
Foram anunciados neste sábado, 12/09, os vencedores da 83ª edição do Festival Internacional de Cinema de Veneza. O júri, presidido pela diretora, atriz, roteirista e produtora estadunidense Maggie Gyllenhaal, concedeu o Leão de Ouro de melhor filme, prêmio máximo do evento, para Kvinde Ukendt (Woman Unknown), dirigido pela cineasta dinamarquesa May el-Toukhy.
Completavam o time de jurados da Competição Internacional deste ano: a cineasta tunisiana Kaouther Ben Hania; o compositor britânico Daniel Blumberg; o italiano Francesco Casetti, teórico de cinema e televisão; o cineasta e roteirista francês Xavier Giannoli; a diretora afegã Shahrbanoo Sadat; e o cineasta e produtor Johnnie To, de Hong Kong.
Para escolher o vencedor do Prêmio Luigi De Laurentiis, que entrega o Leão do Futuro para o melhor filme de estreia da seleção, o júri foi presidido pela cineasta italiana Carolina Cavalli. O time completou-se com Akinola Davies Jr. e Ted Hope. Já na mostra Orizzonti, o júri foi presidido por Valérie Donzelli e contou com Peter Becker, Elizabeth Lo, David Pablos e Barbara Ronchi.
Em premiações paralelas, o cinema brasileiro se destacou com London, dirigido pelos gaúchos Victor Di Marco e Márcio Picoli, que recebeu a Queer Lion, prêmio independente que destaca obras que abordam a temática LGBT+; o filme foi exibido na Semana Internacional da Crítica, Settimana Internazionale della Critica. A justificativa do júri diz: “Victor Di Marco e Márcio Picoli são dois cineastas capazes de elevar o corpo queer a uma esfera de autodeterminação, desejo e poder, resgatando-o de qualquer tentativa de diminuí-lo. Os jovens protagonistas, em um cenário apenas aparentemente confinado, personificam uma sexualidade explícita e orgulhosa, na qual o fetiche é brincadeira, a dominação é liberdade em vez de violência, e a identidade é forjada por meio do prazer, da amizade e da resistência”.
E continuou: “Hoje, Di Marco e Picoli dão continuidade, de forma simbólica, a essa ousadia, coragem e gentileza audaciosa, levando às telas a vida e a identidade queer em todas as suas formas multifacetadas, incluindo aspectos raramente explorados no cinema contemporâneo, provando que o novo cinema queer continua a evoluir, crescer e dialogar com as transformações de uma sociedade que ele busca retratar”. London dividiu o prêmio com o documentário Queer Edward II, dirigido por Theo Rollason: “Duas obras de estreia extraordinárias que celebram o passado, retratam o presente e apontam o caminho para o futuro”, finalizou o júri, que foi formado por Daniel N. Casagrande, Marco Busato, Jani Kuštrin e Adriano Virone.
Já o longa Retorno a Buenos Aires (Ritorno a Buenos Aires), coprodução entre Itália e Brasil, dirigida por Marco Bechis, se destacou no Award Francesco Pasinetti, realizado pelo Sindacato Nazionale Giornalisti Cinematografici Italiani, e levou os prêmios de melhor filme e melhor ator para Adriano Giannini segundo os jornalistas italianos: “O filme é uma prova excelente de equilíbrio perfeito entre passado e presente, emoção e reflexão. Uma atuação excelente, que transmite o tormento da dúvida, o drama do confronto e o horror e a dor de uma tragédia coletiva e ao mesmo tempo pessoal”, disse a justificativa. O filme reúne ainda os brasileiros Paula Cohen e Eduardo Hoy em papéis de destaque, além das atrizes argentinas Ana Celentano, Vero Gerez e Olivia Nuss.
Com três meses de pré-produção e quatro semanas de filmagens no Brasil, realizadas em Porto Alegre, e mais três semanas em Turim, no norte da Itália, Retorno a Buenos Aires também consolida a atuação internacional da produtora brasiliense 34 Filmes e a parceria com André Ristum, que já colaborou em diversos projetos anteriores. O filme teve participação destacada de técnicos brasileiros, entre os quais: a direção de arte de Eduardo Antunes; a produção de elenco de Alessandra Tosi; o figurino de Coca Serpa; a produção executiva de André Ristum e Patrick de Jongh; e o line producer Beto Rodrigues. A coprodução entre Brasil e Itália reúne a 34 Filmes e as italianas Fandango, 39Films, Karta Film e Rai Cinema.
