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Álbum em Família, de Daniel Belmonte, é exibido no 49º Festival de Cinema de Gramado

por: Cinevitor
Otávio Müller em cena: filmado pela família durante a pandemia.

Na segunda-feira, 16/08, quarto dia de mostras competitivas do 49º Festival de Cinema de Gramado, foram exibidos os curtas-metragens A Beleza de Rose, de Natal Portela, e Fotos Privadas, de Marcelo Grabowsky. Além disso, o boliviano Pseudo, de Gory Patiño e Luis Reneo, abriu a mostra de longas estrangeiros.

Entre os longas brasileiros em competição, Álbum em Família, escrito e dirigido por Daniel Belmonte, foi o destaque da noite. Na trama, um grupo de atores e atrizes ensaia uma peça virtualmente e busca soluções para contornar o fato de que não podem se encontrar. Confinados em casa, usam os próprios familiares em cena. A peça escolhida é Álbum de Família, de Nelson Rodrigues, tentativa de debater a ideia de família tradicional brasileira.

Produzido por Clélia Bessa e Marcos Pieri, o filme conta com Daniel Belmonte, Otávio Müller, Cris Larin, George Sauma, Eduardo Speroni, Kelson Succi e Dhara Lopes no elenco; além de participações especiais de Renata Sorrah, Tonico Pereira, Lázaro Ramos, Valentina Herszage e Ravel Andrade.

No dia seguinte à exibição, alguns integrantes da equipe e do elenco participaram de um debate virtual, que foi mediado pelo jornalista Roger Lerina. Marcaram presença: o diretor Daniel Belmonte, o produtor Marcos Pieri e os atores George Sauma e Kelson Succi.

Sobre a ideia do longa, o diretor comentou: “Para que o filme pareça uma grande brincadeira sobre o que está acontecendo na hora, ele precisa ser muito bem planejado e pensado camada por camada. Eu, particularmente, gosto muito de autoficção e metalinguagem. Artistas que eu me identifico trabalham nesse lugar, usando desses recursos. Gosto muito de brincar com isso, com essas mentiras roteirizadas como se fossem verdades roteirizadas”.

O ator Kelson Succi falou sobre sua experiência: “Eu já esperava muito porque eu sei da genialidade do Belmonte e dessa equipe inteira. O Dani é muito observador. Ele sabe meu discurso e tudo que eu movimento como artista. Ele já sabe do meu olhar e eu enxergava as nossas trocas roteirizadas. O personagem é um acesso meu, é um degrau a mais, um espelho meu”.

George Sauma, também ator, comentou: “Esse olhar bem humorado sobre o artista, sobre nós e sobre essa intimidade deixa todo mundo desarmado e com vontade de fazer. É divertido ter como história o meu personagem, que sou eu mesmo, não gostar do personagem que eu estou fazendo na cena. E lembra o nosso oficio, então é bom. São várias camadas no roteiro que brincam com quem poderíamos ser e com quem realmente somos. Eu vi conversas minhas com o Daniel que estavam no roteiro. É você falar com verdade, o que você realmente pensa, só que num tom de cinema. Foi um exercício muito interessante”.

O produtor Marcos Pieri, da Raccord Produções, falou sobre a ideia do filme: “Ninguém sabia se daria certo ou não. Todo mundo embarcou nessa ideia. Não só a pandemia trouxe essa vontade de fazer essa experiência, como também a realidade da cultura brasileira. Na época em que o filme surgiu, estávamos há quase dois anos sem nenhuma movimentação ou investimento concreto saindo. Então, quando surgiu essa ideia, por mais maluca que fosse, nos unimos para realizar. Temos força e talento para isso. A equipe se uniu nessa dúvida de como seria o resultado e de como teríamos que nos reinventar nesse formato de filmagem. Criou-se um laço”. 

Sobre o elenco, o diretor finalizou: “Eu gosto muito de trabalhar com pessoas que admiro. Esse elenco é todo composto por atores e atrizes que sou muito fã. Eu escrevei para que eles falassem. O roteiro foi feito num ato de desespero; em um momento que não podíamos sair de casa e não sabíamos mais do futuro da nossa profissão e encaramos esse desafio de realizar um filme, que é uma empreitada coletiva e colaborativa de muita gente que colocou seu olhar e se esforçou para seguir adiante”. 

As exibições dos longas-metragens brasileiros acontecem entre 13 e 19 de agosto, a partir das 21h30, na grade linear do Canal Brasil, para toda a base de assinantes, e nos serviços de streaming Canais Globo e Globoplay + Canais ao Vivo somente durante o horário da exibição na TV.

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Foto: Divulgação/Raccord Produções.

O Novelo, de Cláudia Pinheiro, é exibido no 49º Festival de Gramado; equipe e elenco falam sobre o filme

por: Cinevitor
Família em cena: na disputa pelo kikito.

A noite de domingo, 15/08, da 49ª edição do Festival de Cinema de Gramado começou com a exibição de dois curtas-metragens em competição: o gaúcho Desvirtude, de Gautier Lee; e a animação amazonense Stone Heart, de Humberto Rodrigues. Além disso, o documentário Extermínio, de Mirela Kruel, encerrou a mostra competitiva de longas gaúchos deste ano.

Dirigido por Cláudia Pinheiro, O Novelo foi o terceiro filme da competição entre os longas-metragens brasileiros exibido na programação. Produzido por Diego Freitas e Luciano Reck, da Parakino Filmes, o longa conta a história de cinco irmãos que acabam sendo criados pelo irmão mais velho, após a morte da mãe. Um dia, já adultos, eles recebem a notícia de que um homem em coma na UTI pode ser o pai que os abandonou. Na sala de espera do hospital, eles mergulham em conflitos e memórias e, através do tricô aprendido na infância, restabelecem o vínculo fraterno enquanto o estado do homem piora. 

Com roteiro escrito por Nanna de Castro, baseado na peça homônima de sua autoria, o filme conta com Nando Cunha, Rocco Pitanga, Sérgio Menezes, Rogério Brito, Sidney Santiago Kuanza, Isabél Zuaa e André Ramiro no elenco.

No dia seguinte à exibição, alguns integrantes da equipe participaram de um debate virtual, que foi mediado pelo jornalista Roger Lerina. Marcaram presença: a diretora Cláudia Pinheiro; a roteirista Nanna de Castro; e os atores Nando Cunha e Sidney Santiago Kuanza.

Questionada sobre a ideia do filme, Cláudia respondeu: “Uma amiga me apresentou à Nanna. Eu estava procurando um novo projeto e esse roteiro lindo apareceu. Depois, o elenco nasceu justamente em Gramado, em 2017, quando eu estive aí com o Luciano Reck e o Diego Freitas [da Parakino Filmes] e vimos o trabalho maravilhoso do Nando Cunha, que ganhou o kikito de melhor ator pelo curta Telentrega [dirigido por Roberto Burd]. Naquele momento já estávamos com o edital do Fundo Setorial para fazer O Novelo. O resto todo se desenrolou e o elenco nasceu do Nando Cunha”. E completou: “Um elenco desse porte não dá muito trabalho. Foi o elenco mais dedicado que uma diretora poderia querer. Todos estavam muito entregues. Foi muito bonito e gratificante”.

A roteirista Nanna de Castro falou sobre seu processo de criação: “O filme nasceu como uma peça de teatro encomendada por cinco atores que queriam falar do modo como a mídia estereotipa os homens; eles queriam trazer um homem mais humano. Passei um bom tempo fazendo entrevistas e ouvindo homens, de várias classes sociais, sobre suas dores e dramas com a masculinidade. Por isso tem tanta densidade. Eu escrevo teatro, mas sou uma dramaturga que quer escrever cinema. Minhas peças são muito fáceis de transportar. Então, não foi um drama adaptar para o cinema”. 

História universal e emocionante.

Sidney Santiago Kuanza, que interpreta o caçula Cacau, também falou sobre o roteiro: “Essa peça, que foi criada há dez anos, nos deu muito amor. O teatro não nos abandonou nesse processo. Todo mundo queria fazer muito esse filme. Tem uma coisa do texto da Nanna que cabe na nossa boca. Eu achei que a minha geração não teria a oportunidade de fazer um filme como esse, com esse grau de humanidade. Foi um prazer. Eu acho que nós não temos um filme brasileiro que apresente três gerações de artistas negros podendo construir personagens e com uma história universal e familiar sendo vivida por atores negros. Uma oportunidade que, para nós, é ainda muito rara. Foi bom também ver atores tão distintos, vindos de lugares diferentes, mas que tinham muita química. Foi um set de muito amor e respeito”. 

