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II AFRONTE – Festival de Cinema LGBTQIAP+: conheça os filmes selecionados

por: Cinevitor
Cena do curta Meninos Rimam, de Lucas Nunes: selecionado.

A segunda edição do AFRONTE – Festival de Cinema LGBTQIAP+ acontecerá entre os dias 5 e 9 de maio em formato virtual. O evento teve o cuidado em representar a pluralidade da sigla LGBTQIAP+ na frente e atrás das telas, desta vez não apenas por profissionais que ocupam o cargo de direção, mas ampliando a representação para outros cargos chaves.

Neste ano, foram 227 filmes inscritos, das cinco regiões do Brasil, e 26 selecionados divididos em quatro mostras competitivas: “Os filmes que compõem as quatro mostras reverberam de uma forma potente em nosso imaginário, e com suas temáticas e personagens marcantes nos mostram representações que nos fazem confirmar que é possível nos vermos em nossa amplitude e diversidade. As obras, cada uma com sua singularidade, nos fizeram rir, nos emocionar, ter medo, e sentir esperança ao nos possibilitarem acessar outra realidade possível, seja ela do presente, futuro ou passado”, disse André Santos, diretor geral do festival.

A curadoria foi formada por André Santos, Ronaldo Melo, Rosy Nascimento, Tereza Duarte e Vitória Real. O Júri Oficial conta com Anti Ribeiro, Helio Ronyvon, Julia Morais, Pipa Dantas, Fabíola Silva e Marlom Meirelles; o Júri da Crítica, formado por membros da ACCiRN, Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Norte, conta com Laisa Trojaike, Sihan Felix e Thales Azevedo.

O festival tem caráter competitivo e serão concedidos oito prêmios livres e três prêmios de melhor filme (premiação no valor de R$ 500,00) pelo Júri Oficial; além de quatro prêmios do Júri Popular, com votação pelo site. Os títulos estarão disponíveis durante todos os dias do evento.

Além disso, a programação conta com oficinas e bate-papos com os realizadores dos filmes, que serão mediados por Franco Fonseca e Rosy Nascimento. Eles serão transmitidos no canal do YouTube do festival, assim como a cerimônia de encerramento e premiação.

O AFRONTE teve sua primeira edição em dezembro de 2019 e se preocupou em ser o primeiro festival de cinema do Rio Grande do Norte a trazer em sua programação apenas filmes dirigidos por profissionais LGBTQIAP+, priorizando as narrativas que dessem destaque ao protagonismo desse nicho.

A violência contra a população LGBTQIAP+ está diretamente conectada com a discriminação que transpassa a sociedade. Em 2013, o Rio Grande do Norte foi considerado um dos estados mais violentos para a comunidade LGBTQIAP+ no Brasil. Recentemente, em 2018, um mapeamento inédito, feito no estado pela ativista Rebecka de França, mostra um cenário de violência moral, física e de exclusão sobre a população LGBTQIAP+.

Conheça os filmes selecionados para o II AFRONTE:

MOSTRA AFETOS

À Beira do Planeta Mainha Soprou a Gente, de Bruna Barros e Bruna Castro (BA)
Acesso, de Julia Leite (SP)
Aonde Vão Pés, de Débora Zanatta (PR)
Marie, de Leo Tabosa (PE)
Meninos Rimam, de Lucas Nunes (SP)
O que Pode um Corpo?, de Victor Di Marco e Márcio Picoli (RS)

MOSTRA DEVIRES

Abjetas 288, de Júlia da Costa e Renata Mourão (SE)
Ada, de Rafaela Uchoa (BA)
Aliena, de Pedro Spieker (RS)
Etruska Waters em: O Tombamento da Republiqueta, de Thiago Bezerra Benites (PR)
Onde a Fé Tem Nos Levado, de Neto Asterio (SE)
Os Últimos Românticos do Mundo, de Henrique Arruda (PE)

MOSTRA O QUE NÃO SOMOS

Agachem, Segurem, Formem, Arrasem, de Caio Baú (SP)
Piu Piu, de Alexandre Figueirôa (PE)
Primavera de Fernanda, de Débora Zanatta e Estevan de la Fuente (PR)
Sangro, de Tiago Minamisawa, Bruno H. Castro e Guto BR (SP)
Tenebrosas?, de Jhonatan Bào (SP)
Véu, de Stéphanie Moreira (RN)
Você Já Tentou Olhar nos Meus Olhos?, de Tiago Felipe (PR)

MOSTRA TRAJETÓRIAS

Canudos em Minha Pele, de Rosa Amorim (PE)
Encruza, de Bruna Andrade, Gleyser Ferreira, Maíra Oliveira e Uilton Oliveira (RJ)
Espírito que Caminha, de Gabriela Barreto Daldegan (AC)
Joãosinho da Goméa, O Rei do Candomblé, de Janaina Oliveira ReFem e Rodrigo Dutra (RJ)
Pátria, de Lívia Costa e Sunny Maia (CE)
Perifericu, de Nay Mendl, Rosa Caldeira, Stheffany Fernanda e Vita Pereira (SP)

*O II AFRONTE – Festival de Cinema LGBTQIAP+ é uma realização da Caboré Audiovisual e tem patrocínio do Governo do Estado do Rio Grande do Norte, Fundação José Augusto, Secretaria Especial da Cultura, Ministério do Turismo e Governo Federal, através da Lei Aldir Blanc.

Foto: Divulgação.

Amigas de Sorte, com Arlete Salles, Rosi Campos e Susana Vieira, ganha data de estreia nas plataformas digitais

por: Cinevitor
História centrada em três personagens femininas da terceira idade.

Dirigido por Homero Olivetto, de Reza a Lenda, com roteiro de Lusa Silvestre, de Estômago e do inédito Medida Provisória, e argumento de Alexandre Machado e Fernanda Young, Amigas de Sorte estreia em VOD no dia 17 de maio nas plataformas Now, Sky, Vivo, Oi, Looke, iTunes e Google Play.

Protagonizado por Arlete Salles, Rosi Campos e Susana Vieira, a história é centrada em três personagens femininas da terceira idade: Nelita, Nina e Rita. Elas moram no bairro Bexiga, em São Paulo, e são amigas desde a juventude, cultivando sempre o sonho de um dia se tornarem ricas, pois vivem com o dinheiro contado de seus respectivos trabalhos: Nelita é dona de um antiquário, Nina tem uma cantina e Rita é professora aposentada.

Um dia a sorte chega com um valor suficiente para que as três tenham uma vida confortável. Mas, antes de pensar nesse futuro elas se dão o direito de embarcar numa aventura em um país não tão longe daqui, mas que lhes permite o descanso do cotidiano sempre dedicado aos maridos, filhos, sobrinhos e netos.

Produzido por Tatiana Quintella, da Popocon, com coprodução da Globo Filmes, o longa foi filmado em São Paulo, Montevidéu e Punta del Este. O elenco conta também com Klebber Toledo, Otávio Augusto, Luana Piovani, Julio Rocha e Bruno Fagundes.

Confira o trailer de Amigas de Sorte:

Foto: Catarina Sousa.

11º CINEFANTASY: conheça os vencedores

por: Cinevitor
Grace Passô no curta República: diretora e atriz.

Foram anunciados neste sábado, 01/05, os vencedores da 11ª edição do CINEFANTASY – Festival Internacional de Cinema Fantástico. O ator Silvero Pereira apresentou a cerimônia virtual realizada no canal do YouTube do evento.