Confira a lista completa com os vencedores do Festival de Cinema de Veneza 2026:
COMPETIÇÃO | VENEZIA 83
MELHOR FILME | LEÃO DE OURO
Kvinde Ukendt (Woman Unknown), de May el-Toukhy (Dinamarca/Suécia/Letônia)
GRANDE PRÊMIO DO JÚRI | LEÃO DE PRATA
Ga-neung-han sa-rang (Possible love), de Lee Chang-dong (Coreia do Sul)
MELHOR DIREÇÃO | LEÃO DE PRATA
Ilya Khrzhanovsky, por Dau
PRÊMIO COPPA VOLPI | MELHOR ATRIZ
Mathilde Arcel, por Kvinde Ukendt (Woman Unknown)
PRÊMIO COPPA VOLPI | MELHOR ATOR
John Malkovich, por Wild Horse Nine
MELHOR ROTEIRO
Un bon petit soldat, escrito por Stéphane Brizé, Coralie Amédéo e Olivier Gorce
PRÊMIO ESPECIAL DO JÚRI
Naza, de Yuval Abraham e Rachel Szor (Reino Unido)
PRÊMIO MARCELLO MASTROIANNI | ATOR/ATRIZ EM ASCENSÃO
Malou Khebizi, por 15/18 A Place To Heal
MOSTRA ORIZZONTI
MELHOR FILME
Un détour par Diane, de Ann Sirot e Raphaël Balboni (Bélgica/França)
MELHOR DIREÇÃO
Jacqueline Lentzou, por Mia mera sti zoi tis tzo: kefalaio Faidra (A day in the life of Jo: Chapter Phaedra)
PRÊMIO ESPECIAL DO JÚRI
La maison du vent (House of the wind), de Auguste Bernard Kouemo Yanghu (Camarões/França/Bélgica/Benin/Arábia Saudita/Qatar)
MELHOR ATRIZ
Laleh Marzban, por Moragheb (Falling House)
MELHOR ATOR
Riccardo Scamarcio, por I figli della scimmia (The Children of the Monkey)
MELHOR ROTEIRO
I figli della scimmia, escrito por Tommaso Landucci e Damiano Femfert
MELHOR CURTA-METRAGEM
Quelques instants de bonheur, de Shaden Safieddine Tazi (França/Reino Unido)
VENICE IMMERSIVE
GRANDE PRÊMIO
The Pigeon Ring, de Shixin Tao e Yuqi Zhang (China)
PRÊMIO ESPECIAL DO JÚRI
Out of the Ashes, de Rory Mitchell e Nonny De La Peña (EUA)
PRÊMIO DE REALIZAÇÃO
Empire At Sea, de Peter Flaherty (EUA)
OUTROS PRÊMIOS
LEÃO DO FUTURO | MELHOR FILME DE ESTREIA
La maison du vent (House of the wind), de Auguste Bernard Kouemo Yanghu (Camarões/França/Bélgica/Benin/Arábia Saudita/Qatar)
VENEZIA SPOTLIGHT | PRÊMIO DO PÚBLICO
Eu contez (I matter), de Alina Şerban (Romênia/Alemanha/Bélgica)
VENICE CLASSICS | MELHOR FILME RESTAURADO
A Noite do Massacre (La lunga notte del ’43), de Florestano Vancini (1960) (Itália)
PREMIAÇÕES PARALELAS
PRÊMIO FIPRESCI | COMPETIÇÃO: Ga-neung-han sa-rang (Possible love), de Lee Chang-dong (Coreia do Sul)
PRÊMIO FIPRESCI | ORIZZONTI: The Color of the Sun, de Xavier Tera (Canadá/Itália/Japão)
QUEER LION AWARD: London, de Victor Di Marco e Márcio Picoli (Brasil)
AWARD FRANCESCO PASINETTI | Sindacato Nazionale Giornalisti Cinematografici Italiani: Ritorno a Buenos Aires, de Marco Bechis (Itália/Brasil)
AWARD FRANCESCO PASINETTI | Melhor Ator: Adriano Giannini, por Ritorno a Buenos Aires
*Clique aqui e confira a lista completa com os prêmios paralelos, eleitos de forma independente por associações de críticos de cinema, cineclubes e associações culturais e profissionais do cinema
Foto: Vittorio Zunino Celotto/Getty Images.