
A AMPAS, Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, divulgou, nesta terça-feira, 16/12, uma lista com os pré-selecionados para o Oscar 2026 em doze categorias, entre elas, melhor filme internacional, antes conhecida como melhor filme estrangeiro.
Neste ano, o Brasil, que venceu com Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, na última edição, segue na disputa pela estatueta dourada com O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, que se destaca entre os 15 semifinalistas. Para esta 98ª edição, 86 países foram classificados.
Vencedor dos prêmios de melhor direção e melhor ator para Wagner Moura no Festival de Cannes deste ano, o filme é um thriller ambientado no Brasil de 1977. Na trama, Marcelo, interpretado por Moura, é um especialista em tecnologia que foge de um passado misterioso e volta ao Recife, Pernambuco, em busca de paz. Ele logo percebe que a cidade está longe de ser o refúgio que procura. Estrelado por Tânia Maria, Gabriel Leone, Maria Fernanda Cândido, Udo Kier, Hermila Guedes, Thomás Aquino, Alice Carvalho e grande elenco, é uma coprodução entre Brasil (CinemaScópio Produções), França (MK Productions), Holanda (Lemming) e Alemanha (One Two Films) com distribuição no Brasil pela Vitrine Filmes.
O elenco completa-se com Isabél Zuaa, Edilson Silva, Suzy Lopes, Buda Lira, Carlos Francisco, Wilson Rabelo, Roney Villela, Rubens Santos, Albert Tenório, Ítalo Martins, Joalisson Cunha, Aline Marta, Enzo Nunes, Erivaldo Oliveira, Fabiana Pirro, Fafá Dantas, Geane Albuquerque, Gregorio Graziosi, Igor de Araújo, Isadora Ruppert, João Vitor Silva, Kaiony Venancio, Laura Lufési, Licínio Januário, Luciano Chirolli, Marcelo Valle, Márcio de Paula, Nivaldo Nascimento, Robério Diógenes e Robson Andrade. Produzido por Emilie Lesclaux, o filme já alcançou mais de um milhão de espectadores nos cinemas.
Além disso, uma nova categoria será entregue pela primeira vez: melhor elenco (best casting) para filmes lançados em 2025, que consagrará os diretores de elenco. Na shortlist revelada pela Academia, o brasileiro Gabriel Domingues está na disputa por uma vaga por seu trabalho em O Agente Secreto.
Na categoria de melhor documentário, outro título brasileiro ganha destaque: Apocalipse nos Trópicos, de Petra Costa, que já disputou a estatueta dourada com Democracia em Vertigem, em 2020. O filme, que investiga a crescente influência exercida por líderes religiosos na política no Brasil, entrelaça passado e presente, mergulhando nas contradições de uma jovem democracia, e, ao fazê-lo, oferece um reflexo para o resto do mundo.
Presidente Lula no documentário brasileiro Apocalipse nos Trópicos
O longa, premiado recentemente no IDA Documentary Awards e disponível na Netflix, oferece um acesso inédito aos bastidores do poder, acompanhando figuras centrais da política brasileira, como o presidente Lula, o ex-presidente Bolsonaro e o televangelista Silas Malafaia, que exerce enorme influência no cenário. Ao expor o papel crucial do movimento evangélico na recente turbulência política do Brasil, Petra também revela a ideologia apocalíptica que motiva esses líderes. O documentário captura ainda as consequências dessa guerra ideológica, deixando claro que o fundamentalismo religioso não será facilmente suprimido, e ignorá-lo pode ter consequências ainda mais drásticas.
E mais: o curta-metragem brasileiro Amarela, de André Hayato Saito, que disputou a Palma de Ouro no Festival de Cannes do ano passado, está na disputa pela estatueta dourada na categoria de melhor curta-metragem de ficção; o brasileiro Adolpho Veloso também se destaca pela fotografia de Sonhos de Trem, da Netflix. O longa documental Yanuni, de Richard Ladkani, uma coprodução entre Alemanha, Brasil, Canadá, Estados Unidos e Austrália, também segue na corrida por uma vaga; o filme é um retrato de Juma Xipaia, liderança indígena da Amazônia brasileira, que sai de uma aldeia distante para a linha de frente da luta pela justiça climática.
Em novembro deste ano, a Academia promoveu o Governors Awards, cerimônia que entrega o Oscar honorário para personalidades lendárias cujas carreiras extraordinárias e compromisso com a comunidade cinematográfica continuam a deixar um legado duradouro. Os homenageados foram: Debbie Allen, Tom Cruise e Wynn Thomas; Dolly Parton recebeu o Jean Hersholt Humanitarian Award.
