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44ª Mostra de São Paulo: conheça os filmes selecionados, destaques da programação e homenageados

por: Cinevitor

dafoesiberiamostraspWillem Dafoe em Siberia, de Abel Ferrara: drama, fantasia e terror.

A 44ª edição da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo acontecerá entre os dias 22 de outubro e 4 de novembro. A seleção de filmes deste ano traz 198 títulos, de 71 países, que serão apresentados nas seções Perspectiva Internacional, Competição Novos Diretores, Mostra Brasil e Apresentação Especial.

Por conta da pandemia de Covid-19, pela primeira vez, a Mostra Internacional de Cinema em São Paulo ocorrerá majoritariamente de forma virtual, por meio de uma plataforma exclusiva, a Mostra Play. Todos os filmes desta edição poderão ser acessados pelo site da Mostra, que irá direcionar para as plataformas. Os títulos disponibilizados na Mostra Play custarão R$ 6,00 por visualização. Este ano, dada as diferentes formas de exibição (plataformas Sesc Digital e Spcine Play também) e ao valor reduzido dos ingressos, a Mostra não oferecerá pacotes e haverá número limitado de visualizações por filme.

Também ocorrerão sessões no Belas Artes Drive-in e no CineSesc Drive-in (na unidade Sesc Parque Dom Pedro II). Tendo em vista que, este ano, a Mostra não trará seus convidados para São Paulo, a presença dos diretores e profissionais da área se dará por meio de vídeos enviados previamente, entrevistas especiais gravadas e lives.

Dentre os 198 títulos da seleção, cerca de 25% contam com mulheres assinando a direção, entre eles: Gato na Parede (Cat In the Wall), de Vesela Kazakova e Mina Mileva, exibido nos festivais de Locarno e Sarajevo; Impedimento em Cartum (Khartoum Offside), de Marwa Zein, que passou no Cairo International Film Festival; A Arte de Derrubar (The Art of Fallism), de Aslaug Aarsæther e Gunnbjörg Gunnarsdóttir; o brasileiro Mulher Oceano, de Djin Sganzerla; Rebeldes de Verão (Summer Rebels), de Martina Saková; Irmãs Separadas (Sisters Apart), de Daphne Charizani; entre outros.

gatonaparedemostra2020Irina Atanasova no drama Gato na Parede, de Vesela Kazakova e Mina Mileva.

Neste ano, o filme de abertura será Nova Ordem (Nuevo orden), do cineasta mexicano Michel Franco. Vencedor do Grande Prêmio do Júri (Leão de Prata) e do Leoncino d’Oro Agiscuola no Festival de Veneza deste ano e exibido nos festivais de San Sebastián, Toronto e Chicago, o thriller é ambientado em uma Cidade do México que ferve com protestos, em que uma revolta inesperada abre caminho para um violento golpe de Estado. Na história, um casamento luxuoso da classe alta dá errado. Visto pelos olhos de Marian, a jovem e simpática noiva, e dos criados que trabalham para, e contra, sua família rica, o filme traça o colapso de um sistema político enquanto uma substituição mais angustiante surge em seu rastro.

A seleção da 44ª edição da Mostra conta também com filmes premiados e exibidos em festivais internacionais, além de títulos inéditos como: o documentário Kubrick por Kubrick (Kubrick by Kubrick), de Gregory Monro, exibido em Tribeca; o português O Ano da Morte de Ricardo Reis, de João Botelho, baseado no livro homônimo de José Saramago e protagonizado pelo brasileiro Chico Díaz; Berlin Alexanderplatz, de Burhan Qurbani, que disputou o Urso de Ouro no Festival de Berlim e foi premiado em Roterdã; Araña, do chileno Andrés Wood, indicado ao Prêmio Goya e apresentado em San Sebastián e Toronto; o drama Vencidos da Vida, de Rodrigo Areias; O Paraíso da Serpente (El Paraiso de La Serpiente), de Bernardo Arellano, exibido no Festival de Beijing; o português Ordem Moral, de Mário Barroso e protagonizado por Maria de Medeiros; entre outros.

Do Festival de Veneza, a Mostra exibe filmes como: o documentário Sportin’ Life, de Abel Ferrara, também diretor de Sibéria, protagonizado por Willem Dafoe e apresentado na Competição Oficial de Berlim; o documentário City Hall, de Frederick Wiseman; Entre Mortes (In Between Dying), de Hilal Baydarov; A Herdade, de Tiago Guedes; além dos premiados Crianças do Sol (Khorshid), de Majid Majidi, que rendeu a Rouhollah Zamani o prêmio de melhor ator jovem; Miss Marx, de Susanna Nicchiarelli; Gênero, Pan (Lahi, Hayop), de Lav Diaz; Zanka Contact, de Ismaël El Iraki; e o documentário Notturno, de Gianfranco Rosi.

novaordemmostraspNaian González Norvind em Nova Ordem, de Michel Franco: filme de abertura.

A seleção do Festival de Cannes também marca presença com diversos títulos que receberam um selo especial do festival, como: Fevereiro (February), de Kamen Kalev; Nadia, Borboleta (Nadia, Butterfly), de Pascal Plante; a animação Josep, de Aurel, também exibida no Festival de Annecy; Dezesseis Primaveras (Spring Blossom), de Suzanne Lindon; Suor (Sweat), de Magnus von Horn; o brasileiro Casa de Antiguidades, de João Paulo Miranda Maria; Mães de Verdade (True Mothers), de Naomi Kawase; A Morte do Cinema e do Meu Pai Também (The Death of Cinema and My Father Too), de Dani Rosenberg; Caminhando Contra o Vento (Ye Ma Fen Zong), de Wei Shujun; e Ao Entardecer (In the Dusk), de Sharunas Bartas.

Do Festival de Berlim, integram a programação da Mostra os premiados: Não Há Mal Algum (Sheytan vojud nadarad), de Mohammad Rasoulof e vencedor do Urso de Ouro; Fábulas Ruins (Favolacce), de Fabio e Damiano D’Innocenzo, premiado como melhor roteiro; Sem Ressentimentos (Wir), de Faraz Shariat, vencedor do Teddy Award de melhor filme; Malmkrog, de Cristi Puiu; Nossa Senhora do Nilo (Notre-Dame Du Nil), de Atiq Rahimi, vencedor do Urso de Cristal da mostra Geração 14plus; Pai (Otac/Father), de Srdan Golubović, consagrado na mostra Panorama; Dias (Rizi), de Tsai Ming-Liang, também exibido no IndieLisboa e San Sebastián; Welcome To Chechnya, de David France e vencedor do prêmio do público de melhor documentário da mostra Panorama; Mamãe, Mamãe, Mamãe (Mamá, Mamá, Mamá), de Sol Berruezo Pichon-Rivière; O Problema de Nascer (The Trouble With Being Born), de Sandra Wollner; Desenterrar (Digger), de Georgis Grigorakis; e O Século 20 (The Twentieth Century), de Matthew Rankin.

Além dos premiados, a Mostra também conta com títulos exibidos na Berlinale, entre eles: o espanhol Lua Vermelha, de Lois Patiño; Animais Nus (Nackte Tiere), de Melanie Waelde; Minha Jovem Irmã (Schwesterlein), de Stéphanie Chuat e Véronique Reymond; A Deusa dos Vagalumes (Goddess Of The Fireflies), de Anaïs Barbeau-Lavalette; o nigeriano Eyimofe (Esse É o Meu Desejo), de Arie Esiri e Chuko Esiri; A Pastora e as Sete Canções (Laila Aur Satt Geet), de Pushpendra Singh; As Veias do Mundo (Die Adern Der Welt), de Byambasuren Davaa; A Saída dos Trens (Ieşirea Trenurilor Din Gară), de Radu Jude e Adrian Cioflâncă

E mais de Berlim: a coprodução entre Argentina, Brasil e Suíça, Um Crime em Comum (Un Crime Común), de Francisco Márquez; Números (Nomery), de Oleg Sentsov e Akhtem Seitablaev; Assim Como Acima, Abaixo (Kama Fissamaa’ Kathalika Ala Al-ard), de Sarah Francis; o drama Pari, de Siamak Etemadi; o indiano Eeb Allay Ooo!, de Prateek Vats; Casulo (Kokon), de Leonie Krippendorff; O Charlatão, de Agnieszka Holland, representante da República Tcheca para a categoria de melhor filme internacional do Oscar; e Dau Degeneration, de Ilya Khrzhanovskiy e Ilya Permyakov e Dau Natasha, de Ilya Khrzhanovskiy e Jkaterina Oertel, projeto de Ilya Khrzhanovskiy que simula o sistema soviético, combinando cinema, ciência, performance, espiritualidade, experimentação social e artística, literatura e arquitetura para falar do uso totalitário do poder.

naohamalalgummostra2020Baran Rasoulof em Não Há Mal Algum: Urso de Ouro no Festival de Berlim.

A 44ª edição da Mostra de São Paulo, como de costume, fortalece o olhar para o cinema brasileiro. Mais de 30 títulos nacionais integram a seleção da Mostra Brasil. Os longas estão divididos nas seções Apresentação Especial, Competição Novos Diretores e Perspectiva Internacional. Destacam-se na programação: o documentário Candango: Memórias do Festival, de Lino Meireles; Filho de Boi, de Haroldo Borges e exibido no Festival de Busan, na Coreia do Sul; #Eagoraoque, de Jean-Claude Bernardet e Rubens Rewald; Entre Nós um Segredo, de Beatriz Seigner e Toumani Kouyaté; a animação O Pergaminho Vermelho, de Nelson Botter Jr; Cidade Pássaro, de Matias Mariani e exibido em Berlim; Glauber, Claro, de César Meneghett sobre o cineasta Glauber Rocha e os tempos de exílio na Itália; Um Dia com Jerusa, de Viviane Ferreira; Verlust, de Esmir Filho; Todas as Melodias, de Marco Abujamra sobre Luiz Melodia; entre outros.

Os diretores com filmes selecionados para a Mostra Brasil poderão concorrer a uma vaga na Incubadora Paradiso, programa de apoio ao desenvolvimento de longas de ficção do Projeto Paradiso, iniciativa filantrópica de apoio ao audiovisual do Instituto Olga Rabinovich, que é parceiro da Mostra pelo terceiro ano consecutivo.

A Mostra de São Paulo conta também com uma seleção de cerca de 25 títulos produzidos ou coproduzidos por outros países latino-americanos, como Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, México, Cuba e Uruguai, entre os quais alguns que participaram e foram premiados em festivais internacionais, como: Nem Herói, Nem Traidor, de Nicolás Savignone; Piedra Sola, de Alejandro Telémaco Tarraf e exibido em Roterdã; Chico Ventana Também Queria Ter um Submarino, de Alex Piperno, exibido em Berlim; Uma Máquina para Habitar, de Yoni Goldstein, documentário americano rodado em Brasília; Uivos São Ouvidos, de Julio Hernández Cordón, exibido no FID Marseille; Entre Cão e Lobo, de Irene Gutiérrez, seleção da mostra Forum de Berlim; Entre Mortes, de Hilal Baydarov; e Panquiaco, de Ana Elena Tejera, exibido em Roterdã.

mulheroceanomostraspCena do filme brasileiro Mulher Oceano, de Djin Sganzerla.

