Morre, aos 98 anos, o produtor, diretor e fotógrafo Luiz Carlos Barreto

por: Cinevitor
Luiz Carlos Barreto: um dos maiores produtores cinematográficos do Brasil

Morreu na madrugada desta quarta-feira, 22/07, aos 98 anos, o produtor, diretor e fotógrafo Luiz Carlos Barreto, um dos maiores nomes da história do cinema brasileiro. A informação foi confirmada por familiares; Barretão, como era conhecido, estava com a saúde debilitada desde 2024 quando sofreu uma queda e, recentemente, estava internado desde terça-feira. 

Nascido em Sobral, no Ceará, no dia 20 de maio de 1928, mudou-se para o Rio de Janeiro aos 19 anos para trabalhar na CSN, Companhia Siderúrgica Nacional. Começou sua carreira profissional como jornalista na revista O Cruzeiro, onde atuou como repórter e fotógrafo entre os anos 1950 e 1963, tendo sido correspondente internacional da publicação na Europa. Além disso, graduou-se em Letras pela Sorbonne, em Paris

O cinema entrou em sua vida quando visitou o set de filmagens de Barravento, primeiro longa-metragem de Glauber Rocha, no interior da Bahia, em 1961, para fazer uma cobertura jornalística. Depois disso, assinou o roteiro, ao lado de Roberto Farias, de O Assalto ao Trem Pagador, também dirigido por Farias, e lançado em 1962. Logo, seguiu na sétima arte em grandes produções cinematográficas com um importante desempenho político e cultural. Luiz Carlos Barreto, um dos maiores produtores cinematográficos do Brasil, também teve papel fundamental no Cinema Novo e revolucionou o cinema latino-americano

Em 1965, deixou o jornalismo e passou a dedicar-se exclusivamente ao cinema quando fundou a L.C. Barreto, ao lado de sua esposa, Lucy Barreto, onde realizou alguns dos mais importantes títulos do cinema brasileiro. Como diretor de fotografia, assinou trabalhos importantes, como: Vidas Secas, de Nelson Pereira dos Santos, que foi exibido no Festival de Cannes, em 1964; e Terra em Transe, de Glauber Rocha, vencedor do Prêmio FIPRESCI em Cannes, em 1967, no qual também foi coprodutor. 

Lucy e Luiz Carlos se conheceram na década de 1950 e se casaram em Paris, em 1954. Anos depois, no dia 7 de maio de 1963, fundaram a L.C. Barreto Produções Cinematográficas, que acabou se tornando uma das produtoras mais importantes do país; o primeiro filme lançado por eles foi Garrincha, alegria do povo, de Joaquim Pedro de Andrade. Ao todo, foram mais de 80 produções em 60 anos de atividade, tendo como maior sucesso Dona Flor e Seus Dois Maridos (1976), de Bruno Barreto, filho mais velho do casal; a adaptação do clássico de Jorge Amado, com Sonia Braga, José Wilker e Mauro Mendonça no elenco, foi vista por quase 11 milhões de espectadores.

Além disso, em 1965, ao lado de jovens cineastas do Cinema Novo e produtores experientes, entre eles, Cacá Diegues, Leon Hirszman, Joaquim Pedro de Andrade, Zelito Viana, Glauber Rocha, entre outros, participou da fundação da Difilm, Distribuidora de Filmes Ltda., que atuava como distribuidora comercial e coprodutora cinematográfica com a intenção de resolver dificuldades de financiamento e comercialização do cinema independente brasileiro.

Ao longo das décadas, a LC Barreto realizou títulos que marcaram diferentes gerações, como: Bye Bye Brasil (1980), de Cacá Diegues; Memórias do Cárcere (1997), de Nelson Pereira dos Santos; A Hora e Vez de Augusto Matraga (1965), de Roberto Santos; e O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro (1969), de Glauber Rocha. Também foram responsáveis por dois grandes sucessos brasileiros que foram indicados ao Oscar: O Quatrilho (1995), do filho Fábio Barreto; e O que é Isso, Companheiro? (1997), do filho mais velho Bruno Barreto. Produziram, entre outros: Bela Donna (1998), de Fábio Barrreto; Uma Aventura do Zico (1999), de Antonio Carlos da Fontoura; Bossa Nova (1999), de Bruno Barreto; e O Caminho das Nuvens (2003), de Vicente Amorim. Como diretor, Barretão assinou o documentário Isto é Pelé e a minissérie 5x Brasil.

Além de Luiz Carlos e Lucy Barreto, os filhos também se dedicaram ao cinema: Bruno Barreto realizou diversos trabalhos com os pais, assim como Fábio Barreto, diretor de Lula, o Filho do Brasil e filho do meio do casal, que faleceu em 2019. A caçula, Paula Barreto, é a coordenadora da produtora hoje em dia e muitos de seus netos também trabalham com cinema.

O currículo de Barretão como produtor segue com: O Padre e a Moça, de Joaquim Pedro de Andrade; Os Senhores da Terra, de Paulo Thiago; A Dama do Lotação, de Neville D’Almeida; Amor Bandido e O Beijo No Asfalto, de Bruno Barreto; Menino do Rio, de Antônio Calmon; Índia, a Filha do Sol, Luzia Homem e A Paixão de Jacobina, de Fábio Barreto; Inocência e Ele, o Boto, de Walter Lima Jr.; O Homem que Desafiou o Diabo, de Moacyr Góes; João, o Maestro, de Mauro Lima; entre muitos outros. 

Na LC Barreto, produziu também o ainda inédito Deus Ainda é Brasileiro, do seu amigo Cacá Diegues, que marca a continuação do longa Deus é Brasileiro, lançado em 2003, com Antonio Fagundes. E mais: a vida e obra do produtor foi narrada no documentário Barretão, de Marcelo Santiago, que foi lançado em 2019. 

Luiz Carlos Barreto, que já foi homenageado diversas vezes, entre elas, em 1999, no Festival de Gramado, com o Oscarito, ao lado da esposa Lucy, em 2018 no Festival de Cinema de Vitória, e também no Cine Ceará com o Troféu Eusélio Oliveira, tornou-se um dos maiores produtores cinematográficos do país e deixa um legado imensurável para o cinema brasileiro.  

Foto: Divulgação.

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