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Protagonizado por Leonardo Medeiros, filme sobre Allan Kardec ganha trailer

por: Cinevitor

kardectrailer1Protagonizado por Leonardo Medeiros, o longa também foi rodado em Paris.

Dirigido por Wagner de Assis, de Nosso Lar e A Menina Índigo, Kardec é baseado no livro Kardec – A Biografia, de Marcel Souto Maior. Leonardo Medeiros interpreta Allan Kardec e Sandra Corveloni vive sua esposa, Amélie-Gabrielle Boudet.

O trailer, que acaba de ser divulgado, mostra o cético professor Rivail, apaixonado pelo conhecimento científico, em sua jornada para entender a origem das mensagens que lhe são enviadas através de diferentes médiuns. Em plena Paris do século XIX, ele investiga o fenômeno das mesas girantes até se tornar o codificador da doutrina espírita e assumir o pseudônimo Allan Kardec.

Leonardo Medeiros é o protagonista Hippolyte Léon Denizard Rivail, reconhecido depois como Allan Kardec, o educador francês nascido em 1804 que codificou o espiritismo a partir de 1857. O roteiro, assinado por Wagner de Assis e L.G. Bayão, acompanha a trajetória de Kardec desde o período em que atuava como educador, passando pela investigação dos fenômenos, pelo processo de codificação da doutrina espírita, até a publicação e repercussão de O Livro dos Espíritos.

O elenco conta também com Guilherme Piva, Genézio de Barros, Guida Vianna, Julia Konrad, Charles Fricks, Licurgo Spinola, Leticia Braga, Júlia Svacinna, Dalton Vigh e Louise D’Tuani.

Confira o trailer de Kardec, que estreia nos cinemas no dia 16 de maio:

Foto: Daniel Behr.

Caixa de Pandora: parceria entre Cinépolis e Pandora Filmes exibirá longas independentes

por: Cinevitor

sombradopaipandoraNina Medeiros e Julio Machado em A Sombra do Pai, de Gabriela Amaral Almeida.

Nesta sexta-feira, 15/03, foi lançado o projeto Caixa de Pandora, criado com o objetivo de fortalecer a exibição de filmes independentes, de diversas nacionalidades, em cidades que atualmente não costumam receber esse tipo de produção. O evento, realizado para a imprensa, aconteceu no Cinépolis JK Iguatemi, em São Paulo, e contou com a presença de Luiz Gonzaga de Luca, presidente da Cinépolis Brasil, e André Sturm e Paula Cosenza, da Pandora Filmes.

Quinzenalmente, 25 salas da rede Cinépolis, em 16 estados, abrirão espaço na programação para exibir um conteúdo audiovisual culturalmente diversificado. A curadoria fica por conta da distribuidora Pandora Filmes, que completa 30 anos de mercado em 2019. Pretende-se, assim, promover e fomentar o cinema independente para além das grandes capitais brasileiras.

A partir de abril de 2019, a Cinépolis começa a exibir em sua programação filmes inéditos nacionais e internacionais, de diretores consagrados e jovens talentos, com passagens nos festivais mais importantes mundo afora, como Cannes, Sundance, Veneza, Berlim e Toronto, que já fazem parte do histórico da Pandora Filmes.

“A Pandora sempre buscou ampliar os horizontes da distribuição de filmes independentes no Brasil e este projeto com a Cinépolis é a síntese dessa missão, um grande estímulo à diversidade cultural”, comentou Paula Cosenza, sócia da distribuidora.

eventocaixadepandoraLuiz Gonzaga de Luca, André Sturm e Paula Cosenza no evento.

O primeiro longa exibido pelo Caixa de Pandora será o francês Quando Margot Encontra Margot, de Sophie Fillières, protagonizado pela premiada atriz Sandrine Kiberlain, no dia 4 de abril. No mesmo mês, no dia 18, estreia O Mau Exemplo de Cameron Post, com Chloë Grace Moretz e vencedor do Grande Prêmio do Júri no Festival de Sundance do ano passado.

