Wagner Moura em O Agente Secreto: exibido no ano passado
A 36ª edição do Cine Ceará – Festival Ibero-americano de Cinema, que acontecerá entre os dias 7 e 13 de novembro, em Fortaleza, está com inscrições abertas para as mostras competitivas. Neste ano, o evento celebra Fortaleza, 300 anos de luz e cinema.
Os interessados em participar da seleção podem se inscrever gratuitamente até o dia 15 de agosto de 2026. No site oficial (clique aqui) estão disponíveis o formulário de inscrições e o regulamento. Além das mostras competitivas ibero-americana de longa-metragem, brasileira de curta-metragem e Olhar do Ceará, o festival conta também com exibições especiais, mostras sociais, debates, homenagens, cursos, entre outras atividades. Grande parte de sua programação é realizada em um dos principais equipamentos culturais públicos do estado, o Cineteatro São Luiz, da Secretaria da Cultura do Ceará (Secult/CE), gerido pelo Instituto Dragão do Mar (IDM). Toda a programação tem acesso gratuito.
As inscrições para a mostra competitiva ibero-americana de longa-metragem do Cine Ceará 2026 estão abertas para filmes realizados por produtores e/ou diretores brasileiros e ibero-americanos (América Latina, Caribe, Portugal e Espanha), nos gêneros de animação, ficção, documentário ou híbrido. Os longas inscritos devem ter sido concluídos a partir de 2025, com duração mínima de 60 minutos.
A competitiva brasileira de curta-metragem é destinada a filmes dos gêneros de ficção, documentário, animação ou híbrido, realizados por produtores e/ou diretores brasileiros ou radicados no país há mais de três anos, com duração máxima de 25 minutos, concluídos a partir de janeiro de 2025, que não tenham participado do processo seletivo de outras edições do Cine Ceará.
A Mostra Olhar do Ceará é direcionada a produtoras ou diretores cearenses, residentes ou não no estado. Podem ser inscritos filmes de curta-metragem, de até 25 minutos, e longa-metragem com duração mínima de 60 minutos, concluídos a partir de janeiro de 2025, nos gêneros de ficção, documentário, animação ou híbrido, que não tenham participado do processo seletivo de outras edições deste festival.
No processo seletivo, a curadoria das mostras competitivas prioriza trabalhos inéditos e se identifica com ações de inclusão social, com isso reservará no mínimo 30% de participação para mulheres diretoras no conjunto das mostras competitivas. Todos os filmes selecionados deverão apresentar legenda descritiva para surdos e ensurdecidos, em idioma português, conforme determina o Ministério da Cultura.
Dentre os participantes da mostra competitiva ibero-americana de longa-metragem do 36º Cine Ceará, serão agraciados com o Troféu Mucuripe os vencedores nas categorias: melhor longa-metragem, direção, atuação principal, atuação coadjuvante, roteiro, fotografia, montagem, trilha sonora original, som, direção de arte e Prêmio da Crítica. O melhor longa, eleito pelo Júri Oficial da competitiva ibero-americana, receberá um prêmio no valor de R$ 40 mil.
Na mostra competitiva brasileira de curta-metragem, o Troféu Mucuripe será concedido aos vencedores nas seguintes categorias: melhor curta-metragem, direção, roteiro e Prêmio da Crítica. Já na Mostra Olhar do Ceará, o Júri Oficial elegerá o melhor curta-metragem e o melhor longa-metragem, que receberão o Troféu Mucuripe.
Luiza Lindner: premiada pelo filme Irritante Prodígio
A cerimônia de encerramento da 21ª edição da CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto, apresentada por David Maurity, aconteceu nesta terça-feira, 30/06, na Praça Tiradentes, na cidade mineira de Ouro Preto, Patrimônio Histórico da Humanidade.
O longa-metragem Irritante Prodígio, dirigido por Luiza Lindner, foi o vencedor do Troféu Vila Rica da mostra competitiva chamada Arquivos em Questão. Dedicada a filmes que exploram criativamente imagens de arquivo, o recorte da programação reúne produções que investigam as múltiplas possibilidades de diálogo entre memória, documentação e criação audiovisual.
A escolha de Irritante Prodígio foi feita pelo Júri Oficial composto pela documentarista e professora Anita Leandro, pela professora e pesquisadora Gabriela Lima Gomes e pelo professor e pesquisador João Luiz Vieira. A justificativa diz: “O filme se destaca pela adequação da forma com conteúdo e se enriquece trazendo o próprio corpo como arquivo”.
Produção de Santa Catarina e São Paulo, o filme investiga os limites entre autobiografia, performance e memória ao revisitar a infância da diretora, marcada por longos períodos de internação hospitalar e psiquiátrica. A partir da articulação entre registros pessoais, imagens de arquivo e encenações, ela constrói uma narrativa sobre lembranças individuais e formas de representação audiovisual.
Noite de premiação na CineOP 2026
A diretora Luiza Lindner agradeceu, emocionada: “Gente, que loucura! Eu zero imaginava mesmo. Para mim, era uma honra só estar participando. Queria falar que agradeço muito ao júri e todo o pessoal aqui do festival. Tô muito honrada de estar aqui e muito realizada. Realmente o cinema, a produção artística e a expressão são tudo para mim. E esse filme representa exatamente isso. Eu acho que nada seria mais forte do que ser a nossa razão para existir e eu acho que a memória é muito simbólica nesse sentido. Então, de fato, é o momento que eu vou lembrar para sempre. Eu fico muito feliz mesmo. Me ajudem na existência desse filme também. Estou começando a minha carreira no cinema e espero que esse prêmio ajude o filme a existir ainda mais”.
A mostra Arquivos em Questão é a seção competitiva da programação da CineOP e reúne obras que fazem do arquivo fonte documental e matéria-prima para novas experiências cinematográficas. Nesta edição, a seleção apresentou longas e curtas-metragens brasileiros e internacionais que exploram diferentes formas de reutilização de imagens, registros históricos e acervos audiovisuais.
Depois da premiação, o público acompanhou o cine-concertoCanção para o Novo Mundo, que contou com Titane, Túlio Mourão, Yuri Vellasco e o videoartista Eder Santos. Inspirado no universo do Clube da Esquina, o espetáculo combina música ao vivo e projeções audiovisuais em uma experiência sensorial que propõe renovar o desejo de viver e refletir sobre o tempo presente. A apresentação encerrou a 21ª CineOP em sintonia com o tema desta edição, reafirmando o cinema como espaço de memória, criação e encontro.
*O CINEVITOR está em Ouro Preto e você acompanha a cobertura do evento por aqui, pelo canal do YouTube e pelas redes sociais: Twitter, Facebook e Instagram.
A 21ª edição da CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto reafirmou, mais uma vez, seu papel como principal evento brasileiro dedicado à preservação, à história e à educação audiovisual. O evento beneficiou mais de 20 mil pessoas em seis dias de atividades gratuitas, reunindo profissionais do audiovisual, pesquisadores, educadores, estudantes, gestores públicos e público em geral em uma programação que integrou exibições, atividades formativas, debates, encontros profissionais e atrações artísticas.
Neste ano, foram exibidos 135 filmes (33 longas-metragens, quatro médias e 98 curtas) distribuídos em 42 sessões. A programação reuniu produções de 18 estados brasileiros e de seis países, entre pré-estreias mundiais e nacionais, mostras temáticas e competitiva, ampliando o diálogo entre diferentes cinematografias e gerações de realizadores.
Ao longo de mais de duas décadas, a CineOP consolidou um modelo único de festival no país, no qual exibição, formação, preservação e formulação de políticas públicas caminham de forma integrada. A 21ª edição encerra sua programação mantendo Ouro Preto como principal espaço brasileiro de reflexão sobre preservação audiovisual, história do cinema e educação, reunindo profissionais, instituições e público em torno da memória e do futuro do audiovisual brasileiro.
Antes do encerramento, na terça-feira, 30/06, Raquel Hallak, CEO da Universo Produção e coordenadora geral da Mostra, conversou com a imprensa no Centro de Artes e Convenções da UFOP e, como de costume, fez um balanço geral da edição: “É uma alegria estar aqui com esse sentimento de missão cumprida. De chegar ao final de tudo como a gente planejou, ver acontecendo, tomando forma, ocupando os espaços dessa cidade tão querida como Ouro Preto, que nos inspirou desde sempre a pensar o cinema como patrimônio. E o cinema merece tombamento”.
No bate-papo, Hallak falou da essência do evento: “A CineOP foi pensada exatamente para ser o espaço de apresentação desses filmes que estão chegando com a restauração ou com a digitalização. Na quarta edição, por exemplo, exibimos Xica da Silva, no Cine Vila Rica, sem estar restaurado, com a presença do Cacá Diegues, e homenageamos a Zezé Motta. Eu nunca imaginei que fosse ver o filme na sua janela original para uma nova plateia. O espírito é exatamente isso. Quem fez cinema antigamente, e ainda segue fazendo, não tem essa consciência de que os filmes permanecem vivos e que sempre terão pessoas querendo conhecer esses títulos. Esses filmes contam o tempo histórico em que foram realizados”.
A 21ª CineOP movimentou a economia, ampliou o alcance e fortaleceu a preservação audiovisual
Sobre um volume maior de filmes restaurados na programação, comentou: “São resultados de políticas públicas. Não é que abrimos seleção para mais filmes. É porque agora tivemos que escolher os filmes que antes ficávamos catando. Eram filmes pingados porque o restauro é um processo demorado. Então, quando a gente vê que tem condição de escolher, é um alívio. Sinal que esses encontros, que reafirmamos todos os anos aqui sobre preservação, formação, guarda e acesso, estão sendo notados. Alguém prestou atenção”.
E continuou: “A CineOP é o lugar dos filmes que utilizam imagens de arquivo e a gente introduziu a mostra competitiva no ano passado, que já vem com um aprimoramento que estamos estudando exatamente para dar visibilidade a esse trabalho invisível do pesquisador em primeira instância e de como esses acervos estão sendo guardados. O Ainda Estou Aqui, por exemplo, em sua essência, só foi possível com imagens de arquivo, tanto para estudar e contar essa história, como para utilizar essas imagens. Estamos numa saturação do digital, né? A gente também está em busca do novo porque queremos conhecer a nossa história. Então, existe uma curiosidade e existe a nostalgia da película, de como foi filmado. E existe a curiosidade do novo, do restaurado em 4K, de ver como essa imagem vai ficar. Com isso, temos os avanços tecnológicos: como que a IA contribui nesse processo de restauro? Eu acho que essas vertentes levam esse público para a sala também pela curiosidade de ver como que esses filmes se apresentam”.
Raquel aproveitou a conversa com a imprensa para refletir sobre a importância da exibição dessas obras que fizeram parte da programação: “Nesses 21 anos, a CineOP vem acompanhando todos os avanços do setor da preservação e sempre colocando a preservação também como indústria, como ativo econômico. É preciso ter esse espaço de estreia ou de exibição. É também um momento de valorização dessas produções, que até então estavam guardadas nas cinematecas. Então, acho que a gente colaborou pra uma quebra de paradigma. Quando eu vejo um filme estrear eu penso que o cinema brasileiro permanece vivo, independente do ano em que ele foi produzido. Mas, precisamos dar acesso. E a sala de cinema complementa o ato da preservação também porque ninguém vai preservar para manter o filme guardado. A preservação só tem sentido quando ela possibilita o acesso para você poder ver e ter a experiência desse cinema. Essa conjuntura atual mistura curiosidade, história, nova geração, avanços tecnológicos e a experiência de assistir esses filmes no cinema”.
Imprensa reunida com Raquel Hallak
Na sequência, Hallak falou da Rede Nacional de Arquivos e Acervos: “O grupo de preservação é a raiz da CineOP, assim como a criação da Rede Nacional de Arquivos. Em 2006, criamos esse evento porque não existia um banco de dados para você consultar essas cópias. Não tinha uma integração entre as instituições de guarda. Não tinha, minimamente, uma possibilidade de discussão sobre de quem são esses filmes e de como mostrar que esses filmes são do Brasil, são nossos. Com a criação da Rede Nacional de Arquivos, tivemos um avanço imenso de considerar a preservação dentro da política pública do Ministério da Cultura. Assim como foi criado o IBRAM [Instituto Brasileiro de Museus]; é através desse instituto que se consegue recursos e consegue também pensar em infraestrutura e formação. A Rede Nacional de Arquivos e Acervos é uma realidade; cabe agora ao setor e à sociedade civil torná-la pulsante porque ela existe. São esses documentos que têm sido balizadores da construção dessas políticas públicas”.
E completou: “Recebemos um prêmio da Academia Brasileira de Cinema, que foi o primeiro reconhecimento público da CineOP como fórum privilegiado de discussão da preservação. Além disso, a preservação conseguiu cadeira na Cinemateca Brasileira através da ABPA [Associação Brasileira de Preservação Audiovisual]. São conquistas, que se a gente pensar na história do cinema brasileiro, muito recentes. Mas, muito importantes para a existência da preservação dentro do ecossistema que era visto como o patinho feio. Se a gente tinha no passado só a Cinemateca do MAM e a Cinemateca Brasileira, hoje temos o Brasil sendo visto através dos museus de Imagem e Som, através das suas cinematecas representativas de seus estados, de reconhecimento público dessas instituições, da descentralização da regionalidade. Então, esse encontro na CineOP, tem sido preponderante para que esses avanços sejam conquistados por uma luta do setor. Aqui, estamos a serviço deles”.
