
A 65ª edição do FICCI, Festival Internacional de Cine de Cartagena de Indias, que aconteceu entre os dias 14 e 19 de abril, revelou os vencedores de 2026. O evento, realizado na Colômbia, é conhecido como o festival cinematográfico mais antigo de América Latina e prioriza obras que promovem a identidade cultural dos países ibero-americanos.
Neste ano, o cinema brasileiro se destacou entre os premiados: o longa-metragem cearense Feito Pipa, de Allan Deberton, rendeu a Yuri Gomes o prêmio de melhor interpretação na seção Cine en los Barrios, uma iniciativa do FICCI que transforma praças, parques, universidades e espaços comunitários em cinemas ao ar livre.
Feito Pipa acompanha Gugu, interpretado por Yuri Gomes, um menino que sonha em se tornar jogador de futebol e vive com a avó Dilma, papel de Teca Pereira, que o cria de forma livre e afetuosa. Quando a saúde de Dilma se fragiliza, ele tenta esconder a situação para evitar ser separado dela e precisar ir morar com o pai, vivido por Lázaro Ramos. Rodado em Quixadá, no interior do Ceará, o longa constrói uma narrativa sensível sobre amadurecimento, pertencimento e afeto.
E mais: o curta-metragem alagoano O Mapa em que Estão Meus Pés, de Luciano Pedro Jr., ficou com o prêmio de melhor contribuição artística; o longa O Riso e a Faca, do cineasta português Pedro Pinho, uma coprodução entre Portugal, França, Brasil e Romênia, também recebeu o prêmio de contribuição artística com destaque para a montagem de Karen Akerman, Cláudia Rita Oliveira e Rita M. Pestana; e Flecha para um Coração de Pedra, de Luiza Calagian, recebeu dois prêmios na mostra Work in Progress.
Além dos premiados, outros títulos brasileiros foram exibidos na programação do FICCI 2026, que contou com mais de 200 filmes, de 57 países: os longas Isabel, de Gabe Klinger; A Fabulosa Máquina do Tempo, de Eliza Capai; Dracula, de Radu Jude, uma coprodução entre Romênia, Brasil, Áustria, Luxemburgo, Reino Unido e Suíça; O Pagador de Promessas, de Anselmo Duarte, que foi exibido na mostra Retrospectiva FICCI Años 60; Se Eu Fosse Vivo… Vivia, de André Novais Oliveira; e Pequenas Criaturas, de Anne Pinheiro Guimarães. E os curtas e médias-metragens: Voz Zov Vzo, de Yhuri Cruz; Como Nasce um Rio, de Luma Flôres; Samba Infinito, de Leonardo Martinelli; Fim de Rodovia, de Valentina Rosset; Quem se Move, de Stephanie Ricci; e Pequeno Jogo, de Sofia Tomic.
Nesta 65ª edição do Festival de Cartagena, o Brasil foi o País Convidado de Honra da Indústria e contou com uma programação que transformou Cartagena em um ponto de encontro para trocas, alianças e novos caminhos para a produção audiovisual ibero-americana. Conversas, histórias de sucesso, encontros com profissionais do setor e oportunidades de networking fizeram parte de uma iniciativa que reuniu uma delegação diversa de produtores, festivais, instituições, comissões de cinema e plataformas do audiovisual brasileiro.
Conheça os vencedores do 65º Festival Internacional de Cine de Cartagena de Indias:
COMPETIÇÃO IBERO-AMERICANA | LONGA-METRAGEM
Melhor Filme: Lo demás es ruido, de Nicolás Pereda (México/Alemanha/Canadá)
Melhor Direção: Milagros Mumenthaler, por Las corrientes
Grande Prêmio do Júri: Chicas tristes, de Fernanda Tovar (México/Espanha/França)
Melhor Interpretação: Teresita Sánchez, por Lo demás es ruido
Melhor Contribuição Artística | Edição: O Riso e a Faca, por Karen Akerman, Cláudia Rita Oliveira e Rita M. Pestana
COMPETIÇÃO IBERO-AMERICANA | CURTA-METRAGEM
Melhor Filme: Agua fría, de Meme Cabello e Antonia Martínez Valls (Chile)
Melhor Direção: Ruby Chasi, por Pajuyuk
Melhor Contribuição Artística: O Mapa em que Estão Meus Pés, de Luciano Pedro Jr. (Brasil)
COMPETIÇÃO CINE EN LOS BARRIOS
Melhor Filme: Si no ardemos cómo iluminar la noche, de Kim Torres (Costa Rica/México)
Melhor Interpretação: Yuri Gomes, por Feito Pipa
RECONOCIMIENTO A LA SOSTENIBILIDAD
Melhor Filme | Longa: El hogar fue sepultado en esa tierra que nunca pudimos encontrar, de Deimer Quintero (Colômbia)
Menção Especial: Bosque arriba en la montaña, de Sofía Bordenave (Argentina)
Melhor Filme | Curta: Agua fría, de Meme Cabello e Antonia Martínez Valls (Chile)
Menção Especial: Montaña luminosa, de Lony Welter (Colômbia)
COMPETIÇÃO COLÔMBIA | LONGA-METRAGEM
Melhor Filme: El hogar fue sepultado en esa tierra que nunca pudimos encontrar, de Deimer Quintero
Prêmio do Público: El hogar fue sepultado en esa tierra que nunca pudimos encontrar, de Deimer Quintero
Grande Prêmio do Júri: Piedras preciosas, de Simón Vélez
Melhor Filme de Estreia: Piedras preciosas, de Simón Vélez
Melhor Direção: Canela Reyes e César Jaimes, por Las almas ni los ojos
Melhor Interpretação: Manual para invocar fantasmas, de Juliana Zuluaga
Melhor Contribuição Artística: El hogar fue sepultado en esa tierra que nunca pudimos encontrar, de Deimer Quintero
COMPETIÇÃO COLÔMBIA | CURTA-METRAGEM
Melhor Filme: Futuros luminosos, de Ismael García Ramírez
Menção Especial: Filme pin, de María Rojas e Andrés Jurado
Prêmio do Público: Sombras en la niebla, de Pedro Pablo Vega Reyes
Melhor Filme Universitário: Madres de nacimiento, de Gloria Isabel Gómez
Melhor Direção: Pedro Pablo Vega Reyes, por Sombras en la niebla
Melhor Contribuição Artística: Decaer, de Juan Camilo González
QUALIFICADO PARA O OSCAR | DOCUMENTÁRIO
Nuestra Tierra, de Lucrecia Martel (Argentina/EUA/México/França/Holanda/Dinamarca)
Foto: Divulgação.