A 33ª edição do Festival de Cinema de Vitória, que acontecerá entre os dias 18 e 25 de julho, acaba de anunciar que o cineasta Rodrigo Aragão, autor de uma cinematografia criadora de mundos fantásticos, será o Homenageado Capixaba deste ano. Como parte da homenagem, ele receberá o Troféu Vitória e o Caderno do Homenageado, publicação inédita que traz uma extensa reportagem sobre a sua trajetória artística assinada pelos jornalistas Leonardo Vais e Paulo Gois Bastos.
Em comunicado oficial, Aragão disse: “Uma frase que repito muito desde que faço filmes e que aprendi sobre regionalismo é: ‘canta sua aldeia e encantará o mundo’. Estou muito feliz porque estou sendo homenageado na minha aldeia, que é o lugar mais importante do mundo pra mim. Sempre cantei minha aldeia para o mundo, por isso essa é a homenagem mais importante que eu poderia receber”.
Com mais de 30 anos de carreira, Rodrigo Simões Aragão é um dos nomes mais importantes do cinema de horror no Brasil. Nascido em 18 de janeiro de 1977, na cidade de Guarapari, filho de uma dona de casa com um mágico, que também foi dono de um cinema, tendo o lúdico e o fantástico como constantes na sua infância, ele cresceu desenhando, criando monstros e assustando os vizinhos. Aragão trilhou um caminho singular no cinema onde a sua vontade de contar histórias foi materializada em grande parte pelo seu talento para os efeitos especiais práticos.
Rodrigo estreou no cinema em 1994, aos 17 anos, no curta-metragem A Lenda de Proitner, da diretora Luiza Lubiana, onde foi o responsável pela maquiagem. Antes de chegar às telas como diretor, Aragão idealizou e atuou no espetáculo de terror Mausoleum, apresentado entre 2000 e 2004, nas cidades de Guarapari, Belo Horizonte e Salvador, se apresentando para um público de aproximadamente 30 mil pessoas.
Gilda Nomacce no longa Prédio Vazio, de Rodrigo Aragão
Diretor, roteirista e produtor, Aragão é um dos nomes mais importantes do cinema de horror do país e um dos profissionais do audiovisual brasileiro de maior expressão no mercado internacional. Com uma carreira autoral independente, seus trabalhos já foram exibidos em mais de 140 festivais pelo mundo, tendo recebido 36 prêmios nacionais e internacionais, realizado parcerias com grandes empresas do audiovisual como Globo Filmes, O2 e RT Features. Em 2023, inaugurou seu estúdio, a Fábula Filmes, que realiza uma série de formações nas diversas áreas do audiovisual.
No currículo, ele possui oito longas-metragens, como o recente Prédio Vazio (2025), sua primeira produção urbana e com parte da equipe formada pelas oficinas da Fábulas Filmes, que foi premiada na 28ª edição da Mostra de Cinema de Tiradentes; O Cemitério das Almas Perdidas (2020), uma das suas obras mais ambiciosas e exibida no 27º Festival de Cinema de Vitória; e Mangue Negro (2008), que marca sua estreia na direção de longas e foi filmado na manguezal de Guarapari. O filme faz parte de uma trilogia que inclui os títulos Mar Negro (2013) e A Mata Negra (2018). Seu projeto mais recente, em fase de pós-produção, é Folclórica, voltada para o público infantojuvenil e todo feito com bonecos.
Juntamente com Petter Baiestorf, José Mojica Marins e Joel Caetano, importantes nomes do cinema de terror, Rodrigo Aragão assina a direção e produção de As Fábulas Negras (2015), uma antologia fílmica composta por cinco histórias macabras tipicamente brasileiras. A sua filmografia também inclui sete curtas-metragens com destaque para o clássico Chupa-Cabra (2004), sua estreia como diretor audiovisual. Ele também dirigiu a websérie Assombrações (2022), além de ter dirigido um dos episódios da série Noturnos, do Canal Brasil, baseada em textos de Vinicius de Moraes.
O diretor é um dos profissionais mais requisitados nas áreas de maquiagem de efeitos especiais e direção de efeitos especiais práticos. Entre as dezenas de trabalhos em que atuou, destaque para o recente Enterre Seus Mortos (2024), de Marco Dutra, e o ainda inédito Nova Éden, de Aly Muritiba.
Marcelo Pinheiro e Allan Deberton: dois prêmios para o longa Feito Pipa
Foram anunciados neste sábado, 25/04, em cerimônia apresentada pelo ator mexicano Andrés Zuno, os vencedores da 41ª edição do Festival Internacional de Cine en Guadalajara, considerado um dos mais fortes da América Latina.
O longa Querida Fátima, dirigido por Lorena Gutiérrez Rangel, Su Kim, Jesús Quintana Vega, Rodrigo Reyes e Dawn Valadez, recebeu o Prêmio Mezcal de melhor filme, que destaca o cinema mexicano; a categoria de melhor interpretação consagrou o ator Oustin de León por seu trabalho em Soy Mario.
Neste ano, o cinema brasileiro se destacou na premiação com diversos títulos, entre eles, o cearense Feito Pipa, de Allan Deberton, que foi consagrado no Prêmio Maguey, seção que exibe títulos que abordam temas queer relacionados à comunidade LGBTQ+; o longa levou os prêmios de melhor filme e melhor interpretação para Yuri Gomes e Teca Pereira. O júri, formado por Andreas Bühlmann, Keith Bennie, Trinidad González, Michel Salazar e Coty Camacho justificou: “Este filme nos mostra a magia, a inocência e o amor por meio de seus personagens. O filme constrói uma história universal a partir do ponto de vista de um personagem, complementada pelo design de produção, pelas atuações e pela cinematografia. E, especialmente, nos convida a trabalhar e a construir em espaços seguros para as identidades queer e para as pessoas que amamos”.
Feito Pipa acompanha Gugu, interpretado por Yuri Gomes, um menino que sonha em se tornar jogador de futebol e vive com a avó Dilma, papel de Teca Pereira, que o cria de forma livre e afetuosa. Quando a saúde de Dilma se fragiliza, ele tenta esconder a situação para evitar ser separado dela e precisar ir morar com o pai, vivido por Lázaro Ramos. Rodado em Quixadá, no interior do Ceará, o longa constrói uma narrativa sensível sobre amadurecimento, pertencimento e afeto.
O diretor Allan Deberton, que também dirigiu Pacarrete e O Melhor Amigo, esteve presente na premiação, ao lado do produtor Marcelo Pinheiro, e comentou a conquista: “Foram dias incríveis em Guadalajara, com uma recepção carinhosa do público em todas as sessões. Sair duplamente premiado é uma honra. Dedico a todos que fizeram parte do filme, que o apoiaram e o fizeram existir. Agradeço a curadoria, a direção e a equipe do festival pela acolhida. A história de Gugu e Dilma tem emocionado por onde passa. Desde Berlim, o filme e o elenco têm encantado o público e é muito bom estar acompanhando essa recepção tão calorosa”.
O Brasil também se destacou com outros títulos premiados: o curta-metragem Replikka, de Piratá Waurá e Heloisa Passos, recebeu uma Menção Honrosa; Coração das Trevas, de Rogério Nunes, foi eleito o melhor longa-metragem internacional de animação; e o longa A Fabulosa Máquina do Tempo, dirigido por Eliza Capai, recebeu o Prêmio Técnico-Artístico entre os documentários.
Além dos premiados, o cinema brasileiro marcou presença com diversos títulos na seleção, como: Precisamos Falar, de Rebeca Diniz e Pedro Waddington; Eu Vou Ter Saudades de Você, de Daniel Ribeiro; os curtas-metragens Apnea, de Thales Pessoa e O Véu, de Gabriel Motta; La couleuvre noire, de Aurélien Vernhes-Lermusiaux, uma coprodução entre França, Colômbia e Brasil; e a animação Mi amigo el sol, de Alejandra Pérez González, uma coprodução entre México e Brasil. Rosebush Pruning, do diretor brasileiro Karim Aïnouz, foi exibido fora de competição.
Já no DocuLab, um programa da indústria do FICG, cujo objetivo é promover o desenvolvimento de cineastas ibero-americanos e seus filmes documentários na fase de montagem, o Brasil se destacou com Boy, de Michel Carvalho, e Os Arquivos Impossíveis, de José Eduardo Lins; Tempo Meio Azul Piscina, de Sofia Federico, foi exibido no Guadalajara Construye, que apresenta longas-metragens de ficção em versão preliminar buscando financiamento para a conclusão e distribuição.
Nesta 41ª edição, o cineasta Darren Aronofsky foi o Homenageado Internacional e, durante a cerimônia de premiação, subiu ao palco para receber tal honraria: “Estar aqui, neste festival de cinema, é um lembrete de como a narrativa é importante. Contar histórias é a tecnologia humana original. É o que nos torna humanos. É o que nos torna seres humanos melhores. E estar neste festival de cinema com todos esses contadores de histórias, todas as histórias e o público que as recebe é, para mim, um lembrete constante de como é importante continuar criando. Então, para todos os jovens estudantes de cinema em Guadalajara, os jovens cineastas, lembrem-se de que vocês estão fazendo a coisa certa. Precisamos de vocês. Continuem trabalhando, continuem lutando. Eu sei que é muito difícil lá fora. Mas se você contar uma história que tenha significado para você, encontrará um público, com sorte não apenas em festivais como este, mas em todo o mundo”, discursou.
O filme de encerramento deste ano foi Un hijo propio, da aclamada diretora chilena Maite Alberdi. O documentário conta a história de Alejandra, uma mexicana que finge estar grávida por vários meses diante de sua família, levando-a a enfrentar uma complexa crise psicológica e social que acaba se tornando um escândalo midiático.
