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Camila Morgado será homenageada no 33º Festival de Cinema de Vitória

por: Cinevitor
Camila Morgado na peça A Falecida, de Nelson Rodrigues

A atriz Camila Morgado será a Homenageada Nacional da 33ª edição do Festival de Cinema de Vitória, que acontecerá entre os dias 18 e 25 de julho, no Espírito Santo; ela receberá o Troféu Vitória e o Caderno da Homenageada, publicação biográfica assinada pelos jornalistas Leonardo Vais e Paulo Gois Bastos.

Nascida em Petrópolis, Rio de Janeiro, a estreia de Camila Morgado em longas-metragens ocorreu em Olga, lançado em 2004, drama biográfico dirigido por Jayme Monjardim e baseado no livro de Fernando Morais. O papel foi um dos principais marcos na carreira da atriz, até hoje lembrada pela emblemática frase “eu estou grávida de Luiz Carlos Prestes”, uma das cenas mais marcantes do cinema brasileiro. O filme alcançou mais de três milhões de espectadores nos cinemas e conta a história da judia alemã Olga Benário Prestes, desde seu exílio e treinamento militar em Moscou até sua prisão e deportação para a Alemanha nazista.

A carreira de Camila nas telonas soma mais de dez produções, como o documentário Vinicius, de Miguel Faria Jr., em que ela conduz a narrativa da obra declamando poemas e histórias sobre o poeta carioca em parceria com o ator Ricardo Blat. Entre os blockbusters, integrou o elenco dos recordes de bilheteria nacional em 2013 e 2015, Até que a Sorte nos Separe 2 e 3, de Roberto Santucci, com Leandro Hassum. No circuito de festivais e cinema de gênero, protagonizou o thriller O Animal Cordial, de Gabriela Amaral Almeida, e o drama Vergel, coprodução internacional dirigida por Kris Niklison. Também atuou nas comédias Bem Casados, de Aluizio Abranches, com Alexandre Borges; e Divórcio, de Pedro Amorim, ao lado de Murilo Benício. Ainda em 2026, a atriz se prepara para o lançamento de dois longas inéditos: Sedução, de Zelito Viana e Marcos Palmeira; e Nova Éden, de Aly Muritiba.

Nas plataformas de streaming, teve destaque como Janete, mulher que enfrenta um relacionamento abusivo na primeira temporada de Bom Dia, Verônica, original Netflix; a interpretação lhe rendeu o Prêmio APCA de melhor atriz de televisão. Na sequência, protagonizou Sentença, série do Prime Video. Na produção, interpretou Heloísa, uma advogada criminalista responsável pela defesa de uma acusada em um crime que chocou o país.

No teatro, Camila estreou nos palcos no final da década de 1990 com o espetáculo Graal, em 1997, dirigido por Gerald Thomas, e que marcou sua formatura na CAL, Casa das Artes de Laranjeiras. Depois, a atriz integrou a Cia de Ópera Seca, coordenada pelo diretor, até 2001, quando esteve em projetos como Nowhere Man e Ventriloquist. Dois anos depois, estreou na minissérie A Casa das Sete Mulheres, em 2003, um sucesso da Rede Globo que se tornou um dos clássicos contemporâneos da televisão brasileira. Na obra dirigida por Jayme Monjardim, interpretou Manuela, uma mulher que destaca a importância do papel feminino durante a Guerra dos Farrapos.

Na televisão, esteve na novela América (2004), de Glória Perez, como a vilã May. Divertiu o público como Noêmia, uma das três mulheres de Cadinho, papel de Alexandre Borges, em Avenida Brasil (2012), de João Emanuel Carneiro, ao lado de Carolina Ferraz e Débora Bloch. A atriz voltou a repetir a parceria com a autora Maria Adelaide Amaral nas séries Um Só Coração (2005), em que interpretou Cacilda Becker; e JK (2006), como Ana Rosemberg, além da novela A Lei do Amor (2016). Também foi a empresária Mara Moreira em O Canto da Sereia (2013), microssérie baseada no livro homônimo de Nelson Motta; Maria Angélica no remake de O Rebu (2014); e a professora Gabriela em Malhação: Vidas Brasileiras (2018), na 26ª temporada da novela adolescente. Seus trabalhos mais recentes em telenovelas foram em dois remakes de Benedito Ruy Barbosa: Pantanal (2022), como Irma; e Renascer (2024), como Dona Patroa.

Nos palcos, foi dirigida por Marília Pêra na comédia Doce Deleite (2008), em que dividiu cena com Reynaldo Gianecchini. Ao lado de Vera Holtz e Antonio Petrin, esteve em Palácio do Fim (2012), dirigida por José Wilker, que abordava em textos intensos fatos ocorridos na Guerra do Iraque. Após um hiato de mais de dez anos, Camila voltou ao teatro em A Falecida (2023), texto de Nelson Rodrigues. A produção, dirigida por Sérgio Modena, foi a realização de um sonho da atriz que sempre desejou interpretar um dos maiores autores brasileiros de todos os tempos.

Fotos: Hugo Cecatto/Nana Moraes. 

Cine PE 2026: Taís Araujo e Marat Descartes exibem Doutor Monstro, de Marcos Jorge, na abertura da 30ª edição

por: Cinevitor
Taís Araujo e Marat Descartes na coletiva de imprensa 

A 30ª edição do Cine PE – Festival do Audiovisual começou nesta segunda-feira, 01/06, no Cinema do Teatro do Parque, em cerimônia apresentada pela atriz pernambucana Nínive Caldas. A noite de abertura reuniu realizadores, artistas, produtores, autoridades e amantes do cinema para celebrar três décadas de um dos mais importantes festivais audiovisuais do país.

Para abrir a competição de longas-metragens, foi exibido Doutor Monstro, novo trabalho do cineasta paranaense Marcos Jorge, de Estômago. Inspirado em um dos mais emblemáticos tribunais do júri da crônica criminal brasileira, que envolveu o médico Farah Jorge Farah, o filme traz a atriz Taís Araujo como uma obstinada promotora de justiça, que tem pela frente a missão de colocar na cadeia um respeitado cirurgião plástico, vivido por Marat Descartes, que confessou ter assassinado e esquartejado uma ex-paciente. O que seria um caso simples se transforma em um dos mais difíceis e perturbadores trabalhos de sua carreira.

Antes da exibição, a equipe do filme se reuniu com a imprensa no Novotel Recife Marina. No bate-papo, Taís Araujo falou de sua personagem: “Eu já fiz tanta advogada nessa vida… fiz em Aruanas, que foram duas temporadas, fiz em Amor de Mãe e agora a Cláudia. Eu não sei nada de Direito, nada. Mas eu confio plenamente nos pesquisadores e no diretor que dizem como funciona. Eu questiono porque não sei nada. Mas eu sei interpretar, que é o que eu faço há trinta anos. É o meu trabalho”. E completou: “É muito lindo ela ser essa promotora que pega esse caso para ser o caso da vida dela. Ela não é uma personagem da história verídica porque era um promotor, né? Eu acho lindo essa escolha por ser uma mulher que busca, quase obsessivamente, fazer justiça para outra mulher. Em uma época do Brasil que não se falava em feminicídio. É uma personagem incrível e complexa. Ela tem uma personalidade que tem também muita humanidade”.

A atriz, que marcou presença no festival para a primeira exibição do filme no país, também refletiu sobre sua carreira: “No ano passado eu fiz 30 anos de televisão. Mas, de teatro eu tenho um pouquinho mais. Nossa, nem eu acredito! Mas é que passou tão rápido mesmo. E trinta anos de uma carreira que eu sou tão orgulhosa dela. Eu acho uma carreira bonita, com escolhas bonitas e muito leais ao que eu acredito artisticamente. E aí quando eu fiz 30 anos, eu fiquei pensando: ‘E agora?’. E é tão legal ter 47 anos, ter essa carreira que eu tenho e ter ainda tanta coisa para explorar; você ter o privilégio de escolher o que você quer fazer artisticamente. O que te preenche artisticamente? Que tipo de histórias você quer contar? Quais as narrativas que você pode investir seu tempo, seu desejo artístico e levar para o mundo? É tão bom já ter 30 anos de carreira, ter tantos anos pela frente e poder ter o privilégio de escolher o que vai fazer, a forma, com quem, como… isso é o que me deixa mais enérgica. E esse filme faz parte disso porque quando o Marcos [Jorge, diretor] me chamou, o que mais me interessou foi ser um filme de tribunal”.

O bate-papo aconteceu antes do filme porque Taís Araujo viajaria ainda na madrugada e não conseguiria participar da coletiva de imprensa oficial na manhã seguinte. Por conta disso, aproveitou o momento para refletir sobre sua trajetória: “Eu sou uma mulher que vai fazer 50 anos daqui a pouco. Eu comecei a trabalhar com 13 anos. Então, eu sou uma artista que vive a contemporaneidade. Para mim, artisticamente, faz todo sentido provocar reflexão, pensamentos e fazer do meu trabalho, da minha arte, esse tipo de provocação”. E continuou: “Em uma sociedade como o Brasil, que é forjada por todos esses pilares terríveis de racismo, machismo, misoginia, homofobia… são assuntos que me interessam transformar em arte para debater. Porque não tem nada mais poderoso do que o audiovisual para discutir esses assuntos, sabe? A arte é muito poderosa. Todo mundo que está aqui trabalha com isso, todo mundo sabe o poder que tem. É um poder de comunicação muito grande. Para mim, não faz sentido ser uma artista que não trate desses assuntos, que não provoque essas reflexões e que não queira ampliar debates nesse sentido”.

Equipe do longa Doutor Monstro no palco

Taís também falou da sua experiência nos palcos e das escolhas profissionais: “Eu, por exemplo, vou estrear minha peça [Mudando de Pele] agora em São Paulo. É um texto que eu tava procurando já… uma pesquisa de muitos anos sobre pessoas pretas, mas que a dor não seja a protagonista absoluta, sabe? E sim as subjetividades, as outras questões, o caos que tem dentro de todos nós. Isso também vem numa pesquisa de reduzir nossa população ao sofrimento e à dor para ampliar os olhares de tudo. Então, eu decidi que agora eu vou ter repertório de teatro. Tem essa peça, daqui a pouco vou fazer outra. O que vou fazer com as histórias que me interessam contar artisticamente? Eu posso fazer isso com as histórias que estão sob a minha curadoria. As que não estão, eu não tenho esse poder. Mas a questão que eu posso escolher, já é muito interessante, instigante e prazeroso”.

Além disso, a atriz desabafou sobre os obstáculos que enfrenta em seu cotidiano: “Seria lindo se a gente pudesse viver plenamente, mas, a gente não vive. Estamos sempre em estado de alerta, o tempo inteiro. Se você é mulher, então… E se você é mulher negra tudo vai se potencializando e os perigos vão aumentando. Não é porque sou conhecida, trabalho há 30 anos e tô nas campanhas publicitárias que estou salva disso. Não, não estou. E eu sei que não estou. E é por isso que também faz muito sentido continuar falando sobre o que tem que ser dito e não fingir que está tudo bem. Se você ascende socialmente, óbvio que as coisas melhoram em alguns aspectos, mas eu não estou salva disso. E, mesmo que melhorasse, a minha obrigação moral e artística era de continuar falando sobre os assuntos”.

