Todos os posts de Cinevitor

Sala municipal de cinema na Galeria Olido, em São Paulo, homenageará Paulo Gustavo

por: Cinevitor

Paulo Gustavo em Minha Mãe é uma Peça 3: homenagem.

A Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, anunciou que renomeou a Sala Cine Olido, sala de cinema do Centro Cultural Olido, como Sala Paulo Gustavo, em homenagem ao ator e comediante que morreu nesta terça-feira.

Uma das principais salas de cinema do Circuito Spcine, na região central da cidade, o espaço foi renomeado por articulação do prefeito em exercício Ricardo Nunes, do Secretário Municipal de Cultura, Alê Youssef, e da presidente da Spcine, Viviane Ferreira. O Decreto Nº 60.225 foi publicado no Diário Oficial do Município nesta sexta-feira, 7 de maio de 2021.

A sala será reinaugurada com nova infraestrutura, o novo nome e uma mostra de filmes de Paulo Gustavo quando as obras de reforma na Galeria Olido forem concluídas. A previsão é que isso ocorra em julho de 2021. “Além da sua marcante contribuição à cultura brasileira por meio do teatro e do cinema, Paulo Gustavo foi um homem ativo na construção de uma sociedade mais justa, inclusiva e tolerante, e teve sua vida interrompida, ainda muito jovem, aos 42 anos, pela Covid-19”, diz o texto do decreto.

Paulo Gustavo Amaral Monteiro de Barros nasceu em Niterói em 30 de outubro de 1978 e estudou teatro na Casa das Artes de Laranjeiras, no Rio. A primeira peça da qual participou foi O Surto, codirigida com Fernando Caruso, em 2004. Foi no espetáculo que apresentou pela primeira vez Dona Hermínia. A personagem ganhou peça própria em 2006 e chegou ao cinema sete anos depois. Os três filmes da franquia Minha Mãe é uma Peça venderam mais de 26 milhões de ingressos entre 2013 e 2020. O terceiro filme teve a maior arrecadação da história do cinema brasileiro, com R$ 182 milhões de bilheteria.

Além do sucesso de Dona Hermínia, o ator fez os filmes Minha Vida em Marte e Os Homens São de Marte… e É Para Lá Que Eu Vou. Na TV, Paulo apresentou prêmios e programas no Multishow, inclusive a série Vai que Cola, um sucesso também na adaptação para o cinema, em 2015.

Paulo Gustavo se casou com o dermatologista Thales Bretas em 2015. Após um processo de barriga de aluguel nos Estados Unidos, eles se tornaram pais de Romeu e Gael. O ator morreu nesta terça-feira, aos 42 anos, por complicações de Covid-19.

Foto: Divulgação/Site Oficial.

Pequenos Guerreiros: filme de Bárbara Cariry é selecionado para festivais internacionais

por: Cinevitor
Longa cearense: destaque internacional.

Depois de sua estreia mundial em fevereiro na competição do Children’s Film Festival Seattle, importante festival internacional de cinema infantojuvenil, o longa-metragem cearense Pequenos Guerreiros, dirigido por Bárbara Cariry, já tem duas novas exibições confirmadas nos Estados Unidos.

Entre os dias 6 e 20 de maio, o filme participará da programação do 13º Milwaukee Film Festival, em Wisconsin, e do 40º Minneapolis St. Paul International Film Festival, entre os dias 13 e 23 de maio, em Minnesota.

Na trama, uma família de pescadores do litoral do Ceará decide viajar para o sertão, indo até a cidade de Barbalha, na região do Cariri, com o objetivo de pagar uma promessa durante a Festa do Pau da Bandeira. O festejo reúne anualmente milhares de pessoas para missas e cortejos em torno da fé em Santo Antônio. O pai Cosme, papel de Bruno Goya, a mãe Maria, interpretada por Georgina Castro, o filho Benedito, vivido por Juan Calado, e os sobrinhos Matheuzinho (Daniel Almeida) e Bruna (Lara Ferreira) sobem em um jipe para encarar a estrada de terra e sol escaldante.

Bárbara Cariry sempre se interessou pela temática infantojuvenil, tendo roteirizado os curtas-metragens Uma Jangada Chamada Bruna, em 2004, e Reisado Miudim, em 2008, ambos dirigidos por Petrus Cariry. Para a diretora, Pequenos Guerreiros é um filme de dramaturgia e de ações mínimas, que deixa espaço para que a criança também possa projetar a sua imaginação e as suas fantasias: “Quero abrir um diálogo entre a criança da grande cidade, frequentadora de shopping e dos espaços marcados pelas muralhas de edifícios, com a amplidão dos sertões, das serras e dos vales, com as festas e os folguedos populares, sobretudo com o encontro, a solidariedade e a emoção de uma turminha que viaja junta para fazer suas pequenas descobertas e ritos de iniciação”, afirma.

Em Pequenos Guerreiros, a família mergulha nas belezas da cultura nordestina, fazendo dessa jornada uma forma de se conectar com a história, a memória e a identidade de seu povo. Uma narrativa suave, com espaço para imaginação, feita de pequenas surpresas e descobertas. Artistas de rua, parques de diversões, salas de cinema, paisagens deslumbrantes, figuras tradicionais do sertão nordestino e até mesmo dinossauros surgem para conduzir a experiência cultural das três crianças.

