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1º Roliúde Cine Fest: conheça os filmes selecionados 

por: Cinevitor
Zezita Matos no curta Umbilina e Sua Grande Rival, de Marlom Meirelles

A primeira edição do Roliúde Cine Fest acontecerá entre os dias 3 e 5 de julho no Cariri paraibano no município de Cabaceiras. O evento é um novo e ambicioso festival que nasce com DNA internacional ao carregar a marca do LABRFF, Los Angeles Brazilian Film Festival, considerado um dos mais importantes dedicados ao cinema brasileiro fora do país.

A iniciativa representa um encontro simbólico e poderoso entre duas capitais do audiovisual: de um lado, Hollywood, a meca mundial do cinema; do outro, Cabaceiras, a consagrada Roliúde Nordestina, cenário de dezenas de produções que ajudaram a consolidar a força do audiovisual brasileiro, e que agora se torna a ponte entre essas duas geografias do cinema por meio de um festival que pretende conectar talentos, ideias e oportunidades.

Em comunicado oficial, Meire Fernandes, fundadora do LABRFF, disse: “Estamos prestes a completar duas décadas de LABRFF, promovendo o cinema brasileiro no exterior, e fazendo conexões que resultaram em grandes projetos dentro das indústrias americana e brasileira. Isso me fez querer realizar eventos fora de Los Angeles também. Acabamos de fazer uma edição em Orlando e estivemos presentes no Festival de Cannes, na França. Chegou a hora de desembarcar no Brasil. Tudo isso faz parte do projeto de expansão do festival para os próximos cinco anos”

A chegada da marca à Paraíba não é por acaso. O LABRFF já desenvolveu parcerias no estado, já homenageou a atriz paraibana Marcélia Cartaxo, além de ter realizado mostras do cinema paraibano em Hollywood: “Todas as vezes que a Paraíba esteve presente no LABRFF, muitas sementes foram plantadas e consequentemente colhemos bons frutos, a exemplo de termos feito de João Pessoa a primeira cidade do Brasil a oferecer curso de Cinema como medida socioeducativa. Jovens em conflito com a Lei puderam aprender uma profissão enquanto pagavam suas dívidas com a sociedade”, lembra Lael Arruda, coordenador do projeto Novos Horizontes Através do Cinema

O Roliúde Cine Fest surge, portanto, como um passo natural na trajetória do audiovisual paraibano. Mais do que celebrar o passado, o festival olha para o futuro, fortalecendo a cadeia produtiva do cinema e ampliando as oportunidades para realizadores da Paraíba, do Nordeste e de todo o Brasil.

Durante os três dias de programação, o público poderá acompanhar exibições de longas e curtas-metragens, além de participar de palestras, debates, mesas-redondas e encontros voltados à reflexão sobre os desafios e as perspectivas do audiovisual contemporâneo. A proposta é reunir realizadores, estudantes, produtores, pesquisadores e amantes do cinema em um ambiente de troca de conhecimento e valorização da produção cultural.

O festival também reforça um movimento cada vez mais evidente: o protagonismo do audiovisual nordestino no cenário nacional e internacional. Nos últimos anos, produções da região vêm conquistando espaço em grandes festivais e acumulando reconhecimento da crítica especializada, demonstrando a vitalidade criativa de um cinema que dialoga com suas raízes sem perder a universalidade.

Ao unir a credibilidade internacional do LABRFF à força simbólica de Cabaceiras, o Roliúde Cine Fest nasce com a vocação de se tornar um novo marco no calendário cultural brasileiro. Um encontro onde a poeira do Cariri cruza caminhos com o glamour de Los Angeles; onde a Roliúde encontra Hollywood; e onde o cinema reafirma seu papel de conectar territórios, culturas e histórias através da arte.

As exibições e atividades paralelas serão realizadas na Pousada Roliúde. Além dos filmes, o evento contará com os painéis: Festivais Internacionais: portas de entrada para coproduções, distribuição e reconhecimento global, com Lael Arruda e Meire Fernandes; e O que a cena quer?, com o ator pernambucano Bruno Garcia

Conheça os filmes selecionados para o 1º Roliúde Cine Fest:

FILME DE ABERTURA
O Sertão Vai Vir ao Mar, de Rodrigo César (PB)

MOSTRA DE LONGAS
Acampamento Intergaláctico, de Fabricio Bittar (SP)
Acordo com Lampião? Só na Boca do Fuzil!, de Marcelo Felipe Sampaio (SP)
Cordélicos, de Alê Machado (SP)
Malaika, de André Morais (PB)
Os Infiéis, de Tomás Fleck (SP)
Rosa Tirana, de Rogério Sagui (BA)

MOSTRA DE CURTAS
Anamnese, de Eduardo P. Moreira (PB)
As Marias, de Dannon Lacerda (MS)
Habeas Pinho, de Nathan Cirino e Aluizio Guimarães (PB)
Jaz, de Liza Gomes (RJ)
Onde Eu Começo?, de Mayana Neiva (PB)
Uma Menina, Um Rio, de Renata Martins Alvarez (SP)
Umbilina e Sua Grande Rival, de Marlom Meirelles (PE/PB)

FILMES USA
Aion, de Giulio Meliani
Broken, de Deborah Liss
Uber Driver, de Gerson Sanginitto

EXIBIÇÃO ESPECIAL
Um Carnaval em Cada Esquina, de Vânia Lima (BA)

Foto: Beto Martins.

Quinze Dias

por: Cinevitor

Direção: Daniel Lieff

Elenco: Miguel Lallo, Diego Lira, Débora Falabella, Mika Soeiro, Bel Moreira, Mariana Santos, Olivia Araujo, Silvio Guindane, Márcio Vito, João Pedro Chaseliov, João Gabriel Marinho, Fernando Caruso, Augusto Madeira, Cristian Athayde, Victor Galisteu, Enzo de Lima, Pedro Lucas Macedo, Lucas Aguiar, Lucca Andrade, Ravi Correia, Pedro Cupido, Gabi Amaral, João Pessanha, Giulia Serradas, Luiz Junior, Laura G, Claudete, Aline Trevas, Jovino Woleiro, Osmar Pereira, Daniel Dias da Silva, Thauan Galiza, Márcio Mariante, Thalita Reis, Vitor Martins.

Ano: 2026

Sinopse: Felipe é um garoto gordo e tímido que sofre bullying na escola. Ele aguarda pelas férias de julho desde o início das aulas. Afastado dos colegas que o maltratam, Felipe finalmente vai poder se dedicar somente ao que gosta: livros e séries. Mas as coisas fogem do controle quando sua mãe informa que concordou em hospedar o vizinho Caio por longos quinze dias, enquanto seus pais viajam. Felipe entra em desespero porque Caio foi sua primeira paixãozinha na infância (e talvez ainda seja). Inseguro, Felipe não sabe como interagir com o vizinho. Os dias que prometiam paz e tranquilidade acabam trazendo um turbilhão de sentimentos, fazendo Felipe mergulhar em todas suas questões e inseguranças. Apesar das diferenças, ou por causa delas, os dois acabam se reaproximando e vivendo uma jornada de autodescoberta mútua. Baseado no best-seller Quinze Dias, de Vitor Martins.

Nota do CINEVITOR:

21ª CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto exibirá 135 títulos na programação

por: Cinevitor
Cena do filme Carmen Miranda: Bananas is My Business, de Helena Solberg

A 21ª edição da CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto acontecerá entre os dias 25 e 30 de junho na cidade mineira de Ouro Preto, Patrimônio Histórico da Humanidade, reafirmando o cinema como patrimônio cultural e espaço de construção da memória coletiva, com uma programação dedicada à preservação audiovisual, ao protagonismo das mulheres no cinema e ao papel da educação na formação do olhar.

A programação deste ano reúne 139 filmes, entre longas, médias e curtas-metragens brasileiros e internacionais, distribuídos em diversas mostras

A cidade histórica receberá realizadores, pesquisadores, educadores, estudantes e público de diferentes regiões do país para refletir sobre o tema central desta edição: Um país existe nas imagens que preserva. A proposição toma o cinema como território privilegiado de construção das identidades culturais, sociais e políticas do Brasil. A Mostra promove uma programação inteiramente gratuita que reúne exibições de filmes, pré-estreias nacionais, mostras temáticas e competitivas, homenagens, debates, encontros, sessões cine-escola, oficinas, masterclasses, lançamento de livros, exposição e atrações artísticas.

As atividades serão realizadas em três espaços principais: o Centro de Artes e Convenções da UFOP, sede do evento e do Cine-Teatro Petrobras (510 lugares); a Praça Tiradentes, com o Cine-Praça (500 lugares), destinado à abertura, ao encerramento e às exibições ao ar livre; e o Cine-Museu (90 lugares), instalado no Anexo do Museu da Inconfidência. Parte da programação também poderá ser acompanhada gratuitamente pelo site oficial

A Temática Histórica da 21ª CineOP investiga os percursos de mulheres cineastas brasileiras e os contextos em que realizaram seus primeiros filmes, com ênfase nos caminhos até o primeiro longa-metragem. Tomando os anos 1970 como marco histórico do surgimento do cinema de mulheres, a curadoria de Cléber Eduardo e Juliana Gusman recua no tempo para recuperar trajetórias antes invisibilizadas ou sub-representadas na historiografia do audiovisual brasileiro, num gesto de reescrita da história que reconhece a centralidade das mulheres na construção das imagens e narrativas do país.

A programação reúne obras de diferentes gerações, entre elas Feminino Plural (Vera de Figueiredo, 1976), que completa 50 anos e retrata a condição da mulher brasileira em diferentes camadas sociais; Mar de Rosas (Ana Carolina, 1977), farsa familiar que subverte papéis de gênero com ironia e invenção formal; Que Bom te Ver Viva (Lucia Murat, 1989), que entrelaça depoimentos reais de ex-presas políticas a uma personagem de ficção para tratar da tortura durante a ditadura militar; Um Céu de Estrelas (Tata Amaral, 1996), mostrando uma mulher diante da violência doméstica num único fluxo de ação; e Um Dia com Jerusa (Viviane Ferreira, 2020), sobre o encontro de duas mulheres no bairro do Bixiga, em São Paulo, carregado de memórias ancestrais. Diferentes gerações de realizadoras estarão presentes em rodas de conversa sobre suas experiências individuais para exporem sincronias e dissonâncias entre as distintas décadas de início no longa-metragem.

A seleção da Mostra Histórica completa-se com: A Nova Mulher (1974), de Helena Solberg; Amor Maldito (1984), de Adélia Sampaio, com Monique Lafond e Wilma Dias; Amor, Plástico e Barulho (2013), de Renata Pinheiro; Baronesa (2017), de Juliana Antunes; Carmen Miranda: Bananas is My Business (1955), de Helena Solberg; Chico Rei Entre Nós (2020), de Joyce Prado; Cristais de Sangue (1975), de Luna Alkalay; Girimunho (2011), de Clarissa Campolina e Helvécio Marins Jr.; Simplesmente Jenny (1977), de Helena Solberg; e Vida de Menina (2004), de Helena Solberg, com Ludmila Dayer.  

Zezé Motta em Xica da Silva, de Cacá Diegues

A cineasta carioca Helena Solberg será a grande homenageada desta edição. Em 1966, realizou A Entrevista, considerado o marco do cinema realizado por mulheres no Brasil e frequentemente apontado como o primeiro filme feminista da produção moderna brasileira, no qual reunia depoimentos de jovens da classe média alta sobre casamento, sexo e trabalho.

Radicada nos EUA a partir dos anos 1970, desenvolveu a Trilogia da Mulher: The Emerging Woman (1974), The Double Day (1975) e Simplesmente Jenny (1977); produzida no âmbito do International Women’s Film Project, coletivo que liderava em Washington. Na década seguinte, voltou as câmeras para as ditaduras latino-americanas em Chile, By Reason or By Force (1983). No Brasil, dirigiu o biográfico Carmen Miranda: Bananas is My Business (1995), que busca resgatar a identidade real da artista para além da caricatura hollywoodiana; e Vida de Menina (2003). Mais recentemente retomou o engajamento político em Meu Corpo, Minha Vida (2017), sobre direitos reprodutivos a partir da história de uma vítima de aborto clandestino; e Uma Carta para Beatrice (2022), no qual revisita a própria trajetória.

A Temática Preservação da CineOP 2026 volta seu olhar ao momento que antecede a institucionalização do campo e investiga as práticas iniciais de guarda, cuidado e valorização que permitiram a sobrevivência de filmes, aparelhos, documentos e suportes hoje constituintes da arqueologia do audiovisual brasileiro.

Antes da consolidação de políticas e metodologias, foram iniciativas muitas vezes individuais, de reunir, colecionar, conservar, projetar e identificar, que afirmaram o valor histórico dessas imagens. Ao centrar o debate nesses gestos pioneiros, a curadoria de José Quental e Vivian Malusá propõe refletir sobre a passagem do impulso individual à responsabilidade coletiva de preservar e destaca como essas práticas ajudaram a constituir uma cultura do cuidado com o patrimônio audiovisual.

O 21º Encontro Nacional de Arquivos e Acervos Audiovisuais Brasileiros se mantém como espaço central de reflexão e articulação sobre história, memória, política, técnica e atuação em rede, reunindo profissionais, pesquisadores, colecionadores e instituições. A proposta parte do entendimento de que preservar não é apenas guardar o passado, mas garantir que ele continue a produzir sentido no presente e que cada gesto de salvaguarda é também um gesto de projeção de futuro.

