Elenco: Chico Diaz, Silvia Buarque, Bianca Byington, Emílio de Mello, Valentina Herszage, Tom Karabachian, Álamo Facó, Dani Ornellas, Guti Fraga, Kadu Garcia, Daniele do Rosário, Tracy Segal, Cristina Amadeo, Fernanda Chicolet, Juliana Thiré, Ronnie Marruda, Pierre Santos, Allan Jacinto Santana, Higor Campagnaro, Barnaby Lankester-Owen, Ole Erdmann, Julio Adrião, Vinícius Reis, León Camara Reis, Gustavo Mandina, Otávio Wanderley, Paula Sandroni, Alexandre da Costa, Marcio Fonseca, Maha Sati, Caetano Barreto Tendler, Vitor Augusto, Eduardo Martino, Demétrius Reis, Samira Reis, Everton Reis, Joana Caetano, Lúcia Barros, Joana Castro, Duda Gambogi, Florencia Santangelo, Regina Oliveira, Márcia Latini, Julio Martins, Pedro Prado.
Ano: 2021
Sinopse: Rio de Janeiro, segunda metade dos anos 1990, era das privatizações. Pedro trabalha em uma grande empresa estatal que em breve será privatizada. Pressionado por um cruel processo de reestruturação, Pedro tem que demitir sua equipe e antecipar a sua aposentadoria, contra sua vontade. Aposentado e com uma doença na pele, ele decide se separar da família e se mudar para Barbosa, sua pequena cidade natal, no interior distante. Lá, descobre que a onça pintada que habitava a floresta ao redor de Barbosa, no tempo da sua infância, está mais viva do que nunca.
*Filme visto no 49º Festival de Cinema de Gramado.
*Clique aqui e leia a matéria especial sobre o filme em Gramado.
Depois de passar pelos festivais de Brasília, Nashville, Burbank e Cairo, Lamento, filme de estreia dos diretores Diego Lopes e Claudio Bitencourt, chega aos cinemas nesta quinta-feira, 26/08, com distribuição da Moro Filmes.
Na trama, Elder, interpretado por Marco Ricca, administra o hotel herdado de seu pai. Em suas mãos, o local passou de um resort de luxo para um hotel à beira da falência. Ele é a epítome da pessoa cuja vida foi fácil, mas no auge dos cinquenta anos enfrenta as consequências de uma vida excessiva, com um vício errático em álcool e cocaína. O fracasso de sua vida profissional reflete em seu casamento, que está em ruínas e sem perspectivas de melhoria. No limite de seu equilíbrio emocional, Elder coloca tudo em risco ao enfrentar seus demônios e as consequências de suas decisões.
Figura central dos devaneios de Elder, a garota de programa Letícia, vivida por Thaila Ayala, aparece na vida do protagonista e logo some, misteriosamente. Outro ponto importante em Lamento é o hotel. Mais do que uma locação, o hotel é um personagem dentro da história e por isso de grande importância para a narrativa. Um desafio da produção foi conciliar o orçamento do projeto com o que era viável produzir de fato; a solução foi usar um hotel em operação, que possuía um andar inteiro com a decoração original, e que permitisse ter um ponto de partida nas intervenções necessárias.
Para falar mais sobre o filme, conversamos com Marco Ricca e Thaila Ayala sobre preparação de elenco, caracterização, bastidores, filmagens e expectivas para o lançamento.
Elenco: Renata De Lélis, Eduardo Mendonça, Girley Brasil Paes, Kaya Rodrigues, Helena Becker, Lívia Perrone Pires.
Ano: 2021
Sinopse: O mundo enfrenta um fenômeno assustador: uma nuvem rosa e mortal tomou conta do planeta, obrigando todos a ficarem em casa. Giovana está presa em um apartamento com Yago, um cara que havia recém conhecido em uma festa. Enquanto esperam a nuvem passar, eles precisam viver como um casal. Ao longo dos anos, Yago vive sua própria utopia, enquanto Giovana sente-se cada vez mais aprisionada e luta para se adaptar à nova realidade.
Dirigido por Jon Watts, dos dois primeiros filmes da franquia, De Volta Ao Lar e Longe de Casa, Homem-Aranha: Sem Volta para Casa traz de volta Tom Holland como o amigão da vizinhança e Benedict Cumberbatch como Doutor Estranho.
Pela primeira vez na história cinematográfica do Homem-Aranha, o herói amigo da vizinhança é desmascarado e não consegue mais separar sua vida normal dos grandes riscos de ser um super-herói. Quando ele pede ajuda ao Doutor Estranho, os riscos se tornam ainda mais perigosos, e o forçam a descobrir o que realmente significa ser o Homem-Aranha.
Com estreia prevista nos cinemas brasileiros para o dia 16 de dezembro, o elenco conta também com Zendaya, Jon Favreau, Angourie Rice, Marisa Tomei, J.K. Simmons, Willem Dafoe, Benedict Wong, Jamie Foxx e Alfred Molina.
Confira o trailer de Homem-Aranha: Sem Volta para Casa:
A comissão de seleção formada pela Academia Brasileira de Cinema e Artes Audiovisuais escolheu o filme A Febre, dirigido por Maya Da-Rin, para representar o Brasil na disputa por uma indicação na categoria de melhor filme ibero-americano da 36ª edição do Prêmio Goya (ou Premios Goya), evento realizado pela Academia das Artes e Ciências Cinematográficas da Espanha, que elege os melhores filmes e profissionais do cinema e é conhecido como o Oscar espanhol.
Escolhido a partir de uma lista com 15 longas-metragens inscritos, A Febre se destacou no Festival de Locarno com o prêmio de melhor ator para Regis Myrupu e também com o Prêmio FIPRESCI. Além disso, no Festival de Biarritz, na França, no Festival de Pingyao, na China, e no IndieLisboa, em Portugal, foi eleito o melhor longa. Também recebeu o prêmio de melhor direção no Festival de Chicago, cinco troféus no Festival de Brasília, entre eles, melhor filme, e duas estatuetas no Festival do Rio.
A trama acompanha a rotina de Justino, um indígena que trabalha como guarda de segurança no porto de Manaus, no Amazonas. Enquanto sua filha se prepara para ingressar na faculdade de medicina, em Brasília, Justino é dominado por uma febre misteriosa. Paralelamente, uma série de estranhos ataques a animais ganha destaque nos noticiários locais. No Brasil, o filme está disponível no catálogo da Netflix.
