Todos os posts de Cinevitor

Prêmio APCA 2025: conheça os vencedores

por: Cinevitor
Tânia Maria: Prêmio Especial do Júri por O Agente Secreto

A Associação Paulista de Críticos de Artes anunciou os vencedores do Prêmio APCA 2025, que conta com os melhores do ano nas seguintes categorias: Arquitetura, Artes Visuais, Cinema, Dança, Literatura, Música Popular, Música Erudita, Rádio, Teatro, Teatro Infantojuvenil e Televisão.

Na categoria Cinema, os jornalistas e críticos André Rossi, Cecilia Barroso, Chico Fireman, Flavia Guerra, Francisco Carbone, Luiz Carlos Merten, Natália Bocanera, Orlando Margarido e Viviane Pistache escolheram o aclamado longa O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, como o melhor filme do ano que passou. O título, premiado no Festival de Cannes, e que foi consagrado no Globo de Ouro nas categorias de melhor ator em drama para Wagner Moura e melhor filme em língua não inglesa, é um thriller ambientado no Brasil de 1977. Recentemente, o longa recebeu quatro indicações ao Oscar 2026, entre elas, melhor filme. 

Além disso, em outras áreas do Prêmio APCA, como Música Popular, Luedji Luna foi escolhida a Artista do Ano e Ney Matogrosso recebeu o Grande Prêmio da Crítica; Rock Doido, de Gaby Amarantos, levou o prêmio de Disco do Ano. Já em Televisão, Guerreiros do Sol, do Globoplay e criada por George Moura e Sergio Goldenberg, foi eleita a melhor novela e também rendeu o prêmio de melhor ator para Irandhir Santos; Suely Franco foi premiada pela novela Dona de Mim, da TV Globo, e Máscaras de Oxigênio Não Cairão Automaticamente foi escolhida como a melhor série. Além disso, Lima Duarte recebeu o Troféu Especial 75 Anos da TV Brasileira. No Teatro, Marcelo Médici se destacou com Dona Lola e Paula Cohen por Finlândia

Em comunicado oficial, Celso Curi, presidente da APCA, disse: “A APCA celebra 70 anos de atuação ininterrupta na defesa, reflexão e valorização das artes no Brasil. Sete décadas marcadas pela independência crítica, pelo reconhecimento da excelência artística e pelo diálogo permanente com a cena cultural. Uma história que reafirma o papel da crítica como memória, pensamento e impulso para o futuro da arte brasileira”

Em Assembleia Geral realizada no Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo, os associados se reuniram e definiram os vencedores nesta segunda-feira, 26/01. A cerimônia de entrega dos troféus da 70ª edição aos artistas contemplados acontecerá em maio, no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo, em uma parceria viabilizada pela Associação Paulista Amigos da Arte e Secretaria de Estado da Cultura.

Conheça os vencedores do Prêmio APCA 2025 nas categorias de Cinema:

MELHOR FILME | FICÇÃO
O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho

MELHOR DOCUMENTÁRIO
A Queda do Céu, de Eryk Rocha e Gabriela Carneiro da Cunha

MELHOR DIREÇÃO
Erico Rassi, por Oeste Outra Vez

MELHOR ROTEIRO
A Natureza das Coisas Invisíveis, escrito por Rafaela Camelo

MELHOR ATRIZ
Shirley Cruz, por A Melhor Mãe do Mundo

MELHOR ATOR
Wagner Moura, por O Agente Secreto

PRÊMIO ESPECIAL DO JÚRI
Tânia Maria, por O Agente Secreto

Foto: Victor Jucá. 

Leticia Sabatella e Vania Catani apresentam Pequenas Criaturas na 29ª Mostra de Cinema de Tiradentes

por: Cinevitor
Leticia Sabatella na Mostra de Cinema de Tiradentes 2026

Com mais de 130 filmes na programação, entre curtas e longas-metragens, a 29ª edição da Mostra de Cinema de Tiradentes segue como uma das principais plataformas de lançamento, reflexão e difusão do cinema brasileiro contemporâneo.

A Mostra Praça, com exibições ao ar livre, convida o público a um passeio vibrante pelos gêneros da ficção brasileira, celebrando o cinema como experiência coletiva no espaço público e aproximando espectadores, artistas e realizadores de obras que dialogam com o grande público sem abrir mão da complexidade estética

No domingo, 25/01, foi exibido o longa Pequenas Criaturas, dirigido por Anne Pinheiro Guimarães, que foi o grande vencedor do Festival do Rio do ano passado. Com Carolina Dieckmmann, Théo Medon, Lorenzo Mello, Leticia Sabatella, Caco Ciocler, Fernando Eiras e Michel Melamed no elenco, o filme se passa em Brasília, no ano de 1986.

Na trama, Helena mal se instalou com a família na capital futurista do Brasil quando o marido parte em viagem de negócios. Abandonada em uma cidade desconhecida, ela questiona suas escolhas se sentindo frustrada e perdida. O filho adolescente se rebela e descobre o primeiro amor; o filho de sete anos encontra magia em amizades improváveis e possibilidades invisíveis. Em uma democracia com menos de um ano de idade, todos vivem em um limbo presos entre o que foi e o que poderia ser.

Para falar mais sobre o filme, marcaram presença em Tiradentes: a produtora Vania Catani, da Bananeira Filmes; a atriz Leticia Sabatella; e os atores Théo Medon e Lorenzo Mello, que participaram de uma coletiva de imprensa no Centro Cultural SESIMINAS Yves Alves

Os atores Théo Medon e Lorenzo Mello com Leticia Sabatella na coletiva de imprensa

No bate-papo, Leticia falou sobre sua personagem: “Você vai entrando na intimidade e nos sentimentos dos personagens. A minha personagem, por exemplo, entra interrompendo alguns silêncios. É um filme que fala dessa família que está se entrosando”. O ator mirim Lorenzo Mello estava radiante com sua participação: “Não tenho palavras de tão bom que foi! Recomendo para todos porque o filme é ótimo, incrível. Meu personagem é o Dudu e ele adora Planeta dos Macacos”

Théo Medon, que fez sucesso nas novelas As Aventuras de Poliana e Poliana Moça, do SBT, refletiu sobre seu futuro artístico: “Essa nova geração que tá chegando, que é a minha geração também, está muito interessada em trabalhar, estudar e conhecer as pessoas. As barreiras estão sendo cada vez mais quebradas, né? Então, eu vejo isso de maneira muito positiva. Tem uma coisa que faz esse projeto ser tão especial: a confiança que deram para mim e para o Lorenzo. Eu acho que julgar os jovens como seres menos criativos e menos capazes é muito prejudicial. Até porque nós somos a nova geração, nós que vamos ocupar o lugar do Wagner Moura, né? Daqui uns 40 ou 30 anos, será um de mim. Vai ser um amigo meu. Não vai ser mais só o Wagner”

E continuou: “Eu me orgulho muito de tudo que eu fiz no SBT, mas acho que a gente tem que dar esse novo passo. Todos da equipe de Pequenas Criaturas e da Bananeira Filmes me ajudaram muito a dar esse novo passo. Meu personagem foi muito desafiador para mim. Ele me colocou no lugar que eu acho que é a coisa mais difícil para fazer, que é interpretar tudo no mínimo”

A produtora Vania Catani, da Bananeira Filmes, que possui uma trajetória consolidada no audiovisual brasileiro, refletiu sobre o atual momento do nosso cinema e as dificuldades enfrentadas mesmo para quem já possui muita bagagem: “A esperança é quase que um combustível essencial para quem se mete nesse mundo, nessa vida. Esses altos e baixos são desgastantes porque você não sabe como é que vai ser o seu dia seguinte. Você não sabe como vai ser o seu ano seguinte. Você não sabe o que vai conseguir, entendeu? Uma hora você está com vinte funcionários na sua produtora, outra hora você está com quatro”

A produtora Vania Catani na coletiva de imprensa 

Além disso, Catani, que faz parte da Academia e é votante do Oscar desde 2018, também comentou o sucesso internacional do cinema brasileiro: “É um ano de filmes muito bons, né? Chegar onde o O Agente Secreto chegou é uma maratona. Os concorrentes são muito fortes”

Leticia Sabatella também refletiu sobre sua carreira e escolhas: “Para uma mulher com 54 anos, você tem que escrever as personagens que você vai fazer. Você começa a ter que construir mais a sua narrativa e não esperar que te convidem o tempo todo. Então, eu não quero esperar muito para ser chamada. Eu quero construir minhas personagens. O mercado não é bonzinho e a gente não pode se iludir. Ele é feroz e exige que você esteja se reinventando. É uma forma também de você sair de zonas de conforto, descobrir novas potencialidades e encontrar novas manifestações de trabalho”

Depois da conversa com a imprensa, Sabatella falou com exclusividade com o CINEVITOR (clique aqui e assista): “Tiradentes é um lugar incrível e esse festival é lindo. Eu acho que o filme vai tocar o público em muitas sensibilidades”. E continuou: “Eu fico muito feliz de nós brasileiros não torcermos só para Fórmula 1 e para o futebol e torcermos para o cinema. Isso é torcida, né? A gente tá vendo torcida. Isso é muito legal também. Eu nunca dei muita importância para prêmios. Eu dou importância para festivais, para mostras, para encontros e para trocas. Mas eu acho que prêmios nunca conseguem abarcar todos. Eles são restritos, não que sejam injustos, mas são restritos”

A atriz e ativista também comentou o sucesso de O Agente Secreto, que recebeu quatro indicações ao Oscar 2026: “Estou muito esperançosa com essa conquista. Eu fico extremamente feliz pelas pessoas que estão conquistando porque eu gosto da trajetória delas. Isso mostra que a gente é capaz de fazer a ponto de ser bem recebido e fazer muito bonito mediante outras produções”. E finalizou: “Não acho que a gente precise da validação do Oscar ou do Globo de Ouro para saber que a gente faz coisa boa”

*O CINEVITOR está em Tiradentes e você acompanha a cobertura do festival por aqui, pelo canal do YouTube e pelas redes sociais: Twitter, Facebook e Instagram.

Fotos: Leo Fontes/Universo Produção. 

Karine Teles é homenageada na abertura da 29ª Mostra de Cinema de Tiradentes

por: Cinevitor
Karine Teles recebeu o Troféu Barroco nesta 29ª edição da Mostra Tiradentes

Entre performance audiovisual e discursos potentes, a cerimônia de abertura da 29ª Mostra de Cinema de Tiradentes também foi marcada por um momento emocionante: a homenagem para a atriz, diretora e roteirista fluminense Karine Teles, uma das figuras centrais do cinema brasileiro contemporâneo.

Com trajetória marcada pelo trânsito entre o cinema independente e o audiovisual de grande alcance, Karine construiu uma carreira que dialoga diretamente com os valores defendidos pela temática desta edição. Para Francis Vogner, coordenador de curadoria da Mostra de Tiradentes, a escolha da atriz evidencia um ponto de intersecção fundamental de hoje: “A Karine é uma atriz que se formou na relação entre um cinema independente, de fatura autoral e inventiva, e as incursões no mainstream, em filmes e novelas voltados a um público mais amplo”. A versatilidade fez dela um rosto amplamente reconhecido, sem que isso a afastasse do núcleo mais experimental e criativo da produção nacional, defende o curador.

A homenagem destaca ainda como sua carreira traduz a pluralidade do próprio campo audiovisual autônomo: “O cinema brasileiro nunca foi uma coisa só. Ele é múltiplo, diverso e a trajetória da Karine prova isso”, observa Francis. A atriz, assim, sintetiza o desejo da Mostra de aproximar inventividade estética e diálogo com o público: “Ela é uma figura reconhecida pelo grande público e, ao mesmo tempo, profundamente respeitada no cinema independente. É um caso muito expressivo desse nosso desejo”. Inclusive, a atriz teve seu primeiro grande papel num filme exibido na Mostra Aurora, Riscado, de Gustavo Pizzi, em 2010, no Cine-Tenda, em Tiradentes.

Em sua trajetória, a atriz de 47 anos fez diversos trabalhos com a produtora mineira Filmes de Plástico, como os curtas-metragens Quinze, de Maurílio Martins (2014) e Nada, de Gabriel Martins (2017) e o longa-metragem No Coração do Mundo, de Gabriel Martins e Maurílio Martins (2019); esteve em sucessos de repercussão internacional, como Que Horas Ela Volta?, de Anna Muylaert (2015), Benzinho, de Gustavo Pizzi (2018) e Bacurau, de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles (2019); e participou de séries e telenovelas, entre elas, o remake de Vale Tudo, na Rede Globo.

