15ª Mostra Ecofalante de Cinema: conheça os vencedores

por: Cinevitor
Vincent Carelli e Juliana Borges: premiados

Foram anunciados neste domingo, 07/06, no Reserva Cultural, em São Paulo, os vencedores da 15ª edição da Mostra Ecofalante de Cinema, o mais importante evento audiovisual sul-americano dedicado às temáticas socioambientais

Neste ano, os documentários Arquivo Vivo, de Vincent Carelli e Ana Carvalho, e Mounir, de Juliana Borges, conquistaram o prêmio de melhor longa-metragem da seção Territórios e Memória, a principal competição do evento. O júri, formado por Djin Sganzerla, Lorran Dias e Tide Borges, concebeu uma Menção Honrosa para A Fabulosa Máquina do Tempo, de Eliza Capai, que acumulou também o Prêmio do Público.

Obra exibida em pré-estreia mundial, Arquivo Vivo revisa a atuação junto a comunidades indígenas do projeto Vídeo nas Aldeias, do qual Vincent Carelli é um dos fundadores. O filme revela a devolução dos arquivos captados ao longo de 40 anos para as novas gerações das primeiras comunidades visitadas pelo projeto. Em seu parecer, os jurados destacaram tratar-se de “um filme que não trata as imagens como vestígios imóveis do passado, mas como presenças que retornam às comunidades, às línguas, aos rituais, às lutas e aos modos de vida dos povos originários”

Com sua primeira exibição brasileira na 15ª Mostra Ecofalante de Cinema, Mounir é uma obra que acompanha a trajetória de dez anos de um refugiado centro-africano cujas narrativas embaralham as fronteiras entre realidade e ficção. As filmagens ocorrem em três continentes diferentes, incluindo momentos cruciais na cidade de São Paulo, onde o protagonista se estabelece e conhece a diretora do filme, Juliana Borges, e viagens à África. Segundo o júri do festival, o filme “transforma uma trajetória singular em uma experiência profundamente humana”. E mais: “Com sensibilidade, delicadeza e riqueza de nuances, o filme nos convida a atravessar fronteiras geográficas, afetivas e culturais, revelando a complexidade de uma vida marcada pela coragem, pela memória e pelos deslocamentos”

A Fabulosa Máquina do Tempo, que teve pré-estreia mundial no Festival de Berlim, retrata meninas no sertão do Piauí, em Guaribas, equilibrando a vida difícil de suas mães com sonhos de futuro, focando na transição para a adolescência. Com tom lúdico e doce, o filme aborda questões sociais, de gênero e a pobreza, celebrando a infância através da imaginação. Segundo o parecer do júri da 15ª Mostra Ecofalante de Cinema, a obra “enfrenta o desafio de abordar questões duras, especialmente para as mulheres que vivem longe dos grandes centros urbanos, sem perder de vista a potência da imaginação e da esperança”

Na categoria de curtas-metragens da competição Territórios e Memória, analisada pelo mesmo corpo de jurados, o contemplado foi A Pele do Ouro, produção de Roraima dirigida por Marcela Ulhoa e Yare Perdomo. Com uma corajosa abordagem sobre a exploração sexual em garimpos da Amazônia, o filme teve sua premiação justificada pelos jurados do evento devido à sua “força estética e relevância política que emanam do universo filmado para pensar os territórios e memórias do Brasil”

O alagoano O Mapa em que Estão Meus Pés, de Luciano Pedro Jr., recebeu Menção Honrosa do júri; o filme, que revive a memória de um pescador e agricultor do litoral alagoano, “se destacou por sua delicadeza formal, sua construção poética e sua capacidade de transformar paisagem em memória afetiva” na opinião dos jurados. Por sua vez, Replikka, vencedor do Prêmio do Público, uma coprodução entre Brasil, Estados Unidos e Reino Unido dirigida por Piratá Waurá e Heloisa Passos, retrata a reconstrução de uma gruta sagrada vandalizada em 2018, sendo inteiramente falado na língua indígena aruak e realizada com apoio de jovens da aldeia; o curta já havia sido premiado como melhor filme internacional no Hot Docs, o maior festival de documentários da América do Norte.

Um Pé de Caju, da dupla Pablo Monteiro e Cadu Marques, da Universidade Federal do Maranhão, venceu a premiação de melhor filme da competição Curta Ecofalante, exclusiva para obras de alunos de cursos audiovisuais. A obra retrata a importância da educação em uma comunidade quilombola para a garantia da preservação de seus valores históricos. Para o júri desta competição, sua premiação se deve ao fato de que “o filme reflete sobre como aqueles que saíram para estudar e retornaram ao território transformam a educação em uma ferramenta de fortalecimento coletivo”.

Uma Menção Honrosa foi destinada à Av. São João, 588, de Bruna Resende e Matheus Barbosa. Produzido por alunos do Senac de São Paulo, o filme narra a luta das mulheres pelo direito a uma moradia digna. Segundo os jurados, o filme evidencia “a potência de suas vozes e de seus modos de organização coletiva, reafirmando a importância de garantir o direito à cidade”. O júri desta premiação foi formado por Isaac Pipano, Larissa Barbosa e Luciana Resende. Pelo voto do público, o contemplado do Curta Ecofalante foi o paulista Trago Seu Amor de Volta, de Raíssa Anjos, realizado por alunos da ECA-USP; o filme acompanha uma personagem que encontra cartas de amor escritas por sua falecida mãe e parte em busca do destinatário desconhecido.

Considerado o mais importante evento audiovisual da América do Sul focado em questões socioambientais, o festival teve início no dia 28 de maio a segue até 10 de junho na cidade de São Paulo ocupando o Reserva Cultural, Centro Cultural São Paulo e mais 26 espaços culturais do Circuito Spcine, sempre com entrada gratuita; além de uma seleção em duas plataformas de streaming parceiras: Itaú Cultural Play e Spcine Play

Conheça os vencedores da 15ª Mostra Ecofalante de Cinema:

COMPETIÇÃO TERRITÓRIOS E MEMÓRIA

PRÊMIO DO JÚRI | MELHOR LONGA-METRAGEM
Arquivo Vivo, de Vincent Carelli e Ana Carvalho (PE)
Mounir, de Juliana Borges (SP)

MENÇÃO HONROSA | LONGA-METRAGEM
A Fabulosa Máquina do Tempo, de Eliza Capai (RJ)

PRÊMIO DO JÚRI | MELHOR CURTA-METRAGEM
A Pele do Ouro, de Marcela Ulhoa e Yare Perdomo (RO)

MENÇÃO HONROSA | CURTA-METRAGEM
O Mapa em que Estão Meus Pés, de Luciano Pedro Jr. (AL)

PRÊMIO DO PÚBLICO | LONGA-METRAGEM
A Fabulosa Máquina do Tempo, de Eliza Capai (RJ)

PRÊMIO DO PÚBLICO | CURTA-METRAGEM
Replikka, de Piratá Waurá e Heloisa Passos (MT/PR/RJ)

CONCURSO CURTA ECOFALANTE

MELHOR FILME
Um Pé de Caju, de Pablo Monteiro e Cadu Marques (MA)

MENÇÃO HONROSA
Av. São João, 588, de Bruna Resende e Matheus Barbosa (SP)

PRÊMIO DO PÚBLICO
Trago Seu Amor de Volta, de Raíssa Anjos (SP)

Foto: Divulgação.

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