O ator Marat Descartes também participou do bate-papo e falou sobre seu personagem e seu processo de criação: “Eu fui atrás de alguns desses outros casos para tentar entender se havia alguma semelhança porque como intérprete desse tipo de criatura, a gente não pode julgar, né? Temos que simplesmente tentar entender qual é o mecanismo psíquico que leva um ser a cometer uma atrocidade dessas. Na minha pesquisa, fui vendo outros casos parecidos com o dele. Foi uma pesquisa para tentar entender o que passa pela cabeça e também mergulhar um pouco na história particular desses médicos. Esse caso tem coisas bem particulares. Ele não é exatamente um serial killer. Então, o que o levou a cometer esse crime?”.

Já no palco do Teatro do Parque e ao lado de sua equipe, o diretor Marcos Jorge discursou: “Que bom estar aqui com esse povo vibrante, nessa cidade vibrante que todos nós agora aprendemos internacionalmente a apreciar. É um grande privilégio ser o filme de abertura desse lindo festival, que estive alguns anos atrás. Quando eu vi pela primeira vez a história do Farah Jorge Farah, eu não acreditei. Eu achei que aquilo não podia ser verdade. Mas era uma terrível verdade. E achei que ali tinha um filme muito interessante. Recentemente eu fui numa palestra de um diretor americano chamado Spike Jonze, que me ajudou a entender um pouco do filme que a gente acabou fazendo. Ele disse: ‘Os tempos surreais em que vivemos pedem filmes ainda mais surreais. A realidade é absurda’. Sim, a realidade é absurda e os filmes que nós fazemos, que nós assistimos, talvez seja uma das poucas maneiras que temos para lidar com elas”.

Taís Araujo também conversou com o público presente: “É um prazer lançar nosso filme aqui no Cine PE, que completa 30 anos. É a primeira vez que o filme vai ser exibido. Ninguém aqui viu ainda, eu acho. Só o diretor. Tá todo mundo ansioso para ver. Espero que seja um filme que provoque reflexão e eu acho que essa é a função dele”. Marat Descartes completou: “É uma alegria estar aqui. Filmamos em 2023 e, por isso, estou ansioso para ver o que fizemos. Eu acho de extrema importância a reflexão que esse filme traz em um momento em que o fenômeno do feminicídio está exponencial no nosso país. Acho também que ao focar na questão do tribunal, traz luz para a questão do que é verdade, o que é fato, mentira, fake”.

Com Guilherme Weber, Marcelina Fialho, Duílio De Pol, Paulo Matos, Bárbara Passos e Uyara Torrente no elenco, Doutor Monstro é uma produção da Zencrane Filmes, com coprodução da Paramount Pictures e distribuição da Olhar Filmes. A estreia comercial nos cinemas está prevista para o início do segundo semestre deste ano.

Zenaide e Fátima: cidadãs Cine PE

Ainda na noite de abertura, antes da exibição do longa, o festival teve início com a exibição do documentário comemorativo sobre os 30 anos do Cine PE. A produção revisita momentos marcantes da trajetória do festival, resgatando imagens históricas, depoimentos e registros que ajudam a contar a construção de uma iniciativa que se tornou referência para o audiovisual brasileiro: “Foram dois meses intensos para tentar resumir 30 anos de história. Fizemos um verdadeiro garimpo de imagens, desde fitas VHS até materiais mais recentes. Foi um trabalho feito com muito amor pelo festival”, disse Eduardo Cavalcanti, responsável pela direção do filme.

Outro momento emocionante da noite foi a homenagem às irmãs Zenaide Maria de Sousa e Fátima Maria de Sousa, carinhosamente conhecidas como As Irmãs do Cine PE. Presenças confirmadas em todas as edições do festival desde sua criação, elas receberam das mãos da diretora Sandra Bertini o título de Cidadãs Cine PE, em reconhecimento ao entusiasmo e amor demonstrados ao longo dos 30 anos de história do evento.

Emocionadas, agradeceram pela homenagem e lembraram a relação afetiva construída com o festival ao longo das décadas: “Gente, boa noite! Estou muito emocionada e gratificada por essa homenagem, que eu não esperava. Estou muito feliz, de coração. Eu amo o Cine PE há muitos anos. Acompanho desde o início, praticamente. Eu amo de coração!”, disse Zenaide. E Fátima completou: “Também estou muito, muito emocionada. Todos os anos são muitas emoções. Aqui, conhecemos muita gente. É muita coisa maravilhosa. Melhor do que todos esses carnavais que passam por aqui. Uma coisa linda que sempre emociona demais. A gente se sente tão feliz, sabe? É inexplicável o sentimento”. Ao entregar a homenagem, Sandra Bertini destacou a importância do público para a existência do festival: “A gente precisava homenagear Zenaide e Fátima. Elas sempre foram as primeiras da fila. Esse amor pelo Cine PE representa exatamente o encontro que buscamos promover entre o público e o audiovisual”.

Com sessões gratuitas até o próximo dia 7 de junho, o 30º Cine PE segue com mostras competitivas de curtas e longas-metragens, homenagens, debates e encontros com realizadores, celebrando uma trajetória que ajudou a fortalecer o audiovisual nacional e a formar gerações de espectadores.

Fotos: Felipe Souto Maior.

Prêmio Grande Otelo 2026: O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, lidera indicações

por: Cinevitor
Ítalo Martins e Robério Diógenes em O Agente Secreto: 18 indicações

Foram divulgados nesta terça-feira, 02/06, os finalistas ao Prêmio Grande Otelo 2026, que é realizado pela Academia Brasileira de Cinema e considerada a maior premiação do setor audiovisual nacional; e que, neste ano, celebra o aniversário de 25 anos. 

Nesta 25ª edição, o consagrado O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, lidera a lista com 18 indicações, entre elas, melhor ator para Wagner Moura; Homem com H, O Filho de Mil Homens e O Último Azul aparecem na sequência com 12 indicações cada. 

Em comunicado oficial, Renata Almeida Magalhães, presidente da Academia Brasileira de Cinema, disse: “Vinte e cinco anos é fato para comemorar. Estivemos, estamos e estaremos sempre junto com o que o audiovisual brasileiro produz”. 

A cerimônia de premiação acontecerá no dia 4 de agosto no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, às 20h15, com transmissão ao vivo para todo o país pelo canal do YouTube da Academia e também pelo Canal Brasil.

Ao todo, serão anunciados 32 prêmios para longas-metragens, curtas-metragens e séries brasileiras: 31 produções serão escolhidas pelo amplo júri formado por profissionais associados à Academia Brasileira de Cinema, além do disputado Grande Otelo de melhor filme pelo Júri Popular, escolhido pelo público por meio de votação aberta realizada no site da Academia. Concorrerão ao voto popular os cinco finalistas das categorias: melhor longa-metragem de ficção, melhor longa-metragem de comédia e melhor longa-metragem documental. A edição deste ano marca o retorno da categoria de melhor longa-metragem de comédia e inclui o prêmio de melhor montagem de documentário.

Em 2026, foram 287 inscrições (com 2.140 profissionais inscritos) entre 162 longas-metragens (82 filmes de ficção, 59 documentários, 7 filmes do gênero infantil, 4 longas de animação e 10 ibero-americanos indicados pelas Academias que fazem parte da FIACINE, Federación Iberoamericana de Academias de Artes y Ciencias Cinematográficas); 59 curtas-metragens (21 de ficção, 26 documentários e 12 de animação); e 66 séries (24 de ficção, 34 documentários e 8 de animação).

“Os 25 anos são um marco para toda a indústria audiovisual brasileira e o Rio tem orgulho de fazer parte dessa história. O setor audiovisual movimentou R$ 4,7 bilhões na economia carioca em 2025, reúne mais de 2,7 mil empresas e gera emprego, renda e oportunidades. Somos hoje a cidade mais filmada da América Latina, com quase 11 mil diárias de filmagem autorizadas no ano passado. Apoiar o Prêmio Grande Otelo é fortalecer a cultura, a economia criativa e a projeção do Rio no Brasil e no mundo”, disse o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Cavaliere.

Conheça os indicados ao 25º Prêmio Grande Otelo:

MELHOR LONGA-METRAGEM | FICÇÃO
Homem com H, de Esmir Filho
Manas, de Marianna Brennand
O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho
O Filho de Mil Homens, de Daniel Rezende
O Último Azul, de Gabriel Mascaro

MELHOR LONGA-METRAGEM | COMÉDIA
Agentes Muito Especiais, de Pedro Antonio
C.I.C. – Central de Inteligência Cearense, de Halder Gomes
Sexa, de Gloria Pires
Sonhar com Leões, de Paolo Marinou-Blanco
Uma Mulher Sem Filtro, de Arthur Fontes
Velhos Bandidos, de Claudio Torres

MELHOR LONGA-METRAGEM | DOCUMENTÁRIO
A Queda do Céu, de Eryk Rocha e Gabriela Carneiro da Cunha
Apocalipse nos Trópicos, de Petra Costa
Hora do Recreio, de Lucia Murat
Mambembe, de Fabio Meira
Ritas, de Oswaldo Santana e Karen Harley

MELHOR LONGA-METRAGEM | INFANTIL
Narciso, de Jeferson De
O Diário de Pilar na Amazônia, de Eduardo Vaisman e Rodrigo Van Der Put
O Último Episódio, de Maurilio Martins
Os Dragões, de Gustavo Spolidoro
Thiago & Ísis e os Biomas do Brasil, de João Amorim

MELHOR LONGA-METRAGEM | ANIMAÇÃO
Authentic Games: No Império Desconectado, de Bruno Murtinho
Eu e Meu Avô Nihonjin, de Celia Catunda
Nosso Louco Amor, de Nelson Botter Jr.
Tainá e os Guardiões da Amazônia: Em Busca da Flecha Azul, de Alê Camargo e Jordan Nugem

MELHOR DIREÇÃO
Daniel Rezende, por O Filho de Mil Homens
Esmir Filho, por Homem com H
Gabriel Mascaro, por O Último Azul
Kleber Mendonça Filho, por O Agente Secreto
Marianna Brennand, por Manas

MELHOR PRIMEIRA DIREÇÃO DE LONGA-METRAGEM
Douglas Soares, por Papagaios
Gloria Pires, por Sexa
Júlia Jordão, por Perfeitos Desconhecidos
Márcia Faria, por A Procura de Martina
Rafaela Camelo, por A Natureza das Coisas Invisíveis

MELHOR ATRIZ
Camila Pitanga, por Malês
Carolina Dieckmmann, por (Des)controle
Denise Weinberg, por O Último Azul
Jamilli Correa, por Manas
Tânia Maria, por O Agente Secreto

MELHOR ATOR
Antonio Pitanga, por Malês
Ary Fontoura, por Velhos Bandidos
Irandhir Santos, por Os Enforcados
Jesuíta Barbosa, por Homem com H
Rodrigo Santoro, por O Filho de Mil Homens
Wagner Moura, por O Agente Secreto

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Alice Carvalho, por O Agente Secreto
Camila Márdila, por A Natureza das Coisas Invisíveis
Dira Paes, por Manas
Grace Passô, por O Filho de Mil Homens
Hermila Guedes, por O Agente Secreto

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Adanilo, por O Último Azul
Alejandro Claveaux, por Ruas da Glória
Augusto Madeira, por Os Enforcados
Carlos Francisco, por O Agente Secreto
Gabriel Leone, por O Agente Secreto
Robério Diógenes, por O Agente Secreto
Rodrigo Santoro, por O Último Azul
Rômulo Braga, por Manas

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
A Melhor Mãe do Mundo, escrito por Anna Muylaert
A Natureza das Coisas Invisíveis, escrito por Rafaela Camelo
Homem com H, escrito por Esmir Filho
Manas, escrito por Felipe Sholl, Marcelo Grabowsky, Marianna Brennand, Carolina Benevides, Antonia Pellegrino e Camila Agustini
O Agente Secreto, escrito por Kleber Mendonça Filho
O Último Azul, escrito por Gabriel Mascaro e Tibério Azul