Outros eventos internacionais importantes também marcam presença na 44ª edição da Mostra de São Paulo. Do Festival de Sundance, destacam-se: Shirley, de Josephine Decker e protagonizado por Elisabeth Moss, que recebeu Menção Especial do Júri e também foi exibido em Berlim; A Terra é Azul como uma Laranja, de Iryna Tsilyk, vencedor do prêmio de melhor direção e também exibido em Berlim; o drama Farewell Amor, de Ekwa Msangi; Feels Good Man, de Arthur Jones, vencedor do Prêmio Especial do Júri de melhor documentário de diretor estreante; de Lesoto, o drama Isso Não É um Enterro, É uma Ressurreição, de Lemohang Jeremiah Mosese, vencedor do Prêmio Especial do Júri da seção World Cinema Dramatic; Jantar na América, de Adam Rehmeier; do Egito, o drama Luxor, de Zeina Durra, também exibido no Karlovy Vary; a comédia musical Summertime, de Carlos López Estrada; Verão Branco, de Rodrigo Ruiz Patterson; entre outros.

Do Festival de Roterdã, a programação traz: Calazar (Kala Azar), de Janis Rafa, vencedor do Prêmio KNF; Cozinhar F*der Matar (Cook F**k Kill), de Mira Fornay; o português Mosquito, de João Nuno Pinto; O Despertar de Fanny Lye, de Thomas Clay e protagonizado por Maxine Peake, também exibido no Festival de Londres; o drama dinamarquês Problemas com a Natureza, de Illum Jacobi; e Quando Anoitece, de Braden King, também exibido em Sundance.

O prestigiado Festival de Busan também traz representantes entre os selecionados da Mostra, como: Assim Desse Jeito (Aise Hee), de Kislay; e Correndo para o Céu (Jo Kuluk), de Mirlan Abdykalykov, vencedor do Prêmio da Crítica. Do Festival de Tóquio, destaque para Cavaleiro de Verão, de Xing You. Já o drama O Nome Encravado em Seu Coração, de Kuang-Hui Liu, foi exibido nos festivais de Taipei e Golden Horse, e é baseado em uma história real sobre a luta pelo amor verdadeiro e as mudanças emblemáticas em Taiwan, o primeiro país asiático a legalizar o casamento gay.

shirleymostrasp2020Michael Stuhlbarg e Elisabeth Moss em Shirley, de Josephine Decker.

A seleção da Mostra também apresenta títulos do Festival de Cinema de Tribeca, entre eles: 17 Quadras (17 Blocks), de Davy Rothbart, indicado ao Spirit Awards e também exibido em Zurique, Telluride e Melbourne; 499, de Rodrigo Reyes, premiado como melhor fotografia e vencedor do Prêmio Especial do Júri no Festival Hot Docs; Lorelei, de Sabrina Doyle; Meu Coração Só Irá Bater se Você Pedir, de Jonathan Cuartas, que recebeu Menção Especial do Júri em fotografia; e Stardust, de Gabriel Range, com Jena Malone e Johnny Flynn como David Bowie.

O renomado Visions du Réel, festival de documentários realizado na Suíça, está representado com: A Arte de Derrubar (The Art of Fallism), de Aslaug Aarsæther e Gunnbjörg Gunnarsdóttir; e Anerca, Respiração da Vida, de Johannes Lehmuskallio e Markku Lehmuskallio, vencedor do prêmio de longa-metragem mais inovador.

O Festival de Cinema de Animação de Annecy também marca presença na 44ª edição da Mostra com: o polonês Mate-o e Deixe Esta Cidade (Zabij To I Wyjedz Z Tego Miasta), de Mariusz Wilczynski, vencedor do Prêmio Especial do Júri e exibido em Berlim; e O Nariz ou a Conspiração dos Dissidentes, de Andrey Khrzhanovskiy, também vencedor do Prêmio Especial do Júri e exibido em Roterdã.

Além disso, a seleção traz mais destaques internacionais, como: Beans, de Tracey Deer, vencedor do Rising Stars Award no Festival de Toronto; Contos da Prisão, de Ábel Visky, exibido no FIPA e no Hot Docs; De Volta para Casa – Marina Abramovic e Seus Filhos, de Boris Miljkovic; Espacate, de Christian Johannes Koch, exibido nos festivais de Zurique e San Sebastián; o drama canadense Estava Chovendo Pássaros, de Louise Archambault, exibido em Toronto e San Sebastián; Exílio, de Visar Morina, premiado nos festivais de Sarajevo e Taipei e exibido nos festivais de Sundance e Berlim; Mãe de Aluguel (The Surrogate), de Jeremy Hersh, que participou do SXSW; o holandês Meu Rembrandt, de Oeke Hoogendijk, exibido no IDFA, Festival Internacional de Documentários de Amsterdã.

E mais: Murmúrio, de Heather Young, da seleção de Toronto; Nariz Sangrando, Bolsos Vazios, de Bill Ross IV e Turner Ross, premiado no Champs-Élysées Film Festival e exibido em Sundance e Berlim; o português Prazer, Camaradas!, de José Filipe Costa, exibido no Festival de Locarno; Rose Interpreta Julie, de Joe Lawlor e Christine Molloy, destaque do Festival de Londres; o francês Walden, de Bojena Horackova, exibido no Festival de Locarno e parte da seleção da L’ACID do Festival de Cannes; e o curta-metragem Os Caçadores de Coelhos, de Evan Johnson, Galen Johnson e Guy Maddin, com Isabella Rossellini, em homenagem ao centenário de Federico Fellini.

stardustmostra2020Johnny Flynn é David Bowie em Stardust, de Gabriel Range.

Há 17 anos, a Mostra presta homenagens a grandes nomes do cinema com o Prêmio Humanidade. Nesta edição, duas desta honraria serão entregues: a primeira será aos funcionários da Cinemateca Brasileira e a segunda ao conceituado documentarista americano Frederick Wiseman. O Prêmio Leon Cakoff será entregue à produtora Sara Silveira. Em homenagem a ela, a Mostra irá exibir sua mais recente produção, o longa Todos os Mortos, de Marco Dutra e Caetano Gotardo, no CineSesc Drive-in (unidade Sesc Parque Dom Pedro II) no dia 2 de novembro, onde a produtora receberá o prêmio.

E mais: o documentário Coronation, do artista Ai Weiwei, que retrata o confinamento em Wuhan, na China, durante o início do surto de Covid-19 no começo do ano, será exibido durante o evento. Ai Weiwei apresenta um segundo filme na Mostra: o longa Vivos, sobre um grupo de estudantes mexicanos que foram brutalmente atacados por forças policiais e outros agressores mascarados.

Também ganha sessão especial o curta Escondida (Hidden), do iraniano Jafar Panahi, que segue o cineasta, sua filha e seu amigo a uma remota vila curda para visitar uma cantora sobrenaturalmente talentosa, que é proibida de se apresentar publicamente. Outro curta que integra a programação é Uma Noite na Ópera, do renomado diretor ucraniano Sergei Loznitsa. Baseado em imagens de arquivo dos anos 1950 e 1960, o filme revisita as noites de gala na Ópera de Paris.

Além disso, Jia Zhangke, que assina o pôster desta edição, apresenta seu longa Nadando até o Mar Se Tornar Azul e também o seu mais recente trabalho, o curta A Visita (Visit), gravado com o celular. O filme retrata uma reunião entre dois parceiros de trabalho que acaba revelando os rígidos protocolos de cuidados impostos pela epidemia do novo coronavírus.

noitegalaopera2mostraspCena do curta Uma Noite na Ópera, de Sergei Loznitsa.

O brasileiro Fernando Coni Campos (1933-1988) ganha homenagem póstuma nesta edição do evento com a apresentação especial de três de seus sete longas-metragens: Viagem ao Fim do Mundo (1968), vencedor do Leopardo de Prata no Festival de Locarno; Ladrões de Cinema (1977); e O Mágico e o Delegado, melhor filme no Festival de Brasília, em 1983. A Mostra proporciona uma rara oportunidade de revisitar o universo desse autor original e originário do Recôncavo Baiano.

O júri deste ano será formado por: Cristina Amaral, uma das principais e mais importantes montadoras do país; Felipe Hirsch, diretor, dramaturgo, cenógrafo e produtor de teatro; e Sara Silveira, nome fundamental da produção cinematográfica brasileira.

Além dos filmes, a 44ª edição da Mostra de São Paulo apresenta diversas atividades paralelas, como: a segunda edição do Fórum Nacional Lideranças Femininas no Audiovisual; o Fórum Mostra, que será virtual; o evento Memórias do Cinema, que reúne depoimentos de artistas e personalidades sobre os filmes que exerceram alguma influência em suas vidas (e estarão disponíveis na plataforma e no site da Mostra); e um curso de cinema com o cineasta Ruy Guerra e participação do historiador Adilson Mendes.

Fotos: Cosmopol Film/Divulgação.

Entrevista: cineasta Dea Ferraz fala sobre Agora, exibido no 9º Olhar de Cinema

por: Cinevitor

agoradeaferrazolhardecinemaAgora: único longa pernambucano na programação do festival.

Exibido na mostra Novos Olhares da 9ª edição do Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba, Agora, dirigido pela cineasta pernambucana Dea Ferraz, foi rodado com o apoio e a energia de parceiros que acreditam no cinema brasileiro, sem verba de edital algum. Em um país que extingue as janelas de financiamento para a cultura, o filme é, também, o testemunho da arte como resistência.

Depois das eleições de 2018, com a vitória de um presidente de extrema direita, declaradamente racista, misógino e LGBTQfóbico, a cineasta sentiu o ímpeto de registrar o incômodo que a atravessava. Já durante a campanha, o candidato apresentara sua agenda de desmonte para políticas públicas desenhadas nas últimas décadas. A partir daí, Dea convida artistas ativistas para um mergulho corporal em uma caixa cênica, numa tentativa de resposta à agonia e, também, em mais uma investigação fílmica a explorar os limites da linguagem cinematográfica; vide suas obras anteriores, como Câmara de Espelhos (2016), Modo de Produção (2017) e Mateus (2019).

Atrizes, músicos, poetas, bailarinos, corpos negros, corpos brancos, pessoas trans, gente jovem, gente mais velha: a partir da individualidade de cada uma e cada um, Agora fabrica um tecido social e político, uma bandeira deflagrada em composição humana com a qual é possível indagar: qual o gesto possível de um tempo como esse? Passado, presente e futuro, portanto, flutuam e se fundem no longa. Ao forjar uma temporalidade própria, alinhavando sensações íntimas a um turbulento horizonte político no país (seja no pós-eleição de 2018, seja durante a pandemia de 2020), o documentário sublinha a importância do cinema como ferramenta de reflexão.

Para falar mais sobre Agora, entrevistamos a diretora Dea Ferraz por e-mail. Confira:

O filme foi realizado em 2018, depois das eleições presidenciais com a vitória de um candidato de extrema direita, machista, homofóbico e preconceituoso. Hoje, dois anos depois, o cenário artístico brasileiro segue ameaçado e sem perspectiva de melhora. Como você enxerga seu filme nos dias de hoje e de que maneira ele pode reverberar no público?

