Um Oceano Inteiro, de Bruna Dias e Carine Fiuza: curta paraibano premiado
Foram anunciados neste domingo, 02/08, os vencedores da quinta edição do Muído – Festival de Cinema de Campina Grande, mais uma janela da produção cinematográfica paraibana e nordestina, que aconteceu no Teatro Municipal Severino Cabral.
Neste ano, mais de 20 títulos foram selecionados entre 292 inscritos de todos os estados do Nordeste. A curadoria foi assinada por: André Santos e Tati Regis na Mostra Facheiro Luzente; e Janaína Lacerda e Breno César na Mostra Mundaréu. Já o time de jurados foi formado por Lunara Vasconcelos, Kennel Rogis e Ana Dinniz. Os vencedores receberam o Troféu Faxexo.
O tema desta quinta edição foi Acatar o Tempo, Refazendo Tudo, inspirado na música Refazenda, de Gilberto Gil; o Muído comemora meia década evocando a força de sempre renascer e de se reinventar, a conexão com os ciclos da natureza e o poder da vida: “Mesmo em meio a dificuldades e percalços, queremos celebrar a fartura, a vida, a arte e o cinema nordestino brasileiro”. A arte e a identidade visual foi assinada pelo artista Fernando JFL.
Além dos filmes, a programação contou também com oficinas, mesas, debates, a famosa Feirinha do Muído e o Assustado do Muído. O longa paraibano Malaika, de André Morais, com Vitória Bianco e Norma Góes no elenco, foi o filme convidado deste ano e foi exibido na noite de encerramento.
O Muído, realizado em Campina Grande, Paraíba, é um festival genuinamente paraibano e que tem como um dos objetivos ser uma tela para a produção do estado, do litoral ao sertão, passando pelo Cariri, Curimataú, Brejo, Seridó, entre outros.
Conheça os vencedores do 5º Muído – Festival de Cinema de Campina Grande:
MELHOR FILME | MOSTRA MUNDARÉU Os Arcos Dourados de Olinda, de Douglas Henrique (PE)
MELHOR FILME PARAIBANO | PRÊMIO ELY MARQUES Um Oceano Inteiro, de Bruna Dias e Carine Fiuza (João Pessoa)
MELHOR DOCUMENTÁRIO Ninguém (Mais) Verá, de Fabiano Raposo (PB)
MELHOR DIREÇÃO Janderson Felipe e Lucas Litrento, por Ajude os Menor
MELHOR ROTEIRO Um Oceano Inteiro, escrito por Bruna Dias e Carine Fiuza
MELHOR ATRIZ Soia Lira, por Ressonância
MELHOR ATOR Servilio de Holanda, por Ratos
MELHOR PERSONAGEM Silvo Silva, por Recife Tem um Coração
MELHOR MONTAGEM | PRÊMIO ALLAN VIDAL Os Arcos Dourados de Olinda, por Douglas Henrique
MELHOR FOTOGRAFIA A Vaqueira, a Dançarina e o Porco, por Linga Acácio
MELHOR DESENHO DE SOM A Vaqueira, a Dançarina e o Porco, por Érico Sapão Paiva
MELHOR DIREÇÃO DE ARTE Doula: Todos os Dias, o Nascer do Fim, por Ary Régis e Ana Cristina Nascimento
MENÇÃO HONROSA Retomada Étnica, de Jorge Elô (PB) Nua, de Fabi Melo (PB)
Elenco: Tom Holland, Zendaya, Mark Ruffalo, Jon Bernthal, Jacob Batalon, Sadie Sink, Florence Pugh, Liza Colón-Zayas, Tramell Tillman, Marisa Tomei, Naomi Watts, Michael Mando, Keith David, Marvin Jones III, Olivia Booth-Ford, Taryn Marie Butler, Johnny Myers, Billy Clements, Zabryna Guevara, Nina Galano, Maikol Roque, Jamel Davall Rodriguez, Ethan Sokontwe, Tariyé Peterside, Phoenix Di Sebastiani, Vivien Keene, Kurtis Lowe, Marc Small, David Hepple, Jamaal Burcher, Lieve Carchon, Mary Stillwaggon Stewart, Luka Hays, Camila López, Robert Veng, Aoife Haakenson, Gabriel Blaikie, Eman Esfandi, Shing Moussa Chung, Akil Young, Benedict Cezair-Thompson, Shannon Young Cho, Niyi Akin, Carlos Agualusa, Shelley Williams, Jud Charlton, Daisy Sequerra, Nezar Alderazi, Daniel Kabanda, Simon Schatzberger, Sean Carrington, Michael Amariah, Nicole Alphonce, William John Banks, Johnson Brock, Armando Cruz, Hunter Foster, Tommy Franzen, Emma Holt, Megan Jupp, Josh Lamb, Christie Lee Manning, Federica Somma, Callum Sterling, Eliana Todaro, Nicholas Tredrea, Naomi Weijand, Ian Chance, Nigel Finnissy, Zarra Kaahn, Cristina Lopez-Mas.
Ano: 2026
Sinopse: Um capítulo totalmente novo para Peter Parker e o Homem-Aranha. Quatro anos se passaram desde os eventos de Sem Volta Para Casa, e Peter agora é um adulto vivendo completamente sozinho, que vê seus amigos seguirem em frente sem ele, tendo se apagado voluntariamente da vida e das memórias de quem ama. Combatendo o crime em uma Nova York que já não sabe mais o seu nome, ele se dedica integralmente a proteger a cidade: um Homem-Aranha em tempo integral; mas, à medida que as exigências aumentam, a pressão desencadeia uma surpreendente evolução física que ameaça sua própria existência, enquanto um estranho padrão de crimes dá origem a uma das ameaças mais poderosas que ele já enfrentou.
Wera Djekupe, diretor do longa A Caminhada Sagrada de Tatatxi Ywareté: grande vencedor
Foram anunciados neste sábado, 25/07, em cerimônia apresentada por Kelner Macêdo e Silvero Pereira, no Sesc Glória, os vencedores do Troféu Vitória, além dos contemplados com os prêmios especiais, da 33ª edição do Festival de Cinema de Vitória, o maior evento de cinema e audiovisual do Espírito Santo.
Durante o festival, que teve início no último dia 18/07 e reuniu na capital capixaba dezenas de realizadores e artistas, foram exibidos 87 filmes selecionados pela Comissão de Seleção: 80 curtas e sete longas-metragens distribuídos em 11 mostras competitivas, que apresentaram um recorte contemporâneo do audiovisual brasileiro com produções realizadas entre os anos de 2025 e 2026.
Na Mostra Competitiva Nacional de Longas, o vencedor do Troféu Vitória de melhor filme, tanto pelo Júri Técnico quanto pelo Júri Popular, foi o capixaba A Caminhada Sagrada de Tatatxi Ywareté, do diretor Marcelo Guarani (Wera Djekupe), que também foi laureado com o prêmio de melhor contribuição artística. O Troféu Vitória de melhor direção foi para Priscyla Bettim e Renato Coelho pela ficção As Florestas da Noite, que também ganhou os prêmios de melhor roteiro e melhor interpretação para Verónica Valenttino. O prêmio de melhor fotografia foi para Carol Quintanilha pelo documentário A Fabulosa Máquina do Tempo. O Júri Oficial foi composto pelo diretor e roteirista Fabio Meira; pela curadora, programadora e gestora cultural Simone Yunes; e pelo diretor, dramaturgo e preparador Vinicius Arneiro.
Na Mostra Competitiva Nacional de Curtas, o vencedor do Troféu Vitória de melhor filme pelo Júri Oficial foi a produção goiana Tião Personal Dancer, de Aristótelis Tothi, que também venceu na categoria de melhor direção. O capixaba O que Faço com Isso Agora que Acabou?, de Julia Uliana e Natália Dornelas, recebeu o Troféu Vitória de melhor filme pelo Júri Popular e o Prêmio Especial do Júri. A produção do Espírito Santo, Irmã, de Anderson Bardot, recebeu dois prêmios oficiais: melhor interpretação para Arthur Batista Leão e melhor fotografia para Andie Freitas, além do Prêmio Canal Brasil de Curtas. O Troféu Vitória de melhor roteiro foi para Kimberly Palermo pela animação A Tragédia da Lobo-Guará. O prêmio de melhor contribuição artística foi para Luiz Ulian e Jocimar Dias Jr. por Morfeu e Caronte (RJ). O Júri Oficial da mostra foi composto pelo diretor do Festival MixBrasil, curador e pesquisador André Fischer; pela cineasta e roteirista Carol Benjamim; e pela professora, pesquisadora e cineasta GG Fákọ̀làdé; que também foram responsáveis pelo júri da Mostra Foco Capixaba.
Também foram entregues o Troféu Vitória de melhor Filme, pelo Júri Oficial e Júri Popular, para as obras que participaram das outras mostras. Já o júri do Prêmio Canal Brasil de Curtas elegeu Irmã, de Anderson Bardot, como o melhor filme da 30ª Mostra Competitiva Nacional de Curtas. A produção capixaba ganhou o Troféu Canal Brasil, além de uma premiação no valor de 15 mil reais; o júri do Prêmio Canal Brasil de Curtas foi formado pelos jornalistas Aline Almeida, Flávio Carvalho e Sé Souza, que participaram da cobertura do 33º Festival de Cinema de Vitória.
O Prêmio Sesc Glória, escolhido pela curadoria do Sesc, foi para o filme A Caminhada Sagrada de Tatatxi Ywareté, do diretor Marcelo Guarani, exibido na 16ª Mostra Competitiva Nacional de Longas. O prêmio consiste no licenciamento por dois anos para exibição nos cinemas do Sesc Espírito Santo. O júri do Prêmio Sesc foi formado pelos produtores culturais Gabriel Albuquerque e Leandra Moreira.
A Stone Milk, empresa de pós-produção, premiou os filmes vencedores da 30ª Mostra Competitiva Nacional de Curtas (Júri Oficial e Popular), da 16ª Mostra Competitiva Nacional de Longas e 10ª Mostra Nacional de Videoclipes. Os vencedores são os curtas-metragens Tião Personal Dancer, de Aristótelis Tothi, e O Que Faço Com Isso Agora Que Acabou?, de Julia Uliana e Natália Dornelas, o longa-metragem A Caminhada Sagrada de Tatatxi Ywareté, de Marcelo Guarani, e o videoclipe Monalisa, de Lucas Sá.
O time de jurados desta 33ª edição do Festival de Vitória completou-se com: Douglas Soares, Erly Vieira Jr e Marina Abranches na mostra Quatro Estações; Daniela Zanetti, Douglas Soares e Gui Castor na mostra Corsária; Erlon Paschoal, Margarita Hernández e Thiago Moulin na mostra Outros Olhares; Gabriela Gastal, Leandra Moreira e Tati Rabelo na mostra Mulheres no Cinema; Paulo Sena, Tamyres Batista e Yasmine Evaristo na mostra Cinema e Negritude; Fabriccio, Gabriela Gastal e Patrícia Bragatto na Mostra Nacional de Videoclipes; Adriana Jacobsen, Margarita Hernández e Yasmine Evaristo na Mostra Nacional de Cinema Ambiental; e Bernadette Lyra, Gabriele Stein e Margareth Galvão na mostra Do Outro Lado: Cinema Fantástico.
A noite de encerramento contou também com Sessões Especiais. Primeiro, foi exibido o longa Folclórica, dirigido por Rodrigo Aragão, homenageado capixaba desta edição. Na sequência, foi exibido o primeiro episódio da série Admirável Mundo Gordo, de Erly Vieira Jr e Melina Galante.