Com roteiro de Bárbara e Rosemberg Cariry, o filme conta com trilha sonora original de João Victor Barroso, fotografia de Petrus Cariry e direção de arte de Sérgio Silveira; Érico Paiva assina a mixagem e desenho de som, com Yures Viana no som direto. A direção de produção é de Teta Maia.

Formada em Audiovisual e Novas Mídias pela Universidade de Fortaleza e com mestrado em Estudos Curatoriais pela Universidade de Coimbra, em Portugal, Bárbara dirigiu os curtas-metragens Verão (2009), O Silêncio do Mundo (2011) e A Canção de Alice (2018) e atuou como produtora executiva em diversos curtas e longas-metragens brasileiros, como Mãe e Filha (2012), de Petrus Cariry; Os Pobres Diabos (2013), de Rosemberg Cariry; Sertânia (2019), de Geraldo Sarno, entre outros. Pequenos Guerreiros é a sua estreia como diretora de longas-metragens.

Foto: Priscila Smiths.

Nazinha, Olhai por Nós

por: Cinevitor

Direção: Belisario Franca

Ano: 2020

Sinopse: Enquanto aguardam por um benefício de saída temporária para celebrar o Círio de Nazaré, quatro detentos contam suas histórias, refletem sobre o presente e fazem planos para o futuro. Mas que futuro haverá para eles?

*Filme visto no 30º Cine Ceará – Festival Ibero-americano de Cinema

*Clique aqui e leia a matéria sobre o filme no Cine Ceará.

Nota do CINEVITOR:

Bela Vingança

por: Cinevitor

Promising Young Woman

Direção: Emerald Fennell

Elenco: Carey Mulligan, Bo Burnham, Laverne Cox, Jennifer Coolidge, Clancy Brown, Alison Brie, Alfred Molina, Connie Britton, Molly Shannon, Adam Brody, Ray Nicholson, Sam Richardson, Timothy E. Goodwin, Alli Hart, Loren Paul, Scott Aschenbrenner, Christopher Mintz-Plasse, Gabriel Oliva, Bryan Lillis, Francisca Estevez, Lorna Scott, Casey Adams, Vince Lozano, Max Greenfield, Chris Lowell, Mike Horton, Steve Monroe, Angela Zhou, Austin Talynn Carpenter, Abi Beaux, James Doheny, Emerald Fennell, Rasneet Kaur, Jenelle McKee, Paxton Miller, Jose Stephan Perez, David Philip Reed, Scarlet Spencer, Carly Tamborski, Charlotte Xia.

Ano: 2020

Sinopse: Todos diziam que Cassandra Thomas era uma jovem promissora. Até que um misterioso acontecimento, abruptamente, atropelou o seu brilhante futuro. Com um intelecto assassino, Cassie não está interessada em sucesso profissional nem em encontrar o par perfeito. Em vez disso, ela parece contente em passar seus dias fazendo e servindo café, com sua colega de cafeteria, para profunda decepção e preocupação de seus pais. Tudo o que eles querem é que sua filha de quase 30 anos siga com sua vida e se mude de casa. À noite, Cassie executa um ritual que ela própria inventou: ela vai a bares e clubes sozinha, finge estar bêbada ou drogada, impotente para se defender de qualquer um que queira lhe fazer mal. Como sempre, aparece um homem decidido a garantir que ela chegue em casa em segurança. Como sempre, este homem deixa seus próprios desejos terem prioridade sobre o bem-estar dela, sem perceber que será a próxima vítima dos nefastos esquemas de Cassie; ele está prestes a aprender uma lição que não vai esquecer tão cedo. Certo dia, o cirurgião pediátrico Ryan, um conhecido de seus dias de faculdade de medicina, entra na cafeteria e põe fim ao ciclo de destruição de Cassie. Quando começa a ter sentimentos por ele, ela é levada de volta ao seu passado e ao trauma que mudou para sempre a sua vida. Ela será capaz de se equilibrar e encontrar um final feliz para si mesma? Ou sua missão de vingança vai lhe custar um preço inimaginável?

Nota do CINEVITOR:

Morre, aos 42 anos, o ator Paulo Gustavo

por: Cinevitor
Paulo Gustavo: um dos artistas mais queridos do Brasil.

Morreu nesta terça-feira, 04/05, aos 42 anos, o ator, humorista, diretor, roteirista e apresentador Paulo Gustavo. Ele estava internado desde 13/03, no Rio de Janeiro, com quadro de Covid-19.

O boletim médico divulgado na tarde desta terça dizia: “Após a constatação da embolia gasosa disseminada ocorrida no último domingo, em decorrência de fístula brônquio-venosa, o estado de saúde do paciente vem deteriorando de forma importante. Apesar da irreversibilidade do quadro, o paciente ainda se encontra com sinais vitais presentes”.