Os títulos das mostras competitivas concorreram ao Troféu José Mojica Marins, exceto a Mostra Fantastic Black Power, que estreou este ano na programação e prestou uma homenagem ao ator João Acaiabe, falecido recentemente, com o Troféu João Acaiabe. Os filmes premiados permanecem disponíveis até domingo, 09/05, na plataforma Belas Artes à La Carte.

Entre os vencedores, o longa Rosa Tirana, de Rogério Sagui, e o curta Rasga Mortalha, de Thiago Martins de Melo, receberam o Prêmio Tanu Distribuicion, que conta com um ano de distribuição dos filmes em festivais da América Latina e irão representar o Brasil no disputado Prêmio FANTLATAM, premiação internacional da Alianza Latinoamericana de Festivales de Cine Fantástico. O curta Vizinhança, de Lucas Carvalho, e Um Breve Estado de Ser Humano, de Lucas Calegari Bastos, levaram o Prêmio AIC; Rasga Mortalha também foi contemplado com o Prêmio CTAv com o Kit Black Magic e lentes por até 15 dias.

Neste ano, o cineasta Neville D’Almeida, um dos maiores ícones do cinema nacional, foi o grande homenageado. Além disso, a programação contou com diversas atividades paralelas gratuitas, encontros, debates e workshops com nomes como Rodrigo Teixeira, Mariana Jaspe, Jefferson De, a escritora Robin R. Means Coleman, o cineasta argentino Hernán Moyano, entre outros; além da exposição on-line Xirê Dos Orixás, de Jan Brapa.

O time de jurados deste ano foi formado por: Celso Sabadin, Cavi Borges e Lina Chamie na mostra de longas documentais; Claudia Ruiz, Emilio Bustamante e Leopoldo Muñoz na mostra de longas de ficção; Ivo Costa, Maria Izabel Casanovas e William Cristiano na mostra Amador; Marta Russo, Matheus Rufino e Otavio Moulin na mostra Animação; Bertrand Lira, Francisco Gaspar e Ingrid Soares na mostra Brasil Fantástico; Alejandro Yamgotchian, Juan Lozano e Tatiana Lechner Quiroga na mostra Espanha Fantástica; Filipe Falcão, Marciel Consani e Tamires Serket na mostra Estudante; Aryanne Ribeiro, Eduardo Nasi e Renato Chocair na mostra Fantasia; Clarissa Vieira, Juliana Lima e Lobo Mauro na mostra Fantastic Black Power; Celso Curi, Marcio Rosario e Paula Ferreira na mostra Fantástica Diversidade; Julia Maria, Lucia Caus e Chan Suan na mostra Fantasteen; Alfredo Suppia, Getro e Susan Kalik na mostra Ficção Científica; Bruno Carmelo, Helena Albergaria e Marcos Debrito na mostra Horror; Ana de Hollanda, Maria Clara Spinelli e Tati Regis na mostra Mulheres Fantásticas; e Daniella Peneluppi, Lilian Trigo e Mayra Alarcón na mostra Pequenos Fantásticos.

Conheça os vencedores da 11ª edição do CINEFANTASY:

LONGAS-METRAGENS

Melhor Filme | Longa-metragem | Ficção: Sayo, de Jeremy Rubier (Canadá)
Melhor Filme | Longa-metragem | Documentário: A Vingança de Jairo (La Venganza de Jairo), de Simon Hernandez (Colômbia)
Melhor Direção | Longa-metragem: Porcelana (Porcelain), por Jenneke Boeijink
Melhor Roteiro | Longa-metragem: Sayo, escrito por Jeremy Rubier
Melhor Ator: Levente Molnár, por Ravina (Hasadék)
Melhor Atriz: Arlete Dias, Mary Dias e Wall Diaz, por Voltei!

CURTAS-METRAGENS

Melhor Curta Amador: Vizinhança, de Lucas Carvalho (Brasil)
Melhor Curta Animação: Resta Um (One Left), de Sebastian Doringer (Áustria)
Melhor Curta Brasil Fantástico: Mãtãnãg, A Encantada, de Shawara Maxakali e Charles Bicalho (MG)
Melhor Curta Espanha Fantástica: Continua Aí? (¿Sigues Ahí?), de Mónica Zamora
Menção Honrosa | Espanha Fantástica: Rostos (Faces), de Iván Sáinz-Pardo
Melhor Curta Estudante: Um Breve Estado de Ser Humano, de Lucas Calegari Bastos (Brasil)
Melhor Curta Fantasia: Toque Poderoso (Big Touch), de Christopher Tenzis (EUA)
Menção Honrosa | Curta Fantasia: 2030, de Julio Urbano (Brasil)
Melhor Curta FantasTeen: Cuco! (Cuckoo!), de Jörgen Scholtens (Holanda)
Melhor Curta Fantástica Diversidade: Primeiro Carnaval, de Alan Medina (Brasil)
Melhor Curta Ficção Científica: O Homem da Reciclagem (The Recycling Man), de Carlo Ballauri (Itália)
Melhor Curta Horror: O Matar de uma Criança (The Killing Of a Child), de Kim Kokosky Deforchaux (Holanda)
Melhor Curta Mulheres Fantásticas: Rong, de Indira Iman (Indonésia)
Menção Honrosa | Mulheres Fantásticas: Eu Tenho o Blues (J’ai Le Cafard), de Maysaa Almumin (Kuwait/Qatar)
Melhor Curta Pequenos Fantásticos: Latitude de Primavera (Latitude du Printemps), de Sylvain Cuvillier, Chloé Bourdic, Théophile Coursimault e Noémie (França)
Menção Honrosa | Pequenos Fantásticos: Om, de Gabriela Fernández (Argentina)
Melhor Curta Fantastic Black Power | Troféu João Acaiabe: República, de Grace Passô (Brasil)

PRÊMIO TANU DISTRIBUICION AMÉRICA LATINA
Longa-metragem: Rosa Tirana, de Rogério Sagui (Brasil)
Curta-metragem: Rasga Mortalha, de Thiago Martins de Melo (Brasil)

PRÊMIO CTAv
Rasga Mortalha, de Thiago Martins de Melo

PRÊMIO AIC
Melhor Curta Amador: Vizinhança, de Lucas Carvalho
Melhor Curta Estudante: Um Breve Estado de Ser Humano, de Lucas Calegari Bastos

INDICADOS FANTLATAM 2021
Melhor longa-metragem: Rosa Tirana, de Rogério Sagui
Melhor curta-metragem: Rasga Mortalha, de Thiago Martins de Melo

Foto: Divulgação.

Protagonizado por Gloria Pires, Vovó Ninja, de Bruno Barreto, começa a ser filmado

por: Cinevitor
Bastidores: Gloria Pires em cena.

A comédia familiar Vovó Ninja, dirigida por Bruno Barreto, está sendo filmada em um sítio na cidade de Santana de Parnaíba, interior de São Paulo. O longa é liderado por Gloria Pires, que volta aos cinemas como protagonista de uma comédia seis anos depois de Linda de Morrer.

Criada para divertir toda a família, a comédia começa com a avó Arlete, papel de Gloria Pires, que vive reclusa e tem um estilo de vida zen, se preparando para receber os netos Davi (Angelo Vital), Elis (Luiza Salles) e João (Michel Felberg) em sua casa, depois de muito tempo sem vê-los. Arlete não tem muita intimidade ou jeito com as crianças, que são bagunceiras e estão insatisfeitas de estarem em um sítio sem internet, cheio de regras e tarefas domésticas. Após uma tentativa de roubo no local, o caçula Davi descobre que a avó tem habilidades fora do comum e, junto com os irmãos, faz de tudo para descobrir qual é o segredo de Arlete.

