Longe de Crepúsculo, Pattinson vai atuar em ficção científica.
A francesa Claire Denis, diretora de Bom Trabalho (1999), 35 Doses de Rum (2008), Minha Terra, África (2009), entre outros, está pronta para encarar um novo desafio na sua carreira. Seu próximo projeto será bem diferente dos anteriores. Dessa vez, em seu primeiro filme falado em língua inglesa, a cineasta realizará uma ficção científica.
O longa, ainda sem título definido, será protagonizado por Robert Pattinson, que interpretará um astronauta. Segundo informações divulgadas pelo site francês L’Express, algumas informações sobre a trama estão sendo mantidas em segredo, mas, sabe-se que “o personagem principal habitará algum lugar além do sistema solar em um futuro que parece ser o presente”.
O roteiro está sendo escrito pela diretora em parceria com Zadie Smith e Nick Laird. Além disso, a ficção científica terá colaboração do artista dinamarquês Olafur Eliasson, do astrofísico Aurélien Barrau e do músico Stuart Staples, da banda indie Tindersticks.
As filmagens devem começar no início de 2016, mas informações sobre a data de estreia ainda não foram divulgadas.
A atriz francesa está confirmada no elenco de Gambit.
A disputa para interpretar a personagem Bella Donna Boudreaux, em Gambit, estava acirrada. Rebecca Ferguson e Abbey Lee fizeram testes, mas quem ficou com o papel foi a francesa Léa Seydoux, conhecida por sua atuação emAzul é a Cor Mais Quente. Segundo informações divulgadas pelo site Deadline, a atriz foi aprovada pelo diretor e pelos executivos da Fox e interpretará o par romântico do protagonista.
Gambit, que terá Channing Tatum no papel principal, contará a história do mutante que possuiu habilidade de manipular a energia cinética. O filme será dirigido por Rupert Wyatt e escrito por Joshua Zetumer. As filmagens devem começar no final deste ano e a estreia está prevista para outubro de 2016.
Enquanto isso, Léa Seydoux poderá ser vista como Bond girl em 007 Contra Spectre, que chega aos cinemas brasileiros no dia 5 de novembro.
O livro O Pequeno Príncipe, escrito pelo francês Antoine de Saint-Exupéry, já foi traduzido em mais de 250 línguas e vendeu cerca de 145 milhões de cópias em todo o mundo. A encantadora história já ganhou algumas versões cinematográficas, mas agora, uma nova versão chega às telonas com direção de Mark Osborne.
No Cinemão desta semana, os críticos Edu Fernandes e Vitor Búrigo falam sobre a animação, que promete encantar e comover o público.
Aperte o play e confira:
Filmes: O Pequeno Príncipe, O Último Cine Drive-in e Mary e Max: Uma Amizade Diferente.
Gilda Nomacce e Matheus Fagundes recebem os prêmios do longa Ausência.
Na noite deste sábado, 15/08, foram anunciados os vencedores da 43ª edição do Festival de Cinema de Gramado. Os prêmios foram entregues no Palácio dos Festivais com a presença de convidados ilustres.
Entre os longas brasileiros, Ausência, de Chico Teixeira, se consagrou como o grande campeão de 2015, com quatro kikitos. Mariana Ximenes, do filme Um Homem Só, foi eleita a melhor atriz.
Confira a lista completa com os vencedores do Festival de Gramado 2015:
CURTAS-METRAGENS BRASILEIROS
Melhor Desenho de Som: O Teto Sobre Nós, por Tiago Bello
Melhor Trilha Musical: Miss & Grubs, por Felipe Junqueira e Samuel Ferrari
Melhor Direção de Arte: Miss & Grubs, por Welton Santos
Melhor Montagem: Virgindade, por Chico Lacerda
Melhor Fotografia: O Corpo, porArno Schuh Melhor Roteiro: Quando Parei de Me Preocupar Com Canalhas, escrito porTiago Vieira e Fabricio Ide Melhor Atriz: Giuliana Maria, por Herói Melhor Ator: Matheus Nachtergaele, por Quando Parei de Me Preocupar Com Canalhas Prêmio Especial do Júri: Haram, dirigido porMax Gaggino
Melhor Filme (Júri Popular): Bá, dirigido porLeandro Tadashi
Melhor Diretor: Bruno Carboni, por O Teto Sobre Nós
Melhor Filme: O Corpo, dirigido porLucas Cassales
Prêmio Canal Brasil: Dá Licença de Contar, dirigido por Pedro Serrano
PRÊMIO DOM QUIXOTE: En La Estancia, dirigido porCarlos Armella
LONGAS-METRAGENS LATINOS
Melhor Fotografia: Venecia, por Nicolas Ordoñez
Melhor Roteiro: En La Estancia, escrito por Carlos Armella
Melhor Atriz: Claudia Muñiz, Marianela Pupo e Maribel Garcia Garzón, por Venecia
Melhor Ator: Gilberto Barraza, por En La Estancia
Melhor Filme (Júri Popular): Ella, dirigido porLibia Stella Gómez Melhor Diretor: Kiki Alvarez, por Venecia Melhor Filme: La Salada, dirigido por Juan Martin Hsu
JÚRI DA CRÍTICA
Melhor curta-metragem: Dá Licença de Contar, dirigido porPedro Serrano
Melhor longa latino: La Salada, dirigido porJuan Martin Hsu
Melhor longa brasileiro: O Último Cine Drive-in, dirigido porIberê Carvalho
