Foram anunciados neste sábado, 22/08, no Palácio dos Festivais, os vencedores da 54ª edição do Festival de Cinema de Gramado, que reuniu cineastas, artistas, jornalistas, estudantes e diversos profissionais do audiovisual ao longo de onze dias de evento.
Neste ano, o mais tradicional festival de cinema do Brasil exibiu 61 filmes em dez diferentes mostras com um público estimado em mais de 20 mil pessoas entre sessões lotadas no Palácio dos Festivais e no Hotel Serrazul. A programação contou com mostras competitivas, sessões especiais, homenagens, debates e atividades de mercado. Ao todo, foram entregues 59 prêmios, sendo 40 kikitos e mais de R$ 500 mil em prêmios em dinheiro. Com apresentação do jornalista cultural Roger Lerina, da radialista Marla Martins e do ator e diretor Silvio Guindane, a cerimônia de premiação teve transmissão ao vivo para todo o país no Canal Brasil, na TVE e no canal do YouTube da Gramadotur.
O kikito de melhor filme foi para o mineiro Nosso Segredo, de Grace Passô, que ganhou três prêmios. O longa também conquistou os kikitos de melhor fotografia para Wilssa Esser e melhor direção de arte para Lucas Osório. Já o cearense Feito Pipa, dirigido por Allan Deberton, recebeu cinco prêmios, entre eles, o de melhor longa-metragem brasileiro pelo Júri Popular. O prêmio de melhor longa brasileiro pelo Júri da Crítica ficou com Leite em Pó, de Carlos Segundo, uma coprodução entre Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Norte, que também venceu como melhor roteiro e melhor desenho de som, com três prêmios no total.
Teca Pereira: melhor atriz por Feito Pipa
Nesta edição do festival, a curadoria da mostra de longas-metragens brasileiros e documentais foi formada por Camila Morgado, Ana Flavia Cavalcanti e Marcos Santuario. O júri foi composto pela atriz Cris Vianna, pelo diretor e roteirista Fabio Meira, pela atriz Helena Ranaldi, pela pesquisadora, crítica de cinema e curadora Kênia Freitas e pelo ator Marcelo Serrado. O Júri da Crítica contou com: a jornalista e documentarista Flavia Guerra; a jornalista e professora Pâmela Eurídice; o documentarista e crítico Rafael Valles; a jornalista e diretora Simone Zuccolotto; e o pesquisador e crítico Victor Souza.
A premiação da mostra competitiva Sedac/Iecine de longas-metragens gaúchos e da mostra competitiva de curtas-metragens brasileiros aconteceu na sexta-feira, 21/08, enquanto os vencedores da Mostra de Curtas Gaúchos foram conhecidos no domingo, dia 16/08.
Ao longo dos onze dias, o festival reuniu produções brasileiras e gaúchas em suas mostras competitivas, além de documentários, curtas-metragens, sessões especiais e lançamentos. A programação reforçou o papel de Gramado como vitrine para novos filmes e ponto de encontro entre realizadores, artistas, profissionais da indústria e público, celebrando a diversidade da produção audiovisual nacional.
Conheça os vencedores do Festival de Cinema de Gramado 2026:
LONGAS-METRAGENS BRASILEIROS
Melhor Filme: Nosso Segredo, de Grace Passô (MG) Melhor Filme | Júri Popular: Feito Pipa, de Allan Deberton (CE) Melhor Filme | Júri da Crítica: Leite em Pó, de Carlos Segundo (MG/SP/RN) Melhor Direção: Allan Deberton, por Feito Pipa Melhor Atriz: Teca Pereira, por Feito Pipa Melhor Ator: Christian Malheiros, por Justino: Nos Bastidores do Reino e José Loreto, por Chorão: Só os Loucos Sabem Melhor Atriz Coadjuvante: Naruna Costa, por Pele de Rinoceronte Melhor Ator Coadjuvante: Lázaro Ramos, por Feito Pipa Melhor Roteiro: Leite em Pó, escrito por Carlos Segundo e Rafael Copel Melhor Fotografia: Nosso Segredo, por Wilssa Esser Melhor Direção de Arte: Nosso Segredo, por Lucas Osório Melhor Montagem: Justino: Nos Bastidores do Reino, por André Finotti e José Eduardo Belmonte Melhor Trilha Musical: Chorão: Só os Loucos Sabem, por Otávio de Moraes Melhor Desenho de Som: Leite em Pó, por Waldir Xavier Menção Honrosa: Yuri Gomes, por Feito Pipa Menção Honrosa: Onna Silva, por Justino: Nos Bastidores do Reino
LONGAS-METRAGENS DOCUMENTAIS
Melhor Filme: Gonzaguinha, Da Maior Liberdade, de Susanna Lira (RJ) Menção Honrosa: Empeleitada, de Micaele Xukuru, Chico Ludermir e Sergio Borges (PE)
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Os primeiros kikitos da 54ª edição do Festival de Cinema de Gramado começaram a ser entregues na noite desta sexta-feira, 21/08, no palco do Palácio dos Festivais. A cerimônia, apresentada por Marla Martins, Roger Lerina e Silvio Guindane, foi marcada pela premiação dos melhores filmes nas mostras de curtas-metragens brasileiros e longas-metragens gaúchos.
Na mostra competitiva SEDAC/Iecine de longas-metragens gaúchos, Filhas da Lua, de Tatiana Sager, foi o grande vencedor e levou os prêmios de melhor filme pelo Júri Oficial e Júri Popular; A História Mais Triste do Mundo, de Hique Montanari, também se destacou com seis kikitos. Entre os curtas, 씨발 (Shibal), de João Rubio Rubinato, conquistou o troféu de melhor filme da mostra competitiva de curtas-metragens brasileiros.
O Júri Oficial da mostra de curtas brasileiros foi formado por Eva Pereira, Gabriela Loran, Ícaro Silva, Leonardo Martinelli e Marcos Veras. O Júri da Crítica contou com Flavia Guerra, Pâmela Eurídice, Rafael Valles, Simone Zuccolotto e Victor Souza. O júri de longas gaúchos foi formado por Milton do Prado, Rodrigo Antonio e Vitória Strada. Já o júri do Prêmio Canal Brasil de Curtas foi composto por André Zuliani, Marcelo Cajueiro, Mariana Toledo, Ticiano Osório e Yasmine Evaristo.
A cerimônia dedicada ao cinema gaúcho também contou com a entrega do Prêmio Leonardo Machado à atriz e produtora cultural Silvia Duarte, além dos Prêmios Iecine para Renato Dornelles e Tatiana Sager, na categoria Destaque; Marcio Reolon e Filipe Matzembacher em Inovação; e a produtora Gisele Hiltl na categoria Legado.
Além disso, La Perra, longa dirigido por Dominga Sotomayor, que traz Selton Mello no elenco e foi exibido na Quinzena de Cineastas, em Cannes, encerrou as sessões do Festival de Cinema de Gramado 2026 nesta sexta-feira, com uma exibição hors-concours no Palácio dos Festivais. Antes da sessão, Andrea Beltrão foi homenageada e enviou um vídeo de agradecimento pelo Troféu Oscarito, já que não pode comparecer à cerimônia por motivos de saúde.
Neste sábado, dia 22/08, todas as atenções se voltam para a cerimônia que encerra oficialmente o 54º Festival de Cinema de Gramado. No Palácio dos Festivais, serão revelados os vencedores da mostra competitiva de longas-metragens brasileiros e da mostra competitiva de documentários brasileiros.
Conheça os primeiros vencedores do 54º Festival de Cinema de Gramado:
CURTAS-METRAGENS BRASILEIROS
Melhor Filme: 씨발 (Shibal), de João Rubio Rubinato (SP) Melhor Filme | Júri Popular: Divino: Sua Alma, Sua Lente, de Clea Torres e Gilson Costa; codireção: Divino Tserewahú (MT) Melhor Filme | Júri da Crítica: Mulher Papaya, de Camila Tarifa (SP) Prêmio Especial do Júri: Revelação, de Gabriela I. Gaia (RJ/SP/FR) Melhor Direção: Wesley Gabriel Silva Santos, por Pão Doce Melhor Ator: Francisco Gaspar, por Pão Doce Melhor Atriz: Chris Couto, por Um Passeio Melhor Roteiro: Mulher Papaya, escrito por Camila Tarifa Melhor Fotografia: Pique-Pega, por Felipe Ovelha Melhor Montagem: Divino: Sua Alma, Sua Lente, por Gilson Costa e Thamires Coelho Melhor Trilha Musical: Graxa e o Zepelim, por Ângelo de Souza Melhor Direção de Arte: A Menina que Queria Ser Pedra, por Jackson Abacatu Melhor Desenho de Som: Fúrias, por Marcos Lopes Prêmio Canal Brasil de Curtas: Revelação, de Gabriela I. Gaia (RJ/SP/FR)
LONGAS-METRAGENS GAÚCHOS
Melhor Filme: Filhas da Lua, de Tatiana Sager (Porto Alegre) Melhor Filme | Júri Popular: Filhas da Lua, de Tatiana Sager (Porto Alegre) Melhor Direção: Hique Montanari, por A História Mais Triste do Mundo Melhor Ator: Arthur Seidel, por A História Mais Triste do Mundo Melhor Atriz: Áurea Baptista, por Remanente – Voltagem Melhor Roteiro: A História Mais Triste do Mundo, escrito por Hique Montanari Melhor Fotografia: A História Mais Triste do Mundo, por Juarez Pavelak Melhor Direção de Arte: Remanente – Voltagem, por Tiago Retamal Melhor Montagem: Filhas da Lua, por Gabriel Sager Rodrigues Melhor Desenho de Som: A História Mais Triste do Mundo, por Gabriela Bervian Melhor Trilha Musical: A História Mais Triste do Mundo, por João Vitor Costa Dias
OUTROS PRÊMIOS
Prêmio Iecine Destaque: Renato Dornelles e Tatiana Sager Prêmio Iecine Inovação: Márcio Reolon e Filipe Matzembacher Prêmio Leonardo Machado: Silvia Duarte Prêmio Iecine Legado: Gisele Hiltl
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Filmado em Belo Horizonte, Minas Gerais, o filme acompanha uma família negra que tenta reconstruir sua rotina após uma perda recente. Enquanto cada integrante enfrenta o luto à sua maneira, o filho caçula guarda um segredo capaz de transformar a forma como todos atravessam esse processo. O elenco conta com Robert Frank, Ju Colombo, Efraim Santos, Jéssica Gaspar, Flip, Marisa Revert, Nanego Lira, Gláucia Vandeveld e Juan Queiroz, além das participações especiais de Mateus Aleluia e Tássia Reis, que fizeram suas primeiras atuações no cinema.
