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35º Cine Ceará: inscrições abertas para as mostras competitivas

por: Cinevitor
Gero Camilo na telona do festival: homenageado na edição passada

A 35ª edição do Cine Ceará – Festival Ibero-americano de Cinema, que acontecerá entre os dias 20 e 26 de setembro, em Fortaleza, está com inscrições abertas para as mostras Competitiva Ibero-americana de longa-metragem, brasileira de curta-metragem e Mostra Olhar do Ceará.

Considerado um dos mais longevos festivais de cinema do Brasil, os interessados em participar da seleção das três principais mostras poderão se inscrever entre os dias 2 de junho e 15 de julho de 2025, através do formulário que está disponível no site oficial (clique aqui), onde também consta o regulamento.

Com acesso gratuito em toda a programação, o Cine Ceará ocupa um dos principais equipamentos culturais públicos do estado, o Cineteatro São Luiz, da Secretaria da Cultura do Ceará (Secult/CE), gerido pelo IDM, Instituto Dragão do Mar. Além de mostras competitivas, o festival realiza também exibições especiais, mostras sociais, debates, homenagens, cursos, entre outras atividades. 

A Mostra Competitiva Ibero-americana de longa-metragem é direcionada a filmes de países da América Latina, Caribe, Portugal e Espanha, nos gêneros de animação, ficção, documentário ou híbrido. Os longas inscritos devem ter sido concluídos a partir de 2024, com duração mínima de 60 minutos.

A Competitiva Brasileira de curta-metragem é aberta a filmes dos gêneros de ficção, documentário, animação ou híbrido, realizados por produtores e/ou diretores brasileiros ou radicados no país há mais de três anos, com duração máxima de 25 minutos, concluídos a partir de 2024, que não tenham participado do processo seletivo de outras edições do Cine Ceará.

A Mostra Olhar do Ceará é aberta a produtoras ou diretores cearenses, residentes ou não no Ceará. Podem ser inscritos filmes de curta-metragem, de até 25 minutos, e longa-metragem com duração mínima de 60 minutos, concluídos a partir de 2024, nos gêneros de ficção, documentário, animação ou híbrido, que não tenham participado do processo seletivo de outras edições deste festival.

A exemplo das edições anteriores, a curadoria do Cine Ceará prioriza trabalhos inéditos e se identifica com ações de inclusão social, com isso reservará no mínimo 30% de participação para mulheres diretoras no conjunto das mostras competitivas. Todos os filmes selecionados deverão apresentar legenda descritiva para surdos e ensurdecidos, em idioma português, conforme determina o Ministério da Cultura.

Dentre os participantes da Mostra Competitiva Ibero-americana de longa-metragem, serão agraciados com o Troféu Mucuripe os vencedores em diversas categorias. O melhor longa, eleito pelo Júri Oficial da Competitiva Ibero-americana, receberá o prêmio no valor de R$ 40 mil, a ser pago sob a forma de recursos para distribuição da obra no Brasil, dentro dos critérios do regulamento.  

Na Mostra Competitiva Brasileira de curta-metragem, o Troféu Mucuripe será concedido aos vencedores nas seguintes categorias: melhor curta-metragem, direção, roteiro e Prêmio da Crítica. O Júri Oficial da Mostra Olhar do Ceará elegerá o melhor curta-metragem e o melhor longa-metragem, que receberão o Troféu Mucuripe.  

Realizado anualmente desde 1991, quando foi lançado como Festival Vídeo Mostra Fortaleza, o Cine Ceará acontece de forma ininterrupta. Desde 2006, adotou seu formato atual, voltado para a exibição de produções da América Latina, Caribe, Portugal e Espanha

Foto: Luiz Alves. 

Festival Guarnicê de Cinema 2025: conheça os curtas-metragens selecionados

por: Cinevitor
Thiago Justino e Valéria Monã no curta Linda do Rosário, de Vladimir Seixas

A 48ª edição do Festival Guarnicê de Cinema, que acontecerá entre os dias 30 de julho e 6 de agosto, em São Luís, no Maranhão, revelou os curtas-metragens que farão parte da mostra competitiva deste ano. 

Foram selecionados 28 títulos, entre produções maranhenses e nacionais. Escolhidas a partir de mais de 1.500 inscrições recebidas nesta edição, as obras concorrem ao tradicional Troféu Guarnicê e outras premiações oferecidas pelo festival e por instituições parceiras.

O processo de seleção foi dividido em núcleos especializados com uma equipe exclusiva para a avaliação dos curtas-metragens. Integraram o comitê: Ângela Gomes, Erly Vieira e Giselle Boussard, profissionais com reconhecida atuação no campo do audiovisual. A coordenação geral da curadoria foi assinada pela jornalista e produtora cultural Stella Lindoso, responsável pelo planejamento do cronograma de trabalho e pela articulação entre as equipes do festival.

Também foram anunciados os títulos selecionados para a Mostra Universitária, que tem como objetivo valorizar a produção audiovisual de estudantes universitários maranhenses, oferecendo visibilidade e reconhecimento aos novos talentos do cinema local.

A Mostra Universitária integra a programação competitiva do festival e reúne obras inscritas por estudantes regularmente matriculados em instituições de ensino superior do Maranhão. Os trabalhos inscritos, curtas-metragens e videoclipes, finalizados a partir de julho de 2023, foram avaliados por uma comissão designada pela curadoria do Guarnicê.

A 48ª edição do Festival Guarnicê de Cinema será realizada em formato híbrido. As exibições presenciais acontecem em São Luís, enquanto parte da programação estará disponível on-line, por meio do site oficial e do aplicativo CineGuarnicê. Consolidado como um dos mais tradicionais do país, o festival reúne mostras competitivas e paralelas, além de debates, oficinas, homenagens e atividades acadêmicas. 

A programação completa, com datas, horários, locais de exibição e sinopses, será divulgada em breve nos canais oficiais do festival e da UFMA, Universidade Federal do Maranhão. O Festival Guarnicê de Cinema é promovido pela Pró-Reitoria de Extensão e Cultura da UFMA (PROEC), por meio da sua Diretoria de Assuntos Culturais (DAC). 

