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Silêncio da Chuva, de Daniel Filho, será o filme de encerramento do 30º Cine Ceará

por: Cinevitor

silenciochuvacinecearaThalita Carauta e Lázaro Ramos em cena.

Inspirado no romance policial de Luiz Alfredo Garcia-Roza, Silêncio da Chuva, dirigido por Daniel Filho, será o filme de encerramento do 30º Cine Ceará – Festival Ibero-americano de Cinema; o longa será exibido em sessão hors-concours no dia 11 de dezembro, no Cineteatro São Luiz, em Fortaleza, respeitando os protocolos de reabertura para cinemas do Governo do Ceará.

Com roteiro assinado por Lusa Silvestre, de Estômago, O Roubo da Taça e A Glória e a Graça, o longa narra a saga do detetive Espinosa, papel de Lázaro Ramos, e da policial Daia, vivida por Thalita Carauta, em solucionar o mistério que envolve a morte do executivo Ricardo, interpretado por Guilherme Fontes, encontrado baleado sentado ao volante de seu carro, no bairro da Urca, no Rio de Janeiro. A primeira atitude da dupla é procurar pela viúva, Bia, papel de Cláudia Abreu. Tudo se complica quando ocorre outro assassinato e pessoas envolvidas no caso começam a desaparecer.

O longa-metragem conta ainda com Mayana Neiva, Otávio Müller, Bruno Gissoni, Anselmo Vasconcelos, entre outros no elenco. E mais: Thalita Carauta recebeu o prêmio de melhor atriz no BRICS Film Festival, realizado na Rússia.

Publicado em 1996, O Silêncio da Chuva, que abre a série de livros do emblemático detetive Espinosa, recebeu os prêmios Nestlé e Jabuti e foi publicado em nove países. Para fazer a transcrição do livro para as telas, Daniel Filho trouxe a história do romântico Bairro Peixoto da década de 1990 para o Rio de Janeiro hostil e chuvoso de 2018.

Foto: M. Vianna.

Bacurau, de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, é indicado ao Gotham Awards 2020

por: Cinevitor

bacuraugotham2020Bárbara Colen em Bacurau: representante brasileiro na disputa.

Foram anunciados nesta quinta-feira, 12/11, os indicados ao 30º Gotham Awards, um dos principais prêmios do cinema independente, organizado pela IFP (Independent Filmmaker Project), que dá início à temporada de premiações.

Os candidatos são selecionados por comitês de críticos de cinema, jornalistas e curadores de festivais. Júris distintos, compostos por roteiristas, diretores, atores, produtores e editores escolhem os vencedores, que serão anunciados no dia 11 de janeiro, em Nova York.

Neste ano, vale destacar a presença do brasileiro Bacurau, de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, na categoria de melhor filme internacional. Sucesso de público e crítica, o longa recebeu o Prêmio do Júri no Festival de Cannes do ano passado.

A cerimônia do IFP Gotham Awards será apresentada ao vivo em formato híbrido com mesas virtuais interativas para seguir os protocolos de saúde e segurança por conta da pandemia de Covid-19. Os homenageados deste ano serão anunciados em breve.

Confira a lista completa com os indicados ao Gotham Awards 2020:

MELHOR FILME
A Assistente, de Kitty Green
First Cow, de Kelly Reichardt
Never Rarely Sometimes Always, de Eliza Hittman
Nomadland, de Chloé Zhao
Relic, de Natalie Erika James

MELHOR DOCUMENTÁRIO
76 Days, de Hao Wu, Weixi Chen e Anonymous
A Thousand Cuts, de Ramona S. Diaz
City Hall, de Frederick Wiseman
Our Time Machine, de S. Leo Chiang e Yang Sun
Time, de Garrett Bradley

MELHOR FILME INTERNACIONAL
Bacurau, de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles (Brasil/França)
Lindinhas, de Maïmouna Doucouré e Denny Shoopman (França)
Martin Eden, de Pietro Marcello (Itália/França/Alemanha)
Sin Señas Particulares (Identifying Features), de Fernanda Valadez (México/Espanha)
Uma Mulher Alta, de Kantemir Balagov (Rússia)
Wolfwalkers, de Tomm Moore e Ross Stewart (Irlanda/Luxemburgo/França)

MELHOR DIREÇÃO REVELAÇÃO | PRÊMIO BINGHAM RAY
Alex Thompson, por Saint Frances
Andrew Patterson, por A Vastidão da Noite
Carlo Mirabella-Davis, por Swallow
Channing Godfrey Peoples, por Miss Juneteenth
Radha Blank, por The Forty-Year-Old Version

MELHOR ROTEIRO
A Vastidão da Noite, escrito por James Montague e Craig Sanger
First Cow, escrito por Jon Raymond e Kelly Reichardt
Fourteen, escrito por Dan Sallitt
Má Educação, escrito por Mike Makowsky
The Forty-Year-Old Version, escrito por Radha Blank

MELHOR ATOR
Chadwick Boseman, por A Voz Suprema do Blues
Jesse Plemons, por Estou Pensando em Acabar com Tudo
John Magaro, por First Cow
Jude Law, por The Nest
Riz Ahmed, por Sound of Metal

MELHOR ATRIZ
Carrie Coon, por The Nest
Frances McDormand, por Nomadland
Jessie Buckley, por Estou Pensando em Acabar com Tudo
Nicole Beharie, por Miss Juneteenth
Yuh-Jung Youn, por Minari

MELHOR ATOR/ATRIZ REVELAÇÃO
Jasmine Batchelor, por Mãe de Aluguel
Kelly O’Sullivan, por Saint Frances
Kingsley Ben-Adir, por One Night in Miami…
Orion Lee, por First Cow
Sidney Flanigan, por Never Rarely Sometimes Always

MELHOR SÉRIE | LONGA
Immigration Nation (Netflix)
Nada Ortodoxa (Netflix)
P-Valley (Starz)
The Great (Hulu)
Watchmen (HBO)

MELHOR SÉRIE | CURTA
Betty (HBO)
Dave (FX Networks)
I May Destroy You (HBO)
Taste the Nation (Hulu)
Work in Progress (Showtime)

Foto: Divulgação/Vitrine Filmes.

Novo Cine PE 2020 anuncia filmes selecionados e edição on-line

por: Cinevitor

mulheroceanoCinePE2020Djin Sganzerla: atriz, diretora e produtora de Mulher Oceano.

Em um ano totalmente atípico por conta da pandemia de Covid-19, o Novo Cine PE – Festival do Audiovisual será um pouco diferente. Prevista inicialmente para o mês de maio, a 24ª edição do festival ganha nova data e será realizada exclusivamente pelo Canal Brasil na televisão e na internet, por meio da plataforma de streaming Canais Globo (antigo Canal Brasil Play), além da TV Pernambuco, uma vez que ainda não é recomendável a realização de eventos presenciais de grande porte.

O formato multiplataforma vai possibilitar que ainda mais pessoas possam ter acesso ao conteúdo do festival, democratizando o acesso ao cinema. Entre os dias 23 e 25 de novembro, a programação do horário nobre do Canal Brasil será ocupada pelos longas-metragens selecionados para a Mostra Competitiva do Novo Cine PE 2020, sendo dois por noite, a partir das 18h, com exibição simultânea no streaming Canais Globo.

Já os 31 curtas escolhidos para as mostras competitivas de curtas-metragens Nacional e Pernambuco ficarão disponíveis on-line para assinantes da plataforma Canais Globo, durante os três dias de festival, o que possibilitará que os cinéfilos assistam às produções nos horários que lhes forem convenientes. As mostras competitivas de curtas ainda serão exibidas na TV Pernambuco, com data a ser definida.

Dos 941 filmes inscritos para as mostras competitivas, número que representa um crescimento de discretos 5,37% em relação ao número de 2019, que foi de 892 filmes, seis títulos, sendo três na categoria ficção e três na categoria documentário, estarão juntos na Mostra Competitiva de longas-metragens; oito títulos na Mostra Competitiva de curtas-metragens pernambucanos; e vinte e três na Mostra Competitiva de curtas nacionais.

A missão de selecionar os curtas e longas das mostras competitivas do Novo Cine PE 2020 ficou nas mãos dos curadores Edu Fernandes, crítico e programador do circuito Cine Materna; e Nayara Reynaud, crítica de cinema, repórter, criadora e editora-chefe do site cultural Nervos. Vale a pena destacar o crescimento da participação de produções pernambucanas. De acordo com Edu Fernandes, foram mais filmes avaliados e com alto grau de qualidade: “Por essa razão, a Mostra Nacional de Curtas abriga mais produções pernambucanas do que nos últimos anos, para poder contemplar as realizações locais que precisam ser vistas. Outro desdobramento dessa maior participação dos produtores locais é a alegria de voltar a ter um longa pernambucano em competição no Novo Cine PE, algo que não acontecia há alguns anos”, comemora o curador.