O último boletim divulgado pela assessoria e pelo Hospital Copa Star relatou: “Às 21h12 desta terça-feira, 04/05, lamentavelmente o paciente Paulo Gustavo Amaral Monteiro de Barros faleceu, vítima da Covid-19 e suas complicações. Em todos os momentos de sua internação, tanto o paciente quanto os seus familiares e amigos próximos tiveram condutas irretocáveis, transmitindo confiança na equipe médica e nos demais profissionais que participaram de seu tratamento. A equipe profissional que participou de seu tratamento está profundamente consternada e solidária ao sofrimento de todos”.

No domingo à tarde, Paulo Gustavo chegou a apresentar uma melhora, mas piorou horas depois: “Após a redução dos sedativos e do bloqueador neuromuscular, o paciente acordou e interagiu bem com a equipe profissional e com o seu marido. À noite, subitamente, houve piora acentuada do nível de consciência e dos sinais vitais, quando novos exames demonstraram ter havido embolia gasosa disseminada, incluindo o sistema nervoso central, em decorrência de uma fístula bronquíolo-venosa”, dizia o boletim médico.

Em abril, ao apresentar uma piora do quadro clínico, o ator foi introduzido à terapia de oxigenação por membrana extracorporal, conhecida como ECMO, uma espécie de pulmão artificial. No dia 3 de maio, mesmo após melhoras nos dias anteriores, Paulo sofreu uma embolia pulmonar, o que causou uma piora significativa em seu estado de saúde.

Dona Hermínia no cinema: o maior sucesso de Paulo Gustavo.

Formado pela Casa das Artes de Laranjeiras, Paulo Gustavo conquistou o Brasil com seus trabalhos na TV, no teatro e no cinema. Ganhou visibilidade no final de 2004, quando integrou o elenco da peça Surto e apresentou a personagem Dona Hermínia, inspirada em sua mãe, Déa Lúcia. Logo depois integrou o elenco da peça Infraturas. Nesse período também começou a fazer pequenas participações na TV.

Em 2006, estreou o espetáculo Minha Mãe é uma Peça, de sua autoria. No monólogo, voltou a interpretar Dona Hermínia. Por conta do sucesso da personagem, levou o teatro para os cinemas. Em junho de 2013, estreou Minha Mãe é uma Peça – O Filme, que alcançou mais de 4 milhões de espectadores. Em 2016, Dona Hermínia ganhou uma nova história em Minha Mãe é uma Peça 2; o filme atingiu mais de 9 milhões de espectadores. Já em 2019, o terceiro longa da franquia, Minha Mãe é uma Peça 3, entrou para a história do cinema brasileiro com onze milhões de espectadores.

Paulo Gustavo apresentou o programa 220 Volts e participou de séries televisivas como Vai que Cola e A Vila, todos no canal Multishow. No teatro, também apresentou Hiperativo, 220 Volts e On-line. No cinema, além de seus filmes, atuou em A Guerra dos Rocha, Divã, Xuxa em O Mistério de Feiurinha, Os Homens São de Marte… E é pra Lá que Eu Vou!, Vai que Cola: O Filme, Fala Sério, Mãe! e Minha Vida em Marte.

Casado com o dermatologista Thales Bretas e pai de Gael e Romeu, Paulo Gustavo foi eleito, em 2018, o Homem do Ano no Entretenimento pela revista GQ Brasil. Além disso, foi premiado pelo roteiro de Minha Mãe é uma Peça 2 no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro e foi indicado ao Prêmio Shell, em 2006.

Em uma entrevista recente, o ator disse: “O Brasil sempre precisa de mais humor. O humor cura, transforma e, principalmente, educa”.

Fotos: Divulgação/Site Oficial/Antônio Teixeira.

II AFRONTE – Festival de Cinema LGBTQIAP+: conheça os filmes selecionados

por: Cinevitor
Cena do curta Meninos Rimam, de Lucas Nunes: selecionado.

A segunda edição do AFRONTE – Festival de Cinema LGBTQIAP+ acontecerá entre os dias 5 e 9 de maio em formato virtual. O evento teve o cuidado em representar a pluralidade da sigla LGBTQIAP+ na frente e atrás das telas, desta vez não apenas por profissionais que ocupam o cargo de direção, mas ampliando a representação para outros cargos chaves.

Neste ano, foram 227 filmes inscritos, das cinco regiões do Brasil, e 26 selecionados divididos em quatro mostras competitivas: “Os filmes que compõem as quatro mostras reverberam de uma forma potente em nosso imaginário, e com suas temáticas e personagens marcantes nos mostram representações que nos fazem confirmar que é possível nos vermos em nossa amplitude e diversidade. As obras, cada uma com sua singularidade, nos fizeram rir, nos emocionar, ter medo, e sentir esperança ao nos possibilitarem acessar outra realidade possível, seja ela do presente, futuro ou passado”, disse André Santos, diretor geral do festival.

A curadoria foi formada por André Santos, Ronaldo Melo, Rosy Nascimento, Tereza Duarte e Vitória Real. O Júri Oficial conta com Anti Ribeiro, Helio Ronyvon, Julia Morais, Pipa Dantas, Fabíola Silva e Marlom Meirelles; o Júri da Crítica, formado por membros da ACCiRN, Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Norte, conta com Laisa Trojaike, Sihan Felix e Thales Azevedo.

