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A Máquina Infernal: Francis Vogner dos Reis fala sobre o curta-metragem exibido no 10º Olhar de Cinema

por: Cinevitor
Carolina Castanho em cena do curta.

Depois de passar pelo Festival de Locarno, na Suíça, e no FICValdivia, no Chile, o curta-metragem A Máquina Infernal, dirigido por Francis Vogner dos Reis, foi exibido pela primeira vez no Brasil na décima edição do Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba.

O filme, que faz parte da Mostra Competitiva, é uma fábula sobre o apocalipse da classe operária. Em uma velha fábrica em processo de falência, os corpos humanos quebram como se fossem máquinas, as máquinas gritam como se fossem corpos. O contraste entre a potência do inumano (as máquinas) e a fragilidade do humano (os trabalhadores). As fantasmagorias do trabalho moderno no mundo contemporâneo. Um filme de horror e amor.

Produzido por Maria Tereza Urias e Renan Rovida, o curta conta com Carolina Castanho, Glauber Amaral, Carlos Escher, Talita Araujo, Renan Rovida, Carlos Francisco, Maria Leite, Martha Guijarro, Carlota Joaquina, Luis Chierotto e Allan Petterson dos Reis no elenco.

Para falar mais sobre A Máquina Infernal, entrevistamos o diretor Francis Vogner dos Reis por e-mail. Confira:

Depois de passar pelo Festival de Locarno, na mostra Pardi di domani, A Máquina Infernal chega ao Olhar de Cinema. Para você, qual a importância de ter sido selecionado para um festival brasileiro tão prestigiado (ainda que on-line, porém com uma abrangência maior de espectadores)? Como tem sido a repercussão do público?

Foi ótimo passar o filme em Locarno, mas meu desejo era ver o filme exibido no Brasil. Talvez fale mais diretamente à inteligência e sensibilidade do público brasileiro que pode entender com mais presteza o que o filme coloca em jogo. Aqui, por exemplo, não tenho que justificar porque escolhi o horror, como também não preciso dizer para o público e para a imprensa sobre o que está acontecendo no Brasil. Os programadores de Locarno foram muito sensíveis ao escolher A Máquina Infernal para a Pardi di domani [mostra competitiva internacional de curtas] e me falaram coisas importantes sobre como o filme bateu neles. Mas no Brasil a recepção do público tem sido interessante. Acompanhei algumas coisas pelo Letterboxd, li críticas e acho que quem assistiu e decidiu falar sobre acatou as proposições que o filme faz. Fico feliz.

A Máquina Infernal retrata uma realidade metalúrgica contemporânea e uma fragmentação da classe operária. Como surgiu a ideia desse roteiro, a motivação para contar essa história em um cinema de gênero (nesse caso, o horror)?

A Máquina retrata sim uma realidade do imaginário e dos impasses derradeiros de uma parte significativa da atual classe trabalhadora da indústria. O desejo em trabalhar no registro do gênero foi meio óbvia pra mim que sempre vi o horror como uma possibilidade poética interessante para lidar com aquelas coisas para as quais ainda não temos uma elaboração. É nessa dobra – entre o que morre e o novo (que nem sempre é positivo) que surgem os monstros, né? E tem uma questão relacionada ao estranhamento da fábrica. O espaço da fábrica, os jogos de força, a violência e o irracional estão ali em sua máxima potência. Gera fantasmagorias.

Três coisas me influenciaram a pensar essa história: a primeira, as ruínas. Cresci vendo as ruínas no ABC. Elas sempre existiram, tanto em período de maior pujança quanto em ciclos de decadência. A sensação que eu tinha, quando pequeno, é que a ruína era como a velhice e a morte orgânicas. Em uma hora essas fábricas vão envelhecer e morrer, vai sobrar o esqueleto. Era a visão que eu tinha. Ou seja: era ao mesmo tempo uma ruína do presente que remetia ao passado e também a projeção de uma ruína do futuro com raízes no presente. As ruínas são assustadoras: decadência, memória das coisas mortas, desaparecimento, fantasmas do passado atuando.

Em segundo lugar, as memórias da fábrica da minha mãe e do meu pai. O demoníaco e o delírio, em alguns de seus relatos, estavam presentes ali no chão de fábrica corriqueiramente. Por exemplo, a cena da personagem Luisa, interpretada por Martha Guijarro, que vai ao chão possuída. Aquilo é memória da minha mãe. Sem tirar e nem pôr. Minha mãe e três tias, numa fábrica de embalagens trabalhando em pé dez horas por dias, viam, às vezes, isso acontecer com uma colega. Segundo minha mãe, ela ‘era possuída’. E não foi uma ou outra vez. Foram várias. Não estou dizendo que ERA possessão. A possessão era uma leitura das pessoas. Uma leitura nada desprezível, pois nos diz muito. 

Em terceiro lugar, o livro A Aparição do Demônio na Fábrica, do sociólogo José de Souza Martins, me deu uma perspectiva crítica da fantasmagoria de fábrica, pois a pesquisa que deu origem ao livro investiga a realidade concreta e o imaginário do operariado do ABC nos anos 1950, a partir do caso de quatro operárias que desmaiaram em uma semana em uma fábrica de cerâmica em São Caetano e ao acordarem disseram ter visto o demônio as observando em um canto do galpão da linha de produção. Essas operárias tinham origem no universo rural e seu imaginário religioso. A questão que ele coloca é que nem a modernidade industrial apagou esse imaginário e nem esse imaginário se sobrepôs à racionalidade do trabalho moderno e industrial. Seria, não só isso mas toda a teia de relações e valores, o traço de uma modernidade anômala. Mas não queria fazer um filme de caráter mais diretamente sociológico, não saberia fazê-lo, queria um filme com uma imersão na fantasmagoria, mas que ao mesmo tempo apontasse vetores, através da fábula, de uma experiência histórica.

O filme reprisa na terça-feira, 12/10, na programação do Olhar de Cinema.

Quais foram suas referências (pessoais, filmes, memórias, textos, etc.)?

Com relação à influência de filmes acho que é evidente: filmes de horror como Terror nas Trevas [L’aldilà], do Lucio Fulci, O Príncipe das Sombras [Prince of Darkness], do John Carpenter, os filmes do David Cronenberg, Kiyoshi Kurosawa; mas também filmes que não são de terror, como os do Robert Bresson, Elio Petri, Leon Hirszman, Carlos Reichenbach. Não acho que tudo isso nos influenciou diretamente, mas são filmes e diretores que estudamos e nos inspiraram aqui e ali.

Mas minha influência para o filme ser o que é foi de companheiras e companheiros de viagem: atrizes, atores, profissionais técnicos e a própria dinâmica dos produtores, Maitê Urias e Renan Rovida (e também Carlos Escher), que vem de uma larga experiência com teatro e trouxeram com eles um olhar, uma perspectiva política, um modo de trabalho, atores e atrizes. O co-roteirista Cassio Oliveira, a dupla da fotografia (Bruno Risas e Alice Andrade Drummond) foram decisivos porque além da luz fizeram a cor, assim como a direção de arte (Marcelo X) que ajudou ativamente a construir o espaço, o tempo da montagem da Cristina Amaral, o som do Guile Martins… Enfim, todo mundo. Todas as pessoas foram chamadas como colaboradores. O filme é o que é, no que ele tem de melhor, por causa de toda equipe.

Ainda que o cinema brasileiro já tenha retratado trabalhadores de fábricas em algumas obras, seu curta traz, no gênero de horror, outras identificações com elementos mais fantasmagóricos que colaboram para o desenrolar da narrativa. O fantástico está presente no imaginário, mas também no físico. Como você trabalhou, por exemplo, questões como a escolha de locação e o desenho de som?

Encontrar a locação foi a coisa mais difícil de todo o filme, pois as fábricas, muitas delas em crise, não abriam as portas à uma equipe. Chegamos a conversar e fechar com uma fábrica de peças em Ribeirão Pires. Fizemos a direção de arte dialogando com as cores dessa fábrica e reescrevemos o roteiro para se adaptar ao espaço. Deram pra trás. Nos 45 do segundo tempo, encontramos a Legas, em Diadema. Nelson e Marcelo Miyazawa, os proprietários, assim como os trabalhadores da fábrica, foram muito generosos e prestativos. Além disso, o espaço da fábrica era fantástico e nos oferecia tudo o que precisávamos. Claro que mexemos no roteiro e na direção de arte para adaptar à nova locação. O espaço muito particular determinou como poderia ser filmado. Guile Martins fez o desenho de som, árduo e complexo, o que me deixou muito feliz. A ideia era uma fábrica que alternasse silêncios, sons industriais, sons estranhos com algum comedimento, mas o difícil foi construir o monstro sonoro. Algo entre o maquínico e o orgânico, entre a edificação concreta de um prédio e o abstrato. Não foi fácil, mas está ai.