A trilha sonora original é assinada pelo pernambucano Amaro Freitas, um dos pianistas brasileiros de maior projeção internacional. Vencedor do Prêmio Paul Acket, concedido pelo North Sea Jazz Festival, e reconhecido por aproximar o jazz contemporâneo das tradições musicais afro-brasileiras, o artista cria para o filme uma atmosfera sensível que amplia a dimensão emocional da narrativa.
Antes de chegar ao Brasil, Nosso Segredo passou pela Alemanha e também por festivais na França, no Uruguai, na Argentina e na Jordânia, até realizar sua première nacional em Gramado, onde era o único título da mostra competitiva de longas brasileiros dirigido por uma mulher.
No palco do Palácio dos Festivais, Grace Passô subiu ao lado de diversos integrantes de sua equipe e discursou: “Vocês podem imaginar, né? A felicidade e a alegria de ter essa fartura aqui em cima do palco. Sabemos o quanto é difícil vir tanta gente. Estou super emocionada porque aqui na plateia tem pessoas que são muito importantes pra mim, são referências, em várias funções artísticas, e que estão aqui espalhadas. É muito legal encontrar vocês! Estou muito agradecida também pelo Festival de Gramado. Muito obrigada! É muito bom conhecer o festival. Eu tenho admiração e sei o que significa fazer um festival. Obrigado por ter nos recebido tão bem!”.
Equipe do filme no Palácio dos Festivais
Produzido pelo cineasta Ricardo Alves Jr., da Entre Filmes, em coprodução com Globo Filmes, Desvia Filmes, Quarta-Feira Filmes, Foi Bonita a Festa e Grãos da Imagem, Nosso Segredo chega às salas de cinema na próxima quinta-feira, 27/08, pela Sessão Vitrine Petrobras, projeto de difusão e democratização do cinema brasileiro idealizado pela Vitrine Filmes em parceria com a Petrobras. A iniciativa amplia o acesso do público ao cinema nacional independente com lançamentos em dezenas de cidades, ingressos a preços acessíveis e ações de formação de plateia.
A equipe do longa conta também com Wilssa Esser na direção de fotografia e Lucas Osório na direção de arte. A edição é de Gabriel Martins e Eva Randolph; o som é de Gustavo Fioravante, a trilha sonora é de Amaro Freitas e o design de som e mixagem é de Tiago Bello. Rachel Daisy Ellis aparece como coprodutora pela Desvia Filmes ao lado de Julia Alves, que também assina como produtora executiva; Luna Gomides assina como gerente de produção.
Além de Nosso Segredo, a programação desta quinta-feira do 54º Festival de Cinema de Gramado contou também com a entrega do Kikito de Cristal para a atriz Maria Fernanda Cândido. Também foram exibidos os curtas-metragens nacionais em competição: Revelação, de Gabriela I. Gaia; Mulher Papaya, de Camila Tarifa; e Maior que a Casa Toda, de Fabiano Barros e Neto Cavalcanti. Na mostra competitiva de documentários brasileiros, o destaque da noite foi Gonzaguinha, Da Maior Liberdade, de Susanna Lira.
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Fotos: Cleiton Thiele e Edison Vara/Ag. Pressphoto.
Angel Ferreira, Caio Blat, Christian Malheiros e Bruno Garcia no tapete vermelho
A trajetória de Mário Justino, pastor que participou da expansão internacional de uma poderosa instituição religiosa e viu sua vida mudar radicalmente após ser afastado da comunidade da qual fazia parte, foi contada na telona do Palácio dos Festivais nesta quarta-feira, 19/08, na mostra competitiva de longas brasileiros da 54ª edição do Festival de Cinema de Gramado.
Dirigido por José Eduardo Belmonte, Justino: Nos Bastidores do Reino é baseado no livro Nos Bastidores do Reino: A Vida Secreta na Igreja Universal do Reino de Deus, escrito por Mário Justino. O longa, protagonizado por Christian Malheiros, retrata acontecimentos entre as décadas de 1960 e 1990 e acompanha a ascensão e a queda de seu protagonista em uma narrativa que aborda temas como fé, poder, preconceito, exclusão, intolerância e as complexas relações construídas em torno das instituições religiosas e suas determinadas estruturas de liderança.
Com Caio Blat, Onna Silva, Antonio Pitanga, Larissa Nunes, Lucas Leto, Angel Ferreira, Bruno Garcia, Gustavo Vaz e Raissa Xavier no elenco, o filme tem distribuição da Imovision e coprodução de Jean Thomas Bernardini, Luan Filippo Oldenbrock, Denise Pompeu de Toledo e Luiz Fernando Emediato; a produção é de Nilson Rodrigues, pela Mercado Filmes. O roteiro foi escrito por José Eduardo Belmonte, Ewerton Belico, Sérgio Moriconi e Nilson Rodrigues. A direção de fotografia é assinada por Leslie Monteiro, com direção de arte de Dani Vilela. A trilha sonora original é de Flavia Tygel, a montagem é de André Finotti e José Eduardo Belmonte, o desenho de som é de Miriam Biderman e o figurino de Ananda Frazão. A produção executiva é assinada por Marília Garske, Marcela Bittencourt, Daniela Aun e Viviane Rodrigues.
Para apresentar o filme no palco do Palácio dos Festivais, José Eduardo Belmonte subiu ao lado de diversos integrantes de sua equipe: “Eu fico muito feliz e honrado de estar aqui. Já é a quinta vez que eu estou aqui, terceira vez em menos de cinco anos. E eu fico sempre muito feliz porque de alguma forma eu sinto que estou abraçando meu eu adolescente, que queria fazer cinema e via as notícias de Gramado no jornal. A primeira vez que eu estive aqui foi com um curta. Eu voltei com um kikito e minha mãe ficou muito emocionada. Foi um momento muito marcante”.
Belmonte aproveitou o momento para fazer um agradecimento especial a profissionais gaúchos do audiovisual: “Aproveitando que estou aqui, nessa cidade, nesse palco e nesse estado, quero fazer uma homenagem pública. Quando eu via as notícias de Gramado, eu percebi que existia uma geração fora do eixo Rio-São Paulo fazendo um cinema muito poderoso e muito forte, que influenciou muita gente em Brasília a criar uma cena. Essa geração foi um impulso muito grande”.
E continuou sobre os gaúchos: “Quando eu fiz meu primeiro longa, que quase ninguém viu, chamado Subterrâneos, o Gustavo Spolidoro fez uma ponte com a Casa de Cinema de Porto Alegre e o Rio Grande do Sul foi o único lugar que exibiu comercialmente esse meu filme. Então, queria agradecer muito a essa geração que inspirou e ajudou muita gente. Zé Pedro, Jorge, Giba, Gerbase, Ana… tanta gente que inspirou e deu esse empurrão para estarmos nessa. Não só a mim, mas muita gente!”.
O diretor José Eduardo Belmonte no palco
Sob aplausos do público, Belmonte seguiu com seu discurso: “Esse filme me tocou muito quando Nilson me chamou. Ele está desde 2015 tentando fazer esse filme. E me tocou muito porque é um testemunho extremamente honesto, que fala muito sobre as nossas feridas, nossas contradições, nossos abismos. Agradeço muito ao Justino por ter dado a bênção para mim e para o Cris [Malheiros]. Pedimos essa bênção para ele antes de realizar esse filme”, finalizou.
O protagonista Christian Malheiros também discursou: “Falar sobre Justino é também falar sobre mim. E sobre muitas outras pessoas e milhões de pessoas que tiveram contato com a fé e com a religião muito cedo. Esse filme conta a história desse cara que teve contato com essa fé muito cedo e até onde isso se desdobra. Eu olho esse filme e penso que o Justino poderia ter sido eu, que também sou fruto de um lar evangélico e também sofri com algumas coisas nessa doutrina”.
Ainda no palco, Malheiros relembrou uma história engraçada de quando foi contar para sua mãe que foi convidado para fazer o filme: “Minha mãe é da igreja há 30 anos. Falei pro Zé [diretor] que eu só faria se ela deixasse porque minha mãe tem 70 anos e eu sou o último filho. Contei que ia fazer um filme e contei a história. Ela perguntou quem eu seria e eu respondi que era o Justino. E ela falou: ‘Filho, você não precisa de dinheiro para sobreviver? A a igreja também precisa. Então, vai trabalhar’. Isso foi maravilhoso. Eu falei com a minha mãe porque a gente está falando de um filme sobre fé. Todo mundo tem fé em alguma coisa. E eu pedi licença para a minha mãe para falar sobre a fé dela, que ela professa até os dias de hoje”.
E finalizou seu discurso: “Eu espero que esse filme emocione e traga muitas reflexões. Queria muito agradecer ao Mário Justino por ter vivido, resistido, sobrevivido ao mundo e até a si mesmo. Muito obrigado, gente! Muito obrigado, Festival de Gramado! Boa sessão!”.
No dia seguinte à exibição de Justino: Nos Bastidores do Reino, a equipe do filme participou de um debate com o público e com a imprensa no Serrazul Hotel, que foi mediado pelo jornalista Roger Lerina. Na ocasião, a atriz Onna Silva discursou: “O Brasil é um dos países que mais consome pornografia trans do mundo. E é o país que mais mata. A expectativa de vida é de 35 anos. É triste, mas é real. Por que isso é tão negado para nós? Para as pessoas pretas, para as mulheres… o que mais tem é homossexual reprimido. O homem que não tem certeza da sua sexualidade, é um frustrado. E ele vai viver fazendo violências com ele e com os outros”, finalizou.
