Teyana Taylor em Uma Batalha Após a Outra: filme consagrado
Foram anunciados neste domingo, 01/02, em cerimônia apresentada pelo crítico de cinema Mark Kermode, no May Fair Hotel, em Londres, os vencedores do London Critics’ Circle Film Awards, prêmio realizado pela The Critics’ Circle, associação que conta com mais de 450 críticos do Reino Unido que se dividem entre teatro, música, filme, dança, artes visuais e livros.
Nesta 46ª edição, Uma Batalha Após a Outra, de Paul Thomas Anderson, que liderava a lista com nove indicações, se destacou com quatro prêmios, entre eles, filme do ano e direção. Vale lembrar que os títulos são automaticamente elegíveis se forem lançados nos cinemas do Reino Unido ou em serviços de streaming de estreia entre meados de fevereiro de 2025 e meados de fevereiro de 2026.
Neste ano, o cinema brasileiro estava na disputa com O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, em duas categorias (melhor filme estrangeiro e melhor ator para Wagner Moura), mas, infelizmente, não foi premiado. Além disso, o brasileiro Adolpho Veloso concorria com a fotografia de Sonhos de Trem na categoria Technical Achievement Award, mas também não venceu.
Jane Crowther, presidente da London Critics’ Circle Film, a organização de críticos mais antiga e prestigiada do Reino Unido, disse: “Os vencedores demonstram a paixão de nossos membros votantes por histórias originais e intrigantes, atuações comprometidas e técnica exemplar. Parabéns a todos eles”. Nas categorias cinematográficas, 207 membros votaram entre os melhores do ano.
A atriz e cantora britânica Cynthia Erivo foi homenageada com o Derek Malcolm Award for Innovation em reconhecimento à sua carreira, que inclui sucessos como As Viúvas, Harriet, Maus Momentos no Hotel Royale e a franquia Wicked. O cineasta mexicano Guillermo del Toro, que dirigiu recentemente Frankenstein, recebeu o Dilys Powell Award.
Conheça os vencedores do 46º London Critics’ Circle Film Awards:
FILME DO ANO Uma Batalha Após a Outra
FILME ESTRANGEIRO DO ANO Valor Sentimental, de Joachim Trier (Noruega)
DOCUMENTÁRIO DO ANO A Vizinha Perfeita, de Geeta Gandbhir
ANIMAÇÃO DO ANO Guerreiras do K-Pop, de Chris Appelhans e Maggie Kang
FILME BRITÂNICO OU IRLANDÊS DO ANO Pillion, de Harry Lighton
DIREÇÃO DO ANO Paul Thomas Anderson, por Uma Batalha Após a Outra
ROTEIRISTA DO ANO Paul Thomas Anderson, por Uma Batalha Após a Outra
ATRIZ DO ANO Jessie Buckley, por Hamnet: A Vida Antes de Hamlet
ATOR DO ANO Timothée Chalamet, por Marty Supreme
ATRIZ COADJUVANTE DO ANO Amy Madigan, por A Hora do Mal
ATOR COADJUVANTE DO ANO Sean Penn, por Uma Batalha Após a Outra
REVELAÇÃO DO ANO Robert Aramayo, por I Swear e Palestine 36
INTERPRETAÇÃO DO ANO | ATOR ou ATRIZ BRITÂNICO/IRLANDÊS Josh O’Connor, por The Mastermind, A História do Som e Vivo ou Morto: Um Mistério Knives Out
ATOR/ATRIZ JOVEM BRITÂNICO ou IRLANDÊS DO ANO Alfie Williams, por Extermínio: A Evolução
REVELAÇÃO DO ANO | CINEASTA BRITÂNICO ou IRLANDÊS Harry Lighton, por Pillion
CURTA-METRAGEM BRITÂNICO ou IRLANDÊS DO ANO Neil Armstrong and the Langholmites, de Duncan Cowles
TECHNICAL ACHIEVEMENT AWARD Pecadores, por Ludwig Göransson (trilha sonora)
DILYS POWELL AWARD FOR EXCELLENCE IN FILM Guillermo del Toro
Recife Tem um Coração, de Rodrigo Sena: melhor curta pelo Júri Popular
Foram anunciados neste sábado, 31/01, os vencedores do Troféu Barroco da 29ª edição da Mostra de Cinema de Tiradentes, em cerimônia realizada no Cine-Tenda e apresentada por David Maurity.
O documentário Anistia 79, de Anita Leandro, do Rio de Janeiro, foi o grande vencedor da Mostra Olhos Livres; o filme levou o Prêmio Carlos Reichenbach, concedido pelo Júri Oficial. Na justificativa, os jurados ressaltaram a apropriação criativa de um registro amador que “multiplica no filme as possibilidades de cada fotograma”. O júri enfatizou ainda a potência política da obra ao revelar “dois homens negros, um líder camponês e o cinegrafista, imagens pouco acessadas pelo imaginário coletivo sobre aqueles que lutaram pelo fim da ditadura civil-militar”, afirmando o cinema como “construção da memória”. O filme também conquistou o prêmio de melhor longa pelo Júri Popular.
No palco, a diretora Anita Leandro disse ter tido a mais intensa experiência de recepção de um filme em sua vida: “As pessoas em silêncio assistindo a esse filme, um filme difícil, sobre um assunto difícil, e parecia uma liturgia”. Anita exaltou o reconhecimento e disse esperar que a premiação ajude o filme a ser distribuído nas sala comerciais de exibição.
Na Mostra Foco, voltada a curtas-metragens, o prêmio de melhor curta pelo Júri Oficial foi entregue para Entrevista com Fantasmas, de LK. O júri ressaltou a capacidade do filme de articular cinema, memória e cidade, defendendo que a obra “fala de cinema, preservação, gentrificação das cidades e precarização do trabalho com pitadas de absurdo e uma poética gigante” e destacou a simplicidade de “apenas uma pequena câmera digital, um flerte cinematográfico e o desejo de cinema”.
Ainda pelo Júri Oficial, o Prêmio Helena Ignez Destaque Feminino ficou para para Gabriela Mureb, pela direção do curta-metragem Crash. Segundo a justificativa, trata-se de um trabalho que “nos faz repensar o uso do som e o modo de ver uma imagem”, propondo uma experiência estética e política que “opera uma síntese entre o estético e o político em um único objeto”.
Por sua vez, o Prêmio Canal Brasil de Curtas foi para o gaúcho Grão, de Gianluca Cozza e Leonardo da Rosa, reconhecido por “desconstruir estereótipos” e por retratar “uma juventude emparedada numa melancolia invisível, atolada num deserto de oportunidades”, abrindo espaço para que “uma juventude made in favela possa ousar sentir”, segundo justificativa dos jornalistas votantes.
O prêmio do Júri Jovem, escolhido por estudantes dentro dos longas da Mostra Aurora, foi dado a Para os Guardados, de Desali e Rafael Rocha, definido como um filme que “imagina outros caminhos para a realidade” e aposta no experimental como desvio frente à literalidade dominante das imagens.
O Prêmio Abraccine de melhor longa da Mostra Autorias, entregue por integrantes da Associação Brasileira de Críticos de Cinema, foi para Atravessa Minha Carne, de Marcela Borela, elogiado pelo “rigor formal na montagem e no desenho sonoro” em diálogo com uma escrita fotográfica livre e sensorial.
Pelo Júri Popular, o prêmio de curta-metragem foi para o filme potiguar Recife Tem um Coração, de Rodrigo Sena, o mais votado pelo público entre 53 títulos. Na Mostra Formação, o júri concedeu Menção Honrosa para Diálogo Bulbul, dirigido por Bruno Churuska, Gledson Augusto, Nicole Mendes, Yan Altino e Zimá Domingos, por “abrir caminhos na história do cinema brasileiro” ao deslocar o arquivo para uma dimensão crítica e experimental. O melhor filme da Mostra Formação foi De Barriga para Cima, realizado pela equipe do Instituto Marlin Azul em conjunto com moradores da Comunidade Quilombola de Monte Alegre, reconhecido por “costurar relações e sonhos no ato fílmico” e abrir “espaços de invenção e fabulação impulsionados pelos afetos”.
No Conexão Brasil CineMundi, segmento dedicado ao mercado e ao cinema brasileiro do futuro, as premiações são oferecidas por parceiros da mostra a projetos em diferentes estágios de desenvolvimento, incluindo os trabalhos WIP (work in progress).
Os Prêmios Cinecolor e O2 Pós foram concedidos a Pedra de Raio, de Lucas Parente e Pedro Lessa, descrito como um filme que “recusa fixar-se em gêneros e códigos exteriores”, inventando “um universo de grande fôlego estético e poético” a partir de um mergulho radical nas possibilidades do cinema. Os Prêmios CTAv e The End foram para Bate e Volta Copacabana, de Juliana Antunes e Camila Matos, cuja narrativa é atravessada por “uma força vital que impulsiona a narrativa” e organiza seus atos a partir do desejo das protagonistas.
O Prêmio Málaga WIP foi para Pequenas Tragédias, de Daniel Nolasco, reconhecido por abordar “o exílio forçado das dissidências” e transformar o “humor queer em ato de resistência”. Já o Prêmio Sesc em Minas – Work in Progress foi atribuído a Paisagem de Inverno, de Marco Antonio Pereira, por apresentar “um olhar atento e deslocado sobre Minas Gerais” e afirmar “a imaginação e a esperança como elementos vivos no cotidiano”.