A comissão foi formada por Flávio R. Tambellini, produtor, diretor e sócio-fundador da Tambellini Filmes; Carlos Heli de Almeida, repórter e crítico de cinema; Jom Tob Azulay, produtor e diretor; Sabrina Fidalgo, diretora e roteirista; e Virgínia Cavendish, atriz, roteirista e produtora.
Presidente da comissão, Flávio R. Tambellini contou que a votação, realizada na manhã desta segunda-feira, 23/08, aconteceu em dois turnos: “A Febre é um filme sensível não apenas pela linguagem, como também pela temática indígena e amazônica, que tem hoje uma enorme relevância global”, disse em comunicado. O Prêmio Goya 2022 acontecerá no dia 12 de fevereiro.
Conheça os filmes que também estavam na disputa:
A Mulher da Luz Própria, de Sinai Sganzerla Abraço, de DF Fiuza Alice Júnior, de Gil Baroni Aos Olhos de Ernesto, de Ana Luiza Azevedo Babenco – Alguém tem que ouvir o coração e dizer: Parou, de Bárbara Paz Boca de Ouro, de Daniel Filho Cidade Pássaro, de Matias Mariani M8 – Quando a Morte Socorre a Vida, de Jeferson De Mulher Oceano, de Djin Sganzerla O Auto da Boa Mentira, de José Eduardo Belmonte Pacarrete, de Allan Deberton Se Arrependimento Matasse, de Lilia Moema Todos os Mortos, de Caetano Gotardo e Marco Dutra Três Verões, de Sandra Kogut
Cinema pernambucano: cinco prêmios para Carro Rei, de Renata Pinheiro.
Foram anunciados neste sábado, 21/08, no Palácio dos Festivais, em cerimônia apresentada por Marla Martins e Renata Boldrini, os vencedores da 49ª edição do Festival de Cinema de Gramado, que este ano, por conta da pandemia de Covid-19, foi realizado novamente pela TV e pela internet.
Carro Rei, da cineasta pernambucana Renata Pinheiro, foi eleito o melhor longa-metragem brasileiro deste ano pelo Júri Oficial. A produção levou também os kikitos de melhor trilha musical, direção de arte e desenho de som, além do Prêmio Especial do Júri para o ator Matheus Nachtergaele.
Neste ano, concorreram aos kikitos14 filmes de curtas brasileiros, quatro de longas estrangeiros, três filmes de longas gaúchos e, por fim, sete filmes entre os longas brasileiros. Os concorrentes em cada categoria são indicados pelos próprios filmes. Além dos troféus, os vencedores ainda receberam premiação em dinheiro.
Dirigido por Diego Benevides, o curta paraibano A Fome de Lázaro, foi consagrado com dois kikitos, entre eles, o de melhor filme. Além disso, o cinema da Paraíba também se destacou com Animais na Pista, de Otto Cabral, que levou dois prêmios. A produção paulista Entre Nós e o Mundo, de Fabio Rodrigo, saiu da premiação com quatro kikitos, entre eles, o de melhor direção e melhor filme pelo Júri da Crítica.
Entre os longas estrangeiros, La teoría de los vidrios rotos, de Diego Fernández Pujol, uma coprodução entre Uruguai, Brasil e Argentina, foi eleita o melhor filme pelo Júri Oficial e popular. Na mostra de longas gaúchos, o documentário Cavalo de Santo, de Mirian Fichtner e Carlos Caramez, venceu na categoria de melhor filme.
Outro destaque da noite foi o diretor de fotografia Bruno Polidoro premiado duas vezes: na mostra de longas brasileiros por A Primeira Morte de Joana, de Cristiane Oliveira; e na mostra de longas gaúchos por A Colmeia, de Gilson Vargas.
Exibidor oficial do Festival de Cinema de Gramado, o Canal Brasil escolhe o melhor curta-metragem brasileiro em competição para receber o Prêmio Canal Brasil de Curtas, no valor de R$ 15 mil e ainda a exibição do filme na programação do canal; neste ano, o premiado foi o cearense A Beleza de Rose, de Natal Portela. O júri contou com Ivonete Pinto, Luiz Zanin, Maria Do Rosário Caetano, Mônica Kanitz e Robledo Milani.
Com exceção dos longas estrangeiros, todos os melhores filmes de cada mostra foram reconhecidos pelo Prêmio Edina Fujii, que oferece premiação em locação de equipamentos de iluminação, acessórios e maquinária da empresa NAYMOVIE.
Durante a cerimônia, que contou também com a banda local Jazz Cinnamon, o festival apresentou uma homenagem a todos os realizadores do audiovisual brasileiro em um videoclipe com imagens de bastidores e grandes cenas do cinema com locução do ator Lázaro Ramos.
Confira a lista completa com os vencedores do Festival de Gramado 2021:
LONGAS-METRAGENS BRASILEIROS
Melhor Filme: Carro Rei, de Renata Pinheiro (PE) Melhor Direção: Aly Muritiba, por Jesus Kid Melhor Ator: Nando Cunha, por O Novelo Melhor Atriz: Gloria Pires, por A Suspeita Melhor Roteiro: Jesus Kid, escrito por Aly Muritiba Melhor Fotografia: A Primeira Morte de Joana, por Bruno Polidoro Melhor Montagem: A Primeira Morte de Joana, por Tula Anagnostopoulos Melhor Trilha Musical: Carro Rei, por DJ Dolores Melhor Direção de Arte: Carro Rei, por Karen Araújo Melhor Atriz Coadjuvante: Bianca Byington, por Homem Onça Melhor Ator Coadjuvante: Leandro Daniel Colombo, por Jesus Kid Melhor Desenho de Som: Carro Rei, por Guile Martins Prêmio Especial do Júri: Matheus Nachtergaele, por Carro Rei Menção Honrosa: Isabél Zuaa e elenco infantil (Fernando Lufer, Michel Gomes, Victor Alves, Kaik Pereira, Pedro Guilherme e Caio Patricio), de O Novelo Melhor Filme | Júri da Crítica: A Primeira Morte de Joana, de Cristiane Oliveira (RS) Melhor Filme | Júri Popular: O Novelo, de Claudia Pinheiro (SP)
LONGAS-METRAGENS ESTRANGEIROS
Melhor Filme: La teoría de los vidrios rotos, de Diego Fernández Pujol (Uruguai/Brasil/Argentina) Prêmio Especial do Júri: Planta permanente, de Ezequiel Radusky (Argentina/Uruguai) Melhor Filme | Júri da Crítica: Planta permanente, de Ezequiel Radusky Melhor Filme | Júri Popular: La teoría de los vidrios rotos, de Diego Fernández Pujol (Uruguai/Brasil/Argentina)
LONGAS-METRAGENS GAÚCHOS