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
A Queda do Céu, escrito por Eryk Rocha e Gabriela Carneiro da Cunha; adaptado do livro A Queda do Céu, de Davi Kopenawa e Bruce Albert
Barba Ensopada de Sangue, escrito por Aly Muritiba e Jessica Candal; baseado no livro Barba Ensopada de Sangue, de Daniel Galera
Cinco Tipos de Medo, escrito por Bruno Bini; adaptado do curta-metragem Três Tipos de Medo, de Bruno Bini
Enterre seus Mortos, escrito por Marco Dutra; baseado no livro Enterre seus Mortos, de Ana Paula Maia
O Advogado de Deus, escrito por Wagner de Assis; adaptado da obra O Advogado de Deus, de Zíbia Gasparetto e Lucius
O Filho de Mil Homens, escrito por Daniel Rezende; adaptado do livro O Filho de Mil Homens, de Valter Hugo Mãe

MELHOR DIREÇÃO DE FOTOGRAFIA
Homem com H, por Azul Serra
Manas, por Pierre de Kerchove
O Agente Secreto, por Evgenia Alexandrova
O Filho de Mil Homens, por Azul Serra
O Último Azul, por Guillermo Garza

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE
Homem com H, por Thales Junqueira
Manas, por Marcos Pedroso
O Agente Secreto, por Thales Junqueira
O Último Azul, por Dayse Barreto
Um Lobo Entre os Cisnes, por Dina Salem Levy

MELHOR FIGURINO
Homem com H, por Gabriella Marra
Malês, por Rô Nascimento
Manas, por Kika Lopes
O Agente Secreto, por Rita Azevedo
O Filho de Mil Homens, por Manuela Mello
O Último Azul, por Gabriella Marra

MELHOR MAQUIAGEM
Barba Ensopada de Sangue, por Andrea Tristão
Homem com H, por Martín Macías Trujillo
O Agente Secreto, por Marisa Amenta
O Filho de Mil Homens, por Martín Macías Trujillo
O Último Azul, por Juliana Bolze

MELHOR MONTAGEM | FICÇÃO
Cinco Tipos de Medo, por Bruno Bini
Homem com H, por Germano de Oliveira
Manas, por Isabela Monteiro de Castro
O Agente Secreto, por Eduardo Serrano e Matheus Farias
O Filho de Mil Homens, por Marcelo Junqueira

MELHOR MONTAGEM | DOCUMENTÁRIO
Apocalipse nos Trópicos, por David Barker, Tina Baz, Nels Bangerter, Jordana Berg, Victor Miaciro e Eduardo Gripa
Cazuza: Boas Novas, por Jordana Berg
Ecos do Teatro Experimental do Negro, por Cristina Amaral
Mambembe, por Fabio Meira, Juliano Castro e Affonso Uchoa
Ritas, por Oswaldo Santana
Zico: O Samurai de Quintino, por André Felipe Silva e João Wainer

MELHOR EFEITO VISUAL
Homem com H, por Massao Asaga
O Agente Secreto, por Alexandre Boiron, Luuk Meijer e David Van Heeswijk
O Diário de Pilar na Amazônia, por Claudio Peralta
O Filho de Mil Homens, por Juliano Storchi
O Último Azul, por Eduardo Kurt, Magdalena Maia, Sofia Sussekind, Beatriz Paixão e Vandré Huppes

MELHOR SOM
Homem com H, por Ana Luiza Penna, Martín Grignaschi e Armando Torres Jr.
Manas, por Valéria Ferro, Miriam Biderman, Ricardo Reis e Armando Torres Jr.
O Agente Secreto, por Pedro Moreira, Moabe Filho, Tijn Hazen e Cyril Holtz
O Filho de Mil Homens, por Lia Camargo, Toco Cerqueira e Alan Zilli
O Último Azul, por Liliana Villaseñor, Heverson Batista, María Alejandra Rojas, Arturo Salazar R.B. e Vincent Sinceretti

MELHOR TRILHA SONORA
A Melhor Mãe do Mundo, por André Abujamra e George Nahssen
Homem com H, por Guilherme Amabis, Mariana Amabis e Rica Amabis
Malês, por Antonio Pinto e Barulhista
O Agente Secreto, por Tomaz Alves Souza e Mateus Alves
O Filho de Mil Homens, por Fabio Góes

MELHOR CURTA-METRAGEM | FICÇÃO
Amarela, de André Hayato Saito (SP)
Arame Farpado, de Gustavo de Carvalho (SP)
Boiuna, de Adriana de Faria (PA)
Klaustrofobia, de João Londres (RJ)
Peixe Morto, de João Fontenele (CE)
Presépio, de Felipe Bibian (RJ)

MELHOR CURTA-METRAGEM | DOCUMENTÁRIO
Cartas pela Paz, de Mariana Reade, Thays Acaiabe e Patrick Zeiger (RJ)
Conselho, de Alice Riff (SP)
Filme Sem Querer, de Lincoln Péricles (SP)
Replikka, de Piratá Waura e Heloisa Passos (PR/MT/SP)
Sebastiana, de Pedro de Alencar (RJ)

MELHOR CURTA-METRAGEM | ANIMAÇÃO
A Tragédia da Lobo-Guará, de Kimberly Palermo (RJ)
Como Nasce um Rio, de Luma Flôres (BA)
Mãe de Manhã, de Clara Trevisan Farret (RS)
Safo, de Rosana Urbes (SP)
Seu Vô e a Baleia, de Mariana Elisabetsky (SP)
Uma Menina, Um Rio, de Renata Martins Alvarez (SP)

MELHOR LONGA-METRAGEM IBERO-AMERICANO
Belén: Uma História de Injustiça, de Dolores Fonzi (Argentina); indicação: Academia de las Artes y Ciencias Cinematográficas de la Argentina
O Olhar Misterioso do Flamingo, de Diego Céspedes (Chile); indicação: Academia de Cine de Chile
O Riso e a Faca, de Pedro Pinho (Portugal); indicação: Academia Portuguesa de Cinema
Pepe, de Nelson Carlo de los Santos Arias (República Dominicana); indicação: Academia de las Artes y Ciencias Cinematográficas de la República Dominicana
Um Poeta, de Simón Mesa Soto (Colômbia); indicação: Academia Colombiana de Cine

MELHOR SÉRIE | FICÇÃO | TV ABERTA, TV PAGA ou STREAMING
Ângela Diniz: Assassinada e Condenada (1ª temporada) (Conspiração) (HBO Max)
Beleza Fatal (1ª temporada) (Coração da Selva) (HBO Max)
Cangaço Novo (2ª temporada) (O2 Filmes) (Prime Video)
Emergência Radioativa (1ª temporada) (Gullane) (Netflix)
Máscaras de Oxigênio Não Cairão Automaticamente (1ª temporada) (Morena Filmes) (HBO Max)

MELHOR ATRIZ | SÉRIE DE FICÇÃO | TV ABERTA, TV PAGA ou STREAMING
Adriana Esteves, por Os Outros
Alice Carvalho, por Cangaço Novo
Bruna Linzmeyer, por Máscaras de Oxigênio Não Cairão Automaticamente
Camila Pitanga, por Beleza Fatal
Marjorie Estiano, por Ângela Diniz: Assassinada e Condenada
Thainá Duarte, por Cangaço Novo

MELHOR ATOR | SÉRIE DE FICÇÃO | TV ABERTA, TV PAGA ou STREAMING
Allan Souza Lima, por Cangaço Novo
Chico Diaz, por Os Donos do Jogo
Johnny Massaro, por Máscaras de Oxigênio Não Cairão Automaticamente
Johnny Massaro, por Emergência Radioativa
Ravel Andrade, por Raul Seixas: Eu Sou

MELHOR SÉRIE | DOCUMENTÁRIO | TV ABERTA, TV PAGA ou STREAMING
A Mulher da Casa Abandonada (1ª temporada) (Coiote Produções) (Prime Video)
Caçador de Marajás (1ª temporada) (Boutique Filmes) (Globoplay)
Cazuza Além da Música (1ª temporada) (Conspiração) (Globoplay)
Chico Anysio: Um Homem à Procura de um Personagem (Casé Filmes) (Globoplay)
Congonhas: Tragédia Anunciada (Pródigo) (Netflix)
O Testamento: O Segredo de Anita Harley (Globo) (Globoplay)

MELHOR SÉRIE | ANIMAÇÃO | TV ABERTA, TV PAGA ou STREAMING
As Aventuras de Tita (1ª temporada) (FK Sound/Viu Cine)
Esquadrão do Mar Azul (2ª temporada) (Belli Studio)
Esse é o Bicho! (2ª temporada) (Sabiá Educacional)
Gnaks! (1ª temporada) (Mandra Filmes)
O Mundo (Sem Filtro) de Any Malu (1ª temporada) (Combo Estúdio Animações)
Osmar, a Primeira Fatia do Pão de Forma (3ª temporada) (44 Toons)
Senninha na Pista Maluca (3ª temporada) (Gullane)

Foto: Victor Jucá.

Helena Solberg será homenageada na 21ª CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto

por: Cinevitor
Helena Solberg: cineasta carioca homenageada em Ouro Preto

A CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto realizará sua 21ª edição entre os dias 25 e 30 de junho na a cidade histórica mineira, que será palco de acontecimentos no campo da preservação, história e educação ao sediar o único evento realizado no país que trata cinema como patrimônio. 

O tema central desta edição é Um país existe nas imagens que preserva, proposição que toma o cinema como território privilegiado de construção das identidades culturais, sociais e políticas do Brasil. Partindo da ideia de que um país sem memória também perde as imagens de si mesmo, a CineOP propõe refletir sobre o audiovisual como espaço de registro, disputa e reinvenção das narrativas que nos constituem.

A Temática Histórica desta 21ª CineOP investiga os percursos de mulheres cineastas brasileiras e os contextos em que realizaram seus primeiros filmes, com ênfase nos caminhos até o primeiro longa-metragem. Tomando os anos 1970 como marco histórico do surgimento do que se convencionou chamar de cinema de mulheres, a programação buscou obras com personagens femininas fortes e noções do feminino fora de enquadres tradicionais.

Ao mesmo tempo, a curadoria de Cléber Eduardo e Juliana Gusman recua no tempo para recuperar trajetórias antes invisibilizadas ou sub-representadas na historiografia do audiovisual brasileiro. Ao recuperar essas memórias, a CineOP pretende reforçar a importância de reescrever a história dos filmes sob uma perspectiva que reconheça a centralidade das mulheres na construção das imagens e narrativas do país.

A programação contará com obras fundamentais de cineastas como Ana Carolina, Lúcia Murat, Carla Camurati, Tata Amaral, Helena Ignez, Viviane Ferreira, entre outras diretoras de diferentes gerações. Filmes como Feminino Plural (Vera Figueiredo, 1976), que completa 50 anos; Mar de Rosas (Ana Carolina, 1977); Que Bom Te Ver Viva (Lúcia Murat, 1989); Carlota Joaquina (Carla Camurati, 1995); e Um Céu de Estrelas (Tata Amaral, 1996) integram a mostra por evidenciar diferentes momentos e marcos da inserção feminina na direção cinematográfica brasileira.

Diferentes gerações também estarão presentes em rodas de conversa sobre suas experiências individuais, expondo sincronias e dissonâncias entre as distintas décadas de início no longa-metragem e respondendo a questões como: quais as dificuldades e conquistas dessas mulheres até o primeiro longa? Por que escolheram o cinema? Como foram tratadas pelos homens com os quais lidaram em seus inícios?

