Sandra Bertini com os filhos Vitor e Patricia no palco do Cine PE
Nesta sexta-feira, 05/06, a 30ª edição do Cine PE foi marcada por uma das noites mais emocionantes das três décadas de existência do festival. O Cinema do Teatro do Parque recebeu uma homenagem especial ao idealizador do evento, o economista Alfredo Bertini, que reuniu amigos, realizadores, parceiros do audiovisual e a equipe do festival em torno de um documentário que celebrou a personalidade e trajetória profissional do fundador do Cine PE.
Produzido pela jornalista Mari Frazão, a produção trouxe depoimentos de pessoas que acompanharam a trajetória de Bertini e testemunharam sua dedicação ao fortalecimento do cinema brasileiro. O filme destacou o papel fundamental do produtor na consolidação do festival como um dos mais importantes eventos audiovisuais do país.
Ao final da exibição, o público presente no Teatro do Parque levantou-se para longos aplausos, em uma demonstração de carinho e reconhecimento ao legado deixado por Alfredo Bertini, que faleceu nesta quinta-feira, 04/06, aos 65 anos. Em seguida, a diretora do festival e companheira de Alfredo, Sandra Bertini, subiu ao palco ao lado dos filhos Vitor e Patrícia, e agradeceu pelas homenagens recebidas ao longo do dia e reforçou a continuidade do festival, conforme desejo manifestado pelo próprio fundador.
Emocionada, Sandra destacou a dedicação da equipe responsável pela realização do evento e o compromisso de manter viva a missão construída ao longo dos últimos 30 anos: “Muito difícil, né? Ter que falar… mas eu tô falando porque eu quero falar. Porque ele merece que eu fale. Porque ele faria o mesmo se fosse o inverso, tá certo? Agradeço muito nossa equipe que todos esses dias se empenhou para que a gente fizesse um Cine PE bonito, com generosidade e boas exibições. Todos falaram de Bertini com muita sabedoria. Não são todos que têm sabedoria. A sabedoria é para poucos, a inteligência para muitos. Todos o conheciam muito bem de todo esse convívio de 30 anos de Cine PE. Muitos estavam lá no começo e sabem como é duro fazer um festival”.
Durante o discurso, ela relembrou o convite que recebeu para integrar o projeto ainda nos primeiros anos e falou sobre a paixão compartilhada pelo cinema e pela cultura brasileira: “O Bertini foi buscar esse projeto cultural para o estado de Pernambuco. E ele viu a dimensão da importância de um festival num estado com uma potência tão grande cultural e de audiovisual em particular. Então, me convidou para ser sua produtora. Eu aceitei na hora. Me apaixonei ainda mais pelo cinema quando entendi o que é transformar um sonho em realidade”.
Roger Lerina, Simone Zuccolotto e Nínive Caldas no palco
Sandra também agradeceu aos realizadores, jurados, patrocinadores, instituições parceiras, público, equipe e familiares: “A gente precisa honrar cada filme exibido aqui. É um trabalho feito com muita responsabilidade, dedicação e amor ao cinema. Agradeço muito minha família, meu filho Vitor, minha filha Patrícia… e ao Bertini, que me ajudou em toda essa programação. Vamos fazer uma 31ª edição linda! Obrigada, Mari Frazão, nossa assessora de imprensa. Uma paixão minha. Eu não sei quem não é apaixonado nessa família Cine PE. Eles se entregam tanto, são os amores da minha vida. Os meus terceiros filhos”.
Ainda como parte da homenagem, a apresentadora Nínive Caldas chamou ao palco os jornalistas e críticos de cinema Roger Lerina e Simone Zuccolotto, que falaram sobre Alfredo: “Estamos aqui representando toda a imprensa do país e a comunidade do audiovisual brasileiro nessa homenagem a uma figura que durante mais de três décadas lutou pelo cinema brasileiro. Alfredo Bertini, sua parceira de vida e de sonho, a Sandra, foram aliados dos artistas e técnicos na reconstrução do nosso cinema, com dedicação e resiliência nos altos e baixos. Esse casal e seus colaboradores foram incansáveis na divulgação e no incentivo à produção nacional”.
Além da homenagem a Alfredo Bertini, a programação da noite manteve as exibições do festival. A sessão foi aberta com a mostra hors concours, que apresentou o documentário Guardiões da Floresta, produzido por estudantes da rede pública de ensino de Jaboatão dos Guararapes em oficina ministrada pelo cineasta Marlom Meirelles. No palco, os alunos também homenagearam o idealizador do Cine PE usando camisetas com o nome dele e com a seguinte frase: “Seu legado seguirá iluminando o cinema brasileiro”.
Entre aplausos e emoção, uma das alunas falou sobre a experiência de realizar um curta-metragem: “Eu queria agradecer pela oportunidade que o Cine PE deu pra gente. Antes a gente não tinha tanta dimensão do quão maravilhoso seria. Mas, estando aqui, com meus amigos, pessoas próximas e professores, que nos apoiaram muito, percebi que foi algo maravilhoso. Eu tenho muito orgulho de estar aqui representando a nossa escola porque é um colégio maravilhoso e esse filme foi muito bom”.
Em seguida, o público acompanhou a animação Medo Monstro, dirigida por Andrew Gledson e Eduardo Padrão, representante da mostra competitiva de curtas-metragens pernambucanos. Na mostra competitiva de curtas nacionais, foram exibidos Via Sacra, de João Campos, e Da Aldeia à Universidade, dirigido por Leandro de Alcântara e Túlio de Melo, que aborda trajetórias de estudantes indígenas no ensino superior. Encerrando a programação, o público assistiu ao documentário A Fabulosa Máquina do Tempo, da diretora Eliza Capai, longa-metragem que integra a mostra competitiva nacional e convida o espectador a refletir sobre memória, futuro e as transformações do mundo contemporâneo.
Inscrições abertas para curtas-metragens até 23 de junho
A 24ª edição da Goiânia Mostra Curtas, importante festival de cinema brasileiro de curtas-metragens, com mais de duas décadas de história, será realizada entre os dias 6 e 11 de outubro de 2026, no Teatro Goiânia, com entrada gratuita. Na edição anterior, o festival se organizou em torno da política da memória; em 2026, o festival desloca o eixo para a política da narrativa e da imaginação.
As inscrições para os filmes de curtas-metragens estão abertas até 23 de junho no site oficial do festival (clique aqui) e serão avaliados por uma curadoria especializada. Podem ser inscritos curtas-metragens de até 25 minutos, de todos os gêneros, finalizados a partir de janeiro de 2025; o regulamento também pode ser conferido no site. As produções selecionadas irão compor as mostras competitivas desta edição: Curta Mostra Brasil, Curta Mostra Goiás, Curta Mostra Origens (curtas universitários goianos) e concorrerão a prêmios em serviços e produtos oferecidos por empresas do setor audiovisual. A 23ª Mostrinha concorre a melhor filme pelo júri popular.
“A Goiânia Mostra Curtas construiu uma sólida reputação como espaço de fomento, experimentação e encontro entre realizadores, críticos, estudantes e público. Reconhecido nacionalmente como um dos festivais mais longevos e relevantes dedicados ao curta-metragem no Brasil, o evento já recebeu milhares de filmes e consolidou-se pelo compromisso com a diversidade cultural, a valorização regional e a democratização do acesso ao audiovisual”, destaca Maria Abdalla, diretora-geral e idealizadora do festival.
Mais do que uma vitrine para produções de curta duração, a Goiânia Mostra Curtas firmou-se como um território fértil para o surgimento de novas linguagens, estéticas e formas de narrar o país. O cinema, aqui, é compreendido como força ativa de construção de sentido, capaz de produzir desejo, reorganizar o sensível e projetar futuros. As imagens deixam de ser apenas testemunhos do real para assumir seu papel como operadores de mundo, instaurando formas de ver, sentir e imaginar o presente.
A programação desta edição reafirma o curta-metragem como território privilegiado dessa disputa narrativa. Cursos, laboratórios, estudos de caso, rodas de conversa e mostras especiais articulam processos de criação, ética, imaginação política e práticas formativas, conectando cinema autoral, educação, curadoria e desenvolvimento de projetos. O objetivo é fortalecer o festival como espaço de escuta, reflexão e elaboração crítica, estimulando realizadoras, realizadores e públicos a reconhecerem o cinema como prática situada, em continuidade, e profundamente implicada na construção de horizontes coletivos. Em 2026, a Goiânia Mostra Curtas propõe pensar o audiovisual não apenas como linguagem artística, mas como campo estratégico de invenção de mundos, desejos e futuros possíveis.
Marcélia Cartaxo, homenageada da edição passada, e Maria Abdalla, diretora do festival
A programação traz a tradicional Curta Mostra Brasil, com curadoria de Rafael de Almeida, cineasta, artista visual e professor, doutor em Multimeios pela Unicamp, pós-doutor pela UFG e professor da UEG. Rafael atua como curador em festivais como a Goiânia Mostra Curtas e o Pirenópolis Doc, com obras exibidas em diversos festivais e salões de arte no Brasil e no exterior.