A Temática Educação da 21ª CineOP é orientada por um conceito inspirado no curta cubano Por Primera Vez (Octavio Cortázar, 1967), exibido na edição anterior da Mostra, no qual estudantes, pela manhã, e camponeses, pela noite, têm suas primeiras experiências com imagens em movimento. O instante inaugural desse encontro é ponto de partida para refletir sobre a potência do cinema em ambiente escolar. A proposta das curadoras Adriana Fresquet e Clarisse Alvarenga reconhece que a primeira vez não é apenas um fato cronológico, mas uma experiência de encantamento capaz de inaugurar novas formas de ver, sentir e compreender o mundo.

O conceito dialoga com marcos históricos como a exibição do cinematógrafo em uma sala de aula, em 1896, na Escola Normal Modelo do Maranhão, e a realização de O Parque (1963), considerado o primeiro filme produzido por estudantes da educação básica em uma escola pública no Rio de Janeiro. Dialoga também com os 47,1 milhões de estudantes da educação básica brasileira identificados pelo Censo de 2024, que ainda aguardam a efetiva regulamentação e, posterior implementação da Lei Federal nº 13.006/2014, que prevê a exibição de cinema brasileiro nas escolas.

Norma Bengell, Cristina Pereira e Hugo Carvana em Mar de Rosas, de Ana Carolina

A sessão de abertura, na Praça Tiradentes, apresentará dois filmes da cineasta homenageada, Helena Solberg: A Entrevista (1966), curta documental que reuniu depoimentos de jovens da classe média alta sobre casamento, sexo e submissão ao marido; e Meio Dia (1970), curta de ficção rodado em São Paulo. A exibição em cópia restaurada de O Ébrio (Gilda Abreu, 1946), que acompanha a ascensão e a crise moral de um jovem interiorano que se torna cirurgião de sucesso na cidade grande, é outro destaque da programação, na Praça Tiradentes.

A Mostra Competitiva reúne cinco longas-metragens que têm em comum o uso criativo de imagens de arquivo para construir novas narrativas audiovisuais. Sob o título Arquivos em Questão, a seleção valoriza o trabalho de realizadores que utilizam o arquivo não apenas como registro, mas como linguagem artística. O melhor filme será escolhido pelo júri e receberá o Troféu Vila Rica na cerimônia de encerramento.

A seleção apresentará: Proust Palimpsesto: Pastiches e Misturas (Carlos Adriano, SP), parte do único registro em filme do escritor Marcel Proust (1904) para um ensaio cinepoético sobre as “im/possibilidades” de adaptar sua obra monumental; Apopcalipse Segundo Baby (Rafael Saar, RJ), uma viagem pela trajetória plural e transgressora de Baby do Brasil, dos Novos Baianos ao brilho da carreira solo; Irritante Prodígio (Luiza Lindner, SC/SP), que tensiona os limites entre autobiografia e performance ao destrinchar uma infância hospitalar e psiquiátrica marcada por um período de desnutrição; Universo Circular: Jocy de Oliveira (Dácio Pinheiro, SP), que retrata a pioneira da música eletrônica no Brasil, que, em 1961, realizou a primeira performance do gênero no país e aos 90 anos segue inquieta; e Notas Sobre um Desterro (Gustavo Castro, PR), que revisita filmagens de uma família brasileiro-palestina na Cisjordânia em 2018 após o dia 7 de outubro de 2023, e o que seria um filme sobre coexistência vira uma reflexão sobre colonização e genocídio.

A Mostra Contemporânea, não competitiva, inclui longas e curtas em pré-estreia nacional que ampliam o diálogo com os eixos temáticos, como: Anistia 79 (Anita Leandro, RJ), que reacende, a partir de imagens de exilados filmando a Conferência Internacional pela Anistia em Roma em 1979, o debate sobre a impunidade dos torturadores da ditadura; Fernanda Abreu: Da Lata 30 Anos, o Documentário (Paulo Severo, RJ), parte de material inédito das gravações do álbum de 1995 para reconstituir um momento fundamental da música e da cultura carioca; Fernando Coni Campos: Cada um Vive Como Sonha (Luis Abramo e Pedro Rossi, RJ), que mergulha na trajetória do diretor de Viagem ao Fim do Mundo (1968), cineasta rebelde e solitário que pretendia inaugurar o mundo com o seu cinema-poesia; As Dores do Mundo: Hyldon (Emilio Domingos e Felipe David Rodrigues, RJ); e Vivo 76 (Lírio Ferreira, PE), que traz um retrato do nascimento da cena psicodélica pernambucana em suas artes visuais com destaque para Alceu Valença.

A Mostra Contemporânea da 21ª CineOP apresenta um panorama diverso de obras que exploram imagens e sons de arquivo por meio de documentários, ensaios experimentais, animações e filmes-poema. Os curtas revisitam temas como mineração, patrimônio industrial, memória cinematográfica, figuras marcantes da cultura brasileira, histórias indígenas, relações de trabalho e narrativas históricas silenciadas, propondo novas leituras para materiais preservados ao longo do tempo. Ao combinar pesquisa, invenção estética e reflexão crítica, a mostra reafirma o arquivo audiovisual como matéria viva, capaz de reconfigurar as relações entre passado, presente e futuro.

A seleção de curtas-metragens da Mostra Contemporânea contará com:

Cinzenta: Inventários da Chaminé, de Natália Reis (MG)
Defloradas, de Luísa Reis (RJ)
Duwid Tuminkiz: Makunaima é Duwid?, de Gustavo Caboco Wapichana (PR/RR)
Entrevista com Fantasmas, de Lincoln Péricles (LK) (SP/RS)
Eunice Gutman Tem Histórias, de Lucas Vasconcellos (RJ)
Habitar o Tempo, de Cristiana Grumbach (RJ)
Helena! Cinema!, de Cavi Borges e Christian Caselli (RJ)
Kariri, Silêncio Estrondoso, de Yasmin Ariadne (CE)
Ouro de Tolo Remix, de Gabriel Afonso (MG)
Sem Título # 11: Um Analecto à Mula, de Carlos Adriano (SP)
Seu Camargo, de Felipe Locca e Vinicius Campos (SP)
Soldado sem Sono, de Rafael de Almeida (GO)
Terceira Montanha, de Tetsuya Maruyama (RJ/EUA/França)
Um Certo Cinema Brasileiro, de Fábio Rogério (SE)
Voltamos a Apresentar: O Popular Gil Gomes, de Ariel Serrão e Tainá Lima (SP)

Baby do Brasil em Apopcalipse Segundo Baby, de Rafael Saar

A seleção da mostra TV UFOP na 21ª CineOP reúne curtas-metragens que investigam o arquivo como instrumento de permanência e atualização da memória coletiva. Entre manifestações culturais, tradições indígenas, trajetórias de resistência, cenas musicais periféricas, histórias familiares e revisitações críticas da ditadura civil-militar, os filmes transformam registros do passado em experiências vivas, conectando questões históricas a debates contemporâneos. Ao privilegiar olhares comunitários e territoriais, a mostra evidencia como os arquivos ultrapassam a função de testemunho para se afirmarem como espaços de continuidade cultural, identidade e reflexão sobre o presente.

A seleção apresenta:

A Cachoeira, de Rayssa Coelho e Filipe Gama (BA)
Bira Rasta: Eu Sou a Onda, de Gregori Bastos (RJ)
Caso Armando, de Douglas Júnio e Gustavo Reimberg (MG)
Diálogo Bulbul, de Bruno Churuska, Gledson Augusto, Nicole Mendes, Yan Altino e Zimá Domingos (SP/RJ/ES/BA)
Encorpo, de Felipe Rodrigues da Costa (SP)
Escudo, de Cauê Santiago e Andrey Haag (SP)
Luis do Charme, de Tuanny Medeiros (RJ)
Mães, Esposas e Donas de Casa Marcham em Defesa da Família com Deus pela Liberdade, de José Carlos Faria (RJ)
Mba’emo Ra’y Jevy: Semente do Retorno, de Graziele Borges (Waryju) (SP)
Nação Hip Hop: Cultura de Rua, de Laia Orisa (SC)
Pagode do Didi, Nosso Ponto de Encontro, de Maysa Carolino (PE)
Período Fértil, A Roupa que te Põe em Cena, de Julieta Cavalcanti (PE)

A Mostra Preservação destaca cópias restauradas e obras que evidenciam o patrimônio audiovisual como memória dinâmica. Entre os longas restaurados, destacam-se os clássicos: Vento Norte (Salomão Scliar), Xica da Silva (Cacá Diegues) e O Ébrio (Gilda Abreu), apresentado em sessão especial no histórico Cine-Praça. Em pré-estreia nacional, Os Irmãos Segreto, de Michele Manzolini e Federico Ferrone, conta, em tom de conto de fadas, a história dos imigrantes italianos Pasquale, Gaetano e Alfonso Segreto, que saíram da pobreza para se tornar os primeiros cineastas da história do Brasil. Já o título argentino O Filme Infinito, de Leandro Listorti, lançado em 2018, constrói uma história paralela do cinema com restos de filmes que nunca foram terminados.

A seleção traz também: A Luta do Povo, de Renato Tapajós (1980); o cearense Jangada de Ir e Vir, de Marcus Vale (1977); TV Viva entrevista Elizabeth Teixeira, que mostra o retorno à vida pública da protagonista de Cabra Marcado para Morrer; Ataulfo Alves, de Afranio Vital (1973); o mineiro Belô Antiga, que traz um compilado de imagens preservadas do acervo Minas Filme, reunindo registros inéditos de Belo Horizonte em fins da década de 1940; Exercício de Espera, de Guilherme de Almeida Prado (1975); Paracatu (Minas), com um registro raro da cidade de Paracatu na década de 1950; Pérola Negra, de Reinaldo Cozer (1979), com Luiz Melodia

Ainda na Mostra Preservação: Mulher, Mulher, de Jean Garrett (1979) e Polícia Feminina, de Ozualdo Candeias (1960) na Sessão Mestres do Cinema Paulista. E na programação on-line: /lost+found – Episódio Ivo Raposo Jr, de Isabella Raposo; e Herbaria, de Leandro Listorti

A Mostra Educação exibe filmes produzidos por educadores, estudantes e cineastas em contextos escolares e espaços não-formais de ensino, divididos nas sessões Infâncias e Juventudes, com obras do Brasil, Colômbia, Argentina e Uruguai. Entre os longas, Fraternura, de Evanize Sydow e Américo Freire, revela o lado íntimo de Frei Betto, explorando sua relação com a família e o impacto do cárcere durante a ditadura militar; e Arquivo Vivo, de Vincent Carelli e Ana Carvalho, que revisita a origem do Vídeo nas Aldeias após 40 anos, ao tratar do projeto que devolveu às primeiras comunidades indígenas visitadas os registros históricos ali realizados.

Léa Garcia no longa Um Dia com Jerusa, de Viviane Ferreira

O Cine-Expressão: A Escola vai ao Cinema é o programa educativo da 21ª CineOP que convida estudantes a vivenciarem o cinema como experiência de encontro, percepção e pertencimento. Realizadas nos dias 25, 26, 29 e 30 de junho de 2026, no Cine-Teatro do Centro de Artes e Convenções da UFOP, as sessões gratuitas são organizadas por faixa etária e apresentam uma seleção de 15 curtas-metragens brasileiros, entre animações e ficções. A experiência é complementada por debates após as exibições e pelo Material de Conexões e Saberes, que amplia as possibilidades de diálogo e aprendizagem nas escolas. A curadoria é de Ramina El Shadai.

A Mostrinha, sessão dedicada às crianças e famílias, apresenta nesta edição Papaya, primeiro longa-metragem de Priscila Kellen, um exemplar da animação inventiva infantil; o filme foi exibido no Festival de Berlim deste ano. Uma semente de mamão é expelida prematuramente do fruto do mamoeiro pela ferida causada por um pássaro germinador. Ao cair em terreno inóspito, a pequena semente ainda sem força para penetrar a terra com suas raízes sonha em voar em direção ao sol. A animação de Kellen é uma aventura cheia de cores, sons e vegetais antropomorfizados que investe na experiência da criança com as imagens para além das narrativas convencionais.

A CineOP realiza dois encontros estruturantes para o setor: o 21º Encontro Nacional de Arquivos e Acervos Audiovisuais Brasileiros e o Encontro da Educação: XVIII Fórum Latino-americano de Educação, Cinema e Audiovisual, espaços de articulação de políticas públicas, troca de experiências e formulação de diretrizes para o audiovisual e a educação.

O Debate Inaugural enfoca o tema central desta edição, Um País Existe nas Imagens que Preserva, e reúne perspectivas diversas sobre memória coletiva, políticas públicas e identidade nacional, com participações de Frei Betto, escritor e teólogo; Lúcia Murat, cineasta; Jandira Feghali, deputada federal (a confirmar); Joelma Gonzaga, Secretária do Audiovisual; Sidônio Palmeira, Ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (a confirmar); Luciano Campos da Silva, reitor da UFOP; e Marcelo Azevedo Maffra, promotor de Justiça do Ministério Público de Minas Gerais e coordenador Estadual das Promotorias de Justiça de Defesa do Patrimônio Cultural (CPPC). A mediação é da professora e pesquisadora Laura Bezerra (UFRB).

