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Festival do Rio 2026: conheça os filmes internacionais selecionados

por: Cinevitor
Sandra Hüller em Rose, de Markus Schleinzer: melhor atriz no Festival de Berlim

Depois de anunciar os filmes brasileiros, o Festival do Rio 2026, que acontecerá entre os dias 1 e 11 de outubro, revelou os títulos internacionais que serão exibidos ao longo da programação; a seleção conta com produções premiadas nos principais festivais do mundo, novas obras de cineastas consagrados e filmes que chegam à capital fluminense cercados de expectativa para a temporada de premiações. 

Além da Première Brasil, principal vitrine do cinema brasileiro, a seleção internacional também ocupa lugar de destaque com mostras tradicionais. A Panorama Mundial apresenta os grandes nomes do ano e obras de cineastas consagrados. Já a mostra Expectativas é o espaço para novas vozes, exibindo os primeiros trabalhos de diretores de diversos países que tenham até três filmes em suas filmografias. 

A Première Latina traz produções de todo o território da América Latina. Para quem busca experiências provocadoras, a Midnight Movies reúne obras intensas que transitam do terror ao erótico. Na mostra Itinerários Únicos, o foco está em documentários sobre a vida e o legado de grandes artistas da história mundial. Por fim, Clássicos & Cults convida o público a redescobrir ou ter seu primeiro contato com títulos representativos da história do cinema global.

Nesta 28ª edição, uma seleção imperdível de produções internacionais ganha destaque na mostra Panorama Mundial, que traz os títulos mais esperados do ano, escolhidos para refletir perspectivas globais e apresentar os trabalhos mais recentes de cineastas consagrados, além de reunir destaques dos principais festivais internacionais.

Cynthia Erivo em Prima Facie, de Susanna White

Com uma curadoria dedicada a antecipar o que há de mais expressivo no cenário contemporâneo, o festival carioca reafirma o seu papel como um dos principais termômetros para a corrida do Oscar, com 16 produções que já integram a corrida por uma indicação ao prêmio de melhor filme internacional. A lista inclui, além do brasileiro Feito Pipa e do espanhol A Bola Preta, que será o filme de abertura: Cartas Amarelas, de Ilker Çatak, uma coprodução entre Alemanha, França e Turquia, que está qualificada para a disputa por ter vencido o Urso de Ouro no Festival de Berlim; o representante da Áustria, Rose, de Markus Schleinzer, com Sandra Hüller, que venceu o Urso de Prata de melhor interpretação na Berlinale.

E mais: Covarde, de Lukas Dhont, que representa a Bélgica e rendeu o prêmio de melhor ator no Festival de Cannes para Emmanuel Macchia e Valentin Campagne; Soumsoum, a Noite das Estrelas, de Mahamat-Saleh Haroun, vencedor do Prêmio FIPRESCI em Berlim e representante de Chade; o indicado do Chile, o suspense O Degelo, de Manuela Martelli, que foi exibido na mostra Un Certain Regard em Cannes; Dua: Tempos de Guerra, de Blerta Basholli, que teve o roteiro premiado na Semana da Crítica, em Cannes, e representa o Kosovo; A Mais Doce, de Laïla Marrakchi, representante de Marrocos e que também foi exibido na mostra Un Certain Regard, em Cannes; Elefantes na Névoa, de Abinash Bikram Shah, uma coprodução entre Nepal, Brasil, Alemanha, França e Noruega, premiada na mostra Un Certain Regard e que representa o Nepal.

A disputa pela estatueta dourada no Oscar 2027 segue no Festival do Rio com: Os Frutos da Terra, de Hans Petter Moland, selecionado para o Festival de San Sebastián e representante da Noruega; o indicado da Palestina, o documentário Cidadão Osama, de Ahmed Hassouna, exibido no Festival de Veneza; o representante paraguaio Quem Matou Narciso?, de Marcelo Martinessi, uma coprodução entre Paraguai, Alemanha, Brasil, Espanha, França, Portugal e Uruguai, que recebeu o Prêmio FIPRESCI em Berlim e foi selecionado para San Sebastián; We Are All Strangers, de Anthony Chen, representante de Singapura e que disputou o Urso de Ouro na Berlinale e foi exibido no Festival de Toronto; 9 Templos para o Céu, de Sompot Chidgasornpongse, exibido na Quinzena de Cineastas, em Cannes, e que representa a Tailândia; e o documentário Traços da Guerra, de Alisa Kovalenko e Marysia Nikitiuk, premiado na mostra Panorama em Berlim e representante da Ucrânia. 

Callum Turner em Rosebush Pruning: dirigido pelo brasileiro Karim Aïnouz

A programação contará também com outros destaques, como: a comédia musical A Grande Estreia, de Jesse Eisenberg, com Julianne Moore, Paul Giamatti e Halle Bailey no elenco, que disputa a Concha de Ouro no Festival de San Sebastián; Cavalo Selvagem Nove, de Martin McDonagh, que rendeu o prêmio de melhor ator para John Malkovich no Festival de Veneza; Contos Paralelos, do consagrado cineasta iraniano Asghar Farhadi, que disputou a Palma de Ouro em Cannes e conta com Isabelle Huppert, Virginie Efira, Vincent Cassel e Pierre Niney no elenco; Eu Juro, de Kirk Jones, vencedor dos prêmios de melhor ator para Robert Aramayo e melhor direção de elenco para Lauren Evans no BAFTA; Ink, dirigido por Danny Boyle, que foi o filme de abertura do Festival de Veneza deste ano e conta com Jack O’Connell, Guy Pearce e Claire Foy no elenco; a comédia dramática Tender Loving Care, de Mike Leigh, vencedora da Concha de Ouro em San Sebastián. 

E mais destaques internacionais: Rosebush Pruning, dirigido pelo cineasta cearense Karim Aïnouz, que disputou o Urso de Ouro na Berlinale; Prima Facie, de Susanna White, com Cynthia Erivo no elenco; Hope: O Primeiro Impacto, de Na Hong-jin, que disputou a Palma de Ouro em Cannes; Rainha ao Mar, de Lance Hammer, premiado em Berlim, com Juliette Binoche no elenco e direção de fotografia do brasileiro Adolpho Veloso; The Man I Love, de Ira Sachs, exibido em Cannes, com Rami Malek; o mexicano Sou Mario, de Sharon Kleinberg, premiado no Festival de Guadalajara e exibido em Toronto; Bucking Fastard, de Werner Herzog, com Kate Mara e Rooney Mara, que disputou o Leão de Ouro em Veneza; Your Mother Your Mother Your Mother, de Bassam Tariq, com Mahershala Ali; entre outros. Destaque também para Josephine: Fragmentos de um Crime, com Mason Reeves, Channing Tatum e Gemma Chan no elenco, e dirigido por Beth de Araújo, que foi premiado no Festival de Sundance deste ano; a diretora, que é filha de mãe sino-americana e pai brasileiro, nasceu e foi criada em São Francisco, porém tem dupla cidadania.

Vale destacar também que o filme de encerramento desta edição será Club Kid, de Jordan Firstman, que foi exibido na mostra Un Certain Regard, do Festival de Cannes. Protagonizado pelo próprio diretor e com Cara Delevingne no elenco, o filme conta a história de Peter, um promoter de festas de Nova York, que vive uma rotina de drogas, sexo e noites sem dormir. Essa existência caótica é abalada quando Arlo, o filho de dez anos que ele nem sabia ter, surge em sua vida após a morte da mãe. Forçado a enfrentar a paternidade, os vícios e os limites de seu estilo de vida, Peter precisa decidir se finalmente está pronto para amadurecer. 

Conheça os filmes internacionais selecionados para o Festival do Rio 2026:

PANORAMA MUNDIAL

A Grande Estreia (The Debut), de Jesse Eisenberg (EUA)
A Noiva Difícil (The Difficult Bride), de Rubaiyat Hossain (Bangladesh/França/Noruega/Portugal/Alemanha)
A Terceira Noite (La troisième nuit), de Daniel Auteuil (França)
Amazomania, de Nathan Grossman (Suécia/Dinamarca/França)
As Crianças Estão Bem (Les enfants vont bien), de Nathan Ambrosioni (França)
Bucking Fastard, de Werner Herzog (Irlanda/EUA)
Cartas Amarelas (Gelbe Briefe), de Ilker Çatak (Alemanha/França/Turquia)
Cavalo Selvagem Nove (Wild Horse Nine), de Martin McDonagh (Reino Unido/EUA/Chile)
Cidadão Osama (Al Mowaten Osama), de Ahmed Hassouna (Palestina/França)
Contos Paralelos (Histoires parallèles), de Asghar Farhadi (França/Itália/Bélgica/Arábia Saudita/EUA)
Conversa com o Mar (Conversation with the Sea), de Muayad Alayan (Arábia Saudita/Qatar/Palestina/Países Baixos)
Covarde (Coward), de Lukas Dhont (Bélgica/França/Países Baixos)
Crianças Invisíveis (Children Untold), de Miwa Nishikawa (Japão)
Dau, de Ilya Khrzhanovsky (Alemanha/França/Suécia)
Diários de Nagi (Nagi daiarî), de Kōji Fukada (Japão/França/Filipinas/Singapura/Tailândia)
Eu Juro (I Swear), de Kirk Jones (Reino Unido)
Euforia (Euphoria), de Julian Rosefeldt (Alemanha/EUA)
Histórias de Família (Etwas ganz Besonderes), de Eva Trobisch (Alemanha)
Histórias Noturnas (Histoires de la nuit), de Léa Mysius (França)
I Want Your Sex, de Gregg Araki (EUA)
Ink, de Danny Boyle (Reino Unido)
Josephine: Fragmentos de um Crime, de Beth de Araújo (EUA)
Monstro Gentil (Gentle Monster), de Marie Kreutzer (Áustria/Alemanha/França/Suécia)
No Good Men (Kabul Jan), de Shahrbanoo Sadat (Dinamarca/França/Noruega/Alemanha/Afeganistão)
Nós Somos os Frutos da Floresta (Nous sommes les fruits de la forêt), de Rithy Panh (Camboja/França)
O Cheiro das Maçãs (Die Reuk van Appels), de John Trengove (África do Sul/Países Baixos/Chile)
O Objeto do Delito (L’objet du délit), de Agnès Jaoui (França/Bélgica)
O Rebelde (The Uprising), de Paul Greengrass (Reino Unido/Alemanha/EUA)
O Último Resort (Paradis), de Maria Sødahl (Dinamarca/Noruega)
O(s) Assassino(s) (The Assassin(s)), de Hur Jin-ho (Coreia do Sul)
Oito Pontes (Eight Bridges), de James Benning (EUA)
Os Frutos da Terra (Markens grøde), de Hans Petter Moland (Noruega/Dinamarca)
Prima Facie, de Susanna White (Austrália/EUA/Reino Unido)
Quatro Menos Três (Vier minus drei), de Adrian Goiginger (Áustria/Alemanha)
Rainha ao Mar (Queen at Sea), de Lance Hammer (Reino Unido/EUA)
Rose, de Markus Schleinzer (Áustria/Alemanha)
Rosebush Pruning, de Karim Aïnouz (Alemanha/Itália/Espanha/Reino Unido/EUA/Canadá)
Sem Dor (Nessun dolore), de Gianni Amelio (Itália)
Seremos Felizes (On sera heureux), de Léa Pool (Canadá/Luxemburgo)
Sheep in the Box (Hako no naka no hitsuji), de Hirokazu Koreeda (Japão)
Só os Rebeldes Vencem (Only Rebels Win), de Danielle Arbid (Líbano/França/Qatar)
Somos Todos Estranhos (Wo men bu shi mo sheng ren), de Anthony Chen (Singapura)
Soumsoum, a Noite das Estrelas (Soumsoum, la nuit des astres), de Mahamat-Saleh Haroun (França/Chade)
Sr. Nelson, o senhor Matou Pessoas? (Nelson-san, anata wa hito o koro shimashita ka?), de Shinya Tsukamoto (Japão/EUA/Vietnã/Tailândia)
Tender Loving Care, de Mike Leigh (Reino Unido/EUA)
The Echo Chamber, de Andrea Pallaoro (Itália/Bélgica)
The Man I Love, de Ira Sachs (EUA/França)
Todo Mundo Curte Bill Evans (Everybody Digs Bill Evans), de Grant Gee (Irlanda/Reino Unido)
Todos os Amantes da Noite (Subete mayonaka no koibitotachi), de Yukiko Sode (Japão/França)
Um Bom Soldadinho (Un bon petit soldat), de Stéphane Brizé (França)
Um Homem do seu Tempo (Notre salut), de Emmanuel Marre (França/Bélgica)
Um Longo Inverno (A Long Winter), de Andrew Haigh (Reino Unido/Canadá)
Um Lugar para se Curar (15/18), de Cédric Kahn (França)
Vertigem (Le vertige), de Quentin Dupieux (França)
Your Mother Your Mother Your Mother, de Bassam Tariq (Reino Unido/EUA)

