Festival de Cinema de Locarno 2026: A Margem do Rio, de Matheus Farias e Enock Carvalho, é selecionado

por: Cinevitor
Caique Copque e Ítalo Martins em A Margem do Rio, de Matheus Farias e Enock Carvalho

A 79ª edição do Festival de Cinema de Locarno, que acontecerá entre os dias 5 e 15 de agosto na Suíça, anunciou os filmes selecionados para este ano. Com uma programação eclética, o evento é considerado um dos principais festivais de cinema autoral do mundo.

Na Competição Internacional, na qual os títulos disputam o Leopardo de Ouro, vale destacar a presença do brasileiro A Margem do Rio, escrito e dirigido por Matheus Farias e Enock Carvalho. Rodado no Recife e estrelado por Caique Copque, premiado recentemente como melhor ator no Cine PE por Mapas, e Ítalo Martins, de O Agente Secreto e Guerreiros do Sol, também premiado no Cine PE como melhor ator coadjuvante por Resta Um, o filme marca a estreia dos diretores em um longa-metragem após uma sequência de celebrados curtas-metragens, incluindo o premiado Inabitável, exibido em diversos festivais. 

Em A Margem do Rio, Izaquiel (Caique Copque) trabalha como auxiliar de serviços gerais no Recife, cidade entrecortada por rios e manguezais. À noite, ele se aventura perigosamente em busca de encontros secretos no mangue. Seu mundo vira de cabeça para baixo quando ele cruza o caminho de Jeremias (Ítalo Martins), um pescador intrigante e magnético. À medida que uma ameaça externa invade o lugar trazendo violência, Jeremias conduz Izaquiel numa jornada rumo às profundezas do coração do manguezal.

“Estamos muito honrados com o convite do festival, que vem no momento certo: acabamos de finalizar o filme e já temos a oportunidade de apresentá-lo pro mundo. Locarno é um lugar célebre pro cinema de autor, grandes cineastas já passaram seus filmes no festival. É uma grande honra”, declara Enock Carvalho. E Matheus Farias completa: “O cinema pernambucano já ocupa um lugar de destaque no cenário internacional. Nos últimos anos, nossos filmes estiveram em Cannes, Berlim, Veneza, Rotterdam e tantos outros festivais importantes. Estrear A Margem do Rio na competição principal de Locarno significa dar continuidade a essa tradição e enfatizar a força de uma cinema que desenvolveu uma identidade muito própria, tanto nas histórias que conta quanto na forma de contá-las. É muito bonito ver filmes feitos no Recife dialogando com públicos do mundo inteiro”

O produtor Maurício Macêdo também comentou a seleção: “Essa estreia representa um momento muito especial na trajetória do filme. É a celebração de um percurso construído ao longo de anos por uma equipe extraordinária e por parceiros que acreditaram no projeto desde o início. Esperamos que seja o início de uma longa trajetória e que essa história, tão profundamente enraizada no Recife, encontre ressonância junto ao público de diferentes partes do mundo”

O ator Caique Copque em cena do filme

Além de Caique Copque e Ítalo Martins, o longa também traz em seu elenco Robério Diógenes, Carlos Francisco, Isis Broken, Renna Costa, Enio Cavalcanti, Artia Lauandah, Albert Tenório, Ana Luiza Rios, Andrea Rosa, Bruno Goya, Igor de Araújo, Mariza Moreira, Matheus Neves, Mauricéa Conceição, Merry Batista, Naywá Moura, Raphael Bernardo e Rubens Santos

A Margem do Rio é uma coprodução entre Gatopardo Filmes, Moçambique Audiovisual e Vitrine Filmes, em parceria com a Tama Filmproduktion (Alemanha). O filme foi realizado com recursos da Ancine e do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), por meio do BRDE, e do Funcultura, contando ainda com o apoio do Projeto Paradiso, do World Cinema Fund e do Hubert Bals Fund. A distribuição no Brasil é da Vitrine Filmes.

A equipe do longa pernambucano conta com: Luciana Baseggio na direção de fotografia e Maíra Mesquita na direção de arte; Gabriella Marra e Maria Eugênia Cox assinam o figurino. A caracterização é de Patricia Martinelli e o som direto de Moabe Filho e Guma Farias. O elenco é assinado por Maria Clara Escobar com preparação de Nash Laila; a montagem é de Matheus Farias com Will Domingos. A música original é assinada por IDLIBRA, o desenho de som é de Daniel Turini, que também faz a mixagem, com João Victor Coura; Samanta do Amaral é a colorista. A direção de produção é de Mariana Jacob, com coprodução de Flavia Oertwig, Silvia Cruz e Letícia Friedrich; Breno Baptista assina como primeiro assistente de direção. As filmagens ocorreram entre julho e setembro de 2025 no Recife, com uma equipe de 150 profissionais, entre elenco e equipe técnica, e a pós-produção durou oito meses.