Na Temática Histórica, três rodas de conversa estruturam o ciclo Memórias dos Primeiros Filmes. A primeira reúne a cineasta homenageada, Helena Solberg, e Lúcia Murat para discutir dois filmes inaugurais de caráter político separados por mais de 20 anos. A segunda mesa convida Tata Amaral e Viviane Ferreira a falar sobre como contornaram estruturas de poder para concretizar seus primeiros longas. A terceira reúne Clarissa Campolina e Luna Alkalay em diálogo sobre trajetórias que dobraram o curso da história.

Na Temática Preservação, o debate Gestos Pioneiros: a Construção da Memória do Cinema Brasileiro revisita figuras fundadoras do campo, como Jurandyr Noronha, Jota Soares, Valêncio Xavier e Pedro Lima, com presenças de Arthur Autran (UFSCar), Carlos Alberto Mattos (crítico e pesquisador), Solange Stecz (Unespar) e Luciana Araujo (UFSCar). O debate Memória Audiovisual, IA e Soberania Digital: Quem Controla os Dados Controla o Futuro? discute como a crescente concentração tecnológica afeta a preservação e conta com Carla Bezerra (Assessora Especial – MGI), Sérgio Amadeu da Silveira (UFABC) e Fabio Tzusuki, diretor do Media Portal Soluções Ltda, com mediação de André Bonfim, documentarista e pesquisador associado à PAVIC.

Na Temática Educação, o debate Diretrizes de Artes na Base Nacional Comum Curricular questiona por que a linguagem cinematográfica ainda não aparece nomeada como linguagem artística específica nos currículos escolares e convida Analice Dutra Pillar (UFRGS), Cesar Callegari, presidente do Conselho Nacional de Educação, e Juliano Casimiro (UFT), mediados por Adriana Fresquet. Já o debate Cinema, Educação e IA na Era Digital reúne Edméa Santos (UFRRJ), Flora Ariza, pesquisadora e consultora Unesco/MEC, e Lucia Santaella (PUC-SP) para refletir sobre riscos da plataformização e o futuro do cinema na escola, sob mediação de Isaac Pipano (UFF).

Cena do longa O Ébrio, dirigido por Gilda Abreu

A CineOP promove um programa de formação composto por 11 atividades gratuitas: sete oficinas e quatro masterclasses, sendo três internacionais; que somam 346 vagas. As oficinas abordam diferentes áreas do audiovisual, da criação à preservação, incluindo animação em película cinematográfica, atuação para o audiovisual, cinema instantâneo, produção sonora, pesquisa audiovisual no cinema documental, recuperação audiovisual e direitos autorais, além de preservação digital.

As masterclasses da 21ª CineOP ampliam os debates sobre preservação, memória, formação de público e criação audiovisual contemporânea. Com convidados do Brasil, da Argentina e do México, a programação reúne reflexões sobre as relações entre arquivo e invenção cinematográfica, cinema comunitário, cineclubismo, educação audiovisual e o papel do cinema periférico na construção de contra-arquivos e na preservação da memória popular, promovendo o intercâmbio de experiências e perspectivas internacionais.

Entre as atrações culturais da 21ª CineOP, o Cortejo da Arte percorre as ruas históricas de Ouro Preto com bandas, grupos folclóricos e artistas convidados. A Festa Junina: Arraiá da CineOP integra a Mostra Valores e reúne grupos da cidade para um dia festivo que valoriza a arte, os sabores e as tradições locais, beneficiando instituições sociais do município. A programação inclui ainda o lançamento de livros e sessão de autógrafos com a presença dos autores, no dia 28 de junho, às 12h30, no Centro de Artes e Convenções da UFOP, promovendo o encontro entre público, pesquisadores e profissionais do audiovisual em torno de publicações dedicadas ao cinema, à preservação e à educação.

O Cine Lounge Show movimenta as noites da CineOP com apresentações que atravessam diferentes estilos e gerações. A programação reúne a Tropikaus, banda ouro-pretana que celebra a diversidade da música brasileira em um repertório vibrante e contemporâneo; a Retrowave, que resgata clássicos do rock das décadas de 1980 e 1990; o DJ Cabra Guaraná, que mistura brega, funk, piseiro, paredão e eletrônica em sets marcados pela energia e brasilidade; e a Hocus Pocus, referência na cena musical mineira há quatro décadas com seu tributo aos Beatles.

A cerimônia de encerramento da 21ª CineOP acontecerá no dia 30 de junho, terça-feira, às 20h, na Praça Tiradentes, reunindo o anúncio e a premiação do filme vencedor da Mostra Competitiva Arquivos em Questão. Em seguida, o público acompanhará o Cine-Concerto Canção do Novo Mundo, com Titane e Túlio Mourão, em uma celebração da música brasileira como força de renovação, sensibilidade e esperança. Com a parceria do videoartista Eder Santos, o espetáculo aposta na potência do diálogo entre imagens e canções para refletir sobre o tempo presente e transcender perplexidades históricas. Amparado pela lucidez da poesia, o concerto convida o público a renovar o desejo de viver e a reconhecer os vínculos que nos unem como seres vivos, irmãos dos bichos e das plantas, filhos do sol.

A programação on-line da 21ª CineOP é acessível gratuitamente de qualquer parte do mundo pelo site oficial. Integram o catálogo digital títulos da Temática Histórica, entre eles, dez obras de Helena Solberg, como A Alma da Gente (2013) e Dupla Jornada (1975); da Temática Preservação, Herbaria, de Leandro Listorti; além de curtas da sessão TV UFOP, disponíveis de 26 de junho a 5 de julho. Debates, abertura e encerramento também serão transmitidos pelo YouTube da Universo Produção.

A CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto é o único evento brasileiro dedicado ao cinema como patrimônio cultural e, há 21 anos, ocupa lugar de destaque no calendário audiovisual nacional ao articular preservação, história e educação. Realizada anualmente em Ouro Preto, Minas Gerais, consolidou-se como espaço de referência para a reflexão sobre memória audiovisual, formação de público e desenvolvimento de políticas para o setor. Mais do que um festival de cinema, a CineOP é um espaço permanente de construção de conhecimento, valorização do patrimônio audiovisual e fortalecimento da cultura brasileira.

Fotos: David Meyer/Leonardo Gandelman/Dilúvio Produções/Divulgação.

In-Edit Brasil 2026: conheça os filmes selecionados para o Festival Internacional do Documentário Musical

por: Cinevitor
Alceu Valença no documentário Vivo 76, de Lírio Ferreira

Celebrando 18 anos de trajetória, o In-Edit Brasil, Festival Internacional do Documentário Musical, reafirma seu lugar como um dos mais importantes e aguardados festivais de cinema da agenda paulistana. O evento acontecerá entre os dias 17 e 28 de junho, em São Paulo, com dezenas de títulos em première nacional e produções inéditas no circuito de salas e streaming, dedicadas a importantes nomes, contextos e territórios marcantes da música brasileira e mundial.

Neste ano, o festival volta a ocupar as salas do CineSesc, Cinemateca Brasileira, Spcine Olido, Spcine Paulo Emílio (CCSP), Cine Bijou, Cine Matilha (Matilha Cultural) e CINUSP, além de oferecer um recorte da programação para todo o Brasil no formato on-line através das plataformas Spcine Play, Itaú Cultural Play e Sesc Digital. Além dos filmes, o festival apresenta também uma programação paralela com shows, debates, encontros com convidados especiais e a tradicional feira de vinil. O festival, que nasceu em Barcelona, na Espanha, em 2003, acontece no Brasil desde 2009. Outros países, como Chile, Grécia, México, Países Baixos e Uruguai também realizam edições do evento. 

Para esta 18ª edição, o documentário Fugs Film!, inédito no Brasil, será o filme de abertura. Dirigido por Chuck Smith, o filme retrata a trajetória do The Fugs, grupo apontado como a primeira banda underground de Nova York e expoente da contracultura americana. A sessão de abertura contará com a presença do diretor e será realizada no dia 17 de junho, às 20h, no CineSesc

Como de costume, a produção brasileira ocupa lugar central na programação do festival, refletindo a pluralidade cultural do país por meio de histórias, territórios, gêneros musicais e personagens que atravessam diferentes regiões e tradições brasileiras. Os filmes do Panorama Brasileiro estão distribuídos entre Competição Nacional, Mostra Brasil, Brasil.Doc, Curta um Som e Sessões Especiais.

A Competição Nacional apresenta oito títulos, sendo quatro deles inéditos no país, fazendo sua première no In-Edit; o filme vencedor entrará no circuito In-Edit de festivais e será apresentado pelo realizador no In-Edit Barcelona 2026. Para a Mostra Brasil, o festival selecionou oito documentários, sendo três deles em première nacional. A seção Brasil.Doc oferece uma seleção de seis documentários inéditos no circuito, sendo três em première nacional. Na mostra Curta um Som, o In-Edit reúne onze curtas que percorrem diferentes territórios, tradições e cenas musicais do país. Nas Sessões Especiais, o evento apresenta dois títulos inéditos em festivais: A Noite de Alaíde, de Liliane Mutti, que acompanha a trajetória da cantora Alaíde Costa, que celebra 90 anos, e seu retorno simbólico aos Estados Unidos em busca de reconhecimento; e Flora & Airto: O Som Revolucionário, de Jom Tob Azulay, que celebra a parceria artística e afetiva de Flora Purim e Airto Moreira, destacando sua influência na música contemporânea.

O Panorama Mundial reúne documentários musicais de diferentes países, gêneros e gerações, explorando trajetórias de artistas fundamentais, movimentos culturais e cenas musicais que atravessam rock, jazz, punk, hip-hop, música experimental, eletrônica e tradições populares.

Cena do filme Boy George & Culture Club, dirigido por Alison Ellwood

Entre os títulos confirmados estão filmes sobre nomes e fenômenos que marcaram a cultura musical mundial, além de retratos sobre cenas underground, contracultura e manifestações musicais ao redor do mundo, como: Boy George; Amadou & Mariam, casal de músicos cegos que construiu uma trajetória singular na música mundial; Big Mama Thornton, uma das vozes mais potentes e subestimadas da música americana; Paul Di’Anno, vocalista dois primeiros álbuns do Iron Maiden; Peter Asher, guitarrista e cantor britânico; Sun Ra, uma das figuras mais visionárias da história do jazz; entre muitos outros. 

A programação ainda inclui recortes especiais como a Mostra Instituto Cervantes, a homenagem ao diretor Rob Reiner e a sessão Flashback, que celebra clássicos como Heartworn Highways, um dos melhores documentários musicais de todos os tempos, e September Songs: The Music of Kurt Weill, clássico com Lou Reed, Nick Cave, PJ Harvey e outros nomes importantes reinterpretando a obra atemporal de Kurt Weill.

O 18º In-Edit Brasil amplia a experiência cinematográfica com uma intensa programação paralela, que ocupa diferentes espaços da cidade com shows, encontros, debates, festas, shows e homenagens musicais. Entre os shows, estão: Odair José em sessão especial filme+show na Casa Natura Musical (18/06); o show da banda Inocentes celebrando os 20 anos do clássico Botinada!, na Cinemateca Brasileira (21/06); Alaíde Costa comemorando seus 90 anos em sessão seguida de apresentação na Casa de Francisca (23/06); Fernanda Abreu festejando os 30 anos de Da Lata, no Cine Joia, com exibição especial do filme (25/06); a primeira visita da banda norte-americana Redd Kross ao Brasil, em show também no Cine Joia (26/06); o rapper Gaspar Z’África esquentando a exibição do filme Hip Hop Caboclo na Patuá Discos (26/06); e a banda DZK celebrando o lançamento de Punks do ABC no Red Star Studio (28/06).

Entre as homenagens, destacam-se: um pocket show em tributo a Paul Di’Anno após a sessão de Di’Anno: Iron Maiden’s Lost Singer, na Cinemateca Brasileira (20/06); Paulo Beto e Paulo Casale num pocket show com sintetizadores em homenagem a Jocy de Oliveira, no Cine Bijou (26/06); e Mario Adnet e Andrea Ernest Dias alternando música e bate-papo sobre a obra e o legado do maestro Moacir Santos no ano de seu centenário (27/06). A programação inclui ainda apresentações especiais de Dale Crover, baterista da banda Melvins, que aproveita sua passagem pelo Brasil ao lado do Redd Kross para realizar uma apresentação solo no Porta (25/06); e uma festa-show de Entre o Sucesso e a Lama, com os artistas retratados no documentário, na Casa de Francisca (20/06).

A programação formativa acontecerá na Matilha Cultural, sempre às 19h, com realizadores, pesquisadores e músicos para discutir processos criativos e preservação da memória audiovisual. No dia 25/06, o debate Buscando Histórias aborda as relações entre roteiro, acaso e construção narrativa nos documentários musicais, com participação de Dandara Ferreira, Rafael Saar e Emílio Domingos. Em 26/06, Trilhando o Real discute o papel das trilhas sonoras na construção audiovisual, reunindo Paulo Beto, Patricia Palumbo e Rica Amabis. No dia 27/06, Memória Viva propõe reflexões sobre pesquisa, acervo e preservação de materiais de arquivo com Helena Tassara, Thiago Mattar e Eloá Chouzal. Vale destacar ainda uma entrevista com a diretora Alison Ellwood, do longa Boy George & Culture Club, realizada pelo jornalista Duda Leite, coordenador das atividades formativas da 18ª edição do festival.