O diretor Bruno Barreto, de Dona Flor e Seus Dois Maridos, O que é isso, Companheiro? e Flores Raras, comenta sua relação com o novo projeto: “Vovó Ninja é um dos roteiros mais bonitos que eu já li porque ele é feito para a avó e para o neto. Meu primeiro filme foi Tati, A Garota, sobre uma menina de seis anos que se muda com a mãe do subúrbio do Rio de Janeiro para Copacabana, e como essa criança tem dificuldades em se adaptar. Nesse longa, os personagens femininos são muito importantes e a história é sobre uma família, assim como em Vovó Ninja. Então, hoje, aos 66 anos de idade, de certa maneira eu estou voltando ao meu primeiro filme, que fiz aos 17. Pra mim, Vovó Ninja é a história de uma família e de como três crianças reaproximam a mãe da avó e a avó da mãe”.

Além de Gloria Pires, o filme contará com Matheus Ceará, Dadá Coelho, Leandro Ramos, Luiza Nery, Thiago Justino, Pedro Miranda e Miguel Lobo no elenco. Produzido por Paula Barreto, o roteiro é assinado por Rodrigo Goulart e Gabi Mancini. Além da LC Barreto, a Galeria Distribuidora e o Grupo Telefilms assinam a coprodução. A estreia está prevista para o segundo semestre deste ano.

Com três comédias previstas para 2021, Gabriel Gurman, CEO da Galeria Distribuidora e codiretor geral da Diamond Films Brasil, explica o desenvolvimento de conteúdos audiovisuais: “Vovó Ninja é uma ideia original, desenvolvida a partir da nossa estratégia de oferecer ao público uma comédia leve, com muito valor de produção, além de elenco e equipe renomados, o que cria a oportunidade de uma experiência para toda a família nos cinemas. Começamos a gravar já ansiosos para que o público possa se divertir com a nossa história”.

As filmagens de Vovó Ninja acontecem de acordo com o protocolo de segurança e saúde no trabalho do audiovisual (SIAESP, APRO e SINDCINE), por conta da pandemia de Covid-19, e com consultoria da empresa OnCare, especializada em saúde integrada.

Foto: Stella Carvalho.

Conheça os vencedores do Oscar 2021

por: Cinevitor

Chloé Zhao: segunda mulher na história do Oscar a ganhar o prêmio de melhor direção.

Foram anunciados neste domingo, 25/04, os vencedores da 93ª edição do Oscar. Por conta da pandemia de Covid-19, a cerimônia foi realizada em três lugares diferentes para manter os protocolos de segurança, além de outros locais internacionais via satélite.

Pelo terceiro ano consecutivo, o Oscar não teve um único anfitrião e, por isso, contou com a presença de grandes estrelas de Hollywood, como: Riz Ahmed, Angela Bassett, Halle Berry, Bong Joon Ho, Don Cheadle, Bryan Cranston, Viola Davis, Laura Dern, Harrison Ford, Regina King, Marlee Matlin, Rita Moreno, Steven Yeun, Joaquin Phoenix, Brad Pitt, Reese Witherspoon, Renée Zellweger e Zendaya. 

Produzida por Jesse Collins, Stacey Sher e Steven Soderbergh, a cerimônia apresentou algo totalmente diferente dos anos anteriores: “O evento será como um filme e cada indicado ou cada pessoa que entregar os prêmios será como um personagem. No final você vai saber que todos fizeram o que quiseram, você irá se conectar com todos nesse show. O que nós queremos fazer é uma espécie de filme de três horas no qual, por acaso, alguns prêmios são distribuídos”, disse Soderbergh em uma entrevista recentemente.

Depois de uma temporada marcada por eventos virtuais, os convidados do Oscar participaram presencialmente e os discursos, sem tempo cronometrado, se destacaram. Outra mudança que chamou atenção foi a categoria de melhor filme não ter sido anunciada por último, como de costume. O vencedor Nomadland foi anunciado por Rita Moreno antes das categorias de melhor atriz e ator, que foram as últimas.

Outra novidade marcou esta edição: as canções indicadas foram interpretadas no novo museu da Academia, com excessão de uma que foi gravada na Islândia. As apresentações foram exibidas antes da cerimônia oficial em um programa chamado Oscars: Into the Spotlight.

Entre os vencedores, Mank, que liderava a lista com dez indicações, foi premiado em duas categorias: design de produção e fotografia. A cineasta Chloé Zhao, de Nomadland, entrou para a história sendo a segunda mulher, em 93 edições, a ganhar a estatueta dourada de melhor direção; categoria esta que, pela primeira vez, indicou duas mulheres.

O Brasil não marcou presença com produções indicadas, mas foi lembrado por Regina King, uma das apresentadoras da noite. A atriz e diretora citou o longa brasileiro Cidade de Deus como referêcia do roteirista Keith Lucas, de Judas e o Messias Negro, que decidiu trabalhar com cinema depois de assistir ao filme. E mais: o vencedor na categoria de melhor curta-metragem de animação, Se Algo Acontecer… Te Amo, conta com a brasileira Julia Gomes Rodrigues na equipe de animadores.

Além disso, a cerimônia contou também com a entrega do Jean Hersholt Humanitarian Award para o cineasta Tyler Perry e também para a MPTF, Motion Picture & Television Fund.

Confira a lista completa com os vencedores do Oscar 2021:

MELHOR FILME
Nomadland

MELHOR DIREÇÃO
Chloé Zhao, por Nomadland

MELHOR ATRIZ
Frances McDormand, por Nomadland

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Yuh-Jung Youn, por Minari: Em Busca da Felicidade

MELHOR ATOR
Anthony Hopkins, por Meu Pai

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Daniel Kaluuya, por Judas e o Messias Negro

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
Bela Vingança, escrito por Emerald Fennell

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
Meu Pai, escrito por Christopher Hampton e Florian Zeller

MELHOR FILME INTERNACIONAL
Druk – Mais uma Rodada, de Thomas Vinterberg (Dinamarca)

MELHOR ANIMAÇÃO
Soul, de Pete Docter e Kemp Powers

MELHOR DOCUMENTÁRIO
Professor Polvo, de Pippa Ehrlich e James Reed

MELHOR FOTOGRAFIA
Mank, por Erik Messerschmidt

MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO
Mank, por Donald Graham Burt e Jan Pascale

MELHOR FIGURINO
A Voz Suprema do Blues, por Ann Roth

MELHOR MAQUIAGEM E PENTEADO
A Voz Suprema do Blues, por Sergio Lopez-Rivera, Mia Neal e Jamika Wilson

MELHOR EDIÇÃO
O Som do Silêncio, por Mikkel E. G. Nielsen

MELHOR TRILHA SONORA ORIGINAL
Soul, por Jon Batiste, Trent Reznor e Atticus Ross

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
Fight For You, por H.E.R; escrita por D’Mile e Tiara Thomas (Judas e o Messias Negro)

MELHOR SOM
O Som do Silêncio, por Nicolas Becker, Jaime Baksht, Michelle Couttolenc, Carlos Cortés Navarrete e Phillip Bladh

MELHORES EFEITOS VISUAIS
Tenet, por Andrew Jackson, David Lee, Andrew Lockley e Scott Fisher

MELHOR CURTA-METRAGEM | FICÇÃO
Dois Estranhos (Two Distant Strangers), de Travon Free e Martin Desmond Roe

MELHOR CURTA-METRAGEM | DOCUMENTÁRIO
Colette, de Anthony Giacchino

MELHOR CURTA-METRAGEM | ANIMAÇÃO
Se Algo Acontecer… Te Amo, de Michael Govier e Will McCormack

Foto: Todd Wawrychuk/Getty Images.

