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Dirigida por Tim Burton, versão live-action de Dumbo ganha trailer com Colin Farrell e Eva Green

por: Cinevitor

dumbodisneyteaserO filme tem estreia prevista para março de 2019.

Depois de O Lar das Crianças Peculiares, Tim Burton foi anunciado pela Disney como o diretor da versão live-action, com atores e cenários reais, do clássico Dumbo. A animação, lançada em 1941, ganhou o Oscar de melhor canção original e conta a história do simpático elefante que se sente rejeitado pelos amigos por causa de suas grandes orelhas.

As filmagens aconteceram na Inglaterra e o elenco conta com Colin Farrell, Alan Arkin, Finley Hobbins, Danny DeVito, Joseph Gatt, Kamil Lemieszewski, Nico Parker, Michael Keaton e Eva Green.

Produzido por Katterli Frauenfelder, Derek Frey, Ehren Kruger e Justin Springer, o longa tem estreia prevista para 29 de março de 2019. Além disso, Kruger, responsável pelos roteiros de três filmes da franquia Transformers e A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell, também assinará essa nova versão da animação.

Tim Burton, que já dirigiu grandes sucessos, como Os Fantasmas se Divertem, Batman, Edward Mãos de Tesoura, A Fantástica Fábrica de Chocolate e Alice no País das Maravilhas pretende misturar animação com atores reais: “Dumbo sempre foi um dos meus filmes favoritos da Disney”, revelou.

Confira o primeiro trailer da nova versão de Dumbo:

Foto: Divulgação/Disney.

A Floricultura

por: Cinevitor

afloriculturaposter1La fleurière

Direção: Ruben Desiere

Elenco: Tomàs Balog, Vladimír Balázs, Bartolomej Mroc, Vano Rastislav.

Ano: 2017

Sinopse: Nos fundos de uma floricultura, três jovens cavam um túnel a fim de assaltar o cofre de um banco. No entanto, um imprevisto logo os força a parar com o trabalho, deslocando o foco da narrativa para a relação entre esses homens ali confinados.

Crítica do CINEVITOR: Em seu primeiro longa-metragem de ficção, o cineasta belga Ruben Desiere conta a história de três jovens que, nos fundos de uma floricultura, planejam um assalto ao cofre de um banco. À primeira vista, tudo indica que estaremos à frente de um filme de ação ou até mesmo de aventura. Mas, logo nos primeiros minutos percebemos que a jornada dos protagonistas tomará um rumo completamente diferente. Com uma câmera praticamente fixa, o diretor apresenta ao espectador uma narrativa concentrada na relação entre os personagens, que têm como pano de fundo a missão de cavar um túnel para chegar no destino final: o cofre do Banco Nacional. Sobre isso, não há nenhuma tensão no roteiro. Ou seja, não espere momentos de suspense ou de emoção relacionados ao roubo. O foco de A Floricultura é discutir a situação desses três homens e os motivos que os levaram a cometer tal ato. O melhor momento do filme, onde conhecemos mais sobre esses personagens, acontece durante uma das tantas conversas entre um descanso e outro; eles debatem a situação dos ciganos na Europa, como são tratados e recebidos, e expõem as dificuldades de conviver em meio a injustiças sociais e preconceitos. Fora isso, o diretor, que também assina o roteiro, mantém o ritmo de seu longa em linha reta sem apresentar qualquer reviravolta, ainda que apresente um desfecho mais dinâmico. A Floricultura poderia ficar mais interessante e menos monótono se tivesse uma agilidade narrativa que intercalasse entre uma tensão na ação de seus protagonistas com um discurso ainda mais social. (Vitor Búrigo)

*Filme assistido no 7º Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba.

Nota do CINEVITOR:

nota-3-estrelas

Drvo – A Árvore

por: Cinevitor

drvoarvoreposter1Direção: André Gil Mata

Elenco: Petar Fradelic, Sanja Vrzic, Filip Zivanovic.