A ideia dos curadores para a edição 2020 foi compor um retrato mais diverso possível da produção nacional de cinema, com filmes das cinco regiões do país. De acordo com Edu, “o público pode esperar, de alguma forma, se ver na tela. Os temas e abordagens dos filmes da seleção dialogam com diversos assuntos da pauta que a sociedade vem discutindo. Ainda nesse assunto, a mostra de longa tem uma paridade de gêneros entre os diretores e diretoras. Não foi algo que determinamos no começo do processo de curadoria, acabou acontecendo assim e considero mais um aspecto a se comemorar nesta edição do festival”.

O Júri Oficial das mostras competitivas será constituído por cineastas, críticos, pesquisadores e artistas com comprovada experiência, que serão responsáveis por indicar os vencedores do Troféu Calunga em diversas categorias. Além disso, o público irá selecionar os premiados pelo Júri Popular, por meio do aplicativo oficial do festival; a Abraccine, Associação Brasileira de Críticos de Cinema, também reunirá um time para eleger o melhor filme de cada uma das três categorias no Júri da Crítica.

Além da premiação oficial, o Canal Brasil oferece o Prêmio Canal Brasil de Curtas, que tem como objetivo estimular a nova geração de cineastas, contemplando os vencedores na categoria curta-metragem dos mais representativos festivais de cinema do país. Um júri convidado pelo Canal Brasil e composto por jornalistas especializados em cinema escolhe o melhor curta da Mostra Nacional em competição que recebe o troféu e um prêmio no valor de R$ 15 mil.

Sobre as dificuldades para a realização do Novo Cine PE 2020, ano marcado pela pandemia de Covid-19, a diretora e idealizadora do festival, Sandra Bertini, conta que os desafios foram muitos: “Foi um ano desafiador para todos os profissionais que trabalham com eventos presenciais. Tivemos que mergulhar para criar um modelo que atendesse aos realizadores dos filmes, público, patrocinadores e produtores do evento, seguindo todas as normas de segurança. Alteramos o projeto na Lei de Incentivo à Cultura, já que o projeto aprovado antes era no modelo presencial. Mas o mais fácil mesmo foram os realizadores dos filmes. Conversei com todos e 100% deles abraçaram a proposta. Muitas vezes me emocionei com tamanho apoio”, relata.

Embora o formato seja diferente em 2020, a produção do Novo Cine PE fez questão de seguir com a cerimônia de apresentação dos curtas e longas direto do Cinema São Luiz, um dos últimos grandes cinemas de rua do país, tradicional palco do Festival Audiovisual, para manter o clima. A cerimônia foi gravada e será exibida sempre antes dos longas. Quem assume a apresentação do festival, pelo segundo ano consecutivo, é a atriz pernambucana Nínive Caldas.

O festival terá ainda espaço para a formação com seminários realizados de forma on-line e temáticas girando em torno da interrogativa “Como encarar o desafio de empreender e fazer novos negócios num mundo afetado pela pandemia?”. Os encontros virtuais deverão acontecer entre os meses de novembro de 2020 e março de 2021, com divulgação de mais informações em breve.

A Mostra Infantil de Cinema, uma das ações sociais do projeto, só será realizada com o retorno às aulas dos alunos das escolas públicas municipais e estaduais de Pernambuco. Além disso, não haverá artista homenageado neste formato de festival. Para Sandra Bertini, a homenagem só faz sentido com o calor do público: “É uma forma do artista chegar perto do fã, trocar energia. Um momento único tanto para o homenageado quanto para o público. Na edição de 2021 retomamos com os Calungas de Ouro”, explicou.

Conheça os filmes selecionados para o Cine PE – Festival do Audiovisual 2020:

MOSTRA COMPETITIVA | LONGAS-METRAGENS

Ioiô de Iaiá, de Paula Braun (RJ)
Memórias Afro-Atlânticas, de Gabriela Barreto (BA)
Mudança, de Fabiano de Souza (RS)
Mulher Oceano, de Djin Sganzerla (SP)
Nós, que ficamos, de Eduardo Monteiro (PE)
O Buscador, de Bernardo Barreto (RJ)

MOSTRA COMPETITIVA | CURTAS-METRAGENS NACIONAIS

A Casa e o Medo, de Eduardo Aliberti, Henrique Truffi e Valentina Salvestrini (SP)
Baixas Lendas da Classe Média Alta I: Janaína sem-cabeça, de Bruna Schelb Corrêa (MG)
Bonde, de Asaph Luccas (SP)
Celular, de Amanda Treze (PE)
Céu da Boca, de Amanda Treze (SP)
Cidade Natal, de Ana Luísa Mariquito (SP)
Cronofobia, de Luis Calil (GO)
Duda, de Eugenia Castello e William Biagioli (PR)
Estação Aquarius, de Fernando Brandão, Flávia Correia, Jairis Meldrado, Levy Paz, Rayane Góes e Ticiane Simões (AL)
Eu.tempo, de Thaíse Moura (PE)
Ex-Humanos, de Mariana Porto (PE)
Fragile, de Ramon Faria (MG)
Manaus Hot City, de Rafael Ramos (AM)
Metroréquiem, de Adalberto Oliveira (PE)
Neguinho, de Marçal Vianna (RJ)
O Homem das Gavetas, de Duda Rodrigues (SP)
O Que pode um corpo?, de Victor Di Marco e Márcio Picoli (RS)
O Sentinela da Frágil Fortaleza, de Alexandre Vale (CE)
Reagente, de Paulo Copioba (RJ)
Ta Foda, de Aline Golart, Denis Souza, Fernanda Maciel, Icaro Castello, Ligia Torres e Victoria Sugar (RS)
Taoquei?, de Klaus Hastenreiter, Chris Mariani e Clara Ballena (BA)
Vai Melhorar, de Pedro Fiuza (RN)
Vigia – Um Olhar Para a Morte, de Victor Marinho (BA)

MOSTRA COMPETITIVA | CURTAS-METRAGENS PERNAMBUCANOS

Cozinheiras de Terreiro, de Tauana Uchôa
Mata, de Oficina Documentando/Marlom Meirelles
Nimbus, de Marcos Buccini
O Menino que Morava no Som, de Felipe Soares
O Mundo de Clara, de Ayodê França
O Quarto Negro, de Carlos Kamara
Perdidos, de Eduardo Santos e Renata Malta
Presente de Deus, de Daniel Barros

Foto: André Guerreiro Lopes.

Com Marcélia Cartaxo, Pacarrete, de Allan Deberton, ganha trailer e data de estreia

por: Cinevitor

marceliacartaxopacarretetrailerMarcélia Cartaxo: diversos prêmios por Pacarrete.

Estrelado por Marcélia Cartaxo e filmado na cidade de Russas, interior do Ceará, o aguardado Pacarrete, dirigido por Allan Deberton, ganha data de estreia: 26 de novembro. O filme, que seria lançado em abril deste ano, foi adiado por conta da pandemia de Covid-19.

Um dos filmes mais elogiados e festejados pela crítica e pelo público, Pacarrete foi o grande vencedor da 47ª edição do Festival de Cinema de Gramado e foi consagrado com oito kikitos, entre eles, melhor filme e melhor atriz. Exibido em 39 festivais, desde então, já coleciona vinte e sete prêmios ao redor do mundo e, com a definição de sua data de estreia, é elegível e pretende concorrer a uma vaga na categoria de melhor filme internacional do Oscar 2021, como representante brasileiro.

Primeiro longa-metragem de Allan Deberton, Pacarrete aborda questões como a loucura, os desafios de ser artista e o drama da velhice de uma bailarina clássica, que gosta de ser chamada de Pacarrete, que significa margarida em francês. O filme é livremente inspirado na conterrânea do diretor e demorou 12 anos para ser realizado. Foi filmado em sua cidade natal, Russas, no Ceará, tentando colocar na tela todas as lembranças da época: “Fico pensando nas inadequações e em como é triste ter que gritar para ser ouvido, para ser respeitado. Quem assiste ao filme sai modificado, eu tenho certeza, pensando em alguém não muito distante. Pode ser uma vizinha, uma tia, ou um senhor excêntrico. Pacarrete pode ser um estado de espírito. É quando a gente vive quem a gente é”, conta o diretor.

Nascida e criada em Russas, Pacarrete alimentou desde criança o sonho de ser artista e viver a vida na ponta da sapatilha, mesmo sendo de uma cidade conservadora, onde mulher nasceu para casar e ter filhos. Mas é em Fortaleza que ela consegue estar no centro dos holofotes como bailarina clássica e se torna professora de ballet. Com a aposentadoria, ela retorna para sua cidade natal onde pretende continuar seu trabalho artístico, mas só encontra desrespeito à sua arte: em vez de plateias de admiradores e aplausos, ela se defronta com o despeito daqueles que cruzam seu caminho; e a bailarina e professora de outrora se transforma na “louca da cidade”.