Nando Cunha, que interpreta Mauro, o primogênito da família, falou sobre a importância do longa: “Eu estou muito feliz com esse filme. Quando eu passei em Gramado [em 2017] com o curta Telentrega, eu já cheguei com essa ideia de mudar esse olhar para mim como ator. As pessoas só me viam fazendo comédia. Queria mudar esse olhar e que acreditassem mais no meu trabalho. Entrar no festival foi a melhor experiência que eu tive na minha vida. Precisávamos de mais oportunidades. A única diferença entre um ator branco e um ator negro é a oportunidade. E fiquei muito feliz que a Cláudia ficou tocada com a minha fala. Porque se eu não tivesse falado, talvez não estaria nesse filme, pois somos invisíveis”. Clique aqui e assista aos melhores momentos da premiação do 45º Festival de Cinema de Gramado com trechos do discurso de Nando Cunha.

E completou: “Além desse filme ter mostrado essa masculinidade negra de uma maneira muito sensível, nos mostrou também como seres humanos. Que bom que tudo o que eu falei se concretizou. O filme tá lindo e delicado. Ontem, minha mãe e meus irmãos assistiram e falaram que parecia a nossa história. Isso foi demais. É sobre isso. Estamos vivendo uma polarização louca onde as pessoas ficam em cima do muro e eu já estava me posicionando em 2017. Como é bom se posicionar. Não temos mais tempo para ficar em cima do muro. Foi muito importante fechar esse ciclo agora em Gramado com esse filme. Para mim, tudo isso tem um significado muito grande por ter provado que eu conseguiria fazer um filme com essa magnitude e com a essa força”. 

Sidney Santiago Kuanza falou sobre a presença negra no audiovisual brasileiro: “Esse é um filme que a gente esperava há muito tempo. Estávamos órfãos desse filme na filmografia brasileira. Tem uma pequena cartografia que eu fiz com O Assalto ao Trem Pagador [de Roberto Farias], As Filhas do Vento [de Joel Zito Araújo e premiado com quatro kikitos em 2004], Café com Canela [de Ary Rosa e Glenda Nicácio] e O Novelo. Eu acho que são filmes que trazem a pluralidade da presença negra no nosso país; em contraponto a tudo que foi criado de estereótipo, todas as cristalizações e as narrativas viciadas e viciantes que foram colocadas na população negra no audiovisual”.

Debate virtual em Gramado com elenco e equipe.

Nando Cunha também comentou: “É uma pena que estamos comemorando um ineditismo, em 2021, de um protagonismo negro no cinema. Tomara que venham mais Novelos e mais festivais, para que tenhamos mais oportunidades e chances de ressignificar esse olhar e as narrativas sobre nós. Todo ano deveria ter um filme desse. Todo ano deveria ter uma oportunidade dessa para qualquer um. Não deveríamos estar discutindo isso agora. O cinema e a televisão foram muito culpados por essas narrativas de marginalização e desse olhar de estereótipo”.

E ressaltou: “Estou em um trabalho agora onde eu faço um nobre do Egito que tem uma casa enorme. Fiquei lembrando que em todos os meus trabalhos anteriores, os meus cenários eram barracos ou uma casa pobre. Agora estou em uma emissora que nem debate isso e me coloca em um lugar de nobre, com um mega cenário. Isso é significativo e muda esse olhar. É isso que o cinema, o teatro e a televisão precisam fazer. Não podemos mais estar marginalizados. Não somos assim”. A diretora Cláudia completou: “O roteiro não fala nada da cor da pele. O que prova, como disse o Nando, que falar desse assunto no século 21 já não é o que se esperava”.

Para finalizar o debate, Sidney comentou: “O roteiro traz coisas muito interessantes para pensar não só na figura do negro, mas na figura do Brasil. Vivemos em um país muito violento, onde muitas vezes nossas narrativas intensificam esse grau de violência; não à toa temos o presidente que temos. Esse filme deixa um legado de pensar em construir histórias brasileiras. A história da população negra no Brasil é permeada pela violência: do Estado, de séculos de escravidão, de um Estado que não pensou possibilidade e promoção para uma população conseguir sua autonomia e emancipação. Mas, a história do Brasil também é feita de processos de lutas e conquistas da população negra. Quando a gente se propõe a construir essas narrativas, todos nós ganhamos e a população negra passa a se ver em outros lugares. A nossa luta ainda hoje no Brasil é, sobretudo, promover nossa humanidade. A história se faz por esses laços positivos”.

As exibições dos longas-metragens brasileiros acontecem entre 13 e 19 de agosto, a partir das 21h30, na grade linear do Canal Brasil, para toda a base de assinantes, e nos serviços de streaming Canais Globo e Globoplay + Canais ao Vivo somente durante o horário da exibição na TV.

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Fotos: Divulgação/O2 Play e Edison Vara/Ag. Pressphoto.

Homem Onça: equipe e elenco falam sobre exibição no 49º Festival de Gramado

por: Cinevitor
Protagonista: Chico Diaz em cena.

Neste sábado, 14/08, aconteceu a segunda noite de exibições das mostras competitivas da 49ª edição do Festival de Cinema de Gramado, que segue até 21 de agosto pela internet e também pela TV. A programação contou com o curta-metragem paulista Entre Nós e o Mundo, de Fabio Rodrigo; e o paraibano Animais na Pista, de Otto Cabral. Além disso, o longa gaúcho A Colmeia também foi exibido.

O segundo título em competição entre os longas-metragens brasileiros foi Homem Onça, de Vinícius Reis. Situado no final dos anos de 1990, o filme investiga como a história do país reflete e interfere na vida pessoal de Pedro, interpretado por Chico Diaz, que tem uma vida estável de classe média com sua mulher Sônia, papel de Silvia Buarque, que procura um emprego, e a filha adolescente, Rosa, vivida por Valentina Herszage.

Pedro trabalha numa das maiores estatais do país, a fictícia Gás do Brasil. Tudo parece caminhar muito bem: um projeto de sustentabilidade desenvolvido por ele ganha um prêmio internacional, o que parece garantir o emprego de sua equipe, apesar da crise que a empresa começa a enfrentar. Seu corpo parece reagir a isso e manchas estranhas aparecem em sua mão. Porém, mesmo o sucesso do trabalho de seu time não garante a segurança do emprego de todos e Pedro é forçado a tomar atitudes drásticas. Homem Onça acompanha esse processo através de duas linhas narrativas que se entrecortam e convergem: num futuro não longínquo, o protagonista não vive mais no Rio de Janeiro, mas em uma pequena cidade, com uma nova companheira, Lola, interpretada por Bianca Byington.

O roteiro, assinado por Reis, em colaboração com Flavia Castro e Fellipe Barbosa, examina como o longo processo de privatização de estatais, no final dos anos de 1990, ressoa na vida dos empregados daquelas empresas. A perda da estabilidade e segurança emocional e econômica de Pedro é um reflexo da situação do Brasil. Assim, ao falar do passado, Homem Onça é um filme que também medita sobre o presente do país, sempre ameaçado de passar por uma nova onda de privatizações.

Rodado no Rio de Janeiro, Petrópolis e Teresópolis, entre dezembro de 2017 e janeiro de 2018, o longa, que chega aos cinemas no dia 26 de agosto, com distribuição da Pandora Filmes, teve sua estreia mundial em fevereiro passado no Arthouse Asia Film Festival. O filme ainda conta com Emílio de Mello, Guti Fraga, Dani Ornellas, Tom Karabachian e Álamo Facó no elenco.

No dia seguinte à exibição, alguns integrantes da equipe participaram de um debate, que foi mediado pelo jornalista Roger Lerina. Marcaram presença: o diretor Vinícius Reis; a produtora Gisela B. Camara; e os atores Chico Diaz, Silvia Buarque e Emílio de Mello.

Debate virtual: equipe conversa com Roger Lerina.

Questionado sobre a ideia do longa, o diretor Vinícius Reis falou sobre o processo inicial de criação: “A ideia surgiu em 1997 durante a privatização da [mineradora] Vale [do Rio Doce]. Meu pai trabalhava na Vale, que entrou em um processo de reestruturação muito violento. Ele contava o que estava acontecendo e eu anotava esses relatos. Logo, percebi que nisso tudo tinha um filme poderoso para ser feito. Só fui escrever esse roteiro treze anos depois. Até fiz um argumento, em 2008, na época em que filmávamos Praça Saens Peña, mas só sentei para escrever em junho de 2010. Então, a ideia nasceu de um ponto de vista muito íntimo e familiar. Depois eu expandi a pesquisa e fui estudar a questão”.

