
Foram anunciados nesta terça-feira, 04/08, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, os vencedores da 25ª edição do Prêmio Grande Otelo, antes chamado de Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, conhecido como a mais importante festa do audiovisual brasileiro.
Os longas-metragens Manas, de Marianna Brennand, e O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, dividiram o prêmio de melhor longa-metragem de ficção com empate de votos. O longa de Brennand venceu ao todo cinco prêmios, incluindo melhor direção, melhor roteiro original, melhor montagem de ficção e melhor atriz coadjuvante para Dira Paes. Já o filme pernambucano de Mendonça Filho, que foi indicado ao Oscar deste ano, também conquistou os troféus de melhor direção de arte, melhor efeito visual e melhor direção de fotografia; quatro troféus no total. O Prêmio Grande Otelo tem apuração e acompanhamento da PwC Brasil.
Homem com H, dirigido por Esmir Filho, foi o longa com mais troféus; seis ao total: voto popular, trilha sonora, figurino, maquiagem, som e melhor ator para Jesuíta Barbosa. Os troféus de melhor documentário e melhor montagem em documentário foram para Apocalipse nos Trópicos, de Petra Costa. Velhos Bandidos, de Claudio Torres, venceu como melhor longa-metragem de comédia. Daniel Rezende ganhou o prêmio de melhor roteiro adaptado por O Filho de Mil Homens e Rafaela Camelo o de melhor primeira direção de longa-metragem por A Natureza das Coisas Invisíveis.
O troféu Grande Otelo de melhor atriz foi para Denise Weinberg, de O Último Azul. O prêmio de melhor ator coadjuvante foi para Rodrigo Santoro, também por O Último Azul. Johnny Massaro foi laureado como melhor ator em série de ficção por Máscaras de Oxigênio Não Cairão Automaticamente e Alice Carvalho como melhor atriz em série de ficção pela segunda temporada de Cangaço Novo.
Além dos concorrentes brasileiros, representantes das cinco produções internacionais indicadas na categoria de melhor longa-metragem ibero-americano vieram ao Rio de Janeiro para a celebração. Duas produções empataram e saíram vencedoras na categoria: a atriz Camila Plaate recebeu o prêmio pelo argentino Belén e o ator Jonathan Guilherme pelo português O Riso e a Faca.
Entre os discursos marcantes desta 25ª edição, Denise Weinberg foi ovacionada pelo público ao vencer o prêmio de melhor atriz pelo longa O Último Azul, de Gabriel Mascaro: “Obrigada, Academia! Obrigada por estar recebendo o meu primeiro prêmio como protagonista de cinema. E obrigada por comemorar meus 70 anos ganhando esse prêmio. Quero dividir esse prêmio com toda a equipe de O Último Azul. Eu sou uma atriz de grupo, de teatro. Eu só sei trabalhar em coletivo. E todo mundo nesse filme vestiu a camisa para contar essa história”, disse sob aplausos.
Denise Weinberg no palco: melhor atriz
O cineasta pernambucano Kleber Mendonça Filho subiu ao palco ao lado da produtora Emilie Lesclaux e sua equipe para receber o prêmio de melhor longa-metragem de ficção por O Agente Secreto, que empatou com Manas, de Marianna Brennand: “Boa noite, uma noite muito longa. Ainda estamos aqui. Queria agradecer e dedicar a toda essa equipe incrível que fez O Agente Secreto. Amo todos vocês. Dá vontade de voltar para casa e começar a escrever um novo roteiro, que vai começar nessa semana, na verdade. Isso aqui é um estímulo. Queria agradecer a Academia Brasileira de Cinema e dizer que é muito importante que a Academia chegue em produtoras e estados bem distantes do sudeste. É extremamente importante. Essa é uma festa de todos nós que somos brasileiros. Não é a primeira vez que eu venho aqui. Já participei outras vezes com outros filmes. Há um ar forte sudestino que a gente precisa dissipar um pouco na Academia Brasileira de Cinema”.
Realizada anualmente pela Academia Brasileira de Cinema, a cerimônia teve como apresentadoras Marieta Severo e Silvia Buarque, mãe e filha. O evento foi transmitido ao vivo para todo o país pelo Canal Brasil e pelo YouTube da Academia. Além disso, o público acompanhou a premiação ao vivo diretamente da praça, em um telão inflável em parceria com o Cine Zezé Motta, com pipoca gratuita e 250 lugares na plateia. Este ano, os finalistas chegaram ao Theatro Municipal a bordo de um trem exclusivo do VLT Carioca, no trajeto entre o Santos Dumont e a Cinelândia.
Foram anunciados 32 prêmios para longas-metragens, curtas e séries brasileiras: 31 produções escolhidas pelos mais de 350 profissionais associados à Academia Brasileira de Cinema, além do disputado Grande Otelo de melhor filme pelo Júri Popular, escolhido pelo público por meio de votação aberta realizada no site da Academia. Como é tradição, a abertura dos envelopes foi ao vivo. Neste ano, a lista de finalistas reuniu mais de 2.140 profissionais.