Além disso, a programação de quarta-feira, 19/08, seguiu no Palácio dos Festivais com a entrega do Kikito de Cristal para Selton Mello. Depois, foram exibidos os curtas-metragens brasileiros em competição: Divino: Sua Alma, Sua Lente, de Clea Torres, Gilson Costta e Divino Tserewahú; A Menina que Queria Ser Pedra, de Jackson Abacatu; e Pique-Pega, de Mia Lima Rocha. Na sequência, foi exibido o filme Afrontosa, de Coraci Ruiz e Julio Matos, na mostra competitiva de documentários brasileiros.
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Fotos: Cleiton Thiele e Edison Vara/Ag. Pressphoto.
O filme, protagonizado por Vinícius de Oliveira, de Central do Brasil e Boi Neon, acompanha Vicente, um músico paulista de talento limitado que vive com a avó em Natal, capital potiguar, cidade onde Carlos Segundo é radicado. Em busca de recursos para pagar as contas, ele aceita um emprego que o coloca em contato com uma galeria de personagens diversos em uma trajetória de deslocamentos e encontros inesperados. É um filme sensível que dialoga sobre o amadurecimento e as marcas do luto, explorando as cicatrizes deixadas pelo sistema patriarcal no Brasil.
Leite em Pó nasceu da parceria entre O Sopro do Tempo e Vitrine Filmes, coprodutora e responsável pela distribuição nos cinemas, ao lado da produtora francesa Les Valseurs. Além de Oliveira, que conquistou o país como Josué, em Central do Brasil, o elenco reúne ainda Antonio Pitanga, Rejane Faria, Zezita Matos, além de nomes fundamentais do audiovisual potiguar: a saudosa Titina Medeiros, que faleceu em janeiro deste ano, em seu último papel; Priscilla Vilela e Enio Cavalcante, protagonistas do premiado curta-metragem Sideral, também dirigido por Carlos Segundo; Kaiony Venâncio, que recentemente se destacou em O Agente Secreto; Robson Medeiros; entre muitos outros.
Com filmes que participaram em mais de 500 festivais e ganharam mais de 150 prêmios pelo mundo, Carlos Segundo é um dos cineastas brasileiros de maior reconhecimento no circuito internacional. Ganhou projeção global com o já citado Sideral, que disputou a Palma de Ouro no Festival de Cannes, em 2021, e integrou a shortlist do Oscar 2023. A consolidação dessa trajetória veio com Big Bang, vencedor do Leopardo de Ouro no Festival de Locarno, em 2022; depois realizou o curta Júpiter. Antes disso, dirigiu o longa experimental Fendas, protagonizado por Roberta Rangel.
Com roteiro de Carlos Segundo e Rafael Copel, Leite em Pó conta com Leonardo Feliciano na direção de fotografia; Ana Paola Ottoni assina a direção de arte. A montagem é de Jérôme Bréau, o figurino de Rosângela Dantas, a música original de Florencia di Concilio e o desenho de som de Waldir Xavier. A produção executiva é assinada por Carole Moser, com produção de Carlos Segundo, Cristiano Barbosa, Letícia Friedrich, Silvia Cruz, Justin Pechberty e Damien Megherbi; André Srur assina como assistente de direção. A Casa da Praia é a produtora associada do longa.
Carlos Segundo e o protagonista Vinícius de Oliveira no palco do Palácio dos Festivais
Para apresentar o filme no Festival de Cinema de Gramado 2026, Carlos Segundo subiu ao palco do Palácio dos Festivais ao lado de diversos integrantes de sua equipe: “É muito simbólico e emocionante estar aqui depois de três homenagens fortes sobre três mulheres maravilhosas [Laura Cardoso, Glória Menezes e Renata Almeida Magalhães], que fazem parte da história do cinema brasileiro. Para nós, é muito importante estar com o filme aqui e entender que ele cabe nessa seleção”.
O diretor continuou seu discurso: “Eu sempre quis exibir um filme aqui. Trabalho há 15 anos com cinema e já fiz vários curtas. Mas, fiquei muito feliz de ser com esse filme, de ser com Leite em Pó. É um filme independente, uma coprodução entre Brasil e França. Agradeço a equipe francesa, Les Valseurs, e a Kinology, que é a agente de vendas. No Brasil, é uma produção de três estados: Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Norte. Minas pela O Sopro do Tempo com meu sócio Cristiano Barbosa. Em São Paulo, a coprodução e distribuição da Vitrine. Aproveito também para agradecer Silvia Cruz [diretora geral da Vitrine Filmes]: sem vocês esse filme não seria realizado, eu tenho certeza absoluta disso. E no Rio Grande do Norte, cidade que me acolheu há quase dez anos, ali em Natal, com a Casa da Praia, nossa produtora associada, que tem produzido coisas maravilhosas também por lá”.
O protagonista Vinícius de Oliveira também discursou: “Obrigado, Carlos, pela oportunidade de fazer esse filme, esse trabalho. É uma responsabilidade muito grande! Estou muito feliz de retornar a Gramado, depois de Central do Brasil há 28 anos, agora com Leite em Pó. Um filme feito com tanto carinho e que a partir desse momento ganha uma visibilidade muito grande para seguir nossa estrada”.
Depois disso, o diretor Carlos Segundo voltou a discursar. Emocionado, destacou o talento do elenco potiguar, principalmente a atuação da atriz Titina Medeiros, que faleceu em janeiro deste ano: “Esse foi o último filme que Titina realizou. Porém, ela fez um filme antes [Era do Metano], dirigido pela Marcia Lohss. Nessas coincidências mágicas, o filme tá sendo exibido hoje, também no Rio Grande do Norte. Então, em algum momento, essa sessão vai ter uma conexão entre telas; entre o Rio Grande do Norte e o Rio Grande do Sul com Titina brilhando nessas duas telas. Vai ser uma coisa muito linda!”, disse sob aplausos da plateia.
O cineasta também celebrou o reencontro da consagrada atriz paraibana Zezita Matos com Antonio Pitanga em cena: “Esse filme marca também uma outra coisa muito bonita, que é o reencontro entre Zezita e Pitanga. Eles filmaram, 60 anos atrás, Menino de Engenho [dirigido por Walter Lima Jr.] e foram se reencontrar no set lá no Rio Grande do Norte, lá em Natal. Então, é muito bonito ter essa magia também no filme”.
Ao final do discurso, Carlos Segundo dedicou a sessão para Titina Medeiros: “Nossa eterna atriz potiguar, maravilhosa, diva!”. E também ao amigo João Naves, que faleceu no começo de agosto: “Eu perdi um amigo e o cinema perdeu uma pessoa incrível, um técnico maravilhoso, que muita gente ama. O João Naves era primeiro assistente de câmera e trabalhou com muita gente. Era uma pessoa incrível. Nos conhecemos em Uberlândia e depois trabalhamos juntos em uma série. Ele vai fazer muita falta!”. E finalizou: “Esse filme é sobre luto e transformação. Eu espero que ele encontre alguém nessa plateia nessa noite. Muito obrigado!”.
A consagrada atriz Zezita Matos no tapete vermelho
No dia seguinte à exibição, a equipe de Leite em Pó participou de um debate no Serrazul Hotel, que foi mediado pelo jornalista Roger Lerina. No bate-papo, Zezita Matos, que também se destacou em Gramado em 2019 com Pacarrete, falou: “É um prazer estar aqui ao lado do Carlos e ter tido o privilégio de ser convidada para fazer essa personagem. Eu acredito que a morte dela revela um grito para as mulheres. E o tempo todo eu fico pensando nisso e ontem à noite veio muito forte: é um grito para as mulheres”.
Ao final do bate-papo com o público e com a imprensa, Carlos Segundo contou um pouco mais do convite feito para Titina Medeiros: “Eu queria muito trabalhar com Titina há muito tempo. Com os curtas, não tivemos oportunidades por questões de agenda e, às vezes, até achava que tava muito distante de mim. Quando começamos a desenhar as personagens e como que conectava os corpos e estilos, pensei na Titina para ser essa fotógrafa. Anteriormente, era pra ser um homem, que mudamos ao longo da escrita do roteiro. Transformamos em uma personagem feminina, mas não mudamos quase nada”.
E finalizou: “Então, convidei Titina e ela foi de uma generosidade; nos ensaios, nas conversas. Uma parceira mesmo! A minha maior tristeza é que ela não conseguiu ver o filme. Não conseguimos finalizar para mostrar pra ela. Mas foi muito incrível trabalhar com Titina. Muito querida, uma pessoa que vai fazer muita falta!”. Clique aqui e assista ao nosso vídeo especial sobre o filme com entrevistas com o diretor, com o protagonista Vinícius de Oliveira e com as atrizes Zezita Matos e Rejane Faria.
Além da exibição de Leite em Pó nesta terça-feira, a programação contou também com a entrega do Troféu Eduardo Abelin para a produtora cinematográfica Renata Almeida Magalhães, presidente da Academia Brasileira de Cinema. Além disso, as atrizes Laura Cardoso e Glória Menezes, que faleceram nestes dias 17 e 18 de agosto, respectivamente, foram homenageadas no palco do Palácio dos Festivais. As sessões seguiram com a mostra competitiva de curtas brasileiros com Um Passeio, de Thalles Cabral e Fernanda Rocha; Fúrias, de Nica Maleoa; e Pão Doce, de Wesley Gabriel Silva Santos. Também foi exibido o longa pernambucano Empeleitada, de Chico Ludermir, Micaele Xucuru e Sergio Borges na competição de documentários brasileiros.
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Fotos: Cleiton Thiele e Edison Vara/Ag. Pressphoto.
