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Festival Varilux de Cinema Francês 2022: filmes inéditos, clássicos e séries francesas

por: Cinevitor
Anamaria Vartolomei em O Acontecimento, de Audrey Diwan.

O Festival Varilux de Cinema Francês, único evento audiovisual realizado nacionalmente e simultâneo em municípios de quase todos os estados brasileiros, realizará sua 13ª edição entre os dias 21 de junho e 6 de julho com 17 obras inéditas e recentes da filmografia francesa, além de dois filmes como homenagem a um clássico e em comemoração aos 400 anos do dramaturgo francês Molière.

Na seleção dos inéditos desta edição com temáticas variadas e gêneros como comédia, drama, suspense e romance estão produções de diretores aclamados internacionalmente. A curadoria procura sempre trazer o melhor da cinematografia francesa atual para o público brasileiro com filmes que exploram temas dos mais clássicos aos mais contemporâneos através de grandes elencos.

Presente na programação pelo oitavo ano, o diretor François Ozon estará representado com seu mais novo filme: Peter von Kant, que abriu o Festival de Berlim e disputou o Urso de Ouro. Baseado em As Lágrimas Amargas de Petra von Kant, obra-prima do cineasta alemão Rainer Werner Fassbinder, o longa troca a personagem Petra por Peter, interpretado por Denis Ménochet, que se envolve amorosamente com o jovem Amir, vivido por Khalil Ben Gharbia, e marca, assim, a volta de Ozon à temática LGBTQIA+.

O Acontecimento (L’événement), da diretora franco-libanesa Audrey Diwan, traz um assunto que está constantemente na ordem do dia: o aborto. Premiado com o Leão de Ouro de melhor filme no Festival de Veneza, em 2021, o longa é uma adaptação do romance homônimo de Annie Ernaux e conta a história de uma jovem que, em plena década de 1960, toma a difícil decisão de interromper sua gravidez.

Para os fãs de suspense, duas produções marcam a seleção: em Golias (Goliath), um thriller com denúncia ambiental dirigido por Frédéric Tellier, uma professora de esportes, um advogado ambiental e um lobista veem suas trajetórias se entrelaçarem após um trágico acontecimento; o elenco conta com Gilles Lellouche, Pierre Niney e Emmanuelle Bercot. Já em Kompromat, de Jérôme Salle, a trama narra a espetacular fuga de um diretor da Aliança Francesa da Sibéria, vítima de uma trama orquestrada pelo Serviço Federal de Segurança da Rússia.

As comédias dramáticas, tão características do cinema francês, também marcam presença: em Esperando Bojangles (En attendant Bojangles), de Régis Roinsard, com Romain Duris e Virginie Efira, a relação de um casal apaixonado se completa com a chegada do filho; o filme é baseado no best-seller homônimo de Olivier Bourdeaut. Em Querida Léa (Chère Léa), de Jérôme Bonnell, o protagonista Jonas decide, após uma bebedeira, visitar sua ex-namorada, Léa, por quem ainda é apaixonado. Ao ser rejeitado, ele vai a um café para escrever-lhe uma última carta de amor, despertando a curiosidade do dono do estabelecimento.

Virginie Efira na comédia dramática Esperando Bojangles.

Outros destaques da seleção são as comédias, entre elas: Entre Rosas (La fine fleur), de Pierre Pinaud, e Um Pequeno Grande Plano (La croisade), de Louis Garrel. A primeira conta a história de Eve Vernet, interpretada por Catherine Frot, que, antes a maior criadora de rosas, hoje vive à beira da falência. A solução para salvar a fazenda: contratar três ex-presidiários que não têm nenhum conhecimento de jardinagem. Na outra comédia, Joseph, de 13 anos, está vendendo seus bens mais valiosos para financiar um projeto ecológico na África. Mas para a surpresa dos pais, ele não é o único; o elenco traz Laetitia Casta, Joseph Engel e o próprio diretor, Louis Garrel.

No gênero drama são várias as opções: em O Próximo Passo (En corps), de Cédric Klapisch, uma jovem e promissora bailarina clássica se machuca após flagrar a traição do namorado. Ela luta para se recuperar, buscando novos rumos no mundo da dança contemporânea. O Mundo de Ontem (Le monde d’hier), de Diastème, com Léa Drucker e Denis Podalydès, conta a história de uma Presidente da República que opta por deixar uma vida política bem-sucedida. Porém, pouco antes do primeiro turno das eleições, um escândalo atrapalha o desempenho de seu sucessor de confiança e pode dar a vitória ao candidato de extrema-direita. Eles têm três dias para mudar o curso da história.

Já em O Segredo de Madeleine Collins, de Antoine Barraud, Judith leva uma vida dupla entre dois países, dois amantes e filhos diferentes com cada um. Aos poucos, esse frágil equilíbrio de segredos começa a se despedaçar. O filme, que conta com Virginie Efira e Jacqueline Bisset no elenco, foi exibido na mostra Giornate degli Autori, no Festival de Veneza.

Ainda entre os dramas, Os Jovens Amantes (Les jeunes amants), da diretora Carine Tardieu, traz a história de dois amantes que se reencontram no corredor de um hospital, 15 anos após o primeiro contato. Shauna tem 71 anos, Pierre tem 45. Eles se reconectam, enquanto Shauna, que é avó e viúva, quer se reafirmar como mulher e mostrar que a diferença de idade não importa; o elenco conta com Fanny Ardant, Melvil Poupaud e Cécile de France. Em Sentinela do Sul (Sentinelle sud), de Mathieu Gérault, o soldado Christian Lafayette volta à França, após uma operação que dizimou sua unidade. Ele tenta retomar a vida, mas se envolve no tráfico de ópio para salvar dois militares sobreviventes.

Um Herói (Ghahreman), de Asghar Farhadi, premiado no Festival de Cannes do ano passado, mostra que Rahim, interpretado por Amir Jadidi, está preso por conta de uma dívida. Ao ser dispensado da cadeia por dois dias, tenta convencer seu credor a retirar a queixa, mas nada acontece como planejado.

Louis Garrel e Laetitia Casta em Um Pequeno Grande Plano.

Outro drama de destaque é Contratempos (À plein temps), de Eric Gravel, premiado na mostra Orizzonti do Festival de Veneza nas categorias de melhor direção e melhor atriz para Laure Calamy. Nele, Julie luta sozinha para criar dois filhos no subúrbio e manter seu emprego em Paris. Quando ela finalmente consegue uma entrevista para um cargo desejado, uma greve geral paralisa o transporte. Ela, então, embarca em uma corrida para salvar seu emprego e sua família.

Por fim, o drama histórico O Destino de Haffman (Adieu Monsieur Haffmann), de Fred Cavayé, se passa em Paris, em plena Segunda Guerra Mundial. Um homem comum que sonha em começar uma família trabalha para um talentoso joalheiro, o Sr. Haffmann, papel de Daniel Auteuil. Mas frente à ocupação alemã, eles precisam honrar um acordo que afetará seus destinos. A atração para toda a família é a aventura King: Meu Melhor Amigo, de David Moreau, que conta a história de um filhote de leão traficado, que foge e encontra abrigo na casa de Inès e Alex, de 12 e 15 anos. Os irmãos bolam um plano maluco: levar King de volta à África.

