Camila Morgado: atriz é homenageada no Festival de Cinema de Vitória 2026

por: Cinevitor
Camila Morgado: Homenageada Nacional do Festival de Vitória

A noite de segunda-feira, 20/07, da 33ª edição do Festival de Cinema de Vitória, o maior evento de cinema e audiovisual do Espírito Santo, foi marcada por muita emoção. A cerimônia, apresentada pelos atores Fabrício Boliveira e Silvero Pereira, começou com uma homenagem à consagrada atriz Camila Morgado

Como parte da honraria, a artista recebeu o Troféu Vitória, o Caderno da Homenageada, publicação biográfica inédita que trata da sua vida e trajetória profissional, e uma joia exclusiva criada pela designer Carla Buaiz. Ovacionada pelo público, Camila subiu ao palco e foi recebida pela amiga e colega de trabalho Vera Holtz e por Lucia Caus, diretora do festival. 

Sob aplausos, divertiu a plateia ao começar seu discurso brincando com uma frase emblemática de sua personagem no filme Olga: “Eu estou grávida de Luís Carlos Prestes e quero ter meu filho aqui no Festival de Vitória”

Nascida em Petrópolis, Rio de Janeiro, a estreia de Camila Morgado em longas-metragens ocorreu em Olga, lançado em 2004, drama biográfico dirigido por Jayme Monjardim e baseado no livro de Fernando Morais. O papel foi um dos principais marcos na carreira da atriz e o filme alcançou mais de três milhões de espectadores nos cinemas e conta a história da judia alemã Olga Benário Prestes, desde seu exílio e treinamento militar em Moscou até sua prisão e deportação para a Alemanha nazista.

A carreira de Camila nas telonas soma mais de dez produções, como o documentário Vinicius, de Miguel Faria Jr., em que ela conduz a narrativa da obra declamando poemas e histórias sobre o poeta carioca em parceria com o ator Ricardo Blat. Entre os blockbusters, integrou o elenco dos recordes de bilheteria nacional em 2013 e 2015, Até que a Sorte nos Separe 2 e 3, de Roberto Santucci, com Leandro Hassum. No circuito de festivais e cinema de gênero, protagonizou o thriller O Animal Cordial, de Gabriela Amaral Almeida, e o drama Vergel, coprodução internacional dirigida por Kris Niklison. Também atuou nas comédias Bem Casados, de Aluizio Abranches, com Alexandre Borges; e Divórcio, de Pedro Amorim, ao lado de Murilo Benício. Ainda em 2026, a atriz se prepara para o lançamento de dois longas inéditos: Sedução, de Zelito Viana e Marcos Palmeira; e Nova Éden, de Aly Muritiba.

Vera Holtz e Camila Morgado no palco

No palco, Morgado, emocionada, seguiu seu discurso falando da amiga Vera Holtz: “Essa mulher é incrível. Essa mulher tem um comprometimento com a carreira, com o ofício. Quando eu comecei a ser atriz, ela era minha referência. A gente já pensava na Vera porque a Vera é uma atriz gigante, ela é única, ela é engraçada à beça, ela é leonina e ela tem um poder que é muito especial. Por onde ela passa, ela encanta as pessoas. Ela encanta todo mundo, ela encanta as produções, ela encanta os elencos. Ela é muito especial. Receber esse prêmio da sua mão é muito bom. Nunca imaginei isso!”.

E seguiu com os agradecimentos: “Lucia Caus, obrigada por esse festival tão lindo que você realiza. Larissa [Caus Delbone, diretora executiva do Festival de Cinema de Vitória] e Lucia, vocês são maravilhosas. Larissa, hoje é o dia do seu aniversário, parabéns. E Paulo [Gois Bastos] e Leo [Leonardo Vais], que me deram de presente esse livro lindo, esse livro biográfico. Ficamos alguns dias conversando e foram várias entrevistas. Eu comecei com 17 anos, hoje tenho 51. Nem me dei conta que já passou tanto tempo e com esse livro eu pude revisitar a minha trajetória de vida e de trabalho”

A Homenageada Nacional do 33º Festival de Cinema de Vitória relembrou, no palco do Sesc Glória, sua trajetória: “O meu trabalho é muito forte, tudo está relacionado com meu trabalho. Eu sou uma mulher do trabalho. Eu amo o que eu faço, eu amo ser atriz. Eu queria muito agradecer aos personagens que eu tive a oportunidade de fazer porque os personagens que a gente encontra na vida são encontros. Eu não sei muito bem se a gente escolhe o personagem ou o personagem escolhe a gente. É uma via de mão dupla. A gente se apaixona e quando vê, o personagem nos leva e não temos mais controle”.