Na primeira semana de maio, chega às telas da Cinépolis o novo longa da diretora Gabriela Amaral Almeida, A Sombra do Pai, com Julio Machado e Nina Medeiros, premiado no 51º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Já no dia 16 de maio, será a vez de Compre-me um Revólver, longa mexicano de Julio Hernández Cordón, exibido nos festivais de Cannes e San Sebastián.

Confira a vinheta de lançamento do projeto:

Saiba quais serão os complexos Cinépolis que participarão da Caixa de Pandora:

São Paulo: Cinépolis JK Iguatemi
Barueri: Cinépolis Iguatemi Alphaville
Bauru: Cinépolis Nações Bauru
Campinas: Cinépolis Campinas Shopping
Guarulhos: Cinépolis Parque Maia
Jundiaí: Cinépolis Jundiaí Shopping
Sorocaba: Cinépolis Iguatemi Esplanada Sorocaba
Ribeirão Preto: Cinépolis Iguatemi Ribeirão Preto
São José do Rio Preto: Cinépolis Iguatemi São José do Rio Preto
Rio de Janeiro: Cinépolis Lagoon
São José: Cinépolis Continente Park
Uberlândia: Cinépolis Center Shopping Uberlândia
Curitiba: Cinépolis Pátio Batel
Caxias do Sul: Cinépolis San Pelegrino
Santa Maria: Cinépolis Praça Nova
Olinda: Cinépolis Patteo Olinda
Macapá: Cinépolis Amapá Garden
João Pessoa: Cinépolis Manaíra Shopping
São Luis: Cinépolis São Luís Shopping
Natal: Cinépolis Natal Shopping
Belém: Cinépolis Boulervard Belém
Manaus: Cinépolis Millennium
Salvador: Cinépolis Bela Vista
Teresina: Cinépolis Rio Poty
Fortaleza: Cinépolis RioMar Fortaleza

Fotos: Divulgação.

Confira o trailer de António Um Dois Três, primeiro longa-metragem de Leonardo Mouramateus

por: Cinevitor

trailerantonio123Protagonista: Mauro Soares em cena.

Primeiro longa-metragem dirigido por Leonardo Mouramateus, António Um Dois Três conta as aventuras e desventuras de António, um jovem lisboeta que vive as dúvidas e inseguranças comuns dos jovens adultos na casa dos vinte anos.

Uma coprodução entre Brasil e Portugal, o filme é inspirado no livro As Noites Brancas, de Dostoiévski, e explora as diferenças culturais entre os dois países. Nascido em Fortaleza, Leonardo dirigiu diversos curtas-metragens e foi morar em Lisboa para estudar na faculdade de Belas Artes. Segundo ele, o projeto do longa nasceu de forma natural: “Vivendo faz pouco tempo em Lisboa, entrei em contato com o Miguel Ribeiro [produtor], e logo depois conheci o Mauro Soares, ator que faz o António. Tínhamos algumas ideias e toda a concepção da obra surgiu desse e de outros encontros com a Deborah Viegas e com a Aline Belfort, por exemplo. Nossa ideia era fazer um pequeno filme, de cerca de 30 minutos, a cada 6 meses, com baixo orçamento, seguindo um mesmo personagem sem saber exatamente o rumo que a história desse rapaz tomaria”.

Depois de sua estreia no Festival Internacional de Cinema de Roterdã, António Um Dois Três participou de diversos festivais pelo mundo como: BAFICI (Argentina), IndieLisboa (Portugal), Filmadrid (Espanha), Pesaro Film Festival (Itália), Taipei Film Festival (Taiwan), Filmfest Hamburg (Alemanha), Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, Mostra Cinema e Resistência (Fortaleza), Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, entre outros.

No 23º Caminhos do Cinema Português, em Coimbra, foi premiado nas categorias de melhor filme, melhor filme da crítica e Prêmio Revelação para o ator Mauro Soares; no Crossing Europe Film Festival, na Áustria, ganhou como melhor filme.

