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Paraíso, de Ana Rieper, é premiado na 20ª CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto

por: Cinevitor
Ana Rieper: diretora do premiado Paraíso

A cerimônia de encerramento da 20ª edição da CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto, apresentada por David Maurity, aconteceu nesta segunda-feira, 30/06, na Praça Tiradentes, na cidade mineira de Ouro Preto, Patrimônio Histórico da Humanidade

O longa Paraíso, dirigido por Ana Rieper, de Nada Será Como Antes e Vou Rifar Meu Coração, foi o grande vencedor do prêmio de melhor filme na histórica primeira edição competitiva da CineOP e recebeu o Troféu Vila Rica. Em sua 20ª edição, a Mostra instituiu um prêmio a longas-metragens que se utilizam de imagens de arquivo.

Saudado pelo júri, formado por Alex Moura, Marcus Mello e Sheila Schvarzman, o reconhecimento surge com o objetivo de “trazer maior visibilidade aos avanços da preservação audiovisual no país” a partir da organização do setor e dos debates e reflexões que são promovidos pela Mostra. O texto, lido pela jurada Sheila Schvarzman, reconheceu os avanços do cinema de arquivo no Brasil, estimulando uma produção que tem crescido significativamente nas últimas duas décadas e consolidando a cultura do uso de material preservado em filmes e se estabelecendo como “uma das mais fortes tendências do cinema brasileiro contemporâneo”

A decisão do júri para conceder o prêmio a Paraíso foi justificada por ser um “ensaio que propõe uma interpretação do Brasil a partir de imagens cinematográficas de diferentes origens” e por dialogar com uma rica tradição de pensamento crítico de intelectuais brasileiros. Além disso, a produção foi elogiada pela “rigorosa pesquisa em arquivos públicos, que permitiu o acesso a uma significativa coleção de imagens”. O júri também ressaltou a inventividade, humor, indignação e empatia com que as imagens foram organizadas e ressignificadas numa obra “de caráter humanista e comprometida com o país”.

A Mostra Competitiva, uma das grandes inovações desta edição, selecionou cinco longas-metragens que têm em comum o uso criativo de imagens de arquivo; daí a mostra estar intitulada Arquivos em Questão. São obras que ressignificam registros históricos, pessoais e culturais para construir novas narrativas audiovisuais e reafirmam o papel da montagem, da curadoria e da memória na criação cinematográfica.

Clássico ao ar livre: O Garoto, de Charles Chaplin

Além do premiado Paraíso, a seleção contou também com: Itatira, de André Luís Garcia; Meu Pai e Eu, de Thiago Boulin; Os Ruminantes, de Tarsila Araújo e Marcelo Melo; e Um Olhar Inquieto: O Cinema de Jorge Bodanzky, de Liliane Maia e Jorge Bodanzky

No palco da CineOP 2025, Ana Rieper fez seu discurso: “Quero agradecer ao festival, que proporciona esse encontro do nosso cinema com o tema do arquivo, da preservação e da difusão. Queria também aproveitar para fazer um agradecimento muito especial a todos os profissionais que dedicam suas vidas, trajetórias e histórias para que a gente possa se encontrar com a nossa história através desses arquivos”

Em uma breve fala ao entregar o Troféu Vila Rica para a cineasta Ana Rieper, o prefeito de Ouro Preto, Angelo Oswaldo, saudou a primeira edição do prêmio competitivo e os 130 anos do Arquivo Público Mineiro, espaço de armazenamento de materiais importantes da história brasileira. O prefeito celebrou ainda as novidades anunciadas durante a Mostra: a sala de cinema do Museu da Inconfidência passa a ter o nome do cineasta Joaquim Pedro de Andrade; e as obras de revitalização do Cine Vila Rica serão aceleradas, em movimento que se soma ao vindouro curso de cinema a ser oferecido pela UFOP, Universidade Federal de Ouro Preto.

Depois da premiação, a cerimônia finalizou com o Cine-Concerto em uma exibição especial de O Garoto (The Kid) (1921), clássico de Charles Chaplin, em uma versão especial com trilha sonora executada ao vivo pelas musicistas Natália Barros, Isabela Alencastro e Jennifer Cunha. No filme, Chaplin eterniza a figura do Vagabundo, que enfrenta a dureza da vida com afeto e humor, formando uma comovente parceria com um menino órfão. Nesta exibição, a poética trilha original, composta pelo próprio Chaplin, ganhou novos contornos com a incorporação de brasilidades, em especial o choro, gênero musical reconhecido como patrimônio cultural do Brasil. O resultado foi um encontro emocionante entre o cinema mudo e a riqueza sonora brasileira

*O CINEVITOR está em Ouro Preto e você acompanha a cobertura do evento por aqui, pelo canal do YouTube e pelas redes sociais: Twitter, Facebook e Instagram.

Fotos: Leo Fontes e Leo Lara/Universo Produção.

20ª CineOP: Raquel Hallak celebra edição histórica da Mostra de Cinema de Ouro Preto e avanços no audiovisual brasileiro

por: Cinevitor
Raquel Hallak comemora sucesso de público na CineOP 2025

Depois de seis dias de programação intensa, a 20ª edição da CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto reafirmou sua relevância no calendário cultural nacional ao reunir mais de 20 mil pessoas na cidade mineira, que é Patrimônio Histórico da Humanidade

O evento comemorativo de duas décadas consolidou Ouro Preto como polo do cinema brasileiro dedicado à preservação, história e educação, impulsionando a economia local e fortalecendo a articulação entre memória audiovisual, formação, políticas públicas e inovação.

A programação exibiu 143 filmes de seis países e 17 estados brasileiros, distribuídos em 12 mostras temáticas, incluindo estreias e sessões especiais como a nova Mostra Competitiva Contemporânea, chamada de Arquivos em Questão, e a Mostra Construindo Memórias, ambas voltadas à reflexão sobre a memória e a montagem no cinema contemporâneo.