Melhor Filme: Cavalo de Santo, de Mirian Fichtner e Carlos Caramez (Porto Alegre) Melhor Direção: Gilson Vargas, por A Colmeia Melhor Ator: João Pedro Prates, por A Colmeia Melhor Atriz: Luciana Renatha, Alexia Kobayashi e Veronica Challfom, por Extermínio Melhor Roteiro: Cavalo de Santo, por Carlos Eduardo Caramez Melhor Fotografia: A Colmeia, por Bruno Polidoro Melhor Direção de Arte: A Colmeia, por Gilka Vargas e Iara Noemi Melhor Montagem: Extermínio, por Joana Bernardes e Mirela Kruel Melhor Desenho de Som: A Colmeia, por Gabriela Bervian Melhor Trilha Musical: Cavalo de Santo, por Cânticos sagrados dos Orixás preservados nos terreiros gaúchos e Alabê Ôni Melhor Filme | Júri Popular: Cavalo de Santo, de Mirian Fichtner e Carlos Caramez
CURTAS-METRAGENS BRASILEIROS
Melhor Filme: A Fome de Lázaro, de Diego Benevides (PB) Melhor Direção: Fabio Rodrigo, por Entre Nós e o Mundo Melhor Ator: Lucas Galvino, por Fotos Privadas Melhor Atriz: Tieta Macau, por Quanto Pesa Melhor Roteiro: Fotos Privadas, por Marcelo Grabowsky, Aline Portugal e Manoela Sawitzki Melhor Fotografia: Animais na Pista, por Rodolpho de Barros Melhor Montagem: Entre Nós e o Mundo, por Caroline Neves Melhor Trilha Musical: Animais na Pista, por Eli-Eri Moura Melhor Direção de Arte: A Fome de Lázaro, por Torquato Joel Melhor Desenho de Som: Quanto Pesa, por Breno Nina Prêmio Especial do Júri: Entre Nós e o Mundo, de Fabio Rodrigo (SP) Melhor Filme | Júri da Crítica: Entre Nós e o Mundo, de Fabio Rodrigo Melhor Filme | Júri Popular: Desvirtude, de Gautier Lee (RS) Prêmio Canal Brasil: A Beleza de Rose, de Natal Portela (CE) Menção Honrosa: A Beleza de Rose, de Natal Portela (CE)
Prêmio Leonardo Machado: Sirmar Antunes Prêmio Novas Façanhas: Festival de Cinema Estudantil de Guaíba, Coletivo Mbyá | Guarani de Cinema e APTC RS – Associação Profissional dos Técnicos Cinematográficos
*Clique aqui e confira os vencedores da Mostra Gaúcha de Curtas. *Clique aqui e confira a lista completa com o time de jurados desta edição.
Foram anunciados na tarde deste sábado, 21/08, os vencedores do Prêmio Assembleia Legislativa – Mostra Gaúcha de Curtas da 49ª edição do Festival de Cinema de Gramado. O filme Desvirtude, de Gautier Lee, foi consagrado com quatro prêmios, entre eles, melhor filme e melhor direção.
O curta traz um forte roteiro sobre racismo ao contar a história de Kenia, uma menina negra, estudante de jornalismo que, após ser agredida durante uma atividade na universidade, tem de lidar com repercussões e retaliações de seu caso: “Eu nem sei o que dizer, estou dividida entre chorar, rir, pensar e falar. Quero aproveitar esse espaço para agradecer a toda nossa equipe que pilhou fazer esse projeto sem nenhum centavo. Eu gastei um total de R$ 17 para comprar uma base para a nossa atriz, é um curta de dezessete reais”, falou emocionada a diretora do filme, Gautier Lee, virtualmente ao vivo na cerimônia.
Ela lembrou ainda que o prêmio vem em um momento muito triste para a equipe, especialmente para o produtor Jéferson Silva, que recentemente passou por um episódio de racismo em um shopping quando foi parado no banheiro e teve uma arma apontada: “É uma honra estar aqui, um baita privilégio poder fazer cinema nesse cenário que temos no Brasil tanto político, econômico, social e sanitário. Estar aqui é um baita privilégio e não quero nunca esquecer disso e quero que isso deixe de ser um privilégio. Quero que fazer cinema seja algo fácil, bem remunerado, que a gente não precise trabalhar em outras coisas pra poder pagar as nossas contas e viver com decência e conforto”, afirmou a diretora. Desvirtude também foi selecionado para competir entre os curtas-metragens brasileiros.
O filme Eu Não Sou um Robô, de Gabriela Lamas, que trata do tema da robotização das pessoas, também foi destaque na mostra deste ano, garantindo quatro prêmios, entre eles, melhor roteiro e melhor filme segundo o Júri da Crítica. O Júri Oficial dos curtas-metragens gaúchos foi formado por: Danielle Bertolini da Silva, diretora, roteirista e produtora executiva; Fernando Alves Pinto, ator; Humberto Pereira da Silva, professor e crítico de cinema; e Nathália Tereza, roteirista, diretora e fotógrafa.
A cerimônia teve participação dos músicos da região de Gramado, Ástrid Godoi no vocal e Felipe Saul na guitarra com intervenções ao vivo. O Prêmio Assembleia Legislativa de Cinema – Mostra Gaúcho de Curtas é uma promoção da Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul, realizado há 18 anos em parceria com a Prefeitura Municipal de Gramado, firmada por meio de Termo de Acordo de Mútua Colaboração, com a interveniência da Gramadotur.
Conheça os vencedores da Mostra Gaúcha de Curtas 2021:
Melhor Filme: Desvirtude, de Gautier Lee (Porto Alegre) Melhor Direção: Gautier Lee, por Desvirtude Melhor Roteiro: Eu Não Sou um Robô, escrito por Felipe Yurgel, Gabriela Lamas e Maurilio Almeida Melhor Ator: Álvaro Rosacosta, por Rufus Melhor Atriz: Evellyn Santos, por Desvirtude Melhor Fotografia: Eu Não Sou um Robô, por Lívia Pasqual Melhor Montagem: Desvirtude, por Gabriel Borges Melhor Direção de Arte: Eu Não Sou um Robô, por Gabriela Lamas Melhor Trilha Sonora: Noite Macabra, por Renan Franzen Melhor Desenho de Som: Um Dia de Primavera, por Kiko Ferraz e Chrístian Vaisz Melhor Produção Executiva: Era Uma Vez uma Princesa, por Álvaro Rosa Costa, Carmem Fernandes, Fernanda Kern, Laura Cohen, Lisiane Cohen e Maurício Borges de Medeiros Melhor Filme | Júri da Crítica: Eu Não Sou um Robô, de Gabriela Lamas Menção Honrosa: Rota, de Mariani Ferreira
Dan Ferreira e Danilo Mesquita no curta baiano Sobre Nossas Cabeças.