Confira o trailer de António Um Dois Três, que estreia no dia 28 de março:

Foto: Divulgação/Olhar Distribuição.

Sessão Mutual Films apresenta o programa Dois Lados do Pacífico com filmes de Seijun Suzuki e Lewis Klahr

por: Cinevitor

marcaassassinoimsMariko Ogawa e Jô Shishido em A Marca do Assassino, do cineasta japonês Seijun Suzuki.

A Sessão Mutual Films, realizada no Instituto Moreira Salles, é um evento bimestral com o propósito de criar diálogos entre as várias faces do meio cinematográfico, trazendo para o público, sempre que possível, filmes, restaurações e eventos inéditos em sessões duplas. A curadoria é realizada pelo crítico de cinema e programador Aaron Cutler e a artista plástica Mariana Shellard.

O programa Dois Lados do Pacífico, que será realizado em março, apresenta um diálogo entre Tóquio e Los Angeles por meio de filmes de um recém-falecido mestre do cinema pop japonês e de um cineasta experimental americano contemporâneo, muito influenciado por ele. A sessão mergulha no universo de vanguarda pop, a partir de uma obra marcante e icônica da época e uma contemporânea que se volta às referências do passado com o olhar do presente.

A Marca do Assassino (1967), um dos filmes mais cultuados de Seijun Suzuki, é um neo-noir sobre a manipulação corporativa na disputa entre os maiores assassinos de aluguel do Japão; será exibido em uma nova cópia DCP. A animação 66 (2015), de Lewis Klahr, é um filme colagem de narrativa fragmentada com referências à mitologia grega, organizado em 12 episódios que representam o ano 1966; e terá sua estreia brasileira no IMS.

Os filmes serão exibidos em São Paulo nos dias 21 e 24 de março, e no Rio de Janeiro nos dias 23 e 27. A primeira sessão em São Paulo de A Marca do Assassino terá apresentação de Fernando Brito, curador da Versátil Home Video; a primeira sessão de 66 no Rio de Janeiro será apresentada pelo designer gráfico e pesquisador Lucas Albuquerque. Também, no Rio, haverá um debate com o crítico Ruy Gardnier após a primeira exibição do filme de Seijun Suzuki.

Para mais informações, clique aqui.

Foto: Divulgação.

Vingadores: Ultimato, que chega aos cinemas em abril, ganha novo trailer

por: Cinevitor

ultimatovingadorestrailer2 Homem de Ferro: Robert Downey Jr. em cena.

No capítulo anterior, Os Vingadores e seus aliados super-heróis tiveram que sacrificar tudo em uma tentativa de derrotar o poderoso Thanos no maior e mais mortal confronto de todos os tempos. O novo longa, Vingadores: Ultimato, no original Avengers: Endgame, marca o fim da Fase 3 do Universo Cinematográfico Marvel, que começou há dez anos.

Dirigido por Anthony Russo e Joe Russo, o filme conta com Scarlett Johansson, Chris Hemsworth, Chris Evans, Robert Downey Jr., Mark Ruffalo, Brie Larson, Michelle Pfeiffer, Elizabeth Olsen, Jeremy Renner, Evangeline Lilly, Letitia Wright, Chadwick Boseman, Gwyneth Paltrow, Josh Brolin, Jon Favreau, Sebastian Stan, Tilda Swinton, Dave Bautista, Bradley Cooper, Karen Gillan, Paul Rudd, entre outros no elenco.

Confira o novo trailer de Vingadores: Ultimato, que chega aos cinemas brasileiros no dia 25 de abril de 2019:

Foto: Divulgação/Marvel Studios.

O Parque dos Sonhos

por: Cinevitor

oparquedossonhosposterWonder Park

Direção: David Feiss

Elenco: Wendel Bezerra, Lucas Veloso, Rafael Infante, Sofia Mali, Jennifer Garner, Ken Hudson Campbell, Kenan Thompson, Mila Kunis, John Oliver, Ken Jeong, Norbert Leo Butz, Matthew Broderick, Brianna Denski, Oev Michael Urbas, Kate McGregor-Stewart, Kevin Chamberlin, Kath Soucie.

