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Dor e Glória

por: Cinevitor

doregloriaposter1Dolor y gloria

Direção: Pedro Almodóvar

Elenco: Antonio Banderas, Asier Etxeandia, Leonardo Sbaraglia, Penélope Cruz, Nora Navas, Julieta Serrano, Cecilia Roth, Raúl Arévalo, Rosalía, Agustín Almodóvar, César Vicente, Susi Sánchez, Eva Martín, Pedro Casablanc, Alba García, Julián López, Asier Flores, Fernando Iglesias, Esther García, Xavi Sáez, Luis Calero, Paqui Horcajo, Aline Casagrande, Sara Sierra, Neus Alborch, Marisol Muriel, Alba Gómez, Chimezie Eke, Topacio Fresh.

Ano: 2019

Sinopse: Ao mesmo tempo em que enfrenta seu próprio declínio físico, o cineasta Salvador Mallo se vê envolto em memórias de sua infância, juventude e vida adulta. Na recuperação de seu passado, ele encontra a urgente necessidade de narrá-lo e, nessa necessidade, encontra também sua salvação.

Crítica do CINEVITOR: Em breve.

Nota do CINEVITOR:

nota-4,5-estrelas

Eu Não Sou uma Bruxa

por: Cinevitor

eunaosoubruxaposterI Am Not a Witch

Direção: Rungano Nyoni

Elenco: Maggie Mulubwa, Nellie Munamonga, Nancy Murilo, Mirriam Nata, John Ng’Ambi, Becky Ngoma, Henry B.J. Phiri, Benfors ‘Wee Do, Boyd Banda, Kalundu Banda, Boniventure, Brisky, Patricia Carreira, Patricia Chaambwa, Mureene Chaba, Janet Chaile, Felix Chibole, Chichi, Martha Chig’Ambo, Masanbo Chikunga, Loveness Chilndo, Joyce Chilombo, Mr. Chimuya, Dimass Chipako, Nelly Chipembele, Kalenga Chipili, Leo Chisanga, Josephine Chishimba, Aliness Chisi, Mary Chulufya, Frankie Cox, Obvious Cube, Astrida Daka, Webster Daka, Jody Drayer, Alice Dreyer, Justina Fuvalanga, Gabriel Gauchet, Fadi Hus, Gloria Huwiler, Moses Jere, Masiye Jose, Mariam Chansa Kabunada, Chama Kaifa, Innocent Kalakula, Mary Kalembe, Chileshe Kalimamukwento, Alfred Kanomba, Sombo Kapole, Grace Kunda, Mary Lungu, Dina Lupiya, Mwengele Lwipa, James Manaseh, Sherard Mayanda, Travers Merrill, Ritah Mubanga, Junior Musale, Margaret Z. Mwale, Victor Phiri, Selita Zulu.

Ano: 2017

Sinopse: Depois de um incidente banal em sua vila, Shula, uma menina de 8 anos é acusada de bruxaria. Após um rápido julgamento, a garota se torna culpada e é levada em custódia pelo Estado, sendo exilada para um campo de bruxas no meio do deserto, onde terá que aprender as regras da sua nova vida como bruxa.

Nota do CINEVITOR:

nota-3,5-estrelas

Conheça os vencedores do 8º Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba

por: Cinevitor

vencedorasolhardecinema19Premiadas: Cris Lyra, Camila Freitas, Maíra Bühler e Letícia Simões.

Foram anunciados nesta quarta-feira, 12/06, os vencedores do 8º Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba, que neste ano apresentou mais de 130 filmes na programação em um conjunto de apostas, e também descobertas, de produções recém-chegadas ao mundo, ainda inéditas no Brasil, além dos clássicos, retrospectivas e exibições especiais.

O júri da Competição, composto pelos curadores Alberto Ramos e Flávia Cândida e a cineasta portuguesa Rita Azevedo Gomes, elegeu o brasileiro Diz a Ela que Me Viu Chorar, de Maíra Bühler, como o melhor filme desta edição.