Ney Matogrosso abriu a cerimônia interpretando o clássico O Tempo Não Para, de Cazuza, acompanhado de Sasha ao piano e do Quarteto de Cordas. Durante a performance, cenas da cinebiografia do ex-vocalista do Barão Vermelho foram projetadas no telão. Renata Almeida Magalhães, presidente da Academia Brasileira de Cinema, em seu discurso, dedicou a noite ao cineasta Luiz Carlos Barreto: “Que alegria estar de volta ao Theatro Municipal comemorando 25 anos da nossa Academia e consagrando o Prêmio Grande Otelo como a grande celebração do cinema brasileiro. Fico verdadeiramente comovida em ver a quantidade de filmes que produzimos, mas sobretudo a qualidade deles. Quantos filmes são incríveis? Uma cinematografia de dar orgulho e que justifica toda a nossa insistência em produzir obras independentes que só nós podemos fazer. Valeu, vale e valerá a pena. Afinal, a nossa alma não é pequena. Essa noite é dedicada a ele, sem o qual provavelmente eu não estaria aqui. Penso mesmo que ninguém estaria aqui: Luiz Carlos Barreto. Mas quero crer que ele está nos assistindo agora. Se divertindo e nos abençoando junto com Glauber, Cacá, Nelson, Joaquim, Leon, Fábio e essa turma que já tá por aí no universo, essa noite é pra você, Luiz Carlos Barreto”.
Eduardo Cavaliere, prefeito do Rio de Janeiro, também homenageou a trajetória e importância de Barretão para o audiovisual e anunciou uma novidade: “As grandes cidades precisam transformar sua cultura em políticas públicas e em legado. Por isso, tenho a alegria de informar que já sancionei um projeto de lei, de autoria da Joyce Trindade, que inclui oficialmente o Prêmio Grande Otelo no calendário oficial da cidade do Rio de Janeiro. A partir de agora, essa premiação passa a integrar, de forma permanente, o calendário oficial da nossa cidade. É um reconhecimento institucional à importância do cinema brasileiro, ao trabalho da Academia Brasileira de Cinema e à trajetória de um prêmio que, há 25 anos, celebra a excelência do nosso audiovisual”.
O diretor de arte Thales Junqueira: premiado pelo filme O Agente Secreto
Ao longo da noite, o evento celebrou o aniversário de 25 anos de premiações da Academia, com uma homenagem a Luiz Antonio Viana, o primeiro presidente da instituição. Com direção de Batman Zavareze e roteiro de Bebeto Abrantes, a cerimônia deu destaque à diversidade no cinema brasileiro, com a ascensão do cinema indígena, produções periféricas, pretas e antirracistas, além de obras do universo LGBTQIAPN+. Durante a cerimônia, foram exibidas imagens de arquivo da primeira edição com Marieta Severo e Paulo José na apresentação, além de depoimentos marcantes do diretor Eduardo Coutinho sobre a importância de dar voz e reconhecimento a todos os trabalhadores do audiovisual brasileiro.
Ainda na parte musical, o Quarteto de Cordas fez arranjos inéditos para Bicho de Sete Cabeças e Vapor Barato. Ao som de Jards Macalé, o Prêmio fez uma homenagem especial aos profissionais do audiovisual que morreram no último ano, que entre muitos nomes destacou Luiz Carlos Barreto e a atriz potiguar Titina Medeiros. A noite também contou com um clipe comemorativo, cartazes e trechos de obras emblemáticas do cinema nacional premiadas nas categorias de ficção e documentário nos últimos 25 anos, tais como Santiago, Janela da Alma, Lixo Extraordinário, Chico: Artista Brasileiro, Menino 23 e Elis & Tom.
O Prêmio Grande Otelo é organizado e votado pelos próprios profissionais do setor, uma forma da própria classe celebrar o seu trabalho e dar o devido reconhecimento ao talento de seus profissionais; a premiação é anual. Contribui para a elevação e a promoção do cinema brasileiro junto à população e ao público do país, através do reconhecimento da qualidade técnica e artística de seus filmes e da confraternização entre os profissionais da indústria. O processo de definição dos vencedores do Prêmio Grande Otelo é dividido em duas etapas: indicação e premiação. A partir de 2004, a votação passou a ser feita via internet, pelos sócios da Academia, que recebem uma senha eletrônica para votar pela internet.
Com sede no Rio de Janeiro e representatividade nacional, a Academia Brasileira de Cinema é uma entidade independente com a finalidade, entre outras, de instituir o Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, agora Prêmio Grande Otelo, e contribuir para a discussão, promoção e fortalecimento da indústria audiovisual em todo o Brasil. A Academia Brasileira de Cinema foi reconhecida, em 2020, pela Academy of Motion Picture Arts and Sciences como única entidade credenciada para indicar o longa que representa o cinema brasileiro na categoria de melhor filme internacional no Oscar, sem qualquer tutela do governo que esteja no poder.