Ano: 2019

Sinopse: O filme conta a história de um parque de diversões onde a imaginação de June, de 12 anos, ganha vida.

Nota do CINEVITOR:

nota-3,5-estrelas

Um Amor Inesperado

por: Cinevitor

amorinesperadoposterEl amor menos pensado

Direção: Juan Vera

Elenco: Ricardo Darín, Mercedes Morán, Claudia Fontán, Luis Rubio, Andrea Pietra, Jean Pierre Noher, Norman Briski, Juan Minujín, Gabriel Corrado, Andrea Politti, Claudia Lapacó, Chico Novarro, Andres Gil, Mariu Fernández, Irene Tsou, Alejandro Maci, Marcelo Xicarts, Paula Sartor, Victoria Góngora, Roberta Maegli, Luis Longhi, María Laura Berch, Lola Vera, Tati Rojas, José Luis Díaz.

Ano: 2018

Sinopse: Marcos e Ana são casados há 25 anos. Com a ida do único filho do casal para o exterior, os dois começam a se questionar sobre o futuro do relacionamento e decidem se separar para viver novas experiências. Em meio a aventuras bem-humoradas e descobertas sobre o amor e a rotina, os dois terminam, cada um, por encontrar um romance inesperado.

Nota do CINEVITOR:

nota-4-estrelas

Maligno

por: Cinevitor

malignoposterThe Prodigy

Direção: Nicholas McCarthy

Elenco: Jackson Robert Scott, Taylor Schilling, Peter Mooney, Colm Feore, Paul Fauteux, Brittany Allen, Paula Boudreau, Elisa Moolecherry, Olunike Adeliyi, Janet Land, Martin Roach, Byron Abalos, Ashley Black, Tristan Vasquez, Nicholas McCarthy, Jim Annan, Milton Barnes, Johnson Brock, Michael Dyson, Mark Sparks, Martha Girvin, Ava Augustin, David Kohlsmith, Alexander Campos, Andrew MacDonald, Chris Scian.

Ano: 2019

Sinopse: A repentina mudança no comportamento do jovem Miles Blume faz Sarah suspeitar que algo maligno está agindo sobre seu filho e controlando suas ações. Com um crescente terror tomando conta de sua família, ela se vê entre o medo e a razão à medida em que tenta descobrir o que há de errado com ele.

Nota do CINEVITOR:

nota-3-estrelas

Pastor Cláudio

por: Cinevitor

pastorclaudioposterDireção: Beth Formaggini

Elenco: Cláudio Guerra, Eduardo Passos, Ivanilda Veloso, Marival Chaves, Maria Helena Vignoli de Morais.

Ano: 2017

Sinopse: Conversa entre o Bispo evangélico Cláudio Guerra, ex-chefe da polícia civil que assassinou e incinerou militantes que se opunham à Ditadura Militar brasileira e Eduardo Passos, psicólogo militante dos direitos humanos.

Nota do CINEVITOR:

nota-4-estrelas

Suprema

por: Cinevitor

supremaposter1On the Basis of Sex

Direção: Mimi Leder

Elenco: Felicity Jones, Armie Hammer, Justin Theroux, Sam Waterston, Kathy Bates, Cailee Spaeny, Jack Reynor, Stephen Root, Chris Mulkey, Gary Werntz, Francis X. McCarthy, Ben Carlson, Ronald Guttman, Wendy Crewson, John Ralston, Karl Graboshas, Arthur Holden, Angela Galuppo, Geordie Johnson, Jeff Lillico, Callum Shoniker, Joe Cobden, Sharon Washington, Warona Setshwaelo, Arlen Aguayo-Stewart, Holly Gauthier-Frankel, Tom Irwin, Alexandra Petrachuk, Paul Spera, Aiza Ntibarikure, Patrick Ryan, Marina Moreira, Julie Trépanier, Julia Borsellino, Nick Baillie, Anton Koval, Gabrielle Graham, Amanda MacDonald, Ruth Bader Ginsburg.

