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Amanda

por: Cinevitor

amandaposter1Direção: Mikhaël Hers

Elenco: Vincent Lacoste, Isaure Multrier, Stacy Martin, Ophélia Kolb, Marianne Basler, Jonathan Cohen, Nabiha Akkari, Greta Scacchi, Bakary Sangaré, Claire Tran, Elli Medeiros, Zoé Bruneau, Lily Bensliman, Raphaël Thiéry, Leah Lapiower, Luke Haines, Lawrence Valin, Carole Rochet, Jeanne Candel, Lisa Wisznia, Missia Piccoli, David Olivier Fischer, Christopher Koderisch, Lennart Zynga, Chiara Vergne.

Ano: 2018

Sinopse: Paris, hoje em dia. O jovem David Sorel, de vinte anos, leva a vida de empregos temporários. Solitário e sonhador, ele se apaixona por Léna, uma vizinha recém-chegada. Sua vida muda de rumo quando sua irmã mais velha morre brutalmente. A partir desse lamentável evento, David se vê responsável pela criação e educação de sua sobrinha de sete anos de idade, Amanda.

Nota do CINEVITOR:

nota-4-estrelas

Tudo o Que Tivemos

por: Cinevitor

tudoquetivemosposterWhat They Had

Direção: Elizabeth Chomko

Elenco: Hilary Swank, Michael Shannon, Robert Forster, Blythe Danner, Taissa Farmiga, Josh Lucas, Sarah Sutherland, Marilyn Dodds Frank, Aimee Garcia, William Smillie, Isabeau Dornevil, Jennifer Robideau, Jay Montepare, Ann Whitney, Ryan W. Garcia, Iah Bearden-Vrai, Clarence E. Davis, Eric Ian, Anna Kabis, Hans Dieter Wolff.

Ano: 2018

Sinopse: Bridget é uma chefe de cozinha na Califórnia que precisa voltar para Chicago, sua cidade natal, quando sua mãe doente desaparece durante uma nevasca. Acompanhada da filha adolescente, ela foi chamada para ajudar a resolver um impasse e decidir o futuro da mãe, diagnosticada com Alzheimer. De um lado, o pai teimoso que insiste que sua esposa está bem e deve permanecer em casa. Do outro, o irmão determinado a enviá-la para uma conceituada casa de repouso. E no meio, Bridget que tenta encontrar uma saída para o conflito, mas os ressentimentos podem tornar a difícil decisão quase impossível.

Nota do CINEVITOR:

nota-3-estrelas

Confira o trailer de Obsessão, com Isabelle Huppert e Chloë Grace Moretz

por: Cinevitor

obsessaotrailer1Isabelle Huppert em cena: enigmática.

Dirigido por Neil Jordan, vencedor do Oscar por Traídos pelo Desejo e diretor de Entrevista Com o Vampiro, o suspense psicológico Obsessão, exibido no Festival de Toronto e premiado no Dublin International Film Festival, acaba de ganhar seu primeiro trailer.

O longa mostra a amizade incomum entre Frances McCullen, interpretada por Chloë Grace Moretz, de O Mau Exemplo de Cameron Post, que acabou de perder a mãe, e a enigmática viúva solitária Greta Hideg, vivida por Isabelle Huppert, vencedora do Globo de Ouro de melhor atriz por Elle.

Enquanto vão se tornando amigas, Frances descobre que os planos da viúva se revelam cada vez mais obscuros, para desespero de sua melhor amiga Erica Penn, interpretada por Maika Monroe, que está ajudando Frances a se inserir em Nova York e a alerta sobre as verdadeiras intenções de Greta.

Confira o trailer de Obsessão, que estreia nos cinemas brasileiros no dia 13 de junho:

Foto: Divulgação/Galeria Distribuidora.

Retrospectiva Milos Forman: filmografia do diretor será exibida no CineSesc

por: Cinevitor

milosformancinesescO cineasta na cerimônia do Oscar, em 1976: premiado por Um Estranho no Ninho.

Entre os dias 2 e 15 de maio, o CineSesc, em São Paulo, apresentará uma retrospectiva do cineasta checo, naturalizado americano, Milos Forman com todos os seus longas-metragens. Cópias em 35mm, do início de sua carreira, virão do Arquivo Nacional do Filme, em Praga, na República Tcheca, e de outras cinematecas europeias, como a Deutsche Kinemathek, em Berlim. Outras cópias em digital também serão exibidas, algumas em 4K.

Além dos longas, haverá a exibição do curta-metragem Saudades de Sonia Henie e o documentário Visions of Eight, feitos em parceria com outros cineastas. Esse último é um filme em episódios sob encomenda do Comitê Olímpico Internacional, que conta com a participação de Claude Lelouch, Arthur Penn, Kon Ichikawa, entre outros diretores. O making of do curta Saudades de Sonia Henie, que também será exibido, é inédito no Brasil.