O filme nasce naquele momento de país e como resultado de algumas angústias sobre a imagem, que, para mim parecia perder o seu potencial de liberdade, e surge também a partir de um desejo de registrar corpos em conexão com aquele tempo. Artistas que têm na arte suas formas de vida e que sempre se colocaram em oposição a qualquer tipo de projeto fascista. O que essas pessoas estariam sentindo? E o que seus corpos poderiam nos dizer? Não me interessava tanto acionar a racionalidade dos discursos da palavra, porque naquele momento as palavras pareciam esvaziadas. Não conseguíamos dialogar na diferença. Acho que ainda não conseguimos. Então, a minha questão era falar com o corpo. Acionar o corpo como portal que se abre ao tempo externo e interno, coletivo e pessoal. O corpo como presença a ser resgatada no mundo. Porque, em certa medida, sinto que nossos corpos estão adormecidos e o que o filme tenta fazer é justamente acionar outras dimensões de nossas sensibilidades. Os gestos que surgem naqueles corpos, naquele momento, são gestos que nos remetem a história da humanidade. Gestos carregados de sentimentos que reconhecemos e que carregamos em nós. Se, como sugerem algumas cosmologias africanas e indígenas, observarmos o tempo como uma espiral, entendemos que esses gestos vão e voltam em nós mesmos, reatualizando quem somos e de onde viemos. Por isso, pra mim, o filme, apesar de ser um registro daqueles corpos naquele tempo histórico, ele se atualiza a cada ‘agora’, a cada exibição, diante de quem o assiste. No encontro. Difícil imaginar como o filme vai reverberar nas pessoas. A gente nunca sabe ao certo e isso é o que torna a arte tão importante e tão livre. Deixar que cada um sinta o que vê, em conexão com o que carrega dentro de si. A gente não controla e nem pode prever, mas o meu desejo é de que as pessoas, através do filme, acionem seus próprios corpos, ou, como diz Suely Rolnik, que a arte seja capaz de acordar nosso corpo vibrátil, esse que não enxerga só com o olhos, mas com todos os sentidos. Porque eu acredito que acordar nosso corpo é acordar uma dimensão de nossa existência imprescindível para as transformações que tanto desejamos.

Como você chegou nesse grupo de artistas para o filme? Como foi a pesquisa e a escolha desses personagens?

Depois das eleições, naquele limbo entre a vitória desse projeto de desmonte do Brasil e sua posse, eu pensei que não voltaria a filmar tão cedo. Porque, de fato, entrei em crise com a imagem, suas potências artísticas e libertárias. No entanto, um dia, ao me levantar da cama, bem no meio desse gesto, uma imagem se desprendeu do meu corpo e era uma imagem muito simples: uma mulher, numa caixa, tentando me dizer o que sentia, utilizando apenas o seu corpo. É muito simbólico, pra mim, que tenha sido uma imagem que nasce do gesto e isso já me disse muito do que gostaria de fazer. Um corpo em improviso, acionando seus sentimentos a partir de uma provocação muito simples, mas não por isso fácil. O dispositivo, pra mim, já sinalizava um recorte, pois acionar o corpo em presença pede pessoas que já conheçam caminhos internos para isso. Convidei Bruna Leite, produtora de elenco, parceira e companheira de militância, para fazer a pesquisa e, naquele momento, tudo que eu sabia era que gostaria de construir um corpo coletivo composto por pessoas que fossem artistas ativistas, ou seja, pessoas que têm na arte suas formas de existência, pessoas que unificam uma ideia de corpo/existência/arte. E Bruna, num trabalho primoroso, me trouxe os treze nomes que compõem essa constelação. O mais incrível disso é que são artistas muito potentes, com suas agendas e compromissos, e que naquele momento toparam sem titubear. O filme parecia estar marcado antes mesmo da ideia. As agendas se encontraram e em 45 dias conseguimos pré produzir e filmar o longa.

deaferrazagoraA cineasta pergunta: no Brasil de hoje, qual o gesto possível do agora?

A reação de cada corpo apresentada no filme diz muito sobre aquela pessoa, naquele lugar vazio e que realiza sua performance diante do questionamento sobre como é esse corpo e onde ele queria estar. Com isso, as apresentações se tornam muito pessoais e potentes. Como aconteceu a preparação de elenco? Os artistas também contribuíram com outras ideias além de suas performances?

Quando começamos a entender o dispositivo e os desejos que nos conduziam, percebemos que precisávamos criar um ambiente acolhedor e amoroso para receber esses artistas. Tanto do ponto de vista da produção, quanto da técnica. No entanto, mais do que isso, era preciso pensar como ajudar essas pessoas a se conectarem consigo, com a caixa, com o país, tudo em pouco tempo, já que tínhamos, entre chegada, preparação e filmagem, uma média de 3h com cada artista. Eu já tinha trabalhado em duas ocasiões com Livia Falcão e Silvia Góes, que além de irmãs, são artistas incríveis e também terapeutas da alma e do corpo. Já havíamos experimentado alguns caminhos tendo em vista essa construção de presença, então pra mim foi como uma continuidade, não tinha como fazer esse filme se não fosse com elas ao lado. O trabalho que elas fazem, na verdade, pra mim, nem sei se a gente pode chamar de ‘preparação de elenco’. Livia deixa sempre isso muito claro. Porque não tinham personagens a serem construídos, não tinha narrativa a ser pesquisada, o desejo que havia estava mais próximo de uma desconstrução a ser empreendida. Então, do ponto de vista mais prático, elas trabalhavam com as pessoas durante no máximo 1h e depois a equipe entrava na caixa pra filmar, numa tentativa de não quebrar a conexão estabelecida. Eu acho que só Silvia e Livia podem falar dos caminhos internos que elas empreenderam para o filme, de minha parte, o que posso dizer é que quando eu entrava na caixa já havia um campo estabelecido e os corpos pareciam abertos para o salto. Foi muito intensa a experiência. Cada pessoa um mundo. Cada pessoa muitas pessoas, porque eles e elas pareciam exceder quem eram. É claro que são artistas com bagagem e conhecimento dos mecanismos pessoais que dispõem para acionar seus corpos em criação e improviso, mas o trabalho de Livia e Silvia foi imprescindível, para que houvesse entrega, amor e confiança. Para que houvesse, inclusive, a possibilidade de desconstrução desses caminhos conhecidos. Abertura e salto.

Cada artista expõe seu sentimento de uma maneira; seja em uma performance musical, em um desenho, em gargalhadas ou lágrimas, na dança, em textos. Fato é que a arte está presente nesses personagens e, com ela, é possível perceber uma forte conexão entre corpo, mente e indivíduo. Hoje, já com o filme finalizado e com esses discursos apresentados ao público, você observa sua obra como uma forma de registro de um momento sombrio do nosso país? E você acredita que essa proposta narrativa (de um lugar vazio e liberdade de expressão) vista no filme também foi importante e necessária para esses artistas?

Sim, eu acho que é o registro de um tempo específico, mas também acho que o ultrapassa. Como disse antes, acho que os gestos empreendidos são gestos carregados de muitos tempos e por isso não se fixam. Pra mim, a ideia da caixa – esse espaço vazio e livre, por que descontextualizado de qualquer pressuposto – tem a ver com minha pesquisa sobre a linguagem cinematográfica. Diz de um desejo de quebra do simulacro, de uma performatividade assumida, de uma quebra da 4a parede, de uma espacialidade que ao mesmo tempo que é circunscrita e também aberta e cheia de preenchimentos. Não saberia dizer se isso foi importante para as pessoas que improvisaram. Talvez só elas possam falar sobre isso. O que sei é que muitas, ao final, usavam palavras como cura, catarse, liberação. E naquele momento de país que vivíamos poder experimentar todas essas sensações dentro dessa caixa e juntes, foi transformador. Pra mim, foi um processo de muitas curas, de reativação de uma certa crença em nós e na arte. Um retorno à crença na imagem, essa que cria um espaço de movência, como diz Marie-José Mondzain, por onde o espectador pode imaginar, criar, fabular e completar o que vê com sua liberdade.

*O filme reprisa na terça-feira, 13/10, na programação do Olhar de Cinema.

Entrevista e edição: Vitor Búrigo
Fotos: Divulgação/Cecília da Fonte

9º Olhar de Cinema: filmes brasileiros ganham destaque na programação e repercussão on-line

por: Cinevitor

cabecadenegoolhardecinemaLucas Limeira em Cabeça de Nêgo, de Déo Cardoso.

O Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba tem como objetivo destacar e celebrar o cinema independente realizado em todo mundo e apresenta filmes que se arriscam em novas formas de linguagem cinematográfica, que estão abertos ao experimentalismo e que possuem um grande potencial de comunicação com o público. Com isso, forma-se uma programação de grande diversidade temática e estética, que não rejeita gêneros, formatos e durações.

Neste ano, por conta da pandemia de Covid-19, sua nona edição teve que ser adaptada ao formato virtual. Sendo assim, a seleção com aproximadamente 130 filmes, como acontece de costume, teve que ser reduzida por diversos motivos. Mas, nem por isso, a programação perdeu qualidade. Mesmo sem algumas tradicionais mostras, como Olhares Clássicos, Olhar Retrospectivo e Pequenos Olhares, o festival também conseguiu atrair seu público com outras atividades, além dos filmes, e ganhou uma abrangência ainda maior por conta das sessões on-line.

Mesmo sendo um festival internacional, o Olhar de Cinema sempre valorizou o cinema brasileiro e também paranaense, ao garimpar o que há de mais precioso e urgente nessas cinematografias, garantindo cuidado especial ao programar tais obras. Além da mostra Olhares Brasil, que apresenta um panorama de curtas e longas brasileiros, o festival busca compor mostras que mesclam filmes brasileiros e estrangeiros possibilitando o diálogo e a troca entre todos esses universos.

Neste ano, 78 títulos completam a programação, entre longas e curtas, sendo 41 filmes brasileiros. As produções nacionais também ganham destaque na mostra Foco, que celebra a trajetória do diretor Daniel Nolasco.

Sobre a forte presença brasileira na programação, conversamos com Eduardo Valente, que é membro da equipe de programação do Olhar de Cinema desde 2016. Neste ano, ao lado de Aaron Cutler, Carla Italiano e Camila Macedo, assinou a curadoria de longas-metragens: “Eu acho que um festival que acontece no Brasil tem obrigação, tanto ética e moral, de estar envolvido no todo que significa o cinema brasileiro. Temos uma produção tão vasta hoje em dia, tão ampla de possibilidades e tão interessante. Tem oferta de todos os tipos”, ressaltou.

ventosecoqueerlisboa2020Leandro Faria Lelo em Vento Seco, de Daniel Nolasco: sessões disputadas.

Fato é que os festivais realizados em formato on-line ganharam uma abrangência maior. Filmes que antes ficavam limitados ao público presencial, agora estão disponíveis para o Brasil todo. Com isso, a repercussão ganha outras proporções, principalmente nas redes sociais, com comentários diversos (não só de críticos, mas do público em geral) e uma divulgação ainda maior por parte das equipes dos filmes: “Claro que os realizadores e produtores têm feito um movimento muito grande de mobilizar atenção e público. Eu não tenho esses dados exatos, porque quem coleta isso é a produção em Curitiba, mas pelo que eu soube de cinco ou seis sessões lotadas nesse formato on-line, quase 70% ou 80% foram de filmes brasileiros. Além das informações e do interesse das pessoas sobre o festival e os filmes em geral, os próprios produtores e realizadores fazem uma divulgação muito específica”, comentou Valente.

Esse novo formato também tem agradado os realizadores: “O feedback do público foi muito incrível nas redes sociais depois da primeira sessão”, disse Henrique Arruda ao CINEVITOR, diretor do premiado curta Os Últimos Românticos do Mundo, que será exibido novamente nesta segunda-feira, 12/10.

Pedro Diogenes, diretor do longa Pajeú, que reprisa na quarta-feira, 14/10, destacou o alcance da primeira sessão virtual do filme: “Estou surpreendido e feliz com a repercussão do Pajeú. Estou recebendo muitos retornos calorosos. Ler sobre o filme e as experiências com o Pajeú está suprindo um pouco as trocas dos corredores e debates dos festivais. Várias pessoas que viram o filme estão fazendo questão de escrever alguma coisa, mandar uma mensagem e conversar. Os filmes, os espectadores, o festival, nós (os diretores e diretoras), vocês (crítica), todos estamos tentando se adaptar ao momento e, de alguma forma, estamos sobrevivendo”.