Sobre o encontro de gerações de cineastas, Raquel comentou: “Não tem como falar de preservação sem democratização, sem acesso. Nessa edição, foi interessante ver mulheres que já possuem história e acervo, como a Tata Amaral, por exemplo, ao lado de jovens que estão chegando com possibilidades de espaço. Eu lembro quando eu falava pela primeira vez da CineOP para algum cineasta ou produtor e me respondiam que não tinham como contribuir com a preservação. E eu questionava: ‘Como não? Quem faz seus filmes? Quem são os donos dos seus filmes? Como é que eles vão estar no futuro? Como é que vai ser esse acesso? Como é que vai essa guarda?’. Então, isso mudou muito. E acho que vai mudar principalmente a partir desses jovens, que estão vindo com mais consciência. É um diferencial na produção contemporânea agora. A Mostra é democrática em todos os sentidos. Da possibilidade de você escrever, de você exibir, de olhar para o ponto de vista curatorial e organizar esses filmes”.
Raquel Hallak destaca o patrimônio audiovisual brasileiro e políticas culturais
Os projetos de preservação também foram abordados por Hallak: “Uma das novidades dessa edição, além dos filmes, foram os projetos de preservação, que também abrimos inscrição. E a CineOP é o lugar para isso. É esse espaço de convergência entre preservação, história e educação; é o espaço da preservação em todos os sentidos, da discussão, da exibição, da troca de conhecimento e de possibilidades de conhecermos projetos que estão sendo feitos, como estão sendo feitos, quais foram os resultados e servir de troca de experiências para que outros surjam. E foi uma luta muito grande para ter a preservação dentro da Lei Aldir Blanc. Espero que a cada edição esses filmes estejam cada vez mais numerosos e que a gente possa cada vez mais ter espaço para eles. De um tempo para cá, conseguimos fazer um recorte para a seleção de filmes somente com imagens de arquivo. Isso não se sustentava antes. É mostrando que como a pesquisa, o acesso a esse acervo, a questão do recurso e dos direitos autorais de imagem são fundamentais para construir outras histórias, para ressignificar novas narrativas”.
Raquel falou também sobre as Cartas de Ouro Preto, documentos fundamentais que reúnem as principais urgências e reivindicações de profissionais dos setores de educação e salvaguarda do patrimônio cinematográfico nacional: “São instrumentos que a gente registra para marcar uma época. Quando olhamos para essas cartas, percebemos que serviram para alguma coisa. Talvez não de forma imediata, mas serviu. Do Fórum de Tiradentes, a mesma coisa. Quando a gente reflete sobre todo o trabalho que foi feito em uma dessas publicações percebemos o que de fato existe e questionamos: o que nós queremos? Uma política de Estado, uma política estruturante e permanente. Essa política é uma construção. E eu vejo uma construção desses avanços a partir dessas cartas. Não tem como desconectar do que é feito aqui”.
Na conversa com a imprensa, Raquel Hallak destacou a importância do audiovisual na sociedade: “Eu represento e lidero um trabalho muito coletivo. Isso não é de uma pessoa e nem de uma empresa; são as pessoas, equipes, profissionais e imprensa que acreditam que a gente precisa construir um mundo melhor através do audiovisual em conexão com as outras artes. Então, é uma política pública permanente e estruturante. É no audiovisual que a gente se expressa, que a gente tem voz, que a diversidade tem lugar. É um cinema plural em todos os sentidos: de quem faz, de quem pensa, de quem divulga, de quem projeta. Eu acho que, paulatinamente, fomos construindo esse caminho. É uma construção coletiva”.
Bate-papo: balanço geral da 21ª edição com a imprensa
E seguiu com uma reflexão sobre a trajetória da Mostra de Cinema de Ouro Preto: “Hoje pensamos com muito mais maturidade esse contexto da preservação. Quando começamos, eu não tinha a menor ideia de onde isso chegaria. Eu só pensei nesse evento porque quando a gente foi exibir alguns filmes em Tiradentes, não conseguíamos encontrar as cópias dos filmes ou quem eram os donos ou qual era a condição de exibição dessas cópias. Eu não tinha a menor ideia de como que a preservação era vista ou de como era o contexto dela dentro do ecossistema audiovisual. Acho que é exatamente por esse distanciamento, ou por essa falta de conhecimento, que eu não tive pudor para ousar. E as pessoas foram junto comigo, acreditando que a gente tinha que desbravar e abrir esses caminhos. Então, quando a gente fala das mulheres, como cineastas que abriram caminhos, eu me vejo um pouco nesse lugar; e falo com minha equipe inteira sobre pensar esses caminhos porque eles não existiam”.
E finalizou: “Minas, por exemplo, sempre foi um estado da videoarte, da crítica cinematográfica. Mas não era um estado tradicionalmente do fomento e da produção. Isso que Belo Horizonte já teve 120 salas de cinema. Então, é uma espécie de resgate daquilo que foi silenciado ou daquilo que ainda não existiu, não foi descoberto, não foi revelado. Eu acho que o Cinema sem Fronteiras representa a inquietação e a ousadia de quem quer fazer alguma coisa diferente. Mas, principalmente, para valorizar e promover o cinema brasileiro porque é nele que a gente consegue se ver”.
Além dos resultados culturais, a CineOP 2026 também movimentou a economia local. A realização do evento mobilizou uma equipe formada por 132 profissionais, contratou 230 empresas prestadoras de serviços e envolveu 22 estabelecimentos comerciais de Ouro Preto, entre hotéis, pousadas e restaurantes. A Mostra contribuiu ainda para a geração de mais de dois mil empregos diretos e indiretos, fortalecendo os setores de turismo, serviços e economia criativa da cidade.
No ambiente digital, a programação alcançou 95 mil visualizações no site oficial, com acessos provenientes de 57 países, ampliando o alcance internacional do evento. Nas redes sociais, a 21ª CineOP registrou 2,6 milhões de visualizações, enquanto a cobertura jornalística reuniu 74 jornalistas credenciados, representando cerca de 400 veículos de comunicação de diferentes regiões do Brasil.
*O CINEVITOR está em Ouro Preto e você acompanha a cobertura do evento por aqui, pelo canal do YouTube e pelas redes sociais: Twitter, Facebook e Instagram.
Propostas com foco em políticas públicas para preservação audiovisual e educação no cinema
As Cartas de Ouro Preto são documentos fundamentais que reúnem as principais urgências e reivindicações de profissionais dos setores de educação e salvaguarda do patrimônio cinematográfico nacional. Os textos de 2026 foram lançados nesta terça-feira, 30/06, durante a 21ª edição da CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto.
Produzidos a partir de intensos debates durante a Mostra, os manifestos dividem-se em dois eixos de atuação essenciais. A Carta da Educação reivindica o cinema como um componente curricular autônomo, cobra a imediata regulamentação do Programa Nacional de Cinema nas Escolas (Lei nº 13.006/2014) e alerta para os riscos da dependência de corporações estrangeiras na educação digital.
“Defendemos que ensinar cinema exige formação inicial e continuada de docentes, reconhecendo um saber próprio, tecido entre teoria, sensibilidade e prática, sem o qual sua presença nas escolas permanece incompleta. No Brasil, temos mais de 180 cursos superiores de cinema e audiovisual, e já há 3 licenciaturas em cinema e audiovisual (UFF, UERJ, UFCA). Reivindicamos que o cinema seja reconhecido como componente curricular autônomo nas ações curriculares, com tudo que isso implica no cotidiano escolar, destinação de recursos e infraestrutura, e formação docente. Quando o cinema finalmente chegar a todas as escolas, que o faça como se fosse sempre a primeira vez, preservando o espanto, a delicadeza do encontro e a potência de transformação que habita cada imagem”, destaca a Carta da Educação.
Já a Carta da Preservação celebra os avanços na formação de preservadores audiovisuais, mas exige a realização de concursos públicos para garantir estabilidade institucional, a criação de data centers públicos para assegurar a soberania dos dados nacionais e o uso ético da Inteligência Artificial.
Em um momento de uníssona convergência, ambas as cartas fazem um apelo urgente pela preservação do acervo de 40 anos do projeto Vídeo nas Aldeias, ressaltando sua importância incontornável para a memória dos povos originários e do país: “Alertamos para a urgência de se empreender esforços imediatos e concretos para a preservação do Acervo do Vídeo nas Aldeias. Sua importância é incontornável para a salvaguarda da memória dos povos originários e para a construção de uma história do audiovisual brasileiro que supere os apagamentos históricos e contemple a diversidade do nosso país”, diz a Carta da Preservação.
Como lembram os documentos, educar e preservar são direitos inalienáveis e inseparáveis. Clique aqui e leia os manifestos na íntegra para conhecer as propostas que vão pautar as lutas culturais e educacionais do Brasil nos próximos anos.
Zezé Motta em Xica da Silva: filme comemora 50 anos em 2026
Lançado em 1976, Xica da Silva, dirigido por Cacá Diegues, atraiu mais de 3,1 milhões de espectadores e conquistou os prêmios de melhor filme, direção e atriz para Zezé Motta no Festival de Brasília. Às vésperas de completar 50 anos, o filme que reposicionou o protagonismo negro e feminino no cinema brasileiro, será relançado em cópia restaurada pela Sessão Vitrine Petrobras no dia 16 de julho.
Numa época em que o Cinema Novo ainda exercia forte influência sobre o audiovisual brasileiro, Carlos Diegues procurou um caminho próprio. Sem abandonar preocupações políticas e históricas, Xica da Silva combina humor, erotismo, música, espetáculo e linguagem popular para colocar uma mulher negra no centro absoluto da narrativa. Adaptado do livro Memórias do Distrito de Diamantina da Comarca do Serro Frio, de João Felício dos Santos, o filme criou uma versão mais irreverente, sensual e subversiva da personagem histórica e foi frequentemente apontado como um comentário ousado, ainda que indireto, sobre o regime autoritário que governava o país em 1976.
Chica da Silva foi uma mulher negra escravizada que, após conquistar a alforria, rompeu os padrões de sua época ao manter por cerca de 15 anos uma relação pública com João Fernandes de Oliveira, contratador de diamantes e um dos homens mais ricos do Império Português. Com ele teve 13 filhos, criados com privilégios raramente concedidos a descendentes de uma ex-escravizada. Após a partida de João Fernandes para Portugal, Chica assumiu a administração de parte dos negócios e consolidou uma posição de destaque na sociedade local.
Além do imenso sucesso de público, Xica da Silva representou a consagração de Zezé Motta no imaginário brasileiro. A atriz, que já havia participado de filmes e produções televisivas, foi amplamente aclamada pela crítica e recebeu alguns dos principais prêmios do cinema nacional por sua atuação, entre eles o Prêmio Air France, o Coruja de Ouro, o Prêmio Governador do Estado e o já citado Candango de melhor atriz no Festival de Brasília, em 1976. Cinco décadas depois, Zezé permanece como um dos grandes nomes da dramaturgia brasileira, símbolo de resistência para a comunidade negra e figura fundamental nas discussões sobre representação racial no país.
Sala cheia: apresentação do filme na CineOP
A cópia restaurada de Xica da Silva foi exibida pela primeira vez durante a 21ª edição da CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto. A exibição aconteceu no domingo, 28/06, no Cine-Teatro Petrobras no Centro de Artes e Convenções da UFOP, e contou com a presença de Renata Almeida Magalhães, presidente da Academia Brasileira de Cinema e viúva de Cacá; Débora Butruce, restauradora; Carla Domingues, gerente executiva da Vitrine Filmes; José Quental, curador da Temática Preservação; entre outros.
No palco para apresentar o longa para o público, Débora Butruce falou sobre a restauração: “É uma alegria muito grande estar aqui para apresentar essa versão restaurada desse clássico do Cacá Diegues, que está completando 50 anos. Esse filme tinha passado por um processo anterior, dentro do âmbito do programa de restauro também viabilizado pela Petrobras, há 16 anos. Então, avaliamos e percebemos que o filme já tinha sido escaneado. Para evitar o desgaste dos materiais originais em película 35 mm, partimos desses arquivos digitais brutos para realizar o processo em 4K. O processo anterior tinha sido feito em uma outra resolução”.
E completou: “A imagem tinha problemas como fungos, rasgos e riscos. Esse processo de restauração digital foi importante para poder mitigar, minimizar e apagar esses danos. Com o som, partimos da versão restaurada anteriormente. Então, vocês vão ver uma versão nunca antes vista, em 4K. Conseguimos também retomar as cores, o que é muito importante e muito difícil em um filme colorido. É muito complicado conseguir avaliar quanto perde de cada canal de cor. Esse trabalho é feito com os grandes parceiros da Mapa Filmes, Link Digital e toda uma equipe muito cuidadosa e atenciosa nos mínimos detalhes para conseguir chegar neste trabalho de restauro. Lembrando que esses trabalhos só são possíveis porque os materiais originais são preservados; eles estão preservados pela Cinemateca Brasileira. Vale ressaltar a relevância absoluta desse trabalho sem o qual a gente não conseguiria chegar a esse resultado de restauro”.