No dia 23/06, às 18h, no CineSesc, acontecerá um bate-papo sobre a obra de Ruy Barata, homenageado do documentário Nativo. Em 25/06, às 21h, no Cine Bijou, Pedro Kaluf, tour manager da última turnê brasileira de Paul Di’Anno, compartilha histórias e bastidores da estrada em Os causos da turnê The Best Is Back. No mesmo dia, na Cinemateca Brasileira, integrantes do Redd Kross participam de uma conversa com o público após a sessão de Born Innocent: The Redd Kross Story. E mais: a tradicional Feira de Vinil acontecerá no dia 21/06, domingo, na Cinemateca Brasileira.

Conheça os filmes selecionados para o In-Edit Brasil 2026:

PANORAMA BRASILEIRO

COMPETIÇÃO NACIONAL

Dona Onete: Meu Coração Neste Pedacinho Aqui, de Mini Kerti
Entre o Sucesso e a Lama, de Cristiano Burlan
Massa Funkeira, de Ana Rieper
Ninguém Pode Provar Nada, de Rodrigo Pinto
O Cravista, de Luiz Eduardo Ozório
Pontos de Força, de Vânia Lima
Universo Circular: Jocy De Oliveira, de Dácio Pinheiro
Vivo 76, de Lírio Ferreira

MOSTRA BRASIL

Apopcalipse Segundo Baby, de Rafael Saar
Ary, de André Weller
Canecão: Tantas Emoções, de Bruno Levinson
Fernanda Abreu: Da Lata 30 Anos, de Paulo Severo
Nem Tudo é Paz e Amor, de Betão Aguiar
Quando a Gente Vira Um: Mestre Ambrósio, de Cláudia Dias Perez Machado e Shinji Shiozaki
Rei da Noite, de Cassu, Lucas Weglinski e Pedro Dumans
Vou Tirar Você Desse Lugar, de Dandara Ferreira

BRASIL.DOC

Arthur, O Gigante, de Ivan de Angelis
Canto da Gente: Um Filme Sobre os Tápes, de Matheus Borges
Gritos de Agonia: Uma História do Movimento Punk Hardcore em Belém do Pará, de Márcio Crux
Hip Hop Caboclo, de João Nascimento
O Homem do Fraque Verde, de Petrônio Lorena
Punks do ABC, de Jairo Costa

CURTA UM SOM

Bárbara: A Força da Ancestralidade, de Edson Spitaletti e Sandro Cácio
Batuque da Fêra, de Uyatã Rayra e Pedro Patrocínio
Bira Rasta, Eu Sou a Onda, de Gregori Bastos
Bregueragem, de Daniel Arcades
Duque de Caxias, o Albergue do Rock, de Guilherme Zani
Nação Hip Hop: Cultura de Rua, de Laia Orisa
Não Quero ser Capeta, Não!, de Duna Dias e Leonardo Augusto
O Carnaval é de Pelé, de Daniele Leite e Lucas Santos
Ressonâncias, de Ana Amélia Arantes
Silêncio na Boiada, de Luiza Fernandes
Uma Orquestra no Contrabaixo, de Sergio Sbragia

SESSÕES ESPECIAIS

A Noite de Alaíde, de Liliane Mutti
Botinada!, de Gastão Moreira
Flora & Airto: O Som Revolucionário, de Jom Tob Azulay
Ganga Zumba, de Cacá Diegues
Nativo, de Vladimir Cunha

PANORAMA MUNDIAL

FILME DE ABERTURA
Fugs Film!, de Chuck Smith (EUA)

DOCS INTERNACIONAIS

Agridulce, de Frank Pavich (EUA/República Dominicana)
Amadou & Mariam: The Blind Couple from Mali, de Ryan Marley (Canadá)
Big Mama Thornton: I Can’t Be Anyone But Me, de Robert Clem (EUA)
Born Innocent: The Redd Kross Story, de Andrew Reich (EUA)
Boy George & Culture Club, de Alison Ellwood (EUA/Reino Unido)
Cheech & Chong’s Last Movie, de David Bushell (EUA)
Di’Anno: Iron Maiden’s Lost Singer, de Wes Orshoski (EUA)
Esto es Raptor House, de Roberto López Buschbeck (Espanha)
Everywhere Man: The Lives and Times of Peter Asher, de Dan Geller e Dayna Goldfine (EUA)
Half Moon, de Frank Scheffer (Holanda)
La 42 (42nd Street), de José María Cabral (República Dominicana)
La Partitura del Cosmo, de JuanMa V. Betancort (Espanha/Colômbia)
Para Vivir: El implacable tiempo de Pablo Milanés, de Fabien Pisani (México/Espanha)
Sun Ra: Do The Impossible, de Christine Turner (EUA)
The Best Summer, de Tamra Davis (EUA/Austrália/Indonésia/Tailândia)
The Big Johnson, de Lola Rocknrolla (EUA)
The Last Critic, de Matty Wishnow (EUA)
Through the Body: The Story of the International Body Music Festival, de Andrew Reissiger (EUA)
Unisono, de Georges Gachot (Suíça/Alemanha)

MOSTRA INSTITUTO CERVANTES

El Canto de las Manos, de María Valverde (Espanha)
La Guitarra Flamenca de Yerai Cortés, de Antón Álvarez (Espanha)
La Marsellesa De Los Borrachos, de Pablo Gil Rituerto (Espanha/França/Itália)
Omega Wants to Dance, de Ramón Tort (Espanha)

HOMENAGEM ROB REINER

Spinal Tap II: The End Continues, de Rob Reiner (2025) (EUA)
This Is Spinal Tap, de Rob Reiner (1984) (EUA)

SESSÕES FLASHBACK

Heartworn Highways, de James Szalapski (1976) (EUA)
September Songs: The Music of Kurt Weill, de Larry Weinstein (1994) (Canadá)

Fotos: Divulgação.

Conheça os vencedores do 15º Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba

por: Cinevitor
Luciana Souza e Verônica Cavalcanti: prêmio por Fiz um Foguete Imaginando que Você Vinha

Foram anunciados neste sábado, 13/06, os vencedores da 15ª edição do Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba, um dos mais importantes eventos dedicados à sétima arte no Brasil.

Neste ano, com 80 filmes de todo o mundo na programação, o festival reuniu estreias nacionais e mundiais em suas variadas mostras, com destaque para as mostras competitivas.

O júri de 2026, que avaliou os longas da mostra competitiva, foi formado pelo cineasta e roteirista Bruno Costa; pela antropóloga cultural e curadora de cinema Jacqueline Nsiah; David Montenegro, gestor cultural, curador de cinema e artista; Janaina Oliveira, pesquisadora de cinema e curadora independente; e Saravy, atriz brasileira e contadora de histórias no cinema e no teatro. Já o júri de curtas-metragens da competitiva contou com Juliana Rojas, roteirista, diretora e montadora; Layla Braz, produtora e curadora de festivais de cinema; e Pablo Mazzola, programador e consultor para projetos cinematográficos. Além dos curtas, esses profissionais também foram responsáveis por julgar os títulos da mostra Novos Olhares

O longa cearense Fiz um Foguete Imaginando que Você Vinha, dirigido por Janaína Marques, levou dois troféus, entre eles, o Prêmio Olhar de Melhor Filme. No longa, Rosa, cercada pelo zumbido hipnótico de uma máquina de ressonância magnética, é instruída a pensar em um momento feliz de sua vida. É dentro dessa odisseia subconsciente que ela reencontra sua mãe, Dalva, com quem inventa memórias inexistentes. 

Já o longa alagoano Olhe para Mim, do diretor Rafhael Barbosa, levou três prêmios, entre eles, melhor direção. A produção é uma fantasia alegórica inspirada no imaginário popular que margeia o Rio São Francisco. No enredo, dez anos após o desaparecimento de sua mãe durante a grande festa religiosa da cidade, Marcelo ainda lida com as consequências de sua ausência. Na véspera de mais uma festa, ele conhece dois misteriosos viajantes, Sandra e seu filho Ivan. Marcelo fica fascinado pela dupla e embarca na viagem, mas no caminho descobre que eles estão prestes a cruzar uma fronteira perigosa. O trajeto reserva encontros com seres místicos e experiências transcendentes. 

Com direção de Pedro Diogenes, Adulto/Homem levou o prêmio de melhor roteiro; o filme é um plano sequência que acompanha 20 atores que estão à espera de um teste de elenco. A Noite e os Dias de Miguel Burnier, de João Dumans, recebeu o prêmio de melhor montagem (Affonso Uchoa) e melhor fotografia (João Dumans); a produção aborda um grupo de amigos, que convivendo com o tédio e a falta de oportunidades, abraçados ao álcool como único companheiro das noites e dos dias, se esforça para levar a vida adiante num pequeno distrito minerário do interior do Brasil.

Já em relação aos curtas-metragens, o Prêmio Olhar de Melhor Filme foi para Pirexia, de Nico da Costa. A produção traz Baby, um rockstar em ascensão, que é atormentado por uma febre que o impede de criar músicas novas. Ao receber uma ligação de Pepeu, seu ex-companheiro musical e ex-amante, eles decidem compor uma última música juntos: uma melodia de cura e ressurreição para ser tocada em uma noite de lua de sangue. O Prêmio Especial do Júri foi para o curta Pinguim de Doce de Leite, de Ana Vitória Miotto Tahan. O filme aborda futuras lembranças que vão sendo formadas em uma noite goiana qualquer. Nos fundos da casa de sua avó, Caju, uma criança de 10 anos, viverá sua primeira madrugada em claro com os amigos de seu tio Tiago, um jovem rebelde. 

O curta-metragem Duwid Tuminkiz: Makunaima é Duwid?, de Gustavo Caboco Wapichana, levou o Prêmio do Público; o filme instiga o espectador a uma reflexão sobre o famoso personagem Macunaíma, de Mário de Andrade, que completará 100 anos em 2028 e suas relações com as suas raízes indígenas, em especial do Povo Wapichana

Na mostra competitiva internacional, o Prêmio Olhar de Melhor Filme foi para o longa Um Calendário Incompleto, de Sanaz Sohrabi. A coprodução entre Canadá, Irã, Turquia, Vanuatu e Venezuela tem como ponto de partida um vinil pouco conhecido da década de 1980. Rhymes and Songs for OPEC é um disco especial do coro da Universidade Central da Venezuela para comemorar o 20º aniversário da Organização dos Países Exportadores de Petróleo. Combinando canções e arquivos raramente vistos, o filme redefine o petróleo não como uma mercadoria, mas como uma alavanca política para as lutas de libertação na Palestina e a construção da solidariedade pan-árabe entre 1960 e 1970. 

Prêmio de melhor roteiro para o longa Adulto/Homem, escrito por Pedro Diogenes

Já o Prêmio Especial do Júri foi para Bouchra, de Orian Barki e Meriem Bennani. A animação, que é uma coprodução entre Itália, Marrocos e Estados Unidos, traz uma coiote marroquina de 35 anos em Nova York, que  documenta seu relacionamento à distância com a mãe, que vive em Casablanca, enquanto exploram juntas o amor, a dor e os segredos que as unem através de ligações e conversas íntimas.

O curta-metragem internacional Dragão, de Yashira Jordán, coprodução entre Bolívia e México, também foi premiado. O filme apresenta Dragón Rojo e Puma Punku, dois adolescentes abandonados e perdidos em uma cidade boliviana, que tornam-se viciados em um videogame retrô chamado Dragon para escapar de sua realidade monótona; trabalhando no mercado com suas tias e lutando contra o tédio. 

O longa Se Pombos Virassem Ouro, de Pepa Lubojacki, levou o Prêmio do Público; a coprodução entre República Tcheca e Eslováquia traz uma mulher que explora a luta geracional de sua família contra o alcoolismo através de uma perspectiva profundamente pessoal, misturando imagens documentais, ritmo, texto e imagens aprimoradas por IA para criar um retrato honesto e compassivo dos impactos do vício. 

Na mostra Novos Olhares, o longa-metragem Como Todo Mortal, de Maria Molina Peiro, levou o Prêmio Olhar de Melhor Filme. A produção se passa em um planeta distante, em que um robô procura por sinais de vida. A anos-luz de distância, em uma das minas mais antigas do mundo, sob toneladas de resíduos de mineração, um ecossistema entre exploração e explotação se revela, uma paisagem entre Andaluzia e Marte

A Abraccine, Associação Brasileira de Críticos de Cinema, parceira histórica do festival, elegeu o longa Reparação, de Marcus Curvelo, como melhor filme para o Prêmio da Crítica. A obra traz Marcus, no dia em que completa 35 anos, procurando um lugar no litoral junto com sua mãe para espalhar as cinzas do pai. Quando sua mãe adoece, ele passa a sentir que o sal do mar onde o pai descansa corrói lentamente a sua vida. O júri foi formado por Ayrton Baptista Jr., Carolina Azevedo e Marcelo Ikeda

A AVEC-PR, Associação de Vídeo e Cinema do Paraná, premiou o curta-metragem Tornar-se Ciborgue no Interior, de Louisa Sauvignon, da Mostra Mirada Paranaense Sanepar, com o Prêmio AVEC-PR Lu Rufalco. Além do troféu, o filme ainda recebe uma premiação de R$ 5 mil, oferecido pela Sanepar. A produção gira em torno de Leo e Julia, proprietários de um sítio, que querem filhos, mas estão com problemas de fertilidade. Ava e Mia, um casal lésbico, acabaram de se mudar para o sítio vizinho. A vinda das duas mulheres criará tensão com os vizinhos.