Antes do encerramento, na segunda-feira, 30/06, Raquel Hallak, CEO da Universo Produção e coordenadora geral da Mostra, conversou com a imprensa no Centro de Artes e Convenções da UFOP e, como de costume, fez um balanço geral da edição: “Toda vez que começa um evento e eu olho a plateia, eu penso: nossa, conseguimos! Essa é a primeira sensação. De conseguir realizar uma edição. Porque não é fácil em um país que a gente não tem uma política pública dos festivais e mostras de cinema, principalmente, em que nós somos grandes responsáveis; e aqui englobo todos os meus colegas que realizam festivais de cinema. Somos muitos, diversos e necessários. Somos formação e difusão. O cinema brasileiro precisa da gente em todos os sentidos”.

E continuou na coletiva de imprensa: “Quando subo ao palco, me dá uma emoção imensa. Primeiro essa sensação de conseguir e aí eu falo de toda uma equipe que acredita junto comigo nos nossos sonhos e propósitos nessa CineOP. E quando tem uma data redonda como essa, é inevitável uma revisita: a gente vai lembrando de cada ano. O que evoluiu e quais foram os marcos históricos de cada um? Construímos uma linha do tempo”

Entre os destaques desta edição, a Mostra lançou o Prêmio Preservação, homenageando o professor João Luiz Vieira, e o Prêmio Cinema e Educação, concedido à educadora Maria Angélica dos Santos. A CineOP prestou ainda uma homenagem à atriz Marisa Orth (clique aqui e acompanhe os melhores momentos) em reconhecimento à sua trajetória artística marcada pela versatilidade e contribuição ao humor no cinema brasileiro, reforçando o papel das mulheres na história do audiovisual nacional.

Raquel Hallak e a imprensa na 20ª CineOP

Sobre Marisa, Raquel Hallak comentou, em entrevista exclusiva ao CINEVITOR: “Escolher Marisa Orth para ser homenageada, representando todas as mulheres do humor e do cinema brasileiro, foi extremamente assertivo porque além dela ter uma carreira ímpar, ela tem um humor muito transgressor como um ato político, na sua inteligência, e também desperta aquilo que sai do óbvio. Ela foi chamada não só pelo pelo teatro, pela televisão, mas principalmente pelo cinema que muita gente desconhece. Então, a proposta da homenagem na CineOP é trazer também um cinema que as pessoas desconhecem, mas que faz parte da nossa história audiovisual brasileira”

Para o CINEVITOR, Raquel Hallak também refletiu sobre esta edição comemorativa da Mostra de Cinema de Ouro Preto: “Eu acho que essa edição, principalmente, é um balanço que reúne mulheres no nosso cinema. Foi uma edição histórica com filmes históricos em que as mulheres estiveram à frente e atrás das câmeras na temática do humor das mulheres no cinema brasileiro. Vimos por aqui encontros de cineastas, roteiristas, produtoras; mulheres que estão fazendo cinema. E, mais do que nunca, mostrando que nossos filmes continuam vivos e que a CineOP é necessária também como um ambiente de formulação de políticas públicas, de formulação coletiva de documentos e de registros fundamentais que apontam a necessidade de políticas públicas para o audiovisual”.

E finalizou: “Celebramos 20 anos do único evento dedicado à preservação, história e educação com uma programação muito intensa e diferenciada em que o público percebeu a importância que a preservação tem. Não só no sentido de preservar os filmes, mas também de dar acesso às escolas como os lugares de memória, a necessidade da pesquisa, do acesso aos filmes. Foi um encontro pela memória, pela salvaguarda do nosso imenso patrimônio audiovisual brasileiro”

Com a Temática Histórica: O Humor das Mulheres no Cinema Brasileiro, a 20ª CineOP trouxe uma reflexão sobre o papel do humor no cinema brasileiro a partir da perspectiva das mulheres, destacando suas trajetórias tanto na atuação quanto nos bastidores das produções. Sobre a programação, Juliana Gusman, uma das curadoras desta edição e que também estava presente na coletiva de imprensa com Raquel Hallak, comentou: “O que foi interessante nesse percurso de pesquisa curatorial, além de entender o lugar das mulheres numa história de um cinema de humor brasileiro, foi entender que: uma história que já tem sido escrita por várias pesquisadoras que pensam e estudam cinemas feitos por mulheres no Brasil, é que este cinema que a gente sempre reivindicou na chave do feminismo, de um cinema militante, sempre foi muito bem humorado”

Durante a CineOP 2025, anúncios importantes foram feitos: Frederick Magalhães, do Instituto de Filosofia, Artes e Cultura da UFOP, Universidade Federal de Ouro Preto, revelou o planejamento avançado de um novo curso de bacharelado em Cinema e Audiovisual com ênfase em preservação, aproveitando o patrimônio cultural da cidade. Além disso, o diretor do Museu da Inconfidência, Alex Calheiros, anunciou a criação de uma nova sala de cinema no antigo auditório do museu, que será nomeada em homenagem ao cineasta Joaquim Pedro de Andrade. O espaço, já integrado à programação da CineOP, será adaptado para exibir filmes regularmente com qualidade técnica adequada, reforçando o vínculo entre o cinema e Ouro Preto.