E continuou: “Eu sou muito grata por esses personagens que eu fui chamada para dar corpo. Esse meu corpo pleno, que eu me joguei. Foram mulheres incríveis porque elas me ensinaram muito, me formaram e me tornaram uma mulher melhor. Elas me mostraram que o artista tem uma função social; que a arte é uma função social, sim, e que a gente pode mudar muita coisa. Eu acho que nesse mundo tão estranho que a gente tá atravessando, temos que ter a arte como antídoto contra a desumanização. Para mim, é uma grande alegria receber esse prêmio nesse festival que enaltece o cinema nacional e o cinema capixaba. Muito obrigada, Festival de Vitória!”

Nas plataformas de streaming, Camila Morgado teve destaque como Janete, mulher que enfrenta um relacionamento abusivo na primeira temporada de Bom Dia, Verônica, original Netflix; a interpretação lhe rendeu o Prêmio APCA de melhor atriz de televisão. Na sequência, protagonizou Sentença, série do Prime Video. Na produção, interpretou Heloísa, uma advogada criminalista responsável pela defesa de uma acusada em um crime que chocou o país.

Camila Morgado na coletiva de imprensa 

No teatro, Camila estreou nos palcos no final da década de 1990 com o espetáculo Graal, em 1997, dirigido por Gerald Thomas, e que marcou sua formatura na CAL, Casa das Artes de Laranjeiras. Depois, a atriz integrou a Cia de Ópera Seca, coordenada pelo diretor, até 2001, quando esteve em projetos como Nowhere Man e Ventriloquist. Dois anos depois, estreou na minissérie A Casa das Sete Mulheres, em 2003, um sucesso da Rede Globo que se tornou um dos clássicos contemporâneos da televisão brasileira. Na obra dirigida por Jayme Monjardim, interpretou Manuela, uma mulher que destaca a importância do papel feminino durante a Guerra dos Farrapos.

Ainda em seu discurso, enalteceu a diversidade do cinema brasileiro: “Eu tô filmando em Belo Horizonte. Estou fazendo um filme lá e hoje é meu dia de folga. Tô aqui recebendo uma homenagem no Festival de Cinema de Vitória. Depois vou para o Amapá filmar lá. E o último filme que eu fiz foi em Curitiba. Como é lindo ver que o cinema está se nacionalizando de verdade e estamos ocupando todos os lugares do nosso país. Viva o cinema nacional, viva o cinema capixaba e vida longa para esse festival que é tão acolhedor e tão lindo”, finalizou.

Na televisão, Camila esteve na novela América (2004), de Glória Perez, como a vilã May. Divertiu o público como Noêmia, uma das três mulheres de Cadinho, papel de Alexandre Borges, em Avenida Brasil (2012), de João Emanuel Carneiro, ao lado de Carolina Ferraz e Débora Bloch. A atriz voltou a repetir a parceria com a autora Maria Adelaide Amaral nas séries Um Só Coração (2005), em que interpretou Cacilda Becker; e JK (2006), como Ana Rosemberg, além da novela A Lei do Amor (2016). Também foi a empresária Mara Moreira em O Canto da Sereia (2013), microssérie baseada no livro homônimo de Nelson Motta; Maria Angélica no remake de O Rebu (2014); e a professora Gabriela em Malhação: Vidas Brasileiras (2018), na 26ª temporada da novela adolescente. Seus trabalhos mais recentes em telenovelas foram em dois remakes de Benedito Ruy Barbosa: Pantanal (2022), como Irma; e Renascer (2024), como Dona Patroa.

