
Foram anunciados neste sábado, 25/04, em cerimônia apresentada pelo ator mexicano Andrés Zuno, os vencedores da 41ª edição do Festival Internacional de Cine en Guadalajara, considerado um dos mais fortes da América Latina.
O longa Querida Fátima, dirigido por Lorena Gutiérrez Rangel, Su Kim, Jesús Quintana Vega, Rodrigo Reyes e Dawn Valadez, recebeu o Prêmio Mezcal de melhor filme, que destaca o cinema mexicano; a categoria de melhor interpretação consagrou o ator Oustin de León por seu trabalho em Soy Mario.
Neste ano, o cinema brasileiro se destacou na premiação com diversos títulos, entre eles, o cearense Feito Pipa, de Allan Deberton, que foi consagrado no Prêmio Maguey, seção que exibe títulos que abordam temas queer relacionados à comunidade LGBTQ+; o longa levou os prêmios de melhor filme e melhor interpretação para Yuri Gomes e Teca Pereira. O júri, formado por Andreas Bühlmann, Keith Bennie, Trinidad González, Michel Salazar e Coty Camacho justificou: “Este filme nos mostra a magia, a inocência e o amor por meio de seus personagens. O filme constrói uma história universal a partir do ponto de vista de um personagem, complementada pelo design de produção, pelas atuações e pela cinematografia. E, especialmente, nos convida a trabalhar e a construir em espaços seguros para as identidades queer e para as pessoas que amamos”.
Feito Pipa acompanha Gugu, interpretado por Yuri Gomes, um menino que sonha em se tornar jogador de futebol e vive com a avó Dilma, papel de Teca Pereira, que o cria de forma livre e afetuosa. Quando a saúde de Dilma se fragiliza, ele tenta esconder a situação para evitar ser separado dela e precisar ir morar com o pai, vivido por Lázaro Ramos. Rodado em Quixadá, no interior do Ceará, o longa constrói uma narrativa sensível sobre amadurecimento, pertencimento e afeto.
O diretor Allan Deberton, que também dirigiu Pacarrete e O Melhor Amigo, esteve presente na premiação, ao lado do produtor Marcelo Pinheiro, e comentou a conquista: “Foram dias incríveis em Guadalajara, com uma recepção carinhosa do público em todas as sessões. Sair duplamente premiado é uma honra. Dedico a todos que fizeram parte do filme, que o apoiaram e o fizeram existir. Agradeço a curadoria, a direção e a equipe do festival pela acolhida. A história de Gugu e Dilma tem emocionado por onde passa. Desde Berlim, o filme e o elenco têm encantado o público e é muito bom estar acompanhando essa recepção tão calorosa”.
O Brasil também se destacou com outros títulos premiados: o curta-metragem Replikka, de Piratá Waurá e Heloisa Passos, recebeu uma Menção Honrosa; Coração das Trevas, de Rogério Nunes, foi eleito o melhor longa-metragem internacional de animação; e o longa A Fabulosa Máquina do Tempo, dirigido por Eliza Capai, recebeu o Prêmio Técnico-Artístico entre os documentários.
Além dos premiados, o cinema brasileiro marcou presença com diversos títulos na seleção, como: Precisamos Falar, de Rebeca Diniz e Pedro Waddington; Eu Vou Ter Saudades de Você, de Daniel Ribeiro; os curtas-metragens Apnea, de Thales Pessoa e O Véu, de Gabriel Motta; La couleuvre noire, de Aurélien Vernhes-Lermusiaux, uma coprodução entre França, Colômbia e Brasil; e a animação Mi amigo el sol, de Alejandra Pérez González, uma coprodução entre México e Brasil.
Já no DocuLab, um programa da indústria do FICG, cujo objetivo é promover o desenvolvimento de cineastas ibero-americanos e seus filmes documentários na fase de montagem, o Brasil se destacou com Boy, de Michel Carvalho, e Os Arquivos Impossíveis, de José Eduardo Lins; Tempo Meio Azul Piscina, de Sofia Federico, foi exibido no Guadalajara Construye, que apresenta longas-metragens de ficção em versão preliminar buscando financiamento para a conclusão e distribuição.
Nesta 41ª edição, o cineasta Darren Aronofsky foi o Homenageado Internacional e, durante a cerimônia de premiação, subiu ao palco para receber tal honraria: “Estar aqui, neste festival de cinema, é um lembrete de como a narrativa é importante. Contar histórias é a tecnologia humana original. É o que nos torna humanos. É o que nos torna seres humanos melhores. E estar neste festival de cinema com todos esses contadores de histórias, todas as histórias e o público que as recebe é, para mim, um lembrete constante de como é importante continuar criando. Então, para todos os jovens estudantes de cinema em Guadalajara, os jovens cineastas, lembrem-se de que vocês estão fazendo a coisa certa. Precisamos de vocês. Continuem trabalhando, continuem lutando. Eu sei que é muito difícil lá fora. Mas se você contar uma história que tenha significado para você, encontrará um público, com sorte não apenas em festivais como este, mas em todo o mundo”, discursou.
