Cannes 2026: coprodução brasileira é selecionada para a 65ª Semana da Crítica

por: Cinevitor
Seis Meses no Prédio Rosa e Azul: coprodução brasileira selecionada

Foram anunciados nesta segunda-feira, 13/04, os longas-metragens selecionados para a Semana da Crítica 2026 (Semaine de la Critique), mostra paralela ao Festival de Cannes que concentra-se na descoberta de novos talentos. Desde que foi criada pelo Syndicat Français de la Critique de Cinéma, em 1962, busca explorar e revelar novos cineastas inovadores do mundo todo em suas primeiras obras.

Em sua 65ª edição, a Semana da Crítica, que acontecerá entre os dias 13 e 21 de maio, recebeu 1.050 longas e 2.400 curtas-metragens inscritos. A curadoria deste ano teve coordenação geral de Ava Cahen, que trabalhou com comitês formados por críticos e jornalistas. Para a seleção de longas-metragens, onze títulos foram selecionados; o grupo foi formado por Chloé Caye, Marilou Duponchel, Laurent Hérin, Laura Pertuy e Gautier Roos. Entre os curtas, 13 filmes farão parte da programação. 

Neste ano, vale destacar a presença de Seis Meses no Prédio Rosa e Azul, do diretor mexicano Bruno Santamaría Razo, uma coprodução entre México (Ojos de Vaca), Brasil (Desvia) e Dinamarca (Snowglobe). O longa marca a terceira presença consecutiva da produtora brasileira Desvia em grandes festivais (O Último Azul e Nosso Segredo na Berlinale) e traz o ator cearense Demick Lopes, de A Filha do Palhaço, no elenco. Vale lembra que em 2024, o longa-metragem brasileiro Baby, de Marcelo Caetano, integrou a seleção e saiu com o prêmio de melhor ator revelação para Ricardo Teodoro.

Inspirado nas memórias do diretor, e rodado em 16mm, o filme leva o espectador para a Cidade do México no início da década de 1990. No dia em que Bruno completou 11 anos, percebeu sentimentos por seu melhor amigo, Vladimir. Os dois entram em conflito com o anúncio repentino de que seu pai foi diagnosticado com HIV. Como nas canções de salsa, a família canta e dança para se afastar da dor. Trinta anos depois, o diretor Bruno filma e reimagina a memória daquilo que não conseguiu compreender totalmente quando era criança. O elenco conta também com Jade Reyes, Sofia Espinosa, Lázaro Gabino, Eduardo Ayala, Valeria Vanegas, Anuar Vera, Teresa Sánchez, Valentina Cohen e Nara Carreira

A seleção de Seis Meses no Prédio Rosa e Azul assume um relevância política e histórica nesta edição: o longa é o único representante da América Latina na mostra competitiva de longas-metragens do programa; e é o terceiro filme mexicano selecionado para a seção. A coprodução brasileira é assinada pela Desvia, produtora sediada no Recife, com 15 filmes realizados, que marca sua volta para o Festival de Cannes com uma coprodução entre México, Brasil e Dinamarca. Em 2021, a coprodução com o México da Desvia, Noche de fuego, de Tatiana Huezo, foi premiada na mostra Un Certain Regard.

Seis Meses no Prédio Rosa e Azul conta com uma significativa participação brasileira liderada pelas produtoras Rachel Daisy Ellis e Camille Reis. Além de um papel como coadjuvante para o ator brasileiro Demick Lopes, grande parte da pós-produção do filme foi feita no Brasil. O filme conta com participação dos editores Eduardo Serrano e Marília Moraes; a desenhista de som Miriam Biderman; o compositor musical Leo Chermont; o estúdio de efeitos especiais Aberração Kromatica Filmes; a produtora executiva Amanda Luna; e as pós-produtoras Bia Baggio e Ivich. A produtora mexicana do filme, Bruna Haddad, também tem nacionalidade brasileira. No Brasil, a distribuição ficará a cargo da Fistaile. No cenário global, as vendas internacionais serão representadas pela Luxbox.

O pôster deste ano da 65ª Semana da Crítica destaca Manon Clavel e Makita Samba em cena do filme Kika, dirigido por Alexe Poukine, que foi exibido nesta mostra no ano passado.

Conheça os filmes selecionados para a Semana da Crítica 2026:

COMPETIÇÃO | LONGA-METRAGEM

Dua, de Blerta Basholli (Kosovo/Suíça/França)
La Gradiva, de Marine Atlan (França/Itália)
Seis Meses no Prédio Rosa e Azul (Seis meses en el edificio rosa con azul), de Bruno Santamaría Razo (México/Brasil/Dinamarca)
Tin Castle, de Alexander Murphy (Irlanda/França)
Viva, de Aina Clotet (Espanha)
Wu ming nü hai, de Jing Zou (China/França)
المحطّة (The Station/Al Mahattah), de Sara Ishaq (Iêmen/Jordânia/França/Alemanha/Holanda/Noruega/Qatar)

SESSÕES ESPECIAIS | LONGAS

Adieu monde cruel, de Felix De Givry (França/Bélgica) (filme de encerramento)
Du Fioul dans les artères, de Pierre Le Gall (França/Polônia)
In Waves, de Phuong Mai Nguyen (França/Bélgica) (filme de abertura)
La Frappe, de Julien Gaspar-Oliveri (França)

COMPETIÇÃO | CURTA-METRAGEM

„Vaterland“ oder Ein Bule Namens Yanto, de Berthold Wahjudi (Alemanha/Indonésia)
À quoi rêvent les Maknines, de Sarra Ryma (Argélia/França)
Adgwa-Ata, de Zsuzsanna Kreif (Hungria/França)
City of Owls, de Zhenia Kazankina (França/Alemanha/Itália)
Klasės Nuotrauka, de Arnas Balčiūnas (Lituânia)
Man’mi, de Aude N’Guessan Forget (França)
Skinny Bottines, de Romain F. Dubois (Canadá)
Visite en terre irradiée, de Anne-Sophie Girault (França)
نفرون (Nafron), de Daood Alabdulaa (Síria/Alemanha)
หาอะไร? (What do you seek in the dark?), de Tossaphon Riantong (Tailândia)

SESSÕES ESPECIAIS | CURTAS

I Think you Should be Here, de Anna-Marija Adomaitytė e Élie Grappe (Suíça/França)
La Sentinelle, de Ali Cherri (França)
Love Story, de Laïs Decaster (França)

CONVIDADOS | Festival International du Film de Morelia

Al Borde del Volcán, de Jorge Granados Ross (México)
Casa Chica, de Lau Charles (México)
La Miel Inmaculada, de Mauricio Calderón Rico (México)
Una parvada de estruendo, de Mariana Mendivil (México)

CONVIDADOS | Next Step Studio 2026 | Indonésia

Anissa, de Reza Rahadian e Sam Manacsa (Indonésia/França)
Holy Crowd, de Reza Fahriyansyah e Ananth Subramaniam (Indonésia/França)
Mothers Are Mothering, de Khozy Rizal e Lam Li Shuen (Indonésia/França)
Original Wound, de Shelby Kho e Sein Lyan Tun (Indonésia/França)

Foto: Divulgação/Desvia.

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