O Passeio de Dendiara: Camila Morgado é protagonista do novo filme de Elza Cataldo

por: Cinevitor
Camila Morgado em cena: protagonista 

A cineasta Elza Cataldo, de As Órfãs da Rainha e A Rainha Louca (uma coprodução com Portugal, com Maria de Medeiros, que está em fase de finalização), começou a rodar um novo longa-metragem: O Passeio de Dendiara, ficção baseada em casos reais de crianças brasileiras exploradas em garimpos ilegais na Amazônia. Inspirado no livro homônimo da diplomata Ana Beltrame, o filme é protagonizado por Camila Morgado e pela estreante Sophie Ataíde, que interpreta Dendiara.

A coprodução entre Brasil, Portugal e França é ambientada na fronteira com a Guiana Francesa e conta com elenco brasileiro e francês e diálogos em português e francês. Filmado no Amapá, O Passeio de Dendiara é o maior longa já rodado no estado; o filme também terá cenas em Belo Horizonte e na Guiana Francesa

A diretora, que também assina o roteiro ao lado de Fernanda Araújo, disse: “Ao ler o livro, imediatamente reconheci seu potencial para uma adaptação: história comovente, contexto social impactante e localização na região amazônica brasileira e em território francês. A temática se insere no foco do meu trabalho como cineasta, ao abordar a história das mulheres explicitando as violências sofridas desde a infância e ouvindo suas vozes silenciadas. Esse é um filme com viés humanista, por meio da construção de um olhar sensível e feminino, cuja linguagem persigo na minha filmografia”

No longa, Isabel, interpretada por Camila Morgado, Cônsul-Geral do Brasil, é chamada ao hospital de Caiena, capital da Guiana Francesa, para dar assistência à menina que, aos 11 anos de idade, está grávida. Determinada a encontrar os responsáveis pela criança, a Cônsul vai, pacientemente, conquistando a confiança da menina em passeios diários pelo hospital. Pouco a pouco, Dendiara revela os detalhes de sua história, carregada de medos e sonhos, na dura realidade dos garimpos ilegais na Amazônia.

Dentro dessa realidade complexa, a narrativa traz personagens fortes e multifacetados. Dendiara, a menina grávida, simboliza a resiliência e a coragem diante de adversidades inimagináveis, enquanto a Cônsul-Geral do Brasil na Guiana Francesa é uma figura determinada e incansável, movida por uma vontade inabalável de fazer justiça e resgatar a esperança. Do encontro entre elas nasce uma história de afeto e coragem, pautada pela esperança, e levando o público a refletir sobre a complexidade da natureza humana, a urgência de proteger os mais vulneráveis e a necessidade de encontrar redenção em um mundo marcado por cicatrizes profundas.

Camila Morgado e Sophie Ataíde em cena

O Passeio de Dendiara se desenrola na região fronteiriça entre a Guiana Francesa e o Brasil, e traz à telona a rica cultura local de Caiena, com sua diversidade na música, arquitetura e culinária. Ao mesmo tempo, apresenta as cicatrizes da selva, representadas por abusos e violência em atividades ilegais, como garimpo e exploração desenfreada de recursos naturais: “Ao relatar a vida em um garimpo ilegal podemos ver as mazelas e misérias dos personagens, bem como seus sonhos e ambições. São homens e mulheres em busca de riqueza e acabam sendo transformados em seres exauridos e cruéis. Entretanto, nesse universo improvável, surgem sentimentos como solidariedade e comprometimento. A floresta amazônica, com sua exuberância e mistérios, representa uma região pouco conhecida embora exerça uma força atrativa nacional e internacional”, completou Cataldo.

O longa ainda traz em seu elenco Ana Costa, o congo-brasileiro Bukassa Kabengele, Robert Frank, Odilon Esteves, o francês Pier Ewudu e a francesa Khanh: “A atriz mirim paraense Sophie Ataíde, escolhida numa seleção realizada no norte do Brasil, passou por uma preparação intensa e carinhosa para a proteger da gravidade da história e para facilitar sua compreensão da personagem. Dendiara conquista pelo carisma singelo e envolvente. Já a escolha de Camila Morgado foi pautada pela sua brilhante trajetória no cinema, pelo seu tipo físico quase europeu, que contrasta com o de Dendiara, e pela sua sensibilidade em captar o arco dramático da personagem”, disse a diretora.

Com uma narrativa sensível, O Passeio de Dendiara cumpre um papel de denúncia social chamando atenção para mazelas invisibilizadas, como a exploração sexual infantil em comunidades tradicionais amazônicas. Ao mesmo tempo, reforça a urgência de políticas públicas efetivas que garantam os direitos básicos e a dignidade dessas populações vulneráveis. O longa é uma produção da Persona Filmes, Maria Zimbro, Lira Filmes, Pixys Produções Artísticas e Boca a Boca Filmes.

A sinopse oficial diz: Isabel Valoni, cônsul brasileira na Guiana Francesa, está nos últimos dias de sua missão em Caiena quando é convocada ao hospital em caráter de urgência. Uma menina com traços indígenas foi encontrada sozinha na fronteira com o Brasil e se recusa a falar. Ao conhecer Dendiara, Isabel percebe a gravidade da situação: a menina, brasileira, de 11 anos, está visivelmente grávida. Com paciência e delicadeza, Isabel conquista a confiança de Dendiara durante passeios diários pelos corredores do hospital, reconstruindo uma história de abandono e exploração sexual em garimpos clandestinos no coração da Amazônia. Um mundo de brutalidade silenciosa, onde crianças valem ouro e, na realidade, não valem nada.

Fotos: Marcia Charnizon.

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