Em suas edições, o Festival Varilux de Cinema Francês faz uma reverência aos grandes filmes, diretores e demais profissionais que marcaram a cultura francesa. Este ano, serão duas homenagens: a um clássico da cinematografia do país, O Papai Noel é um Picareta (Le père Noël est une ordure), de Jean-Marie Poiré, e aos 400 anos de nascimento de Molière, um dos maiores nomes de sua dramaturgia, através do filme As Aventuras de Molière, de Laurent Tirard e Ariane Mnouchkine, indicado ao Prêmio César.

Atentos às mudanças no mercado audiovisual mundial e particularmente no francês, os diretores do Festival Varilux resolveram inovar este ano. A edição de 2022 terá, pela primeira vez, uma mostra de sete séries francesas inéditas. A curadoria criteriosa já conhecida para os longas-metragens participantes se estendeu ao formato seriado e produções recentes foram selecionadas para serem exibidas em São Paulo e no Rio de Janeiro; em data a ser divulgada posteriormente, as séries serão disponibilizadas para todo o Brasil gratuitamente no streaming.

A seleção de sete séries francófonas inéditas no Brasil conta com: Cheyenne e Lola (Cheyenne et Lola), As Sentinelas (Les Sentinelles), Jogos do Poder (Jeux d’influence), O que Pauline não diz (Ce que Pauline ne vous dit pas), Ópera (L’Opera), Síndrome E (Syndrome E) e A Corda (La corde); é a primeira vez que um festival apresenta produções desse tipo nos cinemas.

São Paulo e Rio de Janeiro foram as capitais escolhidas para a exibição das séries, entre os dias 20 e 22 de junho, com debate com convidados para falar sobre o formato. Ainda haverá uma masterclass em cada cidade e encontro de profissionais. As aulas serão ministradas pelo ator e diretor Antoine Lacomblez e pelo roteirista Jean-Philippe Amar, ambos fazem parte de produções que compõem o line-up.

Sahar Goldust no filme Um Herói, de Asghar Farhadi.

Para Emmanuelle Boudier, codiretora e cocuradora do festival, “o mundo está mudando e o mundo das imagens junto com ele. A pandemia acentuou a tendência de consumir produções no sofá, sob demanda. Nós, que amamos tanto o cinema, vamos sempre incentivar que a experiência de assistir aos filmes seja nas salas de cinema, neste lugar mágico. Mas sabemos que existem ótimas produções sendo feitas e assistidas em outras telas. E não podíamos deixar de trazer para o público brasileiro, que sempre prestigiou o festival, um pouco das séries francesas que estão sendo produzidas”.

Uma delegação artística composta de 11 profissionais marca presença em São Paulo e no Rio de Janeiro para apresentar suas obras, entre filmes e séries, e conversar com o público. Para falar de seus longas-metragens estarão: o ator Gilles Lellouche, protagonista em O Destino de Hoffman, Kompromat e Golias; e os cineastas Carine Tardieu (Os Jovens Amantes), Jérôme Salle (Kompromat), Diastème (O Mundo de Ontem), Eric Gravel (Contratempos) e Régis Roinsard (Esperando Bojangles). Para apresentar as séries e participar do encontro profissional os convidados são: o diretor Jean-Philippe Amar (As Sentinelas), o roteirista Antoine Lacomblez (Jogos de Poder e O que Pauline Não Diz), o produtor Alexandre Piel (ARTE), a produtora Soizic Gelbard (Gaumont) e a distribuidora Isabella Barsumian (Federation Entertainment).

“Estamos sempre atentos para trazer para o festival obras de qualidade e com diversidade de temas. Sabemos que o público quer rever seus atores e diretores preferidos, mas também conhecer as novas revelações”, comentou Christian Boudier, codiretor e cocurador do festival.

Atividade integrante do Festival Varilux de Cinema Francês, o 5º Laboratório Franco-Brasileiro de Roteiros foi confirmado entre os dias 20 e 24 de junho no Rio de Janeiro. Com inscrições prévias, o programa é destinado a roteiristas, diretores e realizadores e propicia o desenvolvimento da escrita de projetos de roteiros de longa-metragem e de séries de TV. O LAB é coordenado por François Sauvagnargues, especialista de ficção e ex-diretor geral do FIPA, Festival Internacional de Programação Audiovisual (Biarritz, França), e tem como professores os roteiristas Corinne Klomp, Pascale Rey, Jean-Marie Chavent e Nicolas Clément, todos integrantes do Conservatório Europeu de Escrita Audiovisual (CEEA). Dezesseis participantes foram selecionados e irão trabalhar em quatro grupos durante cinco dias.

Já estão confirmadas as seguintes cidades nesta edição do Festival Varilux: Afogados de Ingazeira (PE), Aracaju (SE), Araraquara (SP), Arcoverde (PE), Belém (PA), Belo Horizonte (MG), Botucatu (SP), Brasília (DF), Búzios (RJ), Campinas (SP), Campo Grande (MS), Caruaru (PE), Caxias do Sul (RS), Cotia (SP), Cuiabá (MT), Curitiba (PR), Florianópolis (SC), Fortaleza (CE), Garanhuns (PE), Goiânia (GO), Indaiatuba (SP), João Pessoa (PB), Jundiaí (SP), Juiz de Fora (MG), Londrina (PR), Maceió (AL), Manaus (AM), Maringá (PR), Natal (RN), Niterói (RJ), Ouro Preto (MG), Palmares (PE), Palmas (TO), Pelotas (RS), Petrolina (PE), Porto Alegre (RS), Recife (PE), Ribeirão Preto (SP), Rio Branco (AC), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA), Santos (SP), São Carlos (SP), São Luis (MA), São Paulo (SP), Teresina (PI), Vitória (ES), Volta Redonda (RJ).

A lista de cidades e de cinemas participantes será continuamente atualizada no site do festival; o valor do ingresso será o já cobrado por cada exibidor. Clique aqui e saiba mais sobre a programação completa.

Fotos: Divulgação.

Com Ingrid Trigueiro, Pele Fina, de Arthur Lins, é exibido no 11º Olhar de Cinema

por: Cinevitor
Debate: a protagonista com o diretor durante o bate-papo.

O Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba é formado por diversas seções, entre elas, a mostra Novos Olhares, que destaca longas-metragens com maior radicalidade em suas propostas estéticas.

Um dos destaques da seleção desta 11ª edição é o longa paraibano Pele Fina, de Arthur Lins, do premiado Desvio e dos curtas O Matador de Ratos e A Felicidade dos Peixes. Exibido no domingo, 05/06, com reprise no dia seguinte, o filme acompanha Luísa, interpretada por Ingrid Trigueiro, que viaja para uma praia deserta com sua família durante a escrita de uma adaptação da peça Psicose 4.48, da autora inglesa Sarah Kane.

Imersa no texto, Luísa vê as pulsões da obra se intrincarem cada vez mais à sua realidade e a levarem ao limite entre a adaptação e o delírio. Entre o teatro, o rascunho, as imagens de arquivo e as complexas memórias e relações familiares, Arthur Lins utiliza diferentes registros de encenação para compor um pequeno conto tropical sobre um complexo processo de criação.