LONGAS-METRAGENS BRASILEIROS
Melhor Desenho de Som: Ponto Zero
Melhor Atriz Coadjuvante: Fernanda Rocha, porO Último Cine Drive-in
Melhor Ator Coadjuvante: Otávio Muller, por Um Homem Só
Melhor Trilha Musical: Ausência, por Alexandre Kassin
Melhor Direção de Arte: O Último Cine Drive-in, por Maíra Carvalho
Melhor Montagem: Ponto Zero, por Frederico Brioni
Melhor Fotografia: Um Homem Só, por Adrian Tejido Melhor Roteiro: Ausência, escrito por Chico Teixeira, César Turim e Sabina Anzuategui Melhor Atriz: Mariana Ximenes, por Um Home Só Melhor Ator: Breno Nina, por O Último Cine Drive-in
Melhor Filme (Júri Popular): O Outro Lado do Paraíso, dirigido porAndré Ristum
Melhor Diretor: Chico Teixeira, por Ausência
Melhor Filme: Ausência, de Chico Teixeira
O último filme brasileiro exibido na Mostra Competitiva do Festival de Gramado 2015 foi Um Homem Só, dirigido por Claudia Jouvin, que conta a história de Arnaldo, um homem frustrado, preso a um casamento falido e com um trabalho que odeia. Até o dia em que conhece Josie, uma jovem de comportamento excêntrico, que trabalha com a tia em um cemitério de animais. Apaixonado, Arnaldo cria coragem e procura uma clínica clandestina que produz cópias de seres humanos, pois ele acredita que um duplo poderá ser a solução para todos os seus problemas.
Na manhã seguinte à exibição, integrantes da equipe participaram de uma coletiva e falaram com a imprensa sobre o filme: “Eu ficava me perguntando como é que um dia eu vou fazer uma ficção científica no Brasil? Porque as pessoas não fazem. Mas achei que valia arriscar. Vale a pena explorar outros gêneros”, disse a diretora Claudia Jouvin.
Mariana Ximenes, que interpreta a protagonista Josie, falou: “Eu sempre quis ser atriz. Eu sempre quis experimentar. E isso quer dizer correr certos riscos. A Claudinha [diretora] é minha grande amiga e sabe muito dessa minha busca. Ela sabe das minhas tristezas, sabe que eu fico me questionando o tempo inteiro. E na verdade esse filme surgiu dessas minhas lamúrias. Eu queria fazer uma coisa diferente. Eu queria ter uma oportunidade. E eu agradeço muito à Claudinha porque ela ouviu essa minha necessidade de experimentar”.
Mariana Ximenes durante a coletiva.
Sobre o elenco, Claudia falou: “Eu tenho um elenco absolutamente fantástico. Eu gosto muito de estudar o elenco. Ver tudo que eles fizeram, entender do que eles são capazes. E por esse elenco ser excelente, eu sabia que poderia tirá-los da zona de conforto. Faz parte do trabalho da diretora acompanhá-los”.
Vladimir Brichta, que interpreta o protagonista Arnaldo, falou sobre o filme: “Nós tínhamos a proposta de fazer algo mais coerente com a realidade. A gente vive um momento em que a indústria do cinema nacional tem sobrevivido muito bem por causa de um tipo específico de comédia. Acho que a minha escolha em topar fazer esse filme tem a ver com o meu entendimento de que a gente pode fazer vários tipos diferentes de comédia, pois é um gênero amplo”.
Coletiva: Otávio Muller e a diretora Claudia Jouvin.
Otávio Muller falou sobre a presença dos homens no filme: “O que me interessou esse tempo todo foi fazer algo diferente e o cinema brasileiro está crescendo. E nesse filme, é importante o olhar certeiro da Claudinha para um tipo de homem que, na maioria das vezes, está se sentindo perdido. Talvez se fosse um olhar masculino não seria tão interessante”.
Ao final da coletiva, a diretora concluiu: “Todos os personagens, como a gente, têm dois lados. Não acho que seja um filme só sobre esse homem [Arnaldo, papel de Vladimir Brichta]. Acho que é um homem entre duas mulheres. Tantos cineastas já falaram de personagens femininos, por que é que uma cineasta mulher não pode falar de personagens masculinos?”.
Confira um trecho da coletiva e da apresentação do filme no Palácio dos Festivais:
O homenageado ao lado da esposa, a brasileira Ângela Correa.
Na sexta-feira, 14/08, o público presente no Palácio dos Festivais acompanhou a entrega do Kikito de Cristal para o cineasta, produtor e senador argentino Fernando Pino Solanas. O prêmio é reconhecido como a honraria de Gramado aos expoentes do cinema latino-americano.
Premiado internacionalmente com filmes como Tangos – O Exílio de Gardel e Sur, Solanas sempre conciliou sua filmografia com projetos políticos e sociais em prol da sétima arte.
Ao subir ao palco, Solanas fez um agradecimento aos colegas brasileiros Glauber Rocha, Leon Hirszman e Joaquim Pedro Andrade, do Cinema Novo, e ao casal Lucy e Luiz Carlos Barreto: “Foram pessoas que, junto comigo, buscaram ajudar a América Latina a se irmanar”.