A Curta Mostra Goiás será conduzida por Fabio Rodrigues Filho, realizador, crítico, pesquisador e curador de cinema, doutorando em Comunicação pela UFMG. Fábio atua nas áreas de crítica, curadoria e programação de cinema. É diretor dos curtas Tudo que é apertado rasga e Não vim no mundo para ser pedra, além de coordenador do Fluxo-Fixo, festival de filmes independentes.
A Curta Mostra Origens, de curtas universitários goianos, permanece na programação da Goiânia Mostra Curtas reafirmando o compromisso do festival com a formação, a experimentação e o fortalecimento das novas gerações do audiovisual goiano. Consolidada como um espaço dedicado às produções realizadas no ambiente universitário, a mostra evidencia a potência criativa que emerge das instituições de ensino, pesquisa e extensão em Goiás, reunindo obras marcadas pela diversidade de linguagens, pela inovação narrativa e pela experimentação estética. A iniciativa amplia o diálogo entre formação acadêmica e produção audiovisual contemporânea, estimulando a circulação de obras e o reconhecimento de jovens realizadoras e realizadores. A curadoria da mostra é assinada por Elinaldo Meira, professor na FAV/UFG, onde leciona Fotografia e Cinema, Arte e Educação.
Completa a grade da programação: a 23ª Mostrinha, mostra competitiva avaliada por Júri Popular. Ela tem curadoria de Gabriela Romeu, escritora, jornalista e documentarista, que há mais de vinte anos desenvolve projetos que criam pontes entre realidades e infâncias. A mostra é dedicada ao público infantojuvenil e propõe uma seleção de curtas sensíveis e inventivos, pensados para estimular o imaginário das crianças. Com uma curadoria atenta à diversidade de linguagens, narrativas e temas, a Mostrinha busca formar novas plateias e incentivar desde cedo o contato com o cinema como expressão artística e instrumento de reflexão.
Além das mostras permanentes, a cada edição, a Goiânia Mostra Curtas promove a Curta Mostra Especial, expressando um sentimento, um momento histórico, reflexões contemporâneas. Mostra não competitiva, que este ano está sob a curadoria de Kariny Martins, pesquisadora e roteirista; atualmente é autora-roteirista na TV Globo, mestre em Cinema e Artes do Vídeo pela Universidade Estadual do Paraná e Doutoranda em Comunicação pela Universidade Federal Fluminense. Em breve será divulgado o tema e a curadoria da Curta Mostra Especial.
O ator Danilo Castro marcou presença na edição passada
A cada edição, a Goiânia Mostra Curtas convida um artista visual goiano para criar a arte do cartaz. Essas obras servem como ponto de partida na forte corrente da cultura visual contemporânea, proporcionando diferentes formas de fruição ao espectador. A identidade visual da 24ª Goiânia Mostra Curtas é assinada por Genor Sales, artista visual nascido em Goiânia, em 1984, e graduado em Artes Visuais pela Universidade Federal de Goiás. Integrante do Jatobá Nascente: Ateliê-casa & Centro de Arte-educação, e representado pela Cerrado Galeria, desenvolve uma pesquisa atravessada por sua vivência periférica, mobilizando a subjetividade do peixe fora d’água como metáfora para discutir questões sociais, raciais e alimentares. Em 2025 e 2026, realizou exposições individuais em Goiânia e São Paulo, além de integrar mostras como Sertão Negro: Território Vivo, em Nova York. Foi indicado ao Prêmio PIPA 2025.
“Este trabalho, realizado especialmente para a Goiânia Mostra Curtas, parte de memórias de infância e de vivências familiares no contexto urbano periférico de Goiânia. A composição reúne objetos comuns do ambiente doméstico, como a rede de descanso, o filtro de barro, a televisão antiga com um copo d’água sobre ela e o padrão de energia com uma garrafa d’água pendurada, elementos que constroem um imaginário afetivo e cultural compartilhado”, reflete Genor Sales. A proposta visual dialoga com os debates desta edição do festival ao articular memória, território e cotidiano para refletir sobre as redes de afeto, informação, pertencimento e controle que atravessam a vida contemporânea, evocando o cinema como espaço de imaginação, disputa narrativa e invenção de mundos possíveis.
Além das exibições, a Mostra oferece uma ampla programação de atividades formativas: cursos, laboratórios de roteiro, estudos de caso, aula, oficinas, lançamento literário, debates, homenagens, encontro de realizadores, roda de conversa e ações de formação de plateia; todas gratuitas e abertas ao público. As atividades promovem o encontro entre diferentes gerações, fortalecem redes de colaboração e compartilhamento de conhecimento e reafirmam o curta-metragem como um espaço legítimo de invenção artística, reflexão crítica e transformação social. Reinventando-se a cada edição, a Goiânia Mostra Curtas segue como um dos principais motores do audiovisual independente brasileiro, sempre atenta às transformações e urgências do tempo presente.
“A Mostra tem papel decisivo na formação de novos cineastas e na criação de uma memória viva do cinema brasileiro contemporâneo de curtas-metragens. Mais do que exibir filmes, queremos promover encontros, trocas e visões plurais sobre o mundo, facilitando o acesso ao público em geral”, reforça Maria Abdalla.
Oswaldo Massaini e Aramis Trindade no palco do Cine PE
Exibidos na primeira mostra de longas-metragens promovida pelo Cine PE, há 30 anos, os filmes Baile Perfumado e O Cangaceiro foram homenageados na noite desta quinta-feira, 04/06, durante a programação da 30ª edição do festival audiovisual pernambucano.
Com temáticas que dialogam com a cultura nordestina e o universo do cangaço, os dois filmes marcaram um momento importante da retomada do cinema brasileiro e da história do festival: “O batismo do Cine PE teve a sorte e a visão de acolher esse encontro histórico entre a tradição e o mito na modernidade de uma nova geração de cineastas”, destacou a apresentadora do evento, Nínive Caldas.
Dirigido por Paulo Caldas e Lírio Ferreira, que assinam o roteiro ao lado de Hilton Lacerda, Baile Perfumado destaca o jovem libanês Benjamin Abrahão, homem de confiança de Padre Cícero, que parte de Juazeiro, na década de 1930, em busca de recursos para realizar um velho sonho: filmar Lampião e seu bando. Para isso, recorre as pessoas influentes, especialmente um coronel amigo do cangaceiro, mas os sonhos do mascate são prejudicados pela ditadura do Estado Novo.
Com Luiz Carlos Vasconcelos e Duda Mamberti no elenco, o filme foi exibido no Festival de Havana, consagrado no Festival de Brasília e premiado com o Troféu APCA nas categorias de melhor trilha musical (para Chico Science, Fred Zero Quatro e Sérgio Siba Veloso) e melhor ator coadjuvante (Luiz Carlos Vasconcelos). A produção foi assinada por Cláudio Assis e o elenco traz também Aramis Trindade, Chico Diaz, Joffre Soares, Cláudio Mamberti, Germano Haiut, Manoel Constantino, Giovanna Gold, Johnny Hooker e Daniela Mastroianni.
Já em O Cangaceiro, dirigido por Aníbal Massaini Neto, a história mostra, em meio à luta com as tropas organizadas por voluntários em busca de defesa de seus vilarejos, o conflito entre dois cangaceiros por causa de uma professora raptada a quem um deles pretende libertar por amor. O elenco conta com Paulo Gorgulho, Luíza Tomé, Alexandre Paternost, Ingra Lyberato, Jece Valadão, Otávio Augusto, Jofre Soares, Dominguinhos, Cláudio Mamberti e Othon Bastos.
Para celebrar as duas obras, o ator Aramis Trindade, que interpreta o Tenente Lindalvo Rosas em Baile Perfumado, e o produtor Oswaldo Massaini, de O Cangaceiro, subiram ao palco do Cinema do Teatro do Parque para receber a tradicional Calunga Prateada, um dos símbolos do festival.
Aramis Trindade, Nínive Caldas e Oswaldo Massaini
Emocionado, Aramis Trindade relembrou os desafios enfrentados para a realização de Baile Perfumado, obra que ajudou a recolocar Pernambuco no mapa da produção cinematográfica nacional após duas décadas sem a realização de longas-metragens no Estado: “O Baile Perfumado tem a mesma idade do festival. Ambos são de 96. E a gente sabe que nem tudo é glamour, né? Eu imagino quantos nãos o Bertini e a Sandra devem ter tomado até ganhar um sim. Até Baile Perfumado, fazia vinte anos que Pernambuco não filmava um longa-metragem. O último filme tinha sido O Palavrão, de Cleto Mergulhão, de 1976. Eu não sabia, Lírio que me falou. Ou seja, Pernambuco estava há duas décadas sem rodar”.