O curta-metragem Estrelas Terrestres, de Rafael Neri M. Ferreira, da Mostra Mirada Paranaense Sanepar, recebeu o Prêmio Itaú Cultural Play. O filme receberá o valor de R$ 15 mil, estando o recebimento do prêmio condicionado ao licenciamento da obra para a plataforma de streaming gratuita Itaú Cultural Play pelo período de 24 meses.

Marimbã Está Acontecendo, de Maryn Marynho, recebeu o Prêmio Cardume de Curtas, promovido pela plataforma de curtas Cardume, que tem o objetivo de estimular o desenvolvimento de roteiros e a produção de curtas-metragens brasileiros independentes e diversos. O prêmio consiste em um contrato de licenciamento exclusivo de um ano e o valor de R$3 mil para o melhor curta-metragem da Mostra Competitiva Brasileira. O filme percorre o pensamento de Marimbã e seus diversos sonhos através das águas, tecendo relações de afeto para corpos dissidentes, em um vislumbre de futuro possível. 

O filme O Segredo Sagrado, de Everlane Moraes, levou o Prêmio Canal Brasil de Curtas. A produção foi escolhida pelo júri, que neste ano foi formado pelos jornalistas Henrique Nascimento (Rolling Stone), Paulo Ernesto (AdoroCinema) e Josianne Ritz (Bem Paraná). O curta traz duas tribos inimigas que esperam há séculos pela grande revelação do segredo sagrado. 

Conheça os vencedores do Olhar de Cinema 2026:

COMPETITIVA BRASILEIRA | LONGAS

PRÊMIO OLHAR | MELHOR FILME
Fiz um Foguete Imaginando que Você Vinha, de Janaína Marques (CE)

MELHOR DIREÇÃO
Rafhael Barbosa, por Olhe para Mim

MELHOR ROTEIRO
Adulto/Homem, escrito por Pedro Diogenes

MELHOR ATUAÇÃO
Verônica Cavalcanti e Luciana Souza, por Fiz um Foguete Imaginando que Você Vinha

MELHOR DIREÇÃO DE FOTOGRAFIA
A Noite e os Dias de Miguel Burnier, por João Dumans

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE
Olhe para Mim, por Nina Magalhães

MELHOR MONTAGEM
A Noite e os Dias de Miguel Burnier, por Affonso Uchoa

MELHOR SOM
Olhe para Mim, por Lucas Coelho

MENÇÃO HONROSA
Reparação, de Marcus Curvelo

COMPETITIVA BRASILEIRA | CURTAS

PRÊMIO OLHAR | MELHOR FILME
Pirexia, de Nico da Costa

PRÊMIO ESPECIAL DO JÚRI
Pinguim de Doce de Leite, de Ana Vitória Miotto Tahan

COMPETITIVA INTERNACIONAL

PRÊMIO OLHAR | MELHOR LONGA-METRAGEM
Um Calendário Incompleto (An Incomplete Calendar), de Sanaz Sohrabi (Canadá/Irã/Turquia/Vanuatu/Venezuela)

PRÊMIO ESPECIAL DO JÚRI
Bouchra, de Orian Barki e Meriem Bennani (Itália/Marrocos/EUA)

PRÊMIO OLHAR | MELHOR CURTA-METRAGEM
Dragão (Dragón), de Yashira Jordán (Bolívia/México)

NOVOS OLHARES

PRÊMIO OLHAR | MELHOR FILME
Como Todo Mortal, de Maria Molina Peiro (Países Baixos/Espanha)

OUTROS PRÊMIOS

PRÊMIO DO PÚBLICO
Melhor longa: Se Pombos Virassem Ouro (If Pigeons Turned to Gold), de Pepa Lubojacki (República Tcheca/Eslováquia)
Melhor curta: Duwid Tuminkiz: Makunaima é Duwid?, de Gustavo Caboco Wapichana (Brasil)

PRÊMIO ABRACCINE
Melhor longa: Reparação, de Marcus Curvelo
Melhor curta: Disciplina, de Affonso Uchoa

PRÊMIO AVEC-PR Lu Rufalco
Melhor Filme: Tornar-se Ciborgue no Interior, de Louisa Savignon

PRÊMIO CANAL BRASIL DE CURTAS
O Segredo Sagrado, de Everlane Moraes

PRÊMIO CARDUME | CURTAS
Marimbã está acontecendo, de Maryn Marynho

PRÊMIO ITAÚ CULTURAL PLAY | Mirada Paranaense Sanepar
Estrelas Terrestres, de Rafael Neri M. Ferreira

Fotos: Walter Thoms/Duda Dalzoto.

Dia D

por: Cinevitor

Disclosure Day

Direção: Steven Spielberg

Elenco: Emily Blunt, Josh O’Connor, Colin Firth, Eve Hewson, Colman Domingo, Wyatt Russell, Henry Lloyd-Hughes, Elizabeth Marvel, Hettienne Park, Tommy Martinez, Gabby Beans, Jeremy Shamos, Brandon Wilson, Priyanka Kedia, Lora Lee Gayer, Lance Archer, Chavo Guerrero Jr., Brian Cage, Elliot Villar, Noah Robbins, Brian Hutchison, Amir Malaklou, Jim Parrack, Clarke Thorell, Elizabeth Stanley, Nina White, Emily Jackson, Margo Seibert, Ron Song, David Park, Ephraim Birney, Michael Gaston, Stevie Ray Dallimore, Sheetal S. Desai, Carter Gill, Luke Lesko, Eboni Booth, Robert Engel, Bob Greenberg, Aaron Costa Ganis, Miles Jacoby, Martha Morgan, Revon Yousif, Elaine Baez, Lilli Stein, Cooper Jennings, John Ford-Dunker, Rocco Anthony Pellegrino, Calvin Ahn, Adam Shippey, Sebastian Arroyo, David Sarussi, Dan Bittner, Michael Oberholtzer, Lucy Taylor, Cuyle Carvin, Rebecca Henderson, Kenneth Tigar, Julia Antonelli, Alexandra Avezova, Kathy Deitch, Viveca Chow, Delaney Anne Cuthbert, Tyler Maxwell Renaud, Jordan Gelber, Brooke Morris, Michael Kaurene, Gibson Frazier, Courtney Grace, David Auerbach, John Palacio, Mahalet Dejene, Camila Canó-Flaviá, Nicole Toland, Kit Williams, Brian Zeitchick, Neil O’brien, Lionel Segee Moise, Jessica Kartalija, Sophie Carmen-Jones, Pascal Yen-Pfister, Kathiamarice Lopez, Therese Plaehn, Patricia Conolly, Alexandra Lopez Galan, Shai Shockley.

Ano: 2026

Sinopse: Se você descobrisse que não estamos sozinhos. Se alguém mostrasse e provasse isso, você ficaria assustado? Neste ano, a verdade estará ao alcance de sete bilhões de pessoas. Estamos cada vez mais perto do… Dia D.

Nota do CINEVITOR:

13ª Mostra de Cinema de Gostoso abre inscrições para mostras competitivas

por: Cinevitor
Inscrições gratuitas até 9 de agosto para longas, médias e curtas 

As inscrições para a 13ª edição da Mostra de Cinema de Gostoso, que acontecerá entre os dias 20 e 24 de novembro, em São Miguel do Gostoso, no Rio Grande do Norte, abrem nesta terça-feira, 9 de junho, e seguem até 9 de agosto no site oficial do evento de forma gratuita.

Filmes de todos os gêneros (obras ficcionais, não ficcionais e animações, exceto videoclipes) e durações (curtas, médias e longas-metragens) podem se inscrever na 13ª Mostra de Cinema de Gostoso, desde que tenham sido produzidos no Brasil e finalizados a partir de julho de 2025.

A Mostra de Cinema de Gostoso consolidou-se como um dos eventos audiovisuais mais singulares do país, com exibições ao ar livre na Praia do Maceió, em São Miguel do Gostoso, no litoral potiguar. A sala montada na areia conta com 700 espreguiçadeiras, tela de 12m x 6,5m, projeção 4K e som 7.1 oferece ao público uma experiência cinematográfica imersiva e gratuita.

A Mostra Competitiva, a Mostra Potiguar e as Sessões Especiais acontecem nesse espaço, reunindo diariamente milhares de espectadores, entre moradores, turistas e profissionais do audiovisual. Os filmes concorrem ao Troféu do Júri Popular (melhor curta e melhor longa) e ao Troféu da Imprensa, votado por jornalistas e críticos presentes.

Além da sala principal, o festival mantém sua tradicional tenda geodésica climatizada, instalada na Praia do Maceió. Com 7,5 metros de altura, projeção 4K, som 7.1 e capacidade para 130 pessoas, o espaço abriga a Mostra Panorama, dedicada a obras de relevância artística e diversidade de linguagens e a sessão Clássicos Restaurados do Cinema Brasileiro, inaugurada no ano passado e que terá continuidade nesta edição. A estrutura tornou-se um dos símbolos do evento, combinando conforto, impacto visual e excelência técnica.

Diariamente, o festival promove debates com diretores, produtores e atores, além de seminários que ampliam a reflexão sobre o cinema brasileiro contemporâneo.

Desde 2013, a Mostra realiza um amplo programa de Cursos de Formação voltado para jovens de São Miguel do Gostoso e arredores. As oficinas introduzem os participantes em diversas áreas da produção cinematográfica, resultando na realização de curtas-metragens e na participação dos alunos na organização do festival. Ao longo de suas edições, mais de 150 jovens já passaram pelos cursos, que resultaram em 29 curtas-metragens e 60 oficinas. Muitos desses alunos seguem estudando e trabalhando em audiovisual e áreas correlatas, e seus filmes já circularam por festivais nacionais e internacionais, além de serem exibidos em canais de TV aberta e por assinatura.

A Mostra de Cinema de Gostoso é reconhecida por envolver intensamente a comunidade local, que participa da programação, acolhe visitantes e fortalece o intercâmbio cultural com outras regiões do país. O evento movimenta o turismo, estimula a economia e reforça a posição de São Miguel do Gostoso como um dos destinos culturais mais vibrantes do Nordeste.

A equipe de curadoria é composta por Carine Fiúza, Eugenio Puppo, Janaína Oliveira, Mariana Souza e Matheus Sundfeld. A direção geral da Mostra é de Eugenio Puppo e Matheus Sundfeld. Em 2026, a Mostra de Cinema de Gostoso celebra não apenas mais um ano de programação, mas também um novo patamar institucional: desde 2025, o evento é oficialmente reconhecido como Patrimônio Cultural, Turístico e Imaterial do Estado do Rio Grande do Norte, reforçando sua relevância para a cultura e para o desenvolvimento regional.

Com produção da Heco Produções e CDHEC, Coletivo de Direitos Humanos, Ecologia, Cultura e Cidadania, a Mostra de Cinema de Gostoso 2026 é apresentada pelo Ministério da Cultura e Governo do Estado do Rio Grande do Norte. Conta com o patrocínio do Governo do Estado do Rio Grande do Norte, SECULT (Secretaria de Estado da Cultura), Fundação José Augusto e Lei Câmara Cascudo. Com apoio institucional da Prefeitura Municipal de São Miguel do Gostoso, conta também com apoio de Emprotur, Visite RN, IDEMA, Pousada dos Ponteiros, Restaurante Balica e APAN.

Foto: Helena Wolfenson.

Festival de Cinema de Vitória 2026: conheça os títulos selecionados

por: Cinevitor
Arthur Leão no curta capixaba Irmã, dirigido por Anderson Bardot

Foram anunciados nesta terça-feira, 09/06, os filmes selecionados para as mostras competitivas da 33ª edição do Festival de Cinema de Vitória, o maior evento de cinema e audiovisual do Espírito Santo, que acontecerá entre os dias 18 e 25 de julho no Sesc Glória.

Com exibições gratuitas, os 87 filmes selecionados, sendo 80 curtas e sete longas-metragens, apresentam um recorte da produção audiovisual brasileira contemporânea. Destas, 24 produções são do Espírito Santo. As obras foram escolhidas pelas Comissões de Seleção e serão exibidas nas onze mostras competitivas que compõem a programação do evento.

“O cinema brasileiro vive um momento de grande efervescência criativa e a seleção de 2026 do festival reflete exatamente isso. Diante de milhares de inscrições, com obras tão interessantes, nossas mostras traduzem a pluralidade de olhares das realizadoras e dos realizadores brasileiros. O resultado é uma programação gratuita e imperdível, repleta de longas, curtas e videoclipes com narrativas instigantes para emocionar o público”, afirma Lucia Caus, diretora do festival.

Todas as produções concorrem ao Troféu Vitória, símbolo do evento. A escolha dos vencedores é feita pelo Júri Técnico do festival, composto por especialistas e profissionais ligados ao audiovisual brasileiro, além do Troféu Vitória de melhor filme pelo Júri Popular em todas as mostras competitivas. As produções selecionadas para a competitiva nacional de curtas-metragens também concorrem ao Prêmio Canal Brasil de Curtas.