Renata Almeida Magalhães, produtora brasileira e que foi casada com Cacá por 43 anos, fez seu discurso emocionada: “Eu tinha 15 anos quando vi Xica da Silva pela primeira vez e fiquei louca com o filme. Quatro anos depois eu já estava casada com o Cacá. Primeiro, queria agradecer não só ao trabalho que foi feito, mas pela Vitrine Filmes ter escolhido esse filme nessa data redonda. Pouca gente sabe, mas Xica da Silva é o maior sucesso comercial do Cacá no Brasil. Não é o Bye Bye Brasil”.
Débora Butruce: coordenadora da restauração do filme
E seguiu: “Cacá adorava música e ele falava que seus filmes sempre tinham a ver com música. O Xica da Silva era o filme escola de samba. Chuvas de Verão, por exemplo, era o chorinho. O Cacá teve a ideia de fazer Xica da Silva vendo um desfile de escola de samba do Salgueiro feito pelo Fernando Pamplona. Aquilo ficou na cabeça dele e anos depois fez esse filme que a gente vai ter a alegria de ver hoje. A Zezé Motta gosta de falar que a vida dela é antes e depois de Xica da Silva”.
Renata falou da emoção do relançamento em cópia restaurada: “Sobretudo, eu fiquei muito emocionada quando vi o teste do restauro em 4K, uns quarenta dias atrás, porque pela primeira vez, depois de 50 anos, eu estava revendo Xica da Silva com a mesma sensação que eu tive quando tinha 15 anos. Eu espero que vocês tenham essa mesma alegria de ver esse filmaço do Cacá. Ele está aqui espiritualmente, com certeza, está aqui fisicamente. E tenho certeza que ele está muito feliz com o filme passando aqui”.
E finalizou seu discurso no palco: “Há uma coisa muito engraçada também que ele inventou o Xica com X porque até então era Chica da Silva com CH. E se passa, evidentemente, em Diamantina, mas depois Chica veio para Ouro Preto. Então, a cidade é o segundo passo da história de Chica da Silva. E só temos três pessoas vivas que fizeram o filme: Mair Tavares, que montou; a Zezé Motta; e o Stepan Nercessian, que é o galã. Vocês verão Xica da Silva como Chica da Silva era. E como ela ainda é. Obrigada, Ouro Preto! O cinema é soberania, arte é memória e memória é isso aqui. Boa sessão e bom filme!”.
Carla Domingues, da Vitrine Filmes, também discursou antes da exibição: “Só conseguimos restaurar esse filme graças à Petrobras. Então, obrigada, Petrobras, por permitir levar ao público que já viu e que vai entrar em contato com o filme pela primeira vez. Aproveito para dizer que o filme estreia comercialmente em todos os estados brasileiros no dia 16 de julho. Contamos com vocês para dividir essa experiência com os amigos e levar o público aos cinemas”.
Thiago Veloso Vitral, Renata Almeida Magalhães e Carla Domingues no debate
A sinopse oficial diz: na segunda metade do século XVIII, a negra escravizada Xica da Silva torna-se o centro das atenções no Distrito Diamantino, onde estão as minas mais ricas do país. João Fernandes, representante da Coroa Portuguesa, apaixona-se por Xica e a transforma na Rainha do Diamante, satisfazendo todos os seus desejos extravagantes. Alertado pelos inimigos do casal, o rei de Portugal manda um emissário a fim de impedir que cresça o poder de Xica na colônia.
Além de Zezé Motta e Stepan Nercessian, o elenco de Xica da Silva conta também com: Walmor Chagas, Altair Lima, Elke Maravilha, Rodolfo Arena, José Wilker, Marcus Vinícius, João Felício dos Santos, Dara Kocy, Adalberto Silva, Julio Mackenzie, Beto Leão, Luis Motta, Paulo Padilha, Baby Conceição, Iara Jati, Luis Felipe, Alberto Patu, Derly Barbosa, Paulão e Pompeo.
Com roteiro de Carlos Diegues e Antonio Callado, a produção é de Hélio Ferraz, José Oliosi, Airton Correa e Jarbas Barbosa. A fotografia é assinada por José Medeiros, com montagem de Mair Tavares; Luiz Carlos Ripper assina a direção de arte e o figurino, com caracterização de Carlos Prieto. A música é de Jorge Ben Jor e Roberto Menescal; o som é assinado por Vitor Raposeiro.
Além da exibição em Ouro Preto, o filme, junto com o longa Vento Norte, de Salomão Scliar, também foi tema do debate Encontro de Arquivos: Apresentação de Cases e Restauros, que aconteceu na terça-feira, 30/06, com a presença de Carla Domingues, Débora Butruce, Renata Almeida Magalhães e Daniela Mazzilli, diretora da Cinemateca Capitólio, de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. A mediação foi realizada por Thiago Veloso Vitral, coordenador do Museu da Imagem e do Som de Belo Horizonte, Minas Gerais.
*O CINEVITOR está em Ouro Preto e você acompanha a cobertura do evento por aqui, pelo canal do YouTube e pelas redes sociais: Twitter, Facebook e Instagram.
Baby do Brasil na CineOP 2026: documentário destaca trajetória da artista
Depois de ser premiado no É Tudo Verdade, Apopcalipse Segundo Baby, dirigido por Rafael Saar, de Peixe Abissal e Sem Vergonha, segue sua trajetória nos festivais de cinema. O documentário mergulha na vida, na obra e no universo espiritual de Baby do Brasil, uma das figuras mais exuberantes, inventivas e transgressoras da música brasileira.
Produzido pela Dilúvio Produções em parceria com o Canal Brasil, e distribuição da Descoloniza Filmes, o longa reconstrói as memórias da artista por meio de viagens a lugares fundamentais de sua trajetória, como Salvador, Niterói e Santiago de Compostela. Os deslocamentos conduzem Baby por reflexões sobre sua infância, a fuga para a Bahia na adolescência, a vida comunitária ao lado dos Novos Baianos, a carreira solo e sua permanente busca espiritual.
Ícone da contracultura brasileira, Baby relembra a obra e o estilo de vida libertários dos Novos Baianos, grupo que marcou o início de sua trajetória artística, além de revisitar suas inúmeras reinvenções estéticas, musicais e existenciais ao longo das décadas. Muito além de uma biografia convencional, Apopcalipse Segundo Baby explora as múltiplas camadas de uma personalidade em constante transformação.
Sob a direção de Rafael Saar, que já trabalhou com Ney Matogrosso e dirigiu documentários sobre Luhli & Lucina, Maria Alcina e Luís Capucho, o filme também aposta na experimentação formal. A produção teve início em 2008 e, dezoito anos depois, chega ao público como um retrato singular de uma artista que atravessou diferentes momentos da cultura brasileira sem jamais perder sua essência inquieta e visionária.
Apopcalipse Segundo Baby foi exibido na 21ª edição da CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto no sábado, 27/06, no Cine-Teatro Petrobras no Centro de Artes e Convenções da UFOP, dentro da mostra contemporânea competitiva. A sessão contou com a presença do diretor, da protagonista Baby do Brasil e mais integrantes da equipe: Luciano Caetano, diretor de arte; Isabella Raposo, assistente de direção e diretora de produção; Vinicius Medeiros, responsável pela finalização; e João Gabriel Riveres, que fez a correção de cor.
Equipe do filme no palco da 21ª CineOP
No palco, Rafael Saar discursou: “Estamos felizes e emocionados com essa sessão em Ouro Preto. Queria agradecer imensamente à Baby pela confiança. Passamos dezoito anos fazendo esse filme, filmando, pesquisando. As próprias filmagens viraram material de arquivo em tanto tempo de realização. Então, obrigado, Baby!”.
Sob aplausos do público, Baby falou: “Eu que tenho que agradecer por você não ter alterado nada, não ter colocado nenhum pensamento crítico seu que pudesse confundir a loucura da verdade, a verdade da loucura. Eu fico muito feliz e honrada de saber que você foi realmente aquilo tudo que eu sonhei quando você tinha 24 anos e chegou me propondo esse filme. Eu olhei e pensei: esse cara tem a pureza que eu preciso para me enxergar. Porque para me enxergar, sem ter medo de religiosidade, de lado político, ou seja lá o que for, precisa disso. E, para mim, é importante que me traduza da maneira mais fiel possível. E você conseguiu isso. Glória Deus, aleluia!”.
A cantora continuou seu discurso: “Tem tanto material que você já tem o volume 2, 3, 4 e 5, não é verdade? Eu nunca vi uma pessoa ter tanto conteúdo e cavar tanto. Eu tinha feito filmes que eu nunca tinha visto na minha vida. E eu pensava se conseguiria assistir esses filmes… e ele achou! É um prazer muito grande estar aqui com todos vocês. É uma honra e um privilégio estar viva e ver a minha historia. Porque geralmente é assim: você foi, está no clube da glória e fazem um negócio seu. Apenas a festa começou, ok?”.
Ao final da sessão, logo depois dos créditos, o filme foi ovacionado pelo público. Ao levantar-se da poltrona, Baby agradeceu mais uma vez: “Ele foi mais ousado, né? Tinha acabado de fazer a graduação e pensou: ‘eu vou lá vou perguntar se ela topa’. Então, cara! Vai lá, bicho. Não tem idade. Em quantos anos eu faço 100 anos mesmo? Tá tudo sob controle. Prazer inenarrável estar aqui”.
Cena do documentário na telona
No mesmo dia da exibição, na parte da tarde, foi realizada uma coletiva de imprensa no Centro de Artes e Convenções da UFOP com a presença de Baby do Brasil e Rafael Saar.
No bate-papo, a cantora falou sobre sua paixão pelo cinema brasileiro: “Se a gente não for arrebatado, vamos entrar num lado maravilhoso do cinema, que é um outro tipo de lado criativo que o Brasil vai mostrar. De uma maneira mais querida, não só aquela situação política ou do que já tenha mostrado. Eu acho que a gente tem condições de fazer coisas fantásticas. Eu amo a arte brasileira, gosto de ir ao cinema, gosto de sentar naquela cadeira que deita, que levanta, que tem pipoca. Amo cinema de rua também. Pra mim, esse filme tinha que passar por uma turnê em cinemas de rua. Eu acho isso incrível. Assisti muito em Niterói, sentada no asfalto, com almofada, com todo mundo. Ai, que delícia!”.
E continuou: “Enfim, toda essa história com o cinema é maravilhosa. E o Rafael conseguiu pegar cenas de filmes que eu fiz e que nunca tinha visto. Mas enfim, o cinema é uma paixão também. Estou vivendo um momento muito agradável com o Rafa, participando de todas as as apresentações. Está sendo incrível porque tem também um lado psicanalítico forte ao ver o filme, né? É uma bênção você revisitar seus caminhos e entender se você pode fazer melhor o tempo todo. Você se conhecer vendo o que você fez. É uma delícia”.
A artista também falou da experiência de filmar ao longo de tantos anos: “Temos algo mais que inédito até para nós. Viemos juntos, os momentos acontecendo e não sabíamos que havia um roteiro mais do que Matrix acontecendo no meio de tudo isso. Aconteceu dessa maneira. Eu não sabia o que aconteceria depois de ser lançado. O Rafael escolheu o nome por conta de uma palavra que eu sempre brincava para amaciar o apocalipse. Eu não disse nada. Só fiquei olhando e morrendo de medo do que ia assistir. Mas não queria de jeito nenhum tocar em nada. Eu queria ver como é que ele estava me vendo, né? Porque isso é um privilégio, é um prazer. É perceber como as pessoas te veem; os filhos, o diretor, os amigos. É um desafio, mas é uma delícia. Depois que você tem uma certa experiência da vida, isso se torna prazeroso. E eu tenho um pouco de cuidado. Embora seja um pouco influencer, eu cuido para não influenciar tanto”.
O diretor Rafael Saar no bate-papo com a imprensa
Na conversa com críticos e jornalistas, o diretor Rafael Saar falou de suas escolhas criativas no documentário: “Meu referencial foi dentro da criação artística da Baby. Eu acho que a proposta do filme é essa. Fazer um filme como eu acho que a Baby faria se ela fosse uma cineasta, como ela contaria a própria história. Então, quando a gente criou, tanto os caminhos visuais e sonoros do filme, perseguimos esses caminhos que ela perseguiu na música, que sempre foram tão diversos. Não é um caminho único, mas é tentar ser múltiplo como é a personalidade dela”.
Em certo momento, Baby foi questionada sobre feminismo e refletiu: “Existem coisas na minha vida, na minha história, no meu jeito de cuidar, que foram muito específicas. Quando vem o lado feminista brigando, não me agrada. Eu sou embaixadora de uma ONG chamada Princesa Rivania, aqui em Minas, que cuida de mulheres que sofreram violência. Nesse sentido, nós temos que ser extremamente femininas e ter uma postura que não seja de briga. Eu acho que eu posso e ajudo muito com a minha maneira de ser. Eu fiz oito anos de psicanálise, então, eu tenho toda essa mistura de psicanálise, espiritualidade. É uma loucura! Mas é porque eu gosto dessas coisas. Eu acho que eu contribuo de uma maneira bem assim Woodstock”.