Ano: 2018

Sinopse: Um homem, uma criança, duas guerras, um rio, uma árvore. Um homem e uma criança, sob uma árvore à beira do rio, partilham a mesma memória e um segredo. Um no outro encontram a serenidade, o silêncio e o tempo que perderam nas águas correntes do rio.

Crítica do CINEVITOR: Depois de passar pelo Olhar de Cinema, em 2013, com o documentário Cativeiro e ser premiado, o cineasta português André Gil Mata volta à programação do evento com seu novo longa-metragem: Drvo – A Árvore, que também foi exibido no Festival de Berlim. Dessa vez, ele propõe ao espectador uma imersão em um universo ficcional e particular baseado em experiências e sensações vividas em Sarajevo, cidade que escolheu para fixar residência anos atrás. Marcado por planos de longa duração, sem diálogos e muito bem fotografados, o filme apresenta a jornada de seu protagonista durante uma guerra, que é inserida na narrativa por meio de sons estrondosos que nos remetem ao caos proposto pelo cineasta. Não vemos imagens de confrontos ou soldados invadindo propriedades, por exemplo, pois é nessa mistura de imaginação e memória que Gil Mata situa o espectador. Com uma narrativa lenta, porém proposital e que colabora para a construção narrativa, acompanhamos o tempo real dos personagens na realização de suas ações. Logo na sequência inicial, que dura em torno de quinze minutos com uma câmera que passeia pelo cenário, somos inseridos naquele universo gelado, hostil e vazio do filme. Há uma melancolia projetada aqui que se mistura com sensações de medo e sobrevivência. Porém, em seus momentos finais, Drvo – A Árvore perde um pouco dessas sensações ao apressar a narrativa para um desfecho explicativo que poderia ter sido apresentado de acordo com aquilo que já vinha sendo contado e compreendido. (Vitor Búrigo)

*Filme assistido no 7º Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba.

Nota do CINEVITOR:

nota-3,5-estrelas

O Visto e o Não Visto

por: Cinevitor

vistonaovistoposter1Sekala Niskala

Direção: Kamila Andini

Elenco: Thaly Titi Kasih, Ida Bagus Putu Radithya Mahijasena, Ayu Laksmi, Ketut Rina, Happy Salma, Ni Gusti Ayu Putu Raka Suryaningsih.

Ano: 2017

Sinopse: Um dia, em um quarto de hospital, Tantri, de dez anos, percebe que ela não terá muito mais tempo perto de seu irmão gêmeo, Tantra. Essa situação faz despertar algo em sua mente, criando relações com espíritos, animais e símbolos de força para ajudar a manter a ela e a seu irmão vivos.

Crítica do CINEVITOR: Nascida em Jacarta, capital da Indonésia, a cineasta Kamila Andini é conhecida por abordar temas como igualdade de gênero, meio ambiente e cultura popular em seus trabalhos. Em O Visto e O Não Visto não foi diferente. Exibido nos festivais de Berlim e Toronto, o drama conta a história de uma menina de dez anos que acompanha o irmão gêmeo no hospital. Ao perceber que a situação se agrava, ela passa a aproveitar mais os dias ao lado daquele que cresceu com ela. Essa relação afetuosa é retratada com muito simbolismo e rituais típicos da cultura popular da Indonésia, não tão conhecida por aqui. Mas, ainda assim, o longa traz uma linguagem universal em sua narrativa, contemplando o espectador com belíssimas cenas de carinho entre os irmãos. Vale destacar quando os dois brincam no hospital, com os corpos pintados, encenando um confronto entre animais rodeado de símbolos que remetem à uma ligação espiritual. O Visto e O Não Visto não apela para o melodrama, mas consegue emocionar o espectador com doses de esperança e por conta do carisma de seus personagens. (Vitor Búrigo)

*Filme assistido no 7º Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba.

Nota do CINEVITOR:

nota-3,5-estrelas

Fabiana

por: Cinevitor

fabianaposter1Direção: Brunna Laboissière

Elenco: Fabiana Camila Ferreira, Priscila Cardoso.