O Prêmio da Crítica Abraccine, Associação Brasileira de Críticos de Cinema, foi entregue para o documentário brasileiro Casa, de Letícia Simões, como o melhor filme da Competição de longas. O júri foi formado por Ivonete Pinto, Marcelo Müller e Barbara Demerov.

Conheça os vencedores do Olhar de Cinema 2019:

COMPETITIVA | LONGA-METRAGEM

Prêmio Olhar de Melhor Filme: Diz a Ela que Me Viu Chorar, de Maíra Bühler (Brasil)
Prêmio Especial do Júri: Chão, de Camila Freitas (Brasil)
Prêmio de Contribuição Artística: Seguir Filmando (Still Recording), de Ghiath Ayoub e Saeed Al Batal (França)
Prêmio do Público: Chão, de Camila Freitas

COMPETITIVA | CURTA-METRAGEM

Prêmio Olhar de Melhor Filme: Aziza, de Kaadan Soudade (Líbano/Síria)
Menção Especial: Sete Anos em Maio, de Affonso Uchôa (Brasil)

FILME BRASILEIRO | Competitiva, Novos Olhares e Outros Olhares

Melhor longa-metragem brasileiro: Espero Tua (Re)volta, de Eliza Capai
Melhor curta-metragem brasileiro: Quebramar, de Cris Lyra

NOVOS OLHARES

Melhor Filme: Não Pense que Eu Vou Gritar (Just Don’t Think I’ll Scream), de Frank Beauvais (França)

OUTROS OLHARES

Melhor Filme: No Salão Jolie (Chez Jolie Coiffure), de Rosine Mbakam (Bélgica)
Menção Honrosa: Indianara, de Aude Chevalier-Beaumel e Marcelo Barbosa (Brasil)

OUTROS PRÊMIOS

Prêmio da Crítica | ABRACCINE: Casa, de Letícia Simões (Brasil)
Prêmio AVEC-PR | Melhor curta-metragem da Mirada Paranaense: Mirror Mirror On The Wall, de Igor Urban
Menção Especial | Mirada Paranaense: Essa Terra Não Vai Terminar, de Matias Dala Stella

*O CINEVITOR está em Curitiba a convite do evento e você acompanha a cobertura do festival por aqui e pelas redes sociais: Twitter, Facebook, Instagram e YouTube.

Foto: Giorgia Prates.

Fora de Série

por: Cinevitor

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Direção: Olivia Wilde

Elenco: Beanie Feldstein, Kaitlyn Dever, Jessica Williams, Jason Sudeikis, Lisa Kudrow, Will Forte, Victoria Ruesga, Mason Gooding, Skyler Gisondo, Diana Silvers, Molly Gordon, Billie Lourd, Eduardo Franco, Nico Hiraga, Austin Crute, Noah Galvin, Michael Patrick O’Brien, Ben Harris, Kyle Samples, Deb Hiett, Bluesy Burke, Christopher Avila, Stephanie Styles, John Hartman, Adam Simon Krist, Gideon Lang, Ellen Doyle, Kevin Huang, Maya Rudolph.

Ano: 2019

Sinopse: Melhores amigas e alunas fora de série, Amy e Molly sempre focaram em tirar as melhores notas e se destacar dos demais alunos. O que nenhuma delas esperava era que seus colegas que só queriam curtir, fossem aprovados nas mesmas universidades que elas. Ao perceber que poderiam ter se divertido entre uma prova e outra, decidem correr atrás do prejuízo e recuperar os anos perdidos de diversão em uma única noite. A tarefa dessa vez é um pouco diferente: aproveitar ao máximo os últimos momentos do ensino médio e provar que podem ser as melhores em tudo, até mesmo quando o assunto é festa.

Nota do CINEVITOR:

nota-4-estrelas

Camila José Donoso fala sobre retrospectiva na mostra Foco do 8º Olhar de Cinema

por: Cinevitor

camiladonosocuritibaolharTrabalhos que influenciaram a carreira da homenageada também integraram a seleção.