Milos Forman é considerado um dos grandes cineastas estrangeiros e escolheu Hollywood nos anos 1970 e 1980, fugido da repressão comunista de sua terra natal. Formado na Academia de Filmes de Praga, se destacou no começo da carreira com outros cineastas como Ivan Passer, formando o que se convencionou chamar de Nouvelle Vague Tcheca.

Desse início, em Praga, há filmes como Pedro, o Negro e O Baile dos Bombeiros, onde satirizava o regime comunista. Com Os Amores de uma Loira, entretanto, despertou a atenção internacional para sua obra. Esses filmes foram banidos de exibição por um longo período durante a ocupação soviética. Já nos Estados Unidos, a partir de 1968, seu primeiro longa não obteve sucesso de público: Procura Insaciável (indicado ao BAFTA), mergulhando o diretor em uma crise depressiva que apenas se livraria com o sucesso de Um Estranho no Ninho, que o catapultou para o primeiro time de Hollywood, embora sempre se manteve subversivo dentro do esquema hollywoodiano.

O longa foi premiado em cinco categorias no Oscar, em 1976: melhor filme, melhor ator para Jack Nicholson, melhor atriz para Louise Fletcher, melhor direção e melhor roteiro adaptado. Também foi consagrado no Globo de Ouro, BAFTA, National Board of Review, entre outros. Esse sucesso possibilitou que Forman levasse ao cinema o musical Hair, adaptação da Broadway.

milosnicholsonJack Nicholson e Forman nos bastidores de Um Estranho no Ninho.

Depois disso, dirigiu Amadeus, a história de inveja e de admiração que Antonio Salieri sentia por Mozart. Considerado um dos filmes mais importantes da década de 1980, levou oito estatuetas douradas no Oscar, em 1985: melhor filme, ator (F. Murray Abraham), direção, roteiro adaptado, direção de arte, figurino, som e maquiagem, além de ter sido indicado em outras três categorias.

Com O Povo Contra Larry Flynt ganhou o Urso de Ouro no Festival de Berlim, em 1997. O filme, uma biografia do controverso magnata da pornografia Larry Flynt, abriu debates sobre a liberdade de expressão e da censura nos EUA. Foi indicado ao Oscar, Globo de Ouro, SAG Awards, entre outros. Em 2000, voltou ao festival com O Mundo de Andy, protagonizado por Jim Carrey.

Ao longo dos anos, se destacou com diversos trabalhos, como: Na Época do Ragtime, indicado ao Oscar; Os Amores de uma Loira, exibido no Festival de Veneza; Valmont – Uma História de Seduções, premiado no César Awards; Pedro, o Negro, premiado em Locarno; entre outros.

jimmilosJim Carrey e Milos Forman nos bastidores de O Mundo de Andy.

A Retrospectiva Milos Forman contará com 14 longas, sendo que Amadeus em cópia da versão do diretor, um documentário, um curta-metragem e um making of. Todos os títulos serão exibidos duas vezes e um catálogo ilustrando os filmes, com as fichas técnicas, fotos, textos sobre sua obra e informação crítica também fará parte da mostra. As exibições serão acompanhados de um curso ministrado pelo critico Sérgio Alpendre, que fará um panorama da influência do cineasta desde a Nouvelle Vague Tcheca até a Hollywood dos anos 1980. Milos Forman morreu em abril do ano passado, aos 86 anos.

Conheça os filmes que serão exibidos na Retrospectiva Milos Forman no CineSesc:

Sombras de Goya (Goya’s Ghosts) (2006)
O Mundo de Andy (Man on the Moon) (1999)
O Povo Contra Larry Flynt (The People vs. Larry Flynt) (1996)
Valmont – Uma História de Seduções (1989)
Amadeus (1984)
Na Época do Ragtime (Ragtime) (1981)
Hair (1979)
Um Estranho no Ninho (One Flew Over the Cuckoo’s Nest) (1975)
Procura Insaciável (Taking Off) (1971)
O Baile dos Bombeiros (Horí, má panenko) (1967)
Os Amores de uma Loira (Lásky jedné plavovlásky) (1965)
Pedro, o Negro (Cerný Petr) (1964)
Audição (Konkurs) (1964)
Um Caminho de Valor (Dobre placená procházka), de Milos Forman e Petr Forman (2009)
Visions of Eight, de Milos Forman, Kon Ichikawa, Claude Lelouch, Yuriy Ozerov, Arthur Penn, Michael Pfleghar, John Schlesinger e Mai Zetterling (1973)
I Miss Sonia Henie (curta-metragem) (1971)
The Making of Sonia Henie, de Karpo Acimovic-Godina (1972)

Fotos: ABC Photo Archives/Divulgação.

