

Além disso, o Brasil também se destaca na 41ª edição da Semana Internacional da Crítica, Settimana Internazionale della Critica, que anunciou sua seleção recentemente com a presença do longa gaúcho London, dirigido por Victor Di Marco e Márcio Picoli

Conheça os filmes selecionados para o 83º Festival de Veneza:

VENEZIA 83 | COMPETIÇÃO

15/18 A Place To Heal, de Cédric Kahn (França)
Bucking Fastard, de Werner Herzog (Irlanda/EUA)
Bunker, de Florian Zeller (França/Espanha)
Company, de Casey Affleck (Canadá/EUA)
Dau, de Ilya Khrzhanovsky (Alemanha/França/Suécia)
Ga-neung-han sa-rang (Possible love), de Lee Chang-dong (Coreia do Sul)
Il fuoco che ti porti dentro, de Edoardo de Angelis (Itália)
Ink, de Danny Boyle (Reino Unido)
Kami nour (A bit of light), de Ali Asgari (Irã/Suíça/Itália/Canadá/Turquia)
Kvinde Ukendt (Woman Unknown), de May el-Toukhy (Dinamarca/Suécia/Letônia)
L’estranea, de Paolo Strippoli (Itália/França/Bélgica)
Look Back, de Hirozaku Koreeda (Japão)
Nelson san, anata ha hito wo koroshimashitaka? (Mr. Nelson, Did You Kill People?), de Shinya Tsukamoto (Japão/EUA/Tailândia/Vietnã)
Primetime, de Lance Oppenheim (EUA)
Ritorno a Buenos Aires, de Marco Bechis (Itália/Brasil)
Succederà questa notte, de Nanni Moretti (Itália/França/Espanha)
The Echo Chamber, de Andrea Pallaoro (Itália/Bélgica)
Un bon petit soldat, de Stéphane Brizé (França)
Un peu avant minuit, de Nicolas Pariser (França)
Wild Horse Nine, de Martin McDonagh (Reino Unido/EUA/Chile)

ORIZZONTI | COMPETIÇÃO

Cudze rzeczy (What belongs to others), de Grzegorz Dębowski (Polônia)
Do kraja dana (Until the day ends), de Jelena Maksimović (Sérvia/Bulgária/Eslovênia/Montenegro/Croácia/Alemanha)
Eklipse, de Manuel Wetscher (Áustria/Itália)
Huangyan shenghuo (Big Little Things), de Michelle Zhou (Hong Kong/EUA)
I figli della scimmia, de Tommaso Landucci (Itália)
La città dei vivi, de Edoardo Gabbriellini (Itália)
La maison du vent (House of the wind), de Auguste Bernard Kouemo Yanghu (Camarões/França/Bélgica/Benin/Arábia Saudita/Qatar)
La Moula, de Jérôme Pierrat (França)
La ragazza con la Leica, de Alina Marazzi (Itália/Alemanha)
Lovers in the Blue Night, de Anuparna Roy (Índia/EUA)
Mia mera sti zoi tis tzo: kefalaio Faidra (A day in the life of Jo: Chapter Phaedra), de Jacqueline Lentzou (Grécia/Alemanha/França)
Moragheb (Falling House), de Mohsen Gharaei (Irã/EUA/Alemanha)
Oase (Oasis), de Jannis Lenz (Alemanha/Áustria)
The Color of the Sun, de Xavier Tera (Canadá/Itália/Japão)
The Difficult Bride, de Rubaiyat Hossain (França/Bangladesh/Portugal/Noruega/Alemanha)
Too Much Sugar, de Robert Greene (EUA)
Un détour par Diane, de Ann Sirot e Raphaël Balboni (Bélgica/França)
Una storia, de Anna Foglietta (Itália)
Yak mai (The Burning Giants), de Phuttiphong Aroonpheng (Tailândia/França/Singapura/Taiwan/Holanda)