Para viver essa mulher que fez da aspiração de ser uma bailarina o objetivo de sua vida, Deberton convidou a premiada atriz paraibana Marcélia Cartaxo, vencedora do Urso de Prata no Festival de Berlim, em 1985, por A Hora da Estrela; sua amiga e colaboradora, ela também atuou e fez preparação de elenco do primeiro curta-metragem de Allan, Doce de Coco: “O Allan teve muita segurança de me convidar, até mesmo porque eu não sou bailarina e nem tenho esse ouvido da personagem para música. A Pacarrete é muito culta: toca piano, fala francês e tem um corpo que fala todo o tempo. Foi um grande desafio de resistência e enfrentamento e fiquei muito feliz porque isso me mostrou que, se eu me esforçar bastante, consigo chegar bem longe”, contou a atriz. Para viver a personagem, Marcélia teve aulas de voz e canto, aprendeu francês e fez aulas de ballet, com a supervisão do coreógrafo Fauller e da bailarina cearense Wilemara Barros.

O elenco principal ainda conta com as elogiadas atrizes paraibanas Zezita Matos e Soia Lira; o ator baiano João Miguel; e os cearenses Rodger Rogério, Débora Ingrid, Samya De Lavor e Edneia Tutti Quinto; além da participação de atores e atrizes da própria cidade. A preparação do elenco é de Christian Duurvoort, que trabalhou em Ensaio Sobre a Cegueira e O Banheiro do Papa.

Com roteiro escrito por Allan Deberton, André Araújo, Samuel Brasileiro e Natália Maia, o filme conta com fotografia de Beto Martins e trilha sonora de Fred Silveira; César Teixeira e Clara Bastos assinam como produtores e Deberton, ao lado de Ariadne Mazzetti, assinam a produção executiva. A distribuição é da Vitrine Filmes.

“Pacarrete é um acontecimento além-filme. É fazer justiça com uma mulher que pedia um palco e dizia, aos berros, que ainda iriam ouvir falar dela. Quando eu vejo a plateia em silêncio, sentindo o filme, tenho certeza que estão pensando na vida, no tempo que passa rápido e em alguém que passou e não tivemos a oportunidade de pedir desculpas. Pacarrete é um detalhe importante pra gente prestar atenção. Quando o filme fez sua estreia em Xangai, no outro lado do mundo, fico pensando aonde a história de Pacarrete conseguiu chegar. E foi lindo em Gramado, e igualmente emocionante em Russas, na praça, quando a cidade parou para assisti-la”, finaliza o diretor.

Assista ao novo trailer de Pacarrete, que chega aos cinemas no dia 26 de novembro:

Foto: Luiz Alves.

Conheça os vencedores da 44ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo

por: Cinevitor

thiessamostraspvenceMenção Honrosa para Thiessa Woinbackk, de Valentina: melhor atriz.

Foram anunciados nesta quarta-feira, 04/11, na área externa do Auditório Ibirapuera, os vencedores da 44ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, que este ano, por conta da pandemia de Covid-19, aconteceu majoritariamente on-line e disponível para todo Brasil. A cerimônia foi apresentada por Serginho Groisman, direto de sua casa, e Renata de Almeida, diretora da Mostra, presencialmente.

Os filmes da Competição Novos Diretores mais votados pelo público foram submetidos ao júri, que foi formado por: Cristina Amaral, uma das principais e mais importantes montadoras do país; Felipe Hirsch, diretor, dramaturgo, cenógrafo e produtor de teatro; e Sara Silveira, nome fundamental da produção cinematográfica brasileira.

Thiessa Woinbackk, que recebeu uma Menção Honrosa por sua atuação em Valentina, subiu ao palco emocionada: “Esse prêmio é muito importante para nós mulheres trans. Sabemos que o Brasil é o país que mais mata travestis e transexuais no mundo e isso aqui é uma vitória nossa. Obrigada, mesmo”, disse sob aplausos.

Joyce Prado, diretora de Chico Rei Entre Nós, subiu ao palco duas vezes: a primeira para receber o prêmio do público de melhor documentário brasileiro; a segunda por uma Menção Honrosa concedida pelo júri oficial. Emocionada, discursou: “Muito honrada em receber esse prêmio. Mais uma vez, dedicando a todas as pessoas que nos antecederam. Chico Rei é sobre isso. É sobre continuidade, é sobre mudança, é sobre possibilidade. Cada vez mais, o cinema tem que ser um lugar possível para a representatividade negra, para nossa historicidade, para nossa perspectiva e para todos os profissionais que estão dia a dia acreditando que é possível ser atuante em uma área que tem tanto desafio e retrocesso. Mas ainda existe o progresso, que está presente também entre esses realizadores e realizadoras negras que estão por aí país afora”.

joycepradomostraspJoyce Prado, diretora de Chico Rei Entre Nós, no palco.

O público da 44ª Mostra também escolhe seu preferidos. A escolha popular é feita por votação: a cada título assistido, o espectador recebia da Mostra Play uma mensagem indicando como votar em uma escala de 1 a 5, sempre ao final do filme. O resultado proporcional dos títulos com maiores pontuações determinou os vencedores.

A Abraccine, Associação Brasileira de Críticos de Cinema, escolheu o melhor filme brasileiro entre os realizados por diretores estreantes. Neste ano, o eleito foi o longa Êxtase, de Moara Passoni. O filme foi escolhido pela inventividade com que equilibra o corpo fílmico e o corpo físico, trazendo novas texturas para um tema raro no cinema brasileiro e ampliando as possibilidades do documentário. Ella Bittencourt, Francisco Carbone e Juliana Costa formaram o júri Abraccine. Além disso, a imprensa especializada que cobre o evento e tradicionalmente confere o Prêmio da Crítica, também participou da premiação.

Todos os diretores que tiveram títulos selecionados para a Mostra Brasil poderiam inscrever um novo projeto para concorrer a um prêmio oferecido pelo Projeto Paradiso, uma iniciativa do Instituto Olga Rabinovich. A bolsa, no valor de R$30 mil, é destinada ao roteirista do projeto em fase de desenvolvimento e inclui ainda mentorias, coaching para o produtor, workshop de audiência e participação em mercados internacionais. O projeto premiado neste ano foi Neuros, de Guilherme Coelho.

Dois Prêmios Humanidade foram entregues nesta noite: um para os funcionários da Cinemateca Brasileira, que fizeram um discurso emocionante; e o outro para o documentarista americano Frederik Wiseman. Já o Prêmio Leon Cakoff foi entregue à produtora Sara Silveira. A solenidade também contou com a presença do diretor Walter Salles, que recebeu o Prêmio da FIAF, Federação Internacional de Arquivos de Filmes, órgão que reúne cinematecas do mundo todo.

Confira a lista completa com os vencedores da 44ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo:

TROFÉU BANDEIRA PAULISTA 2020 | JÚRI INTERNACIONAL

Melhor Ficção: Eyimofe (Esse é o Meu Desejo), de Arie Esiri e Chuko Esiri (Nigéria)
Melhor Documentário: 17 Quadras, de Davy Rothbart (EUA)
Menção Honrosa | Atriz: Thiessa Woinbackk, por Valentina, de Cássio Pereira dos Santos
Menção Honrosa: Chico Rei Entre Nós, de Joyce Prado

PRÊMIO DO PÚBLICO

Melhor Ficção Brasileira: Valentina, de Cássio Pereira dos Santos
Melhor Documentário Brasileiro: Chico Rei Entre Nós, de Joyce Prado
Melhor Ficção Internacional: Não Há Mal Algum (Sheytan vojud nadarad), de Mohammad Rasoulof (Irã/Alemanha/República Tcheca)
Melhor Documentário Internacional: Welcome to Chechnya, de David France (EUA)

PRÊMIO ABRACCINE

Melhor Filme Brasileiro: Êxtase, de Moara Passoni

PRÊMIO DA CRÍTICA

Melhor Filme Brasileiro: Glauber, Claro, de César Meneghetti
Melhor Filme Estrangeiro: Mosquito, de João Pinto Nuno (Portugal/Brasil/França)

PRÊMIO INCUBADORA PARADISO 2020

Neuros, de Guilherme Coelho

*Clique aqui e assista à premiação no YouTube.
*Clique aqui e confira os filmes que participarão da repescagem.

Foto: Mario Miranda Filho/Agência Foto.

Exclusivo: confira uma cena de O Barco, novo filme de Petrus Cariry

por: Cinevitor

obarcocenacinevitorRômulo Braga e Samya de Lavor no filme: estreia nos cinemas!

Vencedor de quatro prêmios na 28ª edição do Festival Cine Ceará, entre eles, melhor filme pelo júri Olhar Universitário, O Barco, de Petrus Cariry, chega aos cinemas nesta quinta-feira, 05/11, pela Sereia Distribuidora.

No filme, Esmerina, papel de Verônica Cavalcanti, é mãe de 26 filhos, cada um chamado por uma letra do alfabeto. A família leva uma vida pacata em uma vila de pescadores até que um barco naufraga trazendo Ana, vivida por Samya de Lavor, uma misteriosa mulher que vai mudar a rotina da família. O mais afetado é o filho A, interpretado por Rômulo Braga, o mais velho da prole, que desperta para a vontade de romper com o lugar onde passou sua vida inteira para, finalmente, conhecer o mundo. O elenco ainda conta com a participação dos atores paraibanos Everaldo Pontes, que interpreta um velho sábio da vila; e Nanego Lira, como o patriarca da família.