Ovacionada pelo público presente no Cine-Tenda, a homenageada subiu ao palco ao lado dos filhos, Arthur e Francisco, e do amigo Camilo Pellegrini, que entregaram o Troféu Barroco: “É estranho receber um prêmio sabendo que você vai receber. Eu acho que a única coisa que eu consigo elaborar mesmo é agradecer”

E seguiu seu discurso: “Eu estive aqui pela primeira vez em 2007. Entrei nesse espaço e fiquei assistindo ao filme sonhando em ter um trabalho meu projetado nessa tela. Agora, quase 20 anos depois, ter o meu trabalho reconhecido e homenageado me dá uma nova força para não desistir. Quem trabalha com cultura, com educação e com arte no nosso país sabe que a gente tá o tempo todo recomeçando. São carreiras instáveis, imprevisíveis, uma montanha-russa frequente de emoções. Uma hora você tá tendo que dizer não para um trabalho porque você já tem outro, outra hora você está meses sem nenhum trabalho. Uma hora a gente tem Ministério da Cultura, outra hora a gente não tem. Uma hora tá todo mundo comemorando Oscar, outra hora somos os inimigos do país”

A homenageada no palco com os filhos e um grande amigo

Sob aplausos, Karine continuou: “É preciso persistir. É muito difícil. Não é nada glamoroso, não é nada romântico, é muito duro. Então eu agradeço demais pelo carinho do festival com o meu trabalho e espero que a Mostra siga existindo, siga crescendo, siga promovendo o encontro, outros debates, gerando novos olhares, novas perspectivas e futuros cinemas que vamos ver daqui para frente. Espero encontrar vocês por aí nos trabalhos, nas salas de cinema, nas comemorações, nas batalhas pelos nossos direitos, por um cinema cada vez mais plural e uma indústria cada vez mais consistente. Obrigada!”

No dia seguinte à homenagem, Karine Teles participou de uma coletiva de imprensa no Centro Cultural SESIMINAS Yves Alves e debateu sobre diversos assuntos. Primeiramente, elogiou a performance audiovisual realizada na cerimônia de abertura: “Foi bonito demais aquilo, foi muito emocionante. E eu ainda estou entendendo o que isso significa. Está sendo muito emocionante viver isso aqui na Mostra, que é esse lugar de discussão, de pensamento artístico, que estimula a criatividade e que traz a juventude”

Sobre sua trajetória artística, Karine voltou ao passado e relembrou, com carinho, o longa Riscado, dirigido por Gustavo Pizzi: “De todas as coisas que eu fiz até hoje, dos maiores aos menores projetos, eu só trabalhei com gente apaixonada e interessada. Mas, o Riscado definitivamente é um marco. Porque ele nasce de uma angústia profunda minha. E o filme aconteceu, foi super bem recebido e a gente ganhou um monte de prêmio. Eu acho que independente do que eu venha fazer no futuro, esse é o filme mais importante da minha vida. E ainda chegou junto com os meus filhos. Eu engravidei no processo de montagem e finalização”

Sobre suas escolhas profissionais, a atriz respondeu com sinceridade: “Eu queria responder que eu escolho o que eu quero, mas é mentira. Às vezes eu aceito o trabalho que se apresenta porque eu sou uma profissional, eu vivo disso e eu preciso pagar minhas contas. Então, quando eu tenho o privilégio de escolher o que eu vou fazer, eu escolho sempre o que me inspira mais criativamente, artisticamente e tenha os profissionais com quem eu tenho vontade de trabalhar. Já aceitei trabalho porque tinha uma fotógrafa maravilhosa, por exemplo. Então, assim, quando eu posso, eu escolho”

Karine também falou dos gêneros em que gostaria de atuar: “Eu adoraria fazer um filme de terror, um suspense, uma coisa que eu não fiz ainda. Tenho vontade de fazer comédia no cinema porque eu fiz pequenas participações. Isso é uma coisa que eu tenho muita vontade de fazer porque é um gênero que me interessa. Nossa, é muita coisa! Filme de época… Fiz uma pequena participação no Madame Satã [de Karim Aïnouz], que foi minha primeira vez num num set de cinema. Foi muito emocionante, mas eu fiz quatro ou cinco diárias. Tenho vontade de fazer muita coisa. Acho que isso, inclusive, era uma coisa que eu falava: ‘Caramba, meu trabalho tá sendo homenageado, mas eu me sinto ainda muito começando, eu acho que eu ainda tenho muita coisa para fazer”

Ainda na conversa com a imprensa, a artista revelou detalhes de seu próximo projeto como diretora: “Eu já dirigi dois curtas metragens: Otimismo e Romance. Já o Princesa é um projeto que eu comecei a desenvolver no núcleo criativo da Filmes de Plástico, que é essa produtora maravilhosa aqui de Minas. Temos uma parceria há muitos anos e tem um tempo que eu tô nessa luta para fazer meu primeiro longa. Todo mundo que já fez o primeiro filme, sabe que é difícil para caramba, demora muito. Tô tentando. É um filme que brinca com a ideia da comédia romântica, que a minha geração cresceu assistindo, que brinca com os contos de fada, que a gente cresceu lendo e aprendendo que o auge da felicidade de uma mulher seria ela se tornar uma princesa. E eu questiono muito isso. E essa é a brincadeira do filme”

Karine Teles na coletiva de imprensa 

O papo também rendeu um conselho muito especial da homenageada da Mostra Tiradentes para aqueles que estão começando: “As pessoas que estão começando agora estão chegando em um momento em que as formas de fazer arte estão muito mais acessíveis. A gente está longe de ter um cenário ideal no nosso país, de apoio, de incentivo, mas existem muitas iniciativas e eu acho que quem está querendo começar tem que sair assistindo tudo que pode. Não só cinema. Tem que ver teatro, tem que assistir show, tem que ir a museu. Tem que ler pra caramba e tem que olhar para o mundo, tem que ver sobre o que quer falar. Mesmo que seja falar sobre si mesmo, mesmo que seja querer ser uma celebridade ou influencer de moda, entendeu? Para tudo e para qualquer coisa que você decida fazer na sua vida, você tem que consumir o que já foi feito antes”

Sobre o sucesso de O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho e protagonizado por Wagner Moura, que recebeu quatro indicações ao Oscar 2026, Karine Teles comentou: “Já assisti duas vezes e assistiria cinco. Eu moraria naquele filme. Eu sou muito apaixonada pelo Kleber. Eu conheço o trabalho dele desde os curtas-metragens. Acho que é um cinema corajoso, ousado, questionador e ele usa as referências sempre de maneira interessante e provocativa. Acho lindo que esse filme, com essa narrativa cheia de espaço, cheia de buraco, seja o filme que tá concorrendo a tantas categorias no Oscar, que é uma grande vitrine do cinema comercial, né? O Oscar é a festa do dinheiro. Muitas vezes o Oscar é eleição, é quem fez a melhor campanha, quem teve mais dinheiro para divulgar o filme”

E continuou o assunto: “Eu acho lindo que o Kleber tenha conquistado esse lugar de permanecer com o cinema autoral e provocativo dele e tenha conseguido apoio, distribuição e verba para fazer campanha porque a gente fica feliz quando ganha a Copa do Mundo, a gente fica feliz quando ganha medalha de ouro na ginástica. A gente tem que ficar feliz quando ganha indicação ao Oscar, quando ganha o Oscar porque é a nossa indústria. É uma coisa que tá sendo feita por nós dentro do nosso país e tendo reconhecimento internacional. Eu acho isso maravilhoso. Uma pessoa que talvez nunca tenha ido ao cinema na vida, vai lá assistir O Agente Secreto e ver aquela maravilha. E vai consumir cinema dali para frente. Acho muito válido, tô feliz para caramba!”.

Depois de muita conversa e trocas interessantes, Karine finalizou: “Eu sou privilegiada em muitos aspectos no nosso país. Então, não me sinto no direito de reclamar muito, não. Eu me sinto no dever de reclamar como alguém que acha que a gente precisa melhorar as nossas políticas públicas, como alguém que acha que a gente precisa melhorar o acesso à arte, à cultura e à educação no nosso país. Então, nesse lugar, eu reclamo. E de peito aberto”. Clique aqui e assista nossa entrevista especial com a homenageada

A 29ª Mostra de Cinema de Tiradentes segue até 31 de janeiro com 136 filmes brasileiros: 43 longas e 93 curtas-metragens, vindos de 21 estados. Os títulos serão exibidos, com programação gratuita, em 21 mostras ou sessões especiais, além de debates, rodas de conversa, lançamentos, shows musicais e discussões de políticas públicas. 

*O CINEVITOR está em Tiradentes e você acompanha a cobertura do festival por aqui, pelo canal do YouTube e pelas redes sociais: Twitter, Facebook e Instagram.

Fotos: Leo Fontes/Leo Lara/Universo Produção. 

29ª Mostra de Cinema de Tiradentes começa com novo filme de Julio Bressane, performance audiovisual e homenagem 

por: Cinevitor
O cineasta Julio Bressane na abertura da Mostra de Cinema de Tiradentes 2026

A abertura da 29ª edição da Mostra de Cinema de Tiradentes aconteceu nesta sexta-feira, 23/01, no Cine-Tenda, no Centro Histórico, com uma performance audiovisual dirigida por Chico de Paula e Lira Ribas que traduziu a temática Soberania Imaginativa por meio da recriação poética da Folia de Reis.

A encenação propôs um percurso coletivo de cantos, gestos, imagens e deslocamentos, articulando o sagrado e o profano como campos de potência criativa, com personagens e rituais que simbolizam a imaginação, o pertencimento e a reinvenção cultural. Ao transpor para o espaço da Mostra os giros, visitas e rituais da Folia de Reis, personagens como o palhaço, a pastorinha, o mestre de folia e os cantadores assumiram, na performance, o papel de portadores das boas-novas e visionários da estrela, simbolizando a soberania como capacidade de criação, subversão e reinvenção cultural.

A apresentação reuniu artistas como Sitaram Custódio, Júlia Medeiros, Nath Rodrigues e Glaw Nader na parte instrumental e vocal, além da DJ Fê Linz, do multi instrumentista Camilo Gan, da folclorista Dadá Diniz, do videomaker Gabriel Fix e da atriz Julia Bertolino, compondo uma celebração artística que inaugura o festival como espaço de movimento, encontro e criação coletiva. A cerimônia marcou não apenas a abertura da programação de filmes, mas também o início de uma semana de debates sobre cultura, políticas públicas e o papel estratégico do audiovisual no país.

A noite ainda contou com o discurso da coordenadora geral da Mostra, Raquel Hallak, que subiu ao palco ao lado de Quintino Vargas: “A força de um país está na capacidade de produzir sentidos, nos lembra Milton Santos. É inspirada nesta mensagem que começamos hoje a dar asas à nossa imaginação. Vamos viajar pelo cinema brasileiro. Esse gesto coletivo de olhar, sentir e imaginar outros mundos possíveis. Estar aqui na Mostra de Tiradentes é reafirmar que ver um filme é compartilhar o tempo e o espaço. É construir sentidos em comum. É reconhecer que o cinema não é apenas entretenimento. O cinema é uma maneira de existir. É cultura, é economia criativa, é trabalho, é formação de pensamento crítico, influencia a maneira como nos vemos e como somos vistos no mundo”.

E continuou: “Começa aqui, hoje, mais do que uma mostra de cinema. Começa um gesto, um posicionamento, uma travessia coletiva. O cinema brasileiro que vamos ver aqui é plural, é diverso, é inquieto. Não se trata de artistas individuais ou de filmes especiais. Nos últimos anos, a palavra soberania voltou ao centro do debate público. Falamos de independência política, econômica, tecnológica, mas é preciso dizer com clareza que não há soberania sem imaginação. Não há autonomia real se não formos capazes de criar imagens próprias, narrativas próprias e futuros pensados a partir de nós mesmos”. Ao lado de parceiros institucionais, Raquel também lançou oficialmente as atividades de 2026 do programa Cinema sem Fronteiras anunciando as datas da CineOP e da CineBH.