Conheça os vencedores do 33º Festival de Cinema de Vitória:
30ª MOSTRA COMPETITIVA NACIONAL DE CURTAS
Melhor Filme | Júri Oficial: Tião Personal Dancer, de Aristóteles Tothi (GO) Melhor Filme | Júri Popular: O que Faço com Isso Agora que Acabou?, de Julia Uliana e Natália Dornelas (ES) Melhor Direção: Aristótelis Tothi, por Tião Personal Dancer Melhor Roteiro: A Tragédia da Lobo-Guará, escrito por Kimberly Palermo Melhor Fotografia: Irmã, por Andie Freitas Melhor Contribuição Artística: Morfeu e Caronte, de Luiz Ulian e Jocimar Dias Jr. (RJ) Melhor Interpretação: Arthur Batista Leão, por Irmã Prêmio Especial do Júri: O que Faço com Isso Agora que Acabou?, de Julia Uliana e Natália Dornelas (ES) Menção Honrosa: Espírito São: O Lugar de Toda Fé, de Matheus Costa e Breno Chamon (ES)
16ª MOSTRA COMPETITIVA NACIONAL DE LONGAS
Melhor Filme | Júri Oficial: A Caminhada Sagrada de Tatatxi Ywareté, de Wera Djekupe (Marcelo Guarani) (ES) Melhor Filme | Júri Popular: A Caminhada Sagrada de Tatatxi Ywareté, de Wera Djekupe (ES) Melhor Direção: Priscyla Bettim e Renato Coelho, por As Florestas da Noite Melhor Roteiro: As Florestas da Noite, escrito por Priscyla Bettim Melhor Fotografia: A Fabulosa Máquina do Tempo, por Carol Quintanilha Melhor Contribuição Artística: A Caminhada Sagrada de Tatatxi Ywareté, de Marcelo Guarani (ES) Melhor Interpretação: Verónica Valenttino, por As Florestas da Noite Menção Honrosa: Entre o Sucesso e a Lama, de Cristiano Burlan (SP) Menção Honrosa: Malaika, de André Morais (PB)
16ª MOSTRA QUATRO ESTAÇÕES Melhor Filme: Marimbã Está Acontecendo, de Maryn Marynho (CE) Melhor Filme | Júri Popular: Noites Proibidas, de Júlio Cesar (ES) Menção Honrosa: Picumã, de Sladká Meduza (SP)
15ª MOSTRA FOCO CAPIXABA Melhor Filme: Liberdade de Morar, de Penha Souza (ES) Melhor Filme | Júri Popular: Liberdade de Morar, de Penha Souza (ES)
15ª MOSTRA CORSÁRIA Melhor Filme: Filme-Copacabana, de Sofia Leão (RJ) Melhor Filme | Júri Popular: Depois Levanta Voo ou Abisma-se, de Marcus Neves e Aline Dias (ES) Menção Honrosa: Vim e Irei como uma Profecia, de Fábio Rogério (SE)
13ª MOSTRA OUTROS OLHARES Melhor Filme: Grão, de Gianluca Cozza e Leonardo da Rosa (RS) Melhor Filme | Júri Popular: Pra Morrer Basta Estar Vivo, de Francisco Xavier (ES) Menção Honrosa: Kika Não Foi Convidada, de Juraci Júnior (RO)
11ª MOSTRA MULHERES NO CINEMA Melhor Filme: Núbia, de Barbara Bello (MG) Melhor Filme | Júri Popular: Lactação, de Fernanda Taddei (SP)
11ª MOSTRA CINEMA E NEGRITUDE Melhor Filme: O Pai da Rainha de Angola, de Rodrigo França (SP) Melhor Filme | Júri Popular: Dentro do Meu Peito Mora um Cão, de Gabriel Afonso (MG) Menção Honrosa: Dentro do Meu Peito Mora um Cão, de Gabriel Afonso (MG)
10ª MOSTRA NACIONAL DE VIDEOCLIPES Melhor Videoclipe: Monalisa, de Lucas Sá (Artista: Frimes) (MA) Melhor Videoclipe | Júri Popular: Filtro, de Rayan Casagrande e Vinicius Caus (Artista: Inseton) (ES) Menção Honrosa: Até, de Victorhugo Amorim, Taciano Faccini e Gabrielle Nalli (Artista: Ronnie Silveira) (ES)
9ª MOSTRA NACIONAL DE CINEMA AMBIENTAL Melhor Filme: Bijupirá, de Eduardo Boccaletti (BA) Melhor Filme | Júri Popular: Bijupirá, de Eduardo Boccaletti (BA)
8ª MOSTRA DO OUTRO LADO | CINEMA FANTÁSTICO Melhor Filme: Ybi, de Elisa Telles e Begê Muniz (AM) Melhor Filme | Júri Popular: Cordão de Prata, de Getulio Ribeiro (RJ)
PRÊMIO CANAL BRASIL DE CURTAS Irmã, de Anderson Bardot (ES)
PRÊMIO SESC GLÓRIA A Caminhada Sagrada de Tatatxi Ywareté, de Wera Djekupe (ES)
PRÊMIO STONE MILK | PÓS-PRODUÇÃO Longa-metragem: A Caminhada Sagrada de Tatatxi Ywareté, de Wera Djekupe (ES) Curta-metragem: Tião Personal Dancer, de Aristótelis Tothi (GO) Videoclipe: Monalisa, de Lucas Sá (Artista: Frimes) (MA) Consultoria de Projetos: O que Faço com Isso Agora que Acabou?, de Julia Uliana e Natália Dornelas (ES)
Brasil na disputa pelo Leão de Ouro: Paula Cohen em Retorno a Buenos Aires, de Marco Bechis
A 83ª edição do Festival Internacional de Cinema de Veneza, que acontecerá entre os dias 2 e 12 de setembro, revelou, nesta quinta-feira, 23/07, em uma coletiva de imprensa comandada por Alberto Barbera, diretor do festival, a lista completa com os filmes selecionados para este ano.
Na Competição Internacional, que traz 20 títulos na disputa pelo Leão de Ouro, prêmio máximo do evento, o cinema brasileiro se destaca com o longa Retorno a Buenos Aires (Ritorno a Buenos Aires), coprodução entre Itália e Brasil, dirigida por Marco Bechis, que também assina o roteiro ao lado de Vijaya Bechis Boll. Estrelado pelo italiano Adriano Giannini, o filme reúne ainda os brasileiros Paula Cohen e Eduardo Hoy em papéis de destaque, além das atrizes argentinas Ana Celentano, Vero Gerez e Olivia Nuss.
Na obra, Mariano Guerra é chamado a retornar à Argentina para testemunhar no julgamento dos militares que o sequestraram e torturaram durante a ditadura militar; a mesma que, em 1978, organizou a Copa do Mundo de Futebol enquanto o país vivia sob uma repressão clandestina. A história dialoga diretamente com a trajetória do próprio diretor, preso político durante a ditadura argentina, experiência que marca sua filmografia e confere ao longa um caráter testemunhal.
O encerramento das filmagens coincidiu simbolicamente com os 50 anos do início da ditadura na Argentina, em março de 1976, reforçando a atualidade da reflexão proposta pelo filme sobre memória, justiça e sobrevivência: “Com Retorno a Buenos Aires, volto à Argentina 50 anos depois. Volto com uma história que não é a minha, mas que nasce de uma ferida que conheço. Eu também fui sequestrado durante a ditadura argentina, mas Mariano não sou eu. Escolhi a ficção porque, às vezes, ela é a única forma de se aproximar de uma verdade que a memória, sozinha, não consegue contar. Durante muitos anos pensei que o cinema tivesse me libertado dessa pergunta. Percebi que não era assim. Há muitos anos uma questão me acompanha: o que significa sobreviver? Não apenas salvar-se, mas continuar vivendo quando outros não puderam fazê-lo. Mariano retorna a Buenos Aires para depor em um julgamento. Por meio dele, procurei contar esse momento em que o passado volta a ocupar o presente. Busquei uma direção essencial, sem explicar nem julgar. Interessavam-me os silêncios, os rostos, o tempo da espera, os lugares que conservam as marcas do que aconteceu. No fundo, este filme fala de uma única coisa: da culpa do sobrevivente, que persiste”, afirma o diretor.
Com três meses de pré-produção e quatro semanas de filmagens no Brasil, realizadas em Porto Alegre, e mais três semanas em Turim, no norte da Itália, o projeto também consolida a atuação internacional da produtora brasiliense34 Filmes e a parceria com André Ristum, que já colaborou em diversos projetos anteriores. O filme teve participação destacada de técnicos brasileiros, entre os quais: a direção de arte de Eduardo Antunes; a produção de elenco de Alessandra Tosi; o figurino de Coca Serpa; a produção executiva de André Ristum e Patrick de Jongh; e o line producer Beto Rodrigues. A coprodução entre Brasil e Itália reúne a 34 Filmes e as italianas Fandango, 39Films, Karta Film e Rai Cinema.
Liderada por Patrick de Jongh, a 34 Filmes, que tem sede em Brasília, financiou o filme através do FSA, Fundo Setorial do Audiovisual, com recursos geridos pelo BRDE, por meio do edital de coprodução internacional de 2024, como afirma o produtor: “A política de descentralização dos investimentos em cinema mais uma vez mostra resultados e confirma a necessidade deste tipo de investimento para que mais regiões e realizadores brasileiros possam marcar presença em grandes eventos internacionais como o Festival de Veneza”.
A coprodução é resultado de uma parceria frutífera, que já conta com vários projetos realizados, entre a Sombumbo, de André Ristum, e a 34 Filmes: “Marco me mandou esse roteiro alguns anos atrás e fiquei muito impactado. Somos próximos desde a produção do Terra Vermelha e pra mim não era aceitável que um talento como ele ficasse tantos anos sem filmar. Levei o projeto para a 34 Filmes e fiquei muito feliz com a recepção e parceria deles para fazer o projeto dar certo”, disse Ristum. Vale destacar que, além de Terra Vermelha, Marco Bechis também dirigiu Alambrado, Hijos/Filhos e Garage Olimpo.
A parceria brasileira conta também com a Neocórtex, de Cibele Amaral, que comenta sobre a terceira coprodução internacional da 34 Filmes que traz um resultado inédito: “É uma grande alegria fazer parte da história do cinema brasileiro, tendo produzido o primeiro filme da região CONNE (região centro-oeste, norte e nordeste) selecionado para a competição principal do Festival de Veneza na história deste evento”.
A sinopse oficial diz: Buenos Aires, 2008. Depois de trinta e três anos vividos na Itália, Mariano Guerra retorna à Argentina para depor no julgamento dos ex-militares que o sequestraram, torturaram e escravizaram durante a ditadura militar. Junto com outros sobreviventes, ele é hospedado nas instalações do Ministério da Justiça, onde reencontra pessoas com quem compartilhou o cativeiro e aguarda o dia de seu depoimento. Os dias passados ao lado dos demais sobreviventes, os encontros e os testemunhos trazem à tona acontecimentos que permaneceram sem resolução por décadas. Mariano é um dos poucos sobreviventes daquela tragédia e carrega consigo um peso que nenhuma sentença é capaz de aliviar. O retorno a Buenos Aires o obriga a se confrontar com o que significa ter permanecido vivo.
Cena do longa Furies: coprodução do brasileiro Rodrigo Teixeira na Biennale Cinema 2026
Além disso, o Brasil também se destaca na mostra Venezia Spotlight com Furies, dirigido pelo libanês Rami Kodeih, de A Sheherazade Tale e Alina. A coprodução entre Líbano e Brasil, pela RT Features, de Rodrigo Teixeira, conta também com George Clooney como produtor executivo.
Com Maria Nakouzi, Rym Mroue, Hasan Akil e Issam Bou Khaled no elenco, Furies se passa quando o sistema bancário do Líbano congela todas as contas da noite para o dia e uma jovem descobre que o dinheiro da cirurgia que poderia salvar a vida da irmã está bloqueado. Desesperadas, as duas irmãs arquitetam um ousado assalto ao banco para recuperar o que é delas por direito.
Ainda na mesma mostra, destaque para Hombre al agua, dirigido por Gael García Bernal, que traz uma atriz brasileira no elenco: Débora Nascimento. O filme, também estrelado por Gael García Bernal, Esmeralda Pimentel, Jorge Salinas, Natalia Oreiro e Anna Díaz, conta a história de Camilo, um salva-vidas cubano que salva o empresário mexicano Abel de um afogamento. Grato, Abel leva Camilo para o México; lá, ele se casa com a filha de Abel, Juana, e o casal tem um filho. No entanto, Camilo logo descobre que sua nova vida faz parte de um plano maquiavélico de manipulação e controle arquitetado por Abel. Com seu mundo desmoronando, Camilo precisa desvendar a trama e assumir o controle de seu destino. Será que ele encontrará uma saída ou permanecerá preso nesse jogo de poder?
Como já anunciado anteriormente, a diretora, atriz, roteirista e produtora estadunidense Maggie Gyllenhaal será a presidente do Júri Internacional da Competição desta 83ª edição do Festival de Veneza: “Estou muito feliz em aceitar o convite para presidir o júri do Festival de Cinema de Veneza deste ano. Veneza sempre apoiou vozes autênticas e singulares, e sinto-me honrada em contribuir para a continuidade dessa tradição corajosa e necessária. Não estarei ali para julgar, mas sim movida pela curiosidade, pela admiração e pelo entusiasmo”, disse em comunicado oficial.
O time de jurados completa-se com: a cineasta tunisiana Kaouther Ben Hania, que levou o Leão de Prata com o Grande Prêmio do Júri no ano passado com A Voz de Hind Rajab; o compositor britânico Daniel Blumberg, vencedor do Oscar pela trilha sonora de O Brutalista; o italiano Francesco Casetti, teórico de cinema e televisão; o cineasta e roteirista francês Xavier Giannoli; a diretora afegã Shahrbanoo Sadat; e o cineasta e produtor Johnnie To, de Hong Kong.
Na mostra Orizzonti, a atriz, diretora e roteirista francesa Valérie Donzelli será a presidente do júri, que contará também com: Peter Becker, distribuidor americano; a cineasta Elizabeth Lo, de Hong Kong; o diretor e roteirista mexicano David Pablos; e a atriz italiana Barbara Ronchi.
Já o Prêmio Luigi De Laurentiis, Leão do Futuro, que será entregue a um filme de estreia, contará com a cineasta e roteirista italiana Carolina Cavalli como presidente do júri. O time de jurados será formado por: Akinola Davies Jr., diretor britânico-nigeriano; e Ted Hope, produtor cinematográfico americano.
Neste ano, o ator, produtor e roteirista George Clooney e a consagrada atriz Ellen Burstyn, vencedora do Oscar por Alice Não Mora Mais Aqui, serão homenageados com o Leão de Ouro honorário.
O filme de abertura desta edição será o drama biográfico Ink, dirigido por Danny Boyle, vencedor do Oscar por Quem Quer Ser um Milionário?; o longa, que retrata a ascensão do magnata Rupert Murdoch e a transformação do jornal The Sun no final da década de 1960, conta com Guy Pearce, Jack O’Connell e Claire Foy no elenco. Já o encerramento será com o drama italiano Dio ride, de Giovanni Veronesi, com Pierfrancesco Favino, Maurizio Lombardi, Silvio Orlando, Alma Noce, Francesco Gheghi, Paolo Rossi e Carlo Cecchi no elenco.
Além disso, o Brasil também se destaca na 41ª edição da Semana Internacional da Crítica, Settimana Internazionale della Critica, que anunciou sua seleção recentemente com a presença do longa gaúcho London, dirigido por Victor Di Marco e Márcio Picoli.