Confira um trecho de seu discurso de agradecimento:
Tapete Vermelho: equipe do longa no Festival de Gramado 2015.
Na quarta-feira, 12/08, foi a vez do cineasta André Ristum apresentar seu filme no 43º Festival de Cinema de Gramado. O Outro Lado do Paraíso mostra, através do olhar de um garoto de 12 anos, a trajetória de Antonio, interpretado por Eduardo Moscovis, um idealista sonhador. O desejo de ascensão social leva toda a família a se mudar para a recém-inaugurada e ainda em construção cidade de Brasília. Movido pelos movimentos políticos da época e pelas reformas prometidas pelo Presidente João Goulart, Antonio se aproxima do ativismo político e da luta dos trabalhadores. Enquanto isso, Nando faz novas amizades e encontra um novo amor em Taguatinga.
No palco, o diretor falou: “A última vez que estive em Gramado foi há nove anos com o curta De Glauber para Jirges. Feliz de estar voltando com um longa em competição. É um momento importante na trajetória do filme”.
Luiz Fernando Emediato, autor do livro no qual o filme foi inspirado, também discursou: “Eu não queria fazer o filme de jeito nenhum porque era uma história muito íntima da minha família e eu não confiava. Pensava que um diretor pegaria essa história e mudaria tudo. Logo, acabei virando sócio do filme. Eu visitava o set todos os dias para acompanhar e o André [diretor] me enganou o tempo todo (risos). Fez o filme do jeito que quis, criou personagens que não estavam na história, inventou cenas que não existiam e no final eu cheguei a conclusão que o filme é melhor que o livro”.
No palco, o diretor fala sobre seu filme acompanhado da equipe.
Durante a coletiva, que aconteceu na manhã seguinte à exibição, muitos temas foram abordados, entre eles, a trilha sonora: “A trilha ajuda a conduzir bem a história, a situar naquele momento, naquele clima, seja com as músicas de época que entram pra ilustrar o momento, seja com a trilha trazida pelo instrumento e pela voz do Milton Nascimento. A trilha do Patrick De Johng completa o filme, ajuda e dá mais corpo”, disse o diretor.
O ator Murilo Grossi falou sobre o elenco: “A integração do elenco foi ótima, muito natural. Fiquei absolutamente admirado com a qualidade da atuação do Davi Galdeano. Esse menino é fantástico. Ele é extremamente inteligente, tem domínio de cena, de encenação, de postura, uma maturidade que reflete numa inteligência cênica”.
Equipe do filme reunida na coletiva de imprensa.
“Fizemos um esforço de fazer um filme aberto, que dialogasse com um número maior de espectadores possíveis. É o primeiro filme de ficção sobre a construção de Brasília. E agora queremos explorar o filme em outros festivais internacionais e colocá-lo no mercado em abril”, disse o produtor Nilson Rodrigues.
A direção de arte também foi lembrada durante a coletiva: “O trabalho de direção de arte foi completado por um trabalho de finalização em 3D. Tínhamos o responsável pela parte de efeitos especiais no set que nos orientava sobre a melhor maneira de rodar cada plano, pra depois não ter dificuldade na hora de aplicar”, disse o diretor. E finalizou: “A cidade cenográfica tinha 15 mil metros quadrados de área construída. Fizemos isso no Polo de Cinema de Sobradinho, que estava abandonado há muito tempo”.
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Zelito Viana recebe o prêmio acompanhado do filho Marcos Palmeira e da mulher Vera de Paula.
A noite de quinta-feira, 13/08, foi marcada pela homenagem ao cineasta e produtor Zelito Viana, que recebeu o Troféu Eduardo Abelin, concedido a diretores, produtores e técnicos pelo trabalho desenvolvido em prol do cinema brasileiro. A família de Zelito também marcou presença no Palácio dos Festivais. Acompanhado da mulher Vera de Paula, da filha Betse de Paula, da neta Beatriz Viana e do filho Marcos Palmeira, o homenageado subiu ao palco para receber o prêmio.
Emocionado, Zelito falou: “Na verdade eu tive a chance de estar no lugar certo e na hora certa quando tive a honra de ser da geração desse pessoal do cinema novo, que me deu tudo que eu aprendi. Devo isso especialmente a três pessoas que eu gostaria de mencionar aqui: Glauber Rocha, Leon Hirszman e Joaquim Pedro de Andrade. São três grandes amigos que nos deixaram precocemente e que me fizeram uma falta imensa. Fico muito contente e espero estar aqui no ano que vem disputando um kikito. E espero também que o cinema brasileiro em geral vença essa burocracia infernal que se meteu. Isso tem que mudar, espero que a gente volte a fazer cinema como fazia na época que eu comecei, com grande amor, com grande vontade, pensando única e exclusivamente no filme, na obra que estava fazendo. Isso andou se perdendo pelo cinema brasileiro afora e espero que volte em breve”.
Família no palco para prestigiar o homenageado.