Neste ano, a cineasta carioca Helena Solberg vai ser a grande homenageada da CineOP. A celebração integra a temática histórica deste ano no evento dedicado ao cinema como patrimônio: Como elas começaram? Memórias do primeiro filme; temática dedicada a investigar os percursos de mulheres cineastas e os contextos de realização de seus trabalhos de estreia.

Solberg assinou, em 1966, A Entrevista, considerado o primeiro filme feminista da produção moderna no país e no qual reunia depoimentos de jovens da classe média alta sobre casamento, sexo, trabalho e submissão ao marido. A partir dos anos 1970, radicada nos Estados Unidos, Solberg desenvolveu a Trilogia da Mulher, com os filmes The Emerging Woman (1974), The Double Day (1975) e Simplesmente Jenny (1977), produzida pelo International Women’s Film Project, coletivo que ela própria liderava em Washington. Na década seguinte, voltou as câmeras para as ditaduras latino-americanas, com títulos como Chile, By Reason or By Force (1983).

No Brasil, a diretora fez o biográfico Carmen Miranda: Bananas is My Business (1995) e a adaptação Vida de Menina (2003). Mais recentemente retomou o engajamento em Meu Corpo, Minha Vida (2017), sobre direitos reprodutivos a partir da história de Jandyra Santos, vítima de aborto clandestino, e Uma Carta para Beatrice (2022), no qual revisita a própria trajetória.

Cena do curta A Entrevista, de Helena Solberg: lançado em 1966

A Temática Preservação da 21ª CineOP volta seu olhar ao momento que antecede a institucionalização do campo e investiga as práticas iniciais de guarda, cuidado e valorização que permitiram a sobrevivência de filmes, aparelhos, documentos e suportes hoje constituintes da arqueologia do audiovisual brasileiro.

Antes da consolidação de políticas, instituições e metodologias, foram iniciativas muitas vezes individuais, de reunir, colecionar, conservar, projetar e identificar, que afirmaram o valor histórico e cultural dessas imagens e abriram caminho para a formação da preservação audiovisual como campo de conhecimento e atuação. Ao centrar o debate nesses gestos pioneiros, a curadoria de José Quental e Vivian Malusá propõe refletir sobre a passagem do impulso individual à responsabilidade coletiva de preservar e destaca como essas práticas ajudaram a constituir uma cultura do cuidado.

O 21º Encontro de Arquivos e Acervos Audiovisuais Brasileiros se mantém como espaço central de reflexão e articulação sobre história, memória, política, técnica e atuação em rede e vai reunir profissionais, pesquisadores, colecionadores e instituições. A proposta deste ano parte do entendimento de que preservar não é apenas guardar o passado, mas garantir que ele continue a produzir sentido no presente e que cada gesto de preservação é também um gesto de projeção de futuro.

A Temática Educação da 21ª CineOP é inspirada no curta cubano Por Primera Vez, de Octavio Cortázar (1967), no qual estudantes pela manhã e camponeses pela noite têm suas primeiras experiências de assistir a filmes. O instante inaugural desse encontro entre espectadores e imagens em movimento, de surpresa, estranhamento e descoberta, é ponto de partida para refletir sobre a potência do cinema em ambiente escolar.

A proposta da curadoria de Adriana Fresquet e Clarice Alvarenga reconhece que a primeira vez não é apenas um fato cronológico, mas uma experiência de encantamento a inaugurar novas formas de ver, sentir e compreender o mundo. Ela pode ser também uma redescoberta quando algo já vivido retorna como novidade.

O material proposta pela Temática Educação evoca episódios marcantes da relação entre cinema e educação no Brasil, como a exibição do cinematógrafo em uma sala de aula em 1896, na Escola Normal Modelo do Maranhão, e a realização de O Parque (1963), considerado o primeiro filme produzido por estudantes de educação básica em uma escola pública no Rio de Janeiro e rodado durante as férias de inverno, após curso de iniciação ao cinema ministrado pela professora Maria José Alvarez, na Escola Brigadeiro Schorcht, em Jacarepaguá.

O conceito também dialoga com os 47,1 milhões de estudantes identificados pelo Censo de 2024 que ainda aguardam a regulamentação da Lei Federal 13.006/2014, que prevê a exibição de cinema brasileiro nas escolas. Para as curadoras, cada estudante que ainda não viu um filme na escola guarda consigo a possibilidade de uma primeira vez, de um instante de encantamento capaz de transformar o olhar.

A Mostra de Cinema de Ouro Preto é o único evento do Brasil dedicado ao cinema como patrimônio e, há 21 anos, ocupa lugar de destaque no calendário audiovisual brasileiro ao articular preservação, história e educação. Realizada anualmente na cidade histórica de Ouro Preto, em Minas Gerais, promove exibições de filmes, debates, homenagens, oficinas, atividades formativas e encontros estratégicos que reúnem realizadores, pesquisadores, educadores, estudantes, profissionais de arquivos e o público em geral. Ao longo de sua trajetória, consolidou-se como espaço de referência nacional para a reflexão sobre memória audiovisual, formação de público e políticas voltadas ao setor. Toda a programação é gratuita. 

Fotos: Arquivo Pessoal Helena Solberg.

Entre os Dias: com Matheus Nachtergaele e Silvia Buarque, começam as filmagens do novo longa de Petrus Cariry

por: Cinevitor
Matheus Nachtergaele em Entre os Dias: novo filme de Petrus Cariry

A Iluminura Filmes iniciou as filmagens do longa-metragem Entre os Dias, que seguem até meados do mês de junho, na serra de Guaramiranga, no Ceará. O drama familiar marca a nova parceria do diretor Petrus Cariry com os atores Matheus Nachtergaele e Silvia Buarque, que atuaram juntos no premiado road movie Mais Pesado é o Céu. Thaia Perez, Lucas Galvino, Ana Vitória Almeida, Fernando Teixeira e Danilo Castro completam o elenco da obra, produzida por Bárbara Cariry.

Conhecido por tramas densas que tensionam as relações entre personagens em estado de ruptura, Petrus Cariry apresenta, em Entre os Dias, a história de três gerações de uma família que se isola em uma casa na floresta e passa a enfrentar uma série de acontecimentos estranhos. Com uma narrativa sombria e imprevisível, o cineasta aprofunda suas investigações sobre os sentidos da vida e da morte em contextos de crise política e moral. O roteiro é assinado por Petrus ao lado de Firmino Holanda e Arthur Leite, com consultoria de Rosemberg Cariry.

Para o diretor, Entre os Dias é um retrato do nosso tempo: “Estou interessado em investigar como a intolerância se infiltra no cotidiano e contamina as relações mais íntimas, naturalizando o ódio, a misoginia e certas pulsões autoritárias. A partir disso, acompanho uma família que se isola em uma casa no meio da floresta. Esse gesto, que poderia ser apenas um retiro, vai revelando, pouco a pouco, fissuras profundas nessa família. O que deveria ser um espaço de proteção transforma-se, gradualmente, em um território de hostilidade”, afirma Petrus Cariry.

A sinopse oficial diz: um patriarca leva sua família para uma casa de veraneio isolada na floresta. O que começa como um período de convivência se transforma gradualmente em um ambiente de tensão, à medida que divergências e ressentimentos vêm à tona.

Silvia Buarque nos bastidores das filmagens de Entre os Dias

Petrus Cariry nasceu no Ceará, em 1977. Realizou nove curtas-metragens entre 2002 e 2010, entre eles Dos Restos e das Solidões e A Montanha Mágica. Em 2007, dirigiu o drama familiar O Grão, seu primeiro longa-metragem, que deu início ao que intitulou de Trilogia da Morte, formada também por Mãe e Filha (2011) e Clarisse ou Alguma Coisa Sobre Nós Dois (2015). Seus primeiros longas ganharam, juntos, mais de 70 prêmios em festivais de cinema nacionais e internacionais. Depois de O Barco (2018), dirigiu o documentário A Jangada de Welles (2019), ao lado de Firmino Holanda, e as ficções A Praia do Fim do Mundo (2021) e Mais Pesado é o Céu (2023). Entre os Dias é seu oitavo longa-metragem.

A Iluminura Filmes é uma empresa cearense de audiovisual com trajetória nacional e internacional consolidada, tendo realizado diversos filmes documentários e de ficção que se destacam pela qualidade técnica e pela inventividade artística, consagrando-se com mais de 200 prêmios em festivais de cinema nacionais e internacionais.

Em atividade desde 2007, a Sereia Filmes é uma produtora e distribuidora de filmes responsável por lançar em circuito obras como A Jangada de Welles (2019) e Mais Pesado é o Céu (2023), ambos de Petrus Cariry, sendo o primeiro codirigido por Firmino Holanda; Pequenos Guerreiros (2021), de Bárbara Cariry; Antonio Bandeira: O Poeta das Cores (2024), de Joe Pimentel; e, recentemente, a cópia remasterizada em 4K de Corisco e Dadá (1996), de Rosemberg Cariry.

Entre os Dias é realizado com apoio do Governo do Brasil, por meio do Ministério da Cultura, e do Governo do Ceará, por meio da Secretaria da Cultura. O projeto foi contemplado no Edital de Apoio ao Audiovisual Cearense da Lei Paulo Gustavo. O longa-metragem tem lançamento previsto para 2027 no circuito de mostras e festivais de cinema, antes de chegar ao circuito comercial brasileiro com distribuição da Sereia Filmes.

Fotos: Wesley Barbarini/Iluminura Filmes.

FALA São Chico 2026: conheça os filmes selecionados

por: Cinevitor
Cena do curta potiguar A Voz dos Muros, de Suelayne Cris

A quinta edição do Festival Audiovisual Latino-Americano de São Francisco do Sul, o FALA São Chico, acontecerá entre os dias 1 e 4 de julho no Cine Teatro X de Novembro no norte de Santa Catarina, terceiro território mais antigo do Brasil.

O evento, realizado pela Associação Cultural Panvision, reafirma sua vocação como espaço de encontro e difusão do cinema documental latino-americano contemporâneo.

Neste ano, na mostra competitiva de curtas-metragens, 16 títulos documentais, incluindo temáticas infantojuvenil, integram a seleção oficial e serão exibidos no Centro Histórico da cidade. As produções selecionadas representam cinco países: Brasil, Colômbia, Cuba, Uruguai e França, esta última em coprodução internacional. No cenário nacional, os filmes contemplam realizadores de seis estados brasileiros e do Distrito Federal, ampliando o panorama de diferentes olhares e territórios do país.

A curadoria desta edição, formada por Marilha Naccari, Marina Simioli e Spike Luu, também destaca a presença de quatro cineastas estreantes, reforçando o compromisso do FALA São Chico com a valorização de novas vozes, perspectivas e narrativas no audiovisual independente. Foram mais de 500 filmes, de 23 países, incluindo 25 coproduções internacionais, inscritos.

Entre os filmes selecionados, sete são dirigidos por mulheres, cinco têm direção LGBTQIAPN+, quatro contam com direção de pessoas pretas ou pardas, um possui direção indígena e um é dirigido por Pessoa com Deficiência (PcD). A mostra reúne ainda uma produção universitária e dez documentários contemplados com o Selo Marias de Cinema. Dois dos filmes da seleção oficial terão sua estreia no festival. Santa Catarina, estado anfitrião do evento, será representado por quatro produções (das cidades de Timbó, Florianópolis, Urubici e São Francisco do Sul). 

