Festival de San Sebastián 2026: A Professora de Francês, com Grace Passô, de Ricardo Alves Jr., é selecionado

por: Cinevitor
Grace Passô no longa brasileiro A Professora de Francês, de Ricardo Alves Jr.

Considerado o mais importante festival de cinema da Espanha e um dos mais antigos da Europa, o Festival Internacional de Cinema de San Sebastián é também um dos mais prestigiados do mundo. Seu principal prêmio, a Concha de Ouro, é entregue ao melhor filme em competição da Seleção Oficial.

Para esta 74ª edição, que acontecerá entre os dias 18 e 26 de setembro, os primeiros títulos selecionados já foram revelados e o cinema brasileiro marca presença com alguns filmes. Na mostra Horizontes Latinos, que traz longas inéditos na Espanha, produzidos totalmente ou parcialmente na América Latina, dirigidos por cineastas de origem latina ou que abordem temas sobre comunidades latinas no resto do mundo, destaque para o filme A Professora de Francês, dirigido por Ricardo Alves Jr., de Parque de Diversões e Elon Não Acredita na Morte

Reflexão sobre intolerância de gênero, fanatismo religioso e violência produzida pelo preconceito, o filme é uma coprodução entre Brasil, França e Portugal e foi rodado em Belo Horizonte. A trama acompanha Graça, que mora com a namorada francesa, Clara, e sobrevive dando aulas particulares de francês. Após uma emergência de saúde do pai, Graça volta à casa onde cresceu e encontra vizinhos que lideram uma seita na comunidade. A protagonista é interpretada pela atriz Grace Passô, figura central da cena artística brasileira contemporânea e parceira de longa data do diretor.

A Professora de Francês utiliza os códigos do suspense, do thriller psicológico e do horror para investigar como o medo pode ser usado como instrumento de poder e dominação: “Escolhi abordar essas questões por meio do diálogo com o cinema de gênero porque acredito que o horror tem a capacidade de revelar, de forma contundente, violências que muitas vezes permanecem naturalizadas no cotidiano”, afirma Ricardo Alves Jr., que assina seu quarto longa.

Além de Grace Passô, premiada por filmes como Praça Paris, Temporada e O Dia que Te Conheci, o elenco reúne a artista francesa Jehnny Beth (do vencedor do Oscar e da Palma de Ouro, Anatomia de uma Queda), que interpreta Clara, namorada da protagonista, além de nomes como: Elisa Lucinda, Barbara Colen, Rômulo Braga, Eduardo Moreira, Babi Amaral e Italo Laureano; com destaque para o veterano Rodger Rogério, no papel do pai de Graça, e para Pedro Goifman, intérprete do jovem e enigmático Tomás, uma das figuras centrais da seita.

A seleção para San Sebastián reafirma a trajetória internacional de Ricardo Alves Jr., cujos filmes vêm sendo exibidos em importantes festivais ao redor do mundo. Para ele, ao construir uma atmosfera densa para retratar a ascensão da violência no interior da tradicional família brasileira, A Professora de Francês mostra que o verdadeiro horror nasce não do sobrenatural, mas de uma incômoda realidade: “O mal é a intolerância, a dominação e a homofobia, que se disfarçam de moral, proteção e compaixão. Me interessa observar como essas forças se infiltram nas relações mais íntimas, apropriando-se da fé, da solidariedade e da família para justificar diferentes formas de violência”, explica.

O filme brasileiro é produzido por Thiago Macedo Correia, através da EntreFilmes, com Justin Pechberty e Damien Megherbi, e será distribuído no Brasil pela Embaúba Filmes, com estreia prevista para 2027. O roteiro é de Germano Melo, a direção de fotografia é assinada por Vasco Viana e a montagem é de Mathilde Van de Moortel e Luisa Homem. A direção de arte é de Richard Tavares, com figurino de Luiz Dias e caracterização de Simone Curi. A música original é assinada por Florencia di Concilio, o desenho de som é de Antoine Bertucci, a mixagem de Emmanuel Croset e o som direto de Gustavo Fioravante. A produção executiva é de Lara Lima, Valentine Meiller e Giuliane Maciel; com coprodução de Renée Nader Messora e João Salaviza.

O ator brasileiro Selton Mello em La Perra, da chilena Dominga Sotomayor

Ainda na mostra Horizontes Latinos, o Brasil aparece com três coproduções, entre elas: La Perra, dirigida pela cineasta chilena Dominga Sotomayor, uma coprodução entre Chile e Brasil (pela RT Features, de Rodrigo Teixeira), que foi exibida na Quinzena de Cineastas, em Cannes. O filme, produzido em parceria com a Planta (Chile), é uma adaptação do romance homônimo de Pilar Quintana. O elenco conta com o brasileiro Selton Mello, Manuela Oyarzún, David Gaete, Paula Luchsinger, Paula Dinamarca e Rafaella Grimberg. A trama de La Perra é conduzida pela solitária Silvia, que vive em uma ilha remota no sul do Chile e resgata uma cachorra filhote e a chama de Yuri, o mesmo que escolheria para a filha que nunca teve. Esta união forma um vínculo improvável que força a protagonista a enfrentar ressentimentos profundos, relacionamentos rompidos e um trauma que se recusa a permanecer no passado.