Renata Almeida Magalhães no tapete vermelho do Festival de Gramado
A noite de terça-feira, 18/08, do 54º Festival de Cinema de Gramado começou com muita emoção no Palácio dos Festivais com a entrega do Troféu Eduardo Abelin para a produtora Renata Almeida Magalhães, presidente da Academia Brasileira de Cinema.
A honraria, que premia diretores, produtores e instituições de destaque no audiovisual, celebrou os mais de 40 anos de carreira de Renata. Eleita a primeira mulherPresidente da Academia Brasileira de Cinema, Renata começou sua trajetória no cinema em 1981 e, atualmente, é uma das produtoras mais atuantes, tendo produzido mais de dez longas-metragens, além de séries, documentários, curtas-metragens, comerciais e vídeos institucionais. Além da produção, também colaborou no roteiro de Deus é Brasileiro, um dos grandes sucessos de seu marido, o diretor Cacá Diegues, que também já foi agraciado com o troféu. Juntos, o casal formou uma das duplas mais premiadas do cinema nacional, com obras marcantes como O Maior Amor do Mundo, Orfeu e O Grande Circo Místico, que abriu a 46ª edição do Festival de Gramado.
Graduada em Direito e especialista em Legislação de Incentivo Fiscal para Cultura, Renata alinhavou parcerias entre as maiores instituições cinematográficas privadas e públicas do país. Ocupa, desde 2022, a presidência da Academia Brasileira de Cinema, responsável pela realização do Prêmio Grande Otelo e, também, pelas indicações brasileiras à festivais e premiações internacionais. Renata é vice-presidente do Conselho da Indústria Criativa da Firjan, integrante da AMPAS (Academy of Motion Picture Arts and Sciences, dos Estados Unidos) e também foi presidente do Conselho da Escola Darcy Ribeiro entre 2011 e 2020.
Ovacionada pelo público de Gramado, a homenageada subiu ao palco do Palácios dos Festivais e recebeu o Troféu Eduardo Abelin das mãos do amigo Silvio Guindane, ator, diretor e um dos apresentadores do Festival de Gramado 2026: “A Renata é uma produtora que vive o Brasil e que na sua trajetória tem a paixão de contar o Brasil. Além de ser essa produtora extraordinária, essa força política dentro da nossa cinematografia brasileira e presidente da Academia Brasileira de Cinema, é uma pessoa extraordinária, uma parceira extraordinária, uma mãe extraordinária. Renata perdurará essa sua trajetória em muitos e muitos filmes porque ela é uma produtora que sabe retratar o Brasil para nós, para pessoas com coração e para o público. Eu tô muito feliz em entregar esse prêmio para a minha querida mãe branca”, disse Guindane.
Homenageada no Festival de Cinema de Gramado 2026
Emocionada, Renata discursou: “Eu estou realmente muito emocionada! É um reconhecimento pelo amor que eu tenho pelo cinema brasileiro e Gramado é um lugar que ama o cinema brasileiro. Me sinto realmente muito honrada de estar aqui hoje. De poder ter chegado até aqui. Eu brinquei em um primeiro momento quando me falaram da homenagem: ‘Nossa, acho que eu tô ficando velha porque eu já tenho uma obra’. E tenho mesmo uma obra de filmes que eu realmente quis fazer”.
E seguiu seu discurso: “Eu e o Cacá [Diegues] perdemos uma filha, a Flora. E ela me pediu para eu recolocar o cinema no lugar da alegria. Acho que estar hoje na Academia Brasileira de Cinema foi um passo para isso. Eu não queria mais ser proponente, sabe? Ficar com toda aquela burocracia e aquela maluquice. Estar na Academia é estar falando sobre o cinema que a gente faz no Brasil. Tudo valeu, vale e valerá a pena porque a gente faz um cinema bom à beça. E toda hora tentam acabar com ele, mas não conseguem porque a gente resiste com mais filmes e melhores filmes. Como diria Paulo José, a gente faz o melhor cinema brasileiro do mundo. E faz mesmo. Então, isso aqui é uma celebração ao cinema brasileiro. Quero dedicar a todo mundo que acredita e, sobretudo, para as mulheres que fazem cinema brasileiro”.
Sob aplausos, finalizou: “Eu comecei muito cedo. No Menino do Rio [filme dirigido por Antônio Calmon] era uma equipe que hoje seria uma equipe de um curta-metragem, mas era um longa. Era o auge da LC Barreto e numa equipe de 36 pessoas, tinham três mulheres. Eu amo olhar as equipes e ver elas cheias de mulheres em todos os lugares, em todas as funções. Porque não é só dirigir ou escrever. É tudo. A gente pode fazer tudo e a gente faz bem também. Viva o cinema brasileiro! Muito obrigada, Gramado. Muito obrigada pelo carinho e viva o amor pelo cinema!”. Vale destacar que à tarde, antes da homenagem, Renata participou de uma coletiva de imprensa no Serrazul Hotel, que foi mediada pela jornalista e crítica de cinema Neusa Barbosa.
Depois da homenagem, a noite da 54ª edição do Festival de Cinema de Gramado seguiu com a exibição em competição do longa brasileiroLeite em Pó, de Carlos Segundo. Na sequência, foram exibidos os filmes da mostra competitiva de curtas brasileiros: Um Passeio, de Thalles Cabral e Fernanda Rocha; Fúrias, de Nica Maleoa; e Pão Doce, de Wesley Gabriel Silva Santos. A noite terminou com Empeleitada, de Chico Ludermir, Micaele Xucuru e Sergio Borges, documentário em competição.
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O filme revisita a trajetória, a obra e o legado de Chorão, um dos artistas mais marcantes da música brasileira. Depois do documentárioChorão: Marginal Alado, Hugo Prata e Felipe Novaes retornam ao universo do artista, agora pela ficção. A cinebiografia acompanha a trajetória do vocalista do Charlie Brown Jr. desde sua chegada à cidade de Santos, passando pela formação da banda, até a consolidação de uma das carreiras mais marcantes do rock nacional. Paralelamente, o filme retrata sua intensa relação com Graziela Gonçalves, que marcou profundamente sua vida pessoal e inspirou algumas das canções mais emblemáticas do grupo.
Além de Loreto, que interpreta Chorão, Nanda Marques dá vida a Graziela, companheira do cantor em momentos decisivos de sua trajetória. Graziela também é autora do livro Se não eu, quem vai fazer você feliz?: Minha história de amor com Chorão, obra a qual o roteiro escrito por Duda de Almeida é baseado. Produzido pela Bravura Cinematográfica, com coprodução da Globo Filmes e distribuição da Downtown Filmes, o longa foi rodado em 2025 com locações em Santos e São Paulo.
A sinopse oficial diz: Chorão: Só os Loucos Sabem mergulha na vida do líder da banda Charlie Brown Jr., artista que transformou dores e paixões em poesia urbana. Em Santos, entre o skate e os palcos, Chorão encontrou em Graziela uma presença marcante, que atravessou sua vida pessoal e criativa. É nesse encontro entre amor, rebeldia e vulnerabilidade que nasceram músicas capazes de traduzir uma geração, consolidando o Charlie Brown Jr. como uma das maiores bandas de rock do Brasil.
Produzido por Fabio Zavala e Hugo Prata, a direção de fotografia é assinada por Marcelo Trotta. A direção de arte é de Marcelo Escañuela, o figurino de Carolina Agresta e a maquiagem de Mary de Rosemary Paiva; Tiago Feliciano assina a montagem. A trilha sonora original é de Otavio de Moraes, o som direto é de George Saldanha e a edição de som e mixagem é assinada por Eric Ribeiro Christani; a produção executiva é de Daniel Caldeira e Fabio Zavala. O elenco conta também com Georgette Fadel, Pedro Tirolli, Gustavo Cintra, Rony Frauches, Gabriel Ferrara, Phellipe Azevedo, Thiago Brianti, Felipe Souza, Kiko Marques, Lara Córdula, Leopoldo Pacheco, Rafael Lozano e Marina Merlino.
No Palácio dos Festivais, os diretores Hugo Prata e Felipe Novaes subiram ao palco ao lado de diversos integrantes da equipe: “É uma honra enorme estar aqui aonde nosso filme vai encontrar pela primeira vez o seu público. A gente traz hoje para vocês um filme de amor de um personagem incrível que é o Chorão. O Chorão era um artista de primeira grandeza, uma pedra bruta, como a gente gosta de dizer, que tinha um coração enorme e escrevia canções de amor como poucos. Ele tinha o dedo para o pulso da rua e isso é uma coisa que qualquer artista gostaria de ter. Então, a gente traz essa história de amor desse personagem truculento e que tinha muita poesia e amor nas veias”, disse Hugo Prata, que já exibiu, em anos anteriores, os longas Elis e Angela em Gramado.
Nanda Marques e José Loreto no palco do Palácio dos Festivais
Felipe Novaes também discursou: “Quando eu olho para o meu parceiro e nossa equipe linda, tenho cada vez mais certeza que o que importa é quem está do nosso lado nas trincheiras. Queria só me permitir um agradecimento pessoal ao Hugo Prata e Fabio Zavala. Faz alguns anos que vocês me ensinam a ser um profissional melhor. Obrigado pela generosidade de compartilhar comigo essa direção, Hugo! Tivemos a oportunidade de contar, alguns anos atrás, juntos, a história do Chorão através de um documentário. Eu acho que o mais legal de retornar esse personagem pela via da ficção, é contar a trajetória do Chorão pela ótica dessa história profunda que ele viveu com a Graziela Gonçalves, essa mulher forte que foi companheira do Chorão por mais de vinte anos e crucial para ele se tornar quem se tornou e musa inspiradora de tantas canções que nos embalam”.
E continuou: “Falando em mulheres fortes, queria deixar registrado também todo o talento e competência de outra mulher forte, a nossa roteirista Duda de Almeida, que defendeu esses personagens com uma sensibilidade e uma potência que só uma mulher foda teria conseguido colocar nas nossas páginas. Nosso filme é uma historia de amor e a gente espera que, humildemente, toque o coração de vocês”. O produtor Fabio Zavala completou: “Esse filme foi feito com muito respeito, afeto e humanidade. Agradeço ao festival por nos receber e deixar que a gente conte essa história aqui na tela. Agradeço imensamente todos que participaram conosco dessa jornada”.