A história é inspirada no conto homônimo do escritor cearense Carlos Emílio Corrêa Lima, que foi adaptado para o cinema pelo próprio diretor em parceria com Rosemberg Cariry e Firmino Holanda (também montador do filme). A produção executiva é de Bárbara Cariry, a direção de produção de Teta Maia e a trilha sonora original de João Victor Barroso. O Barco foi filmado durante quatro semanas no cenário paradisíaco da Praia das Fontes, reunindo uma equipe técnica formada, em sua maioria, por profissionais cearenses.

Além de diretor, roteirista e montador, Petrus também assina a direção de fotografia, trabalho que foi premiado no Islantilla Cineforum (Espanha), no 3º Rivne International Film Festival (Ucrânia), no Rio Fantastik Festival (Brasil), no  Festicini 2018 – Festival Internacional de Cinema Independente (Brasil) e no 13º Encontro Nacional de Cinema dos Sertões (Brasil). O longa também foi exibido em festivais e mostras dos Estados Unidos, Alemanha, Itália, Nigéria, México, Chile, Colômbia e Portugal.

Confira, com exclusividade no CINEVITOR, uma cena de O Barco, com Rômulo Braga e Samya de Lavor:

Foto: Petrus Cariry.

Marighella, de Wagner Moura, ganha trailer e data de estreia

por: Cinevitor

marighellatrailer1cinevitorSeu Jorge interpreta o guerrilheiro que se tornou o principal inimigo da ditadura militar brasileira.

Depois de estrear no Festival de Berlim do ano passado, fora de competição, Marighella, dirigido por Wagner Moura, teve seu lançamento comercial adiado no Brasil por conta da pandemia de Covid-19.

Enquanto isso, passou por diversos festivais mundo afora: Seattle, Hong Kong, Sydney, Santiago, Havana, Istambul, Atenas, Estocolmo, Cairo; entre cerca de 30 exibições em países dos cinco continentes. Agora, o primeiro longa-metragem de Wagner Moura como diretor ganhou uma nova data de estreia por aqui: 14 de abril de 2021.

Marighella traz no elenco Seu Jorge, no papel título; além de Bruno Gagliasso, Luiz Carlos Vasconcellos, Herson Capri, Humberto Carrão, Adriana Esteves, Bella Camero, Maria Marighella, Ana Paula Bouzas, Carla Ribas, Tuna Dwek, Jorge Paz, entre outros. O longa conta a história dos últimos anos de Carlos Marighella, guerrilheiro que liderou um dos maiores movimentos de resistência contra a ditadura militar no Brasil, na década de 1960.

Comandando um grupo de jovens guerrilheiros, Marighella tenta divulgar sua luta contra a ditadura para o povo brasileiro, mas a censura descredita a revolução. Seu principal opositor é Lucio, policial que o rotula de inimigo público nº 1. Quando o cerco se fecha, o próprio Marighella é emboscado e morto, mas seus ideais sobrevivem nas ações dos jovens guerrilheiros, que persistem na revolução.

Neste ano, o filme foi premiado no CinEuphoria Awards na categoria de melhor ator coadjuvante para Bruno Gagliasso, que interpreta o policial Lucio; além disso, recebeu mais três indicações. Já no Mill Valley Film Festival, levou o prêmio do público de melhor filme.

O longa, rodado na Bahia, São Paulo e Rio de Janeiro, tem produção da O2 Filmes e coprodução da Globo Filmes e Maria da Fé; a distribuição é da Paris Filmes.

Assista ao trailer oficial de Marighella:

Foto: Divulgação.

Repescagem da 44ª Mostra de São Paulo: conheça os filmes selecionados

por: Cinevitor

diasmostrasprepescagemKang-sheng Lee no filme Dias, de Tsai Ming-Liang.

A partir desta quinta-feira, 05/11, começa a repescagem da 44ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, uma nova chance para o público assistir aos filmes que se destacaram nesta edição.

Diferente dos outros anos, as sessões não serão presenciais, por conta da pandemia de Covid-19, e os títulos estarão disponíveis até o dia 8 de novembro na plataforma Mostra Play. Vale lembrar que o filme ficará disponível na biblioteca por até três dias, mas, a partir do momento que o espectador começa a assisti-lo, terá 24 horas para terminá-lo.

A seleção traz cerca de 130 títulos, entre eles, alguns finalistas ao Troféu Bandeira Paulista, como: os brasileiros Filho de Boi, de Haroldo Borges; Mar de Dentro, de Dainara Toffoli; e Valentina, de Cássio Pereira dos Santos. O português Mosquito, de João Nuno Pinto, uma coprodução entre França e Brasil, também estará disponível.

Conheça os filmes selecionados para a repescagem da 44ª Mostra de São Paulo:

#EAGORAOQUE, de Jean-Claude Bernardet e Rubens Rewald
17 QUADRAS, de Davy Rothbart
499, de Rodrigo Reyes
9,75, de Uluç Bayraktar
A DEUSA DOS VAGALUMES, de Anaïs Barbeau-Lavalette
A MARINA, de Étienne Galloy e Christophe Levac
A MORTE DO CINEMA E DO MEU PAI TAMBÉM, de Dani Rosenberg
A PASTORA E AS SETE CANÇÕES, de Pushpendra Singh
A SANTA DO IMPOSSÍVEL, de Marc Wilkins
A TERRA É AZUL COMO UMA LARANJA, de Iryna Tsilyk
A VIDA NA ESTRADA, de Adnan Faroq, Sidra Rezwan, Ekhlas Heydar Samubud e Salva Soleiman Sedo
AL-SHAFAQ – QUANDO O CÉU SE DIVIDE, de Esen Isik
ANA. SEM TÍTULO, de Lúcia Murat
ANERCA, RESPIRAÇÃO DA VIDA, de Markku Lehmuskallio
ANIMA, de Reza Golchin
AO ENTARDECER, de Sharunas Bartas
APENAS MORTAIS, de Liu Ze
AS ÓRBITAS DA ÁGUA, de Frederico Machado
AS VEIAS DO MUNDO, de Byambasuren Davaa
ASSIM COMO ACIMA, ABAIXO, de Sarah Francis
ASSIM DESSE JEITO, de Kislay
BEANS, de Tracey Deer
BERLIN ALEXANDERPLATZ, de Burhan Qurbani
CALAZAR, de Janis Rafa
CAMINHANDO CONTRA O VENTO, de Shujun Wei
CASULO, de Leonie Krippendorff
CAVALEIRO DE VERÃO, de Xing YOU
CHICO VENTANA TAMBÉM QUERIA TER UM SUBMARINO, de Alex Piperno
CICLO SOLITÁRIO, de Qi Zhang
CIDADE PÁSSARO, de Matias Mariane
CORRENDO PARA O CÉU, de Mirlan Abdykalykov
CORVOS, de Naghi Nemati
COZINHAR F*DER MATAR, de Mira Fornay
CRIANÇAS DO SOL, de Majid Majidi
DE VOLTA A VISEGRAD, de Julie Biro e Antoine Jaccoud
DENTE POR DENTE, de Julio Taubkin e Pedro Arantes
DEZESSEIS PRIMAVERAS, de Suzanne Lindon
DIAS, de Tsai Ming-Liang
EM MEUS SONHOS, de Murat Çeri
ENTRE CÃO E LOBO, de Irene Gutiérrez
ENTRE MORTES, de Hilal Baydarov
EQUINÓCIO, de Lena Knauss
ESPACATE, de Christian Johannes Koch
ESTAVA CHOVENDO PÁSSAROS, de Louise Archambault
ÊXTASE, de Moara Passoni
EYIMOFE (ESSE É MEU DESEJO), de Arie Esiri e Chuko Esiri
FEELS GOOD MAN, de Arthur Jones
FILHO DE BOI, de Haroldo Borges
GATO NA PAREDE, de Mina Mileva e Vesela Kazakova
GÊNERO, PAN, de Lav Diaz
GLAUBER, CLARO, de César Meneghetti
HAVEL, de Slávek Horák
IMPEDIMENTO EM CARTUM, de Marwa Zein
IRMÃ, de Luciana Mazeto e Vinícius Lopes
JANTAR NA AMÉRICA, de Adam Rehmeier
JOSEP, de Aurélien Froment
KAIRÓS, de Nicolás Buenaventura Vidal
KUBRICK POR KUBRICK, de Grégory Monro
LA FRANCISCA, UNA JUVENTUD CHILENA, de Rodrigo Litorriaga
LABIRINTO YO’EME, de Sergi Pedro Ros
LAMAÇAL, de Franco Verdoia
LIMIAR, de Rouzbeh Akhbari e Felix Kalmenson
LORELEI, de Sabrina Doyle
LUA VERMELHA, de Lois Patiño
MÃE DE ALUGUEL, de Jeremy Hersh
MÃES DE VERDADE, de Naomi Kawase
MALMKROG, de Cristi Puiu
MAMÃE, MAMÃE, MAMÃE, de Sol Berruezo Pichon-Riviére
MAR DE DENTRO, de Dainara Toffoli
MASTERS IN SHORT (curtas-metragens), de Sergei Losnitza, Jia Zhang-ke, Evan Johnson, Galen Johnson, Guy Maddin e Jafar Panahi
MATE-O E DEIXE ESTA CIDADE, de Mariusz Wilczyński
MATRIARCA, de Jure Pavlovic
MEU CORAÇÃO SÓ IRÁ BATER SE VOCÊ PEDIR, de Jonathan Cuartas
MEU REMBRANDT, de Oeke Hoogendijk
MINHA IRMÃ, de Stéphanie Chuat e Véronique Reymond
MISS MARX, de Susanna Nicchiarelli
MOSQUITO, de João Pinto Nuno
MULHER OCEANO, de Djin Sganzerla
MURMÚRIO, de Heather Young
NADANDO ATÉ O MAR SE TORNAR AZUL, de Jia Zhang-ke
NADIA, BORBOLETA, de Pascal Plante
NÃO HÁ MAL ALGUM, de Mohammad Rasoulof
NARIZ SANGRANDO, BOLSOS VAZIOS, de Bill Ross e Turner Ross
NAS ASAS DA PAN AM, de Silvio Tendler
NEM HERÓI NEM TRAIDOR, de Nicolás Savignone
NHEENGATU, de José Barahona
NOSSA SENHORA DO NILO, de Atiq Rahimi
NOTTURNO, de Gianfranco Rosi
NÚMEROS, de Oleg Sentsov e Akhtem Seitablaev
O ANO DA MORTE DE RICARDO REIS, de João Botelho
O CHARLATÃO, de Agnieszka Holland
O CLUBE VINLAND, de Benoit Pilon
O NARIZ OU A CONSPIRAÇÃO DOS DISSIDENTES, de Andrey Khrzhanovsky
O NEON ATRAVÉS DO OCEANO, de Matthew Victor Pastor
O PERGAMINHO VERMELHO, de Nelson Botter Jr
O PROBLEMA DE NASCER, de Sandra Wollner
O SÉCULO 20, de Matthew Rankin
O TREMOR, de Balaji Vembu Chelli
O ÚLTIMO BANHO, de David Bonneville
OLLIVER HAWK, O HIPNOTIZADOR, de Arthur Franck
ORDEM MORAL, de Mário Barroso
OS NOMES DAS FLORES, de Bahman Tavoosi
PAISAGEM NA SOMBRA, de Bohdan Sláma
PANQUIACO, de Ana Elena Tejera
PARI, de Siamak Etemadi
PIEDRA SOLA, de Alejandro Telemaco Tarraf
PRAZER, CAMARADAS!, de José Filipe Costa
PROBLEMAS COM A NATUREZA, de Illum Jacobi
QUANDO A LUA ESTAVA CHEIA, de Narges Abyar
QUANDO ANOITECE, de Braden King
REBELDES DE VERÃO, de Martina Saková
ROSE INTERPRETA JULIE, de Christine Molloy e Joe Lawlor
SANGUINETTI, de Christian Díaz Pardo
SEM RESSENTIMENTOS, de Faraz Shariat
SEM VOZ, de Pascal Rabaté
SHIRLEY, de Josephine Decker
SILÊNCIO E PÔR DO SOL, de Kazufumi Umemura
SPORTIN’ LIFE, de Abel Ferrara
STARDUST, de Gabriel Range
SUMMERTIME, de Carlos López Estrada
SUOR, de Magnus von Horn
TODAS AS MELODIAS, de Marco Abujamra
UM CRIME EM COMUM, de Francisco Marquez
UM DIA COM JERUSA, de Viviane Ferreira
UMA MÁQUINA PARA HABITAR, de Yoni Goldstein
VALENTINA, de Cássio Pereira dos Santos
VERÃO BRANCO, de Rodrigo Ruiz Patterson
VIVOS, de Ai Weiwei
WALDEN, de Bojena Horackova
XEQUE MATE, de Bruna Piantino