Ao todo, foram 1.697 obras inscritas para a 33ª edição do festival, sendo 1.386 curtas-metragens e 311 longas. Divididos por gêneros, foram 1.023 filmes de ficção, 454 documentários, 86 animações e 68 obras experimentais. Já na categoria videoclipes, foram 66 produções. 

Verónica Valenttino no longa As Florestas da Noite, de Priscyla Bettim e Renato Coelho

A Mostra Competitiva Nacional de Longas conta com sete filmes de seis estados brasileiros (Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Piauí, Paraíba e Santa Catarina), reunindo obras de destaque em grandes festivais. Estão na disputa: o documentário capixaba A Caminhada Sagrada de Tatatxi Ywarete, de Wera Djekupe; o premiado A Fabulosa Máquina do Tempo, de Eliza Capai, vencedor do Prêmio Técnico-Artístico no Festival de Guadalajara, no México, e exibido nos festivais de Berlim e Xangai; a ficção paulista As Florestas da Noite, de Priscyla Bettim e Renato Coelho, que teve sua pré-estreia mundial na Mostra Tiradentes e traz no elenco nomes como Silvero Pereira, Verónica Valenttino e Beatriz Bittencourt.

Também estão na lista de longas: o aguardado musical piauiense Babaçu Love, de Cícero Filho, que conta com o humorista, cantor e ator piauiense Whindersson Nunes; o documentário musical paulista Entre o Sucesso e a Lama, de Cristiano Burlan, exibido no In-Edit Brasil; o drama paraibano Malaika, de André Morais, que estreou mundialmente no Festival de Cinema de Biarritz, na França, e foi exibido na Mostra de São Paulo; além do suspense catarinense Virtuosas, de Cíntia Domit Bittar, estrelado por Bruna Linzmeyer, vencedor do prêmio principal no showcase Goes to Cannes do Marché du Film e exibido no Festival do Rio e na Mostra Internacional de Cinema em São Paulo.

A Comissão de Seleção do 33º Festival de Cinema de Vitória é composta por profissionais que têm estreita relação com o audiovisual. São eles: a curadora, cineasta e produtora Flavia Candida, o mestre em Cinema e Artes do Vídeo, Waldir Segundo, e a pesquisadora, roteirista, curadora, júri e crítica de cinema Viviane Pistache. O trio assina a curadoria da 30ª Mostra Competitiva Nacional de Curtas, da 16ª Mostra Quatro Estações, da 15ª Mostra Foco Capixaba, da 15ª Mostra Corsária e da 13ª Mostra Outros Olhares. Flavia Candida também é curadora da 11ª Mostra Cinema e Negritude, Viviane Pistache da 11ª Mostra Mulheres no Cinema e Waldir Segundo da 8ª Mostra Do Outro Lado – Cinema Fantástico

A jornalista e produtora cultural Leila Bourdoukan e Gilberto Alexandre Sobrinho, pesquisador e professor no Instituto de Artes da Unicamp, assinam a seleção da 16ª Mostra Competitiva Nacional de Longas. A mestra em educação, bacharel em Rádio e TV e professora de audiovisual, Suellen Vasconcelos, e Vitor Búrigo, crítico de cinema, criador do site CINEVITOR e apresentador do podcast Plano Geral, respondem pela curadoria da 10ª Mostra Nacional de Videoclipes. Fechando a lista, a cineclubista, roteirista, produtora e realizadora de audiovisual Margarete Taqueti, o videomaker, crítico de cinema e escritor Lobo Pasolini e o cineasta, produtor audiovisual, roteirista e ambientalista Jefferson de Albuquerque Junior assinam a seleção da 9ª Mostra Nacional de Cinema Ambiental

Além da programação de filmes, o 33º Festival de Cinema de Vitória presta homenagens a duas importantes personalidades da cultura. A Homenageada Nacional desta edição será Camila Morgado. A carreira da atriz no cinema soma mais de dez produções, com destaque para o longa-metragem Olga, drama biográfico dirigido por Jayme Monjardim; nas plataformas de streaming, teve destaque como Janete na primeira temporada de Bom Dia, Verônica, original Netflix. Já o Homenageado Capixaba será Rodrigo Aragão, que conta com mais de 30 anos de carreira e é considerado um dos nomes mais importantes do cinema de horror no Brasil

Conheça os filmes selecionados para o 33º Festival de Cinema de Vitória:

30ª MOSTRA COMPETITIVA NACIONAL DE CURTAS-METRAGENS

A Pele do Ouro, de Marcela Ulhoa e Yare Perdomo (RR)
A Tragédia da Lobo-Guará, de Kimberly Palermo (RJ)
Ajude os Menor, de Janderson Felipe e Lucas Litrento (AL)
Assalto, de PH Martins (ES)
Espírito São: O Lugar de Toda Fé, de Matheus Costa e Breno Chamon (ES)
Floresta do Fim do Mundo, de Denilson Baniwa e Felipe M. Bragança (RJ)
Fronteriza, de Nay Mendl e Rosa Caldeira (PR/SP)
Irmã, de Anderson Bardot (ES)
Mercado Central, de Tássia Dhur (MA)
Morfeu e Caronte, de Luiz Ulian e Jocimar Dias Jr. (RJ)
O Que Faço com Isso Agora que Acabou?, de Julia Uliana e Natália Dornelas (ES)
Pequeno London, de Victor Di Marco e Márcio Picoli (RS)
Samba Infinito, de Leonardo Martinelli (RJ)
Tião Personal Dancer, de Aristótelis Tothi (GO)
Um Rio Não É, de Yurie Yaginuma e Amanda Miranda (ES)

16ª MOSTRA COMPETITIVA NACIONAL DE LONGAS-METRAGENS

A Caminhada Sagrada de Tatatxi Ywarete, de Wera Djekupe (ES) 
A Fabulosa Máquina do Tempo, de Eliza Capai (RJ)
As Florestas da Noite, de Priscyla Bettim e Renato Coelho (SP)
Babaçu Love, de Cícero Filho (PI)
Entre o Sucesso e a Lama, de Cristiano Burlan (SP)
Malaika, de André Morais (PB)
Virtuosas, de Cíntia Domit Bittar (SC)

16ª MOSTRA QUATRO ESTAÇÕES

Boi de Salto, de Tássia Araújo (PI)
Marimbã Está Acontecendo, de Maryn Marynho (CE)
Noites Proibidas, de Júlio Cesar (ES)
Picumã, de Sladká Meduza (SP)
Ricardo, de Gino Batidão (PE)

15ª MOSTRA FOCO CAPIXABA

Cinema, Poema e Gangrena, de Gustavo Guilherme da Conceição (ES)
Liberdade de Morar, de Penha Souza (ES)
Salve, Rainha, de Estevão Ribeiro e Fábio Carvalho (ES)
Superfície, de Carolina Campista (ES)

15ª MOSTRA CORSÁRIA

Depois Levanta Voo ou Abisma-se, de Marcus Neves e Aline Dias (ES)
Diálogo Bulbul, de Bruno Churuska, Gledson Augusto, Nicole Mendes, Yan Altino e Zimá Domingos (RJ)
Filme-Copacabana, de Sofia Leão (RJ)
Trivakra, de Sofia Angst (RJ)
Vim e Irei como uma Profecia, de Fábio Rogério (SE)

13ª MOSTRA OUTROS OLHARES

A Hora Dourada, de Juane Vaillant (ES)
Caldeirão, de Bruno Fernandes (RN)
Confluência dos Olhos D’Água, de Keila-Sankofa (AM)
Eloísa Joga, de Yuri Rodrigues e Taís Melo (ES)
Grão, de Gianluca Cozza e Leonardo da Rosa (RS)
Kika Não Foi Convidada, de Juraci Júnior (RO)
Ludmilla, de Vini Moreira (DF)
Memória de Pivete, de Pedro Santi (SP)
Os Arcos Dourados de Olinda, de Douglas Henrique (PE)
Pra Morrer Basta Estar Vivo, de Francisco Xavier (ES)

11ª MOSTRA MULHERES NO CINEMA

Batata Frita na Chuva, de Ninah Nogino (RJ)
Lactação, de Fernanda Taddei (SP)
Maira Porongyta: O Aviso do Céu, de Kujãesage Kaiabi (MT)
Nadar em Aquários, de Mariana Corrêa (SP)
Núbia, de Barbara Bello (MG)

11ª MOSTRA CINEMA E NEGRITUDE

Às Compras, de Luiz Guilherme Assis (RJ)
Dentro do Meu Peito Mora um Cão, de Gabriel Afonso (MG)
Encantos para Omo e Iyá, de Antonio Balbino (DF)
Faça uma Pose, de Alek Lean (RJ)
O Pai da Rainha de Angola, de Rodrigo França (SP)

9ª MOSTRA NACIONAL DE CINEMA AMBIENTAL

Bijupirá, de Eduardo Boccaletti (BA)
Concreto, de Sheila Rodrigues e Andresa Amaral (MG)
Thayara, de Mila Leão (PR)
Um Planeta no Sul do Mundo, de Lucas Furtado (RS)
Umassuma: Lascas de Memórias, de Andrei Miralha e Guaracy Britto Jr. (PA)
Valor é Tempo, de Lucas Barros de Souza, Mayara Perinni de Aguiar e Victor Costa de Almeida (ES)

8ª MOSTRA DO OUTRO LADO | CINEMA FANTÁSTICO

Cordão de Prata, de Getulio Ribeiro (RJ)
Poronga, de Rafael Rogante (RO)
Sob Olhos, de Gabriel Nadippeh (ES)
Stregoneria, de Gian Orsini (PB)
Ybi, de Elisa Telles e Begê Muniz (AM)

10ª MOSTRA NACIONAL DE VIDEOCLIPES

A Posse é um Fato, de Murilo Munìí e Mar Fagundes (Artista: Murilo Munìí) (RS)
A Presa, de Tommaso Bellone e Julio Camelo (Artista: Big River) (ES)
Astro Rei, de Gabriel Uchida e Talita Gusmão (Artista: Gabriê) (RO)
Até, de Victorhugo Amorim, Taciano Faccini e Gabrielle Nalli (Artista: Ronnie Silveira) (ES)
Cana Queimada de Desejos, de Ricardo Sékula e Sávio Sabiá (Artista: Sávio Sabiá) (PE)
Cocô do Recado, de Clara Campos e Bianca Bomfim (Artistas: Christine Valença & Caetana) (PE)
Distância, de Daniel Bones (Artista: Laika no Espaço) (ES)
Epopeia de uma Vida Feliz, de Douglas Barros (Artista: Douglas Barros) (SE)
Filtro, de Rayan Casagrande e Vinicius Caus (Artista: Inseton) (ES)
Fino Prazer, de Tati Rabelo (Artista: Eloá Puri) (ES)
Herança, de Keila-Sankofa (Artista: Keila-Sankofa e Rafa Militão) (AM)
Histórias Periféricas, de Priscila Neres (Artista: Priscila Neres) (SE)
Monalisa, de Lucas Sá (Artista: Frimes) (MA)
Paladar, de André Castro Neto e Sthelô (Artista: Sthelô) (BA)
Planeta Marte, de João Vitor Linhares e Zéca Vieira (Artista: Cesar Soares) (RJ)
Quase Te Esqueci, de Raquel Pinheiro (Artista: Julia Branco) (MG)
Sozinho Numa Bike pra 2, de Carlo De Cásula (Artista: Casu) (ES)
Telaviva, de Rafael Sandim (Artista: Nobat) (ES)
Tô Ligando pra Nada, de Enzo Rodrigues (Artista: Jessica Roberts) (ES)
Vida que Segue, de João Wainer (Artista: Dexter) (SP)

Fotos: Divulgação.

Cine PE 2026: conheça os vencedores

por: Cinevitor
Equipe do longa Mapas, de Rafael Lobo: cinco prêmios

Foram anunciados neste domingo, 07/06, no Teatro do Parque, no Recife, em cerimônia apresentada pela atriz pernambucana Nínive Caldas, os vencedores da 30ª edição do Cine PE – Festival do Audiovisual.

Mais do que celebrar três décadas de existência, em uma semana histórica para o audiovisual brasileiro, o festival tornou-se um símbolo de resistência, continuidade e amor ao cinema nacional em um momento de profunda emoção para toda a sua equipe.

Finalizada poucos dias após o falecimento de seu idealizador, Alfredo Bertini, a edição de 2026 foi marcada por uma mobilização coletiva para que o festival acontecesse da forma como ele sempre desejou. Entre homenagens, exibições e encontros, convidados, realizadores, parceiros, imprensa e equipe transformaram a dor da despedida em uma celebração do legado construído ao longo de 30 anos.