A atriz Nanda Marques também aproveitou o momento da apresentação para destacar sua personagem, Graziela Gonçalves: “Muito feliz de estar aqui representando essa mulher tão forte e intensa; o filme foi inspirado no livro dela. Muito honrada de viver essa potência de mulher nas telas. Espero que esteja impresso um pouco da essência dela e da importância que ela teve na vida do Chorão e da banda Charlie Brown Jr.”.
Feliz com a estreia do filme no Festival de Cinema de Gramado 2026, o protagonista José Loreto falou: “Eu estou nesse filme porque ninguém queria mais do que eu fazer esse cara. Eu pentelhei o Hugo e todo mundo. Se eu soubesse o endereço da Globo Filmes, eu bateria lá na porta deles. Eu não ia deixar ninguém fazer esse filme no meu lugar porque o cinema tem uma força que vai além… tem uma espiritualidade muito forte nesse filme. Eu me doei muito, eu fiz com muito amor. Então, quando a gente faz uma coisa querendo muito, com muito desejo, com muita devoção, eu acho que já temos metade do caminho andado. Tudo veio na hora certa. Há um ano estávamos rodando esse filme e eu sei que todo ator fala isso, mas é o filme da minha vida. Eu espero muito que encante vocês tanto quanto me encantou fazer”. Ao final do discurso, empolgado, repetiu uma frase clássica de Chorão: “Skateboard na veia, Rock and roll até a alma. Quem é Chorão faz barulho e bate palma”.
Depois de Chorão: Só os Loucos Sabem, a programação do 54º Festival de Cinema de Gramado seguiu com a exibição dos curtas em competição: 씨발 (Shibal), de João Rubio Rubinato; As Gêmeas, de Vanessa Aguiar; e Graxa e o Zepelim, de Camilo Soares. Na sequência, foi exibido, em sessão especial, o primeiro episódio da série Emergência 53, da Globoplay, de Andrucha Waddington, Claudio Torres, Marcio Maranhão, Pedro Waddington e Rebeca Diniz.
No dia seguinte às exibições, conversamos com José Loreto e Nanda Marques sobre Chorão: Só os Loucos Sabem. No bate-papo, falaram da responsabilidade de interpretar Chorão e Graziela, da preparação para as filmagens, bastidores e expectativa do público.
Aperte o play e confira:
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Martha Nowill em Privadas de Suas Vidas, de Gustavo Vinagre e Gurcius Gewdner
A mais tradicional e longeva mostra cinematográfica do país, o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro anunciou a seleção de sua 59ª edição, que acontecerá entre os dias 11 e 19 de setembro, no Cine Brasília, exibindo produções marcadas pela diversidade temática, de linguagem e de regiões. Com novas sessões especiais e mostras paralelas, o festival ainda conta com programações formativas, atividades de mercado e ações em outros equipamentos culturais do Distrito Federal.
Sob a presidência do secretário de Cultura e Economia Criativa do DF, Fernando Modesto, com direção geral de Sara Rocha, o 59º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro tem direção artística do crítico, cineasta e programador Eduardo Valente. A edição apresenta um panorama do mais novo cinema brasileiro, com produções de Norte a Sul do país, além de exibir alguns clássicos e materiais raros históricos.
O Festival de Brasília 2026 registrou um recorde de inscrições, com quase 2 mil títulos entre curtas e longas, dos quais foram selecionados 7 longas-metragens e 12 curtas para a Mostra Competitiva Nacional, além de 4 longas e 8 curtas para a Mostra Brasília. Ao todo, o festival exibirá mais de 70 produções, distribuídas em seis outras mostras e nas sessões especiais, hors concours, incluindo a sessão de abertura, com exibição do curta Brasília Planejamento Urbano (1965), de Fernando Coni Campos, e do longa inédito A Pele Morta, de Denise Moraes e Bruno Torres; e a de encerramento, com Verão da Lata, de Santiago Dellape.
“É muito sintomático que o Festival de Brasília possa se iniciar e finalizar com obras de cineastas locais, dando sinais da força e variedade da cena brasiliense, que estará exemplificada também ao longo de toda a duração do evento. Ainda mais significativo por serem ambas obras realizadas por estes cineastas fora de Brasília como cenário, num dos casos inclusive com filmagens fora do Brasil: é um símbolo forte da expansão das fronteiras da atuação dos artistas locais”, definiu Eduardo Valente, diretor artístico do evento.
No caso do filme de abertura, o público assistirá a um projeto que seria dirigido por um dos grandes nomes históricos do cinema brasiliense, Geraldo Moraes, pai dos dois realizadores que assinam a obra, e que assumiram o projeto após o falecimento dele; o filme tem produção de sua companheira, Solange Moraes. Já o longa de encerramento, Verão da Lata, é uma das grandes apostas do cinema nacional para a próxima temporada de verão, numa comédia de ação com um elenco estelar liderado por Samantha Schmütz e Babu Santana, com direção do cineasta brasiliense Santiago Dellape.
Como faz parte de sua tradição, o Festival de Brasília celebra todo ano alguns nomes essenciais para a história do cinema brasileiro. Nesse sentido, a atriz Julia Lemmertz terá sua carreira reconhecida com o Troféu Candango de Conjunto da Obra na abertura do festival e, durante a programação, será reexibido o filme A Cor do Seu Destino (1986), de Jorge Durán, recentemente restaurado, em celebração aos 40 anos do lançamento da obra pela qual recebeu o Candango de melhor atriz coadjuvante à época.
Reconhecida com o Prêmio Leila Diniz, outorgado a mulheres que abriram caminhos dentro do cinema nacional, a cineasta Tata Amaral terá sua trajetória celebrada dentro do festival. Pela ocasião do prêmio, o evento exibirá seu primeiro longa-metragem, de 1996, Um Céu de Estrelas, há 30 anos, pelo qual foi premiada com o Candango de melhor direção, um prêmio que ela já tinha ganho em 1991 pelo curta Viver a Vida. Além desses dois prêmios individuais, Tata também foi premiada em 2011 como melhor longa por Hoje, ganhador de outros quatro prêmios.
Dez anos depois de sua criação, a Medalha Paulo Emílio Sales Gomes deste ano será concedida à museóloga e conservadora audiovisual Fernanda Coelho, por sua contribuição à preservação da memória e ao pensamento e ao ensino do cinema no Brasil. Também professora na área de Museologia, ela se destaca pela trajetória de 36 anos na Cinemateca Brasileira, tendo formado gerações de profissionais de preservação do cinema brasileiro. Ela receberá a láurea durante a sessão das 18h de domingo, 13/09, da mostra História(s) do Cinema Brasileiro, no Cine Brasília, na qual também serão exibidos trechos dos materiais do Arquivo Público do DF, que passa atualmente por um amplo processo de restauro.
Norberto Novais Oliveira em Se Eu Fosse Vivo…Vivia, de André Novais Oliveira
Na Mostra Competitiva Nacional, a seleção oficial do 59º Festival de Brasília reúne sete longas. Além de contar com a participação do diretor artístico do festival, os filmes foram selecionados pelos seguintes curadores: Janaína Oliveira, Rafaella Rezende, Luís Fernando Moura e Leonardo Bomfim. O júri desta mostra será formado por Simone Spoladore, Débora Butruce, Jom Tob Azulay e Daniel Bandeira.
Já a seleção de curtas nacionais inclui 12 títulos. Sob a supervisão da direção artística, compuseram a comissão de seleção dos curtas os curadores: André Dib, Lorenna Montenegro, Sergio Silva, Karen Black, Bruno Victor e Waleska Antunes. O júri contará com Noá Bonoba, Marina Person, Monique Sobral, Viviane Pistache e Tiago de Aragão.
Os selecionados para as mostras competitivas nacionais serão remunerados com cachê de seleção nos valores de R$ 30 mil para longas-metragens e R$ 10 mil para curtas. Há ainda prêmios em dinheiro, como o Prêmio Canal Brasil de Curtas, que concede R$ 15 mil ao filme eleito por júri montado pelo canal; e prêmios em mídia, como o do Canal Like, que concede R$ 50 mil em anúncios no canal ao melhor longa pelo Júri Oficial. As sessões acontecem sempre no Cine Brasília, na Sala Vladimir Carvalho, às 21h. A reprise dos filmes da Mostra Competitiva Nacional será realizada na Sala 2, no Cine Cultura Liberty Mall, entre os dias 13 e 19 de setembro, às 10h, com entrada franca.
Na Mostra Brasília, janela dedicada a produções realizadas no Distrito Federal, os filmes selecionados concorrem ao 29º Troféu Câmara Legislativa do Distrito Federal e a um total de R$ 298 mil em prêmios. Esta é uma iniciativa da Câmara Legislativa do Distrito Federal e a comissão de seleção foi composta por Ana Arruda, Bethania Maia, Daniela Diniz, Marcelo Barbosa e Paulo Duro Moraes.
A seleção inclui quatro longas-metragens e onze curtas-metragens. O júri será formado por Lila Foster, Fabrício Duque e Santiago Dellape. As sessões acontecem sempre no Cine Brasília, na Sala Vladimir Carvalho, às 18h, com sessões às 19h45 no Complexo Cultural de Planaltina e no Campus da Universidade Católica em Taguatinga, entre os dias 14 e 18 de setembro, sempre com entrada franca, sujeita à lotação da sala, e com aferição de Júri Popular em todas as sessões.
A programação do Festival de Brasília se desdobra em diversas mostras, além da Competitiva Nacional e Brasília. O Festivalzinho é uma das vitrines mais tradicionais, voltada para exibição de produções infantojuvenis com sete filmes programados nas manhãs entre 13 e 17 de setembro no Cine Brasília, no Complexo Cultural de Planaltina e na Universidade Católica em Taguatinga. Já a mostra tradicional realizada há muitos anos, a Festival dos Festivais reúne filmes que realizaram suas estreias em outros festivais, mas que são exibidos agora pela primeira vez para o público do DF.