Para falar mais sobre o filme, o diretor participou de um debate com o público, logo depois da primeira sessão, no Cine Passeio, que foi mediado por Carla Italiano, e contou também com a presença da protagonista Ingrid Trigueiro e da produtora Mariah Benaglia.

Sobre a questão do teatro na narrativa, Arthur falou: “Não queria ficar imerso em um processo de criação de teatro o tempo todo. A ideia era que o elemento teatral estivesse contaminando aquilo que não era do processo criativo. O cinema é um lugar que eu me sinto mais à vontade e que tenho mais afinidade por fazer filmes, já que nunca tive uma experiência em dirigir uma peça de teatro. Nisso, Ingrid ajudou muito por ter uma experiência muito grande. Eu me surpreendo com a atuação dela até hoje. Era realmente um trabalho de descoberta e ela me ajudou muito a entender como que o teatro se coloca no corpo, na cena. Era como se Ingrid fosse o teatro”.

E completou: “Tem um lugar da encenação, da mise en scène, que é próprio do cinema e que, inicialmente, era o lugar que eu estava mais interessado em investigar. Além disso, a questão do gênero vai contagiando o filme. Quando estávamos perto de filmar eu quase desisti de falar sobre Sarah Kane e do que ela elaborava como dor. Comecei a pensar em Clarice Lispector por ter uma relação mais próxima. Porém, Clarice já é um lugar tão colocado. Mas, de fato, quase dei um passo atrás porque tem uma questão de gênero que eu jamais vou conseguir me aproximar, como diretor, em determinadas instâncias. Houve uma contribuição criativa e efetiva de mulheres e engajamento que eu não tive em nenhum outro filme. Era uma zona delicada de me aproximar dessa pulsão e do que seria esse feminino no filme”.

A produtora Mariah Benaglia com Ingrid Trigueiro e Arthur Lins.

Sobre a personagem principal, Ingrid Trigueiro comentou: “Tem uma fusão do que é real e o que não é. Isso tudo vira, na cabeça da personagem, um conflito. As coisas se misturavam. A gente não entrega de graça e quem assiste é que percebe isso e vê como ela está totalmente voltada à uma descoberta. Ela se questiona o tempo todo e tenta se encontrar. As coisas se misturam fortemente entre passado e presente”.

Durante o debate, a equipe do filme também relembrou a questão da pandemia de Covid-19, que afetou as filmagens: “Estava tudo certo, até que chegou a pandemia. Com isso, sofremos um corte. A palavra que me vem é incerteza. Tivemos que parar e voltamos para casa todos muito assustados. Não sabíamos o desdobramento do que aconteceria. Era muita insegurança e muito medo. Quando voltamos para as filmagens, em uma pseudo tranquilidade no final do mesmo ano, já era outra coisa. O set já tinha se transformado porque tínhamos todos os protocolos para seguir. A angústia do texto também estava no nosso cotidiano. Fomos de um extremo a outro. E hoje estou muito feliz e emocionada de conseguir mostrar esse trabalho pronto aqui”, revelou Ingrid.

A produtora Mariah Benaglia também comentou: “Foi muito louco trabalhar em um filme que falava sobre essa pulsão de morte quando a gente viveu na nossa geração a coisa mais crítica em relação a não existência. O texto parte muito de um processo individual para transformá-lo em um coletivo. Por conta desse processo de um filme interrompido tivemos a oportunidade de ver esse material durante um tempo. Ao passar pela pandemia e revisitar o material, fomos entendendo que o filme foi se desdobrando em outros caminhos. Isso foi necessário para conseguir seguir nesse ano que a gente não sabia o que estava acontecendo”.

Ao final do debate, Arthur falou sobre a experiência de voltar com as exibições presenciais: “Tem uma coisa meio surrealista, uma fronteira borrada do cinema de criar um espaço. Por isso o filme faz ainda mais sentido numa sala de cinema; de criar um espaço com aquelas camadas sonoras, texturas e questões que são do cinema com o cinema. É importante elaborar esse espaço da tela que se espalha pela sala toda e cria um imaginário mental”.

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Fotos: Marcelo Deguchi.

Entrevista: Giovani Borba fala sobre Casa Vazia, filme exibido no 11º Olhar de Cinema

por: Cinevitor
O diretor gaúcho no Cine Passeio.

Depois de ser exibido no Festival do Rio, o longa gaúcho Casa Vazia, dirigido por Giovani Borba, foi um dos destaques da mostra Olhares Brasil da 11ª edição do Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba.

Na trama, Raúl, interpretado por Hugo Nogueira, é um peão desempregado e pai de família que vive em uma casa isolada na imensidão solitária dos campos do Pampa. A mão de obra tradicional da lida no campo já não serve mais aos patrões, donos das terras. A paisagem de imensas pastagens com o gado estão sendo sobrepostas por gigantescas lavouras de soja. Assolado pela pobreza e a falta de trabalho, ele se junta a outros peões para roubar gado durante a escuridão das noites no campo. Ao retornar de mais uma madrugada, encontra sua casa vazia: sua mulher e filhos desapareceram.​

Conversamos com o diretor logo depois das exibições em Curitiba, no Cine Passeio, sobre a ideia do projeto, elenco, bastidores e repercussão do filme. Confira os melhores momentos:

ROTEIRO

“Eu fiz um primeiro tratamento do roteiro, que era mais focado na questão familiar, mas ainda estava bem cru. Depois disso, fui para a região onde filmamos para ouvir histórias e fui escrevendo outros tratamentos. Também fui absorvendo o jeito que falavam e adaptando os diálogos para uma linguagem bem regional. Nesse processo de pesquisa acabei conhecendo várias pessoas, que foram entrando no filme”.

ELENCO

“Até cheguei a pensar em fazer com um elenco 100% de atores profissionais. Mas o filme estava extremamente não narrativo e aí eu comecei a pontuar algumas coisas e achei melhor misturar com não atores e deixar que os profissionais dessem um suporte melhor para o drama”.

PROTAGONISTA

“Eu estava falando sobre o filme com uma amiga, contando sobre o personagem e ela disse que tinha alguém para me apresentar. Fomos na casa do Hugo, mas ele não estava. Depois eu voltei e tivemos a primeira conversa. Foram vários momentos até eu decidir que ele estaria no filme. Em nenhum momento ele se deslumbrou com o projeto e sempre foi muito cara de pau, sem ter vergonha de nada. Não ficou nervoso e nem tenso. O tempo inteiro ele brincava e estava muito tranquilo, mas levou a sério. Ele é muito diferente do personagem. É um cara alegre, divertido e fez aquele personagem muito bem em um desenho muito bem construído”

“Fizemos uma preparação de elenco bem forte. Quando começamos não entreguei o roteiro para ele, que passava as cenas comigo e com a preparadora de elenco. Eu falava que não precisava se preocupar com o que estava escrito no roteiro. A ideia era mostrar o que estava no texto, só que do jeito deles. Até porque o roteiro também tinha coisas que vinham da boca deles”.

Hugo Nogueira em cena.