Sobre esse novo formato, Henrique Arruda completou: “Tem sido absurdamente diferente de todas as minhas experiências anteriores. É muito lindo sentir que o filme tem sido um respiro bom para as pessoas a cada nova sessão; e pela primeira vez eu vejo que a obra em si vai formando um público fiel que nos acompanha e divulga a cada nova exibição online. Isso tem sido muito carinhoso, apesar de não substituir o calor do encontro que uma sala de cinema de festival proporciona”.

romanticosdomundomexicoCarlos Eduardo Ferraz no curta Os Últimos Românticos do Mundo, de Henrique Arruda.

Com um público fiel de várias partes do Brasil, alguns festivais virtuais também precisam limitar o número de ingressos e visualizações por conta de contratos de exibição com produtoras, distribuidoras, entre outros. Algo parecido com o que acontece no formato presencial, no qual as salas possuem um número exato de ingressos, sujeito a lotação máxima; algo que quase sempre acontece. “Existe muito interesse pelas obras, mas também existe a dificuldade do acesso aos filmes e o on-line quebra um pouco isso”, comenta Eduardo Valente.

Outro lado positivo destes festivais virtuais é o acesso aos filmes brasileiros, que, mesmo premiados e muito comentados durante tal evento pelo público presente, acabavam perdendo força até o lançamento, seja pela pequena janela de exibição comercial ou dificuldades de conseguir uma distribuição. Com essa propagação da divulgação constante nas redes sociais, filmes que talvez não conseguissem tal alcance anteriormente, agora estão sendo vistos e falados por mais tempo por espectadores diversos. A disponibilidade dessas obras em vários festivais que adotaram esse novo formato, faz com que elas fiquem em evidência em um prazo maior, gerando interesse de outras pessoas que talvez não teriam acesso a esses títulos.

Sobre esse assunto, Eduardo Valente cita dois exemplos: Cabeça de Nêgo [de Déo Cardoso] foi exibido em Tiradentes, em janeiro, no formato tradicional. Teve uma recepção muito forte na sala, na sessão, nos textos. Semana passada, ficou disponível on-line na Mostra Tiradentes SP e teve uma quantidade enorme de pessoas do país inteiro que acabaram vendo o filme, que não tinham como ver antes, mas que já tinham ouvido falar em um momento inicial. Os festivais chamam atenção para os filmes, despertam interesse e curiosidade, mas como e quando as pessoas vão assistir? Nos cinemas, muitas vezes, demora muito e quando chega passa muito rápido. Então, a Mostra Tiradentes SP trouxe o filme de volta, com uma reação ainda maior. E agora entrou no Olhar e está sendo muito procurado”.

“Mesma coisa com Sertânia [de Geraldo Sarno]. Passou em Tiradentes e no Ecrã e teve uma reação incrível; no Letterboxd, por exemplo, tem quase mil visualizações. Depois de ter ficado também de graça quase dez dias no mês passado, agora está no Olhar com sessões cheias e as pessoas interessadas porque as informações estão circulando e os filmes estão disponíveis”.

pajeuolhardecinemaYuri Yamamoto e Fátima Muniz em Pajeú, de Pedro Diogenes.

A disputa por um destaque digno no circuito comercial destes filmes brasileiros, considerados independentes, não é de hoje e torna-se quase impossível conseguir um lugar ao sol entre tantos títulos de super-heróis e outros blockbusters que dominam as bilheterias. “Claro que ninguém acha que Sertânia ou Canto dos Ossos vai ter 3 milhões de espectadores como Minha Mãe é uma Peça. Isso não é da natureza destes filmes. Mas, agora, estão mais acessíveis para muita gente, que inclusive sabem que eles existem. Mas aí vem a questão: e depois dos festivais? Quanto tempo leva para esses filmes estarem disponíveis efetivamente para as pessoas? Essa oportunidade de ocupar um lugar quase de serviços de streaming, com extrema curadoria e divulgação, tem comprovado como tem demanda, principalmente por esses filmes brasileiros”.

Por conta de festivais como o Olhar de Cinema, títulos nacionais, não só premiados internacionalmente, têm sido enaltecidos pelo público e pela crítica; principalmente os curtas, que, geralmente, possuem uma janela de exibição quase que restrita a esses eventos e não chegam ao grande público. “Eu senti que a equipe do festival encontrou uma forma bacana de deixar o filme acessível para o Brasil inteiro. Dessa forma, conseguimos atingir novos públicos e estou recebendo muito feedback bacana, de pessoas do Brasil todo. Mesmo não estando lá presencialmente para comentar sobre, temos encontrado novas formas de chegar ao número máximo de pessoas possíveis. É isso que a gente quer, na verdade, que o filme seja visto”, disse Sávio Fernandes, que divide a direção de Noite de Seresta com Muniz Filho. O curta, em competição, reprisa na terça-feira, 13/10.

sertaniacenaexclusivaVertin Moura em Sertânia, de Geraldo Sarno: sucesso de público.

A imprensa, acostumada a cobrir os festivais de cinema de forma presencial, também precisou se adaptar ao novo formato e analisa, para os próximos anos, edições multiplataforma: “A pandemia nos trouxe muitos desafios que foram parcialmente contornados pela virtualização das coisas. Há um lado muito positivo com os festivais on-line. Filmes que nem todos veriam nascer nesse eventos pela incapacidade de deslocamento acabaram alcançando um público vasto ao serem disponibilizados na internet e isso colabora fortemente com o acesso e a democratização dessas obras e desses eventos de cinema. Acredito que temos muito a aprender com essa experiência, mas também devemos ter em mente que esse é um ano de exceção”, declarou Diego Benevides, jornalista, crítico, curador e pesquisador de cinema, membro da Abraccine, Associação Brasileira de Críticos de Cinema, e da Aceccine, Associação Cearense de Críticos de Cinema.

E completou: “Os festivais de cinema são, per si, eventos que agregam muito mais do que a simples exibição de filmes. Um festival se dá nos debates, nas conversas pós-sessão, nos encontros, nas relações que se estabelecem em sua vivência presencial a partir de um ritmo próprio que esses eventos impõem a quem participa deles. Talvez seja a hora de, a partir dessa experiência pandêmica, propor novos formatos para o futuro, apostando na união tanto da programação presencial quanto online e na ampliação do alcance dessas obras, que é o mais importante”.

noitedeserestaolhardecinemaKatia Blander no curta Noite de Seresta.

A curadoria da nona edição do Olhar de Cinema tem sido elogiada com frequência nas redes sociais, tanto pelo público como pelos realizadores: “Sempre desejei participar do Olhar de Cinema porque considero uma das melhores curadorias atualmente no circuito de festivais: criteriosa e criativa”, disse a cineasta Paula Gaitán, em entrevista ao CINEVITOR. Seu filme Luz nos Trópicos, exibido no Festival de Berlim, está na mostra competitiva e reprisa na terça-feira, 13/10.

O cineasta cearense Pedro Diogenes também falou sobre isso: “Sempre tive vontade de participar do Olhar de Cinema. Acompanhei de longe as edições anteriores com muita curiosidade, pois o festival sempre prezou por uma curadoria corajosa e instigante. Me mantinha atento para ver os filmes que tinham passado no Olhar pois sempre era garantia de uma boa experiência. Os outros realizadores e realizadoras com quem conversava sobre o festival sempre falaram com muito carinho do Olhar. Então, a vontade de passar aqui sempre foi enorme. Neste ano, esse desejo se tornou realidade. Um ano atípico, com um festival virtual. Mas mesmo à distância estou conseguindo sentir toda a potência do festival e o carinho com eles tratam os filmes”.

“Outra coisa que eu percebi é que todos os meus amigos estavam marcando os mesmos filmes no Letterboxd, todos do Olhar. E achei isso incrível. Mesmo cada um em suas casas conseguimos preservar esse espírito de coletividade”, comentou Sávio Fernandes.

Como de costume, um festival de cinema é pensado para acontecer dentro da sala de cinema. Porém, vale destacar o esforço dos organizadores em manter esses eventos de forma virtual por conta de sua importância, principalmente para o setor audiovisual brasileiro. “Os festivais estão, ao mesmo tempo suprindo uma série de demandas e trazendo uma série de coisas interessantes, mas também demonstrando como ainda há gargalos e dificuldades; como esse mercado é difícil de enfrentar algo que parece tão simples que é o interesse das pessoas pelos filmes e a capacidade de acessá-los ou não”, finaliza Eduardo Valente.

Ainda que nossa cultura esteja sob ameaça constante, é preciso resistir e tentar olhar para frente com esperança. O desmonte da cultura brasileira é assustador, mas é na arte que retratamos nossas histórias e personagens. Esses registros, que se multiplicam em diversas telas e formatos, ficam marcados para sempre e ajudam a enaltecer nossos profissionais e suas obras. Assim como os festivais de cinema e seu público fiel. Seja virtual ou presencial.

Entrevistas e edição: Vitor Búrigo
Fotos: Divulgação.

Conheça os filmes selecionados para o 9º Festival Curta Brasília

por: Cinevitor

abarcacurtabrasiliaAne Oliva no curta alagoano A Barca, de Nilton Resende.

Foram anunciados nesta segunda-feira, 12/10, os selecionados para a 9ª edição do Festival Curta Brasília, que acontecerá entre os dias 17 e 20 de dezembro, em formato digital por conta da pandemia de Covid-19.

Ao longo de oito edições, o festival recebeu 7.053 filmes inscritos de 26 estados e do Distrito Federal, com 1.356 inscrições só em 2019. Em oito anos, foram exibidos quase 700 filmes, sendo 440 curtas nacionais, 125 curtas do DF e 153 curtas internacionais. Neste ano, foram 1.114 filmes inscritos, cuidadosamente analisados pela comissão de curadoria, que selecionou 15 produções para a Mostra Nacional e Tesourinha.

Além disso, nesta edição a Tesourinha se tornou um selo dos filmes do DF que compõem a programação, ou seja, participarão da mostra competitiva nacional e também concorrem a prêmios específicos para a produção local.

Ao se aproximar de uma década de existência, o Curta Brasília está consolidado no calendário de festivais de cinema do Distrito Federal e do Brasil. O número de inscrições recebidas cresce a cada ano e é comparável a outros grandes festivais nacionais e internacionais. Cada vez mais conhecido por realizadores de todo o país, o evento carrega o nome da capital e busca valorizar de maneira expressiva a identidade local.

Ao expandir para a versão on-line, o festival reforça sua missão de valorizar o cinema local, regional e nacional em maior amplitude, dando destaque para obras cinematográficas recentes por meio de inscrições gratuitas e curadoria feita por profissionais da área; sendo de vital importância num momento delicado para as artes no Brasil, no contexto de isolamento social, impedimento de eventos presenciais e tornando o espaço virtual uma vitrine para o cinema atual.

Conheça os filmes selecionados para o Curta Brasília – Festival Internacional de curta-metragem 2020:

MOSTRA NACIONAL E TESOURINHA

A Barca, de Nilton Resende (Maceió/AL)
À Beira do Planeta Mainha Soprou a Gente, de Bruna Barros e Bruna Castro (Salvador/BA)
A Terra das Muitas Águas, de Catu Rizo (Nilópolis/RJ)
A Terra em que Pisar, de Fáuston da Silva (Estrutural/DF)
Ainda Te Amo Demais, de Flávia Correia (Maceió/AL)
As Rendas de Dinho, de Adriane Canan (Florianópolis/SC)
Exu Matou um Pássaro, de Vinicius Sassine (Brasília/DF)
Filme de Domingo, de Lincoln Péricles (São Paulo/SP)
Inabitáveis, de Anderson Bardot (Vila Velha/ES)
Inabitável, de Matheus Farias e Enock Carvalho (Recife/PE)
Joãosinho da Goméa – O Rei do Candomblé, de Janaina Oliveira ReFem e Rodrigo Dutra (Duque de Caxias/RJ)
Mãtãnãg, A Encantada, de Shawara Maxakali e Charles Bicalho (Belo Horizonte/MG)
Mundo Pequeno, de Gustavo Amora e Cícero Fraga (Brasília/DF)
Os Últimos Românticos do Mundo, de Henrique Arruda (Recife/PE)
Quantos Eram Pra Tá?, de Vinícius Silva (São Paulo/SP)

Foto: Vanessa Mota.