A artista também respondeu sobre racismo: “É tanto ódio, é uma coisa, uma loucura. Onde é que está o fundamento disso tudo? Tudo isso tem um fundamento muito, muito espiritual, mas não vou entrar nessa, tá? Porque isso é uma outra mentoria. Eu me lembro quando eu conheci o Gilberto Gil pela primeira vez. Foi no dia 18 de julho de 1969 e o que me impactou no Gil foi a postura dele diante da confusão que estava ainda sobre os negros. E eu até falo isso no filme: que marca de homem é essa, né? A raça negra me representa”.
Depois da coletiva, o CINEVITOR conversou com exclusividade com Baby do Brasil, que disse: “O Rafael arrasou porque ele teve uma sensibilidade tão sincera e tão sem manipulação, que você consegue ver a Baby da Baby mesmo, sabe? E muitas coisas, vocês não sabem, ficaram de fora. Eu fiquei apaixonada e ao assistir aquilo tudo, eu revisito a minha maneira de pensar, de crer e de acreditar que tudo pode ser. Deus abre porta até onde não tem parede, então vai ter que dar certo. Não tem jeito, vai ter que dar certo. Uma grata satisfação viver esse momento com o cinema que começou antes de eu cantar totalmente. O cinema andou atrás de mim o tempo todo. Eu gosto muito de cinema. Ninguém sabe, mas eu tenho um roteiro que eu tô doida para fazer. E eu gosto de final feliz, tá? Só gosto de final feliz. Final ruim nem me chama que eu não assisto. Eu saio antes, sabe? Porque eu acho que nós estamos em um momento da vida que todos nós temos que acreditar no nosso final feliz. O início pode ser ruim, mas o final tem que ser bom”.
*Clique aqui e assista ao vídeo especial sobre o filme com a entrevista completa com a cantora
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Cena do documentário premiado Universo Circular: Jocy de Oliveira, de Dácio Pinheiro
Foram anunciados neste sábado, 27/06, os vencedores da 18ª edição do In-Edit Brasil, Festival Internacional do Documentário Musical. Entre longas e curtas, nacionais e internacionais, a programação apresentou filmes com personalidades como Dona Onete, Baby do Brasil, Odair José, Fernanda Abreu, Alceu Valença, entre outros.
O longa Universo Circular: Jocy de Oliveira, dirigido por Dácio Pinheiro, foi o grande vencedor deste ano. Pioneira da música eletrônica no Brasil, Jocy de Oliveira construiu uma trajetória única. Em 1961, realizou a primeira performance de música eletrônica no país. Em diálogo com John Cage, Karlheinz Stockhausen, Luciano Berio e Igor Stravinsky, expandiu os limites de sua prática. Ao deixar o piano, migrou para a ópera experimental, explorando a voz feminina como território poético e político. Aos 90 anos, Jocy segue inquieta, refletindo sobre o tempo e a memória.
Segundo o júri, formado pelo jornalista musical, curador e criador do site Trabalho Sujo, Alexandre Matias, pelo cineasta Joel Zito Araújo e pela produtora executiva e sócia da Casa de Cinema de Porto Alegre, Nora Goulart, o filme presta uma homenagem à altura da grandeza da pioneira compositora de música erudita e eletrônica brasileira: “A obra evidencia a amplitude de sua influência sobre a música popular, a ópera e a performance desde meados do século XX e, por meio de uma narrativa não linear, conduz o espectador por imagens marcantes e episódios que dialogam com os conceitos presentes em sua criação artística, incluindo suas conexões com mestres como Stravinsky e John Cage”.
A Menção Honrosa foi para Vivo 76, de Lírio Ferreira, que revisita um momento decisivo da trajetória de Alceu Valença ao retratar o período de gravação de seu segundo álbum. Já o Destaque Especial foi concedido ao longa Entre o Sucesso e a Lama, de Cristiano Burlan. Ambientado no Teatro de Contêiner, na região central de São Paulo, o filme acompanha um projeto musical desenvolvido com a mentoria de artistas como Gaspar, Z’África Brasil, Edi Rock e Racionais MC’s.
O filme vencedor, Universo Circular: Jocy de Oliveira, terá uma sessão especial no dia 28/06, domingo, às 20h, na Cinemateca Brasileira, e também participará da edição de 2026 do In-Edit Barcelona, com a presença do diretor Dácio Pinheiro.
Conheça os vencedores do 18º In-Edit Brasil:
MELHOR FILME Universo Circular: Jocy de Oliveira, de Dácio Pinheiro (SP)
MENÇÃO HONROSA Vivo 76, de Lírio Ferreira (PE)
DESTAQUE ESPECIAL Entre o Sucesso e a Lama, de Cristiano Burlan (SP)
Helena Solberg em Ouro Preto: homenageada na 21ª CineOP
A trajetória da cineasta Helena Solberg, uma das pioneiras incontestáveis da história do cinema brasileiro, foi celebrada na abertura da 21ª edição da CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto, nesta quinta-feira, 25/06, na cidade mineira que é Patrimônio Histórico da Humanidade.
Primeira mulher a integrar o movimento Cinema Novo, Solberg construiu uma carreira marcada por documentários que abordam questões sociais, políticas e femininas, tornando-se uma das principais referências do audiovisual latino-americano.
A homenagem aconteceu durante a cerimônia de abertura, no Cine-Praça, quando ela recebeu o Troféu Vila Rica, seguida da exibição dos curtas A Entrevista (1966) e Meio-Dia (1970), obras fundamentais de sua filmografia. Ao longo da Mostra, o público também acompanhará outros filmes da diretora, como Carmen Miranda: Banana is my Business, que participará de encontros dedicados à sua produção e contribuição para o cinema brasileiro.
No palco da CineOP, Helena Solberg foi ovacionada pelo público e recebeu tal honraria das mãos das cineastas Tata Amaral e Lúcia Murat: “É um privilégio incrível estar recebendo essa homenagem e esse troféu nessa cidade maravilhosa. Eu agradeço imensamente ao festival, Raquel [Hallak, coordenadora geral] e Quintino [Vargas Neto, coordenador técnico] pela oportunidade de estar novamente com vocês. Eu estive aqui em 2014 e 2018″.
Em seu discurso, relembrou sua passagem por Minas Gerais quando rodou um longa na região: “Eu filmei em Minas, em Diamantina, um filme chamado Vida de Menina [protagonizado por Ludmila Dayer]. Era sobre uma menina chamada Helena Morley, que escreveu um diário maravilhoso dos 13 aos 15 anos e que me encantou. É uma menina transgressora, julgava tudo em volta dela e foi uma experiência muito boa. A população participou muito do filme. Foi uma experiência muito forte. Nós ficamos dois meses em Diamantina. Então, é bom estar de volta!”.
Tata Amaral, Helena Solberg e Lúcia Murat no palco da CineOP
Solberg também falou dos dois curtas que foram exibidos depois da homenagem: “Esses filmes foram realizados há 60 anos, no início da minha carreira. São filmes feitos no início da ditadura militar. O meu primeiro filme, A Entrevista, é uma revisão da minha formação burguesa e seus valores. E Meio-Dia, que foi feito em 1966, é uma metáfora sobre a censura e a repressão. Eu gosto de chamar esse filme de experimental anarquista. Naquela época, a censura nos obrigava a sermos muito criativos. E acho que, enfim, é um filme com um pé na turbulência dos momentos que estávamos vivendo. Muitos anos se passaram, muitos outros filmes vieram e eu sou uma outra pessoa hoje. Vamos aos filmes e obrigada mais uma vez. Nos vemos por aí!”.
Ainda na cerimônia de abertura, em tributo à presença feminina na história do cinema brasileiro, a CineOP celebrou também gerações de realizadoras desde o cinema silencioso, citando nomes como Cleo de Verberena, Carmen Santos, Gilda de Abreu, Suzana Amaral, Tata Amaral, Anna Muylaert, Sueli Maxakali, entre muitas outras.
Raquel Hallak, coordenadora geral da Mostra e CEO da Universo Produção, também discursou: “Quando uma imagem some, não é apenas um arquivo que desaparece. É uma memória que se apaga. É uma possibilidade de reconhecimento que se interrompe. É o próprio país que se torna menos visível para si mesmo. Preservar é um gesto político, lembrar é um ato de resistência e projetar imagens é também projetar futuros”.
No dia seguinte à homenagem, Helena Solberg participou de uma coletiva de imprensa no Centro de Artes e Convenções da UFOP, que foi mediada por Mariana Tavares, professora e pesquisadora de cinema.
Helena Solberg dirigiu o primeiro filme feminista da produção moderna no país
No bate-papo com jornalistas e críticos, relembrou sua participação no Cinema Novo, movimento cinematográfico brasileiro das décadas de 1960 e 1970: “Eu fazia parte da geração do Cinema Novo. Mas os rapazes estavam na deles e eu estava na minha. Também não fiz nenhuma força para pertencer. Não tava a fim. Eu estava interessada nas minhas questões. Eu acho que o Cinema Novo tem uma característica muito forte dessa coisa do outro, do explorado. Eu estava querendo descobrir quais eram as forças que atuavam na minha educação, na minha formação e não na formação do outro. Eu acho que isso é interessante”.
Solberg também falou dos colegas de ofício: “Eu me dei muito bem com todos eles. Mário Carneiro, por exemplo, era meu irmão. Glauber Rocha era uma pessoa diferente, né? Maravilhoso… Joaquim Pedro de Andrade também. Era uma geração que se encontrava muito mais. Havia muito mais relação pessoal do que hoje. Eu não sei se hoje, por causa da questão digital, as pessoas ficam mais afastadas. Naquela época havia um contato físico muito maior entre nós”.
E continuou: “Eu fui trabalhar como jornalista no Jornal Metropolitano e o Cacá Diegues era o diretor. Tinha também o Arnaldo Jabor, que eu conheci quando entrei na PUC. O Luiz Buarque de Hollanda também. Toda uma geração em que éramos muito próximos e achávamos que mudaríamos o mundo. Havia muita esperança nessa época do Juscelino [Kubitschek], da construção de Brasília. Havia uma esperança no ar antes do golpe”.
Depois da coletiva de imprensa, Helena Solberg falou, com exclusividade, para o CINEVITOR sobre a homenagem que consagrou sua carreira: “É sempre emocionante porque, de certa forma, é confortante ter um certo reconhecimento. Porque vida de artista não é fácil, entendeu? Mas nesses momentos, vale a pena. Não é só uma homenagem que eu estou recebendo. Eu estou me encontrando com outras pessoas. Esse encontro de saber que você não está só, que existe uma comunidade. Eu não sei explicar, mas é um encontro que é muito reconfortante”.
*Clique aqui e assista ao vídeo especial com a cineasta homenageada
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Zezita Matos no curta Umbilina e Sua Grande Rival, de Marlom Meirelles
A primeira edição do Roliúde Cine Fest acontecerá entre os dias 3 e 5 de julho no Cariri paraibano no município de Cabaceiras. O evento é um novo e ambicioso festival que nasce com DNA internacional ao carregar a marca do LABRFF, Los Angeles Brazilian Film Festival, considerado um dos mais importantes dedicados ao cinema brasileiro fora do país.
A iniciativa representa um encontro simbólico e poderoso entre duas capitais do audiovisual: de um lado, Hollywood, a meca mundial do cinema; do outro, Cabaceiras, a consagrada Roliúde Nordestina, cenário de dezenas de produções que ajudaram a consolidar a força do audiovisual brasileiro, e que agora se torna a ponte entre essas duas geografias do cinema por meio de um festival que pretende conectar talentos, ideias e oportunidades.
Em comunicado oficial, Meire Fernandes, fundadora do LABRFF, disse: “Estamos prestes a completar duas décadas de LABRFF, promovendo o cinema brasileiro no exterior, e fazendo conexões que resultaram em grandes projetos dentro das indústrias americana e brasileira. Isso me fez querer realizar eventos fora de Los Angeles também. Acabamos de fazer uma edição em Orlando e estivemos presentes no Festival de Cannes, na França. Chegou a hora de desembarcar no Brasil. Tudo isso faz parte do projeto de expansão do festival para os próximos cinco anos”.
A chegada da marca à Paraíba não é por acaso. O LABRFF já desenvolveu parcerias no estado, já homenageou a atriz paraibana Marcélia Cartaxo, além de ter realizado mostras do cinema paraibano em Hollywood: “Todas as vezes que a Paraíba esteve presente no LABRFF, muitas sementes foram plantadas e consequentemente colhemos bons frutos, a exemplo de termos feito de João Pessoa a primeira cidade do Brasil a oferecer curso de Cinema como medida socioeducativa. Jovens em conflito com a Lei puderam aprender uma profissão enquanto pagavam suas dívidas com a sociedade”, lembra Lael Arruda, coordenador do projeto Novos Horizontes Através do Cinema.
O Roliúde Cine Fest surge, portanto, como um passo natural na trajetória do audiovisual paraibano. Mais do que celebrar o passado, o festival olha para o futuro, fortalecendo a cadeia produtiva do cinema e ampliando as oportunidades para realizadores da Paraíba, do Nordeste e de todo o Brasil.