Amor, Sublime Amor, de Steven Spielberg, ganha primeiro trailer oficial

por: Cinevitor
Ansel Elgort em cena do musical.

Em 1962, o musical Amor, Sublime Amor, no original West Side Story, de Jerome Robbins e Robert Wise, foi premiado em dez categorias no Oscar, entre elas, melhor filme, melhor direção e melhor atriz coadjuvante para Rita Moreno.

Na noite deste domingo, 25/04, durante a premiação do Oscar 2021, o primeiro teaser trailer da nova adaptação cinematográfica do musical, desta vez dirigida por Steven Spielberg, foi divulgado. Com roteiro de Tony Kushner, o longa conta a clássica história de rivalidade e amor jovem na cidade de Nova York em 1957.

A nova adaptação do musical é estrelada por Ansel Elgort, Rachel Zegler, Ariana DeBose, David Alvarez, Mike Faist, Josh Andrés Rivera, Ana Isabelle, Corey Stoll, Brian d’Arcy James e Rita Moreno, que também atua como uma das produtoras executivas do filme. O longa foi adaptado a partir do show original da Broadway de 1957, com livro de Arthur Laurents, música de Leonard Bernstein, letras de Stephen Sondheim e conceito, direção e coreografia de Jerome Robbins.

Confira o primeiro trailer de Amor, Sublime Amor, que tem estreia prevista para dezembro:

Foto: Niko Tavernise.

41º Framboesa de Ouro: conheça os vencedores

por: Cinevitor
Kate Hudson em Music: pior atriz.

Foram anunciados neste sábado, 24/04, os vencedores do 41º Framboesa de Ouro, divertido prêmio criado pelo publicitário John Wilson que elege os piores da sétima arte e ficou conhecido como uma sátira ao Oscar.

Neste ano, o drama musical Music, dirigido pela cantora Sia, foi premiado em três categorias, entre elas, pior atriz para Kate Hudson. O documentário Absolute Proof levou o prêmio de pior filme; o longa apresenta Mike Lindell, CEO da empresa MyPillow e também diretor do filme, alegando um ataque cibernético chinês durante as eleições do ano passado. Além disso, em tempos de pandemia de Covid-19, 2020 foi homenageado com o Very Special Razzie Governors’ Award como o pior ano civil de sempre.

Os votantes do já tradicional prêmio somam 1.090 membros de todos os estados americanos e mais de 20 pessoas de países estrangeiros, que votaram pela internet e escolheram os cinco principais candidatos em cada categoria.

Conheça os vencedores do 41º Framboesa de Ouro, também conhecido como Razzie Awards:

PIOR FILME
Absolute Proof, de Brannon Howse e Mike Lindell

PIOR DIREÇÃO
Sia, por Music

PIOR ATOR
Mike Lindell, por Absolute Proof

PIOR ATOR COADJUVANTE
Rudy Giuliani, por Borat: Fita de Cinema Seguinte

PIOR ATRIZ
Kate Hudson, por Music

PIOR ATRIZ COADJUVANTE
Maddie Ziegler, por Music

PIOR ROTEIRO
365 Days, escrito por Tomasz Klimala

PIOR REMAKE, CÓPIA OU SEQUÊNCIA
Dolittle

PIOR COMBO EM CENA
Maria Bakalova e Rudy Giuliani, em Borat: Fita de Cinema Seguinte

Foto: Divulgação.

Nomadland é o grande vencedor do Independent Spirit Awards 2021

por: Cinevitor
Frances McDormand em Nomadland, de Chloé Zhao: quatro prêmios.

Foram anunciados nesta quinta-feira, 22/04, os vencedores do Independent Spirit Awards 2021, prêmio que elege as melhores produções independentes do ano.

A cerimônia de premiação, realizada em formato virtual, foi apresentada pela atriz e comediante Melissa Villaseñor e contou com a participação de nomes importantes da indústria, como: Maria Bakalova, Cate Blanchett, Don Cheadle, Laura Dern, Daveed Diggs, Dominique Fishback, Julia Garner, Kathryn Hahn, Annie Murphy, Kumail Nanjiani, Leslie Odom Jr., Adam Sandler, Lulu Wang, Phoebe Waller-Bridge e Renée Zellweger.

Neste ano, o brasileiro Bacurau, dirigido por Juliano Dornelles e Kleber Mendonça Filho, estava na disputa pelo prêmio de melhor filme internacional, mas, infelizmente, não saiu vitorioso. Além disso, o cineasta brasileiro Edson Oda concorreu na categoria de melhor filme de estreia com Nine Days.

Uma novidade nesta 36ª edição é que pela primeira vez na história do Spirit Awards, conhecido como o Oscar do cinema independente, produções televisivas e de streaming também estavam na disputa por suas realizações excepcionais em singularidade de visão, inovação e ousadia.

Conheça os vencedores do Independent Spirit Awards 2021:

CINEMA

MELHOR FILME
Nomadland, produzido por Mollye Asher, Dan Janvey, Frances McDormand, Peter Spears e Chloé Zhao

MELHOR FILME DE ESTREIA
O Som do Silêncio, de Darius Marder

MELHOR DIREÇÃO
Chloé Zhao, por Nomadland

MELHOR ROTEIRO
Bela Vingança, escrito por Emerald Fennell

MELHOR ROTEIRO DE ESTREIA
Palm Springs, escrito por Andy Siara

MELHOR ATOR
Riz Ahmed, por O Som do Silêncio

MELHOR ATRIZ
Carey Mulligan, por Bela Vingança

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Yuh-Jung Youn, por Minari: Em Busca da Felicidade

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Paul Raci, por O Som do Silêncio

MELHOR DOCUMENTÁRIO
Crip Camp: Revolução pela Inclusão, de James Lebrecht e Nicole Newnham

MELHOR FILME INTERNACIONAL
Quo vadis, Aida?, de Jasmila Žbanić (Bósnia e Herzegovina)

MELHOR FOTOGRAFIA
Nomadland, por Joshua James Richards

MELHOR EDIÇÃO
Nomadland, por Chloé Zhao

PRÊMIO JOHN CASSAVETES
Residue, de Merawi Gerima (EUA)

PRODUCERS AWARD
Gerry Kim

SOMEONE TO WATCH AWARD
Ekwa Msangi, por Farewell Amor

TRUER THAN FICTION AWARD
Elegance Bratton, por Pier Kids

PRÊMIO ROBERT ALTMAN | MELHOR ELENCO
Uma Noite em Miami…, de Regina King
Elenco: Kingsley Ben-Adir, Eli Goree, Leslie Odom Jr. e Aldis Hodge

TV

MELHOR ELENCO
I May Destroy You

MELHOR ATRIZ
Shira Haas, por Nada Ortodoxa

MELHOR ATOR
Amit Rahav, por Nada Ortodoxa

MELHOR ROTEIRO DE ESTREIA
I May Destroy You

MELHOR ROTEIRO DE ESTREIA | SÉRIE DOCUMENTAL
Immigration Nation

Foto: Joshua Richards/Searchlight Pictures.

Cinema Operário e a Obra de Renato Tapajós: debate virtual reúne intelectuais e cineastas

por: Cinevitor
Luiz Inácio Lula da Silva em cena do documentário Linha de Montagem.

O cinema metalúrgico, que teve em Renato Tapajós seu principal nome, será tema de um debate virtual com apresentação de Evaldo Mocarzel e mediação de Maria do Rosário Caetano. O evento on-line acontecerá no sábado, 24/04, às 19h, no YouTube.