Na sempre muito aguardada Mostra Caleidoscópio, também competitiva, serão exibidos filmes instigantes, de forte voz artística e autoral. As produções concorrem entre si ao Prêmio do Júri Fipresci, da Federação Internacional de Críticos de Cinema, que contará com Maja Korbecka (Alemanha), Héctor Llanos Martínez (Espanha) e Helvecio Parente (Brasil); e ao Prêmio Jean-Claude Bernardet, conferido pelo Júri Jovem, formado por estudantes de audiovisual da UnB, Universidade de Brasília, berço do festival, que contará com: Iara Sousa, Letícia Negreiros, Maria Luiza Rocha, Neurillan e Vitor Pontes; sob coordenação de Mariana Souto e Pablo Gonçalo.
Tendo sido realizada nos últimos anos, a mostra História(s) do Cinema Brasileiro terá dois conjuntos de filmes que fazem referência à importante tradição do cinema nacional. A primeira de Clássicos; e o segundo bloco com novos títulos cujas narrativas fazem referência a artistas ou filmes históricos do cinema brasileiro. É o caso de Adeus, Brasília, de Moacir Macedo, que une materiais de uma inédita e recente entrevista com Vladimir Carvalho a imagens da despedida ao cineasta realizada no próprio Cine Brasília; Fernando Coni Campos: Cada um Vive como Sonha, de Luis Abramo e Pedro Rossi, que faz um resumo da carreira do artista e que terá um curta exibido na abertura; e o documentário Drops de Anis, de Samuel Lobo e Rodrigo de Janeiro, em que os cineastas examinam a relação entre o cinema brasileiro, a crítica e o público através de dezenas de entrevistas realizadas com expoentes de cada um desses segmentos. Algumas destas conversas, inclusive, foram filmadas por ocasião do Festival de Brasília de 2025.
Finalmente, retomando uma iniciativa bem-sucedida da edição de 2025, a Mostra Premiere DF apresentará dois títulos brasilienses inéditos: Jornada nas Estrelas, de Angelo Pignaton; e Brasifilia, de Francenilton Klava. Por fim, a Sessão Vozes e Lutas exibirá dois filmes sobre movimentos políticos e culturais relevantes, e realizará um debate após essa exibição: o curta brasiliense A Última Diária, de Marcelo Pelucio e Felipe Cortes; e o longa Pontos de Partida, obra póstuma do grande cineasta, que foi também diretor do Festival de Brasília, Silvio Tendler.
Cena do curta potiguar Mariposa, de Alexandre Américo e Pedro Vitor
Neste ano, serão realizados 19 debates de filmes do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, consolidando-se como espaços essenciais de reflexão e diálogo entre realizadores, críticos e o público. Destaque também para as atividades do Ambiente de Mercado deste ano, que apresentará um lançamento de peso: três episódios da série pernambucana inédita Delegado, dirigida por Marcelo Lordello e Leonardo Lacca, com produção de Kleber Mendonça Filho e Emilie Lesclaux. É uma iniciativa inédita na história do evento; pela primeira vez, o festival exibirá na sua sala principal, o histórico Cine Brasília, episódios de uma série audiovisual, em sessão especial.
Os motivos para essa primeira vez são muitos, na relação desta obra com a história do próprio festival: Delegado é uma produção da Cinemascópio, empresa capitaneada por Emilie Lesclaux e Kleber Mendonça Filho, cujo O Agente Secreto foi o filme de abertura da última edição, além de vários outros de seus trabalhos exibidos ao longo dos anos. Além disso, a série tem direção de dois cineastas pernambucanos com extensa e premiada participação no festival: Leonardo Lacca venceu o prêmio de melhor direção na competitiva de curtas em 2007 com Décimo Segundo, enquanto Lordello já competiu mais de uma vez com longas no festival, tendo recebido o prêmio de melhor filme de longa-metragem de ficção com sua estreia, Eles Voltam (2012). Complementando essa relação intensa entre os principais responsáveis artísticos pela obra, Delegado fará parte da programação do Canal Brasil, um dos mais constantes e importantes parceiros históricos do festival, desde que o canal foi criado.
A série é protagonizada por Johnny Massaro e conta também com Alice Carvalho, Rubens Santos, Hermila Guedes, Virginia Cavendish, Igor de Araújo, Narcival Rubens, Georgette Fadel, Nataly Rocha, Tuca Andrada, Robson Medeiros, Joálisson Cunha e Tânia Maria no elenco: “Por tudo isso, é uma honra para o festival inaugurar esse novo espaço de gala para o audiovisual brasileiro na tela do Cine Brasília, com uma exibição em horário nobre no primeiro final de semana do evento”, reconhece Sara Rocha, diretora-geral do Festival de Brasília. Logo após a sessão, Kleber Mendonça Filho lançará o livro do roteiro de O Agente Secreto e, no domingo, 13/09, será realizada a coletiva de imprensa com equipe e elenco às 14h; às 16h, Emilie Lesclaux apresentará uma masterclass sobre produção de cinema e construção de trajetórias com mediação da jornalista Simone Zuccolotto.
O Ambiente de Mercado também apresentará as tradicionais Rodadas de Negócio, encontros estratégicos organizados para promover a interação direta entre profissionais e players do setor audiovisual, facilitando oportunidades de coprodução, investimento, distribuição e outras colaborações comerciais, com reuniões de 20 minutos, mediante seleção dos participantes. Uma novidade deste ano é o Meet the Critic, inspirado nos encontros exclusivos realizados em mercados internacionais; esta ação reúne até 15 realizadores para uma conversa com a crítica e pesquisadora Maja Korbecka (Alemanha).
A programação do Ambiente de Mercado terá também oficinas, painéis internacionais, pitching para jogos eletrônicos e a Mostra de VR IMERSÃO EM PERSONA: Humanidades em Realidade Virtual, do projeto Visita 360, do Senado Federal. A Conferência do Audiovisual Nacional estará de volta para sua sexta edição dentro da programação do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, nos dias 14 e 15 de setembro, na área anexa ao Cine Brasília, reafirmando-se como um espaço fundamental para a discussão, articulação e planejamento do futuro do audiovisual brasileiro.
A extensa programação de atividades formativas e de encontros setoriais confere oportunidade para que o público se qualifique, participe de debates e conheça mais a fundo as demandas do setor audiovisual. As oficinas do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro integram um importante eixo da programação dedicado à formação, à troca de experiências e à ampliação do acesso ao conhecimento no campo audiovisual. Por meio de atividades voltadas ao desenvolvimento técnico, artístico e crítico, as oficinas contribuem para a qualificação de novos talentos, o aperfeiçoamento de profissionais e o fortalecimento da diversidade de olhares e práticas no cinema brasileiro. Profissionais como Nina Maria, Micael Guimarães, Noá Bonoba, Luiz Joaquim e Karen Akerman serão responsáveis pelas oficinas.
Os encontros setoriais do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro também estão confirmados e se apresentam como espaços estratégicos de diálogo, articulação e escuta entre profissionais, entidades, gestores e a sociedade civil, fortalecendo a construção e o aprimoramento de políticas públicas para o audiovisual.
A cerimônia de premiação do 59º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro será realizada no Cine Brasília, na sexta-feira, 19/09, das 17h às 20h, comandada por Barbara Colen e Simone Zuccolotto. A premiação será seguida da Sessão Especial de Encerramento com Verão da Lata, às 21h. Ambas as atividades são abertas ao público.