Foram revelados neste sábado, 21/08, os filmes selecionados para as mostras competitivas e paralelas da quarta edição do Curta Caicó, que acontecerá entre os dias 6 e 12 de setembro, em formato on-line. O anúncio foi realizado em uma live transmitida no YouTube do festival e apresentada por Vitor Búrigo, aqui do CINEVITOR.
Ao todo, serão exibidos 88 filmes divididos em mostras como Nacional, Potiguar, Seridó e Nordeste. O festival também contará com mostras paralelas temáticas que homenageiam antigos cinemas de Caicó: Cine Alvorada (curtas fantásticos e futuristas), Cine Pax (diversidade), Cine Rio Branco (animação) e Cine São Francisco (filmes universitários). Haverá também uma Sessão Especial, com curtas que dialogam com a linguagem audiovisual. Realizado no interior do Rio Grande do Norte, o festival vem se consolidando como uma importante vitrine de exibição e fomento ao cinema nacional.
A curadoria foi formada pelos cineastas paraibanos Torquato Joel e Ed Júnior e pela jornalista pernambucana Priscila Urpia, responsáveis pela seleção potiguar. A curadoria nacional foi formada pelos realizadores Fagner de Oliveira, Joana Fernandes e Bucka Dantas.
Torquato Joel, que integrou a curadoria potiguar, destacou o volume muito expressivo de inscritos de todos os recantos do estado: “O que norteou a comissão para a seleção foram as obras que apresentam excelências na narrativa e na estética no trato com a linguagem”.
O cineasta potiguar Bucka Dantas, que integrou a curadoria nacional, destacou a qualidade do cinema nacional de curta-metragem: “Um nível de excelência altíssimo. Foi um trabalho muito difícil de ser feito. Como eu penso como realizador, entendo que só o esforço empreendido por todas as equipes para realização dos filmes já os habilitaria para as mostras. Contudo, como era preciso fazer uma seleção, os finalistas foram definidos por critérios técnicos. Estou feliz e honrado em participar dessa curadoria. Vida longa ao Curta Caicó”, celebrou.
Toda a programação do festival é gratuita e os filmes concorrem a vários prêmios especiais, como: Prêmio de Aquisição Elo Company, Prêmio Mistika, Prêmio Cardume e Prêmio do Centro Técnico Audiovisual. Haverá também o Prêmio da Crítica, concedido pela ACCiRN, Associação de Críticas do Cinema do Rio Grande do Norte. O público também escolherá os vencedores do júri popular mediante cadastro básico no site oficial.
Conheça os filmes selecionados para o 4º Curta Caicó:
MOSTRA COMPETITIVA NACIONAL
Cura-me, de Eduardo Varandas Araruna (PB) De Mim para Você, de Rodrigo Peres (DF) Debaixo do guarda-chuva pra ser resistência, de Vini Poffo (SC) E Agora Você, de Edson Lemos Akatoy (PB) Elemento Suspeito, de Gustavo Paixão (SP) Em Quadro, de Luiza Campos (SP) Fragmentos ao Vento: 1945, de Ulisses Da Motta (RS) Hipopótamo, de Taulan Cesco (SC) Inabitável, de Matheus Farias e Enock Carvalho (PE) Jamary, de Begê Muniz (AM) Joana, de Pattrícia de Aquino (PB) Pavilhão 21, de Victor Oliver (RJ) Reexisto, de Lethicia Galo e Rodrigo Campos (SP) Tom, de Felippe Steffens (RS)
MOSTRA COMPETITIVA POTIGUAR
A Terra me Disse, de Pedro Medeiros (RN) Bambelô Cajueiro Abalo, de Maria Marhé (RN) Dias Felizes, de André Santos (RN) Hashtag, de Kell Allen (RN) LEE, de Diego Costta (RN) Mães Solo: Empoderamento e Resiliência, de Fernanda Freitas (RN) Mais um João, de Athos Muniz (RN) Nocaute, de João Marcelino (RN) O Cangaço Vive, de Fabiano Morais (RN) Santa Luzia: Retratos de Fé, de Wigna Ribeiro (RN) Sob as Luzes Dessa Avenida, de Doc Câmara (RN) Somente Após o Descanso, de Sihan Felix (RN) Terreiro de Cinema, de Rodrigo Sena (RN) Transetropical, de João Ricardo Paulino (RN) Vai Melhorar, de Pedro Fiuza (RN)
MOSTRA SERIDÓ
A Estatística, de Cielio Oliveira (RN) Cadeira na Área, de Mara Macêdo (RN) Cores da Resistência, de Hylka Raquel Lucena (RN) Corpos (In)Visíveis: entre o lixão e o Frei Damião, de Jailson Valentim dos Santos (RN) Fole, de Lourival Andrade (RN) O Photographo Zézelino, de Damião Paz, Henrique José e Meysa Medeiros (RN) Propósito, de Adriano Dantas (RN) Um Ensaio do Futuro, de João Pedro Vieira (RN)
MOSTRA NORDESTE
A Beleza de Rose, de Natal Portela (CE) A Pontualidade dos Tubarões, de Raysa Prado (PB) Distopia, de Lilih Curi (BA) Memórias Submersas, de William Tenório (PE) Nossas Mãos são Sagradas, de Júlia Morim (PE) Remoinho, de Tiago A. Neves (PB) Tambor ou Bola, de Sérgio Onofre (AL) Vaudeville, de Elcio Verçosa Filho (AL)
MOSTRA CINE ALVORADA
4 Bilhões de Infinitos, de Marco Antônio Pereira (MG) Introdução aos Estudos Oníricos, de Amanda Pontes (CE) Janaína-sem-Cabeça, de Bruna Schelb Corrêa (MG) O Jardim Fantástico, de Fábio Baldo e Tico Dias (SP) O Prazer de Matar Insetos, de Leonardo Martinelli (RJ) Sobre Nossas Cabeças, de Susan Kalik e Thiago Gomes (BA) Vitorianna, de Gabriela Capello Barroso (RJ) Womaneater, de Paula Pardillos (RN)
MOSTRA CINE PAX