Nesta 29ª edição da Mostra Tiradentes, o Júri Oficial foi formado por Álvaro Arroba, Daniela Giovana Siqueira, Darks Miranda, Hermano Callou e Renato Novaes. Já o Júri Formação contou com Anne Santos, Estevão Garcia e Gustavo Jardim. O Júri Jovem foi formado por Breno Silva, Esdras Ananias, Juno Lima, Manu Couto e Nayara Aguiar. O Júri da Crítica contou com Bruno Carmelo, Juliana Gusman e Luiz Joaquim. Enquanto isso, o Prêmio Canal Brasil de Curtas teve Cecilia Barroso, Luiz Joaquim e Viviane Pistache no júri.
Confira a lista completa com os vencedores da 29ª Mostra de Cinema de Tiradentes:
MELHOR FILME | PRÊMIO CARLOS REICHENBACH | MOSTRA OLHOS LIVRES | JÚRI OFICIAL Anistia 79, de Anita Leandro (RJ)
MELHOR LONGA-METRAGEM | MOSTRA OLHOS LIVRES | JÚRI POPULAR Anistia 79, de Anita Leandro (RJ)
MELHOR CURTA-METRAGEM | MOSTRA FOCO | JÚRI OFICIAL Entrevista com Fantasmas, de Lincoln Péricles (LK) (RS/SP)
MELHOR CURTA-METRAGEM | JÚRI POPULAR Recife Tem um Coração, de Rodrigo Sena (RN)
MELHOR LONGA-METRAGEM | MOSTRA AURORA | JÚRI JOVEM Para os Guardados, de Desali e Rafael Rocha (MG)
PRÊMIO CANAL BRASIL DE CURTAS | MOSTRA FOCO Grão, de Gianluca Cozza e Leonardo da Rosa (RS)
PRÊMIO ABRACCINE | MELHOR LONGA | MOSTRA AUTORIAS Atravessa Minha Carne, de Marcela Aguiar Borela (GO/DF)
PRÊMIO HELENA IGNEZ | DESTAQUE FEMININO Gabriela Mureb, por Crash
MELHOR FILME | MOSTRA FORMAÇÃO De Barriga pra Cima, de Equipe IMA (Beatriz Lindenberg, Cintya Ferreira, Marcia Medeiros e Mariana de Lima) e Moradores da Comunidade Quilombola de Monte Alegre (Cachoeiro do Itapemirim) (Projeto Cine Quilombola/Instituto Marlin Azul) (ES)
MENÇÃO HONROSA | MOSTRA FORMAÇÃO Diálogo Bulbul, de Bruno Churuska, Gledson Augusto, Nicole Mendes, Yan Altino e Zimá Domingos (SP/RJ/ES/BA)
CONEXÃO BRASIL CINEMUNDI | MOSTRA WIP | CORTE FINAL Prêmio Cinecolor e O2 Pós: Pedra de Raio, de Lucas Parente e Pedro Lessa (CE/RJ) Prêmio CTAv e The End: Bate e Volta Copacabana, de Juliana Antunes e Camila Matos (MG) Prêmio Festival de Málaga: Pequenas Tragédias, de Daniel Nolasco (GO) Prêmio Sesc em Minas: Paisagem de Inverno, de Marco Antonio Pereira (MG)
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Cena de Josephine, de Beth de Araújo: dois prêmios
Foram anunciados nesta sexta-feira, 30/01, no The Ray Theatre, os vencedores do Festival Sundance de Cinema 2026, conhecido por destacar em sua programação produções independentes que representam novas conquistas narrativas.
A 42ª edição do festival exibiu, em formato presencial em Park City e Salt Lake City, em Utah, nos Estados Unidos, e também virtualmente, 97 longas-metragens e séries, além de 54 curtas-metragens, que foram selecionados entre 16.201 inscritos. Eugene Hernandez, diretor do festival, discursou na cerimônia de encerramento: “Saudamos e agradecemos aos cinéfilos de Utah que abraçaram este festival e a visão do nosso fundador, Robert Redford. Ao encerrarmos esta edição de 2026, recordamos todos os momentos que passamos juntos”. Kim Yutani, diretora de programação do Sundance Film Festival, completou: “Como equipe de programação, somos gratos por fazer parte da jornada de tantos cineastas talentosos, este e todos os anos. Promover trabalhos que sejam singulares, relevantes e impactantes é nossa prioridade. E este evento é uma celebração das conquistas desses contadores de histórias”.
Entre os vencedores deste ano, vale destacar o longa Josephine, protagonizado por Mason Reeves e dirigido por Beth de Araújo, na Competição Americana de Drama; o título foi consagrado com o Grande Prêmio do Júri e também com o Prêmio do Público. A diretora, que é filha de mãe sino-americana e pai brasileiro, nasceu e foi criada em São Francisco, porém tem dupla cidadania. A sinopse do filme diz: após Josephine, de 8 anos, testemunhar acidentalmente um crime no Golden Gate Park, ela reage em busca de uma maneira de recuperar o controle de sua segurança, enquanto os adultos se mostram impotentes para consolá-la.
O júri deste ano contou com: Janicza Bravo, Nisha Ganatra e Azazel Jacobs na U.S. Dramatic Competition; Natalia Almada, Justin Chang e Jennie Livingston na U.S. Documentary Competition; Ana Katz, So Yong Kim e Tatiana Maslany na World Cinema Dramatic Competition; Toni Kamau, Bao Nguyen e Kirsten Schaffer na World Cinema Documentary Competition; A.V. Rockwell, Liv Constable-Maxwell e Martin Starr na Short Film Program Competition; e John Cooper e Trevor Groth na mostra competitiva NEXT.
Em uma premiação paralela, patrocinada pela Adobe, a montadora brasileiraFlavia de Souza recebeu o Sundance Institute Adobe Mentorship Award de Documentário. O prêmio foi criado para destacar editores (de ficção e documentário) que demonstraram uma contribuição extraordinária na montagem de longas-metragens, além de apoiar o desenvolvimento criativo e a trajetória profissional de editores emergentes que buscam uma carreira editando obras cinematográficas independentes.
Confira a lista completa com os vencedores do 42º Festival de Sundance:
COMPETIÇÃO AMERICANA | DRAMA
Grande Prêmio do Júri: Josephine, de Beth de Araújo Melhor Direção: Josef Kubota Wladyka, por Ha-Chan, Shake Your Booty! Prêmio Waldo Salt | Melhor Roteiro: Take Me Home, escrito por Liz Sargent Prêmio Especial do Júri | Filme de Estreia: Bedford Park, de Stephanie Ahn Prêmio Especial do Júri | Elenco: The Friend’s House is Here, de Hossein Keshavarz e Maryam Ataei Prêmio do Público: Josephine, de Beth de Araújo
COMPETIÇÃO AMERICANA | DOCUMENTÁRIO
Grande Prêmio do Júri: Nuisance Bear, de Gabriela Osio Vanden Melhor Direção: J.M. Harper, por Soul Patrol Prêmio Jonathan Oppenheim | Edição: Barbara Forever, por Matt Hixon Prêmio Especial do Júri | Journalistic Excellence: Who Killed Alex Odeh?, de Jason Osder e William Lafi Youmans Prêmio Especial do Júri | Impact for Change: The Lake, de Abby Ellis Prêmio do Público: American Pachuco: The Legend of Luis Valdez, de David Alvarado
COMPETIÇÃO INTERNACIONAL | DRAMA
Grande Prêmio do Júri: Shame and Money, de Visar Morina (Alemanha/Kosovo/Eslovênia/Albânia/Macedônia do Norte/Bélgica) Melhor Direção: Andrius Blaževičius, por How to Divorce During the War Prêmio Especial do Júri | Elenco: LADY, de Olive Nwosu Prêmio Especial do Júri | Creative Vision: Filipiñana, de Rafael Manuel (Singapura/Reino Unido/Filipinas/França/Holanda) Prêmio do Público: HOLD ONTO ME (Κράτα Με), de Myrsini Aristidou (Chipre/Dinamarca/Grécia)
COMPETIÇÃO INTERNACIONAL | DOCUMENTÁRIO
Grande Prêmio do Júri: To Hold a Mountain, de Biljana Tutorov e Petar Glomazić (Sérvia/França/Montenegro/Eslovênia/Croácia) Melhor Direção: Itab Azzam e Jack MacInnes, por One In A Million Prêmio Especial do Júri | Civil Resistance: Everybody To Kenmure Street, de Felipe Bustos Sierra (Reino Unido) Prêmio Especial do Júri | Journalistic Impact: Birds of War, de Janay Boulos e Abd Alkader Habak (Reino Unido/Síria/Líbano) Prêmio do Público: One In A Million, de Itab Azzam e Jack MacInnes (Reino Unido)
CURTAS-METRAGENS
Grande Prêmio do Júri: The Baddest Speechwriter of All, de Ben Proudfoot e Stephen Curry (EUA) Prêmio do Júri | Ficção | Competição Americana: Crisis Actor, de Lily Platt Prêmio do Júri | Ficção | Competição Internacional: Jazz Infernal, de Will Niava (Canadá) Prêmio do Júri | Documentário: The Boys and the Bees, de Arielle C. Knight (EUA) Prêmio do Júri | Animação: Living with a Visionary, de Stephen P. Neary (EUA) Prêmio Especial do Júri | Creative Vision: Paper Trail, de Don Hertzfeldt (EUA) Prêmio Especial do Júri | Atuação: Noah Roja e Filippo Carrozza, por The Liars
NEXT
NEXT Innovator Award: The Incomer, de Louis Paxton (Reino Unido) Prêmio Especial do Júri | Creative Expression: TheyDream, de William David Caballero (EUA) Prêmio do Público: Aanikoobijigan [ancestor/great-grandparent/great-grandchild], de Adam Khalil e Zack Khalil (EUA/Dinamarca)
OUTROS PRÊMIOS
Alfred P. Sloan Feature Film Prize: In The Blink of An Eye, de Andrew Stanton (EUA) Sundance Institute Producers Award | Documentário: Dawne Langford, por Who Killed Alex Odeh? Sundance Institute Producers Award | Ficção: Apoorva Guru Charan, por Take Me Home Sundance Institute | Adobe Mentorship Award | Documentário: Flavia de Souza Sundance Institute | Adobe Mentorship Award | Ficção: Mollie Goldstein Sundance Institute | NHK Award: Leo Aguirre, por Verano
*Clique aqui e confira todas as justificativas dos júris
A programação da 29ª edição da Mostra de Cinema de Tiradentes segue com diversos filmes e atividades paralelas, entre elas, uma roda de conversa com Gilda Nomacce, atriz que mais impactou o cinema brasileiro independente e autoral nos últimos quinze anos.