Conheça os títulos selecionados para o 48º Festival Guarnicê de Cinema:

CURTAS-METRAGENS NACIONAIS

A Mulher Invisível, de R.B. Lima, Jamila Facury e Édson Albuquerque (PB)
A Nave que Nunca Pousa, de Ellen Morais (PB)
Arame Farpado, de Gustavo de Carvalho (SP)
Boiuna, de Adriana de Faria (PA)
Cavalo Marinho, de Leo Tabosa (PE)
Entre Corpos, de Mayra Costa (AL)
Javyju: Bom Dia, de Kunha Rete e Carlos Eduardo Magalhães (SP)
Ladeira Abaixo, de Ismael Moura (PB)
Linda do Rosário, de Vladimir Seixas (RJ)
Mala Preta, de Áurea Maranhão (MA)
Meça Três Vezes Antes de Cortar, de Zulmí Nascimento (BA/GO)
O Céu Não Sabe Meu Nome, de Carol Aó (SP/BA)
Queimando por Dentro, de Enock Carvalho e Matheus Farias (PE)
Ruído, de Gui Souza (PR)
Sebastiana, de Pedro de Alencar (RJ)
Sola, de Natália Dornelas (ES)
Ver Céu no Chão, de Isabel Veiga e Adeciany Castro (CE/RJ)
Vípuxovuko – Aldeia, de Dannon Lacerda e Anderson Terena (MS)

CURTAS-METRAGENS MARANHENSES

A Casa Centenária, de Mayara Pereira e Geovane Camargo
A Coluna, de Joaquim Haickel
A Voz que me Conduz, de Eduardo Matos
Amor Veraneio, de Gabi Miguel
Aqui, de Raul de Lima
CATA, de Lucas Sá
Catty Bete, de Mariel Haickel
Faro, de Gustavo França
Piraí: Os Cantos da Encantaria Akoá Gamella, de Diego Janatã e Djuena Tikuna
Silêncio na Boiada, de Luiza Fernandes
Terecô: A Força que Vem da Raiz, de Eloy Abreu e Reinilda Oliveira
Um Pé de Cajú, de Eduardo Marques e Pablo Monteiro 

MOSTRA UNIVERSITÁRIA

Benzedores e Puxadores, de Beatriz Fernandes
Devoção, de Jacksiene Guedes, Stenio Maciel e Wesley Santos
Lolith, de Stenio Maciel e Jackesiene Guedes
Muros Invisíveis, de Dário Gilson, Lucas Matos e Edvaldo Goulart
O Centro da Dança: Cultura em Cada Rua, de Yasmin Viana, Amanda Quixa e Jah Produções 
O Graffiti Delas, de Paula Lobato
O Peso da Gota, de Joelma Baldez e Victor Cravin
Peleja do Amor em Verso, de Wenderson Abreu e Mateus Max
Pétalas e Cédulas, de Kamiski e Vitória Campos
Pra Onde Vou?, de Elisa Santos
Reflorescer Amazônida, de Ana Lakshmi Yasuke, Ricardo Yasuke e Sourrio Yasuke
Salve Meu São Gonçalo, de Iarley Lisboa e Inácio Araújo

Foto: Bento Marzo.

3º Bonito CineSur: conheça os filmes selecionados

por: Cinevitor
Shirley Cruz, Rihanna Barbosa e Benin Ayo em A Melhor Mãe do Mundo

A terceira edição do Bonito CineSur – Festival de Cinema Sul-Americano acontecerá entre os dias 25 de julho e 2 de agosto em Bonito, Mato Grosso do Sul, com cinco mostras competitivas e uma curadoria que busca consolidar o evento ainda mais como um espaço de encontro entre culturas, linguagens e territórios.

A programação contempla filmes de países como Brasil, Argentina, Peru, Chile, Bolívia, Colômbia, Venezuela, Uruguai e Equador, além de coproduções com países fora da América do Sul. São obras que refletem a diversidade estética e temática do cinema sul-americano contemporâneo, de narrativas intimistas a reflexões sociais e ambientais, passando por experiências visuais marcantes e produções voltadas à infância e juventude.

Além das mostras competitivas de longas e curtas sul-americanos, o festival traz duas mostras específicas que abordam a temática ambiental, um dos pilares do festival. E mais: responsável por fomentar a economia criativa local desde sua primeira edição, o Bonito CineSur também dá destaque à produção sul-mato-grossense com uma mostra dedicada a obras realizadas no estado.

“A curadoria desta edição acompanha nosso compromisso com filmes que dialogam com a diversidade cultural da América do Sul e com as urgências do nosso tempo, sempre em sintonia com o território de Bonito, que inspira e acolhe esse encontro entre cinema e natureza”, afirma o diretor Nilson Rodrigues.

Conheça os filmes selecionados para o Bonito CineSur 2025:

LONGA-METRAGEM SUL-AMERICANO

A Melhor Mãe do Mundo, de Anna Muylaert (Brasil)
Brasiliana: O Musical Negro que Apresentou o Brasil ao Mundo, de Joel Zito Araújo (Brasil)
Chuzalongo, de Diego Ortuño (Equador)
Oro Amargo, de Juan Olea (Chile/Uruguai/Alemanha)
Quinografía, de Federico Cardone e Mariano Donoso (Argentina)
Redención, de Miguel Barreda Delgado (Peru)

CURTA-METRAGEM SUL-AMERICANO

Amor en los tiempos de como sea que se llame el presente, de Valentina Qaszulxkef (Colômbia)
Ayahuanco, de Salvador Pariona Díaz (Peru)
Desvelo, de Inti Torres Mello (Venezuela)
La falta, de Carmela Sandberg (Argentina/Uruguai)
Lagrimar, de Paula Vanina (Brasil)
Revelación, de Emanuel Moreno Elgueta (Chile)

LONGA AMBIENTAL

Karuara, la gente del río, de Miguel Araoz Cartagena e Stephanie Boyd (Peru)
Kopenawa: Sonhar a Terra-Floresta, de Tainá de Luccas e Marco Altebrg (Brasil)
La Cuenca, de Colectivo Left Hand Rotation (Chile)
Por el Paraná: la disputa por el río, de Alejo di Risio e Franco Gonzalez (Argentina)
Rua do Pescador, nº6, de Bárbara Paz (Brasil)
Sinfonia da Sobrevivência, de Michel Coeli (Brasil)

CURTA AMBIENTAL

Insustentável: A Realidade do Petróleo na Amazônia, de Andrés Borges e Fer Libague (Brasil)
Jichi: en busca del guardián de las aguas, de Paola Gabriela Quispe Quispe (Bolívia)
Por la tierra, de Irene Kuten (Argentina)
Sobre a Cabeça os Aviões, de Amanda Costa e Fausto Borges (Brasil)
Sobre Ruínas, de Carol Benjamin (Brasil)
Uma Menina, Um Rio, de Renata Martins Alvares (Brasil)

FILMES SUL-MATO-GROSSENSES 

A Última Porteira, de Rodrigo Rezende (Campo Grande)
Eleonora, de Lígia Prieto (Campo Grande)
Enigmas no Rolê, de Ulísver Silva (Campo Grande)
Jardim de Pedra: Vida e Morte de Glauce Rocha, de Daphyne Schiffer Gonzaga (Campo Grande)
Koi e o Rio, de Maurício Copetti e Ricardo Pieretti Câmara (Campo Grande)
Tempestade Ocre, de Deivison Pedrê (Campo Grande)