Eu Te Amo, Bressan, de Gabriel Borges (PR) Janelas Daqui, de Luciano Vidigal e Arthur Sherman (RJ) Não Moro Mais em Mim, de Bruna Guido e Vitor Celso (PB) Neguinho, de Marçal Vianna (RJ) Rio das Almas e Negras Memórias, de Taize Inácia e Thaynara Rezende (GO) Sabrina, de Jéssica Barreto (SP) Ser Feliz no Vão, de Lucas H. Rossi dos Santos (RJ) Soccer Boys, de Carlos Guilherme Vogel (RJ)
MOSTRA CINE RIO BRANCO
Às moscas, de Wayner Tristão (BA) Como um Peixe Fora D’água, de Arthur Lombriga (BA) Mãtãnãg, A Encantada, de Shawara Maxakali e Charles Bicalho (MG) Missão Berço Esplêndido, de Joel Caetano (SP) Nós, de David Francisco dos Santos (RJ) O Homem das Gavetas, de Duda Rodrigues (SP) Quarentena, de Emerson Wiskow (RS) Um Dia Frio, de Victor Percy Nadolny Eloy (PR)
MOSTRA CINE SÃO FRANCISCO
Atordoado, Eu Permaneço Atento, de Henrique Amud e Lucas H. Rossi dos Santos (RJ) Elos Positivos, de Eduardo Oliveira (SP) Era Você Naquele Dia, de Carol Duarte (RJ) ÎANDÊ YBY (Nós somos a terra tupinambá), de Ariane Santana, Gabriel Alves e Júlio César Rodrigues (BA) Playlist, de Pedro Melo (PE) Supremacia da Fumaça, de Marcelo Mendes Gomes (ES) Tela Preta, de Erik Ely (GO) Um Breve Estado de Ser Humano, de Lucas Calegari Bastos (RS)
SESSÃO ESPECIAL
A Bondade dos Estranhos ou (Narração curta a partir de uma experiência pessoal), de Eudaldo Monção Jr (BA) A Praga do Cinema Brasileiro, de Zefel Coff e William Alves (DF) Cabeça de Luz, de Carito Cavalcanti e Fernando Suassuna (RN) Cine Aurélio, de Kennel Rogis (PE) Cinema Mudo, de Melo Viana (PR) Lua, de Fabio Salvador (SP) Mihe’aka Voxené: Simoné Veyopé Ûti! (Abre Caminho: nossas câmeras chegaram!), de Raylson C. Costa (MS) Nu Escuru, de Guilherme Telli (SP) O Colecionador, de Christian Jafas, Felipe Davson, Tiago Bravo Quintes e Vinícius A. Carvalho (RJ) Zero, de Sacha Bali (RJ)
Zezita Matos no curta Não me Esqueças, Me Ame para Sempre.
A quarta edição do FestCine Pedra Azul acontecerá entre os dias 24 e 28 de agosto em formato on-line, por conta da pandemia de Covid-19, e será transmitida através do site oficial do evento (clique aqui).
Neste ano, serão exibidos 37 filmes, entre longas e curtas-metragens, de diversos gêneros, além de webséries, que ficarão disponíveis para o público durante 24 horas: “É sempre um grande prazer realizar o FestCine Pedra Azul. Nesta quarta edição do evento, que permanece em formato on-line, apresentamos um recorte rico da produção cinematográfica atual, reafirmando a força da sétima arte com uma programação feita para os fãs do cinema. Também vamos homenagear Paulo Betti, um artista que é sinônimo de arte no Brasil”, disse Marcoz Gomez, diretor do festival.
Lucia Caus, diretora executiva do evento, também comentou: “O FestCine Pedra Azul é um espaço muito importante para o fomento da produção audiovisual dentro do Espírito Santo. O evento é uma grande oportunidade para que os apaixonados pelo cinema possam assistir um recorte muito interessante da produção audiovisual contemporânea”.
Um dos atores mais talentosos do Brasil e que transita com versatilidade entre o teatro, o cinema e a televisão, Paulo Betti será o grande homenageado desta quarta edição. A cerimônia acontece no dia 28 de agosto, às 20h, no site do festival, e marca o lançamento do Caderno em sua homenagem. Como ator, ele participou de dezenas de filmes, novelas e espetáculos, além de vários trabalhos como diretor, tanto no cinema quanto no teatro.
Sua carreira teve início nos palcos, no final dos anos de 1960, com o espetáculo O Rapto das Cebolinhas, de Maria Clara Machado. Ao longo dos anos, Betti construiu uma carreira sólida e de personagens marcantes no imaginário popular como Wanderley Amaral, de Mulheres de Areia; e o Timóteo d’Alembert, de Tieta, um clássico das telenovelas brasileiras.
No cinema, desde sua estreia na década de 1970 em Revolução de 1932, de Nuno César de Abreu, sua presença é constante. Atuou em longas como Dedé Mamata, de Dodô Brandão; O Amor Está no Ar, de Amylton de Almeida; e Ed Mort, de Alain Fresnot. Uma das suas parcerias mais longevas na sétima arte é com o diretor Sérgio Rezende. Ao lado do carioca, ele estrelou os filmes Doida Demais, Lamarca, Guerra de Canudos, Mauá: O Imperador e o Rei, Zuzu Angel e O Paciente – O Caso Tancredo Neves.
No teatro, foi vencedor dos prêmios mais importantes da categoria, como o Shell, Mambembe, Moliére e APCA. Entre os destaques da carreira como diretor está Feliz Ano Velho, adaptação do livro clássico de Marcelo Rubens Paiva, que revelou nomes como Marcos Frota e Lilia Cabral e se tornou um marco dos palcos brasileiros. Em 2015, ele atuou e dirigiu a peça Autobiografia Autorizada, que conta parte da sua vida. O trabalho ganhou, em 2020, uma versão on-line em função da pandemia.
A programação deste ano do FestCine Pedra Azul apresenta filmes de diversos estados brasileiros, uma coprodução entre o Brasil e o Chile, além de um curta-metragem fora de competição; as produções concorrem ao Troféu Rota do Lagarto.