CINEVITOR #335: Entrevista com Gabriela Amaral Almeida e Julio Machado | A Sombra do Pai

por: Cinevitor

sombrapaipgmcinevitorJulio Machado e Luciana Paes em cena.

Depois de fazer sua estreia mundial no 51º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, onde levou três prêmios, A Sombra do Pai, escrito e dirigido por Gabriela Amaral Almeida, de O Animal Cordial, aborda a complexa inversão de papéis entre um pai e uma filha. O longa chega ao circuito comercial nesta quinta-feira, 02/05, pelo projeto Caixa de Pandora e em outras cidades brasileiras.

Protagonizado por Julio Machado e Nina Medeiros, A Sombra do Pai conta a história de Dalva, uma menina de nove anos às voltas com o silêncio do pai, o pedreiro Jorge, que fica mais triste após perder o melhor amigo em um acidente. A irmã de Jorge, Cristina, interpretada por Luciana Paes, administrava a vida de pai e filha desde a morte da mãe da menina, há três anos. Quando Cristina deixa a casa do irmão para se casar, Jorge e Dalva precisam enfrentar a distância que os separa. Fã de filmes de terror, Dalva acredita ter poderes sobrenaturais e ser capaz de trazer a mãe de volta à vida. À medida que Jorge se torna cada vez mais ausente, e eventualmente perigoso, resta a Dalva a esperança de que sim, sua mãe há de voltar.

Gabriela trabalha neste roteiro, que seria seu primeiro filme, há anos, e para a escolha dos atores, a diretora contou com o apoio da produtora de elenco Alice Wolfenson e do preparador de elenco Tomás Decina.

Para falar mais sobre o filme, conversamos com a diretora e com o ator Julio Machado sobre referências, criação, filmagens e elenco. Aperte o play e confira:

Foto: Divulgação/Pandora Filmes.

Primeiro trailer de Sonic – O Filme, com Jim Carrey e James Marsden, é divulgado

por: Cinevitor

sonictrailer1Do videogame para os cinemas!

O ouriço azul chamado Sonic foi criado pela Sega e lançado pela primeira vez em 1991 como uma franquia de jogos focados em velocidade. Fez muito sucesso no mundo do videogame e logo expandiu para outros gêneros. Ao longo dos anos, o personagem também se destacou em desenhos animados, anime e histórias em quadrinhos.

Agora, o tal ouriço vai se aventurar nas telonas no live-action Sonic – O Filme, no original Sonic the Hedgehog. O longa é dirigido por Jeff Fowler, que foi indicado ao Oscar pelo curta-metragem Gopher Broke, e chega aos cinemas brasileiros no dia 23 de janeiro de 2020.

Com Jim Carrey e James Marsden no elenco, o filme é uma aventura baseada na franquia mundial de videogame da Sega que conta a história do ouriço azul mais famoso do mundo. A trama segue as aventuras de Sonic enquanto ele tenta se adaptar à nova vida na Terra com seu novo melhor amigo humano Tom Wachowski (Marsden). Sonic e Tom unem forças para tentar impedir que o vilão Dr. Robotnik (Jim Carrey) capture Sonic e use seus poderes para dominar o mundo.

Produzido pelo diretor de Deadpool, Tim Miller, e pelo produtor de Velozes e Furiosos, Neal H. Moritz, o filme traz ainda Tika Sumpter e Ben Schwartz, como a voz do Sonic, que no Brasil será dublado por Manolo Rey.

Confira o trailer de Sonic – O Filme:

Foto: Divulgação/Paramount Pictures.

Conheça os integrantes do júri da mostra Un Certain Regard do Festival de Cannes 2019

por: Cinevitor

lukasdhontjuriLukas Dhont na Croisette no ano passado.

A mostra Un Certain Regard, paralela ao Festival de Cannes, coloca em evidência filmes mais atípicos que os da Competição Oficial e dirigidos por novos cineastas que oferecem uma perspectiva única para o público.

Neste ano, a cineasta libanesa Nadine Labaki presidirá o júri da mostra, também conhecida como Um Certo Olhar, que começa no dia 15 de maio, depois da abertura da 72ª edição do festival. Nesta terça-feira, 30/04, os integrantes do júri, que acompanharão Labaki na jornada, foram anunciados.