Ano: 2018

Sinopse: Baseado na vida de Ruth Bader Ginsburg, uma das primeiras mulheres a fazer parte da Suprema Corte Americana. Ela se tornou um símbolo da luta pelos direitos iguais e hoje, aos 85 anos, ainda é referência, inclusive para as gerações atuais. O filme acompanha a trajetória da então jovem advogada que, ao lado de seu marido, Martin, apresenta um caso inovador ao Tribunal de Apelações dos Estados Unidos para que as leis baseadas em gênero fossem abolidas.

Nota do CINEVITOR:

nota-3,5-estrelas

Imagem e Palavra

por: Cinevitor

imagempalavraposter1Le livre d’image

Direção: Jean-Luc Godard

Elenco: Jean-Luc Godard, Dimitri Basil, Buster Keaton.

Ano: 2018

Sinopse: Você ainda se lembra de como, há muito tempo, treinamos nossos pensamentos? Na maioria das vezes, partimos de um sonho. Nos perguntamos como, na escuridão total, cores de tal intensidade poderiam emergir dentro de nós. Em voz baixa e suave, dizendo coisas maravilhosas, surpreendentes, profundas e precisas. Imagem e palavras como um sonho ruim escrito em uma noite tempestuosa. Sob os olhos ocidentais. Os paraísos perdidos. A guerra está aqui. Narrado pelo próprio Jean-Luc Godard, o longa mostra o mundo árabe e ocidental com imagens de diversas origens: filmes antigos, fotografias, imagens de arquivo e, por meio de uma linguagem que remete aos filmes de terror, retrata a violência da atualidade.

*Filme visto na 42ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo.

Nota do CINEVITOR:

nota-3-estrelas

Entrevista: Beth Formaggini fala sobre o documentário Pastor Cláudio, direitos humanos e tempos sombrios

por: Cinevitor

bethpastorclaudioA diretora do documentário no debate em São Paulo.

Escrito e dirigido por Beth Formaggini, o documentário Pastor Cláudio mostra o encontro entre o bispo evangélico Cláudio Guerra, ex-delegado responsável por assassinar e incinerar opositores à ditadura militar no Brasil (1964-1985), e Eduardo Passos, psicólogo e ativista dos Direitos Humanos, que trabalha no atendimento às vítimas da violência do Estado.

No longa, Cláudio, respaldado por uma polêmica Lei da Anistia e hoje membro ativo da comunidade evangélica, revela, dentre outros crimes, como fazia para desaparecer com corpos durante sua atuação no período da ditadura. Com a abertura política, Cláudio trabalhou na segurança pública. Para registrar o diálogo entre o pastor e o psicólogo, a diretora Beth Formaggini montou um cenário com um telão em que são projetadas fotografias e vídeos de vítimas de um passado que perdura.

Nesta terça-feira, 12/03, aconteceu a pré-estreia do filme em São Paulo com a presença da diretora, que logo depois da sessão participou de um debate com o público ao lado de Eduardo Suplicy, vereador de São Paulo e ex-senador, e Maurice Politi, pesquisador, militante de direitos humanos e ex-preso político.

Antes da exibição, conversamos com Beth Formaggini, que falou sobre o filme, seu personagem principal, ditadura militar, bastidores e a maneira como o longa dialoga com os dias de hoje. Confira:

O INÍCIO:

“Eu encontrei o Cláudio por meio dos biógrafos [Rogério Medeiros e Marcelo Netto] que escreveram Memórias de uma Guerra Suja [livro com depoimentos do ex-delegado do DOPS] e no primeiro telefonema ele já topou. Muito vaidoso. Eu acho que esse tipo de filme é um álibi para ele, que já deixou claro que tem a documentação de todo mundo. E isso, de certo forma, o protege porque ele tem uma carta na manga. O que ele não fala é uma garantia”.