E mais: sobre as obras de revitalização do Cine Vila Rica, o prefeito de Ouro Preto, Angelo Oswaldo, afirmou que serão aceleradas em movimento que se soma ao vindouro curso de cinema a ser oferecido pela UFOP. Na coletiva de imprensa, Hallak destacou: “Agora vai sair! Os projetos estão sendo licitados para começar a reforma. Só não sei se vai ter recurso suficiente para equipá-lo com tecnologia de última geração”

Joelma Gonzaga, Secretária do Audiovisual do MinC, e Raquel Hallak

Esta edição teve presença marcante do MinC, Ministério da Cultura, com o lançamento oficial do Programa de Preservação do Audiovisual Brasileiro, iniciativa da Pasta que estrutura uma política nacional de preservação e cria a Rede Nacional de Arquivos Audiovisuais. E mais: no Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+, o MinC lançou, durante o evento, a 65ª edição da revista Filme Cultura, com o tema Cinema Mais: o audiovisual LGBTQIA+, que homenageia a pluralidade de identidades e expressões da comunidade, reforçando o compromisso da política cultural com a inclusão.

No programa de formação, foram oferecidas 405 vagas em seis oficinas, seis masterclasses internacionais e um workshop, possibilitando capacitação teórica e prática para estudantes e profissionais do audiovisual. O Programa Cine-Expressão promoveu sete sessões de cinema seguidas de debates beneficiando 3.450 alunos de 19 escolas da rede pública de ensino, reforçando o compromisso da CineOP com a educação e a formação de público.

Além disso, os Encontros de Educação e de Arquivos da 20ª CineOP apresentaram os resultados consolidados de suas discussões e reflexões. Na segunda-feira, 30/06, foram realizadas as leituras e apresentações oficiais das Cartas de Ouro Preto 2025, documentos que expressam os principais encaminhamentos, propostas e diretrizes construídos coletivamente ao longo dos encontros. As cartas reafirmam o papel estratégico da CineOP como espaço de articulação, escuta e construção coletiva de políticas públicas para o setor audiovisual nas frentes da educação e da preservação.

O cinema em conexão com as outras artes na 20ª CineOP foi um dos destaques da programação, que  contou com 33 atrações artísticas: shows como o de Ana Cañas, exposição, lançamento de 34 livros, performance audiovisual e Cortejo da Arte. A já tradicional Festa Junina da CineOP beneficiou quatro instituições sociais de Ouro Preto, mostrando o compromisso do evento com a comunidade local.

A 20ª CineOP contou também com uma equipe de trabalho de 126 pessoas, contratou 230 empresas prestadoras de serviços, 22 estabelecimentos comerciais de Ouro Preto, entre hotéis, pousadas e restaurantes, impulsionando o setor de turismo e a economia criativa da cidade e gerou mais de 1.500 empregos diretos e indiretos.

No digital, a Mostra alcançou mais de 100 mil acessos on-line a partir de mais de 60 países e alcançou mais de 2,5 milhões de visualizações em suas redes sociais, ampliando o alcance internacional do evento. A cobertura jornalística foi realizada por mais de 400 veículos de imprensa e presencialmente reuniu 72 profissionais da imprensa de diferentes regiões do país.

Com uma programação que aliou tradição e inovação, a 20ª CineOP reforçou seu papel como espaço fundamental para a preservação da memória do cinema brasileiro e para o debate sobre o audiovisual como patrimônio cultural. O evento beneficiou mais de 20 mil pessoas, impulsionou a economia local, homenageou trajetórias marcantes e lançou iniciativas que fortalecem a memória e a formação no setor audiovisual brasileiro.

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Fotos: Leo Lara e Leo Fontes/Universo Produção.

20ª CineOP: filmes com Dercy Gonçalves e Helena Ignez são exibidos em cópias restauradas

por: Cinevitor
Helena Ignez apresentou A Mulher de Todos, de Rogério Sganzerla

A mostra Preservação, sempre em consonância com a temática central, é um dos destaques da 20ª edição da CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto e busca estimular a reflexão sobre a relação entre arquivos audiovisuais e criação de memória, entendendo a memória enquanto patrimônio vivo e dinâmico.

No sábado, 28/06, uma sessão especial foi realizada no Cine-Museu, localizado no anexo do Museu da Inconfidência, com filmes que passaram recentemente por processos de restauração: um marco do cinema tropicalista brasileiro, o longa A Mulher de Todos (1969), de Rogério Sganzerla, se inspira na chanchada e nos filmes de comédia pastelão americanos. Completando a sessão, um registro único da atriz Dercy Gonçalves em um curta-metragem de 1981 restaurado pelo MIS-SP

Para apresentar as exibições, os curadores José Quental e Vivian Malusá convidaram nomes relacionados aos filmes, entre eles, José Maria Lopes, restaurador do projeto do MIS-SP, Museu da Imagem e do Som, das obras de Abrão Berman e especialista em restauração de cinema e TV. Sobre o curta Dercy Gonçalves, dirigido por Abrão Berman e Rosina Leser Schwarz (Ro Black), falou: “O filme que restauramos, com apoio da Cinecolor, é sobre os 50 anos de vida dela. Eu tive o privilégio de conviver com Dercy em alguns momentos na TV Tupi e na TV Cultura, em São Paulo. É um filme em Super 8 com banda magnésia e som direto. Conseguimos fazer um trabalho bacana”. O curta é um documentário íntimo sobre Dercy Gonçalves na época em que comemorava 50 anos de carreira.

Abrão Berman, nascido em 1941, possui o título de pai do Super 8 no Brasil. Berman tinha enorme capacidade de aglutinar pessoas e interesses e assim criou, na época, um dos eventos mais importantes na área cinematográfica do país: os Super Festivais Nacionais do Filme Super8. Ele se formou em cinema na França, no final dos anos 1960, e retornou ao Brasil com o intuito de começar uma carreira como realizador. Por conta dos custos e das dificuldades do meio, acabou encontrando no formato Super 8 a possibilidade de se tornar cineasta; um formato considerado amador e que sofria resistência de profissionais da área. Assim, em plena ditadura brasileira, criou em 1972, junto de sua sócia, Malu Alencar, a empresa GRIFE, Grupo dos Realizadores Independentes de Filmes Experimentais, para trabalhar profissionalmente com Super 8

Cena do curta-metragem Dercy Gonçalves

Sobre A Mulher de Todos, dirigido por Rogério Sganzerla, a atriz e diretora Helena Ignez, referência na história do cinema brasileiro, marcou presença na Mostra de Cinema de Ouro Preto e fez um discurso empolgante antes da exibição: “É, coisa linda, viu? Muito amor e agradecimento à Débora Butruce pelo trabalho belíssimo trazendo de novo A Mulher de Todos como Rogério fez. Nas tiragens é absolutamente magnífico. É um momento lindo para o cinema brasileiro e para nós do cinema experimental, que estamos sendo descobertos pelo mundo. Esse filme é lindo! Vale a pena vocês estarem aqui. É uma obra-prima. Um grande beijo e amor!”.