MEMÓRIA BONITO CINESUR
Conceição dos Bugres, de Cândido Alberto da Fonseca (1979) (Brasil)

SESSÕES ESPECIAIS | MOSTRA PARALELA

Ainda Estou Aqui, de Walter Salles (Brasil)
Do Sul, A Vingança, de Fábio Flecha (Brasil)
El jockey, de Luis Ortega (Argentina)
Os Sonhos de Pepe (Los sueños de Pepe), de Pablo Trobo (Uruguai)
Manas, de Marianna Brennand (Brasil)

SESSÕES INFANTOJUVENIS | MOSTRA PARALELA

+Forte, de Ara Martins (Brasil)
A Menina e o Mar, de Gabriel Mellin (Brasil)
A Viagem de Tetê, de Betânia Furtado (Brasil)
Abá e sua Banda, de Humberto Avelar (Brasil)
Arca de Noé, de Sérgio Machado e Alois Di Leo (Brasil)
Barra Nova, de Diego Maia (Brasil)
Bosquecito, de Paulina Muratore (Argentina)
Contos Mirabolantes: O Olho do Mapinguari, de Andrei Miralha e Petronio Medeiros (Brasil)
Ian, una historia que nos movilizará, de Abel Goldfarb (Argentina)
Keradó, de Andrés ‘Tuto’ Castillo e Diego Castillo Garzón (Colômbia)
La fuente, de Sebastian Fernández e Araceli Arévalos (Paraguai)
Malu e a Máquina, de Ana Luiza Meneses (Brasil)
Mamá Michi, de Bruno Cattebeke (Paraguai)
Menino Monstro, de Guilherme Alvernaz (Brasil)
PiOinc, de Alex Ribondi e Ricardo Makoto (Brasil)
Por Amor, de Macarena Campos (Uruguai)
Pororoca, de Fernanda Roque (Brasil)
Tainá e os Guardiões da Amazônia: Em Busca da Flecha Azul, de Alê Camargo e Jordan Nugem (Brasil)
Tempo Trem, de Roberta Filizola e Guilherme Cavalcante (Brasil)
Todos os inscritos de Ness, de Bruna Steudel (Brasil)

MOSTRA COMUNIDADE | MOSTRA PARALELA
*filmes produzidos por estudantes da rede pública municipal durante a Oficina de Animação em Stop Motion, ministrada por Ara Martins no Bonito CineSur Educa

A Árvore e o Lenhador
A Onça Brava
Boneco de Neve e seu Amigo
Floresta e Transformação
O Leão e o Pato 
Pré-História

MOSTRA COMUNIDADE | MOSTRA PARALELA
*filmes produzidos por moradores de Bonito durante a Oficina Iniciação ao Cinema, ministrada por Dannon Lacerda no Bonito CineSur Educa

Da Aldeia ao Palco da Palavra
Festa de São Pedro
Mensagem Nunca Enviada

MOSTRA COMUNIDADE | MOSTRA PARALELA
*filmes produzidos por alunos do Sesc Lageado, de Campo Grande (MS)

A Arte de Cada Um, de Jhemerson Alonso Alves
Entre a Terra e o Tempo, de Mariana Cabral

Foto: Aline Arruda/+Galeria.

Marisa Orth será homenageada na 20ª CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto

por: Cinevitor
Marisa Orth: carreira celebrada em Ouro Preto

A CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto celebra 20 anos de existência em 2025 e entre os dias 25 e 30 de junho, a cidade histórica mineira será palco de acontecimentos no campo da preservação, história e educação ao sediar o único evento realizado no país que trata cinema como patrimônio e traz como tema central a Preservação: A Alma do Cinema Brasileiro.

A programação está estruturada em três temáticas: preservação, história e educação e será realizada na Praça Tiradentes, no Centro de Artes e Convenções e no Cine-Museu da Inconfidência. Serão exibidos mais de 100 filmes em pré-estreias nacionais e retrospectivas, homenagens, debates, oficinas, sessões Cine-Escola, Mostrinha de Cinema, exposições, cortejo, shows musicais e atrações artísticas e, ainda, a realização do 20º Encontro Nacional de Arquivos e Acervos Audiovisuais Brasileiros e do Encontro da Educação: XVII Fórum da Rede Kino – Rede Latino-Americana de Educação, Cinema e Audiovisual. Toda programação é oferecida gratuitamente para um público estimado em mais de 20 mil pessoas.

A temática histórica da 20ª CineOP propõe uma reflexão sobre o papel do humor no cinema, com foco na atuação das mulheres, tanto na frente quanto nos bastidores das produções audiovisuais. O humor enquanto linguagem cinematográfica sempre desempenhou papel importante no Brasil, e as mulheres historicamente enfrentaram desafios para se destacarem nesse território, marcado pelo protagonismo masculino. A Mostra de Ouro Preto pretende então destacar como o fazer rir foi sendo ocupado por vozes e presenças femininas, transformando estereótipos e ampliando as possibilidades narrativas.

Ao longo das últimas décadas, a presença das mulheres no humor brasileiro teve vários tipos de acréscimos e ofereceu novas perspectivas. Essa evolução foi acompanhada por mudanças culturais e sociais que permitiram a atrizes e comediantes se tornarem não apenas intérpretes, mas também criadoras de suas próprias narrativas cômicas. A CineOP 2025 revê esse processo e debate sobre a importância de revisitar diversos filmes à luz de um olhar contemporâneo para o humor e suas formas de realização a partir dessas perspectivas.

Para os curadores da Temática Histórica, Cleber Eduardo e Juliana Gusman, “o humor das mulheres no cinema brasileiro é uma expressão de resistência e de criatividade que desafia estereótipos de gênero e cria novas formas de representação”. Destacam: “o humor pode ser uma ferramenta poderosa de crítica e transformação social”.

Dentro do sentido amplo da Temática Histórica, a 20ª edição da CineOP homenageia a atriz Marisa Orth como um dos principais talentos do humor e das artes cênicas no país. Com carreira que transita entre o cômico e o dramático, a televisão e o teatro, o popular e o cult, ela se consolidou como figura multifacetada e autêntica. Sua mais icônica personagem, Magda Antibes, da sitcom Sai de Baixo, exibida na Rede Globo, é lembrada ainda hoje pela crítica irônica aos lugares-comuns da representação feminina, trazendo à tona questões profundas e sempre bem-humoradas sobre o tema.