Ao longo de sua trajetória, Gilda construiu uma galeria impressionante de personagens: mulheres sensuais, bruxas terríveis, figuras misteriosas, personagens extremadas, donas de casa contidas, além de citações vivas a Gena Rowlands e Marília Pêra. Com mais de cem filmes no currículo, entre curtas, médias e longas, Gilda também se destaca na TV e nos palcos. Nascida em Ituverava, interior de São Paulo, descobriu ainda na infância sua vocação para atuar.
Entre participações especiais na TV e apresentações como cover da personagem Gilda, interpretada por Rita Hayworth no filme homônimo lançado em 1946, Nomacce fez parte do CPT, Centro de Pesquisa Teatral, coordenado por Antunes Filho, fundou a Companhia da Mentira e atuou na Cia. de Teatro Os Satyros.
Seu primeiro trabalho no cinema aconteceu em 2007 no curta Um Ramo, dirigido por Marco Dutra e Juliana Rojas. De lá pra cá, Gilda passou a marcar presença constantemente em diversas produções brasileiras. Talentosa e carismática, tornou-se um nome indispensável para diversos cineastas.
Na quarta-feira, 28/01, conversou com o público da Mostra Tiradentes 2026 no Cine-Lounge em um bate-papo mediado pelo professor e pesquisador Pedro Guimarães. Entre tantos assuntos, relembrou o início de sua carreira, destacou trabalhos e parcerias marcantes, refletiu sobre o cinema brasileiro e brincou com a ideia de ter virado meme depois de uma entrevista na TV.
Durante a conversa, Gilda falou com carinho de sua parceria com o coletivo paulista Filmes do Caixote, que foi fundado por Caetano Gotardo, João Marcos de Almeida, Juliana Rojas, Marco Dutra e Sergio Silva: “Apesar de serem muito mais jovens do que eu, sou da mesma turma porque quando eu era muito jovem como eles, não existia tanta possibilidade. Era outra realidade e eu não não estava sonhando em fazer filmes. Mas eu sou dessa turma! O meu fazer cinema brotou com o pessoal do Filmes do Caixote”.
Entre tantos filmes de terror que marcaram sua carreira, entre eles, Prédio Vazio, de Rodrigo Aragão, que foi exibido em Tiradentes no ano passado e lhe rendeu, recentemente, uma indicação ao Prêmio APCA de melhor atriz, Gilda comentou sobre a importância do gênero cinematográfico em sua trajetória: “O terror me ama. E eu nem preciso pedir porque ele vem. Isso eu não posso negar porque quando chega um fã de terror perto de mim, eu já sei que ele é fã de terror. Mas eu gosto de todas as estéticas, todas as linguagens. Eu gosto de experimentar. Eu fiz duas óperas, por exemplo, e não canto. A gente como ator, às vezes, é muito mais cidadão do que ator”.
A atriz na Mostra de Cinema de Tiradentes 2026
Gilda também falou sobre fama e desafios da profissão: “Eu nunca consegui ficar famosa. Eu entrei no Antunes Filho e nessa época eu ainda estava muito envolvida em ser famosa. E depois que eu entrei lá, continuei, claro, querendo a fama, só que aí eu entrei num grupo de pesquisa e aquilo me fascinou. Na verdade, eu sou da pesquisa. Eu gosto de grupo, eu gosto de criar e gosto de me arriscar. Apesar de já ter uma carreira, eu me arrisco muito”.
Com um currículo diverso, Gilda ganhou ainda mais notoriedade nacional depois de participar de uma entrevista no JMTV da TV Mirante, afiliada da Globo no Maranhão, e logo viralizar nas redes sociais ao gritar ao final de sua participação: “Eu estava no Maranhão representando o Enterre Seus Mortos, que é o filme do Marco Dutra. Eu faço os filmes dele desde de 2006 e amo trabalhar com ele. Enfim, tinha feito esse filme e tava representando em um festival. Tinha acabado de fazer uma mesa, uma fala e acabei com o grito que eu sempre faço. Eu sou contorcionista, eu grito. Aí eu fiz meu grito e me levaram para a televisão. Lá, eu perguntei se poderia gritar e disseram que sim. Eu vi que o tempo do jornal estava acabando e fiz de uma hora para outra, por isso que eu pareci tão louca”, brincou Gilda.
E continuou sobre o meme: “Essa foi a minha grande salvação, gente! Eu estou gostando tanto de ser meme! Eu acho que o meme dialoga com todas as idades e as pessoas jovens gostam do meu trabalho. Eu tenho muita gente que gosta de mim. Tanto que eu não paro nunca de fazer curtas porque eu adoro quem me adora. Mas, essa coisa de virar meme mudou completamente a minha vida e eu sempre soube que ia gostar desse lugar”.
Ovacionada pelo público presente, Gilda ainda exibirá na Mostra o longa Dolores, de Marcelo Gomes e Maria Clara Escobar, e o curta-metragem Romance, dirigido por Karine Teles, homenageada desta edição. Ao final da roda de conversa, a atriz falou com exclusividade para o CINEVITOR: “Eu tô muito feliz e honrada de estar aqui em Tiradentes. Eu estou sempre por aqui e acho que tenho a cara de Tiradentes. Fiquei emocionada com essa roda de conversa. Estava muito alegre, me sentindo uma criança! Fazer cinema há tanto tempo e agora ter essa visibilidade… me deixa muito feliz. Eu tenho um espaço que foi conquistado”.
Além das telonas, Gilda Nomacce segue em cartaz nos palcos com A Palma, estreia do diretor Mariano Mattos Martins, que traz também Verónica Valenttino, que exibirá o longa As Florestas da Noite, de Priscyla Bettim e Renato Coelho, em Tiradentes, e Donizeti Mazonas no elenco.
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Concluindo os trabalhos da quarta edição do Fórum de Tiradentes, dentro da programação da 29ª Mostra de Cinema de Tiradentes, aconteceu na tarde desta quarta-feira, 28/01, no Centro Cultural SESIMINAS Yves Alves, a leitura da Carta de Tiradentes 2026. O documento, redigido pelos Grupos de Trabalho, surge como um chamado público à articulação permanente do setor audiovisual diante dos desafios políticos, institucionais e econômicos nos próximos meses.
A leitura foi conduzida pela coordenadora geral do Fórum, Raquel Hallak, que destacou o caráter processual e coletivo do texto: “A efetividade da Carta de Tiradentes 2026 dependerá do compromisso contínuo de todos nós, profissionais, instituições, redes e territórios representados aqui, em difundir, incorporar e transformar essas proposições em práticas concretas”, afirmou.
A coordenadora ressaltou que o encerramento do Fórum não representa um ponto final, mas o início de uma agenda de trabalho compartilhada: “O Fórum termina hoje, mas o trabalho que ele propõe começa agora”. Ela defendeu a manutenção do diálogo, o fortalecimento das articulações e a ampliação dos espaços de construção coletiva e apontou que os desafios colocados ao audiovisual brasileiro exigem cooperação, inovação, vontade política e coragem para sustentar políticas públicas estruturantes em um cenário de instabilidade e disputas institucionais.
A Carta de Tiradentes 2026 parte do reconhecimento dos avanços recentes obtidos com a reconstrução do Ministério da Cultura e da Secretaria do Audiovisual e reconhece a projeção internacional alcançada por filmes brasileiros nos últimos anos. Ao mesmo tempo, o documento alerta para riscos à continuidade dessas políticas, especialmente em ano eleitoral.
O texto lido reafirma a necessidade de convergência entre União, estados e municípios para superar assimetrias regionais e garantir um Sistema Nacional do Audiovisual baseado no equilíbrio federativo, na descentralização e no planejamento de longo prazo.
Entre os eixos centrais destacados pela Carta estão o audiovisual como estratégia de Estado, a convergência na gestão do fomento, a regulação das plataformas de vídeo sob demanda (VoD) e a internacionalização do audiovisual brasileiro. O texto defende a aprovação urgente da regulação do streaming, com fortalecimento do Fundo Setorial do Audiovisual, garantia de cotas e visibilidade para obras brasileiras independentes. Aponta ainda a necessidade da ampliação de públicos por meio de políticas de comunicação, formação e valorização da experiência coletiva nas salas de cinema e nos circuitos não comerciais.
O documento também enumera prioridades relacionadas à governança e participação social, à aprovação de marcos legais no Congresso, ao aprimoramento das políticas de fomento direto, à inserção da exibição na política pública e à proteção da cadeia de direitos autorais e trabalhistas. Outros pontos são chamados à formação audiovisual, preservação da memória, qualificação de dados e ampliação do depósito legal obrigatório.
Raquel Hallak: coordenadora geral do Fórum
A coordenação geral do 4º Fórum de Tiradentes foi assinada por Debora Ivanov, Mário Borgneth e Raquel Hallak d’Angelo; Alessandra Meleiro e Tatiana Carvalho Costa foram responsáveis pela coordenação executiva. A coordenação dos GTs (Grupos de Trabalho) ficou sob responsabilidade de: Adriana Fresquet (GT Formação), Alessandra Meleiro (GT Observatórios), Ana Paula Sousa (GT Exibição), Cintia Domit Bittar (GT Produção), José Quental (GT Preservação) e Lia Bahia (GT Distribuição).