Conheça os filmes selecionados para o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro 2026:
FILME DE ABERTURA A Pele Morta, Bruno Fatumbi Torres e Denise Moraes (BA)
FILME DE ENCERRAMENTO O Verão da Lata, de Santiago Dellape (DF/RJ)
MOSTRA COMPETITIVA NACIONAL | LONGAS
Ana, En Passant, de Fernanda Salgado (MG) Pequenas Tragédias, de Daniel Nolasco (GO) Privadas de Suas Vidas, de Gustavo Vinagre e Gurcius Gewdner (SP) Sabes de Mim, Agora Esqueça, de Denise Vieira (DF) Se Eu Fosse Vivo…Vivia, de André Novais Oliveira (MG) Todo o Sentimento, de Ary Rosa e Glenda Nicácio (BA) Tudo é Tempo, de Marcos Guttmann (RJ)
MOSTRA COMPETITIVA NACIONAL | CURTAS
Banho de Choque, de Cintia Lima (PE) Cana, de Daniel Rone e Guilherme Xavier Ribeiro (SP) Cidão, de Ale Gama (GO) Descarrilho, de Aline Gutierres (RS) Fundura, de Catapreta (MG) Futuro Decadance, de Leviathan (AL) Gastronomia do Olho, de Nicolau (DF) Lagoa do Abandono, de Diego Maia (CE) Mariposa, de Alexandre Américo e Pedro Vitor (RN) Poronga, de Rafael Rogante (RO) Tiró e a Onça, de Wera Poty (SP) Vejo Você de Repente, de Aída da Costa (CE)
MOSTRA CALEIDOSCÓPIO
Cacimba, de Rodrigo Campos (MG) Mulheres do Bando, de Thamires Vieira (BA) Os Fantasmas Gentis, de Caetano Gotardo (SP) Os Vivos Caminham a Terra, de Pedro Maia de Brito (PE) Tempo à Faca, de Diogo Oliveira (BA)
MOSTRA BRASÍLIA | LONGAS
Amadeo e o Hipotético Mundo Novo, de Brenda Lígia e Edu Felistoque Mapas, de Rafael Lobo Nem Todos Sabem, de Edileuza Penha de Souza Onde Moram os Irmãos, de Marisa Mendonça
MOSTRA BRASÍLIA | CURTAS
A Arte Perdida da Lombada, de Helena Sarmento e Gabriel Brito Ar-Dor, de Mike Peixoto Dora, de Murilo Abreu Hacker Leonilia, de Gustavo Fontele Impostor, de Rafael Gontijo Isso Aqui e Várzea!, de Flávio Costa Madre, de Talita Carvalho e Carol Matias Não Há Crime no Plano Piloto, de Gabriel Machado O Jardim Mágico, de Naira Carneiro e Carlon Hardt Rima, de Josianne Diniz Vinte Vinte Quatro, de Davi Pieri
SESSÕES ESPECIAIS
A Última Diária, de Marcelo Pelúcio e Zefel Coff (DF) Delegado, de Marcelo Lordello e Leonardo Lacca (PE) Histórias de Terror e Delicadeza, de Jimi Figueiredo e Sérgio Sartório (DF) Música Secular, de Emanuel Lavor (DF) Norte Sul Esquerda Direita, de Ricardo Ribeiro (SP) Pitico: Hermes Ayres Azevedo (1881-1959) – Historiador da Província, de Julio Bressane (RJ) Pontos de Partida, de Silvio Tendler (SP/RJ)
MOSTRA HISTÓRIA(S) DO CINEMA BRASILEIRO | CONTEMPORÂNEOS
Adeus Brasília, de Moacir Macedo (DF) Drops de Anis, de Samuel Lobo e Rodrigo de Janeiro (RJ) Fernando Coni Campos: Cada um Vive como Sonha, de Luis Abramo e Pedro Rossi (RJ)
MOSTRA HISTÓRIA(S) DO CINEMA BRASILEIRO | CLÁSSICOS
A Cor do seu Destino, de Jorge Durán (1986) A Paisagem Natural, de Vladimir Carvalho (1991) Brasília Segundo Feldman, de Vladimir Carvalho (1979) Brasília: Planejamento Urbano, de Fernando Coni Campos (1964) Drops de Cinema do Arquivo Público DF + Parque Rogério Pithon Farias O Sertão do Rio do Peixe, de Vladimir Carvalho Um Céu de Estrelas, de Tata Amaral (1996)
FESTIVAL DOS FESTIVAIS
A Caminhada Sagrada de Tatatxi Ywarete, de Wera Djekupe (ES) Afrolatinas: Mulheres Negras em Movimentos, de Viviane Ferreira (BA) Flora & Airto: O Som Revolucionário, de Jom Tob Azulay (RJ) Para os Guardados, de Desali e Rafael dos Santos Rocha (MG) Proust Palimpsesto, de Carlos Adriano (SP)
PREMIERE DF
Brasifilia, de Francenilton Klava (DF) Jornada nas Estrelas, de Angelo Pignaton (DF)
FESTIVALZINHO | LONGAS
Folclórica, de Rodrigo Aragão (ES) O Menino que Carregava Água na Peneira, de Daniel Leite Almeida (MS)
FESTIVALZINHO | CURTAS
Bruce Spike: Missão Contra o Medo, de Lucas Bezerril e Gabriella Plothow (MT) Em que Língua Você Ri?, de Giuliano Robert (PR) Omedodeedu, de Bruno Mazzilli e Tiago Judas (SP) Sonhos Voadores, de Luiz do Futuro, Marcos Vasconcelos e Vannesa Fort (SP) Theo, de Monica Palazzo e Jo Galvv (SP)
Cena do curta paraibano Babau: O Sanfoneiro Sonhador, de Carlos Mosca
A sexta edição da Mostra Sumé de Cinema, que acontecerá entre os dias 8 e 12 de setembro, no Cariri paraibano, anunciou os filmes selecionados para este ano: serão mais de 20 títulos exibidos na programação.
O evento, idealizado e coordenado por Ana Célia Gomes, recebeu 637 inscrições vindas de diferentes lugares do Brasil; histórias, olhares, territórios e formas de fazer cinema que atravessaram a curadoria: “Entre tantas obras, algumas foram escolhidas para encontrar o público da Mostra e, a partir de agora, também passam a fazer parte da história desta edição. Recebemos 637 filmes de diferentes regiões do Brasil, reafirmando a força do audiovisual independente e a importância de espaços que promovem encontros, trocas e novas perspectivas através do cinema. Cada inscrição representa uma história, um olhar, uma vivência e a confiança depositada em nosso festival. É uma alegria imensa ver a Mostra Sumé alcançar tantos territórios e conectar realizadores de todo o país. Obrigada a cada realizador, realizadora e equipe que escolheu caminhar conosco nesta edição”, disse Ana Célia.
Neste ano, a Mostra Sumé de Cinema escolheu como eixo conceitual o histórico Cine Teatro Municipal de Sumé, espaço que marcou gerações como ponto de encontro para cinema, teatro, música e outras manifestações culturais na cidade. A edição também propõe uma reflexão sobre a preservação dos cinemas de rua e a importância desses espaços para a memória cultural e afetiva das cidades do interior.
Além das exibições de filmes nas praças, no Museu Miguel Guilherme, no Hospital e Maternidade Alice de Almeida, no Abrigo de Idosos Rosália Paulino e no CDSA/UFCG Campus Sumé, a 6ª Mostra Sumé de Cinema contará também com atividades culturais e ações voltadas à valorização do audiovisual independente.
Além disso, a atriz e diretora potiguar Titina Medeiros, que faleceu em janeiro deste ano, será a grande homenageada desta sexta edição: “Nesta VI Mostra Sumé de Cinema, nosso encontro com Titina Medeiros acontece através da memória, da arte e de tudo aquilo que ela deixou pelo caminho. É com imensa gratidão que dedicamos a ela esta homenagem. Gratidão pelo tempo em que Titina esteve entre nós, pela artista que foi, pela alegria que espalhou, pela generosidade com que compartilhou sua arte e pela presença que segue viva em tantos que tiveram a felicidade de conhecê-la, de trabalhar com ela ou simplesmente de se deixar tocar por seu talento. Titina fez da arte um lugar de encontro. Levou consigo o Nordeste, suas histórias, seus sotaques, sua força e sua delicadeza. E, através de sua trajetória, ajudou a ampliar os espaços para que tantas histórias brasileiras pudessem ser vistas, ouvidas e celebradas. Por isso, homenageá-la é também agradecer. Agradecer pelo riso. Pela entrega. Pela coragem. Pela arte. Pela generosidade. Pela alegria de ter compartilhado este tempo conosco. Nesta edição, seu nome estará entre nós não como uma lembrança distante, mas como uma presença que atravessa a tela, a cena e a memória. Titina, esta Mostra é também uma forma de dizer: obrigada por tudo que você nos deixou. Que a sua arte continue encontrando novos olhos, novos ouvidos e novos corações. E que Sumé seja, nesta edição, mais um lugar onde a sua história possa continuar sendo contada. Com carinho, admiração e profunda gratidão”, diz o comunicado oficial.
Conheça os filmes selecionados para a Mostra Sumé de Cinema 2026:
MOSTRA BRASIL
Esperança, de Amora Moreira e Marcelo Pereira (RJ) Memórias com Vista pro Mar, de Marton Olympio (RJ) O Carnaval é de Pelé, de Daniele Leite e Lucas Santos (PE) Os Arcos Dourados de Olinda, de Douglas Henrique (PE) Pupá, de Osani (RN)
MOSTRA PARAÍBA
Areia, Memória e Cinema, de Letícia Damasceno Barreto (Areia) Cantilena, de Dhiones do Congo (Congo) Crenças, de Maraisa Quintino (Sousa) Kanhema, de Iasmin Soares (Santa Rita) Teatro em Jampa Vive, de Kelly Freire Moreira (João Pessoa)
MOSTRA CARIRI CÉU DE POESIA
À Flor da Pele, de Danielle Villanova (RJ) Babau: O Sanfoneiro Sonhador, de Carlos Mosca (PB) Livros são Eternos, de Ricardo Rodrigues e Paulo China (RJ) Quando as Ondas do Mar Desligam, de Yasoda Nanda e Assaggi Piá (BA) YbyApin, de Murilo Ribeiro (GO)
MOSTRA CONEXÃO TERRA | CINEMA NA ESCOLA
A Cachoeira, de Rayssa Coelho e Filipe Gama (BA) A Maré, de Jair Libanio (RN) Aquilo Era Vida, de Júlia Naidin (RJ) Concreto, de Sheila Rodrigues e Andressa Amaral (MG) Mãe do Ouro, de Isaac Franco Santana, Lucas Ernane da Silva, Breno Dione Franco e Bruno Paulo Franco (MG) Na Outra Margem Alguém me Espera, de Gabrielle Deschain e Leandro Olímpio (SP) Poty’karü: Alimentação Cabocla, Caiçara, Popular Potiguar, de Gustavo Guedes (RN) Terra Delas, de Bárbara Zaiden (GO) Tukum, de Flavio Alves Souza e Micael Aquillah (BA) Vozes do Cocal, de Josué Castilho França (PA)
Estrelado por Débora Falabella e Naruna Costa, o filme é inspirado no caso Ângela Diniz, feminicídio que comoveu o Brasil nos anos 1970. A trama acompanha uma repórter policial cobrindo o crime para um jornal popular, uma advogada que prepara a estratégia de acusação do réu e a própria vítima, que foi assassinada após terminar com o namorado.
Com roteiro de Josefina Trotta, Pele de Rinoceronte leva para as telonas e para a a discussão popular um tema pungente: a violência contra a mulher. Segundo dados do Dossiê da Mulher 2026, divulgado pelo governo do Rio de Janeiro, onde o longa foi rodado, em 2025, um total de 159.041 meninas e mulheres sofreram agressões no estado do Rio de Janeiro, média de 436 vítimas por dia. No filme, o trio lida com as diversas formas de opressão e violência masculina, enquanto procuram ser livres.