Além de sua atuação em séries e novelas, Marisa Orth também participou de filmes como Doces Poderes (1997), Durval Discos (2002), De Onde Eu Te Vejo (2016) e É Proibido Fumar (2009), além de integrar musicais de grande destaque nos palcos brasileiros. Sua versatilidade é celebrada por público e crítica, ambos reconhecendo a capacidade de transitar entre diferentes linguagens e formatos artísticos. Para o curador Cléber Eduardo, “Marisa Orth é uma artista que sintetiza a elasticidade do humor e a força criativa das mulheres no audiovisual brasileiro”.

Foto: Leo Lara/Universo Produção.

Festival Santa Cruz de Cinema 2025: conheça os filmes selecionados

por: Cinevitor
Cena do curta gaúcho Pastrana, de Gabriel Motta e Melissa Brogni

A oitava edição do Festival Santa Cruz de Cinema acontecerá entre os dias 9 e 13 de junho na cidade que fica localizada no Vale do Rio Pardo, no Rio Grande do Sul. Neste ano, mais de 800 títulos foram inscritos. 

Os filmes selecionados refletem a produção audiovisual brasileira, com visões de realizadores e realizadoras de oito estados brasileiros e Distrito Federal, em gêneros como ficção e documentário: “A espera pelo anúncio dos curtas-metragens nacionais em competição da edição chegou ao fim. Com 814 produções inscritas, a curadoria teve muito trabalho até chegar aos selecionados”, revelou Diego Tafarel, um dos organizadores do festival. Os filmes que vão integrar a Mostra Olhares Daqui, para produções santacruzenses, serão anunciados em breve. 

O Festival Santa Cruz de Cinema é considerado um dos principais festivais de curta-metragem do Brasil e as produções selecionadas serão exibidos entre os dias 10 e 12 de junho, no Auditório Central da UNISC, em sessões abertas ao público. Na noite de 13 de junho, serão anunciados os vencedores das 14 categorias, que levam o tradicional Troféu Tipuana

Neste ano, a consagrada atriz gaúcha Araci Esteves será a grande homenageada. O reconhecimento ao trabalho da atriz realizado em prol do cinema brasileiro e gaúcho será entregue no dia 13 de junho, durante a cerimônia de premiação do festival. 

Araci Esteves: trajetória consagrada

Com mais de 60 anos de sólida carreira no teatro, cinema e televisão, Araci Esteves é uma emblemática personalidade da história do audiovisual gaúcho. Nascida em Osório, no Litoral Norte do Rio Grande do Sul, mudou-se para Porto Alegre ainda no começo dos anos de 1950, onde posteriormente viria a cursar artes dramáticas na UFRGS, Universidade Federal do Estado. Foi uma das fundadoras do Grupo de Teatro Independente, inspirado pelos paulistanos Teatro de Arena e Teatro Oficina. Durante a década de 1970, excursionou pela Europa com a Companhia de Comédias, onde atuou ao lado de nomes como Dercy Gonçalves no espetáculo A Dama das Camélias

Seu primeiro trabalho no cinema foi no filme Um é pouco, dois é bom, do diretor Odilon Lopez. Este seria apenas o primeiro das mais de duas dezenas de trabalhos da atriz nas telonas. A andarilha Anahy, do longa Anahy de las Misiones, de Sérgio Silva, seu mais simbólico papel, completa 28 anos em 2025. O  filme é considerado um marco para o cinema gaúcho e brasileiro.

Entre os últimos trabalhos de Araci para as telonas, estão: O Avental Rosa (2018), dirigido por Jayme Monjardim, e Casa Vazia (2023), de Giovani Borba, que foi rodado em Santana do Livramento e Rivera, no Uruguai. Em 2022, a atriz foi homenageada no 50º Festival de Cinema de Gramado com o Troféu Cidade de Gramado.

O 8º Festival Santa Cruz de Cinema ainda vai entregar o Troféu Tuio Becker ao ator Allan Souza Lima, que entre os trabalhos mais recentes se destaca como protagonista da série Cangaço Novo, do Prime Video. A honraria foi criada para celebrar a significativa contribuição ao cinema do crítico santa-cruzense, reconhecido nacionalmente pelo seu trabalho.

Conheça os filmes selecionados para o 8º Festival Santa Cruz de Cinema

MOSTRA NACIONAL 

A Casa Amarela, de Adriel Nizer (PR)
Atentado ao Monegasco, de Lucas H. Rossi dos Santos e Henrique Amud (RJ)
Bença, de Mano Cappu (PR)
Borderô, de Hilda Lopes Pontes e Klaus Hastenreiter (BA)
Cavalo Marinho, de Leo Tabosa (PE)
Dependências, de Luisa Arraes (RJ)
Dezesseis, de Hamsa Wood (MT)
Júpiter, de Carlos Segundo (MG)
Livre para Menstruar, de Ana Paula Anderson (SP)
Ruído, de Gui Souza (PR)
Soneca e Jupa, de Rodrigo R. Meireles (MG)
Vão das Almas, de Edileuza Penha de Souza e Santiago Dellape (DF)

MOSTRA GAÚCHA

À Borda da Vida, de Camila Bauer (Porto Alegre)
Ana Cecília, de Julia Regis (Pelotas)
Chibo, de Gabriela Poester e Henrique Lahude (Tiradentes do Sul)
Flor, de Joana Bernardes (Esteio)
Pastrana, de Gabriel Motta e Melissa Brogni (Novo Hamburgo)
Posso Contar nos Dedos, de Victória Kaminski (Pelotas)

Fotos: Divulgação/Edison Vara/Agência Pressphoto.

O Esquema Fenício

por: Cinevitor

The Phoenician Scheme

Direção: Wes Anderson

Elenco: Benicio Del Toro, Mia Threapleton, Michael Cera, Riz Ahmed, Tom Hanks, Bryan Cranston, Mathieu Amalric, Richard Ayoade, Jeffrey Wright, Scarlett Johansson, Benedict Cumberbatch, Rupert Friend, Hope Davis, Willem Dafoe, Bill Murray, Charlotte Gainsbourg, Steve Park, Scott Shepherd, F. Murray Abraham, Carmen Maja Antoni, Mattia Moreno Leonidas, Donald Sumpter, Simon Weisse, Alex Jennings, Matthew Jordan, Sönke Möhring, Max Mauff, Philipp Droste, Merlin Sandmeyer, Edward Hyland, Kit Rakusen, Milo James, Hector Bateman-Harden, Benjamin Lake, Gunes Taner, Gabriel Ryan, Mohamad Momo Ramadan, Jonathan Wirtz, Jason Watkins, Daniel Steiner, Jaime Ferkic, Tonio Arango, Imad Mardnli, Antonia Desplat, Eric Vaughan, Mohamed Chahrour, Stéphane Bak, Sébastien Fouassier, Aysha Joy Samuel, Karl Markovics, Volker Zack.