Antes da homenagem, Zelito participou de uma coletiva e conversou com a imprensa sobre o prêmio, seus trabalhos, cinema brasileiro e seu próximo filme. Confira os melhores momentos:
MAPA FILMES:
“Cinquenta anos de uma empresa já é algo pra comemorar. E cinquenta anos de uma empresa de cinema no Brasil não é fácil. Nesses anos a gente produziu alguns títulos importantes do cinema brasileiro como Cabra Marcado Para Morrer, Terra em Transe, O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro, A Grande Cidade, filmes marcantes da historia do nosso cinema”.
CINEMA BRASILEIRO, PARTE 1:
“Quando eu entrei no cinema, o cinema brasileiro estava em crise, estava em decadência. A chanchada tinha acabado e ainda não tinha nenhum outro tipo de cinema. Ficou um vazio muito grande. Aí surgiu essa geração que eu faço parte, geração do cinema novo, que entrou com força total. Foi feito Deus e o Diabo na Terra do Sol, Vidas Secas, uma geração de filmes muito importantes que influenciaram o cinema do mundo inteiro, não só no Brasil. A entrada do cinema novo foi um momento importante para o cinema brasileiro”.
CINEMA BRASILEIRO, PARTE 2:
“O segundo momento importante foi quando a Embrafilme se tornou distribuídora. Conseguimos atingir 50% do mercado naquele período com Bye Bye Brasil, Dona Flor e Seus Dois Maridos, Pixote: A Lei do Mais Fraco. Vários filmes que conquistaram as plateias e que ao mesmo tempo eram filmes muito importantes. O terceiro momento foi a chamada retomada, o início dela, com Central do Brasil, Carlota Joaquina, Princesa do Brazil. Ali surgiu uma coisa legal, um movimento fresco”.
Pai e filho no palco.
CINEMA BRASILEIRO, PARTE 3:
“O momento atual na minha opinião é complexo. A gente virou burocrata. A gente deixou de criar. O artista cria, o cineasta presta conta. Hoje em dia é mais importante você saber preencher formulário do que você fazer um filme. Perdeu o foco e isso é grave. A gente tem que lutar contra isso. Eu acredito que os jovens vão conseguir mudar, fazendo filme com celular, de outro jeito. Vai mudar, vai implodir esse sistema atual de fazer cinema por excesso. Estamos no olho do furacão. Perdemos bastante a força internacional. Quando eu era jovem a gente queria descobrir qual filme brasileiro que ia pra Cannes, pra Berlim. Hoje em dia isso é raro. É raro o ano em que se consegue chegar com um filme em um festival, porque a gente caiu bastante de interesse, não só de qualidade. Deixou de ser prazeroso fazer um filme. Hoje em dia você morre de medo de não conseguir prestar as contas”.
FAMÍLIA:
“Minha mãe era uma musicista extraordinária, tocava piano muito bem. A veia artística vem dela, a veia cômica vem do meu pai. Ele era muito engraçado. O Chico Anysio [irmão de Zelito], aos 16 anos, era um imitador extraordinário, parecia uma entidade. Era surpreendente. Eu era engenheiro, não pensava em ser cineasta. Mas a minha casa era frequentada por Antonio Carlos Jobim, Haroldo Barbosa, Max Nunes, porque o Chico Anysio era colega deles e eu tinha essa convivência. E isso me ajudou muito a fazer cinema, por ter intimidade com esse pessoal”.
TERRA DOS ÍNDIOS:
“Os índios foram fundamentais na minha formação. Quando eu fui fazer Terra dos Índios, eu nunca tinha visto um índio na minha vida. E eu tinha que fazer um filme sobre eles. Eu não sabia nada. Fui na casa do Darcy Ribeiro e ele abriu a minha cabeça sobre os índios. Foi um choque cultural. A maneira de ver o mundo é muito diferente. Tanto que eu peguei meu filho e mandei ele pro meio dos índios. Aquilo era uma universidade mais importante do que qualquer universidade. Passar um tempo com os xavantes mudou a cabeça dele e foi muito importante”.
Zelito Viana durante a coletiva de imprensa.
DIGITAL:
“Eu nunca tive muito preconceito com o digital. Eu estou interessado naquilo que está na frente da câmera, o que está atrás é uma questão industrial. É claro que a película dá uma sensação mais real do produto, pois você o tem na mão. O meu medo do digital é um HD que você não sabe onde ele está, de repente some e você não sabe aonde foi parar o seu filme. Isso é grave e ainda está sendo resolvido. Mas, claro que gerou uma facilidade, sobretudo aos efeitos especiais. O digital dá uma liberdade muito grande de criação, além disso a maneira de exibir ficou mais fácil”.
FESTIVAL DE GRAMADO:
“Gramado é um festival importante do cinema brasileiro. Ele começou bem numa época que a gente estava com dificuldades políticas grandes e o festival surgiu como uma coisa bastante importante. Eu, por acaso, nunca disputei um kikito, talvez ano que vem. Mas minha família toda já participou: Marquinho [o ator Marcos Palmeira] já ganhou, minha filha Betse de Paula também. Festivais em geral são importantes para o nosso cinema, porque é uma maneira de o filme chegar ao publico, já que tem tanta dificuldade”.