Para Sandra Bertini, diretora do festival, a realização desta edição só foi possível graças à rede de afeto construída por Alfredo ao longo de sua trajetória: “Vivemos dias muito difíceis, mas também muito bonitos. Recebemos demonstrações de carinho de todos os lugares do Brasil. Dos realizadores, dos convidados, da imprensa, dos parceiros e da nossa equipe. Foi uma edição marcada por um sentimento muito especial porque ao mesmo tempo em que sentimos a ausência de Alfredo, celebramos tudo o que ele construiu. O amor que ele dedicou ao cinema voltou para nós em forma de acolhimento. Tenho certeza de que ele estaria muito feliz e emocionado com tudo o que aconteceu aqui”

Para Vitor Bertini, que passa a dividir com a mãe a responsabilidade de conduzir o futuro do festival, a continuidade do Cine PE representa o compromisso de preservar um legado construído ao longo de três décadas: “Meu pai dedicou a vida a este festival. Cresci acompanhando os bastidores do Cine PE e vendo de perto o amor que ele tinha por esse terceiro filho. Assumir essa responsabilidade ao lado da minha mãe é uma missão que carrego com muito orgulho e senso de dever. Nada vai substituir a presença dele, mas vamos trabalhar para honrar sua memória e garantir que esse legado continue vivo pelas próximas gerações”

Os premiados e a equipe do Cine PE no palco: homenagem para Alfredo Bertini

Um dos momentos mais emocionantes da cerimônia de encerramento foi a homenagem prestada à Gullane Entretenimento, uma das mais importantes produtoras do audiovisual brasileiro. Representando a empresa, Fabiano Gullane recebeu a Calunga Dourada em reconhecimento à contribuição da produtora para o fortalecimento do cinema brasileiro: “Eu fiquei muito emocionado quando o Alfredo e a Sandra me chamaram. O Bicho de Sete Cabeças foi o primeiro filme da Gullane e foi muito importante pra gente estar aqui com ele. Então, a história da Gullane se mistura com a do Cine PE”. Na sequência, foi exibido, fora de competição, o longa O Cobrador de Fraque, de Tomas Portella, protagonizado por Leandro Ramos (clique aqui e saiba mais). 

Na mostra competitiva de longas-metragens, o grande vencedor foi Resta Um, de Fernando Ceylão, que conquistou a Calunga de melhor filme pelo Júri Oficial, que foi formado por Carolina Kasting, Flavia Guerra, Fred Avellar, Helvécio Ratton e Sabrina Fidalgo. O longa também recebeu os prêmios de melhor roteiro, melhor ator coadjuvante e melhor atriz coadjuvante: “Essa é a nossa estreia no festival. Um momento muito importante pra gente”, afirmou Catarina Chamon, da Rubi Produtora

O prêmio de melhor direção ficou com Eliza Capai por A Fabulosa Máquina do Tempo, filme que também recebeu as Calungas de melhor trilha sonora, melhor atriz e o Prêmio da Crítica, realizado pela Abraccine, Associação Brasileira de Críticos de Cinema, que contou com Enoe Lopes Pontes, Priscila Urpia e Sihan Felix no júri. O longa Mapas, de Rafael Lobo, foi consagrado com cinco troféus, entre eles, o de melhor ator para Caique Copque

Na mostra competitiva de curtas-metragens nacionais, o destaque foi o pernambucano Os Arcos Dourados de Olinda, dirigido por Douglas Henrique, vencedor da Calunga de melhor filme, além dos prêmios de melhor roteiro e melhor montagem: “Esse filme foi feito a partir da coletividade das histórias. Esse é o cinema em que acredito: um cinema feito em Pernambuco e para as pessoas de Pernambuco”, destacou o diretor, que não marcou presença na cerimônia, mas enviou uma mensagem. 

Já na mostra competitiva de curtas pernambucanos, o grande vencedor foi Os Urso e Nós, de Maria Acselrad, que conquistou os prêmios de melhor filme, melhor direção, melhor edição de som, melhor trilha sonora e também o Prêmio do Público: “Eu perguntei aos Ursos o que eles gostariam de dizer e a resposta foi uníssona: a La Ursa quer dinheiro, quem não dá é pirangueiro. Mas eles não querem só dinheiro, não. Eles querem o fortalecimento da cultura”, pontuou a diretora. O júri de curtas contou com Lucio Vilar, Marcus Vilar, Margarita Hernandez, Priscila Tapajowara e Simone Zuccolotto

Conheça os vencedores do 30º Cine PE – Festival do Audiovisual:

MOSTRA COMPETITIVA DE LONGAS-METRAGENS

Melhor Filme: Resta Um, de Fernando Ceylão (RJ)
Melhor Direção: Eliza Capai, por A Fabulosa Máquina do Tempo
Melhor Roteiro: Resta Um, escrito por Fernando Ceylão
Melhor Atriz: Coletivo de atrizes do filme A Fabulosa Máquina do Tempo
Melhor Atriz Coadjuvante: Perla Carvalho, por Resta Um
Melhor Ator: Caique Copque, por Mapas
Melhor Ator Coadjuvante: Ítalo Martins, por Resta Um
Melhor Fotografia: Mapas, por Emília Silberstein
Melhor Direção de Arte: Doutor Monstro, por Débora Padial e Laís Vieira
Melhor Montagem: Mapas, por Rafael Lobo e Tainá Menezes
Melhor Trilha Sonora: A Fabulosa Máquina do Tempo, por Décio 7
Melhor Edição de Som: Mapas, por Olivia Hernandez

MOSTRA COMPETITIVA DE CURTAS-METRAGENS NACIONAIS

Melhor Filme: Os Arcos Dourados de Olinda, de Douglas Henrique (PE)
Melhor Direção: Daniel Jaber e Lu Damasceno, por João-de-Barro
Melhor Roteiro: Os Arcos Dourados de Olinda, escrito por Arnon Hochman e Douglas Henrique
Melhor Ator: Daniel Jaber, por João-de-Barro
Melhor Atriz: Gleide Firmino, por Via Sacra
Melhor Fotografia: Mercado Central, por Danilo Rosa
Melhor Direção de Arte: Mercado Central, por Neila Albertina
Melhor Montagem: Os Arcos Dourados de Olinda, por Douglas Henrique
Melhor Trilha Sonora: Da Aldeia à Universidade, por Heitor Martins Oliveira
Melhor Edição de Som: O Véu, por Jonts Ferreira

MOSTRA COMPETITIVA DE CURTAS-METRAGENS PERNAMBUCANOS

Melhor Filme: Os Ursos e Nós, de Maria Acselrad
Melhor Direção: Maria Acselrad, por Os Ursos e Nós
Melhor Roteiro: Velha Roupa Colorida, escrito por Eduardo Santiago
Melhor Ator: Beto Aragão, por Velha Roupa Colorida
Melhor Fotografia: Salam, por William Tenório
Melhor Direção de Arte: Medo Monstro, por Andrew Gladson e Eduardo Padrão
Melhor Montagem: Salam, por Rafaela Albuquerque e William Tenório
Melhor Trilha Sonora: Os Ursos e Nós, por Sérgio Godoy
Melhor Edição de Som: Os Ursos e Nós, por Felipe Peixoto

*O júri da mostra de curtas-metragens pernambucanos decidiu declarar deserta a categoria de melhor atriz

OUTROS PRÊMIOS

JÚRI POPULAR
Melhor Curta Pernambucano: Magritte, de Tom Nogueira
Melhor Curta Nacional: Mercado Central, de Tássia Dhur (MA)
Melhor longa-metragem: Mapas, de Rafael Lobo (DF)

PRÊMIO DA CRÍTICA | ABRACCINE
Melhor Curta Nacional: Mercado Central, de Tássia Dhur (MA)
Melhor longa-metragem: A Fabulosa Máquina do Tempo, de Eliza Capai (RJ)

Fotos: Felipe Souto Maior.

15ª Mostra Ecofalante de Cinema: conheça os vencedores

por: Cinevitor
Vincent Carelli e Juliana Borges: premiados

Foram anunciados neste domingo, 07/06, no Reserva Cultural, em São Paulo, os vencedores da 15ª edição da Mostra Ecofalante de Cinema, o mais importante evento audiovisual sul-americano dedicado às temáticas socioambientais

Neste ano, os documentários Arquivo Vivo, de Vincent Carelli e Ana Carvalho, e Mounir, de Juliana Borges, conquistaram o prêmio de melhor longa-metragem da seção Territórios e Memória, a principal competição do evento. O júri, formado por Djin Sganzerla, Lorran Dias e Tide Borges, concebeu uma Menção Honrosa para A Fabulosa Máquina do Tempo, de Eliza Capai, que acumulou também o Prêmio do Público.

Obra exibida em pré-estreia mundial, Arquivo Vivo revisa a atuação junto a comunidades indígenas do projeto Vídeo nas Aldeias, do qual Vincent Carelli é um dos fundadores. O filme revela a devolução dos arquivos captados ao longo de 40 anos para as novas gerações das primeiras comunidades visitadas pelo projeto. Em seu parecer, os jurados destacaram tratar-se de “um filme que não trata as imagens como vestígios imóveis do passado, mas como presenças que retornam às comunidades, às línguas, aos rituais, às lutas e aos modos de vida dos povos originários”

Com sua primeira exibição brasileira na 15ª Mostra Ecofalante de Cinema, Mounir é uma obra que acompanha a trajetória de dez anos de um refugiado centro-africano cujas narrativas embaralham as fronteiras entre realidade e ficção. As filmagens ocorrem em três continentes diferentes, incluindo momentos cruciais na cidade de São Paulo, onde o protagonista se estabelece e conhece a diretora do filme, Juliana Borges, e viagens à África. Segundo o júri do festival, o filme “transforma uma trajetória singular em uma experiência profundamente humana”. E mais: “Com sensibilidade, delicadeza e riqueza de nuances, o filme nos convida a atravessar fronteiras geográficas, afetivas e culturais, revelando a complexidade de uma vida marcada pela coragem, pela memória e pelos deslocamentos”

A Fabulosa Máquina do Tempo, que teve pré-estreia mundial no Festival de Berlim, retrata meninas no sertão do Piauí, em Guaribas, equilibrando a vida difícil de suas mães com sonhos de futuro, focando na transição para a adolescência. Com tom lúdico e doce, o filme aborda questões sociais, de gênero e a pobreza, celebrando a infância através da imaginação. Segundo o parecer do júri da 15ª Mostra Ecofalante de Cinema, a obra “enfrenta o desafio de abordar questões duras, especialmente para as mulheres que vivem longe dos grandes centros urbanos, sem perder de vista a potência da imaginação e da esperança”

Na categoria de curtas-metragens da competição Territórios e Memória, analisada pelo mesmo corpo de jurados, o contemplado foi A Pele do Ouro, produção de Roraima dirigida por Marcela Ulhoa e Yare Perdomo. Com uma corajosa abordagem sobre a exploração sexual em garimpos da Amazônia, o filme teve sua premiação justificada pelos jurados do evento devido à sua “força estética e relevância política que emanam do universo filmado para pensar os territórios e memórias do Brasil”

O alagoano O Mapa em que Estão Meus Pés, de Luciano Pedro Jr., recebeu Menção Honrosa do júri; o filme, que revive a memória de um pescador e agricultor do litoral alagoano, “se destacou por sua delicadeza formal, sua construção poética e sua capacidade de transformar paisagem em memória afetiva” na opinião dos jurados. Por sua vez, Replikka, vencedor do Prêmio do Público, uma coprodução entre Brasil, Estados Unidos e Reino Unido dirigida por Piratá Waurá e Heloisa Passos, retrata a reconstrução de uma gruta sagrada vandalizada em 2018, sendo inteiramente falado na língua indígena aruak e realizada com apoio de jovens da aldeia; o curta já havia sido premiado como melhor filme internacional no Hot Docs, o maior festival de documentários da América do Norte.

Um Pé de Caju, da dupla Pablo Monteiro e Cadu Marques, da Universidade Federal do Maranhão, venceu a premiação de melhor filme da competição Curta Ecofalante, exclusiva para obras de alunos de cursos audiovisuais. A obra retrata a importância da educação em uma comunidade quilombola para a garantia da preservação de seus valores históricos. Para o júri desta competição, sua premiação se deve ao fato de que “o filme reflete sobre como aqueles que saíram para estudar e retornaram ao território transformam a educação em uma ferramenta de fortalecimento coletivo”.

Uma Menção Honrosa foi destinada à Av. São João, 588, de Bruna Resende e Matheus Barbosa. Produzido por alunos do Senac de São Paulo, o filme narra a luta das mulheres pelo direito a uma moradia digna. Segundo os jurados, o filme evidencia “a potência de suas vozes e de seus modos de organização coletiva, reafirmando a importância de garantir o direito à cidade”. O júri desta premiação foi formado por Isaac Pipano, Larissa Barbosa e Luciana Resende. Pelo voto do público, o contemplado do Curta Ecofalante foi o paulista Trago Seu Amor de Volta, de Raíssa Anjos, realizado por alunos da ECA-USP; o filme acompanha uma personagem que encontra cartas de amor escritas por sua falecida mãe e parte em busca do destinatário desconhecido.