EXPECTATIVA

3 Semanas Depois (3 nedelje posle), de Miroslav Terzić (Sérvia/Luxemburgo/Itália/Bulgária/Croácia)
9 Templos para o Céu (9 Temples to Heaven), de Sompot Chidgasornpongse (Tailândia/Singapura/França/Noruega/China/Hong Kong/Indonésia/Qatar)
A Boa Filha (La buena hija), de Júlia de Paz Solvas (Espanha/Bélgica/EUA)
A Caminho (Jiuri ganeun gil), de Yoo Jaein (Coreia do Sul)
A Educação de Jane Cumming (The Education of Jane Cumming), de Sophie Heldman (Reino Unido/Alemanha/Suíça)
A Gradiva (La Gradiva), de Marine Atlan (França/Itália)
A Gruta (Arkoudotrypa), de Stergios Dinopoulos e Krysianna Papadakis (Grécia)
A Mais Doce (La más dulce), de Laïla Marrakchi (França/Espanha/Marrocos/Bélgica/Qatar)
A Promotora (Staatsschutz), de Faraz Shariat (Alemanha)
Allegro Pastell, de Anna Roller (Alemanha)
Antes da Guerra (Prima della guerra), de Tommaso Usberti (Itália/França)
As Rosas de Marrakech (Leila), de Ginevra Elkann (Itália)
Balcânica (Balcanica), de Nicola Sorcinelli (Itália/Sérvia/Croácia)
Ben’imana: Filhas de Deus, de Marie-Clémentine Dusabejambo (Ruanda/Gabão/França/Noruega/Costa do Marfim)
Casa em Queda (Moragheb), de Mohsen Gharaei (Irã/EUA/Alemanha)
Cassowary, de Zhang Hanyi (China)
Chica Checa, de Šimon Holý (República Checa/França/Eslováquia)
Congo Boy, de Rafiki Fariala (República Centro-Africana/França/Congo/Itália)
Diya: O Preço do Sangue, de Achille Ronaimou (Chade/Alemanha/França/Costa do Marfim)
Elefantes na Névoa (Elephants in the Fog), de Abinash Bikram Shah (Nepal/Alemanha/Brasil/França/Noruega)
Em Segredo (À voix basse), de Leyla Bouzid (França/Tunísia)
Enjaulados (Animol), de Ashley Walters (Reino Unido)
Filho da Poeira (Dziecko z pylu), de Weronika Mliczewska (Polônia/Vietnã/Suécia/República Tcheca/Catar)
Flor de Fogo (Hanabi), de Ana Vaz (França/Brasil)
Furies, de Rami Kodeih (Líbano/Brasil)
Garota Sem Nome (Wu ming nü hai), de Zou Jing (China/França)
Gigantes em Chamas (Yak mai), de Phuttiphong Aroonpheng (Tailândia/Países Baixos/França/Singapura)
Guo Ran: Dias de Espera, de Li Dongmei (China)
Halima, de Yassine El Idrissi (Marrocos)
Identitti: Quem Você Pensa que É?, de Randa Chahoud (Alemanha)
In Waves, de Phuong Mai Nguyen (Bélgica/França/Vietnã)
Iván & Hadoum, de Ian de la Rosa (Espanha/Alemanha/Bélgica)
Lady, de Olive Nwosu (Reino Unido/Nigéria)
Lali: Entre os Vivos e os Mortos, de Sarmad Sultan Khoosat (Paquistão)
Lavanderia (Laundry), de Zamo Mkhwanazi (Suíça/África do Sul)
Literalmente Nu (Truly Naked), de Muriel d’Ansembourg (Países Baixos/Bélgica/França)
Madame (Le triangle d’or), de Hélène Rosselet-Ruiz (França/Bélgica/Canadá)
Maria Vitória, de Mário Patrocínio (Portugal)
Marie Madeleine, uma mulher livre, de Gessica Généus (Haiti/França/Bélgica/Luxemburgo/Canadá)
Mata, de Rachel Lang (França)
Memória de Menina (Mémoire de fille), de Judith Godrèche (França/Bélgica)
O Cachorro Louco da Europa (The Mad Dog of Europe), de Rubika Shah (França/Alemanha)
O Casamento de Djinn (Cinlerin Dügünü), de Ferit Karahan (Turquia)
O Caso Marie-Claire (L’affaire Marie-Claire), de Lauriane Escaffre e Yvo Muller (França)
O Fim de Tudo (The End of It), de Maria Martinez Bayona (Noruega/Reino Unido/Espanha)
O Segredo de Eva (Eva), de Emanuela Rossi (Itália)
Óculos de Sol Pretos, de Pedro Ramalhete (Portugal)
Pai e Pai (Father Father), de Jake Witzenfeld (Reino Unido)
Paraíso: Entre Duas Margens (Paradise), de Jérémy Comte (Canadá/França/Gana)
Parasita do Coração (Heartworm), de Miriam Louise Arens e Mitchell Arens (EUA/Canadá)
Pequenas Grandes Coisas (Huang yan sheng huo), de Michelle Zhou (Hong Kong/EUA)
Primavera (Vesna), de Rostislav Kirpičenko (Lituânia/França/Estônia)
Qual o Destino? (Where To), de Assaf Machnes (Israel/Alemanha)
Querida Ajayi (Dear Ajayi), de Damilola Orimogunje (Nigéria/Alemanha)
Rapsódia Fantástica (Da Xi Yang), de Zhong Kaifeng (China)
Roya, de Mahnaz Mohammadi (Irã/Luxemburgo/República Tcheca/Alemanha)
Saída de Segurança (Safe Exit), de Mohammed Hammad (Egito/Alemanha/Catar/Tunísia/Líbia)
Santo António: O Casamenteiro de Lisboa, de Ruben Alves (Portugal)
Se Eu Partir, Vão Sentir Minha Falta? (If I Go Will They Miss Me), de Walter Thompson-Hernández (EUA)
Serpente (Serpenti), de Roberto De Paolis (Itália)
Sinta-se em Casa (Enjoy Your Stay), de Dominik Locher (Suíça/França/Filipinas)
Tempos de Passagem (Transit Times), de Anna Felicia Scutelnicu (Moldávia/Romênia/Alemanha)
Um Homem Perdido (Der verlorene Mann), de Welf Reinhart (Alemanha)
Uma Família Feliz (A Happy Family), de Jan-Eric Mack (Suíça)
Vou Embora em Junho (I’ll Be Gone in June), de Katharina Rivilis (Alemanha/Suíça/EUA)

PREMIÈRE LATINA

A Ilusão de um Verão sem Fim (The Illusion of an Everlasting Summer), de Alessandra Sanguinetti (Argentina/EUA)
As Famílias de Emi (Emi), de Ezequiel Erriquez Mena (Argentina/Uruguai)
Cinzas na Boca (Ceniza en la boca), de Diego Luna (México/Espanha)
Depois de Elena (Después de Elena), de Shawn Garry (Chile/Argentina/Itália/Colômbia)
Glaxo, de Benjamín Naishtat (Argentina/Brasil)
Iluminada, de Nicolás Rincón Gille (Bélgica)
Jaripeo, de Efraín Mojica e Rebecca Zweig (México/EUA/França)
La Perra, de Dominga Sotomayor (Chile/Brasil)
Matapanki, de Diego ‘Mapache’ Fuentes (Chile)
Me Nego Completamente (Me Niego Rotundamente), de Nina Wara Carrasco Gómez (México)
Mundo Abandonado (An Abandoned World), de Miguel Zeballos (Argentina)
O Degelo (El deshielo), de Manuela Martelli (Chile/EUA/Espanha/México)
O Hangar Vermelho (Hangar Rojo), de Juan Pablo Sallato (Chile/Argentina/Itália)
O Jardim que Sonhamos (El jardín que soñamos), de Joaquín Del Paso (México)
O Jogo (El partido), de Juan Cabral e Santiago Franco (Argentina)
O Resto é Ruído (Everything Else Is Noise), de Nicolás Pereda (Alemanha/Canadá/México)
O Trem Fluvial (El tren fluvial), de Lorenzo Ferro e Lucas A. Vignale (Argentina)
Para Sempre Seu Animal Materno (Siempre soy tu animal materno), de Valentina Maurel (Costa Rica/Bélgica/França/México)
Pepita: A Pistoleira (Pepita la pistolera), de Lucia Puenzo (Argentina)
Quem Matou Narciso? (Narciso), de Marcelo Martinessi (Paraguai/Alemanha/Uruguai/Brasil/Portugal/Espanha/França)
Seis Meses no Prédio Rosa e Azul (Seis Meses en el Edificio Rosa con Azul), de Bruno Santamaría Razo (México/Brasil/Dinamarca)
Sou Mario (Soy Mario), de Sharon Kleinberg (México)
Vinchuca, de Luis Zorraquin (Argentina/Brasil)

MIDNIGHT MOVIES

A Mãe Bruxa (Motherwitch), de Minos Papas (Chipre/Macedônia do Norte/EUA)
Hope: O Primeiro Impacto, de Na Hong-jin (Coreia do Sul)
Jim Queen, de Marco Nguyen e Nicolas Athané (França/Bélgica)
Leviticus, de Adrian Chiarella (Austrália)
Mãe, Engravidei de um Alien (Mum, I’m Alien Pregnant), de Thunderlips (Nova Zelândia)
Memória sob Custódia (Arrested Memory), de Sabu (Taiwan/Japão)
Sanguínea (Sanguine), de Marion Le Coroller (França/Bélgica)
Seu Inferno Particular (Her Private Hell), de Nicolas Winding Refn (Dinamarca/Reino Unido/EUA)
Zona Zero (Gunche), de Yeon Sang-ho (Coreia do Sul)

ITINERÁRIOS ÚNICOS

Amílcar, de Miguel Eek (Portugal/França/Suécia/Cabo Verde/Espanha)
Bajañí, de Fernando Trueba (Espanha)
Barbara Forever, de Brydie O’Connor (EUA)
Discípulo: A História de Cilvaringz (The Disciple: A Wu-Tang Fable), de Joanna Natasegara (Reino Unido/Marrocos/EUA)
Douglas Gordon por Douglas Gordon (Douglas Gordon by Douglas Gordon), de Finlay Pretsell (Reino Unido/França)
Faca: Reflexões Sobre um Atentado (Knife: The Attempted Murder of Salman Rushdie), de Alex Gibney (EUA)
Gerry Adams: O Levante de Ballymurphy (Gerry Adams: A Ballymurphy Man), de Trisha Ziff (México)
Jean-Michel Basquiat (Jean-Michel), de Quinn Whitney Wilson e Viridiana Lieberman (EUA)
Making Marie Antoinette, de Eleanor Coppola (EUA/Itália)
Siri Hustvedt: Dança em Torno do Eu (Siri Hustvedt: Dance Around the Self), de Sabine Lidl (Alemanha/Suíça)
Tutu, de Sam Pollard (Reino Unido/África do Sul)

O ESTADO DAS COISAS

Bucks Harbor, de Pete Muller (EUA)
Holy Wood Dust, de Victor Kossakovsky (Itália/Alemanha/Espanha)
O que Você Ganha Ficando em Silêncio? (What Comes from Sitting in Silence?), de Sophie Schrago (França/EUA/Coreia do Sul/Suíça)
Pela Vida (For Life), de Ahmet Seven (Turquia)
Traços da Guerra (Slidy), de Alisa Kovalenko e Marysia Nikitiuk (Ucrânia/Polônia)
Uma em um Milhão (One in a Million), de Jack Macinnes e Itab Azzam (EUA/Reino Unido/Alemanha)

CLÁSSICOS & CULTS

A Bettwurst (Die Bettwurst), de Rosa von Praunheim (Alemanha) (1971)
A Piscina (La Piscine), de Jacques Deray (França/Itália) (1969)
A Rebelião (Die Rebellion), de Michael Haneke (Áustria) (1993)
A Visita da Velha Senhora (La visite de la vieille dame), de Alberto Cavalcanti (França) (1971)
Amor Bruto (Härte), de Rosa von Praunheim (Alemanha) (2015)
Ângulo Inverso (Reverse Angle: Ein Brief aus New York), de Wim Wenders (Alemanha) (1982)
Cidade das Almas Perdidas (Stadt der verlorenen Seelen), de Rosa Von Praunheim (Alemanha) (1983)
Corações Desertos (Desert Hearts), de Donna Deitch (EUA) (1985)
Lêmingues, parte I: Arcádia (Arkadien), de Michael Haneke (Áustria/Alemanha) (1979)
Lêmingues, parte II: Feridas (Verletzungen), Michael Haneke (Áustria/Alemanha) (1979)
Minhas Mães: Em Busca de rastros em riga (Meine Mütter: Spurensuche in Riga), de Rosa von Praunheim (Alemanha) (2007)
Não é o Homossexual que é Perverso, Mas a Situação em que Ele Vive (Nicht der Homosexuelle ist pervers, sondern die Situation, in der er lebt), de Rosa Von Praunheim (Alemanha) (1971)
O Einstein do Sexo (Der Einstein des Sex), de Rosa von Praunheim (Alemanha/Países Baixos) (1999)
O Mesmo Jogador Atira Novamente (Same Player Shoots Again), de Wim Wenders (Alemanha) (1967)
Quarto 666 (Chambre 666), de Wim Wenders (França/Alemanha) (1982)
Silver City Revisitada (Silver City Revisited), de Wim Wenders (Alemanha) (1968)
Sobrevivendo em Nova York (Überleben in New York), de Rosa von Praunheim (Alemanha) (1989)
Três Caminhos para o Lago (Drei Wege zum See), de Michael Haneke (Áustria/Alemanha) (1976)

*Clique aqui e conheça os filmes brasileiros selecionados para a Première Brasil

Fotos: Gerald Kerkletz/Nicola Dove/Divulgação.

Festival de Cinema de Toronto 2026: conheça os vencedores

por: Cinevitor
Penélope Cruz em A Bola Preta: filme premiado

Foram anunciados neste domingo, 20/09, os vencedores da 51ª edição do Festival Internacional de Cinema de Toronto. Conhecido como um termômetro para o Oscar, o evento, um dos mais importantes do mundo, entrega o prêmio de melhor filme para o longa mais votado pelo público. Neste ano, o drama espanhol A Bola Preta (La Bola Negra), de Javier Calvo e Javier Ambrossi, se consagrou como o grande campeão.

Inspirado na obra inacabada homônima de Federico García Lorca e na peça La piedra oscura, de Alberto Conejero, o longa é uma epopeia emocionante que cruza as trajetórias de três homens gays em três épocas marcantes da história espanhola: 1932, 1937 e 2017. As narrativas conectam-se de forma profunda e visceral através de temas como desejo, dor, memória, identidade e legado social. A obra estreia em circuito comercial no Brasil em janeiro de 2027; antes disso, será o filme de abertura do Festival do Rio. 

Filmado em película 35mm, o projeto conta com um elenco de peso encabeçado pelo músico e ator Guitarricadelafuente, Miguel Bernardeau, Carlos González e Milo Quifes, além das participações especiais de Penélope Cruz e Glenn Close, e de nomes como Lola Dueñas, Antonio de la Torre e Natalia de Molina.

Produzido pela Netflix e com distribuição no Brasil pela Paris Filmes, o filme se destaca por sua vitoriosa passagem pelo Festival de Cannes, onde conquistou o prêmio de melhor direção para a dupla de cineastas. Selecionado também para importantes mostras internacionais, como San Sebastián e Sydney, a obra vem sendo apontada pela crítica mundial como um dos momentos mais potentes do cinema contemporâneo neste ano. 

Neste ano, nomes importantes foram homenageados no 51º Festival de Toronto: a atriz espanhola Penélope Cruz recebeu o TIFF Special Tribute Award; o cineasta e roteirista sul-coreano Lee Chang-dong foi honrado com o TIFF Tribute Ebert Director Award; a atriz inglesa Rosalind Eleazar e a consagrada atriz francesa Isabelle Huppert foram homenageadas com o TIFF Tribute Performer Award; a cineasta Siân Heder recebeu o TIFF Tribute Award in Impact Media; o diretor americano-paquistanês Bassam Tariq foi honrado com o TIFF Tribute Rising Talent Award; o diretor de fotografia polonês Adam Pietkiewicz recebeu o TIFF Tribute Variety Artisan Award; a consagrada atriz britânica Helen Mirren foi homenageada com o TIFF Tribute Share Her Journey Groundbreaker Award; o ator e comediante Seth Rogen recebeu o TIFF Tribute Norman Jewison Career Achievement Award; e a atriz chinesa Fan Bingbing foi honrada com o TIFF Special Tribute Award. 

Entre os filmes desta edição, o Brasil marcou presença com alguns títulos, entre eles: Vicentina Pede Desculpas, novo filme do cineasta mineiro Gabriel Martins, protagonizado por Rejane Faria, que foi exibido na mostra competitiva Platform, mas, infelizmente não foi premiado. E mais: a crítica brasileira Enoe Lopes Pontes integrou o júri do Prêmio FIPRESCI, realizado pela Federação Internacional de Críticos de Cinema. 

Vale destacar que, em um marco importante para a mostra Platform, o filme vencedor, que não seja falado em inglês, terá um caminho direto para a disputa de melhor filme internacional na 99ª edição do Oscar, tornando o TIFF um dos seis festivais de cinema internacionais com essa qualificação em todo o mundo, segundo as novas regras da Academy of Motion Picture Arts and Sciences. O premiado neste ano foi o indiano Angh, de Theja Rio, que já está garantido para disputar uma vaga na categoria. 

