Cine PE 2026: conheça os vencedores

por: Cinevitor
Equipe do longa Mapas, de Rafael Lobo: quatro prêmios

Foram anunciados neste domingo, 07/06, no Teatro do Parque, no Recife, em cerimônia apresentada pela atriz pernambucana Nínive Caldas, os vencedores da 30ª edição do Cine PE – Festival do Audiovisual.

Mais do que celebrar três décadas de existência, em uma semana histórica para o audiovisual brasileiro, o festival tornou-se um símbolo de resistência, continuidade e amor ao cinema nacional em um momento de profunda emoção para toda a sua equipe.

Finalizada poucos dias após o falecimento de seu idealizador, Alfredo Bertini, a edição de 2026 foi marcada por uma mobilização coletiva para que o festival acontecesse da forma como ele sempre desejou. Entre homenagens, exibições e encontros, convidados, realizadores, parceiros, imprensa e equipe transformaram a dor da despedida em uma celebração do legado construído ao longo de 30 anos.

Para Sandra Bertini, diretora do festival, a realização desta edição só foi possível graças à rede de afeto construída por Alfredo ao longo de sua trajetória: “Vivemos dias muito difíceis, mas também muito bonitos. Recebemos demonstrações de carinho de todos os lugares do Brasil. Dos realizadores, dos convidados, da imprensa, dos parceiros e da nossa equipe. Foi uma edição marcada por um sentimento muito especial porque ao mesmo tempo em que sentimos a ausência de Alfredo, celebramos tudo o que ele construiu. O amor que ele dedicou ao cinema voltou para nós em forma de acolhimento. Tenho certeza de que ele estaria muito feliz e emocionado com tudo o que aconteceu aqui”

Para Vitor Bertini, que passa a dividir com a mãe a responsabilidade de conduzir o futuro do festival, a continuidade do Cine PE representa o compromisso de preservar um legado construído ao longo de três décadas: “Meu pai dedicou a vida a este festival. Cresci acompanhando os bastidores do Cine PE e vendo de perto o amor que ele tinha por esse terceiro filho. Assumir essa responsabilidade ao lado da minha mãe é uma missão que carrego com muito orgulho e senso de dever. Nada vai substituir a presença dele, mas vamos trabalhar para honrar sua memória e garantir que esse legado continue vivo pelas próximas gerações”

Os premiados e a equipe do Cine PE no palco: homenagem para Alfredo Bertini

Um dos momentos mais emocionantes da cerimônia de encerramento foi a homenagem prestada à Gullane Entretenimento, uma das mais importantes produtoras do audiovisual brasileiro. Representando a empresa, Fabiano Gullane recebeu a Calunga Dourada em reconhecimento à contribuição da produtora para o fortalecimento do cinema brasileiro: “Eu fiquei muito emocionado quando o Alfredo e a Sandra me chamaram. O Bicho de Sete Cabeças foi o primeiro filme da Gullane e foi muito importante pra gente estar aqui com ele. Então, a história da Gullane se mistura com a do Cine PE”. Na sequência, foi exibido, fora de competição, o longa O Cobrador de Fraque, de Tomas Portella, protagonizado por Leandro Ramos.

Na mostra competitiva de longas-metragens, o grande vencedor foi Resta Um, de Fernando Ceylão, que conquistou a Calunga de melhor filme pelo Júri Oficial, que foi formado por Carolina Kasting, Flavia Guerra, Fred Avellar, Helvécio Ratton e Sabrina Fidalgo. O longa também recebeu os prêmios de melhor roteiro, melhor ator coadjuvante e melhor atriz coadjuvante: “Essa é a nossa estreia no festival. Um momento muito importante pra gente”, afirmou Catarina Chamon, da Rubi Produtora

O prêmio de melhor direção ficou com Eliza Capai por A Fabulosa Máquina do Tempo, filme que também recebeu as Calungas de melhor trilha sonora, melhor atriz e o Prêmio da Crítica, realizado pela Abraccine, Associação Brasileira de Críticos de Cinema, que contou com Enoe Lopes Pontes, Priscila Urpia e Sihan Felix no júri. O longa Mapas, de Rafael Lobo, foi consagrado com quatro troféus, entre eles, o de melhor ator para Caique Copque

Na mostra competitiva de curtas-metragens nacionais, o destaque foi o pernambucano Os Arcos Dourados de Olinda, dirigido por Douglas Henrique, vencedor da Calunga de melhor filme, além dos prêmios de melhor roteiro e melhor montagem: “Esse filme foi feito a partir da coletividade das histórias. Esse é o cinema em que acredito: um cinema feito em Pernambuco e para as pessoas de Pernambuco”, destacou o diretor, que não marcou presença na cerimônia, mas enviou uma mensagem. 