Como de costume, todos os anos, a Academia convida novos membros para participarem de suas atividades, entre elas, votar no Oscar. Neste ano, 534 nomes (que serão divididos entre 19 setores) receberam o convite, entre eles, nove brasileiros: Fernanda Torres, que foi indicada ao Oscar de melhor atriz por Ainda Estou Aqui; Adrian Teijido, diretor de fotografia; Claudia Kopke, figurinista; Maria Carlota Bruno, produtora; Murilo Hauser, roteirista; Heitor Lorega, roteirista; Daniela Thomas, diretora; Gabriel Mascaro, diretor; Daniel Filho, diretor; e Eliza Capai, documentarista.
Os finalistas serão revelados no dia 22 de janeiro de 2026 e a cerimônia acontecerá no dia 15 de março de 2026, no Dolby Theatre, em Hollywood.
Confira os semifinalistas ao Oscar 2026:
FILME INTERNACIONAL
ALEMANHA: O Som da Queda (In Die Sonne Schauen), de Mascha Schilinski
ARGENTINA: Belén, de Dolores Fonzi
BRASIL: O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho
COREIA DO SUL: No Other Choice (Eojjeol Suga Eopda), de Park Chan‑wook
ESPANHA: Sirât, de Oliver Laxe
FRANÇA: Foi Apenas um Acidente, de Jafar Panahi
ÍNDIA: Homebound, de Neeraj Ghaywan
IRAQUE: The President’s Cake (Mamlaket al-qasab), de Hasan Hadi
JAPÃO: Kokuho: O Mestre Kabuki (Kokuhô), de Sang-il Lee
JORDÂNIA: Allly baqi mink (All That’s Left of You), de Cherien Dabis
NORUEGA: Valor Sentimental, de Joachim Trier
PALESTINA: Palestina 36 (Filastin 36), de Annemarie Jacir
SUÍÇA: Heldin (Late Shift), de Petra Biondina Volpe
TAIWAN: A Garota Canhota, de Shih-Ching Tsou
TUNÍSIA: A Voz de Hind Rajab, de Kaouther Ben Hania
DOCUMENTÁRIO | LONGA-METRAGEM
2000 Meters to Andriivka, de Mstyslav Chernov
A Vizinha Perfeita, de Geeta Gandbhir
Alabama: Presos do Sistema, de Andrew Jarecki e Charlotte Kaufman
Apocalipse nos Trópicos, de Petra Costa
Coexistence, My Ass!, de Amber Fares
Cover-Up, de Mark Obenhaus e Laura Poitras
Cutting through Rocks, de Mohammadreza Eyni e Sara Khaki
Embaixo da Luz de Neon, de Ryan White
Folktales, de Heidi Ewing e Rachel Grady
Holding Liat, de Brandon Kramer
Mistress Dispeller, de Elizabeth Lo
Mr. Nobody Against Putin, de David Borenstein e Pavel Talankin
My Undesirable Friends: Part I – Last Air in Moscow, de Julia Loktev
Seeds, de Brittany Shyne
Yanuni, de Richard Ladkani
DIREÇÃO DE ELENCO
A Hora do Mal, por Allison Jones
Frankenstein, por Robin D. Cook
Hamnet: A Vida Antes de Hamlet, por Nina Gold
Marty Supreme, por Jennifer Venditti
O Agente Secreto, por Gabriel Domingues
Pecadores, por Francine Maisler
Sirât, por Nadia Acimi, Luís Bértolo e María Rodrigo
Uma Batalha Após a Outra, por Cassandra Kulukundis
Valor Sentimental, por Yngvill Kolset Haga e Avy Kaufman
Wicked: Parte II, por Tiffany Little Canfield e Bernard Telsey
FOTOGRAFIA
Balada de um Jogador, por James Friend
Bugonia, por Robbie Ryan
F1: O Filme, por Claudio Miranda
Frankenstein, por Dan Laustsen
Hamnet: A Vida Antes de Hamlet, por Łukasz Żal
Marty Supreme, por Darius Khondji
Morra, Amor, por Seamus McGarvey
Nouvelle Vague, por David Chambille
O Som da Queda, por Fabian Gamper
Pecadores, por Autumn Durald Arkapaw
Sirât, por Mauro Herce
Song Sung Blue: Um Sonho a Dois, por Amy Vincent
Sonhos de Trem, por Adolpho Veloso
Uma Batalha Após a Outra, por Michael Bauman
Valor Sentimental, por Kasper Tuxen
Wicked: Parte II, por Alice Brooks
*Clique aqui e confira as listas completas com os pré-selecionados nas categorias: melhor maquiagem e penteado, melhor trilha sonora, melhor canção original, melhor som, melhores efeitos visuais, melhor curta de animação, melhor curta documental e melhor curta de ficção
Foto: Cinemascópio/Divulgação.


Rejane Faria: protagonista de Yellow Cake
Martha Nowill em Privadas de Suas Vidas, de Gustavo Vinagre e Gurcius Gewdner



Direção: Eva Victor