Confira a lista completa com os filmes premiados no Festival de Toronto 2026:

MELHOR FILME | People’s Choice Awards
A Bola Preta (La Bola Negra), de Javier Calvo e Javier Ambrossi (Espanha/França)
2º lugar: Eu Sou o Rocky (I Play Rocky), de Peter Farrelly (EUA)
3º lugar: A Arte de Ser Heumann (Being Heumann), de Siân Heder (EUA)

MELHOR FILME | International People’s Choice Awards
Elsinore, de Simon Stone (Reino Unido)
2º lugar: Possible Love (가능한 사랑), de Lee Chang-dong (Coreia do Sul)
3º lugar: The Assassin(s) (암살자(들), de Hur Jin-ho (Coreia do Sul)

MELHOR DOCUMENTÁRIO | People’s Choice Documentary Award
Darlene Love: I Know Where I’ve Been, de Barry Avrich (Canadá)
2º lugar: Black Sunflowers (чорні соняшники), de James Marcus Haney (Ucrânia/EUA)
3º lugar: The Ultra Runner, de Mila Aung-Thwin (Canadá)

PRÊMIO MOSTRA MIDNIGHT MADNESS | People’s Choice Awards
Ladies and Gentlemen, Brian Mulroney, de Matthew Rankin (Canadá)
2º lugar: The Spiral (L’Estranea), de Paolo Strippoli (Itália/França/Bélgica)
3º lugar: Arrested Memory, de SABU (Taiwan/Japão)

PRÊMIO MOSTRA PLATFORM
Júri: Pablo Trapero, Amma Asante, Sylvia Chang, Luc Déry e Albert Lee
Melhor Filme: Angh, de Theja Rio (Índia)
Menção Especial: Garrat du Váimmu (Brace Your Heart), de Amanda Kernell (Suécia/Noruega/Dinamarca/Islândia/Bulgária)

FILMES CANADENSES
Júri: Hubert Davis, Deepa Mehta e Christina Rogers
Melhor Filme Canadense: Sunburn, de Serville Poblete (Canadá)
Menção Honrosa: Man in Motion: The Rick Hansen Story, de Adrian Buitenhuis (Canadá)

FILMES CANADENSES | PRÊMIO DISCOVERY
Júri: Justine Pimlott, Zarrar Kahn e Sophy Romvari
Smudge the Blades, de Cody Lightning (Canadá)
Menção Honrosa: The Black Box is Orange, de Yuula Benivolski (Canadá)

CURTA-METRAGEM | COMPETIÇÃO
Júri: Joecar Hanna, Chris Lavis e Iris Ng
Melhor Filme Internacional: Mammalia, de Elia Kalogianni (Grécia/Países Baixos)
Menção Honrosa | Filme Internacional: The Spectacular Death of Prisca, de Kaelo Iyizoba (Nigéria)
Melhor Filme Canadense: Fight Kid, de Michael Del Monte (Canadá)
Menção Honrosa | Filme Canadense: Almost Pink (Presque rose), de Justine Prince (Canadá)
Melhor Animação: Into The Betaverse, de Varun Raman e Tom Hancock (Reino Unido)
Menção Honrosa | Animação: Terminal, de Alexandre Siqueira (Portugal/Espanha/França)

PRÊMIO FIPRESCI
Júri: Pragya Mishra, Cătălin Olaru, Savina Petkova, Enoe Lopes Pontes e Victor Stiff
Ancestors, de David Turpin (Irlanda/Reino Unido)

PRÊMIO NETPAC
Júri: Mara Matta, Richard Fung e Panagiotis Kotzathanasis
Thirteen in Gaza (غزة 13), de Hosam Abu Dan (Palestina)

*Clique aqui e confira a lista com as justificativas dos júris

Foto: Carla Oset/Netflix.

59º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro: conheça os vencedores

por: Cinevitor
Se Eu Fosse Vivo…Vivia, de André Novais Oliveira: filme premiado

Foram anunciados neste sábado, 19/09, no Cine Brasília, em cerimônia apresentada por Barbara Colen e Simone Zuccolotto, os vencedores da 59ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. O evento reuniu um público de 34.810 mil pessoas em todas as suas atividades.

Em 2026, a programação contou com 71 filmes e a série inédita Delegado, de Leonardo Lacca e Marcelo Lordello. A seleção oficial foi realizada a partir de um total de quase 2 mil produções inscritas; recorde na história do festival. O 59º Festival de Brasília encerra o ciclo de uma política de continuidade de três anos consecutivos; o evento foi realizadas no Cine Brasília, Hotel Ramada, Complexo Cultural de Planaltina, Complexo Cultural de Samambaia, Universidade Católica de Brasília (Taguatinga), no Jovem de Expressão (Ceilândia) e no Centro Universitário Iesb (Asa Sul).

O festival gerou 360 empregos diretos e 800 empregos indiretos. Para o próximo ano, o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro já conta com o patrocínio e apresentação da Petrobras, por meio de lei de incentivo federal.

Ao longo da programação, o festival homenageou três nomes essenciais da história do cinema brasileiro: a atriz Julia Lemmertz recebeu o Troféu Candango de Conjunto da Obra na abertura do evento; a cineasta Tata Amaral foi celebrada com o Prêmio Leila Diniz, concedido a mulheres que abriram caminhos no cinema nacional; e a museóloga e conservadora audiovisual Fernanda Coelho recebeu a Medalha Paulo Emílio Sales Gomes por sua contribuição à preservação da memória e ao ensino do cinema no Brasil.

Mais tradicional e longeva mostra cinematográfica do país, o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro 2026 premiou com o Troféu Candango na Mostra Competitiva Nacional como melhor longa-metragem, pelo Júri Oficial, o mineiro Se Eu Fosse Vivo… Vivia, de André Novais Oliveira. Este é o quarto longa que o diretor mineiro estreou no Festival de Brasília; e o segundo premiado como melhor filme, após Temporada, em 2018. Neste ano, ainda levou os prêmios de melhor roteiro (repetindo a proeza de 2023, quando foi premiado por O Dia que Te Conheci) e melhor figurino. 

O júri ainda estendeu uma Menção Honrosa aos protagonistas, Conceição Evaristo e Norberto Novais Oliveira, que foi ovacionado ao subir ao palco para receber o prêmio, acompanhado de Thainá Evaristo. No discurso, chamou Conceição no viva-voz de seu telefone, por onde agradeceu o prêmio e foi igualmente ovacionada pela plateia. O melhor longa também leva o Prêmio Like, de R$ 50 mil em apoio de mídia.

Pequenas Tragédias, dirigido por Daniel Nolasco, foi o grande vencedor técnico da noite, arrematando os troféus de melhor direção, montagem, trilha sonora, ator e atriz coadjuvante, além do Prêmio Abraccine de melhor longa-metragem. Já o público preferiu Tudo é Tempo, documentário de Marcos Guttmann, eleito pelo Júri Popular como o melhor longa-metragem da Competitiva Nacional. O filme também recebeu o Prêmio Especial do Júri e o Troféu Saruê, concedido pela equipe do jornal Correio Braziliense; a obra também recebe um prêmio no valor de R$ 30 mil concedido pela Petrobras ao melhor longa eleito pelo Júri Popular.

Martha Nowill: melhor atriz pelo longa Privadas de Suas Vidas

Ana, En Passant, animação mineira dirigida por Fernanda Salgado, venceu o Prêmio Zózimo Bulbul de melhor longa-metragem, concedido pela APAN, Associação dos Profissionais do Audiovisual Negro e pelo Centro Afro Carioca de Cinema. Entre os curtas, o potiguar Mariposa, de Alexandre Américo e Pedro Vitor, saiu vitorioso. O Prêmio Marco Antônio Guimarães, do Centro de Pesquisadores do Cinema Brasileiro, foi concedido a Fernando Coni Campos: Cada Um Vive Como Sonha, de Luis Abramo e Pedro Rossi.

Entre os curtas-metragens da Competitiva Nacional, o grande vencedor pelo Júri Oficial foi Cana, de Daniel Rone e Guilherme Xavier Ribeiro, que também levou os prêmios de melhor trilha sonora, ator, Prêmio Abraccine e o Prêmio Canal Brasil. Fundura, de Catapreta, arrematou os troféus de melhor direção, edição de som e direção de arte. Gastronomia do Olho, de Nicolau, venceu como melhor fotografia e melhor roteiro. O alagoano Futuro Decadance, de Leviathan, levou os prêmios de melhor montagem, figurino e atriz. O curta Tiró e a Onça, de Wera Poty, levou o Prêmio de Melhor Filme de Temática Afirmativa, conferido pelo Codipir, Conselho Distrital de Políticas de Igualdade Racial, que também oferece ao filme o valor de R$ 10 mil em parceria com a Aicon.

A Mostra Brasília – 28º Troféu Câmara Legislativa do Distrito Federal, que distribuiu R$ 298 mil em prêmios oferecidos pela CLDF, teve como o grande vencedor Onde Moram os Irmãos, de Marisa Mendonça, eleito o melhor longa-metragem tanto pelo Júri Oficial como pelo Júri Popular. Entre os curtas, Dora, de Murilo Abreu, levou os troféus de melhor filme com Micheli Santini também premiada como melhor atriz pela mesma obra. O Júri Popular votou no curta Hacker Leonilia, de Gustavo Fontele.

Julgados por um júri internacional, em parceria com a Fipresci, Federação Internacional de Críticos de Cinema, o Troféu Candango de melhor filme da Mostra Caleidoscópio foi para Os Fantasmas Gentis, de Caetano Gotardo. O Júri Jovem da UnB escolheu como seu favorito, agraciado com o Prêmio Jean-Claude Bernardet, Mulheres do Bando, de Thamires Vieira.

O júri deste ano foi formado por: Débora Butruce, Daniel Bandeira, Jom Tob Azulay, Karen Akerman e Simone Spoladore na Mostra Competitiva Nacional de Longas; Noá Bonoba, Marina Person, Monique Sobral de Boutteville, Viviane Pistache e Tiago Aragão na Mostra Competitiva Nacional de Curtas; Fabricio Duque, Lila Foster e Santiago Dellape na Mostra Brasília; Maja Korbecka, Héctor Llanos Martínez e Helvecio Parente no Júri Fispresci da Mostra Caleidoscópio; Iara Sousa, Letícia Negreiros, Maria Luiza Rocha, Neurillan e Vitor Pontes no Júri Jovem UnB, que foi coordenado por Mariana Souto e Pablo Gonçalo; e Elaine do Carmo, Marisa Arraes e Naymare Santos de Azevedo no Prêmio Zózimo Bulbul.  

Os longas-metragens vencedores das mostras competitivas (Brasília, Nacional e Caleidoscópio) serão reprisados na programação do Cine Brasília para criar uma nova oportunidade ao público. Neste domingo, 21/09, às 18h, será exibido Onde Moram os Irmãos, eleito o melhor filme pelo Júri Popular e pelo Júri Oficial da Mostra Brasília. Às 20h, será a vez de Tudo é Tempo, eleito pelo Júri Popular da Mostra Competitiva Nacional. Na segunda, 22/09, às 18h, o público assistirá ao filme eleito pelo Júri da Crítica Internacional, Os Fantasmas Gentis. Na sessão das 20h, o público poderá rever o melhor filme em longa-metragem pelo Júri Oficial da Mostra Competitiva Nacional, Se Eu Fosse Vivo… Vivia. 

Conheça os vencedores do 59º Festival de Brasília:

MOSTRA COMPETITIVA NACIONAL | LONGAS-METRAGENS

MELHOR FILME | JÚRI OFICIAL
Se Eu Fosse Vivo…Vivia, de André Novais Oliveira (MG)

MELHOR FILME | JÚRI POPULAR
Tudo é Tempo, de Marcos Guttmann (RJ)

PRÊMIO ESPECIAL DO JÚRI
Tudo é Tempo, de Marcos Guttmann (RJ)

MELHOR DIREÇÃO
Daniel Nolasco, por Pequenas Tragédias

MELHOR ATRIZ
Martha Nowill, por Privadas de Suas Vidas

MELHOR ATOR
Guilherme Théo, por Pequenas Tragédias

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Aivan, por Pequenas Tragédias
Olivia Torres, por Privadas de Suas Vidas

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Lucas Leto, por Todo o Sentimento

MELHOR ROTEIRO
Se Eu Fosse Vivo…Vivia, escrito por André Novais Oliveira

MELHOR FOTOGRAFIA
Sabes de Mim, Agora Esqueça, por Victor de Melo

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE
Privadas de Suas Vidas, por Juliana Lobo

MELHOR FIGURINO
Se Eu Fosse Vivo…Vivia, por Diana Moreira

MELHOR TRILHA SONORA
Pequenas Tragédias, por Daniel Nolasco

MELHOR EDIÇÃO DE SOM
Sabes de Mim, Agora Esqueça, por Lucas Coelho

MELHOR MONTAGEM
Pequenas Tragédias, por Luciano Carneiro

MENÇÃO HONROSA
Conceição Evaristo e Norberto Novais Oliveira, por Se Eu Fosse Vivo…Vivia

MOSTRA COMPETITIVA NACIONAL | CURTAS-METRAGENS

MELHOR FILME | JÚRI OFICIAL
Cana, de Daniel Rone e Guilherme Xavier Ribeiro (SP)

MELHOR FILME | JÚRI POPULAR
Lagoa do Abandono, de Diego Maia (CE)

MELHOR DIREÇÃO
Catapreta, por Fundura

MELHOR ATRIZ
Leviathan, por Futuro Decadance

MELHOR ATOR
Gerin Black, por Cana

MELHOR ROTEIRO
Gastronomia do Olho, escrito por Nicolau

MELHOR FOTOGRAFIA
Gastronomia do Olho, por Gabriel Lucena

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE
Fundura, por Catapreta

MELHOR FIGURINO
Futuro Decadance, de Leviathan

MELHOR MONTAGEM
Futuro Decadance, por Leviathan

MELHOR TRILHA SONORA
Cana, por Daniel Rone e Guilherme Xavier Ribeiro

MELHOR EDIÇÃO DE SOM
Fundura, por Daniel Nunes

MENÇÃO HONROSA
Mariposa, de Alexandre Américo e Pedro Vitor (RN)

MOSTRA CALEIDOSCÓPIO

MELHOR FILME | PRÊMIO FIPRESCI
Os Fantasmas Gentis, de Caetano Gotardo (SP)

MELHOR FILME | JÚRI JOVEM UnB | Prêmio Jean-Claude Bernardet
Mulheres do Bando, de Thamires Vieira (BA)

MOSTRA BRASÍLIA | 28º Troféu Câmara Legislativa 

MELHOR LONGA-METRAGEM | JÚRI OFICIAL
Onde Moram os Irmãos, de Marisa Mendonça

MELHOR LONGA-METRAGEM | JÚRI POPULAR
Onde Moram os Irmãos, de Marisa Mendonça

MELHOR CURTA-METRAGEM | JÚRI OFICIAL
Dora, de Murilo Abreu

MELHOR CURTA-METRAGEM | JÚRI POPULAR
Hacker Leonilia, de Gustavo Fontele

MELHOR DIREÇÃO
Rafael Lobo, por Mapas

MELHOR ATRIZ
Micheli Santini, por Dora

MELHOR ATOR
Lupe Leal, por Impostor

MELHOR ROTEIRO
Madre, escrito por Talita Carvalho

MELHOR FOTOGRAFIA
Ar-Dor, por Petrônio Neto e Nicolau

MELHOR MONTAGEM
A Arte Perdida da Lombada, por Arthur Gonzaga

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE
Mapas, por Lucas Gehre e Nadine Diel

MELHOR EDIÇÃO DE SOM
Ar-Dor, por Bernardo Paixão

MELHOR TRILHA SONORA
Nem Todos Sabem, por João Tomé

OUTROS PRÊMIOS

MELHOR FILME DE TEMÁTICA AFIRMATIVA | Prêmio Codipir
Tiró e a Onça, de Wera Poty (SP)

PRÊMIO ZÓZIMO BULBUL
Melhor curta-metragem: Mariposa, de Alexandre Américo e Pedro Vitor (RN)
Melhor longa-metragem: Ana, En Passant, de Fernanda Salgado (MG)

PRÊMIO MARCO ANTÔNIO GUIMARÃES | Centro de Pesquisadores do Cinema Brasileiro
Fernando Coni Campos: Cada um Vive como Sonha, de Luis Abramo e Pedro Rossi (RJ)

PRÊMIO ABRACCINE | Associação Brasileira de Críticos de Cinema
Melhor longa-metragem: Pequenas Tragédias, de Daniel Nolasco (GO)
Melhor curta-metragem: Cana, de Daniel Rone e Guilherme Xavier Ribeiro (SP)

PRÊMIO CANAL BRASIL DE CURTAS
Cana, de Daniel Rone e Guilherme Xavier Ribeiro (SP)

TROFÉU SARUÊ | Correio Braziliense
Tudo é Tempo, de Marcos Guttmann (RJ)

Fotos: Bernardo Fernandes.