O protagonista Chico Diaz, vencedor do kikito de melhor ator, em 1996, por Corisco & Dadá, falou sobre seu trabalho em Homem Onça: “Navegar nas águas do Vinícius me traz uma certa tranquilidade porque ele me induz a um universo muito estimulante e humano. A curva do meu personagem [Pedro] é muito inteligente e interessante. Acho que nós, intérpretes, não somos responsáveis pelo nosso trabalho. Acho que existe um espectro forte de variáveis que nos obriga a preencher essa partitura. Existe um encantamento fundamental. Eu não sou o responsável por administrar isso, eu sou uma consequência desse processo proposto. Aqueles personagens é que representam um monte de gente. Esse filme nos dá uma oportunidade ímpar de representar nosso semelhantes brasileiros que estão nessa luta e nessa realidade há tanto tempo”.

E completou: “Esse filme é muito importante em um momento muito oportuno. Ele toca em coisas muito importantes. Parece que o tempo se ajeitou para nos receber em boa hora, pois o filme está muito contemporâneo e pode resgatar uma discussão sobre soberania, autoestima e nossas raízes”.

A atriz Silvia Buarque, que interpreta a personagem Sônia, mulher do protagonista, falou sobre o entrosamento com a direção e elenco: “O Vinícius me convidou para fazer esse filme em 2010. Foram muitos anos de intimidade com as várias versões do roteiro. Foram muitas leituras e várias conversas. O Vinícius disse que pensou em mim quando escreveu a Sônia, então acredito que ele pegou muito emprestado do meu jeito. Havia muita intimidade no set. Sou amiga do Vinícius há muitos anos, já que estreamos juntos no teatro; fui casada com o Chico Diaz por dezoito anos e estávamos juntos na época das filmagens. Eu fui muito na trilha do Chico, pois a Sônia vai adoecendo, embora tenha o pé no chão; ela vai se angustiando junto com o sofrimento do Pedro. O Chico foi fundamental para mim e o Vinícius dirigiu esse elenco magistralmente”.

Filme tem como ponto de partida acontecimentos da história do Brasil nos anos 1990.

A produtora Gisela B. Camara falou sobre a realização do longa: “O maior desafio de produção foi realizá-lo, de certa forma. Entre o primeiro tratamento do roteiro até as filmagens se passaram sete anos. É um tempo considerável, mas usamos isso a favor porque o roteiro foi amadurecendo ao longo dos anos. Os filmes possuem vida própria e vão acontecendo na hora certa. Foi um processo muito prazeroso e todos estavam muito embutidos em um mesmo objetivo. O Vinícius tem uma capacidade de maestria que é muito especial. Ele dá muita liberdade para a equipe trabalhar. O filme é muito dele e muito de todo mundo ao mesmo tempo. Foi um processo muito harmônico de trabalho”.

O ator Emílio de Mello também comentou sobre o filme: “Eu me senti em uma ação entre amigos, realizando uma ideia que partiu do Vinícius, mas que foi desenvolvida e criada por todos nós. Isso é muito importante porque nos dá uma relação familiar com o filme. Um produto familiar, que fala sobre a família brasileira, amizade e afeto. Foi um prazer enorme fazer parte desse projeto. É um filme potente e importante para esse momento, que conta um pouco da história dos brasileiros. Para mim, isso é de uma importância fundamental”.

Ao final do bate-papo, Chico Diaz comentou: “Nessa época do Brasil, poderíamos também discutir em um próximo debate, aproveitando esse filme, o nosso momento histórico, o que está acontecendo no país e a ferramenta que o cinema é na capacidade de reflexão sobre o que está acontecendo com as nossas pretensas privatizações. Ou seja, como o cinema se insere na discussão de uma realidade sequelada e traumatizada como a que estamos vivendo. É importante que o debate se amplie para como o cinema se torna ferramenta de transformação da nossa história. O cinema está potente, argumentado e fundamentado. Estamos em uma época em que precisamos de argumentos culturais como motivos de transformação e conscientização; que esses debates se ampliem também sobre o que, para quem e porque estamos falando. O grande valor de Homem Onça é estar inserido em um momento histórico para discutir um grande debate fora do filme, isto é, na realidade”. 

As exibições dos longas-metragens brasileiros acontecem entre 13 e 19 de agosto, a partir das 21h30, na grade linear do Canal Brasil, para toda a base de assinantes, e nos serviços de streaming Canais Globo e Globoplay + Canais ao Vivo somente durante o horário da exibição na TV.

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Fotos: Divulgação/Pandora Filmes e Ag. Pressphoto (Gramado).

Casa do Louvor: Marcélia Cartaxo dirige curta baseado em peça teatral

por: Cinevitor
Diretora: Marcélia Cartaxo nos bastidores.

O descaso e o preconceito sentidos pelas operárias do sexo no bairro Alto do Louvor em Mossoró, no Rio Grande do Norte, é o tema principal do curta-metragem, em processo de pós produção, chamado Casa do Louvor, que originalmente era um espetáculo encenado nos palcos entre 2015 e 2019 pela Cia Bagana de Teatro, com a direção dramatúrgica de Carla Pires Martins.

Porém, com a pandemia de Covid-19 e a inviabilidade de estar nos palcos, o coletivo decidiu adaptar a peça teatral para a linguagem do audiovisual. Essa adaptação para o cinema se tornou realidade em 2021 após o projeto ser contemplado pela Lei Aldir Blanc com apoios do Governo do Estado do Rio Grande do Norte, através da FJA, Fundação José Augusto, e também da Prefeitura Municipal de Mossoró, através da Secretaria Municipal de Cultura.

O curta-metragem que conta a história das mulheres do Alto do Louvor, do poder masculino sobre a mulher em uma sociedade machista e patriarcal do interior nordestino, já nasce sob o comando de mulheres: Ana Carla Azevedo e Joriana Pontes, primeiras roteiristas da obra, que compreenderam a importância de ter outra mulher à frente do  projeto e convidaram a consagrada Marcélia Cartaxo para a direção geral do filme: “O nome de Marcélia Cartaxo veio automaticamente devido a algumas oficinas de cinema e encontros com a atriz e diretora dando início a uma longa jornada de sonhos, que aos poucos se tornaram realidade”, ressalta a corroteirista que também é atriz e produtora executiva do filme, Joriana Pontes.

Marcélia, atriz paraibana com 40 anos de carreira profissional, possui em sua trajetória artística o Urso de Prata do Festival de Berlim por sua atuação em A Hora da Estrela, de Suzana Amaral, e um kikito de melhor atriz por Pacarrete, de Allan Deberton, no Festival de Gramado; além de inúmeros outros prêmios ao longo da carreira.

Casa do Louvor será o quarto trabalho de Marcélia como diretora cinematográfica, que realizou também os curtas: Tempo de Ira, que recebeu os prêmios de melhor filme e melhor roteiro no Festival de Cinema, Vídeo e DCine de Curitiba, em 2003, e Redemunho, agraciado em 2016 com quatro prêmios no Cine PE, entre eles, melhor filme, ambos adaptações de contos do escritor Ronaldo Correia de Brito; e De Lua (2013).

Bastidores das filmagens.

Sobre o novo projeto, Marcélia disse: “Aceitamos esse convite e percebemos a importância desse trabalho da Cia  Bagana, que cria esse movimento partindo do teatro para ao audiovisual na cidade. Sabemos que é o começo de muitos outros trabalhos que virão”.

Logo que firmou a parceria com a Cia Bagana, Marcélia também convidou os cineastas paraibanos Bertrand Lira para realizar a consultoria de roteiro e Cristiane Fragoso para atuar como diretora assistente. Durante a pré-produção, sob a tutela de Bertrand, o roteiro passou por novos tratamentos para adaptá-lo ainda mais à linguagem cinematográfica. A partir do quinto tratamento, as diretoras Marcélia e Cristiane, que já vinham indicando algumas diretrizes durante esse processo, se aliaram a Ana Carla Azevedo e Joriana Pontes e passaram a integrar o time de roteiristas do filme. A partir dessa parceria entre as quatro roteiristas, novos elementos foram incorporados ao roteiro e também foram realizadas algumas alterações basilares (na sua linha de ação, estrutura e narrativa), modificando assim o rumo da história e das personagens.