*Os títulos da repescagem da 44ª Mostra só poderão ser vistos até as 23h59 do dia 8 de novembro.

Foto: Divulgação.

Entrevista: ator Welket Bungué fala sobre Berlin Alexanderplatz, exibido na 44ª Mostra de São Paulo

por: Cinevitor

berlinwelket4Welket Bungué: protagonista em cena.

Exibido na Competição do Festival de Berlim deste ano, Berlin Alexanderplatz, de Burhan Qurbani, é baseado no romance homônimo escrito por Alfred Döblin. O longa, que disputou o Urso de Ouro, foi premiado no German Film Awards em cinco categorias, no Festival de Roterdã e também no Stockholm Film Festival.

Destaque da Perspectiva Internacional da 44ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, a trama se passa quando Francis, interpretado por Welket Bungué, é resgatado no litoral do sul da Europa e faz um juramento a Deus: de agora em diante, será um novo homem; um homem melhor e decente. Agora, Francis está em Berlim, onde se dá conta de como é difícil ser justo quando você é um refugiado ilegal na Alemanha; sem papéis, sem uma nação e sem autorização para trabalhar.

Ele, então, recebe uma oferta de trabalho de Reinhold, papel de Albrecht Schuch, um carismático alemão, com a promessa de conseguir dinheiro fácil. Francis, inicialmente, resiste à tentação, mantém seu juramento e se afasta dos negócios obscuros de Reinhold. Mas, eventualmente, ele se vê imerso no submundo de Berlim e sua vida fica totalmente fora de controle.

Para falar mais sobre o filme, conversamos por e-mail com o protagonista Welket Bungué, que foi premiado por sua atuação no Stockholm Film Festival. Nascido em Guiné-Bissau, também atuou em diversas produções brasileiras. Confira:

Berlin Alexanderplatz é baseado no romance homônimo de Alfred Döblin. A história já tinha sido adaptada para os cinemas, em 1931, por Phil Jutzi e também por Rainer Werner Fassbinder, na década de 1980, para uma série televisiva. Você já conhecia essas outras versões? Se não conhecia, chegou a ir atrás para buscar alguma referência? Como foi o seu trabalho de construção do personagem Francis?

Na verdade, eu somente ouvi falar do romance depois que fui contactado pela produtora alemã Sommerhaus, em abril de 2017. Depois disso, envolvi-me mais com o conceito criativo do Burhan para esta nova adaptação do romance do Alfred Döblin. Para encarnar o personagem assisti bastante filmes e, sobretudo, me conscientizei profundamente sobre as dinâmicas político-sociais que me influenciaram durante as minhas idas ao Brasil, e para outros quadrantes internacionais. Na verdade, sendo eu um artista internacionalizado, já tinha vivenciado algumas situações semelhantes às vividas pelo meu personagem no filme. E refiro-me a situações de injustiça social, ou mesmo de descriminação por preconceitos vários. Lembro-me de ler James Baldwin e de ver o filme Beasts of No Nation, e isso fortaleceu muito o meu imaginário do background do Franz B. Mas, este filme foi especialmente desafiador porque falo alemão em mais de 65% da trama, e até então eu não tinha nenhuma familiaridade nem com a língua nem cultura alemãs. Por isso, precisei de aprender alemão durante cerca de cinco meses.

berlinwelket2Welket Bungué e Albrecht Schuch em cena.

Como você chegou nesse projeto? E como foi o entrosamento com o elenco e com o diretor no set?

Esse projeto chegou até mim em 2017, em abril, logo após regressar ao Rio de Janeiro vindo do Festival de Berlim onde estivemos em competição com o filme Joaquim, de Marcelo Gomes. Recebi um e-mail maioritariamente escrito em alemão e em inglês, e de início até desconfiei que fosse spam. Depois disso, confirmou-se que era coisa séria, mas precisei fazer uma self tape para me apresentar para o diretor e para a produção. Depois, em outubro de 2017, sensivelmente, pude conhecer o diretor no contexto de casting ao vivo, onde igualmente conheci meus colegas Jella e Albrect. Penso que nesse momento, a química entre esse grupo triádico foi consensual e o diretor e o fotógrafo Yoshi perceberam que o filme começava a ganhar corpo e rostos vivos. Posteriormente, nos reunimos cada vez mais para discutir a origem do Francis, que acabou por ser assumidamente da Guiné-Bissau e não mais da Nigéria. O filme foi rodado entre maio e julho de 2018 na Alemanha e depois ainda filmei as cenas passadas em solo africano na África do Sul (Cape Town), em dezembro de 2018. A uma fusão de cumplicidade e de afeto ao longo do filme, que foi abençoada com a humanidade do nosso diretor Burhan Qurbani, e, claro, com a equipe que ele tem trabalhado desde o seu primeiro longa-metragem. Em especial, a minha performance no papel de Francis é muito iluminada pela parceria forte e constante do Albrecht Schuch, que interpreta Reinhold.