Ano: 2025

Sinopse: O Esquema Fenício acompanha a história de uma família e de um negócio familiar. Zsa-zsa Korda, um dos homens mais ricos da Europa, tem um relacionamento tenso com sua filha, a freira Liesl. Um conto sombrio de espionagem com reviravoltas que giram em torno de traição e escolhas moralmente cinzentas.

Nota do CINEVITOR:

Confinado

por: Cinevitor

Locked

Direção: David Yarovesky

Elenco: Bill Skarsgård, Anthony Hopkins, Ashley Cartwright, Michael Eklund, Navid Charkhi, Ricardo Pequenino, Gaston Morrison, Reese Alexander, Emma Kombe, Jodi Pongratz, Sofia Tesema, Harrison MacDonald, Gerald Paetz, Mig Buenacruz, Devon Jones, Douglas Armstrong, Gabrielle Walsh, Chris Webb, Leif Havdale, Zandara Kennedy, Garvin Cross, David Jacox, Jeff Sanca, Todd Scott, Angela Uyeda, Lars Grant, Rochelle Okoye, Dan Payne.

Ano: 2025

Sinopse: O assaltante Eddie invade um SUV de luxo acreditando ter encontrado o alvo perfeito, mas cai em uma armadilha mortal. O veículo pertence a William, um autoproclamado justiceiro que impõe sua própria visão de justiça. Transformado em uma prisão sobre rodas, o carro torna cada movimento uma ameaça. Sem saída e à mercê de um inimigo frio e calculista, Eddie precisa lutar para sobreviver nesse jogo implacável.

Nota do CINEVITOR:

Makunaima XXI: começam as filmagens do longa inspirado no livro de Mário de Andrade

por: Cinevitor
Direção e elenco nos preparativos para as filmagens

Começa a ser rodado nesta semana o novo longa dirigido por Felipe M. Bragança e Zahỳ Tentehar, inspirado no clássico Macunaíma, O Herói Sem Nenhum Caráter, livro fundamental do movimento modernista brasileiro, escrito por Mário de Andrade.

Makunaima XXI, o filme, traz uma nova abordagem do personagem, numa história escrita por Felipe em diálogos com Zahỳ Tentehar e com o artista plástico Denilson Baniwa, tomando como ponto de partida narrativas indígenas dos povos Makuxi e Taurepang (Pemon), do extremo norte do país. O roteiro teve também acompanhamento do antropólogo Hermano Vianna.

Os diretores reuniram diferentes atores para incorporar o personagem ao longo de sua trajetória: Itallo Makuusi, Mario Jorgi, Gaby Amarantos e Bruno Gagliasso. Essa diversidade se reflete no restante do elenco e na equipe técnica e criativa, formados por pessoas negras, brancas e indígenas: “A gente costuma dizer que o filme será uma aventura cômica e cósmica brasileira, jogando com os estranhos caminhos que nos tornaram esse país tão afetivo, cruel e misterioso”, comentou o diretor Felipe M. Bragança, de Não Devore Meu Coração e Um Animal Amarelo.

“Antes de tudo, para mim, esse é um filme originário. Tanto na temática, como na forma de nascer. Já estava mais que na hora de termos uma versão dessa história que também nos contemplasse como indivíduos pensantes. Um filme também traquinado por mentes indígenas, por corações que carregam outros tempos, outras formas de ver o mundo. Filmar, para mim, é uma reza. Não é sobre repetir fórmulas, é sobre ouvir os espíritos e transformar escuta em linguagem. Meu cinema não quer explicar, quer fazer sentir”, afirma a diretora Zahỳ Tentehar, que recentemente venceu o Prêmio Shell de Teatro como melhor atriz pelo espetáculo Azira’i.

A direção de arte mistura elementos indígenas e futuristas, tendo à frente Denilson Baniwa, vencedor do Prêmio PIPA 2021 e curador do pavilhão brasileiro da Bienal de Veneza 2024, em parceria com a experiente diretora de arte Elsa Romero. O filme fará também uma homenagem ao artista plástico indígena Macuxi Jaider Esbell, falecido em 2021.

O longa terá cenas rodadas na reserva Raposa Serra do Sol, em Roraima; em Manaus; em Brasília e em estúdios e interiores no Rio de Janeiro. À frente da produção está Marina Meliande. As empresas envolvidas no projeto são: Duas Mariola Filmes como produtora, Globo Filmes, Promenades Films (França) e Foi Bonita a Festa (Portugal) como coprodutoras, e a Vitrine Filmes como distribuidora.

A sinopse oficial diz: Brasil, século XXI. Crise climática, guerras, pandemias. Um menino indígena nasce em uma aldeia isolada no norte da Amazônia. Sua mãe e seus irmãos acreditam que ele é a reencarnação de Makunaima, o Criador do mundo em que vivemos, e que teria voltado para salvar o planeta do apocalipse. Buscando entender sobre suas origens e sua identidade mítica, o jovem Makunaima conhece Ci, a mãe da floresta, por quem se apaixona. Quando Ci desaparece, Makunaima decide atravessar o país atrás do homem que levou com ele a última lembrança de seu grande amor: uma semente mágica com poderes misteriosos.

O longa conta também com Guilherme Tostes na direção de fotografia e Silvia Sobral na direção de produção. O figurino é assinado por Rosina Lobosco e caracterização de Cleber de Oliveira; Lucas Caminha assume a função de técnico de som. 

Foto: Guilherme Tostes.

FALA São Chico 2025: conheça os filmes selecionados

por: Cinevitor
Cena do curta potiguar Pupá, de Osani: filme selecionado

A quarta edição do Festival Audiovisual Latino-Americano de São Francisco do Sul, o FALA São Chico, acontecerá entre os dias 25 e 28 de junho no CineTeatro X de Novembro no terceiro território mais antigo do Brasil, a ilha de São Francisco do Sul, no norte de Santa Catarina.

A Associação Cultural Panvision anunciou os selecionados para a edição de 2025 e a diversidade do audiovisual contemporâneo da América Latina está entre as 29 obras que serão exibidas durante o festival. As produções vêm de 13 estados brasileiros mais o Distrito Federal, e de seis países incluindo Argentina, Brasil, Colômbia, Estados Unidos, Cuba e Uruguai. A seleção destaca novos realizadores e cineastas estreantes, reafirmando o compromisso do festival com a pluralidade de vozes e perspectivas.