A secretária do Audiovisual, Joelma Gonzaga, também esteve presente e abriu oficialmente o calendário audiovisual brasileiro: “Nós estamos com dez filmes em Berlim. Estamos com 137 filmes aqui. E isso não é por acaso, gente. Quando um filme brasileiro entra em cartaz, o Brasil entra em cartaz. E o Brasil está em cartaz no mundo todo e isso não é por acaso. Isso é fruto de política pública”. A ministra dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo, também marcou presença na abertura e discursou: “Vivemos um momento importantíssimo de projeção do cinema brasileiro no mundo. E isso significa algo mais profundo: somos um povo que sabe transformar memória, dor, alegria e luta em narrativa”

Folia de Reis na abertura da Mostra Tiradentes

Depois disso, o público se emocionou com a entrega do Troféu Barroco para a grande homenageada desta 29ª edição: a atriz, diretora e roteirista Karine Teles, que recebeu a honraria das mãos dos filhos, Arthur e Francisco, e do amigo Camilo Pellegrini (clique aqui e saiba mais). Além disso, a Mostra também prestou homenagem a dois grandes artistas mineiros que faleceram recentemente: a atriz Teuda Bara e o cantor Lô Borges

Fechando a noite de abertura, foi exibido, em pré-estreia mundial, o novo filme de Julio Bressane, codirigido por Rodrigo Lima: O Fantasma da Ópera, que foi construído a partir de imagens captadas durante os intervalos de filmagem do longa-metragem inédito Pitico, estrelado por Paulo Betti. Embora dialogue com a tradição do making of, o curta (com duração de 25 minutos) se desloca para uma reflexão especulativa sobre a própria construção da imagem cinematográfica, traço central da estética de Bressane e de seu fascínio pela metalinguagem do processo de criação. A escolha do filme para a abertura ganha significado adicional por coincidir com a celebração dos 80 anos do cineasta, a serem completados em fevereiro.

Longe de um documentário convencional, o filme de abertura desta edição se constrói como um making of especulativo, em que imagem e pensamento se encontram de forma sensível, autorreflexiva e livre de amarras narrativas. Ao evocar a história do Brasil como fabulação e a imagem como território incapturável pelo poder, Bressane reafirma um cinema experimental que pensa por si e reinventa o mundo. Sua estreia na abertura da Mostra reafirma o desejo de um cinema movido pelo mistério, pelo prazer e pela liberdade absoluta das imagens. O filme é produzido por Rosa Dias, Tande Bressane, Noa Bressane, Bruno Safadi e Julio Bressane; a fotografia é de Pablo Baião com direção de arte de Moa Batsow, Lina Serra e Bela Azevedo. O som é assinado por Antônio Grosso e Damião Lopes; a distribuição é da TB Produções

Ovacionado pelo público presente, Bressane subiu ao palco e discursou: “Vou dizer a vocês o seguinte: esse é um filme hospitaleiro, tem apenas 25 minutos e vamos dizer que vocês poderão beber um pouco de uma água cristalina. Peço paciência a vocês e agradeço. É um susto ver aqui tanta gente assim. Eu espero que não seja alguma coisa que vá perturbar a beleza dessa noite, viu?”

E finalizou: “O cinema é feito com muitas mãos. Não é feito por uma pessoa, isso não existe. O cinema é feito com muitas mãos. E essa é a dificuldade do cinema. Essa é a dificuldade da imagem. É você ter paciência para perceber uma coisa que não te agrada. O que interessa é o que não agrada. Então, essa é a dificuldade. 23 de janeiro de 2026: nunca vou esquecer dessa noite”

A 29ª Mostra de Cinema de Tiradentes segue até 31 de janeiro com 137 filmes brasileiros: 43 longas e 93 curtas-metragens, vindos de 21 estados. Os títulos serão exibidos, com programação gratuita, em 21 mostras ou sessões especiais, além de debates, rodas de conversa, lançamentos, shows musicais e discussões de políticas públicas. 

*O CINEVITOR está em Tiradentes e você acompanha a cobertura do festival por aqui, pelo canal do YouTube e pelas redes sociais: Twitter, Facebook e Instagram.

Fotos: Leo Fontes/Leo Lara/Universo Produção.

Oscar 2026: O Agente Secreto é indicado em quatro categorias; Wagner Moura e Adolpho Veloso estão na disputa

por: Cinevitor
Wagner Moura: indicado a melhor ator por O Agente Secreto

Foram divulgados na manhã desta quinta-feira, 22/01, os indicados ao Oscar 2026. O anúncio, transmitido ao vivo, foi apresentado pela atriz Danielle Brooks e pelo ator Lewis Pullman no Samuel Goldwyn Theater; e contou também com a participação de Lynette Howell Taylor, presidente da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas

Dirigido por Ryan Coogler, Pecadores lidera a lista com 16 indicações e bate recorde na história da premiação sendo o filme mais indicado nestas 98 edições. Na sequência, Uma Batalha Após a Outra, de Paul Thomas Anderson, aparece com treze indicações

Neste ano, o cinema brasileiro se destaca com O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, com quatro indicações: melhor filme (indicação para a produtora Emilie Lesclaux), melhor ator para Wagner Moura (primeiro brasileiro indicado nesta categoria), melhor filme internacional e melhor direção de elenco para Gabriel Domingues (nova categoria criada pela Academia). 

O filme é um thriller ambientado no Brasil de 1977 e na trama, Marcelo, interpretado por Moura, é um especialista em tecnologia que foge de um passado misterioso e volta ao Recife, Pernambuco, em busca de paz. Ele logo percebe que a cidade está longe de ser o refúgio que procura. Estrelado por Tânia Maria, Gabriel Leone, Maria Fernanda Cândido, Udo Kier, Hermila Guedes, Thomás Aquino, Alice Carvalho e grande elenco, é uma coprodução entre Brasil (CinemaScópio Produções), França (MK Productions), Holanda (Lemming) e Alemanha (One Two Films) com distribuição no Brasil pela Vitrine Filmes.

O elenco completa-se com Isabél Zuaa, Edilson Silva, Suzy Lopes, Buda Lira, Carlos Francisco, Wilson Rabelo, Roney Villela, Rubens Santos, Albert Tenório, Ítalo Martins, Joalisson Cunha, Aline Marta, Enzo Nunes, Erivaldo Oliveira, Fabiana Pirro, Fafá Dantas, Geane Albuquerque, Gregorio Graziosi, Igor de Araújo, Isadora Ruppert, João Vitor Silva, Kaiony Venancio, Laura Lufési, Licínio Januário, Luciano Chirolli, Marcelo Valle, Márcio de Paula, Nivaldo Nascimento, Robério Diógenes e Robson Andrade. Produzido por Emilie Lesclaux, o filme já alcançou mais de 1,5 milhão de espectadores nos cinemas. 

O brasileiro Adolpho Veloso também se destaca nesta 98ª edição do Oscar ao ser indicado pela direção de fotografia de Sonhos de Trem, da Netflix. Natural de São Paulo, Veloso já foi indicado ao prêmio da American Society of Cinematographers por seu trabalho em Jockey e conta com diversas obras em seu currículo, como: Mosquito, On Yoga: Arquitetura da Paz, Tungstênio, Rodantes, Becoming Elizabeth, entre outros. O fotógrafo, que também é membro da Associação Brasileira de Cinematografia, já está confirmado na equipe de Remain, novo filme de M. Night Shyamalan, e Queen at Sea, de Lance Hammer, que disputará o Urso de Ouro no Festival de Berlim deste ano. 

Na shortlist divulgada em dezembro de 2025, o Brasil também disputava indicações com o curta-metragem Amarela, de André Hayato Saito e com os documentários Apocalipse nos Trópicos, de Petra Costa, e Yanuni, de Richard Ladkani (coprodução); mas infelizmente ficou de fora. Vale lembrar que no ano passado o cinema brasileiro saiu vitorioso com Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, na categoria de melhor filme internacional; o longa também foi indicado a melhor atriz com Fernanda Torres e melhor filme

A 98ª edição do Oscar acontecerá no dia 15 de março no Dolby Theatre, em Hollywood. O apresentador da cerimônia será Conan O’Brien, que assume a função pela segunda vez.

Confira a lista completa com os indicados ao Oscar 2026:

MELHOR FILME
Bugonia 
F1: O Filme 
Frankenstein 
Hamnet: A Vida Antes de Hamlet 
Marty Supreme 
O Agente Secreto 
Pecadores 
Sonhos de Trem 
Uma Batalha Após a Outra 
Valor Sentimental 

MELHOR DIREÇÃO
Chloé Zhao, por Hamnet: A Vida Antes de Hamlet 
Joachim Trier, por Valor Sentimental 
Josh Safdie, por Marty Supreme 
Paul Thomas Anderson, por Uma Batalha Após a Outra 
Ryan Coogler, por Pecadores 

MELHOR ATRIZ
Emma Stone, por Bugonia 
Jessie Buckley, por Hamnet: A Vida Antes de Hamlet 
Kate Hudson, por Song Sung Blue: Um Sonho a Dois 
Renate Reinsve, por Valor Sentimental 
Rose Byrne, por Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria 

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Amy Madigan, por A Hora do Mal 
Elle Fanning, por Valor Sentimental 
Inga Ibsdotter Lilleaas, por Valor Sentimental 
Teyana Taylor, por Uma Batalha Após a Outra 
Wunmi Mosaku, por Pecadores 

MELHOR ATOR
Ethan Hawke, por Blue Moon  
Leonardo DiCaprio, por Uma Batalha Após a Outra 
Michael B. Jordan, por Pecadores 
Timothée Chalamet, por Marty Supreme 
Wagner Moura, por O Agente Secreto 

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Benicio del Toro, por Uma Batalha Após a Outra
Delroy Lindo, por Pecadores 
Jacob Elordi, por Frankenstein 
Sean Penn, por Uma Batalha Após a Outra 
Stellan Skarsgård, por Valor Sentimental 

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
Blue Moon, escrito por Robert Kaplow
Foi Apenas um Acidente, escrito por Jafar Panahi 
Marty Supreme, escrito por Josh Safdie e Ronald Bronstein 
Pecadores, escrito por Ryan Coogler  
Valor Sentimental, escrito por Joachim Trier e Eskil Vogt 

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
Bugonia, escrito por Will Tracy 
Frankenstein, escrito por Guillermo del Toro 
Hamnet: A Vida Antes de Hamlet, escrito por Maggie O’Farrell e Chloé Zhao 
Sonhos de Trem, escrito por Clint Bentley e Greg Kwedar 
Uma Batalha Após a Outra, escrito por Paul Thomas Anderson 

MELHOR FILME INTERNACIONAL
A Voz de Hind Rajab, de Kaouther Ben Hania (Tunísia) 
Foi Apenas um Acidente, de Jafar Panahi (França) 
O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho (Brasil) 
Sirât, de Oliver Laxe (Espanha) 
Valor Sentimental, de Joachim Trier (Noruega) 

MELHOR ANIMAÇÃO
Amélie et la métaphysique des tubes, de Liane-Cho Han Jin Kuang e Maïlys Vallade 
Arco, de Ugo Bienvenu e Gilles Cazaux 
Elio, de Adrian Molina, Madeline Sharafian e Domee Shi 
Guerreiras do K-Pop, de Maggie Kang e Chris Appelhans 
Zootopia 2, de Jared Bush e Byron Howard 

MELHOR DOCUMENTÁRIO
A Vizinha Perfeita, de Geeta Gandbhir 
Alabama: Presos do Sistema, de Andrew Jarecki e Charlotte Kaufman 
Cutting Through Rocks
, de Mohammadreza Eyni e Sara Khaki 
Embaixo da Luz de Neon, de Ryan White 
Mr. Nobody Against Putin, de David Borenstein e Pavel Talankin 

MELHOR DIREÇÃO DE ELENCO
Hamnet: A Vida Antes de Hamlet, por Nina Gold 
Marty Supreme, por Jennifer Venditti 
O Agente Secreto, por Gabriel Domingues 
Pecadores, por Francine Maisler 
Uma Batalha Após a Outra, por Cassandra Kulukundis 

MELHOR FOTOGRAFIA
Frankenstein, por Dan Laustsen 
Marty Supreme, por Darius Khondji 
Pecadores, por Autumn Durald Arkapaw 
Sonhos de Trem, por Adolpho Veloso  
Uma Batalha Após a Outra, por Michael Bauman 

MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO
Frankenstein, por Tamara Deverell e Shane Vieau 
Hamnet: A Vida Antes de Hamlet, por Fiona Crombie e Alice Felton 
Marty Supreme, por Jack Fisk e Adam Willis  
Pecadores, por Hannah Beachler e Monique Champagne 
Uma Batalha Após a Outra, por Florencia Martin e Anthony Carlino 

MELHOR FIGURINO
Avatar: Fogo e Cinzas, por Deborah L. Scott 
Frankenstein, por Kate Hawley 
Hamnet: A Vida Antes de Hamlet, por Malgosia Turzanska 
Marty Supreme, por Miyako Bellizzi 
Pecadores, por Ruth E. Carter 

MELHOR MAQUIAGEM E PENTEADO
A Meia-Irmã Feia, por Thomas Foldberg e Anne Cathrine Sauerberg
Coração de Lutador: The Smashing Machine, por Kazu Hiro, Glen Griffin e Bjoern Rehbein
Frankenstein, por Mike Hill, Jordan Samuel e Cliona Furey
Kokuho: O Preço da Perfeição, por Kyoko Toyokawa, Naomi Hibino e Tadashi Nishimatsu
Pecadores, por Ken Diaz, Mike Fontaine e Shunika Terry

MELHOR EDIÇÃO
F1: O Filme, por Stephen Mirrione 
Marty Supreme, por Ronald Bronstein e Josh Safdie 
Pecadores, por Michael P. Shawver  
Uma Batalha Após a Outra, por Andy Jurgensen 
Valor Sentimental, por Olivier Bugge Coutté 

MELHOR TRILHA SONORA ORIGINAL
Bugonia, por Jerskin Fendrix 
Frankenstein, por Alexandre Desplat 
Hamnet: A Vida Antes de Hamlet, por Max Richter 
Pecadores, por Ludwig Göransson 
Uma Batalha Após a Outra, por Jonny Greenwood 

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
Dear Me, por Diane Warren (Diane Warren: Relentless
Golden, por EJAE, Mark Sonnenblick, Joong Gyu Kwak, Yu Han Lee, Hee Dong Nam, Jeong Hoon Seon e Teddy Park (Guerreiras do K-Pop
I Lied to You, por Raphael Saadiq e Ludwig Goransson (Pecadores
Sweet Dreams Of Joy, por Nicholas Pike (Viva Verdi!
Train Dreams, por Nick Cave e Bryce Dessner (Sonhos de Trem

MELHOR SOM
F1: O Filme, por Gareth John, Al Nelson, Gwendolyn Yates Whittle, Gary A. Rizzo e Juan Peralta
Frankenstein, por Greg Chapman, Nathan Robitaille, Nelson Ferreira, Christian Cooke e Brad Zoern
Pecadores, por Chris Welcker, Benjamin A. Burtt, Felipe Pacheco, Brandon Proctor e Steve Boeddeker
Sirât, por Amanda Villavieja, Laia Casanovas e Yasmina Praderas
Uma Batalha Após a Outra, por José Antonio García, Christopher Scarabosio e Tony Villaflor

MELHORES EFEITOS VISUAIS
Avatar: Fogo e Cinzas, por Joe Letteri, Richard Baneham, Eric Saindon e Daniel Barrett
F1: O Filme, por Ryan Tudhope, Nicolas Chevallier, Robert Harrington e Keith Dawson
Jurassic World: Recomeço, por David Vickery, Stephen Aplin, Charmaine Chan e Neil Corbould
O Ônibus Perdido, por Charlie Noble, David Zaretti, Russell Bowen e Brandon K. McLaughlin
Pecadores, por Michael Ralla, Espen Nordahl, Guido Wolter e Donnie Dean

MELHOR CURTA-METRAGEM | FICÇÃO
A Friend of Dorothy, de Lee Knight 
Butcher’s Stain, de Meyer Levinson-Blount 
Deux personnes échangeant de la salive, de Natalie Musteata e Alexandre Singh 
Jane Austen’s Period Drama, de Julia Aks e Steve Pinder 
The Singers, de Sam A. Davis 

MELHOR CURTA-METRAGEM | DOCUMENTÁRIO
Armado com uma Câmera: Vida e Morte de Brent Renaud, de Brent Renaud e Craig Renaud 
Children No More: “Were and Are Gone”, de Hilla Medalia 
O Diabo Não Tem Descanso (The Devil Is Busy), de Geeta Gandbhir e Christalyn Hampton 
Perfectly a Strangeness, de Alison McAlpine 
Quartos Vazios (All the Empty Rooms), de Joshua Seftel 

MELHOR CURTA-METRAGEM | ANIMAÇÃO
Butterfly, de Claryn Scott 
Forevergreen, de Nathan Engelhardt e Jeremy Spears 
Retirement Plan, de John Kelly 
The Girl Who Cried Pearls, de Chris Lavis e Maciek Szczerbowski 
The Three Sisters, de Konstantin Bronzit 

Foto: Victor Jucá.

46º Framboesa de Ouro: Isis Valverde é indicada ao prêmio que elege os piores do cinema

por: Cinevitor
A atriz brasileira Isis Valverde em Código Alarum: indicada

Foram anunciados nesta quarta-feira, 21/01, os indicados ao 46º Framboesa de Ouro, prêmio criado pelo publicitário John Wilson, que elege os piores da sétima arte, conhecido também como uma sátira ao Oscar.

Neste ano, a ficção científica A Guerra dos Mundos e Branca de Neve, live-action da Disney, com Rachel Zegler e Gal Gadot, lideram a lista com seis indicações cada. O comunicado oficial da premiação diz: “Hollywood, precisamos conversar! Onde fica esse lugar mais seguro, mais feliz e mais inspirador… a Disneylândia? Bem, até a Disney errou nisso!”

Entre os indicados desta 46ª edição, vale destacar a presença da brasileira Isis Valverde, que concorre na categoria de pior atriz coadjuvante por Código Alarum, sua primeira participação em um longa-metragem internacional. Dirigida por Michael Polish, a obra conta também com Sylvester Stallone, Scott Eastwood, Willa Fitzgerald e Mike Colter no elenco. Isis, conhecida no Brasil por diversos trabalhos em novelas e filmes, interpreta Bridgette Rousseau, amiga do casal protagonista; a trama do longa acompanha um casal de agentes secretos que tenta escapar do perigoso mundo das espionagens.

Os votantes do já tradicional prêmio somam 1.202 membros, entre cinéfilos, críticos de cinema e jornalistas, de 49 estados americanos e mais algumas pessoas de países estrangeiros, que votaram no primeiro turno e escolheram os cinco principais candidatos em cada categoria. Os piores do cinema serão anunciados no dia 14 de março, uma noite antes do Oscar, e os vencedores recebem uma estatueta dourada avaliada em 4,97 dólares

Conheça os indicados ao 46º Framboesa de Ouro, também conhecido como Razzie Awards:

PIOR FILME
A Guerra dos Mundos
Branca de Neve
Hurry Up Tomorrow: Além dos Holofotes
Star Trek: Seção 31
The Electric State

PIOR DIREÇÃO
Anthony Russo e Joe Russo, por The Electric State
Marc Webb, por Branca de Neve
Olatunde Osunsanmi, por Star Trek: Seção 31
Rich Lee, por A Guerra dos Mundos
Trey Edward Shults, por Hurry Up Tomorrow: Além dos Holofotes

PIOR ATOR
Dave Bautista, por Nas Terras Perdidas
Ice Cube, por A Guerra dos Mundos
Jared Leto, por Tron: Ares
Scott Eastwood, por Código Alarum
The Weeknd (Abel Tesfaye), por Hurry Up Tomorrow: Além dos Holofotes

PIOR ATOR COADJUVANTE
Greg Kinnear, por Off The Grid
Nicolas Cage, por Terra de Pistoleiros
Stephen Dorff, por Duro de Casar
Sylvester Stallone, por Código Alarum
Todos os sete anões artificiais, por Branca de Neve

PIOR ATRIZ
Ariana DeBose, por Amor Bandido
Michelle Yeoh, por Star Trek: Seção 31
Milla Jovovich, por Nas Terras Perdidas
Natalie Portman, por A Fonte da Juventude
Rebel Wilson, por Duro de Casar

PIOR ATRIZ COADJUVANTE
Anna Chlumsky, por Duro de Casar
Ema Horvath, por Os Estranhos: Capítulo 2
Isis Valverde, por Código Alarum
Kacey Rohl, por Star Trek: Seção 31
Scarlet Rose Stallone, por Terra de Pistoleiros

PIOR ROTEIRO
A Guerra dos Mundos, escrito por Kenny Golde e Marc Hyman
Branca de Neve, escrito por Erin Cressida Wilson
Hurry Up Tomorrow: Além dos Holofotes, escrito por Trey Edward Shults, Abel Tesfaye e Reza Fahim
Star Trek: Seção 31, escrito por Craig Sweeny
The Electric State, escrito por Christopher Markus e Stephen McFeely

PIOR REMAKE, CÓPIA ou SEQUÊNCIA
A Guerra dos Mundos
Branca de Neve
Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado
Five Nights at Freddy’s 2
Smurfs 

PIOR COMBO EM CENA
Ice Cube e o zoom da sua câmera, em A Guerra dos Mundos
James Corden e Rihanna, em Smurfs
Os Sete Anões, em Branca de Neve
Robert De Niro & Robert De Niro, em The Alto Knights: Máfia e Poder
The Weeknd e seu ego colossal, em Hurry Up Tomorrow: Além dos Holofotes

Foto: Divulgação/Imagem Filmes.

Super Xuxa Contra Baixo Astral: cópia digitalizada será exibida no Canal Brasil 

por: Cinevitor
Xuxa Meneghel em cena: clássico do cinema brasileiro chega à programação em março

O Canal Brasil exibirá em março a nova cópia digitalizada em 4K de Super Xuxa Contra Baixo Astral, longa-metragem lançado em 1988 e um dos títulos mais conhecidos da trajetória cinematográfica de Xuxa. O filme será exibido com alta qualidade de imagem e som, oferecendo uma nova oportunidade para os fãs reviverem uma história que faz parte da memória afetiva de diferentes gerações. 

Xuxa comenta que a expectativa para a estreia no canal “é a melhor possível”. E também lembra porque o filme segue tão presente no imaginário do público: “Acho que por causa da música, da mensagem, da ideia de vivermos em um mundo com boas energias… Isso não tem período, nem idade. Esses elementos são fortes em qualquer época”

Lançado nos cinemas em 30 de junho de 1988, com distribuição de Luís Severiano Ribeiro e Columbia Pictures, o título foi bem recebido pelo público. Em sua estreia, formou um dos maiores circuitos exibidores do Brasil, com cerca de 90 salas em todo o país. Na primeira semana de exibição, alcançou 482 mil espectadores. Com isso, tornou-se o terceiro filme mais visto de 1988 com quase três milhões de espectadores

Com direção de Anna Penido, o longa acompanha Xuxa em uma aventura entre o Alto e o Baixo Astral. Após convocar crianças para uma campanha que incentiva a transformação de muros pichados em espaços coloridos, a apresentadora desperta a reação do vilão Baixo Astral, uma criatura que vive nos esgotos da cidade e se sente ameaçada pela proposta de espalhar boas energias. Como resposta, ele ordena que seus assistentes, Titica e Morcegão, sequestrem o cachorro Xuxo.

Além da Rainha dos Baixinhos, o elenco conta também com Guilherme Karam, Tuca Andrada, Henriqueta Brieba, Roberto Guimarães, Fernanda Lobo, Jonas Torres, Luiz Carlos Tourinho, David Sonnenschein, Paolo Pacelli, Katia Moraes, Iran Melo, Oscar Marques, Caio Junqueira, Vitor Hain, Isabel Gomide, Sandra de Sá, Jorge Crespo, Mauro César, João Brandão, Fabrício Bittar, Manfredo Bahia, Nair Amorim, Jordana Brewster, entre outros. 

A direção de fotografia é de Nonato Estrela e a montagem é assinada por Carlos Cox. A trilha sonora é de Paulo Massadas, Anna Penido e Michael Sullivan; Yurika Yamasaki assina a direção de arte. 