A escolha da equipe é peça fundamental para colocar um projeto em prática. Em A Máquina Infernal, além de um elenco talentoso, você trabalha também com outros profissionais consagrados, como por exemplo, a montadora Cristina Amaral. Como foi o entrosamento com a equipe e a preparação do elenco (que aliás, conta com seus pais como figurantes)?

Era um sonho trabalhar com Cristina Amaral, que acho uma das maiores artistas do cinema brasileiro. Ela imprimiu o tempo do filme. Quando eu trouxe as ideias das fusões, foi justamente porque sei que esse trabalho dela com fusões (em Carlos Reichenbach e Andrea Tonacci, principalmente) era uma coisa fina e sutil, difícil de conseguir se não for a partir de um ritmo singular. Ela, como a gente vê, fez um trabalho impressionante. Na pós-produção, todos as dicas dela foram acatadas. Ela tem olho e ouvido com uma minúcia criativa que nunca vi.

Com relação aos atores e atrizes, Renan (que também é ator no filme) e Maitê me trouxeram um modo de trabalhar em conjunto que vem da experiência deles do coletivo Tela Suja e do teatro. Me trouxeram seus parceiros no Tela Suja (Talita Oliveira), Companhia Antropofágica (Martha Guijarro) e atrizes e atores que passaram pela Companhia do Latão (Carlota Joaquina, Carlos Escher, o próprio Renan) e Carlos Francisco (que foi do Folias e fez vários filmes importantes no cinema brasileiro recente), que me ajudaram a reelaborar os personagens, os gestos e a fala política. A cena da assembleia tem intervenções diretas em falas que não estavam no roteiro, por exemplo, de Renan, Carlão e Carlota.

Glauber Amaral e Carol Castanho eu os vi no Teatro Oficina e queria ver, na contramão, esses corpos – de abertura dionisíaca – atuando no ambiente rígido de uma fábrica. O conflito seria produtivo. Glauber tem esse corpo grande e certa fragilidade que faz sentido ao personagem, Carol Castanho tem belos olhos enormes que nos traz o extracampo. Eu vejo que essas diferenças todas estabeleceram um jogo em conjunto e isso foi muito bom. Meus pais e irmãos estão no filme; os queria no filme, além do fato de terem intimidade ali com aquele universo.

O diretor durante a 74ª edição do Festival de Locarno.

Como foi a experiência de passar o filme em Locarno e a repercussão de um público internacional? Além disso, como você avalia a participação e a importância do nosso cinema nesses eventos fora do país?

Foi muito legal passar em Locarno, ocupar um espaço ali. Interessante ver que parte do público internacional aderiu à proposta do filme, parte teve dificuldade, o que é normal. Como disse, eles e elas tem muitas perguntas sobre o Brasil, pra eles uma terra muito distante e um pouco desconhecida.

Sobre os filmes fora do país, acho que os festivais internacionais precisam ser ocupados com imagens do Brasil, há nisso uma importância política, simbólica e, em poucos casos, econômica. Mas acho isso pouco. Acho que precisamos aprender a fazer circular os filmes no Brasil, inclusive, para além dos festivais. Ficarmos espremidos entre festivais e circuito exibidor não dá pé.

Seu repertório cinematográfico passa por diversas áreas (roteirista, curador, crítico). Em seu primeiro curta como diretor, como você acredita que A Máquina Infernal possa dialogar com o público e com o Brasil atual?

Eu gostaria muito que dialogasse com os públicos em geral, incluindo aquelas para além do nicho dos festivais. Sempre me preocupo muito não só como em continuar fazendo filmes, mas com qual o caminho para que possam existir efetivamente. É uma questão política, mais do que de mercado no sentido diminuto do termo. Os festivais são fundamentais, mas se queremos fazer a disputa do imaginário no país, precisamos ir além.

Acho curioso que parte do debate político sobre protagonismo no cinema brasileiro passe às vezes, restritamente, pelos festivais e pela indústria mainstream. Entendo, porque é o que há e é onde está o trabalho, mas é preciso criar outros caminhos, outras possibilidades. Se a disputa que estamos construindo é só a de ocupar os espaços que já existem ao modo tradicional, ainda que com discurso radical de nossa parte, nossa ambição tem um teto baixo, pois o mercado – tal como vigora com suas regras, hegemonias e limites claros – trata de manter as estruturas e a concentração econômica. 

*A Máquina Infernal reprisa na terça-feira, 12/10, na programação do Olhar de Cinema.

Entrevista e edição: Vitor Búrigo
Fotos: Divulgação/Desalambrar Filmes e Massimo Pedrazzini (Locarno)

Filmes brasileiros são premiados no Festival de Guadalajara 2021

por: Cinevitor
Medusa, de Anita Rocha da Silveira: prêmio de melhor interpretação para Lara Tremouroux.

Foram anunciados neste sábado, 09/10, os vencedores da 36ª edição do Festival Internacional de Cine en Guadalajara, considerado um dos mais fortes da América Latina.

O longa El Comediante, de Rodrigo Guardiola e Gabriel Nuncio, recebeu o Prêmio Mezcal de melhor filme, que destaca o cinema mexicano; o drama chileno Mis Hermanos Sueñan Despiertos, de Claudia Huaiquimilla, recebeu três prêmios, entre eles, o de melhor filme ibero-americano de ficção.

Neste ano, o cinema brasileiro também se destacou na premiação: a animação Bob Cuspe – Nós Não Gostamos de Gente, de Cesar Cabral, recebeu Menção Honrosa; entre os documentários, Luiz Bolognesi levou o prêmio de melhor direção por A Última Floresta e Eryk Rocha e Jorge Chechile receberam o prêmio de melhor fotografia por Edna.

Além disso, o Prêmio Maguey, que divulga e promove um cinema que começa com histórias acompanhadas por uma orientação sexual aberta e diversa, celebrando o melhor da cinematografia LGBTQ do mundo, destacou o trabalho da atriz Lara Tremouroux em Medusa, de Anita Rocha da Silveira, com o prêmio de melhor interpretação.

O evento também apresentou a mostra Guadalajara Construye, com sete obras de ficção em andamento (works in progress) em fase de pós-produção e/ou montagem. Entre os selecionados, dois títulos brasileiros foram contemplados com prêmios especiais: Hospício Colônia, de André Ristum; e Saudade fez morada aqui dentro, de Haroldo Borges; além de Pornomelancolía, de Manuel Abramovich, uma coprodução entre Argentina, Brasil e França.

A edição também contou com o Prêmio Projeto Paradiso Guadalajara Construye, que consiste em um subsídio de dez mil dólares doado pelo Projeto Paradiso a um projeto cinematográfico brasileiro em fase de pós-produção escolhido pelo júri selecionado; o contemplado foi Saudade fez morada aqui dentro, de Haroldo Borges.

