Paula Gaitán será homenageada na 24ª Mostra de Cinema de Tiradentes

por: Cinevitor

paulahomenagemgaitanA cineasta Paula Gaitán em Tiradentes, em 2008.

Consciente de todas as complexidades de um ano atípico, a 24ª Mostra de Cinema de Tiradentes, que será realizada entre os dias 22 e 30 de janeiro de 2021, levará para sua temática parte dos questionamentos de um tempo único da história do mundo.

Por conta da pandemia de Covid-19, o cinema foi um dos quadros mais afetados, diretamente, em várias frentes: fechamento das salas de exibição, interrupção de projetos e filmagens em andamento e, especificamente no Brasil, a ampliação da paralisia do Governo Federal relativa ao setor, que se amplificou pelos impactos da pandemia.

Para este ano, Vertentes da criação foi o tema proposto pelos curadores Francis Vogner dos Reis e Lila Foster para a edição de 2021. A ideia partiu da percepção de que há, em anos recentes, uma reconfiguração intelectual e empírica dos processos na produção do país, cuja singularidade está condicionada por elementos variados: universos simbólicos, ética das imagens a partir dos espaços, personagens e territórios, estética amparada em perspectiva crítica do automatismo das práticas da expressão audiovisual do mercado e, principalmente, a economia de um tempo que resiste ao modelo célere de velocidade da circulação do capital. O cinema brasileiro se reinventa nas circunstâncias impostas a ele e nas inquietações de criadores arrojados que constantemente reinventam as formas do fazer. Clique aqui e saiba mais.

Ao se falar em Vertentes da criação, o nome da cineasta Paula Gaitán parece se acomodar à perfeição. Na ousadia expressiva e na variedade criativa, trata-se de uma artista incontornável, e não apenas no cinema brasileiro contemporâneo, a julgar pelas constantes celebrações e retrospectivas de sua obra ao redor do mundo nos últimos anos. Gaitán realiza longas, curtas e médias-metragens, faz filmes com dinheiro, sem dinheiro, filme caseiro, performances, musical de memória, filme híbrido, documentário especulativo, ficção poética, cine-retrato abstrato, videoclipes, séries de entrevistas, artes visuais e outros mais. “Ela usa a câmera como uma pintora usa o pincel. E tudo para ela é música, dos ruídos às cores”, destaca Francis Vogner dos Reis, coordenador curatorial da Mostra.

Escolhida para receber a homenagem e o Troféu Barroco da 24ª edição da Mostra de Cinema de Tiradentes, Paula Gaitán, de origem colombiana, lançou seu primeiro filme em 1989: Uaka, filmado no Xingu. Antes, já atuava no campo artístico como atriz, fotógrafa e diretora de arte. Foi parceira de Glauber Rocha em alguns de seus trabalhos mais importantes, fazendo o cartaz de Cabeças Cortadas, de 1970; a cenografia de A Idade da Terra, de 1980, no qual também atuou diante das câmeras; e ilustrações de livros do realizador baiano.

luznostropicos1O ator português Carloto Cotta em Luz nos Trópicos.

Como diretora, assinou filmes diversos, ora inovando nas abordagens e nas formas visuais e sonoras, como Diário de Sintra (2007) e Noite (2014), ora se aproximando intimamente de figuras importantes da criação, como Vida (2010), com Maria Gladys, Agreste (2010), com Marcélia Cartaxo, e É Rocha e Rio, Negro Léo (2020). Na ficção, dirigiu Exilados do Vulcão (2013) e Luz nos Trópicos (2020).

Para celebrar a trajetória de Paula Gaitán, a Mostra vai promover um encontro virtual com a cineasta e uma Mostra Homenagem, com a exibição de oito trabalhos da cineasta: os longas Diário de Sintra, Exilados do Vulcão, Noite, Luz nos Trópicos, o videoclipe A Mulher do Fim do Mundo, de Elza Soares, e três filmes inéditos: o curta Ópera dos Cachorros, o média Se hace camino al andar e o filme de abertura que abre a programação da Mostra, na noite do dia 22 de janeiro, em pré-estreia mundial, que a diretora está finalizando para apresentar no evento.

“A obra da Paula responde de maneira abrangente ao emblema da experimentação estética e da experiência poética. Cada um de seus filmes se empenha em buscas distintas, sempre novas, abrindo caminhos inexplorados sobretudo por ela mesma. A cada filme ela refaz, repensa, redescobre e reinterpreta a dimensão do personagem, do tempo, do plano, da montagem e do som. Homenageá-la é reconhecer a dimensão de uma obra já consolidada e investigar as imagens de um trabalho misterioso e inquieto, de independência e singularidade radicais, que possuem poucos paralelos na produção artística atual”, destaca Francis Vogner.

*Clique aqui e leia nossa entrevista com Paula Gaitán realizada durante o 9º Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba sobre Luz nos Trópicos, que foi premiado como melhor filme.

Foto: Leo Lara/Universo Produção.

Comentários