Conheça os filmes selecionados para o 83º Festival de Veneza:
VENEZIA 83 | COMPETIÇÃO
15/18 A Place To Heal, de Cédric Kahn (França) Bucking Fastard, de Werner Herzog (Irlanda/EUA) Bunker, de Florian Zeller (França/Espanha) Company, de Casey Affleck (Canadá/EUA) Dau, de Ilya Khrzhanovsky (Alemanha/França/Suécia) Ga-neung-han sa-rang (Possible love), de Lee Chang-dong (Coreia do Sul) Il fuoco che ti porti dentro, de Edoardo de Angelis (Itália) Ink, de Danny Boyle (Reino Unido) Kami nour (A bit of light), de Ali Asgari (Irã/Suíça/Itália/Canadá/Turquia) Kvinde Ukendt (Woman Unknown), de May el-Toukhy (Dinamarca/Suécia/Letônia) L’estranea, de Paolo Strippoli (Itália/França/Bélgica) Look Back, de Hirozaku Koreeda (Japão) Nelson san, anata ha hito wo koroshimashitaka? (Mr. Nelson, Did You Kill People?), de Shinya Tsukamoto (Japão/EUA/Tailândia/Vietnã) Primetime, de Lance Oppenheim (EUA) Ritorno a Buenos Aires, de Marco Bechis (Itália/Brasil) Succederà questa notte, de Nanni Moretti (Itália/França/Espanha) The Echo Chamber, de Andrea Pallaoro (Itália/Bélgica) Un bon petit soldat, de Stéphane Brizé (França) Un peu avant minuit, de Nicolas Pariser (França) Wild Horse Nine, de Martin McDonagh (Reino Unido/EUA/Chile)
ORIZZONTI | COMPETIÇÃO
Cudze rzeczy (What belongs to others), de Grzegorz Dębowski (Polônia) Do kraja dana (Until the day ends), de Jelena Maksimović (Sérvia/Bulgária/Eslovênia/Montenegro/Croácia/Alemanha) Eklipse, de Manuel Wetscher (Áustria/Itália) Huangyan shenghuo (Big Little Things), de Michelle Zhou (Hong Kong/EUA) I figli della scimmia, de Tommaso Landucci (Itália) La città dei vivi, de Edoardo Gabbriellini (Itália) La maison du vent (House of the wind), de Auguste Bernard Kouemo Yanghu (Camarões/França/Bélgica/Benin/Arábia Saudita/Qatar) La Moula, de Jérôme Pierrat (França) La ragazza con la Leica, de Alina Marazzi (Itália/Alemanha) Lovers in the Blue Night, de Anuparna Roy (Índia/EUA) Mia mera sti zoi tis tzo: kefalaio Faidra (A day in the life of Jo: Chapter Phaedra), de Jacqueline Lentzou (Grécia/Alemanha/França) Moragheb (Falling House), de Mohsen Gharaei (Irã/EUA/Alemanha) Oase (Oasis), de Jannis Lenz (Alemanha/Áustria) The Color of the Sun, de Xavier Tera (Canadá/Itália/Japão) The Difficult Bride, de Rubaiyat Hossain (França/Bangladesh/Portugal/Noruega/Alemanha) Too Much Sugar, de Robert Greene (EUA) Un détour par Diane, de Ann Sirot e Raphaël Balboni (Bélgica/França) Una storia, de Anna Foglietta (Itália) Yak mai (The Burning Giants), de Phuttiphong Aroonpheng (Tailândia/França/Singapura/Taiwan/Holanda)
ORIZZONTI | CURTA-METRAGEM | COMPETIÇÃO
Angelo azzurro, de Tommaso Acquarone (Itália) Bleu au loin, de Amir Houshang Moein (França) Head of a Camel, de Shannon Lee (EUA) Los poderes, de Salim Jaller (Colômbia/França) Man made lake, de Annie Ning (EUA/China) Mothmama, de Jessica DiCosta (Austrália) Paper Plane, de Saoirse Ronan (Reino Unido/Irlanda) Quelques instants de bonheur, de Shaden Safieddine Tazi (França/Reino Unido) Sasso, carta, forbici, de Virginia Mori (Itália/França) Tesztpálya (Test Track), de Lydia Cornett (Hungria/Reino Unido/EUA) Tropikos tou thrinountos gkeko (Tropic of the mourning gecko), de Stavros Markoulakis (Grécia/França/Holanda) Tysha (Silence), de Pavlo Shpegun (Ucrânia) Una fortaleza, de Alba Gaviraghi (Chile)
ORIZZONTI | CURTA-METRAGEM | FORA DE COMPETIÇÃO
Il senso della Terra, de Simone Massi e Alessandro Ingaria (Itália) Sounds from home, de Nathan Silver (França/EUA)
VENEZIA SPOTLIGHT
Eu contez (I matter), de Alina Şerban (Romênia/Alemanha/Bélgica) Földszint (Ground floor), de Gábor Reisz (Hungria/Itália) Furies, de Rami Kodeih (Brasil/Líbano) Guria, de Levan Koguashvili (Geórgia/Suíça/Luxemburgo/Bulgária/Turquia/Noruega/Arábia Saudita) Hiwar ma’ albahr (Conversation With The Sea), de Muayad Alayan (Palestina/Holanda/Arábia Saudita/Qatar) Hombre al agua, de Gael García Bernal (México) Serpenti, de Roberto De Paolis Maino (Itália) Sumo: Spirit Weighs Nothing, de Erik Shirai (Japão/EUA/Dinamarca/Reino Unido)
FORA DE COMPETIÇÃO | FICÇÃO
Arrested Memory, de Sabu (Taiwan/Japão) Dio ride, de Giovanni Veronesi (Itália) Father Joe, de Barthélémy Grossmann (França) Jupiter, de Alexandre Smia (França) Makikiraan po (Let us through, dear ancestors), de Lav Diaz (Filipinas) Nessun dolore, de Gianni Amelio (Itália) No paradise if you are killed by a woman, de Halkawt Mustafa (Noruega/Iraque/Emirados Árabes Unidos/Suécia) Place to be, de Kornél Mundruczó (Austrália) Scherzetto, de Mario Martone (Itália) The Basics of Philosophy, de Paul Schrader (EUA) Un bon avocat, de Tristan Seguela (França)
FORA DE COMPETIÇÃO | DOCUMENTÁRIO
Al mowaten Osama (Citizen Osama), de Ahmed Hassouna (França/Palestina) Be Brave, de Francesco Carrozzini (Itália) Biografía de Jorge Luis Borges, de Mariano Llinás (Argentina) Boatbuilders, de Luke Lorentzen (EUA) Burgundy, de Michael Dweck e Gregory Kershaw (França) Everest: The Other Side, de Elizabeth Chai Vasarhelyi e Jimmy Chin (EUA/China/Nepal) From Inside Out: The Architecture of Peter Zumthor, de Wim Wenders (Alemanha/Suíça) Holy Wood Dust, de Victor Kossakovsky (Itália/Espanha/Alemanha) Imperium, de Sergei Loznitsa (Alemanha/Itália/França/Lituânia) Listy (Letters), de Andrei Kutsila (Polônia/Alemanha/Lituânia) Musk, de Alex Gibney (EUA) My Undesirable Friends: Part II – Exile, de Julia Loktev (EUA) Oasis: Don’t Look Back In Anger, de Dylan Southern e Will Lovelace (Reino Unido) Queer Edward II, de Theo Rollason (Reino Unido) Shumei. The living legacy of Kabuki, de Miike Takashi (Japão) The road to Jericho, de Amos Gitai (França/Reino Unido/Israel) Union Town, de Barbara Kopple (EUA) Weichen (Dust), de Tsai Ming-liang (Taiwan/Espanha) What Love Builds, de Russell Crowe (Austrália)
VENICE CLASSICS | FILMES RESTAURADOS
A História de Woo Viet (Woo Yuet dik goo si), de Ann Hui (1981) (Hong Kong) A Ilusão Viaja de Trem (La ilusión viaja en tranvía), de Luis Buñuel (1954) (México) A Noite do Massacre (La lunga notte del ’43), de Florestano Vancini (1960) (Itália) Armadilha do Destino (Cul-de-sac), de Roman Polanski (1966) (Reino Unido) Assim Falou o Amor (Minnie and Moskowitz), de John Cassavetes (1971) (EUA) Cinzas e Diamantes (Popiół i diament), de Andrzej Wajda (1958) (Polônia) Col cuore in gola, de Tinto Brass (1967) (Itália) Despedida de Ontem (Abschied von gestern), de Alexander Kluge (1966) (Alemanha) English, August, de Dev Benegal (1994) (Índia) Feios, Sujos e Malvados (Brutti, sporchi e cattivi), de Ettore Scola (1976) (Itália) Gyoei no mure (The Catch), de Shinji Sōmai (1983) (Japão) Lo zio di Brooklyn, de Daniele Ciprì e Franco Maresco (1995) (Itália) Los de la mesa 10, de Simón Feldman (1960) (Argentina) Minjing gushi (On the beat), de Ning Ying (1995) (China) Os Anjos Selvagens (The Wild Angels), de Roger Corman (1966) (EUA) Os Olhos Azuis de Yonta (Udju Azul di Yonta), de Flora Gomes (1992) (Guiné-Bissau/Portugal/França/Reino Unido) Ser ou Não Ser (To be or not to be), de Ernst Lubitsch (1942) (EUA) Valerie e a Semana das Maravilhas (Valerie a týden divů), de Jaromil Jireš (1970) (República Tcheca) Viagem à Itália (Viaggio in Italia), de Roberto Rossellini (1953) (Itália/França)
*Clique aqui e conheça os títulos selecionados para as mostras Biennale College Cinema e Venice Immersive
Vencedor do Troféu Redentor de melhor filme e melhor direção de arte no Festival do Rio do ano passado, Pequenas Criaturas, segundo longa-metragem da diretora e roteirista Anne Pinheiro Guimarães, de Transe, chega aos cinemas nesta quinta-feira, 23/07. Estrelado por Carolina Dieckmmann, que também assina como produtora associada, o elenco reúne ainda Caco Ciocler, Leticia Sabatella, Théo Medon, Lorenzo Mello, Fernando Eiras e Michel Melamed.
O filme apresenta um retrato sensível de uma família vivendo um momento de transição ao se mudar para Brasília, em 1986, quando o Brasil ainda dava seus primeiros passos na redemocratização. Recém-chegados à capital, Helena (Carolina Dieckmann) e os filhos, André (Théo Medon) e Dudu (Lorenzo Mello), precisam se adaptar a uma nova realidade quando o marido de Helena (Michel Melamed) viaja a trabalho, deixando-os sozinhos na cidade. Enquanto ela passa a questionar suas escolhas e a reconstruir sua identidade, André vive as descobertas da adolescência, enquanto Dudu transforma o desconhecido em um universo lúdico por meio de novas amizades.
Dirigido por Anne Pinheiro Guimarães, o longa revela como mudanças e encontros inesperados podem transformar profundamente a forma como cada personagem enxerga o mundo, a família e a si mesmo. A cineasta conta que o filme é profundamente pessoal, inspirado em suas próprias experiências e dedicado à mãe. Uma produção da Bananeira Filmes, o longa tem coprodução da Globo Filmes, Telecine e Canal Brasil. A distribuição é da Filmes do Estação em parceria com a Bananeira Filmes.
A sinopse oficial diz: Brasília, 1986. Recém-chegada à capital com o marido e os dois filhos, Helena vê sua rotina ser abalada quando ele parte em uma viagem de trabalho, deixando-a sozinha em uma cidade desconhecida. Enquanto enfrenta a solidão e as frustrações de uma vida que não escolheu, ela busca redescobrir sua própria identidade. Ao mesmo tempo, seus filhos vivem os desafios e as descobertas da juventude. André, adolescente, experimenta as primeiras paixões e percebe as tensões crescentes entre os pais; já o pequeno Dudu transforma o cotidiano em uma sequência de aventuras, amizades e aprendizados. Entre encontros inesperados, conflitos e afetos, a família atravessa um período de transformação que revelará novas possibilidades de conexão e felicidade.
Com argumento, roteiro e direção de Anne Pinheiro Guimarães, o longa é produzido por Vania Catani, com Cacá Diegues e Carolina Dieckmmann como produtores associados, produção executiva de Renato Pimentel e direção de produção de Larissa Rolim. A fotografia é assinada por Pablo Baião, a montagem é de Marilia Moraes, a direção de arte e cenografia é de Claudia Andrade, o figurino é de Cristina Kangussu, a caracterização é de Maria Inez Moura com Roberto Moreira como cabeleireiro. Marcos Manna assina o som direto; Dani Barcelos é microfonista com Hilton BB como gaffer e Léo França como maquinista. A música original é de Gabriel Amorim com edição de som e mixagem de Bernardo Uzeda; Pedro Saboya assina como colorista e a produção de finalização é de Elaine Azevedo e Silva.
Para falar mais sobre Pequenas Criaturas, conversamos com a diretora Anne Pinheiro Guimarães, com a protagonista Carolina Dieckmmann e com o ator Théo Medon.
Luiz Carlos Barreto: um dos maiores produtores cinematográficos do Brasil
Morreu na madrugada desta quarta-feira, 22/07, aos 98 anos, o produtor, diretor e fotógrafo Luiz Carlos Barreto, um dos maiores nomes da história do cinema brasileiro. A informação foi confirmada por familiares; Barretão, como era conhecido, estava com a saúde debilitada desde 2024 quando sofreu uma queda e, recentemente, estava internado desde terça-feira.
Nascido em Sobral, no Ceará, no dia 20 de maio de 1928, mudou-se para o Rio de Janeiro aos 19 anos para trabalhar na CSN, Companhia Siderúrgica Nacional. Começou sua carreira profissional como jornalista na revista O Cruzeiro, onde atuou como repórter e fotógrafo entre os anos 1950 e 1963, tendo sido correspondente internacional da publicação na Europa. Além disso, graduou-se em Letras pela Sorbonne, em Paris.
O cinema entrou em sua vida quando visitou o set de filmagens de Barravento, primeiro longa-metragem de Glauber Rocha, no interior da Bahia, em 1961, para fazer uma cobertura jornalística. Depois disso, assinou o roteiro, ao lado de Roberto Farias, de O Assalto ao Trem Pagador, também dirigido por Farias, e lançado em 1962. Logo, seguiu na sétima arte em grandes produções cinematográficas com um importante desempenho político e cultural. Luiz Carlos Barreto, um dos maiores produtores cinematográficos do Brasil, também teve papel fundamental no Cinema Novo e revolucionou o cinema latino-americano.