O festival tem caráter competitivo e serão concedidos oito prêmios livres e três prêmios de melhor filme (premiação no valor de R$ 500,00) pelo Júri Oficial; além de quatro prêmios do Júri Popular, com votação pelo site. Os títulos estarão disponíveis durante todos os dias do evento.

Além disso, a programação conta com oficinas e bate-papos com os realizadores dos filmes, que serão mediados por Franco Fonseca e Rosy Nascimento. Eles serão transmitidos no canal do YouTube do festival, assim como a cerimônia de encerramento e premiação.

O AFRONTE teve sua primeira edição em dezembro de 2019 e se preocupou em ser o primeiro festival de cinema do Rio Grande do Norte a trazer em sua programação apenas filmes dirigidos por profissionais LGBTQIAP+, priorizando as narrativas que dessem destaque ao protagonismo desse nicho.

A violência contra a população LGBTQIAP+ está diretamente conectada com a discriminação que transpassa a sociedade. Em 2013, o Rio Grande do Norte foi considerado um dos estados mais violentos para a comunidade LGBTQIAP+ no Brasil. Recentemente, em 2018, um mapeamento inédito, feito no estado pela ativista Rebecka de França, mostra um cenário de violência moral, física e de exclusão sobre a população LGBTQIAP+.

Conheça os filmes selecionados para o II AFRONTE:

MOSTRA AFETOS

À Beira do Planeta Mainha Soprou a Gente, de Bruna Barros e Bruna Castro (BA)
Acesso, de Julia Leite (SP)
Aonde Vão Pés, de Débora Zanatta (PR)
Marie, de Leo Tabosa (PE)
Meninos Rimam, de Lucas Nunes (SP)
O que Pode um Corpo?, de Victor Di Marco e Márcio Picoli (RS)

MOSTRA DEVIRES

Abjetas 288, de Júlia da Costa e Renata Mourão (SE)
Ada, de Rafaela Uchoa (BA)
Aliena, de Pedro Spieker (RS)
Etruska Waters em: O Tombamento da Republiqueta, de Thiago Bezerra Benites (PR)
Onde a Fé Tem Nos Levado, de Neto Asterio (SE)
Os Últimos Românticos do Mundo, de Henrique Arruda (PE)

MOSTRA O QUE NÃO SOMOS

Agachem, Segurem, Formem, Arrasem, de Caio Baú (SP)
Piu Piu, de Alexandre Figueirôa (PE)
Primavera de Fernanda, de Débora Zanatta e Estevan de la Fuente (PR)
Sangro, de Tiago Minamisawa, Bruno H. Castro e Guto BR (SP)
Tenebrosas?, de Jhonatan Bào (SP)
Véu, de Stéphanie Moreira (RN)
Você Já Tentou Olhar nos Meus Olhos?, de Tiago Felipe (PR)

MOSTRA TRAJETÓRIAS

Canudos em Minha Pele, de Rosa Amorim (PE)
Encruza, de Bruna Andrade, Gleyser Ferreira, Maíra Oliveira e Uilton Oliveira (RJ)
Espírito que Caminha, de Gabriela Barreto Daldegan (AC)
Joãosinho da Goméa, O Rei do Candomblé, de Janaina Oliveira ReFem e Rodrigo Dutra (RJ)
Pátria, de Lívia Costa e Sunny Maia (CE)
Perifericu, de Nay Mendl, Rosa Caldeira, Stheffany Fernanda e Vita Pereira (SP)

*O II AFRONTE – Festival de Cinema LGBTQIAP+ é uma realização da Caboré Audiovisual e tem patrocínio do Governo do Estado do Rio Grande do Norte, Fundação José Augusto, Secretaria Especial da Cultura, Ministério do Turismo e Governo Federal, através da Lei Aldir Blanc.

Foto: Divulgação.

Amigas de Sorte, com Arlete Salles, Rosi Campos e Susana Vieira, ganha data de estreia nas plataformas digitais

por: Cinevitor
História centrada em três personagens femininas da terceira idade.

Dirigido por Homero Olivetto, de Reza a Lenda, com roteiro de Lusa Silvestre, de Estômago e do inédito Medida Provisória, e argumento de Alexandre Machado e Fernanda Young, Amigas de Sorte estreia em VOD no dia 17 de maio nas plataformas Now, Sky, Vivo, Oi, Looke, iTunes e Google Play.

Protagonizado por Arlete Salles, Rosi Campos e Susana Vieira, a história é centrada em três personagens femininas da terceira idade: Nelita, Nina e Rita. Elas moram no bairro Bexiga, em São Paulo, e são amigas desde a juventude, cultivando sempre o sonho de um dia se tornarem ricas, pois vivem com o dinheiro contado de seus respectivos trabalhos: Nelita é dona de um antiquário, Nina tem uma cantina e Rita é professora aposentada.

Um dia a sorte chega com um valor suficiente para que as três tenham uma vida confortável. Mas, antes de pensar nesse futuro elas se dão o direito de embarcar numa aventura em um país não tão longe daqui, mas que lhes permite o descanso do cotidiano sempre dedicado aos maridos, filhos, sobrinhos e netos.

