
A noite de terça-feira, 19/08, começou com fortes emoções na 53ª edição do Festival de Cinema de Gramado com a entrega do Troféu Oscarito para a consagrada atriz e diretora paraibana Marcélia Cartaxo.
Nascida em Cajazeiras, no Sertão da Paraíba, Marcélia é um dos grandes nomes da atuação no Brasil. Já interpretou os mais diversos tipos em cena: de freira a prostituta, de mãe a avó, ela imprime o sonho, a força, a luta e a realidade da mulher brasileira em suas atuações. Com participações no teatro e na televisão, foi no cinema que construiu uma carreira sólida e com personagens que entraram para a história do audiovisual brasileiro.
Com mais de 40 anos de destaque no cinema brasileiro, sua estreia nas telonas aconteceu em 1985, em A Hora da Estrela, quando interpretou uma das personagens mais emblemáticas da literatura brasileira: Macabéa, do livro homônimo de Clarice Lispector. Ao dar vida a ingênua datilógrafa, que se muda do Nordeste para São Paulo, no filme de Suzana Amaral, Marcélia ganhou o mundo e recebeu, entre outros prêmios, o Urso de Prata de melhor atriz no Festival de Berlim.
Ovacionada pelo público presente no Palácio dos Festivais, em Gramado, Marcélia subiu ao palco e recebeu o Troféu Oscarito das mãos da atriz Isabel Fillardis: “Te entrego esse troféu com muita honra e com muita admiração. A grandeza da sua arte é algo que realmente vai perpetuar e vai nos inspirar. Não só a mim, mas a todas essas crianças que estão vindo por aí. Eu te entrego para que te dê mais energia, criatividade e inspiração para nos encantar”, disse Fillardis.
Entre muitos aplausos, Marcélia Cartaxo emocionou com seu discurso: “É com muita alegria que recebo o Oscarito em minha vida. Esperei um tempão, depois de receber o convite, para encontrar essa maravilha que está aqui na minha frente. É uma felicidade enorme ter galgado esses 40 anos de carreira com muita resistência e atravessando todas as adversidades dentro da minha família, dentro do meu trabalho, na convivência com muitos muitos artistas e muitas pessoas. Mas também encontrei coisas que superassem tudo isso: que foi exatamente a alegria de viver esses personagens com muita intensidade, com muito amor e com muita sinceridade”.
No palco, Cartaxo também relembrou o início de sua carreira: “Eu comecei no teatro muito cedo, com 12 anos de idade, e tive a oportunidade de estar com uma peça em São Paulo onde encontrei a cineasta Suzana Amaral realizando seu primeiro longa-metragem. Eu quero compartilhar esse prêmio com a minha grande diretora Suzana Amaral porque foi ela que botou nesse universo, foi ela que acreditou em mim enquanto muitas pessoas não acreditavam. Foi ela que me levou para o audiovisual, para o cinema brasileiro”.
Marcélia Cartaxo e Isabel Fillardis no palco
E continuou seu discurso de homenageada: “Eu não fiz esse trajeto todo sozinha. Eu tive muitos mestres. Participei de muitos filmes, de muitos curtas, de muitos médias. E toda essa experiência acrescentou demais na minha vida. E eu tive que fazer escolhas: ou estudava e ficava na minha cidade ou eu abraçava A Hora da Estrela e iria para o mundo. Foi tudo muito lindo, muito incrível toda essa trajetória. Eu quero agradecer a todos os diretores que me formaram enquanto atriz. Quero agradecer a esse público maravilhoso, que respeita a minha arte, que gosta e que se emociona”.
Marcélia também relembrou momentos emocionantes no Festival de Gramado quando foi ovacionada ao exibir Pacarrete, de Allan Deberton, e acabou sendo premiada com o kikito de melhor atriz, em 2019; cena que se repetiu em 2022 com o longa A Mãe, de Cristiano Burlan: “Foi aqui no Festival de Gramado que eu tive as minhas mais maiores alegrias. Ser aplaudida em cena aberta e ser aplaudida lá fora pelo reconhecimento da minha arte. É muita gratidão! Eu estou muito feliz e muito realizada”.
Ainda no palco, Cartaxo aproveitou o momento para fazer agradecimentos especiais: “Eu quero agradecer profundamente a Bertrand Lira, que acompanhou a minha vida inteira e que está aqui sentado na plateia. Quero agradecer também a Vitor Búrigo, do CINEVITOR, que faz uma assessoria para mim e que me leva para o mundo. Depois de Pacarrete, esse rapaz foi muito importante na minha vida. Agradeço também aos curadores Caio Blat, Camila Morgado e Marcos Santuario”.
E finalizou: “Estar aqui segurando esse Oscarito é muito importante na minha vida e na minha carreira. Muito obrigada, Festival de Gramado! Eu amo esse lugar, amo essa plateia e amo estar aqui. Viva meus diretores queridos que me prepararam a vida inteira para eu estar aqui. Que eu tenha mais quarenta anos para viver muitos outros personagens. Esperei por esse momento e ele chegou: estou aqui abraçada com meu Oscarito. Muito obrigada!”. Clique aqui e assista aos melhores momentos do discurso.
Ainda em Gramado, antes da homenagem, no período da tarde, Marcélia Cartaxo participou de uma coletiva de imprensa, que foi mediada por Flavia Guerra e Vitor Búrigo, na Sociedade Recreio Gramadense, na qual se emocionou ao relembrar sua trajetória e também revelou novos projetos, como o longa Sobre Dora e Dores. Já no tapete vermelho, a atriz e diretora deixou sua marca na Calçada da Fama do festival.
Depois da homenagem no Palácio dos Festivais, o 53º Festival de Cinema de Gramado seguiu com sua programação de filmes e exibiu, em competição, o longa A Natureza das Coisas Invisíveis, de Rafaela Camelo. Na sequência, foram exibidos os curtas-metragens: Aconteceu a Luz da Lua, de Crystom Afronário; FrutaFizz, de Kauan Okuma Bueno; Samba Infinito, de Leonardo Martinelli; O Mapa em que Estão Meus Pés, de Luciano Pedro Jr.; Na Volta Eu Te Encontro, de Urânia Munzanzu; e Réquiem para Moïse, de Caio Barretto Briso e Susanna Lira.
*O CINEVITOR está em Gramado e você acompanha a cobertura do evento por aqui, pelo canal do YouTube e pelas redes sociais: Twitter, Facebook e Instagram.
Fotos: Edison Vara/Agência Pressphoto.

Equipe do longa A Natureza das Coisas Invisíveis no tapete vermelho 


Mariza Leão: trajetória consagrada no audiovisual brasileiro 



Rodrigo Santoro: homenagem 

