
A 24ª edição da Goiânia Mostra Curtas, importante festival de cinema brasileiro de curtas-metragens, com mais de duas décadas de história, será realizada entre os dias 6 e 11 de outubro de 2026, no Teatro Goiânia, com entrada gratuita. Na edição anterior, o festival se organizou em torno da política da memória; em 2026, o festival desloca o eixo para a política da narrativa e da imaginação.
As inscrições para os filmes de curtas-metragens estão abertas até 23 de junho no site oficial do festival (clique aqui) e serão avaliados por uma curadoria especializada. Podem ser inscritos curtas-metragens de até 25 minutos, de todos os gêneros, finalizados a partir de janeiro de 2025; o regulamento também pode ser conferido no site. As produções selecionadas irão compor as mostras competitivas desta edição: Curta Mostra Brasil, Curta Mostra Goiás, Curta Mostra Origens (curtas universitários goianos) e concorrerão a prêmios em serviços e produtos oferecidos por empresas do setor audiovisual. A 23ª Mostrinha concorre a melhor filme pelo júri popular.
“A Goiânia Mostra Curtas construiu uma sólida reputação como espaço de fomento, experimentação e encontro entre realizadores, críticos, estudantes e público. Reconhecido nacionalmente como um dos festivais mais longevos e relevantes dedicados ao curta-metragem no Brasil, o evento já recebeu milhares de filmes e consolidou-se pelo compromisso com a diversidade cultural, a valorização regional e a democratização do acesso ao audiovisual”, destaca Maria Abdalla, diretora-geral e idealizadora do festival.
Mais do que uma vitrine para produções de curta duração, a Goiânia Mostra Curtas firmou-se como um território fértil para o surgimento de novas linguagens, estéticas e formas de narrar o país. O cinema, aqui, é compreendido como força ativa de construção de sentido, capaz de produzir desejo, reorganizar o sensível e projetar futuros. As imagens deixam de ser apenas testemunhos do real para assumir seu papel como operadores de mundo, instaurando formas de ver, sentir e imaginar o presente.
A programação desta edição reafirma o curta-metragem como território privilegiado dessa disputa narrativa. Cursos, laboratórios, estudos de caso, rodas de conversa e mostras especiais articulam processos de criação, ética, imaginação política e práticas formativas, conectando cinema autoral, educação, curadoria e desenvolvimento de projetos. O objetivo é fortalecer o festival como espaço de escuta, reflexão e elaboração crítica, estimulando realizadoras, realizadores e públicos a reconhecerem o cinema como prática situada, em continuidade, e profundamente implicada na construção de horizontes coletivos. Em 2026, a Goiânia Mostra Curtas propõe pensar o audiovisual não apenas como linguagem artística, mas como campo estratégico de invenção de mundos, desejos e futuros possíveis.
Marcélia Cartaxo, homenageada da edição passada, e Maria Abdalla, diretora do festival
A programação traz a tradicional Curta Mostra Brasil, com curadoria de Rafael de Almeida, cineasta, artista visual e professor, doutor em Multimeios pela Unicamp, pós-doutor pela UFG e professor da UEG. Rafael atua como curador em festivais como a Goiânia Mostra Curtas e o Pirenópolis Doc, com obras exibidas em diversos festivais e salões de arte no Brasil e no exterior.
A Curta Mostra Goiás será conduzida por Fabio Rodrigues Filho, realizador, crítico, pesquisador e curador de cinema, doutorando em Comunicação pela UFMG. Fábio atua nas áreas de crítica, curadoria e programação de cinema. É diretor dos curtas Tudo que é apertado rasga e Não vim no mundo para ser pedra, além de coordenador do Fluxo-Fixo, festival de filmes independentes.
A Curta Mostra Origens, de curtas universitários goianos, permanece na programação da Goiânia Mostra Curtas reafirmando o compromisso do festival com a formação, a experimentação e o fortalecimento das novas gerações do audiovisual goiano. Consolidada como um espaço dedicado às produções realizadas no ambiente universitário, a mostra evidencia a potência criativa que emerge das instituições de ensino, pesquisa e extensão em Goiás, reunindo obras marcadas pela diversidade de linguagens, pela inovação narrativa e pela experimentação estética. A iniciativa amplia o diálogo entre formação acadêmica e produção audiovisual contemporânea, estimulando a circulação de obras e o reconhecimento de jovens realizadoras e realizadores. A curadoria da mostra é assinada por Elinaldo Meira, professor na FAV/UFG, onde leciona Fotografia e Cinema, Arte e Educação.