E finalizou, ovacionado pelo público: “Tem uma frase de Clarice Lispector, que morou em Recife por muito tempo, que me guia: ‘O caminho lento aumenta a minha coragem secreta’. Acho que ela traduz muito da trajetória de quem acredita e insiste em fazer cinema”.
Na sequência, representando o diretor Aníbal Massaini Neto, Oswaldo Massaini, coprodutor do longa, destacou a relação histórica entre O Cangaceiro e o nascimento do festival: “Quem poderia imaginar, naquela época, tudo o que aconteceria dali em diante? Estava ali plantada a semente do festival. Hoje, com muito orgulho, podemos dizer que também nos sentimos pernambucanos e seguimos torcendo pela longevidade e pelo sucesso deste evento”.
Além das homenagens, a noite contou com a exibição dos filmes das mostras competitivas. Abrindo a programação, foi exibido o curta documental pernambucano Salam, dirigido por Bruna Tavares. Na mostra competitiva de curtas-metragens nacionais, os títulos foram: Um Certo Cinema Brasileiro, do sergipano Fábio Rogério; e a ficção A Ascensão da Cigarra, de Ana Clara Ribeiro, de Rondônia. Encerrando a noite, o público acompanhou a exibição de Mapas, longa-metragem de ficção dirigido por Rafael Lobo e protagonizado por Caique Copque e Beta Rangel.
A quinta noite do Cine PE 2026 também foi marcada pela despedida de seu idealizador, Alfredo Bertini, falecido na quinta-feira, 04/06, aos 65 anos. Criador do festival e um dos principais incentivadores do audiovisual brasileiro, Bertini dedicou três décadas à construção de um espaço que se tornou referência para realizadores, artistas e público de todo o país.
Em respeito à sua trajetória e ao legado que deixou para a cultura pernambucana e nacional, a programação do festival será mantida como ele planejou, reafirmando que a melhor homenagem ao fundador do Cine PE é manter viva a sala de exibição, os encontros e as histórias que ele ajudou a tornar possíveis. O velório de Bertini acontecerá nesta sexta-feira, 05/06, das 10h às 14h, na Sede Social do Sport Club do Recife. A cerimônia de cremação será realizada às 16h, no Memorial Guararapes.
Elenco: Nicholas Galitzine, Camila Mendes, Idris Elba, Jared Leto, Jóhannes Haukur Jóhannesson, Jon Xue Zhang, Alison Brie, Sam C. Wilson, Charlotte Riley, James Purefoy, Morena Baccarin, Kristen Wiig, Christiaan Bettridge, Artie Wilkinson-Hunt, Eire Farrell, James Wilkinson, Dolph Lundgren, Kojo Attah, Hung Dante Dong, James Apps, Hafþór Júlíus Björnsson, Arun Bassi, Christian Vunipola, Sasheer Zamata, Max Kraus, Kelly Coughlin, Elena Rivers, Stephen Adentan, Susie Coutts, Eddison Burch, Arthur Galiano, Aaron Lynn, Delilah O’Riordan, Mark Conway, Connor Crawford, Richard David-Caine, Olivia Marcus, Billy Clements, Piotr Michael, Christopher Ragland, Tom Wilton, Fletcher Glenn, Gary Martin, Elizabeth Ansari, Madeleine Forsyth, Lauren Saliu, Clem So, Callan Taverner.
Ano: 2026
Sinopse: Após ficarem separados por 15 anos, a Espada do Poder conduz o Príncipe Adam de volta a Eternia, onde ele descobre seu lar devastado sob o domínio perverso de Esqueleto. Para salvar sua família e seu mundo, Adam precisa unir forças com seus aliados mais próximos, Teela e Duncan/Mentor, e aceitar seu verdadeiro destino como He-Man, o homem mais poderoso do universo.
Elenco: Mélissa Boros, Golshifteh Farahani, Tahar Rahim, Emma Mackey, Finnegan Oldfield, Louai El Amrousy, Ambrine Trigo Ouaked, Zohra Benbetka, Fadila Belkebla, Sofia Naït, Bahia Badji, Marc Riso, Jean-Charles Clichet, François Rollin, Driver, Frédéric Bayer Azem, Ninon Le Henry, Elyna Motte, Nina Bouffier, Ilyane Badji, Christophe Perez, Béatrice Michel, Dalya Naïm, Vincent Pasdermadjian, Julien Spitéri, Hillary Mervil, Elaura Louisa, Katja Gaudard, Morgane Renault, Yasmine Benzima, Fabien Giameluca, Rose Harlean.
Ano: 2025
Sinopse: Alpha, uma adolescente problemática de 13 anos, vive com sua mãe solo. O mundo das duas começa a desmoronar quando Alpha volta da escola com uma tatuagem no braço.
Camila Morgado na peça A Falecida, de Nelson Rodrigues
A atriz Camila Morgado será a Homenageada Nacional da 33ª edição do Festival de Cinema de Vitória, que acontecerá entre os dias 18 e 25 de julho, no Espírito Santo; ela receberá o Troféu Vitória e o Caderno da Homenageada, publicação biográfica assinada pelos jornalistas Leonardo Vais e Paulo Gois Bastos.
Nascida em Petrópolis, Rio de Janeiro, a estreia de Camila Morgado em longas-metragens ocorreu em Olga, lançado em 2004, drama biográfico dirigido por Jayme Monjardim e baseado no livro de Fernando Morais. O papel foi um dos principais marcos na carreira da atriz, até hoje lembrada pela emblemática frase “eu estou grávida de Luiz Carlos Prestes”, uma das cenas mais marcantes do cinema brasileiro. O filme alcançou mais de três milhões de espectadores nos cinemas e conta a história da judia alemã Olga Benário Prestes, desde seu exílio e treinamento militar em Moscou até sua prisão e deportação para a Alemanha nazista.
A carreira de Camila nas telonas soma mais de dez produções, como o documentário Vinicius, de Miguel Faria Jr., em que ela conduz a narrativa da obra declamando poemas e histórias sobre o poeta carioca em parceria com o ator Ricardo Blat. Entre os blockbusters, integrou o elenco dos recordes de bilheteria nacional em 2013 e 2015, Até que a Sorte nos Separe 2 e 3, de Roberto Santucci, com Leandro Hassum. No circuito de festivais e cinema de gênero, protagonizou o thriller O Animal Cordial, de Gabriela Amaral Almeida, e o drama Vergel, coprodução internacional dirigida por Kris Niklison. Também atuou nas comédias Bem Casados, de Aluizio Abranches, com Alexandre Borges; e Divórcio, de Pedro Amorim, ao lado de Murilo Benício. Ainda em 2026, a atriz se prepara para o lançamento de dois longas inéditos: Sedução, de Zelito Viana e Marcos Palmeira; e Nova Éden, de Aly Muritiba.
Nas plataformas de streaming, teve destaque como Janete, mulher que enfrenta um relacionamento abusivo na primeira temporada de Bom Dia, Verônica, original Netflix; a interpretação lhe rendeu o Prêmio APCA de melhor atriz de televisão. Na sequência, protagonizou Sentença, série do Prime Video. Na produção, interpretou Heloísa, uma advogada criminalista responsável pela defesa de uma acusada em um crime que chocou o país.
No teatro, Camila estreou nos palcos no final da década de 1990 com o espetáculo Graal, em 1997, dirigido por Gerald Thomas, e que marcou sua formatura na CAL, Casa das Artes de Laranjeiras. Depois, a atriz integrou a Cia de Ópera Seca, coordenada pelo diretor, até 2001, quando esteve em projetos como Nowhere Man e Ventriloquist. Dois anos depois, estreou na minissérie A Casa das Sete Mulheres, em 2003, um sucesso da Rede Globo que se tornou um dos clássicos contemporâneos da televisão brasileira. Na obra dirigida por Jayme Monjardim, interpretou Manuela, uma mulher que destaca a importância do papel feminino durante a Guerra dos Farrapos.
Na televisão, esteve na novela América (2004), de Glória Perez, como a vilã May. Divertiu o público como Noêmia, uma das três mulheres de Cadinho, papel de Alexandre Borges, em Avenida Brasil (2012), de João Emanuel Carneiro, ao lado de Carolina Ferraz e Débora Bloch. A atriz voltou a repetir a parceria com a autora Maria Adelaide Amaral nas séries Um Só Coração (2005), em que interpretou Cacilda Becker; e JK (2006), como Ana Rosemberg, além da novela A Lei do Amor (2016). Também foi a empresária Mara Moreira em O Canto da Sereia (2013), microssérie baseada no livro homônimo de Nelson Motta; Maria Angélica no remake de O Rebu (2014); e a professora Gabriela em Malhação: Vidas Brasileiras (2018), na 26ª temporada da novela adolescente. Seus trabalhos mais recentes em telenovelas foram em dois remakes de Benedito Ruy Barbosa: Pantanal (2022), como Irma; e Renascer (2024), como Dona Patroa.
