
A diretoria da Biennale di Venezia anunciou nesta sexta-feira, 04/07, que o drama La grazia, dirigido pelo cineasta italiano Paolo Sorrentino, será o filme de abertura da 82ª edição do Festival Internacional de Cinema de Veneza, que acontecerá entre os dias 27 de agosto e 6 de setembro.
Alberto Barbera, diretor do festival, comentou: “Estou muito feliz que o 82º Festival Internacional de Cinema de Veneza seja inaugurado com o novo e aguardado filme de Paolo Sorrentino. Gostaria de lembrar que um dos autores italianos mais importantes e internacionalmente aclamados estreou aqui mesmo, em Veneza, em 2001 com seu primeiro filme, L’uomo in più, durante meus primeiros anos como Diretor Artístico. A relação com o Festival de Cinema de Veneza se consolidou ao longo dos anos com a apresentação fora de competição dos primeiros episódios da série The Young Pope e, acima de tudo, com A Mão de Deus, que, em 2021, ganhou o Leão de Prata com o Grande Prêmio do Júri. O retorno de Paolo Sorrentino à competição traz um filme destinado a deixar sua marca por sua grande originalidade e forte relevância para os tempos atuais, que o público do Festival de Veneza terá o prazer de descobrir na noite de abertura”.
O filme, que estará na disputa pelo Leão de Ouro, é protagonizado por Toni Servillo, que já trabalhou com Sorrentino em filmes como A Grande Beleza, L’uomo in più, As Consequências do Amor, Sabato, domenica e lunedì, O Divo, Le voci di dentro, Silvio e os Outros e A Mão de Deus. O elenco conta também com Anna Ferzetti, Orlando Cinque, Massimo Venturiello, Milvia Marigliano, Giuseppe Gaiani e Giovanna Guida. A fotografia é de Daria D’Antonio, com montagem de Cristiano Travaglioli e figurino de Carlo Poggioli.
Além do filme de abertura, o Festival de Veneza também anunciou anteriormente que o cineasta e roteirista americano Alexander Payne será o presidente do júri desta 82ª edição; em 2017, ele abriu o evento com Pequena Grande Vida, que disputou o Leão de Ouro.
Em comunicado oficial, Payne, que dirigiu Eleição, Sideways: Entre Umas e Outras, As Confissões de Schmidt, Os Descendentes, Nebraska e Os Rejeitados, disse: “É uma enorme honra e alegria participar do júri em Veneza. Embora eu compartilhe a ambivalência de um cineasta em relação à comparação de filmes, reverencio os quase 100 anos de história do festival em celebrar o cinema como forma de arte. Eu não poderia estar mais animado!”.
Alberto Barbera comentou a escolha: “Alexander Payne pertence ao pequeno círculo de cineastas-cinéfilos cuja paixão pelo cinema é alimentada pelo conhecimento de filmes do passado e pela curiosidade pelo cinema contemporâneo, sem fronteiras ou barreiras de qualquer tipo. Essas qualidades, juntamente com sua experiência como roteirista, o tornam um candidato ideal para presidir os trabalhos do júri de Veneza, que é chamado a avaliar filmes do mundo todo. Sou grato a Alexander por aceitar meu convite, que sela uma amizade que remonta aos tempos de seu curta-metragem de graduação na UCLA”.
Kim Novak: carreira consagrada na sétima arte
Outra novidade já anunciada é a entrega do Leão de Ouro honorário para a lendária atriz norte-americana Kim Novak: “Estou profundamente comovida por receber o prestigioso Leão de Ouro de um festival de cinema tão respeitado. Ser reconhecida pelo meu trabalho neste momento da minha vida é um sonho realizado. Vou guardar com carinho cada momento que passar em Veneza. Isso encherá meu coração de alegria”, disse em comunicado oficial. Na ocasião, será apresentado, em estreia mundial, o documentário Kim Novak’s Vertigo, de Alexandre Philippe, realizado em colaboração exclusiva com a atriz.
Alberto Barbera também comentou a homenagem: “Tornando-se inadvertidamente uma lenda do cinema, Kim Novak foi um dos ícones mais amados de toda uma era do cinema de Hollywood, desde sua estreia auspiciosa em meados da década de 1950 até seu exílio prematuro e voluntário da gaiola dourada de Los Angeles pouco tempo depois. Ela nunca se absteve de criticar o sistema de estúdio, a escolha de seus papéis, quem ela deixava entrar em sua vida privada e até mesmo em seu nome. Forçada a renunciar ao seu nome de batismo, Marilyn Pauline, por ser associado a Monroe, ela lutou para conservar seu sobrenome, concordando, em troca, em pintar o cabelo naquele tom de loiro platinado que a diferenciava. Independente e inconformista, ela criou sua própria produtora e entrou em greve para renegociar um salário muito inferior ao de seus colegas de elenco masculinos”.
E continuou: “Graças à sua beleza exuberante, sua capacidade de dar vida a personagens ingênuas e discretas, além de sensuais e atormentada, e seu olhar sedutor e, por vezes, pesaroso, ela foi apreciada por alguns dos principais diretores americanos da época, de Billy Wilder a Otto Preminger; Robert Aldrich, George Sidney e Richard Quine, com quem realizou comédias românticas inesquecíveis. Mas sua imagem permanecerá para sempre ligada aos dois personagens que interpretou em Um Corpo que Cai, de Alfred Hitchcock, que se tornou o papel de sua vida. Este Leão de Ouro pelo conjunto da obra celebra uma estrela emancipada, uma rebelde no coração de Hollywood que iluminou os sonhos dos amantes do cinema antes de se aposentar em seu rancho em Oregon para se dedicar à pintura e aos seus cavalos”.
Entre tantos trabalhos no cinema, Novak se destacou em: Um Corpo que Cai, Beija-me, Idiota, Férias de Amor, O Homem do Braço de Ouro, A Lenda de Lylah Clare, Melodia Imortal, Lágrimas de Triunfo, Meus Dois Carinhos, A Morte Espera no 322, Sortilégio do Amor, O Nono Mandamento, Aconteceu num Apartamento, Abaixo o Divórcio, As Aventuras Escandalosas de uma Ruiva, A Terceira Garota da Esquerda, entre muitos outros.
Além de Novak, outro nome já anunciado anteriormente que também será homenageado com o Leão de Ouro honorário é o cineasta alemão Werner Herzog: “Sinto-me profundamente honrado em receber o Leão de Ouro Honorário pelo Conjunto da Obra da Venice Biennale. Sempre me esforcei para ser um bom soldado do cinema e isso parece uma medalha pelo meu trabalho. Obrigado! No entanto, não me aposentei. Trabalho como sempre. Há algumas semanas, terminei um documentário na África, Ghost Elephants, e neste momento estou filmando meu próximo longa-metragem, Bucking Fastard, na Irlanda. Estou desenvolvendo um filme de animação baseado no meu romance, The Twilight World, e dublando uma criatura no próximo filme de animação de Bong Joon-ho. Ainda não terminei!”.
Vale lembrar que Werner Herzog já passou pelo Festival de Veneza com diversos títulos: Ecos de um Império Sombrio, em 1990; No Coração da Montanha, que disputou o Leão de Ouro no ano seguinte; Invencível em 2001; e Além do Azul Selvagem, em 2005, que recebeu o Prêmio FIPRESCI. Em 2009 exibiu dois filmes em competição: Meu Filho, Olha o Que Fizeste! e Vício Frenético.
Fotos: Andrea Pirrello e Dan MacMedan.

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