NOVO PROJETO:
“Meu novo filme se chama Sedução e tem um pouco a ver com uma experiência pessoal que tive. Meu pai estava doente e eu fui visitá-lo no Maranhão. Quando eu cheguei lá encontrei uma família enorme, conheci oito irmãos que eu não sabia que tinha. A história do filme vai ser um ator famoso da televisão, que obviamente será o Marquinho (risos), mesmo que ele não queira, que recebe a notícia que o pai morreu e vai lá para ver o pai que ele não via há 20 anos. Chegando lá, encontra essa outra família. O filme é sobre essa experiência complexa. É uma história original minha, com um roteiro da Rita Toledo, uma jovem que eu chamei pra poder dar um certo ar de juventude”.
Confira um trecho da coletiva em que Zelito Viana fala sobre as comédias brasileiras, Rede Globo e beijo gay e também assista aos melhores momentos da homenagem:
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Gilda Nomacce, Matheus Fagundes e Paula Cosenza no tapete vermelho.
O filme Ausência, de Chico Teixeira, chamou atenção no 43º Festival de Cinema de Gramado. O drama foi exibido na noite de terça-feira, 11/08, com audiodescrição, que amplia o entendimento de pessoas cegas ou com baixa visão e torna mais acessíveis filmes ou peças de teatro, por exemplo, ao proporcionar informações sobre personagens, cenários, figurinos e ações relevantes para a compreensão da obra.
Na manhã seguinte à exibição, os atores Matheus Fagundes e Gilda Nomacce participaram de um debate ao lado da produtora Paula Cosenza. O diretor Chico Teixeira não compareceu ao evento por motivos de saúde.
“É uma honra enorme estar aqui. Muito emocionante”, disse Gilda, que interpreta a personagem Luzia, mãe do protagonista. “Sempre foi um sonho fazer cinema, mas quando eu era jovem, o cinema não tinha essa possibilidade toda, não era viável. Eu tive a sorte de entrar no cinema com diretores incríveis, como a Juliana Rojas e o Marco Dutra. Eu entendi que o cinema é coletivo e eu comecei a me apaixonar pelo cinema de uma forma que eu não consegui mais ficar sem”, revelou.
Matheus Fagundes e Gilda Nomacce durante a coletiva.
Matheus Fagundes, que interpreta Serginho, falou da emoção de receber o prêmio de melhor ator, por Ausência, no Festival do Rio do ano passado: “Ganhar o Festival do Rio foi uma alegria indescritível. Posso dizer que ter o reconhecimento de um trabalho é uma das melhores sensações na vida. Eu tive esse privilegio aos 17 anos. Fiquei muito feliz. Foi o ápice da emoção no momento em que eu subi para receber o prêmio. Foi um dos melhores momentos da minha vida, que eu vou levar pra sempre. Um sonho realizado”.
O ator também falou sobre a parceria com o ator Irandhir Santos: “Trabalhar com o Irandhir foi uma grande escola. Ele é um monstro, um ator fantástico, muito generoso, muito concentrado e eu criei uma relação com ele, ao longo do processo, muito forte. Ele me ajudou muito, tanto nas filmagens quanto na preparação. Aprendi muito e espero ter o privilégio de contracenar com ele de novo. Pra mim é um dos melhores atores que temos hoje no cinema brasileiro”.
Equipe reunida na coletiva de imprensa com o mediador Carlos Eduardo Jorge.
A produtora Paula Cosenza falou sobre o próximo projeto de Chico Teixeira e também sobre a carreira internacional de Ausência: “O próximo filme do Chico se chama Dolores e é sobre uma relação entre mãe e filha muito forte. Enquanto isso, o Ausência está tendo uma bela carreira de festivais. Em termos de vendas internacionais é um filme muito radical. Não imagino que ele vá ter uma distribuição, como por exemplo, a linda distribuição que a gente teve agora na França com Casa Grande e Que Horas Ela Volta?. É muito legal ver um filme brasileiro assim. Ausência também foi vendido para a França e para outros territórios, mas acho que ele não é o que eles chamam de um filme tão aberto em termos de ter uma grande comercialização, mas vai ter sua vida legal e bonita certamente nos territórios latino-americanos, no Chile, Uruguai, Argentina”.
Confira um trecho da coletiva em que Gilda Nomacce fala sobre sua relação com o diretor Chico Teixeira:
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Samuel L. Jackson será o Major Marquis Warren no oitavo filme de Tarantino.
Saiu o tão esperado trailer de Os 8 Odiados, novo filme de Quentin Tarantino, que tem estreia prevista para o dia 25 de dezembro nos Estados Unidos e no Brasil deve chegar aos cinemas no dia 8 de janeiro de 2016.
O faroeste se passa anos depois da Guerra Fria e conta a história de oito bandidos que ficam presos em um saloon durante uma tempestade de neve. No elenco, Samuel L. Jackson interpreta o Major Marquis Warren; Jennifer Jason Leigh será Daisy Domergue; Bruce Dern interpreta o General Sandy Smithers; Michael Madsen vive o cowboy Joe Gage; Tim Roth será Oswaldo Mobray; Walton Goggins faz o papel do xerife Chris Mannix; Demian Bichir interpreta o mexicano Bob; e Kurt Russell vive John ‘The Hangman’ Ruth.
Na segunda-feira, 10/08, o filme O Último Cine Drive-in foi exibido na telona do Palácio dos Festivais. O longa conta a história de Almeida, interpretado por Othon Bastos, que é dono do último Cine Drive-in de Brasília e insiste em manter vivo um tipo de cinema que já não atrai mais espectadores. Além disso, ele terá que lidar com um reencontro inesperado com seu filho Marlombrando.