REGIONALISMO

“Eu queria que fosse um filme bem regional. Queria que fosse naquele lugar, com as pessoas daquele jeito, algo bem autêntico do local. Tive até uma certa dificuldade em pegar atores de Porto Alegre, por exemplo, pela diferença grande de sotaque. Consegui alguns atores que nasceram mesmo na fronteira e tiveram que resgatar o sotaque da infância. O único ator de Porto Alegre se puxou mais para se adaptar ao sotaque, fez um laboratório com um cara muito parecido com o personagem dele e pegou muito os trejeitos dele”.

FESTIVAIS

“Aqui no Olhar de Cinema as pessoas entraram mais nas questões do elenco e do regionalismo. Já no Festival do Rio era uma cena diferente e uma cultura que as pessoas não estavam tão familiarizadas. Eu também tinha medo que talvez não entendessem o sotaque porque tem um portunhol no meio, mas acabou funcionando. Nos preocupamos muito com a pronúncia das palavras e trabalhamos na preparação de elenco para ter uma clareza na fala. Eu acho bonito quando tem essa autenticidade dentro de um filme, que trazem questões bem regionais, como por exemplo os filmes nordestinos. Eu posso não entender alguma gíria, mas entendo o contexto. Pra mim, como público, não incomoda. Pelo contrário, eu valorizo”.

GAÚCHO

“Eu nunca quis perder a originalidade daquele lugar para falar daquelas pessoas. Eu queria apresentar aquele universo de uma maneira muito autêntica, exatamente como ele é. Até para sustentar minha própria inflexão crítica sobre a construção da imagem do gaúcho; no caso, um gaúcho heroico, branco, valente, que nada abala, muito machão. É uma cultura muito caricata que, na verdade, não representa o que realmente é o Rio Grande do Sul na sua história e no seu povo. A história foi forjada. A formação do Rio Grande do Sul tem uma influência fortíssima de guarani e não tem nada na cultura institucionalizada do estado que dê muito valor para o índio dentro dessa história. O índio ficou para trás, assim como os negros”.

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Fotos: Marcelo Deguchi e Divulgação.

MTV Movie & TV Awards 2022: conheça os vencedores

por: Cinevitor
Homenageada: Jennifer Lopez, cantora e atriz consagrada.

Considerado um dos prêmios mais divertidos do cinema e da TV, o MTV Movie & TV Awards 2022 aconteceu neste domingo, 05/06, no Barker Hangar, em Los Angeles, com apresentação da atriz e cantora Vanessa Hudgens

Neste ano, o filme Homem-Aranha: Sem Volta para Casa, protagonizado por Tom Holland, e a série Euphoria, com Zendaya, foram os grandes vencedores da noite. Além disso, depois da já tradicional premiação, foi exibido o MTV Movie & TV Awards: UNSCRIPTED, uma celebração que destaca os momentos mais marcantes de reality shows e foi apresentada por Tayshia Adams.

Nesta edição, a consagrada cantora e atriz Jennifer Lopez, indicada ao Globo de Ouro por Selena e As Golpistas, foi homenageada com o Generation Award, prêmio que celebra artistas que deixaram seu nome na história do cinema e da televisão. J.Lo une-se a uma lista de artistas icônicos que já foram honrados, como: Sandra Bullock, Jim Carrey, Tom Cruise, Reese Witherspoon, Mike Myers, Scarlett Johansson, entre outros.

O ator e comediante Jack Black, de Escola de Rock, Bernie: Quase um Anjo, Margot e o Casamento, Alta Fidelidade, As Viagens de Gulliver, O Amor Não Tira Férias, Nacho Libre, O Amor é Cego, das franquias Jumanji e Kung Fu Panda, entre outros, recebeu o prêmio Gênio da Comédia, honraria já entregue para nomes como Will Ferrell, Kevin Hart, Melissa McCarthy e Sacha Baron Cohen.

Conheça os vencedores do MTV Movie & TV Awards 2022:

MELHOR FILME
Homem-Aranha: Sem Volta para Casa

MELHOR SÉRIE
Euphoria

MELHOR ATUAÇÃO | CINEMA
Tom Holland, por Homem-Aranha: Sem Volta para Casa

MELHOR ATUAÇÃO | SÉRIE
Zendaya, por Euphoria

MELHOR HERÓI
Scarlett Johansson, por Viúva Negra

MELHOR VILÃ ou VILÃO
Daniel Radcliffe, por Cidade Perdida

MELHOR BEIJO
Poopies e a cobra, por Jackass Para Sempre

MELHOR ATUAÇÃO ASSUSTADA
Jenna Ortega, por Pânico

ARTISTA REVELAÇÃO
Sophia Di Martino, por Loki

MELHOR ATUAÇÃO CÔMICA
Ryan Reynolds, por Free Guy: Assumindo o Controle

MELHOR LUTA
Cassie vs. Maddy, em Euphoria

MELHOR TIME
Tom Hiddleston, Sophia Di Martino e Owen Wilson, por Loki

HERE FOR THE HOOKUP
Euphoria

MELHOR MÚSICA
On My Way (Marry Me), de Jennifer Lopez (Case Comigo)

MELHOR MOMENTO MUSICAL
Dance With Me, em Heartstopper

PRÊMIO MTV GENERATION
Jennifer Lopez

GÊNIO DA COMÉDIA
Jack Black

Movie & TV Awards: UNSCRIPTED

MELHOR REALITY SHOW | DOCUMENTÁRIO
Sunset: Milha de Ouro

MELHOR REALITY SHOW DE RELACIONAMENTO
Loren & Alexei: After the 90 Days

MELHOR ESTRELA DE REALITY SHOW
Chrishell Stause, por Sunset: Milha de Ouro

MELHOR SÉRIE DE COMPETIÇÃO
RuPaul’s Drag Race

MELHOR REALITY SHOW DE LIFESTYLE
Selena + Chef

MELHOR SÉRIE SEM ROTEIRO
The D’Amelio Show

MELHOR TALK SHOW
The Tonight Show Starring Jimmy Fallon

MELHOR APRESENTADOR/APRESENTADORA
Kelly Clarkson, por The Kelly Clarkson Show

ESTRELA REVELAÇÃO REDES SOCIAIS
Bella Poarch

MELHOR BRIGA EM SÉRIE DE TV
Bosco vs. Lady Camden, em RuPaul’s Drag Race

MELHOR REALITY SHOW O RETORNO
Paris Hilton, por Cozinhando com Paris Hilton

MELHOR DOCUMENTÁRIO MUSICAL
Olivia Rodrigo: Dirigindo até Você

Foto: Rich Polk/Getty Images.

11º Olhar de Cinema: filmes de Arnaldo Jabor e Geraldo Sarno se destacam na mostra Olhares Clássicos

por: Cinevitor
Cena do documentário Viramundo, de Geraldo Sarno.

O Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba busca destacar e celebrar o cinema independente brasileiro e mundial. A seleção apresenta ao público filmes que se arriscam em novas formas de linguagem cinematográfica, que estão abertos ao experimentalismo e que, ainda assim, possuem um grande potencial de comunicação com o público.