“Foram quatro horas de filmagem. Não vimos ele antes e nem depois. A ideia era registrar o momento presente, uma conversa, esse encontro entre um psicólogo clínico e um violador de direitos humanos. O Eduardo Passos trabalhou num projeto lindo que atende pessoas afetadas pela violência do Estado, onde um ajuda o outro a enunciar essas experiências dolorosas”.

pastorclaudio1filmeConversa: Cláudio Guerra e Eduardo Passos em cena.

O PERSONAGEM:

“Ele cria um personagem de cordeiro de Deus, porém, em alguns momentos dá uma quebrada. Mas são coisas mínimas, você só percebe com uma lupa. Sou discípula do Eduardo Coutinho [documentarista]. Acredito que quando você coloca uma câmera, a pessoa cria um personagem. Sabemos que o documentário também tem isso. Mas, por outro lado, você tem também um ponto de vista, mas com algumas frestas”.

“A forma como ele fala é o que mais choca porque as coisas que ele relata, bem ou mal, sabemos que aconteceu. Quando você capta a questão das palavras e do discurso e passa numa tela de cinema você quase consegue ler as frestas. Você tem ali um rosto muito presente e as palavras dele estão enunciadas com orgulho e poder. Eu mandei o filme para o Cláudio. Hoje ele é pastor de uma igreja e tem vários vídeos dele pregando na internet. O que dá mais poder e controle na vida das pessoas do que ser pastor?”.

PASSADO E PRESENTE:

“Todas as práticas [citadas no filme] se repetem e a atualidade está totalmente impregnada disso. Elas continuaram se repetindo, ao longo dos anos, com os negros, pobres. O discurso é muito revelador e esse filme é baseado na palavra falada. Se não tivesse tantas nuances e tantas brechas seria um filme desinteressante. É um filme impactante, ainda mais pela forma como esse cara fala. Mas acho muito interessante conseguir trabalhar essa palavra falada estimulada por um ouvinte maravilhoso que é o Eduardo, que tem uma prática de psicologia”.

“Se o Brasil tivesse feito a lição de casa, não estaríamos na situação que estamos hoje”

“As pessoas levam uma porrada, principalmente no final do filme, que ele prenuncia [o documentário foi filmado em 2015] o que está acontecendo agora. Ele fala que estão voltando ao poder: a extrema direita, os banqueiros, a elite brasileira. E estão voltando para flexibilizar as leis trabalhistas, que o Michel Temer já tinha começado e o outro [Jair Bolsonaro] vai terminar; com a aposentadoria e etc. Cria-se um discurso de ódio e uma limitação de controle. A população também estimula o desrespeito aos direitos humanos”.

pastorclaudio2filmePersonagem principal: Cláudio Guerra relata crimes que aconteceram durante a ditadura militar.

OS CRIMES:

“A maneira como as pessoas que cometeram crimes contra a humanidade são tratadas é uma interpretação, ao meu ver, errada da Lei da Anistia porque o judiciário interpretou assim. Mas é contestada o tempo todo, não só pelas famílias que sofreram esse tipo de violência, mas também internacionalmente. Esses crimes não são passíveis de perdão, então, essas pessoas tinham que ser, no mínimo, julgadas. Se o Brasil tivesse feito a lição de casa, não estaríamos na situação que estamos hoje”.

TEMPOS SOMBRIOS:

“Levei dois anos pra fazer o longa e ele chega num momento em que precisamos tirar o lixo debaixo do tapete e encarar esses fatos que aconteceram para evitar que voltem a acontecer. É um momento que todo mundo precisa conversar com todo mundo e debater, cada um na sua profissão, da sua maneira e tentar fazer alguma coisa. Os tempos estão muito sombrios. Fazem elogio à tortura e o pior não é só o que é enunciado, o pior é a receptividade disso, que me assusta ainda mais. Esse filme é uma porrada para a pessoa levar pra casa e não dormir, pra começar a conversar com o vizinho. Não podemos nos atrasar mais”.

Entrevista: Vitor Búrigo
Fotos: Divulgação/ArtHouse.