O time de jurados completa-se com: a atriz francesa Marina Foïs, que passou por Cannes na Competição Oficial com Polissia, de Maïwenn, em 2011, A Trama, de Laurent Cantet, na mostra Un Certain Regard, em 2017, e Um Banho de Vida, no ano passado, fora de competição; a produtora cinematográfica alemã Nurhan Sekerci-Porst, que trabalhou com o cineasta Fatih Akin em diversos projetos, entre eles, Em Pedaços, premiado em Cannes em 2017; o diretor argentino Lisandro Alonso, que passou por Cannes diversas vezes: em 2001 com A Liberdade e em 2014 com Jauja, na mostra Un Certain Regard, que recebeu o Prêmio FIPRESCI, em 2004 com Os Mortos e em 2008 com Liverpool, na Quinzena dos Realizadores; e o cineasta belga Lukas Dhont, que recebeu diversos prêmios na mostra Un Certain Regard no ano passado.

Os vencedores da mostra Un Certain Regard serão anunciados na sexta-feira, 24/05.

Foto: Pascal Le Segretain.

Festival de Cannes 2019: conheça os integrantes do júri

por: Cinevitor

ellejuricannes2019A atriz Elle Fanning: presença confirmada em Cannes.

Presidido pelo cineasta mexicano Alejandro González Iñárritu, o júri da 72ª edição do Festival de Cannes agora está completo. Foram anunciados nesta segunda-feira, 29/04, os nomes das personalidades da sétima arte que terão a missão de avaliar e premiar os filmes da Competição Oficial.

O time que escolherá o grande vencedor da Palma de Ouro conta com quatro mulheres e quatro homens de sete nacionalidades e quatro continentes. Os premiados serão anunciados na cerimônia de encerramento, marcada para o dia 25 de maio.

Conheça os integrantes do júri deste ano: a atriz americana Elle Fanning; a atriz Maimouna N’Diaye, do país africano Burkina Faso e que se destacou no drama L’oeil du cyclone; o cineasta francês Robin Campillo, vencedor do Grande Prêmio do Júri, François Chalais Award, FIPRESCI e Queer Palm, em 2017, por 120 Batimentos por Minuto; a cineasta americana Kelly Reichardt, que passou por Cannes, em 2008, com Wendy e Lucy na mostra Un Certain Regard; o diretor francês e roteirista de histórias em quadrinhos Enki Bilal; a cineasta italiana Alice Rohrwacher, que recebeu o Grande Prêmio do Júri, em 2014, com As Maravilhas e, no ano passado, o prêmio de melhor roteiro por Lazzaro Felice; o cineasta grego Yorgos Lanthimos, indicado ao Oscar por A Favorita e premiado em Cannes com Dente Canino, O Lagosta e O Sacrifício do Cervo Sagrado; e o cineasta polonês Paweł Pawlikowski, vencedor do prêmio de melhor direção em Cannes, no ano passado, com Guerra Fria, que também lhe rendeu indicações ao Oscar.

O Festival de Cannes 2019 acontecerá entre os dias 14 e 25 de maio.

Foto: Getty Images Europe.

8°Olhar de Cinema: segunda parte da seleção da Mostra Olhares Clássicos é divulgada

por: Cinevitor

renegadosvardaolharcinemaSandrine Bonnaire e Agnès Varda nos bastidores de Os Renegados.

A mostra Olhares Clássicos da oitava edição do Olhar de Cinema – Festival Internacional de Cinema de Curitiba, que acontecerá entre os dias 5 e 13 de junho, complementa a lista dos filmes a serem exibidos neste ano. Serão diversas homenagens e celebrações que somam-se à primeira parte da programação divulgada anteriormente.

Uma das celebrações é o 50º aniversário de O Funeral das Rosas, de 1969, dirigido por Toshio Matsumoto, uma desconcertante obra-prima japonesa que desafia gêneros cinematográficos e cuja recente restauração pela Arbelos Films terá sua estreia brasileira no Olhar de Cinema. Matsumoto, hoje considerado uma figura-chave para o cinema experimental japonês, escalou não-atores que trabalhavam em bares e boates da cena LGBTQ local para uma releitura de Oedipus Rex transposto para a Tóquio contemporânea. Seu primeiro longa-metragem contém uma ousada mistura hiper-editada de elementos de ficção e documentário, incluindo entrevistas nas quais alguns dos autodenominados “garotos gays” falam sobre sua forma particular de compreender a interpretação de papeis, cenas que ajudam a transformar O Funeral das Rosas em um dos clássicos do cinema queer.