Profissionais do setor, das mais diversas áreas, podem se associar à Academia, adquirindo assim não apenas o direito de votar no Prêmio Grande Otelo, mas de participar das assembleias e eventos que acontecem ao longo do ano, como a eleição para a comissão que escolhe o filme brasileiro indicado para representar o país no Oscar. A Academia Brasileira de Cinema é presidida por Renata Almeida Magalhães e a diretoria é composta por Paulo Mendonça (vice-presidente), Bárbara Paz, Ariadne Mazzetti, Allan Deberton e Jeferson De.
Conheça os vencedores do 25º Prêmio Grande Otelo:
MELHOR LONGA-METRAGEM | FICÇÃO
Manas, de Marianna Brennand
O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho
MELHOR FILME | VOTO POPULAR
Homem com H, de Esmir Filho
MELHOR LONGA-METRAGEM | DOCUMENTÁRIO
Apocalipse nos Trópicos, de Petra Costa
MELHOR LONGA-METRAGEM | ANIMAÇÃO
Tainá e os Guardiões da Amazônia: Em Busca da Flecha Azul, de Alê Camargo e Jordan Nugem
MELHOR LONGA-METRAGEM INFANTIL
O Diário de Pilar na Amazônia, de Eduardo Vaisman e Rodrigo Van Der Put
MELHOR LONGA-METRAGEM | COMÉDIA
Velhos Bandidos, de Claudio Torres
MELHOR LONGA-METRAGEM IBERO-AMERICANO
Belén: Uma História de Injustiça, de Dolores Fonzi (Argentina); indicação: Academia de las Artes y Ciencias Cinematográficas de la Argentina
O Riso e a Faca, de Pedro Pinho (Portugal); indicação: Academia Portuguesa de Cinema
MELHOR DIREÇÃO
Marianna Brennand, por Manas
MELHOR PRIMEIRA DIREÇÃO DE LONGA-METRAGEM
Rafaela Camelo, por A Natureza das Coisas Invisíveis
MELHOR ATRIZ
Denise Weinberg, por O Último Azul
MELHOR ATOR
Jesuíta Barbosa, por Homem com H
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Dira Paes, por Manas
MELHOR ATOR COADJUVANTE
Rodrigo Santoro, por O Último Azul
MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
Manas, escrito por Felipe Sholl, Marcelo Grabowsky, Marianna Brennand, Carolina Benevides, Antonia Pellegrino e Camila Agustini
MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
O Filho de Mil Homens, escrito por Daniel Rezende; adaptado do livro O Filho de Mil Homens, de Valter Hugo Mãe
MELHOR DIREÇÃO DE FOTOGRAFIA
O Agente Secreto, por Evgenia Alexandrova
MELHOR DIREÇÃO DE ARTE
O Agente Secreto, por Thales Junqueira
MELHOR FIGURINO
Homem com H, por Gabriella Marra
MELHOR MAQUIAGEM
Homem com H, por Martín Macías Trujillo
MELHOR EFEITO VISUAL
O Agente Secreto, por Alexandre Boiron, Luuk Meijer e David Van Heeswijk
MELHOR SOM
Homem com H, por Ana Luiza Penna, Martín Grignaschi e Armando Torres Jr.
MELHOR TRILHA SONORA
Homem com H, por Guilherme Amabis, Mariana Amabis e Rica Amabis
MELHOR MONTAGEM | FICÇÃO
Manas, por Isabela Monteiro de Castro
MELHOR MONTAGEM | DOCUMENTÁRIO
Apocalipse nos Trópicos, por David Barker, Tina Baz, Nels Bangerter, Jordana Berg, Victor Miaciro e Eduardo Gripa
MELHOR CURTA-METRAGEM | FICÇÃO
Amarela, de André Hayato Saito (SP)
MELHOR CURTA-METRAGEM | DOCUMENTÁRIO
Sebastiana, de Pedro de Alencar (RJ)
MELHOR CURTA-METRAGEM | ANIMAÇÃO
A Tragédia da Lobo-Guará, de Kimberly Palermo (RJ)
MELHOR SÉRIE | FICÇÃO | TV ABERTA, TV PAGA ou STREAMING
Máscaras de Oxigênio Não Cairão Automaticamente (1ª temporada) (Morena Filmes) (HBO Max)
MELHOR SÉRIE | DOCUMENTÁRIO | TV ABERTA, TV PAGA ou STREAMING
Caçador de Marajás (1ª temporada) (Boutique Filmes) (Globoplay)
MELHOR SÉRIE | ANIMAÇÃO | TV ABERTA, TV PAGA ou STREAMING
Osmar, a Primeira Fatia do Pão de Forma (3ª temporada) (44 Toons)
MELHOR ATRIZ | SÉRIE DE FICÇÃO | TV ABERTA, TV PAGA ou STREAMING
Alice Carvalho, por Cangaço Novo
MELHOR ATOR | SÉRIE DE FICÇÃO | TV ABERTA, TV PAGA ou STREAMING
Johnny Massaro, por Máscaras de Oxigênio Não Cairão Automaticamente
Fotos: R2 Foto.