Conheça os vencedores do 41º Festival Internacional de Cinema de Guadalajara:
PRÊMIO MEZCAL
Melhor Filme Mexicano: Querida Fátima, de Lorena Gutiérrez Rangel, Su Kim, Jesús Quintana Vega, Rodrigo Reyes e Dawn Valadez Melhor Direção: Lorena Gutiérrez Rangel, Su Kim, Jesús Quintana Vega, Rodrigo Reyes e Dawn Valadez, por Querida Fátima Melhor Realização Técnico-Artística | Fotografia: Ciudad de muertos, por Diego Tenorio Melhor Interpretação: Oustin de León, por Soy Mario Prêmio do Público: Querida Fátima, de Lorena Gutiérrez Rangel, Su Kim, Jesús Quintana Vega, Rodrigo Reyes e Dawn Valadez Prêmio do Júri Jovem: La misma sangre, de Ángel Ricardo Linares Colmenares
LONGA-METRAGEM IBERO-AMERICANO DE FICÇÃO
Melhor Filme: Hangar rojo, de Juan Pablo Sallato (Chile/Argentina/Itália) Melhor Direção: Juan Pablo Sallato, por Hangar rojo Melhor Roteiro: Hangar rojo, escrito por Luis Emilio Guzmán Melhor Interpretação: Nicolás Zárate, por Hangar rojo e María Magdalena Sanizo, por La hija cóndor Melhor Realização Técnico-Artística: Hangar rojo, de Juan Pablo Sallato Melhor Filme de Estreia: Barrio triste, de STILLZ (Colômbia/EUA) Menção Honrosa | Filme de Estreia: Nunkui, de Verenice Benitez (Equador/Chile/Alemanha)
CURTA-METRAGEM IBERO-AMERICANO
Melhor Curta: Tres, de Juan Ignacio Ceballos (Argentina) Menção Honrosa: Replikka, de Piratá Waurá e Heloisa Passos (Brasil/EUA/Reino Unido)
PRÊMIO MAGUEY
Melhor Filme: Feito Pipa, de Allan Deberton (Brasil) Menção Honrosa: Nuestro cuerpo es una estrella que se expande, de Semillites Hernández Velasco e Tania Hernández Velasco (México) Prêmio do Júri: Soy Mario, de Sharon Kleinberg (México) Melhor Interpretação: Yuri Gomes e Teca Pereira, por Feito Pipa
LONGA-METRAGEM INTERNACIONAL DE ANIMAÇÃO
Melhor Filme: Coração das Trevas, de Rogério Nunes (Brasil/França)
LONGA-METRAGEM IBERO-AMERICANO DE DOCUMENTÁRIO
Melhor Filme: Niñas escarlata, de Paula Cury (República Dominicana/México/Alemanha) Menção Honrosa: Flores para Antonio, de Elena Molina e Isaki Lacuesta (Espanha) Melhor Direção: Paula Cury, por Niñas escarlata Prêmio Técnico-Artístico: A Fabulosa Máquina do Tempo, de Eliza Capai
MOSTRA HECHO EN JALISCO
Melhor Longa: El círculo de los mentirosos, de Nancy Cruz Orozco (México) Melhor Curta: Mi lugar favorito, de Alejandro Hidrogo Arechiga, Luis Zamarroni, Mariana Salazar e Sergio Campestre (México)
PRÊMIO CINE SOCIOAMBIENTAL
Melhor Filme: Black Water, de Natxo Leuza (Espanha)
PRÊMO CINE DE GÉNERO
Melhor Filme: Alpha, de Julia Ducournau (França/Bélgica) Menção Honrosa: Motherwitch, de Minos Papas (Chipre/Macedônia do Norte/EUA) Menção Honrosa: Hablando con extraños, de Adrián García Bogliano (México)
PRÊMIO RIGO MORA
Melhor curta de animação: Una vez en un cuerpo, de María Cristina Pérez González (Colômbia/EUA) Menção Honrosa: El fantasma de la Quinta, de James A. Castillo (Espanha)
OUTROS PRÊMIOS
Prêmio FIPRESCI: Oca, de Karla Badillo (México/Argentina) Prêmio FEISAL: Aquí se escucha el silencio, de Gabriela Pena e Picho García (Chile)
Em sua estreia no cinema, o cantor e compositor Zé Ibarra será o narrador de Refestança: Diário, Fotos e Música (título provisório), no qual o diretor Vinícius Reis, de Homem Onça, Noites de Reis e Praça Saens Peña, reconstitui a turnê que Rita Lee e Gilberto Gil fizeram em 1977.
Ibarra encarna o repórter e fotógrafo de 23 anos, personagem misto de real e ficcional que, por um mês, viajou por oito capitais brasileiras com Rita, Gil e seus grupos, Tutti Frutti e Refavela.
O compositor, arranjador, multi-instrumentista e cantor brasileiro Zé Ibarra, nascido no Rio de Janeiro, chamou a atenção de grandes nomes da música popular brasileira como Milton Nascimento, Gal Costa e Ney Matogrosso. Em 2022, venceu o Grammy Latino como integrante da banda Bala Desejo na categoria de melhor álbum pop em português com Sim Sim Sim. Ele também foi indicado em setembro de 2025 na categoria de melhor canção em língua portuguesa com Transe.
Ibarra fez parte da banda Dônica, formada ao lado de Tom Veloso, filho de Caetano Veloso e Paula Lavigne, com quem lançou o disco Continuidade dos Parques. Depois disso, participou da criação do grupo Bala Desejo, ao lado de Dora Morelenbaum, Julia Mestre e Lucas Nunes, que surgiu durante a pandemia de Covid-19 nas lives de Teresa Cristina. O álbum de estreia do grupo trouxe forte inspiração dos anos 1970 e uma sonoridade carnavalesca, marcada por temas ligados ao desejo, ao prazer e à vida urbana contemporânea. Em carreira solo, Zé Ibarra lançou em 2025 o disco AFIM e, em 2023, o trabalho Marquês, 256.
Bastidores das filmagens de Refestança
O longa-metragem Refestança é um documentário feito a partir de cenas e entrevistas da época, reunindo Super-8, 16mm, reportagens e as cerca de 600 fotos que o fotógrafo Antônio Carlos Miguel fez para o Jornal de Música nos anos 1970. Para o diretor Vinícius Reis, o material resgatado revela muito mais do que um show: “Refestança foi um sopro de liberdade em plena ditadura, movido a amizades e com uma alta voltagem de boas músicas”.
Além da direção, Reis assina também o roteiro ao lado de Jô Serfaty; a direção de fotografia é assinada por Mariana Bley e a direção de arte é de Tainá Xavier. A equipe segue com consultoria de Antônio Carlos Miguel, Rosângela Nascimento no figurino, pesquisa iconográfica de Antônio Venâncio e produção musical de Alexandre Kassim; a edição é de Waldir Xavier e Eduardo Martino. Paula Cosenza, João Queiroz Filho, André Novis, Vinícius Reis e Mário Patrocínio assinam como produtores; a produção executiva é de Marina Pessoa.
Produzido pelo Ventre Studio, Trema, Tacacá e Uno Filmes, em coprodução com Globo Filmes, GloboNews e a portuguesa BRO Filmes, Refestança será distribuído no Brasil pela O2 Play e chegará aos cinemas em 2027, no aniversário de 50 anos do encontro e do álbum ao vivo lançado por Rita e Gil.
Adam Driver, Miles Teller e James Gray nos bastidores de Paper Tiger: coprodução brasileira
Depois de anunciar os primeiros filmes de sua 79ª edição, que acontecerá entre os dias 12 e 23 de maio, o Festival de Cannes revelou novos títulos que completam sua seleção.
Entre os novos selecionados, vale destacar a presença de Paper Tiger, do cineasta James Gray, que disputará a tão cobiçada Palma de Ouro. O longa é produzido pela brasileiraRT Features, junto com a Leone Film Group e Keep Your Head Productions. A obra, recém-adquirida pela Neon, é a terceira parceria entre a RT Features e o diretor americano e conta com Scarlett Johansson, Adam Driver e Miles Teller no elenco principal.
A trama acompanha dois irmãos que, em busca do sonho americano, envolvem-se em uma operação duvidosa e são arrastados para um submundo de corrupção e violência. À medida que se tornam alvos da máfia russa, o vínculo entre eles começa a se desgastar, tornando uma traição impensável em ameaça real. No Brasil, a obra terá distribuição da Diamond Films, a maior distribuidora independente da América Latina.
A parceria entre a RT Features e o cineasta americano vem se consolidando com o passar dos anos. Paper Tiger é o terceiro filme que surge desse processo. Em comunicado oficial, Rodrigo Teixeira, fundador e produtor da RT Features, disse: “Trabalhar com James Gray é muito prazeroso. Eu sempre fui fã dele como cineasta e hoje posso dizer que ele se tornou um grande amigo e um parceiro cinematográfico. Nosso primeiro longa foi Ad Astra, em 2019, e depois fizemos Armageddon Time, em 2022, que também foi selecionado em Cannes”.
Gray é um rosto conhecido no Festival de Cannes há muitos anos. Ao longo de sua filmografia, ele teve cinco obras selecionadas pelo festival: Armageddon Time, Era Uma Vez em Nova York, Amantes, Os Donos da Noite e Caminho sem Volta. Paper Tiger marca seu sexto longa na Croisette.
Outra novidade revelada para esta edição foi o pôster oficial inspirado no longa Thelma & Louise, de Ridley Scott e protagonizado por Susan Sarandon e Geena Davis, que celebra 35 anos de sua estreia no festival, que aconteceu no dia 20 de maio de 1991.
O comunicado oficial diz: “Essas duas lutadoras inesquecíveis subverteram os estereótipos de gênero, tanto sociais quanto cinematográficos; elas personificaram a liberdade absoluta e a amizade inabalável; mostraram o caminho para a emancipação quando ela se torna essencial. Lembrar disso hoje significa celebrar a jornada já percorrida, sem negligenciar o que ainda está por vir. Com uma regata branca e uma pose descontraída, Louise nos encara e nos desafia com o olhar. Com um revólver no bolso de trás da calça jeans, Thelma observa o horizonte por trás dos óculos escuros. Ambas as mulheres sentam-se orgulhosamente em um Ford Thunderbird conversível de 1966. Sob o sol do Arkansas, em uma América deserta, elas pegam a estrada, escapam, fogem – da vida, da sociedade, dos homens que as maltratam – para trilhar seu próprio caminho. Temas inovadores em 1991 permeiam Thelma & Louise e ainda ressoam fortemente nos dias de hoje. Para representá-los, o Festival de Cannes escolheu esta imagem em preto e branco do set de um filme colorido que celebra a vida e as lutas atemporais pela liberdade de ser quem se é”.