Em sua quinta edição, o FALA São Chico consolida-se cada vez mais como uma vitrine para o cinema documental independente latino-americano, promovendo o intercâmbio cultural e ampliando o acesso do público a obras que refletem a diversidade de realidades, identidades e experiências do continente.

Conheça os filmes selecionados para o FALA São Chico 2026:

A Jovem sob a Lente dos Jovens, de Direção Coletiva (SC)
A Voz dos Muros, de Suelayne Cris (RN)
Caminho Sinuoso, de Adalberto Oliveira (PE)
Ciudades de Papel: Kevin, de Alvaro Adib (Uruguai)
En Nombre del Amor, de Luciana Martins, Mariana Pallas, Socorro Lira e Alexander Dieppa (SP/Cuba)
Entre a Bola e o Mundo, de Jo Galvv (Brasil, SP)
Entre Cordas e Sonhos: O Maestro Hans e a Orquestra, de Alex Hahnebach e Cleiton Schlindwein (SC)
Envelhecer no Espectro, de Vanessa Dunk (DF)
Juruá: Memórias de um Rio, de Carolina Fernandes (AM)
Madres de Nacimiento, de Gloria Isabel Gómez Ceballos (Colômbia/França)
Não é Brincadeira, é Bullying, de Marcelo Sabiá (SC)
Nhemongarai, de Hopi Chapman e Jorge Morinico (RS)
O Reduto, de Julia Donati (RN)
O Retorno, de César Meneghetti e Mario Gianni (AM)
Sou Jazz, de Adnes Sousa (SP)
Sumidouro Livre, de Lucas Antunes (SC)

Foto: Divulgação.

Conheça os vencedores do 9º Prêmio ABRA de Roteiro

por: Cinevitor
Esmir Filho: premiado pelo roteiro de Homem com H

O Prêmio ABRA de Roteiro é realizado pela ABRA, Associação Brasileira de Autores Roteiristas, e tem a finalidade de valorizar tais profissionais e ressaltar a importância do roteiro na cadeia de produção da indústria audiovisual do país.

A votação que determina indicados e vencedores é realizada pelas próprias pessoas associadas da ABRA em dois turnos; podem concorrer ao prêmio as produções cujos roteiros são de autoria ou coautoria de roteiristas brasileiros, associados à ABRA ou não.

Neste ano, a escolha dos vencedores foi anunciada no dia 26 de maio dentro da programação do Rio2C, no Rio de Janeiro. Nesta nona edição da premiação, a principal honraria dedicada exclusivamente à autoria audiovisual no país, também foi celebrada uma data especial: os dez anos de existência da associação.

Sob a direção de Camilo Pellegrini pelo terceiro ano consecutivo, a noite foi conduzida pelos apresentadores Caíto Mainier e Thalita Carauta, com roteiro assinado por Arnaldo Branco. A edição contou com patrocínio do Projeto Paradiso e apoio do Cardume Curtas e da Cinemateca Brasileira.

A roteirista homenageada foi Yoya Wursch, autora de clássicos como os longas Bete Balanço (Lael Rodrigues, 1984) e Lua de Cristal (Tizuka Yamasaki, 1990), além de marcos da televisão brasileira como a novela Dona Anja (SBT, 1996/97) e a série Mandacaru (Manchete, 1997/98): “É uma honra poder, mais uma vez, premiar os nossos pares. O Prêmio ABRA é uma premiação de roteiristas para roteiristas; um momento em que a gente pode valorizar os nossos talentos e celebrar, entre nós, as nossas conquistas”, disse Thaís Olivier, presidente da ABRA.

A ABRA é fruto da fusão da ARTV, Associação Brasileira de Roteiristas Profissionais de Televisão e Outros Veículos de Comunicação, com a AC, Autores de Cinema. Esta junção de forças se deu em 2016, quando o mercado audiovisual vivia um boom por conta da lei da TV paga, o aumento de investimentos do setor público e a chegada das plataformas digitais. Hoje, o mercado encontra novos desafios, como a regulação do VOD. A ABRA, atualmente, já soma mais de mil roteiristas, sendo a instância legítima de representação da profissão de autor-roteirista no Brasil.

Confira a lista completa com os vencedores do 9º Prêmio ABRA de Roteiro:

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
O Agente Secreto, escrito por Kleber Mendonça Filho

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
Homem com H, escrito por Esmir Filho

MELHOR ROTEIRO | DOCUMENTÁRIO
Apocalipse nos Trópicos, escrito por Petra Costa, Alessandra Orofino, Nels Bangerter, David Barker e Tina Baz

MELHOR ROTEIRO | ANIMAÇÃO
Tainá e os Guardiões da Amazônia: Em Busca da Flecha Azul, escrito por Gustavo Colombo

MELHOR ROTEIRO DE COMÉDIA | PRÊMIO PAULO GUSTAVO
Caramelo, escrito por Diego Freitas, Rod Azevedo, Vitor Brandt e Carolina Castro

MELHOR ROTEIRO INFANTIL
Chico Bento e a Goiabeira Maraviosa, escrito por Elena Altheman, Fernando Fraiha e Raul Chequer

MELHOR ROTEIRO | CURTA-METRAGEM | PRÊMIO CARDUME
Anba Dlo, escrito por Rosa Caldeira e Luiza Calagian

MELHOR ROTEIRO | SÉRIE | DRAMA
Máscaras de Oxigênio Não Cairão Automaticamente, escrito por Patricia Corso e Leonardo Moreira

MELHOR ROTEIRO | SÉRIE | COMÉDIA
Pablo & Luisão, escrito por Paulo Vieira, Maurício Rizzo, Bia Braune, Caíto Mainier, Nathalia Cruz e Patrick Sonata

MELHOR ROTEIRO | SÉRIE | DOCUMENTÁRIO
A Mulher da Casa Abandonada, escrito por Mariana Paiva, Tainá Muhringer, Fernanda Polacow, Henrique dos Santos e Karolina Santos

MELHOR ROTEIRO | SÉRIE | ANIMAÇÃO
Osmar, a Primeira Fatia do Pão de Forma (3ª temporada), escrito por Ale McHaddo, Keka Reis, Luiz Felipe Mazzoni, Carol Rosa, Ricardo Grynszpan, Paulo de Tarso Disca, Isabella Giordano e Larissa Câmara

MELHOR ROTEIRO | TELENOVELA
Guerreiros do Sol, escrito por George Moura, Sérgio Goldenberg, Cláudia Tajes, Mariana Mesquita, Ana Flávia Marques, Dione Carlos e Marcos Barbosa

MELHOR ROTEIRO | PROGRAMA | REALITY SHOW
LOL: Se Rir, Já Era (4ª temporada), escrito por Beth Moreno, Cecilia Bastos, Cintia Portella, Galba Gogóia, Livia La Gatto, Luli Romano, Natália Balbino, Pedro Sardaux, Ulisses Mattos, Victor Ahmar, Fernanda Leite, Daniella Fernandes, Brunna Sampaio, Carolen Meneses e Roberta Melo

MELHOR ROTEIRO | PROGRAMA | VARIEDADES
Avisa Lá que Eu Vou (4ª temporada), escrito por Paulo Vieira, Daniela Ocampo, Luiza Yabrudi, Nathalia Cruz e Leonardo Lanna

PRÊMIO ABRAÇO | EXCELÊNCIA EM ROTEIRO
Carol Rodrigues

ROTEIRISTA DO ANO | PRÊMIO PARADISO
Keka Reis

ROTEIRISTA HOMENAGEADA
Yoya Wursch

Foto: Tata Barreto.

Festival de Cannes 2026: conheça os vencedores

por: Cinevitor
Javier Calvo, Paweł Pawlikowski e Javier Ambrossi: empate no prêmio de melhor direção

Foram anunciados neste sábado, 23/05, os vencedores da 79ª edição do Festival de Cannes, que este ano contou com o diretor, roteirista e produtor sul-coreano Park Chan-wook na presidência do júri. Demi Moore, Ruth Negga, Laura Wandel, Chloé Zhao, Diego Céspedes, Isaach de Bankolé, Paul Laverty e Stellan Skarsgård completavam o time responsável por avaliar e premiar os filmes da Competição.

Neste ano, o drama Fjord, dirigido pelo cineasta romeno Cristian Mungiu, recebeu a Palma de Ouro, prêmio máximo do evento. Com Renate Reinsve e Sebastian Stan no elenco, o filme conta a história da família Gheorghiu, imigrante romena, que se estabelece em uma vila situada em um fiorde distante, na Noruega, e se aproxima de seus vizinhos. Seus filhos criam laços apesar de suas diferentes formações acadêmicas. Quando a adolescente Elia Gheorghiu aparece na escola com alguns hematomas pelo corpo, a comunidade se pergunta se a educação tradicional que os filhos dos Gheorghiu recebem de seus pais pode ter algo a ver com isso.

Ainda na cerimônia de premiação, apresentada por Eye Haïdara, a atriz francesa Isabelle Huppert subiu ao palco para celebrar a consagrada atriz e cantora estadunidense Barbra Streisand, que foi homenageada com a Palma de Ouro honorária, porém, infelizmente, não compareceu ao evento por questões de saúde. Ao longo do festival, Peter Jackson e John Travolta também receberam tal honraria. 

Além disso, como de costume, o Prêmio FIPRESCI, realizado pela Federação Internacional de Críticos de Cinema, segue com seu papel tradicional de reconhecer realizações excepcionais nas principais seções do festival. Assim como nos anos anteriores, o júri concedeu três prêmios: um para um filme da Competição, um para um título da mostra Un Certain Regard e um terceiro para um longa-metragem de estreia selecionado entre as seções paralelas (Quinzena de Cineastas e Semana da Crítica); essa abrangência reflete o compromisso da FIPRESCI tanto com autores consagrados quanto com novas vozes do cinema contemporâneo. O júri de 2026 foi presidido por Pamela Jahn e contou também com críticos de todo o mundo: Renaud Baronian (França), Elvira Del Guercio (Itália), Thierry Méranger (França), Pouya Aghelizadeh (Irã), Edin Čusto (Bósnia e Herzegovina), Tilda Sixue Li (China), Mohamed Allal (Argélia) e a brasileira Ivonete Medianeira Pinto. 

Confira a lista completa com os vencedores do Festival de Cannes 2026:

COMPETIÇÃO

PALMA DE OURO
Fjord, de Cristian Mungiu (Romênia/Noruega/Suécia/Finlândia/Dinamarca/França)

GRAND PRIX
Minotaur, de Andrey Zvyagintsev (França/Alemanha/Letônia)

PRÊMIO DO JÚRI
Das geträumte Abenteuer, de Valeska Grisebach (Alemanha/França/Bulgária/Áustria)

MELHOR DIREÇÃO
Javier Ambrossi e Javier Calvo, por La bola negra
Paweł Pawlikowski, por Fatherland

MELHOR ROTEIRO
Notre Salut, escrito por Emmanuel Marre

MELHOR ATRIZ
Virginie Efira e Tao Okamoto, por All of a Sudden (Soudain)

MELHOR ATOR
Emmanuel Macchia e Valentin Campagne, por Coward

PALMA DE OURO | CURTA-METRAGEM
Para los contrincantes, de Federico Luis (Chile/México/França)

OUTROS PRÊMIOS

CÂMERA DE OURO | Caméra d’Or
Ben’imana, de Marie-Clémentine Dusabejambo (Ruanda)

PRÊMIOS FIPRESCI | Federação Internacional de Críticos de Cinema
Competição Oficial: Fjord, de Cristian Mungiu (Noruega/Romênia/Suécia/Finlândia/Dinamarca/França)
Un Certain Regard: Ben’imana, de Marie-Clémentine Dusabejambo (Ruanda)
Semana da Crítica/Quinzena de Cineastas: Wu ming nü hai (A Girl Unknown), de Jing Zou (China/França)

L’Œil d’or (Olho de Ouro) | MELHOR DOCUMENTÁRIO
Melhor Filme: Rehearsals for A Revolution, de Pegah Ahangarani (República Tcheca/Espanha/Irã)
Menção Especial: Tin Castle, de Alexander Murphy (Irlanda/França)

*Clique aqui e conheça os vencedores da mostra Un Certain Regard

*Clique aqui e conheça os vencedores da Quinzena de Cineastas

*Clique aqui e conheça os vencedores da Semana da Crítica

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Foto: Amy Sussman/Getty Images.