Assim, com uma equipe que carrega o histórico do cinema e do teatro na veia e nos frames, a obra foi filmada na última quinzena de julho, com locações em Mossoró, Florânia e Currais Novos. Todo o processo foi desenvolvido pelos artistas da Cia Bagana e das localidades para também potencializar e valorizar os artistas locais. A equipe de produção foi feita pelos artistas da própria companhia e agregaram-se outros profissionais como Marcos Leonardo e Damásio Costa, que assinam a direção de arte. A fotografia e a captação de som ficaram a cargo da equipe feminina da Ribeiro Produções: Wigna Ribeiro e Samya Alves, respectivamente.

“As filmagens tiveram também uma dinâmica pedagógica de preparar os artistas da Cia Bagana de Teatro para futuros projetos dentro do audiovisual, assim como também uma parceria de alunos de teatro do NAC-PROEC da UFERSA e nas cidades onde gravamos o curta. Esse é um trabalho visceral e com muitos desdobramentos. Será uma emoção pra quem participou e outra para o público que irá degustar a nossa história no cinema”, concluiu Joriana Pontes.

Fotos: Bertrand Lira.

Festival de Gramado 2021 começa com filme protagonizado por Gloria Pires

por: Cinevitor
Gloria Pires em cena: comissária exemplar da Polícia Civil do Rio de Janeiro.

A 49ª edição do Festival de Cinema de Gramado começou nesta sexta-feira, 13/08, com exibição pela internet, televisão por assinatura (Canal Brasil) e televisão aberta (TVE-RS). 

Com apresentação de Roger Lerina e Marla Martins, a primeira noite contou com as exibições do curta maranhense Quanto pesa, dirigido por Breno Nina, premiado com o kikito de melhor ator, em 2015, por O Último Cine Drive-in; e o curta paulista O que há em ti, de Carlos Adriano. O longa gaúcho Cavalo de Santo, de Mirian Fichtner e Carlos Caramez, também foi exibido.

O primeiro filme em competição entre os longas-metragens brasileiros foi A Suspeita, de Pedro Peregrino. O drama policial conta a história de Lúcia, interpretada por Gloria Pires, uma renomada investigadora policial. Aos 55 anos, ela dedicou toda a sua vida à profissão e é um nome respeitado entre seus colegas. Tudo muda durante uma investigação: um famoso escritor, que estava trabalhando nas memórias de um dos chefes do tráfico no Rio de Janeiro e teve seu telefone grampeado por Lúcia, é assassinado. A policial se torna alvo de investigação de seus superiores, ao mesmo tempo em que descobre que tem Alzheimer.

Com roteiro de Thiago Dottori, dos filmes da Turma da Mônica, e argumento do cientista político Luiz Eduardo Soares, o longa conta ainda com Charles Fricks, Gustavo Machado, Bukassa Kabengele, Daniel Bouzas, Júlia Gorman, Joelson Medeiros, Kizi Vaz, Paulo Vespúcio, Genézio de Barros e Alexandre Rosa Moreno no elenco.

No dia seguinte à exibição, alguns integrantes da equipe de A Suspeita participaram de um debate, que foi mediado pelo jornalista Roger Lerina. Marcaram presença: o diretor Pedro Peregrino; a produtora Daniela Busoli; o ator Gustavo Machado; e o diretor de fotografia Fabricio Tadeu. A protagonista Gloria Pires, que não conseguiu participar por conta de outros compromissos, disse, em comunicado oficial: “Estar na 49ª edição de um festival tão emblemático e poder mostrar o fruto de quatro anos de trabalho é um sonho que se realiza”. 

Pedro Peregrino, que faz sua estreia na direção de um longa de ficção com A Suspeita, é diretor na TV Globo, com trabalhos como Éramos Seis e Órfãos da Terra, e falou sobre referências para o longa: “O filme não tem uma grande referência, mas sim, um conjunto de referências de coisas que eu vi e estudei a vida inteira [Pedro é formado em cinema pela Universidade Estácio de Sá]. Meu trabalho de referência foi ir atrás de parcerias potentes”.

O diretor também falou sobre a pesquisa para abordar o tema policial: “Além do Luiz [Eduardo Soares], conversamos com policiais em diversas situações. Essa trama traz inter-relações que são muito características do Rio de Janeiro, como essa promiscuidade que acontece em relação à polícia, tráfico, milícia e religião. Tínhamos um cenário propício para contar essa história”. Pedro também destacou o tema da doença de Alzheimer: “Houve um processo de pesquisa e tínhamos a consultoria de uma neurologista o tempo todo, desde o início da pré-produção. Lemos algumas coisas sobre essa doença e também assistimos alguns filmes. Pesquisamos na literatura, no cinema e na ciência o que foi necessário para contar essa historia”.

Debate: Roger Lerina conversa com a equipe do filme.

Gustavo Machado, que interpreta o Delegado Gouveia, falou sobre a preparação de seu personagem: “Tivemos o auxílio luxuoso do Magalhães, um policial super experiente que estava o tempo todo, na preparação e no set; ele que dizia o que era crível. A presença dele e seu humor eram inspiradores. Tinha a Lucia Fernandes também, uma policial super parceira que dava vários toques na dinâmica toda. Tivemos a sorte de ter essas duas pessoas conosco. Além disso, eu, Pedro e Gloria fizemos uma visita à Cidade da Polícia [CIDPOL] e todos foram super generosos”.

A produtora Daniela Busoli falou sobre o filme e também sobre o trabalho de Gloria Pires como produtora: “O projeto nasceu com o Luiz Eduardo Soares e logo me apaixonei pela história que ele me apresentou. Como produtora, temos a função de juntar as peças de um quebra-cabeça para atrair os melhores talentos para o projeto e para conseguir viabilizar economicamente. A Gloria, além de uma atriz fantástica, é um ser humano maravilhoso. Como parceira de produção, ela ficou mais na parte de produção artística junto com o Pedro. Foi um grande encontro. A energia nesse trabalho era muito boa. Foi muito gratificante”.

Gustavo também falou sobre as filmagens: “O clima no set, apesar dos temas pesados do filme, foi muito leve e saboroso. Todos muito unidos. O Pedro como diretor tem uma característica que eu adoro que é esse diretor muito assertivo, que sabe o que quer, mas tem também uma abertura enorme para descobrir nas filmagens. Como ator, eu adoro esse tipo de set onde você vai para construir junto”. 

Fabricio Tadeu, que assinou a direção de fotografia de filmes como Noites de Reis, O Matador e Alemão 2, falou sobre suas escolhas para A Suspeita: “Trabalhar com o Pedro é muito especial porque ele é muito ligado na construção da fotografia do filme. Este longa tem algo peculiar que é a personagem da Gloria Pires; os corredores e labirintos simbolizam momentos da vida da personagem. Muitos movimentos de câmera buscam traduzir o estado emocional dessa personagem e dessa fragilidade que é só dela. Aqui, a fotografia busca ser discreta nesse sentido, de não roubar a cena e conviver com a personagem”.

Ao final da coletiva, Pedro falou sobre a estreia do filme no festival: “Eu acho que Gramado transcende o evento em si. Não é só um festival, é um símbolo de cinema. Ele comunica com quem faz e quem não faz cinema. Minha vida é um pouco isso. Eu vivo isso, que é estudar e ler sobre filmes, mesmo quando estou trabalhando na televisão. Cinema é minha grande paixão e estrear meu primeiro filme em Gramado é uma realização”.

As exibições dos longas-metragens brasileiros acontecem entre 13 e 19 de agosto, a partir das 21h30, na grade linear do Canal Brasil, para toda a base de assinantes, e nos serviços de streaming Canais Globo e Globoplay + Canais ao Vivo somente durante o horário da exibição na TV.

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Fotos: Desirée do Vale (Gloria) e Edison Vara/Ag. Pressphoto (Gramado).

Festival de Locarno 2021: curta brasileiro Fantasma Neon, de Leonardo Martinelli, é premiado com o Leopardo de Ouro

por: Cinevitor
Leopardo de Ouro para o cinema brasileiro!

Foram anunciados neste sábado, 14/08, os vencedores da 74ª edição do Festival de Cinema de Locarno, considerado um dos principais festivais de cinema autoral do mundo. O Leopardo de Ouro, prêmio máximo do evento, foi entregue para Vengeance Is Mine, All Others Pay Cash, de Edwin, da Competição Internacional de longas.