A programação será composta por filmes convidados e três mostras competitivas: a Mostra Curtas Catarinenses e Latinos, onde competem 10 curtas latinos, 3 curtas catarinenses e 3 Especial Lei Paulo Gustavo (LPG); e a Mostra Infantojuvenil com cinco obras e os cinco filmes produzidos no Projeto Rally Panvision, realizado pela primeira vez no festival, e que serão exibidos na noite de premiação do 4º FALA São Chico. O projeto vai selecionar 25 participantes para vivenciarem uma imersão de 100 horas ininterruptas na produção audiovisual, que inclui palestras, monitorias, discussões e gravações de cinco curtas-metragens produzidos durante o evento.

A curadoria do FALA São Chico 2025 definiu Novas Perspectivas como eixo da seleção dos filmes para as mostras competitivas, reunindo obras que abordam temas já conhecidos sob novos olhares. Trabalho, senescência, questões sociais, presença feminina e narrativas indígenas aparecem com força nos títulos escolhidos. O festival destaca 14 filmes dirigidos por mulheres e um por uma pessoa com deficiência. O Selo Marias de Cinema está presente em 18 obras. Entre os títulos selecionados, estão quatro estreias mundiais, dois nacionais e cinco estreias estaduais; Santa Catarina, estado sede do evento, será representado por três filmes.

O 4º FALA São Chico se consolida como uma vitrine para o cinema independente latino-americano, promovendo novas narrativas e ampliando o acesso à produções que refletem realidades diversas: “É um convite para enxergar o mundo por outras lentes, mais plurais, sensíveis e transformadoras”, explica Marina Simioli, coordenadora de programação.

Uma das novidades desta edição do FALA São Chico é a escolha do Paulas como o Bairro Protagonista de 2025. A Panvision, organizadora do festival, presta assim uma homenagem sensível à comunidade, reconhecendo sua importância na história e na cultura de São Francisco do Sul. E este ano também marca o retorno do Palco Aberto, que será no sábado, 28 de junho. O espaço é dedicado aos artistas locais, que poderão compartilhar sua arte com o público por meio de contação de histórias, dança, música, Boi de Mamão, capoeira, entre outras expressões.

“Chegamos à 4ª edição do festival voltando nosso olhar para o Bairro Protagonista Paulas, valorizando seus moradores e tradições. E também retomamos o Palco Aberto, que foi tão bem acolhido por artistas e público em 2023, trazendo um brilho ainda mais especial ao FALA São Chico”, destaca Alissa Azambuja, diretora artística da Panvision.

Conheça os filmes selecionados para o FALA São Chico 2025:

MOSTRA CURTAS LATINOS

Estamos en el Mapa, de Santiago Rodríguez Cárdenas (Colômbia)
Fidèle, de Yorrana Maia (Brasil, GO)
Guarapari Revisitada, de Adriana Guimarães Jacobsen (Brasil, ES)
Herança Real, de Marcos Prado (Brasil, SP/EUA)
Luz Mala, de Carmen Lanzi e Martina Ocampo (Argentina)
Mira, de Julia Rizzo (Brasil, DF/Cuba)
O Último Varredor, de Perseu Azul e Paulo Alipio (Brasil, MT)
Os Quatro Exílios de Herbert Daniel, de Daniel Favaretto (Brasil, SP/RJ/MG)
Pupá, de Osani (Brasil, RN)
Tinha uma Janela: Seu Dito, de Isadora Carneiro (Brasil, SP)

MOSTRA CURTAS | FILMES CATARINENSES

Acaraí, de Kenn Robert e Renan Koerich (São Francisco do Sul)
Mostra Cultural: São Chico, Histórias que Inspiram Arte, de Karoline Paiva (São Francisco do Sul)
Saberes Ancestrais, de Gustavo Zinder (Florianópolis)

ESPECIAL LEI PAULO GUSTAVO

A Mulher do Peso, de Mery Lemos (PE)
Velande, de Letícia Mamed, Altino Machado e Tiago Melo (AC/PE)
Wadja, de Narriman Kauane (PE)

MOSTRA INFANTOJUVENIL

A História de Ayana, de Cristiana Giustino e Luana Dias (RJ)
A Luz do Pasto do Chico Amâncio é a Mula sem Cabeça?, de Héder Dias Godinho (MG)
Não Quero Citar Teóricos, de Eró Cunha e João Luciano (MA)
O Enegrecer de Iemanjá e a Subtração do Sagrado Afro, de Uê Puauet (PR)
Tierra Compartida: Amanda y el Mar, de Alvaro Adib (Uruguai)

FILMES CONVIDADOS

Estamos Vivos e Atentos: Mutirão Payayá, de Edilene Payayá, Sarah Payayá e Alejandro Zywica (BA)
Kaimanepá, de Helena Corezomaé (MT)
Os Sonhos Guiam, de Natália Tupi (SP)

Foto: Divulgação.

CINEVITOR #480: Entrevista com Camila Pitanga e Jorge Furtado | Saneamento Básico, o Filme

por: Cinevitor
Camila Pitanga é Silene Seagal: de volta aos cinemas

A partir do dia 29 de maio, o público poderá revisitar nas telonas duas obras essenciais do cinema brasileiro: o curta-metragem Ilha das Flores e o longa Saneamento Básico, o Filme, ambos dirigidos por Jorge Furtado e produzidos pela Casa de Cinema de Porto Alegre, em cópias digitais restauradas em 4K pela Sessão Vitrine Petrobras.

A iniciativa, que conta com a coordenação da preservadora audiovisual e restauradora Débora Butruce, visa resgatar e valorizar o patrimônio audiovisual do país, permitindo que novas gerações tenham acesso a filmes fundamentais da nossa cinematografia no formato original para o qual foram concebidos: o cinema.

Com uma carreira marcada por criatividade narrativa, ironia mordaz e olhar atento às contradições sociais brasileiras, o gaúcho Jorge Furtado, de O Homem que Copiava, Meu Tio Matou um Cara e Rasga Coração, é um dos diretores e roteiristas mais respeitados do país. Fundador da Casa de Cinema de Porto Alegre, criou uma linguagem própria, capaz de transitar entre o documentário, a ficção e a comédia, sempre com inteligência e engajamento.

Seu curta-metragem Ilha das Flores, lançado em 1989, se tornou um dos filmes mais estudados e aclamados da história do cinema brasileiro. Com narração acelerada e montagem fragmentada, a obra denuncia com humor ácido as desigualdades sociais e os absurdos do sistema de consumo. Vencedor do Urso de Prata no Festival de Berlim, em 1990, é até hoje uma referência em escolas, universidades e mostras de cinema ao redor do mundo: “O Ilha das Flores surgiu da pergunta que eu me fiz de como conseguimos chegar a ser o país mais desigual do planeta. Como é possível que o Brasil, um país rico, uma natureza exuberante e que nos dá tudo, energia, terra, alimento, enfim, chegou a ser o país mais desigual do planeta, onde muitos têm pouco e poucos têm muito. E como chegamos a esse ponto?”, disse o diretor sobre a origem do curta-metragem.