Conheça os vencedores do 36º Festival Internacional de Cinema de Guadalajara:

PRÊMIO MEZCAL

Melhor Filme Mexicano: El Comediante, de Rodrigo Guardiola e Gabriel Nuncio
Melhor Direção: Antonio Hernández, por Nos Hicieron Noche
Melhor Fotografia: El Comediante, por María Secco
Melhor Atriz: Ilse Salas, por Plaza Catedral
Melhor Ator: Fernando Xavier, por Plaza Catedral

MOSTRA HECHO EN JALISCO

Melhor Filme: Domingo, de Raúl López Echeverría (México/França/Áustria)
Menção Honrosa: La Llevada y la Traída, de Ofelia Medina (México)

CURTA-METRAGEM IBERO-AMERICANO DE FICÇÃO

Melhor Curta: Before I Die, de Iker Esteibarlanda (Espanha)
Menção Honrosa: Manchester Acatitla, de Selma Cervantes (México)

CURTA-METRAGEM DE ANIMAÇÃO | PRÊMIO INTERNACIONAL RIGO MORA 

Melhor Curta: Bestia, de Hugo Covarrubias (Chile)
Menção Honrosa: Steakhouse, de Špela Čadež (Eslovênia/Alemanha/França)

PRÊMIO MAGUEY

Melhor Filme: Our Bodies Are Your Battlefields, de Isabelle Solas (França)
Prêmio do Júri: Tobi Színei, de Alexa Bakony (Hungria)
Melhor Interpretação: Lara Tremouroux, por Medusa

LONGA-METRAGEM INTERNACIONAL DE ANIMAÇÃO

Melhor Filme: My Sunny Maad, de Michaela Pavlátová (República Checa/França/Eslováquia)
Menção Honrosa: Bob Cuspe – Nós Não Gostamos de Gente, de Cesar Cabral (Brasil)

LONGA-METRAGEM IBERO-AMERICANO DE DOCUMENTÁRIO

Melhor Filme: El Cielo Está Rojo, de Francina Carbonell (Chile)
Menção Honrosa: Vals de Santo Domingo, de Tatiana Fernández Geara (República Dominicana)
Melhor Direção: Luiz Bolognesi, por A Última Floresta
Melhor Fotografia: Edna, por Eryk Rocha e Jorge Chechile

LONGA-METRAGEM IBERO-AMERICANO DE FICÇÃO

Melhor Filme: Mis Hermanos Sueñan Despiertos, de Claudia Huaiquimilla (Chile)
Melhor Direção: Nicolás Postiglione, por Inmersión
Melhor Roteiro: Mis Hermanos Sueñan Despiertos, escrito por Claudia Huaiquimilla e Pablo Greene
Melhor Atriz: María Romanillos, por Las Consecuencias
Melhor Ator: Iván Cáceres, por Mis Hermanos Sueñan Despiertos
Melhor Fotografia: Inmersión, por Sergio Armstrong
Melhor Filme de Estreia: Inmersión, de Nicolás Postiglione (Chile/México)

OUTROS PRÊMIOS

Prêmio do Público: Poderoso Victoria, de Raúl Ramón (México)
Prêmio FIPRESCI: Nos Hicieron Noche, de Antonio Hernández (México)
Prêmio Jorge Cámara: Corazón Azul, de Miguel Coyula (Cuba)
Prêmio FEISAL: Nuestra Libertad, de Celina Escher (El Salvador/Suécia)
Prêmio Mezcal Jovem | Melhor Filme: Dirty Feathers, de Carlos Alfonso Corral (México/EUA)
Prêmio Mezcal Jovem | Menção Honrosa: Mostro, de José Pablo Escamilla (México)

Foto: Divulgação/Bananeira Filmes.

Filmes paranaenses ganham destaque na programação do 10º Olhar de Cinema

por: Cinevitor
Cena do curta Meu Coração é um Pouco Mais Vazio na Cheia, de Sabrina Trentim.

A mostra Mirada Paranaense do Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba é dedicada a apresentar ao público um panorama da produção audiovisual local, do estado do Paraná. O espectador é convidado a conhecer as primeiras produções de jovens realizadores locais, bem como a acompanhar novos trabalhos de cineastas experientes.

Neste ano, além dos curtas, pela primeira vez a mostra conta com dois longas-metragens: Bia Mais Um, de Wellington Sari, que conta a história de uma garota de 17 anos que está de mudança e acaba de retornar do exterior; e Ursa, de William de Oliveira, que mostra um ataque de pit bull em um bairro periférico e seus trágicos desdobramentos. Há, todavia, um terceiro paranaense na seleção do festival: o curitibano Mirador, de Bruno Costa, que teve sua estreia na Mostra de Cinema de Tiradentes e integra a Olhares Brasil.

A seleção de curtas-metragens conta com oito produções, entre elas, Meu Coração é um Pouco Mais Vazio na Cheia, de Sabrina Trentim, um filme-ensaio que se passa no rio Araguaia, em Tocantins: “É um trabalho muito pessoal e subjetivo. Eu filmei o que me chamava atenção e o que eu achava interessante com a pretensão de jogar o filme para o mundo para mostrar a festa que acontece por lá. Fui honesta comigo e com a minha arte”, disse a diretora em entrevista ao CINEVITOR por e-mail.

Além de realizadora, Sabrina, que é natural de Araguaína, uma cidade agropecuária no norte de Tocantins, mudou-se para Curitiba para estudar cinema e construiu uma história com o Olhar de Cinema: “Eu adoro esse festival de paixão. Em 2017 foi minha primeira edição e eu, como espectadora, estava totalmente deslumbrada. Eu adorava a mostra Olhares Clássicos, que é ótima para quem está começando a graduação. Em 2018, fui voluntária e trabalhei no transporte das vans; foi uma experiência maravilhosa. No ano seguinte já assumi mais responsabilidades. Além de trabalhar, em 2019, passou um filme nosso [da faculdade] na Mirada Paranaense, que é o Criativa(mente) Destoante, de Natacha Oleinik; eu assinei as funções de produção e também fiz som direto. Já em 2020 foi aquele baque, sendo a primeira edição on-line. Acompanhei os filmes em casa”.

Sobre participar da décima edição como realizadora, Sabrina disse: “Esse ano eu inscrevi o filme sem pretensão e quando recebi a notícia eu não acreditei. Fiquei super feliz. Passar meu primeiro filme como diretora no festival é incrível. Eu estou muito feliz de estar no Olhar de Cinema e de ter sido escolhida pela curadoria. É muito emocionante abrir o catálogo e ver o meu nome e uma foto do rio Araguaia”.

A programação de curtas continua com: A Busca do Eu e O Silêncio, de Giuliano Robert; Anamnese, de Tiago Lipka; Aquela Mesma Estação, de Luiz Lepchak; Elas São o Meu Início, de Jessica Quadros; Marcha de uma Liberdade Roubada, de Laís da Rosa Coelho; Retrato Falado, de Luiz Bonin e Oda Rodrigues; e Segunda Natureza, de Milla Jung.

*Clique aqui e acompanhe a programação do 10º Olhar de Cinema.

Foto: Divulgação.

3ª Mostra Cinemas do Brasil: programação exibe filmes sobre cinemas de rua do país

por: Cinevitor
Cena do documentário Vozes da Memória, de Raissa Dourado.

A terceira edição da Mostra Cinemas do Brasil, intitulada Memorabilia dos Cinemas de Rua, iniciou as exibições virtuais no dia 1º de outubro com mais de 30 produções de diversos estados do país, disponíveis no site da mostra até o final do mês (clique aqui).

Uma programação paralela será realizada promovendo encontros com realizadores, pesquisadores, coletivos/movimentos, além de uma conversa sobre literatura relacionada ao tema Cinema de Rua; a programação gratuita da mostra on-line está disponível no site. A terceira edição no formato presencial segue até 2022. Junto às edições anteriores, o site já abriga mais de 70 filmes com a temática cinemas de rua.

Para esta edição, a mostra contou com mais de 200 produções inscritas. Foram 31 filmes selecionados e uma websérie sobre cinemas de rua, personagens de cinema e ações cineclubistas, com títulos documentais, ficcionais e experimentais. A 3ª Mostra Cinemas do Brasil retoma a importância da reabertura dos espaços que trazem memórias e histórias.

As exibições em formato híbrido estão distribuídas nos recortes: Diálogos com o cinema, que faz um recorte da mostra com filmes que dialogam sobre os cinemas de rua do país; Cinema de rua e novas mídias, com filmes que expõem a resistência dos cinemas de rua do Brasil em meio ao advento das novas mídias e tecnologias tais quais VHS, DVD e streaming; Cinema em toda parte, com filmes sobre cinemas não convencionais; Memórias de Cinema, que apresenta filmes sobre cinemas memoráveis; Por trás da tela, que apresenta filmes sobre projecionistas; Protagonistas de cinema, com filmes sobre personagens e personalidades protagonistas dos cinemas de rua do país; Sessão proibida, que apresenta filmes com temática nos cinemas pornô; e Subúrbio em Transe, com filmes produzidos pelo coletivo carioca Subúrbio em Transe.

A novidade desta edição é que as televisões públicas do Nordeste, integrantes das duas edições anteriores da mostra, como TVE Bahia e TVPE, terão recortes específicos das produções dos estados; a TV Aperipê, de Sergipe, exibirá um recorte contemplando as produções nordestinas. 