Prêmio Goya 2027: Vicentina Pede Desculpas, de Gabriel Martins, será o representante brasileiro no Oscar espanhol

por: Cinevitor
Rejane Faria em Vicentina Pede Desculpas: representante brasileiro

A Academia Brasileira de Cinema anunciou nesta quinta-feira, 17/09, o filme selecionado para representar o Brasil na 41ª edição do Prêmio Goya, ou Premios Goya no original, realizado pela Academia das Artes e Ciências Cinematográficas da Espanha, conhecido como o Oscar espanhol.

Escolhido pela Comissão de Seleção, em reunião virtual, o longa mineiro Vicentina Pede Desculpas, dirigido por Gabriel Martins, vai disputar uma indicação na categoria de melhor filme ibero-americano. A premiação acontecerá no dia 28 de fevereiro de 2027, na Espanha. 

Presidida por Clélia Bessa, a Comissão de Seleção deste ano foi composta por: André Pellenz, Bárbara Cariry, Deborah Osborn, Guilherme Coelho, João Vieira Jr., Juliana Vicente, Lô Politi, Kátia Adler, Maria Gal, Plínio Profeta, Rodrigo Saturnino, Suzana Pires, Tatiana Carvalho Costa e Walter Lima Junior. 

Selecionado para a mostra competitiva Platform do Festival de Toronto e também na disputa pela Concha de Ouro no Festival de San Sebastián, Vicentina Pede Desculpas é protagonizado por Rejane Faria. A obra, fruto de uma parceria entre a produtora Filmes de Plástico e a Netflix, reafirma o talento brasileiro no cenário internacional de histórias profundas e emocionantes.

Na trama, Vicentina precisa lidar com a tragédia que se segue à morte de seu filho, Wesley, em um acidente de ônibus do qual ele era o motorista. À medida que a investigação se desenrola, evidências sugerem que a ação de Wesley poderia ter sido proposital. Vicentina, então, embarca em uma jornada corajosa para encontrar as famílias das vítimas e pedir desculpas, enquanto é forçada a confrontar o próprio luto e suas maiores incertezas.

Com o selo de qualidade da Filmes de Plástico, produtora que vem revolucionando o audiovisual brasileiro contemporâneo, o elenco do longa conta também com: Flavio Bauraqui, Giovanna Heliodoro, Giovanni Venturini, Carlos Francisco, Grace Passô, Karine Teles, Barbara Colen, Maíra Azevedo, Renato Novaes, Thalma de Freitas, Marisa Revert, Fernanda Vianna, Clébia Sousa, Fábio Leal, Docy Moreira e Miguelzinho do Cavaco.

Com história original de Gabriel Martins, a produção é de Thiago Macêdo Correia. A direção de fotografia é assinada por Leonardo Feliciano, a trilha sonora é de Tiganá Santana e o design de produção de Rimenna Procópio; Diana Moreira assina o figurino. A edição é de Gabriel Martins e Thiago Ricarte; o som é assinado por Tiago Bello (edição e mixagem) e Gustavo Fioravante (gravação). Os efeitos especiais são de Rodrigo Jinks, Marcelo Cabral, Cajamanga e Quanta.

Vale destacar que na última edição do Goya, o Brasil foi representado por Manas, de Marianna Brennand. Em 2025, Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, foi o primeiro filme brasileiro a vencer a tradicional premiação espanhola.

Foto: Denise dos Santos/Netflix.

Oscar 2027: Feito Pipa, de Allan Deberton, é escolhido para representar o Brasil 

por: Cinevitor
Yuri Gomes e Teca Pereira em Feito Pipa: em busca da estatueta dourada

A Academia Brasileira de Cinema anunciou na manhã desta quarta-feira, 16/09, o filme selecionado para representar o Brasil na disputa por uma vaga no Oscar 2027. 

Escolhido pela Comissão de Seleção, em reunião virtual, o longa cearense Feito Pipa, dirigido por Allan Deberton, vai disputar uma indicação na categoria de melhor filme internacional na 99ª edição do Oscar, premiação anual promovida pela AMPAS, Academy of Motion Picture Arts and Sciences, que acontecerá no dia 14 de março de 2027, em Los Angeles. 

Presidida por Clélia Bessa, a Comissão de Seleção deste ano foi composta por: André Pellenz, Bárbara Cariry, Deborah Osborn, Guilherme Coelho, João Vieira Jr., Juliana Vicente, Lô Politi, Kátia Adler, Maria Gal, Plínio Profeta, Rodrigo Saturnino, Suzana Pires, Tatiana Carvalho Costa e Walter Lima Junior. 

“O filme Feito Pipa, de Allan Deberton, tem uma narrativa sensível que comunica universalmente e, ao mesmo tempo, traz uma forte identidade brasileira a partir de uma cidade do interior do Ceará. É sobre a família, a cumplicidade entre avó e neto,  infância, finitude e já foi premiado em festivais internacionais importantes”, disse Clélia Bessa, presidente da Comissão de Seleção.

Vencedor de cinco prêmios no Festival de Cinema de Gramado deste ano, entre eles, melhor filme pelo Júri Popular e melhor atriz para Teca Pereira, Feito Pipa também foi consagrado no Festival de Berlim na mostra Generation Kplus, na qual recebeu o Urso de Cristal de melhor filme segundo o Júri Infantil e também o prêmio de melhor filme segundo o Júri Internacional da Berlinale Generation. Além disso, foi premiado no Festival Internacional de Cine de Cartagena de Indias e no Festival Internacional de Cine en Guadalajara. 

Com Yuri Gomes, Teca Pereira e Lázaro Ramos no elenco, o longa acompanha a história de Gugu, um menino de quase 12 anos que sonha em se tornar jogador de futebol e vive com a avó Dilma, uma professora aposentada que o cria de forma livre e afetuosa. Quando a avó fica frágil, Gugu tenta esconder essa situação a qualquer custo, com medo de ser separado dela e ser obrigado a morar com o pai, que não o aceita como ele é. 

Com roteiro de André Araújo e rodado em Quixadá e cidades vizinhas do interior do Ceará, o filme se passa às margens da barragem de Araújo Lima, onde após anos de seca revela uma antiga cidade submersa em ruínas. O longa conta ainda com Carlos Francisco, Georgina Castro, Luan Vasconcelos, Beatriz Carwile, Nathyel Martins, Manuela Paulino, Pablo Vinícios e Enzo Uejo no elenco. 

A produção é assinada pela Deberton Filmes, produtora cearense liderada por Allan Deberton e pelo produtor Marcelo Pinheiro. A empresa divide a produção do filme com a Biônica Filmes, desde o desenvolvimento do projeto em uma parceria onde somam forças artísticas e executivas. O filme tem produção associada da Mistika, patrocínio do Nubank e apoio do Projeto Paradiso através da Incubadora Paradiso. Em coprodução com a Warner Bros., a distribuição no Brasil é da Paris Filmes.

Feito Pipa, que estreia no dia 5 de novembro, disputava a vaga com outros cinco títulos: 100 Dias, de Carlos Saldanha; A Fabulosa Máquina do Tempo, de Eliza Capai; A Natureza das Coisas Invisíveis, de Rafaela Camelo; Nosso Segredo, de Grace Passô; e Vicentina Pede Desculpas, de Gabriel Martins. 

Vale destacar que na última edição do prêmio da Academia, o Brasil se destacou com O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, que foi indicado em quatro categorias. Em 2025, Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, levou o primeiro Oscar para o país.

A Academia Brasileira de Cinema é a única entidade responsável pela seleção do filme brasileiro que irá concorrer a uma vaga entre os indicados ao prêmio de melhor longa-metragem internacional no Oscar, sem qualquer tutela do governo que esteja no poder.

Foto: Jamille Queiroz.

20ª CineBH anuncia seleção com 102 produções nacionais e internacionais

por: Cinevitor
Aysha Layon em Sabes de Mim, Agora Esqueça, de Denise Vieira

A CineBH – Mostra Internacional de Cinema de Belo Horizonte celebra 20 edições em 2026 e será realizada entre os dias 22 e 27 de setembro na capital mineira. São duas décadas de atividades dedicadas a pensar o cinema brasileiro nas suas relações com o mercado, a coprodução e as parcerias internacionais.

Com programação sempre inteiramente gratuita, o evento reúne filmes brasileiros e estrangeiros, com foco no cinema latino-americano, com pré-estreias, sessões comentadas, debates, atividades formativas e ações de mercado em diferentes espaços de Belo Horizonte, em Minas Gerais.

Nesta 20ª edição, serão exibidos 102 filmes, sendo 49 longas e 53 curtas-metragens, distribuídos em 69 sessões. A seleção reúne produções brasileiras de 18 estados, além de filmes e coproduções de oito países. Os títulos integram as mostras Horizonte, Território, Vertentes, Praça, CineMundi, Homenagem + Diálogos Históricos, A Cidade em Movimento, Curtas Contemporâneos, Retrospectiva 20 Anos, Olhares das Argentinas, Mostrinha e Cine-Expressão: A Escola vai ao Cinema, além das sessões de abertura, Clássica e Família, do Cine-Concerto Central do Brasil e da programação on-line. As atividades ocupam oito espaços da capital mineira.

Integrado à programação da CineBH, acontece também o 17º Brasil CineMundi – Encontro Internacional de Coprodução, o evento de mercado do cinema brasileiro, que amplia a conexão entre a produção brasileira e profissionais e instituições da indústria audiovisual internacional.

A abertura da CineBH 2026 acontecerá no Grande Teatro do Cine Theatro Brasil com a pré-estreia nacional de Se Eu Fosse Vivo… Vivia, novo longa-metragem do cineasta mineiro André Novais Oliveira, produzido pela Filmes de Plástico. A cerimônia também prestará homenagens à cineasta paraguaia Paz Encina e à escritora e atriz Conceição Evaristo, que estarão em Belo Horizonte para receber o Troféu Horizonte. Paz Encina terá sua trajetória celebrada na Mostra Homenagem e Diálogos Históricos e ministrará uma masterclass; Conceição Evaristo, por sua vez, participará da sessão de abertura e faz sua estreia como atriz no filme de André Novais Oliveira.

A pergunta Cinema Latino-Americano: O que será? orienta as reflexões da 20ª CineBH, sendo este ano a temática central. A ideia da proposta curatorial parte de incertezas políticas, sociais e econômicas que atravessam a América Latina em 2026 e de como mudanças de governo, redução de investimentos públicos, fragilização de políticas culturais e disputas em torno da regulação interferem nas condições de produção e circulação dos cinemas do continente: “As escolhas cinematográficas tendem a também ser, em alguma medida, afetadas e estimuladas por essas conjunturas, sem necessariamente serem reflexos e representações diretas delas”, afirma Cléber Eduardo, coordenador curatorial da CineBH.

Trajeto do Desmoronamento: curta potiguar dirigido por Helena Antunes

O título da temática recupera a canção O que será?, de Chico Buarque, lançada em 1976 e incorporada à trilha sonora de Dona Flor e Seus Dois Maridos, de Bruno Barreto. Exatamente 50 anos depois, o filme ganha sessão especial na CineBH, criando assim uma ponte entre dois períodos separados por meio século. Se em 1976 boa parte da América Latina vivia sob regimes militares e ainda havia uma compreensão mais unitária do chamado Nuevo Cine Latino-Americano, em 2026 a produção do continente se apresenta de maneira mais fragmentada e heterogênea: “O cinema latino-americano com o qual tomamos contato na seleção e na programação da CineBH em 2025 e em 2026 é composto de muitos cinemas diferentes e distintos. É justamente essa variedade de difícil síntese que compõe um universo latino-americano de filmes e sociedades. Não existe pureza possível, apenas misturas em conflitos”, afirma Cléber.

A relação entre memória, história, território e permanência que atravessa a temática encontra um ponto de convergência na obra de Paz Encina, homenageada desta edição da CineBH. Nascida em Assunção e formada em direção cinematográfica pela Universidad del Cine de Buenos Aires, a realizadora construiu nas últimas duas décadas uma filmografia ligada à história e às memórias do Paraguai. Reconhecida internacionalmente desde 2006, Encina se consolidou como uma das cineastas centrais da produção latino-americana contemporânea, ao lado da argentina Lucrecia Martel, e desenvolveu um trabalho em que imagem, som, ausência e memória estabelecem relações particulares com os processos históricos de seu país.

Seu primeiro longa, Hamaca Paraguaya, completa 20 anos em 2026. O filme estreou na mostra Un Certain Regard do Festival de Cannes e recebeu o Prêmio FIPRESCI. Falado em guarani e centrado num casal de camponeses idosos à espera do retorno do filho da Guerra do Chaco, tornou-se também um marco para o cinema paraguaio ao ser o primeiro longa realizado no país desde 1978. A CineBH exibirá o filme na Mostra Diálogos Históricos, junto a Ejercicios de Memoria (2016), construído a partir das lembranças dos filhos do opositor da ditadura de Alfredo Stroessner, Agustín Goiburú; e Carta a un Viejo Master (2024), coprodução com o Brasil na qual Encina estabelece uma carta cinematográfica endereçada a Eduardo Coutinho. As três sessões terão bate-papos com a diretora.

A 20ª CineBH também homenageia Conceição Evaristo, uma das mais importantes escritoras brasileiras contemporâneas, cuja obra é marcada pela escrevivência e pela presença das experiências de mulheres negras na literatura. Mineira de Belo Horizonte, autora de livros como Ponciá Vicêncio, Becos da Memória e Olhos d’Água, Conceição faz sua estreia como atriz de cinema em Se Eu Fosse Vivo… Vivia, filme de abertura dirigido por André Novais Oliveira. A homenagem reconhece sua trajetória e a força de uma obra que atravessa a literatura, a educação e a cultura brasileira, e celebra sua chegada às telas na edição de 20 anos da Mostra.