Além do destaque para obras contemporâneas, a programação também oferece um recorte dos mais variados filmes que marcaram a história do cinema na mostra Olhares Clássicos, que apresenta um panorama de títulos de diversos diretores, diretoras, países, gêneros e épocas. No conjunto, um poderoso mergulho no cinema mundial de variados momentos históricos e propostas estéticas e narrativas.

Nesta 11ª edição, entre os seis títulos que compõem a mostra, o cinema brasileiro marcou presença com dois filmes de cineastas que faleceram recentemente: Arnaldo Jabor com A Opinião Pública, de 1965, seu primeiro longa-metragem; e Geraldo Sarno com Viramundo, também de 1965; que foram exibidos em conjunto nas sessões do Olhar de Cinema.

Sobre a importância da mostra Olhares Clássicos, conversamos com o crítico Marcelo Müller, do site Papo de Cinema: “Quando a gente pensa em um festival de cinema, temos em mente um cinema feito no presente, que está sendo feito agora e prestes a ser lançado; e muitas vezes falta esse olhar para o passado. Eu acho fundamental a existência da Olhares Clássicos e o festival presta um serviço para o cinéfilo ou para o jornalista que cobre o evento. Muitos desses filmes já vimos em DVD, streaming, em casa ou em telas bem menores. E muitos tiveram pouquíssimas exibições em telas grandes ou foram exibidos há muito tempo. É importante esse acesso aos clássicos para entender o cinema”.

Marcelo também comentou sobre a exibição conjunta dos filmes: “Foi muito certeiro da curadoria ao exibir esses dois filmes conjuntamente. Primeiro porque eles, infelizmente, apresentam algo em comum que é a questão de seus realizadores terem morrido recentemente; e acaba sendo uma forma de prestar uma homenagem. Segundo porque os filmes, realizados na década de 1960, de certa forma dialogam e tem como objeto de estudo dois recortes populacionais completamente diferentes. O Geraldo Sarno olha para os migrantes nordestinos que chegam a São Paulo em busca de oportunidades em um contexto de um pensamento de industrialização da sociedade brasileira. O Arnaldo Jabor olha para a classe média carioca a partir disso tentando confirmar, o que me parece certa tese dele, de que a classe média tende a alienação e de que não constituiu um corpo de presente crítico. Foi uma sessão excepcional principalmente pelo diálogo estabelecido por esses dois filmes e pelo panorama que juntos conseguem construir”.

Além dos brasileiros, Marcelo também falou sobre a exibição de Mandabi, de Ousmane Sembene, de 1968: “A sessão foi linda e foi uma honra assistir a esse primeiro longa-metragem senegalês falando em uolofe da história, dirigido por Ousmane Sembene, considerado o pai do cinema africano, curiosamente em uma sala de uma rede de cinema que não costuma dar abertura para um cinema alternativo”, finalizou.

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Foto: Divulgação.

7º Festival VerOuvindo abre inscrições para as mostras competitivas

por: Cinevitor
Os vencedores da sexta edição, que aconteceu em novembro do ano passado.

A sétima edição do VerOuvindo – Festival de Filmes com Acessibilidade Comunicacional do Recife, que acontecerá entre os dias 22 e 29 de agosto, já está com inscrições abertas.

O festival conta com duas mostras competitivas para filmes de curta-metragem: Mostra de Curtas com Audiodescrição e Mostra de Curtas com língua brasileira de sinais (Libras); serão aceitos filmes de ficção, documentário e animação. Os interessados podem conferir o regulamento e efetuar as inscrições gratuitamente no site oficial (clique aqui) até o dia 3 de julho.

Para participar da competição, os curtas-metragens devem conter o recurso de audiodescrição ou Libras e terem sido produzidos a partir de 2020; a seleção será feita por um júri técnico. Os filmes escolhidos para exibição concorrem ao Troféu VerOuvindo e prêmios em dinheiro (R$ 1.000,00 cada categoria). A premiação é direcionada a melhor audiodescrição e a melhor tradução em Libras nas categorias ficção, documentário, animação e júri popular.

A sétima edição do festival VerOuvindo terá sessões on-line e presenciais, todas bilíngues (português e Libras),  no Recife, Vitória de Santo Antão e Caruaru. O VerOuvindo é pioneiro no Brasil na difusão audiovisual com acessibilidade, com atuação também na formação e no reconhecimento dos profissionais de tradução audiovisual acessível. 

A programação terá exibição de curtas e longas, além de atividades formativas como oficinas, palestras e debates sobre acessibilidade comunicacional, entre especialistas, profissionais, estudantes e o público. Diferente de outros festivais, o VerOuvindo, além de exibir filmes, produz conteúdo acessível para as obras audiovisuais.

Além disso, no dia 11 de junho, o festival inicia as inscrições para a Jornada VerOuvindo, que reúne profissionais e estudantes  de tradução audiovisual acessível: tradutores intérpretes de Libras, audiodescritores, legendistas e pesquisadores. A chamada de trabalhos é para que compartilhem suas experiências, práticas ou teóricas, por meio de comunicação oral, presencial ou on-line. Os interessados devem inscrever gratuitamente seus trabalhos no site do festival até o dia 10 de julho.

Foto: Divulgação.

11º Olhar de Cinema: equipe de curadores fala sobre os filmes selecionados

por: Cinevitor
Curadores reunidos no Cine Passeio.

Depois da noite de abertura da 11ª edição do Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba, foram iniciadas, no dia seguinte, as atividades do Seminário de Cinema de Curitiba, que começou na quinta-feira, 02/06, com uma conversa com a equipe de programação do evento.

Com foco na reflexão sobre a linguagem cinematográfica e diálogos da expressão dessa linguagem com a sociedade, o Seminário de Cinema de Curitiba, que acontece em formato presencial no Cine Passeio e também com transmissão ao vivo pelo YouTube, apresenta pautas bastante contemporâneas ao cinema brasileiro, não só atentas às questões de mercado, mas evidenciando, sobretudo, questões identitárias ao transitar em torno de debates raciais e de gênero.

Com abertura de Antonio Gonçalves Junior, cofundador e diretor artístico do festival, esta primeira conversa aberta ao público com os curadores abordou temas como a seleção deste ano, seus filmes e eventos. A equipe curatorial desta edição foi formada por: Bruno Galindo, Camila Macedo, Carla Italiano, Carol Almeida, Eduardo Valente, Gabriel Borges, Kariny Martins e Marisa Merlo.

Gabriel Borges, coordenador de inscrição e seleção, e que também assinou a curadoria de longas-metragens e da mostra Foco, destacou os números desta 11ª edição: “Foram inscritos 540 longas-metragens, sendo 152 brasileiros e 388 internacionais. Entre os estrangeiros, foram 34 franceses, 33 dos Estados Unidos, 30 argentinos, 24 da Alemanha, 21 de Portugal, entre outros países, como a Bélgica e Israel; além de diversas coproduções”.

Já sobre os curtas, Gabriel revelou: “Foram 1.261 trabalhos inscritos, sendo 837 brasileiros e 424 internacionais. Entre os estrangeiros, foram 52 franceses, 47 da Espanha, 40 portugueses e 20 da Alemanha”. Kariny Martins, que também fez parte da seleção de curtas-metragens, comentou: “Percebemos um número muito expressivo de curtas brasileiros inscritos e isso nos diz muita coisa. Ainda mais pensando nesses últimos anos de esvaziamento de políticas públicas. Esses títulos nacionais, que estão para além da mostra Olhares Brasil, nos dizem muita coisa sobre a nossa cultura e a nossa produção audiovisual”

A conversa abordou temas como a seleção deste ano, seus filmes e eventos.