Com a reabertura de espaços exibidores fechados por conta da pandemia de Covid-19, a 3ª Mostra Cinemas do Brasil irá promover sessões presenciais em diversas capitais. Já estão confirmadas: La Paz (Bolívia), Rio de Janeiro (Cinemateca do MAM), Jacobina (Cineclube Payaya), Florianópolis (MIS, Museu da Imagem e do Som de Santa Catarina), Além Paraíba (PopCine – Circuito Popular de Cinema), Guaíba (Cineclube Paradiso), Belo Horizonte (Instituto Humberto Mauro), Mateus Leme (Cineclube da Casa de Cássia), Olinda (Território Cena PE), Leme (Cine Avenida/Casa da Praça/Etec Deputado Salim Sedeh), Manaus (Cine Casarão) e Baixo Guandu (Cineclube CinemAqui). A mostra tem interesse em exibir nas cidades de Recife, Salvador, São Paulo, Aracaju e Belém; outros espaços exibidores poderão demonstrar interesse em receber o grande circuito exibidor da 3ª Mostra Cinemas do Brasil através de inscrição no site da mostra.

A terceira edição contemplou novamente a diversidade dos filmes inscritos com diferentes recortes das edições anteriores. Pensada como janela de exibição de filmes que retratam as histórias dos cinemas de rua extintos ou em processo de reabertura, personagens de cinema e ações cineclubistas, a curadoria destaca obras que exaltam as salas de cinema fundamentais para o audiovisual brasileiro, além de dialogar com a importância do retorno destes espaços; são trabalhos extremamente criativos do ponto de vista da linguagem e da estética das artes cinematográficas. A curadoria foi composta por Eudaldo Monção, realizador, idealizador e coordenador da mostra; e Priscila Urpia, especialista em cinema, jornalista, curadora e integrante do Coletivo #CineRuaPE.  

Para mais informações sobre a programação completa, clique aqui.

Foto: Divulgação.

O Marinheiro das Montanhas, de Karim Aïnouz, será o filme de encerramento do 31º Cine Ceará

por: Cinevitor
O filme será exibido no dia 3 de dezembro no Cineteatro São Luiz.

Dirigido pelo cineasta cearense Karim Aïnouz, O Marinheiro das Montanhas será o filme de encerramento do 31º Cine Ceará – Festival Ibero-americano de Cinema, que acontecerá entre os dias 27 de novembro e 3 de dezembro, com exibição hors concours, em Fortaleza, cidade natal do diretor.

O longa é um diário de viagem filmado na primeira ida de Karim à Argélia, país em que seu pai nasceu. Entre registros da viagem, filmagens caseiras, fotografias de família, arquivos históricos e trechos de super-8, o filme opera uma costura fina entre a história de amor dos pais do diretor, a Guerra de Independência Argelina, memórias de infância e os contrastes entre Cabília (região montanhosa no norte da Argélia) e Fortaleza, cidade natal de Karim e de sua mãe, Iracema. Passado, presente e futuro se entrelaçam em uma singular travessia.  

Exibido fora de competição no Festival de Cannes, o longa é todo narrado por Karim, que lê uma carta para a sua mãe, já falecida, transformada em uma companheira imaginária de viagem. Enquanto relata e comenta episódios da jornada, ele reativa memórias familiares e revela os muitos sentimentos contraditórios que marcam o seu percurso. O processo de criação se deu durante a pandemia, quando se debruçou sobre o material filmado em janeiro de 2019, época em que realizou pela primeira vez a travessia de barco pelo Mar Mediterrâneo para a Argélia e seguiu até as Montanhas Altas no norte do país.  

No 31º Cine Ceará, o filme será exibido no dia 3 de dezembro no Cineteatro São Luiz. Para a programação presencial, o festival seguirá os protocolos sanitários vigentes do setor de audiovisual/cinema, estabelecidos pelo Governo do Ceará por meio de decreto. Margarita Hernandez é a diretora de programação do evento e o cineasta Wolney Oliveira é o diretor executivo do festival desde 1993. 

*Clique aqui e confira os longas e curtas selecionados para as mostras competitivas.

*Clique aqui e confira os filmes selecionados para a Mostra Olhar do Ceará.

Foto: Reprodução YouTube.

Lavoura Arcaica, de Luiz Fernando Carvalho, completa 20 anos e ganha exibição especial em cópia 35mm

por: Cinevitor
Leonardo Medeiros e Simone Spoladore em cena.

Primeiro longa-metragem dirigido por Luiz Fernando Carvalho, Lavoura Arcaica terá apresentação especial no Petra Belas Artes, a partir de 7 de outubro, com bate-papo presencial com o diretor no dia 14/10, quinta-feira, em São Paulo, abrindo a segunda semana de exibição do filme.

Baseado no romance homônimo de Raduan Nassar, publicado em 1975, o roteiro foi muito elogiado pela sua fidelidade ao texto original. Na trama, André, interpretado por Selton Mello, é o filho desertor, o narrador dos acontecimentos, que são mostrados desde a sua infância, sem compromisso cronológico. Pedro, vivido por Leonardo Medeiros, seu irmão mais velho, é encarregado pela mãe, papel de Juliana Carneiro da Cunha, de levá-lo de volta para casa, na fazenda da família. Ele o encontra no abandono de uma antiga pensão provinciana nas garras da solidão absoluta.

É nas memórias desse filho pródigo que entendemos as causas de sua fuga: a imposição das tradições agrárias e princípios cristãos, como lei paterna, e a opressão da ternura materna. Ao contrário do pai, interpretado por Raul Cortez, André é a afirmação da vida, do sexo e da liberdade. Seu corpo reivindica seus direitos e os exerce contra todas as leis, inclusive pela paixão nutrida pela própria irmã, Ana, papel de Simone Spoladore.

Interessado em filmar o romance de Raduan Nassar desde a década de 1990, o cineasta deu início à pesquisa e, junto com o próprio escritor, viajou para o Líbano em busca de um maior aprofundamento com a cultura mediterrânea. O material visual captado durante a viagem gerou o documentário Que Teus Olhos Sejam Atendidos, exibido no canal GNT, em 1997.

Optando por manter a prosa poética da obra original, o diretor decidiu fazer o filme sem roteiro prévio, dando ao elenco a liberdade de improvisações sobre o romance. Esse trabalho exigiu uma intensa preparação dos atores, que passaram quatro meses em retiro numa fazenda. A atriz Simone Spoladore, por exemplo, mesmo não tendo nenhuma fala no filme, teve uma preparação mais prolongada que os demais atores, pois as suas cenas de dança nas sequências das duas festas careciam de expressões muito bem estudadas.

Lavoura Arcaica foi inteiramente rodado em uma única locação, em uma fazenda do interior de Minas Gerais, onde os atores e equipe técnica passaram nove semanas. Nesse tempo, todos aprenderam a trabalhar a terra, ordenhar, fazer pão, bordar, dançar e se comportar como uma típica família libanesa. O próprio escritor Raduan Nassar acompanhou de forma participativa desse intenso processo.

Simone Spoladore interpreta Ana no filme.

Além da beleza poética transmitida pelas palavras, silêncios e interpretações antológicas de todo o elenco, o filme conta ainda com o trabalho primoroso do diretor de fotografia Walter Carvalho, que compôs belíssimas imagens utilizando contrastes de luz e sombra, e até criou uma estética quase abstrata, com algumas imagens desfocadas. O trabalho visual é ainda mais valorizado pela impecável direção de arte, assinada por Yurica Yamasaki e figurinos de Beth Filipecki. A montagem e a produção ficaram a cargo do próprio diretor.

A trilha musical foi criada a partir do acompanhamento do compositor Marco Antônio Guimarães, líder do grupo instrumental mineiro Uakti, durante as leituras do filme. Suas criações tiveram como inspiração alguns temas típicos da música árabe, contando também com uma citação de A Paixão Segundo São Mateus, de Bach. A música de Marco Antônio Guimarães tem papel importantíssimo na narrativa do filme, chegando, inclusive, a substituir diálogos em determinadas cenas.

Antes de realizar Lavoura Arcaica, a única experiência de Luiz Fernando Carvalho no cinema havia sido com A Espera, curta que realizou em 1986, com Diogo Vilela, Malu Mader e Marieta Severo no elenco, vencedor do prêmio de melhor curta-metragem no Festival de Gramado (compartilhado com O Dia em que Dorival Encarou a Guarda e Ma Che Bambina).

Na televisão também realizou diversos trabalhos, com os quais ganhou muitos prêmios. Entre suas principais realizações na TV, destacam-se as telenovelas Renascer (1993), O Rei do Gado (1996), Meu Pedacinho de Chão (2014) e Velho Chico (2016), e as minisséries Os Maias (2001), Hoje é Dia de Maria (2005), A Pedra do Reino (2007) e Dois Irmãos (2017).