E mais sobre o filme: “Após seu lançamento nos Estados Unidos, este Easy Rider feminino provocou debates e controvérsias. Mas o sucesso foi inegável. Como uma detonação libertadora, o filme transgressor de Ridley Scott marcou um momento histórico na representação da mulher no cinema. Rapidamente se tornou um clássico de uma geração e agora é um filme cult. Graças a uma dupla de atrizes deslumbrantes que lembram a parceria de Redford e Newman em Butch Cassidy e Sundance Kid, o filme é uma ode à amizade feminina, tendo como pano de fundo as paisagens selvagens e majestosas do meio-oeste americano, filmado no estilo de um faroeste, com trilha sonora de Hans Zimmer. Duas atrizes fenomenais, Geena Davis e Susan Sarandon, entregam-se de corpo e alma às suas personagens, que se tornaram icônicas devido à intensidade de suas performances. Há trinta e cinco anos, as duas protagonistas do primeiro road movie feminista do cinema decidiram dar o salto, impulsionadas por um vento de libertação. Elas se tornaram ícones imortais. Hoje, elas nos confrontam e observam seu próprio legado”.
Além disso, também foram revelados os integrantes do júri da mostra Un Certain Regard: a atriz francesa Leïla Bekhti, que será a presidente do júri; Angèle Diabang, produtora e diretora senegalesa; Laura Samani, cineasta italiana; Thomas Cailley, diretor e roteirista francês; e Khaled Mouzanar, compositor libanês. E mais: o brasileiro André Fischer, diretor do Festival Mix Brasil, fará parte do júri da Queer Palm, que elege o melhor filme com temática LGBTQIA+ do Festival de Cannes, ao lado de Anna Mouglalis, Thomas Jolly, Raya Martigny e Jehnny Beth.
Conheça os novos filmes selecionados para o Festival de Cannes 2026:
COMPETIÇÃO
Paper Tiger, de James Gray (EUA/Itália/Brasil)
UN CERTAIN REGARD
Mémoire de fille, de Judith Godrèche (França/Bélgica) Titanic Ocean, de Konstantina Kotzamani (Grécia/França/Japão/Alemanha/Romênia/Espanha) Ulysse, de Laetitia Masson (França) (filme de encerramento) Victorian Psycho, de Zachary Wigon (EUA/Reino Unido)
CANNES PREMIÈRE
Aqui, de Tiago Guedes (Portugal/França) Mariage au goût d’orange, de Christophe Honoré (França) Marie Madeleine, de Gessica Généus (Haiti/França/Bélgica/Luxemburgo/Canadá) Si tu penses bien, de Géraldine Nakache (França/Bélgica) The End Of It, de Maria Martinez Bayona (Reino Unido/Canadá/Espanha/Noruega)
SESSÕES ESPECIAIS
Ceniza en la Boca, de Diego Luna (México/Espanha) Groundswell, de Joshua Tickell e Rebecca Harrell Tickell (EUA) Le Triangle d’or, de Hélène Rosselet-Ruiz (França/Bélgica/Canadá) Tangles, de Leah Nelson (EUA) Vesna, de Rostislav Kirpičenko (Lituânia/Ucrânia/França)
Gilda Nomacce no curta Laser-Gato, dirigido pelo paulistano Lucas Acher
Depois de anunciar a seleção de longas, a 79ª edição do Festival de Cannes, que acontecerá entre os dias 12 e 23 de maio, revelou os curtas-metragens selecionados para a Competição Oficial e também para a mostra La Cinef, criada para inspirar e apoiar a próxima geração de cineastas.
Neste ano, o comitê de seleção assistiu 3.184 curtas, de 136 países; dez foram escolhidos. Os filmes disputam a Palma de Ouro, que será entregue pelo Júri Oficial, que também será responsável pelos prêmios da mostra La Cinef.
Para a 29ª edição da La Cinef, 19 filmes foram selecionados entre os 2.750 inscritos por escolas e universidades de cinema do mundo todo. Criada em 1998 por Gilles Jacob e dedicada à busca de novos talentos, a La Cinef, chamada anteriormente de Cinéfondation, proporciona uma oportunidade para que jovens realizadores vejam os melhores filmes do ano exibidos no festival e absorvam a atmosfera inspiradora na companhia de realizadores de renome.
Neste ano, o cineasta paulistanoLucas Acher marca presença na mostra La Cinef com o curta-metragem Laser-Gato, que aparece como uma produção norte-americana pela New York University. A presença na seleção coloca Acher entre uma nova geração de cineastas acompanhados de perto pela indústria internacional. Mais do que uma vitrine, a La Cinef historicamente funciona como um espaço de descoberta de autores que, nos anos seguintes, passam a ocupar o circuito global: “É estranho porque é um filme muito íntimo, feito sob constante dúvida, e de repente ele está nesse lugar gigante. Cannes sempre foi uma coisa distante, quase abstrata. Quando acontece, parece um pouco irreal”, disse o diretor brasileiro.
Laser-Gato se constrói a partir de uma deriva noturna por São Paulo, acompanhando um adolescente que se vê obrigado a atravessar os bairros do centro em uma sucessão de encontros que alteram (e ampliam) irreversivelmente sua compreensão sobre a cidade. A narrativa evita progressões clássicas e aposta em uma estrutura fragmentada, em que o percurso importa mais do que qualquer resolução. Mesmo assim, a urgência e ironia do conflito principal carregam a tensão necessária para enquadrar o filme como um suspense cômico (ou uma comédia tensa, dependendo da perspectiva).
Produzido pela Balcão Filmes e Bruto Films, o elenco conta com Gabriel Brennecke, Gilda Nomacce, Renan Vilela, Fabi Pifer, Matheus Prestes, Helena Santana, Paula Mares Ruy, Adelino Costa, Jacqueline Rocha, Bárbaro Xavier, Rafael Furtado, Bruno Bianco e Mattias Erìsson.
Filmado em São Paulo, com orçamento enxuto, o curta aposta em soluções formais precisas, em que limitações de produção se convertem em escolhas estéticas. O uso de locações reais, a valorização do tempo morto e a construção de cenas abertas contribuem para um cinema que privilegia a experiência sobre a explicação. A seleção em Cannes marca, segundo o próprio diretor, um ponto de inflexão: “Espero que seja um momento de transição, em que começo a estruturar projetos de maior escala”.
Com trânsito entre Brasil e Estados Unidos, onde se formou, Acher passa a desenvolver projetos com coprodução internacional, sem abandonar São Paulo como palco de seus filmes. Seus próximos trabalhos devem continuar ancorados em São Paulo, mas com perspectiva de circulação global: “São Paulo é onde cresci e até hoje carrega muitos mistérios pra mim. É uma cidade magnética. Meio distópica, cheia de contradições. Não é um lugar fácil de explicar pra quem não conhece. A perspectiva de mostrar para o mundo que todos os tipos de história podem se passar aqui é animadora. Mas meu foco principal é poder mostrar isso para o público brasileiro. Trazer para as telas uma identificação regional e a vontade de fantasiar. Proporcionar ao espectador brasileiro a possibilidade de ver o bairro onde mora como palco de um suspense, terror ou comédia, de imaginar situações inusitadas em uma rua qualquer que vê todos os dias no seu cotidiano. Poder fazer longas-metragens com esse recorte me anima muito”.
Conheça os curtas-metragens selecionados para o Festival de Cannes 2026:
CURTAS-METRAGENS | COMPETIÇÃO
Algumas coisas que acontecem ao lado de um rio, de Daniel Soares (Portugal) Dernier printemps, de Mathilde Bédouet (França) Giấc mơ là ốc sên, de Thien An Nguyen (Vietnã) La Fin, de Niki Lindroth Von Bahr (França/Suécia/Dinamarca) Le Bain des sirènes, de Lola Degove (França) Niko ništa nije rekao, de Tamara Todorović (Sérvia/França/Eslovênia/Croácia) Nouvel Hair, de Hadrien Bels (França) Para los contrincantes, de Federico Luis (Argentina) Peloton tonnerre, de Theo Montoya (Colômbia) Spiritus Sanctus, de Michal Toczek (Polônia)
LA CINEF
Aldrig nok, de Julius Lagoutte Larsen (França) (La Fémis) Always Wanted to be God, Never Wanted to do Good, de Noa Epars e Marvin Merkel (Suíça) (HEAD) Bird Rhapsody, de Wonjung Choi (Coreia do Sul) (Hongik University) Growing Stones, Flying Papers, de Roozbeh Gezerseh e Soraya Shamsi (Alemanha) (Filmuniversität Babelsberg Konrad Wolf) Laser-Gato, de Lucas Acher (EUA) (NYU) Left Behind, Still Standing, de Vida Skerk (Reino Unido) (NFTS) Onde Nascem os Pirilampos, de Clara Vieira (Portugal) (ESTC) Photograph of an Insane Woman to Show the Condition of Her Hair, de Arwen Aznag (Bélgica) (LUCA School of Arts Brussels) Pickled, de Fanny Capu (Reino Unido) (NFTS) Preko Praga, de Tara Gajović (Sérvia) (FDU) Shadows of the Moonless Nights, de Mehar Malhotra (Índia) (FTII) Silent Voices, de Nadine Misong Jin (EUA) (Columbia University) Somewhere I Belong, de Youssef Handouse (Tunísia) (ISAMM) Sunday’s Children, de Reuben Hamlyn (EUA) (NYU) Tian tian de mi mi, de Lenti Liang (EUA) (USC Cinematic Arts) TJ28, de Yasmin Najjar (Finlândia) (Aalto University) Trakcje, de Jakub Krzyszpin (Polônia) (The Polish National Film School in Łódź) Tú, yo y la vaca, de Aina Callejón (Espanha) (ESCAC) Will It Rain Again Today, de Wong Chau-Hong (Japão) (Nihon University College of Art)
Yuri Gomes em Feito Pipa, de Allan Deberton: melhor interpretação
A 65ª edição do FICCI, Festival Internacional de Cine de Cartagena de Indias, que aconteceu entre os dias 14 e 19 de abril, revelou os vencedores de 2026. O evento, realizado na Colômbia, é conhecido como o festival cinematográfico mais antigo de América Latina e prioriza obras que promovem a identidade cultural dos países ibero-americanos.