Queer Palm: conheça os vencedores do prêmio LGBTQIA+ do Festival de Cannes 2026

por: Cinevitor
Hannah Einbinder e Gillian Anderson em Acampamento Miasma: Adolescência, Sexo e Morte

Foram anunciados nesta sexta-feira, 22/05, os vencedores da Queer Palm, premiação paralela ao Festival de Cannes, que escolhe, desde 2010, os melhores filmes que destacam temas LGBTQ+, perspectivas feministas ou desafiam normas de gênero.

Neste ano, 27 títulos estavam na disputa: 22 longas e 5 curtas-metragens, que foram exibidos na Competição Oficial, Un Certain Regard, Semana da Crítica, Quinzena de Cineastas, La Cinef, Sessões Especiais, Séances de minuit, Cannes Première, Cannes Classics e ACID. 

O júri de longas deste ano foi formado por: Anna Mouglalis, atriz e musicista francesa; Thomas Jolly diretor artístico e diretor de palco francês; Raya Martigny, artista multidisciplinar da Ilha da Reunião; Jehnny Beth, musicista, cantora, compositora e atriz francesa; e pelo brasileiro André Fischer, diretor do Festival Mix Brasil. Já o júri de curtas contou com Imène Benlachtar, Juan Enrique Villarreal, Hồng Anh Nguyễn, Alexander David e com o cineasta brasileiro Renato Sircilli. 

Entre os longas-metragens, a Queer Palm 2026 foi entregue para o britânico Acampamento Miasma: Adolescência, Sexo e Morte (Teenage Sex and Death at Camp Miasma), dirigido por Jane Schoenbrun, uma coprodução com Canadá e Estados Unidos. A justificativa do júri diz: “O cinema é uma ferramenta poderosa; os filmes colonizam nossa imaginação. Às vezes apesar de nós, às vezes contra nós, mas também podem se tornar o local de sua própria reparação. É isso que a obra que estamos homenageando esta noite demonstra brilhantemente, sem nunca se levar muito a sério, enquanto faz uma pergunta muito séria: como o que consumimos nos molda? A heroína do filme vive exclusivamente de doces e barras de chocolate produzidas em massa. Lixo. Açúcar químico, corantes artificiais, embalagens berrantes. O mesmo acontece com os filmes. O que engolimos, em segredo, escondidos, debaixo das cobertas, na escuridão do quarto de uma criança ou em uma locadora de vídeos mal iluminada, acaba se tornando parte de nós, estruturando nossos desejos, nossos medos, nosso relacionamento com os outros, nossa maneira de nos vermos no espelho. Por toda uma geração, o filme slasher moldou uma relação com a sexualidade, o corpo, a adolescência, a morte e a diferença”. 

E continua: “O cinema de terror, suas estruturas narrativas, seus temas recorrentes, nos faz estremecer, mas também serviu como veículo para a misoginia e a transfobia. Em vez de condenar, este filme propõe reparar. Reivindicar um gênero há muito relegado às margens do cinema e torná-lo uma ferramenta para os dias de hoje. Um cinema popular, alegre e meticulosamente pesquisado, livre de um molde heteronormativo e heterocêntrico, conectando este gênero a outras histórias, outros corpos, outras jornadas. Aqui, a jornada de duas mulheres encontrando seu caminho para a reconciliação com sua própria sexualidade. Descendo a um buraco no fundo de um lago congelado, apenas para ressurgir à luz da primavera. Retornando ao DNA do gênero para que ele possa nos iluminar hoje. Uma homenagem ao cinema como ferramenta de reparação, tanto íntima quanto coletiva. Hannah Einbinder personifica a primeira ‘final girl’ de uma nova geração, enquanto Gillian Anderson, uma deslumbrante ‘final girl’ original, é o ícone que realmente é, e tem sido, por múltiplas gerações. Com o sangue mais brilhante da história do cinema de terror e uma trilha sonora repleta de sucessos, o júri concede a Queer Palm 2026 a Teenage Sex and Death at Camp Miasma, de Jane Schoenbrun”. 

Neste ano, o júri optou por conceder o Prêmio Discovery, que foi entregue para o francês Du Fioul dans les artères, de Pierre Le Gall, uma coprodução com a Polônia. A justificativa diz: “Uma seleção excepcional exige uma resposta excepcional: o júri da Queer Palm de 2026 não seguirá o roteiro habitual. Queríamos criar um prêmio de descoberta para reconhecer, como o nome sugere, uma descoberta… no sentido mais amplo da palavra. Este ano, é a descoberta de um cineasta. Este filme nos leva aonde poucos olhares se detêm: para dentro de vidas que rolam, que entregam, que desaparecem no fluxo das rodovias e nos pontos cegos da nossa consciência. Os trabalhadores rodoviários formam uma comunidade imensa e invisível cujas condições de trabalho são, no entanto, a própria condição do nosso dia a dia. Este filme dá presença aos homens e mulheres da estrada. Rostos. Dignidade. Revela a ternura de uma história de amor nascente em contraste com a dureza do trabalho. Porque como amar quando as condições de trabalho devoram o tempo, quando os empregadores ditam o ritmo? Como o amor floresce numa Europa de mercados? Como o amor encontra o seu lugar no asfalto de uma ponte rodoviária ou nos confins estreitos da cabine de um caminhão?”.

E continua: “O diretor levou sua câmera a bordo de um romance obstinado: a teimosa gentileza de duas pessoas tentando encontrar o caminho umas para as outras. Através de horários incompatíveis. Através do barulho e do frio. Através da Europa. Precariedade. Fronteiras. Ele mostra como o amor frustrado, como a água, sempre encontra um caminho; e que uma pessoa pode ter a coragem de atravessar uma autoestrada, mas não de entrar em um bar da moda. Alexis Manenti e Julian Świeżewski personificam os heróis que faltavam no panteão dos grandes amantes. Este é um primeiro filme que inegavelmente amplia a lista de grandes histórias de amor já levadas para as telas”. 

Entre os curtas-metragens, a Queer Palm 2026 consagrou o americano Silent Voices, dirigido por Nadine Misong Jin. A justificativa diz: “O curta-metragem que escolhemos homenagear esta noite é uma obra sutil e discreta que se concentra nas sensações em vez do que é dito. Transmite graciosamente, através de suas imagens, uma sensação de tensão e ternura. Com grande sensibilidade, o filme captura com precisão os gestos da vida cotidiana. Em uma era marcada pela violência e hostilidade, a diretora opta por apresentar a cultura queer como uma possibilidade, um vislumbre de esperança, que não precisa de justificativa. Seu elenco notável nos leva a uma jornada por uma metrópole agitada, onde descobrimos uma família dilacerada, cujo vínculo se expressa unicamente pelo silêncio. Ficamos emocionados ao ver essa nova voz emergir e mal podemos esperar para ver o que vem a seguir”. 

O pôster deste ano foi fotografado por Raya Martigny, pelo projeto Kwir Nou Éxist, desenvolvido ao longo de cinco anos ao lado de Édouard Richard, que entrelaça fotografia, arquivos e vídeo e explora o surgimento da jovem comunidade queer de Ilha da Reunião, sua ligação com o território e com as vidas que a precederam. Sobre a foto escolhida para estampar o cartaz, Raya disse: “Ericka mudou minha vida. Quando eu era criança na Ilha da Reunião, vagueava muito em busca da minha história; muitas vezes me sentia sozinha e perdida. Um dia, encontrei uma lenda. Eu tinha oito anos, buscando uma identidade, coisas que me marcassem para o resto da vida, das quais eu sempre pudesse me inspirar e que sempre me colocassem de volta no caminho certo. Ericka é uma pioneira da história LGBTQIA+ na Ilha da Reunião. Ela é minha fada madrinha que, com sua exuberância, criou uma criança feliz. Escolhi fotografá-la em toda a sua magia, assim como a magia da minha ilha, ambas que me encantaram profundamente”. 

Foto: Ryan Plummer/MUBI.

Festival de Cannes 2026: Elefantes na Névoa, coprodução brasileira, é premiada na mostra Un Certain Regard

por: Cinevitor
Os vencedores da mostra Un Certain Regard 2026

Foram anunciados nesta sexta-feira, 22/05, os vencedores da mostra Un Certain Regard, também conhecida como Um Certo Olhar, que coloca em evidência filmes artísticos e artisticamente ousados dirigidos por novos cineastas, porém mais atípicos aos que disputam a Palma de Ouro no Festival de Cannes.

Neste ano, o drama austríaco Everytime, dirigido por Sandra Wollner, foi o grande vencedor do prêmio principal. O longa acompanha uma mãe, sua filha e um adolescente culpados por uma morte trágica enquanto viajam juntos para Tenerife, enfrentando a dor, a culpa e o perdão em um feriado em família que nunca aconteceu.

Outro destaque foi Elefantes na Névoa, dirigido por Abinash Bikram Shah, uma coprodução entre Nepal, Alemanha, Brasil, França e Noruega, que ficou com o Prêmio do Júri. O filme conta com a participação de importantes produtoras do audiovisual brasileiro, como a Bubbles Project, responsável por títulos como Malu e O Riso e a Faca, e a Enquadramento Produções, que assina obras como Los Silencios e A Febre. O prêmio reforça a potência do cinema brasileiro e o valor das coproduções internacionais, evidenciando, em um dos mais importantes eventos do mundo, como a troca criativa e técnica entre diferentes países contribui para o fortalecimento de cada projeto.

Ambientado em um vilarejo no Nepal, à beira de uma floresta habitada por elefantes selvagens, o filme acompanha Pirati, líder de uma comunidade Kinnar, que vê sua vida abalada após o desaparecimento de uma de suas filhas. A partir deste evento, a narrativa se desenvolve como uma investigação, atravessada por conflitos íntimos e sociais. 

Elefantes na Névoa teve todo o som feito pelas produtoras brasileiras e mais cedo este trabalho foi reconhecido com o prêmio de melhor criação sonora (Prix de la Meilleure Création Sonore), pela La Semaine du Son, do Festival de Cannes, algo que evidencia a importante participação dos profissionais brasileiros e reforça o excelente momento vivido pelo cinema nacional. O som foi desenvolvido por Pedro Sá Earp, que foi até o Nepal e trabalhou na captação do áudio durante as filmagens. Já na pós-produção, o diretor Abinash Bikram Shah esteve no Brasil e trabalhou na Confraria de Sons & Charutos com o designer de som Henrique Chiurciu; o mixador Daniel Turini; e o supervisor de som Fernando Henna. 

Tatiana Leite, da Bubbles Project, celebrou a conquista: “A gente já tinha ficado muito feliz ao receber o prêmio de som, mas ganhar o Grande Prêmio do Júri é gigantesco! Este é o primeiro longa do diretor Abinash Bikram Shah, um artista extremamente talentoso, e ouvir ele citar meu nome e o de Leonardo Mecchi, que fez o filme comigo, é um orgulho imenso. Em breve, todo mundo poderá descobrir Elefantes na Névoa em um cinema pertinho de casa, após a estreia no Brasil”.

