Festival de San Sebastián 2026 anuncia novos títulos; Vicentina Pede Desculpas, de Gabriel Martins, é selecionado 

por: Cinevitor
Rejane Faria em Vicentina Pede Desculpas, de Gabriel Martins: cinema brasileiro

Depois de anunciar os primeiros filmes selecionados, entre eles, alguns títulos brasileiros, a 74ª edição do Festival Internacional de Cinema de San Sebastián, considerado o mais importante festival de cinema da Espanha e um dos mais antigos da Europa, que acontecerá entre os dias 18 e 26 de setembro, revelou novas obras em sua programação.

O Brasil ganha destaque na Seleção Oficial, principal mostra do evento, com Vicentina Pede Desculpas, de Gabriel Martins, que disputará a Concha de Ouro, prêmio máximo do festival: “Me sinto muito honrado por fazer parte, pela primeira vez, de um festival tão prestigiado e tradicional, principalmente por estar na competição oficial. Sinto que será mais um caminho importante para a carreira do filme, que engrandece o trabalho não só da nossa equipe e do elenco, mas também do cinema brasileiro”, disse o diretor em comunicado oficial. 

Resultado da parceria entre a Netflix e a produtora Filmes de Plástico, Vicentina Pede Desculpas conta a história de uma mãe que decide buscar as famílias das vítimas de uma fatalidade envolvendo seu filho. Na trama, Vicentina, interpretada por Rejane Faria, precisa lidar com a tragédia que se segue à morte de seu filho, Wesley, em um acidente de ônibus do qual ele era o motorista. À medida que a investigação se desenrola, evidências sugerem que a ação de Wesley poderia ter sido proposital. Vicentina, então, embarca em uma jornada corajosa para encontrar as famílias das vítimas e pedir desculpas, enquanto é forçada a confrontar o próprio luto e suas maiores incertezas.

A seleção em San Sebastián também marca mais um momento especial para o cinema brasileiro e, acima de tudo, para os conterrâneos do diretor. Ambientado em Minas Gerais, estado natal de Gabriel Martins, que também dirigiu o consagrado Marte Um, o filme se soma a um ano de destaque para a produção cinematográfica do estado no circuito internacional: “Celebro esta seleção também como mais uma vitória para o cinema mineiro, que vem tendo um grande ano em 2026, desde o Festival de Berlim, o que me deixa muito feliz pelos artistas locais e animado com os próximos passos desta geração da qual faço parte”, disse Gabriel Martins. Antes de San Sebastián, o longa fará sua estreia no TIFF, Festival de Toronto, evidenciando a potência do cinema brasileiro no mercado internacional.

Com direção, roteiro e história original de Gabriel Martins, o longa tem Rejane Faria, de Marte Um, Leite em Pó e Yellow Cake, no papel principal e reúne no elenco grandes nomes do cinema nacional como Flavio Bauraqui, Giovanna Heliodoro, Giovanni Venturini, Carlos Francisco, Grace Passô, Karine Teles, Barbara Colen, Maíra Azevedo, Renato Novaes, Thalma de Freitas, Marisa Revert, Fernanda Vianna, Clébia Sousa, Fábio Leal, Docy Moreira e Miguelzinho do Cavaco

A produção é de Thiago Macêdo Correia, a direção de fotografia é assinada por Leonardo Feliciano, a trilha sonora é de Tiganá Santana e o design de produção de Rimenna Procópio; Diana Moreira assina o figurino. A edição é de Gabriel Martins e Thiago Ricarte; o som é assinado por Tiago Bello (edição e mixagem) e Gustavo Fioravante (gravação). Os efeitos especiais são de Rodrigo Jinks, Marcelo Cabral, Cajamanga e Quanta.

Já na mostra WIP Latam do festival, que traz filmes latino-americanos em fase de pós-produção, o cinema brasileiro se destaca com O Último Canto dos Pássaros, de Beatriz Seigner, que conta com Laila Garin e Thomas Zamith no elenco. No Foro de Coproducción Europa-América Latina, que faz parte das atividades de mercado do festival, Rachel Daisy Ellis apresentará o projeto El último crucero, uma coprodução entre Brasil, Espanha, Portugal e Argentina pelas produtoras Desvia Filmes, Olhar de Ulisses e Gema Films; outro projeto que se destaca é O Estranho Menino, de Matias Mariani, produzido pela Primo Filmes; e também La revolución de las sirenas modernas, de Azul Vanni Núñez, coprodução entre Uruguai, Argentina e Brasil

Na mostra Perlak, destaque para o norte-americano Josephine, com Mason Reeves, Channing Tatum e Gemma Chan no elenco, e dirigido por Beth de Araújo, que foi premiado no Festival de Sundance deste ano. A diretora, que é filha de mãe sino-americana e pai brasileiro, nasceu e foi criada em São Francisco, porém tem dupla cidadania. A sinopse do filme diz: após Josephine, de 8 anos, testemunhar acidentalmente um crime no Golden Gate Park, ela reage em busca de uma maneira de recuperar o controle de sua segurança, enquanto os adultos se mostram impotentes para consolá-la.

O 74º Festival de San Sebastián, que traz Ricardo Darín no cartaz desta edição, apresentará, na mostra Otras Actividades, o novo filme do consagrado ator argentino: Lo dejamos acá, dirigido por Hernán Goldfrid, que conta também com Diego Peretti no elenco. Além disso, Le Faux Soir, de Michaël R. Roskam, será o filme de encerramento deste ano e será exibido fora de competição; a coprodução entre Bélgica e França traz Arieh Worthalter, Mélanie Thierry, Karim Leklou, Mara Taquin, Bouli Lanners, Julien Frison e François Damiens no elenco. 

