
Quatro longas e um curta-metragem brasileiro terão exibições especiais na 36ª edição do Cine Ceará – Festival Ibero-americano de Cinema, que acontecerá entre os dias 7 e 13 de novembro em Fortaleza. Dois dos longas têm sua première mundial no evento; os outros chegam ao festival depois de um percurso por grandes mostras no país.
Uma das estreias é o documentário Clássico Rei. Entre histórias, lembranças, opiniões, análises e depoimentos de torcedores, atletas, dirigentes e uma série de personalidades, os diretores Glauber Filho, Joe Pimentel e Wolney Oliveira resgatam uma história centenária de uma das mais tradicionais disputas esportivas entre clubes de grandes torcidas do futebol brasileiro, e a mais importante do esporte cearense: entre Ceará Sporting Club e Fortaleza Esporte Clube. O filme será exibido no dia 10/11, fechando a sessão das 19h no Cineteatro São Luiz.
Na noite de abertura, o Cine Ceará exibirá Sul de Teerã, curta-metragem de Kleber Mendonça Filho, que receberá na ocasião o Troféu Eusélio Oliveira como homenagem por sua contribuição à cinematografia brasileira. O filme acompanha o cineasta Jafar Panahi por Nova York em 2025 enquanto ele reflete sobre sua carreira cinematográfica e a perseguição em seu país natal, o Irã. É um olhar multifacetado sobre cinema e memória que surge de conversas entre Panahi e Kleber Mendonça Filho. O filme teve estreia nacional na abertura da 50ª edição da Mostra de São Paulo (clique aqui e confira nossa entrevista com o diretor).
No encerramento desta edição, no dia 13/11, no Cineteatro São Luiz, o Cine Ceará exibirá Viver é Melhor que Sonhar, antes de sua estreia nos cinemas do país marcada para o dia 3 de dezembro. O filme de Eduardo Albergaria, de Nosso Sonho, explora a fase mais intrigante e desconhecido da vida do músico cearense Antonio Carlos Belchior (1946–2017): quando ele renuncia a fama, o patrimônio e desaparece ao lado de Edna, seu grande amor. O filme é protagonizado por Luiz Carlos Vasconcelos e Isabela Garcia, nos papéis de Belchior e Edna.
Belchior também é personagem central do documentário Alucinação, dirigido por Renato Terra, Marcos Caetano e Leo Caetano. Com exibição no 36º Cine Ceará, no dia 09/11, às 16h, no Cinema do Dragão, o filme segue sua trajetória por festivais após a estreia mundial na Première Brasil do Festival do Rio e na Mostra de São Paulo. Inspirado no álbum homônimo lançado por Belchior em 1976, o filme revisita o Brasil dos anos 70 e provoca uma reflexão sobre os rumos do país de lá pra cá. Para isso, adota um formato inovador: toca o disco na íntegra e colore as canções com imagens que ampliam os seus significados.
No dia 11/11, às 16h, no Cinema do Dragão, a exibição especial será do longa documental O Projeto. Road movie de Sabrina Fidalgo, cineasta negra brasileira, e Yvan Rodic, fotógrafo suíço branco, o filme investiga os desdobramentos de mais de seis séculos de colonialismo europeu e a perpetuação de suas estruturas no Sul e no Norte globais. Com lançamento comercial marcado para o dia 19 de novembro, mês da Consciência Negra, o longa teve sua estreia no Festival de Cinema de Gramado, abriu o 19º Encontro de Cinema Negro Zózimo Bulbul e passou pela 50ª Mostra SP.
Luiz Carlos Merten: jornalista e crítica de cinema homenageado
Além disso, cinco personalidades serão homenageadas no Cine Ceará 2026: o diretor Kleber Mendonça Filho; a produtora Emilie Lesclaux; a atriz Isis Valverde; o jornalista e crítico de cinema Luiz Carlos Merten; e a senadora Luizianne Lins.
Na solenidade de abertura, no dia 07/11, no Cineteatro São Luiz, o Troféu Eusélio Oliveira será concedido ao diretor Kleber Mendonça Filho e à produtora Emilie Lesclaux em homenagem à contribuição dos dois ao cinema brasileiro. Kleber e Emilie são os nomes por trás de O Agente Secreto, que se tornou o filme brasileiro mais premiado da história, com 105 honrarias de toda a parte do mundo. No Festival de Cannes do ano passado, o filme conquistou quatro prêmios, incluindo os de melhor direção e melhor ator para Wagner Moura. No Globo de Ouro, levou o prêmio de melhor filme em língua não inglesa e melhor ator em drama; no Oscar, foi indicado em quatro categorias. A solenidade terá início às 19h e, na sequência, será exibido o curta-metragem Sul de Teerã, dirigido por Mendonça Filho.
Com 20 anos de carreira e trabalhos de destaque na televisão, no cinema e no streaming, a atriz Isis Valverde será homenageada no dia 10 de novembro, antes das exibições da noite, no Cineteatro São Luiz. Isis já foi indicada ao Prêmio Grande Otelo por seu trabalho em Faroeste Caboclo e exibiu, no Festival de Gramado, os longas Simonal e Angela. Sua trajetória é marcada por sucessos como as novelas Caminho das Índias, Avenida Brasil, A Força do Querer e as minisséries Amores Roubados e O Canto da Sereia. Ela também tem se dedicado à carreira internacional e integrou o elenco do recente filme Código Alarum, em que atuou ao lado de Sylvester Stallone.
Jornalista, crítico de cinema e escritor com quase 60 anos de carreira, Luiz Carlos Merten cobre os principais festivais de cinema do mundo, como o Festival de Cannes, onde, inclusive, já integrou o júri do Caméra d’Or, que concede o prêmio para a melhor estreia de um diretor. Natural de Porto Alegre, começou a trajetória na imprensa gaúcha até se transferir para São Paulo. Desde 1989, integra a equipe do jornal O Estado de S. Paulo, onde construiu uma extensa obra crítica e jornalística, acompanhando a produção brasileira e internacional, além de postagens diárias no Blog do Merten.
Professora doutora em Comunicação e jornalista, Luizianne Lins foi eleita senadora nas eleições de 2026, com mais de 2,8 milhões de votos, sendo a mulher mais votada da história do Ceará. Ela já foi atriz e tem uma forte ligação com cinema e com o Cine Ceará, onde é assídua espectadora, além de já ter participado como realizadora. No campo da política, foi vereadora e prefeita de Fortaleza, deputada estadual e, hoje, exerce o mandato de deputada federal pelo Ceará. Luizianne tem uma trajetória política que defende, principalmente, os direitos das mulheres, da juventude, da população negra, das pessoas com deficiência, da população LGBTQIA+, da população idosa, da classe trabalhadora, além de atuar nas áreas de cultura, democracia e justiça social. Ela receberá o Troféu Eusélio Oliveira na noite de encerramento do festival.
Com programação inteiramente gratuita, o Cine Ceará exibirá longas-metragens e curtas em mostras competitivas e não competitivas, com exibições no Cineteatro São Luiz e no Cinema do Dragão.
Fotos: Marcelo Camorino/Luiz Alves.