Já na mostra Concorso Cineasti del presente, que traz uma seleção de primeiro e/ou segundo longa-metragem, principalmente estreias mundiais, dirigidos por talentos globais emergentes, o Brasil aparece com Hanabi, de Ana Vaz, uma coprodução entre França e Brasil; a diretora já participou do festival em 2022, nesta mesma mostra, com É Noite na América. E também: Los días libres, de Lucila Mariani, uma coprodução entre Argentina, Brasil (Vulcana Cinema), México e França

Além disso, Paper Tiger, do cineasta James Gray, será exibido ao ar livre na mostra Piazza Grande. O longa é produzido pelo brasileiro Rodrigo Teixeira, da RT Features, junto com a Leone Film Group e Keep Your Head Productions. A obra, adquirida pela Neon, é a terceira parceria entre a RT Features e o diretor americano e conta com Scarlett Johansson, Adam Driver e Miles Teller no elenco principal.

Além dos filmes, o Festival de Locarno também revelou os homenageados desta 79ª edição: a atriz Isabella Rossellini será honrada com o Excellence Award; o cineasta Darren Aronofsky receberá o Pardo d’Onore; o ator honconguês Jackie Chan será homenageado com o Pardo alla Carriera; a atriz e diretora italiana Asia Argento será honrada com o Life Achievement Award; o produtor cinematográfico islandês Sigurjón Joni Sighvatsson receberá o Raimondo Rezzonico Award; o maquiador e especialista em efeitos visuais Rick Baker será homenageado com o Vision Award; e a atriz Virginie Efira será honrada com o Leopard Club Award

Conheça os filmes selecionados para o Festival de Locarno 2026:

COMPETIÇÃO INTERNACIONAL

A Margem do Rio, de Matheus Farias e Enock Carvalho (Brasil/Alemanha)
Alberi erranti, de Salvatore Mereu (Itália)
Brave New Love, de Maria Bäck (Dinamarca/Suécia/Grécia)
D’ici là, de Sarah Leonor (França)
I Rarely Wake Up Dreaming, de Isabelle Stever (Alemanha/Ucrânia)
Ketticè, de Giovanni Tortorici (Itália)
Lejos de los árboles, de Meritxell Colell Aparicio (Espanha/Peru/Itália)
Manhunt, de Wayne Wapeemukwa (Canadá)
Nu e locul tau aici, de Florin Șerban (Romênia)
Nun Dul Dega Eomne, de Hong Sang-soo (Coreia do Sul)
O Jacaré, de Basil da Cunha (Suíça/Portugal)
Objet a, de Ann Oren (Alemanha/Luxemburgo/Grécia)
Princesa Burro, de Cristóbal León e Joaquín Cociña (Chile/França/Uruguai/Holanda/Alemanha)
Rehmat, de Gurvinder Singh (Índia/França)
The House on the Moon, de Nelson Yeo (Singapura/Taiwan/Alemanha/Indonésia)
Thính Giác, de Lê Bảo (Vietnã/Singapura/Noruega/França/Indonésia/Arábia Saudita/Camboja/Tailândia/Taiwan)
Violence du corps de l’autre, de Denis Côté (Canadá)

CONCORSO CINEASTI DEL PRESENTE

At Night, de Beatrice Gibson (Reino Unido/França)
Demony, de Natalka Vorozhbyt (Ucrânia/Polônia)
Destroy All Girls, de Erin Vassilopoulos (EUA)
Ego Reach We All, de Amartei Armar (Gana/França)
Hanabi, de Ana Vaz (França/Brasil)
L’estive, de Naël Khleifi (Bélgica/França)
La ilusión de un verano sin fin, de Alessandra Sanguinetti (Argentina/EUA)
Los días libres, de Lucila Mariani (Argentina/Brasil/México/França)
Magic Atlas, de SUN Xun (Singapura)
Morgen vor langer Zeit, de Luise Donschen (Alemanha)
Revolutionaries Never Die, de Mohanad Yaqubi (Palestina/Bélgica/Qatar)
September Afternoon, de Nicolaas Schmidt (Alemanha)
Small Talk, de Mateo Ybarra (Suíça)
Tear Gas, de Uta Beria (Geórgia/França/Alemanha)
Todos mis viajes son viajes de regreso, de Manuel Ponce de León (Colômbia)