Conheça os títulos selecionados para o 4º FestCine Pedra Azul:
LONGA-METRAGEM
A Morte Habita à Noite, de Eduardo Morotó (PE) Atrás dos Olhos das Meninas Sérias, de Carlos Canela (MG) Cavalo de Santo, de Mirian Fichtner e Carlos Caramez (RS) É Capixaba, de Gustavo Marcolino (ES) Haigaz pelo Mundo Atacama, de Rodrigo Polozz (Brasil/Chile) Histórias Cruzadas, de Marc Dourdin (SP) Lasanha de Berinjela, de Roberto Skora e Vinícius Piedade (PR) Lula Lá: De Fora pra Dentro, de Mariana Vitarelli Alessi (RJ) Ménage, de Luan Cardoso (SP) Nós, a Terra e Eles, de Vitor Villaça Campanario (SP) O Mergulho na Piscina Vazia, de Edson Fogaça (SP) O Olhar de Edite, de Daniel Fagundes (SP) Oxente, Bixiga!, de Daniel Fagundes e Fernanda Vargas (SP) Utopia, de Rayane de Almeida Penha (AP)
CURTA-METRAGEM
Além da Jornada, de Gabriel Silveira e Victor Furtado (CE) Besta-Fera, de Wagno Godez (AL) Confinada, de Renata Moraes (SP) Encontre-se, de Levi de Andrade Meirelles (RJ) Ficção Burguesa, de Murillo Brederode (DF) Foguete, de Pedro Henrique Chaves (DF) Ilhado, de Marcoz Gomez (ES) (fora de competição) Maria, de Diego Müller (RS) Não me Esqueças, Me Ame para Sempre, de Guilherme Andrade (SP) Neguinho, de Marçal Vianna (RJ) Ok, Karen, de Hugo L. V. e Oliveira (SP) Os Dias que Escondem as Noites, de Rogério Cavalcante e Castro (RJ) Quantos Mais?, de Lucas de Jesus (BA) Story.Telling, de Fábio Brandão (RJ) Tambor ou Bola, de Sérgio Onofre e Seixas de Araújo (AL) Toda Rosa Tem Espinhas, de Tadeu Bijos (RJ)
WEBSÉRIE
58 Segundos, de JJ Erenberg, Juliana Del Rosso (aka Jota Del Rosso), Bia Erenberg, Paula Weiss, Fernando Farias e Flavio Langoni (SP) Abóbora, de Kássia de Paula, Gabriela Furlan e Lucas Bomtempo (RJ) Isso Não é uma História de Amor, de Alexia Annes (SP) Liga da Mata, de Sergio Kalili (SP) Na Vida dos Gamers, de Marcos Hunger (SP) Ordinários S.A., de Luiz Brambilla (PR) Valerianas, de Renan Amaral (RJ)
A quinta-feira, 19/08, última noite de mostras competitivas do 49º Festival de Cinema de Gramado, começou com os curtas A Fome de Lázaro, de Diego Benevides, e Da Janela Eu Vejo o Mundo, de Ana Catarina Lugarini; o argentino Planta Permanente, de Ezequiel Radusky, foi exibido na mostra de longas estrangeiros.
Entre os longas brasileiros, Jesus Kid, escrito e dirigido por Aly Muritiba, de Para Minha Amada Morta, encerrou a competição. Baseado na obra homônima de Lourenço Mutarelli, o filme é protagonizado por Paulo Miklos, que interpreta Eugênio, um escritor de pocket books de western, que atravessa uma fase difícil. Seu personagem mais famoso, Jesus Kid, está indo mal de vendas e a editora ameaça tomar-lhe o personagem e entregá-lo a outro escritor. Então, aparece o que poderia ser a sua salvação: Eugênio é contratado por um produtor e um diretor de cinema para escrever o roteiro de um filme. O único problema é que ele tem que escrever este roteiro dentro de um hotel luxuoso, do qual, por contrato, não pode sair por três meses.
Fã do gênero western desde a infância, Muritiba, que foi consagrado em Gramado, em 2018, com Ferrugem, usou diferentes referências para compor Jesus Kid, que vão de Jim Jarmusch, irmãos Coen a Tarantino. Sergio Marone, que também assina como produtor, dá vida a Jesus Kid. O elenco conta ainda com as presenças de Maureen Miranda, Leandro Daniel, Luthero Almeida, Fábio Silvestre, Otávio Linhares, entre outros.
No dia seguinte à exibição, alguns integrantes da equipe e do elenco participaram de um debate virtual, que foi mediado pelo jornalista Roger Lerina. Marcaram presença: o diretor Aly Muritiba; e os atores Paulo Miklos, Sergio Marone e Maureen Miranda.
Questionado sobre a ideia do projeto, Aly comentou: “A gênese da minha participação em Jesus Kid passa pelo Sergio Marone. A ideia de transformar esse livro num filme veio dele, que conversou comigo em 2012 quando nos conhecemos. Eu ainda não tinha feito meus longas e ele viu meu curta A Fábrica em um festival em Los Angeles. Começamos a conversar e ele me contou que tinha adquirido os direitos do livro [escrito por Lourenço Mutarelli] e tinha vontade de adaptar. Inicialmente, entrei no projeto como roteirista e no processo de adaptação foi me dando vontade de dirigir o filme. Nunca me enxerguei como diretor de um gênero só. Gosto desse ecletismo que me move e dessa vontade de habitar outros territórios. Já fiz alguns filmes dramáticos, um território que transito com conforto, e queria experimentar uma coisa nova fazendo comédia. Talvez amanhã eu faça um musical. Não quero ficar fazendo sempre o mesmo filme. Por isso, me lancei na empreitada de dirigir Jesus Kid e fazer essa comédia doida”.
Protagonista: Paulo Miklos interpreta um escritor desajeitado.
Sergio Marone, ator e produtor do filme, falou sobre sua participação: “Eu já tinha vontade de produzir alguma coisa no cinema porque nessa vida de ator ficamos na mão de oportunidades que surgem para nós. Eu queria mudar um pouco isso porque as oportunidades que tive na TV eu nunca tive no cinema; de trabalhar com outras pessoas que admiro e respeito e fazer um cinema mais autoral. Então, eu comprei esse romance com a vontade de mostrar para a turma do cinema que eu quero e posso fazer coisas diferentes, sair da prateleira que usualmente nos colocam”.
O ator também falou das referências para seu personagem: “Bebi de várias fontes, mas nenhuma específica. Vi bastante western, desde os mais antigos até os mais recentes, como Tarantino. Esse universo é muito vasto. Fiz um trabalho muito forte com uma preparadora corporal porque um cowboy tem um corpo totalmente diferente do meu. Tentei buscar uma impostação de voz diferente para causar um estranhamento. A ideia era buscar uma embocadura diferente e o personagem acabou causando essa estranheza que é muito interessante para o papel”.
Maureen Miranda, que interpreta Nurse, falou sobre seu papel: “A minha personagem é uma femme fatale às avessas porque eu não tenho nada disso. Pra mim foi um desafio. Eu também vi o curta A Fábrica do Aly e fiquei com muita vontade de trabalhar com ele. Além disso, contracenar com o Paulo Miklos foi como um sonho e tivemos uma ótima química no set. Depois da primeira cena que filmamos, a Nurse chegou em mim e fluiu”.