Saneamento Básico, o Filme, lançado em 2007, revela a veia cômica de Furtado em sua forma mais popular e acessível, sem abrir mão da crítica social. O roteiro, também assinado por ele, acompanha os moradores de uma pequena vila de colonização italiana no sul do Brasil que, diante da falta de recursos para construir uma fossa séptica, decidem produzir um filme de ficção para captar uma verba pública destinada à produção audiovisual. A sátira é certeira, e expõe com leveza e sagacidade as burocracias e disparates da gestão pública no Brasil.

No centro da trama está Fernanda Torres, em uma de suas atuações mais carismáticas e emblemáticas. Intérprete da protagonista Marina, a professora que lidera o projeto do filme-fossa, Fernanda equilibra doçura, determinação e humor com enorme precisão. Reconhecida como uma das grandes atrizes brasileiras, Torres venceu o prêmio de melhor atriz no Festival de Cannes por Eu Sei que Vou te Amar, em 1986, e recentemente foi consagrada no Globo de Ouro e indicada ao Oscar por sua performance em Ainda Estou Aqui, marcando um momento histórico para o cinema nacional

Em Saneamento Básico, o Filme, Fernanda Torres reafirma sua versatilidade, transitando com naturalidade entre a crítica social e o humor popular com um carisma irresistível. Ao seu lado, estão Wagner Moura, recentemente premiado como melhor ator no Festival de Cannes por O Agente Secreto, como o marido prático e bem-humorado Joaquim, e Camila Pitanga, como a amiga ambiciosa e deslumbrada Silene. O elenco ainda conta com Lázaro Ramos, Bruno Garcia, Janaína Kremer, Zéu Britto, Lucio Mauro Filho, Tonico Pereira e o saudoso Paulo José.

A exibição destes dois filmes nos cinemas representa uma oportunidade única para o público redescobrir e apreciar essas obras na janela para a qual foram originalmente concebidas. Além de permitir que novos espectadores entrem em contato com a genialidade de Jorge Furtado, o relançamento reforça a relevância de temas abordados nas produções, que seguem atuais e necessários.

Para falar mais sobre Saneamento Básico, o Filme, conversamos com o diretor Jorge Furtado e com a atriz Camila Pitanga, que interpreta a inesquecível Silene Seagal. No bate-papo, falaram sobre essa ocasião especial do relançamento dos dois filmes em um momento importante para o cinema brasileiro, relembraram histórias de bastidores e memórias das filmagens, entrosamento do elenco e expectativa para as exibições.

Aperte o play e confira:

Foto: Divulgação/Vitrine Filmes.

Conheça os vencedores do 8º Prêmio ABRA de Roteiro

por: Cinevitor
Heitor Lorega e Murilo Hauser: roteiristas premiados por Ainda Estou Aqui

O Prêmio ABRA de Roteiro é produzido pela ABRA, Associação Brasileira de Autores Roteiristas, e tem a finalidade de valorizar os autores-roteiristas e ressaltar a importância do roteiro na cadeia de produção da indústria audiovisual do país.

A votação que determina indicados e vencedores é realizada pelas próprias pessoas associadas da ABRA em dois turnos; podem concorrer ao prêmio as produções cujos roteiros são de autoria ou coautoria de roteiristas brasileiros, associados à ABRA ou não.

Neste ano, em que a ABRA celebra 25 anos de luta dos autores-roteiristas, a escolha dos vencedores foi anunciada no dia 27 de maio dentro da programação do Rio2C. Nesta oitava edição da premiação, com o tema 25 anos da União dos Roteiristas, Doc Comparato foi o grande homenageado. Roteirista, dramaturgo, ator, escritor, script doctor, professor e autor de livros icônicos sobre a arte de escrever roteiro, Comparato é uma referência nacional e internacional. Escreveu tanto para cinema quanto para televisão e ganhou inúmeros prêmios.

A ABRA é fruto da fusão da ARTV, Associação Brasileira de Roteiristas Profissionais de Televisão e Outros Veículos de Comunicação, com a AC, Autores de Cinema. Esta junção de forças se deu em 2016, quando o mercado audiovisual vivia um boom por conta da lei da TV paga, o aumento de investimentos do setor público e a chegada das plataformas digitais. Hoje, o mercado encontra novos desafios, como a regulação do VOD. A ABRA, hoje, já soma mais de mil roteiristas, sendo a instância legítima de representação da profissão de autor-roteirista no Brasil.

Confira a lista completa com os vencedores do 8º Prêmio ABRA de Roteiro:

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
Malu, escrito por Pedro Freire

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
Ainda Estou Aqui, escrito por Murilo Hauser e Heitor Lorega

MELHOR ROTEIRO | DOCUMENTÁRIO
Salão de Baile: This Is Ballroom, escrito por Vitã, Juru e Peterkino

MELHOR ROTEIRO | CURTA-METRAGEM
A Menina e o Pote, escrito por Valentina Homem, Francy Baniwa, Nara Normande, Tati Bond e Eva Randolph

MELHOR ROTEIRO DE COMÉDIA | PRÊMIO PAULO GUSTAVO
Câncer com Ascendente em Virgem, escrito por Martha Mendonça, Pedro Reinato, Suzana Pires, Rosane Svartman e Elisa Besa

MELHOR ROTEIRO | ANIMAÇÃO
Arca de Noé, escrito por Sérgio Machado

MELHOR ROTEIRO DE SÉRIE | DRAMA
Os Quatro da Candelária, escrito por Renata Di Carmo, Luh Maza, João Ademir, Luis Lomenha, Dodô Azevedo e Igor Verde

MELHOR ROTEIRO DE SÉRIE | COMÉDIA
Encantado’s, escrito por Renata Andrade, Thais Pontes, Hela Santana, Antonio Prata e Chico Mattoso

MELHOR ROTEIRO DE SÉRIE | DOCUMENTÁRIO
O Ninho: Futebol e Tragédia, escrito por Luana Rocha, Muriel Alves, Ligia Carriel e Arthur Warren

MELHOR ROTEIRO DE SÉRIE | ANIMAÇÃO
Irmão do Jorel (5ª temporada), escrito por Juliano Enrico, Lucas Pelegrineti, André Dahmer, Arnaldo Branco, Daniel Furlan, Felipe Berlinck, Juliano Enrico, Leo Brasil, Nigel Goodman, Raul Chequer, Valentina Castello Branco, Allan Matias, Allan Sieber, Cynthia Bonacossa, Emily Hozokawa, Lara Guilhermina, Luiz Tadeu Teixeira, Elena Altheman e Mariana Reis