Sobre a seleção de filmes, vale destacar que a diversidade se manifesta diretamente nas mostras Horizonte e Território, que formam os dois recortes competitivos latino-americanos da edição. Novidade este ano, a Horizonte é dedicada exclusivamente a primeiros longas-metragens ou estreias de realizadores na direção de longas e coloca em discussão as condições enfrentadas por quem inicia uma filmografia no continente. Segundo a curadoria, esse conjunto mostra a variedade de formas cinematográficas e os deslocamentos geográficos de uma geração de realizadores, incluindo cineastas que trabalham fora de seus países de origem.

Na MOSTRA HORIZONTE, os filmes são:

Cuba y la Noche, de Sergio Fernandez Borrás (Cuba/Espanha)
El Sonido Es el Cuerpo, de Diego Andrés Murillo (Colômbia)
Jankee, de Yamel Thompson (México/Argentina)
Los Nadadores, de Sol Iglesias SK (Argentina/México/EUA)
Sabes de Mim, Agora Esqueça, de Denise Vieira (Brasil)
Si Vas Para Chile, de Amilcar Infante e Sebastián González Méndez (Chile)

Já a Mostra Território, seção competitiva na CineBH desde 2023, passa por reformulação: deixa de limitar a participação a cineastas com até três longas e passa a receber realizadores em diferentes momentos de suas trajetórias. O princípio territorial permanece compreendido em dimensões geográficas, culturais e subjetivas. Desertos, espaços rurais, bairros, corpos, arquivos e diferentes formas de pertencimento atravessam a seleção, com procedimentos documentais, ensaísticos e performáticos. A curadoria das mostras Horizonte e Território ficou a cargo de Cléber Eduardo, Ester Marçal Fér, Leonardo Amaral, Mariana Queen Nwabasili e Gustavo Maan.

Na MOSTRA TERRITÓRIO, os filmes são:

Calle Cuba, de Vanessa Batista (Cuba)
Deserto Vértigo, de Rocío Barbenza (Argentina)
La Vida que Vendrá, de Karin Cuyul (Chile)
Nuestro Cuerpo Es una Estrella que se Expande, de Semillites Hernández Velasco e Tania Hernández Velasco (México)
Pukem Swa, de Samuel Moreno Alvarez (Colômbia)
Telúrica, a Íntima Utopia, de Mariana Lacerda (Brasil)

A programação segue com a Mostra Vertentes, na qual filmes brasileiros contemporâneos de grande repercussão terão pré-estreia nacional e bate-papos após cada sessão. Entre eles, títulos que vêm chamando atenção em circuitos e premiações. A curadoria foi feita por Marcelo Miranda e Rubens Anzolin.

Na MOSTRA VERTENTES, os filmes são:

Adulto/Homem, de Pedro Diógenes (CE)
Entre o Sucesso e a Lama, de Cristiano Burlan (SP)
Fiz um Foguete Imaginando que Você Vinha, de Janaína Marques (CE)
Leite em Pó, de Carlos Segundo (MG/SP/RN)
O Filho da Puta, de Otto Guerra, Tanya Anaya, Sávio Leite e Érica Maradona (RS/MG)
Pele de Rinoceronte, de Marcello Ludwig Maia (RJ)
Pequenas Tragédias, de Daniel Nolasco (GO)
Reparação, de Marcus Curvelo (BA)
Virtuosas, de Cíntia Domit Bittar (SC)
Yellow Cake, de Tiago Melo (PE)

Cena do longa goiano Pequenas Tragédias, de Daniel Nolasco

Este ano, um recorte especial intitulado Olhares da Argentina exibe El Príncipe de Nanawa (Argentina/Paraguai), de Clarisa Navas; e ¡Caigan las rosas blancas! (Argentina/Espanha), de Albertina Carri; e inclui ainda Nuestra Tierra (Argentina), de Lucrecia Martel. A curadoria é assinada por Cléber Eduardo.

Na grade de curtas-metragens brasileiros contemporâneos, 18 filmes estão organizados em três sessões de Curtas Contemporâneos e na tradicional sessão Curtas no Almoço, reunindo trabalhos que transitam por diferentes formas narrativas e procedimentos, entre ficção, documentário, animação e experimentação. Os filmes selecionados estabelecem relações com territórios, questões de gênero e identidade, vínculos familiares e afetivos, conflitos sociais e ambientais e exploram diferentes possibilidades de imaginário. A seleção também evidencia uma ampla diversidade regional, com produções de Amazonas, Ceará, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e São Paulo, sendo total de 11 estados em todas as cinco regiões do país. A seleção de curtas foi feita por Rubens Fabricio Anzolin e Marcelo Miranda.

Na MOSTRA CURTAS, os filmes são:

Andança, de Ben Hur Nogueira (MG)
As Plantas Sabem o que Pensamos, de Sávio Leite (MG)
Dia dos Pais, de Bernardo Ale Abinader (AM)
Gifs Galore, de Alysson Matheus (MG)
Hacker Leonilia, de Gustavo Fontele Dourado (DF)
Lena, de Lanna Carvalho (PE)
Ligação à Noite, de Arthur Amaral (RS)
O Homem-Som, de Giovani Beloto (SP)
Para não ser levada por qualquer ventania, de Eleonora Loner (RS)
Paty, de Maria Luiza Staut (MS)
Peixe Morto, de João Fontenele (CE)
Quando abandonamos a humanidade, o que resta de nós?, de Vita Pereira (SP)
Roteiro para uma Fuga, de Priscila Nascimento (PE)
Subsolo, de Miwa Yanagizawa e Angel Ferreira (RJ)
Tela Quente, de Silvino Mendonça (GO)
Trajeto do Desmoronamento, de Helena Antunes (RN)
TV Entreaberta, de Mateus Compart (MG)
Windows 51, de Sandro Garcia (RJ/PE)

Para marcar os 20 anos da CineBH, acontece uma retrospectiva comemorativa, que recupera filmes brasileiros importantes exibidos ao longo desse tempo na Mostra e ilustra transformações de mercado, de estética e de contexto, tanto dos longas-metragens quanto do próprio evento.

Na MOSTRA RETROSPECTIVA 20 ANOS, os filmes são:

A Falta que me Faz, de Marilia Rocha (2009)
A Via Láctea, de Lina Chamie (2007)
Bicho de Sete Cabeças, de Laís Bodanzky (2001)
Corpo Elétrico, de Marcelo Caetano (2017)
Elon Não Acredita na Morte, de Ricardo Alves Jr. (2016)
Lóki: Arnaldo Baptista, de Paulo Henrique Fontenelle (2008)
Mate-me Por Favor, de Anita Rocha da Silveira (2015)
Santiago, de João Moreira Salles (2006)
Sol Alegria, de Tavinho Teixeira e Mariah Teixeira (2018)

Cena do curta mineiro Maxita, de Mariana Machado e Ana Maria Machado

A Mostra Praça deste ano exibe dois longas dirigidos por artistas mais conhecidos na atuação e que agora aparecem também atrás das câmeras: Querido Mundo, de Miguel Falabella, codirigido por Hsu Chien; e Sexa, de Gloria Pires. A animação mineira Ana, En Passant, de Fernanda Salgado, e a aventura Folclórica, do capixaba Rodrigo Aragão, todo feito com bonecos e marionetes, são os outros títulos que estarão na Praça da Liberdade em programas para toda a família.

Em sua 11ª edição, a Mostra A Cidade em Movimento, com curadoria de Bruna Piantino, segue seu percurso de exibir a produção independente de Belo Horizonte e região metropolitana. Sob o título, este ano, de Abecedário da Existência, a edição está organizada em cinco programas (15 curtas e 2 longas-metragens) que partem da cidade-território para investigar dimensões da experiência humana, das relações com o espaço e o corpo às questões ambientais, à linguagem e às formas de existência coletiva.

Na MOSTRA A CIDADE EM MOVIMENTO, os filmes são:

Bloco Fantasma, de Rafael Zorzal
Como Atravessar Paredes: A História do Centro Cultural Galpão Cine Horto, de Chico Pelúcio, Henrique Vertchenko, Marcos Coletta e Rodolfo Magalhães
Cordões e Sinos de Além-mar, de Yuji Kodato e Jeremias Brasileiro
Dentro do Meu Peito Mora um Cão, de Gabriel Afonso
Do Acaba Mundo ao Pindura Saia, de Iakima Delamare e Thiago Rosado
Mães do Morro, de Isabela Ferreira da Silva 
Maxita, de Mariana Machado e Ana Maria Machado
Metamórfike, de Lui Nascimento
Não é Sobre Pastéis, de Tiago Ribeiro
Nós é Ruim e Mora Longe, de Ítalo Almeida
O Maestro, de Vinícius Correia
Ouro de Tolo Remix, de Gabriel Afonso
Queremos Praia, Anunciação…, de Chico Pelúcio, Marcelo Braga e Rodolfo Magalhães
Recaída, de Samuel Costa
Sexta, de Pedro Cordeiro
Todas as Cores que Eu Já Senti na Vida, de Bernardo Franco
Um Mar, de Duna Dias e Leonardo Augusto

Ao longo de suas 16 edições, mais de 480 projetos já passaram pelo Brasil CineMundi, encontro de coprodução e laboratório que se realiza no âmbito da Mostra CineBH. Enquanto representantes de 37 novos projetos e obras em fase de montagem (work in progress) participam das atividades do 17º encontro, a Mostra CineMundi, que faz parte da programação da CineBH, se encarrega de mostrar os resultados desse trabalho intenso.

O objetivo é fechar o ciclo de acompanhamento dos projetos e compartilhar com os convidados do festival e com o público de Belo Horizonte os filmes que receberam a contribuição de encontros, mentorias e parcerias firmadas no evento, muitas vezes anos antes da estreia. Nesta edição da 20ª CineBH, dez filmes com passagem pelo Brasil CineMundi integram diferentes seções da programação: três na própria Mostra CineMundi, três na Mostra Vertentes, um na Mostra Praça e três na Mostra Retrospectiva 20 Anos, dedicada às duas décadas do festival. Entre os destaques, estão: A Fabulosa Máquina do Tempo, de Eliza Capai; Nada a Fazer, de Leandra Leal; Olhe para Mim, de Rafhael Barbosa; entre outros.

Dona Flor e seus Dois Maridos celebra 50 anos em 2026 e por isso foi escolhido para abrir a mais nova seção da CineBH, a mostra Clássicos do Brasil, que anualmente exibirá um filme brasileiro que esteja celebrando alguma data histórica significativa. Um dos maiores fenômenos do país, Dona Flor e Seus Dois Maridos, dirigido por Bruno Barreto, adaptado do romance de Jorge Amado e com trilha sonora de Chico Buarque, foi lançado em 1976, durante o período de consolidação da Embrafilme e de fortalecimento de uma produção nacional capaz de disputar o público com o cinema estrangeiro. Barreto, então com 21 anos de idade, estava já em seu terceiro longa-metragem. Aqui ele combina comédia, erotismo, fantasia e observação dos costumes e acha uma forma acessível e vigorosa para trabalhar as tensões entre desejo, casamento, moralidade e cinismo numa sociedade brasilera marcada pelo patriarcalismo.

A Bahia recriada pelo filme aparece como ambientação pitoresca e território de pura identidade brasileira e cenário ideal para os dilemas da personagem-título. Dividida entre a estabilidade oferecida por Teodoro e o desejo despertado pelo fantasma de Vadinho, Dona Flor recusa a obrigação de escolher entre dimensões contraditórias de sua experiência. Na conciliação irreverente entre seu corpo e as convenções sociais exigidas a ela, no trato com prazer e respeitabilidade, realidade e imaginação, o filme mergulha num imaginário quase sincrético, cheio da malemolência bem retratada nas letras de Jorge Amado.

A presença de Sonia Braga, José Wilker e Mauro Mendonça foi decisiva para a força do filme, além de sua sensualidade vibrante, que desafiava, em plena ditadura militar, os códigos conservadores vigentes. Visto por mais de 10,7 milhões de espectadores, o filme manteve por mais de três décadas o recorde de público de uma produção brasileira. Internacionalmente também foi marcante: recebeu indicação ao Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro e catapultou o nome de Sonia Braga, que foi indicada ao BAFTA, a uma carreira internacional de décadas. No Brasil, levou vários prêmios no Festival de Gramado. A trajetória do diretor Bruno Barreto também foi positivamente afetada, a ponto de, duas décadas depois, ele ter seu O Que é Isso, Companheiro? (1997) indicado ao Oscar de filme estrangeiro.

Dona Flor e seus Dois Maridos: 50 anos do lançamento

Além disso, na 20ª CineBH, Central do Brasil será exibido em formato de Cine Concerto, preservando todos os diálogos e efeitos sonoros enquanto sua trilha é executada ao vivo por uma orquestra. Com concepção, direção e piano de Anselmo Mancini, a apresentação conta com o Quinteto de Cordas Almai: Alessandro Figueredo, no violino e na rabeca; Anderson Cardoso, no segundo violino; Guilherme Bomfim, na viola; Thiago de Andrade, no violoncelo; Cleber Castro, no contrabaixo; e Thiago Righi, no bandolim e na viola caipira.

Para assegurar a correspondência entre imagem e música, Mancini desenvolveu um sistema próprio de sincronização, com monitoração em vídeo e um songbook que reproduz as composições conforme a edição do filme. Pioneiro no país, o projeto é apresentado como o primeiro Cine Concerto criado a partir de um filme sonoro brasileiro e oferece ao público uma nova experiência com uma das obras fundamentais da Retomada.

Lançado em 1998, no período de consolidação da Retomada, Central do Brasil tornou-se um marco da reconstrução do cinema brasileiro e de sua projeção internacional. Ao combinar vocação popular, apuro formal, a emoção do melodrama e a consciência de uma trama profundamente brasileira, o filme conquistou o Urso de Ouro no Festival de Berlim, rendeu a Fernanda Montenegro o Urso de Prata de melhor atriz e recebeu indicações ao Oscar de melhor filme estrangeiro e melhor atriz. A interpretação de Montenegro, ao lado do jovem Vinícius de Oliveira, conduz uma obra que devolveu visibilidade mundial à produção nacional e demonstrou a possibilidade de conciliar identidade cultural, emoção e ampla comunicação com o público. Foi um grande sucesso que reverbera até hoje e marcou uma espécie de consolidação de prestígio da produção do país depois de muitos anos de desmontes.

Construído como um filme de viagem, Central do Brasil parte do espaço tumultuado da estação ferroviária carioca e atravessa o interior do país em busca de origens pessoais e reconstrução afetiva. As cartas escritas por Dora para pessoas que não dominam a palavra escrita funcionam como testemunhos de ausências, distâncias e vínculos interrompidos, ao mesmo tempo que revelam um Brasil marcado pela migração e pela dificuldade de comunicação. No percurso compartilhado por Dora e Josué, Walter Salles relaciona as paisagens de um vasto interior do Brasil à transformação interior dos personagens e faz do deslocamento geográfico um processo de abertura ao outro.

A formação de novos públicos também integra a programação da 20ª CineBH nas sessões do Programa Cine-Expressão e na Mostrinha, iniciativas voltadas à aproximação de crianças e estudantes com o audiovisual. As atividades propõem o cinema como espaço de experiência, descoberta e novos olhares e estimula o contato do público infantojuvenil com diferentes formas de narrativa e expressão. Com uma programação composta por 15 curtas-metragens, configurada de acordo com a faixa etária do público, a partir de critérios que incluem temática, conteúdo visual, tipos de linguagem, diálogos, e a complexidade da narrativa, o programa da Sessão Cine-Escola reúne obras que transitam entre animação e ficção, sustentando uma relação própria com o tempo, a imagem, o humor, o conflito e a imaginação. Cada sessão é pensada como uma composição de linguagens cinematográficas que dialogam entre si.