Berlin Alexanderplatz participou da Competição Oficial do Festival de Berlim deste ano e disputou o Urso de Ouro. Depois disso, foi premiado no German Film Awards. Pra você, como protagonista, qual a importância dessas participações em festivais e como isso afeta sua carreira?

O filme teve um lançamento até bastante gracioso tendo em conta que estamos a viver um ano atípico. Depois da Berlinale, tivemos 11 nomeações técnicas e artísticas no German Film Awards, das quais fomos premiados em cinco categorias. Foram momentos de grande emoção e que eu considero de grande prestígio para todos os envolvidos. Percebemos que o filme tem qualidade e que o júri viu com dedicação. Atribui-nos uma grande responsabilidade perante aquele que veio a ser o entendimento e comunicação do filme perante o público alemão dali em diante. Eu, sendo um cidadão natural da Guiné-Bissau, crescido e formado em Portugal, e agora a circular por todo o mundo, ver-me nomeado naquilo que é, à falta de melhor termo, a primeira liga de atores e atrizes alemães, é um grande marco para a minha trajetória artística. Mas, também do ponto de vista da minha autoestima, dos meus objetivos pessoais e de como se configura a paisagem humana no que toca à representatividade na indústria do cinema europeu. A Academia Alemã veio dar-me um selo de qualidade que poderá ser observado por um público internacional e isso deixa-me bastante feliz e curioso para ver o que se seguirá no futuro.

berlinwelket3Dupla em cena: Welket Bungué e Jella Haase.

Você recentemente ganhou uma sessão especial na Mostra CineBH com a exibição de alguns de seus trabalhos. Ao mesmo tempo, participava da Mostra de São Paulo com Berlin Alexanderplatz. Estes eventos ganharam uma abrangência ainda maior este ano por conta do formato on-line. Como foi a repercussão disso tudo para você? E qual a sua relação com o Brasil, visto que já participou de algumas produções nacionais como Corpo Elétrico e Joaquim?

As repercussões a esse respeito têm sido bastante generosas. Tenho conseguido alcançar um público mais amplo e verdadeiramente interessado nos conteúdos e temáticas abordadas na minha filmografia. E isso não tem preço! É um tipo de dinâmica que, para um artista independente, ainda não representado por nenhum produtor ou galeria de arte, é praticamente incansável em tão pouco tempo. É claro que o mediatismo associado ao meu trabalho como ator internacionalizado ajuda a alcançar uma maior amplitude de público, mas isso é um trabalho muito árduo. No entanto, sinto que com o formato on-line e pelas pessoas estarem mais sequiosas de consumir conteúdos com substância e profundidade, que isso ajudou-me a encontrar um nicho de pessoas ou de entusiastas que entendem e discutem mais os filmes que tenho produzido até aqui. Aparentemente sentimo-nos todos “periferizados” e as linguagens do meu “cinema de autorrepresentação” conseguem agora tocar mais as pessoas, porque há uma diluição de contextualizações sociopolíticas que acabam por de alguma maneira igualar-nos no sentido humano do termo. No entanto, a minha relação com o Brasil e o seu cinema ainda tem muito para dar. Isto é, aguardo a estreia do filme A Travessia de Pedro, de Laís Bodanzky, e A Matéria Noturna, de Bernard Lessa. Tomara que em 2021 possamos estar numa grandiosa estreia com um desses filmes!

Fotos: Divulgação.

28º Festival Mix Brasil anuncia filmes internacionais e atrações especiais

por: Cinevitor

mixbrasildragkidsQueen Lactatia no documentário Drag Kids, de Megan Wennberg.

O 28° Festival Mix Brasil, maior evento cultural dedicado à diversidade da América Latina e um dos maiores do mundo, acontecerá entre os dias 11 e 22 de novembro em formato on-line e gratuito. Algumas sessões presenciais acontecerão no CineSesc, assim como espetáculos teatrais no Centro Cultural da Diversidade e exposição em diversos centros culturais de São Paulo, com um número limitado de espectadores e respeitando os protocolos de segurança por conta da pandemia de Covid-19.

Com direção de André Fischer e direção executiva de Josi Geller, a programação do Festival Mix Brasil de Cultura da Diversidade traz 101 filmes, de 24 países, espetáculos de teatro, música, seminário de literatura, laboratório audiovisual, mesas sobre temas relevantes para comunidade LGBTQIA+, artes visuais e o já tradicional Show do Gongo. Tudo estará disponível na plataforma do Mix Brasil (clique aqui). Este ano, a homenageada com o prêmio Ícone Mix será a drag queen Marcia Pantera, criadora do movimento bate-cabelo e destaque em diversos filmes do cinema nacional, como Corpo Elétrico.

“Iremos sentir falta do calor humano e dos encontros antes das sessões, mas o lado bom é a democratização do conteúdo do festival, pois esse ano estaremos em todo Brasil”, observa Josi Geller. Para Fischer, a edição deste ano busca trazer uma mensagem de força e sorte como estímulo, para lembrar que tudo que está acontecendo vai passar e que sairemos mais fortes: “Encontramos essa potência na imagem da figa, símbolo-gesto europeu apropriado pelas religiões brasileiras de matriz africana. A comunicação visual desse ano surge a partir de trabalho original de Felippe Moraes, que o reproduziu especialmente para o festival nas mãos de diversas pessoas”; o resultado é uma exposição de fotografias em grandiosos lambe-lambes, que estará em diversos centros culturais de São Paulo.

mixbrasilverao85Benjamin Voisin e Félix Lefebvre em Verão de 85, de François Ozon.

O festival abrirá no dia 11/11, quarta-feira, às 20h, com uma cerimônia totalmente on-line, que contará com um pocket show da cantora Linn da Quebrada seguido da exibição do premiado filme argentino As Mil e Uma (Las Mil y Una), de Clarisa Navas, inédito no Brasil e selecionado para a mostra Panorama do Festival de Berlim. O longa faz um retrato contemporâneo da periferia da cidade argentina de Corrientes, onde Iris conhece Renata, uma mulher jovem com um passado difícil, e imediatamente se sente atraída por ela. Iris e seus amigos superam medos e lutam contra a intolerância ao seu redor para viverem seus primeiros amores e experiências sexuais. O filme ficará disponível na plataforma do festival a partir do término do show.

Uma seleção de grandes filmes que passaram pelos principais festivais de cinema do mundo marca o Panorama Internacional, seção organizada por João Federici, diretor de programação do Mix Brasil. Inéditos no Brasil, os destaques são: o drama Verão de 85 (Été 85), de François Ozon, que disputou a Concha de Ouro no Festival de San Sebastián; The World to Come, de Mona Fastvold, vencedor do Queer Lion no Festival de Veneza deste ano e exibido em San Sebastián, protagonizado por Katherine Waterston e Vanessa Kirby; I Carry You with Me, de Heidi Ewing, que levou o Prêmio do Público no Festival de Sundance; a comédia dramática Saint-Narcisse, de Bruce La Bruce, que recebeu o Graffetta d’Oro no Festival de Veneza; Lingua Franca, de Isabel Sandoval, grande vencedor do Queer Lisboa 2020; o drama Suk Suk, de Ray Yeung, exibido no Festival de Berlim e premiado no Hong Kong Film Awards.

mixbrasiltheworldtocomeKatherine Waterston e Vanessa Kirby em The World to Come, de Mona Fastvold.

A lista segue com: Shiva Baby, comédia dirigida por Emma Seligman, exibida no Festival de Toronto e premiada no L.A. Outfest na categoria de melhor roteiro; o documentário Pequena Garota (Petite fille), de Sébastien Lifshitz, premiado no Festival de Chicago e exibido em Berlim; a comédia australiana Ellie & Abbie (& Ellie’s Dead Aunt), de Monica Zanetti; o drama argentino Emilia, de César Sodero, destaque do Festival de Roterdã; Cured, de Patrick Sammon e Bennett Singer, eleito pelo público como o melhor documentário do Frameline Film Festival; o chileno A Morte Virá e Levará Seus Olhos (Vendrá la Muerte y Tendrá Tus Ojos), de José Luis Torres Leiva, premiado no Mar del Plata Film Festival e exibido em San Sebastián e no IndieLisboa; e o documentário A Cidade Era Nossa (De stad was van ons), de Netty van Hoorn, documentário sobre o movimento lésbico holandês nos anos 1970.

E mais: o romance chileno Caminhos Esquecidos (La Nave del Olvido), de Nicol Ruiz Benavides; 7 minutes, de Ricky Mastro; o documentário Sempre Amber (Always Amber), de Hannah Reinikainen Bergenman e Lia Hietala, exibido em Berlim; Cigarra (Cicada), de Matthew Fifer e Kieran Mulcare, premiado no NewFest: New York’s LGBT Film Festival; o documentário Drag Kids, de Megan Wennberg, exibido no Hot Docs; e o chileno Los Fuertes, de Omar Zúñiga Hidalgo, exibido no Festival de Gramado deste ano e premiado no L.A. Outfest.

mixbrasilosfortesSamuel González e Antonio Altamirano em Los Fuertes, de Omar Zúñiga Hidalgo.