Completa a grade da programação: a 23ª Mostrinha, mostra competitiva avaliada por Júri Popular. Ela tem curadoria de Gabriela Romeu, escritora, jornalista e documentarista, que há mais de vinte anos desenvolve projetos que criam pontes entre realidades e infâncias. A mostra é dedicada ao público infantojuvenil e propõe uma seleção de curtas sensíveis e inventivos, pensados para estimular o imaginário das crianças. Com uma curadoria atenta à diversidade de linguagens, narrativas e temas, a Mostrinha busca formar novas plateias e incentivar desde cedo o contato com o cinema como expressão artística e instrumento de reflexão.
Além das mostras permanentes, a cada edição, a Goiânia Mostra Curtas promove a Curta Mostra Especial, expressando um sentimento, um momento histórico, reflexões contemporâneas. Mostra não competitiva, que este ano está sob a curadoria de Kariny Martins, pesquisadora e roteirista; atualmente é autora-roteirista na TV Globo, mestre em Cinema e Artes do Vídeo pela Universidade Estadual do Paraná e Doutoranda em Comunicação pela Universidade Federal Fluminense. Em breve será divulgado o tema e a curadoria da Curta Mostra Especial.
O ator Danilo Castro marcou presença na edição passada
A cada edição, a Goiânia Mostra Curtas convida um artista visual goiano para criar a arte do cartaz. Essas obras servem como ponto de partida na forte corrente da cultura visual contemporânea, proporcionando diferentes formas de fruição ao espectador. A identidade visual da 24ª Goiânia Mostra Curtas é assinada por Genor Sales, artista visual nascido em Goiânia, em 1984, e graduado em Artes Visuais pela Universidade Federal de Goiás. Integrante do Jatobá Nascente: Ateliê-casa & Centro de Arte-educação, e representado pela Cerrado Galeria, desenvolve uma pesquisa atravessada por sua vivência periférica, mobilizando a subjetividade do peixe fora d’água como metáfora para discutir questões sociais, raciais e alimentares. Em 2025 e 2026, realizou exposições individuais em Goiânia e São Paulo, além de integrar mostras como Sertão Negro: Território Vivo, em Nova York. Foi indicado ao Prêmio PIPA 2025.
“Este trabalho, realizado especialmente para a Goiânia Mostra Curtas, parte de memórias de infância e de vivências familiares no contexto urbano periférico de Goiânia. A composição reúne objetos comuns do ambiente doméstico, como a rede de descanso, o filtro de barro, a televisão antiga com um copo d’água sobre ela e o padrão de energia com uma garrafa d’água pendurada, elementos que constroem um imaginário afetivo e cultural compartilhado”, reflete Genor Sales. A proposta visual dialoga com os debates desta edição do festival ao articular memória, território e cotidiano para refletir sobre as redes de afeto, informação, pertencimento e controle que atravessam a vida contemporânea, evocando o cinema como espaço de imaginação, disputa narrativa e invenção de mundos possíveis.
Além das exibições, a Mostra oferece uma ampla programação de atividades formativas: cursos, laboratórios de roteiro, estudos de caso, aula, oficinas, lançamento literário, debates, homenagens, encontro de realizadores, roda de conversa e ações de formação de plateia; todas gratuitas e abertas ao público. As atividades promovem o encontro entre diferentes gerações, fortalecem redes de colaboração e compartilhamento de conhecimento e reafirmam o curta-metragem como um espaço legítimo de invenção artística, reflexão crítica e transformação social. Reinventando-se a cada edição, a Goiânia Mostra Curtas segue como um dos principais motores do audiovisual independente brasileiro, sempre atenta às transformações e urgências do tempo presente.
“A Mostra tem papel decisivo na formação de novos cineastas e na criação de uma memória viva do cinema brasileiro contemporâneo de curtas-metragens. Mais do que exibir filmes, queremos promover encontros, trocas e visões plurais sobre o mundo, facilitando o acesso ao público em geral”, reforça Maria Abdalla.
Fotos: Divulgação.

Aramis Trindade, Nínive Caldas e Oswaldo Massaini
Masters of the Universe
Direção: Julia Ducournau

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