Neste ano, o cinema brasileiro se destacou entre os premiados: o longa-metragem cearense Feito Pipa, de Allan Deberton, rendeu a Yuri Gomes o prêmio de melhor interpretação na seção Cine en los Barrios, uma iniciativa do FICCI que transforma praças, parques, universidades e espaços comunitários em cinemas ao ar livre.
Feito Pipa acompanha Gugu, interpretado por Yuri Gomes, um menino que sonha em se tornar jogador de futebol e vive com a avó Dilma, papel de Teca Pereira, que o cria de forma livre e afetuosa. Quando a saúde de Dilma se fragiliza, ele tenta esconder a situação para evitar ser separado dela e precisar ir morar com o pai, vivido por Lázaro Ramos. Rodado em Quixadá, no interior do Ceará, o longa constrói uma narrativa sensível sobre amadurecimento, pertencimento e afeto.
E mais: o curta-metragem alagoano O Mapa em que Estão Meus Pés, de Luciano Pedro Jr., ficou com o prêmio de melhor contribuição artística; o longa O Riso e a Faca, do cineasta português Pedro Pinho, uma coprodução entre Portugal, França, Brasil e Romênia, também recebeu o prêmio de contribuição artística com destaque para a montagem de Karen Akerman, Cláudia Rita Oliveira e Rita M. Pestana; e Flecha para um Coração de Pedra, de Luiza Calagian, recebeu dois prêmios na mostra Work in Progress.
Além dos premiados, outros títulos brasileiros foram exibidos na programação do FICCI 2026, que contou com mais de 200 filmes, de 57 países: os longas Isabel, de Gabe Klinger; A Fabulosa Máquina do Tempo, de Eliza Capai; Dracula, de Radu Jude, uma coprodução entre Romênia, Brasil, Áustria, Luxemburgo, Reino Unido e Suíça; O Pagador de Promessas, de Anselmo Duarte, que foi exibido na mostra Retrospectiva FICCI Años 60; Se Eu Fosse Vivo… Vivia, de André Novais Oliveira; e Pequenas Criaturas, de Anne Pinheiro Guimarães. E os curtas e médias-metragens: Voz Zov Vzo, de Yhuri Cruz; Como Nasce um Rio, de Luma Flôres; Samba Infinito, de Leonardo Martinelli; Fim de Rodovia, de Valentina Rosset; Quem se Move, de Stephanie Ricci; e Pequeno Jogo, de Sofia Tomic.
Nesta 65ª edição do Festival de Cartagena, o Brasil foi o País Convidado de Honra da Indústria e contou com uma programação que transformou Cartagena em um ponto de encontro para trocas, alianças e novos caminhos para a produção audiovisual ibero-americana. Conversas, histórias de sucesso, encontros com profissionais do setor e oportunidades de networking fizeram parte de uma iniciativa que reuniu uma delegação diversa de produtores, festivais, instituições, comissões de cinema e plataformas do audiovisual brasileiro.
Conheça os vencedores do 65º Festival Internacional de Cine de Cartagena de Indias:
COMPETIÇÃO IBERO-AMERICANA | LONGA-METRAGEM
Melhor Filme: Lo demás es ruido, de Nicolás Pereda (México/Alemanha/Canadá) Melhor Direção: Milagros Mumenthaler, por Las corrientes Grande Prêmio do Júri: Chicas tristes, de Fernanda Tovar (México/Espanha/França) Melhor Interpretação: Teresita Sánchez, por Lo demás es ruido Melhor Contribuição Artística | Edição: O Riso e a Faca, por Karen Akerman, Cláudia Rita Oliveira e Rita M. Pestana
COMPETIÇÃO IBERO-AMERICANA | CURTA-METRAGEM
Melhor Filme: Agua fría, de Meme Cabello e Antonia Martínez Valls (Chile) Melhor Direção: Ruby Chasi, por Pajuyuk Melhor Contribuição Artística: O Mapa em que Estão Meus Pés, de Luciano Pedro Jr. (Brasil)
COMPETIÇÃO CINE EN LOS BARRIOS
Melhor Filme: Si no ardemos cómo iluminar la noche, de Kim Torres (Costa Rica/México) Melhor Interpretação: Yuri Gomes, por Feito Pipa
RECONOCIMIENTO A LA SOSTENIBILIDAD
Melhor Filme | Longa: El hogar fue sepultado en esa tierra que nunca pudimos encontrar, de Deimer Quintero (Colômbia) Menção Especial: Bosque arriba en la montaña, de Sofía Bordenave (Argentina) Melhor Filme | Curta: Agua fría, de Meme Cabello e Antonia Martínez Valls (Chile) Menção Especial: Montaña luminosa, de Lony Welter (Colômbia)
COMPETIÇÃO COLÔMBIA | LONGA-METRAGEM
Melhor Filme: El hogar fue sepultado en esa tierra que nunca pudimos encontrar, de Deimer Quintero Prêmio do Público: El hogar fue sepultado en esa tierra que nunca pudimos encontrar, de Deimer Quintero Grande Prêmio do Júri: Piedras preciosas, de Simón Vélez Melhor Filme de Estreia: Piedras preciosas, de Simón Vélez Melhor Direção: Canela Reyes e César Jaimes, por Las almas ni los ojos Melhor Interpretação: Manual para invocar fantasmas, de Juliana Zuluaga Melhor Contribuição Artística: El hogar fue sepultado en esa tierra que nunca pudimos encontrar, de Deimer Quintero
COMPETIÇÃO COLÔMBIA | CURTA-METRAGEM
Melhor Filme: Futuros luminosos, de Ismael García Ramírez Menção Especial: Filme pin, de María Rojas e Andrés Jurado Prêmio do Público: Sombras en la niebla, de Pedro Pablo Vega Reyes Melhor Filme Universitário: Madres de nacimiento, de Gloria Isabel Gómez Melhor Direção: Pedro Pablo Vega Reyes, por Sombras en la niebla Melhor Contribuição Artística: Decaer, de Juan Camilo González
QUALIFICADO PARA O OSCAR | DOCUMENTÁRIO Nuestra Tierra, de Lucrecia Martel (Argentina/EUA/México/França/Holanda/Dinamarca)
Rafael Saar e Baby do Brasil: prêmio para Apopcalipse Segundo Baby
Foram anunciados neste sábado, 18/04, na Cinemateca Brasileira, em São Paulo, os vencedores da 31ª edição do É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários, principal evento dedicado ao audiovisual não ficcional na América Latina, fundado e dirigido por Amir Labaki.
Neste ano, Sagrado, dirigido por Alice Riff, que mergulha na rotina de professores e funcionários de uma escola pública em Diadema, na Grande São Paulo, foi eleito o vencedor da Competição Brasileira de longas ou médias-metragens e recebeu como prêmio R$ 20.000,00 e o Troféu É Tudo Verdade, criado por Carlito Carvalhosa. A justificativa do júri, formado por Carol Benjamin, Eryk Rocha e Helena Tassara, diz: “Por afirmar, com rara precisão, um cinema em que a política se inscreve na forma, no gesto e nas relações do cotidiano. Sem recorrer a artifícios, o filme sustenta, do título ao último plano, uma direção segura, rigorosa e profundamente consciente de seus meios. Ao escolher uma estratégia narrativa fundada na escuta, na observação e no respeito radical aos seus personagens, constrói uma experiência em que o invisível se torna presença sensível. A partir de um material de arquivo que prescinde de explicação, o filme se organiza em espiral até alcançar um plano-sequência final de grande potência, conduzido pelas vozes das crianças. Nesse gesto, simples apenas na aparência, o filme se afirma como uma obra de rara integridade, em que elaboração estética e potência política são indissociáveis. E afirma, com delicadeza e rigor, um cinema onde invenção, poesia e luta se tornam indissociáveis”.
Apopcalipse Segundo Baby, o retrato de Baby do Brasil dirigido por Rafael Saar, recebeu uma Menção Honrosa na mesma categoria: “Por articular, de forma visceral e autêntica, a personalidade da protagonista e sua persona performática, incorporando à própria forma do filme sua força, energia e pulsação. Ao evocar a memória da música popular brasileira, o filme constrói um retrato fiel e vibrante, que preserva a originalidade da personagem e revela um trabalho rigoroso de pesquisa e elaboração. No uso dos materiais de arquivo, evidencia-se o rigor, o cuidado e o profundo respeito do realizador”, diz a justificativa do júri.
O filme pernambucano Os Arcos Dourados de Olinda, dirigido por Douglas Henrique, sobre o embate em torno da instalação de uma unidade da rede McDonald’s, foi escolhido o melhor curta-metragem brasileiro, com um prêmio de R$ 6.000. A justificativa do júri diz: “Pela irreverência e pelo humor na construção de uma narrativa lúdica que surpreende ao reinventar o uso do material de arquivo. Ao transfigurá-lo com liberdade e invenção, o filme constrói uma crítica ao imperialismo ao mesmo tempo afiada e desarmada, que assume sem receio o popular, o clichê e as contradições da própria identidade”. O filme ainda foi consagrado com outros três prêmios, entre eles, o Prêmio Canal Brasil de Curtas no valor de 15 mil reais.