Também participarão do Encontros Notáveis – Cinema Operário e a Obra de Renato Tapajós: os professores universitários Ricardo Antunes, da Unicamp; Jean-Claude Bernardet e Ismail Xavier, da USP; e Marcos Corrêa, autor do livro Filmar Operários: Registro e Ação Política de Cineastas Durante a Ditadura Militar no Brasil; e os cineastas Jorge Bodanzky, Roberto Gervitz e Toni Venturi.

Três documentaristas, que também participaram do ciclo do cinema metalúrgico (operário ou social) farão uma participação especial no programa: João Batista de Andrade, Adrian Cooper e Lauro Escorel. O cineasta Joel Zito Araújo, que trabalhou com Renato Tapajós na produtora Tapiri, também dará seu testemunho.

Marcos Corrêa dedicou ao Cinema Metalúrgico, realizado no ABC e na capital paulista, nos anos 1970, início dos 80, sua tese de doutorado. Ele levantou 26 títulos produzidos no período. Volkswagen: Operários na Alemanha e no Brasil, de Jorge Bodanzky e Wolf Gauer, realizado em 1974, foi o primeiro título documental a se ocupar dos operários (no caso, um operário brasileiro, visto em seu cotidiano e comparado a um operário da Volks alemã). Os outros 25, realizados entre 1976 e 1984, tiveram seu momento mais efervescente na virada em 1978, 79 e 80, momentos das greves metalúrgicas.

A partir de primeiro de maio, a TVT (TV dos Trabalhadores) dedicará um ciclo de filmes metalúrgicos aos espectadores. Ao longo de três meses, sempre aos sábados, às 21h, a sessão CineTVT apresentará filmes de Renato Tapajós (Linha de Montagem será o título inaugural), João Batista de Andrade, Roberto Gervitz e Sérgio Toledo, Cláudio Kahns, entre outros.

Vale lembrar que o debate será transmitido no canal do YouTube de Evaldo Mocarzel, jornalista, cineasta e dramaturgo, que criou com o objetivo de disponibilizar gratuitamente quase todos os seus filmes, incluindo curtas, longas e programas de televisão, além de mais de 25 projetos de documentário realizados com diversos grupos de teatro de São Paulo, como Teatro da Vertigem, Companhia Livre, Grupo XIX de Teatro, Os Fofos Encenam, Os Satyros, Teatro Kunyn, Companhia Estável, Club Noir, entre outros. 

Foto: Reprodução YouTube.

Circuito virtual de palestras realizará encontros gratuitos sobre cinema brasileiro

por: Cinevitor
Anna Muylaert: cineasta será uma das palestrantes.

O cinema sempre foi uma ferramenta eficiente e produtiva para expandir conhecimento na sala de aula. Pensando nisso, a Brazucah Produções, em parceria com o Centro Paula Souza, realizará entre os meses de abril e novembro de 2021 o Circuito virtual de palestras: Cinema Brasileiro – uma reflexão sobre o contemporâneo. Com atividades gratuitas, a iniciativa é composta por 35 encontros, sendo 28 destinados a estudantes, professores e público geral e sete exclusivos para professores.

A programação destinada ao grande público será aberta no dia 27 de abril, às 16h, com a palestra Panorama do Cinema Brasileiro Contemporâneo, ministrada pela premiada diretora Anna Muylaert, de Que Horas Ela Volta? e do recente documentário Alvorada, exibido no festival É Tudo Verdade. A inscrição pode ser realizada até a data da palestra (clique aqui).

A programação de abril prosseguem com mais três atividades que vão abordar os gêneros narrativas ficcionais, animação e documentário. No dia 28, às 16h, a escritora e roteirista Sabina Anzuategui ministrará a palestra Panorama das narrativas ficcionais no Cinema Brasileiro. Já no dia 29, o público poderá participar de dois encontros: o diretor e professor de cinema Sávio Leite apresentará o Panorama das produções de Animação no Brasil, às 10h, e Flávio Brito, professor do curso de Comunicação Social da Faap, ministrará, às 16h, a palestra Documentário: o que é? Como fazer?.

As palestras de maio giram em torno da temática produção audiovisual, por meio de quatro encontros sobre roteiro, realização de documentário, segredos de produção do cinema brasileiro e técnicas de animação. Destaque para a atividade Como construir um roteiro, ministrada no dia 18, às 10h, por Sabina Anzuategui, roteirista de diversos filmes, como Uma Noite Não é Nada (2019), Ausência (2014) e Jogo das Decapitações (2013).

Até novembro, serão ministradas palestras sobre diversos aspectos da produção audiovisual, como desenvolvimento de games, realidades virtual e aumentada, produção audiovisual nas periferias, streaming, processos de criação de figurino, fomentos de novos talentos no cinema nacional, a relação de raça e gênero na produção brasileira, entre outros. As atualizações sobre os temas e palestrantes do circuito podem ser acompanhadas pela página da Brazucah Produções no Facebook.

Apenas as pessoas inscritas receberão certificados de participação. Os encontros de abril serão transmitidos ao vivo pela página do Cine Autorama no Facebook; e as atividades dos professores também serão transmitidas pelo canal do YouTube do Centro Paula Souza.

“As atividades foram pensadas para instigar o nosso olhar sobre as novas formas de ver e de se fazer cinema. Ao longo dos anos, os filmes se tornaram uma eficiente porta de entrada para acessarmos novas culturas. Além disso, as produções audiovisuais estão cada vez mais presentes nas salas de aula como mais uma opção pedagógica”, afirma Cynthia Alario, sócia e fundadora da Brazucah Produções.

Confira a programação de palestras de abril e maio:

27/04
16h: Panorama do Cinema Brasileiro Contemporâneo
Palestrante: Anna Muylaert

28/04
16h: Panorama das Narrativas Ficcionais do Cinema Brasileiro
Palestrante: Sabina Anzuategui

29/04
10h: Panorama das Produções de Animação no Brasil
Palestrante: Sávio Leite

14h: Educação Ambiental e o Cinema (exclusiva para professores)
Palestrante: Cynthia Alario 

16h: Documentário: O que é? Como fazer?
Palestrante: Flávio Brito

18/05
10h: Como construir um roteiro
Palestrante: Sabina Anzuategui

14h: O Documentário na prática pedagógica (exclusiva para professores)
Palestrante: Flávio Brito
Inscrições: em breve 

16h: Como realizar um documentário
Palestrante: Leonardo Brant, diretor de Descarte, Comer o quê? e CTRL-V
Inscrições: em breve

19/05
10h: Os segredos da produção do cinema brasileiro
Palestrante: Denis Feijão, produtor de Sabotage: Maestro do Canão e A Memória que me Contam

16h: Como fazer uma animação
Palestrante: Maria Luiza, professora de animação stop motion na Faap

*O Circuito virtual de palestras: cinema brasileiro – uma reflexão sobre o contemporâneo é uma contrapartida social de formação de público dos projetos Cinesolar, Cine Autorama e Rede Brazucah, organizados pela Brazucah Produções e que foram viabilizados por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura e realização Ministério do Turismo e Governo Federal.

Foto: Rômulo Juracy.

Filmes brasileiros são selecionados para a segunda etapa do Festival de Roterdã 2021

por: Cinevitor
Mariana Ximenes em Capitu e o Capítulo, de Júlio Bressane.

O Festival Internacional de Cinema de Roterdã (IFFR, International Film Festival Rotterdam), que acontece na Holanda, é considerado um dos maiores do mundo e destaca obras cinematográficos dirigidas por novos cineastas. Além das seções oficiais em sua programação, há também espaço para nomes consagrados, retrospectivas e programas temáticos.