O brasileiro Fantasma Neon, de Leonardo Martinelli, que traz Dennis Pinheiro e Silvero Pereira no elenco, recebeu o Leopardo de Ouro de melhor curta-metragem internacional na mostra Pardi di domani, território de experimentação expressiva e poesia formal inovadora, que exibe curtas e médias-metragens em estreia mundial ou internacional. Além disso, o filme também foi reconhecido pela Internationale Kurzfilmtage Winterthur.

O Brasil também estava representado com outro filme na competição internacional de curtas: A Máquina Infernal, de Francis Vogner Dos Reis. E mais: a cineasta brasileira Ivete Lucas, que hoje mora nos Estados Unidos, apresentou o curta Happiness Is a Journey, codirigido por Patrick Bresnan, na seção Pardi di domani: Concorso Corti d’autore.

Neste ano, a cineasta Eliza Hittman presidiu o júri da Competição Internacional de longas, que apresentou filmes em estreias mundiais e que disputaram o Leopardo de Ouro; o time de jurados contava também com Kevin Jerome Everson, Philippe Lacôte, Leonor Silveira e Isabella Ferrari. Já o júri da mostra Pardi di domani foi formado por: Kamal Aljafari, cineasta palestino; Marie-Pierre Macia, produtora francesa; e Adina Pintilie, cineasta romena.

A 74ª edição foi marcada pelo retorno da mostra Piazza Grande, que acontece ao ar livre, e que não foi realizada no ano passado por conta da pandemia de Covid-19.

Conheça os vencedores do 74º Festival de Cinema de Locarno:

COMPETIÇÃO INTERNACIONAL

Leopardo de Ouro | Melhor Filme: Seperti Dendam, Rindu Harus Dibayar Tuntas (Vengeance Is Mine, All Others Pay Cash), de Edwin (Indonésia/Singapura/Alemanha)
Prêmio Especial do Júri: Jiao ma tang hui (A New Old Play), de Qiu Jiongjiong (Hong Kong/França)
Melhor Direção: Abel Ferrara, por Zeros and Ones
Melhor Atriz: Anastasiya Krasovskaya, por Gerda
Melhor Ator: Mohamed Mellali e Valero Escolar, por Sis dies corrents (The Odd-Job Men)
Menção Especial: Espíritu sagrado (The Sacred Spirit), de Chema García Ibarra (Espanha/França/Turquia) e Soul of a Beast, de Lorenz Merz (Suíça)

MOSTRA CINEASTI DEL PRESENTE

Leopardo de Ouro | Melhor Filme: Brotherhood, de Francesco Montagner (República Tcheca/Itália)
Prêmio Especial do Júri: L’Été l’éternité (Our Eternal Summer), de Émilie Aussel (França)
Melhor Direção Emergente: Hleb Papou, por Il legionario (The Legionnaire)
Melhor Ator: Gia Agumava, por Wet Sand
Melhor Atriz: Saskia Rosendahl, por Niemand ist bei den Kälbern (No One’s with the Calves)

PARDI DI DOMANI | COMPETIÇÃO INTERNACIONAL

Leopardo de Ouro | Melhor curta-metragem internacional: Fantasma Neon, de Leonardo Martinelli (Brasil)
Leopardo de Prata: Les Démons de Dorothy (The Demons of Dorothy), de Alexis Langlois (França)
Melhor Direção: Eliane Esther Bots, por In Flow of Words
Medien Patent Verwaltung AG Award: Imuhira (Home), de Myriam Uwiragiye Birara (Ruanda)
Menção Especial: FIRST TIME [The Time for All but Sunset – VIOLET], de Nicolaas Schmidt (Alemanha)
Curta-metragem indicado ao European Film Awards: In Flow of Words, de Eliane Esther Bots (Holanda)

PARDI DI DOMANI | Concorso Corti d’autore | Leopardo de Ouro: Criatura (Creature), de María Silvia Esteve (Argentina/Suíça)

PRIMEIRO FILME

Melhor Primeiro Filme: She Will, de Charlotte Colbert (Reino Unido)
Menção Especial: Agia Emi (Holy Emy), de Araceli Lemos (Grécia/França/EUA)

PRÊMIO DO PÚBLICO: Hinterland, de Stefan Ruzowitzky (Áustria/Luxemburgo)
PRÊMIO VARIETY PIAZZA GRANDE: Rose, de Aurélie Saada (França)
PRÊMIO FIPRESCI: After Blue (Paradis sale), de Bertrand Mandico (França)
PRÊMIO ECUMÊNICO: Soul of a Beast, de Lorenz Merz (Suíça)
PRÊMIO EUROPA CINEMAS LABEL: Sis dies corrents (The Odd-Job Men), de Neus Ballús (Espanha)

Clique aqui e confira a lista completa com os vencedores do Festival de Locarno 2021.

Foto: Alessandro Crinari/Locarno Film Festival/Ti-Press.

49º Festival de Cinema de Gramado: conheça os integrantes dos júris

por: Cinevitor
Carol Castro: kikito de melhor atriz coadjuvante, em 2019.

A 49ª edição do Festival de Cinema de Gramado, que começa nesta sexta-feira, 13/08, e segue até 21 de agosto, exibirá sua programação pela internet, televisão por assinatura (Canal Brasil) e televisão aberta (TVE-RS). 

A cada ano, realizadores, produtores, atores e atrizes, pesquisadores, acadêmicos e críticos de cinema têm a missão de escolher quem leva os prêmios do Festival de Cinema de Gramado. Cada categoria tem um júri próprio que define os vencedores, além do Júri da Crítica, que escolhe os melhores do ponto de vista dos jornalistas especializados. Neste ano, 25 nomes compõem os seis júris.

Os jurados dos curtas-metragens gaúchos são: Danielle Bertolini da Silva, diretora, roteirista e produtora executiva; Fernando Alves Pinto, ator; Humberto Pereira da Silva, professor e crítico de cinema; e Nathália Tereza, roteirista, diretora e fotógrafa. Já na categoria de curtas-metragens brasileiros, o time é formado por: Marco Antônio Pereira, cineasta; Janaina Oliveira ReFem, cineasta; Ulisses Arthur, diretor e roteirista; Valéria Verba, produtora; e Elisa Volpatto, atriz.

Nos longas-metragens, os jurados que vão eleger os melhores entre as produções brasileiras são: Catarina Apolonio, editora de som; Carol Castro, atriz; Fabricio Boliveira, ator; Ana Paula Mendes, produtora da Novelo Filmes; e Tabajara Ruas, cineasta. Os kikitos para os longas-metragens estrangeiros serão escolhidos por: Jessica Luz, produtora; Luiz Alberto Cassol, cineasta e cineclubista; e Ítala Nandi, atriz, produtora e roteirista.

Os longas-metragens gaúchos serão avaliados por: Fatimarlei Lunardeli, professora, pesquisadora e jornalista; Pedro Guindani, produtor, roteirista e diretor; e Liliana Sulzbach, diretora e roteirista. Já o Júri da Crítica é composto pelos jornalistas André Bozzeti, Ela Bittencourt, Daniel Rodrigues, Joyce Pais e Pedro Butcher.

O resultado da escolha dos jurados será revelado no dia 21 de agosto, sábado, na grande noite premiação do 49º Festival de Cinema de Gramado. 

Foto: Edison Vara/Agência Pressphoto.

Morre, aos 85 anos, o ator Tarcísio Meira

por: Cinevitor
O ator na novela Páginas da Vida, da Rede Globo, em 2006.

Morreu nesta quinta-feira, 12/08, aos 85 anos, o ator Tarcísio Meira, considerado um dos maiores de sua geração. Internado na UTI do Hospital Albert Einstein, em São Paulo, com apoio de ventilação mecânica invasiva e diálise contínua, depois de ter sido diagnosticado com Covid-19, não resistiu às complicações.

Na sexta-feira, 06/08, Tarcísio e sua esposa, a atriz Glória Menezes, também diagnosticada com Covid-19, deram entrada no hospital. Segundo o último boletim médico informado, ela apresentou melhoras no tratamento e segue no quarto com auxílio de oxigênio via nasal.

Nascido em São Paulo, em 5 de outubro de 1935, Tarcísio Pereira de Magalhães Sobrinho começou sua carreira artística no teatro, em 1957, na peça A Hora Marcada. Logo depois, se destacou em O Soldado Tanaka, convidado por Sérgio Cardoso. Nos palcos, foram mais de 30 peças.