A obra da cineasta chilena Camila José Donoso ganhou destaque na 8ª edição do Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba. A primeira retrospectiva da diretora no Brasil, com uma seleção de curtas e todos os seus longas-metragens, fez parte da mostra Foco, que busca realizadores ainda não muito conhecidos pelo público brasileiro, desvendando suas obras e estabelecendo conversas com produções semelhantes ou influentes.

A filmografia de Camila desafia os limites entre a ficção e o documentário, reconhecendo as possibilidades no limiar de cada um dos gêneros: encena histórias reais e naturaliza ficções. A potência de suas obras ultrapassa linguagem e estilo e é ainda mais marcante na temática, com mulheres que estão sempre buscando novas verdades, que desafiam suas realidades, seus espaços e definições externas contaminadas. É um cinema que retrata a transformação e transforma para além da tela.

Em entrevista exclusiva para o CINEVITOR, a diretora falou sobre sua participação no Olhar de Cinema, sobre o cineasta chileno Raúl Ruiz e os longas Nona. Se mi mojan, yo los quemo, que conta com o ator brasileiro Eduardo Moscovis no elenco, Casa Roshell e Naomi Campbel.

Aperte o play e confira:

Foto: Isabella Lanave.

Breve História do Planeta Verde

por: Cinevitor

breveplanetaverdeposter1Breve historia del planeta verde

Direção: Santiago Loza

Elenco: Romina Escobar, Paula Grinszpan, Luis Soda, Elvira Onetto, Anabella Bacigalupo, Léo Kildare Louback, Pablo Cura.

Ano: 2019

Sinopse: Tania, uma mulher trans, viaja para o interior da Argentina na companhia de dois amigos para atender aos últimos pedidos de sua avó, recentemente falecida. Como herança, ela, Pedro e Daniela, três deslocados, recebem a missão de retornar um alienígena para seu planeta. O trajeto será marcado por experiências e contatos não apenas humanos. Uma prova de amizade, para que eles consigam completar essa missão antes que seja tarde demais para o alien ou talvez para Tania.

*Filme visto no 8º Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba.

Nota do CINEVITOR:

nota-4-estrelas

Indianara Siqueira, protagonista de documentário exibido no 8º Olhar de Cinema, fala sobre política, preconceito e causa LGBT

por: Cinevitor

indianaracuritibaRevolucionária: Indianara luta por causas importantes e necessárias.

Depois de ser exibido na mostra da ACID, Association du cinéma indépendant pour sa diffusion, evento paralelo ao Festival de Cannes, que promove a distribuição de filmes independentes e incentiva debates entre autores e público, o documentário Indianara, de Aude Chevalier-Beaumel e Marcelo Barbosa, fez sua estreia na oitava edição do Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba na mostra Outros Olhares.

O longa apresenta a história da ativista transexual Indianara Alves Siqueira, que luta com seu bando pela sobrevivência das pessoas trans no Brasil. Frente aos ataques do seu próprio partido político e ao avanço totalitário no país, ela junta suas forças e parte para um último ato de resistência.

Um filme realizado muito perto ao cotidiano da sua personagem-título, para quem vida pessoal, profissional e política se misturam radicalmente. Através dos dilemas muito práticos que Indianara enfrenta, se revelam as estranhas de um processo social e político brasileiro muito pouco afeito a introduzir nas suas esferas de poder grupos como o das pessoas trans.

Sobre os diretores: Aude Chevalier-Beaumel nasceu na França em 1982 e é formada na Escola de Belas Artes. Mora no Brasil há 15 anos, onde realiza documentários. Seus últimos filmes, Rio Ano Zero e Sexo, Pregações e Política circularam em festivais internacionais. Marcelo Barbosa nasceu em 1970 em Guaratinguetá e estudou Comunicação na Universidade de Brasília. É fotografo e diretor de filmes experimentais. Indianara é seu primeiro longa-metragem.

Nas duas sessões em que foi exibido, o documentário emocionou o público presente. Antes da exibição, Indianara subiu ao palco ao lado do marido e dos diretores: “É um filme político, que fala de resistência, mas fala também de momentos do Brasil que são históricos. O filme é um aprendizado constante”, disse.