Bacurau, de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, é consagrado no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro 2020

por: Cinevitor

bacurauvenceGPdocinemaThomás Aquino e Bárbara Colen em Bacurau: seis prêmios.

Foram anunciados neste domingo, 11/10, os vencedores da 19ª edição do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro. A cerimônia, transmitida pela TV Cultura e também pelo YouTube e Facebook da emissora, foi apresentada por Marina Person e Adriana Couto. Diferente dos outros anos, o evento não contou com a presença do público por conta da pandemia de Covid-19.

A noite começou com a participação especial do artista Paulinho Moska, que abriu o evento em uma apresentação virtual. Joyce Moreno e Francis Hime também participaram, assim como Pedro Luís e Teresa Cristina. Além disso, o 19º Grande Prêmio do Cinema Brasileiro homenageou não apenas uma personalidade, mas todos os profissionais do setor audiovisual coletivamente.

Os finalistas ao Troféu Grande Otelo concorreram em 32 categorias e foram escolhidos em votação pelos sócios da Academia, além da categoria voto popular, que, por abarcar produções de todo o setor, este ano passa a se chamar Academia Brasileira de Cinema e Artes Audiovisuais.

Bacurau, dirigido por Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, que liderava a lista de indicações (dezessete em 15 categorias), foi o grande vencedor deste ano com seis prêmios, entre eles, melhor filme de ficção e melhor ator para Silvero Pereira, que dividiu a estatueta com Fabrício Boliveira, de Simonal. A Vida Invisível, de Karim Aïnouz, também se destacou com cinco prêmios, entre eles, o de melhor atriz coadjuvante para Fernanda Montenegro.

Conheça os vencedores do 19º Grande Prêmio do Cinema Brasileiro:

MELHOR LONGA-METRAGEM | FICÇÃO
Bacurau, de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles

MELHOR LONGA-METRAGEM | DOCUMENTÁRIO
Estou me Guardando Para Quando o Carnaval Chegar, de Marcelo Gomes

MELHOR LONGA-METRAGEM | COMÉDIA
Cine Holliúdy 2: A Chibata Sideral, de Halder Gomes

MELHOR LONGA-METRAGEM | INFANTIL
Turma da Mônica – Laços, de Daniel Rezende

MELHOR LONGA-METRAGEM | ANIMAÇÃO
Tito e os Pássaros, de Gustavo Steinberg, Gabriel Bitar e André Catoto

MELHOR DIREÇÃO
Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, por Bacurau

MELHOR PRIMEIRA DIREÇÃO DE LONGA-METRAGEM
Leonardo Domingues, por Simonal

MELHOR ATRIZ
Andrea Beltrão, por Hebe: A Estrela do Brasil

MELHOR ATOR (empate)
Fabrício Boliveira, por Simonal e Silvero Pereira, por Bacurau

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Fernanda Montenegro, por A Vida Invisível

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Chico Diaz, por Cine Holliúdy 2: A Chibata Sideral

MELHOR DIREÇÃO DE FOTOGRAFIA
Hélène Louvart, por A Vida Invisível

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
Bacurau, escrito por Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
A Vida Invisível, escrito por Karim Aïnouz, Inés Bortagaray e Murilo Hauser

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE
A Vida Invisível, por Rodrigo Martirena

MELHOR FIGURINO
A Vida Invisível, por Marina Franco

MELHOR MAQUIAGEM
Hebe: A Estrela do Brasil, por Simone Batata

MELHOR EFEITO VISUAL
Bacurau, por Mikaël Tanguy e Thierry Delobel

MELHOR MONTAGEM | FICÇÃO
Bacurau, por Eduardo Serrano

MELHOR MONTAGEM | DOCUMENTÁRIO
Estou me Guardando para Quando o Carnaval Chegar, por Karen Harley

MELHOR SOM
Simonal, por Marcel Costa, Alessandro Laroca, Eduardo Virmond, Armando Torres Jr. e Renan Deodato

MELHOR TRILHA SONORA
Simonal, por Wilson Simoninha e Max de Castro

MELHOR FILME INTERNACIONAL
Parasita (Gisaengchung), de Bong Joon-Ho (Coreia do Sul)

MELHOR LONGA-METRAGEM IBERO-AMERICANO:
A Odisseia dos Tontos (La Odisea de los Giles), de Sebastián Borensztein (Argentina/Espanha)

MELHOR CURTA-METRAGEM | FICÇÃO
Sem Asas, de Renata Martins (SP)

MELHOR CURTA-METRAGEM | DOCUMENTÁRIO
Viva Alfredinho!, de Roberto Berliner (RJ)

MELHOR CURTA-METRAGEM | ANIMAÇÃO
Ressurreição, de Otto Guerra (RS)

MELHOR SÉRIE ANIMAÇÃO TV PAGA/ OTT
Turma da Mônica Jovem (1ª temporada) (Cartoon Network)

MELHOR SÉRIE DOCUMENTÁRIO TV PAGA/OTT
Quebrando o Tabu (2ª temporada) (GNT)

MELHOR SÉRIE FICÇÃO TV PAGA/ OTT
Sintonia (1ª temporada) (Netflix)

MELHOR SÉRIE FICÇÃO TV ABERTA
Cine Holliúdy (1ª temporada) (Globo)

MELHOR LONGA-METRAGEM | VOTO POPULAR
Eu Sou Mais Eu, de Pedro Amorim

A Academia Brasileira de Cinema e Artes Audiovisuais, criada no dia 20 de maio de 2002, foi reconhecida este ano pela AMPAS, Academy of Motion Picture Arts and Sciences, como a única entidade credenciada para indicar o filme que representa o cinema brasileiro na categoria de melhor longa-metragem internacional no Oscar, sem qualquer tutela do governo que esteja no poder.

Profissionais do setor, das mais diversas áreas, podem se associar à Academia, adquirindo assim não apenas o direito de votar no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, mas de participar das assembleias e eventos que acontecem ao longo do ano, como a eleição para a comissão que escolhe o filme brasileiro indicado para representar o país no Oscar.

A Academia Brasileira de Cinema e Artes Audiovisuais é presidida por Jorge Peregrino e a diretoria é composta por Paulo Mendonça (diretor vice-presidente), Alexandre Duvivier, Bárbara Paz, Iafa Britz e Renata Almeida Magalhães.

Foto: Divulgação/Vitrine Filmes.

15º Fest Aruanda do Audiovisual Brasileiro anuncia curtas-metragens em competição e filme de abertura

por: Cinevitor

festaruandareinadoimaginarioCena do curta Reinado Imaginário, de Hipólito Lucena.

Foram anunciados neste sábado, 10/10, os curtas-metragens selecionados para a mostra competitiva e o filme de abertura da 15ª edição do Fest Aruanda do Audiovisual Brasileiro, que acontecerá entre os dias 10 e 17 de dezembro, em João Pessoa.

O documentário Os Quatro Paralamas, inspirado na história da banda e a relação entre os músicos, vai abrir o evento, que será realizado no Cinépolis do Manaíra Shopping. Dirigido por Roberto Berliner e Paschoal Samora, o filme, exibido recentemente no É Tudo Verdade, acompanha a banda desde o início no Circo Voador, em 1983, e mostra a relação dos três músicos que sobem ao palco: Herbert Vianna, Bi Ribeiro e João Barone; além de José Fortes, o empresário.

A seleção da mostra competitiva de curtas-metragens foi constituída pelos jornalistas e críticos Amilton Pinheiro, Suyene Correia e Marcus Mello. Foram contemplados filmes das regiões Nordeste, Sudeste, Sul e Centro-Oeste. Da Paraíba, foram selecionados quatro filmes.

Para o presidente do Comitê de Seleção, Amilton Pinheiro, no ano de comemorações e festividades, pelos quinze anos de existência do festival, “foram mais de dois meses debruçados sobre os 666 inscritos, número recorde, das quatro regiões do país, com inúmeros curtas que trataram da pandemia da Covid-19 como tema e possibilidade de produzir numa situação tão adversa e extraordinária”. Ele justificou ainda porque o comitê decidiu selecionar mais do que os 12 curtas usuais das edições passadas: “Deve-se à excelente qualidade técnica e de linguagem dos filmes, além da abordagem assertiva de temáticas importantes e urgentes para um país que viveu durante quase dois anos na eminência de ruptura da sua tão combalida democracia”.

Já o jornalista e crítico Marcus Mello, de Porto Alegre, que participou pela primeira vez do comitê, disse: “Sem dúvida alguma, a melhor experiência que tive ao longo desses meses de isolamento social em função da pandemia do novo coronavírus. Ao longo de 18 semanas assistimos centenas de filmes, que são uma comprovação da extraordinária diversidade do cinema brasileiro contemporâneo”. Para ele, mesmo em um momento tão dramático, em que o Governo Federal claramente quer acabar com a produção audiovisual no Brasil, “nossos cineastas resistem, apresentando filmes de grande vitalidade e força criativa”, ressaltou. Ainda segundo o jornalista, é bastante significativa a presença de cinco títulos realizados em cidades do interior, bem como de obras vindas de estados que costumam ficar esquecidas na seleção de festivais, como o Piauí e o Maranhão.

Para a jornalista Suyene Correia, de Sergipe, que participou pelo terceiro ano consecutivo do comitê e, por essa razão, será seu último ano na função, foi um duplo sentimento experimentado na maratona 2020: “Se fico triste, por um lado, por ser o último ano, por outro, alegro-me pela oportunidade de assistir produções audiovisuais tão ricas de temáticas urgentes, criativas em sua artesania e oriundas de todas as regiões do Brasil. Não foi tarefa fácil chegar aos 15 curtas selecionados de um universo de 666 inscritos. Mas a satisfação foi grande ao ver a região Nordeste pulsando no setor do audiovisual, mesmo em tempos adversos, e constatar a presença significativa das mulheres por trás das câmeras. Agora, é esperar a realização da 15ª edição do Fest Aruanda e conferir quais os filmes que sairão vencedores desta edição histórica”.

Conheça os filmes selecionados para a Mostra Competitiva de curtas-metragens do Fest Aruanda 2020:

À Beira do Planeta Mainha Soprou a Gente, de Bruna Barros e Bruna Castro (Salvador/BA)
A Pontualidade dos Tubarões, de Raysa Prado (João Pessoa/PB)
A Profundidade da Areia, de Hugo Reis (Vitória/ES)
Construção, de Leonardo de Rosa (Pelotas/RS)
Filme_Urgência_Curte1, de Paulo Silver (Maceió/AL)
La Travessia, de Otávio Almeida (Teresina/PI)
Mãtãnãg, a Encantada, de Shawara Maxakali e Charles Bicalho (Ladainha/Belo Horizonte/MG)
Piu Piu, de Alexandre Figueirôa (Recife/PE)
Pranto, de Jaime Guimarães (Campina Grande/PB)
Rasga Mortalha, de Thiago Martins de Mello (São Luís/MA)
Recôncavo, de Pedro Henrique Barbosa (Brasília/DF)
Reinado Imaginário, de Hipólito Lucena (Campina Grande/PB)
Remoinho, de Tiago A. Neves (Ingá/PB)
Sobre Nossas Cabeças, de Susan Kalik e Thiago Gomes (Salvador/BA)
Vai Melhorar, de Pedro Fiuza (Natal/RN)

Foto: Divulgação/Cinema Instantâneo.