ORIZZONTI | CURTA-METRAGEM | COMPETIÇÃO

Angelo azzurro, de Tommaso Acquarone (Itália)
Bleu au loin, de Amir Houshang Moein (França)
Head of a Camel, de Shannon Lee (EUA)
Los poderes, de Salim Jaller (Colômbia/França)
Man made lake, de Annie Ning (EUA/China)
Mothmama, de Jessica DiCosta (Austrália)
Paper Plane, de Saoirse Ronan (Reino Unido/Irlanda)
Quelques instants de bonheur, de Shaden Safieddine Tazi (França/Reino Unido)
Sasso, carta, forbici, de Virginia Mori (Itália/França)
Tesztpálya (Test Track), de Lydia Cornett (Hungria/Reino Unido/EUA)
Tropikos tou thrinountos gkeko (Tropic of the mourning gecko), de Stavros Markoulakis (Grécia/França/Holanda)
Tysha (Silence), de Pavlo Shpegun (Ucrânia)
Una fortaleza, de Alba Gaviraghi (Chile)

ORIZZONTI | CURTA-METRAGEM | FORA DE COMPETIÇÃO

Il senso della Terra, de Simone Massi e Alessandro Ingaria (Itália)
Sounds from home, de Nathan Silver (França/EUA)

VENEZIA SPOTLIGHT

Eu contez (I matter), de Alina Şerban (Romênia/Alemanha/Bélgica)
Földszint (Ground floor), de Gábor Reisz (Hungria/Itália)
Furies, de Rami Kodeih (Brasil/Líbano)
Guria, de Levan Koguashvili (Geórgia/Suíça/Luxemburgo/Bulgária/Turquia/Noruega/Arábia Saudita)
Hiwar ma’ albahr (Conversation With The Sea), de Muayad Alayan (Palestina/Holanda/Arábia Saudita/Qatar)
Hombre al agua, de Gael García Bernal (México)
Serpenti, de Roberto De Paolis Maino (Itália)
Sumo: Spirit Weighs Nothing, de Erik Shirai (Japão/EUA/Dinamarca/Reino Unido)

FORA DE COMPETIÇÃO | FICÇÃO

Arrested Memory, de Sabu (Taiwan/Japão)
Dio ride, de Giovanni Veronesi (Itália)
Father Joe, de Barthélémy Grossmann (França)
Jupiter, de Alexandre Smia (França)
Makikiraan po (Let us through, dear ancestors), de Lav Diaz (Filipinas)
Nessun dolore, de Gianni Amelio (Itália)
No paradise if you are killed by a woman, de Halkawt Mustafa (Noruega/Iraque/Emirados Árabes Unidos/Suécia)
Place to be, de Kornél Mundruczó (Austrália)
Scherzetto, de Mario Martone (Itália)
The Basics of Philosophy, de Paul Schrader (EUA)
Un bon avocat, de Tristan Seguela (França)

FORA DE COMPETIÇÃO | DOCUMENTÁRIO

Al mowaten Osama (Citizen Osama), de Ahmed Hassouna (França/Palestina)
Be Brave, de Francesco Carrozzini (Itália)
Biografía de Jorge Luis Borges, de Mariano Llinás (Argentina)
Boatbuilders, de Luke Lorentzen (EUA)
Burgundy, de Michael Dweck e Gregory Kershaw (França)
Everest: The Other Side, de Elizabeth Chai Vasarhelyi e Jimmy Chin (EUA/China/Nepal)
From Inside Out: The Architecture of Peter Zumthor, de Wim Wenders (Alemanha/Suíça)
Holy Wood Dust, de Victor Kossakovsky (Itália/Espanha/Alemanha)
Imperium, de Sergei Loznitsa (Alemanha/Itália/França/Lituânia)
Listy (Letters), de Andrei Kutsila (Polônia/Alemanha/Lituânia)
Musk, de Alex Gibney (EUA)
My Undesirable Friends: Part II – Exile, de Julia Loktev (EUA)
Oasis: Don’t Look Back In Anger, de Dylan Southern e Will Lovelace (Reino Unido)
Queer Edward II, de Theo Rollason (Reino Unido)
Shumei. The living legacy of Kabuki, de Miike Takashi (Japão)
The road to Jericho, de Amos Gitai (França/Reino Unido/Israel)
Union Town, de Barbara Kopple (EUA)
Weichen (Dust), de Tsai Ming-liang (Taiwan/Espanha)
What Love Builds, de Russell Crowe (Austrália)