Nos palcos, foi dirigida por Marília Pêra na comédia Doce Deleite (2008), em que dividiu cena com Reynaldo Gianecchini. Ao lado de Vera Holtz e Antonio Petrin, esteve em Palácio do Fim (2012), dirigida por José Wilker, que abordava em textos intensos fatos ocorridos na Guerra do Iraque. Após um hiato de mais de dez anos, Camila voltou ao teatro em A Falecida (2023), texto de Nelson Rodrigues. A produção, dirigida por Sérgio Modena, foi a realização de um sonho da atriz que sempre desejou interpretar um dos maiores autores brasileiros de todos os tempos.
Taís Araujo e Marat Descartes na coletiva de imprensa
A 30ª edição do Cine PE – Festival do Audiovisual começou nesta segunda-feira, 01/06, no Cinema do Teatro do Parque, em cerimônia apresentada pela atriz pernambucana Nínive Caldas. A noite de abertura reuniu realizadores, artistas, produtores, autoridades e amantes do cinema para celebrar três décadas de um dos mais importantes festivais audiovisuais do país.
Para abrir a competição de longas-metragens, foi exibido Doutor Monstro, novo trabalho do cineasta paranaense Marcos Jorge, de Estômago. Inspirado em um dos mais emblemáticos tribunais do júri da crônica criminal brasileira, que envolveu o médico Farah Jorge Farah, o filme traz a atriz Taís Araujo como uma obstinada promotora de justiça, que tem pela frente a missão de colocar na cadeia um respeitado cirurgião plástico, vivido por Marat Descartes, que confessou ter assassinado e esquartejado uma ex-paciente. O que seria um caso simples se transforma em um dos mais difíceis e perturbadores trabalhos de sua carreira.
Antes da exibição, a equipe do filme se reuniu com a imprensa no Novotel Recife Marina. No bate-papo, Taís Araujo falou de sua personagem: “Eu já fiz tanta advogada nessa vida… fiz em Aruanas, que foram duas temporadas, fiz em Amor de Mãe e agora a Cláudia. Eu não sei nada de Direito, nada. Mas eu confio plenamente nos pesquisadores e no diretor que dizem como funciona. Eu questiono porque não sei nada. Mas eu sei interpretar, que é o que eu faço há trinta anos. É o meu trabalho”. E completou: “É muito lindo ela ser essa promotora que pega esse caso para ser o caso da vida dela. Ela não é uma personagem da história verídica porque era um promotor, né? Eu acho lindo essa escolha por ser uma mulher que busca, quase obsessivamente, fazer justiça para outra mulher. Em uma época do Brasil que não se falava em feminicídio. É uma personagem incrível e complexa. Ela tem uma personalidade que tem também muita humanidade”.
A atriz, que marcou presença no festival para a primeira exibição do filme no país, também refletiu sobre sua carreira: “No ano passado eu fiz 30 anos de televisão. Mas, de teatro eu tenho um pouquinho mais. Nossa, nem eu acredito! Mas é que passou tão rápido mesmo. E trinta anos de uma carreira que eu sou tão orgulhosa dela. Eu acho uma carreira bonita, com escolhas bonitas e muito leais ao que eu acredito artisticamente. E aí quando eu fiz 30 anos, eu fiquei pensando: ‘E agora?’. E é tão legal ter 47 anos, ter essa carreira que eu tenho e ter ainda tanta coisa para explorar; você ter o privilégio de escolher o que você quer fazer artisticamente. O que te preenche artisticamente? Que tipo de histórias você quer contar? Quais as narrativas que você pode investir seu tempo, seu desejo artístico e levar para o mundo? É tão bom já ter 30 anos de carreira, ter tantos anos pela frente e poder ter o privilégio de escolher o que vai fazer, a forma, com quem, como… isso é o que me deixa mais enérgica. E esse filme faz parte disso porque quando o Marcos [Jorge, diretor] me chamou, o que mais me interessou foi ser um filme de tribunal”.
O bate-papo aconteceu antes do filme porque Taís Araujo viajaria ainda na madrugada e não conseguiria participar da coletiva de imprensa oficial na manhã seguinte. Por conta disso, aproveitou o momento para refletir sobre sua trajetória: “Eu sou uma mulher que vai fazer 50 anos daqui a pouco. Eu comecei a trabalhar com 13 anos. Então, eu sou uma artista que vive a contemporaneidade. Para mim, artisticamente, faz todo sentido provocar reflexão, pensamentos e fazer do meu trabalho, da minha arte, esse tipo de provocação”. E continuou: “Em uma sociedade como o Brasil, que é forjada por todos esses pilares terríveis de racismo, machismo, misoginia, homofobia… são assuntos que me interessam transformar em arte para debater. Porque não tem nada mais poderoso do que o audiovisual para discutir esses assuntos, sabe? A arte é muito poderosa. Todo mundo que está aqui trabalha com isso, todo mundo sabe o poder que tem. É um poder de comunicação muito grande. Para mim, não faz sentido ser uma artista que não trate desses assuntos, que não provoque essas reflexões e que não queira ampliar debates nesse sentido”.
Equipe do longa Doutor Monstro no palco
Taís também falou da sua experiência nos palcos e das escolhas profissionais: “Eu, por exemplo, vou estrear minha peça [Mudando de Pele] agora em São Paulo. É um texto que eu tava procurando já… uma pesquisa de muitos anos sobre pessoas pretas, mas que a dor não seja a protagonista absoluta, sabe? E sim as subjetividades, as outras questões, o caos que tem dentro de todos nós. Isso também vem numa pesquisa de reduzir nossa população ao sofrimento e à dor para ampliar os olhares de tudo. Então, eu decidi que agora eu vou ter repertório de teatro. Tem essa peça, daqui a pouco vou fazer outra. O que vou fazer com as histórias que me interessam contar artisticamente? Eu posso fazer isso com as histórias que estão sob a minha curadoria. As que não estão, eu não tenho esse poder. Mas a questão que eu posso escolher, já é muito interessante, instigante e prazeroso”.
Além disso, a atriz desabafou sobre os obstáculos que enfrenta em seu cotidiano: “Seria lindo se a gente pudesse viver plenamente, mas, a gente não vive. Estamos sempre em estado de alerta, o tempo inteiro. Se você é mulher, então… E se você é mulher negra tudo vai se potencializando e os perigos vão aumentando. Não é porque sou conhecida, trabalho há 30 anos e tô nas campanhas publicitárias que estou salva disso. Não, não estou. E eu sei que não estou. E é por isso que também faz muito sentido continuar falando sobre o que tem que ser dito e não fingir que está tudo bem. Se você ascende socialmente, óbvio que as coisas melhoram em alguns aspectos, mas eu não estou salva disso. E, mesmo que melhorasse, a minha obrigação moral e artística era de continuar falando sobre os assuntos”.
O ator Marat Descartes também participou do bate-papo e falou sobre seu personagem e seu processo de criação: “Eu fui atrás de alguns desses outros casos para tentar entender se havia alguma semelhança porque como intérprete desse tipo de criatura, a gente não pode julgar, né? Temos que simplesmente tentar entender qual é o mecanismo psíquico que leva um ser a cometer uma atrocidade dessas. Na minha pesquisa, fui vendo outros casos parecidos com o dele. Foi uma pesquisa para tentar entender o que passa pela cabeça e também mergulhar um pouco na história particular desses médicos. Esse caso tem coisas bem particulares. Ele não é exatamente um serial killer. Então, o que o levou a cometer esse crime?”.
Já no palco do Teatro do Parque e ao lado de sua equipe, o diretor Marcos Jorge discursou: “Que bom estar aqui com esse povo vibrante, nessa cidade vibrante que todos nós agora aprendemos internacionalmente a apreciar. É um grande privilégio ser o filme de abertura desse lindo festival, que estive alguns anos atrás. Quando eu vi pela primeira vez a história do Farah Jorge Farah, eu não acreditei. Eu achei que aquilo não podia ser verdade. Mas era uma terrível verdade. E achei que ali tinha um filme muito interessante. Recentemente eu fui numa palestra de um diretor americano chamado Spike Jonze, que me ajudou a entender um pouco do filme que a gente acabou fazendo. Ele disse: ‘Os tempos surreais em que vivemos pedem filmes ainda mais surreais. A realidade é absurda’. Sim, a realidade é absurda e os filmes que nós fazemos, que nós assistimos, talvez seja uma das poucas maneiras que temos para lidar com elas”.
Taís Araujo também conversou com o público presente: “É um prazer lançar nosso filme aqui no Cine PE, que completa 30 anos. É a primeira vez que o filme vai ser exibido. Ninguém aqui viu ainda, eu acho. Só o diretor. Tá todo mundo ansioso para ver. Espero que seja um filme que provoque reflexão e eu acho que essa é a função dele”. Marat Descartes completou: “É uma alegria estar aqui. Filmamos em 2023 e, por isso, estou ansioso para ver o que fizemos. Eu acho de extrema importância a reflexão que esse filme traz em um momento em que o fenômeno do feminicídio está exponencial no nosso país. Acho também que ao focar na questão do tribunal, traz luz para a questão do que é verdade, o que é fato, mentira, fake”.