Produzido por Tatiana Quintella, da Popocon, com coprodução da Globo Filmes, o longa foi filmado em São Paulo, Montevidéu e Punta del Este. O elenco conta também com Klebber Toledo, Otávio Augusto, Luana Piovani, Julio Rocha e Bruno Fagundes.

Confira o trailer de Amigas de Sorte:

Foto: Catarina Sousa.

11º CINEFANTASY: conheça os vencedores

por: Cinevitor
Grace Passô no curta República: diretora e atriz.

Foram anunciados neste sábado, 01/05, os vencedores da 11ª edição do CINEFANTASY – Festival Internacional de Cinema Fantástico. O ator Silvero Pereira apresentou a cerimônia virtual realizada no canal do YouTube do evento.

Os títulos das mostras competitivas concorreram ao Troféu José Mojica Marins, exceto a Mostra Fantastic Black Power, que estreou este ano na programação e prestou uma homenagem ao ator João Acaiabe, falecido recentemente, com o Troféu João Acaiabe. Os filmes premiados permanecem disponíveis até domingo, 09/05, na plataforma Belas Artes à La Carte.

Entre os vencedores, o longa Rosa Tirana, de Rogério Sagui, e o curta Rasga Mortalha, de Thiago Martins de Melo, receberam o Prêmio Tanu Distribuicion, que conta com um ano de distribuição dos filmes em festivais da América Latina e irão representar o Brasil no disputado Prêmio FANTLATAM, premiação internacional da Alianza Latinoamericana de Festivales de Cine Fantástico. O curta Vizinhança, de Lucas Carvalho, e Um Breve Estado de Ser Humano, de Lucas Calegari Bastos, levaram o Prêmio AIC; Rasga Mortalha também foi contemplado com o Prêmio CTAv com o Kit Black Magic e lentes por até 15 dias.

Neste ano, o cineasta Neville D’Almeida, um dos maiores ícones do cinema nacional, foi o grande homenageado. Além disso, a programação contou com diversas atividades paralelas gratuitas, encontros, debates e workshops com nomes como Rodrigo Teixeira, Mariana Jaspe, Jefferson De, a escritora Robin R. Means Coleman, o cineasta argentino Hernán Moyano, entre outros; além da exposição on-line Xirê Dos Orixás, de Jan Brapa.

O time de jurados deste ano foi formado por: Celso Sabadin, Cavi Borges e Lina Chamie na mostra de longas documentais; Claudia Ruiz, Emilio Bustamante e Leopoldo Muñoz na mostra de longas de ficção; Ivo Costa, Maria Izabel Casanovas e William Cristiano na mostra Amador; Marta Russo, Matheus Rufino e Otavio Moulin na mostra Animação; Bertrand Lira, Francisco Gaspar e Ingrid Soares na mostra Brasil Fantástico; Alejandro Yamgotchian, Juan Lozano e Tatiana Lechner Quiroga na mostra Espanha Fantástica; Filipe Falcão, Marciel Consani e Tamires Serket na mostra Estudante; Aryanne Ribeiro, Eduardo Nasi e Renato Chocair na mostra Fantasia; Clarissa Vieira, Juliana Lima e Lobo Mauro na mostra Fantastic Black Power; Celso Curi, Marcio Rosario e Paula Ferreira na mostra Fantástica Diversidade; Julia Maria, Lucia Caus e Chan Suan na mostra Fantasteen; Alfredo Suppia, Getro e Susan Kalik na mostra Ficção Científica; Bruno Carmelo, Helena Albergaria e Marcos Debrito na mostra Horror; Ana de Hollanda, Maria Clara Spinelli e Tati Regis na mostra Mulheres Fantásticas; e Daniella Peneluppi, Lilian Trigo e Mayra Alarcón na mostra Pequenos Fantásticos.

Conheça os vencedores da 11ª edição do CINEFANTASY:

LONGAS-METRAGENS

Melhor Filme | Longa-metragem | Ficção: Sayo, de Jeremy Rubier (Canadá)
Melhor Filme | Longa-metragem | Documentário: A Vingança de Jairo (La Venganza de Jairo), de Simon Hernandez (Colômbia)
Melhor Direção | Longa-metragem: Porcelana (Porcelain), por Jenneke Boeijink
Melhor Roteiro | Longa-metragem: Sayo, escrito por Jeremy Rubier
Melhor Ator: Levente Molnár, por Ravina (Hasadék)
Melhor Atriz: Arlete Dias, Mary Dias e Wall Diaz, por Voltei!