Recentemente, a série de filmes L.A. Rebellion tem sido exibida em diversas cidades brasileiras, trazendo consigo pérolas de cineastas independentes negros dos Estados Unidos e da África que trabalharam em Los Angeles entre os anos 1960 e 1990. Para homenagear a força duradoura dessas obras, o Olhar de Cinema apresentará um dos maiores filmes do movimento, Filhas do Pó (1991), o primeiro longa-metragem de sua mais importante realizadora, Julie Dash, recentemente restaurado pela Park Circus. Este encantador e criativo filme mistura uma variedade de formas musicais, rítmicas e narrativas para apresentar as moradoras femininas de uma ilha ao largo da costa do sul dos Estados Unidos às vésperas de uma migração para o continente e suas tentativas de conciliar suas raízes na África Ocidental com a vida em um mundo novo.

O Olhar de Cinema também reafirma seu compromisso com o cinema africano, dando sequência à retrospectiva do ano passado que nos trouxe os filmes de Djibril Diop Mambéty. Neste ano, o festival homenageia outro grande cineasta do continente, o mestre mauritano Med Hondo, que faleceu em março deste ano, deixando para trás uma pequena, porém indelével e terna filmografia repleta de uma justa indignação com o impacto do colonialismo sobre a psique de seu povo. O primeiro longa-metragem de Hondo, o filme docu-ficcional Ó, Sol (1970), restaurado pela Cineteca di Bologna como parte do recém-inaugurado African Film Heritage Project, acompanha um trabalhador imigrante africano na França que luta para resguardar suas forças em meio a visões macabras e injúrias diárias. O filme de Hondo, frequentemente surreal e se assemelhando a uma colagem, foi premiado com o Leopardo de Ouro no Festival de Locarno, em 1970, e até hoje detém uma força esmagadora com seu chamado para que os espectadores libertem seus corpos e mentes das mais variadas formas de escravidão.

funeralrosasolharcinemaCena de O Funeral das Rosas, com Pîtâ, de Toshio Matsumoto.

O festival também homenageia uma figura icônica do cinema narrativo europeu, com uma exibição de seu quinto e talvez mais influente longa-metragem, também restaurado pela Cineteca di Bologna, em colaboração com a Minerva Pictures. Bernardo Bertolucci, falecido em novembro do ano passado, criou uma das mais belas experiências fotográficas e cenográficas com O Conformista (1970), um filme de época que acompanha a trajetória entre as duas guerras mundiais a partir de um intelectual autopunitivo, interpretado por Jean-Louis Trintignant, que busca eliminar todos os traços da sua criação familiar aliando-se e conformando-se com as exigências da polícia secreta de Mussolini. Bertolucci foi um conspícuo diretor autoral, capaz de abalar seu público a cada novo filme através dos comportamentos e ações perturbadoras de seus personagens, frequentemente em momentos do passado recente que o diretor reinventava para comentar as tensões e divisões políticas da Itália moderna. O pensador marxista sempre se utilizou do limite dos seus orçamentos para criar um efeito arrebatador e inquietante – no caso de O Conformista, para expor lado a lado o terror e o encanto atemporal do fascismo.

Outra homenageada do Olhar de Cinema este ano é uma autora menos conhecida que faleceu no dia da abertura da edição de 2018 do festival. O público brasileiro teve poucas oportunidades de conhecer o trabalho da diretora russo-ucraniana Kira Muratova, cujo filme Conhecendo o grande e vasto mundo (1978) será exibido em um DCP restaurado fornecido pelo National Oleksandr Dovzhenko Film Center. Essa obra lírica e excêntrica retrata um triângulo amoroso entre três pessoas itinerantes ao mesmo tempo que explora a avivada paisagem rural que os rodeia. Nunca houve outro grande cineasta cuja obra fosse simultaneamente tão vulnerável e provocadora, tão tenra e combativa, e tão intimamente épica quanto os filmes de Muratova, uma artista libertadora sempre ávida por surpreender.

Por fim, o Olhar de Cinema prestará homenagem a uma das verdadeiras gigantes do cinema, que nos deixou há poucas semanas: Agnès Varda, uma cineasta sagaz e encantadora nascida na Bélgica, radicada na França, cujo último filme, Varda por Agnès será em breve lançado nos cinemas brasileiros. O festival exibirá uma cópia digital restaurada da mK2 Films de um dos seus filmes mais celebrados, Os Renegados, de 1985: um retrato áspero e melancólico de uma jovem mulher mendiga, interpretada por Sandrine Bonnaire, cuja incansável busca por abrigo e amparo no interior da França é apresentado em flashbacks após sua morte. Ao curso da longa e prolífica carreira de Varda, a diretora criou sua própria combinação de documentário e ficção com a meta de transmitir máximas verdades emocionais sobre a existência humana moderna. Ela sempre teve uma atenção especial às pessoas que vivem nas margens da sociedade e Os Renegados exibe a afetividade emblemática de seu olhar.