Em 1965, deixou o jornalismo e passou a dedicar-se exclusivamente ao cinema quando fundou a L.C. Barreto, ao lado de sua esposa, Lucy Barreto, onde realizou alguns dos mais importantes títulos do cinema brasileiro. Como diretor de fotografia, assinou trabalhos importantes, como: Vidas Secas, de Nelson Pereira dos Santos, que foi exibido no Festival de Cannes, em 1964; e Terra em Transe, de Glauber Rocha, vencedor do Prêmio FIPRESCI em Cannes, em 1967, no qual também foi coprodutor.
Lucy e Luiz Carlos se conheceram na década de 1950 e se casaram em Paris, em 1954. Anos depois, no dia 7 de maio de 1963, fundaram a L.C. Barreto Produções Cinematográficas, que acabou se tornando uma das produtoras mais importantes do país; o primeiro filme lançado por eles foi Garrincha, alegria do povo, de Joaquim Pedro de Andrade. Ao todo, foram mais de 80 produções em 60 anos de atividade, tendo como maior sucesso Dona Flor e Seus Dois Maridos (1976), de Bruno Barreto, filho mais velho do casal; a adaptação do clássico de Jorge Amado, com Sonia Braga, José Wilker e Mauro Mendonça no elenco, foi vista por quase 11 milhões de espectadores.
Além disso, em 1965, ao lado de jovens cineastas do Cinema Novo e produtores experientes, entre eles, Cacá Diegues, Leon Hirszman, Joaquim Pedro de Andrade, Zelito Viana, Glauber Rocha, entre outros, participou da fundação da Difilm, Distribuidora de Filmes Ltda., que atuava como distribuidora comercial e coprodutora cinematográfica com a intenção de resolver dificuldades de financiamento e comercialização do cinema independente brasileiro.
Ao longo das décadas, a LC Barreto realizou títulos que marcaram diferentes gerações, como: Bye Bye Brasil (1980), de Cacá Diegues; Memórias do Cárcere (1997), de Nelson Pereira dos Santos; A Hora e Vez de Augusto Matraga (1965), de Roberto Santos; e O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro (1969), de Glauber Rocha. Também foram responsáveis por dois grandes sucessos brasileiros que foram indicados ao Oscar: O Quatrilho (1995), do filho Fábio Barreto; e O que é Isso, Companheiro? (1997), do filho mais velho Bruno Barreto. Produziram, entre outros: Bela Donna (1998), de Fábio Barrreto; Uma Aventura do Zico (1999), de Antonio Carlos da Fontoura; Bossa Nova (1999), de Bruno Barreto; e O Caminho das Nuvens (2003), de Vicente Amorim. Como diretor, Barretão assinou o documentário Isto é Pelé e a minissérie 5x Brasil.
Além de Luiz Carlos e Lucy Barreto, os filhos também se dedicaram ao cinema: Bruno Barreto realizou diversos trabalhos com os pais, assim como Fábio Barreto, diretor de Lula, o Filho do Brasil e filho do meio do casal, que faleceu em 2019. A caçula, Paula Barreto, é a coordenadora da produtora hoje em dia e muitos de seus netos também trabalham com cinema.
O currículo de Barretão como produtor segue com: O Padre e a Moça, de Joaquim Pedro de Andrade; Os Senhores da Terra, de Paulo Thiago; A Dama do Lotação, de Neville D’Almeida; Amor Bandido e O Beijo No Asfalto, de Bruno Barreto; Menino do Rio, de Antônio Calmon; Índia, a Filha do Sol, Luzia Homem e A Paixão de Jacobina, de Fábio Barreto; Inocência e Ele, o Boto, de Walter Lima Jr.; O Homem que Desafiou o Diabo, de Moacyr Góes; João, o Maestro, de Mauro Lima; entre muitos outros.
Na LC Barreto, produziu também o ainda inédito Deus Ainda é Brasileiro, do seu amigo Cacá Diegues, que marca a continuação do longa Deus é Brasileiro, lançado em 2003, com Antonio Fagundes. E mais: a vida e obra do produtor foi narrada no documentário Barretão, de Marcelo Santiago, que foi lançado em 2019.
Luiz Carlos Barreto, que já foi homenageado diversas vezes, entre elas, em 1999, no Festival de Gramado, com o Oscarito, ao lado da esposa Lucy, em 2018 no Festival de Cinema de Vitória, e também no Cine Ceará com o Troféu Eusélio Oliveira, tornou-se um dos maiores produtores cinematográficos do país e deixa um legado imensurável para o cinema brasileiro.
Camila Morgado: Homenageada Nacional do Festival de Vitória
A noite de segunda-feira, 20/07, da 33ª edição do Festival de Cinema de Vitória, o maior evento de cinema e audiovisual do Espírito Santo, foi marcada por muita emoção. A cerimônia, apresentada pelos atores Fabrício Boliveira e Silvero Pereira, começou com uma homenagem à consagrada atriz Camila Morgado.
Como parte da honraria, a artista recebeu o Troféu Vitória, o Caderno da Homenageada, publicação biográfica inédita que trata da sua vida e trajetória profissional, e uma joia exclusiva criada pela designer Carla Buaiz. Ovacionada pelo público, Camila subiu ao palco e foi recebida pela amiga e colega de trabalho Vera Holtz e por Lucia Caus, diretora do festival.
Sob aplausos, divertiu a plateia ao começar seu discurso brincando com uma frase emblemática de sua personagem no filme Olga: “Eu estou grávida de Luís Carlos Prestes e quero ter meu filho aqui no Festival de Vitória”.
Nascida em Petrópolis, Rio de Janeiro, a estreia de Camila Morgado em longas-metragens ocorreu em Olga, lançado em 2004, drama biográfico dirigido por Jayme Monjardim e baseado no livro de Fernando Morais. O papel foi um dos principais marcos na carreira da atriz e o filme alcançou mais de três milhões de espectadores nos cinemas e conta a história da judia alemã Olga Benário Prestes, desde seu exílio e treinamento militar em Moscou até sua prisão e deportação para a Alemanha nazista.
A carreira de Camila nas telonas soma mais de dez produções, como o documentário Vinicius, de Miguel Faria Jr., em que ela conduz a narrativa da obra declamando poemas e histórias sobre o poeta carioca em parceria com o ator Ricardo Blat. Entre os blockbusters, integrou o elenco dos recordes de bilheteria nacional em 2013 e 2015, Até que a Sorte nos Separe 2 e 3, de Roberto Santucci, com Leandro Hassum. No circuito de festivais e cinema de gênero, protagonizou o thriller O Animal Cordial, de Gabriela Amaral Almeida, e o drama Vergel, coprodução internacional dirigida por Kris Niklison. Também atuou nas comédias Bem Casados, de Aluizio Abranches, com Alexandre Borges; e Divórcio, de Pedro Amorim, ao lado de Murilo Benício. Ainda em 2026, a atriz se prepara para o lançamento de dois longas inéditos: Sedução, de Zelito Viana e Marcos Palmeira; e Nova Éden, de Aly Muritiba.
Vera Holtz e Camila Morgado no palco
No palco, Morgado, emocionada, seguiu seu discurso falando da amiga Vera Holtz: “Essa mulher é incrível. Essa mulher tem um comprometimento com a carreira, com o ofício. Quando eu comecei a ser atriz, ela era minha referência. A gente já pensava na Vera porque a Vera é uma atriz gigante, ela é única, ela é engraçada à beça, ela é leonina e ela tem um poder que é muito especial. Por onde ela passa, ela encanta as pessoas. Ela encanta todo mundo, ela encanta as produções, ela encanta os elencos. Ela é muito especial. Receber esse prêmio da sua mão é muito bom. Nunca imaginei isso!”.
E seguiu com os agradecimentos: “Lucia Caus, obrigada por esse festival tão lindo que você realiza. Larissa [Caus Delbone, diretora executiva do Festival de Cinema de Vitória] e Lucia, vocês são maravilhosas. Larissa, hoje é o dia do seu aniversário, parabéns. E Paulo [Gois Bastos] e Leo [Leonardo Vais], que me deram de presente esse livro lindo, esse livro biográfico. Ficamos alguns dias conversando e foram várias entrevistas. Eu comecei com 17 anos, hoje tenho 51. Nem me dei conta que já passou tanto tempo e com esse livro eu pude revisitar a minha trajetória de vida e de trabalho”.
A Homenageada Nacional do 33º Festival de Cinema de Vitória relembrou, no palco do Sesc Glória, sua trajetória: “O meu trabalho é muito forte, tudo está relacionado com meu trabalho. Eu sou uma mulher do trabalho. Eu amo o que eu faço, eu amo ser atriz. Eu queria muito agradecer aos personagens que eu tive a oportunidade de fazer porque os personagens que a gente encontra na vida são encontros. Eu não sei muito bem se a gente escolhe o personagem ou o personagem escolhe a gente. É uma via de mão dupla. A gente se apaixona e quando vê, o personagem nos leva e não temos mais controle”.
E continuou: “Eu sou muito grata por esses personagens que eu fui chamada para dar corpo. Esse meu corpo pleno, que eu me joguei. Foram mulheres incríveis porque elas me ensinaram muito, me formaram e me tornaram uma mulher melhor. Elas me mostraram que o artista tem uma função social; que a arte é uma função social, sim, e que a gente pode mudar muita coisa. Eu acho que nesse mundo tão estranho que a gente tá atravessando, temos que ter a arte como antídoto contra a desumanização. Para mim, é uma grande alegria receber esse prêmio nesse festival que enaltece o cinema nacional e o cinema capixaba. Muito obrigada, Festival de Vitória!”.
Nas plataformas de streaming, Camila Morgado teve destaque como Janete, mulher que enfrenta um relacionamento abusivo na primeira temporada de Bom Dia, Verônica, original Netflix; a interpretação lhe rendeu o Prêmio APCA de melhor atriz de televisão. Na sequência, protagonizou Sentença, série do Prime Video. Na produção, interpretou Heloísa, uma advogada criminalista responsável pela defesa de uma acusada em um crime que chocou o país.
Camila Morgado na coletiva de imprensa
No teatro, Camila estreou nos palcos no final da década de 1990 com o espetáculo Graal, em 1997, dirigido por Gerald Thomas, e que marcou sua formatura na CAL, Casa das Artes de Laranjeiras. Depois, a atriz integrou a Cia de Ópera Seca, coordenada pelo diretor, até 2001, quando esteve em projetos como Nowhere Man e Ventriloquist. Dois anos depois, estreou na minissérie A Casa das Sete Mulheres, em 2003, um sucesso da Rede Globo que se tornou um dos clássicos contemporâneos da televisão brasileira. Na obra dirigida por Jayme Monjardim, interpretou Manuela, uma mulher que destaca a importância do papel feminino durante a Guerra dos Farrapos.
Ainda em seu discurso, enalteceu a diversidade do cinema brasileiro: “Eu tô filmando em Belo Horizonte. Estou fazendo um filme lá e hoje é meu dia de folga. Tô aqui recebendo uma homenagem no Festival de Cinema de Vitória. Depois vou para o Amapá filmar lá. E o último filme que eu fiz foi em Curitiba. Como é lindo ver que o cinema está se nacionalizando de verdade e estamos ocupando todos os lugares do nosso país. Viva o cinema nacional, viva o cinema capixaba e vida longa para esse festival que é tão acolhedor e tão lindo”, finalizou.
Na televisão, Camila esteve na novela América (2004), de Glória Perez, como a vilã May. Divertiu o público como Noêmia, uma das três mulheres de Cadinho, papel de Alexandre Borges, em Avenida Brasil (2012), de João Emanuel Carneiro, ao lado de Carolina Ferraz e Débora Bloch. A atriz voltou a repetir a parceria com a autora Maria Adelaide Amaral nas séries Um Só Coração (2005), em que interpretou Cacilda Becker; e JK (2006), como Ana Rosemberg, além da novela A Lei do Amor (2016). Também foi a empresária Mara Moreira em O Canto da Sereia (2013), microssérie baseada no livro homônimo de Nelson Motta; Maria Angélica no remake de O Rebu (2014); e a professora Gabriela em Malhação: Vidas Brasileiras (2018), na 26ª temporada da novela adolescente. Seus trabalhos mais recentes em telenovelas foram em dois remakes de Benedito Ruy Barbosa: Pantanal (2022), como Irma; e Renascer (2024), como Dona Patroa.
Nos palcos, foi dirigida por Marília Pêra na comédia Doce Deleite (2008), em que dividiu cena com Reynaldo Gianecchini. Ao lado de Vera Holtz e Antonio Petrin, esteve em Palácio do Fim (2012), dirigida por José Wilker, que abordava em textos intensos fatos ocorridos na Guerra do Iraque. Após um hiato de mais de dez anos, Camila voltou ao teatro em A Falecida (2023), texto de Nelson Rodrigues. A produção, dirigida por Sérgio Modena, foi a realização de um sonho da atriz que sempre desejou interpretar um dos maiores autores brasileiros de todos os tempos.
Depois do discurso da homenageada, Vera Holtz falou sobre a amiga: “Eu fico muito feliz de estar aqui com a Camila. Nos conhecemos numa peça do Zé Wilker, que é o nosso padrinho. Fizemos Palácio do Fim, uma obra densa e dramática sobre a guerra do Iraque. Foi o nosso início. Depois tivemos a oportunidade de fazer duas obras de audiovisual na TV Globo. Fizemos O Rebu e ficamos praticamente uns seis meses na Argentina, em Buenos Aires. Vocês já imaginam o que era um elenco inteiro e uma equipe inteira durante meses em Buenos Aires, né? Fotos comprometedoras. E depois fizemos a novela A Lei do Amor; éramos mãe e filha e eu era amante do marido dela. Em O Rebu nós duas éramos pegadoras!”.
Coletiva de imprensa da homenageada
Vale destacar que na parte da tarde, pouco antes de subir ao palco para receber a homenagem, Camila Morgado participou de uma coletiva de imprensa, no Hotel Senac Ilha do Boi, que foi mediada por Vitor Búrigo, aqui do CINEVITOR, e do lançamento do Caderno da Homenageada Nacional, publicação impressa assinada pelos jornalistas Leonardo Vais e Paulo Gois Bastos, que traz um extensa reportagem sobre a trajetória artística da homenageada.