E mais: Seis Meses no Prédio Rosa e Azul, do diretor mexicano Bruno Santamaría Razo, uma coprodução entre México (Ojos de Vaca), Brasil (Desvia) e Dinamarca (Snowglobe), que foi exibida na Semana da Crítica, em Cannes; o longa traz o ator cearense Demick Lopes, de A Filha do Palhaço, no elenco. Inspirado nas memórias do diretor, e rodado em 16mm, o filme leva o espectador para a Cidade do México no início da década de 1990. No dia em que Bruno completou 11 anos, percebeu sentimentos por seu melhor amigo, Vladimir. Os dois entram em conflito com o anúncio repentino de que seu pai foi diagnosticado com HIV. Como nas canções de salsa, a família canta e dança para se afastar da dor. Trinta anos depois, o diretor Bruno filma e reimagina a memória daquilo que não conseguiu compreender totalmente quando era criança. O elenco conta também com Jade Reyes, Sofia Espinosa, Lázaro Gabino, Eduardo Ayala, Valeria Vanegas, Anuar Vera, Teresa Sánchez, Valentina Cohen e Nara Carreira

Seis Meses no Prédio Rosa e Azul conta com uma significativa participação brasileira liderada pelas produtoras Rachel Daisy Ellis e Camille Reis. Além de um papel como coadjuvante para o ator brasileiro Demick Lopes, grande parte da pós-produção do filme foi feita no Brasil. O filme conta com participação dos editores Eduardo Serrano e Marília Moraes; a desenhista de som Miriam Biderman; o compositor musical Leo Chermont; o estúdio de efeitos especiais Aberração Kromatica Filmes; a produtora executiva Amanda Luna; e as pós-produtoras Bia Baggio e Ivich. A produtora mexicana do filme, Bruna Haddad, também tem nacionalidade brasileira. No Brasil, a distribuição ficará a cargo da Fistaile. No cenário global, as vendas internacionais serão representadas pela Luxbox.

Também na Horizontes Latinos, destaque para Narciso, do cineasta paraguaio Marcelo Martinessi. A coprodução entre Paraguai, Espanha, Uruguai, Brasil (por Julia Murat), Portugal, Alemanha e França, conta com Diro Romero, Manuel Cuenca, Mona Martinez e Nahuel Perez Biscayart no elenco. O longa, premiado no Festival de Berlim deste ano, se passa no Paraguai, em 1958. O carismático Narciso retorna de Buenos Aires com o rock ‘n’ roll correndo em suas veias. Sob o regime militar sufocante, ele se torna uma sensação musical e um símbolo de liberdade. Mas então, após seu último show, ele é encontrado morto. 

Além disso, o Brasil também se destaca na Seleção Oficial e aparece na disputa pela Concha de Ouro com Glaxo, dirigido pelo cineasta argentino Benjamín Naishtat, de Puan e Vermelho Sol. A coprodução entre Argentina e Brasil (pela brasileira RT Features com Rodrigo Teixeira e Berta Marchiori), se passa em Chivilcoy, no ano de 1957. Em uma pacata cidade argentina, a chegada de um ex-policial e de sua sedutora esposa transforma para sempre a amizade de quatro jovens. Décadas depois, o passado ressurge, obrigando-os a confrontar antigas feridas, a culpa e a possibilidade de vingança. O elenco conta com Lali Espósito, Marcelo Subiotto, Esteban Bigliardi, Alan Sabbagh e Esteban Lamothe

Já no XIV Prêmio Sebastiane Latino, premiação paralela que antecede o festival com a exibição de filmes com a temática LGBTQIA+, o cinema brasileiro marca presença com quatro títulos: A Paixão Segundo G.H.B., de Gustavo Vinagre e Vinicius Couto; Nem Toda História de Amor Acaba em Morte, de Bruno Costa; Privadas de Suas Vidas, de Gurcius Gewdner e Gustavo Vinagre; e a coprodução Seis Meses no Prédio Rosa e Azul, de Bruno Santamaría Razo

Neste ano, o cineasta alemão Werner Herzog será homenageado com o Prêmio Donostia. Na ocasião, também exibirá seu novo trabalho: o longa Bucking Fastard, com Rooney Mara, Kate Mara, Orlando Bloom e Domhnall Gleeson no elenco. Em breve, novos títulos serão confirmados na seleção. 