A sinopse diz: Ângela Carne e Osso é uma ninfômana insaciável, casada com Dr. Plirtz, interpretado por Jô Soares, ex-carrasco nazista e dono do truste das histórias em quadrinhos no Brasil. Entediada com sua vida doméstica, passa seu tempo colecionando homens no retiro idílico da Ilha dos Prazeres. O elenco conta também com Stenio Garcia, Paulo Villaça, Antonio Pitanga, Abrahão Farc, Thelma Reston, Silvio de Campos Filho, José Carlos Cardoso, Antonio Moreira e José Agrippino de Paula

Vencedor do Candango de melhor atriz para Helena Ignez e melhor montagem para Franklin Pereira e Rogério Sganzerla no Festival de Brasília, em 1969, A Mulher de Todos, eleito um dos 100 melhores filmes brasileiros de todos os tempos pela Abraccine, Associação Brasileira de Críticos de Cinema, conta com fotografia de Peter Overbeck e som assinado por Julio Perez Caballar. O roteiro é de Sganzerla, que também assina a produção ao lado de Alfredo Palácios

Débora Butruce, preservadora audiovisual e restauradora de filmes, foi a responsável técnica pelo restauro de A Mulher de Todos. Antes da exibição, falou com o público presente: “Estou muito feliz de estar exibindo essa restauração aqui na CineOP, evento que eu participo há tantos e tantos anos. Essa versão digital restaurada em 4K partiu do interpositivo combinado, que saiu diretamente dos negativos originais. O filme foi rodado em 35 mm e partimos desse material porque os negativos já estavam no estágio avançado de deterioração”

Curadoria e equipe dos filmes na CineOP 2025

E continuou: “A finalidade desse restauro foi restituir essa versão colorizada de como foi idealmente concebida pelo Rogério Sganzerla. Então, vocês vão ver essa explosão de cores na tela. E queria ressaltar esse trabalho em parceria com a Mapa Filmes e com a Link Digital, aqui com a Denise Miller e com o João Paulo Reis que foi o colorista. Foi um desafio voltar com as cores feitas, mas acredito que o resultado está belíssimo. Ficamos felizes com o que conseguimos alcançar”

Rogério Sganzerla iniciou sua carreira como crítico de cinema em 1964, em São Paulo. Aos 20 anos, fez seu primeiro filme, Documentário, premiado com uma viagem ao Festival de Cannes. Em 1968, dirigiu O Bandido da Luz Vermelha, considerado Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO. Em 1970, fundou a produtora Belair com Helena Ignez e Júlio Bressane, onde dirigiu Copacabana Mon Amour e Sem essa, Aranha. Após sua morte, em 2004, sua obra continua sendo celebrada mundialmente.

Neste ano, a mostra Preservação se organiza em algumas frentes distintas que sublinham a importância de uma memória viva e o trabalho de criação de novas memórias do cinema. Há uma seleção de obras brasileiras que foram recentemente digitalizadas ou restauradas, inscritas a partir da chamada da CineOP. Com isso, observa-se o aumento quantitativo e a diversidade dos trabalhos de restauração apresentados, que parecem representar uma transformação do cenário no Brasil. Vale destacar que ações como a Lei Paulo Gustavo, por exemplo, impulsionaram a realização de alguns dos projetos aqui apresentados.

*O CINEVITOR está em Ouro Preto e você acompanha a cobertura do evento por aqui, pelo canal do YouTube e pelas redes sociais: Twitter, Facebook e Instagram.

Fotos: Ane Souz/Universo Produção.

4º FALA São Chico: conheça os vencedores do Festival Audiovisual Latino-Americano de São Francisco do Sul

por: Cinevitor
Premiados na quarta edição do FALA São Chico

Foram anunciados neste sábado, 28/06, no Cine Teatro X de Novembro, em São Francisco do Sul, norte de Santa Catarina, os vencedores da quarta edição do FALA São Chico, Festival Audiovisual Latino-Americano de São Francisco do Sul, que exibiu 27 obras dedicadas exclusivamente ao gênero documentário.

A celebração teve início com a exibição dos três curtas-metragens produzidos no Projeto Rally Panvision | Edição São Chico, realizado pela primeira vez no festival. O filme escolhido pelo Júri Oficial para receber o Troféu Rally Panvision foi Guerreira do Mar, da equipe 3, formada por Andréa de Oliveira, Fran Ferreira, Mile Torres, Julia Gomes Alves e Fernando Lazzarini.

Na Mostra Infantojuvenil, o Júri Oficial concedeu o prêmio ao filme Não Quero Citar Teóricos, dirigido por João Luciano e Eró Cunha, do Maranhão; a obra investiga a experiência de ser jovem em um sistema educacional que nem sempre escuta. O Júri Popular escolheu o filme A História de Ayana, dirigido por Cristiana Giustino e Luana Dias, do Rio de Janeiro, para receber a premiação; o documentário trata da história de uma menina negra albina, que com o apoio de seus pais e amigos, encontra o seu lugar no mundo. Os jurados deixaram uma Menção Honrosa para o filme O Enegrecer de Iemanjá e a Subtração do Sagrado Afro, dirigido por Uê Puauet, do Paraná. A justificativa diz que o documentário aborda de forma leve, lúdica e certeira o racismo e a intolerância religiosa.