Produzido pela Dreamvision, em coprodução com a Diler & Associados e a Movie Rio, e com produção executiva de Lael Rodrigues, de Bete Balanço, o filme marcou o início de uma parceria de sucesso entre o produtor Diler Trindade e Xuxa, que resultou em sucessos como Lua de Cristal (com 5 milhões de espectadores em 1990) e Xuxa Gêmeas.

Foto: Divulgação/Canal Brasil.

Festival de Berlim 2026: Karim Aïnouz está na disputa pelo Urso de Ouro e filme de Grace Passô é selecionado

por: Cinevitor
Ju Colombo e Jéssica Gaspar em Nosso Segredo, de Grace Passô

A 76ª edição do Festival de Berlim, que acontecerá entre os dias 12 e 22 de fevereiro, acaba de anunciar os filmes selecionados para a Competição, que disputarão o cobiçado Urso de Ouro, prêmio máximo do evento. Neste ano, o cineasta alemão Wim Wenders comandará o júri e a atriz Michelle Yeoh será homenageada com o Urso de Ouro honorário.

Em comunicado oficial, Tricia Tuttle, diretora do festival, disse: “Encontramos muitas coisas para nos apaixonarmos na programação especial deste ano. E estamos tão confiantes no encanto desses 22 filmes que afirmamos com convicção: ‘Se você não encontrar algo aqui que ame, você não ama cinema!’ Comédia satírica e formalista, filmes de gênero, um suspense psicológico, uma história de amor, uma história de amor-próprio, anime, um faroeste… esses 22 filmes mostram o quão diverso é o grande cinema em 2026. Cada um é belamente produzido e cumpre sua própria promessa artística. Mal podemos esperar para descobrir os filmes que receberão o Urso de Ouro e o Urso de Prata do júri de Wim Wenders em 21 de fevereiro”

A seleção principal deste ano conta com 22 obras, entre elas, um primeiro longa-metragem, uma animação e um documentário. Produções de 28 países estão representadas e 20 filmes são estreias mundiais. Nove títulos foram dirigidos ou codirigidos por mulheres e 14 cineastas já exibiram seus filmes na Berlinale anteriormente.

Na Competição, o Brasil ganha destaque com o diretor cearense Karim Aïnouz, que apresenta Rosebush Pruning, uma coprodução entre Itália, Alemanha, Espanha e Reino Unido. A colaboração de Aïnouz com a MUBI, The Match Factory, Kavac Film, The Apartment (uma empresa da Fremantle), SurFilm, Crybaby e Gold Rush Pictures resulta em mais um projeto internacional do cineasta.

No elenco, estão Callum Turner, Riley Keough, Jamie Bell, Lukas Gage e Elena Anaya, além de Tracy Letts, Elle Fanning e Pamela Anderson: “Estou feliz da vida de voltar ao Festival de Berlim, um festival visionário. O último filme meu que esteve em competição aqui foi o Praia do Futuro, em 2014. É uma honra poder estrear novamente aqui. Além de ser realizado na cidade onde eu vivo, é um festival que aposta em um cinema de inovação, de invenção. É uma vitrine perfeita para este filme, que investe num afiado senso de humor, que é marcado pela transgressão e ousadia, valores que são sinônimos do próprio festival e da cidade de Berlim. Estar ao lado dos filmes selecionados me deixa profundamente lisonjeado”, disse o diretor. 

Rosebush Pruning, que é livremente inspirado no filme italiano De Punhos Cerrados (I pugni in tasca), de Marco Bellocchio, é uma ousada sátira contemporânea sobre as contradições da família tradicional. Ambientado em uma mansão na Catalunha, o filme acompanha uma família americana privilegiada e excêntrica envolta em conflitos absurdos. Os irmãos Jack, Ed, Anna e Robert vivem isolados do mundo, usufruindo da fortuna que herdaram. Enquanto isso, ignoram as demandas do pai cego e buscam amor e acolhimento uns nos outros, vivendo às voltas com as mais recentes roupas de grife. Quando Jack, o irmão mais velho e eixo central da família, anuncia que vai abandonar o pai e os irmãos para morar com a namorada Martha, os laços de sangue implodem. Ed começa a descobrir a verdade por trás da misteriosa morte da mãe. Mentiras começam a vir à tona, a família passa a se desintegrar brutalmente e os irmãos entram uma espiral de violência.

Com roteiro de Efthimis Filippou, indicado ao Oscar por O Lagosta, além de também ter escrito Tipos de Gentileza e O Sacrifício do Cervo Sagrado, entre outros, o longa-metragem reúne uma equipe criativa de prestígio. Entre os profissionais envolvidos estão: a maquiadora Barbara Kreuzer; a figurinista indicada ao Oscar por Mulan, Bina Daigeler; o diretor de arte Rodrigo Martirena; e os montadores Heike Parplies, de A Vida Invisível, Dávid Jancsó e Ilka Janka Nagy. Após múltiplas colaborações com Karim Aïnouz, a direção de fotografia fica novamente a cargo de Hélène Louvart, de Motel Destino

A produção é assinada por Viola Fügen e Michael Weber (The Match Factory, Alemanha), responsável também pelas vendas internacionais, Simone Gattoni (Kavac Film, Itália), Annamaria Morelli (The Apartment, Itália, uma empresa da Fremantle) e Vladimir Zemtsov (Gold Rush Pictures, Reino Unido). A coprodução fica a cargo de Andreas Wentz e Juan Cano Nono (SurFilm, Espanha) e Rachel Dargavel (Crybaby, Reino Unido).

Elenco de Rosebush Pruning, de Karim Aïnouz

Ainda na Competição, o Brasil se destaca com a presença do brasileiro Adolpho Veloso, que assina a direção de fotografia do longa Queen at Sea, de Lance Hammer, e está cotado na temporada de premiações com Sonhos de Trem. Além da cineasta Beth de Araújo, que disputa o Urso de Ouro com Josephine, e é filha de mãe sino-americana e pai brasileiro; Beth nasceu e foi criada em São Francisco, porém tem dupla cidadania.

Já na mostra Perspectives, dedicada a revelar novos realizadores, o cinema brasileiro marca presença com Nosso Segredo, primeiro longa dirigido por Grace Passô. Produzido pelo cineasta Ricardo Alves Jr. em coprodução com Rachel Daisy Ellis, Julia Alves e Globo Filmes, o longa faz sua estreia mundial em um dos mais importantes festivais de cinema do mundo, reforçando a representatividade brasileira no evento. No Brasil, o longa tem distribuição garantida pela Vitrine Filmes, através do projeto Sessão Vitrine Petrobras

Em comunicado oficial, Grace disse: “Tô feliz de estar num grande festival como a Berlinale. Este é um filme muito especial pra mim, e quem conhece o que venho criando há anos, sabe. Acho um momento também especial para a produção cinematográfica de Belo Horizonte, que marca uma presença histórica este ano no festival e também porque nós, brasileiras, estamos empolgadas com as repercussões de grandes cineastas brasileiros lá fora. Como pareceu dizer Kleber no discurso do Globo de Ouro, é um momento de empolgar as criações cinematográficas no Brasil”.

A diretora comenta que a trama do projeto a acompanha há muitos anos: “A história que o filme conta me ajuda a refletir sobre o que está por trás do que não é dito nas convivências afetivas, na dimensão do luto e das ausências. Essa história é uma espécie de fonte para mim, assim como as famílias o são para nós. O roteiro é uma reescritura de Amores Surdos, primeira peça de teatro que escrevi”, afirma.

Nosso Segredo conta a história de uma família tentando reconstruir sua rotina após uma grande perda. Enquanto cada um foge do luto à sua maneira, o filho caçula guarda um segredo capaz de fazê-los enfrentar o momento e, juntos, descobrir um novo caminho. Filmado em Belo Horizonte, o elenco conta com Robert Frank, Ju Colombo, Efraim Santos, Jéssica Gaspar, Flip, Marisa Revert, Juan Queiroz e participações especiais de Mateus Aleluia, Tássia Reis, Gláucia Vandeveld e Nanego Lira.

Além das complexidades das relações familiares, o filme traz também a casa como um personagem central da produção: “Sempre imaginei a câmera perdendo-se pelos cômodos da casa, como se aquela família procurasse alguma resposta para a dimensão do amor e da dor da perda. Essa casa é a metáfora daquilo que está prestes a vazar dos personagens da família deste filme”, contou a cineasta. A sinopse oficial diz: uma família negra tenta reconstruir sua rotina após uma perda recente. Enquanto cada um foge do luto à sua maneira, o filho caçula guarda um segredo capaz de encarar as raízes de suas dores e, juntos, descobrirem um novo caminho. 

A equipe de Nosso Segredo conta com: Wilssa Esser na direção de fotografia, Lucas Osório na direção de arte, Gabriel Martins e Eva Randolph na edição, Gustavo Fioravante no som, Amaro Freitas na trilha sonora original e Tiago Bello no design de som e mixagem.

Além disso, também foi anunciado que No Good Men, terceiro longa-metragem da cineasta afegã Shahrbanoo Sadat, será o filme de abertura desta 76ª edição: “Crescendo na sociedade profundamente patriarcal do Afeganistão, eu acreditava que não existiam homens bons, até descobrir que outra realidade existe, e espero que este filme ofereça esperança às jovens mulheres e um exemplo aos jovens homens”, disse a diretora. 

Confira os novos filmes selecionados para o 76º Festival de Berlim:

COMPETIÇÃO

A New Dawn, de Yoshitoshi Shinomiya (Japão/França)
À voix basse (In a Whisper), de Leyla Bouzid (França/Tunísia)
At the Sea, de Kornél Mundruczó (EUA/Hungria)
Dao, de Alain Gomis (França/Senegal/Guiné-Bissau)
Dust, de Anke Blondé (Bélgica/Polônia/Grécia/Reino Unido)
Etwas ganz Besonderes (Home Stories), de Eva Trobisch (Alemanha)
Everybody Digs Bill Evans, de Grant Gee (Irlanda/Reino Unido)
Gelbe Briefe (Yellow Letters), de İlker Çatak (Alemanha/França/Turquia)
Josephine, de Beth de Araújo (EUA)
Kurtuluş (Salvation), de Emin Alper (Turquia/França/Holanda/Grécia/Suécia/Arábia Saudita)
Meine Frau weint (My Wife Cries), de Angela Schanelec (Alemanha/França)
Moscas, de Fernando Eimbcke (México)
Nina Roza, de Geneviève Dulude-de Celles (Canadá/Itália/Bulgária/Bélgica)
Queen at Sea, de Lance Hammer (Reino Unido/EUA)
Rose, de Markus Schleinzer (Áustria/Alemanha)
Rosebush Pruning, de Karim Aïnouz (Itália/Alemanha/Espanha/Reino Unido)
Soumsoum, la nuit des astres, de Mahamat-Saleh Haroun (França/Chade)
The Loneliest Man in Town, de Tizza Covi e Rainer Frimmel (Áustria)
Wo Men Bu Shi Mo Sheng Ren (We Are All Strangers), de Anthony Chen (Singapura)
Wolfram, de Warwick Thornton (Austrália)
YO Love is a Rebellious Bird, de Anna Fitch e Banker White (EUA)
Yön Lapsi (Nightborn), de Hanna Bergholm (Finlândia/Lituânia/França/Reino Unido)

PERSPECTIVES

17, de Kosara Mitic (Macedônia do Norte/Sérvia/Eslovênia)
A Prayer for the Dying, de Dara Van Dusen (Noruega/Grécia/Reino Unido/Suécia)
Animol, de Ashley Walters (Reino Unido)
Chronicles From the Siege, de Abdallah Alkhatib (Argélia/França/Palestina)
Der Heimatlose (Trial of Hein), de Kai Stänicke (Alemanha)
El Tren Fluvial (The River Train), de Lorenzo Ferro e Lucas A. Vignale (Argentina)
Filipiñana, de Rafael Manuel (Singapura/Reino Unido/Filipinas/França/Holanda)
Forêt Ivre (Forest High), de Manon Coubia (Bélgica/França)
Hangar rojo (The Red Hangar), de Juan Pablo Sallato (Chile/Argentina/Itália)
Nosso Segredo, de Grace Passô (Brasil/Portugal)
Take Me Home, de Liz Sargent (EUA)
Truly Naked, de Muriel d’Ansembourg (Holanda/Bélgica/França)
Where To?, de Assaf Machnes (Israel/Alemanha)

Fotos: Wilssa Esser/Felix Dickinson.