Durante os três dias de programação, o público poderá acompanhar exibições de longas e curtas-metragens, além de participar de palestras, debates, mesas-redondas e encontros voltados à reflexão sobre os desafios e as perspectivas do audiovisual contemporâneo. A proposta é reunir realizadores, estudantes, produtores, pesquisadores e amantes do cinema em um ambiente de troca de conhecimento e valorização da produção cultural.
O festival também reforça um movimento cada vez mais evidente: o protagonismo do audiovisual nordestino no cenário nacional e internacional. Nos últimos anos, produções da região vêm conquistando espaço em grandes festivais e acumulando reconhecimento da crítica especializada, demonstrando a vitalidade criativa de um cinema que dialoga com suas raízes sem perder a universalidade.
Ao unir a credibilidade internacional do LABRFF à força simbólica de Cabaceiras, o Roliúde Cine Fest nasce com a vocação de se tornar um novo marco no calendário cultural brasileiro. Um encontro onde a poeira do Cariri cruza caminhos com o glamour de Los Angeles; onde a Roliúde encontra Hollywood; e onde o cinema reafirma seu papel de conectar territórios, culturas e histórias através da arte.
As exibições e atividades paralelas serão realizadas na Pousada Roliúde. Além dos filmes, o evento contará com os painéis: Festivais Internacionais: portas de entrada para coproduções, distribuição e reconhecimento global, com Lael Arruda e Meire Fernandes; e O que a cena quer?, com o ator pernambucano Bruno Garcia.
Conheça os filmes selecionados para o 1º Roliúde Cine Fest:
FILME DE ABERTURA O Sertão Vai Vir ao Mar, de Rodrigo César (PB)
MOSTRA DE LONGAS Acampamento Intergaláctico, de Fabricio Bittar (SP) Acordo com Lampião? Só na Boca do Fuzil!, de Marcelo Felipe Sampaio (SP) Cordélicos, de Alê Machado (SP) Malaika, de André Morais (PB) Os Infiéis, de Tomás Fleck (SP) Rosa Tirana, de Rogério Sagui (BA)
MOSTRA DE CURTAS Anamnese, de Eduardo P. Moreira (PB) As Marias, de Dannon Lacerda (MS) Habeas Pinho, de Nathan Cirino e Aluizio Guimarães (PB) Jaz, de Liza Gomes (RJ) Onde Eu Começo?, de Mayana Neiva (PB) Uma Menina, Um Rio, de Renata Martins Alvarez (SP) Umbilina e Sua Grande Rival, de Marlom Meirelles (PE/PB)
FILMES USA Aion, de Giulio Meliani Broken, de Deborah Liss Uber Driver, de Gerson Sanginitto
EXIBIÇÃO ESPECIAL Um Carnaval em Cada Esquina, de Vânia Lima (BA)
Cena do filme Carmen Miranda: Bananas is My Business, de Helena Solberg
A 21ª edição da CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto acontecerá entre os dias 25 e 30 de junho na cidade mineira de Ouro Preto, Patrimônio Histórico da Humanidade, reafirmando o cinema como patrimônio cultural e espaço de construção da memória coletiva, com uma programação dedicada à preservação audiovisual, ao protagonismo das mulheres no cinema e ao papel da educação na formação do olhar.
A programação deste ano reúne 139 filmes, entre longas, médias e curtas-metragens brasileiros e internacionais, distribuídos em diversas mostras.
A cidade histórica receberá realizadores, pesquisadores, educadores, estudantes e público de diferentes regiões do país para refletir sobre o tema central desta edição: Um país existe nas imagens que preserva. A proposição toma o cinema como território privilegiado de construção das identidades culturais, sociais e políticas do Brasil. A Mostra promove uma programação inteiramente gratuita que reúne exibições de filmes, pré-estreias nacionais, mostras temáticas e competitivas, homenagens, debates, encontros, sessões cine-escola, oficinas, masterclasses, lançamento de livros, exposição e atrações artísticas.
As atividades serão realizadas em três espaços principais: o Centro de Artes e Convenções da UFOP, sede do evento e do Cine-Teatro Petrobras (510 lugares); a Praça Tiradentes, com o Cine-Praça (500 lugares), destinado à abertura, ao encerramento e às exibições ao ar livre; e o Cine-Museu (90 lugares), instalado no Anexo do Museu da Inconfidência. Parte da programação também poderá ser acompanhada gratuitamente pelo site oficial.
A Temática Histórica da 21ª CineOP investiga os percursos de mulheres cineastas brasileiras e os contextos em que realizaram seus primeiros filmes, com ênfase nos caminhos até o primeiro longa-metragem. Tomando os anos 1970 como marco histórico do surgimento do cinema de mulheres, a curadoria de Cléber Eduardo e Juliana Gusman recua no tempo para recuperar trajetórias antes invisibilizadas ou sub-representadas na historiografia do audiovisual brasileiro, num gesto de reescrita da história que reconhece a centralidade das mulheres na construção das imagens e narrativas do país.
A programação reúne obras de diferentes gerações, entre elas Feminino Plural (Vera de Figueiredo, 1976), que completa 50 anos e retrata a condição da mulher brasileira em diferentes camadas sociais; Mar de Rosas (Ana Carolina, 1977), farsa familiar que subverte papéis de gênero com ironia e invenção formal; Que Bom te Ver Viva (Lucia Murat, 1989), que entrelaça depoimentos reais de ex-presas políticas a uma personagem de ficção para tratar da tortura durante a ditadura militar; Um Céu de Estrelas (Tata Amaral, 1996), mostrando uma mulher diante da violência doméstica num único fluxo de ação; e Um Dia com Jerusa (Viviane Ferreira, 2020), sobre o encontro de duas mulheres no bairro do Bixiga, em São Paulo, carregado de memórias ancestrais. Diferentes gerações de realizadoras estarão presentes em rodas de conversa sobre suas experiências individuais para exporem sincronias e dissonâncias entre as distintas décadas de início no longa-metragem.
A seleção da Mostra Histórica completa-se com: A Nova Mulher (1974), de Helena Solberg; Amor Maldito (1984), de Adélia Sampaio, com Monique Lafond e Wilma Dias; Amor, Plástico e Barulho (2013), de Renata Pinheiro; Baronesa (2017), de Juliana Antunes; Carmen Miranda: Bananas is My Business (1955), de Helena Solberg; Chico Rei Entre Nós (2020), de Joyce Prado; Cristais de Sangue (1975), de Luna Alkalay; Girimunho (2011), de Clarissa Campolina e Helvécio Marins Jr.; Simplesmente Jenny (1977), de Helena Solberg; e Vida de Menina (2004), de Helena Solberg, com Ludmila Dayer.
Zezé Motta em Xica da Silva, de Cacá Diegues
A cineasta carioca Helena Solberg será a grande homenageada desta edição. Em 1966, realizou A Entrevista, considerado o marco do cinema realizado por mulheres no Brasil e frequentemente apontado como o primeiro filme feminista da produção moderna brasileira, no qual reunia depoimentos de jovens da classe média alta sobre casamento, sexo e trabalho.
Radicada nos EUA a partir dos anos 1970, desenvolveu a Trilogia da Mulher: The Emerging Woman (1974), The Double Day (1975) e Simplesmente Jenny (1977); produzida no âmbito do International Women’s Film Project, coletivo que liderava em Washington. Na década seguinte, voltou as câmeras para as ditaduras latino-americanas em Chile, By Reason or By Force (1983). No Brasil, dirigiu o biográfico Carmen Miranda: Bananas is My Business (1995), que busca resgatar a identidade real da artista para além da caricatura hollywoodiana; e Vida de Menina (2003). Mais recentemente retomou o engajamento político em Meu Corpo, Minha Vida (2017), sobre direitos reprodutivos a partir da história de uma vítima de aborto clandestino; e Uma Carta para Beatrice (2022), no qual revisita a própria trajetória.
A Temática Preservação da CineOP 2026 volta seu olhar ao momento que antecede a institucionalização do campo e investiga as práticas iniciais de guarda, cuidado e valorização que permitiram a sobrevivência de filmes, aparelhos, documentos e suportes hoje constituintes da arqueologia do audiovisual brasileiro.
Antes da consolidação de políticas e metodologias, foram iniciativas muitas vezes individuais, de reunir, colecionar, conservar, projetar e identificar, que afirmaram o valor histórico dessas imagens. Ao centrar o debate nesses gestos pioneiros, a curadoria de José Quental e Vivian Malusá propõe refletir sobre a passagem do impulso individual à responsabilidade coletiva de preservar e destaca como essas práticas ajudaram a constituir uma cultura do cuidado com o patrimônio audiovisual.
O 21º Encontro Nacional de Arquivos e Acervos Audiovisuais Brasileiros se mantém como espaço central de reflexão e articulação sobre história, memória, política, técnica e atuação em rede, reunindo profissionais, pesquisadores, colecionadores e instituições. A proposta parte do entendimento de que preservar não é apenas guardar o passado, mas garantir que ele continue a produzir sentido no presente e que cada gesto de salvaguarda é também um gesto de projeção de futuro.
A Temática Educação da 21ª CineOP é orientada por um conceito inspirado no curta cubano Por Primera Vez (Octavio Cortázar, 1967), exibido na edição anterior da Mostra, no qual estudantes, pela manhã, e camponeses, pela noite, têm suas primeiras experiências com imagens em movimento. O instante inaugural desse encontro é ponto de partida para refletir sobre a potência do cinema em ambiente escolar. A proposta das curadoras Adriana Fresquet e Clarisse Alvarenga reconhece que a primeira vez não é apenas um fato cronológico, mas uma experiência de encantamento capaz de inaugurar novas formas de ver, sentir e compreender o mundo.
O conceito dialoga com marcos históricos como a exibição do cinematógrafo em uma sala de aula, em 1896, na Escola Normal Modelo do Maranhão, e a realização de O Parque (1963), considerado o primeiro filme produzido por estudantes da educação básica em uma escola pública no Rio de Janeiro. Dialoga também com os 47,1 milhões de estudantes da educação básica brasileira identificados pelo Censo de 2024, que ainda aguardam a efetiva regulamentação e, posterior implementação da Lei Federal nº 13.006/2014, que prevê a exibição de cinema brasileiro nas escolas.
Norma Bengell, Cristina Pereira e Hugo Carvana em Mar de Rosas, de Ana Carolina
A sessão de abertura, na Praça Tiradentes, apresentará dois filmes da cineasta homenageada, Helena Solberg: A Entrevista (1966), curta documental que reuniu depoimentos de jovens da classe média alta sobre casamento, sexo e submissão ao marido; e Meio Dia (1970), curta de ficção rodado em São Paulo. A exibição em cópia restaurada de O Ébrio (Gilda Abreu, 1946), que acompanha a ascensão e a crise moral de um jovem interiorano que se torna cirurgião de sucesso na cidade grande, é outro destaque da programação, na Praça Tiradentes.
A Mostra Competitiva reúne cinco longas-metragens que têm em comum o uso criativo de imagens de arquivo para construir novas narrativas audiovisuais. Sob o título Arquivos em Questão, a seleção valoriza o trabalho de realizadores que utilizam o arquivo não apenas como registro, mas como linguagem artística. O melhor filme será escolhido pelo júri e receberá o Troféu Vila Rica na cerimônia de encerramento.
A seleção apresentará: Proust Palimpsesto: Pastiches e Misturas (Carlos Adriano, SP), parte do único registro em filme do escritor Marcel Proust (1904) para um ensaio cinepoético sobre as “im/possibilidades” de adaptar sua obra monumental; Apopcalipse Segundo Baby (Rafael Saar, RJ), uma viagem pela trajetória plural e transgressora de Baby do Brasil, dos Novos Baianos ao brilho da carreira solo; Irritante Prodígio (Luiza Lindner, SC/SP), que tensiona os limites entre autobiografia e performance ao destrinchar uma infância hospitalar e psiquiátrica marcada por um período de desnutrição; Universo Circular: Jocy de Oliveira (Dácio Pinheiro, SP), que retrata a pioneira da música eletrônica no Brasil, que, em 1961, realizou a primeira performance do gênero no país e aos 90 anos segue inquieta; e Notas Sobre um Desterro (Gustavo Castro, PR), que revisita filmagens de uma família brasileiro-palestina na Cisjordânia em 2018 após o dia 7 de outubro de 2023, e o que seria um filme sobre coexistência vira uma reflexão sobre colonização e genocídio.
A Mostra Contemporânea, não competitiva, inclui longas e curtas em pré-estreia nacional que ampliam o diálogo com os eixos temáticos, como: Anistia 79 (Anita Leandro, RJ), que reacende, a partir de imagens de exilados filmando a Conferência Internacional pela Anistia em Roma em 1979, o debate sobre a impunidade dos torturadores da ditadura; Fernanda Abreu: Da Lata 30 Anos, o Documentário (Paulo Severo, RJ), parte de material inédito das gravações do álbum de 1995 para reconstituir um momento fundamental da música e da cultura carioca; Fernando Coni Campos: Cada um Vive Como Sonha (Luis Abramo e Pedro Rossi, RJ), que mergulha na trajetória do diretor de Viagem ao Fim do Mundo (1968), cineasta rebelde e solitário que pretendia inaugurar o mundo com o seu cinema-poesia; As Dores do Mundo: Hyldon (Emilio Domingos e Felipe David Rodrigues, RJ); e Vivo 76 (Lírio Ferreira, PE), que traz um retrato do nascimento da cena psicodélica pernambucana em suas artes visuais com destaque para Alceu Valença.
