
Depois de anunciar os primeiros filmes de sua 79ª edição, que acontecerá entre os dias 12 e 23 de maio, o Festival de Cannes revelou novos títulos que completam sua seleção.
Entre os novos selecionados, vale destacar a presença de Paper Tiger, do cineasta James Gray, que disputará a tão cobiçada Palma de Ouro. O longa é produzido pela brasileira RT Features, junto com a Leone Film Group e Keep Your Head Productions. A obra, recém-adquirida pela Neon, é a terceira parceria entre a RT Features e o diretor americano e conta com Scarlett Johansson, Adam Driver e Miles Teller no elenco principal.
A trama acompanha dois irmãos que, em busca do sonho americano, envolvem-se em uma operação duvidosa e são arrastados para um submundo de corrupção e violência. À medida que se tornam alvos da máfia russa, o vínculo entre eles começa a se desgastar, tornando uma traição impensável em ameaça real. No Brasil, a obra terá distribuição da Diamond Films, a maior distribuidora independente da América Latina.
A parceria entre a RT Features e o cineasta americano vem se consolidando com o passar dos anos. Paper Tiger é o terceiro filme que surge desse processo. Em comunicado oficial, Rodrigo Teixeira, fundador e produtor da RT Features, disse: “Trabalhar com James Gray é muito prazeroso. Eu sempre fui fã dele como cineasta e hoje posso dizer que ele se tornou um grande amigo e um parceiro cinematográfico. Nosso primeiro longa foi Ad Astra, em 2019, e depois fizemos Armageddon Time, em 2022, que também foi selecionado em Cannes”.
Gray é um rosto conhecido no Festival de Cannes há muitos anos. Ao longo de sua filmografia, ele teve cinco obras selecionadas pelo festival: Armageddon Time, Era Uma Vez em Nova York, Amantes, Os Donos da Noite e Caminho sem Volta. Paper Tiger marca seu sexto longa na Croisette.
Outra novidade revelada para esta edição foi o pôster oficial inspirado no longa Thelma & Louise, de Ridley Scott e protagonizado por Susan Sarandon e Geena Davis, que celebra 35 anos de sua estreia no festival, que aconteceu no dia 20 de maio de 1991.
O comunicado oficial diz: “Essas duas lutadoras inesquecíveis subverteram os estereótipos de gênero, tanto sociais quanto cinematográficos; elas personificaram a liberdade absoluta e a amizade inabalável; mostraram o caminho para a emancipação quando ela se torna essencial. Lembrar disso hoje significa celebrar a jornada já percorrida, sem negligenciar o que ainda está por vir. Com uma regata branca e uma pose descontraída, Louise nos encara e nos desafia com o olhar. Com um revólver no bolso de trás da calça jeans, Thelma observa o horizonte por trás dos óculos escuros. Ambas as mulheres sentam-se orgulhosamente em um Ford Thunderbird conversível de 1966. Sob o sol do Arkansas, em uma América deserta, elas pegam a estrada, escapam, fogem – da vida, da sociedade, dos homens que as maltratam – para trilhar seu próprio caminho. Temas inovadores em 1991 permeiam Thelma & Louise e ainda ressoam fortemente nos dias de hoje. Para representá-los, o Festival de Cannes escolheu esta imagem em preto e branco do set de um filme colorido que celebra a vida e as lutas atemporais pela liberdade de ser quem se é”.
E mais sobre o filme: “Após seu lançamento nos Estados Unidos, este Easy Rider feminino provocou debates e controvérsias. Mas o sucesso foi inegável. Como uma detonação libertadora, o filme transgressor de Ridley Scott marcou um momento histórico na representação da mulher no cinema. Rapidamente se tornou um clássico de uma geração e agora é um filme cult. Graças a uma dupla de atrizes deslumbrantes que lembram a parceria de Redford e Newman em Butch Cassidy e Sundance Kid, o filme é uma ode à amizade feminina, tendo como pano de fundo as paisagens selvagens e majestosas do meio-oeste americano, filmado no estilo de um faroeste, com trilha sonora de Hans Zimmer. Duas atrizes fenomenais, Geena Davis e Susan Sarandon, entregam-se de corpo e alma às suas personagens, que se tornaram icônicas devido à intensidade de suas performances. Há trinta e cinco anos, as duas protagonistas do primeiro road movie feminista do cinema decidiram dar o salto, impulsionadas por um vento de libertação. Elas se tornaram ícones imortais. Hoje, elas nos confrontam e observam seu próprio legado”.
Além disso, também foram revelados os integrantes do júri da mostra Un Certain Regard: a atriz francesa Leïla Bekhti, que será a presidente do júri; Angèle Diabang, produtora e diretora senegalesa; Laura Samani, cineasta italiana; Thomas Cailley, diretor e roteirista francês; e Khaled Mouzanar, compositor libanês. E mais: o brasileiro André Fischer, diretor do Festival Mix Brasil, fará parte do júri da Queer Palm, que elege o melhor filme com temática LGBTQIA+ do Festival de Cannes, ao lado de Anna Mouglalis, Thomas Jolly, Raya Martigny e Jehnny Beth.
Conheça os novos filmes selecionados para o Festival de Cannes 2026:
COMPETIÇÃO
Paper Tiger, de James Gray (EUA/Itália/Brasil)
UN CERTAIN REGARD
Mémoire de fille, de Judith Godrèche (França/Bélgica)
Titanic Ocean, de Konstantina Kotzamani (Grécia/França/Japão/Alemanha/Romênia/Espanha)
Ulysse, de Laetitia Masson (França) (filme de encerramento)
Victorian Psycho, de Zachary Wigon (EUA/Reino Unido)
CANNES PREMIÈRE
Aqui, de Tiago Guedes (Portugal/França)
Mariage au goût d’orange, de Christophe Honoré (França)
Marie Madeleine, de Gessica Généus (Haiti/França/Bélgica/Luxemburgo/Canadá)
Si tu penses bien, de Géraldine Nakache (França/Bélgica)
The End Of It, de Maria Martinez Bayona (Reino Unido/Canadá/Espanha/Noruega)
SESSÕES ESPECIAIS
Ceniza en la Boca, de Diego Luna (México/Espanha)
Groundswell, de Joshua Tickell e Rebecca Harrell Tickell (EUA)
Le Triangle d’or, de Hélène Rosselet-Ruiz (França/Bélgica/Canadá)
Tangles, de Leah Nelson (EUA)
Vesna, de Rostislav Kirpičenko (Lituânia/Ucrânia/França)
SÉANCE FAMILLE
Lucy Lost, de Olivier Clert (França)
Foto: Divulgação/RT Features.