European Film Awards 2026: Valor Sentimental, de Joachim Trier, é consagrado

por: Cinevitor
Stellan Skarsgård e Renate Reinsve: premiados por Valor Sentimental

Foram anunciados neste sábado, 17/01, os vencedores da 38ª edição do European Film Awards, premiação criada pela European Film Academy que elege as melhores produções cinematográficas europeias. Os premiados são escolhidos pelos membros da EFA, que conta com mais de 5.400 integrantes.

A cerimônia, realizada no Haus der Kulturen der Welt, em Berlim, na Alemanha, teve como tema Por que amamos o cinema?. A experiência artística foi cocriada pelo cineasta norte-irlandês Mark Cousins, em conjunto com a equipa criativa da Academia, a compositora alemã de trilhas sonoras Dascha Dauenhauer e o diretor teatral Robert Lehniger.

Neste ano, o consagrado longa norueguês Valor Sentimental, de Joachim Trier, que liderava a lista com nove indicações, se destacou com seis prêmios, entre eles, melhor filme europeu e melhor atriz europeia para Renate Reinsve. O espanhol Sirât, de Oliver Laxe, aparece na sequência com cinco prêmios; o vencedor do LUX Audience Award, uma premiação paralela, será anunciado no dia 14 de abril

Além disso, a icônica atriz norueguesa Liv Ullmann, indicada ao Oscar por Os Emigrantes e Face a Face, foi homenageada com o European Lifetime Achievement; a cineasta italiana Alice Rohrwacher, de Lazzaro felice e La Chimera, foi honrada com o European Achievement in World Cinema. O Eurimages International Co-Production Award foi entregue para Maren Ade, Jonas Dornbach e Janine Jackowski

Confira a lista completa com os vencedores do 38º European Film Awards:

MELHOR FILME EUROPEU
Valor Sentimental, de Joachim Trier (Noruega/França/Dinamarca/Alemanha/Suécia)

MELHOR DIREÇÃO
Joachim Trier, por Valor Sentimental

MELHOR ATRIZ EUROPEIA
Renate Reinsve, por Valor Sentimental

MELHOR ATOR EUROPEU
Stellan Skarsgård, por Valor Sentimental

MELHOR ROTEIRO
Valor Sentimental, escrito por Eskil Vogt e Joachim Trier

MELHOR DOCUMENTÁRIO EUROPEU
Fiume o morte!, de Igor Bezinović (Croácia/Eslovênia/Itália)

MELHOR FILME EUROPEU DE ANIMAÇÃO
Arco, de Ugo Bienvenu (França)

EUROPEAN DISCOVERY | PRÊMIO FIPRESCI
On Falling, de Laura Carreira (Reino Unido/Portugal)

MELHOR CURTA-METRAGEM EUROPEU | PRÊMIO VIMEO
City Of Poets, de Sara Rajaei (Holanda)

PRÊMIO DO PÚBLICO JOVEM
La vita da grandi, de Greta Scarano (Itália)

MELHOR DIREÇÃO DE ELENCO
Sirât, por Nadia Acimi, Luís Bértolo e María Rodrigo

MELHOR DIREÇÃO DE FOTOGRAFIA
Sirât, por Mauro Herce

MELHOR COMPOSITOR EUROPEU | TRILHA SONORA ORIGINAL
Hania Rani, por Valor Sentimental

MELHOR FIGURINO
O Som da Queda, por Sabrina Krämer

MELHOR EDIÇÃO
Sirât, por Cristóbal Fernández

MELHOR MAQUIAGEM E CABELO
Bugonia, por Torsten Witte

MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO
Sirât, por Laia Ateca

MELHOR DESIGN DE SOM
Sirât, por Yasmina Praderas, Amanda Villavieja e Laia Casanovas

Foto: Divulgação/Getty Images.

Festival de Berlim 2026: novos títulos brasileiros são selecionados 

por: Cinevitor
Verônica Cavalcanti no longa cearense Fiz um Foguete Imaginando que Você Vinha

Depois dos primeiros anúncios, a 76ª edição do Festival de Berlim, que acontecerá entre os dias 12 e 22 de fevereiro, revelou os títulos selecionados para as mostras Forum e Forum Expanded; além da seleção da Berlinale Series Market

A mostra Forum aguça o olhar para filmes de relevância social e como forma de reflexão estética. São filmes de pessoas que levam seu trabalho e seu impacto a sério: a maneira como ele afeta nossa convivência, nossas lutas, nossas reconciliações, nossa história e nossas narrativas; como a união, a beleza e a solidariedade são vivenciadas e como moldamos nosso presente e futuro social, cultural, ecológico e político.

Aqui, o cinema brasileiro marca presença com o filme cearense Fiz um Foguete Imaginando que Você Vinha, primeiro longa dirigido por Janaína Marques. Produzido pela Delírio Filmes e Moçambique Audiovisual, o título se constrói como um road movie do inconsciente, uma travessia sensorial guiada pela imaginação como forma de cura.

A seleção foi recebida pela equipe como a coroação de um longo trabalho. Para a diretora, ter a première mundial na mostra Forum da Berlinale já é um prêmio; foi onde estrearam filmes de alguns de seus cineastas favoritos, como Aki Kaurismäki e Tsai Ming-Liang: “Eu sinto que é o lugar que o filme deveria estar”

Fiz um Foguete Imaginando que Você Vinha se desenvolve como um retrato íntimo de uma mulher convocada a revisitar sua própria história quando já não consegue se reconhecer nela. Diante da dificuldade de acessar uma memória feliz, a protagonista Rosa, vivida por Verônica Cavalcanti, mergulha numa busca interior que se torna a própria narrativa do longa. Entre o real e o imaginado, a realidade começa a ceder espaço ao sonho, ao delírio e à memória, uma jornada íntima em que Rosa reencontra a mãe, interpretada por Luciana Souza, e a transforma em parceira de estrada.

Para Marques, nascida em Brasília, mas criada no Ceará, essa jornada é, antes de tudo, um gesto de sobrevivência: “Eu acho que é um filme sobre a vontade de viver, sabe?”, afirma. Incapaz de acessar lembranças felizes, Rosa cria seus próprios caminhos, e a viagem com a mãe ganha um caráter íntimo e restaurador. A diretora afirma que se conecta à personagem a partir do reconhecimento do corpo feminino como território atravessado por imposições e silenciamentos. O delírio surge como gesto de autopreservação: “O nosso próprio corpo, como forma de sobrevivência, acaba buscando certos delírios”, diz Janaína. Ao decidir levar a mãe em sua viagem, o filme afirma uma dimensão de sororidade e memória compartilhada.

Iracema Pankararu no curta brasileiro Floresta do Fim do Mundo

Para o produtor cearense Maurício Macêdo, a Berlinale tem uma importância estratégica porque impulsiona a carreira internacional do longa e antecede um lançamento comercial já confirmado no Brasil, previsto para outubro de 2026, com patrocínio do BNDES. A estreia internacional marca um novo momento na trajetória do filme. A jornada de Rosa e Dalva, que nasceu de uma busca íntima e atravessou paisagens de sonho e delírio, agora se prepara para conquistar outras geografias, ampliando seu diálogo com públicos diversos. Entre o real e o imaginado, entre memória inventada e desejo de viver, o filme segue adiante como um gesto de reinvenção, afirmando a imaginação não como fuga, mas como forma possível de permanência no mundo.

O elenco conta também com Fabíola Líper, Christiane de Lavor, Ridson Reis, Pedro Domingues, Lua Arellano, Paulo Ess, Max Eluard, Jéssica Teixeira, Higor Fernandes, Graco Alves, Daniel Urano, Osiel Gomes e Marta Aurélia. Com roteiro assinado por Xenia Rivery, Pablo Arellano, Taís Monteiro e Pedro Cândido, a fotografia é de Ivo Lopes Araújo; a direção de arte é de Patrícia Passos e a trilha sonora de Clau Aniz. O som é assinado por Homer Mora, Moabe Filho e Pedrinho Moreira; a montagem é de Fred Benevides e Luísa Marques.

Já a mostra Forum Expanded, que tem como pano de fundo os atuais desenvolvimentos políticos em todo o mundo, a crescente incerteza e as guerras em curso, explora-se a questão de quem detém a autoridade para fazer avaliações e designações históricas, bem como a possibilidade de outras perspectivas. As instalações, filmes, vídeos e performances de 30 países trazem, assim, fissuras e rupturas à luz, apontando para coisas aparentemente esquecidas, cuja presença permanece palpável apesar de todas as tentativas de as negar. Muitas das obras cinematográficas selecionadas focam-se nas formas como indivíduos e Estados escrevem suas histórias.

Nesta seleção, o Brasil se destaca com Floresta do Fim do Mundo, de Felipe M. Bragança e Denilson Baniwa. O curta-metragem mostra Suely, uma mulher indígena que vive em uma grande cidade brasileira e passa seus dias em um pequeno apartamento. Em seus sonhos, ela se comunica com uma floresta e se conecta aos segredos de um mundo em transformação radical. O filme conta com Iracema Pankararu, Ítalo Martins e Ywyzar Tentehar no elenco. 

Enquanto isso, na Berlinale Series Market 2026, plataforma do European Film Market, que fornece uma prévia exclusiva das séries mais esperadas do mundo todo, o Brasil aparece com Emergência 53, série médica do Globoplay. A obra mergulha nos dramas e nas histórias dos profissionais da saúde que estão na linha de frente de uma unidade especial do serviço móvel de urgência. Profissionais brilhantes que, de alguma forma, foram marginalizados pelo sistema e vivem para evitar que outros morram.

A série foi criada por Claudio Torres, Márcio Maranhão e Andrucha Waddington, é escrita por Claudio Torres e Fábio Mendes e tem direção e produção de Andrucha Waddington e Claudio Torres. Com produção da Conspiração Filmes, o elenco conta com Fernanda Montenegro, Valentina Herszage, Yara de Novaes, Emílio de Mello, Heloísa Jorge, Ana Hikari, Raquel Villar, William Nascimento e Jaffar Bambirra

Conheça os novos filmes selecionados para o 76º Festival de Berlim:

FORUM

AnyMart, de Yusuke Iwasaki (Japão)
Auslandsreise, de Ted Fendt (Alemanha)
Black Lions: Roman Wolves, de Haile Gerima (Etiópia/EUA)
Cesarean Weekend, de Mohammad Schirvani (Irã)
Chronos: Fluss der Zeit, de Volker Koepp (Alemanha)
Crocodile, de The Critics e Pietra Brettkelly (Nova Zelândia/Nigéria)
De capul nostru, de Tudor Cristian Jurgiu (Romênia/Itália)
Doggerland, de Kim Ekberg (Suécia)
Effondrement, de Anat Even (França)
EIGHT BRIDGES, de James Benning (EUA)
Einar Schleef: Ich habe kein Deutschland gefunden, de Sandra Prechtel (Alemanha)
Everything Else Is Noise, de Nicolás Pereda (México/Alemanha/Canadá)
Fiz um Foguete Imaginando que Você Vinha, de Janaína Marques (Brasil)
Flying Tigers, de Madhusree Dutta (Alemanha/Índia)
Forest up in the Mountain, de Sofia Bordenave (Argentina)
Ghost in the Cell, de Joko Anwar (Indonésia)
Hear the Yellow, de Banu Sıvacı (Turquia)
If Pigeons Turned to Gold, de Pepa Lubojacki (Tchéquia/Eslováquia)
Joy Boy: A Tribute to Julius Eastman, de Mawena Yehouessi, Fallon Mayanja, Rob Jacobs, Victoire Karera Kampire, Paul Shemisi e Anne Reijniers (Bélgica)
Liebhaberinnen, de Koxi (Alemanha/Luxemburgo)
Lust, de Ralitza Petrova (Bulgária/Dinamarca/Suécia)
Masayume, de Nao Yoshigai (Japão)
Members of the Problematic Family, de R Gowtham (Índia)
My Name, de Chung Ji-young (Coreia do Sul)
Nous sommes les fruits de la forêt, de Rithy Panh (Camboja/França)
Panda, de Xinyang Zhang (Singapura/Hong Kong/China)
Piedras preciosas, de Simón Vélez (Colômbia/Portugal)
Prénoms, de Nurith Aviv (França)
Szenario, de Marie Wilke (Alemanha)
The Day of Wrath: Tales from Tripoli, de Rania Rafei (Líbano/Arábia Saudita/Qatar)
The Moths & the Flame, de Kevin Contento (EUA)
Was an Empfindsamkeit bleibt, de Daniela Magnani Hüller (Alemanha)