No palco para apresentar o filme, o diretor Iberê Carvalho fez um breve discurso de agradecimento: “É uma alegria imensa estar aqui nesse festival. Primeira vez em Gramado. Mandei vários curtas e nunca entraram, agora, o primeiro longa está aqui e é muito bom. Quero agradecer a equipe que veio aqui acompanhar esse dia e dizer que O Último Cine Drive-in é um filme simples, pensado para contar uma história despretensiosa. Eu acho que a gente tá vivendo um momento que o ódio e a intolerância estão cada vez mais exacerbados na nossa sociedade, onde as pessoas parecem não medir esforços para agredir uns aos outros e os nossos personagens fazem justamente o contrário, eles não medem esforços para declarar o seu amor, seja ao outro ou àquilo que ama”.
No palco do Festival de Gramado 2015.
Para falar mais sobre o filme, alguns integrantes da equipe participaram de uma coletiva de imprensa no dia seguinte à exibição. O diretor começou a conversa falando do seu processo de criação: “De fato o filme começou com a proposta de falar de uma família, o cinema veio depois. Tínhamos um argumento onde não existia o cinema e a história se passava numa cidade do interior. Até que um dia eu fui ao Cine Drive-in em Brasília, que é o último em funcionamento no Brasil. Aí me veio o estalo de que essa história podia se passar ali. Aos poucos a história do drive-in foi sendo incorporada junto à minha paixão por cinema. A minha memória afetiva com o espaço e a minha relação com a cidade também foram sendo incorporados ao projeto e deixou de ser simplesmente um cenário”.
Iberê também falou sobre a brincadeira com alguns gêneros cinematográficos: “Desde a concepção do filme a gente já tinha consciência de que ele corria o risco de mudar um pouco de linguagem. Quando a gente estava montando, percebemos que estávamos diante de um desafio. A tentativa foi encontrar um caminho que fosse respeitoso ao projeto. O melodrama não me incomoda. Eu não vejo o melodrama como uma palavra negativa. A questão é como tratar o melodrama para que ele fique crível e que emocione sem cair numa coisa piegas, forçada, apelativa”.
A atriz Fernanda Rocha ao lado do diretor na coletiva.
A atriz Fernanda Rocha, que interpreta a projecionista Paula, falou sobre o seu papel: “A Paula foi um presente. Foi minha primeira personagem escrita pra mim. Desde o início do processo eu já vinha acompanhando os primeiros tratamentos do roteiro. Ela realmente foi sendo criada com tanto carinho, com tanto tempo. Eu sou apaixonada por essa personagem, que foi inspirada no Totò de Cinema Paradiso”.
Breno Nina, que interpreta Marlombrando, comentou sobre a preparação do elenco: “Um trabalho importante que foi feito na preparação foi o trabalho de roteiro com a Amanda Gabriel, que era a preparadora. Ela foi trabalhando com a gente as possibilidades que tinham por trás das cenas que estavam ali. De uma elipse pra outra, o que que tinha se passado, quantas leituras poderiam se fazer do que estava escrito. Foi muito intenso e maravilhoso”.
Os atores Breno Nina e André Deca ao lado de Maira Rocha.
Outro assunto abordado na coletiva foi o trabalho da diretora de arte Maira Rocha: “O drive-in existe e ele tinha acabado de ser reformado. Anos atrás, durante as pesquisas, ele estava perfeito. Mas acontece que a dona reformou e a gente teve que envelhecer para filmar a primeira etapa e depois reformá-lo, deixar tudo lindo, para entregá-lo melhor do que ele tava”, disse Maira.
Questionada sobre os pôsteres de filmes que aparecem no longa, ela revelou: “Os pôsteres são todos meus. Foi um trabalho de referência, buscando quem são esses personagens e o que eles veriam. Por exemplo, a Paula. Quem é essa Paula? A Paula gosta do Curtindo a Vida Adoidado. Então no espaço dela, que é a sala de projeção, buscamos essas referências. Tem o pôster de AsInvasões Bárbaras, que tem uma referência muito direta com o filme, assim como O Cinema Paradiso. Tem também o Marlon Brando em O Poderoso Chefão. Eu adoro construir personagens junto com o elenco”.
O montador J. Procópio ao lado da produtora Carol Barboza.
A produtora Carol Barboza falou sobre alguns percalços que aconteceram nos bastidores: “Durante a produção passamos por alguns apertos e sustos porque de fato o Cine Drive-in estava ameaçado de ser demolido. Ele funciona dentro do autódromo de Brasília e existe um grande projeto para aquela área virar um autódromo moderno e o drive-in sair dali. Esperamos que a Secretaria de Cultura consiga agarrar essa briga e manter o espaço”.
Ao final da coletiva, Iberê falou sobre as referências que foram importantes para o seu filme: “As referências foram vindo de uma maneira um tanto quanto caótica. Algumas a gente mantinha, outras a gente ia eliminando. E a busca se deu em duas vertentes; uma em relação ao amor pelo cinema mesmo, pois o Almeida [papel de Othon Bastos] é um cinéfilo e não só um exibidor apaixonado pelo seu espaço. A gente tentou se colocar no lugar dele pra pensar o que será que o Almeida gosta. Também tinham as referências que achávamos interessantes de filmes que tratavam de temas como o nosso, por exemplo, AsInvasões Bárbaras“.