O elenco conta também com Irandhir Santos, Augusto Madeira, Elli Fêrreira, Daniel Rangel, Márcia Santos, Dhara Lopes, Camila Lucciola, Alex Nader, João Pedro Zappa, Natasha Jascalevich, Isadora Cecatto, Dayse Pozato, Bernardo Schlegel, Juliana Medella, Julia Lorio, Julia Horta, Maria Alice Guedes, Carla Nunes e Silas de Moraes. Além da participação afetiva de Isabel Gueron e Isabel Lobo.
Pele de Rinoceronte é uma produção da República Pureza Filmes em coprodução com Telecine e Canal Brasil; a uruguaia Circula Media atua como produtora associada. A distribuição é da Arthouse. A direção de fotografia é assinada por Heloísa Passos, a direção de arte é de Karen Araújo, o figurino de Renata Russo, a caracterização de Rose Verçosa e o som de Laura Zimmerman; Cris Moura foi a responsável pela preparação de elenco.
No palco do Palácio dos Festivais do Festival de Cinema de Gramado 2026, o diretor Marcello Ludwig Maia subiu ao lado de diversos integrantes de sua equipe: “É uma honra muito grande participar do Festival de Gramado. Essa sala é muito marcante para o cinema brasileiro e estrear um filme aqui é muito especial. Ainda mais com a sala cheia, que é um sonho, com um público muito atento e envolvido”, disse.
A atriz Naruna Costa também discursou: “Muito emocionante estar aqui pela primeira vez. É um filme tão importante para o Brasil nesse momento, especialmente em 2026, onde as taxas de feminicídio, infelizmente, aumentaram muito: 7% em relação ao ano passado. Números horríveis. Um filme que fala sobre essa questão tão importante e urgente, um filme sendo produzido pelas mãos, majoritariamente, de mulheres, como vocês podem ver, e com uma direção tão sensível capaz de abraçar esse tema durante o set de uma forma muito delicada e acolhedora. Eu acho que a coisa mais bonita do filme foi realmente o processo dele… foi um processo muito amoroso e afetivo. Eu acredito muito no afeto como essa arma e com essa potência que é capaz de interferir, de ocupar o espaço e afetar a vida das pessoas. Esse é um tema que precisa entrar no coração de todos os brasileiros e brasileiras porque está naturalizado. O filme dá esse recado: amor não mata, o que mata é o ódio”.
A noite de domingo do Festival de Gramado contou também com a homenagem ao ator, roteirista e diretor Marcos Caruso, que recebeu o Troféu Cidade de Gramado, e também com a cerimônia de premiação da Mostra de Curtas Gaúchos.
No dia seguinte à exibição, conversamos com as protagonistas Débora Falabella e Naruna Costa, que falaram sobre a importância de exibir o filme em Gramado e de abordar uma temática tão forte e necessária para discussão.
Aperte o play e confira:
*O CINEVITOR está em Gramado e você acompanha a cobertura do evento por aqui, pelo canal do YouTube e pelas redes sociais: Twitter, Facebook e Instagram.
Foram anunciados neste domingo, 16/08, no Palácio dos Festivais, os vencedores do 23º Prêmio Assembleia Legislativa de Cinema – Mostra Gaúcha de Curtas da 54ª edição do Festival de Cinema de Gramado.
O curta-metragem Grão, dirigido por Gianluca Cozza e Leonardo da Rosa e realizado em Rio Grande, se destacou com quatro prêmios, entre eles, o de melhor filme segundo o Júri Oficial (que foi formado por Fernanda Lomba, Hsu Chien, Isabel Wittmann, Tatiana Lohmann e Thuan Mozart) e também pelo Júri da Crítica (que contou com integrantes da ACCIRS, Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul).
A sinopse oficial de Grão diz: em um porto no extremo sul, Leandro vive informalmente recolhendo soja extraviada durante o transporte. Mas a crise que acomete o país põe em risco seu sustento. Sem perspectivas, ele vaga com seu carro com o som no máximo. Noite adentro, ele parte em busca de companhia, mas nada sai como esperado.
Tradicional janela de exibição do cinema gaúcho, o Prêmio Assembleia Legislativa novamente celebra o melhor da mais recente safra do cinema em curta-metragem produzido no Rio Grande do Sul com trabalhos realizados na capital Porto Alegre e em outras cidades do Estado. O famoso Gauchão, nome carinhosamente adotado pelo público para se referir à mostra, é realizado pelo Festival de Cinema de Gramado em parceria com a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul.
Conheça os vencedores da Mostra Gaúcha de Curtas 2026:
Melhor Filme | Júri Oficial: Grão, de Gianluca Cozza e Leonardo da Rosa (Rio Grande) Melhor Filme | Júri da Crítica: Grão, de Gianluca Cozza e Leonardo da Rosa (Rio Grande) Melhor Direção: Gabriel Motta, por O Véu Melhor Atriz: Gaby Buffon, por Elisete Tem que Casar! Melhor Ator: Leandro Gomes, por Grão Melhor Roteiro: Estátuas Também Morrem?, escrito por Thais Fernandes Melhor Fotografia: Drunken Car, por Livia Pasqual Melhor Direção de Arte: Raidinalha, por Marco Arruda Melhor Figurino: Drunken Car, por Beatriz Pieratti Melhor Trilha Sonora/Música: Grão, por Otávio Vassão Melhor Montagem: Claudete, por Gabriela Kopp Melhor Edição de Som/Desenho de Som: Raidinalha, por Fernando Efron Melhor Produção Executiva: Allan Riggs e Guilherme Suman, por Terra Bruta Menção Honrosa: O Acumulador de Memórias, de Camisla (Pelotas)
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O Palácio dos Festivais recebeu neste domingo, 16/08, a ilustre presença de Marcos Caruso na 54ª edição do Festival de Cinema de Gramado. O ator, roteirista e diretor foi homenageado com o Troféu Cidade de Gramado, honraria que reconhece personalidades ligadas ao festival, cuja atuação contribuiu para a projeção do evento e da região.
Com uma longa trajetória de mais de cinco décadas no cinema, na televisão e no teatro, iniciou a carreira nos palcos na década de 1970 em montagens como Rei Momo e Alegro Desbum. Estreou na televisão em 1978 em Aritana e, desde então, integrou o elenco de grandes sucessos como Mulheres Apaixonadas e Avenida Brasil. Nos cinemas, participou de mais de 20 longas-metragens, com destaque para Memórias Póstumas, de André Klotzel; Depois Daquele Baile, de Roberto Bomtempo; e Polaróides Urbanas, de Miguel Falabella.
No palco do festival, recebeu o Troféu Cidade de Gramado das mãos do curador Marcos Santuario e brincou: “Eu queria ter essa barriga de tanquinho igual a esse troféu”. Antes da homenagem, Caruso foi presenteado com um vídeo realizado pelo Canal Brasil, que destacou sua trajetória.
Ovacionado pelo público, discursou: “Meus queridos, isso aqui é um perigo. Receber um prêmio já é um perigo, é um risco. Já vou explicar o porquê. Quando você recebe um prêmio por um trabalho, já é um perigo. Por um conjunto de trabalhos, ele se torna um perigo ainda maior. Porque isso alimenta a nossa vaidade. Isso alimenta a nossa importância. São 700 pessoas aqui me aplaudindo e isso me coloca numa altura ainda mais alta do que é a cidade de Gramado. Eu me sinto nas nuvens, o que é maravilhoso. Mas eu preciso ter o pé no chão. Porque eu tenho que olhar para isto aqui como quem olha para um um retrovisor e vê passar uma história”.
E continuou: “Quando eu vi 54 anos do Festival de Gramado, percebi uma coincidência. No final desse ano, eu completo 54 anos de carreira. Quando eu olho para isso e vejo pelo retrovisor esses 54 anos de novelas que eu escrevi, roteiros de cinema que escrevi, peças de teatro que escrevi, direção de televisão, atuação no cinema, na televisão e no teatro… tudo isso me deixa vaidoso, mas eu tenho que ter o pé no chão. E o pé no chão é o que? É saber que a minha função, e a nossa, os artistas que cá estão, é produzir oxigênio para aqueles que nos inspirarem, se inspirarem”.
Homenageado: ovacionado pelo público
Ainda em seu discurso emocionante, Caruso destacou o trabalho do ator mirim Yuri Gomes, do longa Feito Pipa, de Allan Deberton: “Eu vou dar um exemplo do que me aconteceu ontem quando eu assisti Feito Pipa. O que é esse menino de dez anos que fez o filme? É um talento e eu me inspirei nele. Eu aprendi com ele. Eu tenho 54, ele tem um de carreira; e ele me inspirou”. E finalizou: “Então, a nossa função enquanto artista é fabricar oxigênio. Isto aqui não pode alimentar a minha vaidade. Isto aqui tem que alimentar a minha responsabilidade. Obrigado, cidade de Gramado! Um grande beijo”.
No mesmo dia da homenagem, no período da tarde, Marcos Caruso participou de uma coletiva no Serrazul Hotel, que foi mediada por Vitor Búrigo, aqui do CINEVITOR. No bate-papo, relembrou o sucesso da peça Trair e Coçar é Só Começar; parcerias marcantes, entre elas, com a amiga Jandira Martini; a novela A História de Ana Raio e Zé Trovão, que assinou como autor; trabalhos no cinema, como o filme Depois Daquele Baile; personagens inesquecíveis; entre muitos outros.
Na ocasião, também elogiou a nova sofra de profissionais brasileiros no audiovisual: “Nós temos grandes roteiristas e ótimos argumentos. Eu acho que é uma juventude que já está regando, não é nem plantando, uma planta que já está bem crescidinha”. E ainda falou de seu histórico nas telonas: “Eu queria ter feito mais pornochanchada porque era um dinheiro que entrava. Mas a única que eu fiz se chama Viúvas Precisam de Consolo”. E finalizou: “A democracia é você ouvir o outro. É você conversar e discordar do outro”.
Depois da homenagem, a programação da 54ª edição do Festival de Gramado seguiu com a exibição de Pele de Rinoceronte, de Marcello Ludwig Maia, na competição de longas brasileiros; e com a premiação da Mostra de Curtas Gaúchos.
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