A Mostra Competitiva de filmes brasileiros, divulgada anteriormente, reúne nove títulos em uma seleção fortemente marcada pelas investigações das afetividades e identidades da população LGBTQIA+. Entre os concorrentes ao Coelho de Ouro, a maioria fará sua première nacional no festival. Além disso, quatro documentários relatam as vivências de diferentes populações ignoradas ou marginalizadas do nosso país no panorama Vozes do Brasil Real. Clique aqui e relembre os selecionados.

Já os curtas metragens contam com uma Mostra Competitiva com 13 filmes, de 7 estados, além de outros 48 trabalhos nacionais e 20 estrangeiros. Os 13 programas temáticos de curtas trarão temas como Corpos Cênicos, Golden Girls & Boys, Identidade e Política, Inconciliáveis, Mix Jovem, Mulheres Alfa, Nós Duas, Sagrades, Sexy Boyz 2020, SP Mix, Tensão em Família e Crescendo com a Diversidade, destinado ao público de todas as idades. Clique aqui e confira a seleção.

O júri da Mostra Competitiva Brasil de longas será formado por: Gil Baroni, diretor de Alice Júnior, grande vencedor do Mix do ano passado; a cineasta Livia Perez; e a apresentadora da TV Cultura, Adriana Couto. A Mostra Competitiva Brasil de curtas terá no júri: a atriz Bruna Linzmeyer; o artista e realizador Asaph Luccas; e a cineasta Carol Markowicz.

mixbrasilcigarraSheldon D. Brown e Matthew Fifer em Cigarra.

O Mix Talks, com produção de Gustavo Koch e mediação de Ali Prando, que também são co-curadores do evento, promove a sexta edição da conferência que ganha nova roupagem com o objetivo de aproximar o público de discussões muitas vezes restritas a ambientes acadêmicos. A lista reúne convidados como as cantoras Jup do Bairro e Marina Lima, a intelectual Joanna Burigo, o ativista Victor Di Marco, personalidades como Erika Palomino, atual diretora do CCSP, Centro Cultural São Paulo, e Daniel Nolasco, diretor do longa-metragem Vento Seco. Ao todo, 18 convidados vão se revezar nas conversas. Entre os temas, questões como decolonialidade na arte, a cultura ballroom e até mesmo a cantora Madonna, que inspira um painel sobre envelhecimento e mídia. Se Toque: O Corpo Feminino Além da Erotização, mesa de feminismo que tem a curadoria e produção de Vanessa Siqueira e mediação da Bárbara Falcão, com Gabriela Garcia, Gaia Qav e Márcia Zuliane, completa a programação.

No momento em que o distanciamento social é necessário, o Show do Gongo será transmitido on-line e ao vivo no dia 16 de novembro direto do Centro Cultural da Diversidade para todo o Brasil. A dinâmica continua a mesma: desapegados realizadores apresentam seus vídeos para o julgamento do público do Mix Brasil, cabendo à fabulosa Marisa Orth gongar ou não.

O Mix Music apresenta, nesta edição on-line, shows viscerais, ao vivo, com artistas importantes da cena LGBTQIA+, como: Linn da Quebrada, Bia Ferreira, Jaloo e Martte. Já o Mix Literário, que conta com curadoria de Alexandre Rabello, chega a sua terceira edição trazendo mesas com a participação de nomes fundamentais do mercado editorial nacional, autores e editores que discutem o lugar da comunidade LGBTQIA+ na produção literária. Entre os destaques estão: Luiz Fernando Prado Uchôa e Jordhan Lessa; Beatriz RGB; Itamar Vieira Junior e Marco Severo; Francisco Mallmann, Mike Sullivan, Natalia Borges Polesso e Maya Falks. O evento também lança, em parceria com a editora Reformatório, o Prêmio Caio Fernando Abreu de Literatura, destinado à publicação em livro inédito focado na diversidade, além de premiar com o troféu Coelho de Prata uma obra publicada em livro físico entre outubro de 2019 e setembro de 2020, cuja narrativa se relacione a vivências e questões específicas da comunidade LGBTQIA+.

mixbrasilbrucelabruceFélix-Antoine Duval em Saint-Narcisse, de Bruce La Bruce.

A parte teatral do Mix traz a primeira edição do Prêmio Dramática. Seis textos inéditos, selecionados a partir de um edital, concorrerão ao Coelho de Ouro (Prêmio do Júri) e Coelho de Prata (Prêmio do Público). As apresentações, que seguirão todos os protocolos sanitários, serão ao vivo com presença de público limitado no Centro Cultural da Diversidade e transmitidas para todo o país. Os concorrentes são: Wonder! Vem pra Barra Pesada!, de Rafael Carvalho e Wallie Ruy; Meta-Me – Um Dossiê de Ode ao Júbilo, solo de Bruno Canabarro; MINI-BIUs, BILs, BIOs, com Andreya Sá e Carlos Jordão e direção de Marina Mathey; O Armário Normando, com direção e performance de Janaina Leite e André Medeiros Martins, do Grupo XIX; Rainha, de Guilherme Gonzalez e atuação de Sérgio Rufino; e Vírus Manifesto – Onde Estão os Meus Chinelos?!…, de Davi Parizotti e direção de Thiago Sak.

A 5ª edição do MixLab Spcine, encontro que visa o intercâmbio de experiências e relações profissionais na área cinematográfica, será totalmente on-line e abre com uma masterclass do cineasta Esmir Filho. O evento conta ainda com mesas como Criação e produção de audiovisual LGBTQIA+ independente em tempos de pandemia e Produção de conteúdo LGBTQIA+ na cidade de São Paulo. A parceria com a Spcine também é representada por uma vitrine exclusiva de destaques do festival, que será exibida dentro da plataforma Spcine Play durante 90 dias a partir do início do evento.

Uma série de fotografias em grandiosos lambe-lambes, desenvolvidas pelo artista Felippe Moraes, com o gesto da Figa, identidade visual da 28ª edição do Mix, que pela primeira vez não tem uma palavra como tema, estará em exposição espalhada por diversos centros culturais de São Paulo como CCN (Centro de Culturas Negras – Mãe Sylvia de Oxalá), CCJ (Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso) e CCD (Centro Cultural da Diversidade) e Vila Itororó. A exposição gratuita, que abre dia 14 de novembro e vai até 23 de dezembro, das 11h às 15h, traz este símbolo europeu que se fundiu aos cultos de terreiro, disseminando-se popularmente como amuleto de proteção contra forças destrutivas.

mixbrasilalwaysamberCena do documentário Always Amber, de Hannah Reinikainen Bergeman e Lia Hietala.

Toda a programação on-line do Mix Brasil 2020 poderá ser acessada gratuitamente pelo site do evento. Os filmes poderão ser assistidos pelas plataformas digitais InnSaei, Sesc Digital e Spcine Play. O acesso a alguns filmes será limitado e alguns longas serão exibidos apenas em sessões presenciais, como: Verão de 85, The World to Come e I Carry You with Me.

O Festival Mix Brasil de Cultura da Diversidade é organizado anualmente desde 1993 pela Associação Cultural Mix Brasil que tem como missão a promoção do respeito e livre expressão da diversidade sexual. O objetivo do Mix Brasil é apresentar novas possibilidades para a comunidade LGBTQIA+ livres de preconceitos, promovendo a tolerância, compreensão, cidadania e o combate a toda forma de discriminação.

Fotos: Divulgação.

Entrevista: cineasta Dainara Toffoli fala sobre Mar de Dentro, exibido na 44ª Mostra de São Paulo

por: Cinevitor

monicaiozzimardedentroEm vez de romantizada, a maternidade humanizada.

Dirigido por Dainara Toffoli e protagonizado por Monica Iozzi, Mar de Dentro é um dos destaques da Mostra Brasil da 44ª edição da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo e segue disponível na plataforma Mostra Play até quarta-feira, 04/11.

O longa, que está entre os finalistas ao Troféu Bandeira Paulista, sendo um dos mais votados pelo público, reflete, por meio da história particular da protagonista, as dúvidas e inquietações que rondam muitas mulheres ao redor do mundo a respeito da maternidade.

O filme fez sua première mundial em junho no festival Cine Las Americas. A estreia nacional aconteceu na Mostra de São Paulo pela plataforma do evento e também será exibido em uma sessão especial no Belas Artes Drive-in no dia 03/11, terça-feira.

A trama acompanha a trajetória de Manuela, uma profissional liberal, que vive em uma grande cidade, tem uma carreira estabelecida e uma vida amorosa livre. Mas, quando engravida de um colega de trabalho, encara uma mudança de vida cujo impacto não é capaz de controlar. As transformações em seu dia a dia vão desde as perdas em relação ao cargo que ocupa no trabalho, as questões emocionais, as transfigurações e oscilações em seu corpo e até mesmo uma inesperada solidão. Enquanto lida com tantos desafios, ela se defronta com uma fatalidade que afeta ainda mais seu destino. Entre tantas transformações, Manuela, afinal, quer aprender a ser e a se descobrir mãe, mesmo sem, a priori, gostar da maternidade.