Elefantes na Névoa: coprodução brasileira premiada

Mais cedo, Leonardo Mecchi, sócio-fundador da Enquadramento Produções, reforçou a importância do prêmio de melhor criação sonora e a importância de coproduções: “Estamos muito felizes pelo prêmio, especialmente por ele reconhecer justamente o trabalho que o Brasil desempenhou no som do filme. Além disso, essa conquista evidencia a força das coproduções, que promovem trocas e intercâmbios culturais entre países, enriquecendo ainda mais a obra”. 

O filme, que será distribuído pela Imovision no Brasil, é o primeiro longa-metragem do cineasta Abinash Bikram Shah, que teve seu curta-metragem Lori premiado com uma Menção Especial na competição de Cannes em 2022; ele também assinou o roteiro do longa Shambhala, exibido na competição da Berlinale em 2024.

Neste ano, o júri da Un Certain Regard foi presidido pela atriz francesa Leïla Bekhti e contou também com: Angèle Diabang Brener, produtora senegalesa; Khaled Mouzanar, compositor libanês; Laura Samani, cineasta italiana; e Thomas Cailley, diretor francês. 

Além disso, também foram revelados os vencedores da Competição Imersiva e o grande vencedor foi o francês Katàbasis, criado por Ugo Arsac: “Katàbasis é uma obra imersiva magnífica, profundamente humana, autêntica e emocionalmente poderosa, que nos permite reconectar com o que une seres humanos aparentemente comuns”, disse Blanca Li, presidente do júri, que contou também com Céline Tricart, Michel van der Aa, Mary Matheson e Hsin-Chien Huang. Uma Menção Especial foi concedida para The Black Mirror Experience, uma coprodução entre França e Espanha, criada por David Bardos e Damià Ferràndiz.

E mais: a Palm Dog, prêmio paralelo atribuído anualmente pelos críticos internacionais do festival para a melhor atuação canina foi para Yuri, a cadela chilena de La Perra, filme da cineasta chilena Dominga Sotomayor, que foi exibido na Quinzena de Cineastas; uma coprodução entre Chile e Brasil (pela RT Features, de Rodrigo Teixeira), com Selton Mello no elenco. 

Yuri, antes de se tornar protagonista do filme, vivia em um abrigo administrado pela Mirada Animal Chile, entidade dedicada ao resgate e cuidado de animais abandonados. Durante a pré-produção, foi realizado um processo colaborativo de adoção e treinamento pelas produtoras junto aos treinadores Nicolás Carrillo e Marcela Carrasco, que cuidaram de Yuri durante todo o processo até que ela encontrasse um novo lar. Já o papel de Yuri filhote foi interpretado por Tormenta María, uma jovem cadela resgatada e adotada por um integrante da equipe de produção do filme. Após o fim das filmagens, a produção encontrou uma nova família para Yuri, onde ela agora vive feliz e em segurança.

Conheça os vencedores da mostra Un Certain Regard 2026:

PRÊMIO UN CERTAIN REGARD
Everytime, de Sandra Wollner (Áustria/Alemanha)

PRÊMIO DO JÚRI
Elefantes na Névoa (Elephants in the Fog), de Abinash Bikram Shah (Nepal/Alemanha/Brasil/França/Noruega)

PRÊMIO ESPECIAL DO JÚRI
Iron Boy, de Louis Clichy (França/Bélgica)

MELHOR ATOR
Bradley Fiomona Dembeasset, por Congo Boy

MELHOR ATRIZ
Marina de Tavira, Daniela Marín Navarro e Mariangel Villegas, por Siempre soy tu animal materno

Foto: Amélie Canon.

Mostra Ecofalante de Cinema 2026: conheça os filmes selecionados

por: Cinevitor
Tavinho Teixeira em Amazônia Oktoberfesta, de Sérgio Oliveira e Felipe Drehmer

Considerado o mais importante evento audiovisual da América do Sul focado nas questões socioambientais, a 15ª edição da Mostra Ecofalante de Cinema acontecerá entre os dias 28 de maio e 10 de junho com 104 filmes, de 27 países, na programação; todos com entrada franca e distribuídos por mais de 30 salas de São Paulo. 

Para a competição Territórios e Memórias, voltada a curtas e longas-metragens que discutam temas sociais e ambientais no Brasil, foram selecionados 12 longas e 19 curtas-metragens. Já para a competição Concurso Curta Ecofalante, exclusiva para filmes realizados por estudantes (ensino superior, técnico, livre ou médio), foram selecionados 24 títulos. A programação traz obras brasileiras que abordam questões como o pertencimento, a preservação de memórias coletivas e culturais, as lutas sociais e ambientais relacionadas a espaços geográficos e as tensões provocadas por mudanças no uso ou posse da terra.

No Panorama Internacional Contemporâneo, foram convidados especialistas para analisar os filmes e os desafios globais que compõem as mostras; são leituras essenciais para quem quer ir além da tela e entender as complexidades do mundo contemporâneo. Neste ano, a seção reúne filmes de diferentes países e diversas produções premiadas em festivais internacionais. As obras selecionadas no Panorama Internacional Contemporâneo falam de temas como: Emergência Climática & Crise Ambiental; Conflitos, Guerra e Memória; Palestina: Apagamentos e Resistência; Feminismos, Corpo e Lutas de Gênero; Colonialismo, Território e Povos Originários: Histórias de saques e violências; e Democracia, Ética e Justiça.

No programa Sessões Especiais Internacionais, a seleção traz obras de destaque que não se restringem às mostras temáticas tradicionais do festival. São filmes fundamentais que trazem discussões urgentes e contemporâneas, como: o programa especial Sociedade do Cansaço: Trabalho e Saúde Mental; o programa Oceano Sem Fim; e um filme especial da cineasta francesa Claire Simon. Já nas Sessões Especiais Nacionais, o espaço é dedicado ao protagonismo do cinema brasileiro, apresentando lançamentos inéditos e pré-estreias exclusivas no país. A sessão reúne filmes que, pela sua relevância, ganham um lugar de destaque na programação, servindo como uma vitrine para novas produções nacionais.

Yasmin Formiga no curta paraibano A Nave que Nunca Pousa, de Ellen Morais

No Panorama Histórico: The Flaherty Way e o contra-cinema, a seção reúne seis filmes inspirados no Seminário Flaherty, a maior parte deles dirigidos por mulheres, homenageando o legado da diretora e roteirista Frances Flaherty.

E mais: a 15ª Mostra Ecofalante de Cinema homenageia Zita Carvalhosa, que faleceu em julho de 2025, com uma retrospectiva dedicada à produtora com seis filmes. Nome fundamental do cinema brasileiro, Zita construiu um legado marcado pela paixão pelo curta-metragem, regida por princípios que parecem dialogar com o lema difundido pelo poeta e ativista socioambiental TT Catalão (1948-2020): O meio ambiente começa no meio da gente.

Além disso, a seleção apresenta o programa Ecofalante Educação, que se estende ao longo de todo o ano e promove a integração entre cinema, educação e cidadania, levando o audiovisual para escolas e universidades de todo o Brasil. Por meio de um catálogo de filmes, curadorias temáticas e a possibilidade de promoção de debates e atividades formativas, o programa sensibiliza, estimula o pensamento crítico e o engajamento socioambiental de estudantes e educadores.

O júri da 15ª edição da Mostra Ecofalante de Cinema será formado por: Djin Sganzerla, Lorran Dias e Tide Borges na Competição Territórios e Memória; e Isaac Pipano, Larissa Barbosa e Luciana Resende na Competição Concurso Curta. A programação contará também com masterclasses, oficinas, eventos de lançamento de filmes e uma série de debates para aprofundar as discussões de cada temática.

Conheça os filmes selecionados para a Mostra Ecofalante de Cinema 2026:

LONGA-METRAGEM | COMPETIÇÃO | TERRITÓRIOS E MEMÓRIA

A Fabulosa Máquina do Tempo, de Eliza Capai (RJ)
Amazônia Oktoberfesta, de Sérgio Oliveira e Felipe Drehmer (PE)
Arquivo Vivo, de Vincent Carelli e Ana Carvalho (PE)
Até Onde a Vista Alcança, de Alice Villela e Hidalgo Romero (SP)
Benvindos, de Luana Cabral (ES)
Futuro Futuro, de Davi Pretto (RS)
Minha Terra Estrangeira, de Coletivo Lakapoy, Louise Botkay e João Moreira Salles (RO)
Mounir, de Juliana Borges (SP)
Movimento Perpétuo, de Leandro Alves (AL)
Na Passagem do Trópico, de Francisco Miguez (SP)
Nimuendajú, de Tania Anaya (MG/Peru)
O Jardim de Maria, de Jade Rainho (SP)

CURTA-METRAGEM | COMPETIÇÃO | TERRITÓRIOS E MEMÓRIA

A Cachoeira, de Rayssa Coelho e Filipe Gama (BA)
A Nave que Nunca Pousa, de Ellen Morais (PB)
A Pele do Ouro, de Marcela Ulhoa e Yare Perdomo (RO)
A Tragédia da Lobo-guará, de Kimberly Palermo (RJ)
Baixada: Nas Águas de Cubatão, de Renato de Castro (SP)
Caldeirão, de Oliveira Júnior, Milena Rocha e Weslley Oliveira (PI)
Floresta Cicatriz, de Lian Gaia (RJ)
Fronteriza, de Nay Mendl e Rosa Caldeira (SP)
Grão, de Gianluca Cozza e Leonardo da Rosa (RS)
Kakxop Pahok: As Crianças Cegas, de Cassiano Maxakali e Charles Bicalho (MG)
Lomba do Pinheiro, de Iuri Minfroy (RS)
Maira Porongyta: O Aviso do Céu, de Kujãesage Kaiabi (MT)
O Mapa em que Estão Meus Pés, de Luciano Pedro Jr. (AL)
O Ponto do Mel, de Mirian Oliveira e Pedro Lessa (PB)
Ontem Lembrei de Minha Mãe, de Leandro Afonso (PR)
Ponto Cego, de Luciana Vieira e Marcel Beltrán (CE)
Praia dos Milagres, de Rita Carelli e Laura Mansur (PE)
Replikka, de Piratá Waurá e Heloisa Passos (MT/PR/RJ)
Uma Menina, Um Rio, de Renata Martins Alvarez (SP)

CONCURSO CURTA ECOFALANTE

Além do Marco: Direitos Indígenas em Jogo, de Cássia Fernandes (SP)
Alucine Olinda, de Igor Luiz Ribeiro (PE)
Ambivalência, de Natacha Maria Oliveira (RJ)
Av. São João, 588, de Bruna Resende e Matheus Barbosa (SP)
Chica Machado: Rainha de Goyaz, de Renata Rosa Franco (GO)
Da Aldeia à Universidade, de Leandro de Alcântara e Túlio de Melo (TO)
Desfem, de Manoella Fernandes e Polyana Santos (SP)
Diálogo Bulbul, de Bruno Churuska, Gledson Augusto, Nicole Mendes, Yan Altino e Zimá Domingos (RJ)
Filme-Copacabana, de Sofia Leão (RJ)
Mares de Sabedoria, de Alunos do Clube Mares de Sabedoria (PE)
Mestrinhos, de Lwidge de Oliveira (SE)
Mukondo, da Vida Após a Morte, Maria de Silú, de Fernanda Souza (BA)
Nioladi: Como Resiste a Língua Kadiwéu?, de Ana Beatriz Leal (MS)
O que as Formigas me Contaram, de Marcus Vinicius Diniz (GO)
Rio Mãe (面纱之河), de Cristina Neves (SP)
Saber Brincar, de Leticia Diniz (CE)
Ser Cria, de Marco Aurélio Correa (RJ)
Trago Seu Amor de Volta, de Raíssa Anjos (SP)
Um Gosto Assim, de Helena Versiani (DF)
Um Pé de Caju, de Pablo Monteiro e Cadu Marques (MA)