Aperte o play e confira nossa entrevista exclusiva com a protagonista Indianara Siqueira:

Foto: Isabella Lanave.

Comissão Especial de Seleção para o Oscar 2020 é anunciada pela Academia Brasileira de Cinema

por: Cinevitor

annamuylaertcomissaoscarAnna Muylaert, diretora de Que Horas Ela Volta?, é um dos nomes confirmados na comissão.

A Academia Brasileira de Cinema anunciou nesta terça-feira, 11/06, os nomes da comissão responsável por escolher o longa brasileiro que disputará uma vaga para concorrer ao Oscar de melhor filme estrangeiro na 92ª edição da premiação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos, marcada para o dia 9 de fevereiro de 2020.

Entre os nove integrantes da Comissão Especial de Seleção, estão: a cineasta Anna Muylaert, que representou o Brasil com Que Horas Ela Volta?; David Schurmann, diretor de Pequeno Segredo, representante do Brasil no Oscar 2017; o diretor de fotografia Walter Carvalho; o cineasta Zelito Viana; as produtoras Sara Silveira e Vania Catani; o roteirista Mikael de Albuquerque, de A Glória e a Graça; o crítico e fundador do festival É Tudo Verdade, Amir Labaki; e a diretora do Festival do Rio, Ilda Santiago.

Além dos membros titulares, compõem a comissão de suplentes: o distribuidor e produtor Marcio Fraccaroli e a documentarista e produtora Adriana Dutra. “A comissão representa a pluralidade da produção audiovisual brasileira”, disse Jorge Peregrino, presidente da Academia Brasileira de Cinema.

Na última edição, o Brasil estava na disputa com O Grande Circo Místico, dirigido por Cacá Diegues, mas não conseguiu uma vaga na premiação. Vale lembrar que a última vez que o Brasil concorreu na categoria de melhor filme estrangeiro foi em 1999, com Central do Brasil; e em 2008, O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias, de Cao Hamburger, ficou entre os nove semifinalistas.

Foto: Igor Pires/PressPhoto.

Mauricio de Sousa será homenageado no 47º Festival de Cinema de Gramado

por: Cinevitor

mauriciodesousagramado19O homenageado: seis décadas de sucesso e criatividade.

A 47ª edição do Festival de Cinema de Gramado, que acontecerá entre os dias 16 e 24 de agosto, vai homenagear com o Troféu Cidade de Gramado o desenhista, cartunista, criador, roteirista, produtor, diretor e, sobretudo, o pai da Turma da Mônica, Mauricio de Sousa. A honraria destaca nomes que têm ligação com Gramado e o festival, contribuindo para o crescimento e a divulgação da cidade e do evento.

Mônica, a menina dentuça, baixinha, gorducha, forte e briguenta, nascida há 56 anos, é uma das mais queridos do público até hoje. Porém, são inúmeros os personagens que conquistaram a admiração de pelo menos duas gerações, mas o astro de 2019 é o Bidu, o primeiro deles. A tirinha precursora do cãozinho azul, e também de Mauricio, foi publicada em julho de 1959, mais precisamente no dia 18, no jornal Folha de São Paulo, e completará 60 anos.

Raros são os nomes que mantêm uma carreira por seis décadas, com o vigor e a criatividade dos primeiros dias. O Festival de Cinema de Gramado vai enaltecer essa trajetória e homenagear o profissional que elevou as histórias em quadrinhos e a animação brasileira a patamares internacionais.

Para marcar esse momento, o Troféu Cidade de Gramado será entregue na noite do dia 21 de agosto, no Palácio dos Festivais. A homenagem também contará com a exibição do filme Turma da Mônica: Laços, que estreia no dia 27 de junho. A sessão especial acontecerá no Palácio dos Festivais, às 9h, também dia 21. A apresentação será seguida por um aguardado bate-papo com Mauricio.

O menino de seis anos que achou no lixo o primeiro gibi desbeiçado, velho e lido, mas com historinhas e páginas coloridas, como descreve, se transformou em um dos mais importantes nomes da animação no Brasil. Os personagens da Turma da Mônica foram apresentados na televisão a partir da década de 1960 e as histórias completas passaram a ser produzidas 16 anos depois.