Nos palcos, foi dirigida por Marília Pêra na comédia Doce Deleite (2008), em que dividiu cena com Reynaldo Gianecchini. Ao lado de Vera Holtz e Antonio Petrin, esteve em Palácio do Fim (2012), dirigida por José Wilker, que abordava em textos intensos fatos ocorridos na Guerra do Iraque. Após um hiato de mais de dez anos, Camila voltou ao teatro em A Falecida (2023), texto de Nelson Rodrigues. A produção, dirigida por Sérgio Modena, foi a realização de um sonho da atriz que sempre desejou interpretar um dos maiores autores brasileiros de todos os tempos.

Depois do discurso da homenageada, Vera Holtz falou sobre a amiga: “Eu fico muito feliz de estar aqui com a Camila. Nos conhecemos numa peça do Zé Wilker, que é o nosso padrinho. Fizemos Palácio do Fim, uma obra densa e dramática sobre a guerra do Iraque. Foi o nosso início. Depois tivemos a oportunidade de fazer duas obras de audiovisual na TV Globo. Fizemos O Rebu e ficamos praticamente uns seis meses na Argentina, em Buenos Aires. Vocês já imaginam o que era um elenco inteiro e uma equipe inteira durante meses em Buenos Aires, né? Fotos comprometedoras. E depois fizemos a novela A Lei do Amor; éramos mãe e filha e eu era amante do marido dela. Em O Rebu nós duas éramos pegadoras!”

Coletiva de imprensa da homenageada

Vale destacar que na parte da tarde, pouco antes de subir ao palco para receber a homenagem, Camila Morgado participou de uma coletiva de imprensa, no Hotel Senac Ilha do Boi, que foi mediada por Vitor Búrigo, aqui do CINEVITOR, e do lançamento do Caderno da Homenageada Nacional, publicação impressa assinada pelos jornalistas Leonardo Vais e Paulo Gois Bastos, que traz um extensa reportagem sobre a trajetória artística da homenageada

Em entrevista exclusiva ao CINEVITOR (assista aqui), Camila falou sobre a emoção de receber a homenagem: “Eu tô um pouco nervosa porque não é todo dia que a gente recebe uma homenagem. Mas estou muito feliz e muito grata por ser homenageada pelo meu trabalho e poder revisitar o meu trabalho. Porque essa homenagem aqui no Festival de Vitória vem também com um presente que é um livro biográfico. Eu tô em estado de êxtase porque a gente não se dá conta, né? Hoje mesmo me falaram que eu estava com mais de 20 anos no cinema e quase 30 de carreira… nem eu sabia disso! Tô me dando conta agora do quanto é lindo esse momento, sabe? Poder revisitar minha trajetória de trabalho, poder estar aqui recebendo essa homenagem. Eu saí de Petrópolis e não imaginava que agora isso tudo estaria acontecendo. Que lindo, que bom! Eu tô muito feliz, nervosa e estou grávida de Luís Carlos Prestes e quero ter meu filho aqui em Vitória”

Depois da homenagem, a programação do Festival de Cinema de Vitória 2026 seguiu com a exibição dos filmes da Mostra Competitiva Nacional de Curtas. Foram exibidos: O que faço com isso agora que acabou?, de Julia Uliana e Natália Dornelas; Pequeno London, de Victor Di Marco e Márcio Picoli; e A Pele do Ouro, de Marcela Ulhoa e Yare Perdomo. Além disso, o documentário capixaba A Caminhada Sagrada de Tatatxi Ywareté, de Wera Djekupe, foi exibido na sequência na Mostra Competitiva Nacional de Longas

Com exibições gratuitas dos 87 filmes selecionados, sendo 80 curtas e sete longas-metragens, que apresentam um recorte da produção audiovisual brasileira contemporânea, o 33º Festival de Cinema de Vitória segue até sábado, 25/07, na capital capixaba. 

*O CINEVITOR está em Vitória e você acompanha a cobertura do evento por aqui, pelo canal do YouTube e pelas redes sociais: Twitter, Facebook e Instagram.

Fotos: Sérgio Cardoso/Vikki Dessaune/Melina Furlan. 

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