30º Cine Ceará: conheça os longas e curtas selecionados para as mostras competitivas

por: Cinevitor

voltaparacasacinecearaLima Duarte no curta A Volta para Casa, de Diego Freitas.

Foram anunciados nesta quinta-feira, 08/10, os filmes selecionados para a Mostra Competitiva Ibero-americana de longa-metragem e para a Mostra Competitiva Brasileira de curta-metragem da 30ª edição do Cine Ceará, que acontecerá entre os dias 5 e 11 de dezembro.

Devido à pandemia de Covid-19, o festival acontecerá em formato presencial em Fortaleza e também on-line no Canal Brasil, no serviço de streaming, com 22 longas e curtas em competição. Realizado anualmente e de forma ininterrupta desde 1991, o evento cultural mais tradicional do estado do Ceará comemora três décadas em 2020.

Foram escolhidos sete longas-metragens inéditos no Brasil, sendo cinco com passagens por importantes festivais do mundo e dois brasileiros em première mundial. Dos oito diretores da mostra, quatro são mulheres, com destaque para o premiado A Meia Voz, de Patricia Pérez Fernández e Heidi Hassan, documentário autobiográfico vencedor de um dos principais festivais de documentário do mundo, o IDFA, na Holanda, e que conquistou também o prêmio de melhor filme no Festival de Havana, e de direção no Festival de Málaga.

Outro longa reconhecido internacionalmente, que está na lista, é Branco no Branco, de Théo Court, que garantiu prêmios nos festivais de VenezaToulouseHavana e Minsk, na Bielorrússia. Já o documentário Era Uma Vez na Venezuela, de Anabel Rodríguez, passou pelos festivais de Sundance, Miami, Venezuela, Toronto e pelo HotDocs, no Canadá; assim como o argentino As Boas Intenções, de Ana García Blaya, exibido no Festival de Toronto e premiado nos festivais de San Sebastián, Havana e Biarritz.

Representando o Brasil está o longa A Morte Habita à Noite, de Eduardo Morotó, que terá sua primeira exibição no país, depois de participar do Festival de Roterdã. Além de dois filmes em première mundial, o documentário Nazinha Olhai Por Nós, de Belisario Franca, sobre presidiários que aguardam um indulto para celebrar o Círio de Nazaré, e a ficção Última Cidade, de Victor Furtado, do Ceará, completam a programação. A curadoria da competitiva de longas ficou a cargo de Margarita Hernandez, diretora de programação do evento. O cineasta Wolney Oliveira é o Diretor Executivo do festival desde 1993.

Para a Mostra Competitiva Brasileira de curta-metragem, os curadores Mariana Medina e Telmo Carvalho selecionaram quinze filmes dentre os 900 inscritos. Foram escolhidos representantes de nove estados do Brasil, dos 25 que enviaram seus curtas. Entre os títulos, estão dois pernambucanos, um cearense, dois produzidos no Rio de Janeiro, três de São Paulo e dois gaúchos; completam a lista filmes do Piauí, Amazonas, Paraná e Paraíba.

Conheça os filmes selecionados para o 30º Cine Ceará – Festival Ibero-americano de Cinema:

COMPETITIVA IBERO-AMERICANA | LONGA-METRAGEM

A Meia Voz (A Media Voz), de Patricia Pérez Fernández e Heidi Hassan (Espanha/França/Suíça/Cuba)
A Morte Habita à Noite, de Eduardo Morotó (Brasil)
Última Cidade, de Victor Furtado (Brasil)
Branco no Branco (Blanco en Blanco), de Théo Court (Chile/Espanha/França/Alemanha)
Era uma vez na Venezuela (Érase una vez en Venezuela), de Anabel Rodríguez (Venezuela/Reino Unido/Áustria/Brasil)
As Boas Intenções (Las Buenas Intenciones), de Ana García Blaya (Argentina)
Nazinha Olhai Por Nós, de Belisario Franca (Brasil)

COMPETITIVA BRASILEIRA | CURTA-METRAGEM

5 estrelas, de Fernando Sanches (SP)
A Beleza de Rose, de Natal Portela (CE)
A Nave de Mané Socó, de Severino Dadá (PE)
A Volta para Casa, de Diego Freitas (SP)
Desaparecido, de Gabriel Calamari (SP)
Inabitável, de Matheus Farias e Enock Carvalho (PE)
Magnética, de Marco Arruda (RS)
Não te amo mais, de Yasmin Gomes (CE)
Nós, de Hugo Moura e Ricardo Burgos (RJ)
O Babado da Toinha, de Sérgio Bloch (RJ)
O Barco e o Rio, de Bernardo Ale Abinader (AM)
O Sal da Vida, de Danilo Carvalho (PI)
Parabéns a Você, de Andreia Kaláboa (PR)
Quitéria, de Tiago A Neves (PB)
Vista para dias nublados, de Ana Luísa Moura (RS)

Foto: Divulgação/Parakino Filmes.

27º Festival de Cinema de Vitória: conheça os filmes selecionados

por: Cinevitor

inabitaveisfestivalvitoriaCena do curta capixaba Inabitáveis, de Anderson Bardot.

Foram anunciados nesta quinta-feira, 08/10, os filmes selecionados para a 27ª edição do Festival de Cinema de Vitória. Com o tema Sonhar Colorido Faz Bem, o maior evento de cinema e audiovisual do Espírito Santo acontecerá entre os dias 24 e 29 de novembro em formato on-line, por conta da pandemia de Covid-19.

Serão exibidos 84 filmes, entre longas e curtas-metragens, divididos em 12 mostras: 11 competitivas e uma fora de competição, além de sessões especiais. Os trabalhos escolhidos pela comissão de seleção concorrem ao Troféu Vitória em 33 categorias, além de prêmios extras. A escolha dos vencedores é feita pelas comissões de Júri do Festival, compostas por especialistas e profissionais do cinema.

Fazendo jus ao número de inscrições recebidas (foram 1.047 filmes inscritos para as mostras competitivas), as produções selecionadas representam diversos gêneros cinematográficos de várias regiões do Brasil. Foram selecionados 23 filmes de realizadores negros e negras; 21 filmes dirigidos por mulheres, sendo dez dirigidos por mulheres negras; 33 filmes com temática de diversidade sexual; e dois filmes realizados por pessoas com deficiência; além de 22 filmes universitários.

Segundo Lucia Caus, diretora do FCV, a seleção dos filmes é feita sempre com um olhar apurado para a representatividade: “Prezamos por fazer uma curadoria que abrange os diversos gêneros da produção cinematográfica nacional. É um desafio e, ao mesmo tempo um prazer, dar visibilidade para tantos filmes e ver de perto todo o potencial criativo do cinema brasileiro”, disse.

A maior novidade do 27º Festival de Cinema de Vitória serão as sessões virtuais. As mostras serão exibidas na plataforma InnSaei.TV, que exibiu recentemente o Curta Kinoforum. Para acessar o site, o espectador precisa realizar um cadastro rápido e gratuito e conferir os filmes selecionados através de diversas telas, como de celular, computador, tablet e Smart TV.  Cada filme ficará disponível durante 24 horas, de acordo com a programação, que será divulgada em breve.

Para Lucia Caus, apesar desta edição não realizar as tradicionais sessões presenciais, devido à pandemia, o formato on-line possibilita ampliar o alcance do evento: “Uma das principais características do Festival de Cinema de Vitória são as sessões com plateia, sempre cheias e muita calorosas. Mas as mostras em formato online são uma oportunidade de fomentar ainda mais o acesso às produções de curta e longa-metragem, já que o espectador poderá acessar o conteúdo de qualquer lugar do Brasil ou do mundo”.

Os tradicionais debates entre os realizadores também acontecerão de forma remota, no canal do YouTube do festival. Os bate-papos serão conduzidos pelo jornalista e crítico de cinema Filippo Pitanga; e pela doutoranda em Psicologia e Cinema pela USP e crítica de cinema para o portal Geledés, Viviane A. Pistache.

Os filmes escolhidos pela curadoria do festival serão distribuídos em doze janelas de exibição. Entre elas, estão: a 24ª Mostra Competitiva Nacional de Curtas, com uma seleção de títulos da safra recente do cinema brasileiro; a 10ª Mostra Competitiva Nacional de Longas, que contará com a exibição de seis filmes na competitiva; a 10ª Mostra Quatro Estações, com produções que abordam a temática da diversidade sexual; a 6ª Mostra Foco Capixaba, janela exclusiva para realizadores do Espírito Santo; a 9ª Mostra Corsária, com filmes que apresentam pesquisas de linguagem da estética cinematográfica; e a 7ª Mostra Outros Olhares, que propõe a observação da construção de novos mundos a partir de experiências particulares.

Duas janelas temáticas completam meia década de exibição este ano: a 5ª Mostra Mulheres no Cinema, sessão com filmes dirigidos exclusivamente por mulheres e que aborda as questões de gênero, valorizando a atuação feminina por trás das câmeras; e a 5ª Mostra Cinema e Negritude, com filmes produzidos exclusivamente por realizadores negros e que tratam das narrativas que atravessam a população negra no Brasil.

A 3ª Mostra Nacional de Videoclipes apresenta produções de gênero experimental por excelência e que fundem música e audiovisual; a 3ª Mostra Nacional de Cinema Ambiental abre espaço para o debate sobre sustentabilidade e questões ambientais. Janela mais recente do festival, a 2ª Mostra Do Outro Lado – Cinema Fantástico e de Horror traz o terror para o evento.

Tradicionalmente exibida dentro da programação que antecede o Festival de Cinema de Vitória, a 3ª Mostra Cinema de Bordas será realizada durante o festival. A mostra reúne produções periféricas, de baixo orçamento, realizadas por cineastas autodidatas de pequenas cidades ou arredores das grandes capitais. O 27º FCV também exibirá, dentro da 10ª Mostra Competitiva Nacional de Longas, o novo filme do diretor Rodrigo Aragão, O Cemitério das Almas Perdidas. O longa-metragem conta com efeitos especiais extremamente elaborados, grandes cenários e dezenas de figurantes. Aragão é um dos maiores nomes de destaque do cinema de horror tanto no Brasil quanto no mercado internacional.

O júri do 27º Festival de Cinema de Vitória é formado por nomes com vínculo estreito com o audiovisual. São eles: a montadora Natara Ney, os diretores Tiago Minamisawa e Rodrigo de Oliveira (24ª Mostra Competitiva Nacional de Curtas e 9ª Mostra Foco Capixaba); a atriz Bel Kutner, o jornalista Gustavo Cheluje e a montadora Cristina Amaral (10ª Mostra Competitiva Nacional de Longas); o ator, diretor e produtor Marcio Rosário, a atriz Danny Barbosa e o diretor Hsu Chien (10ª Mostra Quatro Estações); a realizadora Gabriele Stein, a professora de cinema e audiovisual Daniela Zanetti e o diretor, fotógrafo e cineclubista Sebastião Filho – Tião Xará (9ª Mostra Corsária); a produtora e professora Luciana Gama, a educadora, pesquisadora e cineclubista Bárbara Cazé e o realizador Bernard Lessa (7ª Mostra Outros Olhares); a atriz, preparadora de elenco e arte-educadora Kassandra Brandão, a antropóloga, curadora e crítica de cinema Samantha Brasil e a roteirista e diretora Viviane Pistache (5ª Mostra Mulheres no Cinema); a escritora e pesquisadora Tamyres Batista, a educadora e cineclubista Adriane Nunes e o cineasta, educador audiovisual e doutorando em educação Clementino Junior (5ª Mostra Cinema e Negritude).