O início da Carta diz: “O tema central do Fórum de Tiradentes em 2026 foi Convergências de Políticas Públicas, que dialoga com o da 29ª Mostra: Soberania Imaginativa. Compreende-se ser urgente o aprimoramento da integração e a articulação federativa entre União, estados e municípios. Só a convergência pode garantir a complementaridade de ações e investimentos, além do fortalecimento do setor em todas as regiões. As profundas assimetrias na gestão pública entre os entes federativos precisam ser superadas. Almejamos a construção de um Sistema Nacional do Audiovisual baseado no equilíbrio federativo, na descentralização administrativa e na autonomia dos entes, sustentado por mecanismos de cooperação, coordenação e planejamento de longo prazo. A continuidade dessas políticas é essencial para que o Estado brasileiro possa garantir, de maneira cada vez mais efetiva, o direito constitucional à cultura, reconhecendo o audiovisual como instrumento estratégico de cidadania, diversidade, memória, soberania e desenvolvimento”.
Na sequência da leitura da Carta de Tiradentes, Raquel Hallak participou de uma coletiva de imprensa ao lado de Alessandra Meleiro, Debora Ivanov e Tatiana Carvalho Costa: “Que a Carta continue sendo um documento que venha somar com a construção dessas políticas públicas e com a continuidade das que já existem visando a formação desse Sistema Nacional do Audiovisual”, disse.
E finalizou: “Em 2023, a ideia era reunir o setor audiovisual e profissionais que pudessem colaborar com a construção de políticas públicas. Começamos com o propósito da sociedade civil sendo profissionais do audiovisual. Não é o Congresso Brasileiro, não é a entidade. São mais de 70 profissionais que se reuniram em 2023 e agora, em 2026, nesta quarta edição, como uma ação colaborativa de construção coletiva, de recomendações, diretrizes, reflexões e escuta”.
O documento final será encaminhado ao Ministério da Cultura, à Ancine e a outras instâncias federativas. Clique aqui e leia a íntegra da Carta de Tiradentes.
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Joálisson Cunha e Wagner Moura em O Agente Secreto: filme brasileiro na disputa
A Academia de Artes e Técnicas do Cinema, Académie des Arts et Techniques du Cinéma, que conta com 4.955 membros, anunciou nesta quarta-feira, 28/01, os indicados ao prêmio César 2026, conhecido como o Oscar francês.
Neste ano, o cinema brasileiro ganha destaque com O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, indicado na categoria de melhor filme estrangeiro. O longa é um thriller ambientado no Brasil de 1977 e na trama, Marcelo, interpretado por Wagner Moura, é um especialista em tecnologia que foge de um passado misterioso e volta ao Recife, Pernambuco, em busca de paz. Ele logo percebe que a cidade está longe de ser o refúgio que procura. Estrelado por Tânia Maria, Gabriel Leone, Maria Fernanda Cândido, Udo Kier, Hermila Guedes, Thomás Aquino, Alice Carvalho e grande elenco, é uma coprodução entre Brasil (CinemaScópio Produções), França (MK Productions), Holanda (Lemming) e Alemanha (One Two Films) com distribuição no Brasil pela Vitrine Filmes.
O elenco completa-se com Isabél Zuaa, Edilson Silva, Suzy Lopes, Buda Lira, Carlos Francisco, Wilson Rabelo, Roney Villela, Rubens Santos, Albert Tenório, Ítalo Martins, Joalisson Cunha, Aline Marta, Enzo Nunes, Erivaldo Oliveira, Fabiana Pirro, Fafá Dantas, Geane Albuquerque, Gregorio Graziosi, Igor de Araújo, Isadora Ruppert, João Vitor Silva, Kaiony Venancio, Laura Lufési, Licínio Januário, Luciano Chirolli, Marcelo Valle, Márcio de Paula, Nivaldo Nascimento, Robério Diógenes e Robson Andrade. Produzido por Emilie Lesclaux, o filme já alcançou mais de 1,9 milhão de espectadores nos cinemas.
Os vencedores da 51ª edição serão anunciados no dia 26 de fevereiro, no Olympia, em Paris, em cerimônia comandada pela atriz e comediante francesa Camille Cottin, com participação de Benjamin Lavernhe. O consagrado ator Jim Carrey será homenageado com o César Honorário e Nouvelle Vague, dirigido por Richard Linklater, lidera a lista com dez indicações.
Conheça os indicados ao César 2026:
MELHOR FILME A Irmã Mais Nova Dossier 137 Foi Apenas um Acidente L’attachement Nouvelle Vague
MELHOR DIREÇÃO Carine Tardieu, por L’attachement Dominik Moll, por Dossier 137 Hafsia Herzi, por A Irmã Mais Nova Richard Linklater, por Nouvelle Vague Stéphane Demoustier, por L’inconnu de la Grande Arche
MELHOR ATRIZ Isabelle Huppert, por La femme la plus riche du monde Léa Drucker, por Dossier 137 Leïla Bekhti, por Era Uma Vez Minha Mãe Mélanie Thierry, por La chambre de Mariana Valeria Bruni Tedeschi, por L’attachement
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE Dominique Blanc, por O Segredo da Chef Jeanne Balibar, por Nino de Sexta a Segunda Ji-Min Park, por A Irmã Mais Nova Marina Foïs, por La femme la plus riche du monde Vimala Pons, por L’attachement
MELHOR ATOR Bastien Bouillon, por O Segredo da Chef Benjamin Voisin, por O Estrangeiro Claes Bang, por L’inconnu de la Grande Arche Laurent Lafitte, por La femme la plus riche du monde Pio Marmaï, por L’attachement
MELHOR ATOR COADJUVANTE Michel Fau, por L’inconnu de la Grande Arche Pierre Lottin, por O Estrangeiro Raphaël Personnaz, por La femme la plus riche du monde Swann Arlaud, por L’inconnu de la Grande Arche Xavier Dolan, por L’inconnu de la Grande Arche
REVELAÇÃO FEMININA Anja Verderosa, por L’épreuve du feu Camille Rutherford, por Jane Austen Arruinou a Minha Vida Manon Clavel, por Kika Nadia Melliti, por A Irmã Mais Nova Suzanne Lindon, por La venue de l’avenir
REVELAÇÃO MASCULINA Félix Lefebvre, por L’épreuve du feu Guillaume Marbeck, por Nouvelle Vague Idir Azougli, por Météors Sayyid El Alami, por La Pampa Théodore Pellerin, por Nino de Sexta a Segunda
MELHOR ROTEIRO ORIGINAL Dossier 137, escrito por Dominik Moll e Gilles Marchand Foi Apenas um Acidente, escrito por Jafar Panahi Nino de Sexta a Segunda, escrito por Pauline Loquès Nouvelle Vague, escrito por Holly Gent, Vincent Palmo, Michèle Halberstadt e Laetitia Masson Un ours dans le Jura, escrito por Franck Dubosc e Sarah Kaminsky
MELHOR ROTEIRO ADAPTADO A Irmã Mais Nova, escrito por Hafsia Herzi L’attachement, escrito por Carine Tardieu, Raphaële Moussafir e Agnès Feuvre L’inconnu de la Grande Arche, escrito por Stéphane Demoustier
MELHOR DOCUMENTÁRIO À bicyclette!, de Mathias Mlekuz Guarde o Coração na Palma da Mão e Caminhe, de Sepideh Farsi Le chant des forêts, de Vincent Munier Le cinquième plan de La Jetée, de Dominique Cabrera Personne n’y comprend rien, de Yannick Kergoat
MELHOR FILME ESTRANGEIRO Gouzhen (Black Dog), de Guan Hu (China) O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho (Brasil) Sirât, de Oliver Laxe (Espanha) Uma Batalha Após a Outra, de Paul Thomas Anderson (EUA) Valor Sentimental, de Joachim Trier (Noruega)
MELHOR FILME DE ANIMAÇÃO A Pequena Amélie, de Maïlys Vallade e Liane-Cho Han Jin Kuang Arco, de Ugo Bienvenu La vie de château, mon enfance à Versailles, de Nathaniel Hlimi e Clémence Madeleine-Perdrillat
MELHOR FILME DE ESTREIA Arco, de Ugo Bienvenu L’épreuve du feu, de Aurélien Peyre La Pampa, de Antoine Chevrollier Nino de Sexta a Segunda, de Pauline Loquès O Segredo da Chef, de Amélie Bonnin
MELHOR FOTOGRAFIA Dossier 137, por Patrick Ghiringhelli L’attachement, por Elin Kirschfink L’engloutie, por Marine Atlan Nouvelle Vague, por David Chambille O Estrangeiro, por Manuel Dacosse
MELHOR MONTAGEM 13 Dias, 13 Noites, por Stan Collet A Irmã Mais Nova, por Géraldine Mangenot Dossier 137, por Laurent Rouan L’attachement, por Christel Dewynter Nouvelle Vague, por Catherine Schwartz
MELHOR FIGURINO Drácula: Uma História de Amor Eterno, por Corinne Bruand La condition, por Céline Guignard La femme la plus riche du monde, por Jürgen Doering La venue de l’avenir, por Pierre-Yves Gayraud Nouvelle Vague, por Pascaline Chavanne
MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO Chien 51, por Jean-Philippe Moreaux Era Uma Vez Minha Mãe, por Riton Dupire-Clément L’inconnu de la Grande Arche, por Catherine Cosme La venue de l’avenir, por Marie Cheminal Nouvelle Vague, por Katia Wyszkop
MELHOR TRILHA SONORA ORIGINAL A Irmã Mais Nova, por Amine Bouhafa Arco, por Arnaud Toulon Dossier 137, por Olivier Marguerit La femme la plus riche du monde, por Alex Beaupain O Estrangeiro, por Fatima Al Qadiri
MELHOR SOM Arco, por Nicolas Becker, Andrea Ferrara, Jon Goc e Damien Lazzerini Dossier 137, por François Maurel, Rym Debbarh-Mounir e Nathalie Vidal Le chant des forêts, por Romain Cadilhac, Marc Namblard, Olivier Touche e Olivier Goinard Nouvelle Vague, por Jean Minondo, Serge Rouquairol e Christophe Vingtrinier O Segredo da Chef, por Rémi Chanaud, Jeanne Delplancq, Fanny Martin e Niels Barletta
MELHORES EFEITOS VISUAIS Chien 51, por Cédric Fayolle L’homme qui rétrécit, por Rodolphe Chabrier e Benoit De Longlée L’inconnu de la Grande Arche, por Lise Fischer Nouvelle Vague, por Alain Carsoux
MELHOR CURTA-METRAGEM | FICÇÃO Big Boys Don’t Cry, de Arnaud Delmarle Deux personnes échangeant de la salive, de Natalie Musteata e Alexandre Singh Mort d’un acteur, de Ambroise Rateau Wonderwall, de Róisín Burns
MELHOR CURTA-METRAGEM | DOCUMENTÁRIO Au bain des dames, de Margaux Fournier Car Wash, de Laïs Decaster Ni Dieu ni père, de Paul Kermarec
MELHOR CURTA-METRAGEM | ANIMAÇÃO Dieu est timide, de Jocelyn Charles Fille de l’eau, de Sandra Desmazières Les belles cicatrices, de Raphaël Jouzeau
Karen Akerman na 29ª Mostra de Cinema de Tiradentes
Além dos filmes, a programação da 29ª edição da Mostra de Cinema de Tiradentes segue com diversas atividades paralelas, entre elas, as rodas de conversa, que promovem debates sobre os processos criativos e os modos de fazer do cinema brasileiro contemporâneo.
