
O Festival de Cannes 2026, que acontecerá entre os dias 12 e 23 de maio, anunciou nesta quinta-feira, 09/04, em uma coletiva apresentada por Iris Knobloch, presidente do festival, e Thierry Frémaux, diretor geral, os filmes selecionados para sua 79ª edição.
A disputa pela Palma de Ouro, prêmio máximo do evento, segue com nomes já conhecidos do festival, como: Pedro Almodóvar, Ryûsuke Hamaguchi, Paweł Pawlikowski, Cristian Mungiu, Asghar Farhadi, Hirokazu Koreeda, László Nemes, Valeska Grisebach, Lukas Dhont, entre muitos outros. Vale destacar que, até agora, cinco filmes da Competição são dirigidos por mulheres.
Segundo informações divulgadas na coletiva de imprensa, para este ano foram inscritos 2.541 longas-metragens, de 141 países. Como de costume, novos títulos serão anunciados em breve na programação.
Na mostra paralela Un Certain Regard, destaque para Elefantes na Névoa, dirigido por Abinash Bikram Shah, uma coprodução entre Nepal, Alemanha, Brasil, França e Noruega, e conta com a participação de importantes produtoras do audiovisual brasileiro, como a Bubbles Project, responsável por títulos como Malu e O Riso e a Faca, e a Enquadramento Produções, que assina obras como Los Silencios e A Febre. A seleção do longa reforça a potência do cinema brasileiro e o valor das coproduções internacionais, evidenciando, em um dos mais importantes eventos do mundo, como a troca criativa e técnica entre diferentes países contribui para o fortalecimento de cada projeto.
Ambientado em um vilarejo no Nepal, à beira de uma floresta habitada por elefantes selvagens, o filme acompanha Pirati, líder de uma comunidade Kinnar, que vê sua vida abalada após o desaparecimento de uma de suas filhas. A partir deste evento, a narrativa se desenvolve como uma investigação, atravessada por conflitos íntimos e sociais. “Em sua essência, o filme está enraizado nas realidades vividas pela comunidade Kinnar, pessoas que, embora empurradas para as margens, constroem famílias escolhidas resilientes e profundamente significativas. Fui atraído pela densidade emocional desses vínculos, pela forma como o parentesco é construído e sustentado muito além dos laços biológicos e das convenções sociais. Ainda assim, essas vidas permanecem em um constante e frágil cabo de guerra com uma sociedade dominante que exige conformidade. Ao trabalhar com um elenco que inclui atrizes da própria comunidade, encontramos uma verdade que eu não quis simplificar: uma verdade que fala de uma busca universal e profundamente humana por dignidade”, declarou o diretor.
Dirigido pelo nepalês Abinash Bikram Shah, Elefantes na Névoa tem coprodução brasileira
Elefantes na Névoa, que será distribuído pela Imovision no Brasil, é o primeiro longa-metragem do cineasta, que teve seu curta-metragem Lori premiado com uma Menção Especial na competição de Cannes em 2022; Abinash Bikram Shah também assinou o roteiro do longa Shambhala, exibido na competição da Berlinale em 2024.
Sobre a coprodução brasileira: “Li o roteiro de Elefantes em 2022 e fiquei encantada: pungente, urgente e inesperado e quando conheci o diretor Abinash na sequência tive ainda mais certeza de que queria coproduzi-lo. Junto com Leonardo Mecchi, grande amigo e parceiro, mergulhamos nesta aventura de filmar numa floresta no Nepal uma história que ressoa muito com o Brasil e o mundo”, disse a produtora Tatiana Leite, da Bubbles Project. “Esse projeto nos conquistou de imediato pela força da história e pela singularidade do olhar do Abinash. Ao longo do processo, construímos uma troca criativa intensa, que revela o que há de mais potente nas coproduções internacionais: a aproximação de realidades distintas que transformam não só o filme, mas também quem o realiza. É especialmente significativo que essa trajetória tenha sido viabilizada pelo primeiro edital de coprodução do FSA, uma política pública que amplia a presença do Brasil no cinema internacional e torna possíveis encontros como este”, afirmou Leonardo Mecchi, sócio-fundador da Enquadramento Produções.
E mais: neste ano, a consagrada atriz e cantora estadunidense Barbra Streisand e o cineasta neozelandês Peter Jackson, da trilogia O Senhor dos Anéis, serão homenageados com a Palma de Ouro honorária; a atriz francesa Eye Haïdara será a mestre de cerimônias. O 79º Festival de Cannes terá o cineasta sul-coreano Park Chan-wook, que já foi premiado com Decisão de Partir, Sede de Sangue e Oldboy, como presidente do júri.
Dirigido pelo francês Pierre Salvadori, La Vénus électrique será o filme de abertura deste ano e será exibido fora de competição. Com ideia original de Robin Campillo e Rebecca Zlotowski, o roteiro foi escrito por Benjamin Charbit, Benoît Graffin e Pierre Salvadori. O elenco conta com Anaïs Demoustier, Gilles Lellouche, Pio Marmaï, Vimala Pons, Gustave Kervern, entre outros.