A Mostra Contemporânea da 21ª CineOP apresenta um panorama diverso de obras que exploram imagens e sons de arquivo por meio de documentários, ensaios experimentais, animações e filmes-poema. Os curtas revisitam temas como mineração, patrimônio industrial, memória cinematográfica, figuras marcantes da cultura brasileira, histórias indígenas, relações de trabalho e narrativas históricas silenciadas, propondo novas leituras para materiais preservados ao longo do tempo. Ao combinar pesquisa, invenção estética e reflexão crítica, a mostra reafirma o arquivo audiovisual como matéria viva, capaz de reconfigurar as relações entre passado, presente e futuro.
A seleção de curtas-metragens da Mostra Contemporânea contará com:
Cinzenta: Inventários da Chaminé, de Natália Reis (MG) Defloradas, de Luísa Reis (RJ) Duwid Tuminkiz: Makunaima é Duwid?, de Gustavo Caboco Wapichana (PR/RR) Entrevista com Fantasmas, de Lincoln Péricles (LK) (SP/RS) Eunice Gutman Tem Histórias, de Lucas Vasconcellos (RJ) Habitar o Tempo, de Cristiana Grumbach (RJ) Helena! Cinema!, de Cavi Borges e Christian Caselli (RJ) Kariri, Silêncio Estrondoso, de Yasmin Ariadne (CE) Ouro de Tolo Remix, de Gabriel Afonso (MG) Sem Título # 11: Um Analecto à Mula, de Carlos Adriano (SP) Seu Camargo, de Felipe Locca e Vinicius Campos (SP) Soldado sem Sono, de Rafael de Almeida (GO) Terceira Montanha, de Tetsuya Maruyama (RJ/EUA/França) Um Certo Cinema Brasileiro, de Fábio Rogério (SE) Voltamos a Apresentar: O Popular Gil Gomes, de Ariel Serrão e Tainá Lima (SP)
Baby do Brasil em Apopcalipse Segundo Baby, de Rafael Saar
A seleção da mostra TV UFOP na 21ª CineOP reúne curtas-metragens que investigam o arquivo como instrumento de permanência e atualização da memória coletiva. Entre manifestações culturais, tradições indígenas, trajetórias de resistência, cenas musicais periféricas, histórias familiares e revisitações críticas da ditadura civil-militar, os filmes transformam registros do passado em experiências vivas, conectando questões históricas a debates contemporâneos. Ao privilegiar olhares comunitários e territoriais, a mostra evidencia como os arquivos ultrapassam a função de testemunho para se afirmarem como espaços de continuidade cultural, identidade e reflexão sobre o presente.
A seleção apresenta:
A Cachoeira, de Rayssa Coelho e Filipe Gama (BA) Bira Rasta: Eu Sou a Onda, de Gregori Bastos (RJ) Caso Armando, de Douglas Júnio e Gustavo Reimberg (MG) Diálogo Bulbul, de Bruno Churuska, Gledson Augusto, Nicole Mendes, Yan Altino e Zimá Domingos (SP/RJ/ES/BA) Encorpo, de Felipe Rodrigues da Costa (SP) Escudo, de Cauê Santiago e Andrey Haag (SP) Luis do Charme, de Tuanny Medeiros (RJ) Mães, Esposas e Donas de Casa Marcham em Defesa da Família com Deus pela Liberdade, de José Carlos Faria (RJ) Mba’emo Ra’y Jevy: Semente do Retorno, de Graziele Borges (Waryju) (SP) Nação Hip Hop: Cultura de Rua, de Laia Orisa (SC) Pagode do Didi, Nosso Ponto de Encontro, de Maysa Carolino (PE) Período Fértil, A Roupa que te Põe em Cena, de Julieta Cavalcanti (PE)
A Mostra Preservação destaca cópias restauradas e obras que evidenciam o patrimônio audiovisual como memória dinâmica. Entre os longas restaurados, destacam-se os clássicos: Vento Norte (Salomão Scliar), Xica da Silva (Cacá Diegues) e O Ébrio (Gilda Abreu), apresentado em sessão especial no histórico Cine-Praça. Em pré-estreia nacional, Os Irmãos Segreto, de Michele Manzolini e Federico Ferrone, conta, em tom de conto de fadas, a história dos imigrantes italianos Pasquale, Gaetano e Alfonso Segreto, que saíram da pobreza para se tornar os primeiros cineastas da história do Brasil. Já o título argentino O Filme Infinito, de Leandro Listorti, lançado em 2018, constrói uma história paralela do cinema com restos de filmes que nunca foram terminados.
A seleção traz também: A Luta do Povo, de Renato Tapajós (1980); o cearense Jangada de Ir e Vir, de Marcus Vale (1977); TV Viva entrevista Elizabeth Teixeira, que mostra o retorno à vida pública da protagonista de Cabra Marcado para Morrer; Ataulfo Alves, de Afranio Vital (1973); o mineiro Belô Antiga, que traz um compilado de imagens preservadas do acervo Minas Filme, reunindo registros inéditos de Belo Horizonte em fins da década de 1940; Exercício de Espera, de Guilherme de Almeida Prado (1975); Paracatu (Minas), com um registro raro da cidade de Paracatu na década de 1950; Pérola Negra, de Reinaldo Cozer (1979), com Luiz Melodia.
Ainda na Mostra Preservação: Mulher, Mulher, de Jean Garrett (1979) e Polícia Feminina, de Ozualdo Candeias (1960) na Sessão Mestres do Cinema Paulista. E na programação on-line: /lost+found – Episódio Ivo Raposo Jr, de Isabella Raposo; e Herbaria, de Leandro Listorti.
A Mostra Educação exibe filmes produzidos por educadores, estudantes e cineastas em contextos escolares e espaços não-formais de ensino, divididos nas sessões Infâncias e Juventudes, com obras do Brasil, Colômbia, Argentina e Uruguai. Entre os longas, Fraternura, de Evanize Sydow e Américo Freire, revela o lado íntimo de Frei Betto, explorando sua relação com a família e o impacto do cárcere durante a ditadura militar; e Arquivo Vivo, de Vincent Carelli e Ana Carvalho, que revisita a origem do Vídeo nas Aldeias após 40 anos, ao tratar do projeto que devolveu às primeiras comunidades indígenas visitadas os registros históricos ali realizados.
Léa Garcia no longa Um Dia com Jerusa, de Viviane Ferreira
O Cine-Expressão: A Escola vai ao Cinema é o programa educativo da 21ª CineOP que convida estudantes a vivenciarem o cinema como experiência de encontro, percepção e pertencimento. Realizadas nos dias 25, 26, 29 e 30 de junho de 2026, no Cine-Teatro do Centro de Artes e Convenções da UFOP, as sessões gratuitas são organizadas por faixa etária e apresentam uma seleção de 15 curtas-metragens brasileiros, entre animações e ficções. A experiência é complementada por debates após as exibições e pelo Material de Conexões e Saberes, que amplia as possibilidades de diálogo e aprendizagem nas escolas. A curadoria é de Ramina El Shadai.
A Mostrinha, sessão dedicada às crianças e famílias, apresenta nesta edição Papaya, primeiro longa-metragem de Priscila Kellen, um exemplar da animação inventiva infantil; o filme foi exibido no Festival de Berlim deste ano. Uma semente de mamão é expelida prematuramente do fruto do mamoeiro pela ferida causada por um pássaro germinador. Ao cair em terreno inóspito, a pequena semente ainda sem força para penetrar a terra com suas raízes sonha em voar em direção ao sol. A animação de Kellen é uma aventura cheia de cores, sons e vegetais antropomorfizados que investe na experiência da criança com as imagens para além das narrativas convencionais.
A CineOP realiza dois encontros estruturantes para o setor: o 21º Encontro Nacional de Arquivos e Acervos Audiovisuais Brasileiros e o Encontro da Educação: XVIII Fórum Latino-americano de Educação, Cinema e Audiovisual, espaços de articulação de políticas públicas, troca de experiências e formulação de diretrizes para o audiovisual e a educação.
O Debate Inaugural enfoca o tema central desta edição, Um País Existe nas Imagens que Preserva, e reúne perspectivas diversas sobre memória coletiva, políticas públicas e identidade nacional, com participações de Frei Betto, escritor e teólogo; Lúcia Murat, cineasta; Jandira Feghali, deputada federal (a confirmar); Joelma Gonzaga, Secretária do Audiovisual; Sidônio Palmeira, Ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (a confirmar); Luciano Campos da Silva, reitor da UFOP; e Marcelo Azevedo Maffra, promotor de Justiça do Ministério Público de Minas Gerais e coordenador Estadual das Promotorias de Justiça de Defesa do Patrimônio Cultural (CPPC). A mediação é da professora e pesquisadora Laura Bezerra (UFRB).
Na Temática Histórica, três rodas de conversa estruturam o ciclo Memórias dos Primeiros Filmes. A primeira reúne a cineasta homenageada, Helena Solberg, e Lúcia Murat para discutir dois filmes inaugurais de caráter político separados por mais de 20 anos. A segunda mesa convida Tata Amaral e Viviane Ferreira a falar sobre como contornaram estruturas de poder para concretizar seus primeiros longas. A terceira reúne Clarissa Campolina e Luna Alkalay em diálogo sobre trajetórias que dobraram o curso da história.
Na Temática Preservação, o debate Gestos Pioneiros: a Construção da Memória do Cinema Brasileiro revisita figuras fundadoras do campo, como Jurandyr Noronha, Jota Soares, Valêncio Xavier e Pedro Lima, com presenças de Arthur Autran (UFSCar), Carlos Alberto Mattos (crítico e pesquisador), Solange Stecz (Unespar) e Luciana Araujo (UFSCar). O debate Memória Audiovisual, IA e Soberania Digital: Quem Controla os Dados Controla o Futuro? discute como a crescente concentração tecnológica afeta a preservação e conta com Carla Bezerra (Assessora Especial – MGI), Sérgio Amadeu da Silveira (UFABC) e Fabio Tzusuki, diretor do Media Portal Soluções Ltda, com mediação de André Bonfim, documentarista e pesquisador associado à PAVIC.
Na Temática Educação, o debate Diretrizes de Artes na Base Nacional Comum Curricular questiona por que a linguagem cinematográfica ainda não aparece nomeada como linguagem artística específica nos currículos escolares e convida Analice Dutra Pillar (UFRGS), Cesar Callegari, presidente do Conselho Nacional de Educação, e Juliano Casimiro (UFT), mediados por Adriana Fresquet. Já o debate Cinema, Educação e IA na Era Digital reúne Edméa Santos (UFRRJ), Flora Ariza, pesquisadora e consultora Unesco/MEC, e Lucia Santaella (PUC-SP) para refletir sobre riscos da plataformização e o futuro do cinema na escola, sob mediação de Isaac Pipano (UFF).
Cena do longa O Ébrio, dirigido por Gilda Abreu
A CineOP promove um programa de formação composto por 11 atividades gratuitas: sete oficinas e quatro masterclasses, sendo três internacionais; que somam 346 vagas. As oficinas abordam diferentes áreas do audiovisual, da criação à preservação, incluindo animação em película cinematográfica, atuação para o audiovisual, cinema instantâneo, produção sonora, pesquisa audiovisual no cinema documental, recuperação audiovisual e direitos autorais, além de preservação digital.
As masterclasses da 21ª CineOP ampliam os debates sobre preservação, memória, formação de público e criação audiovisual contemporânea. Com convidados do Brasil, da Argentina e do México, a programação reúne reflexões sobre as relações entre arquivo e invenção cinematográfica, cinema comunitário, cineclubismo, educação audiovisual e o papel do cinema periférico na construção de contra-arquivos e na preservação da memória popular, promovendo o intercâmbio de experiências e perspectivas internacionais.
Entre as atrações culturais da 21ª CineOP, o Cortejo da Arte percorre as ruas históricas de Ouro Preto com bandas, grupos folclóricos e artistas convidados. A Festa Junina: Arraiá da CineOP integra a Mostra Valores e reúne grupos da cidade para um dia festivo que valoriza a arte, os sabores e as tradições locais, beneficiando instituições sociais do município. A programação inclui ainda o lançamento de livros e sessão de autógrafos com a presença dos autores, no dia 28 de junho, às 12h30, no Centro de Artes e Convenções da UFOP, promovendo o encontro entre público, pesquisadores e profissionais do audiovisual em torno de publicações dedicadas ao cinema, à preservação e à educação.
O Cine Lounge Show movimenta as noites da CineOP com apresentações que atravessam diferentes estilos e gerações. A programação reúne a Tropikaus, banda ouro-pretana que celebra a diversidade da música brasileira em um repertório vibrante e contemporâneo; a Retrowave, que resgata clássicos do rock das décadas de 1980 e 1990; o DJ Cabra Guaraná, que mistura brega, funk, piseiro, paredão e eletrônica em sets marcados pela energia e brasilidade; e a Hocus Pocus, referência na cena musical mineira há quatro décadas com seu tributo aos Beatles.