Com Guilherme Weber, Marcelina Fialho, Duílio De Pol, Paulo Matos, Bárbara Passos e Uyara Torrente no elenco, Doutor Monstro é uma produção da Zencrane Filmes, com coprodução da Paramount Pictures e distribuição da Olhar Filmes. A estreia comercial nos cinemas está prevista para o início do segundo semestre deste ano.
Zenaide e Fátima: cidadãs Cine PE
Ainda na noite de abertura, antes da exibição do longa, o festival teve início com a exibição do documentário comemorativo sobre os 30 anos do Cine PE. A produção revisita momentos marcantes da trajetória do festival, resgatando imagens históricas, depoimentos e registros que ajudam a contar a construção de uma iniciativa que se tornou referência para o audiovisual brasileiro: “Foram dois meses intensos para tentar resumir 30 anos de história. Fizemos um verdadeiro garimpo de imagens, desde fitas VHS até materiais mais recentes. Foi um trabalho feito com muito amor pelo festival”, disse Eduardo Cavalcanti, responsável pela direção do filme.
Outro momento emocionante da noite foi a homenagem às irmãs Zenaide Maria de Sousa e Fátima Maria de Sousa, carinhosamente conhecidas como As Irmãs do Cine PE. Presenças confirmadas em todas as edições do festival desde sua criação, elas receberam das mãos da diretora Sandra Bertini o título de Cidadãs Cine PE, em reconhecimento ao entusiasmo e amor demonstrados ao longo dos 30 anos de história do evento.
Emocionadas, agradeceram pela homenagem e lembraram a relação afetiva construída com o festival ao longo das décadas: “Gente, boa noite! Estou muito emocionada e gratificada por essa homenagem, que eu não esperava. Estou muito feliz, de coração. Eu amo o Cine PE há muitos anos. Acompanho desde o início, praticamente. Eu amo de coração!”, disse Zenaide. E Fátima completou: “Também estou muito, muito emocionada. Todos os anos são muitas emoções. Aqui, conhecemos muita gente. É muita coisa maravilhosa. Melhor do que todos esses carnavais que passam por aqui. Uma coisa linda que sempre emociona demais. A gente se sente tão feliz, sabe? É inexplicável o sentimento”. Ao entregar a homenagem, Sandra Bertini destacou a importância do público para a existência do festival: “A gente precisava homenagear Zenaide e Fátima. Elas sempre foram as primeiras da fila. Esse amor pelo Cine PE representa exatamente o encontro que buscamos promover entre o público e o audiovisual”.
Com sessões gratuitas até o próximo dia 7 de junho, o 30º Cine PE segue com mostras competitivas de curtas e longas-metragens, homenagens, debates e encontros com realizadores, celebrando uma trajetória que ajudou a fortalecer o audiovisual nacional e a formar gerações de espectadores.
Ítalo Martins e Robério Diógenes em O Agente Secreto: 18 indicações
Foram divulgados nesta terça-feira, 02/06, os finalistas ao Prêmio Grande Otelo 2026, que é realizado pela Academia Brasileira de Cinema e considerada a maior premiação do setor audiovisual nacional; e que, neste ano, celebra o aniversário de 25 anos.
Nesta 25ª edição, o consagrado O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, lidera a lista com 18 indicações, entre elas, melhor ator para Wagner Moura; Homem com H, O Filho de Mil Homens e O Último Azul aparecem na sequência com 12 indicações cada.
Em comunicado oficial, Renata Almeida Magalhães, presidente da Academia Brasileira de Cinema, disse: “Vinte e cinco anos é fato para comemorar. Estivemos, estamos e estaremos sempre junto com o que o audiovisual brasileiro produz”.
A cerimônia de premiação acontecerá no dia 4 de agosto no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, às 20h15, com transmissão ao vivo para todo o país pelo canal do YouTube da Academia e também pelo Canal Brasil.
Ao todo, serão anunciados 32 prêmios para longas-metragens, curtas-metragens e séries brasileiras: 31 produções serão escolhidas pelo amplo júri formado por profissionais associados à Academia Brasileira de Cinema, além do disputado Grande Otelo de melhor filme pelo Júri Popular, escolhido pelo público por meio de votação aberta realizada no site da Academia. Concorrerão ao voto popular os cinco finalistas das categorias: melhor longa-metragem de ficção, melhor longa-metragem de comédia e melhor longa-metragem documental. A edição deste ano marca o retorno da categoria de melhor longa-metragem de comédia e inclui o prêmio de melhor montagem de documentário.
Em 2026, foram 287 inscrições (com 2.140 profissionais inscritos) entre 162 longas-metragens (82 filmes de ficção, 59 documentários, 7 filmes do gênero infantil, 4 longas de animação e 10 ibero-americanos indicados pelas Academias que fazem parte da FIACINE, Federación Iberoamericana de Academias de Artes y Ciencias Cinematográficas); 59 curtas-metragens (21 de ficção, 26 documentários e 12 de animação); e 66 séries (24 de ficção, 34 documentários e 8 de animação).
“Os 25 anos são um marco para toda a indústria audiovisual brasileira e o Rio tem orgulho de fazer parte dessa história. O setor audiovisual movimentou R$ 4,7 bilhões na economia carioca em 2025, reúne mais de 2,7 mil empresas e gera emprego, renda e oportunidades. Somos hoje a cidade mais filmada da América Latina, com quase 11 mil diárias de filmagem autorizadas no ano passado. Apoiar o Prêmio Grande Otelo é fortalecer a cultura, a economia criativa e a projeção do Rio no Brasil e no mundo”, disse o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Cavaliere.
Conheça os indicados ao 25º Prêmio Grande Otelo:
MELHOR LONGA-METRAGEM | FICÇÃO Homem com H, de Esmir Filho Manas, de Marianna Brennand O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho O Filho de Mil Homens, de Daniel Rezende O Último Azul, de Gabriel Mascaro
MELHOR LONGA-METRAGEM | COMÉDIA Agentes Muito Especiais, de Pedro Antonio C.I.C. – Central de Inteligência Cearense, de Halder Gomes Sexa, de Gloria Pires Sonhar com Leões, de Paolo Marinou-Blanco Uma Mulher Sem Filtro, de Arthur Fontes Velhos Bandidos, de Claudio Torres
MELHOR LONGA-METRAGEM | DOCUMENTÁRIO A Queda do Céu, de Eryk Rocha e Gabriela Carneiro da Cunha Apocalipse nos Trópicos, de Petra Costa Hora do Recreio, de Lucia Murat Mambembe, de Fabio Meira Ritas, de Oswaldo Santana e Karen Harley
MELHOR LONGA-METRAGEM | INFANTIL Narciso, de Jeferson De O Diário de Pilar na Amazônia, de Eduardo Vaisman e Rodrigo Van Der Put O Último Episódio, de Maurilio Martins Os Dragões, de Gustavo Spolidoro Thiago & Ísis e os Biomas do Brasil, de João Amorim
MELHOR LONGA-METRAGEM | ANIMAÇÃO Authentic Games: No Império Desconectado, de Bruno Murtinho Eu e Meu Avô Nihonjin, de Celia Catunda Nosso Louco Amor, de Nelson Botter Jr. Tainá e os Guardiões da Amazônia: Em Busca da Flecha Azul, de Alê Camargo e Jordan Nugem
MELHOR DIREÇÃO Daniel Rezende, por O Filho de Mil Homens Esmir Filho, por Homem com H Gabriel Mascaro, por O Último Azul Kleber Mendonça Filho, por O Agente Secreto Marianna Brennand, por Manas
MELHOR PRIMEIRA DIREÇÃO DE LONGA-METRAGEM Douglas Soares, por Papagaios Gloria Pires, por Sexa Júlia Jordão, por Perfeitos Desconhecidos Márcia Faria, por A Procura de Martina Rafaela Camelo, por A Natureza das Coisas Invisíveis
MELHOR ATRIZ Camila Pitanga, por Malês Carolina Dieckmmann, por (Des)controle Denise Weinberg, por O Último Azul Jamilli Correa, por Manas Tânia Maria, por O Agente Secreto
MELHOR ATOR Antonio Pitanga, por Malês Ary Fontoura, por Velhos Bandidos Irandhir Santos, por Os Enforcados Jesuíta Barbosa, por Homem com H Rodrigo Santoro, por O Filho de Mil Homens Wagner Moura, por O Agente Secreto
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE Alice Carvalho, por O Agente Secreto Camila Márdila, por A Natureza das Coisas Invisíveis Dira Paes, por Manas Grace Passô, por O Filho de Mil Homens Hermila Guedes, por O Agente Secreto