Confira um trecho da coletiva em que Breno Nina fala sobre a equipe e sua preparação:
O CINEVITOR está em Gramado e você acompanha a cobertura do evento por aqui e pelas redes sociais: Twitter, Facebook e Instagram.
A noite de terça-feira, 11/08, foi emocionante no 43º Festival de Cinema de Gramado. A atriz Marília Pêra recebeu o 25º Troféu Oscarito, prêmio que destaca personalidades do cinema nacional. Ovacionada pelo público, a homenageada foi surpreendida com a presença de seus três filhos, que apareceram de surpresa para entregar o prêmio a ela.
Em seu discurso, Marília agradeceu a homenagem: “É uma honra recebê-lo. Oscarito é um gênio da comédia brasileira. Vir a Gramado é sempre uma alegria. São tantas delicadezas, tanta gente gentil, tanto aconchego, tanto carinho. Sempre é bom vir aqui. Agradeço muitíssimo”. E também citou diversas pessoas importantes que fizeram parte de sua carreira: “Eu acho que a melhor coisa da vida é você ter amigos. Nesses últimos anos eu percebi o quanto eu tenho amigos queridos: os filhos, a irmã Sandra, o marido Bruno, as assessoras; aqui em Gramado tenho a Vera Carneiro [da Pauta Assessoria, responsável pela assessoria de imprensa do festival] que manda em nós (risos) e que ordenou que eu viesse pra cá com um ano de antecedência. Tem também o Rubens Ewald Filho, o Bigode [apelido do cineasta Luiz Carlos Lacerda], Bete Mendes, Marcos Santuario, enfim, tantos amigos queridos que eu gostaria de compartilhar com eles essa homenagem tão linda”.
Marília entre os filhos Esperança, Nina e Ricardo.
Antes da homenagem, Marília participou de uma coletiva e conversou com a imprensa sobre o prêmio, seus trabalhos, planos futuros e contou algumas histórias de sua carreira. Confira os melhores momentos:
O INÍCIO
“Eu nasci atriz. Fiz balé clássico, fui bailarina em vários espetáculos e também no teatro de revista. Lembro que quando abriram teste para a mocinha de Como Vencer na Vida sem Fazer Força eu fiz e passei. Foi em 63, junto com Procópio Ferreira e Moacyr Franco. Foi ali que tudo começou mesmo como atriz”.
OSCARITO
“Meu pai trabalhou muito com o Oscarito, minha mãe, minha vó e meu tio também. Uma família de atores de teatro e de cinema também. Eu cheguei a participar de alguns filmes como bailarina com o Oscarito. Quando eu tinha doze anos, minha mãe era atriz de um dos filmes e meu pai me deixou participar como bailarina porque minha mãe estava junto. Eu tive muita proximidade com o Oscarito e nós assistimos a todas aquelas chanchadas, gostávamos muito daquele estilo. Oscarito era um gênio. Então, receber hoje, no 25º ano do Troféu Oscarito essa homenagem é uma honra. É uma volta ao passado muito bonita”.
Marília no palco, ovacionada pelo público.
PROFISSÃO
“A profissão do ator é muito nobre. É uma profissão que não tem limite. Você pode fazer o que você quiser sendo ator, você pode sentir todas as emoções do universo. Você sabe tudo se você quiser e isso é uma liberdade sem fim. É claro que é uma luta pela sobrevivência, a competitividade é terrível, mas a profissão é muito divertida, muito arriscada, muito rica. Já pensei em parar umas quinhentas vezes, já declarei que ia parar não sei quantas vezes. Tem dias que eu não quero mais. Mas, num todo, eu quero mais”.
DISCIPLINA
“Eu sou uma atriz muito obediente, muito disciplinada. Respeito cada vírgula do texto, levo muito a sério. Respeito demais o texto, a marcação do diretor. Quando às vezes percebo, mas faz muitos anos que isso não acontece, que o diretor está perdido e que a obra talvez vá se perder, eu ameaço criar outras coisas pra ajudar a salvar a obra. Mas isso é raríssimo”.
ANA, A LIBERTINA
“Em Ana, a Libertina, Daniel Filho fazia meu marido ou meu amante, não lembro, dirigidos pelo Alberto Salvá. Eu fiquei sem confiança nele [no diretor] porque ele queria me desnudar. O filme se chamava Ana, a Libertina, e eu era tudo menos libertina. Na verdade eu não fiquei à vontade como eu fiquei depois no Pixote, a Lei do Mais Fraco[filme de 1981] que eu tinha plena confiança no Hector[Babenco, diretor]. Mas isso foi só uma questão de tempo. Porque depois eu encontrei com o Salvá e conversamos sobre isso e se a gente fosse fazer o filme de novo eu teria confiado nele”.
Marília Pêra durante a coletiva de imprensa.