Confira a programação completa da Mostra Olhares Clássicos:

O Funeral das Rosas (Funeral Parade of Roses), de Toshio Matsumoto (Japão, 1969)
Filhas do Pó (Daughters of the Dust), de Julie Dash (EUA, 1991)
Ó, Sol (Soleil Ô), de Med Hondo (Mauritânia, 1970)
O Conformista (Il conformista), de Bernardo Bertolucci (Itália, 1970)
Conhecendo o grande e vasto mundo (Getting to Know the Big Wide World), de Kira Muratova (União Soviética, 1978)
Os Renegados (Sans toit ni loi), de Agnès Varda ( França, 1985)

A Longa Caminhada (Walkabout), de Nicolas Roeg (1971)
Cantando na Chuva (Singin’ in the Rain), de Stanley Donen e Gene Kelly (1952)
Memórias do Cárcere, de Nelson Pereira dos Santos (1984)
Reminiscências de uma Viagem à Lituânia (Reminiscences of a Journey to Lithuania), de Jonas Mekas (1972)
Celles qui s’en font, de Germaine Dulac (1928)
La cigarette, de Germaine Dulac (1919)
Danses espagnoles, de Germaine Dulac (1928)

Fotos: Divulgação.

Dor e Glória, de Pedro Almodóvar, com Antonio Banderas e Penélope Cruz, ganha trailer nacional

por: Cinevitor

doregloriatrailerlegendadoNora Navas e Antonio Banderas em cena.

A El Deseo, produtora fundada por Pedro Almodóvar e seu irmão Agustín, divulgou em janeiro o primeiro trailer de Dor e Glória, no original Dolor y gloria, novo longa do cineasta espanhol. Agora, a Universal Pictures acaba de lançar a versão nacional do vídeo. O filme chega aos cinemas brasileiros no dia 13 de junho, depois de passar pela Competição Oficial do Festival de Cannes.

A trama retrata uma série de reencontros, alguns físicos e outros em memória, vividos por Salvador Mallo, um cineasta que está em pleno declínio. O longa fala sobre criação, a dificuldade de liderar a própria vida e sobre como as paixões trazem significado e esperança. Ao recuperar o seu passado, Salvador encontra uma necessidade urgente de contar a história, e com isso, também encontra sua salvação. Além disso, vai abordar também a impossibilidade de separar a obra do protagonista da vida real, seu vazio incomensurável diante da impossibilidade de continuar filmando, os primeiros amores, a lembrança materna, a morte, os anos 1970, 1980 e o presente.

O elenco conta com Antonio Banderas, Asier Etxeandia, Julieta Serrano, Cecilia Roth, Leonardo Sbaraglia, Raúl Arévalo, Eva Martín, Susi Sánchez, Nora Navas, Julián López e Penélope Cruz. No início das filmagens, em julho do ano passado, Almodóvar declarou: “Ao contrário de Julieta, Dolor y Gloria será um filme com protagonistas masculinos, mas trago também atrizes que eu adoro como coadjuvantes”.

Antonio Banderas começou sua carreira em 1982 no filme Labirinto de Paixões, de Pedro Almodóvar. Depois disso, trabalhou diversas vezes com o diretor em outros filmes, como: Matador (1986), A Lei do Desejo (1987), Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos (1988), Ata-me (1989), A Pele que Habito (2011) e Os Amantes Passageiros (2013).

Penélope Cruz já é considerada uma das musas de Pedro Almodóvar, com quem trabalhou em Carne TrêmulaTudo Sobre Minha MãeVolverAbraços PartidosOs Amantes Passageiros. Cecilia Roth acompanha a trajetória do cineasta desde sua estreia atrás das câmeras com Pepi, Luci, Bom e Outras Garotas de Montão, passando por Maus Hábitos, Labirinto de Paixões e Tudo Sobre Minha Mãe, que levou o Oscar de melhor filme estrangeiro, em 2000.

O ator e cantor espanhol Asier Etxeandia será dirigido por Almodóvar pela primeira vez, já a veterana Julieta Serrano trabalhou com o cineasta em Pepi, Luci, Bom e Outras Garotas de Montão (1980), Maus Hábitos (1983), Matador (1986), Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos (1988) e Ata-me (1989).

Confira o trailer legendado de Dor e Glória, o 21º filme de Pedro Almodóvar:

Foto: Divulgação.

IndieLisboa 2019: cinema brasileiro ganha destaque com filmes em competição e mostra especial

por: Cinevitor

teafortwolisboaJulia Katharine e Gilda Nomacce no curta Tea for Two.

O IndieLisboa surgiu, em 2004, com o objetivo de promover filmes independentes e apoiar a divulgação destes títulos na capital portuguesa, sendo considerado o maior festival português de cinema. Todos os anos, durante onze dias, o evento exibe mais de 250 filmes de todos os gêneros, recebendo cerca de 30 mil espectadores e mais de 400 profissionais.

