Festival Filmes Incríveis 2026 exibirá longas-metragens de diversos países no Cine Belas Artes

por: Cinevitor
Andrew Howard e Caolán O’Gorman em Literalmente Nu, de Muriel d’Ansembourg

O Cine Belas Artes, em São Paulo, receberá, entre os dias 30 de julho e 12 de agosto, a edição 2026 do Festival Filmes Incríveis, que reúne longas inéditos de origens diversas: produções aplaudidas em festivais como Cannes, Berlim e Roterdã. Em seu terceiro ano, a mostra reafirma sua vocação de apresentar cinematografias raramente vistas no circuito comercial, combinando dramas familiares, sátiras sociais, fantasia, suspense e relatos históricos.

Mais uma vez, a seleção de filmes atravessa continentes e coloca lado a lado culturas distantes e pouco conhecidas por aqui. Passeiam pela tela do tradicional cinema de rua produções do Afeganistão, Grécia, Bélgica, Islândia, França, Paquistão, Noruega, Holanda, Gana, Turquia, Bulgária, Tailândia, Irã, Letônia e Alemanha.

Do Irã, Viver Duas Vezes, Morrer Três Vezes (Living Twice, Dying Thrice), de Karim Lakzadeh, transforma um acidente em uma comédia mordaz sobre burocracia e sobrevivência, apresentada na mostra ACID de Cannes. Exibido no Festival de Roterdã e premiado em Guadalajara, A Mãe Bruxa (Motherwitch), do cipriota Minos Papas, mergulha no folclore local ao acompanhar uma mãe consumida pelo luto que desperta forças sobrenaturais inspiradas nos Kalikantzari, criaturas da tradição grega e cipriota. Em A Criança Carneiro (L’enfant bélier), a diretora belga Marta Bergman aborda as atuais rotas migratórias europeias através do encontro entre uma família refugiada e um policial de fronteira.

Da Islândia, Brilha o Verão, Então Vem a Escuridão (Sumarljós og svo kemur nóttin), de Elfar Adalsteins, premiado no SBIFF, Santa Barbara International Film Festival, adapta o romance do celebrado escritor Jón Kalman Stefánsson em uma narrativa coral repleta de humor e acontecimentos insólitos. O francês Alain Guiraudie, diretor do cultuado Um Estranho no Lago, mistura romance, paranoia e crítica social em Deixe que Eu Te Leve (Viens je t’emmène), exibido na mostra Panorama do Festival de Berlim, em 2022, e eleito um dos melhores filmes do ano pela Cahiers du Cinéma; enquanto Nina Roza: O Caminho de Volta, de Geneviève Dulude-De Celles, vencedor do Urso de Prata de melhor roteiro na Berlinale 2026, acompanha o retorno de um curador de arte à Bulgária e o reencontro com suas próprias origens.

Cena do filme paquistanês Lali: Entre os Vivos e os Mortos, de Sarmad Sultan Khoosat

O paquistanês Lali: Entre os Vivos e os Mortos, de Sarmad Sultan Khoosat, exibido na Panorama de Berlim deste ano, combina fantasia, espiritualidade e humor sombrio em uma história onde vivos e mortos coexistem. Já Árru: Terra Ancestral, estreia da artista e coreógrafa sami Elle Sofe Sara, une música, ativismo indígena e tradição ancestral em meio à disputa por territórios no extremo norte da Escandinávia com filmagens realizadas na Lapônia; o filme também passou na mostra Panorama do Festival de Berlim. Em Literalmente Nu (Truly Naked), de Muriel d’Ansembourg, exibido na mostra Perspectives da Berlinale, um adolescente criado nos bastidores da indústria pornográfica questiona suas ideias sobre intimidade, desejo e afeto.

O canadense Jérémy Comte, indicado ao Oscar pelo curta Fauve, conecta Gana e Québec em Paraíso: Entre Duas Margens (Paradise), drama sobre paternidade e identidade. Da Turquia, Quando o Inverno Chega Antes (Erken Kış), de Özcan Alper, utiliza a guerra entre Rússia e Ucrânia como pano de fundo para refletir sobre maternidade e pertencimento. O austríaco Terra Dividida (Zweitland), de Michael Kofler, revisita os conflitos separatistas do Tirol do Sul nos anos 1960 através de uma trama familiar marcada por tensões políticas.

Com produção de Apichatpong Weerasethakul, a aventura mística 9 Templos para o Céu (9 Temples to Heaven), dirigido por Sompot Chidgasornpongse e exibido na Quinzena de Cineastas, em Cannes, acompanha uma peregrinação budista que expõe ressentimentos e segredos familiares. Encerrando a seleção, Ulya: A Gigante das Quadras (Uļa/Ulya), de Viesturs Kairišs e exibido na mostra Un Certain Regard, do Festival de Cannes, reconstitui a trajetória da lendária jogadora de basquete Uļjana Semjonova, da infância na Letônia soviética ao estrelato internacional.

Mais do que apresentar títulos inéditos, o festival convida o público a descobrir filmes premiados, novos realizadores e obras que dificilmente chegariam às telas brasileiras. Os ingressos custam R$ 20 e R$ 10 (meia-entrada). Todas as informações, bem como a programação completa, estão disponíveis no site oficial (clique aqui). O festival é uma iniciativa do Belas Artes Grupo, com realização do Ministério da Cultura.

Fotos: DoP Myrthe Mosterman/Divulgação.

Comentários