FORUM EXPANDED

A Circle as the Center of the Whole, de Utkarsh (EUA/Índia)
Born of the Yam, de Mark Chua e Lam Li Shuen (Singapura)
El León, de Diana Bustamante (Colômbia)
Exprmntl 4 Knokke, de Claudia von Alemann e Reinold E. Thiel (Alemanha)
Film No. 4 (Bottoms), de Yoko Ono (EUA)
Filme Pin, de María Rojas Arias e Andrés Jurado (La Vulcanizadora) (Colômbia/Portugal)
Floresta do Fim do Mundo, de Felipe M. Bragança e Denilson Baniwa (Brasil)
Forever…Forever, de Johann Lurf (Áustria/França)
Fruits of Despair, de Nima Nassaj (Irã)
İki Laborantın Yorgun Saatleri, de Burak Çevik (Turquia/Alemanha/Reino Unido/Croácia)
Katabasis, de Martin Moolhuijsen (Alemanha/Itália)
Let There Be Whistleblowers, de Ken Jacobs e Flo Jacobs (EUA)
Metanoia, de Bigum + Björge (Alemanha/Finlândia)
MUSCLE, de Karimah Ashadu (Itália/Reino Unido/EUA/Alemanha/Nigéria)
Narrative, de Anocha Suwichakornpong (Tailândia/Coreia do Sul/Japão)
Nursery Rhymes. (Holy) Water, de Belinda Kazeem-Kamiński (Áustria/Itália)
Oghneyet Touha Al Hazina, de Atteyat Al Abnoudy (Egito)
Phi Pattana, de Komtouch Napattaloong (Tailândia)
Pink Schlemmer, de Oliver Husain (Canadá)
The Dislocation of Amber, de Hussein Shariffe (Sudão)
The Recce, de Daniel Mann (Reino Unido/Alemanha)
This Desirable Device, de Mina Simendić (Sérvia/Alemanha)
This Suffocating Now, de Vika Kirchenbauer (Alemanha)
Uchronia, de Fil Ieropoulos (Grécia/Holanda)
Warnungen an die ferne Zukunft, de Juliane Jaschnow e Stefanie Schroeder (Alemanha)
Yurugu: Invisible Lines, de Petna Ndaliko Katondolo e Laurent Van Lancker (República Democrática do Congo/Bélgica/EUA)

FORUM EXPANDED EXHIBITION

Butterfly Stories: Malaise II, de Laurence Favre (Suíça/Alemanha)
Casting for a Film, Ihsan’s Diary, de Lamia Joreige (Líbano)
Fanfictie: Volcanology, de Riar Rizaldi (Indonésia/Itália)
Industries of Denial, Stage 10: From Musa Dagh to Port Saïd, de Angela Melitopoulos e Kerstin Schroedinger (Alemanha/Grécia/Finlândia)
Land Invaders, de Cassandra Gardiner e Juan Mateo Menendez (EUA)
The sun that fell into the water, de Lena Kocutar (Alemanha/Eslovênia)
We Deh Here, de Maybelle Peters (Reino Unido)

Fotos: Delírio Filmes/Moçambique Audiovisual/Denilson Baniwa Estúdio.

Hamnet: A Vida Antes de Hamlet

por: Cinevitor

Direção: Chloé Zhao

Elenco: Jessie Buckley, Paul Mescal, Jacobi Jupe, Emily Watson, Joe Alwyn, Noah Jupe, Olivia Lynes, David Wilmot, Justine Mitchell, Freya Hannan-Mills, Zac Wishart, James Lintern, Eva Wishart, Effie Linnen, Dainton Anderson, James Skinner, Louisa Harland, Elliot Baxter, Faith Delaney, Smylie Bradwell, Laura Guest, John Mackay, Bodhi Rae Breathnach, Edward Anderson, El Simons, Sam Woolf, Hera Gibson, Jack Shalloo, Raphael Goold, Shaun Mason, Matthew Tennyson, Clay Milner Russell, Javier Marzan, Neil Dodgson-Hatto.

Ano: 2025

Sinopse: A trama acompanha Agnes, esposa de William Shakespeare, enquanto enfrenta a dor da perda de seu filho, Hamnet. O filme explora a força do luto e a capacidade de ressignificação ao mesmo tempo em que revela o pano de fundo para a criação de Hamlet, a obra mais famosa do dramaturgo inglês.

Nota do CINEVITOR:

Festival de Berlim 2026 anuncia novos títulos; produções brasileiras são selecionadas

por: Cinevitor
Yuri Gomes no longa cearense Feito Pipa, de Allan Deberton

Depois de anunciar os primeiros filmes, a 76ª edição do Festival de Berlim, que acontecerá entre os dias 12 e 22 de fevereiro, revelou novos títulos selecionados e o cinema brasileiro ganha destaque com diversas obras. 

Com um programa abrangente de filmes contemporâneos que exploram as vidas e os mundos de crianças e adolescentes, a Berlinale Generation desfruta de uma posição única como instigadora de um cinema jovem que quebra convenções. Os títulos fazem parte das mostras Generation Kplus e Generation 14plus, dois programas de competição que exibem um cinema internacional de última geração para o público jovem e para todos os outros.

O Brasil marca presença na Generation Kplus com Feito Pipa, dirigido pelo cineasta cearense Allan Deberton, de Pacarrete e O Melhor Amigo. Com Yuri Gomes, Teca Pereira e Lázaro Ramos no elenco, o longa acompanha a história de Gugu, um menino de quase 12 anos que sonha em se tornar jogador de futebol e vive com a avó Dilma, uma professora aposentada que o cria de forma livre e afetuosa. Quando a avó fica frágil, Gugu tenta esconder essa situação a qualquer custo, com medo de ser separado dela e ser obrigado a morar com o pai, que não o aceita como ele é. 

O diretor Allan Deberton comentou a seleção para o Festival de Berlim: “Um sonho acontecendo! A conquista da melhor vitrine que este filme poderia ter. Pessoalmente, é muito emocionante ver um filme que fala de desejo de pertencimento, de família e de coragem sendo acolhido num festival onde o olhar é exigente e afetuoso ao mesmo tempo. É como se a Berlinale dissesse: essa experiência importa. E isso dá ao filme um alcance simbólico e humano gigantesco”. Com roteiro de André Araújo e rodado em Quixadá e cidades vizinhas do interior do Ceará, o filme se passa às margens da barragem de Araújo Lima, onde após anos de seca revela uma antiga cidade submersa em ruínas. O longa conta ainda com Carlos Francisco, Georgina Castro, Luan Vasconcelos, Beatriz Carwile, Nathyel Martins, Manuela Paulino, Pablo Vinícios e Enzo Uejo no elenco. 

A produção é assinada pela Deberton Filmes, produtora cearense liderada por Allan Deberton e pelo produtor Marcelo Pinheiro. A empresa divide a produção do filme com a Biônica Filmes, desde o desenvolvimento do projeto em uma parceria onde somam forças artísticas e executivas. O filme tem produção associada da Mistika, patrocínio do Nubank e apoio do Projeto Paradiso através da Incubadora Paradiso. Em coprodução com a Warner Bros., a distribuição no Brasil é da Paris Filmes.

Já na Generation 14plus, o cinema nacional ganha destaque com Quatro Meninas, dirigido por Karen Suzane e produzido por Marcello Ludwig Maia. Premiado no Festival de Brasília, o elenco conta com Ágatha Marinho, Dhara Lopes, Maria Ibraim e Alana Cabral

A sinopse diz: Encarregadas dos cuidados pessoais de quatro estudantes em um internato no interior, elas sobrevivem às suas circunstâncias sonhando com a liberdade. Quando um romance impensado põe a vida de Lena em perigo, os sonhos de fuga tornam-se necessidade e as quatro meninas decidem fugir. Para sua surpresa, suas sinhás descobrem o plano e exigem ir junto. Encontrando abrigo em um casarão abandonado, o grupo enfrenta desafios de convivência. Livres das estruturas de poder tradicionais, as moças negras experimentam o poder, o amor e a possibilidade de sonhar com o futuro, enquanto as brancas resistem a aprender a ajudar nas tarefas domésticas, cuidar de si mesmas e encarar seus erros. Quando uma velha ameaça ressurge, no entanto, todas precisam se unir para sobreviver.

Na mostra Panorama, que destaca o cinema internacional contemporâneo, ousado e não convencional, o Brasil aparece com três produções, entre elas, Se eu fosse vivo… vivia, de André Novais Oliveira. Ambientado entre o Brasil dos anos 1970 e os dias atuais, o filme acompanha a história de Gilberto e Jacira, um casal que atravessa cinco décadas de vida em comum. Quando Jacira é subitamente internada, Gilberto passa a vivenciar acontecimentos perturbadores, numa espiral que atravessa o tempo e o espaço, e que o conduzem a uma experiência profunda de memória e amor. O longa transita entre o drama íntimo, a comédia de costumes e elementos inesperados da ficção científica, mantendo o olhar sensível para o cotidiano, característica da obra do diretor. 

Conceição Evaristo e Norberto Novais Oliveira em Se eu fosse vivo… vivia

A obra marca a estreia da lendária escritora Conceição Evaristo no cinema, em uma atuação de forte presença e delicadeza, ao lado de Norberto Novais Oliveira, pai do diretor e protagonista de diversos filmes recentes do cinema brasileiro. O elenco conta ainda com Jean Paulo Campos e Tainá Evaristo, que interpretam o casal em sua juventude, além de participações de Wilson Rabelo, Aisha Brunno, Demétrio Nascimento, Suellen Sampaio e Zora Santos.

Produzido pela Filmes de Plástico, em coprodução com o Canal Brasil, e distribuído no Brasil pela Malute, o filme foi rodado em cidades da Região Metropolitana de Belo Horizonte, como Contagem e Belo Horizonte, além de Itaúna, Matozinhos e Pedro Leopoldo. Na equipe, estão a diretora de fotografia Leonor Teles, vencedora do Urso de Ouro em Berlim pelo curta Balada de um Batráquio; o diretor de arte Diogo Hayashi; a figurinista Diana Moreira; o premiado desenhista de som Pablo Lamar; e a trilha sonora original assinada pelo grupo Metá Metá. A montagem é dividida entre Gabriel Martins e o próprio André Novais Oliveira.

Outro destaque nacional na mesma mostra é Isabel, de Gabe Klinger. Produzido por Rodrigo Teixeira, da RT Features, o longa é protagonizado por Marina Person, que interpreta a personagem-título: uma sommelière no cenário de alta gastronomia de São Paulo que sonha em escapar do seu chefe controlador e montar seu próprio bar de vinhos. O roteiro mistura experiências pessoais da própria atriz com histórias de mulheres reais dentro da cultura de vinhos artesanais brasileiros. O elenco conta também com Caio Horowicz, John Ortiz, Marat Descartes e Clarisse Abujamra.

Marina Person, que também assina o roteiro ao lado do diretor, não é apenas a atriz principal; ela vive um lado da personagem Isabel todos os dias de sua vida. Apaixonada por vinhos, Marina e seu parceiro, o cineasta Gustavo Rosa de Moura, estavam prestes a abrir uma loja de vinhos e outros produtos fermentados em São Paulo quando a crise da Covid-19 interrompeu os planos. Os desafios para retomar o projeto permanecem, mas o desejo efervescente de abrir sua loja não diminuiu: “Escrevi Isabel sem nunca ter conhecido Marina. Quando finalmente fomos apresentados, ela leu o roteiro com profunda afeição pela personagem e imediatamente consolidamos nossa parceria criativa. Ao continuar desenvolvendo a história de Isabel, nos inspiramos na biografia da própria Marina, bem como nas histórias de várias mulheres no mundo dos vinhos brasileiros”, disse Klinger

Rodado em 16 mm e filmando exclusivamente em locações reais, Klinger se inspirou em obras como São Paulo Sociedade Anônima, de Luiz Sérgio Person, que retrata a cidade de forma realista e espontânea. Sobre a seleção na Berlinale, Rodrigo Teixeira disse: “Isabel é um filme muito sensível e o Gabe é muito talentoso. Estamos ansiosos para mostrar este filme em Berlim”

Além desses títulos, o Brasil aparece em coprodução de Narciso, por Julia Murat, do cineasta paraguaio Marcelo Martinessi. Com Diro Romero, Manuel Cuenca, Mona Martinez e Nahuel Perez Biscayart no elenco, o longa se passa no Paraguai, em 1958. O carismático Narciso retorna de Buenos Aires com o rock ‘n’ roll correndo em suas veias. Sob o regime militar sufocante, ele se torna uma sensação musical e um símbolo de liberdade. Mas então, após seu último show, ele é encontrado morto. 