Carla Italiano, que assinou a curadoria de longas-metragens e também das mostras Foco e Olhar Retrospectivo, falou sobre o trabalho do diretor boliviano Kiro Russo: “Mais uma vez a Mostra Foco se volta para o cinema da América do Sul. Neste ano, destacamos o cinema de Kiro Russo, um artista com uma filmografia de poucos, porém potentes trabalhos: são quatro curtas e dois longas”

Além disso, a mostra Olhar Retrospectivo destaca o trabalho da cineasta estadunidense Su Friedrich, importante nome do cinema de invenção e referência indispensável para o pensamento das autorias lésbicas na produção de imagens. Sobre isso, Camila Macedo comentou: “É a primeira vez que a mostra destaca o trabalho de uma mulher. A obra de Su Friedrich é de difícil categorização. Ela gosta de sustentar uma certa tensão e também indefinições. Porém, dois elementos históricos e contextuais são incontornáveis para apresentar seu trabalho: a inserção de sua obra no cinema de vanguarda e experimental estadunidense, em especial na década de 1960 quando ela começou a realizar filmes; e também as influências dos pensamentos feministas ou dos ditos movimentos de mulheres, como eram chamados”.

E completou: “Ela ficou muito entusiasmada porque é a primeira vez que uma mostra com seus filmes acontece no Brasil; são sete na programação. Também reforço o agradecimento ao Aaron Cutler, que tem um carinho muito grande por essa mostra”.

Ainda sobre a retrospectiva de Su Friedrich, Carol Almeida finalizou: “É importante destacar nessa retrospectiva que estamos lidando, mais uma vez, com a materialidade desse apagamento dessas diretoras; não somente lésbicas, mas diretoras feministas que lidam com o cinema experimental e de vanguarda. Boa parte desses filmes não passou por nenhum processo de restauração e isso ressalta o valor dessa retrospectiva, de fazer circular essas obras”.

Para assistir ao bate-papo completo com os curadores, clique aqui.

*O CINEVITOR está em Curitiba e você acompanha a cobertura do 11º Olhar de Cinema por aqui, pelo canal no YouTube e pelas redes sociais: Twitter, Facebook e Instagram.

Foto: Marcelo Deguchi.

Vai e Vem: Chica Barbosa e Fernanda Pessoa falam sobre o filme de abertura do 11º Olhar de Cinema

por: Cinevitor
As cineastas na noite de abertura.

Depois de dois anos em formato on-line, o Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba começou sua 11ª edição presencialmente nesta quarta-feira, 01/06, no Cine Passeio, na capital paranaense.

Como de costume, a sessão de abertura privilegia obras contemporâneas nacionais e o escolhido deste ano foi o longa Vai e Vem, dirigido por Chica Barbosa e Fernanda Pessoa, no qual duas amigas, uma no Brasil e outra nos Estados Unidos, trocam cartas fílmicas durante o primeiro ano de pandemia.

O documentário nasce da ligação e das trocas entre suas duas diretoras, Chica e Fernanda, morando em Los Angeles e São Paulo, respectivamente. O momento é 2020, começo da pandemia, e ambos países marcados por governos negligentes e a escalada da pandemia de Covid-19. Duas amigas, dois países diferentes, dois cenários próximos de caos e destruição.

Para estabelecer esse diálogo, as jovens cineastas partiram de uma espécie de jogo, tendo como base um livro da professora americana Robin Blaetz sobre o cinema experimental dirigido por mulheres. A publicação é composta por 16 artigos sobre diversas cineastas, e Fernanda e Chica se comunicariam por meio de vídeo-cartas curtas, cada uma inspirada por uma dessas mulheres. Além da lista de Blaetz, a dupla também buscou nomes de outras diretoras para enriquecer o processo.

O vai e vem das correspondências digitais durou meses e atravessou momentos políticos marcantes, como processos eleitorais nos dois países. Combinado diversos tipos de imagens, fotografia e texturas, a obra é um documentário com a urgência do presente e uma observação potente de duas jovens cineastas sobre o mundo em que habitam. Com distribuição da Boulevard Filmes e produção da Vulcana Cinema e Pessoa Produções, o longa tem estreia prevista para o primeiro semestre de 2023.

Para falar mais sobre o filme de abertura do Olhar de Cinema 2022, conversamos com as diretoras sobre a estreia mundial no festival, ideia do projeto, pesquisa, panelaço, diálogo com o público, futuro do país, expectativa para o lançamento, entre outros assuntos.

Aperte o play e confira:

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Foto: Marcelo Deguchi.

VII DIGO: conheça os filmes selecionados

por: Cinevitor
Cena do curta B não é de Biscoito, de Hilda Lopes Pontes e Chris Mariani.

O DIGO – Festival Internacional de Cinema da Diversidade Sexual e de Gênero de Goiás tem como objetivo estimular e promover a conscientização do público, no que tange o respeito integral aos direitos humanos e a inclusão. Agora, ainda mais necessário do que nunca, neste momento de pandemia e de ataque à cultura e à diversidade sexual e de gênero e de desrespeito à vida.

Para esta sétima edição, que acontecerá entre os dias 15 e 30 de junho, em formato on-line, foram inscritas 734 obras. O estado brasileiro com maior número de filmes foi São Paulo com 11% do total. Goiás correspondeu a 5% dos envios; um crescimento considerável da última edição. A inscrição de longas-metragens foi de 15% do total, porcentagem três vezes maior do que no ano passado.

Neste ano, duas mostras especiais e competitivas foram criadas: uma chamada DIGO Animação e a mostra Infância Queer, que retrata experiências das crianças LGBTI+ conforme demanda proposta pela curadoria. Além de uma mostra robusta de oito longas, o festival realiza novamente uma especial em homenagem à Suzy Capó.

Outro diferencial desta edição é o recurso financeiro: 15 realizadores, sendo 10 da mostra de filmes goianos e 5 da nacional, receberão um prêmio de R$ 2.000,00 pela seleção. Os curtas goianos ainda concorrerão a prêmio em dinheiro no voto do público e do júri.

Com direção de Cristiano Sousa, o festival ainda realizará diversas atividades paralelas, como uma oficina de interpretação com o ator Paulo Vespúcio. O objetivo do evento é dialogar as temáticas que envolvam diversidade sexual e de gênero.