Assim, o filme propõe que o espectador mergulhe e tenha uma vivência na experiência única daquela mulher. Uma mulher que, sufocada pela rotina extenuante do bebê, acha que tem que cuidar de tudo sozinha. E quando precisa voltar a trabalhar, terceiriza os cuidados de Joaquim para outras mulheres, que também terceirizam os cuidados dos seus, nessa rede de mulheres que cumprem tripla jornada para manter o emprego e vencer os boletos do final do mês.

mardedentromostrasp2Monica Iozzi em cena.

Escrito e dirigido por Dainara Toffoli, Mar de Dentro marca a estreia da cineasta na direção de longas de ficção e traz Monica Iozzi no papel de Manuela. “Mar de Dentro é como se a gente tivesse uma janela de um ano, mais ou menos, na vida de uma mulher. É um convite à contemplação do processo de transformação na vida dessa mulher. É um filme de nuances, com muitos silêncios”, comentou Monica.

Graduada em jornalismo, Dainara tem longa carreira na direção, transitando entre as áreas de documentário, ficção e publicidade. Para levar adiante uma história tão autoral quanto universal, era preciso uma equipe de produção que entendesse as especificidades de um projeto como Mar de Dentro. Quem assina a produção do longa é Eliane Ferreira, à frente da Muiraquitã Filmes: “Este é um filme de mulheres. Há dez anos ninguém falava sobre isso. Tateamos um lugar que depois se tornou mais que um assunto, virou uma luta. Foi um processo duro, mas recompensador”, disse Eliane.

Além de Monica Iozzi, o elenco conta também com Rafael Losso, Gilda Nomacce, Fabiana Gugli, Zé Carlos Machado e Magali Biff. Glauco Firpo assina a direção de fotografia; a direção de arte é de Fernando Timba; Diana Galantini assina a produção de elenco; e Aline Canela o figurino.

Com estreia prevista para 2021, o longa se insere em um contexto global que traz cada vez mais olhares e temas diversos ao cinema. Em tempos em que se discute a questão da paridade de gêneros tanto na frente quanto atrás das câmeras, um projeto que trata da maternidade com contundência ganha destaque em um mercado cada vez mais plural, em que narrativas levam em conta que metade do público é formado por mulheres.

Para falar mais sobre Mar de Dentro, entrevistamos a diretora Dainara Toffoli por e-mail. Confira:

Mar de Dentro fala de uma realidade tão comum na vida das mulheres, mas pouco retratada nas telonas. Como surgiu a ideia desse roteiro?

Foi justamente este meu ponto de partida. Quando eu tive filho percebi o quão pouco eu sabia sobre a maternidade e comecei a refletir sobre isso. Não é à toa que, com as redes sociais, surgiram tantos grupos e redes de mães para trocar dicas práticas e, também, ter uma rede de apoio emocional. Na nossa cultura, criar filhos é responsabilidade da mulher, sozinha, com ou sem marido. A licença paternidade de 5 dias já estabelece esta dinâmica. Isso é muito cruel. É cruel com os homens que querem estar mais presentes, mas é muito mais cruel com as mulheres. Acho que há um tabu de expor o mundo privado e que é, por outro lado, uma forma de esconder este momento de empoderamento do feminino.

diretoramardedentroA diretora Dainara Toffoli: estreia em longa-metragem de ficção.

É interessante a maneira como a vida da protagonista é colocada em cena, sem romantizar tudo: seus afazeres profissionais, pessoais, o romance, a angústia de seguir em frente com a maternidade e as consequências (tanto positivas como negativas) de encarar essa realidade. Mostrar a vida como ela realmente é sempre foi uma opção?

Intuitivamente, sim, pois parti de minha experiência física e psicológica com a maternidade. Gosto de fazer documentário, de observar as pessoas sem julgar a lógica do mundo delas e, também, gosto de filmes onde percebemos menos as encenações e artifícios do cinema. Mas ainda nas últimas versões de roteiro e na filmagem, eu tinha cenas para fazer avançar o plot. Eu tinha, o que a gente chama, da trilha da aventura por onde a personagem passava enquanto vivia a questão mais importante do filme que é a maternidade. Quando cheguei na montagem, o Willem Dias, montador e eu, começamos a cortar algumas dessas cenas e, percebemos que o filme ficava mais forte. Fizemos algumas cabines com amigos e isso se comprovava. Então fomos lapidando mais. Acho que isso só foi possível pelo incrível trabalho da Monica Iozzi e do time de atores excelentes que toparam fazer o filme. Diria que este filme é assim porque ela me trouxe esta presença muito natural em cena.

Você acredita que existe um certo tabu (e também preconceito) em falar de maternidade? Falar das dores, das alegrias, da solidão, das angústias e das tantas emoções que esse momento causa na mulher?

Totalmente, chega a ser conspiratório (risos). Há uma pesquisa da FGV de que cerca de 50% das mães são demitidas, sem justa causa, depois que voltam a trabalhar. Apenas no primeiro semestre deste ano, 6.31% das crianças foram registradas sem o nome do pai em um país onde o aborto não é legalizado e que tem altíssima taxa de feminicídio. Crimes cometidos majoritariamente por maridos, ex-maridos, namorados, etc. São muitas violências normalizadas em um mundo onde as instituições e as leis são feitas por homens.

mardedentromostrasp1Casal em cena: Monica Iozzi e Rafael Losso.

Como você chegou no nome da Monica Iozzi para a protagonista? E como foi a preparação e o entrosamento no set?

Eu tinha uma outra atriz para o projeto que foi uma grande parceira e eu teria tido um enorme prazer de trabalhar com ela, mas quando conseguimos finalizar a captação e marcar a filmagem, ela não teria agenda por quase um ano. Comecei a pensar em outros nome quando fui assistir ao filme de um amigo e vi a Monica. A interpretação dela me encantou porque ela vestia a personagem de um jeito muito natural e era isso que eu buscava.

Participar da Mostra de São Paulo é uma grande vitrine para qualquer produção, ainda mais esse ano com uma edição on-line e com abrangência maior. Como tem sido a recepção do público, mesmo que virtual?

Tem sido uma experiência diferente e a falta dos encontros presenciais e do calor humano foi compensada por um alcance muito maior do filme. Esta foi a primeira vez que Mar de Dentro foi exibido no Brasil e eu estava apreensiva. Não sabia se as pessoas iam se identificar e foi muito gratificante receber tantas mensagens e tantos depoimentos sobre como o filme às impactou, que nunca tinham assistido nada tão próximo à experiência real que tinham tido… enfim, ufa. Penso que chegamos no lugar que intuitivamente queríamos.

Entrevista e edição: Vitor Búrigo
Fotos: Divulgação.

Conheça os curtas-metragens paraibanos selecionados para o 15º Fest Aruanda do Audiovisual Brasileiro

por: Cinevitor

remoinhoaruanda2020Cely Farias no curta Remoinho, de Tiago A. Neves.

Depois de revelar os curtas-metragens nacionais em competição e o filme de abertura, a 15ª edição do Fest Aruanda do Audiovisual Brasileiro, que acontecerá entre os dias 10 e 17 de dezembro, em João Pessoa, divulgou a lista com os dez curtas paraibanos que estarão na mostra competitiva Sob o Céu Nordestino.

Além disso, a organização também revelou o primeiro longa-metragem selecionado para a mostra competitiva nacional: o documentário Todas as Melodias, dirigido por Marco Abujamra, sobre o cantor e compositor Luiz Melodia. “É um orgulho muito grande voltar à Paraíba e agora para apresentar esse filme sobre Luiz Melodia, nosso cantor, compositor, dançarino e outras coisas mais”, disse o diretor em um vídeo postado nas redes sociais.

Em comunicado oficial, Amilton Pinheiro, curador do festival, disse: “A seleção reflete novas possibilidades cinematográficas. Do sertão que nunca vira mar, passando pela cidade multifacetada com sua busca de existência de gêneros e geográfica, seja no presente ou em um futuro distópico, até a faceta incomum da animação como expressão, os curtas-metragens entrelaçam organicamente propostas inventivas de linguagem e de elementos narrativos como possibilidades cinematográficas”.

E mais: o documentário Me Chama Que Eu Vou, de Joana Mariani, sobre o cantor Sidney Magal será o filme de encerramento desta edição; Os Quatro Paralamas, de Roberto Berliner e Paschoal Samora, vai abrir o festival este ano.

Conheça os curtas paraibanos selecionados para o Fest Aruanda 2020:

A Pontualidade dos Tubarões, de Raysa Prado
Cura-Me, de Eduardo Varandas Araruna
E agora, Você, de Edson Lemos Akatoy
Makinaria, de Igor Tadeu
Maracastelo Chegou, de Ângela Gaeta
Marília e Arthur, de Astrée Cleyet-Merle
Não Mora Mais em Mim, de Vitor Celso e Bruna Guido
Pranto, de Jaime Guimarães
Reinado Imaginário, de Hipólito Lucena
Remoinho, de Tiago A. Neves

Foto: Divulgação.