Paulo Miklos, protagonista de Jesus Kide premiado em Gramado com o kikito de melhor ator, em 2019, por O Homem Cordial, falou sobre esse novo trabalho: “Foi uma alegria fazer esse personagem. Eu conheço pessoalmente o Lourenço Mutarelli e isso serviu demais na hora de compor esse personagem porque esse escritor é o alterego do Mutarelli. Conversamos muito no set de É Proibido Fumar [filme dirigido por Anna Muylaert, de 2009] e ele me contou ótimas historias. Ele tem essa coisa maluca de falar sobre ele mesmo em um drama, que ao mesmo tempo é tragicômico. Isso me influenciou muito na montagem desse Eugênio, que também é um sujeito deslocado e desajeitado. O Aly conduziu esse filme com muita leveza”.
Sobre as coincidências com a atual realidade do Brasil, Aly comentou: “As bizarrices da realidade contemporânea superam muito a questão surreal de Jesus Kid. Meu filme foi ultrapassado por essa realidade, infelizmente. O livro do Lourenço é de 2012 e não tinha nenhuma contextualização política. Ao longo dos anos, escrevi diversos tratamentos do roteiro e, em 2018, logo depois das eleições presidenciais, saiu a grana para fazer o filme. Nisso, fui reler o roteiro e achei que estava faltando uma pegada, pois estava muito datado. Eu estava naquele momento, como mais ou menos 47 milhões de eleitores, bastante frustrado e antevendo a desgraça que viria pela frente. Então, me debrucei nesse roteiro criando todo esse contexto. Resolvi afundar o pé nisso, tentando criar uma espécie de Brasil distópico imaginando que esse seria o Brasil de 2021. Fiz um exercício de futurologia que não era complexo, não, porque já era muito óbvio. Esse contexto político veio de uma revolta e da vontade de rir da cara dessa galera”.
As exibições dos longas-metragens brasileiros acontecem entre 13 e 19 de agosto, a partir das 21h30, na grade linear do Canal Brasil, para toda a base de assinantes, e nos serviços de streaming Canais Globo e Globoplay + Canais ao Vivo somente durante o horário da exibição na TV.
*Você acompanha a cobertura do CINEVITOR por aqui, pelo canal no YouTube e pelas redes sociais: Twitter, Facebook e Instagram.
Matheus Nachtergaele em cena: fantasia e drama social.
A noite de quarta-feira, 18/08, da 49ª edição do Festival de Cinema de Gramado começou com a mostra competitiva de curtas-metragens, que exibiu Aonde Vão os Pés, de Débora Zanatta, e Memória de Quem (não) Fui, de Thiago Kistenmacker. Além disso, La teoria de los vidrios rotos, uma coprodução entre Uruguai, Brasil e Argentina, dirigida por Diego Fernández Pujol, foi exibida na mostra de longas estrangeiros.
Entre os longas brasileiros em competição, Carro Rei, de Renata Pinheiro, foi o destaque da sexta noite do festival. No início dos anos 2000, o nascimento de uma criança dentro de um carro recém-saído da concessionária, provoca um evento fantástico. O bebê cresce e se torna uma espécie de criança transumana que tem a habilidade de se comunicar com carros. Ele é Uno da Silva, vivido por Luciano Pedro Jr. Uno e o carro crescem juntos e são melhores amigos, ao lado de Zé Macaco, seu tio, interpretado por Matheus Nachtergaele, um mecânico de ideias pouco convencionais. Mas, um acidente os separa. A criança se torna um jovem ativista ambiental, afastando-se de seu dom único e da tradição familiar. O carro é exilado junto com Zé Macaco num ferro-velho desativado.
Combinando fantasia e drama social, o filme fez sua estreia mundial no Festival de Roterdã, em fevereiro, e vem participando de diversos festivais ao redor do mundo. Neste longa, Renata Pinheiro, de Açúcar, volta a trabalhar com o diretor e roteirista Sergio Oliveira, seu marido e com quem trabalha desde seu primeiro curta, chamado Superbarroco, com quem codirigiu vários filmes. A equipe conta também com o corroteirista Leo Pyrata e com o diretor de fotografia argentino Fernando Lockett, com quem trabalhou em Amor, Plástico e Barulho.
O elenco apresenta Jules Elting, de O Ornitólogo, com carreira sólida no teatro e há alguns anos emergente no cinema internacional de arte; além de Clara Pinheiro, filha de Renata e Sergio; Adélio Lima, Ane Oliva e Tavinho Teixeira.
No dia seguinte à exibição, alguns integrantes da equipe e do elenco participaram de um debate virtual, que foi mediado pelo jornalista Roger Lerina. Marcaram presença: a diretora Renata Pinheiro; o produtor e corroteirista Sergio Oliveira; e os atores Matheus Nachtergaele, Luciano Pedro Jr., Jules Elting e Clara Pinheiro.
Questionada sobre a ideia, Renata comentou: “Esse filme foi concebido há alguns anos em função de uma transformação da sociedade brasileira recente. O Brasil tem uma tendência de absorver a tecnologia de uma forma muito rápida. O carro faz parte desse ser moderno que é o brasileiro. Mas, na verdade, o filme é sobre o quão estamos nos transformando também nesse homem tecnológico e o quanto podemos nos desumanizar nesse processo. A diversidade que o filme apresenta é para mostrar como tudo isso afeta; cada pessoa e cada camada social”.
Sonhos e histórias: Jules Elting em cena.
Sergio Oliveira, que também assina o roteiro e a produção, completou: “O prenúncio desse filme é um curta que realizamos chamado Praça Walt Disney [lançado em 2011], no qual fizemos uma coreografia de carros no bairro de Boa Viagem, no Recife. Carro Rei tem, sim, referências de David Cronenberg e John Carpenter, mas tem também Fuscão Preto [filme dirigido por Jeremias Moreira Filho e lançado em 1983], que o Leo [Pyrata, corroteirista] é apaixonado. A ideia do personagem Zé Macaco, por exemplo, também já estava prenunciada em outro roteiro que eu tinha feito e cresceu com o Matheus [Nachtergaele], que personificou tão bem, cheio de camadas e gestos psicológicos e corporais. Foi um longo trabalho, com um roteiro modificado várias vezes, e muito ousado até para nós. Sempre temos uma inquietação de fazer filmes observando a realidade e daqui partir para um realismo mais mágico”.