Conheça os filmes selecionados para o DIGO 2022:

NACIONAIS

Bixa de Família, de João Luis Silva (PE)
Dita Absinthe, por Chris, The Red (SP)
Eu Te Amo é no Sol, de Yasmin Guimarães (MG)
Filho Homem, de Bernardo de Assis (RJ)
Uma História Desimportante, de Mateus Capelo (SP)

GOIANOS

Alucinação, de Eliana Santos (Palmeiras de Goiás)
Capim-Navalha, de Michel Queiroz (Alto Paraíso de Goiás)
Encurralado, de Ⱥnna (Goiânia)
Ensaio House of Fun, de Patrick Mendes (Goiânia)
Me Desculpe Não te Fazer Sorrir, de Guto Rocha (Goiânia)
Menstruação: Substantivo Feminino, de Levi Nascente Gomes (Goiânia)
Na Rua, Nua e Crua, de Daniel Rangel e Joyce Cursino (Goiânia)
Nossa Vity: Our Pandemic Girl, de Pedro Arthur Crivello (Goiânia)
Pé de Mulher, de Felipe Freitas (Rio Verde)
Relatório do Serviço de CORPO, o Santo Inimigo do Mal (Santo Antônio do Descoberto)

MOSTRA SUZY CAPÓ

B não é de Biscoito, de Hilda Lopes Pontes e Chris Mariani (BA)
Carpela, de Julie de Oliveira (SC)
Custódia, de Vinicius Sassine (DF)
Devir Animal, de Andréa Veruska (PE)
Filhos da Noite, de Henrique Arruda (PE)
Na Estrada Sem Fim Há Lampejos de Esplendor, de Liv Costa e Sunny Maia (CE)
OKOFÁ, de Daniela Caprine, Mariana Bispo, Pedro Henrique Martins, Rafael Rodrigues e Thamires Case (SP)
TRANSPARENTE BY SOUZA, de Henrique Souza (EUA)

MOSTRA INFÂNCIA QUEER

Bicha Bomba, de Renan de Cillo (PR)
O Amigo do Meu Tio, de Renato Turnes (SC)
O Durião Proibido, de Txai Ferraz (PE)
Tinha Tempo que Eu Não Via o Mar, de Guilherme Jardim (MG)

LONGAS-METRAGENS

BR Trans, de Raphael Alvarez e Tatiana Issa (Brasil)
Cada Uma de Nós, de Ferrero Olivia (França)
Coroando, de Paulo Castro (Brasil)
Down in Paris, de Antony Hickling (França)
Eu, um outro, de Silvia Godinho (Brasil)
O Orvalho e o Rio, de Leonardo Pinheiro (Brasil)
Quando Ousamos Existir, de Cláudio Nascimento e Marcio Caetano (Brasil)
The Phantom of the Sauna, de Luis Navarrete (Espanha)

DIGO ANIMAÇÃO

Além das Máscaras, de Letícia Lopez Rangueri, Lucas Brassanini Flores e Carolina Bonformagio da Silva (Brasil)
Dans La Natare, de Marcel Barelli (França)
Embrace, de Latesha Merkel (EUA)
O Nascimento de Helena, de Rodrigo Almeida (Brasil)
Os Garotos Azuis – 12 retratos, de Francisco Bianchi (França)
Saindo com Estranhos da Internet, de Eduardo Wahrhaftig (SP)

INTERNACIONAIS

Bésame, de David Barba (México)
Elle, de Liliane Mutti (França)
La Muerte de Oso, de Cristian Sitjas (Espanha)
Levados, de Jean Costa (França)
The Beyonce Expérience, de Blaise Singh (Reino Unido)

Foto: Divulgação/Olho de Vidro Produções.

Festival de Gramado 2022 amplia espaços dedicados ao mercado audiovisual com o Gramado Film Market

por: Cinevitor
Laís Bodanzky na edição on-line do Gramado Film Market.

Consagrado como o espaço dedicado ao mercado do cinema e do audiovisual dentro do Festival de Cinema de Gramado, o Gramado Film Market chega ao seu sexto ano em 2022. Após duas edições com programação televisionada e on-line, o evento volta ao modelo presencial em duas etapas.

A primeira delas é a realização do II Mercado Audiovisual Entre Fronteiras, que abre a programação voltada ao mercado e acontecerá entre os dias 15 e 17 de agosto. O evento, realizado pela Sedac, Secretaria de Estado da Cultura, por meio do Iecine, Instituto Estadual de Cinema, em convênio com a Gramadotur, tem como objetivo a integração entre produtores e a promoção do audiovisual da região no cenário internacional. Marco para o intercâmbio entre cineastas do Paraguai, das regiões do Sul do Brasil e noroeste da Argentina, que buscam a coprodução e a internacionalização de seus projetos audiovisuais. 

“O espaço multicultural das fronteiras deve ser encarado como ambiente de desenvolvimento da economia criativa. Como anfitrião do II Mercado Audiovisual Entre Fronteiras, o Rio Grande do Sul mostra-se aberto para as trocas culturais, atraindo investidores e players, potencializando o audiovisual da América Latina”, destaca Beatriz Araujo, Secretária de Estado da Cultura

A segunda etapa ocorre durante os dias 17, 18 e 19 de agosto, com o Conexões Gramado Film Market, que segue com a programação composta por painéis, capacitações, reuniões com players, Mostra Universitária e Concurso Interativo: “Gramado retorna à presencialidade reforçando seu vínculo com o mercado audiovisual. Este ano, temos uma programação robusta, sempre voltada para a consolidação de novos negócios. Queremos unir realizadores e grandes players do mercado. Seremos palco de painéis e workshops com grandes nomes da indústria nessa edição do Gramado Film Market, que se desenha em duas etapas: a realização do II Mercado Entre Fronteiras e o nosso tradicional Conexões Gramado Film Market”, afirma Diego Scariot, gerente de eventos da Gramadotur, autarquia municipal responsável pelos eventos da cidade. 

Interessados em participar do II Mercado Audiovisual Entre Fronteiras, que faz parte da programação do Gramado Film Market, podem realizar inscrição no site do Festival de Cinema de Gramado (clique aqui) até 20 de junho. Poderão ser inscritos projetos de longa-metragem de ficção, documental e animação, em etapa de desenvolvimento ou pós-produção (WIP), além de séries de ficção, documental e animação, em etapa de desenvolvimento ou pós-produção (WIP). Na sequência, a partir do dia 15 de julho, está prevista a abertura das inscrições para participação no Conexões Gramado Film Market.

A 50ª edição do Festival de Cinema de Gramado acontecerá entre os dias 12 e 20 de agosto.

Foto: Edison Vara/Agência Pressphoto.

Morre, aos 88 anos, o ator Milton Gonçalves

por: Cinevitor
O ator, em 2015, quando foi homenageado na CineOP.

Morreu nesta segunda-feira, 30/05, no Rio de Janeiro, aos 88 anos, o ator Milton Gonçalves. Segundo informações divulgadas pela imprensa e confirmadas por familiares, ele faleceu em casa por conta de problemas de saúde que enfrentava desde que teve um AVC, em 2020.

Nascido em Monte Santo de Minas, em Minas Gerais, Milton começou sua carreira no teatro amador e no teatro infantil. Depois disso, já em São Paulo, trabalhou como aprendiz de sapateiro e alfaiate; logo, entrou para o elenco do Teatro de Arena e participou da peça Ratos e Homens, de Steinbeck, com direção de Augusto Boal, em 1956. Também trabalhou no Teatro Experimental do Negro de São Paulo e no Teatro Nacional de Comédia. Em 1981, recebeu o Prêmio Estácio de Sá pelos serviços prestados ao teatro carioca.