Em entrevista exclusiva ao CINEVITOR (assista aqui), Camila falou sobre a emoção de receber a homenagem: “Eu tô um pouco nervosa porque não é todo dia que a gente recebe uma homenagem. Mas estou muito feliz e muito grata por ser homenageada pelo meu trabalho e poder revisitar o meu trabalho. Porque essa homenagem aqui no Festival de Vitória vem também com um presente que é um livro biográfico. Eu tô em estado de êxtase porque a gente não se dá conta, né? Hoje mesmo me falaram que eu estava com mais de 20 anos no cinema e quase 30 de carreira… nem eu sabia disso! Tô me dando conta agora do quanto é lindo esse momento, sabe? Poder revisitar minha trajetória de trabalho, poder estar aqui recebendo essa homenagem. Eu saí de Petrópolis e não imaginava que agora isso tudo estaria acontecendo. Que lindo, que bom! Eu tô muito feliz, nervosa e estou grávida de Luís Carlos Prestes e quero ter meu filho aqui em Vitória”.
Depois da homenagem, a programação do Festival de Cinema de Vitória 2026 seguiu com a exibição dos filmes da Mostra Competitiva Nacional de Curtas. Foram exibidos: O que faço com isso agora que acabou?, de Julia Uliana e Natália Dornelas; Pequeno London, de Victor Di Marco e Márcio Picoli; e A Pele do Ouro, de Marcela Ulhoa e Yare Perdomo. Além disso, o documentário capixaba A Caminhada Sagrada de Tatatxi Ywareté, de Wera Djekupe, foi exibido na sequência na Mostra Competitiva Nacional de Longas.
Com exibições gratuitas dos 87 filmes selecionados, sendo 80 curtas e sete longas-metragens, que apresentam um recorte da produção audiovisual brasileira contemporânea, o 33º Festival de Cinema de Vitória segue até sábado, 25/07, na capital capixaba.
*O CINEVITOR está em Vitória e você acompanha a cobertura do evento por aqui, pelo canal do YouTube e pelas redes sociais: Twitter, Facebook e Instagram.
Rejane Faria em Vicentina Pede Desculpas, de Gabriel Martins: filme brasileiro
A 51ª edição do Festival Internacional de Cinema de Toronto, Toronto International Film Festival, que acontecerá entre os dias 10 e 20 de setembro, divulgou os títulos selecionados para as mostras Gala, Special Presentations, Platform, Discovery e Primetime, que contará com nomes como Pedro Almodóvar, Cristian Mungiu, Danny Boyle, Ryûsuke Hamaguchi, Rodrigo Sorogoyen, Elizabeth Chai Vasarhelyi, Hirokazu Koreeda, entre muitos outros.
As mostras Gala e Special Presentations são muito populares entre o público do TIFF, tanto pelo glamour dos tapetes vermelhos repletos de grandes estrelas e pela presença de futuros vencedores de prêmios, quanto pela curadoria de filmes que refletem a diversidade e a criatividade do cenário cinematográfico atual. Com uma seleção diversa, de mais de 30 países, que inclui estreias mundiais, cinema internacional aclamado pela crítica e narrativas envolventes de cineastas promissores, os filmes anunciados refletem o compromisso contínuo do Festival de Toronto em unir o público por meio de experiências cinematográficas excepcionais de todo o mundo.
Neste ano, o cinema brasileiro ganha destaque com Vicentina Pede Desculpas, novo filme do cineasta mineiro Gabriel Martins, na mostra Platform, que valoriza visões de direção excepcionais e vozes do cinema autoral. A obra, fruto de uma parceria entre a produtora Filmes de Plástico e a Netflix, reafirma o talento brasileiro no cenário internacional de histórias profundas e emocionantes. A seleção marca um novo e importante passo internacional para o cineasta, consolidando a trajetória iniciada com o sucesso de Marte Um.
Em comunicado oficial, Gabriel Martins, que também assina o roteiro do longa, comentou a seleção: “Fazer nossa estreia em Toronto é um reconhecimento gigante. Vicentina é um filme profundamente brasileiro em sua essência, mas que se comunica com qualquer lugar do mundo por tocar naquilo que nos torna humanos. Mal podemos esperar para compartilhar essa jornada com o público”.
Na trama, Vicentina, interpretada por Rejane Faria, precisa lidar com a tragédia que se segue à morte de seu filho, Wesley, em um acidente de ônibus do qual ele era o motorista. À medida que a investigação se desenrola, evidências sugerem que a ação de Wesley poderia ter sido proposital. Vicentina, então, embarca em uma jornada corajosa para encontrar as famílias das vítimas e pedir desculpas, enquanto é forçada a confrontar o próprio luto e suas maiores incertezas.
Com o selo de qualidade da Filmes de Plástico, produtora que vem revolucionando o audiovisual brasileiro contemporâneo, o elenco do longa conta também com: Flavio Bauraqui, Giovanna Heliodoro, Giovanni Venturini, Carlos Francisco, Grace Passô, Karine Teles, Barbara Colen, Maíra Azevedo, Renato Novaes, Thalma de Freitas, Marisa Revert, Fernanda Vianna, Clébia Sousa, Fábio Leal, Docy Moreira e Miguelzinho do Cavaco.
Com história original de Gabriel Martins, a produção é de Thiago Macêdo Correia. A direção de fotografia é assinada por Leonardo Feliciano, a trilha sonora é de Tiganá Santana e o design de produção de Rimenna Procópio; Diana Moreira assina o figurino. A edição é de Gabriel Martins e Thiago Ricarte; o som é assinado por Tiago Bello (edição e mixagem) e Gustavo Fioravante (gravação). Os efeitos especiais são de Rodrigo Jinks, Marcelo Cabral, Cajamanga e Quanta.
A mostra Platform, criada para destacar vozes de direção, atua como uma plataforma de lançamento para o circuito de premiações e para o reconhecimento internacional. Ao longo dos anos, a seção já revelou cineastas autorais de destaque global, como Barry Jenkins, Darius Marder, William Oldroyd, Sarah Gavron, Anthony Shim e Yoon Ga-eun.
Nesta 11ª edição, serão exibidos 12 filmes, que serão avaliados por um júri formado por: Pablo Trapero (presidente), Amma Asante, Sylvia Chang, Luc Déry e Albert Lee. Em comunicado oficial, Anita Lee, diretora de programação do TIFF, disse: “A Platform foi criada para destacar vozes de direção e a seleção de 12 filmes deste ano é um reflexo criativo do atual cinema autoral. É uma honra receber um júri composto por artistas renomados e líderes da indústria, que inspirarão e apoiarão o evento com sua expertise e compromisso com o cinema global”. A seleção da mostra Platform é liderada por Robyn Citizen.
Em um marco importante para a mostra, o filme vencedor da Platform, que não seja falado em inglês, terá um caminho direto para a disputa de melhor filme internacional na 99ª edição do Oscar, tornando o TIFF um dos seis festivais de cinema internacionais com essa qualificação em todo o mundo, segundo as novas regras da Academy of Motion Picture Arts and Sciences.
Bruna Linzmeyer e Johnny Massaro em Máscaras de Oxigênio Não Cairão Automaticamente
Além disso, o audiovisual brasileiro também se destaca nesta 51ª edição do Festival de Cinema de Toronto na mostra Primetime com a série Máscaras de Oxigênio Não Cairão Automaticamente, de Marcelo Gomes e Carol Minêm, exibida na HBO Max, que conta com Johnny Massaro, Bruna Linzmeyer, Ícaro Silva, Hermila Guedes, Carla Ribas, Julio Machado, Igor Fernandez, Kika Sena, entre outros, no elenco.
A mostra Primetime destaca narrativas episódicas inovadoras e produções televisivas de autoria marcante, criadas por alguns dos talentos mais empolgantes do mundo. A Seleção Oficial deste ano evidencia o poder criativo e a influência do formato, apresentando grandes estreias mundiais e novas temporadas de dramas, thrillers e séries documentais envolventes. A mostra traz o que há de melhor nas séries internacionais e norte-americanas, levando novas produções para a tela grande. Com a exibição de um ou dois episódios e conversas com o elenco e os criadores, a programação oferece ao público do TIFF uma prévia exclusiva de séries inéditas, antes de sua chegada à televisão, na companhia de profissionais que as idealizaram.
E mais: na mostra Special Presentations, o Brasil aparece com Glaxo, dirigido pelo cineasta argentino Benjamín Naishtat, de Puan e Vermelho Sol. A coprodução entre Argentina e Brasil (pela brasileira RT Features com Rodrigo Teixeira e Berta Marchiori), se passa em Chivilcoy, no ano de 1957. Em uma pacata cidade argentina, a chegada de um ex-policial e de sua sedutora esposa transforma para sempre a amizade de quatro jovens. Décadas depois, o passado ressurge, obrigando-os a confrontar antigas feridas, a culpa e a possibilidade de vingança. O elenco conta com Lali Espósito, Marcelo Subiotto, Esteban Bigliardi, Alan Sabbagh e Esteban Lamothe.
Ainda na mesma mostra, destaque para o norte-americano Josephine, protagonizado por Mason Reeves e dirigido por Beth de Araújo, que foi premiado no Festival de Sundance deste ano. A diretora, que é filha de mãe sino-americana e pai brasileiro, nasceu e foi criada em São Francisco, porém tem dupla cidadania. A sinopse do filme diz: após Josephine, de 8 anos, testemunhar acidentalmente um crime no Golden Gate Park, ela reage em busca de uma maneira de recuperar o controle de sua segurança, enquanto os adultos se mostram impotentes para consolá-la.
A Special Presentations exibirá também Hombre al agua, dirigido por Gael García Bernal, que traz uma atriz brasileira no elenco: Débora Nascimento. O filme, também estrelado por Gael García Bernal, Esmeralda Pimentel, Jorge Salinas, Natalia Oreiro e Anna Díaz, conta a história de Camilo, um salva-vidas cubano que salva o empresário mexicano Abel de um afogamento. Grato, Abel leva Camilo para o México; lá, ele se casa com a filha de Abel, Juana, e o casal tem um filho. No entanto, Camilo logo descobre que sua nova vida faz parte de um plano maquiavélico de manipulação e controle arquitetado por Abel. Com seu mundo desmoronando, Camilo precisa desvendar a trama e assumir o controle de seu destino. Será que ele encontrará uma saída ou permanecerá preso nesse jogo de poder?
Além disso, a mostra Discovery, que também revelou sua seleção, destaca cineastas emergentes do mundo todo e oferece ao público uma imersão no futuro do cinema em uma programação que ressalta filmes que combinam riscos criativos e ousados com perspectivas inovadoras. A curadoria é organizada por Jason Anderson, Kelly Boutsalis, Diana Cadavid, Robyn Citizen, Claire Diao, Giovanna Fulvi, June Kim, Peter Kuplowsky, Dorota Lech e Jason Ryle.