MELHOR ATOR COADJUVANTE Adanilo, por O Último Azul Alejandro Claveaux, por Ruas da Glória Augusto Madeira, por Os Enforcados Carlos Francisco, por O Agente Secreto Gabriel Leone, por O Agente Secreto Robério Diógenes, por O Agente Secreto Rodrigo Santoro, por O Último Azul Rômulo Braga, por Manas
MELHOR ROTEIRO ORIGINAL A Melhor Mãe do Mundo, escrito por Anna Muylaert A Natureza das Coisas Invisíveis, escrito por Rafaela Camelo Homem com H, escrito por Esmir Filho Manas, escrito por Felipe Sholl, Marcelo Grabowsky, Marianna Brennand, Carolina Benevides, Antonia Pellegrino e Camila Agustini O Agente Secreto, escrito por Kleber Mendonça Filho O Último Azul, escrito por Gabriel Mascaro e Tibério Azul
MELHOR ROTEIRO ADAPTADO A Queda do Céu, escrito por Eryk Rocha e Gabriela Carneiro da Cunha; adaptado do livro A Queda do Céu, de Davi Kopenawa e Bruce Albert Barba Ensopada de Sangue, escrito por Aly Muritiba e Jessica Candal; baseado no livro Barba Ensopada de Sangue, de Daniel Galera Cinco Tipos de Medo, escrito por Bruno Bini; adaptado do curta-metragem Três Tipos de Medo, de Bruno Bini Enterre seus Mortos, escrito por Marco Dutra; baseado no livro Enterre seus Mortos, de Ana Paula Maia O Advogado de Deus, escrito por Wagner de Assis; adaptado da obra O Advogado de Deus, de Zíbia Gasparetto e Lucius O Filho de Mil Homens, escrito por Daniel Rezende; adaptado do livro O Filho de Mil Homens, de Valter Hugo Mãe
MELHOR DIREÇÃO DE FOTOGRAFIA Homem com H, por Azul Serra Manas, por Pierre de Kerchove O Agente Secreto, por Evgenia Alexandrova O Filho de Mil Homens, por Azul Serra O Último Azul, por Guillermo Garza
MELHOR DIREÇÃO DE ARTE Homem com H, por Thales Junqueira Manas, por Marcos Pedroso O Agente Secreto, por Thales Junqueira O Último Azul, por Dayse Barreto Um Lobo Entre os Cisnes, por Dina Salem Levy
MELHOR FIGURINO Homem com H, por Gabriella Marra Malês, por Rô Nascimento Manas, por Kika Lopes O Agente Secreto, por Rita Azevedo O Filho de Mil Homens, por Manuela Mello O Último Azul, por Gabriella Marra
MELHOR MAQUIAGEM Barba Ensopada de Sangue, por Andrea Tristão Homem com H, por Martín Macías Trujillo O Agente Secreto, por Marisa Amenta O Filho de Mil Homens, por Martín Macías Trujillo O Último Azul, por Juliana Bolze
MELHOR MONTAGEM | FICÇÃO Cinco Tipos de Medo, por Bruno Bini Homem com H, por Germano de Oliveira Manas, por Isabela Monteiro de Castro O Agente Secreto, por Eduardo Serrano e Matheus Farias O Filho de Mil Homens, por Marcelo Junqueira
MELHOR MONTAGEM | DOCUMENTÁRIO Apocalipse nos Trópicos, por David Barker, Tina Baz, Nels Bangerter, Jordana Berg, Victor Miaciro e Eduardo Gripa Cazuza: Boas Novas, por Jordana Berg Ecos do Teatro Experimental do Negro, por Cristina Amaral Mambembe, por Fabio Meira, Juliano Castro e Affonso Uchoa Ritas, por Oswaldo Santana Zico: O Samurai de Quintino, por André Felipe Silva e João Wainer
MELHOR EFEITO VISUAL Homem com H, por Massao Asaga O Agente Secreto, por Alexandre Boiron, Luuk Meijer e David Van Heeswijk O Diário de Pilar na Amazônia, por Claudio Peralta O Filho de Mil Homens, por Juliano Storchi O Último Azul, por Eduardo Kurt, Magdalena Maia, Sofia Sussekind, Beatriz Paixão e Vandré Huppes
MELHOR SOM Homem com H, por Ana Luiza Penna, Martín Grignaschi e Armando Torres Jr. Manas, por Valéria Ferro, Miriam Biderman, Ricardo Reis e Armando Torres Jr. O Agente Secreto, por Pedro Moreira, Moabe Filho, Tijn Hazen e Cyril Holtz O Filho de Mil Homens, por Lia Camargo, Toco Cerqueira e Alan Zilli O Último Azul, por Liliana Villaseñor, Heverson Batista, María Alejandra Rojas, Arturo Salazar R.B. e Vincent Sinceretti
MELHOR TRILHA SONORA A Melhor Mãe do Mundo, por André Abujamra e George Nahssen Homem com H, por Guilherme Amabis, Mariana Amabis e Rica Amabis Malês, por Antonio Pinto e Barulhista O Agente Secreto, por Tomaz Alves Souza e Mateus Alves O Filho de Mil Homens, por Fabio Góes
MELHOR CURTA-METRAGEM | FICÇÃO Amarela, de André Hayato Saito (SP) Arame Farpado, de Gustavo de Carvalho (SP) Boiuna, de Adriana de Faria (PA) Klaustrofobia, de João Londres (RJ) Peixe Morto, de João Fontenele (CE) Presépio, de Felipe Bibian (RJ)
MELHOR CURTA-METRAGEM | DOCUMENTÁRIO Cartas pela Paz, de Mariana Reade, Thays Acaiabe e Patrick Zeiger (RJ) Conselho, de Alice Riff (SP) Filme Sem Querer, de Lincoln Péricles (SP) Replikka, de Piratá Waura e Heloisa Passos (PR/MT/SP) Sebastiana, de Pedro de Alencar (RJ)
MELHOR CURTA-METRAGEM | ANIMAÇÃO A Tragédia da Lobo-Guará, de Kimberly Palermo (RJ) Como Nasce um Rio, de Luma Flôres (BA) Mãe de Manhã, de Clara Trevisan Farret (RS) Safo, de Rosana Urbes (SP) Seu Vô e a Baleia, de Mariana Elisabetsky (SP) Uma Menina, Um Rio, de Renata Martins Alvarez (SP)
MELHOR LONGA-METRAGEM IBERO-AMERICANO Belén: Uma História de Injustiça, de Dolores Fonzi (Argentina); indicação: Academia de las Artes y Ciencias Cinematográficas de la Argentina O Olhar Misterioso do Flamingo, de Diego Céspedes (Chile); indicação: Academia de Cine de Chile O Riso e a Faca, de Pedro Pinho (Portugal); indicação: Academia Portuguesa de Cinema Pepe, de Nelson Carlo de los Santos Arias (República Dominicana); indicação: Academia de las Artes y Ciencias Cinematográficas de la República Dominicana Um Poeta, de Simón Mesa Soto (Colômbia); indicação: Academia Colombiana de Cine
MELHOR SÉRIE | FICÇÃO | TV ABERTA, TV PAGA ou STREAMING Ângela Diniz: Assassinada e Condenada (1ª temporada) (Conspiração) (HBO Max) Beleza Fatal (1ª temporada) (Coração da Selva) (HBO Max) Cangaço Novo (2ª temporada) (O2 Filmes) (Prime Video) Emergência Radioativa (1ª temporada) (Gullane) (Netflix) Máscaras de Oxigênio Não Cairão Automaticamente (1ª temporada) (Morena Filmes) (HBO Max)
MELHOR ATRIZ | SÉRIE DE FICÇÃO | TV ABERTA, TV PAGA ou STREAMING Adriana Esteves, por Os Outros Alice Carvalho, por Cangaço Novo Bruna Linzmeyer, por Máscaras de Oxigênio Não Cairão Automaticamente Camila Pitanga, por Beleza Fatal Marjorie Estiano, por Ângela Diniz: Assassinada e Condenada Thainá Duarte, por Cangaço Novo
MELHOR ATOR | SÉRIE DE FICÇÃO | TV ABERTA, TV PAGA ou STREAMING Allan Souza Lima, por Cangaço Novo Chico Diaz, por Os Donos do Jogo Johnny Massaro, por Máscaras de Oxigênio Não Cairão Automaticamente Johnny Massaro, por Emergência Radioativa Ravel Andrade, por Raul Seixas: Eu Sou
MELHOR SÉRIE | DOCUMENTÁRIO | TV ABERTA, TV PAGA ou STREAMING A Mulher da Casa Abandonada (1ª temporada) (Coiote Produções) (Prime Video) Caçador de Marajás (1ª temporada) (Boutique Filmes) (Globoplay) Cazuza Além da Música (1ª temporada) (Conspiração) (Globoplay) Chico Anysio: Um Homem à Procura de um Personagem (Casé Filmes) (Globoplay) Congonhas: Tragédia Anunciada (Pródigo) (Netflix) O Testamento: O Segredo de Anita Harley (Globo) (Globoplay)
MELHOR SÉRIE | ANIMAÇÃO | TV ABERTA, TV PAGA ou STREAMING As Aventuras de Tita (1ª temporada) (FK Sound/Viu Cine) Esquadrão do Mar Azul (2ª temporada) (Belli Studio) Esse é o Bicho!(2ª temporada) (Sabiá Educacional) Gnaks! (1ª temporada) (Mandra Filmes) O Mundo (Sem Filtro) de Any Malu (1ª temporada) (Combo Estúdio Animações) Osmar, a Primeira Fatia do Pão de Forma (3ª temporada) (44 Toons) Senninha na Pista Maluca (3ª temporada) (Gullane)
Helena Solberg: cineasta carioca homenageada em Ouro Preto
A CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto realizará sua 21ª edição entre os dias 25 e 30 de junho na a cidade histórica mineira, que será palco de acontecimentos no campo da preservação, história e educação ao sediar o único evento realizado no país que trata cinema como patrimônio.