Neste ano, em sua 16ª edição, o cinema brasileiro ganha ainda mais destaque, depois de ser premiado nas principais categorias no ano passado com Baronesa, de Juliana Antunes e Lembro Mais dos Corvos, de Gustavo Vinagre consagrados na Competição Internacional. A mostra Herói Independente Brasil em Transe exibirá produções nacionais recentes e inéditas em Portugal, dando voz e espaço para o nosso cinema.

Em comunicado oficial, a organização do IndieLisboa falou sobre as produções brasileiras: “Todo cinema é político, vide a programação da mostra Herói Independente com o adorado cinema vindo do Brasil. Há 25 anos, o cinema brasileiro vivia a sua retomada. O ano de 1994 marcava o regresso à produção nacional, depois do período de interregno em que Fernando Collor de Mello dissipou todos os apoios e incentivos à criação cinematográfica. Em 2019, o país e o seu cinema vivem de novo tempos turbulentos, uma conjuntura que escolhemos não ignorar. Esta mostra é uma carta de amor do IndieLisboa aos mais recentes filmes brasileiros; este programa reflete a proximidade entre o festival e um cinema atento, revelador, destemido, original, que tem estado em nosso radar desde a primeira edição. É tempo de homenagear esta longa relação em um período em que o mundo pede que estejamos atentos e que façamos a nossa parte”.

Além dessa mostra, filmes brasileiros também serão exibidos em outras sessões, como: Competição Internacional, de curtas e longas, que apresenta filmes inéditos em Portugal; Competição Nacional, que traz longas e curtas metragens portuguesas também inéditos; mostra Silvestre, com obras de jovens cineastas e autores consagrados, que rejeitem algumas fórmulas e despertem novas linguagens; e a mostra Boca do Inferno, com filmes desconcertantes que abordam temas diversos sem tabus.

O IndieLisboa 2019 acontecerá entre os dias 2 e 12 de maio. Conheça os filmes brasileiros selecionados para a 16ª edição do festival:

COMPETIÇÃO INTERNACIONAL | LONGA-METRAGEM:
Temporada, de André Novais Oliveira

COMPETIÇÃO INTERNACIONAL | CURTA-METRAGEM:
Guaxuma, de Nara Normande
Princesa Morta do Jacuí, de Marcela Ilha Bordin

COMPETIÇÃO NACIONAL | LONGA-METRAGEM:
Tragam-me a Cabeça de Carmen M., de Catarina Wallenstein e Felipe Bragança (Portugal/Brasil)

BOCA DO INFERNO:
A Noite Amarela, de Ramon Porto Mota

SILVESTRE | LONGA-METRAGEM:
Querência, de Helvécio Marins Jr.
Os Jovens Baumann, de Bruna Carvalho Almeida
A Rosa Azul de Novalis, de Gustavo Vinagre e Rodrigo Carneiro
Seus Ossos e Seus Olhos, de Caetano Gotardo
Tarde para Morrer Jovem, de Dominga Sotomayor Castillo (Chile/Brasil/Argentina/Holanda/Qatar)

SILVESTRE| CURTA-METRAGEM:
Sete Anos em Maio, de Affonso Uchôa

HERÓI INDEPENDENTE | BRASIL EM TRANSE | LONGA-METRAGEM:
A Rosa Azul de Novalis, de Gustavo Vinagre e Rodrigo Carneiro
Democracia em Vertigem, de Petra Costa
Temporada, de André Novais Oliveira
Divino Amor, de Gabriel Mascaro
Querência, de Helvécio Marins Jr.
No Coração do Mundo, de Gabriel Martins e Maurilio Martins
Tragam-me a Cabeça de Carmen M., de Catarina Wallenstein e Felipe Bragança
Domingo, de Clara Linhart e Fellipe Barbosa
Fabiana, de Brunna Laboissière
Os Jovens Baumann, de Bruna Carvalho Almeida
Seus Ossos e Seus Olhos, de Caetano Gotardo

HERÓI INDEPENDENTE | BRASIL EM TRANSE | CURTA-METRAGEM:
Primeiro Ato, de Matheus Parizi
Guaxuma, de Nara Normande
Magalhães, de Lucas Lazarini
Tea for Two, de Julia Katharine
Sete Anos em Maio, de Affonso Uchôa
Mais Triste que Chuva num Recreio de Colégio, de Lobo Mauro
Reforma, de Fábio Leal
Os Últimos Românticos, de João Cândido Zacharias
Plano Controle, de Juliana Antunes
Princesa Morta do Jacuí, de Marcela Ilha Bordin
Vigília, de Rafael Urban

Foto: Divulgação.