Na Mostra Curtas Catarinenses e Latinos, o melhor curta escolhido pelo Júri Oficial foi Wadja, dirigido por Narriman Kauane, de Pernambuco; é um documentário biográfico que conta a vida e carreira de Marilene Araújo, Wadja, mulher indígena, defensora das causas e da cultura indígena. O título também foi eleito pelo Júri Popular como melhor filme da Mostra. Os jurados deixaram um Prêmio Especial para o filme Estamos en el Mapa, dirigido por Santiago Rodríguez Cárdenas, da Colômbia. Como justificativa, destacaram a originalidade da linguagem narrativa para contar uma história que perpassa várias questões sociais, como o apagamento, a marginalização, a violência do Estado e a união entre os personagens

No palco, foi também entregue o Troféu Amigo do FALA São Chico para Eliane Barbosa de Jesus, moradora de São Francisco do Sul, que assistiu a todos os filmes da Mostra Curtas Catarinenses e Latinos do 4º FALA São Chico e participa do festival desde a primeira edição.

Tiago Santos, diretor executivo da Panvision, agradeceu ao público, às escolas e professores e demais instituições que estiveram presentes nas sessões: “É importante cada vez mais pensar nessa formação de público e pensar em futuras gerações. E é isso que a gente quer fazer aqui”. Tiago também agradeceu aos patrocinadores e apoiadores do evento, além da Fundação Cultural Ilha de São Francisco e a Prefeitura Municipal de São Francisco do Sul.

Marilha Naccari, diretora-presidente da Associação Cultural Panvision e diretora de programação do FALA, fez um discurso emocionado de agradecimento e de convocação à vida: “Vamos viver com mais intensidade. A vida é isso, é sopro, é felicidade, é cada momento, e é isso que eu quero com vocês aqui”

Os filmes premiados no FALA São Chico 2025 foram escolhidos por um corpo de jurados formado por Carol Borges de Andrade, Jucelino Senei Filho, Juliana Anjos, Keltryn Wendland e Rubens Eduardo Teodoro, conhecido como MENTHOR. Os vencedores da quarta edição do FALA São Chico receberam, além do Troféu FALA São Chico de melhor filme, mais de R$ 30 mil em serviços e formação concedidos por empresas especializadas parceiras da Associação Cultural Panvision

Conheça os vencedores do 4º FALA São Chico:

MOSTRA CURTAS CATARINENSES E LATINOS

Melhor Filme | Júri Oficial: Wadja, de Narriman Kauane (PE)
Melhor Filme | Júri Popular: Wadja, de Narriman Kauane (PE)
Prêmio Especial: Estamos en el Mapa, de Santiago Rodríguez Cárdenas (Colômbia)

MOSTRA INFANTOJUVENIL

Melhor Filme | Júri Oficial: Não Quero Citar Teóricos, de Eró Cunha e João Luciano (MA)
Melhor Filme | Júri Popular: A História de Ayana, de Cristiana Giustino e Luana Dias (RJ)
Menção Honrosa: O Enegrecer de Iemanjá e a Subtração do Sagrado Afro, de Uê Puauet (PR)

PROJETO RALLY PANVISION | EDIÇÃO SÃO CHICO

Melhor Filme | Júri Oficial: Guerreira do Mar, de Andréa de Oliveira, Fran Ferreira, Mile Torres, Julia Gomes Alves e Fernando Lazzarini (São Francisco do Sul)

Foto: Divulgação/Associação Cultural Panvision.

Alô! Alô! Carnaval!: filme de Adhemar Gonzaga, com Carmen Miranda, é exibido em cópia restaurada na 20ª CineOP

por: Cinevitor
Aurora e Carmen Miranda em Alô! Alô! Carnaval!: filme de 1936

No contexto das celebrações dos 95 anos da Cinédia, companhia cinematográfica brasileira fundada em 1930 no Rio de Janeiro, a 20ª edição da CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto realizou nesta sexta-feira, 27/06, uma sessão especial com a exibição, em cópia restaurada, do clássico Alô! Alô! Carnaval!, de Adhemar Gonzaga

Considerado um marco do cinema musical brasileiro e símbolo do pioneirismo da Cinédia na era do som, Alô! Alô! Carnaval!, lançado em 1936 e que inicialmente foi chamado de O Grande Cassino, surgiu da necessidade de apresentar grandes cantores da fase de ouro do rádio brasileiro ao público; visto que ainda não existia televisão e a população de baixa renda não tinha acesso aos cassinos. 

Na trama, dois revistógrafos, interpretados por Barbosa Júnior e Pinto Filho, querem montar o espetáculo Banana da Terra, mas não são bem recebidos pelo empresário do Cassino Mosca Azul, até que surge uma nova oportunidade. Alô! Alô! Carnaval! é um desfile dos astros da era de ouro do rádio e do disco em um clássico filme-revista dos primeiros anos do cinema sonoro ótico brasileiro.

Já considerada uma artista de sucesso na indústria fonográfica brasileira, Carmen Miranda se destacou em musicais carnavalescos lançados no início dos anos 1930, entre eles, Alô! Alô! Carnaval!. Depois disso, se destacou internacionalmente ao aparecer pela primeira vez, em 1939, caracterizada de baiana, personagem que a lançou para o mundo, no filme Banana da Terra, de Ruy Costa, no qual canta o clássico O que é que a Baiana Tem?, que lançou Dorival Caymmi no cinema. 