E mais: a produtora cultural Simone Marçal, o compositor, produtor musical e diretor artístico Barral Lima e a realizadora Paula Rocha (4ª Mostra Nacional de Videoclipes); o diretor, produtor e roteirista Cloves Mendes, a professora Martha Tristão e diretor, produtor, roteirista e cineclubista Luís Paiva (3ª Mostra Nacional de Cinema Ambiental); e a gestora e produtora cultural Monica Trigo, a produtora executiva Máyra Alarcon e o diretor Bertrand Lira (2ª Mostra Do Outro Lado – Cinema Fantástico e de Horror). A ABD Capixaba irá oferecer um prêmio especial para o melhor filme da 24ª Mostra Competitiva Nacional de Curtas, com o júri formado por Diego de Jesus e Rodrigo Cerqueira.

Conheça os filmes selecionados para o Festival de Cinema de Vitória 2020:

24ª MOSTRA COMPETITIVA NACIONAL DE CURTAS

4 Bilhões de Infinitos, de Marco Antônio Pereira (MG)
Ilhas de Calor, de Ulisses Arthur (AL)
A Morte Branca do Feiticeiro Negro, de Rodrigo Ribeiro (SC)
90 Rounds, de Juane Vaillant e João Oliveira (ES)
Parte do que Parte Fica, de Camilla Shinoda (DF)
Manaus Hot City, de Rafael Ramos (AM)
Ser Feliz no Vão, de Lucas H. Rossi dos Santos (RJ)
Inabitáveis, de Anderson Bardot (ES)
Baile, de Cíntia Domit Bittar (SC)
O Tempo e a Falta, de Claudiana Braga (ES)
Quinze, de Isis Caroline (SP)
Perifericu, de Nay Mendl, Rosa Caldeira, Stheffany Fernanda e Vita Pereira (SP)
Para Todas as Moças, de Castiel Vitorino Brasileiro (ES)
Jorge, de Jéferson Vasconcelos (RJ)
O Conforto das Ruínas, de Gabriela Lourenzato (SP)
Inabitável, de Matheus Farias e Enock Carvalho (PE)
Como ficamos da mesma altura, de Laís Santos Araújo (AL)
Egum, de Yuri Costa (RJ)
Thinya, de Lia Letícia (PE)
O Verbo se Fez Carne, de Ziel Karapotó (PE)

10ª MOSTRA COMPETITIVA NACIONAL DE LONGAS

Pureza, de Renato Barbieri (DF)
Yãmĩyhex: As Mulheres-Espírito, de Sueli Maxakali e Isael Maxakali (MG)
Um Dia com Jerusa, de Viviane Ferreira (SP)
O Livro dos Prazeres, de Marcela Lordy (RJ)
Chico Rei Entre Nós, de Joyce Prado (SP)
Para Onde Voam as Feiticeiras, de Eliane Caffé, Beto Amaral e Carla Caffé (SP)

10ª MOSTRA QUATRO ESTAÇÕES

Babi & Elvis, de Mariana Borges (MG)
Agachem, segurem, formem, arrasem, de Caio Baú (SP)
Bonde, de Asaph Luccas (SP)
Convictas, de Kamila Barbosa Ferreira (ES)

9ª MOSTRA FOCO CAPIXABA

Redundância, de Wayner Tristão
O Trauma é Brasileiro, de Castiel Vitorino Brasileiro e Roger Ghil
Na Terra dos Papagaios, de Adriana Jacobsen
Amargo Rio Doce, de Ricardo Sá
Zacimba Gaba – Um Raio na Escuridão, de Tati Rabelo e Rodrigo Linhales

9ª MOSTRA CORSÁRIA

Cultural, de Armando Lima (SP)
Temporal, de Maíra Campos e Michel Ramos (MG)
O Prazer de Matar Insetos, de Leonardo Martinelli (RJ)
Pátria, de Lívia Costa e Sunny Maia (CE)
Naquela época devoraram meus olhos, de Cleissa Regina Martins (Brasil/Canadá)
3 Gotas, de Luiz Will Gama (ES)
O Jardim Fantástico, de Fábio Baldo e Tico Dias (SP)

7ª MOSTRA OUTROS OLHARES

O que pode um corpo?, de Victor Di Marco e Márcio Picoli (RS)
Rebento, de Vinicius Eliziario (BA)
Joãosinho da Goméa – O Rei do Candomblé, de Janaina Oliveira ReFem e Rodrigo Dutra (RJ)
Carta para Dona Quarentena, de Letícia Braga (ES)
Estamos todos na sarjeta, mas alguns de nós olham as estrelas, de João Marcos de Almeida e Sergio Silva (SP)

5ª MOSTRA MULHERES NO CINEMA

Seremos Ouvidas, de Larissa Nepomuceno (PR)
Ângela, de Marília Nogueira (MG)
Esmalte Vermelho Sangue, de Gabriela Altaf (RJ)
Minha História é Outra, de Mariana Campos (RJ)

5ª MOSTRA CINEMA E NEGRITUDE

Cão Maior, de Filipe Alves (DF)
Terceiro Andar, de Deuilton B. Júnior (PE)
Lembrar Daquilo que Esqueci, de Castiel Vitorino Brasileiro (ES)
Alfazema, de Sabrina Fidalgo (RJ)

4ª MOSTRA NACIONAL DE VIDEOCLIPES

Blá Blá Blá, de Júnior Batista (Artista: MORENNA)
KILLA, de Jessica Lauane (Artista: Enme)
Primeiro (Remix), de Raphael Correa (Artista: Antoni e Gustavo Rosseb)
Livre pra Viver, de Danilo Laslo (Artista: Douglas Lopes)
Gigantesca, de Letícia Pires (Artista: Mariana Volker)
Pila Pilão, de Giuliana Danza (Artista: Serelepe)
Dark Cloud, de MAGU (Marina Abranches e Gustavo Martins) (Artista: Dan Abranches)
Fantasmas Talvez, de Diego Locatelli e Felipe Amarelo (Artista: André Prando)
Ave de Nós, de Roberto Mamfrim (Artista: Kanduras)
Roma, de Francisco Xavier (Artista: Cinco Nós)
Diferenciado, de Amon e Jeffão (Artista: PTK)
Náufrago, de Consuelo Cruz e Pedro Henrique França (Artista: Majur)
O Clã, de Raymundo Calumby (Artista: Isis Broken)
Texas, de Felipe Soares (Artista: Kira Aderne e Tárcio Luna)
Cidadão de Bem, de Cainã Morellato (Artista: Cainã e a Vizinhança do Espelho)
Sinal Fechado, de Lucas Sá (Artista: Getúlio Abelha)

3ª MOSTRA NACIONAL DE CINEMA AMBIENTAL

Raízes, de Direção Coletiva (RJ)
Rocha Matriz, de Miro Soares e Gabriel Menotti (ES)
Comendo Cérebros, de Almir Correia (PR)
Sirumi, de Thiago Camargo (GO)

2ª MOSTRA DO OUTRO LADO – CINEMA FANTÁSTICO E DE HORROR

Náusea, de Thomas Webber (PR)
Eu estou vivo, de Maíra Campos e Michel Ramos (MG)
Mamãe tem um demônio, de Demerson Souza (SP)
As Viajantes, de Davi Mello (SP)

FORA DE COMPETIÇÃO:

3ª MOSTRA DE CINEMA DE BORDAS

Comando Central, de Antônio Estevão (ES)
Nuvem Baixa, de André Okuma (SP)
Marta Morta, de Rubens de Mello (SP)
Os Crimes da Rua do Arvoredo, de Patty Fang (SP)

SESSÃO ESPECIAL

O Cemitério das Almas Perdidas, de Rodrigo Aragão

Foto: Divulgação.

Piedade, de Claudio Assis, será o filme de abertura do 13º Los Angeles Brazilian Film Festival

por: Cinevitor

piedadeLABRFF2020Francisco de Assis Moraes, Fernanda Montenegro e Matheus Nachtergaele em Piedade.

Dirigido pelo pernambucano Claudio Assis e premiado no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, Piedade será o filme de abertura do Los Angeles Brazilian Film Festival. A 13ª edição do evento, considerado o maior festival de cinema brasileiro no exterior, acontecerá entre os dias 21 e 25 de outubro em formato on-line por conta da pandemia de Covid-19.

No longa, que abrirá o LABRFF 2020, Fernanda Montenegro é Dona Carminha, a matriarca que está à frente do Bar Paraíso, estabelecimento praiano construído por seu falecido marido, Humberto Bezerra, na Praia Saudade, em Piedade. Moram com ela seu filho Omar, papel de Irandhir Santos, e seu neto Ramsés, interpretado por Francisco de Assis Moraes, filho da caçula Fátima (Mariana Ruggiero), que trabalha e reside do outro lado da cidade. A chegada de Aurélio, vivido por Matheus Nachtergaele, executivo de uma empresa petrolífera, afeta a harmonia da família e traz revelações que a relacionam a Sandro, interpretado por Cauã Reymond, e seu filho Marlon, papel de Gabriel Leone. O filme, que apresenta discussões sociais, será exibido logo após o red carpet on-line e a cerimônia de abertura.

Neste ano, todo o evento será realizado na Filmocracy. A interatividade oferecida pela plataforma é o diferencial do LABRFF em relação a outros eventos realizados virtualmente por conta da pandemia do novo coronavírus. A experiência na Filmocracy permite o contato entre todos que estiverem on-line, com áudio, vídeo e chat; conversar com elenco e diretores dos filmes, por exemplo, é uma das possibilidades.

A vila virtual montada para ser a sede do LABRFF na Filmocracy tem vários prédios, onde é possível transitar por cada andar, entrar nas mesas de discussões e assistir palestras e outros eventos da programação. A maioria dos filmes estará disponível on-demand, enquanto outros vão ter data e hora definidas para exibição. Para não perder nada, é possível conferir toda programação no site do LABRFF (clique aqui) com a relação de filmes, além dos eventos do Brazilian Film Market (BFM) e a feira de mercado, que traz palestrantes e entrevistados renomados para a programação. Os ingressos também estão sendo vendidos pelo site; o valor único dá acesso a todo evento.

“O desafio de fazer um evento online incrível está sendo muito grande, mas estamos muito felizes com tudo que estamos oferecendo. São mais de 150 filmes e videoclipes, dezenas de palestras, shows e bate-papos. É tanta coisa pra ver que vamos deixar vários filmes disponíveis até o dia 29 de outubro, dando mais tempo pra todo mundo aproveitar. Tenho certeza que será uma experiência única. Espero que o público brasileiro possa prestigiar o nosso festival”, comenta Meire Fernandes, fundadora do LABRFF.

Mais uma novidade anunciada foi a votação popular no Los Angeles International Music Video Festival (LAMV), a competição de music videos fundada ano passado dentro do LABRFF. Com obras de várias partes do planeta, qualquer internauta poderá escolher suas preferidas em duas categorias: melhor music video e melhor performance artística. A votação é por meio do site. “Temos uma diversidade de obras surpreendentes, o que é marca do LAMV desde a sua fundação, em 2019. De obra do Oriente Médio ao fenômeno brasileiro Anitta, os ritmos são os mais variados e a nossa votação vai mostrar um termômetro do gosto dos internautas ao redor do mundo. Estamos bem felizes com essa possibilidade”, comemora Manoel Neto, fundador do LAMV.

Fundado em 2008, o LABRFF preencheu uma lacuna na terra do cinema, tornando-se uma vitrine para as produções brasileiras em Hollywood. O festival já exibiu mais de 800 títulos, premiou mais de 300 profissionais do cinema e contribuiu para a realização de longas metragens no Brasil em parceria com os Estados Unidos, além de ter colaborado para o licenciamento de diversos títulos brasileiros para majors de distribuição americana.

