
A Academia Brasileira de Cinema anunciou na manhã desta quarta-feira, 16/09, o filme selecionado para representar o Brasil na disputa por uma vaga no Oscar 2027.
Escolhido pela Comissão de Seleção, em reunião virtual, o longa cearense Feito Pipa, dirigido por Allan Deberton, vai disputar uma indicação na categoria de melhor filme internacional na 99ª edição do Oscar, premiação anual promovida pela AMPAS, Academy of Motion Picture Arts and Sciences, que acontecerá no dia 14 de março de 2027, em Los Angeles.
Presidida por Clélia Bessa, a Comissão de Seleção deste ano foi composta por: André Pellenz, Bárbara Cariry, Deborah Osborn, Guilherme Coelho, João Vieira Jr., Juliana Vicente, Lô Politi, Kátia Adler, Maria Gal, Plínio Profeta, Rodrigo Saturnino, Suzana Pires, Tatiana Carvalho Costa e Walter Lima Junior.
“O filme Feito Pipa, de Allan Deberton, tem uma narrativa sensível que comunica universalmente e, ao mesmo tempo, traz uma forte identidade brasileira a partir de uma cidade do interior do Ceará. É sobre a família, a cumplicidade entre avó e neto, infância, finitude e já foi premiado em festivais internacionais importantes”, disse Clélia Bessa, presidente da Comissão de Seleção.
Vencedor de cinco prêmios no Festival de Cinema de Gramado deste ano, entre eles, melhor filme pelo Júri Popular e melhor atriz para Teca Pereira, Feito Pipa também foi consagrado no Festival de Berlim na mostra Generation Kplus, na qual recebeu o Urso de Cristal de melhor filme segundo o Júri Infantil e também o prêmio de melhor filme segundo o Júri Internacional da Berlinale Generation. Além disso, foi premiado no Festival Internacional de Cine de Cartagena de Indias e no Festival Internacional de Cine en Guadalajara.
Com Yuri Gomes, Teca Pereira e Lázaro Ramos no elenco, o longa acompanha a história de Gugu, um menino de quase 12 anos que sonha em se tornar jogador de futebol e vive com a avó Dilma, uma professora aposentada que o cria de forma livre e afetuosa. Quando a avó fica frágil, Gugu tenta esconder essa situação a qualquer custo, com medo de ser separado dela e ser obrigado a morar com o pai, que não o aceita como ele é.
Com roteiro de André Araújo e rodado em Quixadá e cidades vizinhas do interior do Ceará, o filme se passa às margens da barragem de Araújo Lima, onde após anos de seca revela uma antiga cidade submersa em ruínas. O longa conta ainda com Carlos Francisco, Georgina Castro, Luan Vasconcelos, Beatriz Carwile, Nathyel Martins, Manuela Paulino, Pablo Vinícios e Enzo Uejo no elenco.
A produção é assinada pela Deberton Filmes, produtora cearense liderada por Allan Deberton e pelo produtor Marcelo Pinheiro. A empresa divide a produção do filme com a Biônica Filmes, desde o desenvolvimento do projeto em uma parceria onde somam forças artísticas e executivas. O filme tem produção associada da Mistika, patrocínio do Nubank e apoio do Projeto Paradiso através da Incubadora Paradiso. Em coprodução com a Warner Bros., a distribuição no Brasil é da Paris Filmes.
Feito Pipa, que estreia no dia 5 de novembro, disputava a vaga com outros cinco títulos: 100 Dias, de Carlos Saldanha; A Fabulosa Máquina do Tempo, de Eliza Capai; A Natureza das Coisas Invisíveis, de Rafaela Camelo; Nosso Segredo, de Grace Passô; e Vicentina Pede Desculpas, de Gabriel Martins.
Vale destacar que na última edição do prêmio da Academia, o Brasil se destacou com O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, que foi indicado em quatro categorias. Em 2025, Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, levou o primeiro Oscar para o país.
A Academia Brasileira de Cinema é a única entidade responsável pela seleção do filme brasileiro que irá concorrer a uma vaga entre os indicados ao prêmio de melhor longa-metragem internacional no Oscar, sem qualquer tutela do governo que esteja no poder.
Foto: Jamille Queiroz.