VENICE CLASSICS | FILMES RESTAURADOS

A História de Woo Viet (Woo Yuet dik goo si), de Ann Hui (1981) (Hong Kong)
A Ilusão Viaja de Trem (La ilusión viaja en tranvía), de Luis Buñuel (1954) (México)
A Noite do Massacre (La lunga notte del ’43), de Florestano Vancini (1960) (Itália)
Armadilha do Destino (Cul-de-sac), de Roman Polanski (1966) (Reino Unido)
Assim Falou o Amor (Minnie and Moskowitz), de John Cassavetes (1971) (EUA)
Cinzas e Diamantes (Popiół i diament), de Andrzej Wajda (1958) (Polônia)
Col cuore in gola, de Tinto Brass (1967) (Itália)
Despedida de Ontem (Abschied von gestern), de Alexander Kluge (1966) (Alemanha)
English, August, de Dev Benegal (1994) (Índia)
Feios, Sujos e Malvados (Brutti, sporchi e cattivi), de Ettore Scola (1976) (Itália)
Gyoei no mure (The Catch), de Shinji Sōmai (1983) (Japão)
Lo zio di Brooklyn, de Daniele Ciprì e Franco Maresco (1995) (Itália)
Los de la mesa 10, de Simón Feldman (1960) (Argentina)
Minjing gushi (On the beat), de Ning Ying (1995) (China)
Os Anjos Selvagens (The Wild Angels), de Roger Corman (1966) (EUA)
Os Olhos Azuis de Yonta (Udju Azul di Yonta), de Flora Gomes (1992) (Guiné-Bissau/Portugal/França/Reino Unido)
Ser ou Não Ser (To be or not to be), de Ernst Lubitsch (1942) (EUA)
Valerie e a Semana das Maravilhas (Valerie a týden divů), de Jaromil Jireš (1970) (República Tcheca)
Viagem à Itália (Viaggio in Italia), de Roberto Rossellini (1953) (Itália/França)

*Clique aqui e conheça os títulos selecionados para as mostras Biennale College Cinema e Venice Immersive

Fotos: Divulgação.

Morre, aos 98 anos, o produtor, diretor e fotógrafo Luiz Carlos Barreto

por: Cinevitor
Luiz Carlos Barreto: um dos maiores produtores cinematográficos do Brasil

Morreu na madrugada desta quarta-feira, 22/07, aos 98 anos, o produtor, diretor e fotógrafo Luiz Carlos Barreto, um dos maiores nomes da história do cinema brasileiro. A informação foi confirmada por familiares; Barretão, como era conhecido, estava com a saúde debilitada desde 2024 quando sofreu uma queda e, recentemente, estava internado desde terça-feira. 

Nascido em Sobral, no Ceará, no dia 20 de maio de 1928, mudou-se para o Rio de Janeiro aos 19 anos para trabalhar na CSN, Companhia Siderúrgica Nacional. Começou sua carreira profissional como jornalista na revista O Cruzeiro, onde atuou como repórter e fotógrafo entre os anos 1950 e 1963, tendo sido correspondente internacional da publicação na Europa. Além disso, graduou-se em Letras pela Sorbonne, em Paris

O cinema entrou em sua vida quando visitou o set de filmagens de Barravento, primeiro longa-metragem de Glauber Rocha, no interior da Bahia, em 1961, para fazer uma cobertura jornalística. Depois disso, assinou o roteiro, ao lado de Roberto Farias, de O Assalto ao Trem Pagador, também dirigido por Farias, e lançado em 1962. Logo, seguiu na sétima arte em grandes produções cinematográficas com um importante desempenho político e cultural. Luiz Carlos Barreto, um dos maiores produtores cinematográficos do Brasil, também teve papel fundamental no Cinema Novo e revolucionou o cinema latino-americano

Em 1965, deixou o jornalismo e passou a dedicar-se exclusivamente ao cinema quando fundou a L.C. Barreto, ao lado de sua esposa, Lucy Barreto, onde realizou alguns dos mais importantes títulos do cinema brasileiro. Como diretor de fotografia, assinou trabalhos importantes, como: Vidas Secas, de Nelson Pereira dos Santos, que foi exibido no Festival de Cannes, em 1964; e Terra em Transe, de Glauber Rocha, vencedor do Prêmio FIPRESCI em Cannes, em 1967, no qual também foi coprodutor. 