A partir de 1980, surgem os filmes e vídeos, e a Turma da Mônica ganha o status de primeira série de animação brasileira. Foram muitos sucessos, como A Princesa e o Robô, Mônica e a Sereia do Rio, As Aventuras da Turma da Mônica, Turma da Mônica em Uma Aventura no Tempo, décimo filme baseado nos personagens das revistas em quadrinhos, com receita superior a R$ 60 milhões, além da série Cinegibi e da série de animação Mônica Toy, no canal do YouTube, que supera a marca de 6 bilhões de visualizações em todo o mundo.

Foto: Divulgação/Maurício de Sousa Produções.

Frozen 2 ganha novo trailer; animação estreia em janeiro de 2020

por: Cinevitor

frozen2novotrailer2Com música dos compositores vencedores do Oscar, o filme estreia em janeiro de 2020.

Lançado no começo de 2014 no Brasil, Frozen: Uma Aventura Congelante bateu recordes de bilheteria e foi premiado com duas estatuetas douradas no Oscar: melhor animação e melhor canção original para Let It Go. O longa se tornou uma das maiores bilheterias da história do cinema e segue como a animação de maior bilheteria de todos os tempos.

O sucesso gerou uma franquia com livros, jogos, quadrinhos, um show na Broadway, um curta-metragem chamado Olaf: Em Uma Nova Aventura Congelante de Frozen e agora uma sequência do longa, que chega aos cinemas brasileiros no dia 2 de janeiro de 2020.

Em Frozen 2, os carismáticos personagens Elsa, Anna, Olaf e Kristoff se afastam do reino de Arendelle e partem para a floresta com a missão de desvendar um antigo mistério. Dirigida por Chris Buck e Jennifer Lee, a sequência conta com as vozes de Kristen Bell, Idina Menzel, Josh Gad, Jonathan Groff, Evan Rachel Wood e Sterling K. Brown.

Confira o novo trailer de Frozen 2, que revela um vislumbre da dramática jornada que Elsa e Anna seguem rumo ao desconhecido:

Foto: Divulgação/Disney.

Helena Ignez apresenta A Mulher da Luz Própria, de Sinai Sganzerla, e fala sobre Júlio Bressane no 8º Olhar de Cinema

por: Cinevitor

helenaignezolhar2019Helena Ignez: um dos maiores nomes do cinema brasileiro.

Considerada um ícone do Cinema Marginal, Helena Ignez, que começou sua carreira como atriz no final da década de 1950, marcou presença na oitava edição do Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba ao lado da filha Sinai Sganzerla, diretora do documentário A Mulher da Luz Própria, filme que faz parte da mostra Exibições Especiais.

O longa é um retrato documental de uma figura vibrante de resistência, Helena Ignez, renomada artista teatral e cineasta que, há mais de meio século, é também celebrada como uma das maiores atrizes do cinema mundial. Na primeira exibição, que aconteceu na quarta-feira, 06/06, no Cine Passeio, Sinai afirmou: “O meu interesse maior era contar uma história que não tinha sido contada. É um filme sobre a atriz, roteirista, diretora e produtora Helena Ignez. Apesar de ser filha dela, não é sobre a nossa relação. Ele traz a trajetória dessa mulher e sua importância para o cinema, para as artes e fala de uma mulher guerreira, que vai se transformando através de várias vidas e histórias e que vai em busca da própria luz”.

Helena Ignez é uma das principais personalidades femininas do cinema brasileiro. Inaugurou um novo estilo de interpretação e hoje dirige filmes independentes. Seu trabalho mais recente como diretora, A Moça do Calendário, foi lançado no ano passado, e conta com a filha Djin Sganzerla no elenco. Além disso, em 2013, fez parte do júri da Competição Internacional da terceira edição do Olhar de Cinema.