CURTAS-METRAGENS

Melhor Curta Amador: Vizinhança, de Lucas Carvalho (Brasil)
Melhor Curta Animação: Resta Um (One Left), de Sebastian Doringer (Áustria)
Melhor Curta Brasil Fantástico: Mãtãnãg, A Encantada, de Shawara Maxakali e Charles Bicalho (MG)
Melhor Curta Espanha Fantástica: Continua Aí? (¿Sigues Ahí?), de Mónica Zamora
Menção Honrosa | Espanha Fantástica: Rostos (Faces), de Iván Sáinz-Pardo
Melhor Curta Estudante: Um Breve Estado de Ser Humano, de Lucas Calegari Bastos (Brasil)
Melhor Curta Fantasia: Toque Poderoso (Big Touch), de Christopher Tenzis (EUA)
Menção Honrosa | Curta Fantasia: 2030, de Julio Urbano (Brasil)
Melhor Curta FantasTeen: Cuco! (Cuckoo!), de Jörgen Scholtens (Holanda)
Melhor Curta Fantástica Diversidade: Primeiro Carnaval, de Alan Medina (Brasil)
Melhor Curta Ficção Científica: O Homem da Reciclagem (The Recycling Man), de Carlo Ballauri (Itália)
Melhor Curta Horror: O Matar de uma Criança (The Killing Of a Child), de Kim Kokosky Deforchaux (Holanda)
Melhor Curta Mulheres Fantásticas: Rong, de Indira Iman (Indonésia)
Menção Honrosa | Mulheres Fantásticas: Eu Tenho o Blues (J’ai Le Cafard), de Maysaa Almumin (Kuwait/Qatar)
Melhor Curta Pequenos Fantásticos: Latitude de Primavera (Latitude du Printemps), de Sylvain Cuvillier, Chloé Bourdic, Théophile Coursimault e Noémie (França)
Menção Honrosa | Pequenos Fantásticos: Om, de Gabriela Fernández (Argentina)
Melhor Curta Fantastic Black Power | Troféu João Acaiabe: República, de Grace Passô (Brasil)

PRÊMIO TANU DISTRIBUICION AMÉRICA LATINA
Longa-metragem: Rosa Tirana, de Rogério Sagui (Brasil)
Curta-metragem: Rasga Mortalha, de Thiago Martins de Melo (Brasil)

PRÊMIO CTAv
Rasga Mortalha, de Thiago Martins de Melo

PRÊMIO AIC
Melhor Curta Amador: Vizinhança, de Lucas Carvalho
Melhor Curta Estudante: Um Breve Estado de Ser Humano, de Lucas Calegari Bastos

INDICADOS FANTLATAM 2021
Melhor longa-metragem: Rosa Tirana, de Rogério Sagui
Melhor curta-metragem: Rasga Mortalha, de Thiago Martins de Melo

Foto: Divulgação.

O Auto da Boa Mentira

por: Cinevitor

Direção: José Eduardo Belmonte

Elenco: Renato Góes, Leandro Hassum, Chris Mason, Cacá Ottoni, Rocco Pitanga, Nanda Costa, Giselle Batista, Michelle Batista, Mariana Bassoul, Arilson Lucas, Erlene Melo, Paulo Roque, David Felix, Rafael Ritto, Mariana Ruggiero, Bruce Brandão, Raul Franco, Alê Marinho, Lais Carvalho, Zévitor Antunes, Cássia Kis, Matheus Dantas, Jackson Antunes, Romulo Marinho, Carlos Gregório, Flávia Prosdocimi, Andrely, Serjão Loroza, Jesuita Barbosa, Marcelo Magano, Duda Senna, Bruno Bebiano, Vanessa Rocha, Luis Miranda, Johnny Massaro, Leo Bahia, Letícia Novaes Letrux, Letícia Isnard, Karina Ramil, Rodrigo Garcia, Silvio Guindane, Juliana Poggi.

Ano: 2021

Sinopse: Dizem que mentira tem perna curta. Se isso é verdade, a bichinha corre rápido, viu! Em quatro histórias inspiradas em contos bem humorados de Ariano Suassuna, cada uma criada a partir de frases do poeta paraibano, conhecemos Helder, Fabiano, Pierce e Lorena, vivendo diferentes situações onde, ironicamente, a mentira é sempre a protagonista.

*Clique aqui e assista ao programa especial com entrevistas com Renato Góes e Luis Miranda.

Nota do CINEVITOR:

Nomadland

por: Cinevitor

Nomadland

Direção: Chloé Zhao

Elenco: Frances McDormand, Gay DeForest, Patricia Grier, Linda May, Angela Reyes, Carl R. Hughes, Douglas G. Soul, Ryan Aquino, Teresa Buchanan, Karie Lynn McDermott Wilder, Brandy Wilber, Makenzie Etcheverry, Bob Wells, Annette Webb, Rachel Bannon, Charlene Swankie, David Strathairn, Bryce Bedsworth, Sherita Deni Coker, Merle Redwing, Forrest Bault, Suanne Carlson, Donnie Miller, Roxanne Bay, Matt Sfaelos, Ronald O. Zimmerman, Derek Endres, Paige Dean, Paul Winer, Derrick Janis, Greg Barber, Carol Anne Hodge, Matthew Stinson, Terry Phillip, Bradford Lee Riza, Tay Strathairn, Cat Clifford, James R. Taylor Jr., Jeremy Greenman, Ken Greenman, Melissa Smith, Warren Keith, Jeff Andrews, Paul Cunningham, Emily Jade Foley, Mike Sells, Peter Spears, Cheryl Davis.