Conheça os novos filmes selecionados para o 74º Festival de San Sebastián:

SELEÇÃO OFICIAL

Bian jing (Border), de Ah Biao (Hong Kong/EUA/Coreia do Sul)
Garrat du váimmu (Brace Your Heart), de Amanda Kernell (Suécia/Noruega/Dinamarca/Islândia/Bulgária)
Geister (Ghost Song), de Fatih Akin (Alemanha) (filme de abertura)
Heart of the Beast (En el corazón de la bestia), de David Ayer (EUA) (fora de competição)
Krux, de Tony Vahl (Alemanha/Polônia)
Les Misérables (Los Miserables), de Fred Cavayé (França)
The Debut (El Debut), de Jesse Eisenberg (EUA)
Vicentina Pede Desculpas, de Gabriel Martins (Brasil)

PERLAK

A Terra do Meu Pai (Fatherland), de Paweł Pawlikowski (Polônia/Alemanha/Itália/França)
Club Kid, de Jordan Firstman (EUA)
Coward, de Lukas Dhont (Bélgica/França/Holanda)
Fjord, de Cristian Mungiu (Romênia/França/Noruega/Suécia/Dinamarca)
Hope: O Primeiro Impacto, de Na Hong-jin (Coreia do Sul)
Josephine, de Beth de Araújo (EUA)
Juste une illusion, de Eric Toledano e Olivier Nakache (França)
La bola negra, de Javier Calvo e Javier Ambrossi (Espanha/França)
Le corset (Iron Boy), de Louis Clichy (França/Bélgica)
Minotaur (Minotauro), de Andrey Zvyagintsev (França/Alemanha/Letônia)
O Convite (The Invite), de Olivia Wilde (EUA)
Soudain (All of a Sudden), de Ryusuke Hamaguchi (França/Japão/Alemanha/Bélgica)
Succederà questa notte, de Nanni Moretti (Itália/França/Espanha)
Tangles, de Leah Nelson (Canadá/EUA)
The Man I Love, de Ira Sachs (EUA/França)
Wild Horse Nine, de Martin McDonagh (EUA/Reino Unido/Chile)

ZABALTEGI-TABAKALERA

A veces me entra tristeza, otras veces rebelión, de María Aparicio (Argentina/Espanha)
Abhinetri (Actress), de Tanmay Chowdhary e Tanvi Chowdhary (Índia) (curta-metragem)
Acampamento Miasma: Adolescência, Sexo e Morte (Teenage Sex and Death at Camp Miasma), de Jane Schoenbrun (EUA/Canadá)
As a Cure, de Dorothea Sing Zhang (China/Reino Unido) (curta-metragem)
Cine vivo: un artefacto, de Albertina Carri (Argentina/Chile/Espanha) (fora de competição)
El fantasma, de David Lamelas e Ignacio Masllorens (Argentina)
Ga-neung-han sa-rang (Possible Love), de Lee Chang-dong (Coreia do Sul)
Gluey Feathers, de Salka Tiziana (Alemanha) (curta-metragem)
HAMALAU gau (CATORCE noches), de Oskar Alegria Suescun (Espanha)
Jaleos (Flamenco Sketches), de Isaki Lacuesta (Espanha) (filme de encerramento)
La belle année, de Angelica Ruffier (Suécia/Noruega)
Lejos de los árboles, de Meritxell Colell (Espanha/Peru/Itália)
Les roches rouges, de Bruno Dumont (Portugal/França/Itália/Espanha/Qatar)
Para los contrincantes, de Federico Luis (México/Chile/Reino Unido/França) (curta-metragem)
Pedro en el país, de María Alché e Benjamín Naishtat (Argentina/México/Noruega) (filme de abertura)
Plan contraplan, de Radu Jude e Adrian Cioflâncă (Romênia) (curta-metragem)
The Loneliest Man in Town, de Tizza Covi e Rainer Frimmel (Áustria)
Tristan Forever, de Tobias Nölle e Loran Bonnardot (Suíça)
Weichen (Dust), de Tsai Ming-Liang (Espanha/Taiwan)
Whispers of a Burning Scent, de Mo Harawe (Áustria/Somália/Alemanha) (curta-metragem)
With Love and Rage, de Bojina Panayotova (França)
Yawman Ma Walad, de Marie-Rose Osta (França/Romênia/Líbano) (curta-metragem)

NEST

A. will raus (Über neutralität), de Zorah Berghammer (Áustria)
Bingo Night, de Maria Vaughan (Espanha/Colômbia)
Dihapus dari peta (Erased from the Map), de Maarij Reka (Indonésia)
Familie, de Marco Lawson (Dinamarca)
Gislaine, de Camila Encarnación (República Dominicana)
Home, de Hiromi Tanoue (Japão)
Jährlinge (Yearlings), de Jonathan Schaller (Alemanha)
Miriam, de Karla Condado Romero (México)
Ningú borda, de Júlia Coldwell Serra (Espanha)
Onde Nascem os Pirilampos, de Clara Vieira (Portugal)
Rise of the Dawn Phoenix, de Zhongyao Xie (China)
Small One, de Anne-Sofie Lindgaard (Reino Unido)
Talion, de Micha Straub (Suíça)
Zza szyby podglądam, jak umiera sarna, młoda, de Angelika Cygal (Polônia)

Foto: Denise dos Santos/Netflix.

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