Conheça os primeiros filmes selecionados para o 74º Festival de San Sebastián:

SELEÇÃO OFICIAL

5 minutos más (5 more minutes), de Javier Ruiz Caldera (Espanha)
7:40 ce matin-là (Milo), de Nicole Garcia (França)
Artakalan (What Remains), de Yeşim Ustaoğlu (Turquia/França/Luxemburgo/Bulgária)
El mal padre, de Roberto Bueso (Espanha)
Glaxo, de Benjamín Naishtat (Argentina/Brasil)
Markens Grode (Growth of the Soil), de Hans Petter Moland (Noruega/Dinamarca/Alemanha)
Mis muertos tristes (My Sad Dead), de Pablo Larraín (Chile/Argentina)
Muyou no hito (In My Father’s Room), de Maha Harada (Japão)
Sants (Saints), de Mikel Gurrea (Espanha/Itália)
Tender Loving Care, de Mike Leigh (Reino Unido)

SELEÇÃO OFICIAL | EXIBIÇÕES ESPECIAIS | FORA DE COMPETIÇÃO

Azken Agurra (The Last Goodbye/Último Adiós), de Koldo Almandoz (Espanha)
Bajañí, de Fernando María Trueba (Espanha)
Más allá de la sociedad (Beyond Society), de Carlos Torres (Espanha)
Ruega por nosotras (Pray for Us), de Daniel Monzón Jerez (Espanha/França)
Sacamantecas (The Harvester), de David Pérez Sañudo (Espanha/Bélgica)

SELEÇÃO OFICIAL | FORA DE COMPETIÇÃO
El castillo (The Castle), de Elena Martín Gimeno e Sandra Romero (Espanha)

HORIZONTES LATINOS

A Professora de Francês, de Ricardo Alves Jr. (Brasil/França/Portugal)
Ceniza en la boca, de Diego Luna (México/Espanha)
Chicas tristes, de Fernanda Tovar (México/Espanha/França)
Cinco años, cuatro meses, de Juan Miguel Gelacio e Esteban Hoyos García (Colômbia/EUA)
El deshielo, de Manuela Martelli (Chile/EUA/Espanha/México)
El tren fluvial, de Lorenzo Ferro e Lucas A. Vignale (Argentina)
La ilusión de un verano sin fin, de Alessandra Sanguinetti (Argentina/EUA)
La Perra, de Dominga Sotomayor (Chile/Brasil)
Moscas, de Fernando Eimbcke (México/Espanha)
Narciso, de Marcelo Martinessi (Paraguai/Espanha/Uruguai/Brasil/Portugal/Alemanha/França)
Seis Meses no Prédio Rosa e Azul (Seis meses en el edificio rosa con azul), de Bruno Santamaría Razo (México/Brasil/Dinamarca)
Siempre soy tu animal materno, de Valentina Maurel (México/Bélgica/França)

NEW DIRECTORS

Bloques erráticos, de Thomas Woodroffe (Chile/França/Argentina)
Body of Glass, de Naëmi Ada (Alemanha/França)
Cute, de Marlene Emilie Lyngstad (Dinamarca/Suécia/Noruega)
El mal hijo, de Jaime Lorente (Espanha) (filme de abertura)
Esta soledad, de Javier Giner (Espanha)
Florid, de Billy Lumby (Reino Unido/Suécia) (filme de encerramento)
Lovers Sleep Alone, de Massih Parsaei (Alemanha)
Morro, de Rodrigo García Saiz (México)
Mugalim, de Ayana Nurdinova (Cazaquistão)
Obuvkite na bashta mi (My Father’s Shoes), de Hristo Simeonov (Bulgária/França)
Ri Guang (Will You Still Be My Friend), de Lu Po-Shun (Taiwan/Singapura)
Sieben tage februar (February, Seven Days), de Tatjana Moutchnik (Alemanha/Áustria/Espanha)
The Ballet Lesson, de Kazuya Murayama (Japão)
The World Before, de Yoon Dan-bi (Coreia do Sul/Japão/França)

ZABALTEGI-TABAKALERA

HAMALAU gau (CATORCE noches), de Oskar Alegria Suescun (Espanha)
Jaleos (Flamenco Sketches), de Isaki Lacuesta (Espanha)
Lejos de los árboles, de Meritxell Colell (Espanha/Peru/Itália)
Les roches rouges, de Bruno Dumont (Portugal/França/Itália/Espanha/Qatar)

PERLAK
La bola negra, de Javier Calvo e Javier Ambrossi (Espanha/França)

XIV PRÊMIO SEBASTIANE LATINO

A Paixão Segundo G.H.B., de Gustavo Vinagre e Vinicius Couto (Brasil)
La virgen silenciosa, de Xavi Sala (México)
Nem Toda História de Amor Acaba em Morte, de Bruno Costa (Brasil)
Privadas de Suas Vidas, de Gurcius Gewdner e Gustavo Vinagre (Brasil)
Seis Meses no Prédio Rosa e Azul, de Bruno Santamaría Razo (México/Brasil/Dinamarca)

Fotos: Divulgação. 

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