Ainda nessa categoria, o júri concedeu Menção Honrosa a dois filmes: Filme-Copacabana, de Sofia Leão, “pela ousadia da proposta e pelo uso inventivo do som como eixo de montagem, articulando afetos e corpos na construção de um retrato sensível de um território múltiplo”; e Divino: Sua Alma, Sua Lente, dirigido por Clea Torres e Gilson Costta, “pela força singular de Divino em cena e pela maneira como transforma o gesto de filmar em um ato de memória e permanência. Ao incorporar o próprio processo à narrativa, o filme revela uma reflexão viva sobre imagem, tempo e continuidade”.
Em um comunicado oficial, o júri escreveu um texto ao revelar os premiados: “O júri brasileiro destaca a força e a vitalidade dos filmes em competição na seleção de 2026, tanto nos longas quanto nos curtas. O conjunto das obras desenha um panorama pulsante do documentário brasileiro contemporâneo, em que formas e narrativas se reinventam com rigor, liberdade e risco. São filmes atravessados por gestos autorais contundentes, que afirmam, na pluralidade de perspectivas, a potência criadora de um cinema em permanente transformação. Desse campo de tensões emerge um cinema múltiplo, indisciplinado e profundamente comprometido com seu tempo”.
Os Arcos Dourados de Olinda, de Douglas Henrique: destaque na premiação
O grande vencedor da Competição Internacional de longas ou médias-metragens foi Um Filme de Medo (Espanha/Portugal), do diretor brasileiro sediado na EspanhaSergio Oksman, que se hospedou com o filho de doze anos em um hotel em Lisboa parecido com aquele abandonado do clássico O Iluminado, de Stanley Kubrick; o título recebe um prêmio de R$ 12.000. A justificativa do júri diz: “Em um filme de terror, não há monstros, apenas a distância entre dois mundos, pai e filho. O pai tem medo de herdar os fantasmas do passado, e o filho caminha leve, quase sem sombra”.
As articulações entre família e política propostas pela estreante Jihan em Meu Pai e Gaddafi receberam do júri uma Menção Honrosa: “A partir da busca da filha por seu pai, somos conduzidos a conhecer as tramas de poder em um país atravessado pelo conflito”. Entre os curtas internacionais, o premiado foi Sonhos de Apagão, de Gabriele Licchelli, Francesco Lorusso e Andrea Settembrini, sobre os blecautes em Cuba; o filme recebeu ainda R$ 6.000. A justificativa do júri diz: “Uma sociedade agredida através do tempo e como viver com infindáveis boicotes. A ausência de energia elétrica na ilha se transforma em um recurso expressivo e cinematográfico”.
Na mesma categoria, o júri concedeu Menção Honrosa ao francês Se Não Gosta, Não Olhe, da diretora estreante Margaux Fournier: “Na areia, sob o céu aberto, mulheres aposentadas e irreverentes se encontram com frequência, transbordando amor pela vida. Falam sem filtro – sinceras, diretas, vivas. Um cinema da intimidade onde o corpo é político”, disse a justificativa. O júri da Competição Internacional deste ano foi composto pela produtora, realizadora e diretora de fotografia Heloisa Passos, pelo documentarista e produtor Ricardo Casas e pela cineasta Vivian Ostrovsky, homenageada pela retrospectiva desta edição do festival.
O É Tudo Verdade 2026 apresentou 75 filmes, de 25 países, exibidos em sessões gratuitas em quatro salas em São Paulo e em três salas no Rio de Janeiro. Uma programação exclusiva em streaming no Itaú Cultural Play exibirá, entre 20 de abril e 5 de maio, dez destaques entre os curtas-metragens desta 31ª edição.
Reconhecido pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos como um festival classificatório para o Oscar, o É Tudo Verdade qualifica automaticamente as produções vencedoras nas competições brasileira e internacional de longas ou médias-metragens e de curtas-metragens para inscrição direta visando a disputa pela estatueta dourada.
Na cerimônia, também foram anunciados alguns prêmios paralelos, entre eles, o Prêmio Mistika, de R$ 15.000 em serviços de pós-produção de imagem ou som, com validade de um ano, para o melhor documentário da Competição Brasileira de curtas-metragens. Destaque também para o Prêmio Maria Rita Galvão (ABPA, Associação Brasileira de Preservação Audiovisual; PAVIC, Pesquisadores de Audiovisual Iconografia e Conteúdo; e REPIA, Rede de Pesquisa de Imagens de Arquivo) para a melhor pesquisa da Competição Brasileira; o escolhido foi Apopcalipse Segundo Baby, com direção e pesquisa de Rafael Saar, que recebe R$ 6.000 (PAVIC/Abrolhos Filmes) e gravação em LTO (ABPA/REPIA/Museu da Pessoa).
Conheça os vencedores do É Tudo Verdade 2026:
COMPETIÇÃO BRASILEIRA | JÚRI OFICIAL
MELHOR DOCUMENTÁRIO | LONGA OU MÉDIA-METRAGEM Sagrado, de Alice Riff
MENÇÃO HONROSA Apopcalipse Segundo Baby, de Rafael Saar
MELHOR DOCUMENTÁRIO | CURTA-METRAGEM Os Arcos Dourados de Olinda, de Douglas Henrique
MENÇÃO HONROSA Divino: Sua Alma, Sua Lente, de Clea Torres e Gilson Costta Filme-Copacabana, de Sofia Leão
COMPETIÇÃO INTERNACIONAL | JÚRI OFICIAL
MELHOR DOCUMENTÁRIO | LONGA OU MÉDIA-METRAGEM Um Filme de Medo (Una Película de Miedo), de Sergio Oksman (Espanha/Portugal)
MENÇÃO HONROSA Meu Pai e Gaddafi (بابا والقذافي), de Jihan (EUA/Líbia)
MELHOR DOCUMENTÁRIO | CURTA-METRAGEM Sonhos de Apagão (Sueña Ahora), de Gabriele Licchelli, Francesco Lorusso e Andrea Settembrini (Cuba/Itália)
MENÇÃO HONROSA Se Não Gosta, Não Olhe (Au Bain des Dames), de Margaux Fournier (França)
PREMIAÇÕES PARALELAS
PRÊMIO CANAL BRASIL DE CURTAS Os Arcos Dourados de Olinda, de Douglas Henrique
PRÊMIO EDT (Associação de Profissionais de Edição Audiovisual) Melhor Montagem | Longa: Apopcalipse Segundo Baby, por Claudio Tammela e Rafael Saar (assistência de montagem: Mayara Proença e Vinícius Medeiros) Melhor Montagem | Curta: Os Arcos Dourados de Olinda, por Douglas Henrique
PRÊMIO MARIA RITA GALVÃO | ABPA | PAVIC | REPIA Melhor Pesquisa: Apopcalipse Segundo Baby, com direção e pesquisa de Rafael Saar
PRÊMIO APACI (Associação Paulista de Cineastas) Melhor Direção | Longas: Alice Riff, por Sagrado Melhor Direção | Curtas: Douglas Henrique, por Os Arcos Dourados de Olinda
A Tragédia da Lobo-guará, de Kimberly Palermo: filme selecionado
A 49ª edição do Festival Guarnicê de Cinema, que acontecerá entre os dias 9 e 16 de julho, em São Luís, no Maranhão, revelou novos títulos selecionados: os curtas-metragens (nacionais e maranhenses) que farão parte das mostras competitivas.
Neste ano, o festival recebeu 1.212 inscrições de filmes de curtas-metragens vindas de todas as regiões do país, evidenciando a grandiosidade e a diversidade da produção audiovisual brasileira. Diante desses números, o processo de seleção exigiu uma curadoria rigorosa dos filmes. Ao final do processo curatorial, foram selecionados 18 curtas-metragens nacionais e 12 produções maranhenses, para integrar a programação competitiva do festival. As obras concorrem ao tradicional Troféu Guarnicê, além de outras premiações concedidas por instituições parceiras.
Em comunicado oficial, a diretora do festival, Prof.ª Drª Rosélis Barbosa Câmara, disse: “As obras selecionadas revelam a diversidade de narrativas do cinema nacional contemporâneo, ao mesmo tempo em que reafirmam o papel do Guarnicê como espaço de difusão e reconhecimento do audiovisual”.
Conheça os curtas selecionados para o 49º Festival Guarnicê de Cinema:
MOSTRA NACIONAL COMPETITIVA | CURTAS-METRAGENS
A Ascensão da Cigarra, de Ana Clara Ribeiro (RO) A Tragédia da Lobo-guará, de Kimberly Palermo (RJ) Aurora, de Bruna Lessa (SP) Boi de Salto, de Tássia Araújo (PI) Canto, de Danilo Daher (GO) Dynamite Som: O Futuro é Lamento Negro, de Lia Letícia e Pedro Severien (PE) Eu Estou Aqui, de André Santos (RN) Fronteriza, de Rosa Caldeira e Nay Mendl (PR) Grão, de Gianluca Cozza e Leonardo da Rosa (RS) Irmã, de Anderson Bardot (ES) Magrela, de Gian Danton (AP) Marimbã Está Acontecendo, de Maryn Marynho (CE) Mopái Pjuta Ãkakje’y: A Roça e os Alimentos Myky, de Kamtinuwy Myky, Kojayru Myky, Mãnynu Myky, Njãkyru Myky, Njãwayru Myky, Takarauku Myky e Tipuu Myky (MT) Os Arcos Dourados de Olinda, de Douglas Henrique (PE) Pão Doce, de Wesley Gabriel (SP) Replika, de Piratá Waurá e Heloisa Passos (MT) Samba Infinito, de Leonardo Martinelli (RJ) Tião Personal Dancer, de Aristótelis Tothi (GO)
MOSTRA MARANHENSE COMPETITIVA | CURTAS-METRAGENS
Amo de Marés, de Nicolle Machado Café com Cinema, de Mônica Rodrigues Dona Cecília, de Ana Hortência Egito Macedo e Julia A. Rantigueri Elevação, de Heide Cabral Judas é Meu Avô, de Dudu Gehlen Livramenta, de Acaique Mercado Central, de Tássia Dhur Miolo, de Daniel Moreno O Crime que Abalou São Luís: O Caso Pontes Visgueiros, de Fernando Baima Radiola de Promessa, de Gê Viana Redemoinho do Tempo, de Fábio Barros e Lara Moura Tukàn: A Semente Plantada, de Taciano Brito e Silvio Guajajara
*Clique aqui e conheça os longas e videoclipes em competição selecionados
O ator brasileiro Selton Mello em La Perra, da chilena Dominga Sotomayor
Organizada pela La Société des réalisateurs de films (la SRF), desde 1969, a Quinzena de Cineastas (Quinzaine des Cinéastes), antes chamada de Quinzena dos Realizadores, mostra paralela ao Festival de Cannes, colabora com a descoberta de novos cineastas independentes e contemporâneos.