Equipe de curadoria e restauração do filme

A exibição da cópia restaurada em 4K de Alô! Alô! Carnaval! na CineOP aconteceu ao ar livre na Praça Tiradentes e contou com a presença de Alice Gonzaga, filha de Adhemar Gonzaga e guardiã da memória da Cinédia: “Daqui a pouco esses filmes vão sumir se você não colocar em 4K. Essa é nossa luta na restauração dos filmes e na preservação da memória. Entre os anos 1930 e 1940 só a Cinédia produziu. Foi um período muito importante do cinema brasileiro, que documentou todos os artistas e pessoas que se tornaram célebres”, disse no palco durante a apresentação do longa. 

Denise Miller, da Link Digital, uma das responsáveis pela restauração, também participou da exibição em Ouro Preto: “Alô! Alô! Carnaval! é um filme histórico. Ainda tem muita coisa que pode ser feita. Com mais tempo, vamos detalhando mais ainda a etapa de restauro. Mas vocês estão vendo aqui uma cópia nova em 4K e provavelmente vamos fazer outros filmes da Cinédia. Espero que vocês gostem da sessão!”

Ainda no palco, Alice Gonzaga agradeceu o trabalho de Denise Miller e também do amigo Hernani Heffner, gerente da Cinemateca do MAM Rio. E finalizou seu discurso: “Estou muito feliz e dedico essa sessão a Adhemar Gonzaga, que há muito tempo não é homenageado e nem lembrado no cinema brasileiro. Vocês vão assistir ao carro-chefe da Cinédia, que eu considero um filme eterno. E é o único filme brasileiro que tem cenas da Carmen Miranda sem estar vestida de baiana. Todos que trabalharam no filme não eram artistas conhecidos, só o Francisco Alves, e depois vingaram e tornaram-se grandes cantores”

Carmen Miranda em cena na Praça Tiradentes: cinema musical brasileiro

O elenco de Alô! Alô! Carnaval! conta também com Oscarito, Jayme Costa, Jorge Murad, Lelita Rosa, Aurora Miranda, Dircinha Batista, Mário Reis, Alzirinha Camargo, Almirante, Lamartine Babo, Bando da Lua, Muraro, Paulo de Oliveira Gonçalves, Henrique Chaves, Dario Melo Pinto, Maria Gonzaga M. Pinto, Luís Carlos Guimarães, Hélio Barroso Neto, Jaime Ferreira, Olga Figueiredo, Paulo Roberto, Peri Ribas, Alberto Rocha, Ignácio Corseuil Filho, Didi Viana, Bernardo Guimarães, Carlos de Oliveira, Hervé Cordovil, Joel de Almeida, Irmãs Pagãs, Lair de Barros, Aniceto, Luiz Barbosa, Linda Batista e Heloísa Helena.

Vivian Malusá, que assina a curadoria da Mostra Preservação ao lado de José Quental, também marcou presença na sessão especial de Alô! Alô! Carnaval!: “Eu queria complementar que é muito legal ver um filme que tem quase 90 anos sendo exibido aqui na praça. Acho que vai ser uma sessão muito divertida. É um filme que foi sendo restaurado ao longo dos anos e essa última restauração que vamos apresentar, que é a mais completa, é um processo contínuo. Mas, o filme por si só já é um case de restauro: primeiro analógico e depois digital”

Produzido por Adhemar Gonzaga e Wallace Downey, Alô! Alô! Carnaval! tem fotografia de Edgar Brasil; o roteiro é assinado por Ruy Costa e Adhemar Gonzaga com argumento de Alberto Ribeiro e João de Barro. A direção de arte é de Ruy Costa e J. Carlos; Moacyr Fenelon assina o som e Adhemar Gonzaga também foi responsável pela montagem. 

Adhemar Gonzaga (1901-1978) foi jornalista, crítico, historiador, roteirista, produtor, diretor e empresário cinematográfico. Como realizador, assinou sete longas-metragens, entre os quais os clássicos Barro Humano (1929), Alô! Alô! Carnaval! (1936) e Carnaval em Lá maior (1956). Editor da revista Cinearte (1926-1942) e fundador dos Estúdios Cinédia, criado em 1930, Gonzaga atuou como uma das grandes lideranças em defesa do cinema brasileiro.

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Fotos: Vitor Búrigo/Divulgação/Ane Souz/Universo Produção.

Conheça os vencedores do 14º Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba

por: Cinevitor
Cais, de Safira Moreira: longa baiano consagrado com três prêmios

Foram anunciados nesta quarta-feira, 18/06, os vencedores da 14ª edição do Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba, um dos mais importantes eventos dedicados à sétima arte no Brasil. Reunindo mais de 92 produções de todo o mundo em sua ampla programação, o festival também contou com aguardadas estreias nacionais e internacionais. 

O júri que avaliou as produções das mostras competitivas brasileiras (curtas e longas) e os curtas-metragens da Competitiva Internacional foi formado pelo historiador, gestor audiovisual, produtor e diretor Rodrigo Antonio; a premiada atriz Bruna Linzmeyer; a gerente de departamento de programação e programadora na equipe de longas do Festival Sundance de Cinema e de Sun Valley, Ana Souza; a pesquisadora, programadora de festivais e também diretora do Berlinale Forum, Bárbara Wurm; e Pedro Freire, diretor de Malu

O baiano Cais, da diretora Safira Moreira, foi agraciado com três dos principais prêmios da noite, sendo o Prêmio Olhar de melhor filme, o de melhor longa pelo Voto do Público e o Prêmio da Crítica Abraccine. A produção aborda o delicado tema do luto e do tempo, em que a cineasta viaja, dois meses após o falecimento de sua mãe Angélica, em busca de encontrá-la em outras paisagens, percorrendo cidades banhadas pelo Rio Paraguaçu (Bahia) e pelo Rio Alegre (Maranhão), para imergir em novas perspectivas sobre memória, tempo, nascimento, vida e morte.