Sucesso nos palcos, migrou para a televisão no começo da década de 1960 e fez uma participação especial em O Vigilante Rodoviário, da TV Tupi. Ao longo dos anos, atuou em diversas novelas e minisséries da Rede Globo, como: Rua da Matriz, Rosinha do Sobrado, A Moreninha, Padre Tião, Irmãos Coragem, Bandeira 2, O Bem-Amado, Roque Santeiro, Pecado Capital, Baila Comigo, Carga Pesada, Tenda dos Milagres, Cambalacho, Fera Radical, Que Rei Sou Eu?, Araponga, As Noivas de Copacabana, De Corpo e Alma, O Rei do Gado, Chiquinha Gonzaga, Esperança, A Favorita, Lado a Lado, entre tantos outros trabalhos. Junto com Célia Biar e Milton Carneiro, formou o primeiro elenco de atores da Globo

O talento de Milton Gonçalves também se estendeu para o cinema. Sua estreia nas telonas aconteceu em 1958 em O Grande Momento, drama dirigido por Roberto Santos. Na década de 1970, no Festival de Gramado, recebeu o kikito de melhor ator coadjuvante por Barra Pesada, de Reginaldo Faria; anos depois, foi homenageado com o Troféu Oscarito e em 2004 levou outro kikito, só que dessa vez como melhor ator pelo filme Filhas do Vento, de Joel Zito Araújo. No Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, em 1975, foi consagrado por sua atuação em A Rainha Diaba, de Antonio Carlos da Fontoura.

Protagonista: atuação premiada em A Rainha Diaba.

Sua filmografia conta também com Eles Não Usam Black-Tie, Cidade Ameaçada, Grande Sertão, Paraíba, Vida e Morte de um Bandido, O Homem Nu, O Bravo Guerreiro, Pedro Diabo Ama Rosa Meia Noite, Macunaíma, Ipanema, Adeus, Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia, Ladrões de Cinema, Aguenta Coração, O Beijo da Mulher-Aranha, Luar Sobre Parador, Um Trem para as Estrelas, O Que é Isso, Companheiro?, O Homem Nu, Orfeu, Bufo & Spallanzani, Carandiru, Xuxa e o Tesouro da Cidade Perdida, Segurança Nacional, O Abismo Prateado, Assalto ao Banco Central, Billi Pig, Carcereiros: O Filme, Pixinguinha, Um Homem Carinhoso, Hermanoteu na Terra de Godah: O Filme, entre muitos outros.

Pelo conjunto da sua obra, foi homenageado diversas vezes e recebeu diversas honrarias, como: Troféu Mário Lago, Prêmio Camélia da Liberdade, Troféu Raça Negra, entre outros. Em 2015, também foi homenageado na CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto.

Entre tantos sucessos, Milton, que era militante do movimento negro, candidatou-se a governador do estado do Rio de Janeiro, em 1994. Além disso, foi o primeiro brasileiro a apresentar uma categoria na cerimônia de premiação do Emmy Internacional, em 2006, no qual foi indicado pelo papel de Pai José na novela Sinhá Moça, e foi homenageado pela Acadêmicos de Santa Cruz, no Carnaval do Rio de Janeiro deste ano, com o enredo Axé, Milton Gonçalves! No Catupé da Santa Cruz. Seu último trabalho na TV foi na novela O Tempo Não Para, em 2018, na Rede Globo.

Foto: Leo Lara/Universo Produção.

1º Festival de Cinema de Arapiraca: conheça os vencedores

por: Cinevitor
Cena do curta mineiro 4 Bilhões de Infinitos, de Marco Antônio Pereira: premiado.

A primeira edição do Festival de Cinema de Arapiraca aconteceu entre os dias 25 e 29 de maio em formato on-line e também presencial no Cinesystem do Arapiraca Garden Shopping, em Alagoas.

A programação contou com três mostras competitivas: Mostra Brasil, que destaca a pluralidade do cinema contemporâneo independente brasileiro; Mostra Nordeste, com filmes que apresentam diferentes possibilidades poéticas e políticas de um Nordeste das tradições; e a Mostra Navi, com uma coleção de filmes de vários processos formativos. As mostras Infantil e Itinerante foram exibidas fora de competição. A curadoria foi formada por Beatriz Vilela, Wéllima Kelly, Leandro Alves, Roseane Monteiro e Ulisses Arthur.

O júri desta primeira edição contou com: Torquato Joel, Carolina Belisario e Emerson Maranhão na Mostra Brasil; e Sara Rocha, Daniel Torres e André Araújo nas mostras Nordeste e Navi. Os premiados receberam o Troféu Varal, que faz referência ao povo do agreste.

Além das exibições dos filmes, o evento contou com diversas atividades paralelas, como: Oficina de crítica cinematográfica​, com Chico Torres; Oficina de produção de filmes de baixo orçamento, com Antonio Fargoni; Masterclass: Inovação para projetos audiovisuais para TV e streaming, com Luciana Dias; e Masterclass: Processo criativo e de produção do filme Madalena, de Madiano Marcheti, com Marcos Pieri.

Conheça os vencedores do 1º Festival de Cinema de Arapiraca:

MOSTRA BRASIL

Melhor Filme: 4 Bilhões de Infinitos, de Marco Antônio Pereira (MG)
Melhor Direção: Marco Antônio Pereira, por 4 Bilhões de Infinitos
Melhor Roteiro: Sideral, escrito por Carlos Segundo
Melhor Interpretação: Wanderlândia Melo, por A Barca
Melhor Fotografia: Primos, por Petrus Cariry
Melhor Direção de Arte: Trincheira, por Nina Magalhães
Melhor Montagem: Zero, por Pedro Vinícius
Melhor Som: Lina, por Maurício Galo

MOSTRA NORDESTE

Melhor Filme: A gente foi feliz aqui, de Renata Baracho e Paulo Accioly (AL)
Melhor Direção: Renata Baracho e Paulo Accioly, por A gente foi feliz aqui
Melhor Roteiro: Inabitável, escrito por Enock Carvalho e Matheus Farias
Melhor Interpretação: Wesley Guimarães, por Quantos Mais?
Melhor Fotografia: Coleção Preciosa, por Filipe Sobral
Melhor Direção de Arte: Nem Todas as Manhãs são Iguais, por Renata Gadelha
Melhor Montagem: Coleção Preciosa, por Filipe Gama e Rafael Oliveira
Melhor Som: Severina, por Catharina Pimentel
Menção Honrosa: Nazo Dia e Noite Maria, de Andréa Paiva (AL)

MOSTRA NAVI

Melhor Filme: Tá Foda, de Aline Golart, Fernanda Maciel, Denis Souza, Icaro Castello, Lígia Torres e Victória Sugar (RS)
Melhor Direção: Ronald Silva, por Sereia
Melhor Roteiro: Tá Foda, de Criação Coletiva
Melhor Interpretação: Agatha Guimarães, por Vamos Ficar Sozinhas
Melhor Fotografia: Laroyê, por Clara Regaço e Leonardo Pegozzi
Melhor Direção de Arte: Estática, por Amanda Queiroz
Melhor Montagem: Entre Rimas e Improvisos: As Batalhas de Rap em Alagoas, por Zazo

Foto: Divulgação.