Com o objetivo de ser eclética e receptiva a todas as formas de expressão cinematográfica, a Quinzena destaca a produção anual de filmes de ficção, curtas, documentários e animações no cenário independente e também popular, com cineastas talentosos e originais.
Neste ano, em sua 58ª edição, que acontecerá entre os dias 13 e 23 de maio, a seleção conta com 19 longas e 9 curtas-metragens; cinco continentes e 19 países representados com uma presença notável de indústrias cinematográficas menos conhecidas, como Nigéria, Sudão, Guatemala, Venezuela e Chipre.
O comunicado oficial diz: “Estamos encantados com a significativa presença de documentários (3 longas e 2 curtas) e animações (também 3 longas e 2 curtas), com obras singulares que demonstram a excepcional riqueza e vitalidade do cinema documental e de animação. Esta seleção de 2026 reúne cineastas consagrados, talentos emergentes (incluindo 6 longas de estreia) e cineastas em desenvolvimento. Por fim, temos o prazer de apresentar o aguardado novo filme de Alain Cavalier. Alain foi um dos pioneiros do cinema e um dos talentos que deram origem à Quinzena de Cineastas. É com imensa honra que apresentamos o capítulo final de seu diário cinematográfico”.
Vale destacar a presença do longa La Perra, dirigido pela cineasta chilena Dominga Sotomayor, uma coprodução entre Chile e Brasil (pela RT Features). O filme, produzido em parceria com a Planta (Chile), é uma adaptação do romance homônimo de Pilar Quintana. O elenco conta com o brasileiro Selton Mello, Manuela Oyarzún, David Gaete, Paula Luchsinger, Paula Dinamarca e Rafaella Grimberg.
A trama de La Perra é conduzida pela solitária Silvia, interpretada por Manuela Oyarzún, que vive em uma ilha remota no sul do Chile e resgata uma cachorra filhote e a chama de Yuri, o mesmo que escolheria para a filha que nunca teve. Esta união forma um vínculo improvável que força a protagonista a enfrentar ressentimentos profundos, relacionamentos rompidos e um trauma que se recusa a permanecer no passado.
La Perra retoma parcerias de sucesso da RT Features: direção de Dominga Sotomayor, que já trabalhou com a produtora em Tarde para Morrer Jovem e venceu o prêmio de melhor direção no Festival de Locarno em 2018; roteiro escrito por Inés Bortagaray, uma das roteiristas de A Vida Invisível; e conta com Selton Mello no elenco, ator de O Cheiro do Ralo, Enterre Seus Mortos e do vencedor do Oscar do ano passado, Ainda Estou Aqui. A última vez que a RT Features participou da Quinzena de Cineastas foi há sete anos com O Farol, de Robert Eggers.
Selton Mello comemora a seleção de La Perra no Festival de Cannes: “Participar da prestigiosa Quinzena de Cineastas é a cereja no bolo de um trabalho encantador desenvolvido com Dominga e Rodrigo. Minha primeira vez em Cannes, coroando um momento muito especial da minha trajetória. A talentosa Dominga desenvolveu especialmente para mim um personagem fundamental para a trama, uma espécie de pivô, que costura, de uma forma trágica, o passado da protagonista. Que seja o início de uma bela jornada para o filme!”.
Rodrigo Teixeira, produtor e fundador da RT Features, valoriza a seleção do filme em Cannes: “Voltar à Quinzena de Cineastas depois de sete anos é uma realização. Eu vejo o quanto a produtora cresceu nesse período e como seguimos empenhados em trazer as melhores histórias para os cinemas. La Perra é um filme que o público vai se apaixonar, da mesma forma que eu”.
O pôster desta 58ª edição da Quinzena é assinado pelo cineasta francês Alain Guiraudie, de Um Estranho no Lago e Misericórdia. A imagem traz um homem nu entre as árvores no coração de uma floresta bucólica. O cartaz é um convite a se perder em bosques misteriosos e ancestrais, onde um raio de sol atravessa a folhagem e parece traçar um caminho, em linha reta, até o amanhecer.
Confira a lista completa com os filmes selecionados para a Quinzena de Cineastas 2026:
LONGA-METRAGEM
9 Temples to Heaven, de Sompot Chidgasornpongse (Tailândia/Singapura/França) Atonement, de Reed Van Dyk (EUA) Butterfly Jam, de Kantemir Balagov (França/EUA) (filme de abertura) Carmen, l’oiseau rebelle, de Sébastien Laudenbach (França) Clarissa, de Arie Esiri e Chuko Esiri (Reino Unido/Nigéria) Dora, de July Jung (França/Coreia do Sul/Luxemburgo) Gabin, de Maxence Voiseux (França/Alemanha/Suíça) I See Buildings Fall Like Lightning, de Clio Barnard (Reino Unido) Journal d’une femme de chambre, de Radu Jude (Romênia/França) L’espèce explosive, de Sarah Arnold (França) La libertad doble, de Lisandro Alonso (Argentina/Holanda/Reino Unido/Chile/Luxemburgo/Alemanha) La muerte no tiene dueño, de Jorge Thielen Armand (Venezuela/Itália/Canadá/Luxemburgo/Espanha/México) La Perra, de Dominga Sotomayor (Chile/Brasil) Lave forventninger, de Eivind Landsvik (Noruega/Dinamarca) Le Vertige, de Quentin Dupieux (França) (filme de encerramento) Merci d’être venu, de Alain Cavalier (França) Once Upon a Time in Harlem, de William Greaves e David Greaves (EUA) Shana, de Lila Pinell (França) We Are Aliens, de Kohei Kadowaki (Japão/França)
CURTA-METRAGEM
A la recherche de l’oiseau gris aux rayures vertes, de Saïd Hamich Benlarbi (França) Daughters of the Late Colonel, de Elizabeth Hobbs (Reino Unido) Eri, de Yano Honami (Japão) Free Eliza (Notes on an anatomical imperfection), de Alexandra Matheou (Chipre) Madrugada, de Sebastián Lojo (Guatemala) Oh Boys, de Antonio Donato (Itália) Pithead, de Wannes Vanspauwen e Pol De Plecker (Bélgica/França) The Joyless Economy, de Marjorie Conrad (França) لا شيءَ يحدثُ بعدَ غيابِكَ(Nothing Happens after your Absence), de Ibrahim Omar (Sudão)
Seis Meses no Prédio Rosa e Azul: coprodução brasileira selecionada
Foram anunciados nesta segunda-feira, 13/04, os longas-metragens selecionados para a Semana da Crítica 2026 (Semaine de la Critique), mostra paralela ao Festival de Cannes que concentra-se na descoberta de novos talentos. Desde que foi criada pelo Syndicat Français de la Critique de Cinéma, em 1962, busca explorar e revelar novos cineastas inovadores do mundo todo em suas primeiras obras.
Em sua 65ª edição, a Semana da Crítica, que acontecerá entre os dias 13 e 21 de maio, recebeu 1.050 longas e 2.400 curtas-metragens inscritos. A curadoria deste ano teve coordenação geral de Ava Cahen, que trabalhou com comitês formados por críticos e jornalistas. Para a seleção de longas-metragens, onze títulos foram selecionados; o grupo foi formado por Chloé Caye, Marilou Duponchel, Laurent Hérin, Laura Pertuy e Gautier Roos. Entre os curtas, 13 filmes farão parte da programação.
Neste ano, vale destacar a presença de Seis Meses no Prédio Rosa e Azul, do diretor mexicano Bruno Santamaría Razo, uma coprodução entre México (Ojos de Vaca), Brasil (Desvia) e Dinamarca (Snowglobe). O longa marca a terceira presença consecutiva da produtora brasileira Desvia em grandes festivais (O Último Azul e Nosso Segredo na Berlinale) e traz o ator cearense Demick Lopes, de A Filha do Palhaço, no elenco. Vale lembra que em 2024, o longa-metragem brasileiro Baby, de Marcelo Caetano, integrou a seleção e saiu com o prêmio de melhor ator revelação para Ricardo Teodoro.
Inspirado nas memórias do diretor, e rodado em 16mm, o filme leva o espectador para a Cidade do México no início da década de 1990. No dia em que Bruno completou 11 anos, percebeu sentimentos por seu melhor amigo, Vladimir. Os dois entram em conflito com o anúncio repentino de que seu pai foi diagnosticado com HIV. Como nas canções de salsa, a família canta e dança para se afastar da dor. Trinta anos depois, o diretor Bruno filma e reimagina a memória daquilo que não conseguiu compreender totalmente quando era criança. O elenco conta também com Jade Reyes, Sofia Espinosa, Lázaro Gabino, Eduardo Ayala, Valeria Vanegas, Anuar Vera, Teresa Sánchez, Valentina Cohen e Nara Carreira.
A seleção de Seis Meses no Prédio Rosa e Azul assume um relevância política e histórica nesta edição: o longa é o único representante da América Latina na mostra competitiva de longas-metragens do programa; e é o terceiro filme mexicano selecionado para a seção. A coprodução brasileira é assinada pela Desvia, produtora sediada no Recife, com 15 filmes realizados, que marca sua volta para o Festival de Cannes com uma coprodução entre México, Brasil e Dinamarca. Em 2021, a coprodução com o México da Desvia, Noche de fuego, de Tatiana Huezo, foi premiada na mostra Un Certain Regard.