Em 2015, Lavoura Arcaica entrou para a lista dos 100 melhores filmes brasileiros de todos os tempos da Abraccine, Associação Brasileira de Críticos de Cinema. Com grande sucesso de crítica no Brasil e no exterior, o filme foi lançado nos cinemas com apenas duas cópias, uma no Rio de Janeiro e a outra em São Paulo, atingindo a impressionante marca de 300 mil espectadores.

Lavoura Arcaica conquistou mais de 50 prêmios em diversos festivais nacionais e internacionais, entre eles, Festival de Cinema de Montreal, Festival do Rio, Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, Festival de Cinema de Brasília, Festival de Havana, Festival de Cinema de Cartagena, Festival Internacional de Guadalajara, BAFICI, Festival Internacional de Cinema Independente de Buenos Aires, entre outros.

Agora, vinte anos depois, esta obra-prima do cinema brasileiro será exibida na telona do Petra Belas Artes, com toda a beleza e esplendor que só de uma projeção em cópia 35mm poderia proporcionar. Clique aqui e saiba mais informações sobre ingressos e horários.

Fotos: Divulgação.

31º Cine Ceará anuncia curtas e longas selecionados para a Mostra Olhar do Ceará

por: Cinevitor
Cena do longa Transversais, de Émerson Maranhão.

Com 20 filmes, entre longas e curtas, o Cine Ceará divulgou nesta quarta-feira, 06/10, os filmes selecionados para a Mostra Olhar do Ceará da 31ª edição do festival, que acontecerá entre os dias 27 de novembro e 3 de dezembro.

Na seleção, o gênero documentário é maioria, somando 13 produções. Os longas serão exibidos no Cineteatro São Luiz, em Fortaleza, e os curtas no Cinema do Dragão e no canal do Cine Ceará no YouTube.  

Foram 88 filmes inscritos para a Mostra Olhar do Ceará, que teve a curadoria de Desirée Langel Rondón. Os três longas selecionados são documentários. Transversais marca a estreia do cineasta Émerson Maranhão em longas-metragens; Aqueles Dois, seu primeiro curta, foi selecionado para mais de 60 festivais e mostras nacionais e internacionais e conquistou 20 prêmios. Transversais acompanha cinco pessoas que vivem a experiência da transexualidade de diversas maneiras.

A diretora Natália Gondim levanta a questão da desigualdade social das mulheres em Minas Urbanas. Seu documentário anterior como codiretora, Les Statues de Fortaleza, que retratou a situação de refugiados venezuelanos no Brasil, foi exibido em diversos países pela ONU no Global Migration Film Festival da OIM e o Festival da Anistia Internacional para Direitos Humanos, na França.

Completa a lista de longas: De uma Distância Esquizoide, de Gabriel Silveira, sobre o controverso cotidiano urbano do mundo desenvolvido e as desigualdades do mundo em desenvolvimento confrontados numa experiência audiovisual extrema. 

A seleção dos curtas-metragens da Mostra Olhar do Ceará contempla realizadores de Fortaleza, Crato, Juazeiro do Norte, Meruoca, Quixadá e Tianguá. São três animações, quatro curtas de ficção, uma ficção científica/sertãopunk, um trabalho experimental e um curta de horror/fantasia.

Dentre os 17 curtas selecionados, dez são documentários, entre eles: Fôlego Vivo, um trabalho da Associação dos Índios Cariris do Poço Dantas – Umari, um coletivo de pessoas indígenas formado em sua maioria por mulheres, multigeracional e integrantes LGBTQI+ e PCD; Zé Tarcísio, Testemunha, de Delano Gurgel, sobre a vida e a obra de um dos maiores nomes das artes plásticas do Ceará; e Saudade dos Leões, de João Paulo Magalhães, sobre a Praça dos Leões, um dos espaços mais icônicos da vida cultural de Fortaleza.  

A tradição cultural está nos curtas Arte na Palha, de Augusto Cesar dos Santos, sobre chapeleiras do interior cearense que produzem artesanatos com a palha da carnaúba e perpassam suas habilidades as novas gerações, e Boi Coração, de Marcelo Alves e Ângela Gurgel, sobre a festa em homenagem ao Dia de Reis realizada há mais de 20 anos pelo fazendeiro e poeta Chico Emília em sua própria casa, em uma comunidade no interior cearense. 

Dois filmes têm a casa como ponto de partida para buscas de sensações e memórias. Em A casa que eu vivo hoje não é casa, Lara Muniz e Marcus Antonius levantam a questão sobre os significados de casa e lar, sobre paredes físicas, corpos e imaginário. Em Joelhos, uma casa no interior cearense é colocada em aluguel, mas o que era para ser a despedida de um lar torna-se um retrato de Dona Ivanilde; a diretora Yasmin Gomes foi premiada no 30º Cine Ceará com Não Te Amo Mais, eleito o melhor filme da Mostra Competitiva Brasileira de curta-metragem

Completam a seleção os documentários: Corpas, de Arthur Almeida, sobre o fazer artístico e a transexualidade em Fortaleza, capital do segundo estado que mais mata trans no Brasil; Memória da Memória, de Idson Ricart, que revisita histórias de personagens presentes em fotos e fitas cassetes que haviam sido descartadas após um mapeamento cultural realizado em Quixadá, em 1993, pelo cantor e compositor Pingo de Fortaleza; e Muxarabi, sobre um metalúrgico do Conjunto Palmeiras, em Fortaleza, que em meio à rotina de fazer portas, janelas e grades, cria invenções e reflete sobre a vida. O filme é de Natália Maia e Samuel Brasileiro, diretores e roteiristas que criaram, escreveram e dirigiram a série Lana & Carol, atualmente em exibição no Canal Futura; também são roteiristas do premiado longa-metragem Pacarrete, de Allan Deberton.

Conheça os filmes da Mostra Olhar do Ceará 2021:

LONGAS-METRAGENS

De uma Distância Esquizoide, de Gabriel Silveira (Fortaleza)
Minas Urbanas, de Natália Gondim (Fortaleza)
Transversais, de Émerson Maranhão (Fortaleza)

CURTAS-METRAGENS

2020, de Oziel Herbert (Fortaleza)
A Casa que eu Vivo Hoje Não é Casa, de Lara Muniz e Marcus Antonius (Fortaleza)
Arte na Palha, de Augusto Cesar dos Santos (Meruoca/Forquilha)
As Aventuras de Ana e João, de Augusto Cesar dos Santos (Meruoca)
Boi Coração, de Marcelo Alves e Angela Gurgel (Fortaleza)
Corpas, de Arthur Almeida (Fortaleza)
Curva Sinuosa, de Andréia Pires (Fortaleza)
Entre o Passado, de Larissa Estevam (Fortaleza)
Estilhaços, de Gabriela Nogueira (Fortaleza)
Fôlego Vivo, de Associação dos Índios Cariris do Poço Dantas – Umari (Crato)
Ibiapaba, como nascem as montanhas, de George Alex Barbosa (Tianguá)
Joelhos, de Yasmin Gomes (Juazeiro do Norte)
Memória da Memória, de Idson Ricart (Quixadá)
Muxarabi, de Natália Maia e Samuel Brasileiro (Fortaleza)
Saudade dos Leões, de João Paulo Magalhães (Fortaleza)
Sebastiana, de Cláudio Martins (Fortaleza)
Zé Tarcísio, Testemunha, de Delano Gurgel Queiroz (Fortaleza)

*Clique aqui e confira os filmes selecionados para as mostras competitivas de longas e curtas do 31º Cine Ceará, que foram anunciados anteriormente.

Foto: Divulgação.

3º Cabíria Festival divulga programação; cineasta Lucia Murat será homenageada

por: Cinevitor
Irene Ravache em Que Bom Te Ver Viva, de Lucia Murat: filme de 1989.

A terceira edição do Cabíria Festival – Mulheres & Audiovisual acontecerá entre os dias 6 e 17 de outubro, gratuito e on-line, pelo segundo ano consecutivo, com uma programação dedicada à produção realizada por mulheres para promover maior representatividade e diversidade nas telas e atrás das câmeras.

