
Foram anunciados nesta segunda-feira, 13/04, os longas-metragens selecionados para a Semana da Crítica 2026 (Semaine de la Critique), mostra paralela ao Festival de Cannes que concentra-se na descoberta de novos talentos. Desde que foi criada pelo Syndicat Français de la Critique de Cinéma, em 1962, busca explorar e revelar novos cineastas inovadores do mundo todo em suas primeiras obras.
Em sua 65ª edição, a Semana da Crítica, que acontecerá entre os dias 13 e 21 de maio, recebeu 1.050 longas e 2.400 curtas-metragens inscritos. A curadoria deste ano teve coordenação geral de Ava Cahen, que trabalhou com comitês formados por críticos e jornalistas. Para a seleção de longas-metragens, onze títulos foram selecionados; o grupo foi formado por Chloé Caye, Marilou Duponchel, Laurent Hérin, Laura Pertuy e Gautier Roos. A lista com os 13 curtas-metragens será revelada no dia 15 de abril.
Neste ano, vale destacar a presença de Seis Meses no Prédio Rosa e Azul, do diretor mexicano Bruno Santamaría Razo, uma coprodução entre México (Ojos de Vaca), Brasil (Desvia) e Dinamarca (Snowglobe). O longa marca a terceira presença consecutiva da produtora brasileira Desvia em grandes festivais (O Último Azul e Nosso Segredo na Berlinale) e traz o ator cearense Demick Lopes, de A Filha do Palhaço, no elenco. Vale lembra que em 2024, o longa-metragem brasileiro Baby, de Marcelo Caetano, integrou a seleção e saiu com o prêmio de melhor ator revelação para Ricardo Teodoro.
Inspirado nas memórias do diretor, e rodado em 16mm, o filme leva o espectador para a Cidade do México no início da década de 1990. No dia em que Bruno completou 11 anos, percebeu sentimentos por seu melhor amigo, Vladimir. Os dois entram em conflito com o anúncio repentino de que seu pai foi diagnosticado com HIV. Como nas canções de salsa, a família canta e dança para se afastar da dor. Trinta anos depois, o diretor Bruno filma e reimagina a memória daquilo que não conseguiu compreender totalmente quando era criança. O elenco conta também com Jade Reyes, Sofia Espinosa, Lázaro Gabino, Eduardo Ayala, Valeria Vanegas, Anuar Vera, Teresa Sánchez, Valentina Cohen e Nara Carreira.
A seleção de Seis Meses no Prédio Rosa e Azul assume um relevância política e histórica nesta edição: o longa é o único representante da América Latina na mostra competitiva de longas-metragens do programa; e é o terceiro filme mexicano selecionado para a seção. A coprodução brasileira é assinada pela Desvia, produtora sediada no Recife, com 15 filmes realizados, que marca sua volta para o Festival de Cannes com uma coprodução entre México, Brasil e Dinamarca. Em 2021, a coprodução com o México da Desvia, Noche de fuego, de Tatiana Huezo, foi premiada na mostra Un Certain Regard.
Seis Meses no Prédio Rosa e Azul conta com uma significativa participação brasileira liderada pelas produtoras Rachel Daisy Ellis e Camille Reis. Além de um papel como coadjuvante para o ator brasileiro Demick Lopes, grande parte da pós-produção do filme foi feita no Brasil. O filme conta com participação dos editores Eduardo Serrano e Marília Moraes; a desenhista de som Miriam Biderman; o compositor musical Leo Chermont; o estúdio de efeitos especiais Aberração Kromatica Filmes; a produtora executiva Amanda Luna; e as pós-produtoras Bia Baggio e Ivich. A produtora mexicana do filme, Bruna Haddad, também tem nacionalidade brasileira. No Brasil, a distribuição ficará a cargo da Fistaile. No cenário global, as vendas internacionais serão representadas pela Luxbox.
O pôster deste ano da 65ª Semana da Crítica destaca Manon Clavel e Makita Samba em cena do filme Kika, dirigido por Alexe Poukine, que foi exibido nesta mostra no ano passado.
Conheça os filmes selecionados para a Semana da Crítica 2026:
COMPETIÇÃO | LONGA-METRAGEM
Dua, de Blerta Basholli (Kosovo/Suíça/França)
La Gradiva, de Marine Atlan (França/Itália)
Seis Meses no Prédio Rosa e Azul (Seis meses en el edificio rosa con azul), de Bruno Santamaría Razo (México/Brasil/Dinamarca)
Tin Castle, de Alexander Murphy (Irlanda/França)
Viva, de Aina Clotet (Espanha)
Wu ming nü hai, de Jing Zou (China/França)
المحطّة (The Station/Al Mahattah), de Sara Ishaq (Iêmen/Jordânia/França/Alemanha/Holanda/Noruega/Qatar)
SESSÕES ESPECIAIS | LONGAS
Adieu monde cruel, de Felix De Givry (França/Bélgica) (filme de encerramento)
Du Fioul dans les artères, de Pierre Le Gall (França/Polônia)
In Waves, de Phuong Mai Nguyen (França/Bélgica) (filme de abertura)
La Frappe, de Julien Gaspar-Oliveri (França)
Foto: Divulgação/Desvia.