Lucy e Luiz Carlos se conheceram na década de 1950 e se casaram em Paris, em 1954. Anos depois, no dia 7 de maio de 1963, fundaram a L.C. Barreto Produções Cinematográficas, que acabou se tornando uma das produtoras mais importantes do país; o primeiro filme lançado por eles foi Garrincha, alegria do povo, de Joaquim Pedro de Andrade. Ao todo, foram mais de 80 produções em 60 anos de atividade, tendo como maior sucesso Dona Flor e Seus Dois Maridos (1976), de Bruno Barreto, filho mais velho do casal; a adaptação do clássico de Jorge Amado, com Sonia Braga, José Wilker e Mauro Mendonça no elenco, foi vista por quase 11 milhões de espectadores.

Além disso, em 1965, ao lado de jovens cineastas do Cinema Novo e produtores experientes, entre eles, Cacá Diegues, Leon Hirszman, Joaquim Pedro de Andrade, Zelito Viana, Glauber Rocha, entre outros, participou da fundação da Difilm, Distribuidora de Filmes Ltda., que atuava como distribuidora comercial e coprodutora cinematográfica com a intenção de resolver dificuldades de financiamento e comercialização do cinema independente brasileiro.

Ao longo das décadas, a LC Barreto realizou títulos que marcaram diferentes gerações, como: Bye Bye Brasil (1980), de Cacá Diegues; Memórias do Cárcere (1997), de Nelson Pereira dos Santos; A Hora e Vez de Augusto Matraga (1965), de Roberto Santos; e O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro (1969), de Glauber Rocha. Também foram responsáveis por dois grandes sucessos brasileiros que foram indicados ao Oscar: O Quatrilho (1995), do filho Fábio Barreto; e O que é Isso, Companheiro? (1997), do filho mais velho Bruno Barreto. Produziram, entre outros: Bela Donna (1998), de Fábio Barrreto; Uma Aventura do Zico (1999), de Antonio Carlos da Fontoura; Bossa Nova (1999), de Bruno Barreto; e O Caminho das Nuvens (2003), de Vicente Amorim. Como diretor, Barretão assinou o documentário Isto é Pelé e a minissérie 5x Brasil.

Além de Luiz Carlos e Lucy Barreto, os filhos também se dedicaram ao cinema: Bruno Barreto realizou diversos trabalhos com os pais, assim como Fábio Barreto, diretor de Lula, o Filho do Brasil e filho do meio do casal, que faleceu em 2019. A caçula, Paula Barreto, é a coordenadora da produtora hoje em dia e muitos de seus netos também trabalham com cinema.

O currículo de Barretão como produtor segue com: O Padre e a Moça, de Joaquim Pedro de Andrade; Os Senhores da Terra, de Paulo Thiago; A Dama do Lotação, de Neville D’Almeida; Amor Bandido e O Beijo No Asfalto, de Bruno Barreto; Menino do Rio, de Antônio Calmon; Índia, a Filha do Sol, Luzia Homem e A Paixão de Jacobina, de Fábio Barreto; Inocência e Ele, o Boto, de Walter Lima Jr.; O Homem que Desafiou o Diabo, de Moacyr Góes; João, o Maestro, de Mauro Lima; entre muitos outros. 

Na LC Barreto, produziu também o ainda inédito Deus Ainda é Brasileiro, do seu amigo Cacá Diegues, que marca a continuação do longa Deus é Brasileiro, lançado em 2003, com Antonio Fagundes. E mais: a vida e obra do produtor foi narrada no documentário Barretão, de Marcelo Santiago, que foi lançado em 2019. 

Luiz Carlos Barreto, que já foi homenageado diversas vezes, entre elas, em 1999, no Festival de Gramado, com o Oscarito, ao lado da esposa Lucy, em 2018 no Festival de Cinema de Vitória, e também no Cine Ceará com o Troféu Eusélio Oliveira, tornou-se um dos maiores produtores cinematográficos do país e deixa um legado imensurável para o cinema brasileiro.  

Foto: Divulgação.