Ano: 2018

Sinopse: Depois de trinta anos vivendo como nômade pelas estradas brasileiras, Fabiana, mulher trans e caminhoneira, realizará sua última viagem antes de encarar a aposentadoria.

Crítica do CINEVITOR: O documentário Fabiana marca a estreia de Brunna Laboissière  como diretora, roteirista e produtora. No filme, acompanhamos a despedida da protagonista como caminhoneira, depois de trinta anos vivendo pelas estradas brasileiras. Mulher trans, Fabiana é mostrada quase sempre na boleia do caminhão e, nesses momentos, fala sobre assuntos pessoais e conta histórias engraçadas sobre antigos relacionamentos. A ideia do filme surgiu quando Bruna resolveu viajar pedindo carona e encontrou com Fabiana. Depois de algumas negociações, começaram a rodar o documentário. O fato de ser uma mulher trans em um ambiente completamente dominado por homens, já é um ponto alto do longa. Mas quando se espera saber um pouco mais da vida de Fabiana, como tudo começou, por exemplo, o longa deixa a desejar. Há momentos que poderiam ser mais aproveitados ou até mesmo com uma abordagem mais ampla sobre temas interessantes que renderiam boas discussões, como o preconceito enfrentado ao longo desses anos. Ainda que falte um lado mais jornalístico nessa narrativa, até para situar melhor o espectador, Fabiana surge como um road movie protagonizado por uma figura carismática e guerreira. Ao se encaminhar para o desfecho, eis que surge uma nova personagem: Priscila, companheira de Fabiana. O relacionamento entre elas ganha destaque nos minutos finais, mas também não consegue ser bem aproveitado. O documentário de Brunna Laboissière é interessante, porém cresceria muito mais se fosse a fundo na vida de sua protagonista trazendo discussões importantes e necessárias sobre gênero, intercalando com momentos aleatórios do dia a dia. (Vitor Búrigo)

*Filme assistido no 7º Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba.

Nota do CINEVITOR:

nota-3,5-estrelas

Confira o trailer de O Primeiro Homem, de Damien Chazelle, com Ryan Gosling

por: Cinevitor

firstmantrailerDepois de dançar e cantar nas telonas, Ryan Gosling agora interpreta Neil Armstrong.

Depois do sucesso em La La Land: Cantando Estações, o diretor Damien Chazelle e o ator Ryan Gosling retomam a parceria e embarcam no drama O Primeiro Homem, no original The First Man. A produção, que acaba de ter seu primeiro trailer divulgado, retrata a concretização de uma das missões mais perigosas da história: a chegada de Neil Armstrong à Lua.

Baseado no livro de James R. Hansen, o longa é um recorte visceral em primeira pessoa que explora os sacrifícios e os custos, de um homem e de uma nação, a fim de completar a jornada da NASA durante o período de 1961-1969. Com roteiro de Josh Singer, vencedor do Oscar por Spotlight: Segredos Revelados, o drama é produzido por Wyck Godfrey e Marty Bowen, de A Culpa é das Estrelas.

Além de Gosling, o elenco conta também com Claire Foy, Jason Clarke, Kyle Chandler, Patrick Fugit, Ciaran Hinds, Ethan Embry, Shea Whigham, Corey Stoll e Pablo Schreiber.

Confira o primeiro trailer de O Primeiro Homem, que tem estreia prevista para o dia 11 de outubro:

Foto: Divulgação/Universal Pictures.

A Casa Lobo

por: Cinevitor

lacasaloboposter1La Casa Lobo

Direção: Joaquín Cociña, Cristóbal León.

Elenco: Amalia Kassai, Rainer Krause.

Ano: 2018

Sinopse: Maria se refugia em uma casa após escapar de uma seita religiosa alemã no Chile. A casa reage a seus sentimentos, transformando sua estadia em uma experiência tenebrosa.

*Filme visto no 7º Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba.