Ano: 2020

Sinopse: Após o colapso econômico de uma colônia industrial na zona rural de Nevada, Estados Unidos, Fern reúne suas coisas em uma van e parte rumo a uma viagem exploratória, fora da sociedade dominante, também em uma jornada de exploração pela vasta paisagem do oeste americano como uma nômade dos tempos modernos.

Crítica: O sucesso de Nomadland em festivais e premiações não é à toa. Em seu terceiro longa-metragem, a cineasta Chloé Zhao embarca em uma sensível viagem de encontros e desencontros de sua protagonista. Fern, interpretada com maestria por Frances McDormand, sofre as consequências de um declínio econômico que afetou os Estados Unidos. Ao invés de lutar por sua aposentadoria ou por algum tipo de pensão, ela prefere trabalhar para se manter ativa. Mas, nem tudo sai como planejado. Sua vida não lhe oferece certezas e suas escolhas são decididas ao longo da estrada enquanto procura um novo lugar para estacionar sua van, que é também sua casa. Com uma direção impecável, Chloé Zhao, que também assina o roteiro e a montagem, conduz a narrativa com extrema sensibilidade em cima de uma personagem potente e cheia de elementos interessantes a serem visitados. Ao chegar em uma acampamento de nômades, Fern logo interage com a comunidade e começa a construir seus laços afetivos, mesmo sabendo que em breve serão desfeitos. A cada local que passa, é um ciclo que recomeça, mas que também se completa. O trabalho primoroso de Frances McDormand é fundamental para contar essa história. Sua personagem traz um olhar seguro, mas também vago, que em meio à solidão de sua nova vida procura se conectar e encontrar respostas. É também um olhar duvidoso que se conecta aos diversos sentimentos dessa mulher; ora perdida, ora realocada. Acostumada a ir e vir, Fern parece lidar muito bem com o desapego, mas nem por isso esquece das lembranças de um passado não tão distante. É dentro da sua van que se entrega às memórias, seja em uma louça que lhe traz recordações ou em uma aliança que ainda lhe traz um conforto emocional. Em Nomadland nada é por acaso. Ainda que Chloé nos apresente sua protagonista aos poucos, são os detalhes, até mesmo cênicos, que completam essa viagem nostálgica pelo deserto. A fotografia de Joshua James Richards proporciona imagens deslumbrantes, mas também aproxima o espectador da solidão dessa mulher nômade; os movimentos de câmera que a acompanham são belíssimos e seus passos são registrados de maneira intimista e comovente. A trilha sonora de Ludovico Einaudi é outro ponto forte de Nomadland e aparece nas horas certas, sem cair no uso apelativo para emocionar. Aqui, tudo é envolvente na medida certa. Chloé Zhao saber dosar e costurar muito bem as emoções, sem transformá-las em um melodrama, e surpreende a cada cena. É um filme repleto de sutilezas, até mesmo quando destaca os locais visitados por sua protagonista; o passeio turístico oferecido por Zhao ao espectador traz uma certa melancolia ligada diretamente à Fern. Entre angústias e saudade, há uma força gigante em querer se adaptar ao novo com facilidade; algo que ela faz muito bem, mesmo que sua mente ainda lhe confunda sobre liberdade e realidade. Sua vida nômade não deixa de ser um caminho em busca da superação e do autoconhecimento. É a solidão que alimenta a sua força, mas os encontros em sua jornada também a fortalecem; mesmo com uma despedida já anunciada. Há cenas lindas entre amigos com diálogos intensos e carinhosos. São em momentos como esses que percebe-se as diversas camadas dessa protagonista e como elas são bem trabalhadas ao longo da projeção. Nomadland é um filme que deixa o espectador atento para observar: os detalhes, a trajetória, o caminho, a superação, a saudade e o vai e vem das situações. A direção de Chloé Zhao é sorrateira, no bom sentido; ela vai pelas beiradas para emocionar até atingir o ápice da comoção. É sublime a maneira como conduz tudo isso e como projeta sua protagonista. Ao final do longa, fica a sensação de querer saber qual novo ciclo que Fern vai encarar. Fica o desejo de querer encontrá-la por aí e de saber por onde andará? Nomadland pode até carregar uma certa tristeza, mas é um filme que fala sobre seguir adiante em busca do conhecimento de si próprio, testando limites e emoções. Fala do passado, do presente e de um futuro incerto ou cíclico. Trata de lembranças, mas também de recomeços. Chloé Zhao entrega uma obra belíssima, profunda e, acima de tudo, humana. (Vitor Búrigo)

Nota do CINEVITOR:

Desvio

por: Cinevitor

Direção: Arthur Lins

Elenco: Daniel Porpino, Annie Goretti, Melânia Silveira, Fabiano Raposo, Thardelly Lima, Cely Farias, Igor Silva de Lima, Natalia Sá, Felipe Espindola, Malu Lins, Phil Meneses, Saskia Lemos, Victor Rust, Mateus Aires, Marcelo Sousa, Flávia Silveira, Edson Albuquerque, Slim Universo, Luana Santiago, Amália Rebeca, Fernando Teixeira, João Paulo Macedo, Vinicius Guedes, Wagner Nascimento, Flávio Melo, Erick Félix da Silva, Guito, Thiago, Maria do Carmo Abrantes, Dudha Moreira, Arly Arnaud, Ana Marinho, Sebastião Formiga, Osvaldo Travassos, Florisma Melo, Wagner Spagnul, Carlos Junior.