Conheça os primeiros filmes selecionados para o 51º Festival de Toronto:
GALA PRESENTATIONS
A Talent for Murder, de Anton Corbijn (Reino Unido/Itália) Always Lalisa, de Sue Kim (EUA) Atonement, de Reed Van Dyk (EUA) Babies, de Lauren Miller Rogen (EUA) Being Heumann, de Siân Heder (EUA) (filme de abertura) Bunker, de Florian Zeller (França/Espanha) Diary of a Mad Old Man, de Wayne Wang (EUA) Evil Genius, de Courteney Cox (EUA) Girl Group, de Rebel Wilson (Reino Unido) Hộ Linh Tráng Sĩ: Bí Ẩn Mộ Vua Đinh (Spirit Guardians: The Last Secret of the First Emperor), de Nguyen Phan Quang Binh (Vietnã) Man in Motion: The Rick Hansen Story, de Adrian Buitenhuis (Canadá) Misty Green, de Chris Rock (EUA) Ni Vue, Ni Connue (All About Corinne), de Marc Fitoussi (França) Onwards and Sideways, de John Madden (Reino Unido) Pretenders, de Joss Crowley (Reino Unido) Prima Facie, de Susanna White (Austrália/Reino Unido) Run Terry Run, de Sean Menard (Canadá) Tenzing, de Jennifer Peedom (EUA/Austrália) The Assassin(s) (암살자(들)), de Hur Jin-ho (Coreia do Sul) The Life and Deaths of Wilson Shedd, de Tim Blake Nelson (EUA) The Only Living Pickpocket in New York, de Noah Segan (EUA) Up Against It, de Trudie Styler (Reino Unido) Villeneuve: L’ascension d’une légende (Villeneuve: The Rise of a Legend), de Yan Lanouette Turgeon (Canadá) (filme de encerramento)
SPECIAL PRESENTATIONS
A Long Winter, de Andrew Haigh (Canadá/Reino Unido) All That She Wants, de Scarlett Bermingham e Andrew Rhymer (EUA/Canadá) Alpha Gang, de David Zellner e Nathan Zellner (EUA) Bad Lieutenant: Tokyo, de Takashi Miike (EUA/Reino Unido/Japão) Clarissa, de Arie Esiri e Chuko Esiri (Nigéria/EUA) Club Kid, de Jordan Firstman (EUA) Coward, de Lukas Dhont (Bélgica) El ser querido (The Beloved), de Rodrigo Sorogoyen (Espanha) Elsinore, de Simon Stone (Reino Unido) Everest: The Other Side, de Jimmy Chin e Elizabeth Chai Vasarhelyi (EUA) Everybody Wants To F*** Me, de Jonathan Schey (Reino Unido/França/EUA) Faith, de Paul Andrew Williams (Reino Unido) Fjord, de Cristian Mungiu (Romênia/França/Noruega/Suécia/Dinamarca) Ganeunghan sarang (Possible Love), de Lee Chang-dong (Coreia do Sul) Gentle Monster, de Marie Kreutzer (Áustria) Glaxo, de Benjamín Naishtat (Argentina/Brasil) Happily Ever After, de Feng-I Fiona Roan (Taiwan) Hombre al agua, de Gael García Bernal (México) I Play Rocky, de Peter Farrelly (EUA) In Alaska, de Jaap van Heusden e Vinnie Karetak (Holanda/Canadá) Ink, de Danny Boyle (Reino Unido/França/EUA) Josephine, de Beth de Araújo (EUA) L’inconnue (The Unknown), de Arthur Harari (França) La Bola Negra, de Javier Calvo e Javier Ambrossi (Espanha/França) Le Faux Soir, de Michaël R. Roskam (Bélgica/França) Love of Your Life, de Rachel Morrison (EUA) Markens grøde (Growth of the Soil), de Hans Petter Moland (Noruega) Minotaur, de Andrey Zvyagintsev (França/Alemanha/Letônia) Natal Amargo (Amarga Navidad), de Pedro Almodóvar (Espanha) Nelson-san, anata wa hito o koro shimashita ka? (Mr. Nelson, Did You Kill People?), de Shinya Tsukamoto (Japão) Paradise Lost, de Yeon Sang-ho (Coreia do Sul) Phoolan, de Richie Mehta (Índia) Rukku Bakku (Look Back), de Hirokazu Koreeda (Japão) Soudain (All of a Sudden), de Ryûsuke Hamaguchi (França/Japão/Alemanha/Bélgica) Tender Loving Care, de Mike Leigh (Reino Unido) The Age of Goodbyes (告別的年代), de Edmund Yeo (Taiwan/Malásia) The Debut, de Jesse Eisenberg (EUA) The Housewife, de Ben Shirinian (EUA) The Julia Set, de Niki Byrne (EUA) The Man I Love, de Ira Sachs (EUA) The Stunt Driver, de Michael Dowse (Canadá) Whatcha Want, de Mina Shum (Canadá) Your Mother Your Mother Your Mother, de Bassam Tariq (EUA)
PLATFORM
Angh, de Theja Rio (Índia) Children Untold, de Miwa Nishikawa (Japão) Cinlerin Dügünü (Djinn Wedding), de Ferit Karahan (Turquia) Die Reuk van Appels (The Smell of Apples), de John Trengove (África do Sul/Holanda/Chile) Dziki, dziki wschód (Wild Wild East), de Jan Holoubek (Polônia) Garrat du Váimmu (Brace Your Heart), de Amanda Kernell (Suécia/Noruega/Dinamarca/Islândia/Bulgária) Idda, de Irene Dionisio (Itália) In the Heart of the South, de Nyla Innuksuk (Canadá) Masc, de Bertil Nilsson (Reino Unido) Silenced Nights, de Lawrence Fajardo (Filipinas) The World Before, de Yoon Dan-bi (Coreia do Sul) Vicentina Pede Desculpas (On Behalf of My Son), de Gabriel Martins (Brasil)
DISCOVERY
Ancestors, de David Turpin (Irlanda/Reino Unido) Arne Goes to Space, de Lars Vega (Suécia) Bedford Park, de Stephanie Ahn (EUA) Dobbeltfejl (What Lies Between Us), de Amalie Næsby Fick (Dinamarca) Drifter, de Sung Kang (EUA) Erinnerungen eines Waldes (Memories of a Forest), de Katharina Rabl (Alemanha/Áustria) Hermanas (Sisters), de Ione Hernández (Espanha) In Waves, de Phuong Mai Nguyen (França/Bélgica) Krux, de Tony Vahl (Alemanha/Polônia) Las islas afortunadas (The Fortunate Isles), de Helena Girón e Samuel Delgado (Espanha/Grécia) Les Filles d’Abraham (The Daughters of Abraham), de Hanaël El Yousfi (França) Magazine, de Alexandra Pechman (EUA) Nosotros, de Joaquín Ruano (Guatemala/México) Purgatory, de Lindsay Lanzillotta (Canadá/EUA) Salvation, de Tom Nicoll (Reino Unido) Sar beh Sar (Head to Head), de Ghasideh Golmakani (Irã/Alemanha) Seventeen, de Justin Ducharme (Canadá) Soy Mario (I Am Mario), de Sharon Kleinberg (México) Strong Son, de Ian Bawa (Canadá) Stuffed, de Theo Rhys (Reino Unido) (filme de abertura) Una storia (A Common Story), de Anna Foglietta (Itália) Voices, de Deantè Gray (EUA) We Are Born Good (善男信女), de Leung Chuen Yeung (Hong Kong) Zjili: A Story of Sisterhood and The Burdens of Excess, de Christine Boateng e Hajara Musah Chambas (Gana)
London, de Victor Di Marco e Márcio Picoli: Brasil em Veneza
Fundada em 1984 pelo historiador e crítico de cinema italiano Lino Micciché, a Semana Internacional da Crítica, Settimana Internazionale della Critica, é uma mostra independente e paralela do Festival Internacional de Cinema de Veneza. Organizada pelo SNCCI, Sindacato Nazionale Critici Cinematografici Italiani, destaca os primeiros longas-metragens de cineastas emergentes do mundo todo.
Neste ano, em sua 41ª edição, que acontecerá entre os dias 2 e 12 de setembro, sete longas estão em competição. Além disso, a programação conta também com a mostra SIC@SIC (Short Italian Cinema), que, desde 2016, apresenta uma seleção de curtas-metragens em competição de diretores italianos que ainda não realizaram um longa; todos exibidos em estreia mundial. O programa nasceu da sinergia entre o Sindicato dos Críticos de Cinema Italianos e a Cinecittà, como uma das iniciativas de apoio ao desenvolvimento do novo cinema italiano e de promoção de jovens cineastas.
Entre os longas da mostra competitiva da Settimana Internazionale della Critica 2026, o Brasil marca presença com o gaúcho London, escrito e dirigido pela dupla Victor Di Marco e Márcio Picoli. Filmado em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, e produzido pelas empresas Proa & Popa Produções e Balde de Tinta, o longa queer tem distribuição no Brasil pela Retrato Filmes.
Na trama, London, interpretado por Victor Di Marco, é um jovem com deficiência que ganha a vida fazendo performances eróticas em uma casa de fetiches e tem a chance de descobrir a origem e o destino de sua deficiência através de um exame médico. Com os resultados em mãos, ele terá que decidir se sua vida será guiada por um diagnóstico ou pelos seus sonhos. Ao se deparar com um mundo míope e distorcido à sua presença, o protagonista terá que reinventar forças para se libertar e descobrir quem realmente é.
Apesar dos tabus e das crenças que cercam corpos situados para além da lógica binária e funcional sustentada pela estrutura capacitista, o longa traz corpos que vibram, que desejam, que vivem e se retiram de toda patologização que a sociedade impõe, questionando os discursos normativos que historicamente os reduzem à inadequação.
De acordo com os diretores, a realização do filme foi atravessada por inúmeros desafios, como uma enchente catastrófica às vésperas das filmagens, no qual recursos importantes foram perdidos: “Chegar até Veneza é, antes de tudo, uma vitória coletiva de quem permaneceu acreditando quando parecia mais fácil desistir”, disseram. Celebrando a trajetória enfrentada, Di Marco e Picoli afirmam que estar em um dos maiores festivais de cinema do mundo é a confirmação de que vale a pena acreditar em projetos que parecem improváveis: “Essa estreia reafirma que histórias contadas a partir de corpos historicamente marginalizados também pertencem aos maiores palcos do cinema mundial”.
Victor Di Marco em London: filme queer brasileiro
A seleção na Semana da Crítica de Veneza os enche de orgulho, mas também de responsabilidade: “London chegará em públicos de diferentes países e ampliará a forma como a deficiência é percebida: não como um limite ou uma falta, mas como uma potência criativa, uma linguagem e uma forma de produzir novas maneiras de olhar para o mundo”.
A diretora da Settimana Internazionale della Critica, Beatrice Florentino, que também assina a curadoria com Matteo Berardini, Marianna Cappi, Francesco Grieco e Marco Romagna, afirmou que há anos não via um longa de estreia realizado com tamanha segurança, precisão e maturidade emocional: “London é uma celebração da vida, da delicadeza, do desejo e do amor. Um filme que abraça a sexualidade como uma força vital, recusa rótulos e nos lembra que o maior ato de coragem é simplesmente habitar o presente”.
O elenco conta também com Carla Cassapo, Jéssica Teixeira, Pedro Bertoldi, Priscilla Colombi, Emilio Farias e Manu Thedy. A direção de arte é de Valeria Verba; Bruno Polidoro é o diretor de fotografia e a trilha sonora vibrante é assinada por Vito O. Azevedo. Com direção de produção de Helena Poetini, a produção é assinada por Laura Moglia, Márcio Picoli, Victor Di Marco e Aline Gutierres, com coprodução de Sofia Wickerhauser, White Wolfy e Visom. A montagem é de Will Domingos e o som direto de Cleverton Borges; a produção executiva é de Laura Moglia e Márcio Picoli.
Além dos prêmios concedidos pelo Júri Internacional, os títulos exibidos na Semana Internacional da Crítica estão elegíveis ao prêmio Leão do Futuro, Luigi De Laurentiis, que consagra um filme de estreia.
Vale destacar que ao longo dos anos, a SIC selecionou filmes de cineastas que, na sequência, se consolidaram no cenário internacional, como: Kevin Reynolds com Fandango; Desordem, de Olivier Assayas; Mike Leigh com High Hopes; Let’s Get Lost, de Bruce Weber; Pedro Costa com O Sangue; Public Access, de Bryan Singer; Harmony Korine com Gummo: Realidade Perversa; Orphans, de Peter Mullan; Pablo Trapero com Mundo grúa; A Culpa de Voltaire (La faute à Voltaire), de Abdellatif Kechiche; Kenneth Lonergan com Conte Comigo (You Can Count on Me); Tanna, de Martin Butler e Bentley Dean; Ala Eddine Slim com Akher Wahed Fina (The Last of Us); La stazione, de Sergio Rubini; Roberta Torre com Tano da morire; Tornando a casa, de Vincenzo Marra; entre muitos outros.
Conheça os filmes selecionados para a 41ª Settimana Internazionale della Critica:
COMPETIÇÃO | LONGAS
El fin de los tiempos, de Bibiana Rojas Gómez e Juan David Cárdenas (Colômbia) London, de Victor Di Marco e Márcio Picoli (Brasil) Meteorite, de Sebastián Múnera (Colômbia) Our Share of Sand, de Shalini Adnani (Índia/Reino Unido/Grécia) Prima della guerra, de Tommaso Usberti (França/Itália) The H@llow Man, de Kamel Laaridhi (Tunísia) Zoom In, Zoom Out (Fa xian zhi lü), de Dong Jie (China)
FILME DE ABERTURA | LONGA-METRAGEM Il Grande Giaffa, de Marco Santi (Itália)
FILME DE ENCERRAMENTO | LONGA-METRAGEM Rider, de Roan Johnson e Davide Pavanello (Itália)
EXIBIÇÃO ESPECIAL | FORA DE COMPETIÇÃO Hugo in Venice: A Yearning to Be of No Use, de Stefano Knuchel (Suíça)
COMPETIÇÃO | CURTAS-METRAGENS ITALIANOS
Dove le lacrime aspettano, de Caterina Bertini e Blu Diego Fasoli (Itália) E-I-E-I-O, de Noemi Arfuso (Itália) Granchità (Crabking), de Anaïs Landriscina e Chiara Toffoletto (Itália) Gusci (Eggshells), de Elisa Chiari e Francesca Trovato (Itália) Puca, de Sara Scalera (Itália) Revolver, de Paoli De Luca (Itália) Se mai le cose, de Giulia Cosentino (Itália/França)
FILME DE ABERTURA | CURTA-METRAGEM Les métamorphoses, au féminin, de Maria Giménez Cavallo (Itália/França/EUA)
FILME DE ENCERRAMENTO | CURTA-METRAGEM Un breve incontro, de Liryc Dela Cruz (Itália)
Rodrigo Aragão: homenageado capixaba da 33ª edição
A 33ª edição do Festival de Cinema de Vitória, o maior evento de cinema e audiovisual do Espírito Santo, começou neste sábado, 18/07, no Teatro Sesc Glória, em cerimônia apresentada pela jornalista e crítica de cinema Simone Zuccolotto.
Entre convidados especiais e discursos, Larissa Caus Delbone, diretora executiva do Festival de Cinema de Vitória, deu boas-vindas ao público: “A 33ª edição do festival só seria possível graças aos nossos patrocinadores, os mais amados do Brasil. Mas, essa noite, é especialmente muito emocionante. Homenagear Rodrigo Aragão, capixaba que leva o cinema do Espírito Santo para o Brasil inteiro, é incrível. Estamos muito felizes. Queria aproveitar esse momento para agradecer ao Rodrigo por essa oportunidade. Eu sou muito fã do seu trabalho e estou muito emocionada”. E seguiu: “Precisamos reforçar, ao longo desses 33 anos, a construção de memória. O Festival de Cinema de Vitória é o único festival do país que produz memória catalográfica dos seus homenageados com os cadernos de homenagens”. E finalizou: “Sejam todos bem-vindos. A festa do audiovisual é no Espírito Santo. Essa semana vamos mapear o Brasil pelas lentes do festival”.
Depois disso, a noite de abertura seguiu com a homenagem ao cineasta Rodrigo Aragão, autor de uma cinematografia criadora de mundos fantásticos. Ovacionado pelo público, o Homenageado Capixaba desta 33ª edição subiu ao palco e recebeu o Troféu Vitória, o Caderno do Homenageado e uma joia exclusiva criada pela designer Carla Buaiz das mãos da esposa, a produtora Mayra Alarcón, e dos filhos Alicia Margarida e Ramiro: “Muito obrigado! Vocês me fazem chorar antes de subir ao palco. Eu tô muito emocionado com essa homenagem. Muito obrigado mesmo!”, disse sob aplausos da plateia lotada.
Com mais de 30 anos de carreira, Rodrigo Simões Aragão é um dos nomes mais importantes do cinema de horror no Brasil. Nascido em 18 de janeiro de 1977, na cidade de Guarapari, filho de uma dona de casa com um mágico, que também foi dono de um cinema, tendo o lúdico e o fantástico como constantes na sua infância, ele cresceu desenhando, criando monstros e assustando os vizinhos. Aragão trilhou um caminho singular no cinema onde a sua vontade de contar histórias foi materializada em grande parte pelo seu talento para os efeitos especiais práticos.