Nota do CINEVITOR:

nota-3,5-estrelas

Homens que Jogam

por: Cinevitor

homensquejogamposter1Playing Men

Direção: Matjaž Ivanišin

Ano: 2017

Sinopse: Os homens que jogam são também os que brincam ou atuam. O documentário propõe um olhar ao mesmo tempo jocoso e afetuoso, que inclui uma autoironia mordaz ao colocar seu próprio realizador em confronto com seus personagens e os rituais tão particulares que realizam. O limite entre o ridículo e o sublime é sempre uma questão de segundos ou de ponto de vista, como nos lembra esse filme onde o cineasta embarca em uma jornada para criar uma ode ao absurdo de um gesto reconhecidamente masculino.

Crítica do CINEVITOR: O cineasta esloveno Matjaž Ivanišin é conhecido por seus documentários premiados ao redor do mundo. Com Homens que Jogam não foi diferente. Vencedor do prêmio de melhor filme do Olhar de Cinema deste ano, segundo o júri oficial, o longa apresenta com diversão e leveza grupos de homens que praticam jogos inusitados e pouco conhecidos por aqui. A intenção do diretor não é explicar como esses rituais funcionam e nem sequer dar nome aos jogos, mas sim registrar tais competições e como se comportam os indivíduos que as realizam. Há momentos hilários no longa, como o jogo que envolve um queijo maiorchino que rola por ladeiras de uma cidade do interior ou quando adolescentes gritam uns com os outros em uma competição com os dedos das mãos. Em meio a risadas, há um momento de tensão, que também garante diversão ao espectador: o diretor enfrenta uma crise criativa, assume não conseguir continuar o filme e dá a volta por cima para completar o desfecho envolvendo outro esporte, nesse caso, o tênis. Homens que Jogam é carregado de leveza e se transforma em uma obra interessante ao apresentar um estudo antropológico de personagens beirando ao ridículo e que se transformam quando estão envolvidos em competição. Suas atitudes vão além do espírito esportivo e, independente do jogo, por mais estranho, competitivo e divertido que seja, agem de maneira que os colocam em evidência num delicioso processo de observação do ser humano. A diversão está garantida! (Vitor Búrigo)

*Filme assistido no 7º Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba.

Nota do CINEVITOR:

nota-4-estrelas

7º Olhar de Cinema: Janie Geiser fala sobre seus filmes exibidos na mostra Foco

por: Cinevitor

janiegeiserolharfotoA artista americana está em Curitiba para participar do festival.

Neste ano, a artista americana Janie Geiser é a homenageada na Mostra Foco do 7º Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba. Presente no evento, que acontece até o dia 14 de junho, ela exibe quatro programas de curtas-metragens, que incluem a estreia mundial de seu último trabalho, Valeria Street, e filmes de cineastas que ela admira.

Geiser nasceu em Louisiana e mora em Los Angeles há duas décadas, onde é professora na Escola de Teatro na California Institute of the Arts. Ela foi pintora e desenhista antes de ganhar destaque como criadora de fantoches experimentais no teatro. Há mais de 30 anos, começou a fazer curtas-metragens a partir de colagens e cada um de seus filmes está cheio de intrigantes mistérios e histórias secretas, que, ao serem compartilhados com o público, o inspiram a imaginar sua própria história.

A lista de filmes dirigidos por Geiser que serão exibidos na mostra Foco apresenta a maior retrospectiva já realizada no mundo. As obras da diretora serão exibidas principalmente em HD, incluindo novas cópias de seus filmes mais antigos feitos em 16 mm. Com exceção de The Hummingbird Wars, os filmes terão suas estreias brasileiras no Olhar de Cinema.

Na sexta-feira, 08/06, a artista participou de um debate com o público do Olhar de Cinema depois da exibição do Programa 1: Histórias Secretas.

Confira os melhores momentos:

*O CINEVITOR está em Curitiba a convite do evento e você acompanha a cobertura do festival por aqui e pelas redes sociais: Twitter, Facebook e Instagram.

Foto: Aline Brandarelo.