A cerimônia de encerramento da 21ª CineOP acontecerá no dia 30 de junho, terça-feira, às 20h, na Praça Tiradentes, reunindo o anúncio e a premiação do filme vencedor da Mostra Competitiva Arquivos em Questão. Em seguida, o público acompanhará o Cine-Concerto Canção do Novo Mundo, com Titane e Túlio Mourão, em uma celebração da música brasileira como força de renovação, sensibilidade e esperança. Com a parceria do videoartista Eder Santos, o espetáculo aposta na potência do diálogo entre imagens e canções para refletir sobre o tempo presente e transcender perplexidades históricas. Amparado pela lucidez da poesia, o concerto convida o público a renovar o desejo de viver e a reconhecer os vínculos que nos unem como seres vivos, irmãos dos bichos e das plantas, filhos do sol.
A programação on-line da 21ª CineOP é acessível gratuitamente de qualquer parte do mundo pelo site oficial. Integram o catálogo digital títulos da Temática Histórica, entre eles, dez obras de Helena Solberg, como A Alma da Gente (2013) e Dupla Jornada (1975); da Temática Preservação, Herbaria, de Leandro Listorti; além de curtas da sessão TV UFOP, disponíveis de 26 de junho a 5 de julho. Debates, abertura e encerramento também serão transmitidos pelo YouTube da Universo Produção.
A CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto é o único evento brasileiro dedicado ao cinema como patrimônio cultural e, há 21 anos, ocupa lugar de destaque no calendário audiovisual nacional ao articular preservação, história e educação. Realizada anualmente em Ouro Preto, Minas Gerais, consolidou-se como espaço de referência para a reflexão sobre memória audiovisual, formação de público e desenvolvimento de políticas para o setor. Mais do que um festival de cinema, a CineOP é um espaço permanente de construção de conhecimento, valorização do patrimônio audiovisual e fortalecimento da cultura brasileira.
Fotos: David Meyer/Leonardo Gandelman/Dilúvio Produções/Divulgação.
Alceu Valença no documentário Vivo 76, de Lírio Ferreira
Celebrando 18 anos de trajetória, o In-Edit Brasil, Festival Internacional do Documentário Musical, reafirma seu lugar como um dos mais importantes e aguardados festivais de cinema da agenda paulistana. O evento acontecerá entre os dias 17 e 28 de junho, em São Paulo, com dezenas de títulos em première nacional e produções inéditas no circuito de salas e streaming, dedicadas a importantes nomes, contextos e territórios marcantes da música brasileira e mundial.
Neste ano, o festival volta a ocupar as salas do CineSesc, Cinemateca Brasileira, Spcine Olido, Spcine Paulo Emílio (CCSP), Cine Bijou, Cine Matilha (Matilha Cultural) e CINUSP, além de oferecer um recorte da programação para todo o Brasil no formato on-line através das plataformas Spcine Play, Itaú Cultural Play e Sesc Digital. Além dos filmes, o festival apresenta também uma programação paralela com shows, debates, encontros com convidados especiais e a tradicional feira de vinil. O festival, que nasceu em Barcelona, na Espanha, em 2003, acontece no Brasil desde 2009. Outros países, como Chile, Grécia, México, Países Baixos e Uruguai também realizam edições do evento.
Para esta 18ª edição, o documentário Fugs Film!, inédito no Brasil, será o filme de abertura. Dirigido por Chuck Smith, o filme retrata a trajetória do The Fugs, grupo apontado como a primeira banda underground de Nova York e expoente da contracultura americana. A sessão de abertura contará com a presença do diretor e será realizada no dia 17 de junho, às 20h, no CineSesc.
Como de costume, a produção brasileira ocupa lugar central na programação do festival, refletindo a pluralidade cultural do país por meio de histórias, territórios, gêneros musicais e personagens que atravessam diferentes regiões e tradições brasileiras. Os filmes do Panorama Brasileiro estão distribuídos entre Competição Nacional, Mostra Brasil, Brasil.Doc, Curta um Som e Sessões Especiais.
A Competição Nacional apresenta oito títulos, sendo quatro deles inéditos no país, fazendo sua première no In-Edit; o filme vencedor entrará no circuito In-Edit de festivais e será apresentado pelo realizador no In-Edit Barcelona 2026. Para a Mostra Brasil, o festival selecionou oito documentários, sendo três deles em première nacional. A seção Brasil.Doc oferece uma seleção de seis documentários inéditos no circuito, sendo três em première nacional. Na mostra Curta um Som, o In-Edit reúne onze curtas que percorrem diferentes territórios, tradições e cenas musicais do país. Nas Sessões Especiais, o evento apresenta dois títulos inéditos em festivais: A Noite de Alaíde, de Liliane Mutti, que acompanha a trajetória da cantora Alaíde Costa, que celebra 90 anos, e seu retorno simbólico aos Estados Unidos em busca de reconhecimento; e Flora & Airto: O Som Revolucionário, de Jom Tob Azulay, que celebra a parceria artística e afetiva de Flora Purim e Airto Moreira, destacando sua influência na música contemporânea.
O Panorama Mundial reúne documentários musicais de diferentes países, gêneros e gerações, explorando trajetórias de artistas fundamentais, movimentos culturais e cenas musicais que atravessam rock, jazz, punk, hip-hop, música experimental, eletrônica e tradições populares.
Cena do filme Boy George & Culture Club, dirigido por Alison Ellwood
Entre os títulos confirmados estão filmes sobre nomes e fenômenos que marcaram a cultura musical mundial, além de retratos sobre cenas underground, contracultura e manifestações musicais ao redor do mundo, como: Boy George; Amadou & Mariam, casal de músicos cegos que construiu uma trajetória singular na música mundial; Big Mama Thornton, uma das vozes mais potentes e subestimadas da música americana; Paul Di’Anno, vocalista dois primeiros álbuns do Iron Maiden; Peter Asher, guitarrista e cantor britânico; Sun Ra, uma das figuras mais visionárias da história do jazz; entre muitos outros.
A programação ainda inclui recortes especiais como a Mostra Instituto Cervantes, a homenagem ao diretor Rob Reiner e a sessão Flashback, que celebra clássicos como Heartworn Highways, um dos melhores documentários musicais de todos os tempos, e September Songs: The Music of Kurt Weill, clássico com Lou Reed, Nick Cave, PJ Harvey e outros nomes importantes reinterpretando a obra atemporal de Kurt Weill.
O 18º In-Edit Brasil amplia a experiência cinematográfica com uma intensa programação paralela, que ocupa diferentes espaços da cidade com shows, encontros, debates, festas, shows e homenagens musicais. Entre os shows, estão: Odair José em sessão especial filme+show na Casa Natura Musical (18/06); o show da banda Inocentes celebrando os 20 anos do clássico Botinada!, na Cinemateca Brasileira (21/06); Alaíde Costa comemorando seus 90 anos em sessão seguida de apresentação na Casa de Francisca (23/06); Fernanda Abreu festejando os 30 anos de Da Lata, no Cine Joia, com exibição especial do filme (25/06); a primeira visita da banda norte-americana Redd Kross ao Brasil, em show também no Cine Joia (26/06); o rapper Gaspar Z’África esquentando a exibição do filme Hip Hop Caboclo na Patuá Discos (26/06); e a banda DZK celebrando o lançamento de Punks do ABC no Red Star Studio (28/06).
Entre as homenagens, destacam-se: um pocket show em tributo a Paul Di’Anno após a sessão de Di’Anno: Iron Maiden’s Lost Singer, na Cinemateca Brasileira (20/06); Paulo Beto e Paulo Casale num pocket show com sintetizadores em homenagem a Jocy de Oliveira, no Cine Bijou (26/06); e Mario Adnet e Andrea Ernest Dias alternando música e bate-papo sobre a obra e o legado do maestro Moacir Santos no ano de seu centenário (27/06). A programação inclui ainda apresentações especiais de Dale Crover, baterista da banda Melvins, que aproveita sua passagem pelo Brasil ao lado do Redd Kross para realizar uma apresentação solo no Porta (25/06); e uma festa-show de Entre o Sucesso e a Lama, com os artistas retratados no documentário, na Casa de Francisca (20/06).
A programação formativa acontecerá na Matilha Cultural, sempre às 19h, com realizadores, pesquisadores e músicos para discutir processos criativos e preservação da memória audiovisual. No dia 25/06, o debate Buscando Histórias aborda as relações entre roteiro, acaso e construção narrativa nos documentários musicais, com participação de Dandara Ferreira, Rafael Saar e Emílio Domingos. Em 26/06, Trilhando o Real discute o papel das trilhas sonoras na construção audiovisual, reunindo Paulo Beto, Patricia Palumbo e Rica Amabis. No dia 27/06, Memória Viva propõe reflexões sobre pesquisa, acervo e preservação de materiais de arquivo com Helena Tassara, Thiago Mattar e Eloá Chouzal. Vale destacar ainda uma entrevista com a diretora Alison Ellwood, do longa Boy George & Culture Club, realizada pelo jornalista Duda Leite, coordenador das atividades formativas da 18ª edição do festival.
No dia 23/06, às 18h, no CineSesc, acontecerá um bate-papo sobre a obra de Ruy Barata, homenageado do documentário Nativo. Em 25/06, às 21h, no Cine Bijou, Pedro Kaluf, tour manager da última turnê brasileira de Paul Di’Anno, compartilha histórias e bastidores da estrada em Os causos da turnê The Best Is Back. No mesmo dia, na Cinemateca Brasileira, integrantes do Redd Kross participam de uma conversa com o público após a sessão de Born Innocent: The Redd Kross Story. E mais: a tradicional Feira de Vinil acontecerá no dia 21/06, domingo, na Cinemateca Brasileira.
Conheça os filmes selecionados para o In-Edit Brasil 2026:
PANORAMA BRASILEIRO
COMPETIÇÃO NACIONAL
Dona Onete: Meu Coração Neste Pedacinho Aqui, de Mini Kerti Entre o Sucesso e a Lama, de Cristiano Burlan Massa Funkeira, de Ana Rieper Ninguém Pode Provar Nada, de Rodrigo Pinto O Cravista, de Luiz Eduardo Ozório Pontos de Força, de Vânia Lima Universo Circular: Jocy De Oliveira, de Dácio Pinheiro Vivo 76, de Lírio Ferreira
MOSTRA BRASIL
Apopcalipse Segundo Baby, de Rafael Saar Ary, de André Weller Canecão: Tantas Emoções, de Bruno Levinson Fernanda Abreu: Da Lata 30 Anos, de Paulo Severo Nem Tudo é Paz e Amor, de Betão Aguiar Quando a Gente Vira Um: Mestre Ambrósio, de Cláudia Dias Perez Machado e Shinji Shiozaki Rei da Noite, de Cassu, Lucas Weglinski e Pedro Dumans Vou Tirar Você Desse Lugar, de Dandara Ferreira
BRASIL.DOC
Arthur, O Gigante, de Ivan de Angelis Canto da Gente: Um Filme Sobre os Tápes, de Matheus Borges Gritos de Agonia: Uma História do Movimento Punk Hardcore em Belém do Pará, de Márcio Crux Hip Hop Caboclo, de João Nascimento O Homem do Fraque Verde, de Petrônio Lorena Punks do ABC, de Jairo Costa
CURTA UM SOM
Bárbara: A Força da Ancestralidade, de Edson Spitaletti e Sandro Cácio Batuque da Fêra, de Uyatã Rayra e Pedro Patrocínio Bira Rasta, Eu Sou a Onda, de Gregori Bastos Bregueragem, de Daniel Arcades Duque de Caxias, o Albergue do Rock, de Guilherme Zani Nação Hip Hop: Cultura de Rua, de Laia Orisa Não Quero ser Capeta, Não!, de Duna Dias e Leonardo Augusto O Carnaval é de Pelé, de Daniele Leite e Lucas Santos Ressonâncias, de Ana Amélia Arantes Silêncio na Boiada, de Luiza Fernandes Uma Orquestra no Contrabaixo, de Sergio Sbragia
SESSÕES ESPECIAIS
A Noite de Alaíde, de Liliane Mutti Botinada!, de Gastão Moreira Flora & Airto: O Som Revolucionário, de Jom Tob Azulay Ganga Zumba, de Cacá Diegues Nativo, de Vladimir Cunha
PANORAMA MUNDIAL
FILME DE ABERTURA Fugs Film!, de Chuck Smith (EUA)
DOCS INTERNACIONAIS
Agridulce, de Frank Pavich (EUA/República Dominicana) Amadou & Mariam: The Blind Couple from Mali, de Ryan Marley (Canadá) Big Mama Thornton: I Can’t Be Anyone But Me, de Robert Clem (EUA) Born Innocent: The Redd Kross Story, de Andrew Reich (EUA) Boy George & Culture Club, de Alison Ellwood (EUA/Reino Unido) Cheech & Chong’s Last Movie, de David Bushell (EUA) Di’Anno: Iron Maiden’s Lost Singer, de Wes Orshoski (EUA) Esto es Raptor House, de Roberto López Buschbeck (Espanha) Everywhere Man: The Lives and Times of Peter Asher, de Dan Geller e Dayna Goldfine (EUA) Half Moon, de Frank Scheffer (Holanda) La 42 (42nd Street), de José María Cabral (República Dominicana) La Partitura del Cosmo, de JuanMa V. Betancort (Espanha/Colômbia) Para Vivir: El implacable tiempo de Pablo Milanés, de Fabien Pisani (México/Espanha) Sun Ra: Do The Impossible, de Christine Turner (EUA) The Best Summer, de Tamra Davis (EUA/Austrália/Indonésia/Tailândia) The Big Johnson, de Lola Rocknrolla (EUA) The Last Critic, de Matty Wishnow (EUA) Through the Body: The Story of the International Body Music Festival, de Andrew Reissiger (EUA) Unisono, de Georges Gachot (Suíça/Alemanha)
MOSTRA INSTITUTO CERVANTES
El Canto de las Manos, de María Valverde (Espanha) La Guitarra Flamenca de Yerai Cortés, de Antón Álvarez (Espanha) La Marsellesa De Los Borrachos, de Pablo Gil Rituerto (Espanha/França/Itália) Omega Wants to Dance, de Ramón Tort (Espanha)
HOMENAGEM ROB REINER
Spinal Tap II: The End Continues, de Rob Reiner (2025) (EUA) This Is Spinal Tap, de Rob Reiner (1984) (EUA)
SESSÕES FLASHBACK
Heartworn Highways, de James Szalapski (1976) (EUA) September Songs: The Music of Kurt Weill, de Larry Weinstein (1994) (Canadá)
Neste ano, com 80 filmes de todo o mundo na programação, o festival reuniu estreias nacionais e mundiais em suas variadas mostras, com destaque para as mostras competitivas.