Seis Meses no Prédio Rosa e Azul conta com uma significativa participação brasileira liderada pelas produtoras Rachel Daisy Ellis e Camille Reis. Além de um papel como coadjuvante para o ator brasileiro Demick Lopes, grande parte da pós-produção do filme foi feita no Brasil. O filme conta com participação dos editores Eduardo Serrano e Marília Moraes; a desenhista de som Miriam Biderman; o compositor musical Leo Chermont; o estúdio de efeitos especiais Aberração Kromatica Filmes; a produtora executiva Amanda Luna; e as pós-produtoras Bia Baggio e Ivich. A produtora mexicana do filme, Bruna Haddad, também tem nacionalidade brasileira. No Brasil, a distribuição ficará a cargo da Fistaile. No cenário global, as vendas internacionais serão representadas pela Luxbox.
O pôster deste ano da 65ª Semana da Crítica destaca Manon Clavel e Makita Samba em cena do filme Kika, dirigido por Alexe Poukine, que foi exibido nesta mostra no ano passado.
Conheça os filmes selecionados para a Semana da Crítica 2026:
COMPETIÇÃO | LONGA-METRAGEM
Dua, de Blerta Basholli (Kosovo/Suíça/França) La Gradiva, de Marine Atlan (França/Itália) Seis Meses no Prédio Rosa e Azul (Seis meses en el edificio rosa con azul), de Bruno Santamaría Razo (México/Brasil/Dinamarca) Tin Castle, de Alexander Murphy (Irlanda/França) Viva, de Aina Clotet (Espanha) Wu ming nü hai, de Jing Zou (China/França) المحطّة(The Station/Al Mahattah), de Sara Ishaq (Iêmen/Jordânia/França/Alemanha/Holanda/Noruega/Qatar)
SESSÕES ESPECIAIS | LONGAS
Adieu monde cruel, de Felix De Givry (França/Bélgica) (filme de encerramento) Du Fioul dans les artères, de Pierre Le Gall (França/Polônia) In Waves, de Phuong Mai Nguyen (França/Bélgica) (filme de abertura) La Frappe, de Julien Gaspar-Oliveri (França)
COMPETIÇÃO | CURTA-METRAGEM
„Vaterland“ oder Ein Bule Namens Yanto, de Berthold Wahjudi (Alemanha/Indonésia) À quoi rêvent les Maknines, de Sarra Ryma (Argélia/França) Adgwa-Ata, de Zsuzsanna Kreif (Hungria/França) City of Owls, de Zhenia Kazankina (França/Alemanha/Itália) Klasės Nuotrauka, de Arnas Balčiūnas (Lituânia) Man’mi, de Aude N’Guessan Forget (França) Skinny Bottines, de Romain F. Dubois (Canadá) Visite en terre irradiée, de Anne-Sophie Girault (França) نفرون (Nafron), de Daood Alabdulaa (Síria/Alemanha) หาอะไร? (What do you seek in the dark?), de Tossaphon Riantong (Tailândia)
SESSÕES ESPECIAIS | CURTAS
I Think you Should be Here, de Anna-Marija Adomaitytė e Élie Grappe (Suíça/França) La Sentinelle, de Ali Cherri (França) Love Story, de Laïs Decaster (França)
CONVIDADOS | Festival International du Film de Morelia
Al Borde del Volcán, de Jorge Granados Ross (México) Casa Chica, de Lau Charles (México) La Miel Inmaculada, de Mauricio Calderón Rico (México) Una parvada de estruendo, de Mariana Mendivil (México)
CONVIDADOS | Next Step Studio 2026 | Indonésia
Anissa, de Reza Rahadian e Sam Manacsa (Indonésia/França) Holy Crowd, de Reza Fahriyansyah e Ananth Subramaniam (Indonésia/França) Mothers Are Mothering, de Khozy Rizal e Lam Li Shuen (Indonésia/França) Original Wound, de Shelby Kho e Sein Lyan Tun (Indonésia/França)
Eduardo Magliano no curta O Faz-Tudo, de Fábio Leal
A Academia Brasileira de Cinema começou a divulgar os títulos inscritos para o primeiro turno do Prêmio Grande Otelo 2026, antes chamado de Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, que acontecerá no dia 4 de agosto no Theatro Municipal do Rio de Janeiro.
Os títulos inscritos divulgados estão elegíveis à votação e serão avaliados pelos membros da Academia, que depois escolherão os finalistas da 25ª edição em 32 categorias. No ano passado, Ainda Estou Aqui, dirigido por Walter Salles e vencedor do Oscar, foi consagrado com treze prêmios. Os curtas premiados em 2025 foram: Helena de Guaratiba, de Karen Black; Você, de Elisa Bessa; e A Menina e o Pote, de Valentina Homem e Tati Bond.
Neste ano, a Academia repete a parceria com o site Porta Curtas e os inscritos ao Prêmio Grande Otelo do Cinema Brasileiro nas categorias de curta-metragem neste primeiro turno estão disponíveis gratuitamente para o público (clique aqui) por tempo limitado após o anúncio final e oficial dos indicados. A seleção apresenta alguns dos filmes mais instigantes da última temporada, compondo um panorama diversificado da rica produção de curtas do ano que passou; são mais de 50 filmes brasileiros entre ficção (21 inscritos), documentário (26 inscritos) e animação (12 inscritos). Três títulos inscritos não estão disponíveis para exibição por questões contratuais: Amarela, de André Hayato Saito; Replikka, de Piratá Waura e Heloisa Passos; e Sem Título # 10 : ao re dor do amor, de Carlos Adriano.
Vale destacar que o resultado da votação interna da comunidade do Porta Curtasnão interfere no resultado final do Prêmio Grande Otelo. Paralelamente, os membros da Academia Brasileira de Cinema escolhem os finalistas em cada categoria entre todos os selecionados deste primeiro turno e, depois, elegem os vencedores.
Segundo o regulamento, os curtas-metragens elegíveis ao primeiro turno são pré-selecionados pelas associações ABCA (Associação Brasileira de Cinema de Animação), Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine), Canal Brasil, Festival Curta Cinema, Festival É Tudo Verdade, Fórum dos Festivais, Kinoforum e Porta Curtas. Os filmes de curta-metragem de ficção, documentário ou animação, que participaram e ganharam prêmios em festivais internacionais em 2025 fora do Brasil, reconhecidos pela FIAPF (Federação Internacional de Associações de Produtores Cinematográficos), em qualquer das sessões competitivas, serão considerados qualificados para o Prêmio Grande Otelo do Cinema Brasileiro, mesmo que não constem nas listas de indicações das associações acima citadas, devendo sua inscrição ser efetuada pelo produtor.
Conheça os curtas inscritos no primeiro turno de 2026 e disponíveis no Porta Curtas:
FICÇÃO
Ajude os Menor, de Janderson Felipe e Lucas Litrento (PB/AL) Americana, de Agarb Braga (PA) Arame Farpado, de Gustavo de Carvalho (SP) Bela LX-404, de Luiza Botelho (RJ) Boiuna, de Adriana de Faria (PA) Couraça, de Susan Kalik e Daniel Arcades (BA) Entre Corpos, de Mayra Costa (AL) Estrela Brava, de Jorge Polo (RJ) Fronteriza, de Nay Mendl e Rosa Caldeira (PR/SP) Jacaré, de Victor Quintanilha (RJ) Klaustrofobia, de João Londres (RJ) Maremoto, de Cristina Lima e Juliana Bezerra (RN) Moti, de André Okuma (SP) Núbia, de Barbara Bello (MG) O Amor Não Cabe na Sala, de Marcelo Matos de Oliveira e Wallace Nogueira (BA) O Faz-Tudo, de Fábio Leal (PE/SP) O Primo Holandês, de Nuno Lindoso (AL) Peixe Morto, de João Fontenele (CE) Presépio, de Felipe Bibian (RJ) Tom de Ameaça, de Dalily Corrêa (GO)
DOCUMENTÁRIO
A Bolha, de Caio Baú (SP) A Nave que Nunca Pousa, de Ellen Morais (PB) A Pele do Ouro, de Marcela Ulhoa e Yare Perdomo (RR) Cabeça de Boi, de Lucas Zacarias (SP) Cartas pela Paz, de Mariana Reade, Thays Acaiabe e Patrick Zeiger (RJ) Chibo, de Gabriela Poester e Henrique Lahude (RS) Confluências, de Dácia Ibiapina (DF) Conselho, de Alice Riff (SP) Da Aldeia à Universidade, de Leandro de Alcântara e Túlio de Melo (TO) Do Caldeirão da Santa Cruz do Deserto, de Weyna Macedo, Lucas Parente, Adeciany Castro e Mariana Smith (CE) Filme Sem Querer, de Lincoln Péricles (SP) Laudelina e a Felicidade Guerreira, de Milena Manfredini (RJ) Mascates de Sonhos, de Kristel Kardeal (SC) Mergulho no Escuro, de Anna Costa e Silva e Isis Mello (RJ) Minha Câmera é Minha Flecha, de Natália Tupi (SP) Na Volta Eu te Encontro, de Urânia Munzanzu (BA) O Rio de Janeiro Continua Lindo, de Felipe Casanova (RJ) Palavra, de DF Fiuza (BA) Ri, Bola, de Diego Bauer (AM) Sebastiana, de Pedro de Alencar (RJ) Silvio Modesto, Confidências de um Sambista, de André Salerno e Lucas Fazzio (SP) Sobre Ruínas, de Carol Benjamin (RJ) Sukande Kasáká | Terra Doente, de Kamikia Kisedje e Fred Rahal (MT) Video Connection, de Sérgio Rizzo (SP)
ANIMAÇÃO
A Tragédia da Lobo-Guará, de Kimberly Palermo (RJ) Casca, de Bianca Toloi (SP) Como Nasce um Rio, de Luma Flôres (BA) Mãe de Manhã, de Clara Trevisan Farret (RS) Medo Monstro, de Andrew Gledson e Eduardo Padrão (PE) Menina Espoleta e os Super-heróis secretos, de Pedro Perazzo, Paula Lice e Tais Bichara (BA) Morto Não, de Alex Reis (SP) O Medo Tá Foda, de Esaú Pereira (CE) Pequeno B, de Lucas Borges (MG) Safo, de Rosana Urbes (SP) Seu Vô e a Baleia, de Mariana Elisabetsky (SP) Uma Menina, Um Rio, de Renata Martins Alvarez (SP)
Leonardo Sbaraglia em Natal Amargo, de Pedro Almodóvar
O Festival de Cannes 2026, que acontecerá entre os dias 12 e 23 de maio, anunciou nesta quinta-feira, 09/04, em uma coletiva apresentada por Iris Knobloch, presidente do festival, e Thierry Frémaux, diretor geral, os filmes selecionados para sua 79ª edição.