Ansiosa Tradução

por: Cinevitor

ansiosatraducaoposter1Nervous Translation

Direção: Shireen Seno

Elenco: Jana Agoncillo, Angge Santos, Sid Lucero, Nafa Hilario-Cruz.

Ano: 2017

Sinopse: Filipinas, fim de 1988, pós-ditadura. Yael é uma garota de 8 anos que vive com sua mãe em Manila. Entre fitas cassete e exercícios de inglês, as largas horas de seu cotidiano são preenchidas por fabulações próprias ao imaginário infantil, revelando o potencial inventivo de uma observação que desnaturaliza os espaços e as coisas. Em seu mundo particular, um dia descobre uma caneta capaz de traduzir seus pensamentos.

Crítica do CINEVITOR: Premiado no Festival de Roterdã e vencedor do Prêmio da Crítica Abraccine no Olhar de Cinema, Ansiosa Tradução é o segundo longa-metragem da cineasta japonesa Shireen Seno. O filme se passa no final da década de 1980, nas Filipinas, em uma época pós-ditadura. Na história, acompanhamos a pequena Yael, interpretada brilhantemente pela talentosa Jana Agoncillo. Ela vive com a mãe, mas passa a maioria do tempo sozinha em seu universo particular. Seu tempo é dividido entre ouvir fitas cassete enviadas pelo pai, que está longe de casa, lições de inglês e brincadeiras infantis com toques de amadurecimento. São em pequenos detalhes nas atitudes da jovem protagonista que percebemos a formação de sua personalidade. Acostumada com a ausência dos pais, ela prepara sua própria comida, se preocupa com a casa, com a mãe e interage com seu universo lúdico e particular de forma cativante. Há um leve toque de tristeza em seu olhar observador, mas há também uma preocupação em desvendar os mistérios da vida adulta que se apresenta com ausência em sua vida. Ansiosa Tradução retrata com sensibilidade o mundo imaginário de sua protagonista e utiliza da fantasia para desbravar os desejos e sonhos da pequena Yael. Não por acaso, se mostra a personagem mais adulta de todo o filme e assume um papel importante naquela família ao tentar restabelecer sentimentos velados por uma frieza que ronda sua vida. Há outro elemento que se destaca no longa de Shireen Seno: a impecável direção de arte, que contextualiza o espectador à época retratada sem exageros cênicos. Simples objetos e figurinos coerentes nos colocam naquele lugar proposto pela diretora. Ansiosa Tradução é tocante porque brinca com o imaginário infantil de forma fantasiosa, mas também apresenta uma protagonista carismática que busca compreender a vida adulta por meio de ausências que rondam seu dia a dia. (Vitor Búrigo)

*Filme assistido no 7º Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba.

Nota do CINEVITOR:

nota-4-estrelas

Você Já Se Perguntou Quem Atirou?

por: Cinevitor

perguntouquematirouposter1Did You Wonder Who Fired the Gun?

Direção: Travis Wilkerson

Ano: 2017

Sinopse: A questão você já se perguntou quem atirou? é colocada em uma música de protesto de Phil Ochs sobre o assassinato de um ativista defensor dos direitos civis na região sul dos Estados Unidos na década de 1960. A pergunta também é feita a si mesmo pelo cineasta branco Wilkerson enquanto investiga o caso não resolvido do assassinato na década de 1940 de um homem negro no Alabama por seu próprio bisavô. Uma pesquisa repleta de entrevistas que busca compreender o ocorrido e o que o crime e seu apagamento representam para o país hoje.