O júri de 2026, que avaliou os longas da mostra competitiva, foi formado pelo cineasta e roteirista Bruno Costa; pela antropóloga cultural e curadora de cinema Jacqueline Nsiah; David Montenegro, gestor cultural, curador de cinema e artista; Janaina Oliveira, pesquisadora de cinema e curadora independente; e Saravy, atriz brasileira e contadora de histórias no cinema e no teatro. Já o júri de curtas-metragens da competitiva contou com Juliana Rojas, roteirista, diretora e montadora; Layla Braz, produtora e curadora de festivais de cinema; e Pablo Mazzola, programador e consultor para projetos cinematográficos. Além dos curtas, esses profissionais também foram responsáveis por julgar os títulos da mostra Novos Olhares.
O longa cearense Fiz um Foguete Imaginando que Você Vinha, dirigido por Janaína Marques, levou dois troféus, entre eles, o Prêmio Olhar de Melhor Filme. No longa, Rosa, cercada pelo zumbido hipnótico de uma máquina de ressonância magnética, é instruída a pensar em um momento feliz de sua vida. É dentro dessa odisseia subconsciente que ela reencontra sua mãe, Dalva, com quem inventa memórias inexistentes.
Já o longa alagoano Olhe para Mim, do diretor Rafhael Barbosa, levou três prêmios, entre eles, melhor direção. A produção é uma fantasia alegórica inspirada no imaginário popular que margeia o Rio São Francisco. No enredo, dez anos após o desaparecimento de sua mãe durante a grande festa religiosa da cidade, Marcelo ainda lida com as consequências de sua ausência. Na véspera de mais uma festa, ele conhece dois misteriosos viajantes, Sandra e seu filho Ivan. Marcelo fica fascinado pela dupla e embarca na viagem, mas no caminho descobre que eles estão prestes a cruzar uma fronteira perigosa. O trajeto reserva encontros com seres místicos e experiências transcendentes.
Com direção de Pedro Diogenes, Adulto/Homem levou o prêmio de melhor roteiro; o filme é um plano sequência que acompanha 20 atores que estão à espera de um teste de elenco. A Noite e os Dias de Miguel Burnier, de João Dumans, recebeu o prêmio de melhor montagem (Affonso Uchoa) e melhor fotografia (João Dumans); a produção aborda um grupo de amigos, que convivendo com o tédio e a falta de oportunidades, abraçados ao álcool como único companheiro das noites e dos dias, se esforça para levar a vida adiante num pequeno distrito minerário do interior do Brasil.
Já em relação aos curtas-metragens, o Prêmio Olhar de Melhor Filme foi para Pirexia, de Nico da Costa. A produção traz Baby, um rockstar em ascensão, que é atormentado por uma febre que o impede de criar músicas novas. Ao receber uma ligação de Pepeu, seu ex-companheiro musical e ex-amante, eles decidem compor uma última música juntos: uma melodia de cura e ressurreição para ser tocada em uma noite de lua de sangue. O Prêmio Especial do Júri foi para o curta Pinguim de Doce de Leite, de Ana Vitória Miotto Tahan. O filme aborda futuras lembranças que vão sendo formadas em uma noite goiana qualquer. Nos fundos da casa de sua avó, Caju, uma criança de 10 anos, viverá sua primeira madrugada em claro com os amigos de seu tio Tiago, um jovem rebelde.
O curta-metragem Duwid Tuminkiz: Makunaima é Duwid?, de Gustavo Caboco Wapichana, levou o Prêmio do Público; o filme instiga o espectador a uma reflexão sobre o famoso personagem Macunaíma, de Mário de Andrade, que completará 100 anos em 2028 e suas relações com as suas raízes indígenas, em especial do Povo Wapichana.
Na mostra competitiva internacional, o Prêmio Olhar de Melhor Filme foi para o longa Um Calendário Incompleto, de Sanaz Sohrabi. A coprodução entre Canadá, Irã, Turquia, Vanuatu e Venezuela tem como ponto de partida um vinil pouco conhecido da década de 1980. Rhymes and Songs for OPEC é um disco especial do coro da Universidade Central da Venezuela para comemorar o 20º aniversário da Organização dos Países Exportadores de Petróleo. Combinando canções e arquivos raramente vistos, o filme redefine o petróleo não como uma mercadoria, mas como uma alavanca política para as lutas de libertação na Palestina e a construção da solidariedade pan-árabe entre 1960 e 1970.
Prêmio de melhor roteiro para o longa Adulto/Homem, escrito por Pedro Diogenes
Já o Prêmio Especial do Júri foi para Bouchra, de Orian Barki e Meriem Bennani. A animação, que é uma coprodução entre Itália, Marrocos e Estados Unidos, traz uma coiote marroquina de 35 anos em Nova York, que documenta seu relacionamento à distância com a mãe, que vive em Casablanca, enquanto exploram juntas o amor, a dor e os segredos que as unem através de ligações e conversas íntimas.
O curta-metragem internacional Dragão, de Yashira Jordán, coprodução entre Bolívia e México, também foi premiado. O filme apresenta Dragón Rojo e Puma Punku, dois adolescentes abandonados e perdidos em uma cidade boliviana, que tornam-se viciados em um videogame retrô chamado Dragon para escapar de sua realidade monótona; trabalhando no mercado com suas tias e lutando contra o tédio.
O longa Se Pombos Virassem Ouro, de Pepa Lubojacki, levou o Prêmio do Público; a coprodução entre República Tcheca e Eslováquia traz uma mulher que explora a luta geracional de sua família contra o alcoolismo através de uma perspectiva profundamente pessoal, misturando imagens documentais, ritmo, texto e imagens aprimoradas por IA para criar um retrato honesto e compassivo dos impactos do vício.
Na mostra Novos Olhares, o longa-metragem Como Todo Mortal, de Maria Molina Peiro, levou o Prêmio Olhar de Melhor Filme. A produção se passa em um planeta distante, em que um robô procura por sinais de vida. A anos-luz de distância, em uma das minas mais antigas do mundo, sob toneladas de resíduos de mineração, um ecossistema entre exploração e explotação se revela, uma paisagem entre Andaluzia e Marte.
A Abraccine, Associação Brasileira de Críticos de Cinema, parceira histórica do festival, elegeu o longa Reparação, de Marcus Curvelo, como melhor filme para o Prêmio da Crítica. A obra traz Marcus, no dia em que completa 35 anos, procurando um lugar no litoral junto com sua mãe para espalhar as cinzas do pai. Quando sua mãe adoece, ele passa a sentir que o sal do mar onde o pai descansa corrói lentamente a sua vida. O júri foi formado por Ayrton Baptista Jr., Carolina Azevedo e Marcelo Ikeda.
A AVEC-PR, Associação de Vídeo e Cinema do Paraná, premiou o curta-metragem Tornar-se Ciborgue no Interior, de Louisa Sauvignon, da Mostra Mirada Paranaense Sanepar, com o Prêmio AVEC-PR Lu Rufalco. Além do troféu, o filme ainda recebe uma premiação de R$ 5 mil, oferecido pela Sanepar. A produção gira em torno de Leo e Julia, proprietários de um sítio, que querem filhos, mas estão com problemas de fertilidade. Ava e Mia, um casal lésbico, acabaram de se mudar para o sítio vizinho. A vinda das duas mulheres criará tensão com os vizinhos.
O curta-metragem Estrelas Terrestres, de Rafael Neri M. Ferreira, da Mostra Mirada Paranaense Sanepar, recebeu o Prêmio Itaú Cultural Play. O filme receberá o valor de R$ 15 mil, estando o recebimento do prêmio condicionado ao licenciamento da obra para a plataforma de streaming gratuita Itaú Cultural Play pelo período de 24 meses.
Marimbã Está Acontecendo, de Maryn Marynho, recebeu o Prêmio Cardume de Curtas, promovido pela plataforma de curtas Cardume, que tem o objetivo de estimular o desenvolvimento de roteiros e a produção de curtas-metragens brasileiros independentes e diversos. O prêmio consiste em um contrato de licenciamento exclusivo de um ano e o valor de R$3 mil para o melhor curta-metragem da Mostra Competitiva Brasileira. O filme percorre o pensamento de Marimbã e seus diversos sonhos através das águas, tecendo relações de afeto para corpos dissidentes, em um vislumbre de futuro possível.
O filme O Segredo Sagrado, de Everlane Moraes, levou o Prêmio Canal Brasil de Curtas. A produção foi escolhida pelo júri, que neste ano foi formado pelos jornalistas Henrique Nascimento (Rolling Stone), Paulo Ernesto (AdoroCinema) e Josianne Ritz (Bem Paraná). O curta traz duas tribos inimigas que esperam há séculos pela grande revelação do segredo sagrado.
Conheça os vencedores do Olhar de Cinema 2026:
COMPETITIVA BRASILEIRA | LONGAS
PRÊMIO OLHAR | MELHOR FILME Fiz um Foguete Imaginando que Você Vinha, de Janaína Marques (CE)
MELHOR DIREÇÃO Rafhael Barbosa, por Olhe para Mim
MELHOR ROTEIRO Adulto/Homem, escrito por Pedro Diogenes
MELHOR ATUAÇÃO Verônica Cavalcanti e Luciana Souza, por Fiz um Foguete Imaginando que Você Vinha
MELHOR DIREÇÃO DE FOTOGRAFIA A Noite e os Dias de Miguel Burnier, por João Dumans
MELHOR DIREÇÃO DE ARTE Olhe para Mim, por Nina Magalhães
MELHOR MONTAGEM A Noite e os Dias de Miguel Burnier, por Affonso Uchoa
MELHOR SOM Olhe para Mim, por Lucas Coelho
MENÇÃO HONROSA Reparação, de Marcus Curvelo
COMPETITIVA BRASILEIRA | CURTAS
PRÊMIO OLHAR | MELHOR FILME Pirexia, de Nico da Costa
PRÊMIO ESPECIAL DO JÚRI Pinguim de Doce de Leite, de Ana Vitória Miotto Tahan
COMPETITIVA INTERNACIONAL
PRÊMIO OLHAR | MELHOR LONGA-METRAGEM Um Calendário Incompleto (An Incomplete Calendar), de Sanaz Sohrabi (Canadá/Irã/Turquia/Vanuatu/Venezuela)
PRÊMIO ESPECIAL DO JÚRI Bouchra, de Orian Barki e Meriem Bennani (Itália/Marrocos/EUA)
PRÊMIO OLHAR | MELHOR CURTA-METRAGEM Dragão (Dragón), de Yashira Jordán (Bolívia/México)
NOVOS OLHARES
PRÊMIO OLHAR | MELHOR FILME Como Todo Mortal, de Maria Molina Peiro (Países Baixos/Espanha)
OUTROS PRÊMIOS
PRÊMIO DO PÚBLICO Melhor longa: Se Pombos Virassem Ouro (If Pigeons Turned to Gold), de Pepa Lubojacki (República Tcheca/Eslováquia) Melhor curta: Duwid Tuminkiz: Makunaima é Duwid?, de Gustavo Caboco Wapichana (Brasil)
PRÊMIO ABRACCINE Melhor longa: Reparação, de Marcus Curvelo Melhor curta: Disciplina, de Affonso Uchoa
PRÊMIO AVEC-PR Lu Rufalco Melhor Filme: Tornar-se Ciborgue no Interior, de Louisa Savignon
PRÊMIO CANAL BRASIL DE CURTAS O Segredo Sagrado, de Everlane Moraes
PRÊMIO CARDUME | CURTAS Marimbã está acontecendo, de Maryn Marynho
PRÊMIO ITAÚ CULTURAL PLAY | Mirada Paranaense Sanepar Estrelas Terrestres, de Rafael Neri M. Ferreira