Outro grande destaque da noite foi o goiano Apenas Coisas Boas, dirigido por Daniel Nolasco, um dos principais nomes do cinema queer brasileiro e internacional, que também levou três prêmios. O longa, que é o segundo de ficção do cineasta, é um romance rural LGBTQ+ com drama que parte do encontro entre dois homens no interior do Goiás, em 1984, apresentando uma narrativa marcada pela solidão e a tensão entre o desejo e a repressão.

O novo filme de Maria Clara Escobar, Explode São Paulo, Gil levou os prêmios de melhor atuação para Gildeane Leonina e de melhor direção. O longa-metragem gira em torno de Gil, que sempre teve o sonho de ser cantora e que se mudou para São Paulo com sua esposa quando tinha 20 e pouco anos. Agora, com 50 anos, trabalha como faxineira. Do encontro de Gil com Maria Clara, surgiu a possibilidade para fazer o filme acontecer, para transformar a sonhadora em uma cantora, trazendo reflexões sobre sonhos, trabalho, envelhecimento e esquecimento. 

Aurora, de João Vieira Torres, levou o prêmio de melhor fotografia para Wilssa Esser e Camila Freitas. A produção leva o nome da avó do diretor, que foi parteira e curandeira por mais de 40 anos no sertão profundo da Bahia. De um encontro a outro, entre os vivos e os mortos, o filme segue os rastros de Aurora, confrontando a violência estrutural de gênero e racial, presentes na formação histórica do Brasil.

A Voz de Deus, do diretor Miguel Antunes Ramos, ganhou o prêmio de melhor montagem para Yuri Amaral. O longa gira em torno de duas crianças pregadoras que buscam uma vida melhor através da fé, um de 17 anos que era a criança pregadora mais famosa do Brasil, mas à medida que cresce, enfrenta menos interesse por parte do público, e João, de 12 anos, que está no auge e possui um milhão de seguidores no Instagram, pregando para multidões.

Entre os curtas-metragens da Mostra Competitiva Brasileira, Fronteriza, de Rosa Caldeira e Nay Mendl, levou o Prêmio Olhar de melhor filme. A produção acompanha Lucca, uma jovem trans da periferia de São Paulo, que viaja até Foz do Iguaçu, no limite entre Brasil, Paraguai e Argentina, em busca do pai que nunca conheceu. Já Americana foi consagrado com o Prêmio Especial do Júri. Dirigido por Agarb Braga, o curta gira em torno de cinco amigas, que são detidas após uma briga em praça pública, motivada por uma traição. Na delegacia, durante os depoimentos, os segredos vêm à tona, com revelações inesperadas. 

Na Mostra Competitiva Internacional de longas-metragens, Ariel, coprodução entre Espanha e Portugal, levou o Prêmio Especial do Júri. Com direção de Lois Patinõ, o longa é um filme de teatro dentro do teatro, focando em uma atriz argentina que desembarca em uma ilha estranha e encantadora, onde os habitantes transcenderam em personagens shakespearianos. Já o Prêmio Olhar de melhor filme ficou com A Árvore da Autenticidade, de Sammy Baloji. A coprodução entre Bélgica e Congo se passa na floresta tropical do Congo, em que os restos de um centro de pesquisa dedicado à agricultura tropical revelam o peso do passado colonial e seus vínculos indissociáveis com as mudanças climáticas contemporâneas. 

Entre os curtas-metragens internacionais, o filme Conseguimos Fazer um Filme, de Tota Alves, levou o Prêmio Olhar de melhor filme. A produção de Portugal acompanha a jovem Maria Inês, que vive as primeiras brisas de amor nas férias de verão. Acompanhada das amigas, ela passeia pelo bairro onde vive passando o tempo entre missangas e a rodagem de um filme. O Reinado de Antoine, de José Luis Jiménez Gómez, ganhou uma Menção Honrosa da Mostra Competitiva Internacional. A produção cubana traz um jovem obcecado por fantasias históricas, que se refugia nelas para explorar a complexidade de seus laços familiares e seu ambiente social. Responsável pelo cuidado exclusivo de seu pai deficiente, ele se empenha em dar vida à sua narrativa épica, enfrentando adversidades diárias e buscando uma fuga em um mundo em ruínas;

As produções da mostra Novos Olhares, um espaço voltado a filmes ousados, que flertam com o risco, a invenção e caminhos desconhecidos em seu uso da linguagem cinematográfica, concorreram ao Prêmio Olhar de melhor filme. O título contemplado com o prêmio foi Voz Zov Vzo, do diretor Yhuri Cruz, seu primeiro longa-metragem, que oferece uma perspectiva racializada para as memórias da ditadura militar no Brasil. O time de jurados do 14º Olhar de Cinema completou-se com: Tomás Osten, Fernanda Lomba e Mercedes Martinez na mostra Novos Olhares e nos longas internacionais

Neste ano, as profissionais que fizeram parte do júri da Abraccine, Associação Brasileira de Críticos de Cinema, foram: Cecília Barroso, Nayara Reynaud e Luciana Melo. No Prêmio AVEC – Associação de Cinema e Vídeo do Paraná, que foi concedido a um curta da mostra Mirada Paranaense, e que homenageia o cineasta Cyro Matoso, o júri foi formado por: Bea Gerolin, Cristiane Senn e Waleska Antunes

Além do Prêmio Canal Brasil de Curtas, o Olhar de Cinema contou também com o Prêmio Canal Like, que valoriza e apoia a produção cinematográfica brasileira, oferecendo visibilidade e incentivo aos profissionais do setor audiovisual. O canal contemplará o produtor responsável pela produção do longa-metragem vencedor da Mostra Competitiva Brasileira com um apoio de mídia no valor de R$ 50 mil, destinado à divulgação da obra vencedora ou de um próximo projeto do produtor. 

Outra premiação inédita foi o Prêmio Cardume de Curtas, promovido pela plataforma de curtas Cardume, com o objetivo de estimular o desenvolvimento de roteiros e a produção de curtas-metragens brasileiros independentes e diversos. O prêmio consiste em um contrato de licenciamento exclusivo de um ano e o valor de R$ 3 mil para o melhor curta-metragem da Mostra Competitiva Brasileira e da Mirada Paranaense.  