No palco, discursou: “Eu tô perto dos 50 anos. E quero agradecer muito à Lucia Caus e todo mundo do festival. Também ao Léo [Leonardo Vais] e ao Paulo [Gois Bastos] por esse caderno do homenageado. Eles fizeram oito horas de entrevista comigo em dias diferentes. Eu revi minha vida toda. Foi muito interessante. Acho que todo mundo que faz 50 anos deveria fazer uma entrevista com eles. Poupou muita terapia, foi muito bom. E me me faz pensar sobre essa questão de fazer cinema”.
Rodrigo estreou no cinema em 1994, aos 17 anos, no curta-metragem A Lenda de Proitner, da diretora Luiza Lubiana, onde foi o responsável pela maquiagem. Antes de chegar às telas como diretor, Aragão idealizou e atuou no espetáculo de terror Mausoleum, apresentado entre 2000 e 2004, nas cidades de Guarapari, Belo Horizonte e Salvador, se apresentando para um público de aproximadamente 30 mil pessoas.
Rodrigo Aragão e família no palco do Teatro Sesc Glória
O diretor, produtor e roteirista falou com emoção sobre esse momento especial: “Eu passei metade da minha vida sonhando em fazer cinema e a outra metade fazendo. E eu acho que a metade fazendo foi mais divertida. Realmente aconteceram muitos milagres para um menino que nasceu lá em Jabaraí [bairro de Guarapari], na beira do mangue, sofrendo de TDAH, de dislexia, de pobreza e esquisitice; e que está aqui fazendo seu oitavo longa. Para eu estar no oitavo longa, foram muitos milagres nessa trajetória”. No último dia do festival, no próximo sábado, 25/07, Aragão apresentará Folclórica, seu longa inédito.
Em seu discurso, Rodrigo lembrou com carinho de pessoas importantes em sua carreira: “Eu quero muito dividir esse momento nomeando alguns dos milagres e compartilhando algumas coisas que eu aprendi nessa trajetória. Primeiramente, a família que eu nasci. A paixão do meu pai pelo cinema e a paixão da minha mãe por mim. Ela não gostava de cinema e achava super estranho essas coisas que eu fazia, mas mesmo assim sempre me apoiava. Isso é uma grande prova de amor. O meu tio, que falava que não conseguiu seguir o sonho da vida dele, mas eu deveria seguir os meus. Meu irmão mais velho, que está aqui, o Ramon, que me levou ao cinema quando eu era criança e ali eu pude assistir Os Goonies, A História Sem Fim, Aliens, Comando para Matar… aos sete anos! Eu adoro os anos 1980. E deixo essa mensagem aos pais e responsáveis por crianças: levem nossas crianças ao cinema! Não deixe só no celular, leve para o cinema. Nada substitui”.
E continuou: “Agradeço também a família que eu criei e essa mulher que me encontrou há 20 anos no set do meu primeiro filme, me pegou e nunca mais deixei ela me largar. E hoje ela faz toda a parte séria e difícil de fazer um filme. Eu fico com a parte divertida. Que bom que eu achei essa mulher! Essas crianças… esses dois aqui foram muito responsáveis por esses filmes, por transformarem esses personagens em realidade”.
Ainda nos agradecimentos, Rodrigo Aragão lembrou do amigo Jaceguay Lins: “Em 1994, quando eu tinha 17 anos, entrei no meu primeiro set de filmagem. Foi um processo muito difícil. E cuidando dos efeitos especiais, eu conheci um cara muito especial chamado Jaceguay Lins. Ele foi a primeira pessoa que leu um roteiro meu, foi a primeira pessoa que falou a frase que eu tinha talento. E a gente passou boa parte da década de 1990 em busca de uma maneira de fazer um projeto meu… e foram anos tentando, foi muito frustrante. Um dia eu estava muito chateado e lembro que o Jaceguay Lins colocou a mão no meu ombro e falou assim: ‘Rodrigo, não se preocupa, não deu certo agora, mas você vai fazer filme, você vai fazer muitos filmes, cara. Se você não desistir, você vai fazer filme. E eu estarei aqui para te ajudar’. Ele foi embora antes de eu fazer o meu primeiro filme, mas eu divido essa frase com quem tá querendo fazer”.
O homenageado também citou, com carinho, o produtor Hermann Pidner: “Outra pessoa muito importante é o Hermann Pidner, meu amigo querido, que achou que eu tinha talento. Ele fez essa grande loucura de montar uma empresa comigo de teatro de terror quando eu tinha 22 anos. Foi a minha grande escola. Eu fali quando tinha 26 anos. E, mesmo assim, ele financiou quatro filmes meus. Então, esse é o cara que eu devo muito a ele, que não só financiou os filmes, mas me ensinou uma coisa muito legal que eu divido com vocês: seja malandro, não deva nada a ninguém, não suje seu nome, tenha o CPF limpo, tenha o CNPJ limpo, não faça nada que você não possa explicar. Então, o Hermann Pidner me ensinou muito. Eu sou muito grato a ele. Quero agradecer também a todos que me ajudaram nos primeiros filmes porque foi porrada! Os primeiros filmes foram muitas porradas e entre essas pessoas que me ajudaram, muitas não eram atores e não sonhavam em fazer cinema. Mas entraram no meu sonho”.
E terminou seu discurso: “O cinema no Brasil é uma grande roubada. Mas é uma roubada maravilhosa. É uma roubada linda que me deu muitas coisas boas nessa vida. Não é um bom negócio. Mas se você for apaixonado por isso, que você consiga tanta felicidade quanto eu consegui fazendo filmes. Viva o cinema brasileiro e viva o cinema capixaba!”.
O cineasta capixaba durante a coletiva de imprensa
Vale destacar que na parte da tarde, pouco antes de subir ao palco para receber a homenagem, Rodrigo Aragão participou de uma coletiva de imprensa e do lançamento do Caderno da Homenageado Capixaba, publicação impressa assinada pelos jornalistas Leonardo Vais e Paulo Gois Bastos, que traz um extensa reportagem sobre a trajetória artística do homenageado. Durante a coletiva, ele avaliou seu modo de fazer cinema, refletiu sobre os percalços dessa escolha profissional e sua opção por realizar filmes de forma artesanal.
Depois da homenagem, a programação do Festival de Cinema de Vitória 2026 seguiu com a exibição dos curtas-metragens em competição da mostra Foco Capixaba, dedicada a títulos produzidos no Espírito Santo. Foram exibidos: Cinema, Poema e Gangrena, de Gustavo Guilherme da Conceição; Superfície, de Carolina Campista; Liberdade de Morar, de Penha Souza; e Salve, Rainha!, de Estevão Ribeiro e Fabio Carvalho.
Além disso, o documentário A Fabulosa Máquina do Tempo, dirigido por Eliza Capai, abriu a Mostra Competitiva Nacional de Longas e foi representado pela produtora Mariana Genescá: “Há três anos eu estive aqui, nesse mesmo palco e nessa mesma noite de abertura, com o filme Incompatível com a Vida, que, assim como A Fabulosa Máquina do Tempo, é da minha grande parceira Eliza Capai. Uma capixaba de coração. A Eliza não conseguiu estar aqui hoje. Mas, para ela, sem dúvidas, essa é uma das sessões mais especiais. A Eliza cresceu aqui em Vitória e viveu sua infância aqui, onde está grande parte da sua família, dos amigos e das pessoas que ela sempre sonhou em mostrar esse filme”, disse Genescá no discurso.
Com exibições gratuitas dos 87 filmes selecionados, sendo 80 curtas e sete longas-metragens, que apresentam um recorte da produção audiovisual brasileira contemporânea, o 33º Festival de Cinema de Vitória segue até sábado, 25/07, na capital capixaba.
*O CINEVITOR está em Vitória e você acompanha a cobertura do evento por aqui, pelo canal do YouTube e pelas redes sociais: Twitter, Facebook e Instagram.
Vencedor do prêmio de melhor filme no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro do ano passado, Futuro Futuro, novo longa do cineasta gaúcho Davi Pretto, de Castanha, Rifle e Continente, chega aos cinemas na próxima quinta-feira, 23/07, pela distribuidora Cajuína Filmes.
A obra se passa em um futuro próximo e apresenta um homem sem memória de 40 anos chamado K, interpretado por Zé Maria Pescador, que é acolhido por um clickworker solitário de 60 anos, vivido por João Carlos Castanha, na parte empobrecida de uma chuvosa cidade brasileira. E, após usar um viciante dispositivo IA em um curso para pessoas com uma estranha síndrome neurológica, K embarca em uma jornada trágica e absurda. Vivendo na parte empobrecida da cidade, K fica intrigado pelo intransponível lado rico da metrópole, que enxerga no horizonte; e passa a sonhar toda a noite com um casal que vive em um condomínio de luxo, regado a festas e boemia.
Assim, a ideia inicial de Pretto era utilizar algumas inserções de imagens de inteligência artificial nos sonhos de K para causar contraste diante de algo totalmente estéril e destoante da realidade do personagem, junto de imagens de bairro privado de luxo em Porto Alegre, para incorporar a crítica presente em Futuro Futuro. Porém, tudo mudou quando uma enorme enchente afetou o estado do Rio Grande do Sul durante as filmagens, em 2024. Mesmo com uma ideia muito clara do que queria, alternando entre imagens de prédios de luxo e de inteligência artificial, Pretto teve que recalcular a rota diante da catástrofe.
O filme investiga de forma provocativa imagens geradas por IA, tema que provoca intenso debate na indústria cinematográfica e no cotidiano. A obra reflete sobre os riscos cognitivos e políticos da inteligência artificial, que transforma o trabalho, as relações sociais e a percepção do que é real. Ao mesmo tempo, aborda os desafios do cinema independente em um mundo marcado por catástrofes climáticas e por imagens artificiais que redefinem nosso olhar e imaginário. Tudo isso partiu da vontade de Pretto de expressar a ideia da crise do sujeito, ou o colapso do sujeito, que habita esse mundo em constante crise.
Futuro Futuro é uma ficção científica nada convencional e de baixíssimo orçamento, que foi rodada em apenas 16 dias em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. A produção teve suas filmagens interrompidas por meses devido à maior enchente da história do estado, em maio de 2024. Um filme distópico que se deparou com uma distopia real inimaginável. Depois que a enchente inundou locações que ainda fariam parte das filmagens, e diante de recursos escassos para concluir as diárias, Davi decidiu incorporar radicalmente imagens de inteligência artificial, tanto como o elemento distópico previsto na história, quanto como uma solução para terminar o filme. Além disso, o diretor declara que a literatura ciberpunk de William Gibson e Philip K. Dick e obras de pensadores políticos radicais, como Peter Lamborn Wilson, foram grandes inspirações no uso de inteligência artificial em Futuro Futuro.
Davi Pretto: cineasta gaúcho lança seu quarto longa
Produzido pela Vulcana Cinema e rodado em Porto Alegre, o filme é o quarto longa de Davi Pretto que, depois de Castanha (2014), Rifle (2016) e Continente (2024), transformou sua cidade natal em uma metrópole futurista nesta ficção científica de baixo orçamento. Para interpretar K, personagem protagonista, o diretor escalou o potiguar Zé Maria, ator conhecido por seus trabalhos em filmes como O Clube dos Canibais e Paloma, além da série Maria e o Cangaço. Zé Maria contracena com João Carlos Castanha, que batiza e protagoniza o primeiro filme do cineasta, além de Carlota Joaquina, Clara Choveaux e Higor Campagnaro; Olivia Torres empresta sua voz para o novo trabalho de Pretto.
O elenco completa-se com: Silvia Duarte, Ida Celina, Alex Pantera, Carlos Azevedo, Daniel Machado, Elaine Segura, Fabielly Klimberg, Gabriela Greco, Iluska Moura, Li Pereira, Luciano Abreu, Robson Duarte e Sandro Marques.
Além de ter conquistado o Candango de melhor longa-metragem pelo Júri Oficial do Festival de Brasília, também foi premiado como melhor roteiro, melhor montagem e uma Menção Honrosa para o ator Zé Maria Pescador. O filme estreou mundialmente na competição do Festival Internacional de Karlovy Vary, na República Tcheca, um dos mais antigos da Europa.
Com distribuição da Atelier W e Cajuína Filmes e produção de Paola Wink e Jessica Luz, a fotografia é assinada por Leonardo Feliciano. A montagem é de Bruno Carboni, a direção de arte de Dayane Paz e o figurino de Gabriela Güez; a caracterização é assinada por Juliane Senna. A música original é de Rita Zart e Carlos Ferreira, o som direto é de Tomaz Borges e o desenho e mixagem de som de Tiago Bello.
Para falar mais sobre Futuro Futuro, conversamos com o diretor Davi Pretto sobre seu processo criativo, escolha e preparação do elenco, temáticas que o filme aborda, filmagens e expectativa para o lançamento.
Aperte o play e confira:
Foto: Divulgação/Karlovy Vary International Film Festival.
Lorre Motta no curta Revelação, de Gabriela I. Gaia: filme selecionado
A 54ª edição do Festival de Cinema de Gramado, que acontecerá entre os dias 12 e 22 de agosto, revelou que 21 novos títulos acabam de entrar na disputa pelos kikitos com o anúncio dos filmes selecionados para as mostras competitivas de longas-metragens documentais, longas-metragens gaúchos e curtas-metragens brasileiros. A divulgação aconteceu na tarde desta quinta-feira, 16/07, em uma coletiva de imprensa realizada no Hotel Laghetto Stilo, em São Paulo.
Além dos novos concorrentes, que serão exibidos dentro da programação do Palácio dos Festivais, o festival também anunciou os dois últimos homenageados desta edição: Maria Fernanda Cândido e Selton Mello, que serão laureados com o Kikito de Cristal; o troféu pela primeira vez será entregue a dois artistas. Além disso, foi revelada a exibição hors-concours de La Perra na noite de encerramento do festival. A coprodução com o Chile, que estreou em Cannes, tem direção de Dominga Sotomayor e tem Selton Mello no elenco e na produção executiva.