Já na mostra competitiva de curtas pernambucanos, o grande vencedor foi Os Urso e Nós, de Maria Acselrad, que conquistou os prêmios de melhor filme, melhor direção, melhor edição de som, melhor trilha sonora e também o Prêmio do Público: “Eu perguntei aos Ursos o que eles gostariam de dizer e a resposta foi uníssona: a La Ursa quer dinheiro, quem não dá é pirangueiro. Mas eles não querem só dinheiro, não. Eles querem o fortalecimento da cultura”, pontuou a diretora. O júri de curtas contou com Lucio Vilar, Marcus Vilar, Margarita Hernandez, Priscila Tapajowara e Simone Zuccolotto

Conheça os vencedores do 30º Cine PE – Festival do Audiovisual:

MOSTRA COMPETITIVA DE LONGAS-METRAGENS

Melhor Filme: Resta Um, de Fernando Ceylão (RJ)
Melhor Direção: Eliza Capai, por A Fabulosa Máquina do Tempo
Melhor Roteiro: Resta Um, escrito por Fernando Ceylão
Melhor Atriz: Coletivo de atrizes do filme A Fabulosa Máquina do Tempo
Melhor Atriz Coadjuvante: Perla Carvalho, por Resta Um
Melhor Ator: Caique Copque, por Mapas
Melhor Ator Coadjuvante: Ítalo Martins, por Resta Um
Melhor Fotografia: Mapas, por Emília Silberstein
Melhor Direção de Arte: Doutor Monstro, por Débora Padial e Laís Vieira
Melhor Montagem: Mapas, por Rafael Lobo e Tainá Menezes
Melhor Trilha Sonora: A Fabulosa Máquina do Tempo, por Décio 7
Melhor Edição de Som: Mapas, por Olivia Hernandez

MOSTRA COMPETITIVA DE CURTAS-METRAGENS NACIONAIS

Melhor Filme: Os Arcos Dourados de Olinda, de Douglas Henrique (PE)
Melhor Direção: Daniel Jaber e Lu Damasceno, por João-de-Barro
Melhor Roteiro: Os Arcos Dourados de Olinda, escrito por Arnon Hochman e Douglas Henrique
Melhor Ator: Daniel Jaber, por João-de-Barro
Melhor Atriz: Gleide Firmino, por Via Sacra
Melhor Fotografia: Mercado Central, por Danilo Rosa
Melhor Direção de Arte: Mercado Central, por Neila Albertina
Melhor Montagem: Os Arcos Dourados de Olinda, por Douglas Henrique
Melhor Trilha Sonora: Da Aldeia à Universidade, por Heitor Martins Oliveira
Melhor Edição de Som: O Véu, por Jonts Ferreira

MOSTRA COMPETITIVA DE CURTAS-METRAGENS PERNAMBUCANOS

Melhor Filme: Os Ursos e Nós, de Maria Acselrad
Melhor Direção: Maria Acselrad, por Os Ursos e Nós
Melhor Roteiro: Velha Roupa Colorida, escrito por Eduardo Santiago
Melhor Ator: Beto Aragão, por Velha Roupa Colorida
Melhor Fotografia: Salam, por William Tenório
Melhor Direção de Arte: Medo Monstro, por Andrew Gladson e Eduardo Padrão
Melhor Montagem: Salam, por Rafaela Albuquerque e William Tenório
Melhor Trilha Sonora: Os Ursos e Nós, por Sérgio Godoy
Melhor Edição de Som: Os Ursos e Nós, por Felipe Peixoto

*O júri da mostra de curtas-metragens pernambucanos decidiu declarar deserta a categoria de melhor atriz

OUTROS PRÊMIOS

JÚRI POPULAR
Melhor Curta Pernambucano: Magritte, de Tom Nogueira
Melhor Curta Nacional: Mercado Central, de Tássia Dhur (MA)
Melhor longa-metragem: Mapas, de Rafael Lobo (DF)

PRÊMIO DA CRÍTICA | ABRACCINE
Melhor Curta Nacional: Mercado Central, de Tássia Dhur (MA)
Melhor longa-metragem: A Fabulosa Máquina do Tempo, de Eliza Capai (RJ)

Fotos: Felipe Souto Maior.

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