Vinte e cinco filmes e dez microfilmes integram a programação dessa terceira edição, que homenageará a cineasta Lucia Murat, personagem fundamental do cinema brasileiro. O debate com a diretora será no encerramento do festival, no dia 17/10, às 19h, mediado pela jornalista e crítica de cinema Flavia Guerra, no YouTube do Telecine.

Com a proposta de promover o encontro entre público, cadeia produtiva e cineastas para provocar reflexões, ampliar redes e impulsionar talentos, o 3º Cabíria Festival, com o tema Inspirar para Respirar, traz uma programação variada de filmes e encontros com nomes de destaque no cenário audiovisual. As 35 produções poderão ser assistidas gratuitamente em várias plataformas. Os dez microfilmes da II Mostra Imaginários Possíveis estarão nas redes da Hysteria, produtora de conteúdo da Conspiração voltada para ampliar a inserção feminina no mercado audiovisual; na MUBI serão exibidos três longas.

O evento é uma expansão do Cabíria Prêmio de Roteiro, que desde 2015 premia histórias escritas e protagonizadas por mulheres. Para esta edição, foram mais de 250 inscrições nas categorias de longa de ficção, argumento infantojuvenil de longa ficção, piloto de série de ficção e de não ficção. As premiadas irão participar do Cabíria LAB, entre 25 e 29 de outubro, um ambiente de estímulo ao desenvolvimento das histórias e talentos.

Na quarta-feira, 06/10, às 19h, pelo YouTube do Cabíria Festival, as mestres de cerimônia Ana do Carmo, roteirista premiada com o 1º lugar de longa de ficção do Prêmio Cabíria 2020, e Marília Nogueira, diretora do festival, fazem as honras na abertura comentando os destaques do evento, além do aguardado anúncio das vencedoras das premiações Cabíria Prêmio de Roteiro, Selo Elas Cabíria Telecine, Cardume e Jornada Dona de Si.

Magali Biff em Pela Janela, de Caroline Leone.

Também a partir das 19h, na plataforma VIDEOCAMP, os filmes da Mostra Homenagem Lucia Murat estarão disponíveis; basta fazer um cadastro simples e gratuito para assistir aos quatro longas. A partir do dia 07/10, os demais filmes da mostra estarão disponíveis na mesma plataforma.

Na plataforma MUBI, a Sessão Especial Prêmio Cabíria apresenta o longa A Mesma Parte de um Homem, de Ana Johann, com exibição apenas nos dias 7 e 8 de outubro. A produção estreou na Mostra Aurora da 24° Mostra de Cinema de Tiradentes e ganhou o Prêmio Helena Ignez de destaque feminino para Ana Johann. No filme, Renata vive isolada no interior com sua filha adolescente e seu marido, compreendendo o medo como um sentimento comum. A chegada de um desconhecido desperta nela o desejo por tudo o que estava adormecido. No elenco principal estão Irandhir Santos, Clarissa Kiste e Laís Cristina.

Diariamente, às 12h, no YouTube e Instagram do Hysteria, a Mostra Imaginários Possíveis exibe um microfilme, a começar por 62 segundos, de Drica Czech. Na quinta-feira, 07/10, também acontece o primeiro painel, no YouTube Cabíria Festival, às 11h com o tema Representatividade real – Ações de impacto para um mercado mais diverso, com Debra Zimmerman e Kendra Hodgson (Women Make Movie/USA), Josephine Bourgois (Projeto Paradiso) e Thais Scabio (APAN/Todes Play), com mediação de Andrea Cals.

Ainda na quinta, às 19h, pelo YouTube Telecine é a vez do Estudo de Caso: Medusa – Parcerias Criativas, com Anita Rocha da Silveira e Vania Catani e mediação de Renata Boldrini. Através do estudo de caso do filme Medusa, exibido na Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes deste ano, serão apresentadas as escolhas autorais e processo de desenvolvimento, atrelado ao desenho de produção criativa e estratégias do projeto.

Na sequência, nos dias 8, 9 e 10, sempre às 19h, no YouTube Cabíria Festival, acontecerão os Encontros com as Cineastas, com debates sobre os filmes com mediação de especialistas. No domingo, dia 10, às 11h, também no YouTube Cabíria Festival, será realizado mais um estudo de caso Gênero: Coming of Age – Estudo de caso do filme Casulo, com a cineasta alemã Leonie Krippendorf, com mediação do diretor e roteirista Gil Baroni. O longa, que teve estreia mundial no Festival de Berlim, poderá ser acessado na plataforma MUBI somente nos dias 9 e 10/10.

Conheça os filmes selecionados para o 3º Cabíria Festival:

LONGAS-METRAGENS

A Memória que me Contam, de Lucia Murat (Brasil, RJ)
A Mesma Parte de um Homem, de Ana Johann (Brasil, PR)
Ana. Sem Título, de Lucia Murat (Brasil/Argentina)
Aquilo que Eu Nunca Perdi, de Marina Thomé (Brasil, MS/SP/RJ)
Casulo (Kokon), de Leonie Krippendorff (Alemanha)
Documentira (Documenteur), de Agnès Varda (França/EUA)
Em Três Atos, de Lucia Murat (Brasil/França)
Limiar, de Coraci Ruiz (Brasil, SP)
Maré, Nossa História de Amor, de Lucia Murat (Brasil, RJ)
Pela Janela, de Caroline Leone (Brasil/Argentina)
Que Bom Te Ver Viva, de Lucia Murat (Brasil, RJ)
Sinais (Signer), de Nurith Aviv (França/Israel)
Vamos Fazer um Brinde, de Sabrina Rosa e Cavi Borges (Brasil, RJ)
Voltei!, de Glenda Nicácio e Ary Rosa (Brasil, BA)

CURTAS-METRAGENS

62 Segundos, de Drica Czech (SP)
Acesso, de Julia Leite (SP)
Ayani por Ayani, de Ayani Hunikuin (AC)
Cantos de Batuques, de Nayara Moura (BA)
Comunicação de Eficiência, de Natalia Cruz (SP)
Deslocamentos, Paraíso e Caos, de Tila Chitunda (PE)
Desvirtude, de Gautier Lee (RS)
É Tudo Culpa Minha, de Mila Milanesa (RJ)
Eu Espero o Dia da Nossa Independência, de Bruna Carvalho Almeida e Brunna Laboissière (SP)
Inspirado em Sonhos Reais, de Natalia Malima (PE)
Kaapora – O Chamado das Matas, de Olinda Muniz Wanderley – Yawar (BA)
Limítrofe, de Luci Savassa (SP)
Linguadinha na XXT, de Luíza Fazio (SP)
Menarca, de Lillah Halla (SP)
Mergulha, de Pris Oliveira (SP)
Nhandesy, de Graciela Guarani (Brasil)
Nicinha Não Vem, de Muriel Alves (RJ)
Nunca Pare na Pista, de Thamires Vieira (BA)
Os Espíritos só Entendem Nosso Idioma, de Cileuza Jemjusi, Robert Tamuxi e Valdeilson Jolasi (MT)
Rota, de Mariani Ferreira (RS)
SAPATÃO: uma racha/dura no sistema, de Dévora MC (MG)

Fotos: Divulgação.

Conheça os filmes selecionados para o 8º Recifest – Festival de Cinema da Diversidade Sexual e de Gênero

por: Cinevitor
Enio Cavalcante no curta BoyCam, de Rodrigo Sena, Arlindo Bezerra e Ernani Silveira.

A oitava edição do Recifest – Festival de Cinema da Diversidade Sexual e de Gênero, que acontecerá entre os dias 16 e 20 de novembro, no Teatro do Parque, em Recife, anunciou a lista de selecionados nesta segunda-feira, 04/10.

Neste ano, quase 300 curtas foram inscritos, de 23 estados do Brasil e Distrito Federal. A curadoria das mostras competitivas foi realizada por André Antônio, Anti Ribeiro e Felipe André SIlva. A premiação do festival será definida por um júri oficial que concederá os troféus Rutílio de Oliveira ao melhor filme pernambucano e ao melhor filme nacional; o público também votará.

O evento contará com ações virtuais e presenciais, além de uma edição em Arcoverde entre os dias 24 e 26 de novembro. A seleção traz produções que falam de caminhos, descobertas, arte crítica, viés territorial, crônicas de povos invisibilizados, luta dos povos indígenas e negros, revolta dos sobreviventes, entre outros.