Em um encontro com o público, no Cine-Lounge, diversos profissionais compartilham experiências, reflexões e desafios de suas práticas. Na segunda-feira, 26/01, a prestigiada montadora Karen Akerman participou da conversa O Trabalho de Montadora no Cinema Comercial e Independente, que foi mediada pelo professor e pesquisador Pedro Guimarães. O trabalho de montagem no cinema vai muito além de organizar as imagens filmadas em ordem cronológica; a montagem pode dar novas vidas às imagens, ressignificá-las e transformar seus sentidos e percepções.
Como montadora, Karen atuou em mais de cinquenta filmes, entre longas e curtas-metragens, como: Simonal: Ninguém Sabe o Duro que Dei, O Lobo Atrás da Porta e A Febre, nos quais foi consagrada no Prêmio Grande Otelo; A Sombra do Pai, de Gabriela Amaral Almeida, que lhe rendeu o Candango de melhor montagem no Festival de Brasília. E mais: O Processo, Tia Virgínia, Mulher Oceano, Aqui Deste Lugar, Futuro Junho, Nona: Se Me Molham, Eu os Queimo, Chico Ventana Também Queria Ter um Submarino, Greice, O Riso e a Faca, a série Boca a Boca, entre muitos outros.
Além da montagem, Akerman também dirigiu, ao lado de Miguel Seabra Lopes, cinco curtas-metragens (Incêndio, Outubro Acabou, Confidente, Num País Estrangeiro e Enxofre) e um longa-metragem (o documentário Talvez Deserto, Talvez Universo).
No bate-papo com o público, relembrou sua trajetória, que passa por filmes e séries que vão do cinema comercial ao cinema independente e experimental, e falou sobre o ofício da montagem e suas implicações formais e narrativas.
Roda de conversa com Karen Akerman em Tiradentes
Sobre a série Cidade de Deus: A Luta Não Para, um de seus trabalhos mais recentes, contou: “Até uns três anos atrás, eu nunca tinha montado ação. Eu comecei a ficar um pouco instigada e curiosa para fazer esse tipo de gênero. De repente, foi um ano em que eu montei duas séries de ação. Além de Cidade de Deus [dirigida por Aly Muritiba, com quem também trabalhou no curta América], também montei um episódio da série Dom”.
Para a TV Mostra, Karen falou: “No meio de rodas de conversas com atrizes famosas e diretores incríveis, fiquei muito honrada e muito feliz de ver o interesse das pessoas e a presença de todos. Achei muito bom!”, finalizou.
Ainda na segunda-feira, 26/01, Amanda Gabriel, preparadora de elenco de filmes como Amor, Plástico e Barulho (de Renata Pinheiro), Tatuagem (de Hilton Lacerda), Bacurau (de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles) e Ainda Estou Aqui (de Walter Salles), participou da roda de conversaA Preparação de Elenco: Os Atores como Superfícies Sensíveis, que também foi mediada pelo professor e pesquisador Pedro Guimarães.
Com uma trajetória marcada pela pesquisa sobre atuação e direção de atores, Amanda Gabriel também desenvolve e ministra oficinas sobre preparação de elenco, explorando processos criativos e promovendo um pensamento crítico sobre o trabalho do ator no cinema. Um dos pontos nevrálgicos do cinema brasileiro contemporâneo, a preparação de elenco é também um dos temas que mais despertam paixões e debates.
Amanda Gabriel fala sobre preparação de elenco em Tiradentes
Na Mostra de Cinema de Tiradentes 2026, falou sobre os fundamentos dessa prática que busca afinar a relação entre direção e atores: “Acho que o universo da preparação de elenco e da atuação gera sempre muito curiosidade. Espero que consiga iluminar um pouquinho essa área ou pelo menos a partir do meu ponto de vista dos trabalhos que eu fiz”, disse para a TV Mostra.
Já com o público presente, foi questionada sobre a preparação de uma das cenas de Ainda Estou Aqui, na qual os personagens de Fernanda Torres e Selton Mello se divertem com familiares e amigos ao som da música Take Me Back To Piauí: “Teve uma pesquisa muito grande. Cada música é narrativa. E essa já estava no roteiro e era muito importante. Aliás, essa cena é meio que o coração do filme. Ela é um ponto muito central ali e foi construída a muitas mãos. A coreógrafa Dani Lima nos ajudou a construir esses corpos que deveriam dançar dentro de um código de época, mas com liberdade. Não é uma coreografia, é um repertório de movimentos”.
Amanda Gabriel, que também ministrou a oficina O Lugar do Ator no Cinema na Mostra Tiradentes, trabalhou em outros diversos filmes, como: Ainda Não é Amanhã, O Mensageiro, Coiote, O Homem Cordial, A Febre, Praça Paris, Gabriel e a Montanha, O Filho Eterno, Aquarius, O Delírio é a Redenção dos Aflitos, A Cidade Onde Envelheço, Para Minha Amada Morta, O Último Cine Drive-in, Casa Grande, O Som ao Redor, a série Aruanas, entre muitos outros.
A programação das rodas de conversa da 29ª Mostra de Cinema de Tiradentes segue com Gilda Nomacce, Sara Silveira, Elisa Lucinda e com a equipe de O Agente Secreto, entre eles, Leonardo Lacca.
*O CINEVITOR está em Tiradentes e você acompanha a cobertura do festival por aqui, pelo canal do YouTube e pelas redes sociais: Twitter, Facebook e Instagram.
Rose Byrne em Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria: roteiro indicado
O Sindicato de Roteiristas da América, Writers Guild of America, divulgou nesta terça-feira, 27/01, os indicados ao Writers Guild Awards 2026, premiação anual que elege os melhores roteiros de cinema, TV, novas mídias e rádio desde 1948.
Ao longo dos anos, diversos filmes foram consagrados pelo Sindicato e pela Academia, como: Spotlight: Segredos Revelados, O Segredo de Brokeback Mountain, A Malvada, Crepúsculo dos Deuses, Me Chame Pelo Seu Nome, Parasita, Bela Vingança, Ficção Americana, Anora, entre outros; porém, Conclave, escrito por Peter Straughan, que ficou com a estatueta dourada de melhor roteiro adaptado, não foi indicado pelo Sindicato.
Como de costume, o WGA Awards frequentemente exclui vários filmes importantes da temporada de premiações por conta das regras de elegibilidade; uma delas é que se o roteiro for escrito por um não membro do Sindicato ou que não tenha vínculos com parceiros da organização, ele não é elegível ao prêmio. Neste ano, diversos longas ficaram de fora, como: o brasileiro O Agente Secreto, escrito por Kleber Mendonça Filho; Foi Apenas um Acidente, de Jafar Panahi; Valor Sentimental, de Eskil Vogt e Joachim Trier; entre muitos outros.
Os vencedores da 78ª edição serão anunciados no dia 8 de março em cerimônias simultâneas em Los Angeles e Nova York.