PANORAMA INTERNACIONAL CONTEMPORÂNEO | EMERGÊNCIA CLIMÁTICA & CRISE AMBIENTAL

Bangladesh Submersa (Black Water), de Natxo Leuza (Espanha/Bangladesh)
Inverno Implacável (Iron Winter), de Kasimir Burgess (Austrália/Mongólia)
O Grande Lago Salgado (The Lake), de Abby Ellis (EUA/Canadá/Reino Unido)
O Urso Inconveniente (Nuisance Bear), de Jack Weisman e Gabriela Osio Vanden (EUA/Canadá/Reino Unido)

PANORAMA INTERNACIONAL CONTEMPORÂNEO | CONFLITOS, GUERRA E MEMÓRIA

Jerusalém, a Lei da Pedra (Rule of Stone), de Danae Elon (Canadá/Israel)
Os Leões do Rio Tigre (The Lions By River Tigris), de Zaradasht Ahmed (Noruega/Países Baixos/Iraque)
Você Me Ama (Do You Love Me), de Lana Daher (França/Líbano/Alemanha/Catar)

PANORAMA INTERNACIONAL CONTEMPORÂNEO | PALESTINA: APAGAMENTOS E RESISTÊNCIAS

Os Gêmeos de Gaza (Gaza’s Twins, Come Back to Me), de Mohammed Sawwaf (Palestina/Catar/Países Baixos)
Partition, de Diana Allan (Líbano/Palestina/Canadá)
Yalla Parkour, de Areeb Zuaiter (Suécia/Catar/Arábia Saudita/Palestina)

PANORAMA INTERNACIONAL CONTEMPORÂNEO | FEMINISMOS, CORPO E LUTAS DE GÊNERO

Artista dos Rejeitos (Maintenance Artist), de Toby Perl Freilich (EUA)
Escrevendo a Vida: Annie Ernaux Pelos Olhos dos Estudantes (Écrire la vie: Annie Ernaux racontée par des lycéennes et des lycéens), de Claire Simon (França)
Rompendo Rochas (Cutting Through Rocks), de Sara Khaki e Mohammadreza Eyni (Irã/Países Baixos/EUA/Alemanha/Catar/Chile/Canadá)
Sem Dó Nem Piedade (No Mercy), de Isa Willinger (Alemanha/Áustria)

PANORAMA INTERNACIONAL CONTEMPORÂNEO | COLONIALISMO, TERRITÓRIO E POVOS ORIGINÁRIOS: HISTÓRIAS DE SAQUES E VIOLÊNCIAS

Nossa Terra (Nuestra Tierra), de Lucrecia Martel (Argentina/EUA/México/França/Países Baixos/Dinamarca)
O Sal de Katwe (Katwe), de Nima Shirali (Uganda/Suécia)
Runa Simi, de Augusto Zegarra (Peru)
Suriname, a Lei do Rio e a do Dinheiro (Monikondee), de Lonnie van Brummelen, Siebren de Haan e Tolin Alexander (Suriname/Países Baixos)

PANORAMA INTERNACIONAL CONTEMPORÂNEO | DEMOCRACIA, ÉTICA E JUSTIÇA

Desmascarando Elon Musk (Elon Musk Unveiled: The Tesla Experiment), de Andreas Pichler (Alemanha)
O Silêncio da Terra (El Silencio de la Tierra), de Frank Gutiérrez (Espanha/França/Bélgica)
Soldados da Luz (Soldaten des Lichts), de Julian Vogel e Johannes Büttner (Alemanha)

PANORAMA HISTÓRICO: THE FLAHERTY WAY E OS CONTRA-CINEMAS

Harlan County: Tragédia Americana (Harlan County U.S.A.), de Barbara Kopple (EUA) (1976)
Nanook, o Esquimó (Nanook of the North), de Robert J. Flaherty (EUA) (1922)
Para Sempre Condenadas (Damned If You Don’t), de Su Friedrich (EUA) (1987)
Remontagem (Reassemblage: From the Firelight to the Screen), de Trinh T. Minh-ha (EUA) (1983)
Sombras Reveladas (Cast of Shadows), de Sami van Ingen (Finlândia) (2025)
Tempo de Embebedar Cavalos (Zamani baray-e masti-e asbha), de Bahman Ghobadi (Irã) (2000)

SESSÕES ESPECIAIS INTERNACIONAIS | SOCIEDADE DO CANSAÇO: TRABALHO E SAÚDE MENTAL

A Vida Real (La Vraie Vie), de Ekiem Barbier e Guilhem Causse (França)
Querido Amanhã (Dear Tomorrow), de Kaspar Astrup Schröder (Dinamarca/Suécia/Japão)

SESSÕES ESPECIAIS INTERNACIONAIS | OCEANO SEM FIM

À Deriva: 76 Dias Perdido no Mar (76 Days Adrift), de Joe Wein (EUA)

SESSÕES ESPECIAIS INTERNACIONAIS | CLAIRE SIMON

Aprender (Apprendre), de Claire Simon (França)

SESSÕES ESPECIAIS NACIONAIS

A Economia da Esperança, de Andre Barmak (Brasil)
Lendo o Mundo, de Catherine Murphy e Iris de Oliveira (Brasil/EUA)
Longe dos Holofotes, de Jérémie Battaglia (Brasil/França)
Tietê: Águas Verdadeiras, de Rodrigo Campos (Brasil)

HOMENAGEM: ZITA CARVALHOSA

A Alma do Negócio, de José Roberto Torero (Brasil) (1996)
Carvão, de Carolina Markowicz (Brasil) (2022)
Distraída para a Morte, de Jeferson De (Brasil) (2001)
Fé, de Ricardo Dias (Brasil) (1999)
O Cineasta da Selva, de Aurélio Michiles (Brasil) (1997)
Onde São Paulo Acaba, de Andrea Seligmann (Brasil) (1994)

ECOFALANTE EDUCAÇÃO | INFANTIL

Sete Cores da Amazônia, de Ana Lígia Pimentel (Brasil)
Tsuru, de Pedro Anias (Brasil)

ECOFALANTE EDUCAÇÃO | FIFE

Aqui (Ici), de Aurélia Hollart (França)
Girino (Kuap), de Nils Hediger (Suíça)
Matilde, de Vito Palmieri (Itália)
Meu Amigo Nietzsche, de Fáuston da Silva (Brasil)
Meu Avô Estranho (My strange grandfather), de Dina Velikovskaya (Rússia)

ECOFALANTE EDUCAÇÃO | NARRATIVAS DO CLIMA: CAMINHOS PARA O LIXO ZERO

A Incrível Aventura das Sonhadoras Crianças contra Lixeira Furada e Capitão Sujeira, de Beatriz Ohana (Brasil)
Cata, de Lucas Sá (Brasil)
Os Pequenos Mundos, uma Aventura com Caixas, de Sandra Coelho (Brasil)
Tsuru, de Pedro Anias (Brasil)
Um Sonho de Havaí (A Dream of Hawaii), de Thomas Smoor Isaksen (Noruega)

Fotos: Divulgação/Aroma Filmes. 

Cannes 2026: conheça os vencedores da Quinzena de Cineastas

por: Cinevitor
Equipe de I See Buildings Fall Like Lightning: filme premiado

Foram anunciados nesta quinta-feira, 21/05, os vencedores da Quinzena de Cineastas, Quinzaine des Cinéastes, antes chamada de Quinzena dos Realizadores, mostra paralela ao Festival de Cannes, organizada pela La Société des réalisateurs de films (la SRF) desde 1969 e que destaca a produção anual de filmes de ficção, curtas e documentários no cenário independente e também popular.

Nesta 58ª edição, o Prêmio do Público, criado em 2024 e concedido em parceria com a Fondation Chantal Akerman, visa apoiar uma obra singular e um cineasta cujo estilo impresso em sua mise-en-scène, surpreende e encanta o público. O grande vencedor deste ano foi o britânico I See Buildings Fall Like Lightning, da diretora Clio Barnard; o mais votado no Choix du Public pelos espectadores recebe 7.500 euros. 

Entre os prêmios paralelos, o SACD, entregue pela Société des Auteurs et Compositeurs Dramatiques, escolheu o francês Shana, de Lila Pinell. A justificativa do júri, formado por Anne Villacèque, Catherine Corsini e Axelle Ropert, diz: “Em uma seleção extremamente diversificada, onde cineastas consagrados e experientes conviveram com talentos emergentes, queremos, em primeiro lugar, elogiar a notável originalidade das obras apresentadas. Algumas nos surpreenderam positivamente, contrariando nossas expectativas. Várias nos emocionaram profundamente. Mas, na hora de decidir, optamos por homenagear a juventude em seu ímpeto e sua fragilidade. O filme que receberá o Prêmio Especial do Júri revela uma atriz extraordinária, por meio de sua presença física, sua linguagem, sua ousadia, sua sensibilidade genuína e sua profunda humanidade. Sua presença em cena foi, para nós, imediatamente impactante. Somos atraídos por ela instantaneamente. Ela nos conduz e não nos solta. Ela é guiada por um olhar curioso e afetuoso, que a eleva em cenas muitas vezes de tirar o fôlego”. 

Já o prêmio Label Europa Cinemas de melhor filme europeu garante promoção e incentivos adicionais para que os exibidores prolonguem a exibição da obra. O júri, formado por Panos Achtsioglou, Octavian Dăncilă, Alicia Hernanz e Māris Prombergs, justificou a escolha: “L’espèce explosive é um longa-metragem de estreia realmente original e inovador. É um filme que desafia os gêneros, abrangendo ação, romance, suspense, comédia, drama policial e até mesmo um pouco de romance. Grande parte do seu apelo reside na forma como a trama acessível leva o público a direções totalmente inesperadas; e os últimos quinze minutos são uma montanha-russa psicodélica deliciosa e alucinante. É também um filme muito humano, sutil e nada didático, mas que aborda a corrupção e como as comunidades podem se unir para encontrar soluções. Muitas felicitações para Sarah Arnold e sua equipe. Todos nós adoramos e estamos confiantes de que o público em toda a Europa também vai adorar”. 

Nesta ano, vale destacar a presença de La Perra, dirigido pela cineasta chilena Dominga Sotomayor, que foi exibido em competição na programação; uma coprodução entre Chile e Brasil (pela RT Features, de Rodrigo Teixeira). O filme, produzido em parceria com a Planta (Chile), é uma adaptação do romance homônimo de Pilar Quintana. O elenco conta com o brasileiro Selton Mello, Manuela Oyarzún, David Gaete, Paula Luchsinger, Paula Dinamarca e Rafaella Grimberg.

Conheça os vencedores da Quinzena de Cineastas 2026:

PRÊMIO DO PÚBLICO | MELHOR FILME
I See Buildings Fall Like Lightning, de Clio Barnard (Reino Unido)

COUP DE CŒUR DES AUTEURS | PRÊMIO SACD
Shana, de Lila Pinell (França)

LABEL EUROPA CINEMAS | MELHOR FILME EUROPEU
L’espèce explosive, de Sarah Arnold (França)

CARROSSE D’OR
Claire Denis

Foto: Susy Lagrange.