Vale destacar que, anteriormente, outros dois filmes brasileiros já estavam confirmados na Berlinale: A Fabulosa Máquina do Tempo, de Eliza Capai; e Papaya, de Priscilla Kellen. Clique aqui e saiba mais. E mais: depois de anunciar Michelle Yeoh como uma das homenageadas, o Festival de Berlim confirmou que o compositor e artista contemporâneo britânico-alemão Max Richter, de Valsa com Bashir e indicado ao Emmy pela série Taboo, será honrado com o Berlinale Camera 2026

E mais: nesta 76ª edição, o Festival de Berlim exibirá uma mostra especial sobre o Teddy Award, prêmio paralelo que completa 40 anos e reconhece a importância cultural dos filmes e artistas queer, abrindo caminho para maior visibilidade e inclusão. A seleção de filmes com temática LGBTQIA+ conta com seis curtas e oito longas-metragens que se destacaram ao longo da história da premiação. 

Conheça os novos filmes selecionados para o 76º Festival de Berlim:

BERLINALE SPECIAL GALA

Die Blutgräfin (The Blood Countess), de Ulrike Ottinger (Áustria/Luxemburgo/Alemanha)
Good Luck, Have Fun, Don’t Die, de Gore Verbinski (Alemanha)
Heysel 85, de Teodora Ana Mihai (Bélgica/Holanda/Alemanha)
O Testamento de Ann Lee, de Mona Fastvold (EUA/Reino Unido)
The Only Living Pickpocket in New York, de Noah Segan (EUA)
The Weight, de Padraic McKinley (Alemanha/EUA)

BERLINALE SPECIAL PRESENTATION

TUTU, de Sam Pollard (Reino Unido)
Un hijo propio, de Maite Alberdi (México)
WAX & GOLD, de Ruth Beckermann (Áustria)
Who Killed Alex Odeh?, de Jason Osder e William Lafi Youmans (EUA)

PANORAMA

Árru, de Elle Sofe Sara (Noruega/Suécia/Finlândia)
El jardín que soñamos, de Joaquín del Paso (México)
Enjoy Your Stay, de Dominik Locher e Honeylyn Joy Alipio (Suíça/França/Filipinas)
Geunyeoga doraon nal (The Day She Returns), de Hong Sang-soo (Coreia do Sul)
Ich verstehe Ihren Unmut, de Kilian Armando Friedrich (Alemanha)
Isabel, de Gabe Klinger (Brasil/França)
Lady, de Olive Nwosu (Reino Unido)
Lali, de Sarmad Sultan Khoosat (Paquistão)
Narciso, de Marcelo Martinessi (Paraguai/Alemanha/Uruguai/Brasil/Portugal/Espanha/França)
Paradise, de Jérémy Comte (Canadá/França/Gana)
Roya, de Mahnaz Mohammadi (Alemanha/Luxemburgo/República Tcheca/Irã)
Rumaragasa, de Ryan Machado (Filipinas)
Safe Exit, de Mohammed Hammad (Egito/Líbia/Tunísia/Qatar/Alemanha)
Se eu fosse vivo… vivia, de André Novais Oliveira (Brasil)
Shanghai Daughter, de Agnis Shen Zhongmin (China)
The Education of Jane Cumming, de Sophie Heldman (Alemanha/Suíça/Reino Unido)
The Moment, de Aidan Zamiri (EUA/Reino Unido)
Vier minus drei (Four Minus Three), de Adrian Goiginger (Áustria/Alemanha)

PANORAMA DOKUMENTE

Douglas Gordon by Douglas Gordon, de Finlay Pretsell (Reino Unido/França)
Im Umkreis des Paradieses (Around Paradise), de Yulia Lokshina (Alemanha)
La Face cachée de la Terre, de Arnaud Alain (França)
Siri Hustvedt: Dance Around the Self, de Sabine Lidl (Alemanha/Suíça)
The Other Side of the Sun, de Tawfik Sabouni (Bélgica/França/Arábia Saudita)
Traces, de Alisa Kovalenko e Marysia Nikitiuk (Ucrânia/Polônia)
Tristan Forever, de Tobias Nölle e Loran Bonnardot (Suíça)

GENERATION KPLUS

Abracadabra, de Amay Mehrishi (Reino Unido/Índia)
Atlasul universului, de Paul Negoescu (Romênia/Bulgária)
En, ten, týky!, de Andrea Szelesová (República Tcheca)
Entotsumachi no Poupelle: Yakusoku no Tokeidai, de Hirota Yusuke (Japão)
Feito Pipa, de Allan Deberton (Brasil)
Imaginarni brojevi, de Jelica Jerinić (Sérvia/Croácia)
Lángbogár a zsebemben, de Janka Feiner (Hungria)
Not a Hero, de Rima Das (Índia/Singapura)
Speedy!, de Oh Jiin (Coreia do Sul)
Spî (White/Weiß), de Navroz Shaban (Curdistão iraquiano)
Under The Wave off Little Dragon, de Jian Luo (Reino Unido)
Whale 52: Suite for Man, Boy, and Whale, de Daniel Neiden (EUA)
Yercekimi, de Dalya Keleş (Turquia)

GENERATION 14PLUS

A Family, de Mees Peijnenburg (Holanda/Bélgica)
Allá en el cielo, de Roddy Dextre (Peru)
C’est ma soeur, de Zoé Pelchat (Canadá)
Chicas Tristes, de Fernanda Tovar (México/Espanha/França)
Cuando llegue a casa, de Edgar Adrián (México)
En Route To, de Yoo Jae-in (Coreia do Sul)
Hotel Oblique, de Merlin Flügel (Alemanha)
Jülapüin Yonna, de Luzbeidy Monterrosa Atencio (Colômbia)
Mambo Kids, de Emanuele Tresca (Itália)
Matapanki, de Diego “Mapache” Fuentes (Chile)
No Salgas, de Victoria Linares Villegas (República Dominicana)
Quatro Meninas, de Karen Suzane (Brasil/Holanda)
Scorching, de Wang Beidi (China)
Sunny Dancer, de George Jaques (Reino Unido)
The lights, they fall, de Saša Vajda (Alemanha)
What Will I Become?, de Lexie Bean e Logan Rozos (EUA)

BERLINALE SPECIAL SERIES

House of Yang, de Stefanie Ren e Mia Spengler (Alemanha)
La casa de los espíritus, de Francisca Alegría e Andrés Wood (Chile)
Lord of the Flies, de Marc Munden (Reino Unido)
Mint, de Charlotte Regan (Reino Unido)
Ravalear, de Pol Rodríguez e Isaki Lacuesta (Espanha)
The Story of Documentary Film, de Mark Cousins (Reino Unido)

BERLINALE SPECIAL MIDNIGHT

Monster Pabrik Rambut, de Edwin (Indonésia/Singapura/Japão/Alemanha/França)
Saccharine, de Natalie Erika James (Austrália)
The Ballad of Judas Priest, de Sam Dunn e Tom Morello (EUA)

BERLINALE CLASSICS

Assarab, de Ahmed Bouanani (1979) (Marrocos)
Despedida em Las Vegas, de Mike Figgis (1995) (EUA)
In Which Annie Gives It Those Ones, de Pradip Krishen (1989) (Índia)
Jubei Ninpucho (Ninja Scroll), de Yoshiaki Kawajiri (1993) (Japão)
Kryshtalevyi Palats (Crystal Palace), de Hryhori Hrycher (1934) (Ucrânia)
O Hotel do Alpinista Morto (Hukkunud Alpinisti hotell), de Grigori Kromanov (1979) (Estônia)
Os Pornógrafos: Introdução à Antropologia (Erogotoshi-tachi yori: Jinruigaku nyûmon), de Shōhei Imamura (1966) (Japão)
Panelstory, aneb jak se rodí sídliště, de Věra Chytilová (1979) (Checoslováquia)
Quermesse Heróica (La Kermesse héroïque), de Jacques Feyder (1935) (França/Alemanha)
Segredos de uma Alma (Geheimnisse einer Seele), de Georg Wilhelm Pabst (1926) (Alemanha)

BERLINALE SHORTS

A Woman’s Place is Everywhere, de Fanny Texier (EUA)
Chuuraa, de Evgenia Arbugaeva (Reino Unido)
Cosmonauts, de Leo Černic (Eslovênia/Itália)
Di san xian, de Jingkai Qu (China)
Ein Unfall, de Angelika Spangel (Áustria)
Flim Flam, de Siegfried A. Fruhauf (Áustria)
Graft Versus Host, de Giorgi Gago Gagoshidze (Alemanha/Geórgia)
Henry is a Girl Who Likes to Sleep, de Marthe Peters (Bélgica)
Kontrewers, de Zuza Banasińska (Holanda/Polônia/França)
La hora de irse, de Renzo Cozza (Argentina)
Les âmes du Fouta, de Alpha Diallo (França/Senegal)
Les juifs riches, de Yolande Zauberman (França)
Miriam, de Karla Condado (México)
Mit einem freundlichen Gruss, de Pavel Mozhar (Alemanha)
Oupatevak het tam phnom, de Savunthara Seng (Camboja)
Plan contraplan, de Radu Jude e Adrian Cioflâncă (Romênia)
Stallion y la bola de cristal, de Christian Avilés (Espanha)
TAXI MOTO, de Gaël Kamilindi (Suíça/França)
Unidentifizierte Unflugobjekte (UUO), de Sasha Svirsky (Alemanha)
Yawman ma walad, de Marie-Rose Osta (França/Romênia/Líbano)
Yuragim, de Varia Garib e Kirill Komar (Áustria/Uzbequistão)

FORUM SPECIAL

AI Realism: Qantar 2022, de Almagul Menlibayeva (Cazaquistão)
Barbara Forever, de Brydie O’Connor (EUA)
Beaucoup parler, de Pascale Bodet (França)
Frauen in Berlin, de Chetna Vora (Alemanha)
Istenmezején 1972–73-ban, de Judit Elek (Hungria)
L’uomo più bello del mondo, de Paolo Baiguera (Itália)
Love Your Nails!, de Narges Kalhor (Alemanha)
MegatrashwannabebigstarXD, de Ava Leandra Kleber e Elisa Deutloff (Alemanha)
My Brother’s Wedding, de Charles Burnett (EUA/Alemanha)
Quand tu écouteras cette chanson, de Mona Achache (França)
River Dreams, de Kristina Mikhailova (Cazaquistão/Suíça/Reino Unido)
Találkozás, de Judit Elek (Hungria)
The Valley where LOAB Lives, de Georg Tiller (Áustria)

TEDDY 40

575 Castro St., de Jenni Olson (2008) (EUA)
Entropia, de Flóra Anna Buda (2018) (Hungria)
Kokomo City, de D. Smith (2023) (EUA)
Liebe, Eifersucht und Rache, de Michael Brynntrup (1991) (Alemanha)
Mil nubes de paz cercan el cielo, amor, jamás acabarás de ser amor, de Julián Hernández (2003) (México)
Mondial 2010, de Roy Dib (2014) (Líbano)
O Desabrochar de Maximo Oliveros, de Kanakan-Balintagos (2005) (Filipinas)
Playback. Ensayo de una despedida, de Agustina Comedi (2019) (Argentina)
The Watermelon Woman, de Cheryl Dunye (1996) (EUA)
To Write From Memory, de Emory Chao Johnson (2023) (EUA)
Tomboy, de Céline Sciamma (2011) (França)
Tunten lügen nicht, de Rosa von Praunheim (2002) (Alemanha)
Uma Mulher Fantástica, de Sebastián Lelio (2017) (Chile/EUA/Alemanha/Espanha)
Verführung: Die grausame Frau, de Elfi Mikesch e Monika Treut (1985) (Alemanha)

Fotos: Jamille Queiroz/Janine Moraes.