Durante o encontro com a imprensa em São Paulo, também foram reveladas informações sobre a 10ª edição do Gramado Film Market, segmento mercadológico do festival, que acontecerá entre os dias 13 e 18 de agosto. Com o propósito de mobilizar gestores públicos municipais de todo o país e ampliar o diálogo entre cinema, desenvolvimento econômico e políticas públicas, o Gramado Film Market vai realizar o 1º Encontro Internacional de Cidades, que terá Medellín como cidade convidada internacional em 2026, representada por Maria Fernanda Galeano Rojo, secretária de Desenvolvimento Econômico da cidade colombiana. Também pela primeira vez, a programação do festival terá a Residência para Jovens Cineastas, que encerrou suas inscrições com 203 pessoas, representando 13 estados e o Distrito Federal; as participantes selecionadas serão anunciadas em breve. A Rodada de Negócios também está confirmada e reunirá players fundamentais do mercado.
A curadoria dos longas-metragens brasileiros e documentários, assinada pelas atrizes Ana Flavia Cavalcanti e Camila Morgado e pelo jornalista, professor e crítico de cinema Marcos Santuario, selecionou obras vindas de São Paulo, Rio de Janeiro e Pernambuco: “Trata-se de uma unidade de filmes que demonstra a potência do documentário, o espaço de reflexão, escuta e questionamento, com temáticas variadas e propostas desafiadoras”, comenta o curador Marcos Santuario.
Documentário Afrontosa, de Coraci Ruiz e Julio Matos: em competição
Em Afrontosa, de São Paulo, os diretores Coraci Ruiz e Julio Matos apresentam Suzy Santos, trans, preta e periférica, que viveu anos nas ruas antes de encontrar na militância um caminho profissional e se reinventar como gestora e figura política. Ela se dedica ao cuidado de pessoas vulneráveis na conservadora cidade de Campinas; o filme é uma produção do Laboratório Cisco. Já Empeleitada representa Pernambuco e mostra a construção coletiva de uma casa de taipa para dar forma à memória e à história do povo indígena Xukuru. Uma morada que nasce diretamente da terra, da luta e dos encantados; o documentário é uma coprodução entre Símio Filmes, Ororubá Filmes, Fractais e Coquevídeo.
Gonzaguinha, Da Maior Liberdade, produção da Modo Operante, do Rio de Janeiro, também integra a mostra. No longa, a premiada diretora Susanna Lira resgata em letras, imagens e sons a fúria e a poesia de Luiz Gonzaga Jr., o Gonzaguinha, um dos artistas mais viscerais e importantes para a construção e a discussão popular da história democrática brasileira. Produzido pela Gullane, O Projeto, de São Paulo, dirigido por Sabrina Fidalgo e Yvan Rodic, propõe uma viagem investigativa sobre os desdobramentos do projeto colonial europeu e da supremacia branca no Sul e Norte global. O debate é conduzido através da vida e visão de uma diretora afro-brasileira e um diretor suíço, contando com depoimentos de nomes como Djamila Ribeiro, Erika Hilton e Grada Kilomba.
Os cinco filmes que vão compor a Mostra Competitiva Sedac Iecine de longas-metragens gaúchos do 54º Festival de Cinema de Gramado foram selecionados por uma comissão formada por: Leonardo Bomfim, programador; Luis Lomenha, escritor, roteirista, diretor e produtor; e Mônica Kanitz, jornalista. Os escolhidos revelam a pluralidade e a força do audiovisual do Rio Grande do Sul, com ficções e documentários.
Entre os longas está a ficção A História Mais Triste do Mundo, dirigida por Hique Montanari e produzida pela Container Filmes, de Porto Alegre, em coprodução com a Prana Filmes, que mistura live action, animação e teatro de bonecos para narrar uma jornada de amadurecimento infantil. A programação conta também com Remanente – Voltagem, obra que mistura drama, terror e ficção científica; o longa mostra dois paramédicos que ativam acidentalmente um portal dimensional e libertam uma criatura com poderes eletromagnéticos. O filme integrou as competições do Frightfest (Londres) e do Imagine Film Festival (Amsterdã), além de ter sido exibido no Fantaspoa e no 25º Macabro (México). Com direção e roteiro de Kapel Furman, a produção é de Helena Portini com distribuição internacional da Raven Banner.
Na lista de documentários, a mostra apresenta Darcy Fagundes meu Famoso Pai Desconhecido, com direção de Luciane Fagundes e produzido pela Século Vinte e Um Pesquisas e Informações, que mergulha na reconstrução afetiva da trajetória de um dos maiores nomes da rádio do Estado. Também no gênero documental está Filhas da Lua, dirigido por Tatiana Sager, que também assina a produção com Renato Nunes Dornelles. Com distribuição da Panda Filmes Ltda, a obra narra a trajetória de resiliência de quatro travestis que, após sobreviverem ao sistema prisional, buscam superar diversos obstáculos em busca de uma mudança de fase em suas vidas. Fechando a seleção de documentários, Morro da Cruz: Memória Popular é dirigido por Crystom Afronário e produzido pela Justiça Poética em parceria com o Instituto Sociocultural do Morro da Cruz; o filme traz o olhar de moradores, estudantes e artistas sobre a construção da identidade cultural e a celebração da periferia de Porto Alegre.
Cena do longa gaúcho A História Mais Triste do Mundo, de Hique Montanari
Doze produções de sete estados diferentes integram a mostra competitiva de curtas brasileiros do Festival de Cinema de Gramado 2026. Os finalistas foram selecionados por Alice Urbim, jornalista, produtora e diretora; Cavi Borges, diretor, produtor e distribuidor; Chico Izidro, jornalista, escritor e crítico de cinema; Danny Barbosa, atriz, roteirista, diretora e produtora; e Taty Behar, comunicóloga.
Em comunicado oficial, a comissão de curadores disse: “A seleção foi um misto de desafio e prazer. Desafio porque era preciso escolher aproximadamente dez por cento, entre quase mil obras; prazer porque, ao exercitar a retina crítica, nos deparamos com uma diversidade que mostra caminhos novos para o cinema nacional. Nosso critério privilegiou, além da qualidade estética e do rigor técnico, filmes cujas narrativas tragam urgências de discurso e olhares sensíveis sobre temas que merecem ganhar espaço nas telas. Buscamos trabalhos que provoquem reflexões, ampliem perspectivas e deem vez a vozes pouco escutadas. A curadoria precisou contemplar a multiplicidade cultural do país desde a sua primeira etapa; olhares femininos e masculinos, raciais, trans e intergeracionais, além das distintas regionalidades que compõem o Brasil”.
As novidades do Festival de Cinema de Gramado 2026 seguem: Maria Fernanda Cândido e Selton Mello serão os homenageados com o Kikito de Cristal, que destaca grandes nomes que marcam presença no cinema nacional e internacional. Com vasta experiência no audiovisual, Maria Fernanda e Selton integraram, respectivamente, os elencos de O Agente Secreto e Ainda Estou Aqui, longas brasileiros que marcaram as duas últimas temporadas do Oscar.
Nascida em Londrina, no Paraná, Maria Fernanda Cândido soma mais de três décadas de carreira artística. A atriz iniciou sua trajetória nos palcos no final dos anos 1990 em Anchieta, Nossa História e, desde então, participou dos espetáculos Balada Acima do Abismo, Toca do Coelho, O Evangelho Segundo Jesus Cristo e Ligações Perigosas. No cinema, participou de longas-metragens como Dom, de Moacyr Góes, pelo qual conquistou o kikito de melhor atriz em 2003; A Paixão Segundo G.H., de Luiz Fernando Carvalho; Sal de Prata, de Carlos Gerbase; e o indicado ao Oscar em quatro categorias O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho; e os internacionais O Traidor, de Marco Bellocchio, e Animais Fantásticos: Os Segredos de Dumbledore, de David Yates. Nas telinhas, conquistou o público no papel de Paola em Terra Nostra e também participou de novelas de sucesso como Esperança, Lado a Lado e A Força do Querer.
Com mais de 40 anos de carreira no audiovisual, Selton Mello coleciona papéis plurais que marcaram a cultura brasileira. Ator, diretor, produtor e dublador, iniciou a carreira ainda na infância na televisão e, desde então, teve destaque em novelas como Força de um Desejo, Nos Tempos do Imperador e A Próxima Vítima, além de dirigir e protagonizar a série Sessão de Terapia. Nos cinemas, Selton encantou o público com Chicó, de O Auto da Compadecida, de Guel Arraes, que se tornou um dos personagens mais queridos da cultura brasileira, e emocionou brasileiros e estrangeiros por sua atuação como Rubens Paiva em Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, o primeiro longa-metragem brasileiro a conquistar o Oscar. Também participou, como ator, de produções memoráveis como Lisbela e o Prisioneiro, A Mulher Invisível, Meu Nome Não é Johnny e Lavoura Arcaica; e assina a direção dos longas-metragens O Palhaço e O Filme da Minha Vida.
Maria Fernanda Cândido em O Agente Secreto
Para fechar a programação da 54ª edição, o festival exibe o drama La Perra, dirigido pela premiada cineasta chilena Dominga Sotomayor. Coproduzido pelo brasileiro Rodrigo Teixeira, da RT Features, o filme é baseado no livro homônimo de Pilar Quintana e traz Selton Mello no elenco principal; o ator também assina a produção executiva. Ambientado em uma ilha remota no sul do Chile, o longa, exibido na Quinzena de Cineastas, em Cannes, narra a história de uma mulher solitária que resgata uma cachorra filhote desenvolvendo um vínculo que a obriga a encarar traumas, ressentimentos e relacionamentos rompidos do passado.
Consolidado a partir da força simbólica e institucional de Gramado, o CGFM, Conexões Gramado Film Market, chega à sua 10ª edição reafirmando seu compromisso com o audiovisual brasileiro e ibero-americano. Sob a coordenação geral de Ralfe Cardoso, o mercado assume uma função estratégica no ecossistema latino-americano guiado por três objetivos principais: ativar negócios e coproduções, qualificar territórios que filmam e conectar futuros talentos. Em 2026, a plataforma se expande para reunir produtores, players, fundos, distribuidores, comissões fílmicas e universidades em uma programação densa que une festival e indústria.
Entre as principais novidades deste ano está o 1º Encontro Internacional de Cidades, que promoverá um intercâmbio inédito sobre economia criativa, turismo e desenvolvimento social. O evento contará com a presença da secretária de Desarrollo Económico de Medellín, Maria Fernanda Galeano Rojo, e da coordenadora da Comissão Fílmica colombiana, Karla Valderrama, que compartilharão o case de inovação e transformação territorial de sua cidade ao lado de debates com a RioFilme e municípios gaúchos. No mesmo eixo territorial, o Fórum CGFM, que celebra os 40 anos do Instituto Estadual de Cinema (RS), promoverá debates abertos ao público sobre políticas públicas, sustentabilidade e inovação tecnológica.
O GFM recebe a 1ª Residência para Jovens Cineastas que hospedará até 60 novos talentos de todo o país para uma imersão de três dias. Serão 17 painéis e masterclasses com grandes nomes do mercado, cobrindo desde roteiro e direção até estratégias de carreira internacional, em uma realização conjunta com o Festival de Cinema de Gramado, o Iecine e a Universidade Feevale.
O evento contará também com Rodadas de Negócios, nas quais estão confirmados players como Amazon MGM Studios, Biônica Filmes, Boutique Filmes, Deberton Filmes, Floresta Realizações Audiovisuais, Globo Filmes, H2O Films, Lança Filmes, O2 Play, Panorâmica, Sulflix Entretenimento, Vitrine Filmes, Zapata Filmes e 4U Pictures. Além disso, o tradicional Pitching ocorrerá em formato de arena pública diante de Mara Lobão, CEO da Panorâmica. A produtora busca longas e séries de ficção com narrativas feel good (romances, dramas de superação, filmes de Natal e amadurecimento), com especial interesse em projetos ambientados em Gramado ou na Serra Gaúcha. Ao final, um dos projetos finalistas será contratado para desenvolvimento.
Conheça os novos filmes selecionados para o 54º Festival de Cinema de Gramado:
CURTAS-METRAGENS BRASILEIROS
A Menina que Queria Ser Pedra, de Jackson Abacatu (MG) As Gêmeas, de Vanessa Aguiar (RJ) Divino: Sua Alma, Sua Lente, de Clea Torres e Gilson Costa; codireção: Divino Tserewahú (MT) Fúrias, de Nica Maleoa (RS) Graxa e o Zepelim, de Camilo Soares (PE) Maior que a Casa Toda, de Fabiano Barros e Neto Cavalcanti (RO) Mulher Papaya, de Camila Tarifa (SP) Pão Doce, de Wesley Gabriel Silva Santos (SP) Pique-Pega, de Mia Lima Rocha (RJ) Revelação, de Gabriela I. Gaia (RJ/SP/FR) Um Passeio, de Thalles Cabral e Fernanda Rocha (SP) 씨발 (Shibal), de João Rubio Rubinato (SP)
LONGAS-METRAGENS DOCUMENTAIS
Afrontosa, de Coraci Ruiz e Julio Matos (SP) Empeleitada, de Micaele Xukuru, Chico Ludermir e Sergio Borges (PE) Gonzaguinha, Da Maior Liberdade, de Susanna Lira (RJ) O Projeto, de Sabrina Fidalgo e Yvan Rodic (SP)
LONGAS-METRAGENS GAÚCHOS
A História Mais Triste do Mundo, de Hique Montanari (Porto Alegre) Darcy Fagundes meu Famoso Pai Desconhecido, de Luciane Fagundes (Porto Alegre) Filhas da Lua, de Tatiana Sager (Porto Alegre) Morro da Cruz: Memória Popular, de Crystom Afronário (Porto Alegre) Remanente – Voltagem, de Kapel Furman (Porto Alegre)