Sobre seu personagem, Matheus Nachtergaele ressaltou: “Eu recebi o desafio com uma alegria imensa por motivos especiais, já que conheço Renata e Serginho há muito tempo, pois fizemos os três primeiros filmes do Cláudio Assis juntos. Com isso, formou-se um grupo amoroso de amigos em Pernambuco. Eu sou um ator da retomada do cinema brasileiro e também do cinema pernambucano. Aqui, há uma inversão dos papeis: quando Renata como uma grande diretora, que fez a direção de arte do meu longa A Festa da Menina Morta [premiado em Gramado, em 2008], me chama para ser ator dela, já era um sim emocionalmente. Mas quando ela me contou o roteiro, naquele momento eu quis fazer e já comecei a criar o Zé Macaco”.
O ator Luciano Pedro Jr. elogiou o trabalho da diretora: “Ter sido dirigido pela Renata foi incrível. O trabalho que ela vem realizando ao longo dos anos é muito contundente e com muita potência. Você vem percebendo que ela tem feito um trabalho de elenco muito forte, de forma muito incrível com as pessoas que estão encarnando esses personagens. Acredito muito no trabalho dela como um trabalho em conjunto, que para o ator é como se ele fosse mais do que um elemento na tela que compõe o grande quadro. Ela consegue fazer uma combinação muito equilibrada e perfeita de como o elenco pode ser uma potência junto com a plasticidade dos cenários e dos lugares que ela escolhe filmar”.
Jules Elting, que morou dez anos no Brasil e trabalhou no Teatro Oficina, falou diretamente de Berlim sobre sua experiência em Carro Rei: “Foi muito forte compartilhar essa história. Tudo estava no roteiro criado por eles, mas casou muito bem comigo. Me conectei imediatamente com a Renata. Esse filme tem muitas camadas e cada um pega uma coisa que fala mais alto para si. E tem uma aspecto feminista que eu acho muito interessante, que é como os personagens femininos foram escritos, como Amora e Mercedes; não é tão comum ver esse tipo de personagem feminino em um filme, esse jeito que elas lutam e que se colocam no mundo. Isso me interessou muito. Queríamos passar uma mensagem do nosso coração, de como ser mulher nesse mundo, de poder viver a sexualidade e de se conectar com as pessoas. Não era só fazer um filme, mas todo mundo no set estava em uma missão de contar algo maior do que nós”.
Clara Pinheiro, filha de Renata e Sergio, falou sobre dividir o set com os pais: “Eu fico muito orgulhosa pela equipe e me sinto muito grata por fazer parte desse elenco. Não só por estar realmente em família, mas eu me senti em família no set porque tinha uma energia muito boa fluindo. Sentíamos que aquilo era muito maior do que cada um individualmente, pois existia uma coletividade. Eu lembro que no meu primeiro dia de filmagem eu chorei muito; pela pressão do primeiro dia e também de filmar com a minha mãe, apesar de eu me sentir completamente aberta para falar qualquer coisa com ela. Mas tinha a pressão de querer fazer muito bem, por ser minha mãe, claro, mas por ser uma diretora muito exigente e sensível”.
Sobre o filme, Matheus concluiu: “Eu tenho pra mim que o filme é uma fábula e como toda fábula ele carrega como base um inconsciente forte que precisa ser significado e que precisa de símbolos. Acho que muitas coisas são ditas no filme, coisas profundas da nossa realidade interior e exterior. Eu comecei a sonhar com a Renata desde o começo. Foi uma viagem fazer o filme, foi uma delícia. Não foi nada careta. É um filme cheio de perguntas, tentativas de respostas e é arriscado; no sentido de propor um cinema para o Brasil com caminhos novos, de criticar e sentir o país. E tentar tornar visível alguns dos nossos pesadelos e sonhos. Espero que as pessoas tenham saboreado como eu saboreei as provocações do filme. Acho que o cinema brasileiro é bonito porque é arriscado, não obedece uma narrativa americanizada, é cheio de cores, denúncias, cheio de tesão e agora cheio dessas novas coisas do mundo atual, essa pornotecnologia fascista”.
As exibições dos longas-metragens brasileiros acontecem entre 13 e 19 de agosto, a partir das 21h30, na grade linear do Canal Brasil, para toda a base de assinantes, e nos serviços de streaming Canais Globo e Globoplay + Canais ao Vivo somente durante o horário da exibição na TV.
*Você acompanha a cobertura do CINEVITOR por aqui, pelo canal no YouTube e pelas redes sociais: Twitter, Facebook e Instagram.
Depois de passar por diversos festivais nacionais e internacionais, Valentina, de Cássio Pereira dos Santos, dos curtas Marina Não Vai à Praia e A Menina-Espantalho, chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, 19/08.
O filme conta a história de Valentina, interpretada por Thiessa Woinbackk, uma jovem trans que se muda para o interior de Minas Gerais com a mãe, Márcia, papel de Guta Stresser, para um recomeço. Com receio de ser intimidada na nova escola, a garota busca mais privacidade e tenta se matricular com seu nome social. No entanto, a família enfrenta problemas quando a diretoria da escola, despreparada, começa a exigir a assinatura do pai ausente, vivido por Rômulo Braga, para realizar a matrícula.
O longa traz como protagonista Thiessa Woinbackk, influenciadora digital que começa a legitimar seu espaço como atriz. Thiessa, que faz sua estreia nas telonas em Valentina, ganhou quatro prêmios de atuação por seu trabalho no filme, em festivais como Outfest Los Angeles, Mix Brasil, Mostra Internacional de Cinema em São Paulo e Festival de Seattle.
Com produção de Erika Pereira dos Santos, Valentina conta com elenco e equipe, em grande parte, formados por membros da comunidade LGBTQIA+. O projeto conta ainda com trilha original da banda paranaense Tuyo e também com Letícia Franco, Ronaldo Bonafro, Pedro Diniz e João Gott no elenco.
Filmado em Uberlândia e na cidade histórica de Estrela do Sul, em Minas Gerais, o longa foi vencedor de quinze prêmios em festivais do mundo todo, entre eles: Prêmio do Público na 44ª Mostra de São Paulo, Prêmio Especial do Júri no Festival de Cinema de Kiev, melhor diretor estreante no Festival de Cinema da Índia, entre outros. Além disso, no último Festival Mix Brasil de Cultura da Diversidade, venceu em quatro categorias, entre elas, melhor longa brasileiro e Prêmio do Público.
Para falar mais sobre o filme, conversamos com o diretor e com a protagonista, que falaram sobre entrosamento com a equipe, filmagens, temas relevantes, expectativas e estreia nos cinemas em tempos de pandemia.