MELHOR ROTEIRO | INFANTIL
Turma da Mônica: Origens, escrito por Marina Maria Iorio, Daniel Rezende, Fernanda De Capua, Yann Rodrigues, Verônica Honorato e Rose Caetano

MELHOR ROTEIRO | TELENOVELA
Garota do Momento, escrito por Alessandra Poggi, Aline Garbati, Adriana Chevalier, Mariani Ferreira, Pedro Alvarenga e Rita Lemgruber

MELHOR ROTEIRO | REALITY
Casamento às Cegas, escrito por Camila Cruz, Fabio Cruañes, Priscila Nicolielo Mengozzi, Thais Vila Nova Gomes, Ana Ono, Daniella Fernandes, Felipe Caetano, Jessica Siqueira, Ligya Angheben, Mayara Barros, Patrícia Sá, Raquel Cubarenco, Rebecca Araújo e Renan Teixeira

MELHOR ROTEIRO | VARIEDADES
Avisa Lá que Eu Vou, escrito por Luiza Yabrudi, Thales Felipe e Daniela Ocampo

PRÊMIO ABRAÇO | EXCELÊNCIA EM ROTEIRO
Eli Ramos

PRÊMIO ROTEIRISTA DO ANO | PRÊMIO PARADISO
Murilo Hauser e Heitor Lorega

Foto: Ana Raquel/Dragão do Mar.

Ney Matogrosso será homenageado no 32º Festival de Cinema de Vitória

por: Cinevitor
Artista consagrado: homenagem na capital capixaba

Um dos maiores nomes da cultura brasileira, Ney Matogrosso será homenageado na 32ª edição do Festival de Cinema de Vitória, que acontecerá entre os dias 19 e 24 de julho, no Espírito Santo.

Um dos ícones da música produzida no Brasil, o artista tem uma trajetória expressiva como ator no cinema brasileiro, além de ter se destacado também como diretor de espetáculos musicais e de teatro. Como parte da homenagem, Ney receberá o Troféu Vitória e o Caderno do Homenageado, publicação biográfica inédita, que trata da sua vida e trajetória profissional.

O ano de 2025 marca os 50 anos de carreira solo de Ney Matogrosso. Cantor, compositor, dançarino, ator, iluminador e diretor, o artista conquistou o Brasil no ano de 1973 com o Secos & Molhados, grupo musical que ganhou as paradas musicais com sucessos como Sangue Latino e Rosa de Hiroshima. O cantor estreou na carreira solo com o álbum Água do Céu – Pássaro (1975) e desde então lançou uma série de discos que o colocam como um dos artistas mais arrojados do Brasil e dono de canções que fazem parte do imaginário dos brasileiros como Seu Tipo, Tanto Amar, Bandido Corazón (presente de Rita Lee para Ney), Pro Dia Nascer Feliz (ele foi o primeiro artista a gravar uma canção de Cazuza) e o forró Homem com H, gênero musical até então inédito no repertório do artista, que se tornou um de seus grandes sucessos e deu nome ao longa-metragem lançado em maio de 2025. 

Conhecido por sua excelência profissional e dono de um raro registro vocal, Ney Matogrosso tem uma carreira que extrapola a música. Desde o final da década de 1980, quando estreou como ator no clássico Sonho de Valsa (1987), da diretora Ana Carolina, ele já esteve em quase 20 filmes, entre curtas e longas-metragens. 

Sua carreira no audiovisual se destaca por trabalhos experimentais e associados ao cinema autoral brasileiro, em filmes como Sol Alegria (2018), de Tavinho Teixeira; Primeiro Dia de um Ano Qualquer (2013), de Domingos de Oliveira; e Gosto de Fel (2012), de Beto Besant. Um dos trabalhos mais delicados do ator é no filme Depois de Tudo (2008), de Rafael Saar. Ao lado do ator Nildo Parente, ele interpreta um dos integrantes de um casal que mantém sua sexualidade em sigilo. 

Ney Matogrosso e Esmir Filho nos bastidores de Homem com H

Outro papel de destaque na carreira de Ney Matogrosso foi em Luz nas Trevas: A Volta do Bandido da Luz Vermelha (2010), de Helena Ignez, continuação do clássico O Bandido da Luz Vermelha (1968), de Rogério Sganzerla, em que Ney interpreta o personagem-título. A partir deste trabalho, ele cria uma parceria com a diretora e esteve presente em vários de seus filmes lançados posteriormente, como Poder dos Afetos (2013), Ralé (2015) e A Alegria é a Prova dos Nove (2023).  

Recentemente, sua vida foi narrada nas telonas na cinebiografia Homem com H, dirigida por Esmir Filho e protagonizada por Jesuíta Barbosa. O longa, que segue em cartaz nos cinemas, já alcançou mais de 500 mil espectadores.

Ney também tem incursões nos palcos como diretor teatral. Na década de 1980, dirigiu Estrela de Cinco Pontas, com o Grupo Hombu e a cantora e atriz Bia Bedran. Em 1999, dividiu com Cininha de Paula, a direção do musical Somos Irmãs, sobre a vida das cantoras Linda e Dircinha Batista, interpretadas pelas atrizes Suely Franco e Nicette Bruno. Em 2010, ele retornou aos palcos para dirigir o amigo Marcus Alvisi, no solo Dentro da Noite, adaptação de dois contos do escritor João do Rio

Além do teatro, ele também foi iluminador e diretor de alguns espetáculos musicais. Na década de 1980, dirigiu dois shows emblemáticos para a cultura pop brasileira. Em 1986, Ney era o homem por trás da produção de Rádio Pirata, do RPM, espetáculo que lotou estádios e gerou um disco ao vivo homônimo, que vendeu três milhões de cópias e transformou a banda em um dos maiores sucessos do pop rock no Brasil. Em 1988, Ney foi o responsável pelo show Ideologia, de Cazuza, que gerou o álbum ao vivo O Tempo Não Para (1999), trabalho derradeiro do artista carioca nos palcos. 

Além de Ney Matogrosso, o Festival de Vitória também honrará Verônica Gomes como a homenageada capixaba. A atriz, diretora, produtora e ativista é uma das figuras mais emblemáticas da produção cultural no Espírito Santo, tem uma trajetória expressiva nos palcos e, nos últimos anos, mantém uma relação de proximidade com o audiovisual, além de ser uma presença de destaque na militância cultural capixaba.

O 32º Festival de Cinema de Vitória apresentará a safra atual e inédita do audiovisual brasileiro. Além das exibições nas mostras competitivas, o evento contará com sessões especiais, debates, formações e homenagens que transformarão a cidade de Vitória na capital do cinema. Toda programação é gratuita.

Fotos: Lucas Landau/Acervo Galpão IBCA/Divulgação/Paris Filmes.