O tema central desta edição é Um país existe nas imagens que preserva, proposição que toma o cinema como território privilegiado de construção das identidades culturais, sociais e políticas do Brasil. Partindo da ideia de que um país sem memória também perde as imagens de si mesmo, a CineOP propõe refletir sobre o audiovisual como espaço de registro, disputa e reinvenção das narrativas que nos constituem.
A Temática Histórica desta 21ª CineOP investiga os percursos de mulheres cineastas brasileiras e os contextos em que realizaram seus primeiros filmes, com ênfase nos caminhos até o primeiro longa-metragem. Tomando os anos 1970 como marco histórico do surgimento do que se convencionou chamar de cinema de mulheres, a programação buscou obras com personagens femininas fortes e noções do feminino fora de enquadres tradicionais.
Ao mesmo tempo, a curadoria de Cléber Eduardo e Juliana Gusman recua no tempo para recuperar trajetórias antes invisibilizadas ou sub-representadas na historiografia do audiovisual brasileiro. Ao recuperar essas memórias, a CineOP pretende reforçar a importância de reescrever a história dos filmes sob uma perspectiva que reconheça a centralidade das mulheres na construção das imagens e narrativas do país.
A programação contará com obras fundamentais de cineastas como Ana Carolina, Lúcia Murat, Carla Camurati, Tata Amaral, Helena Ignez, Viviane Ferreira, entre outras diretoras de diferentes gerações. Filmes como Feminino Plural (Vera Figueiredo, 1976), que completa 50 anos; Mar de Rosas (Ana Carolina, 1977); Que Bom Te Ver Viva (Lúcia Murat, 1989); Carlota Joaquina (Carla Camurati, 1995); e Um Céu de Estrelas (Tata Amaral, 1996) integram a mostra por evidenciar diferentes momentos e marcos da inserção feminina na direção cinematográfica brasileira.
Diferentes gerações também estarão presentes em rodas de conversa sobre suas experiências individuais, expondo sincronias e dissonâncias entre as distintas décadas de início no longa-metragem e respondendo a questões como: quais as dificuldades e conquistas dessas mulheres até o primeiro longa? Por que escolheram o cinema? Como foram tratadas pelos homens com os quais lidaram em seus inícios?
Neste ano, a cineasta carioca Helena Solberg vai ser a grande homenageada da CineOP. A celebração integra a temática histórica deste ano no evento dedicado ao cinema como patrimônio: Como elas começaram? Memórias do primeiro filme; temática dedicada a investigar os percursos de mulheres cineastas e os contextos de realização de seus trabalhos de estreia.
Solberg assinou, em 1966, A Entrevista, considerado o primeiro filme feminista da produção moderna no país e no qual reunia depoimentos de jovens da classe média alta sobre casamento, sexo, trabalho e submissão ao marido. A partir dos anos 1970, radicada nos Estados Unidos, Solberg desenvolveu a Trilogia da Mulher, com os filmes The Emerging Woman (1974), The Double Day (1975) e Simplesmente Jenny (1977), produzida pelo International Women’s Film Project, coletivo que ela própria liderava em Washington. Na década seguinte, voltou as câmeras para as ditaduras latino-americanas, com títulos como Chile, By Reason or By Force (1983).
No Brasil, a diretora fez o biográfico Carmen Miranda: Bananas is My Business (1995) e a adaptação Vida de Menina (2003). Mais recentemente retomou o engajamento em Meu Corpo, Minha Vida (2017), sobre direitos reprodutivos a partir da história de Jandyra Santos, vítima de aborto clandestino, e Uma Carta para Beatrice (2022), no qual revisita a própria trajetória.
Cena do curta A Entrevista, de Helena Solberg: lançado em 1966
A Temática Preservação da 21ª CineOP volta seu olhar ao momento que antecede a institucionalização do campo e investiga as práticas iniciais de guarda, cuidado e valorização que permitiram a sobrevivência de filmes, aparelhos, documentos e suportes hoje constituintes da arqueologia do audiovisual brasileiro.
Antes da consolidação de políticas, instituições e metodologias, foram iniciativas muitas vezes individuais, de reunir, colecionar, conservar, projetar e identificar, que afirmaram o valor histórico e cultural dessas imagens e abriram caminho para a formação da preservação audiovisual como campo de conhecimento e atuação. Ao centrar o debate nesses gestos pioneiros, a curadoria de José Quental e Vivian Malusá propõe refletir sobre a passagem do impulso individual à responsabilidade coletiva de preservar e destaca como essas práticas ajudaram a constituir uma cultura do cuidado.
O 21º Encontro de Arquivos e Acervos Audiovisuais Brasileiros se mantém como espaço central de reflexão e articulação sobre história, memória, política, técnica e atuação em rede e vai reunir profissionais, pesquisadores, colecionadores e instituições. A proposta deste ano parte do entendimento de que preservar não é apenas guardar o passado, mas garantir que ele continue a produzir sentido no presente e que cada gesto de preservação é também um gesto de projeção de futuro.
A Temática Educação da 21ª CineOP é inspirada no curta cubano Por Primera Vez, de Octavio Cortázar (1967), no qual estudantes pela manhã e camponeses pela noite têm suas primeiras experiências de assistir a filmes. O instante inaugural desse encontro entre espectadores e imagens em movimento, de surpresa, estranhamento e descoberta, é ponto de partida para refletir sobre a potência do cinema em ambiente escolar.
A proposta da curadoria de Adriana Fresquet e Clarice Alvarenga reconhece que a primeira vez não é apenas um fato cronológico, mas uma experiência de encantamento a inaugurar novas formas de ver, sentir e compreender o mundo. Ela pode ser também uma redescoberta quando algo já vivido retorna como novidade.
O material proposta pela Temática Educação evoca episódios marcantes da relação entre cinema e educação no Brasil, como a exibição do cinematógrafo em uma sala de aula em 1896, na Escola Normal Modelo do Maranhão, e a realização de O Parque (1963), considerado o primeiro filme produzido por estudantes de educação básica em uma escola pública no Rio de Janeiro e rodado durante as férias de inverno, após curso de iniciação ao cinema ministrado pela professora Maria José Alvarez, na Escola Brigadeiro Schorcht, em Jacarepaguá.
O conceito também dialoga com os 47,1 milhões de estudantes identificados pelo Censo de 2024 que ainda aguardam a regulamentação da Lei Federal 13.006/2014, que prevê a exibição de cinema brasileiro nas escolas. Para as curadoras, cada estudante que ainda não viu um filme na escola guarda consigo a possibilidade de uma primeira vez, de um instante de encantamento capaz de transformar o olhar.
A Mostra de Cinema de Ouro Preto é o único evento do Brasil dedicado ao cinema como patrimônio e, há 21 anos, ocupa lugar de destaque no calendário audiovisual brasileiro ao articular preservação, história e educação. Realizada anualmente na cidade histórica de Ouro Preto, em Minas Gerais, promove exibições de filmes, debates, homenagens, oficinas, atividades formativas e encontros estratégicos que reúnem realizadores, pesquisadores, educadores, estudantes, profissionais de arquivos e o público em geral. Ao longo de sua trajetória, consolidou-se como espaço de referência nacional para a reflexão sobre memória audiovisual, formação de público e políticas voltadas ao setor. Toda a programação é gratuita.
Matheus Nachtergaele em Entre os Dias: novo filme de Petrus Cariry
A Iluminura Filmes iniciou as filmagens do longa-metragem Entre os Dias, que seguem até meados do mês de junho, na serra de Guaramiranga, no Ceará. O drama familiar marca a nova parceria do diretor Petrus Cariry com os atores Matheus Nachtergaele e Silvia Buarque, que atuaram juntos no premiado road movie Mais Pesado é o Céu. Thaia Perez, Lucas Galvino, Ana Vitória Almeida, Fernando Teixeira e Danilo Castro completam o elenco da obra, produzida por Bárbara Cariry.