No dia seguinte à primeira exibição, Helena e Sinai participaram de um debate com o público no Shopping Novo Batel. “Quando a Sinai me falou dessa ideia, eu não interferi em nada. Ela me falou do projeto, disse que não era um filme sobre a mãe dela e me assegurou que era um filme sobre uma mulher, como todas as outras, que teve sua vida muito ligada ao cinema, ao teatro e a todo esse movimento da cultura feminista, desde o começo. Pois, ser feminista nos anos 1960 era dar o corpo à tiros”, disse Helena.

helenasinaiolhar2019Sinai Sganzerla e Helena Ignez no debate.

Questionada sobre o título de musa, falou: “Eu comecei muito cedo e fui denominada como musa do Cinema Novo. Isso era quase trágico pra mim. Por exemplo, no filme O Padre e a Moça [de Joaquim Pedro de Andrade, lançado em 1966] eu fiquei três meses numa locação, cercada por homens e era a única mulher da equipe. Existia essa força masculina e machista muito grande e o filme foi muito doloroso pra mim. Depois disso, tive uma necessidade orgânica de mudança, de afirmação, de criar uma nova vida pra mim. As musas são trágicas. Elas são simplesmente inspiração, não possuem vida própria. E não tem nada menos eu do que ser isso. Ao contrário, eu tenho uma personalidade viril, masculina e estou muito longe desse feminino tradicional da mãe. Esse lugar do macho, do homem, tem que ser desmanchado. Ser mulher é se reinventar o tempo todo”.

Na conversa, Sinai falou sobre as dificuldades em trabalhar com o audiovisual: “Já é difícil fazer cinema. Sendo mulher é ainda mais. Posso dizer que é bem complexo, bastante machista, não muito diferente de outras posições. Também como diretora é complexo, todo o processo. Tem que ter muita força de vontade, paciência e perseverança. Seu conhecimento é testado a todo momento. Foi por isso que me interessei em fazer esse filme para falar um pouco sobre a dificuldade de ser mulher em vários aspectos”.

Sobre a atual situação política do Brasil, Helena comentou: “Esse momento em que a gente vive, esse caos e essa ignorância que governa o país é pior do que a ditadura, que era mais óbvia. Hoje, somos tranquilamente mortos sem ninguém saber. É um momento horroroso em que vivemos”. Questionada sobre suas inspirações, revelou: Angela Davis talvez tenha sido minha primeira inspiração. As lésbicas, as trans, as pretas, as fora do normal: são essas mulheres que mais inspiram”.

helenaignezbressaneHelena Ignez em cena de A Família do Barulho, de Júlio Bressane.

Além do documentário A Mulher da Luz Própria, Helena Ignez também apresentou a primeira sessão de Memórias de um Estrangulador de Loiras, de Júlio Bressane, exibido na mostra Olhar Retrospectivo na sexta-feira, 07/06.

Ao lado de Aaron Cutler, um dos curadores do Olhar de Cinema, relembrou o filme: Júlio Bressane é o maior cineasta brasileiro vivo, com quem tive o maior prazer de fazer sete filmes, participando com ele da Bel-Air Filmes [produtora], que, de certa maneira, criamos juntos. Memórias de um Estrangulador de Loiras é exatamente o próximo filme após esse trabalho da Bel-Air, que saímos do Brasil com os filmes embaixo do braço, literalmente, saindo dessa ditadura militar, em 1970. Enquanto Júlio filmava o Estrangulador em Londres, eu viajei com o Rogério Sganzerla, companheiro dele e meu companheiro de 35 anos, para Marrocos, fugindo um pouco da civilização, dando um adeus à cultura e entrando no Deserto do Saara. Mas, de alguma maneira, o Júlio me trouxe para o filme, com imagens de A Família do Barulho [lançado em 1970]. Sentíamos muita saudade do Brasil e aquele frio de Londres nos atormentava bastante. Desejo uma boa sessão, que vocês aproveitem bem esse filme melancólico de Júlio Bressane, esse grande criador e meu amigo pessoal até hoje”.

*Para assistir ao vídeo de Helena Ignez falando de Memórias de Um Estrangulador de Loiras, clique aqui, e acompanhe os destaques no Instagram do CINEVITOR.