A programação da 20ª CineBH também se estende ao ambiente on-line, ampliando o acesso do público às atividades e aos conteúdos da mostra. Em parceria com o Itaú Cultural, a plataforma IC Play recebe uma seleção especial da programação, enquanto o site oficial disponibiliza um recorte da Mostra Retrospectiva 20 anos, reunindo títulos que celebram a trajetória do festival e revisitam momentos marcantes de sua história. A iniciativa reforça o compromisso da CineBH com a democratização do acesso ao cinema brasileiro e com a formação de novos públicos, levando parte de sua programação para além das salas de exibição e alcançando espectadores de diferentes regiões do país.

Dentro do Meu Peito Mora um Cão: curta dirigido pelo cineasta mineiro Gabriel Afonso

Integrado à CineBH, o Brasil CineMundi – Encontro Internacional de Coprodução chega à 17ª edição consolidado como espaço de encontro entre projetos brasileiros e a indústria audiovisual internacional. Em 2026, foram selecionados 37 projetos, distribuídos em cinco categorias: 10 na Horizonte, dedicada a longas de ficção em desenvolvimento; seis na DocBrasil, de documentários; seis na Foco Minas, exclusiva para projetos mineiros; cinco no Work in Progress (WIP), para filmes em finalização; e dez na Paradiso Multiplica. A seleção veio de um recorde de 375 inscrições e contempla projetos de 11 estados brasileiros: Minas Gerais lidera a presença, com 10 trabalhos, seguido por São Paulo, com nove, e Pernambuco, com cinco.

Mais de 50 convidados de 15 países participam das atividades do Brasil CineMundi, entre representantes de Alemanha, Argentina, Áustria, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Cuba, Espanha, França, Itália, México, República Dominicana, Senegal e Uruguai. Uma das novidades é a realização de sessões de pitching para 22 projetos das categorias Horizonte, DocBrasil e Foco Minas. Esses trabalhos participam também do Lab de Desenvolvimento e, juntamente com os cinco filmes do WIP, integram rodadas de negócios com representantes da indústria internacional. O programa oferece ainda atividades de preparação, consultorias e formação voltadas ao desenvolvimento dos projetos e à aproximação com potenciais parceiros.

A seleção desse cinema brasileiro do futuro apresenta diversidade regional e temática, com trabalhos de realizadores afro-brasileiros e LGBTQIA+, estreias de atrizes na direção e cineastas presentes em diferentes etapas de desenvolvimento de seus trabalhos.

Integrado à programação da CineBH e do Brasil CineMundi, o Seminário Internacional Entre Cinemas – CineBH + CineMundi 2026 será realizado de 23 a 26 de setembro, no Cine Theatro Brasil – Espaço Petrobras de Conexões. A programação reúne mais de 50 profissionais do Brasil e do exterior em mais de 20 atividades, entre cinco debates, seis painéis, cinco masterclasses, duas rodas de conversa, workshop, estudo de caso e sessão de trabalho.

Outro marco do aniversário da Mostra será o lançamento do livro Territórios do Cinema – CineBH 20 anos, que apresenta as perspectivas construídas nas trajetórias da CineBH e reflexões sobre o cinema latino-americano; e o livro O Cinema Brasileiro no Mundo, publicação do Brasil CineMundi que celebra 17 edições. Ambos abordam criação, pensamento crítico, políticas audiovisuais, desenvolvimento de projetos, mercado, internacionalização e circulação e serão lançadas no encerramento do Seminário.

A 20ª CineBH – Mostra Internacional de Cinema de Belo Horizonte e o 17º Brasil CineMundi integram o Cinema sem Fronteiras 2026, programa internacional de audiovisual idealizado pela Universo Produção e que reúne também a Mostra de Cinema de Tiradentes (centrada na produção contemporânea, em janeiro) e a CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto (que difunde o audiovisual como patrimônio e ferramenta de educação, em junho).

Fotos: Victor de Melo/Bia Azevedo/Felipe Quintelas/Divulgação.

Mostra Sumé de Cinema 2026: conheça os vencedores

por: Cinevitor
Osani recebe prêmios pelo curta potiguar Pupá

Foram anunciados neste sábado, 12/09, em cerimônia apresentada por Dudha Moreira e Ana Célia Gomes, os vencedores da sexta edição da Mostra Sumé de Cinema, realizada no Cariri paraibano. 

Com exibições de mais de vinte títulos, além de diversas atividades paralelas, entre elas, lançamentos de livros, a Mostra homenageou a atriz e diretora potiguar Titina Medeiros, que faleceu em janeiro deste ano. As sessões foram realizadas na Praça Adolfo Mayer e no Museu Miguel Guilherme; além do Hospital e Maternidade Alice de Almeida, do Abrigo de Idosos Rosália Paulino e do CDSA/UFCG Campus Sumé. A programação contou também com a Mostra Itinerante Luiz Custódio de Cinema. 

O júri desta sexta edição foi formado por: Buda Lira, Fábio Campos e Zezita Matos na Mostra Brasil; Devyd Santos, Priscila Urpia e Tiago Morais na Mostra Paraíba; e Ana Isaura e João Carlos Beltrão na Mostra Cariri Céu de Poesia. 

Além da premiação, a noite de encerramento contou com a exibição do curta-metragem realizado por alunos da Oficina de Formação Audiovisual, que foi ministrada por André da Costa Pinto, e do filme Memórias: Histórias do Cine Teatro Municipal de Sumé, de Ana Célia Gomes. A noite finalizou com um show de Titá Moura.

Conheça os vencedores da VI Mostra Sumé de Cinema: 

MOSTRA BRASIL

Melhor Filme | Júri Oficial: O Carnaval é de Pelé, de Daniele Leite e Lucas Santos (PE)
Melhor Filme | Júri Popular: Os Arcos Dourados de Olinda, de Douglas Henrique (PE)
Melhor Direção: Douglas Henrique, por Os Arcos Dourados de Olinda
Melhor Roteiro: O Carnaval é de Pelé, escrito por Lucas Santos
Melhor Ator: José Araújo, por Memórias com Vista pro Mar
Melhor Atriz: Andrea Rodrigues, por Memórias com Vista pro Mar
Melhor Fotografia: Pupá, por Osani
Melhor Direção de Arte: Pupá, por Osani e Pupá
Melhor Montagem: O Carnaval é de Pelé, por Cesar Caos e Lucas Santos
Melhor Trilha Sonora: Esperança, por Adilson Júnior
Melhor Desenho de Som: Esperança, por Marcelo Cyro, Fernando Ianni e Rodrigo Funai Costa
Menção Honrosa: Edna Maria da Silva, por Pupá; pela força e sensibilidade desta grande mulher, personagem tão cativante no filme e na vida real

MOSTRA PARAÍBA

Melhor Filme | Júri Oficial: Cantilena, de Dhiones do Congo (Congo)
Melhor Filme | Júri Popular: Areia, Memória e Cinema, de Letícia Damasceno Barreto (Areia)
Melhor Direção: Dhiones do Congo, por Cantilena
Melhor Roteiro: Kanhema, escrito por Iasmin Soares
Melhor Atriz: Laura Moreno, por Areia, Memória e Cinema
Melhor Ator: Guilherme Hélio, por Cantilena
Melhor Fotografia: Cantilena, por Diego Pontes
Melhor Direção de Arte: Cantilena, por Carlos Mosca
Prêmio Ely Marques de Montagem: Areia, Memória e Cinema, por Edson Lemos Akatoy e Guilherme Schimitt
Melhor Desenho de Som: Cantilena, por Breno Felipe
Melhor Trilha Sonora: Kanhema, por Topázio Kariri
Menção Honrosa: Teatro em Jampa Vive, de Kelly Freire Moreira (João Pessoa); por apresentar uma pesquisa densa, sensibilidade, memória e a resistência do teatro pessoense e se destacar pela relevância cultural, diversidade de vozes reunidas e contribuição à preservação da identidade artística de João Pessoa

MOSTRA CARIRI CÉU DE POESIA

Melhor Filme | Júri Oficial | Prêmio Vladimir Carvalho: Babau: O Sanfoneiro Sonhador, de Carlos Mosca (PB)
Melhor Filme | Júri Popular: Babau: O Sanfoneiro Sonhador, de Carlos Mosca (PB)

MOSTRA CONEXÃO TERRA | CINEMA NA ESCOLA

Melhor Filme | Júri Popular: Vozes do Cocal, de Josué Castilho França (PA)

Foto: Maria Ruana.

Festival de Cinema de Veneza 2026: conheça os vencedores; produções brasileiras são premiadas

por: Cinevitor
May el-Toukhy, diretora de Woman Unknown: Leão de Ouro

Foram anunciados neste sábado, 12/09, os vencedores da 83ª edição do Festival Internacional de Cinema de Veneza. O júri, presidido pela diretora, atriz, roteirista e produtora estadunidense Maggie Gyllenhaal, concedeu o Leão de Ouro de melhor filme, prêmio máximo do evento, para Kvinde Ukendt (Woman Unknown), dirigido pela cineasta dinamarquesa May el-Toukhy. 

Completavam o time de jurados da Competição Internacional deste ano: a cineasta tunisiana Kaouther Ben Hania; o compositor britânico Daniel Blumberg; o italiano Francesco Casetti, teórico de cinema e televisão; o cineasta e roteirista francês Xavier Giannoli; a diretora afegã Shahrbanoo Sadat; e o cineasta e produtor Johnnie To, de Hong Kong.

Para escolher o vencedor do Prêmio Luigi De Laurentiis, que entrega o Leão do Futuro para o melhor filme de estreia da seleção, o júri foi presidido pela cineasta italiana Carolina Cavalli. O time completou-se com Akinola Davies Jr. e Ted Hope. Já na mostra Orizzonti, o júri foi presidido por Valérie Donzelli e contou com Peter Becker, Elizabeth Lo, David Pablos e Barbara Ronchi. 

Em premiações paralelas, o cinema brasileiro se destacou com London, dirigido pelos gaúchos Victor Di Marco e Márcio Picoli, que recebeu a Queer Lion, prêmio independente que destaca obras que abordam a temática LGBT+; o filme foi exibido na Semana Internacional da Crítica, Settimana Internazionale della Critica. A justificativa do júri diz: “Victor Di Marco e Márcio Picoli são dois cineastas capazes de elevar o corpo queer a uma esfera de autodeterminação, desejo e poder, resgatando-o de qualquer tentativa de diminuí-lo. Os jovens protagonistas, em um cenário apenas aparentemente confinado, personificam uma sexualidade explícita e orgulhosa, na qual o fetiche é brincadeira, a dominação é liberdade em vez de violência, e a identidade é forjada por meio do prazer, da amizade e da resistência”.

E continuou: “Hoje, Di Marco e Picoli dão continuidade, de forma simbólica, a essa ousadia, coragem e gentileza audaciosa, levando às telas a vida e a identidade queer em todas as suas formas multifacetadas, incluindo aspectos raramente explorados no cinema contemporâneo, provando que o novo cinema queer continua a evoluir, crescer e dialogar com as transformações de uma sociedade que ele busca retratar”. London dividiu o prêmio com o documentário Queer Edward II, dirigido por Theo Rollason: “Duas obras de estreia extraordinárias que celebram o passado, retratam o presente e apontam o caminho para o futuro”, finalizou o júri, que foi formado por Daniel N. Casagrande, Marco Busato, Jani Kuštrin e Adriano Virone. 

Já o longa Retorno a Buenos Aires (Ritorno a Buenos Aires), coprodução entre Itália e Brasil, dirigida por Marco Bechis, se destacou no Award Francesco Pasinetti, realizado pelo Sindacato Nazionale Giornalisti Cinematografici Italiani, e levou os prêmios de melhor filme e melhor ator para Adriano Giannini segundo os jornalistas italianos: “O filme é uma prova excelente de equilíbrio perfeito entre passado e presente, emoção e reflexão. Uma atuação excelente, que transmite o tormento da dúvida, o drama do confronto e o horror e a dor de uma tragédia coletiva e ao mesmo tempo pessoal”, disse a justificativa. O filme reúne ainda os brasileiros Paula Cohen e Eduardo Hoy em papéis de destaque, além das atrizes argentinas Ana Celentano, Vero Gerez e Olivia Nuss. 

Com três meses de pré-produção e quatro semanas de filmagens no Brasil, realizadas em Porto Alegre, e mais três semanas em Turim, no norte da Itália, Retorno a Buenos Aires também consolida a atuação internacional da produtora brasiliense 34 Filmes e a parceria com André Ristum, que já colaborou em diversos projetos anteriores. O filme teve participação destacada de técnicos brasileiros, entre os quais: a direção de arte de Eduardo Antunes; a produção de elenco de Alessandra Tosi; o figurino de Coca Serpa; a produção executiva de André Ristum e Patrick de Jongh; e o line producer Beto Rodrigues. A coprodução entre Brasil e Itália reúne a 34 Filmes e as italianas Fandango, 39Films, Karta Film e Rai Cinema.