Ano: 2019

Sinopse: Pedro recebe o direito de uma saída temporária da cadeia para visitar a sua família que mora em Patos, interior da Paraíba. Nesse curto tempo ele irá confrontar seus antigos fantasmas e planejar os novos rumos de sua vida, enquanto descobre em Pâmela, uma prima adolescente, a mesma chama que queimava em seu peito.

*Filme visto no 14º Fest Aruanda do Audiovisual Brasileiro.

Nota do CINEVITOR:

Chão

por: Cinevitor

Direção: Camila Freitas

Elenco: Natalina Cândida (Vó), Wilmar Fernandes (P.C.), Valtenir Gomes, Elizabett Conceição, José Bento Reginaldo Pires, Eliane Aparecida do Prado, Nelson Guedes, Camila Evelim do Prado, Ruth Rodrigues Santos, Francisca Estácio, Aline Deueslley, Maria Lúcia, Gilvan Moreira, Lucas Alves, Cleuton de Freitas, Ione Ferreira, Ágatha Bella, Clara Alves, Dilma Sousa Santos, Mirielton Reis Paixão, João Paulo Gomes, Luciene Ferreira, Patrícia Cristiane, Divina das Neves, Márcia da Costa, Elbani Ferreira, Maria Aparecida Alves, Ilda Rosa, José Maria, Elizete Silva Brito, Deusimar da Cruz, Fane de Freitas, Fernanda Brandão, Capoeira, Marcio Denizio, Idalice Rodrigues.

Ano: 2019

Sinopse: Junto ao MST, Movimento Sem Terra, um dos mais longevos movimentos populares brasileiros, Chão vivencia a ocupação das terras de uma usina de cana-de-açúcar em processo de falência. A despeito da estagnação jurídica e da aridez do agronegócio no sul de Goiás, o gesto da ocupação se firma em resistência e reinvenção de uma paisagem em disputa. Vó, PC e os mais de 600 acampados regam diariamente a utopia de um lugar por vir, em um futuro projetado para o horizonte ainda intocável da reforma agrária.

Crítica do CINEVITOR: O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra começou na década de 1980 e hoje está organizado em 24 estados nas cinco regiões do país. Aproximadamente, 350 mil famílias já conquistaram terras por meio da luta e organização destes trabalhadores, que mesmo assentados, seguem organizados no MST com a intenção de realizar a Reforma Agrária. Para mostrar o cotidiano destas pessoas, a cineasta Camila Freitas registrou, ao longo de quatro anos, a movimentação de um assentamento em Goiás. Com uma proposta interessante e um tema necessário a ser discutido, o filme capta o dia a dia dos familiares com confiança e apresenta imagens muito bem fotografadas dos campos. Porém, fica a sensação de que faltou alguma coisa. Com personagens com alto potencial carismático, como a Vó Cândida, que aparece logo no início, o longa peca por não se aprofundar mais na história destas pessoas, que poderiam servir como fio condutor de uma narrativa pouco estruturada. Com uma apresentação rápida e pouco aproveitados, a aproximação com o público, infelizmente, passa longe de criar um vínculo afetivo. Chão dialoga muito mais com quem já tem afinidade com o tema e com isso perde a chance de contextualizar o espectador historicamente. Ainda que mergulhe naquele universo com intimidade, sob o ponto de vista e vivência da diretora, o documentário deixa de explicar mais sobre a luta e suas propostas para leigos no assunto. Todo mundo já ouviu falar do MST, mas nem todos conhecem a fundo seus ideais. Algumas situações são retratadas como se fossem esquetes, de maneira rápida e sem conflito narrativo. Outros personagens, que tinham tudo para se destacar, são apresentados vagamente e depois somem da trama. Chão é mais importante do que impactante. É necessário. Vale também pelo fato de ser um filme sobre uma luta, que faz parte da nossa história e enfrenta obstáculos diariamente. Ainda que a temática se sobressaia em relação aos outros elementos do documentário, a diretora consegue evidenciar sua preocupação em relação aos trabalhadores e seus adversários políticos e sociais. Chão não deixa de humanizar seus personagens e faz isso muito bem. Porém, não basta apenas ter um tema interessante. Ao final da projeção, por exemplo, letreiros surgem na tela com diversas informações que poderiam ter aparecido durante o filme. Fato é que faltou mostrar algo a mais. Ainda assim, é impossível negar a importância de um documentário como esse nesse momento do país: por colocar o MST em evidência e dar voz a quem precisa e entende do assunto. Chão fala da nossa história, do nosso povo. Enquanto a sociedade tenta calar aqueles que buscam mudanças, a arte está sempre de braços abertos para colocá-los em destaque. (Vitor Búrigo)

*Clique aqui e assista aos melhores momentos da apresentação e do debate do filme no Olhar de Cinema.

*Filme visto no 8º Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba.

Nota do CINEVITOR:

nota-3-estrelas