PARDI DI DOMANI | COMPETIÇÃO INTERNACIONAL

Another Day in the Metal Box, de Gleb Feldman (Ucrânia)
As a Cure, de Dorothea Sing Zhang (China/Reino Unido)
Aurora Borealis, de Valeriya Kim (Hungria/Bélgica/Portugal/Cazaquistão)
Dans les rêves quand on dort pas la nuit, de Rachel Gutgarts (França)
Drift, de Jérémie Danon e Kiddy Smile (França)
Hershewe Fazanawerd, de Elham Ehsas (Afeganistão/Reino Unido)
In the Silence After, de Sebastian Delascasas (Qatar/EUA/Colômbia)
Khufu, de Mahmoud Assi (Egito/França/Suécia/Canadá)
Las damas, de Camille Zéhenne (França)
Los andares, de Isa Luengo e Sofia Esteve (Espanha)
Melk, de Filip Anthonissen (Bélgica)
Mutrion, de Marco Cavazzin (Itália)
NADUPA, de Daniel Samwel (Tanzânia)
No Tengo Boca, Aun Así Debo Gritar, de Diego Andrés Murillo e Eduardo Andrés Díaz (Venezuela/EUA)
Obscura, de Timoteus Anggawan Kusno (Indonésia/Holanda)
Piluk, de Elisapie Isaac e Marc Séguin (Canadá)
Premier Feu, de Blanca Camell Galí (França/Espanha)
The Architect Who Built His Own Collapse, de Chun Tien Chen (Taiwan)
Together, de NEOZOON (Alemanha)
Yek Rooz-e Shirin, de Omid Abdollahi (Irã)

PARDI DI DOMANI | COMPETIÇÃO NACIONAL

Alles Gute, de Patricia Strübin (Suíça)
Gherking, de Claudius Gentinetta (Suíça)
Lääne/Vostok, de Elia Canevascini (Suíça)
Maids of Petroleum, de Hans Baumann (EUA)
Respirer une fois sur trois, de Charlyne Genoud (Suíça)
Singularity, de Marjolaine Perreten (Suíça)
Street of Resistance, de Jan Ciallella (Suíça)
The First Flower, de Astrit Ismaili (Kosovo/Suíça/Holanda)
Typhoon Mambo, de Domenico Singha Pedroli (Suíça/França/Tailândia)
Zrugg, de Lars Mulle (Suíça)

PARDI DI DOMANI | CONCORSO CORTI D’AUTORE

Ãsheghetam, de Filmsaaz (França/Suíça/Irã)
Elegy for the Forgotten, on an Endless War, de Bani Khoshnoudi (Irã/França)
Et si Thuy n’existait pas, de Carlo Francisco Manatad (Filipinas/França/Indonésia)
Private Property, de Deepak Rauniyar (EUA/Nepal/França)
Quelque part dans un pays libre, de Antonin Peretjatko (França)
Shi Hou, de Hao Zhou (EUA/China)
The Blessing, de Caroline Poggi e Jonathan Vinel (França/Suíça)
The Bovine Comedy, de Ratchapoom Boonbunchachoke (França)
The God That Destroys, de Jyoti Mistry (Áustria/Suécia)
The Wind, One Brilliant Day, de Ben Rivers (China/Reino Unido)

PIAZZA GRANDE

Armony, de Dario Albertini (Itália)
Congo Boy, de Rafiki Fariala (República Centro-Africana/França/República Democrática do Congo/Itália)
Coração Selvagem (Wild at Heart), de David Lynch (1990) (EUA)
Dança com Lobos (Dances with Wolves), de Kevin Costner (1990) (EUA/Reino Unido)
Demain je tombe amoureux, de Martin Provost (França/Bélgica)
Down the Arm of God, de Peter Brunner (França/EUA)
Frank & Louis, de Petra Volpe (Suíça/Reino Unido)
Ich ist ein Anderer, de Felix Randau (Alemanha/Áustria)
Il Cileno, de Sergio Castro-San Martín (Itália/Chile/Suíça)
Les Yeux Verts, de Fanny Liatard e Jérémy Trouilh (França/Bélgica/Suécia)
Ni vue, ni connue, de Marc Fitoussi (França/Bélgica)
O Convite (The Invite), de Olivia Wilde (EUA)
Paper Tiger, de James Gray (EUA)
Taxi Driver, de Martin Scorsese (1976) (EUA)

*Clique aqui e confira a programação completa com os filmes selecionados

Foto: Divulgação/Vitrine Filmes.

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