Conheça os indicados ao 78º WGA Awards nas categorias de cinema:
MELHOR ROTEIRO ORIGINAL A Hora do Mal, escrito por Zach Cregger Código Preto, escrito por David Koepp Marty Supreme, escrito por Ronald Bronstein e Josh Safdie Pecadores, escrito por Ryan Coogler Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria, escrito por Mary Bronstein
MELHOR ROTEIRO ADAPTADO Bugonia, escrito por Will Tracy; baseado no filme Save the Green Planet!, escrito por Jang Joon-hwan Frankenstein, escrito por Guillermo del Toro; baseado no livro Frankenstein; or The Modern Prometheus, de Mary Shelley Hamnet: A Vida Antes de Hamlet, escrito por Chloé Zhao e Maggie O’Farrell; baseado no romance homônimo escrito por Maggie O’Farrell Sonhos de Trem, escrito por Clint Bentley e Greg Kwedar; baseado no livro homônimo escrito por Denis Johnson Uma Batalha Após a Outra, escrito por Paul Thomas Anderson; baseado no livro Vineland, escrito por Thomas Pynchon
MELHOR ROTEIRO | DOCUMENTÁRIO 2000 Meters to Andriivka, escrito por Mstyslav Chernov Becoming Led Zeppelin, escrito por Bernard MacMahon e Allison McGourty White with Fear, escrito por Andrew Goldberg
MELHOR ROTEIRO | FILME PARA TV e STREAMING A Lista da Minha Vida, escrito por Adam Brooks Deu Match: A Rainha de Apps de Namoro, escrito por Bill Parker, Rachel Lee Goldenberg e Kim Caramele Improvisação Perigosa, escrito por Derek Connolly e Colin Trevorrow O Melhor de Nós Dois, escrito por Michael J. Weithorn
Com o objetivo de discutir e promover a arte criativa do trabalho dos editores, em 1951 foi criada a American Cinema Editors, sociedade formada por diversos nomes renomados da área, que hoje conta com mais de 800 membros.
Inicialmente, era realizado um jantar de gala para celebrar os profissionais indicados na categoria de melhor edição do Oscar. Em 1962, os integrantes da ACE decidiram criar o Eddie Awards, prêmio que elege, em votação realizada pelos membros da sociedade, os melhores editores da indústria televisiva e cinematográfica. Em sua primeira edição, Philip W. Anderson foi premiado por seu trabalho na comédia O Grande Amor de Nossas Vidas, de David Swift. Neste ano, uma nova categoria foi criada para a premiação: melhor edição em curta-metragem.
Entre os indicados, vale destacar a presença do brasileiroAffonso Gonçalves, ao lado de Chloé Zhao, na categoria de melhor edição em drama por Hamnet: A Vida Antes de Hamlet. Nascido em São Paulo, e radicado nos Estados Unidos desde 1994, Affonso foi premiado no Eddie Awards em 2015 por seu trabalho na série True Detective e indicado por Mildred Pierce e The Velvet Underground. Seu currículo conta também com os longas Ainda Estou Aqui, Pai Mãe Irmã Irmão, Segredos de um Escândalo, Cassandro, Não Se Preocupe, Querida, A Filha Perdida, Carol, A Chiara, Pacificado, Os Mortos Não Morrem, Paterson, O Amor é Estranho, Sem Fôlego, Deixe a Luz Acesa, Amantes Eternos, Indomável Sonhadora, Inverno da Alma, entre muitos outros.
Nesta 76ª edição, como de costume, nomes relevantes da indústria serão homenageados: o consagrado cineasta Ang Lee, de O Tigre e o Dragão, O Segredo de Brokeback Mountain e As Aventuras de Pi, receberá o ACE Golden Eddie Filmmaker of the Year Award; o editor Arthur Forney, vencedor do Emmy por Law & Order, e o montador Robert Leighton, indicado ao Oscar por Questão de Honra, serão honrados com o Career Achievement Honoree; e Kim Larson, diretora executiva e chefe da equipe de criadores e jogos do YouTube, receberá o ACE Visionary Award pelo YouTube durante o evento.
Os vencedores do Eddie Awards 2026 serão anunciados no dia 27 de fevereiro em cerimônia que acontecerá no Royce Hall da UCLA, em Westwood.
Conheça os indicados ao 76º ACE Eddie Awards nas categorias de cinema:
MELHOR EDIÇÃO | DRAMA A Hora do Mal, por Joe Murphy F1: O Filme, por Stephen Mirrione Hamnet: A Vida Antes de Hamlet, por Affonso Gonçalves e Chloé Zhao Pecadores, por Michael P. Shawver Valor Sentimental, por Olivier Bugge Coutté
MELHOR EDIÇÃO | COMÉDIA Bugonia, por Yorgos Mavropsaridis Marty Supreme, por Ronald Bronstein e Josh Safdie Uma Batalha Após a Outra, por Andy Jurgensen Vivo ou Morto: Um Mistério Knives Out, por Bob Ducsay Wicked: Parte II, por Myron Kerstein
MELHOR EDIÇÃO | ANIMAÇÃO Guerreiras do K-Pop, por Nathan Schauf Os Caras Malvados 2, por Jesse Averna Zootopia 2, por Jeremy Milton
MELHOR EDIÇÃO | DOCUMENTÁRIO A Vizinha Perfeita, por Viridiana Lieberman Becoming Led Zeppelin, por Dan Gitlin It’s Never Over, Jeff Buckley, por Brian A. Kates e Stacy Goldate John Candy: Eu Me Amo, por Shane Reid e Darrin Roberts Senhoras e Senhores… 50 anos de Música do SNL, por James Lester e Oz Rodríguez
MELHOR EDIÇÃO | FILME PARA STREAMING A Winter’s Song, por Yvette M. Amirian Entre Montanhas, por Frederic Thoraval Mountainhead, por Bill Henry e Mark Davies O Clube do Crime das Quintas-Feiras, por Dan Zimmerman
MELHOR EDIÇÃO | CURTA-METRAGEM Gyopo, por Mengyao Mia Zhang Quartos Vazios, por Erin Casper, Stephen Maing e Jeremy Medoff Technicians, por Lindsay Armstrong The Final Copy of Ilon Specht, por Tim Johnson e Mónica Salazar The Second, por Tony Zhou
Kaiony Venâncio em O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho: duas indicações
A Academia Britânica de Artes do Cinema e Televisão, British Academy of Film and Television Arts, anunciou nesta terça-feira, 27/01, em Londres, os indicados ao BAFTA 2026, British Academy Film Awards, que foram revelados por Aimee Lou Wood e David Jonsson.
Neste ano, em sua 79ª edição, 46 títulos ganharam destaque, entre eles, o brasileiro O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, indicado em duas categorias: melhor roteiro original e melhor filme em língua não inglesa. O longa é um thriller ambientado no Brasil de 1977 e na trama, Marcelo, interpretado por Wagner Moura, é um especialista em tecnologia que foge de um passado misterioso e volta ao Recife, Pernambuco, em busca de paz. Ele logo percebe que a cidade está longe de ser o refúgio que procura. Estrelado por Tânia Maria, Gabriel Leone, Maria Fernanda Cândido, Udo Kier, Hermila Guedes, Thomás Aquino, Alice Carvalho e grande elenco, é uma coprodução entre Brasil (CinemaScópio Produções), França (MK Productions), Holanda (Lemming) e Alemanha (One Two Films) com distribuição no Brasil pela Vitrine Filmes.
O elenco completa-se com Isabél Zuaa, Edilson Silva, Suzy Lopes, Buda Lira, Carlos Francisco, Wilson Rabelo, Roney Villela, Rubens Santos, Albert Tenório, Ítalo Martins, Joalisson Cunha, Aline Marta, Enzo Nunes, Erivaldo Oliveira, Fabiana Pirro, Fafá Dantas, Geane Albuquerque, Gregorio Graziosi, Igor de Araújo, Isadora Ruppert, João Vitor Silva, Kaiony Venancio, Laura Lufési, Licínio Januário, Luciano Chirolli, Marcelo Valle, Márcio de Paula, Nivaldo Nascimento, Robério Diógenes e Robson Andrade. Produzido por Emilie Lesclaux, o filme já alcançou mais de 1,7 milhão de espectadores nos cinemas.
Entre os documentários, destaque para o brasileiroApocalipse nos Trópicos, de Petra Costa, que também foi indicado. O filme, que investiga a crescente influência exercida por líderes religiosos na política no Brasil, entrelaça passado e presente, mergulhando nas contradições de uma jovem democracia, e, ao fazê-lo, oferece um reflexo para o resto do mundo.
O longa, premiado recentemente no IDA Documentary Awards e disponível na Netflix, oferece um acesso inédito aos bastidores do poder, acompanhando figuras centrais da política brasileira, como o presidente Lula, o ex-presidente Bolsonaro e o televangelista Silas Malafaia, que exerce enorme influência no cenário. Ao expor o papel crucial do movimento evangélico na recente turbulência política do Brasil, Petra também revela a ideologia apocalíptica que motiva esses líderes. O documentário captura ainda as consequências dessa guerra ideológica, deixando claro que o fundamentalismo religioso não será facilmente suprimido, e ignorá-lo pode ter consequências ainda mais drásticas.
O brasileiro Adolpho Veloso também se destaca nesta 79ª edição do BAFTA ao ser indicado pela direção de fotografia de Sonhos de Trem, da Netflix. Natural de São Paulo, Veloso já foi indicado ao prêmio da American Society of Cinematographers por seu trabalho em Jockey e conta com diversas obras em seu currículo, como: Mosquito, On Yoga: Arquitetura da Paz, Tungstênio, Rodantes, Becoming Elizabeth, entre outros. O fotógrafo, que também é membro da Associação Brasileira de Cinematografia, já está confirmado na equipe de Remain, novo filme de M. Night Shyamalan, e Queen at Sea, de Lance Hammer, que disputará o Urso de Ouro no Festival de Berlim deste ano.
Além disso, Uma Batalha Após a Outra, dirigido por Paul Thomas Anderson, lidera a lista com 14 indicações; Pecadores, de Ryan Coogler, aparece na sequência com treze indicações. Hamnet: A Vida Antes de Hamlet e Marty Supreme também se destacaram.
Em comunicado oficial, Jane Millichip, CEO do BAFTA, disse: “Meus sinceros parabéns às equipes dos 46 filmes magníficos indicados hoje. Eles demonstram o melhor da narrativa e sua capacidade de envolver, entreter e provocar debates. Os filmes indicados deste ano são repletos de narrativas ousadas e técnicas primorosas. E a amplitude de narrativas, gêneros e estilos é fascinante. Sejam novatos ou veteranos, espero que nossos indicados pela primeira vez desfrutem deste merecido destaque. Estou ansiosa para recebê-los, assim como todos os nossos indicados que retornam, em Londres”.