Confira a lista com os filmes selecionados para o Festival de Cannes 2026:
COMPETIÇÃO
All of a Sudden (Soudain), de Ryûsuke Hamaguchi (França/Japão/Alemanha/Bélgica)
Coward, de Lukas Dhont (Bélgica/França/Países Baixos)
Das geträumte Abenteuer, de Valeska Grisebach (Alemanha/França/Bulgária/Áustria)
El ser querido, de Rodrigo Sorogoyen (Espanha)
Fatherland, de Paweł Pawlikowski (Polônia/Itália/França/Alemanha)
Fjord, de Cristian Mungiu (Noruega/Romênia/Suécia/Finlândia/Dinamarca/França)
Garance (Another Day), de Jeanne Herry (França)
Gentle Monster, de Marie Kreutzer (Áustria/Alemanha)
Histoires de la nuit, de Léa Mysius (França/Bélgica)
Histoires parallèles, de Asghar Farhadi (França/EUA/Itália/Bélgica)
Hope, de Na Hong-jin (Coreia do Sul)
L’Inconnue, de Arthur Harari (França/Itália)
La bola negra, de Javier Ambrossi e Javier Calvo (Espanha/França)
La vie d’une femme, de Charline Bourgeois-Tacquet (França/Bélgica)
Minotaur, de Andrey Zvyagintsev (França/Alemanha/Letônia)
Moulin, de László Nemes (França)
Nagi Notes, de Hiroshi Fukada (Japão)
Natal Amargo (Amarga Navidad), de Pedro Almodóvar (Espanha)
Notre Salut, de Emmanuel Marre (França)
Sheep in the Box, de Hirokazu Koreeda (Japão)
The Man I Love, de Ira Sachs (EUA)
UN CERTAIN REGARD
All the Lovers in the Night, de Sode Yukiko (Japão)
Ben’imana, de Marie-Clémentine Dusabejambo (Ruanda)
Club Kid, de Jordan Firstman (EUA)
Congo Boy, de Rafiki Fariala (República Centro-Africana/Congo/França)
El deshielo (The Meltdown), de Manuela Martelli (Chile/EUA/Espanha/México)
Elefantes na Névoa (Elephants in the Fog), de Abinash Bikram Shah (Nepal/Alemanha/Brasil/França/Noruega)
Everytime, de Sandra Wollner (Áustria/Alemanha)
I’ll Be Gone in June, de Katharina Rivilis (Suíça/Alemanha)
Iron Boy, de Louis Clichy (França/Bélgica)
La más dulce, de Laïla Marrakchi (França/Espanha/Marrocos/Bélgica)
Quelques mots d’amour, de Rudi Rosenberg (França)
Siempre soy tu animal materno, de Valentina Maurel (Costa Rica)
Teenage Sex and Death at Camp Miasma, de Jane Schoenbrun (Reino Unido/Canadá/EUA) (filme de abertura)
Uļa, de Viesturs Kairišs (Letônia/Estônia/Polônia/Lituânia)
Yesterday the Eye Didn’t Sleep, de Rakan Mayasi (Território Palestino Ocupado/Líbano/Bélgica)
FORA DE COMPETIÇÃO
Diamond, de Andy Garcia (EUA)
Her Private Hell, de Nicolas Winding Refn (Dinamarca/EUA))
Karma, de Guillaume Canet (França)
L’Abandon, de Vincent Garenq (França)
L’objet du délit, de Agnès Jaoui (França)
La bataille de Gaulle: L’âge de fer, de Antonin Baudry (França)
La Vénus électrique, de Pierre Salvadori (França) (filme de abertura)
CANNES PREMIERE
Heimsuchung, de Volker Schlöndorff (Alemanha)
Kokurojo: The Samurai and the Prisoner, de Kiyoshi Kurosawa (Japão)
La Troisième nuit, de Daniel Auteuil (França)
Propeller One-Way Night Coach, de John Travolta (EUA)
The Match, de Juan Cabral e Santiago Franco (Argentina)
SESSÕES ESPECIAIS
Avedon, de Ron Howard (EUA)
Cantona, de David Tryhorn e Ben Nicholas (Reino Unido)
John Lennon: The Last Interview, de Steven Soderbergh (EUA)
L’Affaire Marie-Claire, de Lauriane Escaffre e Yvo Muller (França)
Les Matins Merveilleux, de Avril Besson (França)
Les Survivants du Che, de Christophe Réveille (França)
Rear Soul for the Revolution, de Pegah Ahangarani (Irã)
SESSÃO DA MEIA-NOITE
Full Phil, de Quentin Dupieux (França/EUA)
Gun-che (Colony), de Yeon Sang-ho (Coreia do Sul)
Jim Queen, de Marco Nguyen e Nicolas Athane (França)
Roma Elastica, de Bertrand Mandico (França/Itália)
Sanguine, de Marion Le Coroller (França/Bélgica)
Fotos: El Deseo/Divulgação.