O filme de encerramento deste ano foi Un hijo propio, da aclamada diretora chilena Maite Alberdi. O documentário conta a história de Alejandra, uma mexicana que finge estar grávida por vários meses diante de sua família, levando-a a enfrentar uma complexa crise psicológica e social que acaba se tornando um escândalo midiático.
Conheça os vencedores do 41º Festival Internacional de Cinema de Guadalajara:
PRÊMIO MEZCAL
Melhor Filme Mexicano: Querida Fátima, de Lorena Gutiérrez Rangel, Su Kim, Jesús Quintana Vega, Rodrigo Reyes e Dawn Valadez
Melhor Direção: Lorena Gutiérrez Rangel, Su Kim, Jesús Quintana Vega, Rodrigo Reyes e Dawn Valadez, por Querida Fátima
Melhor Realização Técnico-Artística | Fotografia: Ciudad de muertos, por Diego Tenorio
Melhor Interpretação: Oustin de León, por Soy Mario
Prêmio do Público: Querida Fátima, de Lorena Gutiérrez Rangel, Su Kim, Jesús Quintana Vega, Rodrigo Reyes e Dawn Valadez
Prêmio do Júri Jovem: La misma sangre, de Ángel Ricardo Linares Colmenares
LONGA-METRAGEM IBERO-AMERICANO DE FICÇÃO
Melhor Filme: Hangar rojo, de Juan Pablo Sallato (Chile/Argentina/Itália)
Melhor Direção: Juan Pablo Sallato, por Hangar rojo
Melhor Roteiro: Hangar rojo, escrito por Luis Emilio Guzmán
Melhor Interpretação: Nicolás Zárate, por Hangar rojo e María Magdalena Sanizo, por La hija cóndor
Melhor Realização Técnico-Artística: Hangar rojo, de Juan Pablo Sallato
Melhor Filme de Estreia: Barrio triste, de STILLZ (Colômbia/EUA)
Menção Honrosa | Filme de Estreia: Nunkui, de Verenice Benitez (Equador/Chile/Alemanha)
CURTA-METRAGEM IBERO-AMERICANO
Melhor Curta: Tres, de Juan Ignacio Ceballos (Argentina)
Menção Honrosa: Replikka, de Piratá Waurá e Heloisa Passos (Brasil/EUA/Reino Unido)
PRÊMIO MAGUEY
Melhor Filme: Feito Pipa, de Allan Deberton (Brasil)
Menção Honrosa: Nuestro cuerpo es una estrella que se expande, de Semillites Hernández Velasco e Tania Hernández Velasco (México)
Prêmio do Júri: Soy Mario, de Sharon Kleinberg (México)
Melhor Interpretação: Yuri Gomes e Teca Pereira, por Feito Pipa
LONGA-METRAGEM INTERNACIONAL DE ANIMAÇÃO
Melhor Filme: Coração das Trevas, de Rogério Nunes (Brasil/França)
LONGA-METRAGEM IBERO-AMERICANO DE DOCUMENTÁRIO
Melhor Filme: Niñas escarlata, de Paula Cury (República Dominicana/México/Alemanha)
Menção Honrosa: Flores para Antonio, de Elena Molina e Isaki Lacuesta (Espanha)
Melhor Direção: Paula Cury, por Niñas escarlata
Prêmio Técnico-Artístico: A Fabulosa Máquina do Tempo, de Eliza Capai
MOSTRA HECHO EN JALISCO
Melhor Longa: El círculo de los mentirosos, de Nancy Cruz Orozco (México)
Melhor Curta: Mi lugar favorito, de Alejandro Hidrogo Arechiga, Luis Zamarroni, Mariana Salazar e Sergio Campestre (México)
PRÊMIO CINE SOCIOAMBIENTAL
Melhor Filme: Black Water, de Natxo Leuza (Espanha)
PRÊMO CINE DE GÉNERO
Melhor Filme: Alpha, de Julia Ducournau (França/Bélgica)
Menção Honrosa: Motherwitch, de Minos Papas (Chipre/Macedônia do Norte/EUA)
Menção Honrosa: Hablando con extraños, de Adrián García Bogliano (México)
PRÊMIO RIGO MORA
Melhor curta de animação: Una vez en un cuerpo, de María Cristina Pérez González (Colômbia/EUA)
Menção Honrosa: El fantasma de la Quinta, de James A. Castillo (Espanha)
OUTROS PRÊMIOS
Prêmio FIPRESCI: Oca, de Karla Badillo (México/Argentina)
Prêmio FEISAL: Aquí se escucha el silencio, de Gabriela Pena e Picho García (Chile)
Foto: FICG/Diego Gasca.