Neste ano, para comemorar sua 50ª edição, o evento acontecerá em formato híbrido e em duas etapas por conta da pandemia de Covid-19. Em fevereiro, foram realizadas exibições físicas e virtuais das mostras competitivas; filmes brasileiros marcaram presença. Agora, o IFFR encerrará seu aniversário entre os dias 2 e 6 de junho, com uma celebração festiva, incluindo apresentações ao ar livre e exibições virtuais e em cinemas de todo o país.

A programação da segunda parte incluirá o novo programa Harbour, juntamente com a tradicional mostra Bright Future, Cinema Regained e o programa Short & Mid-length. A sessão Art Directions completa a seleção com performances ao vivo, realidade virtual, uma instalação itinerante e 50 especiais, que juntos vão oferecer a oportunidade de comemorar o encerramento desta edição de aniversário presencialmente.

Para esta edição comemorativa, cada um dos programadores de longas selecionou um filme de estreia para a mostra Bright Future, criando uma linha diversificada composta de novos talentos. Aqui, o cinema brasileiro aparece representado com A Felicidade das Coisas, de Thais Fujinaga. Produzido pela Filmes de Plástico e protagonizado por Patricia Saravy, o longa se passa em uma casa de praia quando os esforços de uma mãe para construir uma piscina se chocam com os problemas financeiros. Com isso, todas as suas frustrações vêm à tona, afastando-a de seus planos e de sua família. O drama também conta uma história maior: sobre a maternidade e o senso de responsabilidade; e sobre o Brasil, onde quem você é acaba sendo determinado pelo que você tem. Magali Biff, Messias Gois e Lavinia Castelari completam o elenco.

Patricia Saravy em A Felicidade das Coisas, de Thais Fujinaga.

Enquanto isso, no novo programa Harbour, que apresenta a profundidade do cinema contemporâneo, duas produções brasileiras se destacam; o documentário Lutar, lutar, lutar, de Sérgio Borges e Helvécio Marins Jr., é uma delas. O filme conta a história centenária do Clube Atlético Mineiro, desde sua fundação, em 1908, até o título da Copa do Brasil de 2014, passando pela épica conquista da Libertadores de 2013.

A outra produção brasileira selecionada para a mesma mostra é Capitu e o Capítulo, do veterano Júlio Bressane, figura lendária do Cinema Marginal e que já passou pelo IFFR. O filme é inspirado em Machado de Assis, mas, segundo o diretor “não é uma tradução, nem uma adaptação de Dom Casmurro, e sim uma distorção desse romance”, no qual uma figura do livro se torna um personagem importante, que é o Capítulo. Na trama, ele aborda as crises de epilepsia das quais o escritor sofria. O elenco conta com Mariana Ximenes, Enrique Diaz, Vladimir Brichta, Djin Sganzerla, Saulo Rodrigues, Josie Antello e Cláudio Mendes; Tande Bressane e Bruno Safadi assinam a produção.

A Short & Mid-length, seleção de curtas e médias da 50ª edição, traz dois títulos brasileiros: Veronica, de Talita Caselato, sobre a profissional de limpeza Veronica Oliveira e seu projeto Faxina Boa; e Rafameia (Riff-Raff), de Mariah Teixeira e Nanda Félix, sobre uma série de eventos comuns e inquietantes, com Daniel Porpino, Thardelly Lima, Suzy Lopes, Buda Lira e Mariah Teixeira no elenco.

Em comunicado oficial, Vanja Kaludjercic, diretora do festival, disse: “Enquanto testemunhamos pequenos sinais da sociedade se abrindo gradualmente, estamos extremamente orgulhosos de celebrar o cinema em junho, durante o capítulo final de nossa 50ª edição. Se os cinemas reabrirem, estaremos lá para dar as boas-vindas ao público. Como em fevereiro, também estaremos presentes virtualmente com nosso programa completo. Não importa o que aconteça, estaremos aqui para que nosso público e cineastas ofereçam novas perspectivas e uma grande pluralidade de vozes”. Novas informações e novos títulos serão anunciados em breve.

Conheça os selecionados para a segunda etapa do Festival Internacional de Cinema de Roterdã 2021:

BRIGHT FUTURE

A Felicidade das Coisas, de Thais Fujinaga (Brasil)
All About My Sisters, de Wang Qiong (EUA)
BERG, de Joke Olthaar (Holanda)
Damascus Dreams, de Émilie Serri (Canadá)
Faya Dayi, de Jessica Beshir (Etiópia/EUA/Qatar)
Lumina, de Samuele Sestieri (Itália)
OK Computer, de Pooja Shetty e Neil Pagedar (Índia)
Phoenix, de Bram Droulers (Bélgica/França/Reino Unido)
Rock Bottom Riser, de Fern Silva (EUA)
The Son, de Noushin Meraji (Irã)
Thomas der Hochspringer, de Leri Matehha (Alemanha)
Woodlands Dark and Days Bewitched: a History of Folk Horror, de Kier-La Janisse (EUA)

HARBOUR

A Man and a Camera, de Guido Hendrikx (Holanda)
A Song for You, de Dukar Tserang (China)
Accidental Luxuriance of the Translucent Watery Rebus, de Dalibor Barić (Croácia)
Amor fati, de Cláudia Varejão (Portugal/Suíça/França)
An Unusual Summer, de Kamal Aljafari (Palestina)
Au jour d’aujourd’hui, de Maxence Stamatiadis (França)
Bengali Variation, de Siegfried (França)
Birds of America, de Jacques Lœuille (França)
Bottled Songs 1-4, de Chloé Gailbert-Laîné e Kevin B. Lee (Alemanha/França/EUA)
Capitu e o Capítulo (Capitu and the Chapter), de Júlio Bressane (Brasil)
Davos, de Daniel Hoesl e Julia Niemann (Áustria)
Death on the Streets, de Johan Carlsen (Alemanha/Dinamarca/Grécia)
Decameron, de Rita Hui Nga Shu (Hong Kong)
Dune Dreams, de Samuel Doux (França/Bélgica)
El ventre del mar, de Agustí Villaronga (Espanha)
Fan Girl, de Antoinette Jadaone (Filipinas)
Homeless, de Lim Seung-hyeun (Coreia do Sul)
Hotele Lerallaneng, de Charlie Vundla (África do Sul)
Lutar, lutar, lutar, de Sérgio Borges e Helvécio Marins Jr. (Brasil)
MINAMATA Mandala, de Hara Kazuo (Japão)
Nudo Mixteco, de Ángeles Cruz (México)
Only the Winds, de Karim Kassem (Líbano/EUA)
Persona Non Grata, de Lisa Jespersen (Dinamarca)
Scarecrow, de Dmitry Davydov (Rússia)
Self-portrait 2020, de Lee Dongwoo (Coreia do Sul)
The Blue Danube, de Ikeda Akira (Japão)
Time, de Ricky Ko (Hong Kong)

Fotos: Divulgação.

Cinema Brasileiro: Anos 2010, 10 Olhares: mostra exibirá as principais produções nacionais da última década

por: Cinevitor
Clemens Schick e Wagner Moura em Praia do Futuro, de Karim Aïnouz.

Terceira parte de uma retrospectiva que começou em 2001 (referente ao cinema dos anos 1990) e seguiu em 2011 (os anos 2000), Cinema Brasileiro: Anos 2010, 10 Olhares resgata parte significativa da filmografia nacional da última década que contou com uma produção múltipla.

A mostra acontecerá no site oficial do evento (clique aqui), entre os dias 22 e 30 de abril, e será totalmente gratuita. Serão exibidos, ao todo, 75 filmes (43 longas e 28 curtas) e dez debates, disponíveis na plataforma Belas Artes À La Carte, parceira do evento.