*O CINEVITOR está em Curitiba a convite do evento e você acompanha a cobertura do festival por aqui e pelas redes sociais: Twitter, Facebook, Instagram e YouTube.

Fotos: Giorgia Prates e Isabella Lanave.

Tel Aviv em Chamas

por: Cinevitor

telavivchamasposter2Tel Aviv on Fire

Direção: Sameh Zoabi

Elenco: Kais Nashif, Lubna Azabal, Yaniv Biton, Maisa Abd Elhadi, Nadim Sawalha, Salim Dau, Yousef ‘Joe’ Sweid, Amer Hlehel, Laëtitia Eïdo, Ashraf Farah, Ula Tabari, Yazan Doubal, Shifi Aloni, Negweny El Assal, Alma Hemmo, Yaffa Levi, Sameh ‘Saz’ Zakout.

Ano: 2018

Sinopse: Israel, Palestina. Dias atuais. Salam, um charmoso palestino de 30 anos, mora em Jerusalém e trabalha como estagiário numa popular novela da Palestina chamada Tel Aviv em Chamas, que é produzida em Ramala, e fala sobre uma espiã que se envolve com um general israelense durante a Guerra dos Seis Dias, em 1967. Todos os dias Salam tem que passar pelo posto de controle israelense para chegar aos estúdios de televisão. Lá, ele conhece o comandante do posto de controle, Assi, cuja esposa é muito fã do programa. Para impressioná-la, Assi acaba se envolvendo com o roteiro do programa. Salam logo percebe que as ideias de Assi podem garantir a ele uma promoção como roteirista. A carreira de Salam decola, até que Assi e os investidores da novela discordam de como a trama deve terminar. Espremido entre um oficial do exército e os apoiadores árabes, Salam só pode sair dessa com um golpe de mestre.

Crítica do CINEVITOR: O conflito entre israelenses e palestinos, que já dura mais de setenta anos, é visto com frequência em noticiários. Muitos filmes também já foram realizados para retratar as consequências dessa tensão violenta que permeia tais territórios. Tel Aviv em Chamas, do cineasta israelense Sameh Zoabi, que assina o roteiro ao lado de Dan Kleinman, apresenta esses confrontos internos como pano de fundo, porém, com um alívio cômico. Na trama, acompanhamos os dilemas do protagonista Salam Abbass, interpretado por Kais Nashif, que venceu o prêmio de melhor ator da mostra Orizzonti no Festival de Veneza, ao ser promovido do cargo de assistente de produção em uma novela palestina para roteirista. Sem experiência com a escrita, ele encontra uma solução inusitada para seu bloqueio criativo: as ideias de um general israelense, fã do programa, que vira seu colaborador. De maneira respeitosa, o filme garante muitas risadas ao longo da projeção ao evidenciar essa relação improvável entre os dois personagens, que se conheceram no posto de controle da fronteira. Sameh Zoabi entrega uma história divertida na qual a ficção dentro da ficção contextualiza o espectador em relação ao passado histórico daquela região junto com o presente. O programa, com ar de novela mexicana e que também se chama Tel Aviv em Chamas, se passa durante a Guerra dos Seis Dias, que aconteceu em 1967. Aqui, vemos personagens caricatos em um melodrama que coloca as rebeliões daquele ano como pano de fundo. Com tom despretensioso e irônico, o filme utiliza-se da metalinguagem para traçar uma linha de acontecimentos históricos que marcaram a história daqueles povos. Sem exagero e com bom humor, Tel Aviv em Chamas é uma comédia dramática que aborda um assunto sério, mas que opta por destacar o cotidiano de seus personagens com seus dilemas, angústias, problemas familiares, amorosos e profissionais de forma leve, divertida e universal, fazendo com que qualquer espectador possa se identificar com alguma situação. Um filme como esse, que serve de respiro em tempos tão sombrios, não faz mal a ninguém. (Vitor Búrigo)

*Filme visto no 8º Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba.

Nota do CINEVITOR:

nota-3,5-estrelas