Considerado o mais importante evento audiovisual da América do Sul focado em questões socioambientais, o festival teve início no dia 28 de maio a segue até 10 de junho na cidade de São Paulo ocupando o Reserva Cultural, Centro Cultural São Paulo e mais 26 espaços culturais do Circuito Spcine, sempre com entrada gratuita; além de uma seleção em duas plataformas de streaming parceiras: Itaú Cultural Play e Spcine Play

Conheça os vencedores da 15ª Mostra Ecofalante de Cinema:

COMPETIÇÃO TERRITÓRIOS E MEMÓRIA

PRÊMIO DO JÚRI | MELHOR LONGA-METRAGEM
Arquivo Vivo, de Vincent Carelli e Ana Carvalho (PE)
Mounir, de Juliana Borges (SP)

MENÇÃO HONROSA | LONGA-METRAGEM
A Fabulosa Máquina do Tempo, de Eliza Capai (RJ)

PRÊMIO DO JÚRI | MELHOR CURTA-METRAGEM
A Pele do Ouro, de Marcela Ulhoa e Yare Perdomo (RO)

MENÇÃO HONROSA | CURTA-METRAGEM
O Mapa em que Estão Meus Pés, de Luciano Pedro Jr. (AL)

PRÊMIO DO PÚBLICO | LONGA-METRAGEM
A Fabulosa Máquina do Tempo, de Eliza Capai (RJ)

PRÊMIO DO PÚBLICO | CURTA-METRAGEM
Replikka, de Piratá Waurá e Heloisa Passos (MT/PR/RJ)

CONCURSO CURTA ECOFALANTE

MELHOR FILME
Um Pé de Caju, de Pablo Monteiro e Cadu Marques (MA)

MENÇÃO HONROSA
Av. São João, 588, de Bruna Resende e Matheus Barbosa (SP)

PRÊMIO DO PÚBLICO
Trago Seu Amor de Volta, de Raíssa Anjos (SP)

Foto: Divulgação.

Cine PE 2026: O Cobrador de Fraque, com Leandro Ramos, encerra o festival; Gullane é homenageada

por: Cinevitor
Leandro Ramos e Fabiano Gullane no palco do Cine PE

Na última noite da 30ª edição do Cine PE – Festival do Audiovisual, antes da premiação, o evento celebrou a Gullane Entretenimento, uma das mais importantes produtoras do audiovisual brasileiro. Responsável por filmes, séries e documentários que marcaram a cinematografia nacional nas últimas décadas, a produtora foi homenageada por sua contribuição para o fortalecimento e a projeção do cinema brasileiro dentro e fora do país.

Fundada em 1996 pelos irmãos Caio Gullane e Fabiano Gullane, com Débora Ivanov como sócia, a produtora soma em seu catálogo mais de 60 longas lançados com destaque no cinema nacional e no exterior e mais de 40 séries para televisão e plataformas de streaming, além de 10 filmes e projetos especiais para TV e streaming.

Para celebrar tal honraria do Cine PE, Fabiano Gullane marcou presença no palco do Teatro do Parque e recebeu o troféu das mãos de Vitor Bertini, que, depois da morte do pai, Alfredo Bertini, idealizador do festival, passa a dividir com a mãe, Sandra, a responsabilidade de conduzir o futuro do evento: “Ouvindo você falar, eu sinto o seu pai aqui. O que o coração manda é fazer uma homenagem, não receber. Mas vamos fazer as duas coisas”, disse Fabiano

E continuou seu discurso com a Calunga de Ouro em mãos: “Eu fiquei muito emocionado quando o Alfredo e a Sandra nos chamaram. O Bicho de Sete Cabeças foi o primeiro filme da Gullane e foi muito importante pra gente estar aqui com ele. Antes disso, fazíamos produção executiva, direção de produção; fizemos bastante coisa antes do nosso primeiro filme. Então, a história da Gullane se mistura com a do Cine PE. Esse festival engrandece muito a indústria audiovisual brasileira e expressa a representatividade de tudo que é feito aqui no Nordeste, aqui em Pernambuco”

Fabiano Gullane recebe a Calunga Dourada das mãos de Vitor Bertini

Na sequência, foi exibido, fora de competição, o longa O Cobrador de Fraque, de Tomas Portella, protagonizado por Leandro Ramos e produzido pela Gullane. A coprodução luso-brasileira é inspirada em uma prática real que existia em Portugal, até 2008, que consistia em contratar profissionais vestidos de fraque para constranger devedores em espaços públicos e coagi-los a pagar suas dívidas; o filme tem previsão de estreia para o segundo semestre de 2026.

O ator Leandro Ramos, conhecido por seu personagem cômico Julinho da Van, do coletivo de humor Choque de Cultura, subiu ao palco para apresentar o filme: “Eu tô muito feliz de lançar o filme aqui. Eu cresci no subúrbio do Rio de Janeiro e fui a primeira pessoa da família a fazer faculdade. A primeira vez que eu saí do meu estado, que eu andei de avião, eu tinha 26 anos de idade e vim para o Cine PE, em 2007. Feliz em voltar para lançar meu primeiro longa como protagonista e com a Gullane que é uma produtora muito especial na minha vida”

O filme acompanha Peri, um truculento cobrador à serviço de agiotas no Brasil, obrigado a fugir para Portugal e reconstruir sua vida. Sem nunca ter exercido outro ofício, ele precisa aprender e se adaptar aos métodos dos cobradores de fraque para seguir sua profissão. A situação se complica quando se apaixona por uma devedora, a restauradora de arte Matilde, interpretada por Gabriela Barros

Rodada nos dois países, a comédia brinca com temas como imigração e os contrastes entre Brasil e Portugal. No elenco também estão Marcello Melo Jr., Marcos Caruso e Marina Mota. Com roteiro de Clarice Falcão, Matheus Torreão, Tomas Portella, Mário Cunha, Juliana Soares, Leandro Soares e L.G Bayão, O Cobrador de Fraque é uma produção da Gullane, em coprodução com a Ukbar Filmes, Sony Pictures, Spcine e Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa de São Paulo, além da codistribuição da Pandora e Sony Pictures.

Vale relembrar que em 2001, a Gullane exibiu Bicho de Sete Cabeças, de Laís Bodanzky, que foi o grande destaque do Cine PE ao conquistar nove troféus, incluindo o de melhor filme. Em 2010, a parceria com a diretora se repetiu no sucesso de As Melhores Coisas do Mundo, que venceu em categorias principais, entre elas, o Prêmio da Crítica. O portfólio da produtora no Cine PE inclui também as exibições do documentário O Mundo em Duas Voltas, de David Schurmann, e do longa-metragem Os Enforcados, de Fernando Coimbra, na edição passada. 

Fotos: Felipe Souto Maior.

Cine PE 2026: Cláudia Abreu é homenageada com a Calunga Dourada

por: Cinevitor
Cláudia Abreu: homenageada com a Calunga Dourada no Cine PE

Considerada uma das artistas mais consagradas do audiovisual brasileiro, Cláudia Abreu foi a grande homenageada da 30ª edição do Cine PE – Festival do Audiovisual na noite de sábado, 06/06, no Cinema do Teatro do Parque. A atriz recebeu a tradicional Calunga Dourada, principal honraria do festival, das mãos da diretora Sandra Bertini.

Emocionada, Sandra destacou que a escolha da homenageada desta edição histórica foi construída com muito carinho por ela e Alfredo Bertini, realizador do evento: “Cláudia, tu estás recebendo essa Calunga com o coração tão agradecido pela tua presença. Você não tem ideia da alegria que Bertini e eu tivemos quando você aceitou esse convite”. A diretora contou também que o troféu foi repaginado para celebrar os 30 anos do festival: “Essa Calunga está com uma roupagem nova com as cores da bandeira de Pernambuco para comemorar essa trigésima edição. E hoje ela chega às mãos de uma artista escolhida com muito carinho para fazer parte desta história”

Ao receber a Calunga Dourada, Cláudia dedicou esse momento especial ao casal responsável pela construção do festival: “Só estou aqui recebendo essa homenagem por causa da Sandra e do Bertini. Então, eu queria dedicar essa homenagem a eles pela perseverança de fazer 30 edições desse Cine PE”. A atriz também aproveitou para homenagear Alfredo Bertini, idealizador do festival, que faleceu na última quinta-feira, 04/06, aos 65 anos, durante o festival: “Lembro até hoje de ouvir o áudio do Bertini, um áudio longo, entusiasmado, carinhoso, caloroso. Ele me falou sobre tudo, inclusive também sobre essa questão que estava acontecendo. Eu só estou aqui por ele. Queria agradecer demais e dizer que esse festival, simbolicamente, vai honrar a vida e o legado dele, que vai permanecer por todos esses anos através do cinema e dos afetos. Obrigada!”

Ovacionada pelo público, seguiu seu discurso: “Eu pisei nesse palco há dois anos quando eu vim fazer um monólogo que escrevi sobre Virginia Woolf. Pisei sozinha aqui e achei esse teatro tão bonito… eu não poderia imaginar que dois anos depois eu voltaria para receber essa homenagem. É claro que receber uma homenagem pela trajetória da vida, da carreira, não é a mesma coisa que receber por um trabalho específico. É natural que você faça um inventário sobre todas as escolhas que determinam muito a cara de uma carreira, os erros, acertos, os encontros. E eu pensei, especificamente, sobre o cinema”

Cláudia Abreu e Sandra Bertini no palco do festival

E continuou o discurso relembrando o início de sua trajetória e como tudo se desenrolou em seu ofício: “Eu sou parte de uma geração que pegou o Collor pela frente. Eu tinha 19 anos quando ele foi eleito e eu não tive a oportunidade de fazer cinema porque ele acabou com a Embrafilme. Fiz parte de Anos Rebeldes [minissérie da Rede Globo exibida em 1992], dois anos depois, que espelhou o Brasil durante o processo de impeachment. E houve, de fato, um impeachment. Então, eu tomei uma primeira grande decisão na minha vida, que foi não renovar um contrato longo com a televisão porque eu tive uma intuição muito forte: se ele tinha sido tirado do poder, poderia ser uma hipótese muito provável que o cinema também pudesse voltar. E voltou. Uns dois anos depois, o Cacá Diegues me chamou para fazer Tieta. Eu fiquei muito feliz de ter feito essa escolha, de estar disponível para participar ativamente da retomada do cinema brasileiro pós era Collor. Fiz Tieta, Ed Mort, O que é Isso, Companheiro?, Guerra de Canudos, O Xangô de Baker Street, O Homem do Ano, O Caminho das Nuvens, Os Desafinados”

E seguiu sobre suas realizações profissionais e escolhas: “Eu fui fazendo um filme atrás do outro e posso dizer que coloquei um pé no cinema brasileiro e coloquei na minha carreira uma decisão de não ser uma atriz só de um lugar, mas de permanecer no teatro de onde eu tinha começado. Permanecer na televisão, sim, porque eu adoro fazer televisão sem desmerecer. E tinha um sonho de ser uma atriz de cinema também e poder fazer cinema no meu país. Esse sonho se realizou com uma decisão, com uma atitude, com tomar as rédeas da minha carreira naquele momento e ter essa intuição de que eu precisava estar livre para ser uma atriz de cinema. E cá estou eu, trinta anos depois, recebendo uma homenagem pela minha carreira, mas principalmente por ser um festival de cinema, é significativo que eu seja uma atriz de cinema”

Ao final do discurso, Cacau agradeceu: “Mais uma vez eu dedico esse prêmio ao Bertini, Sandra e todas as pessoas que cruzaram comigo nessa trajetória: atores, diretores, técnicos, escritores. Todo mundo que me fez ser uma atriz melhor nessa troca. Queria também dedicar para minha mãe porque muito do que eu sou é por causa dela; e aos meus quatro filhos que não estão aqui, mas certamente verão esse momento. Muito obrigada!”

Cláudia Abreu: carreira consagrada

Antes da homenagem no palco do Teatro do Parque, Cláudia Abreu participou de uma coletiva de imprensa, que foi mediada pelo curador Diego Edu Fernandes. Em certo momento, relembrou personagens marcantes e foi questionada sobre revivê-las em um novo projeto: “Quem sabe, né? Eu acho que a gente sempre tem saudades dos personagens. Se fosse uma boa oportunidade, acho que poderia ser divertido. É claro que tem sempre o desafio de não ser a mesma coisa, de não ser tão bom quanto a primeira vez, mas a gente só vai saber fazendo”

A atriz também respondeu uma pergunta sobre suas vilãs icônicas, Laura Prudente da Costa, da novela Celebridade, e Chayene, da novela Cheias de Charme: “Eu pude fazer coisas muito diferentes e vilã é sempre mais livre. As duas tinham muito senso de humor. A Laura tinha algo mais vingativo, perverso. E a Chayene era competitiva diante de tanta insegurança; não queria perder o lugar e sabotava. Era má por isso também, que fazia mal aos outros. O nosso país adora gostar das vilãs porque elas são mais divertidas, são mais livres, elas podem tudo. Mas acho que seria muito bom também que os bons exemplos, sem ser de uma maneira careta ou irreal, fossem admirados. Uma heroína de verdade, com erros e acertos. Seria tão bom se a gente também torcesse pela heroína. Adoraria que a heroína tivesse o humor de uma vilã para rir de si mesma. Acho que isso ajudaria muito na identificação”

Além da homenagem, a programação da noite do Cine PE 2026 contou com mais uma rodada das mostras competitivas do festival. O público acompanhou o documentário A Física dos Invisíveis, dirigido por Camilo Soares, representando a mostra competitiva de curtas-metragens pernambucanos. Na competitiva de curtas nacionais foram exibidos João-de-Barro, de Daniel Jaber e Lu Damasceno, e Punhal, com direção de Clementino Júnior. Encerrando a noite, o longa-metragem Onde Estamos Seguros, dirigido por Thais Scabio e Gilberto Caetano, integrou a mostra competitiva de longas-metragens e levou ao público reflexões sobre pertencimento, relações humanas e os desafios do mundo contemporâneo.

*Clique aqui e assista ao vídeo especial e entrevista com Cláudia Abreu sobre a homenagem 

Fotos: Felipe Souto Maior.