Com idealização do curador Eduardo Valente, a mostra reflete sobre as linhas de força presentes na produção nacional dos últimos dez anos, permitindo muitas vezes ao atentar para o que veio antes, talvez, conseguir também olhar para um futuro. Dividido em eixos temáticos, o evento apresenta um painel da produção cinematográfica que, nesta edição, conta com a escolha de dez curadores e curadoras que propuseram recortes distintos, trazendo cada um e cada uma o seu próprio olhar: “Eles e elas tiveram liberdade total para propor títulos e maneiras de aproximar filmes, mas ao mesmo tempo nos reunimos para juntos trocarmos ideias sobre o que estes olhares, no seu conjunto, podiam projetar sobre a produção nacional na última década”, complementa Valente.

O período entre os anos 2011 e 2020 foi rico para o cinema brasileiro, especialmente por conta das políticas públicas que começaram a se desenhar da década anterior e que permitiram investimentos na cadeira cinematográfica da produção à distribuição. Um número inédito de longas e curtas foi atingido, com destacada participação em inúmeros festivais internacionais de diversos portes. Fora isso, mulheres e minorias (como a criação por realizadores negros e indígenas) tiveram uma forte presença na direção das obras, em números nunca vistos antes.

Na segunda metade da década, no entanto, o país passou por um turbilhão de mudanças políticas e sociais, que, novamente, refletiram e influenciaram o cinema, culminando num governo de extrema-direita que, por meio de suas ações, promove um desmonte sistemático das instituições voltadas para a educação e cultura. Nesse sentido, Cinema Brasileiro: Anos 2010, 10 Olhares, com seus longas e curtas, traça um painel de um país em transformação, nem sempre para melhor.

Além dos filmes, o festival contará com debates gravados entre os curadores e curadoras de cada segmento e mais dois especialistas nos temas, que discorrerão sobre as obras e o conceito trazido pelo curador para rever a década. Participarão das conversas: Amaranta Cesar, Ana Rosa Marques, Fabio Rodrigues, Ingá Maria, Carol Almeida, Alessandra Brandão, Francis Vogner, Ramayana Lira, Cléber Eduardo, Juliano Gomes, Maria Bogado, Erly Vieira, Adriana Azevedo, Vinicios Ribeiro, Heitor Augusto, Carla Italiano, Hélio Menezes, Janaína Oliveira, Hernani Heffner, Tatiana Carvalho Costa, Kênia Freitas, Camila Vieira, Luís Fernando Moura, Leonardo Bomfim, Marcelo Ikeda, Pedro Henrique Ferreira, Pedro Azevedo, Beatriz Furtado, Fábio Andrade, Rafael Parrode, Marcelo Ribeiro e Patrícia Mourão.

Confira a seleção completa da mostra Cinema Brasileiro: Anos 2010, 10 Olhares:

CACHOEIRA DOC: Desaguar em cinema: retomar territórios invadidos

O movimento observado no traçado desenhado pelos filmes reunidos, nesse segmento, antes de divisor é desaguar: confluência contra fronteiras erguidas por invasões e expropriações – de terras, corpos, povos, vidas, imaginários –, fronteiras fincadas em nome de um Brasil por cima de todos. É, portanto, de um cinema contra a Nação, e não de um cinema nacional, que se trata aqui, por meio dessa pequena coleção de filmes documentais surgidos nesta última década, e reunidos por fluxos sutis de conexão. Se o documentário é o cinema que toma para si a tarefa de empurrar as fronteiras do visível, estes longas e curtas lançam-se nas geografias – do tempo e do espaço –, em operações de retomada: do próprio corpo e desejo, das cidades, das imagens, da história e da terra.

LONGAS
A Cidade é uma Só?, de Adirley Queirós (2011)
Martírio, de Vincent Carelli (2016)
Ressurgentes: Um Filme de Ação Direta, de Dácia Ibiapina (2014)
Retratos de Identificação, de Anita Leandro (2014)

CURTAS
Bicicletas de Nhanderú, de Ariel Duarte Ortega e Patricia Ferreira (Keretxu) (2011)
Eu, Travesti?, de Leandro Santos (2014)
Relatos Tecnopobres, de João Batista Silva (2019)
Travessia, de Safira Moreira (2017)

CAROL ALMEIDA: A cidade e as brechas ocupadas

O cinema brasileiro produzido durante os anos 2010 esteve muito atento a questões sobre o direito à cidade, e fez esse debate se mover em imagem a partir de filmes muito distintos em suas propostas formais. Pensando mais especificamente sobre alguns corpos queers que se recusam de forma mais enfática a se adaptarem à arquitetura de segregação dos grandes projetos urbanos e quais espaços de existência que esses corpos conseguem criar, o recorte “A cidade e as brechas ocupadas” agrega filmes que buscam, por um gesto de recusa, um modelo de vida de algumas cidades e simultaneamente de fabulação e criação de desejo dentro das rachaduras que surgem nos blocos de concreto.

LONGAS
Batguano, de Tavinho Teixeira (2014)
Esse Amor que Nos Consome, de Allan Ribeiro (2012)
Nova Dubai, de Gustavo Vinagre (2014)
Tremor Iê, de Elena Meirelles e Lívia de Paiva (2019)

CURTAS
A Felicidade Delas, de Carol Rodrigues (2019)
A Maldição Tropical, de Luisa Marques e Darks Miranda (2016)
Estamos Todos Aqui, de Chico Santos e Rafael Mellim (2018)
Quebramar, de Cris Lyra (2019)

CLEBER EDUARDO: Espaços concretos de vidas em cinema

Esse segmento enfatiza uma linha de força de um grupo de filmes da última década e meia que conecta os modos de vidas de seus personagens com os espaços geográficos/sociais de suas vivências, amalgamando as vidas das pessoas fora da tela e das personagens na tela, sem deixar de haver jogo e criação para os filmes, reelaboração da vida cotidiana por dentro da vida em cinema, tensionando a autenticidade de corpos, espaços e falas com a elaboração cinematográfica, sem ter de firmar pacto com a ficção ou com o documentário, muito pelo contrário.

LONGAS
A Vizinhança do Tigre, de Affonso Uchôa (2014)
Baronesa, de Juliana Antunes (2017)
Diz a Ela que me Viu Chorar, de Maíra Bühler (2019)
Um Filme de Verão, de Jô Serfaty (2019)

CURTAS
Chico, de Irmãos Carvalho (2016)
Dona Sônia Pediu uma Arma para Seu Vizinho Alcides, de Gabriel Martins (2011)
Estado Itinerante, de Ana Carolina Soares (2016)
Filme Para Poeta Cego, de Gustavo Vinagre (2012)

ERLY VIEIRA JR: De corpo a corpo – personagens transbordantes, espectadorXs desejantes

Esse conjunto de filmes explora algumas das diferentes estratégias de engajamento sensório que parte da produção LGBTQIA+/queer brasileira da última década utiliza para falar diretamente aos corpos dxs espectadorxs. Há desde a dimensão coreográfica/ performática presente na mise-en-scène, até o uso de uma visualidade ‘háptica’ (que remete ao tátil), promovida por uma câmera que muitas vezes funciona como um corpo que também é afetado por aquilo que registra. Também se pode incluir aqui o diálogo entre diversos gêneros audiovisuais e hibridismos com outras linguagens contemporâneas, bem como formas de se explorar as relações nem sempre conciliatórias entre corpos dissidentes em termos de gênero e sexualidade e os espaços que habitam.