A disputa pela Palma de Ouro, prêmio máximo do evento, segue com nomes já conhecidos do festival, como: Pedro Almodóvar, Ryûsuke Hamaguchi, Paweł Pawlikowski, Cristian Mungiu, Asghar Farhadi, Hirokazu Koreeda, László Nemes, Valeska Grisebach, Lukas Dhont, entre muitos outros. Vale destacar que, até agora, cinco filmes da Competição são dirigidos por mulheres.
Segundo informações divulgadas na coletiva de imprensa, para este ano foram inscritos 2.541 longas-metragens, de 141 países. Como de costume, novos títulos serão anunciados em breve na programação.
Na mostra paralela Un Certain Regard, destaque para Elefantes na Névoa, dirigido por Abinash Bikram Shah, uma coprodução entre Nepal, Alemanha, Brasil, França e Noruega, e conta com a participação de importantes produtoras do audiovisual brasileiro, como a Bubbles Project, responsável por títulos como Malu e O Riso e a Faca, e a Enquadramento Produções, que assina obras como Los Silencios e A Febre. A seleção do longa reforça a potência do cinema brasileiro e o valor das coproduções internacionais, evidenciando, em um dos mais importantes eventos do mundo, como a troca criativa e técnica entre diferentes países contribui para o fortalecimento de cada projeto.
Ambientado em um vilarejo no Nepal, à beira de uma floresta habitada por elefantes selvagens, o filme acompanha Pirati, líder de uma comunidade Kinnar, que vê sua vida abalada após o desaparecimento de uma de suas filhas. A partir deste evento, a narrativa se desenvolve como uma investigação, atravessada por conflitos íntimos e sociais. “Em sua essência, o filme está enraizado nas realidades vividas pela comunidade Kinnar, pessoas que, embora empurradas para as margens, constroem famílias escolhidas resilientes e profundamente significativas. Fui atraído pela densidade emocional desses vínculos, pela forma como o parentesco é construído e sustentado muito além dos laços biológicos e das convenções sociais. Ainda assim, essas vidas permanecem em um constante e frágil cabo de guerra com uma sociedade dominante que exige conformidade. Ao trabalhar com um elenco que inclui atrizes da própria comunidade, encontramos uma verdade que eu não quis simplificar: uma verdade que fala de uma busca universal e profundamente humana por dignidade”, declarou o diretor.
Dirigido pelo nepalês Abinash Bikram Shah, Elefantes na Névoa tem coprodução brasileira
Elefantes na Névoa, que será distribuído pela Imovision no Brasil, é o primeiro longa-metragem do cineasta, que teve seu curta-metragem Loripremiado com uma Menção Especial na competição de Cannes em 2022; Abinash Bikram Shah também assinou o roteiro do longa Shambhala, exibido na competição da Berlinale em 2024.
Sobre a coprodução brasileira: “Li o roteiro de Elefantes em 2022 e fiquei encantada: pungente, urgente e inesperado e quando conheci o diretor Abinash na sequência tive ainda mais certeza de que queria coproduzi-lo. Junto com Leonardo Mecchi, grande amigo e parceiro, mergulhamos nesta aventura de filmar numa floresta no Nepal uma história que ressoa muito com o Brasil e o mundo”, disse a produtora Tatiana Leite, da Bubbles Project. “Esse projeto nos conquistou de imediato pela força da história e pela singularidade do olhar do Abinash. Ao longo do processo, construímos uma troca criativa intensa, que revela o que há de mais potente nas coproduções internacionais: a aproximação de realidades distintas que transformam não só o filme, mas também quem o realiza. É especialmente significativo que essa trajetória tenha sido viabilizada pelo primeiro edital de coprodução do FSA, uma política pública que amplia a presença do Brasil no cinema internacional e torna possíveis encontros como este”, afirmou Leonardo Mecchi, sócio-fundador da Enquadramento Produções.
E mais: neste ano, a consagrada atriz e cantora estadunidense Barbra Streisand e o cineasta neozelandês Peter Jackson, da trilogia O Senhor dos Anéis, serão homenageados com a Palma de Ouro honorária; a atriz francesa Eye Haïdara será a mestre de cerimônias. O 79º Festival de Cannes terá o cineasta sul-coreano Park Chan-wook, que já foi premiado com Decisão de Partir, Sede de Sangue e Oldboy, como presidente do júri.
Dirigido pelo francês Pierre Salvadori, La Vénus électrique será o filme de abertura deste ano e será exibido fora de competição. Com ideia original de Robin Campillo e Rebecca Zlotowski, o roteiro foi escrito por Benjamin Charbit, Benoît Graffin e Pierre Salvadori. O elenco conta com Anaïs Demoustier, Gilles Lellouche, Pio Marmaï, Vimala Pons, Gustave Kervern, entre outros.
Confira a lista com os filmes selecionados para o Festival de Cannes 2026:
COMPETIÇÃO
All of a Sudden (Soudain), de Ryûsuke Hamaguchi (França/Japão/Alemanha/Bélgica) Coward, de Lukas Dhont (Bélgica/França/Países Baixos) Das geträumte Abenteuer, de Valeska Grisebach (Alemanha/França/Bulgária/Áustria) El ser querido, de Rodrigo Sorogoyen (Espanha) Fatherland, de Paweł Pawlikowski (Polônia/Itália/França/Alemanha) Fjord, de Cristian Mungiu (Noruega/Romênia/Suécia/Finlândia/Dinamarca/França) Garance (Another Day), de Jeanne Herry (França) Gentle Monster, de Marie Kreutzer (Áustria/Alemanha) Histoires de la nuit, de Léa Mysius (França/Bélgica) Histoires parallèles, de Asghar Farhadi (França/EUA/Itália/Bélgica) Hope, de Na Hong-jin (Coreia do Sul) L’Inconnue, de Arthur Harari (França/Itália) La bola negra, de Javier Ambrossi e Javier Calvo (Espanha/França) La vie d’une femme, de Charline Bourgeois-Tacquet (França/Bélgica) Minotaur, de Andrey Zvyagintsev (França/Alemanha/Letônia) Moulin, de László Nemes (França) Nagi Notes, de Hiroshi Fukada (Japão) Natal Amargo (Amarga Navidad), de Pedro Almodóvar (Espanha) Notre Salut, de Emmanuel Marre (França) Sheep in the Box, de Hirokazu Koreeda (Japão) The Man I Love, de Ira Sachs (EUA)
UN CERTAIN REGARD
All the Lovers in the Night, de Sode Yukiko (Japão) Ben’imana, de Marie-Clémentine Dusabejambo (Ruanda) Club Kid, de Jordan Firstman (EUA) Congo Boy, de Rafiki Fariala (República Centro-Africana/Congo/França) El deshielo (The Meltdown), de Manuela Martelli (Chile/EUA/Espanha/México) Elefantes na Névoa (Elephants in the Fog), de Abinash Bikram Shah (Nepal/Alemanha/Brasil/França/Noruega) Everytime, de Sandra Wollner (Áustria/Alemanha) I’ll Be Gone in June, de Katharina Rivilis (Suíça/Alemanha) Iron Boy, de Louis Clichy (França/Bélgica) La más dulce, de Laïla Marrakchi (França/Espanha/Marrocos/Bélgica) Quelques mots d’amour, de Rudi Rosenberg (França) Siempre soy tu animal materno, de Valentina Maurel (Costa Rica) Teenage Sex and Death at Camp Miasma, de Jane Schoenbrun (Reino Unido/Canadá/EUA) (filme de abertura) Uļa, de Viesturs Kairišs (Letônia/Estônia/Polônia/Lituânia) Yesterday the Eye Didn’t Sleep, de Rakan Mayasi (Território Palestino Ocupado/Líbano/Bélgica)
FORA DE COMPETIÇÃO
Diamond, de Andy Garcia (EUA) Her Private Hell, de Nicolas Winding Refn (Dinamarca/EUA)) Karma, de Guillaume Canet (França) L’Abandon, de Vincent Garenq (França) L’objet du délit, de Agnès Jaoui (França) La bataille de Gaulle: L’âge de fer, de Antonin Baudry (França) La Vénus électrique, de Pierre Salvadori (França) (filme de abertura)
CANNES PREMIERE
Heimsuchung, de Volker Schlöndorff (Alemanha) Kokurojo: The Samurai and the Prisoner, de Kiyoshi Kurosawa (Japão) La Troisième nuit, de Daniel Auteuil (França) Propeller One-Way Night Coach, de John Travolta (EUA) The Match, de Juan Cabral e Santiago Franco (Argentina)
SESSÕES ESPECIAIS
Avedon, de Ron Howard (EUA) Cantona, de David Tryhorn e Ben Nicholas (Reino Unido) John Lennon: The Last Interview, de Steven Soderbergh (EUA) L’Affaire Marie-Claire, de Lauriane Escaffre e Yvo Muller (França) Les Matins Merveilleux, de Avril Besson (França) Les Survivants du Che, de Christophe Réveille (França) Rear Soul for the Revolution, de Pegah Ahangarani (Irã)
SESSÃO DA MEIA-NOITE
Full Phil, de Quentin Dupieux (França/EUA) Gun-che (Colony), de Yeon Sang-ho (Coreia do Sul) Jim Queen, de Marco Nguyen e Nicolas Athane (França) Roma Elastica, de Bertrand Mandico (França/Itália) Sanguine, de Marion Le Coroller (França/Bélgica)