Conheça os filmes selecionados para o 8º Recifest:

A raiz de um, de Pedro Henrique Lima (PE)
Acesso, de Julia Leite (SP)
Aracá, de Abiniel João Nascimento (PE)
Bianca – Olhe, ame, cuide. Trans são joias, de Marcos Castro (PE)
BoyCam, de Rodrigo Sena, Arlindo Bezerra e Ernani Silveira (RN)
BregaQueens, de Danillo Medeiros (PE)
Cacicus, de Bruno Cabral e Gabriela Dullius (RS)
Cômpito, de Paulete LindaCelva (SP)
Cool for the summer, de Vitória Liz (SP)
Erêkauã, de Paulo Accioly (AL)
Estilhaços, de Gabriela Nogueira (CE)
Homens Invisíveis, de Luis Carlos de Alencar (RJ)
Lamento de Força Travesti, de RENNA (PE)
Meninos Rimam, de Lucas Nunes (SP)
Morde & Assopra, de Stanley Albano (MG)
Mormaço, de Carol Lima (PE)
O Amigo do Meu Tio, de Renato Turnes (SC)
O Durião Proibido, de Txai Ferraz (PE)
O que Pode um Corpo?, de Victor Di Marco e Márcio Picoli (RS)
Para não dançar em Segredo, de André Vitor Brandão (PE)
Praia dos Crush, de Marieta Rios (CE)
Raone, de Camila Santana (SP)
Sad Faggots + Angry Dykes Club, de Viq Viç Vic (PE)
Seremos Ouvidas, de Larissa Nepomuceno (PR)
Time de Dois, de André Santos (RN)
Vander, de Barbara Carmo (BA)
Viver Distrai, de AYLA de Oliveira (PE)

Foto: Divulgação.

Conheça os projetos vencedores do 12º Brasil CineMundi

por: Cinevitor
Evento de mercado do cinema brasileiro anuncia projetos premiados.

A cerimônia de encerramento da 15ª CineBH – Mostra Internacional de Cinema de Belo Horizonte e do 12º Brasil CineMundi – International Coproduction Meeting foi realizada neste domingo, 03/10, com o anúncio dos projetos vencedores do programa de coprodução transmitido pelo site oficial.

Após a cerimônia, encerrando a programação, na Sessão Brasil CineMundi, foi realizada a exibição do longa-metragem Carro Rei, produção pernambucana dirigida por Renata Pinheiro e premiada recentemente no Festival de Cinema de Gramado.

O projeto na categoria Em Desenvolvimento/Horizonte e vencedor do prêmio dado pelo Júri Oficial foi O Segredo de Sikán, com direção de Everlane Moraes e produção de Fernanda Vidigal, da empresa produtora Carapiá Filmes. O projeto levou o Troféu Horizonte e ganhou prêmios dos parceiros da 15ª CineBH e do 12º Brasil CineMundi: CTAv (empréstimo de câmera Black Magic e acessórios por quatro semanas), DOT (R$ 15.000 em serviços de finalização), MISTIKA (R$ 15.000 em serviços de pós-produção), Parati Filmes (800 euros em serviço de tradução de roteiros: português para francês) e Prêmio Edina Fujii – Naymovie (R$ 15.000 em serviços de locação de equipamentos de iluminação, acessórios e maquinaria).

O júri, formado por Laís Bodanzky, diretora, roteirista e produtora; Fernanda Rennó, diretora de distribuição e produtora da Fidalgo Film; e Davide Oberto, curador e consultor do Torino Film Lab, justificou a escolha: “É um projeto que trata do fantástico, que tem uma ousadia na narrativa, que colocou Cuba, Brasil e Nigéria juntos e transportou-se para o nordeste brasileiro, o corpo da sua ideia para a própria cidade, com personalidade, vontade e criatividade da realizadora, representando muito a qualidade e a diversidade da cinematografia brasileira”.

O projeto Mãe Coragem, de Renata Jardim e Thiago B. Mendonça, venceu o World Cinema Fund (consultoria e mentoria intensivas para desenvolver uma estratégia completa em Design de Audiência) por se apresentar como “um documentário que nos revela elementos desconhecidos e urgentes, que move emoções e nos ajuda a compreender a história atual do Brasil remontando ao passado, num filme de muito potencial cinematográfico”.

O projeto Saudade Fez Morada Aqui Dentro, com direção de Haroldo Borges e produção de Paula Gomes, Ernesto Molinero e Marcos Bautista, ganhou o Prêmio Forte Filmes – Kuarup (acordo de distribuição para filme de longa-metragem, assessoria de imprensa e valor total de R$ 30.000, em parceria com a empresa de assessoria Fato Relevante) por “ser um filme surpreendente, pelas atuações, pelo tema, fotografia e pela enorme sensibilidade”.

O mineiro Palimpsesto, de André Di Franco, Lipe Canêdo e Luiz Malta, venceu o Prêmio Conecta (para participar do Conecta – International Documentary Industry Meeting da próxima edição do Chiledoc) e o Prêmio DocSP (para participar das Rodadas de Negócios na próxima edição do DocSP, ainda em 2021), por se tratar de um projeto que “comoveu por sua reflexão e respeito pela memória do país e do continente, através de um tratamento tão atrativo quanto provocador” e que “traz um risco na abordagem e na narrativa para falar de um incêndio num museu e refletir a fragilidade da memória”.

O projeto Nada a Fazer, com direção de Leandra Leal, também levou prêmios: DocMontevideo (participar dos meetings e do workshop na próxima edição do DocMontevideo, em 2022); e CTAv, Naymovie e DocBrasil Meeting, por ser “um exercício criativo que nasce na pandemia e traz a relação de uma mãe e sua filha, suas vidas na arte e o desafio de montar uma peça de Samuel Beckett para refletir sobre o ser humano, a família e o contexto da cultura no Brasil atual” e por “atingir o centro de questões existenciais complexas e promete uma exploração ousada das linguagens do cinema e do teatro e uma visão generosa das relações intergeracionais”.

O Prêmio CTAv Foco Minas foi para Sal na Ferida, dirigido por Felipe Vignoli e Francisco Cavancalti, enquanto o cearense A Estranha Familiar, de Natália Maia, ficou com o Prêmio Encuentros Biobiocine (encontro da indústria do BioBioCine Festival Internacional de Cinema). Por fim, o projeto Assexybilidade, de Daniel Gonçalves, ganhou o Prêmio Nuevas Miradas; e o pernambucano Diabos de Fernando, de Caio Dornelas, ficou com o Prêmio MAFF (Málaga Festival Fund & Co-production Event).

Conheça os vencedores do 12º Brasil CineMundi:

PRÊMIO WORLD CINEMA FUND

Mãe Coragem (SP)
Direção: Renata Jardim e Thiago B. Mendonça
Produção: Renata Jardim
Empresa Produtora: Memória Viva Produção de Imagem e Texto

PRÊMIO FORTE FILMES – KUARUP

Saudade Fez Morada Aqui Dentro (BA)
Direção: Haroldo Borges
Produção: Paula Gomes, Ernesto Molinero e Marcos Bautista
Empresa Produtora: Plano 3 Filmes

PRÊMIO CONECTA + PRÊMIO DocSP

Palimpsesto (MG)
Direção: André Di Franco, Lipe Canêdo e Luiz Malta
Produção: André Di Franco, Barbara Ferreira e Samuel Quinteiro
Empresa Produtora: Quarteto Filmes e Almôndega Filmes

PRÊMIO DocMontevideo

Nada a Fazer (RJ)
Direção: Leandra Leal
Produção: Carol Benjamin, Leandra Leal, Maria Barreto e Rita Toledo
Empresa Produtora: Daza Filmes

PRÊMIO CTAv, Naymovie e DocBrasil Meeting

Nada a Fazer (RJ)
Direção: Leandra Leal
Produção: Carol Benjamin, Leandra Leal, Maria Barreto e Rita Toledo
Empresa Produtora: Daza Filmes

PRÊMIO CTAv | FOCO MINAS

Sal na Ferida (MG)
Direção: Felipe Vignoli e Francisco Cavancalti
Produção: Renan Távora Soares
Empresa Produtora: Gangorra Filmes

PRÊMIO ENCUENTROS BIOBIOCINE

A Estranha Familiar (CE)
Direção: Natália Maia
Produção: Luciana Vieira
Empresa Produtora: Orla Filmes

PRÊMIO NUEVAS MIRADAS

Assexybilidade (RJ)
Direção: Daniel Gonçalves
Produção: Daniel Gonçalves e Roberto Berliner
Empresa Produtora: SeuFilme

PRÊMIO MAFF | PROJETO PARADISO

Diabos de Fernando (PE)
Direção: Caio Dornelas
Produção: Carla Francine
Empresa Produtora: 9 Oitavos

PRÊMIO DO JÚRI OFICIAL

O Segredo de Sikán (MG/BA)
Direção: Everlane Moraes
Produção: Fernanda Vidigal
Empresa Produtora: Carapiá Filmes

Foto: Leo Lara/Universo Produção.