Sara Putt, presidente da British Academy of Film and Television Arts, acrescentou: “É emocionante ver filmes independentes britânicos e estreias concorrendo ao lado de sucessos de bilheteria que conquistaram o mundo. Este é um ano excepcional para narrativas ousadas e originais. Por trás desses filmes, há milhares de equipes dedicadas que trabalharam incansavelmente para dar vida a eles; a qualidade e o profissionalismo demonstrados representam o melhor do cinema. Esperamos que o público goste de assistir a esses filmes tanto quanto nossos 8.300 votantes”.
A cerimônia de premiação do EE BAFTA Film Awards 2026, o Oscar britânico, acontecerá no dia 22 de fevereiro, no Royal Festival Hall, em Londres, e será apresentada pelo ator Alan Cumming.
Confira a lista completa com os indicados ao BAFTA 2026:
MELHOR FILME Hamnet: A Vida Antes de Hamlet Marty Supreme Pecadores Uma Batalha Após a Outra Valor Sentimental
MELHOR FILME BRITÂNICO Bridget Jones: Louca pelo Garoto Extermínio: A Evolução H is for Hawk Hamnet: A Vida Antes de Hamlet I Swear Morra, Amor Mr. Burton Pillion Steve The Ballad of Wallis Island
MELHOR DIREÇÃO Chloé Zhao, por Hamnet: A Vida Antes de Hamlet Joachim Trier, por Valor Sentimental Josh Safdie, por Marty Supreme Paul Thomas Anderson, por Uma Batalha Após a Outra Ryan Coogler, por Pecadores Yorgos Lanthimos, por Bugonia
MELHOR ATRIZ Chase Infiniti, por Uma Batalha Após a Outra Emma Stone, por Bugonia Jessie Buckley, por Hamnet: A Vida Antes de Hamlet Kate Hudson, por Song Sung Blue: Um Sonho a Dois Renate Reinsve, por Valor Sentimental Rose Byrne, por Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE Carey Mulligan, por The Ballad of Wallis Island Emily Watson, por Hamnet: A Vida Antes de Hamlet Inga Ibsdotter Lilleaas, por Valor Sentimental Odessa A’zion, por Marty Supreme Teyana Taylor, por Uma Batalha Após a Outra Wunmi Mosaku, por Pecadores
MELHOR ATOR Ethan Hawke, por Blue Moon Jesse Plemons, por Bugonia Leonardo DiCaprio, por Uma Batalha Após a Outra Michael B. Jordan, por Pecadores Robert Aramayo, por I Swear Timothée Chalamet, por Marty Supreme
MELHOR ATOR COADJUVANTE Benicio del Toro, por Uma Batalha Após a Outra Jacob Elordi, por Frankenstein Paul Mescal, por Hamnet: A Vida Antes de Hamlet Peter Mullan, por I Swear Sean Penn, por Uma Batalha Após a Outra Stellan Skarsgård, por Valor Sentimental
MELHOR ATOR/ATRIZ EM ASCENSÃO | VOTO POPULAR Archie Madekwe Chase Infiniti Miles Caton Posy Sterling Robert Aramayo
MELHOR DIREÇÃO DE ELENCO I Swear, por Lauren Evans Marty Supreme, por Jennifer Venditti Pecadores, por Francine Maisler Uma Batalha Após a Outra, por Cassandra Kulukundis Valor Sentimental, por Yngvill Kolset Haga e Avy Kaufman
MELHOR ROTEIRO ORIGINAL I Swear, escrito por Kirk Jones Marty Supreme, escrito por Josh Safdie e Ronald Bronstein O Agente Secreto, escrito por Kleber Mendonça Filho Pecadores, escrito por Ryan Coogler Valor Sentimental, escrito por Joachim Trier e Eskil Vogt
MELHOR ROTEIRO ADAPTADO Bugonia, escrito por Will Tracy Hamnet: A Vida Antes de Hamlet, escrito por Maggie O’Farrell e Chloé Zhao Pillion, escrito por Harry Lighton The Ballad of Wallis Island, escrito por Tom Basden e Tim Key Uma Batalha Após a Outra, escrito por Paul Thomas Anderson
MELHOR FILME EM LÍNGUA NÃO INGLESA A Voz de Hind Rajab, de Kaouther Ben Hania (Tunísia) Foi Apenas um Acidente, de Jafar Panahi (França) O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho (Brasil) Sirât, de Oliver Laxe (Espanha) Valor Sentimental, de Joachim Trier (Noruega)
MELHOR DOCUMENTÁRIO 2000 Meters to Andriivka, de Mstyslav Chernov A Vizinha Perfeita, de Geeta Gandbhir Apocalipse nos Trópicos, de Petra Costa Mr. Nobody Against Putin, de David Borenstein e Pavel Talankin Seymour Hersh: Em Busca da Verdade, de Mark Obenhaus e Laura Poitras
MELHOR ANIMAÇÃO Amélie et la métaphysique des tubes, de Liane-Cho Han Jin Kuang e Maïlys Vallade Elio, de Adrian Molina, Madeline Sharafian e Domee Shi Zootopia 2, de Jared Bush e Byron Howard
ROTEIRISTA, DIRETOR(A) OU PRODUTOR(A) BRITÂNICO REVELAÇÃO Akinola Davies Jr. (diretor e roteirista) e Wale Davies (roteirista), por A Sombra do Meu Pai Cal McMau (diretor), Hunter Andrews (roteirista e produtor) e Eoin Doran (roteirista), por Wasteman Harry Lighton (diretor e roteirista), por Pillion Jack King (diretor e roteirista), Hollie Bryan (produtora) e Lucy Meer (produtora), por The Ceremony Myrid Carten (diretora e roteirista), por A Want in Her
MELHOR FOTOGRAFIA Frankenstein, por Dan Laustsen Marty Supreme, por Darius Khondji Pecadores, por Autumn Durald Arkapaw Sonhos de Trem, por Adolpho Veloso Uma Batalha Após a Outra, por Michael Bauman
MELHOR EDIÇÃO Casa de Dinamite, por Kirk Baxter F1: O Filme, por Stephen Mirrione Marty Supreme, por Ronald Bronstein e Josh Safdie Pecadores, por Michael P. Shawver Uma Batalha Após a Outra, por Andy Jurgensen
MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO Frankenstein, por Tamara Deverell e Shane Vieau Hamnet: A Vida Antes de Hamlet, por Fiona Crombie e Alice Felton Marty Supreme, por Jack Fisk e Adam Willis Pecadores, por Hannah Beachler e Monique Champagne Uma Batalha Após a Outra, por Florencia Martin e Anthony Carlino
MELHOR FIGURINO Frankenstein, por Kate Hawley Hamnet: A Vida Antes de Hamlet, por Malgosia Turzanska Marty Supreme, por Miyako Bellizzi Pecadores, por Ruth E. Carter Wicked: Parte II, por Paul Tazewell
MELHOR MAQUIAGEM E PENTEADO Frankenstein, por Mike Hill, Jordan Samuel, Cliona Furey e Megan Many Hamnet: A Vida Antes de Hamlet, por Nicole Stafford Marty Supreme, por Kyra Panchenko, Kay Georgiou e Mike Fontaine Pecadores, por Ken Diaz, Mike Fontaine, Shunika Terry e Siân Richards Wicked: Parte II, por Frances Hannon, Laura Blount, Mark Coulier e Sarah Nuth
MELHOR TRILHA SONORA ORIGINAL Bugonia, por Jerskin Fendrix Frankenstein, por Alexandre Desplat Hamnet: A Vida Antes de Hamlet, por Max Richter Pecadores, por Ludwig Göransson Uma Batalha Após a Outra, por Jonny Greenwood
MELHOR SOM F1: O Filme, por Gareth John, Al Nelson, Gwendolyn Yates Whittle, Gary A. Rizzo e Juan Peralta Frankenstein, por Greg Chapman, Nathan Robitaille, Nelson Ferreira, Christian Cooke e Brad Zoern Pecadores, por Chris Welcker, Benjamin A. Burtt, Felipe Pacheco, Brandon Proctor e Steve Boeddeker Tempo de Guerra, por Mitch Low, Ben Barker, Howard Bargroff e Richard Spooner Uma Batalha Após a Outra, por José Antonio García, Christopher Scarabosio e Tony Villaflor
MELHORES EFEITOS VISUAIS Avatar: Fogo e Cinzas, por Joe Letteri, Richard Baneham, Eric Saindon e Daniel Barrett Como Treinar o Seu Dragão, por Christian Mänz, Francois Lambert, Glen McIntosh e Terry Palmer F1: O Filme, por Ryan Tudhope, Nicolas Chevallier, Robert Harrington e Keith Dawson Frankenstein, por Dennis Berardi, Ayo Burgess, Ivan Busquets e José Granell O Ônibus Perdido, por Charlie Noble, David Zaretti e Brandon K. McLaughlin
MELHOR CURTA-METRAGEM BRITÂNICO Magid/Zafar, de Luís Hindman Nostalgie, de Kathryn Ferguson Terence, de Edem Kelman This Is Endometriosis, de Matt Houghton e George Wileman Welcome Home Freckles, de Huiju Park
MELHOR CURTA-METRAGEM BRITÂNICO | ANIMAÇÃO Cardboard, de Jean-Philippe Vine Solstice, de Yuwei Zhang Two Black Boys in Paradise, de Baz Sells
MELHOR FILME INFANTIL E FAMILIAR Arco Boong Lilo & Stitch Zootopia 2
MELHOR CONTRIBUIÇÃO BRITÂNICA PARA O CINEMA Clare Binns
Tânia Maria: Prêmio Especial do Júri por O Agente Secreto
A Associação Paulista de Críticos de Artes anunciou os vencedores do Prêmio APCA 2025, que conta com os melhores do ano nas seguintes categorias: Arquitetura, Artes Visuais, Cinema, Dança, Literatura, Música Popular, Música Erudita, Rádio, Teatro, Teatro Infantojuvenil e Televisão.