Crítica do CINEVITOR: Na década de 1940, um homem negro foi assassinado por um branco no Alabama. Entre tantos outros. Porém, neste documentário assinado por Travis Wilkerson, o caso é destacado pelo fato de que o crime foi cometido por seu bisavô. Em Você Já Se Perguntou Quem Atirou? acompanhamos a investigação do cineasta em relação ao assassinato que envolveu sua família. Infelizmente, a discriminação racial ainda se mostra presente em todos os cantos do mundo e o racismo afeta grande parte da população. No filme, narrado pelo próprio Travis, um homem branco, pesquisas sobre o caso são apresentadas de maneira contundente a fim de descobrir mais sobre a vítima e onde foi enterrada. É notória, e nem um pouco velada, a desigualdade social e racial daquela época, que respinga nos dias de hoje; o tratamento em relação aos brancos e negros, os privilégios, o preconceito. O grande trunfo de Travis é não esconder nada disso e, melhor, ir mais além. Ele revira o passado de sua família, busca provas sobre o caso, entra em contato com conhecidos (alguns até assustadoramente conservadores) e faz de tudo para tentar, pelo menos, honrar o nome daquele que foi assassinado por seu bisavô. E não como forma de pedir desculpa porque há dores que não conseguem ser reparadas, mas sim, com a intenção de mostrar que é preciso assumir os erros e começar a consertá-los para que não sejam mais cometidos. Você Já Se Perguntou Quem Atirou? é um soco no estômago, porém necessário, pois traz uma reflexão sobre quem somos e também sobre aqueles que estão ao nosso redor. Muitas vezes é preciso enfrentar o medo para encontrar a verdade, arriscar-se por justiça ou pelo menos tentar se redimir de um passado banhado por ódio que não pode mais ser aceito hoje em dia. (Vitor Búrigo)

*Filme assistido no 7º Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba.

Nota do CINEVITOR:

nota-3,5-estrelas

 

Djon África, de Filipa Reis e João Miller Guerra, abre o 7º Olhar de Cinema

por: Cinevitor

djonaberturaolharOs diretores do filme de abertura com Antônio Junior, diretor geral e artístico do festival.

Exibido no Festival Internacional de Cinema de Roterdã, Djon África abriu a sétima edição do Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba nesta quarta-feira, 06/06. Dirigido por Filipa Reis e João Miller Guerra, o longa trabalha com questões de identidade e nacionalidade ao acompanhar a jornada de Miguel Moreira, também conhecido como Tibars ou Djon África, em sua volta a Cabo Verde, numa busca por informações sobre o pai que ele nunca conheceu.

Esse é o primeiro longa de ficção da dupla de documentaristas, que já conhecia o personagem principal, Miguel Moreira, de seu filme anterior Li ké terra, um documentário sobre os cabo-verdianos que vivem ilegalmente em Portugal.

Djon África, uma coprodução entre Portugal, Brasil e Cabo Verde, mostra uma jornada cheia de desvios e encontros, ao mesmo tempo melancólica e instigante, em que o protagonista busca suas origens mas sempre é lembrado de que segue um estrangeiro seja onde for.

“A ideia do filme surgiu depois da morte do meu pai e eu percebi que o Miguel [Moreira] tinha uma história universal para ser contada sobre ir em busca das suas origens. É tudo inspirado na vida dele”, contou João em entrevista exclusiva para o CINEVITOR. “O roteiro foi escrito pelo Pedro Pinho com informações que passamos pra ele sobre a vida do Miguel”, completou.

Além disso, Filipa falou sobre o circuito de festivais, abertura do 7º Olhar de Cinema e coprodução com o cineasta brasileiro Gabriel Mascaro: “Estar em qualquer festival é muito importante porque é um circuito onde o cinema de autor começa sua carreira. Abrir o Olhar de Cinema teve um significado especial porque o filme é uma coprodução brasileira realizada pelo Gabriel Mascaro. E eu vejo muito do Brasil no longa”.

Ao final da entrevista, a diretora falou sobre a estreia de Djon África nos cinemas brasileiros: “Estou ansiosa para a estreia em circuito comercial [no Brasil será distribuído pela Vitrine Filmes, ainda sem data de lançamento] porque esses filmes nem sempre conseguem um alcance maior. Estamos contentes”, finalizou Filipa.

*O CINEVITOR está em Curitiba a convite do evento e você acompanha a cobertura do festival por aqui e pelas redes sociais: Twitter, Facebook e Instagram.

Foto: Gabriel Neto.