LONGAS
As Boas Maneiras, de Juliana Rojas e Marco Dutra (2017)
Corpo Elétrico, de Marcelo Caetano (2017)
Meu Nome é Bagdá, de Caru Alves de Souza (2020)
Praia do Futuro, de Karim Aïnouz (2014)

CURTAS
Latifúndio, de Érica Sarmet (2017)
Minha História é Outra, de Mariana Campos (2019)
Peixe, de Yasmin Guimarães (2019)
Perifericu, de Nay Mendl, Rosa Caldeira, Stheffany Fernanda e Vita Pereira (2019)

HEITOR AUGUSTO: O corpo, novamente

Reconhecendo o crescimento exponencial de realizadores e realizadoras não-brancas no cinema brasileiro ao longo da última década, esse recorte propõe uma costura na qual o corpo, particularmente o negro, é presença. Esse segmento reúne quatro filmes de realizadores negros, dois codirigidos por pessoas negras e um por um realizador não-branco. Além de trazer oito filmes para um lugar mais detalhado de apreciação, este recorte carrega também a intenção de que os filmes aqui exibidos facilitem a aproximação a muitos outros que porventura não integram este programa.

LONGAS
A Batalha do Passinho, de Emílio Domingos (2012)
Baixo Centro, de Ewerton Belico e Samuel Marotta (2018)
Um Filme de Dança, de Carmen Luz (2013)
Vamos Fazer um Brinde, de Sabrina Rosa e Cavi Borges (2011)

CURTAS
Enquadro, de Lincoln Péricles (2016)
Morde e Assopra, de Stanley Albano (2020)
Ponte Sobre os Abismos, de Aline Motta (2017)
Tudo que é Apertado Rasga, de Fabio Rodrigues Filho (2019)

JANAÍNA OLIVEIRA: Cotidiano singular

Na última década o cenário do cinema nacional presenciou a emergência de outros sujeitos na frente e atrás das telas contando suas histórias. Nesses deslocamentos de significados entre centros e margens que essa emergência propicia, vemos surgir obras que rompem com expectativas de representações já cristalizadas em nosso imaginário. Filmes com outros repertórios possíveis para o vivido todos os dias. O segmento traz um conjunto de filmes que dialogam com os cotidianos da vida naquilo que têm de único, mas afetivamente e efetivamente comum.

LONGAS
Arábia, de Affonso Uchôa e João Dumans (2017)
Café com Canela, de Ary Rosa e Glenda Nicácio (2017)
Casa, de Letícia Simões (2019)
Ela Volta na Quinta, de André Novais Oliveira (2014)

CURTAS
Filme de Domingo, de Lincoln Péricles (2020)
Movimento, de Gabriel Martins (2020)
No Caminho com Mário, de Aldo Ferreira, Ariel Ortega, Leo Ortega, Patricia Ferreira e Ralf Ortega (2014)
Outro Fogo, de Guilherme Moura Fagundes (2017)

KÊNIA FREITAS: Movimentos Fabulares

Esse segmento, apoia-se em dois aspectos basilares na sua proposição de olhar sobre os filmes da década de 2010. O primeiro é a ideia do movimento (dança/gesto/performance) como criador de fabulação nos filmes. O segundo aspecto é de pensar uma inflexão da década situada em 2015 (como um marco temporal simbólico): o movimento de um cinema (e recepção crítica) com linhas de força mais calcadas nas encenações realistas/naturalistas e perspectivas universais/totalizantes para um cinema mais aberto às possibilidades especulativas//experimentais e marcado muitas vezes pela auto-inscrição localizada.

LONGAS
Brasil S/A, de Marcelo Pedroso (2018)
O que se move, de Caetano Gotardo (2012)
Vaga Carne, de Grace Passô e Ricardo Alves Jr. (2019)
Yãmîyhex: As Mulheres-Espírito, de Sueli Maxakali e Isael Maxakali (2019)

CURTAS
Elekô, de Coletivo Mulheres de Pedra (2015)
Kbela, de Yasmin Thayná (2015)
Negrum3, de Diego Paulino (2018)
Para Todas as Moças, de Castiel Vitorino Brasileiro (2019)

LEONARDO BONFIM: Era uma vez, era outra vez…

O foco principal aqui é pensar como um traço marcante do cinema contemporâneo – a ideia de que um filme pode recomeçar ao longo da projeção – foi abordado por longas brasileiros na última década. Dentro desse recorte, colocaremos em diálogo obras que se desdobram em duas ou mais partes, num jogo de variações e metamorfoses, e obras que aventuram a possibilidade da coexistência – nem sempre tranquila – de muitos filmes dentro de um mesmo filme.

LONGAS
A Cidade dos Piratas, de Otto Guerra (2018)
António Um Dois Três, de Leonardo Mouramateus (2017)
Garoto, de Júlio Bressane (2015)
Luz nos Trópicos, de Paula Gaitán (2020)
Os Dias com Ele, de Maria Clara Escobar (2013)

PEDRO AZEVEDO: O mundo em desencanto

O critério inicial para definir esse recorte foi territorial. Trata de se mergulhar na produção nordestina e cearense da década de 2010, entendendo-a como uma parte bastante expressiva da cinematografia brasileira contemporânea, que vem ganhando cada vez mais espaço de exibição e debate no circuito de festivais nacionais e internacionais, além de infiltrar-se progressivamente no circuito exibidor de salas comerciais. Não se trata, contudo, de reafirmar a força do cinema produzido no nordeste como um gesto esvaziado de sentido, fadado à esterilidade da boa intenção, mas de propor uma via livre de acesso a filmes  de artistas nordestinos que, quando pensados, exibidos, assistidos em conjunto, possam traduzir uma série de ideias complexas sobre questões que atravessam e transcendem a experiência de ser nordestino num Brasil cujas fronteiras apontam para a formação de um estado-nação que se desenha como ficção pura.

LONGAS
A Seita, de André Antônio (2015)
Canto dos Ossos, de Jorge Polo e Petrus de Bairros (2020)
Inferninho, de Guto Parente e Pedro Diógenes (2018)
Medo do Escuro, de Ivo Lopes Araújo (2015)
Sol Alegria, de Tavinho Teixeira e Mariah Teixeira (2018)

RAFAEL PARRODE: Desvios do contemporâneo

Ao nos locomovemos por destroços e ruínas de um passado recente, é preciso também partir de uma autocrítica, buscando compreender em que medida o cinema brasileiro se adequou a estilos, modelos de produção e difusão, e até que ponto vínculo permanecerá de pé diante do caos que se afirma. Nessa perspectiva, em que medida seremos reféns ao invés de operadores de novas estéticas emergentes, desvinculadas de um desejo de adequação do cinema brasileiro? A década passada viu muitos filmes que moldavam-se a um padrão internacional. São filmes facilmente encaixáveis em chaves ou tendências totalizantes do cinema mundial. Não se trata aqui da imposição de uma ideia de ‘novidade’, mas de tensionar as novas formas a partir deste arcabouço histórico. Investigar essas formas do cinema que agora já pertence ao passado é também um meio de compreender as amarras e enfrentamentos que precisamos lidar hoje.

LONGAS
Filme de Aborto, de Lincoln Péricles (2016)
Guerra do Paraguay, de Luiz Rosemberg Filho (2016)
Já Visto, Jamais Visto, de Andrea Tonacci (2013)
Tava, a Casa de Pedra, de Vincent Carelli, Patricia Ferrreira (Keretxu), Ariel Duarte Ortega e Ernesto Ignacio de Carvalho (2012)
Vermelha, de Getúlio Ribeiro (2019)

*A mostra Cinema Brasileiro: Anos 2010, 10 Olhares é produzido pela CUP FILMES e financiado através da Lei de Emergência Cultural Proac Expresso Lab (Lei Aldir Blanc).

Foto: Divulgação.