Na categoria Cinema, os jornalistas e críticos André Rossi, Cecilia Barroso, Chico Fireman, Flavia Guerra, Francisco Carbone, Luiz Carlos Merten, Natália Bocanera, Orlando Margarido e Viviane Pistache escolheram o aclamado longa O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, como o melhor filme do ano que passou. O título, premiado no Festival de Cannes, e que foi consagrado no Globo de Ouro nas categorias de melhor ator em drama para Wagner Moura e melhor filme em língua não inglesa, é um thriller ambientado no Brasil de 1977. Recentemente, o longa recebeuquatro indicações ao Oscar 2026, entre elas, melhor filme.
Além disso, em outras áreas do Prêmio APCA, como Música Popular, Luedji Luna foi escolhida a Artista do Ano e Ney Matogrosso recebeu o Grande Prêmio da Crítica; Rock Doido, de Gaby Amarantos, levou o prêmio de Disco do Ano. Já em Televisão, Guerreiros do Sol, do Globoplay e criada por George Moura e Sergio Goldenberg, foi eleita a melhor novela e também rendeu o prêmio de melhor ator para Irandhir Santos; Suely Franco foi premiada pela novela Dona de Mim, da TV Globo, e Máscaras de Oxigênio Não Cairão Automaticamente foi escolhida como a melhor série. Além disso, Lima Duarte recebeu o Troféu Especial 75 Anos da TV Brasileira. No Teatro, Marcelo Médici se destacou com Dona Lola e Paula Cohen por Finlândia.
Em comunicado oficial, Celso Curi, presidente da APCA, disse: “A APCA celebra 70 anos de atuação ininterrupta na defesa, reflexão e valorização das artes no Brasil. Sete décadas marcadas pela independência crítica, pelo reconhecimento da excelência artística e pelo diálogo permanente com a cena cultural. Uma história que reafirma o papel da crítica como memória, pensamento e impulso para o futuro da arte brasileira”.
Em Assembleia Geral realizada no Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo, os associados se reuniram e definiram os vencedores nesta segunda-feira, 26/01. A cerimônia de entrega dos troféus da 70ª edição aos artistas contemplados acontecerá em maio, no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo, em uma parceria viabilizada pela Associação Paulista Amigos da Arte e Secretaria de Estado da Cultura.
Conheça os vencedores do Prêmio APCA 2025 nas categorias de Cinema:
MELHOR FILME | FICÇÃO O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho
MELHOR DOCUMENTÁRIO A Queda do Céu, de Eryk Rocha e Gabriela Carneiro da Cunha
MELHOR DIREÇÃO Erico Rassi, por Oeste Outra Vez
MELHOR ROTEIRO A Natureza das Coisas Invisíveis, escrito por Rafaela Camelo
MELHOR ATRIZ Shirley Cruz, por A Melhor Mãe do Mundo
MELHOR ATOR Wagner Moura, por O Agente Secreto
PRÊMIO ESPECIAL DO JÚRI Tânia Maria, por O Agente Secreto
Leticia Sabatella na Mostra de Cinema de Tiradentes 2026
Com mais de 130 filmes na programação, entre curtas e longas-metragens, a 29ª edição da Mostra de Cinema de Tiradentes segue como uma das principais plataformas de lançamento, reflexão e difusão do cinema brasileiro contemporâneo.
A Mostra Praça, com exibições ao ar livre, convida o público a um passeio vibrante pelos gêneros da ficção brasileira, celebrando o cinema como experiência coletiva no espaço público e aproximando espectadores, artistas e realizadores de obras que dialogam com o grande público sem abrir mão da complexidade estética.
No domingo, 25/01, foi exibido o longa Pequenas Criaturas, dirigido por Anne Pinheiro Guimarães, que foi o grande vencedor do Festival do Rio do ano passado. Com Carolina Dieckmmann, Théo Medon, Lorenzo Mello, Leticia Sabatella, Caco Ciocler, Fernando Eiras e Michel Melamed no elenco, o filme se passa em Brasília, no ano de 1986.
Na trama, Helena mal se instalou com a família na capital futurista do Brasil quando o marido parte em viagem de negócios. Abandonada em uma cidade desconhecida, ela questiona suas escolhas se sentindo frustrada e perdida. O filho adolescente se rebela e descobre o primeiro amor; o filho de sete anos encontra magia em amizades improváveis e possibilidades invisíveis. Em uma democracia com menos de um ano de idade, todos vivem em um limbo presos entre o que foi e o que poderia ser.
Para falar mais sobre o filme, marcaram presença em Tiradentes: a produtora Vania Catani, da Bananeira Filmes; a atriz Leticia Sabatella; e os atores Théo Medon e Lorenzo Mello, que participaram de uma coletiva de imprensa no Centro Cultural SESIMINAS Yves Alves.
Os atores Théo Medon e Lorenzo Mello com Leticia Sabatella na coletiva de imprensa
No bate-papo, Leticia falou sobre sua personagem: “Você vai entrando na intimidade e nos sentimentos dos personagens. A minha personagem, por exemplo, entra interrompendo alguns silêncios. É um filme que fala dessa família que está se entrosando”. O ator mirim Lorenzo Mello estava radiante com sua participação: “Não tenho palavras de tão bom que foi! Recomendo para todos porque o filme é ótimo, incrível. Meu personagem é o Dudu e ele adora Planeta dos Macacos”.
Théo Medon, que fez sucesso nas novelas As Aventuras de Poliana e Poliana Moça, do SBT, refletiu sobre seu futuro artístico: “Essa nova geração que tá chegando, que é a minha geração também, está muito interessada em trabalhar, estudar e conhecer as pessoas. As barreiras estão sendo cada vez mais quebradas, né? Então, eu vejo isso de maneira muito positiva. Tem uma coisa que faz esse projeto ser tão especial: a confiança que deram para mim e para o Lorenzo. Eu acho que julgar os jovens como seres menos criativos e menos capazes é muito prejudicial. Até porque nós somos a nova geração, nós que vamos ocupar o lugar do Wagner Moura, né? Daqui uns 40 ou 30 anos, será um de mim. Vai ser um amigo meu. Não vai ser mais só o Wagner”.
E continuou: “Eu me orgulho muito de tudo que eu fiz no SBT, mas acho que a gente tem que dar esse novo passo. Todos da equipe de Pequenas Criaturas e da Bananeira Filmes me ajudaram muito a dar esse novo passo. Meu personagem foi muito desafiador para mim. Ele me colocou no lugar que eu acho que é a coisa mais difícil para fazer, que é interpretar tudo no mínimo”.
A produtora Vania Catani, da Bananeira Filmes, que possui uma trajetória consolidada no audiovisual brasileiro, refletiu sobre o atual momento do nosso cinema e as dificuldades enfrentadas mesmo para quem já possui muita bagagem: “A esperança é quase que um combustível essencial para quem se mete nesse mundo, nessa vida. Esses altos e baixos são desgastantes porque você não sabe como é que vai ser o seu dia seguinte. Você não sabe como vai ser o seu ano seguinte. Você não sabe o que vai conseguir, entendeu? Uma hora você está com vinte funcionários na sua produtora, outra hora você está com quatro”.
A produtora Vania Catani na coletiva de imprensa
Além disso, Catani, que faz parte da Academia e é votante do Oscar desde 2018, também comentou o sucesso internacional do cinema brasileiro: “É um ano de filmes muito bons, né? Chegar onde o O Agente Secreto chegou é uma maratona. Os concorrentes são muito fortes”.
Leticia Sabatella também refletiu sobre sua carreira e escolhas: “Para uma mulher com 54 anos, você tem que escrever as personagens que você vai fazer. Você começa a ter que construir mais a sua narrativa e não esperar que te convidem o tempo todo. Então, eu não quero esperar muito para ser chamada. Eu quero construir minhas personagens. O mercado não é bonzinho e a gente não pode se iludir. Ele é feroz e exige que você esteja se reinventando. É uma forma também de você sair de zonas de conforto, descobrir novas potencialidades e encontrar novas manifestações de trabalho”.
Depois da conversa com a imprensa, Sabatella falou com exclusividade com o CINEVITOR (clique aqui e assista): “Tiradentes é um lugar incrível e esse festival é lindo. Eu acho que o filme vai tocar o público em muitas sensibilidades”. E continuou: “Eu fico muito feliz de nós brasileiros não torcermos só para Fórmula 1 e para o futebol e torcermos para o cinema. Isso é torcida, né? A gente tá vendo torcida. Isso é muito legal também. Eu nunca dei muita importância para prêmios. Eu dou importância para festivais, para mostras, para encontros e para trocas. Mas eu acho que prêmios nunca conseguem abarcar todos. Eles são restritos, não que sejam injustos, mas são restritos”.
A atriz e ativista também comentou o sucesso de O Agente Secreto, que recebeuquatro indicações ao Oscar 2026: “Estou muito esperançosa com essa conquista. Eu fico extremamente feliz pelas pessoas que estão conquistando porque eu gosto da trajetória delas. Isso mostra que a gente é capaz de fazer a ponto de ser bem recebido e fazer muito bonito mediante outras produções”. E finalizou: “Não acho que a gente precise da validação do Oscar ou do Globo de Ouro para saber que a gente faz coisa boa”.
*O CINEVITOR está em Tiradentes e você acompanha a cobertura do festival por aqui, pelo canal do YouTube e pelas redes sociais: Twitter, Facebook e Instagram.