Sua estreia na televisão aconteceu em 1959, na TV Tupi, em Noites Brancas. Dois anos depois, atuou em outro teleteatro da mesma emissora, chamado Uma Pires Camargo, no qual contracenou pela primeira vez com Glória Menezes. Depois disso, os dois se casaram e tiveram um único filho, o também ator Tarcísio Filho. Juntos desde 1962, são considerados um dos casais mais famosos da TV brasileira.

Tarcísio foi o galã da primeira telenovela diária brasileira, chamada 2-5499 Ocupado e lançada em 1963 na Excelsior, ao lado da mulher Glória. Na mesma emissora, atuou em mais sete trabalhos e depois estreou na Rede Globo em Sangue e Areia, também com a esposa. Ao longo dos anos, consagrou-se como um dos maiores nomes da teledramaturgia brasileira. Só na Globo foram mais de 60 programas, entre minisséries, especiais e novelas.

Tarcísio e Glória em Cavalo de Aço, de 1973.

Entre tantos trabalhos marcantes na TV, destacam-se: Irmãos Coragem, Cavalo de Aço, Brilhante, Guerra dos Sexos, O Tempo e o Vento, Roque Santeiro, Grande Sertão: Veredas, Tieta, Desejo, Araponga, De Corpo e Alma, Fera Ferida, Pátria Minha, O Rei do Gado, Torre de Babel, A Muralha, O Beijo do Vampiro, Páginas da Vida, Duas Caras, A Favorita, Gabriela, Velho Chico, Orgulho e Paixão, entre outros.

Nas telonas, Tarcísio também se destacou em mais de 20 longas-metragens, dirigidos por cineastas como Glauber Rocha, Walter Hugo Khouri, Anselmo Duarte, Hugo Carvana e Bruno Barreto. Sua estreia no cinema aconteceu em 1963 na comédia dramática Casinha Pequenina, de Glauco Mirko Laurelli, ao lado de Mazzaropi.

Sua filmografia conta também com: A Desforra (1966), Máscara da Traição (1969), Verão de Fogo (1970), Quelé do Pajeú (1970), As Confissões de Frei Abóbora (1971), Missão: Matar (1972), Independência ou Morte (1972), O Marginal (1974), República dos Assassinos (1979), O Caçador de Esmeraldas (1979), A Idade da Terra (1980), Eu Te Amo (1981), Beijo no Asfalto (1981), Amor Estranho Amor (1982), O Cangaceiro Trapalhão (1983), Eu (1987), Solidão, Uma Linda História de Amor (1989), Boca de Ouro (1990), Boca (1994), Não Se Preocupe, Nada Vai Dar Certo (2011), entre outros.

Ao longo da carreira, recebeu diversos prêmios, entre eles: três vezes o Troféu Imprensa por Roda de Fogo, Pátria Minha e O Beijo do Vampiro; três vezes o Troféu APCA; Prêmio Shell e Prêmio Bibi Ferreira pela peça O Camareiro; Prêmio Diploma de Mérito aos Melhores do Cinema pelo filme Independência ou Morte, em 1973; foi homenageado no Festival de Gramado, em 2005, com o Troféu Oscarito, junto com a esposa; entre muitas outras honrarias.

Em uma entrevista ao Memória Globo, Tarcísio disse: “O trabalho do ator é bonito e útil. Diz respeito à sensibilidade. Eu procuro desempenhá-lo da melhor maneira possível, com a máxima eficácia. Tento convencer as pessoas das verdades daquele personagem. Essa carreira me gratifica muito”.

Fotos: João Miguel Júnior/TV Globo.

Dirigido por Sergio Rezende, O Jardim Secreto de Mariana, com Andréia Horta, ganha trailer

por: Cinevitor
Andréia Horta em cena: em breve nos cinemas!

Escrito e dirigido pelo premiado cineasta Sergio Rezende, de O Homem da Capa Preta, Lamarca, Guerra de Canudos, Zuzu Angel, entre outros, O Jardim Secreto de Mariana chega aos cinemas no dia 16 de setembro, com distribuição da H2O Films.

Em um processo de investigação emocional vivido por João, interpretado por Gustavo Vaz, e Mariana, papel de Andréia Horta, a trama sensível destaca que o amor é o instinto mais forte. O casal apaixonado parece ter uma vida tranquila e perfeita, morando em uma chácara cercada pela natureza e produzindo o próprio alimento, mas a relação começa a sofrer com o desgaste infligido pela impossibilidade de gerar um filho, o maior sonho de Mariana.

Cinco anos depois de uma separação traumática, João decide partir numa longa jornada de bicicleta para reencontrar Mariana e convencê-la de que o romance nunca deveria ter acabado. O amor, que apesar de toda a mágoa e ressentimento ainda é intenso entre os dois, é então posto em xeque à medida que eles são obrigados a confrontar as dores do passado.

Para amadurecer as reflexões propostas neste novo trabalho, Sergio Rezende buscou inspiração em um dos documentários de sua própria filmografia, o ensaio cinematográfico O Cinema é Meu Jardim, de 2004, além de ter contado no roteiro com a parceria da filha, a escritora, poeta e editora de cinema Maria Rezende: “A narrativa e a construção cinematográfica deste filme não são tradicionais. É meu filme mais sensível, poético e intuitivo”, revela o diretor, que enxerga o filme como uma “resposta artística ao momento truculento que estamos vivendo no Brasil”.

O longa foi rodado ao longo de quatro semanas no Instituto Inhotim, em Minas Gerais, e em Nova Friburgo, no Rio de Janeiro. O elenco conta também com Paulo Gorgulho e Denise Weinberg.

Confira o trailer de O Jardim Secreto de Mariana:

Foto: Mariana Vianna.

Morre, aos 84 anos, o ator Paulo José

por: Cinevitor
O ator, em 2017, homenageado na Mostra de São Paulo.

Morreu nesta quarta-feira, 11/08, aos 84 anos, o ator, roteirista e diretor Paulo José. Segundo informações divulgadas pela imprensa, ele estava internado há 20 dias e faleceu por conta de uma pneumonia.

Nascido em Lavras do Sul, no Rio Grande do Sul, em março de 1937, Paulo José Gómez de Sousa começou sua carreira no teatro amador, na década de 1950, em Porto Alegre. Nessa mesma época, ajudou a fundar o Teatro de Equipe, ao lado de nomes como Paulo César Pereio, Lilian Lemmertz, Ítala Nandi e Fernando Peixoto. Em 1958, fez sua estreia como diretor na peça Rondó 58 junto com Mário de Almeida. Ao longo de sua carreira, participou de diversas montagens, como ator e diretor, entre elas, O Testamento do Cangaceiro, Os Fuzis da Senhora Carrar, entre outras.

Já em São Paulo, na década de 1960, dirigiu e coordenou as atividades do TUSP, Teatro dos Universitários de São Paulo. Além disso, adquiriu o Teatro de Arena junto com os colegas Gianfrancesco Guarnieri, Augusto Boal, Juca de Oliveira, Paulo Cotrim e Flávio Império. Recebeu o Prêmio Molière duas vezes: em 1963, como melhor figurinista pela peça A Mandrágora; e em 1988, como melhor ator em Delicadas Torturas.

Dos palcos, Paulo José migrou para a televisão. Sua estreia aconteceu em 1969 na novela Véu de Noiva, da Rede Globo. O reconhecimento nacional aconteceu logo em seguida, em 1970, ao interpretar o personagem Samuca em Assim na Terra Como no Céu. Em 1972, se destacou ao lado de Flavio Migliaccio na telenovela O Primeiro Amor, com quem depois formou uma dupla de sucesso em Shazan, Xerife & Cia. O artista, um dos maiores do país, ascendeu junto com as telenovelas inspiradas pela dramaturgia realista brasileira, e, além de atuar, também dirigiu minisséries e especiais para a TV. 

Nas telinhas, acumulou diversos trabalhos entre novelas e seriados, como: O Tempo e o Vento, Armação Ilimitada, Tieta, Delegacia de Mulheres, Araponga, O Mapa da Mina, Olho no Olho, Engraçadinha: Seus Amores e Seus Pecados, Explode Coração, A Justiceira, Por Amor, Era Uma Vez…, A Muralha, Um Só Coração, Ciranda de Pedra, As Brasileiras, entre muitos outros.

Paulo José também brilhou nas telonas. Sua estreia no cinema aconteceu em 1966 no longa O Padre e a Moça, de Joaquim Pedro de Andrade, no qual recebeu o Prêmio Saci de melhor ator. No mesmo ano apareceu em Todas as Mulheres do Mundo, de Domingos Oliveira, que lhe rendeu diversos prêmios, entre eles, o Troféu Calango no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro e o Prêmio Air France de Cinema. Depois disso, atuou em Bebel, Garota Propaganda, de Maurice Capovilla, e em Edu, Coração de Ouro, de Domingos Oliveira, que lhe rendeu, novamente, um prêmio em Brasília.