Clique aqui e confira a lista completa com os selecionados para a 13ª edição do Los Angeles Brazilian Film Festival. O júri deste ano será presidido pelo cineasta Hsu Chien Hsin e contará com: Flavia Candida, curadora e produtora; Silvero Pereira, ator; Mara Carvalho, atriz; e Cecília Amado, cineasta.

Foto: Divulgação.

Conheça os vencedores do 25º É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários

por: Cinevitor

libeluetudoverdade2020Cena de Libelu – Abaixo a Ditadura, de Diógenes Muniz: premiado.

Foram anunciados neste domingo, 04/10, em uma cerimônia virtual, os vencedores do 25º É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários, principal evento dedicado à cultura do documentário na América Latina, fundado e dirigido por Amir Labaki.

Neste ano, realizado em formato on-line por conta da pandemia de Covid-19, o festival exibiu, entre os dias 23 de setembro e 4 de outubro, um total de 61 longas e curtas-metragens em competição e hors-concours, de forma gratuita, em plataformas de streaming.

Dirigido pelo estreante Diógenes Muniz, Libelu – Abaixo a Ditadura foi eleito o vencedor da Competição Brasileira de Longas ou Médias-Metragens e recebeu R$ 20.000,00 e o Troféu É Tudo Verdade. O filme focaliza uma tendência estudantil universitária surgida em 1976 que, impulsionada por uma organização clandestina, ganhou fama por ser o primeiro a retomar o mote “abaixo a ditadura” enquanto o AI-5 ainda vigorava.

Já na Competição Internacional de Longas ou Médias-Metragens o vencedor foi “Colectiv”, dirigido por Alexander Nanau. O filme aborda a corrupção no sistema de saúde da Romênia e recebeu R$ 12.000 e o Troféu É Tudo Verdade.

Entre os curtas, Filhas de Lavadeiras”, de Edileuza Penha de Souza, venceu a competição nacional e recebeu seis mil reais, o Troféu É Tudo Verdade e o Prêmio Mistika no valor de R$ 8.000,00 em serviços de pós-produção digital. O polonês “Meu País Tão Lindo”, de Grzegorz Paprzycki, foi eleito o melhor curta-metragem internacional e recebeu R$ 6.000,00 e o troféu.

O júri internacional foi formado pela diretora emérita da International Documentary Association, Betsy McLane; pelo presidente e diretor-executivo do Hot Docs Canadian Festival, Chris McDonald; e pelo cineasta brasileiro Jorge Bodanzky. O júri brasileiro contou com o escritor Ignácio de Loyola Brandão; a cineasta e roteirista Cristiana Grumbach; e o cineasta e curador Francisco Cesar Filho.

Reconhecido pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos como um festival classificatório para o Oscar, o evento qualifica automaticamente as produções vencedoras nas competições brasileira e internacional para inscrição direta visando a disputa da estatueta dourada para melhor documentário de longa-metragem e de documentário de curta-metragem.

Durante a cerimônia de encerramento, diretores brasileiros cujos filmes estiveram na seleção deste ano leram, em vídeo, um manifesto a favor da cultura brasileira, da Cinemateca e da preservação da memória em movimento de nosso país. O texto foi escrito por Roberto Berliner e o vídeo foi editado por Carol Garritano. Leia aqui:

“É com sentimento de pesar que nós, diretores dos filmes do 25º Festival de Documentários É Tudo Verdade, manifestamos nosso total desacordo com os rumos da política cultural do país. O governo de extrema direita do Jair Bolsonaro age desde o início para atacar e silenciar os brasileiros que fazem da cultura e da arte como seus inimigos. A atividade audiovisual está paralisada desde março, com a suspensão de todos os recursos públicos para a produção de filmes e séries. Isso tem provocado uma taxa crescente de desemprego. São muitas as empresas que estão falindo, cineastas passando necessidade e a ameaça de paralisia total do setor. Isso sem falar da Cinemateca Brasileira, com seu acervo histórico que corre o risco de total destruição. A realidade que nos cerca, gritando em meio a paisagem agônica das incêndios de setembro, não é uma mera metáfora. O fogo que destrói o Pantanal e a Amazônia, ocorre sob o mesmo governo irresponsável que ignora a tragédia da Covid-19 e que despreza as artes, cultura, a educação e a ciência. Eles têm medo de nós. A situação é gravíssima. Por isso, convidamos as realizadoras e realizadores do audiovisual a se voltarem, mais uma vez, para a realidade. E, acima de tudo, não se intimidaram. É preciso cada vez mais buscar novas formas de produzir  e registrar a nossa memória. E nunca parar e nem silenciar. Um país sem imagens de si mesmo é como alguém que não sabe o que é. É um país com alzheimer”.

Os diretores que assinam: Aurélio de Michiles, Bernardo Vorobow, Bruno Moreschi, Carlos Adriano, Carol Benjamin, Clarice Saliby, Cláudio Moraes, Diógenes Muniz, Guga Millet, João Jardim, Jorge Bodanzky, Marcelo Machado, Mari Moraga, Mariana Lacerda, Paschoal Samora, Rafael Veríssimo, Roberto Berliner, Rubens Rewald, Silvio Tendler, Tali Yankelevich e Toni Venturi.

Depois da cerimônia realizada no YouTube, foi exibido como filme de encerramento o longa Wim Wenders, Desperado, dirigido por Eric Fiedler e Andreas Frege. E mais: vale lembrar que os longas-metragens vencedores das competições brasileira e internacional ganham exibição presencial no Rio de Janeiro, em salas do Grupo Estação, assim que as mesmas foram reabertas.

Conheça os vencedores do É Tudo Verdade 2020:

COMPETIÇÃO BRASILEIRA | JÚRI OFICIAL

MELHOR DOCUMENTÁRIO | LONGA OU MÉDIA-METRAGEM:
Libelu – Abaixo a Ditadura, de Diógenes Muniz (SP)

MENÇÃO HONROSA:
Segredos do Putumay, de Aurélio Michiles (SP)
Fico te Devendo uma Carta sobre o Brasil, de Carol Benjamin (RJ)

MELHOR DOCUMENTÁRIO | CURTA-METRAGEM:
Filhas de Lavadeiras, de Edileuza Penha de Souza (DF)

MENÇÃO HONROSA:
Ver a China, de Amanda Carvalho (Brasil, SP/China)

COMPETIÇÃO INTERNACIONAL | JÚRI OFICIAL:

MELHOR DOCUMENTÁRIO | LONGA OU MÉDIA-METRAGEM:
Colectiv (Collective), de Alexander Nanau (Romênia/Luxemburgo)

MENÇÃO HONROSA:
O Espião (The Mole Agent), de Maite Alberdi (Chile/EUA/Alemanha/Holanda/Espanha)

MELHOR DOCUMENTÁRIO | CURTA-METRAGEM:
Meu País Tão Lindo (Moj Kraj Taki Piekny), de Grzegorz Paprzycki (Polônia)

MENÇÃO HONROSA:
Saudade, de Denize Galiao (Alemanha)

PREMIAÇÕES PARALELAS

PRÊMIO CANAL BRASIL DE CURTAS:
Filhas de Lavadeiras, de Edileuza Penha de Souza (DF)

PRÊMIO EDT (Associação de Profissionais de Edição Audiovisual):
Melhor Montagem | Longa: A Ponte de Bambu, por André Finotti e Raimo Benedetti (SP)
Melhor Montagem | Curta: Metroréquiem, por Adalberto Oliveira (PE)

Foto: Divulgação/Boulevard Filmes.

Com Anne Hathaway e Octavia Spencer, Convenção das Bruxas, de Robert Zemeckis, ganha trailer

por: Cinevitor

convencaobruxastrailerAnne Hathaway em cena: Grande Rainha Bruxa.

Lançado em 1990, Convenção das Bruxas, de Nicolas Roeg, foi bem recebido pela crítica e pelo público. Mesmo tendo arrecadado mais de 15 milhões de dólares e considerado um baixo desempenho comercial na época, o longa marcou gerações, foi indicado ao BAFTA de melhor maquiagem e rendeu alguns prêmios para Anjelica Huston.

Agora, trinta anos depois, a Warner Bros. Pictures lança uma nova versão da clássica aventura de fantasia. O remake de Convenção das Bruxas é dirigido por Robert Zemeckis, de Náufrago, O Expresso Polar, O Voo, A Travessia, Forrest Gump: O Contador de Histórias, De Volta para o Futuro, entre outros.

Baseado no livro de Roald Dahl, o roteiro foi escrito por Robert Zemeckis, Kenya Barris e Guillermo del Toro. Zemeckis também produziu o filme ao lado de Jack Rapke, del Toro, Alfonso Cuarón e Luke Kelly. “Convenção das Bruxas é uma maravilhosa reimaginação do conto atemporal de Roald Dahl que combina uma produção cinematográfica de classe mundial com performances fantásticas. É divertido para toda a família e ideal para esta época do ano”, disse Toby Emmerich, presidente da Warner Bros. Pictures Group.

Reimaginando a adorada história de Dahl para uma audiência moderna, o filme visualmente inovador de Zemeckis conta a história sombria, divertida e comovente de um jovem órfão, papel de Jahzir Bruno, que, no final de 1967, vai morar com sua adorável avó, interpretada por Octavia Spencer, na cidade rural de Demopolis, no Alabama. Quando a dupla encontra algumas bruxas ilusoriamente glamorosas, mas completamente diabólicas, a avó sabiamente leva o jovem herói para um exuberante resort à beira-mar. Lamentavelmente, eles chegam ao local exatamente ao mesmo tempo em que a Grande Rainha Bruxa, vivida por Anne Hathaway, reúne suas colegas de todo o planeta, disfarçadas, para realizar seus planos nefastos e malignos de transformar as crianças do mundo em ratos.

O elenco conta também com Stanley Tucci, Kristin Chenoweth, Chris Rock, Codie-Lei Eastick, Charles Edwards, Eugenia Caruso, Simon Manyonda, Jonathan Livingstone, entre outros.

Assista ao trailer de Convenção das Bruxas, que estreia em breve nos cinemas brasileiros:

Foto: Divulgação/Warner Bros. Pictures.

Filme sobre o pianista Dom Salvador é o grande vencedor do 12º In-Edit Brasil – Festival Internacional do Documentário Musical

por: Cinevitor

domsalvadorvenceineditDom Salvador: instrumentista, arranjador e compositor brasileiro.

A 12ª edição do In-Edit Brasil – Festival Internacional do Documentário Musical aconteceu entre os dias 9 e 20 de setembro em formato on-line por conta da pandemia de Covid-19. A programação contou com mais de 50 filmes nacionais e internacionais inéditos no circuito comercial, que foram exibidos em uma plataforma especial do festival e também em plataformas parceiras.

Neste ano, Dom Salvador & Abolition, de Artur Ratton e Lilka Hara, foi escolhido como o melhor filme desta edição. O longa apresenta o dia a dia do cultuado pianista brasileiro Dom Salvador em Nova York, cidade onde ele reside há mais de quatro décadas. Com depoimentos dele, de familiares e de músicos com quem já trabalhou, o espectador participa de um profundo mergulho em seu universo musical, cheio de groove.

O júri, composto por Deborah Osborn, Emílio Domingos, Jorge Du Peixe e Patrícia Rabello, também concedeu menções especiais aos filmes Garoto – Vivo Sonhando, de Rafael Veríssimo e Neojiba – Música que Transforma, de Sérgio Machado e George Walker Torres.

Além disso, o festival apresentou também a Mostra Portugal, em parceria com o Instituto Camões e a Embaixada de Portugal, com uma seleção dos documentários musicais recentes mais destacados do país. A programação também apresentou master class, lives com os diretores e shows exclusivos com Pitty, Autoramas, Flicts e muitos outros.

Foto: Divulgação.