Confira a lista completa com os vencedores do Festival de Cinema de Veneza 2026:

COMPETIÇÃO | VENEZIA 83

MELHOR FILME | LEÃO DE OURO
Kvinde Ukendt (Woman Unknown), de May el-Toukhy (Dinamarca/Suécia/Letônia)

GRANDE PRÊMIO DO JÚRI | LEÃO DE PRATA
Ga-neung-han sa-rang (Possible love), de Lee Chang-dong (Coreia do Sul)

MELHOR DIREÇÃO | LEÃO DE PRATA
Ilya Khrzhanovsky, por Dau

PRÊMIO COPPA VOLPI | MELHOR ATRIZ
Mathilde Arcel, por Kvinde Ukendt (Woman Unknown)

PRÊMIO COPPA VOLPI | MELHOR ATOR
John Malkovich, por Wild Horse Nine

MELHOR ROTEIRO
Un bon petit soldat, escrito por Stéphane Brizé, Coralie Amédéo e Olivier Gorce

PRÊMIO ESPECIAL DO JÚRI
Naza, de Yuval Abraham e Rachel Szor (Reino Unido)

PRÊMIO MARCELLO MASTROIANNI | ATOR/ATRIZ EM ASCENSÃO
Malou Khebizi, por 15/18 A Place To Heal

MOSTRA ORIZZONTI

MELHOR FILME
Un détour par Diane, de Ann Sirot e Raphaël Balboni (Bélgica/França)

MELHOR DIREÇÃO
Jacqueline Lentzou, por Mia mera sti zoi tis tzo: kefalaio Faidra (A day in the life of Jo: Chapter Phaedra)

PRÊMIO ESPECIAL DO JÚRI
La maison du vent (House of the wind), de Auguste Bernard Kouemo Yanghu (Camarões/França/Bélgica/Benin/Arábia Saudita/Qatar)

MELHOR ATRIZ
Laleh Marzban, por Moragheb (Falling House)

MELHOR ATOR
Riccardo Scamarcio, por I figli della scimmia (The Children of the Monkey)

MELHOR ROTEIRO
I figli della scimmia, escrito por Tommaso Landucci e Damiano Femfert

MELHOR CURTA-METRAGEM
Quelques instants de bonheur, de Shaden Safieddine Tazi (França/Reino Unido)

VENICE IMMERSIVE

GRANDE PRÊMIO
The Pigeon Ring, de Shixin Tao e Yuqi Zhang (China)

PRÊMIO ESPECIAL DO JÚRI
Out of the Ashes, de Rory Mitchell e Nonny De La Peña (EUA)

PRÊMIO DE REALIZAÇÃO
Empire At Sea, de Peter Flaherty (EUA)

OUTROS PRÊMIOS

LEÃO DO FUTURO | MELHOR FILME DE ESTREIA
La maison du vent (House of the wind), de Auguste Bernard Kouemo Yanghu (Camarões/França/Bélgica/Benin/Arábia Saudita/Qatar)

VENEZIA SPOTLIGHT | PRÊMIO DO PÚBLICO
Eu contez (I matter), de Alina Şerban (Romênia/Alemanha/Bélgica)

VENICE CLASSICS | MELHOR FILME RESTAURADO
A Noite do Massacre (La lunga notte del ’43), de Florestano Vancini (1960) (Itália)

PREMIAÇÕES PARALELAS

PRÊMIO FIPRESCI | COMPETIÇÃO: Ga-neung-han sa-rang (Possible love), de Lee Chang-dong (Coreia do Sul)
PRÊMIO FIPRESCI | ORIZZONTI: The Color of the Sun, de Xavier Tera (Canadá/Itália/Japão)
QUEER LION AWARD: London, de Victor Di Marco e Márcio Picoli (Brasil)
AWARD FRANCESCO PASINETTI | Sindacato Nazionale Giornalisti Cinematografici Italiani: Ritorno a Buenos Aires, de Marco Bechis (Itália/Brasil)
AWARD FRANCESCO PASINETTI | Melhor Ator: Adriano Giannini, por Ritorno a Buenos Aires

*Clique aqui e confira a lista completa com os prêmios paralelos, eleitos de forma independente por associações de críticos de cinema, cineclubes e associações culturais e profissionais do cinema

Foto: Vittorio Zunino Celotto/Getty Images.

Mostra Cinema Conquista 2026: conheça os vencedores da 17ª edição

por: Cinevitor
Cartas para…, de Vânia Lima: prêmio de melhor longa-metragem

Foram revelados nesta sexta-feira, 11/09, no Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima, em Vitória da Conquista, na Bahia, os vencedores da primeira mostra competitiva da 17ª edição da Mostra Cinema Conquista – Um Olhar para o Novo Cinema.

Os nomes foram anunciados durante a última sessão do evento, que também exibiu o curta-metragem A Cachoeira, de Rayssa Coelho e Filipe Gama, e o premiado longa-metragem Nosso Segredo, de Grace Passô. A sessão encerrou uma edição que, pela primeira vez, incorporou uma competição oficial ao festival. 

A cerimônia começou com uma homenagem a Jorge Melquisedeque, ativista cultural, escritor, poeta, músico e roteirista de Conquista, reconhecido por idealizar o projeto Janela Indiscreta na UESB, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. O projeto se tornou uma referência na formação de público e na circulação cinematográfica na cidade e dá nome ao troféu entregue aos vencedores da competição. A peça foi criada e reestilizada pelo artista plástico Edmilson Santana, especialmente para esta edição.

Ao longo da cerimônia, foram anunciados os vencedores das categorias avaliadas pelo Júri Oficial, formado pela jornalista e cineasta Camila de Moraes, pelo jornalista, curador e crítico de cinema Vitor Búrigo e pela cineasta Clara Campos; e também pelo Júri Popular, além dos prêmios concedidas pela SASB, Associação do Setor Audiovisual do Sudoeste Baiano.

Entre os destaques, Os Arcos Dourados de Olinda, de Douglas Henrique, recebeu o prêmio de melhor filme de curta-metragem pelo Júri Oficial. A justificativa diz: “Pela originalidade na construção de sua narrativa, que traz uma comicidade perspicaz, pelo trabalho impecável de pesquisa e montagem, e pelo registro sagaz de momentos históricos e políticos e também de uma hilária lenda urbana olindense, o prêmio de melhor curta-metragem da Mostra Cinema Conquista 2026 vai para o filme pernambucano Os Arcos Dourados de Olinda, de Douglas Henrique”. O filme também foi contemplado com os prêmios de melhor montagem e melhor roteiro, além do reconhecimento como melhor filme pelo júri da SASB.

Patrícia Moreira: premiada pelo curta-metragem baiano Corre um Rio em Mim

Já Cartas para…, de Vânia Lima, foi escolhido como o melhor filme de longa-metragem pelo Júri Oficial. A justificativa diz: “Por desafiar em sua própria forma, três corpos-escritas existem, resistem e projetam o futuro da nossa língua. Ao fazer a travessia por Brasil, Moçambique e Portugal, a língua portuguesa se torna um lugar de cura e invenção. Um filme necessário, íntimo e atlântico”. No Júri Popular, os vencedores foram: Corre um Rio em Mim, de Patrícia Moreira, na categoria de curta-metragem; e Itacoatiaras, de Sérgio Andrade e Patrícia Goùvea, entre os longas.

Para Rafael Carvalho, curador da Mostra Competitiva, a realização da primeira competição também representa o reconhecimento alcançado pelo festival junto ao setor audiovisual brasileiro e a responsabilidade de promover o encontro entre os filmes selecionados e o público: “Todo festival funciona como uma vitrine. A seleção das obras não se baseia necessariamente em uma hierarquia de qualidade, mas sim na proposta que desejamos destacar e oferecer ao público. Nosso objetivo é convidar o espectador a contemplar essas obras e despertar seu interesse. Ainda que a competição tenha seus resultados, o propósito central é revelar esses filmes e fomentar o hábito de consumir o cinema brasileiro. Queremos que, ao final desta mostra, o público saia motivado a buscar novas produções em plataformas digitais e outros canais”, afirmou o jornalista e crítico de cinema. 

A importância dessa primeira edição competitiva também se expressou no volume de trabalhos recebidos pelo evento. Foram 682 inscrições, sendo mais de 80% de curtas-metragens. Diante desse universo, a equipe de curadoria precisou estabelecer um recorte para chegar às obras exibidas na competição: “A importância da Mostra reflete o reconhecimento que conquistamos junto aos realizadores e produtoras, que nos confiam seus trabalhos. Infelizmente, devido às limitações de espaço, foi preciso realizar uma curadoria rigorosa, mas ficamos muito satisfeitos com o recorte final apresentado”, destacou Rafael Carvalho.

Conheça os vencedores da 17ª Mostra Cinema Conquista: 

JÚRI OFICIAL

Melhor Filme | Longa-metragem: Cartas para…, de Vânia Lima (BA)
Melhor Filme | Curta-metragem: Os Arcos Dourados de Olinda, de Douglas Henrique (PE)
Melhor Direção: Gabriel Faccini, por Banho Maria
Melhor Roteiro: Os Arcos Dourados de Olinda, por Arnon Hochman e Douglas Henrique
Melhor Interpretação: Heraldo de Deus, por Bijupirá
Melhor Fotografia: Bijupirá, por Renan Benedito
Melhor Direção de Arte: Corre um Rio em Mim, por Patrícia Moreira
Melhor Montagem: Os Arcos Dourados de Olinda, por Douglas Henrique
Melhor Som: Samba Infinito, por Victor Tigrones e Fabio Carnèiro
Menção Honrosa: para a atuação de Silvana Rodrigues em Banho Maria

JÚRI POPULAR
Melhor longa-metragem: Itacoatiaras, de Sérgio Andrade e Patrícia Goùvea (AM/RJ)
Melhor curta-metragem: Corre um Rio em Mim, de Patrícia Moreira (BA)

JÚRI SASB
Melhor Filme: Os Arcos Dourados de Olinda, de Douglas Henrique (PE)
Menção Honrosa: Estrelas Mal Cruzadas, de Ana Clara Medeiros (BA)

*O CINEVITOR está em Vitória da Conquista e você acompanha a cobertura do evento por aqui, pelo canal do YouTube e pelas redes sociais: Twitter, Facebook e Instagram.

Fotos: Ana Júlia Ribas/Nagual Pardo.

Mostra Cinema Conquista 2026: Pola Ribeiro fala sobre a Bahia Filmes e futuro do audiovisual baiano

por: Cinevitor
Pola Ribeiro: diretor-presidente da Bahia Filmes

Além das exibições dos filmes, a 17ª edição da Mostra Cinema Conquista oferece uma programação formativa que estende-se à comunidade, a partir de oficinas que reúnem temas destinados tanto à capacitação e aperfeiçoamento profissional de iniciantes no setor audiovisual quanto de agentes já em atividade, além das mesas, conferências e encontros de cinema que promovem o acesso a discussões atuais e imprescindíveis para a compreensão do audiovisual e políticas públicas atuais, na relação direta com as demandas e urgências do território.

Na terça-feira, 08/09, a programação no Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima, em Vitória da Conquista, na Bahia, começou com a conferência Bahia Filmes, uma política pública para além da baía, com a presença de Pola Ribeiro, diretor-presidente da Bahia Filmes; a conversa foi mediada pela Profa. Dra. Milene Gusmão, do curso de Cinema e Audiovisual da UESB, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia.

A ementa diz: a conferência possibilita discutir os desafios e as possibilidades de construção de uma política audiovisual que ultrapasse os limites da capital e alcance, de forma efetiva e descentralizada, os diferentes territórios da Bahia. Como pensar políticas de fomento, formação, produção, circulação e difusão que reconheçam a diversidade das experiências audiovisuais existentes no estado? De que maneira a Bahia Filmes pode contribuir para a criação de oportunidades em outros territórios?

A Bahia Filmes abre, como parte da política audiovisual para o estado da Bahia, uma série de oportunidades para o desenvolvimento do setor. São políticas e investimentos diretos em toda a cadeia criativa e produtiva do audiovisual. Foi inaugurada oficialmente no dia 28 de junho de 2026, em Salvador, como a primeira empresa pública estadual dedicada ao setor audiovisual no Brasil.

Confira os melhores momentos da conversa com Pola Ribeiro:

CRIAÇÃO DA BAHIA FILMES

“Tem um pouco do pensamento de quando Gil assumiu o Ministério da Cultura, que ele falava que o Ministério da Cultura não era para atender os artistas, assim como o Ministério da Saúde não era para atender os médicos. É com médico que a gente vai fazer a saúde, mas o Ministério está para atender o país. Então, o que nós vendemos ao governo foi que a capacidade estava nas produtoras que existiam na Bahia, nas 700 empresas que são cadastradas na ANCINE [Agência Nacional do Cinema]”. 

“Durante os oito anos que a gente pesquisou o mercado audiovisual para constituir o projeto, essas empresas tinham trazido para a Bahia, por iniciativa própria, 180 milhões de reais nesses oito anos. E esses 180 milhões de reais tinham vindo de uma única fonte, que era o Fundo Setorial do Audiovisual, que é uma fonte muito óbvia, digamos assim, uma fonte do próprio audiovisual. Por mil motivos, que a gente vem tentando esclarecer no projeto e hoje tentando entender mais, outras fontes possíveis não eram tocadas. Por falta de previsibilidade, por falta de estrutura das empresas: ‘vamos montar uma empresa de cinema, tem uma câmera, tem uma ilha de edição, monta a empresa’. Só que para conquistar outros espaços, a gente precisa de empresas mais estruturadas, que tenham contabilidade, que tenham jurídico, que tenham gestão, que tenham planejamento, que tenham outras estruturas, que tenham comunicação”.

CRESCIMENTO SUSTENTÁVEL

“A gente não usa muito a palavra lucro porque essa é uma ideia ainda muito distante. Quando a gente pensa em empresa, empresa tem que dar lucro. Mas o lucro está muito distante. Então, nós estamos, inclusive, discutindo essa questão junto à Procuradoria Geral do Estado: o que é a nossa perspectiva de lucro? Ou seja, primeiro passar por uma sustentabilidade da empresa. O projeto da empresa, que foi apresentado ao governo, era um projeto para ser sustentável em oito anos, o que nem a gente acreditava que seria. A Secretaria da Fazenda cortou para quatro anos e a gente não acredita mesmo que em quatro anos a gente seja sustentável. Mas você vai andando, né? Aí você assina e vai sabendo que em quatro anos nós não seremos sustentáveis. Mas o que é que nós sabemos para não ser um ato irresponsável simplesmente? A RioFilme não é sustentável. A Spcine também não é sustentável”.

“Mas nenhum governo, nem de Tarcísio [de Freitas, governador do Estado de São Paulo], nem do evangélico da RioFilme, acabaram com essas empresas porque elas têm uma capacidade muito grande de atrair e mobilizar a economia local. Então, a RioFilme mobiliza demais a economia do Rio de Janeiro a partir do audiovisual. A pessoa olha e diz: ‘Não, a gente tá botando esse dinheiro lá, mas esse dinheiro tá se transformando em muito mais economia, não tem porquê acabar. Vamos continuar mantendo o investimento e o custeio da empresa’. Nós temos certeza absoluta que a operação da Bahia Filmes feita de uma forma dinâmica como a gente imagina, usando a ferramenta no extremo das suas possibilidades, será bem avaliada dentro do governo, que continuará mantendo. Nenhum governo pode criar uma empresa dependente do Estado. Você tem que criar uma empresa não dependente”.

Milene Gusmão e Pola Ribeiro na conferência 

CINEMA NEGOCIAL

“A nossa busca é diminuir o custeio a cada ano que passe e que a gente possa cumprir esse papel de ter um espaço, uma plataforma negocial para o cinema brasileiro e para o cinema baiano. No texto aqui fala para além da baía, Bahia sem H, né? [refere-se ao nome da conferência intitulada Bahia Filmes, uma política pública para além da baía]. Porque justamente tem uma uma perspectiva de interior, né? Justamente para além da Baía de Todos os Santos. Tem um amigo poeta que fala: ‘Interior é interior, capital é capital’. E quando a gente pensa, mesmo na capital, o cinema não é negocial. O cinema não gera lucro. E a gente vai continuar assinando documentos para filmes e para eventos que devem gerar lucro, mesmo a gente sabendo que não gera lucro. Então, estamos negociando outras formas de retorno que não são exatamente o financeiro, mas que são as marcas, as presenças, as ações de cidadania, as ações sociais, as ações que interfiram realmente em um retorno para o nosso sócio majoritário, que é o Estado da Bahia”.

VOCÊ TEM FOME DE QUÊ?

“A gente tem no Brasil uma coisa muito louca: a gente ama os artistas que são sucesso, mas a gente não suporta o sucesso próximo da gente. Todos os atores que a gente gosta são os que estão bombando, todos os filmes que a gente gosta são os que extrapolaram as fronteiras de seus países, que chegaram aqui ou os nossos mesmos que extrapolaram, mas a gente tem uma certa dificuldade com o sucesso. E talvez seja pela própria compreensão do que é esse meio, né? Eu tava falando ali fora, conversando com o pessoal, que eu tive numa mesa promovida pelo SESI, que juntou algumas linguagens da cultura e a pergunta era: ‘Você tem fome de quê? O setor tem fome do quê?’. E aí me perguntaram: ‘O audiovisual tem fome do quê?’. Eu falei: ‘Tem fome de público’. E aí perguntaram também para o Ricardo Castro, que é conquistense, criador da NEOJIBA [Núcleos Estaduais de Orquestras Juvenis e Infantis da Bahia], e ele respondeu: ‘Tem fome de silêncio’. Eu pedi a palavra de volta pra esclarecer que são coisas diferentes. A música foi criada para falar com os deuses. São os artistas para falar poesias”.