Paulo José em Todas as Mulheres do Mundo, de Domingos Oliveira.

Ao longo da carreira, acumulou diversos prêmios por seu trabalho em filmes como: O Palhaço, no Sesc Melhores Filmes e no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro (no qual também foi indicado por Quincas Berro d’Água e Benjamim); Policarpo Quaresma, Herói do Brasil, no Festival de Cinema e Vídeo de Cuiabá e Prêmio Estação Botafogo; O Rei da Noite, de Hector Babenco, no Festival de Brasília; Faca de Dois Gumes, com o Prêmio Air France de Cinema; o curta-metragem Morte, de José Roberto Torero, no Festival de Vitória; Pequenas Histórias, no Festival de Cinema de Paulínia; entre outros.

A trajetória do ator, que foi diagnosticado com a doença de Parkinson em 1992, inclui muitos outros filmes como: O Homem Nu (1968), de Roberto Santos; As Amorosas (1968), de Walter Hugo Khouri; Macunaíma (1969), de Joaquim Pedro de Andrade; Os Deuses e os Mortos (1970), de Ruy Guerra, do qual foi roteirista; Cassy Jones, o Magnífico Sedutor (1972), de Luiz Sergio Person; Dias de Nietzsche em Turim (2002), de Júlio Bressane; 500 Almas (2004), de Joel Pizzini; Insolação (2009), de Felipe Hirsch e Daniela Thomas; Saneamento Básico, O Filme (2007), de Jorge Furtado; A Festa da Menina Morta (2008), de Matheus Nachtergaele; O Homem que Copiava (2003), de Jorge Furtado; Anahy de las Misiones (1997), de Sérgio Silva; Eles Não Usam Black-Tie (1981), de Leon Hirszman; entre outros.

Em 2017, Paulo José foi homenageado na 41ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo com o Prêmio Leon Cakoff por sua carreira no cinema, teatro e televisão. Na mesma ocasião, foi lançado o documentário Todos os Paulos do Mundo, de Rodrigo de Oliveira e Gustavo Ribeiro, que faz um ensaio cinematográfico sobre ele. Clique aqui e assista aos melhores momentos da homenagem.

Entre tantas honrarias, também foi consagrado no Festival de Gramado com o Troféu Oscarito, em 2000, além de ter recebido um prêmio especial de Mérito Artístico, em 2008, pelo filme Juventude, de Domingos Oliveira. Foi homenageado no Prêmio ACIE de Cinema e também no Prêmio Guarani de Cinema Brasileiro.

Na vida pessoal, foi casado com Dina Sfat, com quem teve três filhas: as atrizes Bel Kutner, Ana Kutner e Clara; com a atriz Beth Caruso, com quem teve um filho, Paulo Caruso; e com Zezé Polessa. No ano passado, três dos quatro irmãos de Paulo morreram de câncer.

Fotos: Claudio Pedroso/Agência Foto e Divulgação.

Festival de Guadalajara 2021: filmes brasileiros são selecionados

por: Cinevitor
Cena do curta potiguar Sideral, de Carlos Segundo: selecionado.

O Festival Internacional de Cine en Guadalajara, um dos mais fortes da América Latina, anunciou nesta semana os primeiros filmes selecionados para a sua 36ª edição, que acontecerá entre os dias 1 e 9 de outubro na cidade mexicana.

Além do destaque para o cinema mexicano com o Prêmio Mezcal, o evento, que terá Duna, de Denis Villeneuve, como filme de abertura, também apresenta uma programação com produções ibero-americanas. Neste ano, o Brasil está representado com diversos títulos, entre eles, três longas na Competição ibero-americana de ficção: Medusa, de Anita Rocha da Silveira; Matar a la Bestia, de Agustina San Martín, coprodução entre Argentina, Brasil e Chile; e O Empregado e o Patrão, de Manolo Nieto, coprodução entre Uruguai, Argentina, Brasil e França.

Além disso, quatro curtas-metragens na Competição Oficial: A Morte Branca do Feiticeiro Negro, de Rodrigo Ribeiro; Céu de Agosto, de Jasmin Tenucci; Fantasma Neon, de Leonardo Martinelli; e Sideral, de Carlos Segundo. E mais: o longa Bob Cuspe – Nós Não Gostamos de Gente, de Cesar Cabral na Competição Internacional de Animação; e A Última Floresta, de Luiz Bolognesi, Edna, de Eryk Rocha, e Marinheiro das Montanhas, de Karim Aïnouz, na Competição ibero-americana de documentário. O documentário La Opción Cero, de Marcel Beltrán, uma coprodução entre Cuba, Brasil e Colômbia será exibido, fora de competição, na mostra Cinema Libre.

O festival também anunciou os filmes que disputam o Prêmio Maguey, que divulga e promove um cinema que começa com histórias acompanhadas por uma orientação sexual aberta e diversa, celebrando o melhor da cinematografia LGBTQ do mundo.

O evento também apresenta a mostra Guadalajara Construye, com sete obras de ficção em andamento (works in progress) em fase de pós-produção e/ou montagem. Entre os selecionados, dois títulos brasileiros: Hospício Colônia, de André Ristum; e Saudade fez morada aqui dentro, de Haroldo Borges. Além de Pornomelancolía, de Manuel Abramovich, uma coprodução entre Argentina, Brasil e França.

E mais: esta edição conta com o Prêmio Projeto Paradiso Guadalajara Construye, que consiste em um subsídio de dez mil dólares doado pelo Projeto Paradiso a um projeto cinematográfico brasileiro em fase de pós-produção escolhido pelo júri selecionado.

[ATUALIZADO: 19/08 – 19h35]

Conheça os filmes selecionados para o 36º Festival Internacional de Cinema de Guadalajara:

COMPETIÇÃO OFICIAL

LONGA-METRAGEM IBERO-AMERICANO DE FICÇÃO

Alegría, de Violeta Salama (Espanha)
Cadejo Blanco, de Justin Lerner (Guatemala/EUA/México)
Clara Sola, de Nathalie Álvarez Mesén (Costa Rica/Bélgica/Suécia/Alemanha)
Corazón Azul, de Miguel Coyula (Cuba)
Inmersión, de Nicolás Postiglione (Chile/México)
Las Consecuencias, de Claudia Pinto Emperador (Espanha/Holanda/Bélgica)
Matar a la Bestia, de Agustina San Martín (Argentina/Brasil/Chile)
Medusa, de Anita Rocha da Silveira (Brasil)
Mis Hermanos Sueñan Despiertos, de Claudia Huaiquimilla (Chile)
O Empregado e o Patrão (El Empleado y el Patrón), de Manolo Nieto (Uruguai/Argentina/Brasil/França)
Piedra Noche, de Iván Fund (Argentina/Chile/Espanha)

CURTA-METRAGEM IBERO-AMERICANO DE FICÇÃO

A Morte Branca do Feiticeiro Negro, de Rodrigo Ribeiro (Brasil)
Before I Die, de Iker Esteibarlanda (Espanha)
Bizimina, de Migueltxo Molina, Pablo Iraburu e Jon Maya (Espanha)
Canto Porque Tengo que Vivir, de Santiago Moga Perpén e Carlos Reverte Gómez (Espanha)
Céu de Agosto, de Jasmin Tenucci (Brasil/Islândia)
Cuando se Calme la Lluvia, de Guillermo Argueta (El Salvador)
El Nombre del Hijo, de Martina Matzkin (Argentina)
Fantasma Neon, de Leonardo Martinelli (Brasil)
Golpe de Vida, de Luis Alejandro Rodríguez (Venezuela)
Inefable, de Gerard Oms (Espanha)
La Colcha y la Madre, de David Pérez Sañudo (Espanha)
Las Partes Perdidas, de Iñaki Dubirg (Cuba/Argentina)
Los Enemigos, de Ana Katalina Carmona (Colômbia)
Lupita y las Sirenas, de Tomás Pinzón Lucena (Colômbia/França)
Luz de Presença, de Diogo Costa Amarante (Portugal)
Made In, de Eva Marín (Espanha)
Manchester Acatitla, de Selma Cervantes (México)
Medusa, de Carlos Trujano (México)
Mindanao, de Borja Soler (Espanha)
Noite Turva, de Diogo Salgado (Portugal)
O Nosso Reino, de Luís Costa (Portugal)
Pepedrilo, de Víctor Cartas Valdivia (México)
Romina e Iván, de Balam Toscano (México)
Salto, de Nuno Baltazar (Portugal)
Sideral, de Carlos Segundo (Brasil/França)
Soñé que Vivía, de Eymeraude Cordon Le Beurier (Chile)
Te Sueño y No Estás, de Lily Caballero (México)
Una Casa en la Arena, de Cristóbal García (Chile)
Una Historia de Amor Imposible, de Javier Mardones (Chile)