Prêmio Platino 2021: conheça os vencedores

por: Cinevitor
Javier Cámara: melhor ator por A Ausência que Seremos.

Foram revelados neste domingo, 03/10, os vencedores do 8º Prêmio Platino (ou Premios Platino del Cine Iberoamericano), premiação criada em 2014 que destaca as melhores produções ibero-americanas de 23 países.

A cerimônia, que aconteceu presencialmente em Madri, foi apresentada por Juana Acosta e Luis Gerardo Méndez. O ator mexicano Diego Luna, que foi premiado em 2019 pela série Narcos: México, foi homenageado com o Premio Platino de Honor pelo conjunto da obra.

Dirigido por Fernando Trueba, o drama colombiano A Ausência que Seremos, que recebeu onze indicações, foi o grande vencedor da noite com cinco prêmios, entre eles, melhor filme ibero-americano de ficção. A Chorona, de Jayro Bustamante, aparece na sequência, com três troféus.

Neste ano, o cinema brasileiro estava representado com: Três Verões, de Sandra Kogut, que rendeu uma indicação para Regina Casé na categoria de melhor atriz; a animação O Pergaminho Vermelho, de Nelson Botter Jr.; e o documentário Babenco – Alguém tem que ouvir o coração e dizer: Parou, de Bárbara Paz.

Conheça os vencedores do Prêmio Platino de Cinema Ibero-Americano 2021:

MELHOR FILME IBERO-AMERICANO | FICÇÃO
A Ausência que Seremos (El olvido que seremos), de Fernando Trueba (Colômbia)

MELHOR DIREÇÃO
Fernando Trueba, por A Ausência que Seremos

MELHOR ROTEIRO
A Ausência que Seremos, escrito por David Trueba

MELHOR ATRIZ
Candela Peña, por La boda de Rosa

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Nathalie Poza, por La boda de Rosa

MELHOR ATOR
Javier Cámara, por A Ausência que Seremos

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Alfredo Castro, por O Príncipe

MELHOR FILME DE ESTREIA IBERO-AMERICANO DE FICÇÃO
Las niñas, de Pilar Palomero (Espanha)

MELHOR FILME DE ANIMAÇÃO
La Gallina Turuleca, de Eduardo Gondell e Víctor Monigote (Espanha/Argentina)

MELHOR DOCUMENTÁRIO
Agente Duplo (El Agente Topo), de Maite Alberdi (Chile/Espanha)

MELHOR TRILHA SONORA ORIGINAL
Silenciadas, por Aránzazu Calleja e Maite Arrotajauregi

MELHOR EDIÇÃO
A Chorona (La llorona), por Jayro Bustamante e Gustavo Matheu

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE
A Ausência que Seremos, por Diego López

MELHOR FOTOGRAFIA
A Chorona, por Nicolás Wong

MELHOR SOM
A Chorona, por Eduardo Cáceres Staackmann

PREMIO PLATINO AL CINE Y EDUCACIÓN EN VALORES
Agente Duplo, de Maite Alberdi (Chile/Espanha)

MELHOR MINISSÉRIE OU FILME PARA TV IBERO-AMERICANO
Pátria (Espanha) (HBO)

MELHOR ATOR | MINISSÉRIE OU FILME PARA TV IBERO-AMERICANO
Andrés Parra, por O Maior Assalto

MELHOR ATRIZ | MINISSÉRIE OU FILME PARA TV IBERO-AMERICANO
Elena Irureta, por Pátria

MELHOR ATOR COADJUVANTE | MINISSÉRIE OU FILME PARA TV IBERO-AMERICANO
Christian Tappán, por O Maior Assalto

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE | MINISSÉRIE OU FILME PARA TV IBERO-AMERICANO
Loreto Mauleón, por Pátria

MELHOR CRIADOR | MINISSÉRIE OU FILME PARA TV IBERO-AMERICANO
Aitor Gabilondo, por Pátria

Foto: Juan Naharro/Getty Images Europe.

Edna, de Eryk Rocha, é premiado no Festival Biarritz Amérique Latine 2021

por: Cinevitor
Documentário brasileiro premiado.

Foram anunciados neste sábado, 02/10, os vencedores da 30ª edição do Festival Biarritz Amérique Latine, evento realizado desde 1979 com o objetivo de promover o cinema latino-americano na França, além de oferecer oportunidades de distribuição e coprodução para os realizadores.

Neste ano, o documentário brasileiro Edna, de Eryk Rocha, recebeu o Prêmio do Júri Estudantil IHEAL. Na trama, à beira da rodovia Transbrasiliana, Edna vive em uma terra em ruínas, construída sobre massacres. Criada apenas pela mãe, ela experimenta, no seu corpo e nos corpos de seus descendentes, as marcas de uma guerra que nunca acabou: a guerra pela terra. Tecida a partir dos relatos e escritos de Edna no caderno que ela intitulou A História de Minha Vida, a narrativa híbrida transita, entre real e imaginário, por guerrilhas, desaparecimentos e desmatamentos, mas também pela força de mulheres, rios e matas que insistem em sobreviver.

Além disso, o cinema brasileiro também estava representado com: Capitu e o Capítulo, de Júlio Bressane, e Madalena, de Madiano Marcheti, na competitiva de longas de ficção; Igual/Diferente/Ambas/Nenhuma, de Fernanda Pessoa e Adriana Barbosa, na mostra competitiva de curtas; e O Empregado e o Patrão, de Manuel Nieto Zas, uma coprodução entre Uruguai, Argentina, Brasil e França, e a animação Tito e Os Pássaros, de Gustavo Steinberg, Gabriel Bitar e André Catoto, em sessões especiais e fora de competição.

O time de jurados desta 30ª edição contou com: Antonin Baudry, Jean Echenoz e Pascale Ferran na mostra de longas de ficção; Annick Peigné-Giuly, Emmanuel Gras e Laetitia Mikles na mostra de documentários; Aurélie Chesné, Aurélien Vernhes-Lermusiaux e Romane Pangrazzi na mostra de curtas-metragens; Yohann Cornu, Jane Roger e Charlotte Uzu na mostra BAL-LAB; e Cédric Lépine, Bernard Payen e Bénédicte Prot no Prêmio Syndicat Français de la Critique de Cinéma.

Conheça os vencedores do Festival Biarritz América Latina 2021:

LONGA-METRAGEM | FICÇÃO

Prêmio Abrazo | Melhor Filme: Jesús López, de Maximiliano Schonfeld (Argentina/França)
Prêmio do Júri: Candela, de Andrés Farías Cintrón (República Dominicana/França)
Menção Especial do Júri: para as interpretações de Una película sobre parejas
Prêmio Syndicat Français de la Critique de Cinéma: Una película sobre parejas, de Natalia Cabral e Oriol Estrada (República Dominicana)
Prêmio do Público: Fanny Camina, de Alfredo Arias e Ignacio Masllorens (Argentina/França)

LONGA-METRAGEM | DOCUMENTÁRIO

Melhor Filme: Qué Será Del Verano, de Ignacio Ceroi (Argentina)
Menção Especial: Vaychiletik, de Juan Javier Pérez (México)
Prêmio do Júri Estudantil IHEAL: Edna, de Eryk Rocha (Brasil)
Prêmio do Público: Cantos de Represión, de Marianne Hougen-Moraga e Estephan Wagner (Chile/Dinamarca/Holanda)

CURTA-METRAGEM

Melhor Filme: Entre Ellas, de Roxane Florin (México)
Menção Especial: La Luz de Masao Nakagawa, de Hideki Nakazaki (Peru/México)

BAL-LAB

Prêmio BAL-LAB de Documentário: Bea VII, de Natalia Garayalde (Argentina)
Prêmio BAL-LAB de Ficção: Godspeed Satan, de José Pablo Escamilla (México)
Menção Especial: What’s In The Air, de Laura Santullo e Rodrigo Plá (México)
Beca de desarrollo del CNC (5000 euros): On Top Of The Cliff, de Enrica Pérez (Peru)

Foto: Divulgação.