“O cinema não é isso, não. O cinema, às vezes… tem colega meu que não gosta quando eu falo isso, mas nós somos uma coisa mais vagabunda. Nós somos uma coisa que vem da ciência, que vem da química, da física, que usa muito dinheiro para fazer. E dinheiro que sempre nunca é nosso, né? Ou ele é um dinheiro privado que tá buscando um retorno, ou ele é um dinheiro público que também está buscando algum retorno. Então, eu vejo muito o cinema como comunicação. Processo de comunicação que envolve muitos processos artísticos e que às vezes é arte. E quando é arte, arrebata, a gente não esquece, fica na cabeça com o filme. Mas a maioria dos filmes são processos de comunicação, são narrativas que envolvem outras linguagens, como dança, música, artes visuais, teatro. E a gente constrói processos de comunicação que vão para o mercado e que precisam ter retorno”.

O CINEMA E O LUCRO

“Eu falei que custa muito, mas eu tenho uma tese de que cinema é uma coisa muito barata. Barato porque ele pega o recurso e distribui com muitas pessoas. Ele registra, ele documenta, ele trabalha com a memória, ele dá escala. Muitas pessoas podem ver um produto audiovisual. Ele tem escala no tempo: Glauber está morto e a gente continua a ver Glauber. As atrizes e atores estão mortos e a gente continua a ver eles na tela. Então, o que torna o cinema barato é o público. Quanto mais público tiver, quanto mais pessoas acessarem e verem, ele vai barateando. Ele vai barateando até que ele começa a dar lucro social, lucro cultural, lucro de memória. E chega no ponto onde eu gostaria de chegar. Para pensar numa empresa, para pensar num cinema forte e potente, a gente tem que conquistar o mercado nacional para o filme brasileiro. Então assim, não existe cinematografia forte que não tenha conquistado seu mercado nacional. E a gente não conquistou”.

POLÍTICA PÚBLICA

“Estamos falando aqui de uma política que vem de muitos anos. Mas em 23 anos, desde que Lula ganhou a primeira eleição, Gilberto Gil no Ministério, Orlando Senna na Secretaria do Audiovisual, começa-se a constituir uma política muito estruturada, a mais estruturada das políticas da cultura. E aí entra Manoel Rangel com um Fundo Setorial com recursos da própria atividade do cinema… olha o grau de sustentabilidade disso! É uma política estruturada muito fortemente, com uma forte musculatura de política pública, associada a um fundo de recursos… com recursos que vem da própria atividade. Cada propaganda, cada filme que é feito paga uma taxa e essa taxa vai para um fundo, que é o Fundo Setorial do Audiovisual”.

Conversa com o público sobre a Bahia Filmes

RENOVAÇÃO E CONSTRUÇÃO

“Tem a política, tem o fundo e essa política foi estruturada e mantém o cinema brasileiro. Na Bahia, ficamos 20 anos sem fazer um longa-metragem, por exemplo, e esse ano acho que foram realizados 40 ou 45 filmes. Só que tudo envelhece. Festival de Conquista envelhece, eu envelheço, a política audiovisual que eu ajudei a construir lá atrás… hoje temos a obrigação de olhar para ela e ver aonde que ela envelheceu, aonde que ela não deu continuidade, porque não deu continuidade, aonde que ela gerou distorções. E a gente tem isso de novo para trazer para a política audiovisual, ou seja, a Bahia Filmes, com seus dois meses, traz consigo uma obrigação que é rever as políticas, rever a ANCINE, rever a RioFilme, rever a Spcine”.

“Temos que rever com a Rio Filme e com a Spcine as políticas com o Ministério da Cultura. E essa expectativa também está neles. Para vocês terem uma ideia, a gente fez dois meses agora dia 29 e os dois diretores principais da RioFilme pegaram um avião e passaram o dia em Salvador discutindo com a gente. Porque eles também estão nessa expectativa. Eles trouxeram muitas coisas que estão dando certo e que a gente vai só copiar e colar e tocar para fazer. Mas eles vieram também com o olho de o que é que vocês estão vendo? O que é que vocês de fora estão olhando? E por isso eu chamo o setor para não sentir que preparou um projeto e entregou para que o governo toque. Ou seja, o o setor construiu o projeto e o projeto continua em construção. Então, o setor precisa continuar construindo o projeto”.

TÁ BOM, MAS TÁ RUIM

“A gente tem um copo bem cheio de coisas que eu vou falar aqui e tem um copo bem vazio também de coisas que precisam ser feitas para poder fazer a ferramenta rodar. Vemos os eventos como aquele local de escuta, de discutir a política pública e aquele local de comunicação. Nós vemos tudo como um local de comunicação. A gente não tem condições, hoje, de abrir mão de nenhum espaço de comunicação porque a comunicação está muito ruim e a gente não tem nem como acusar ninguém. ‘Ah, os filmes não são vistos porque o exibidor é escroto! Os filmes não são vistos porque o sistema de distribuição não presta. Os filmes não são vistos porque o diretor não tá nem aí para isso’. Estamos chamando a responsabilidade de todo mundo para dizer: ‘Olha, os filmes não são vistos’. E filme que não é visto e que ninguém sabe que existe, não existe de fato. Então assim, tá bom, mas tá ruim, né? Tem, mas tá faltando”.

“A gente tá no tapete vermelho, a gente foi para Berlim, o cinema brasileiro foi para Veneza, foi para o Globo de Ouro, foi para o Oscar e as empresas estão no vermelho. E tem muito empresário que abriu uma empresa para fazer um filme e depois não sabe o que fazer com a empresa. Então tem muitas distorções. E o pior, o cidadão não sabe que os filmes existem”.

A Bahia Filmes atua no fortalecimento do audiovisual baiano promovendo todos os elos da cadeia criativa e produtiva, valorizando a cultura local e contribuindo para o desenvolvimento da economia criativa da Bahia e do Brasil.

*O CINEVITOR está em Vitória da Conquista e você acompanha a cobertura do evento por aqui, pelo canal do YouTube e pelas redes sociais: Twitter, Facebook e Instagram.

Fotos: Ana Júlia Ribas. 

Oscar 2027: seis longas disputam indicação brasileira ao prêmio de melhor filme internacional

por: Cinevitor
Yuri Gomes no longa cearense Feito Pipa, de Allan Deberton

A Academia Brasileira de Cinema anunciou nesta quarta-feira, 09/09, a shortlist com os seis longas-metragens pré-selecionados que seguem na disputa por uma vaga na categoria de melhor filme internacional no Oscar 2027.

Ao todo, foram 15 longas-metragens inscritos e habilitados. No dia 16 de setembro, próxima quarta-feira, será escolhido, entre os seis pré-selecionados, o filme que representará o Brasil na disputa por uma vaga na 99ª edição da premiação realizada pela AMPAS, Academy of Motion Picture Arts and Sciences, que acontecerá no dia 14 de março de 2027, em Los Angeles. Os nomes que compõem a Comissão de Seleção deste ano não podem ser divulgados antes do anúncio do filme escolhido.

Vale destacar que na última edição do prêmio da Academia, o Brasil se destacou com O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, que foi indicado em quatro categorias. Em 2025, Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, levou o primeiro Oscar para o país.

Conheça os seis filmes pré-selecionados:

100 Dias, de Carlos Saldanha
A Fabulosa Máquina do Tempo, de Eliza Capai
A Natureza das Coisas Invisíveis, de Rafaela Camelo
Feito Pipa, de Allan Deberton
Nosso Segredo, de Grace Passô
Vicentina Pede Desculpas, de Gabriel Martins

Foto: Jamille Queiroz.

Mostra Cinema Conquista 2026: conheça os filmes selecionados

por: Cinevitor
Enzo Gois no curta baiano Bijupirá, de Eduardo Boccaletti

A 17ª edição da Mostra Cinema Conquista – Um Olhar para o Novo Cinema será realizada entre os dias 6 e 11 de setembro em Vitória da Conquista, na Bahia, com uma novidade neste ano: a estreia da mostra competitiva. Pela primeira vez, filmes selecionados serão avaliados por um Júri Oficial e também pelo público.

A sessão de abertura acontecerá no Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima, após solenidade e um recital sinfônico especialmente preparado para a ocasião, com as slammers Lívia Ellen e SoulBrisa e participação do maestro João Omar. A primeira sessão competitiva reúne os curtas-metragens Corre um Rio em Mim, de Patrícia Moreira, e Já Não Temos Nem Vontade de Brigar, de Brunno Bimbati.

Além disso, também será exibido o longa-metragem Querido Mundo, dirigido por Miguel Falabella e Hsu Chien. Adaptação para o cinema da peça homônima dos anos 1990, o filme teve sua estreia nacional na 53ª edição do Festival de Cinema de Gramado e rendeu o kikito de melhor atriz para Malu Galli.  

A partir da abertura, a competição se estende ao longo da semana. Além da avaliação pelo Júri Oficial, que será formado por Camila de Moraes, Clara Campos e Vitor Búrigo, o público também participará da escolha dos destaques desta edição por meio do voto popular, ampliando a experiência de quem acompanha as sessões.

“A mostra competitiva representa um passo importante para o evento e para a relação que construímos com o público nesses anos. Queremos que Conquista seja não apenas um lugar de exibição, mas também de encontro, debate e reconhecimento do cinema brasileiro contemporâneo”, afirma Esmon Primo, coordenador geral da Mostra Cinema Conquista. A curadoria deste ano é assinada por Erica Daniella, Rafael Carvalho e Rafael Oliveira. 

A programação também reúne uma seleção de filmes de peso na mostra não competitiva. São títulos que vêm ganhando destaque no cinema brasileiro contemporâneo, entre eles Apopcalipse Segundo Baby, de Rafael Saar; Morte e Vida Madalena, de Guto Parente; A Vida Secreta de Meus Três Homens, de Letícia Simões; e os baianos As Travessias de Letieres Leite, de Íris de Oliveira e Day Sena, e Anti-Heróis do Udigrudi Baiano, de Henrique Dantas. 

O evento também reserva para o encerramento um dos filmes brasileiros de repercussão recente: Nosso Segredo, primeiro longa-metragem dirigido por Grace Passô, grande vencedor do Festival de Gramado e que também foi exibido em Berlim. Atualmente em cartaz nos cinemas, a obra chega à Mostra Cinema Conquista entre os 15 longas selecionados pela Academia Brasileira de Cinema para representar o Brasil na disputa por uma indicação ao Oscar 2027.

Além das sessões de cinema, a programação da 17ª edição inclui oficinas, mesas temáticas e conferências, ampliando o espaço de formação, reflexão e debate sobre o audiovisual. O cronograma completo, com filmes, horários, sessões e classificação indicativa, estará disponível em breve no site oficial do evento.

Ao longo de mais de duas décadas de história, a Mostra Cinema Conquista consolidou sua atuação nos campos da circulação e difusão do cinema brasileiro contemporâneo. Desde 2004, mais de 700 filmes, entre longas, médias e curtas-metragens, já foram exibidos no evento. Nesse percurso, a mostra se tornou uma importante janela de acesso a obras que muitas vezes não chegam ao circuito comercial ou encontram pouca circulação fora dos grandes centros.

Conheça os filmes selecionados para a 17ª Mostra Cinema Conquista:

MOSTRA COMPETITIVA | LONGAS 

Cartas para…, de Vânia Lima (BA)
Itacoatiaras, de Sérgio Andrade e Patrícia Goùvea (AM/RJ)
Querido Mundo, de Miguel Falabella e Hsu Chien (RJ)
Sechiisland: A Vida como Obra de Arte, de Cláudia do Canto e João Paulo Miranda Maria (SP)
Só Não Posso Dizer o Nome, de Helvécio Ratton (MG)

MOSTRA COMPETITIVA | CURTAS

Banho Maria, de Gabriel Faccini (RS)
Bijupirá, de Eduardo Boccaletti (BA)
Corre um Rio em Mim, de Patrícia Moreira (BA)
Estrelas Mal Cruzadas, de Ana Clara Medeiros (BA)
Já Não Temos nem Vontade de Brigar, de Brunno Bimbati (SP)
Kakxop Pahok: As Crianças Cegas, de Cassiano Maxakali e Charles Bicalho (MG)
Mapago, de Marcus Teles (MS)
O Avesso da Atriz: Sônia Robatto, de Héwelin Fernandes (BA)
Os Arcos Dourados de Olinda, de Douglas Henrique (PE)
Samba Infinito, de Leonardo Martinelli (RJ)

MOSTRAS PARALELAS | LONGAS | FORA DE COMPETIÇÃO

A Batalha da Rua Maria Antônia, de Vera Egito (SP)
A Vida Secreta de Meus Três Homens, de Letícia Simões (PE)
Anistia 79, de Anita Leandro (RJ)
Anti-Heróis do Udigrudi Baiano, de Henrique Dantas (BA)
Apopcalipse Segundo Baby, de Rafael Saar (RJ)
Arquivo Vivo, de Ana Carvalho e Vincent Carelli (PE)
As Travessias de Letieres Leite, de Íris de Oliveira e Day Sena (BA)
Bruscky: Um Autorretrato, de Eryk Rocha (PE)
Morte e Vida Madalena, de Guto Parente (CE)
Nosso Segredo, de Grace Passô (MG)
Timidez, de Thiago Gomes Rosa e Susan Kalik (BA)

MOSTRAS PARALELAS | CURTAS | FORA DE COMPETIÇÃO

A Cachoeira, de Rayssa Coelho e Filipe Gama (BA)
A Estrela Guia de Evandro Correia, de Duba Rodrigues e Edinei Santos (BA)
A Nave que Nunca Pousa, de Ellen Morais (PB)
Árvore Genealógica, de Camila de Moraes (RS)
Besta do Ventre, de Pedro Tavares Filho (RS)
Cine-Memória no Tropeirismo, de Eduardo Rodrigues (BA)
Defloradas, de Luísa Reis (RJ)
FArDADO, de Dan Biurrum (BA)
Grão, de Gianluca Cozza e Leonardo da Rosa (RS)
Hacker Leonilia, de Gustavo Fontele Dourado (DF)
Maic Não Quer Cruzar, de Henrique Filho (BA)
O Brasil é Tri, de Edmundo Lacerda (PB/BA)
Omô Inã, os Filhos do Fogo, de Afonso Silvestre (BA)
Outros Santos, de Jorge Polo e Guilherme Souza (RJ)
Se Já é Tarde, Então me Parto, de Túlio Rodrigues (BA)

MOSTRAS PARALELAS | CINE-PRAÇA | FORA DE COMPETIÇÃO

A Fabulosa Máquina do Tempo, de Eliza Capai (RJ/PI)
A Natureza das Coisas Invisíveis, de Rafaela Camelo (DF)
Black Maria, de Nick Sanches (CE)
Dias de Tempestade, de Vítor Rocha (BA)
Mambembe, de Fabio Meira (GO)
Plano Secreto de Alie, de Lux Farr (CE)
Trincheiras, de Lucas da Rocha e Maria Clara Almeida (PE)

Foto: Divulgação.