Cannes Classics: filmes de Dennis Hopper, Stanley Kubrick, Lina Wertmüller e Luis Buñuel serão exibidos no Festival de Cannes 2019

por: Cinevitor

easyridercannesDennis Hopper e Peter Fonda em Easy Rider.

Foram anunciados nesta sexta-feira, 26/04, os filmes que farão parte da mostra Cannes Classics da 72ª edição do Festival de Cannes, que acontecerá entre os dias 14 e 25 de maio. As sessões serão apresentadas por grandes nomes da sétima arte.

Neste ano, o evento celebrará os 50 anos de Sem Destino, no original Easy Rider, de Dennis Hopper. O longa foi exibido meio século atrás em Cannes, disputou a Palma de Ouro e levou o prêmio Best First Work. O protagonista Peter Fonda, que também assinou o roteiro e a produção, marcará presença na sessão especial.

O cineasta mexicano Alfonso Cuarón será o responsável por apresentar a exibição especial de O Iluminado, dirigido por Stanley Kubrick, na mostra Midnight Screening. Além disso, três filmes de Luis Buñuel, um dos grandes nomes do surrealismo, também farão parte da programação.

Para comemorar o aniversário de 25 anos de Um Susto na Cidade, no original La cité de la peur, de Alain Berbérian, a comédia será exibida no Cinéma de la Plage, em cópia restaurada 4K com a presença de Alain Chabat, Chantal Lauby e Dominique Farrugia, atores do Les Nuls, famoso grupo francês de comediantes.

A cineasta italiana Lina Wertmüller também será homenageada em Cannes. Ela é conhecida por ser a primeira mulher indicada na categoria de melhor direção no Oscar, em 1977, com o filme Pasqualino Sete Belezas. O longa será exibido no festival e contará com a presença da diretora e do protagonista Giancarlo Giannini.

Outra exibição que se destaca na mostra Cannes Classics é Milagre em Milão, do italiano Vittorio De Sica, que passou no Festival de Cannes em 1951, quando a Palma de Ouro ainda nem existia (o prêmio só foi criado em 1955). A comédia dramática levou o Grande Prêmio do Júri, que naquela época era equivalente ao prêmio máximo do evento.

O cineasta Milos Forman, que faleceu no ano passado, também será homenageado. Vencedor do Oscar, premiado em Cannes com Procura Insaciável e ex-presidente do júri, será lembrado com a exibição de dois filmes.

Confira a lista completa com os filmes da mostra Cannes Classics do Festival de Cannes 2019:

Sem Destino (Easy Rider), de Dennis Hopper (1969)
O Iluminado (The Shining), de Stanley Kubrick (1980)
Um Susto na Cidade (La Cité de la peur, une comédie familiale), de Alain Berbérian (1994)
Os Esquecidos (Los Olvidados), de Luis Buñuel (1950)
Nazarin (Nazarín), de Luis Buñuel (1958)
A Idade do Ouro (L’Âge d’or), de Luis Buñuel (1930)
Pasqualino Sete Belezas (Pasqualino Settebellezze), de Lina Wertmüller (1975)
Milagre em Milão (Miracolo a Milano), de Vittorio De Sica (1951)
Os Amores de uma Loira (Lásky jedné plavovlásky), de Milos Forman (1965)

Toni, de Jean Renoir (1934)
Le Ciel est à vous, de Jean Grémillon (1943)
Moulin Rouge, de John Huston (1952)
Kanal, de Andrzej Wajda (1957)
Hushi riji (Diary of a Nurse), de Tao Jin (1957)
A Lenda da Serpente Branca (Hakuja den), de Taiji Yabushita (1958)
O Caso da Rua Montmartre (125 Rue Montmartre), de Gilles Grangier (1959)
A Testemunha (A tanú), de Péter Bacsó (1969)
Tetri karavani (The White Caravan), de Eldar Shengelaia e Tamaz Meliava (1964)
Plogoff: Des pierres contre des fusils, de Nicole Le Garrec (1980)
Caméra d’Afrique (20 Years of African Cinema), de Férid Boughedir (1983)
O Ladrão de Cavalos (Dao ma zei), de Tian Zhuangzhuang (1986)
The Doors, de Oliver Stone (1991)

DOCUMENTÁRIOS:

Les Silences de Johnny, de Pierre-William Glenn
La Passione di Anna Magnani, de Enrico Cerasuolo
Cinecittà – I mestieri del cinema Bernardo Bertolucci: no end travelling, de Mario Sesti
Forman vs. Forman, de Helena Trestikova e Jakub Hejna

Foto: Columbia Pictures.