LONGA-METRAGEM IBERO-AMERICANO DE DOCUMENTÁRIO

A Última Floresta, de Luiz Bolognesi (Brasil)
Bosco, de Alicia Cano Menoni (Uruguai/Itália)
Cantos que Inundan el Río, de Germán Arango Rendón (Colômbia)
Edna, de Eryk Rocha (Brasil)
El Cielo Está Rojo, de Francina Carbonell (Chile)
El Silencio del Topo, de Anaïs Taracena (Guatemala)
Marinheiro das Montanhas, de Karim Aïnouz (Brasil/França/Alemanha)
Non Dago Mikel?, de Amaia Merino e Miguel Ángel Llamas (País Basco)
Nuestra Libertad, de Celina Escher (El Salvador/Suécia)
Rancho, de Pedro Speroni (Argentina)
Vals de Santo Domingo, de Tatiana Fernández Geara (República Dominicana)

LONGA-METRAGEM INTERNACIONAL DE ANIMAÇÃO

Bob Cuspe – Nós Não Gostamos de Gente, de Cesar Cabral (Brasil)
Calamity – Une Enfance de Martha Jane Cannary, de Rémy Chayé (França/Dinamarca)
Charlotte, de Rémy Chayé (França/Canadá)
Flee, de Jonas Poher Rasmussen (Dinamarca/França/Suécia/Noruega)
La Traversée, de Florence Miailhe (França/República Checa/Alemanha)
My Sunny Maad, de Michaela Pavlátová (República Checa/França/Eslováquia)

CURTA-METRAGEM DE ANIMAÇÃO | PRÊMIO INTERNACIONAL RIGO MORA

Bestia, de Hugo Covarrubias (Chile)
Deshabitada, de Camila Donoso Astudillo (Chile)
Espejo de Agua, de Jimena Medina (México)
Los Huesos, de Cristóbal León e Joaquín Cociña (Chile)
Just for the Record, de Vojin Vasovic (Sérvia/Canadá)
Llueve, de Carolina Corral Paredes e Magali Rocha Donnadieu (México)
Mesdemoiselles les Palourdes, de Mickaël Delalande (França)
Noir-Soleil, de Marie Larrivé (França)
O Teu Nome é, de Paulo Patrício (Portugal/Bélgica)
Pilar, de Janis Joy Epping, Diana Van Houten e Yngwie Boley (Holanda)
Reflejo, de Juan Carlos Mostaza (Espanha)
Steakhouse, de Špela Čadež (Eslovênia/Alemanha/França)
Tío, de Juan Medina (México)
Transtierro, de Susana Arrazola (México)
冬 (The Winter), de Xin Li (Austrália)

PRÊMIO MEZCAL

Comala, de Gian Cassini (México)
Dirty Feathers, de Carlos Alfonso Corral (México/EUA)
Domingo, de Raúl López Echeverría (México/França/Áustria)
El Comediante, de Rodrigo Guardiola e Gabriel Nuncio (México)
El Viaje de Paty, de Santiago Pedroche de Samaniego (México)
La Llevada y la Traída, de Ofelia Medina (México)
Mostro, de José Pablo Escamilla (México)
Nos Hicieron Noche, de Antonio Hernández (México)
Plaza Catedral, de Abner Benaim (Panamá/México)
Poderoso Victoria, de Raúl Ramón (México)
The Gigantes, de Beatriz Sanchis (México/EUA)

PRÊMIO MAGUEY

Blood Red Ox!, de Rodrigo Bellott (EUA/Bolívia)
Colors of Tobi, de Alexa Bakony (Hungria)
Efímera, de Luis Mariano García (México)
El Apego, de Valentin Javier Diment (Argentina)
Finlandia, de Horacio Alcalá (Espanha/México)
Hasahyan, de Adam Kalderon (Israel)
LA Queenciañera, de Pedro Peira (Espanha)
Matar a la Bestia, de Agustina San Martín (Argentina/Brasil/Chile)
Medusa, de Anita Rocha da Silveira (Brasil)
Mi Novia es la Revolución, de Marcelino Islas Hernández (México)
O Anthropos me tis Apantiseis, de Stelios Kammitsis (Chipre/Grécia/Itália)
Our Bodies Are Your Battlefields, de Isabelle Solas (França)
The Gigantes, de Beatriz Sanchis (México/EUA)
The Man with the Answers, de Stelios Kammitsis (Chipre/Grécia/Itália)
The Swimmer, de Adam Kalderon (Israel)
Tobi Színei, de Alexa Bakony (Hungria)

HECHO EN JALISCO | LONGA-METRAGEM

Domingo, de Raúl López Echeverría (México/França/Áustria)
Finlandia, de Horacio Alcalá (Espanha/México)
La Llevada y la Traída, de Ofelia Medina (México)
Poderoso Victoria, de Raúl Ramón (México)

Foto: Divulgação/Casa da Praia Filmes.

Cine Ceará 2021: inscrições abertas para as mostras competitivas da 31ª edição

por: Cinevitor
Festival acontecerá em formato presencial e on-line.

A 31ª edição do Cine Ceará – Festival Ibero-americano de Cinema, que acontecerá entre os dias 27 de novembro e 3 de dezembro, em formato presencial e virtual, está com inscrições abertas para as mostras competitivas ibero-americana de longa-metragem, brasileira de curta-metragem e Mostra Olhar do Ceará.

O regulamento e os formulários de inscrição estão disponíveis no site oficial (clique aqui) e ficam disponíveis entre os dias 10 de agosto e 10 de setembro; as inscrições são gratuitas. Cada mostra tem um formulário próprio e as condições específicas de cada uma delas podem ser consultadas no regulamento.

A Mostra Olhar do Ceará é aberta a realizadores cearenses, radicados ou não no Ceará, e residentes no Ceará há mais de três anos. Podem ser inscritos filmes de curta e longa-metragem, concluídos a partir de janeiro de 2020, nos gêneros de ficção, documentário, animação ou experimental.  

A Competitiva Brasileira de curta-metragem é aberta a trabalhos de produtores e diretores brasileiros ou radicados no país há mais de três anos. Podem ser inscritos curtas de ficção, documentário, animação ou experimental de até 25 minutos, concluídos a partir de janeiro de 2020, que não tenham participado do processo seletivo de outras edições do Cine Ceará.  

A Mostra Competitiva ibero-americana de longa-metragem é direcionada a produtores ou diretores de países da América Latina, Caribe, Portugal e Espanha com filmes de animação, ficção, documentário ou experimental. Os longas inscritos devem ter sido concluídos a partir de 2020 com duração mínima de 60 minutos. 

A curadoria do festival prioriza trabalhos inéditos e, no conjunto das mostras competitivas, reserva no mínimo 30% de participação para mulheres diretoras. O resultado será anunciado no dia 10 de outubro.  

A edição de 2021 terá programação presencial em Fortaleza com o limite de público determinado pelo Governo do Estado no período do evento. No Cineteatro São Luiz serão exibidos os longas-metragens das mostras ibero-americana e Olhar do Ceará. No Cinema do Dragão e no canal do Cine Ceará no YouTube serão exibidos os curtas-metragens da Competitiva Brasileira e da Mostra Olhar do Ceará.   

A exemplo do formato adotado em 2020, por conta da pandemia de Covid-19, os longas-metragens da mostra competitiva poderão ser assistidos de casa e de qualquer lugar do país, através do Canal Brasil e da plataforma de streaming dos Canais Globo e Globoplay, que exibirão esta programação do Cine Ceará simultaneamente e em única exibição. Haverá também atividades nas mídias sociais do festival. 

O Júri Oficial das mostras competitivas escolherá os vencedores do Troféu Mucuripe em diversas categorias. Além disso, o Cine Ceará inova nesta edição com o cachê de 6 mil reais, que será concedido para cada filme selecionado para a Mostra Competitiva Ibero-americana de longa-metragem.

Foto: Rogerio Resende.