O REI DA NOITE
“O Babenco não me olhava porque estava completamente apaixonado pelo Paulo José. Ele queria o Paulo José e a Dina Sfat no elenco, mas a Dina não podia, então ele quis a Darlene Glória, um mulherão, até que o Paulo sugeriu meu nome e ele aceitou. Mas eu não era bem quem ele queria. Ele não me tratava mal, mas ele não me tratava. Depois que montou o filme ele declarou que só foi perceber o meu trabalho depois do filme montado. O Rei da Noite é um lindo filme”.
PIXOTE, A LEI DO MAIS FRACO
“Eu fazia pouco filme, até que Pixote me jogou no mundo. Quando o Babenco me chamou para fazer, ele sabia perfeitamente o que queria e eu tinha plena confiança nele, tinha plena confiança na Fátima Toledo, preparadora de elenco, e muita alegria de estar com aquelas crianças, aprendendo com eles, porque são meninos que só respondem se você falar verdadeiramente com eles, pois não dá para mentir com criança preparada pela Fátima”.
EDUARDO COUTINHO
“O Coutinho me chamou pra fazer o primeiro filme dele, O Homem que Comprou o Mundo, com Flávio Migliaccio. Um filme muito interessante e muito diferente de todos os filmes que ele fez depois. Foi o meu primeiro filme, em 68. Coutinho me ensinou a fazer menos, interiorizar mais. Ele foi um amor, um homem muito delicado. Muita alegria de ter trabalhado com Coutinho”.
Rubens Ewald Filho, mediador da coletiva, ao lado da grande estrela.
JOGO DE CENA
“Neste filme tem essa tênue diferença entre o que você é e o que você finge que é. O Coutinho gostava muito disso, de enganar a gente assim. Tínhamos que ser o que era a outra pessoa. Era dificílimo o que o Coutinho pedia. Quando a gente interpretava ele interrompia, pedia que não interpretássemos. Era difícil o trabalho dele com as atrizes. Eu tive medo por um momento, fiquei com taquicardia, eu fiz aquele filme com o coração na boca. Nem sei o que eu acho de mim no filme, mas eu acho que ele gostou”.
DULCINA DE MORAES
“Quando conheci Dulcina eu tinha três anos. Meu pai e minha mãe trabalhavam com ela e ela trabalhava com o marido, com a mãe e com as duas irmãs. O teatro era feito assim, era feito em família. E ela trazia os clássicos; ela interpretou todos os grandes personagens da dramaturgia universal. Ela dirigia tudo e era maravilhosa de comédia, mas também fazia tragédias. A Dulcina foi uma fada madrinha do meu teatro. Era uma brincalhona, nunca a vi chateada”.
CARMEN MIRANDA
“Ela morreu quando eu tinha onze anos. Eu estava saindo do balé e fui ao velório dela. Tenho essa ligação com ela. A primeira vez que eu cantei Carmen Miranda eu era bailarina do Carlos Machado, no México. Eu estava lá dançando e vi uma vedete chamada Vera Regina, alta, maravilhosa e ela fazia um pot-pourri da Carmen Miranda, com aquela roupa dourada. E ela precisou voltar ao Brasil e eles precisavam de alguém para substituí-la. Eu fui escolhida. A roupa foi toda apertada pra mim e eu cantei pela primeira vez, em 63, a Carmen Miranda, ao lado de Hilton Prado, pai da [atriz] Giovanna Antonelli. Depois, em 1972, fiz A Pequena Notável, com texto de Ary Fontoura e direção de Maurício Sherman. De lá pra cá, eu interpretei Carmen Miranda mil vezes”.
Marília Pêra no tapete vermelho do Festival de Gramado.
DIRETORA
“Não tenho prazer em dirigir, é difícil pra mim porque eu acho que não me obedecem, não tenho aquela voz ativa. Eu fico brava comigo, fico triste, vou embora, não fico brava em cima das pessoas e o espetáculo não sai como eu gostaria. O espetáculo que saiu como eu gostaria foi O Mistério de Irma Vap, que fez um sucesso de doze anos com dois atores extraordinários [Marco Nanini e Ney Latorraca]. Em 1978, o Miguel Falabella foi à minha casa com a Maria Padilha e exigiu que eu dirigisse A menina e o vento, da Maria Clara Machado. Eu não sabia, não tinha a menor ideia de como dirigir, mas eles me obrigaram e eu acabei dirigindo. Foi a primeira vez que dirigi”.
FUTURO
“Eu estou gravando um disco pela [gravadora] Biscoito Fino. Um disco de músicas românticas que deverá se transformar em um documentário dirigido pelo Daniel Filho. Estamos conversando sobre a possibilidade de fazer um docudrama musical, cantando as músicas e contando a minha história, que é boa de ser contada porque tem muita gente em volta, muitos acontecimentos. Além disso, o Jorge Clark, um diretor maravilhoso, me convidou para fazer Longa Jornada Noite Adentro, que é uma linda história. Já estou lendo e estamos vendo a possibilidade de fazer isso ano que vem no teatro”.
Confira um trecho da coletiva em que Marília Pêra fala de Central do Brasil, Fernanda Montenegro, Incidente em Antares e Carmen Miranda; e também trechos da homenagem recebida no Palácio dos Festivais:
O CINEVITOR está em Gramado e você acompanha a cobertura do evento por aqui e pelas redes sociais: Twitter, Facebook e Instagram.
Fotos: Cleiton Thiele, Edison Vara e Vitor Búrigo.