Conhecido por tramas densas que tensionam as relações entre personagens em estado de ruptura, Petrus Cariry apresenta, em Entre os Dias, a história de três gerações de uma família que se isola em uma casa na floresta e passa a enfrentar uma série de acontecimentos estranhos. Com uma narrativa sombria e imprevisível, o cineasta aprofunda suas investigações sobre os sentidos da vida e da morte em contextos de crise política e moral. O roteiro é assinado por Petrus ao lado de Firmino Holanda e Arthur Leite, com consultoria de Rosemberg Cariry.
Para o diretor, Entre os Dias é um retrato do nosso tempo: “Estou interessado em investigar como a intolerância se infiltra no cotidiano e contamina as relações mais íntimas, naturalizando o ódio, a misoginia e certas pulsões autoritárias. A partir disso, acompanho uma família que se isola em uma casa no meio da floresta. Esse gesto, que poderia ser apenas um retiro, vai revelando, pouco a pouco, fissuras profundas nessa família. O que deveria ser um espaço de proteção transforma-se, gradualmente, em um território de hostilidade”, afirma Petrus Cariry.
A sinopse oficial diz: um patriarca leva sua família para uma casa de veraneio isolada na floresta. O que começa como um período de convivência se transforma gradualmente em um ambiente de tensão, à medida que divergências e ressentimentos vêm à tona.
Silvia Buarque nos bastidores das filmagens de Entre os Dias
Petrus Cariry nasceu no Ceará, em 1977. Realizou nove curtas-metragens entre 2002 e 2010, entre eles Dos Restos e das Solidões e A Montanha Mágica. Em 2007, dirigiu o drama familiar O Grão, seu primeiro longa-metragem, que deu início ao que intitulou de Trilogia da Morte, formada também por Mãe e Filha(2011) e Clarisse ou Alguma Coisa Sobre Nós Dois (2015). Seus primeiros longas ganharam, juntos, mais de 70 prêmios em festivais de cinema nacionais e internacionais. Depois de O Barco (2018), dirigiu o documentário A Jangada de Welles (2019), ao lado de Firmino Holanda, e as ficções A Praia do Fim do Mundo (2021) e Mais Pesado é o Céu (2023). Entre os Dias é seu oitavo longa-metragem.
A Iluminura Filmes é uma empresa cearense de audiovisual com trajetória nacional e internacional consolidada, tendo realizado diversos filmes documentários e de ficção que se destacam pela qualidade técnica e pela inventividade artística, consagrando-se com mais de 200 prêmios em festivais de cinema nacionais e internacionais.
Em atividade desde 2007, a Sereia Filmes é uma produtora e distribuidora de filmes responsável por lançar em circuito obras como A Jangada de Welles (2019) e Mais Pesado é o Céu (2023), ambos de Petrus Cariry, sendo o primeiro codirigido por Firmino Holanda; Pequenos Guerreiros (2021), de Bárbara Cariry; Antonio Bandeira: O Poeta das Cores (2024), de Joe Pimentel; e, recentemente, a cópia remasterizada em 4K de Corisco e Dadá (1996), de Rosemberg Cariry.
Entre os Dias é realizado com apoio do Governo do Brasil, por meio do Ministério da Cultura, e do Governo do Ceará, por meio da Secretaria da Cultura. O projeto foi contemplado no Edital de Apoio ao Audiovisual Cearense da Lei Paulo Gustavo. O longa-metragem tem lançamento previsto para 2027 no circuito de mostras e festivais de cinema, antes de chegar ao circuito comercial brasileiro com distribuição da Sereia Filmes.
Cena do curta potiguar A Voz dos Muros, de Suelayne Cris
A quinta edição do Festival Audiovisual Latino-Americano de São Francisco do Sul, o FALA São Chico, acontecerá entre os dias 1 e 4 de julho no Cine Teatro X de Novembro no norte de Santa Catarina, terceiro território mais antigo do Brasil.
O evento, realizado pela Associação Cultural Panvision, reafirma sua vocação como espaço de encontro e difusão do cinema documental latino-americano contemporâneo.
Neste ano, na mostra competitiva de curtas-metragens, 16 títulos documentais, incluindo temáticas infantojuvenil, integram a seleção oficial e serão exibidos no Centro Histórico da cidade. As produções selecionadas representam cinco países: Brasil, Colômbia, Cuba, Uruguai e França, esta última em coprodução internacional. No cenário nacional, os filmes contemplam realizadores de seis estados brasileiros e do Distrito Federal, ampliando o panorama de diferentes olhares e territórios do país.
A curadoria desta edição, formada por Marilha Naccari, Marina Simioli e Spike Luu, também destaca a presença de quatro cineastas estreantes, reforçando o compromisso do FALA São Chico com a valorização de novas vozes, perspectivas e narrativas no audiovisual independente. Foram mais de 500 filmes, de 23 países, incluindo 25 coproduções internacionais, inscritos.
Entre os filmes selecionados, sete são dirigidos por mulheres, cinco têm direção LGBTQIAPN+, quatro contam com direção de pessoas pretas ou pardas, um possui direção indígena e um é dirigido por Pessoa com Deficiência (PcD). A mostra reúne ainda uma produção universitária e dez documentários contemplados com o Selo Marias de Cinema. Dois dos filmes da seleção oficial terão sua estreia no festival. Santa Catarina, estado anfitrião do evento, será representado por quatro produções (das cidades de Timbó, Florianópolis, Urubici e São Francisco do Sul).
Em sua quinta edição, o FALA São Chico consolida-se cada vez mais como uma vitrine para o cinema documental independente latino-americano, promovendo o intercâmbio cultural e ampliando o acesso do público a obras que refletem a diversidade de realidades, identidades e experiências do continente.
Conheça os filmes selecionados para o FALA São Chico 2026:
A Jovem sob a Lente dos Jovens, de Direção Coletiva (SC) A Voz dos Muros, de Suelayne Cris (RN) Caminho Sinuoso, de Adalberto Oliveira (PE) Ciudades de Papel: Kevin, de Alvaro Adib (Uruguai) En Nombre del Amor, de Luciana Martins, Mariana Pallas, Socorro Lira e Alexander Dieppa (SP/Cuba) Entre a Bola e o Mundo, de Jo Galvv (Brasil, SP) Entre Cordas e Sonhos: O Maestro Hans e a Orquestra, de Alex Hahnebach e Cleiton Schlindwein (SC) Envelhecer no Espectro, de Vanessa Dunk (DF) Juruá: Memórias de um Rio, de Carolina Fernandes (AM) Madres de Nacimiento, de Gloria Isabel Gómez Ceballos (Colômbia/França) Não é Brincadeira, é Bullying, de Marcelo Sabiá (SC) Nhemongarai, de Hopi Chapman e Jorge Morinico (RS) O Reduto, de Julia Donati (RN) O Retorno, de César Meneghetti e Mario Gianni (AM) Sou Jazz, de Adnes Sousa (SP) Sumidouro Livre, de Lucas Antunes (SC)
Elenco: Bárbara Lennie, Leonardo Sbaraglia, Aitana Sánchez-Gijón, Victoria Luengo, Patrick Criado, Milena Smit, Quim Gutiérrez, Belén Riquelme, Rossy de Palma, Javier Ambrossi, Javier Calvo, Carmen Machi, Lola Rodríguez, Álvaro Lafuente, Bibiana Fernández, Omar Ayuso, María Morales, Amaia Romero, Teo Lucadamo, Fernando Iglesias, Gloria Muñoz, Samuel López, Chavela Vargas, Nieves Álvarez, Alana S. Portero, Luis Jaspe, Julia de Castro, Laura Ledesma, Nourdin Batan, Antonio Romero, Pino Montesdeoca, Elena Gallardo, Mairén Muñoz, Tina Afugu, Carlos García Cambero, Bruna Lucadamo, Topacio Fresh, Miguel Gorbe, Stefan M. Mladenovic, Samantha Hudson, Tusti de las Heras, Raquel Ventosa, Facundo Quirós, Iván Montes, Victor Manuel Rosario Peralta, Diogo Belizário, Tamara Canosa, Lorena Hidalgo, Ángeles Ortega, Aitana Batres, Chije Kang, Custodio Pastor, Sabina Urraca, Nico Martín, Pablo Gar, Guillermo Hego, Palomo Spain, Elsy Gomes, Inés Rodríguez, Javier Romero, Sara Quintela, Dito Castro, Nacho Peinado, Óscar Trujillo, Gema del Valle, Lucas Pérez, Raquel Fernández, Lucas Durán, Israel Cotes.
Ano: 2026
Sinopse: O cineasta Raúl, em meio a um bloqueio criativo, usa os dramas reais de pessoas próximas para escrever um roteiro autoficcional. A obra ganha vida em 2004 através de seu alter ego, a publicitária Elsa, uma mulher marcada por tragédias pessoais. Alternando entre a Madrid do passado e o verão de 2026 nas Ilhas Canárias, Natal Amargo conecta as linhas temporais para refletir sobre perdas, paixões e os limites éticos da criação artística, distanciando-se completamente de um conto natalino tradicional.