Conheça os vencedores do Olhar de Cinema 2025:

COMPETITIVA BRASILEIRA | LONGAS

PRÊMIO OLHAR | MELHOR FILME
Cais, de Safira Moreira (BA)

MELHOR DIREÇÃO
Maria Clara Escobar, por Explode São Paulo, Gil

MELHOR ROTEIRO
Apenas Coisas Boas, escrito por Daniel Nolasco

MELHOR ATUAÇÃO
Gildeane Leonina, por Explode São Paulo, Gil

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE
Apenas Coisas Boas, por Marcus Takatsuka

MELHOR DIREÇÃO DE FOTOGRAFIA
Aurora, por Wilssa Esser e Camila Freitas

MELHOR SOM
Apenas Coisas Boas, por Guile Martins, Jesse Marmo, Naja Sodré e Daniel Nolasco

MELHOR MONTAGEM
A Voz de Deus, por Yuri Amaral

COMPETITIVA BRASILEIRA | CURTAS

PRÊMIO OLHAR | MELHOR FILME
Fronteriza, de Rosa Caldeira e Nay Mendl (Brasil/Paraguai)

PRÊMIO ESPECIAL DO JÚRI | ELENCO
Americana, de Agarb Braga (PA)

COMPETITIVA INTERNACIONAL

PRÊMIO OLHAR | MELHOR LONGA-METRAGEM
A Árvore da Autenticidade (L’Arbre de l’authenticité), de Sammy Baloji (Bélgica/Congo)

PRÊMIO ESPECIAL DO JÚRI
Ariel, de Lois Patiño (Espanha/Portugal)

PRÊMIO OLHAR | MELHOR CURTA-METRAGEM
Conseguimos Fazer um Filme, de Tota Alves (Portugal)

MENÇÃO HONROSA | CURTA-METRAGEM
O Reinado de Antoine (El Reinado de Antoine), de José Luis Jiménez Gómez (Cuba)

NOVOS OLHARES

PRÊMIO OLHAR | MELHOR LONGA
Voz Zov Vzo, de Yhuri Cruz (Brasil)

OUTROS PRÊMIOS

PRÊMIO DO PÚBLICO
Melhor longa: Cais, de Safira Moreira (BA)
Melhor curtaGirassóis, de Jessica Linhares e Miguel Chaves (RJ)

PRÊMIO ABRACCINE
Melhor longa: Cais, de Safira Moreira (BA)
Melhor curta: Ontem Lembrei de Minha Mãe, de Leandro Afonso (BA)

PRÊMIO AVEC-PR
Melhor Filme: Interior, Dia, de Luciano Carneiro e Paulo Abrão
Menção Honrosa: Entre Sinais e Marés, de João Gabriel Ferreira e João Gabriel Kowalski

PRÊMIO CANAL BRASIL DE CURTAS
Girassóis, de Jessica Linhares e Miguel Chaves (RJ)

PRÊMIO CARDUME | CURTAS
Americana, de Agarb Braga (PA)
Maira Porongyta: O Aviso do Céu, de Kujãesage Kaiabi (MT)
Seco, de Stefano Volp (RJ)

Foto: Walter Thoms.

32º Festival de Cinema de Vitória: conheça os filmes selecionados

por: Cinevitor
Edvana Carvalho no curta cearense Fenda, de Lis Paim

Foram anunciados nesta quarta-feira, 18/06, os filmes selecionados para as mostras competitivas da 32ª edição do Festival de Cinema de Vitória, o maior evento de cinema e audiovisual do Espírito Santo, que acontecerá entre os dias 19 e 24 de julho no Sesc Glória.

Neste ano, entre 1.374 obras inscritas, 90 filmes foram selecionados, sendo 85 curtas e cinco longas-metragens, que apresentam um recorte da produção audiovisual brasileira contemporânea. Destas, 28 produções são do Espírito Santo. As obras foram escolhidas pela Comissão de Seleção e serão exibidas nas onze mostras competitivas que compõem a programação. 

Para Lucia Caus, diretora do 32º Festival de Cinema de Vitória, as obras selecionadas fomentam a grandiosidade da produção audiovisual brasileira: “Os filmes que compõem a edição deste ano do FCV, nos entregam olhares distintos da cultura brasileira. Nossa curadoria escolheu uma seleção especial entre os milhares de incríveis filmes que recebemos na inscrição, o que mostra o potencial criativo dos realizadores brasileiros. O público vai poder assistir gratuitamente a longas, curtas, videoclipes, com diferentes narrativas que prometem encantar pessoas de diversas idades”

Todas as produções concorrem ao Troféu Vitória, símbolo do evento. A escolha dos vencedores é feita pelo Júri Técnico do festival, composto por especialistas e profissionais ligados ao audiovisual brasileiro, além do Troféu Vitória de melhor filme pelo Júri Popular em todas as mostras competitivas. As produções selecionadas para a 29ª Mostra Competitiva Nacional de Curtas também concorrem ao Prêmio Canal Brasil de Curtas.

Sobre as inscrições: ao todo foram 1.374 obras inscritas, sendo 1.197 curtas-metragens e 177 longas-metragens. Divididos por gêneros, foram 626 filmes de ficção, 442 documentários, 112 obras experimentais e 96 animações. Já na categoria videoclipes, foram 98 produções.

A Comissão de Seleção do 32º Festival de Cinema de Vitória é composta por profissionais que têm estreita relação com o audiovisual. São eles: a curadora, cineasta e produtora Flavia Candida, o mestre em Cinema e Artes do Vídeo, Waldir Segundo e a pesquisadora, roteirista, curadora, júri e crítica de cinema Viviane Pistache (29ª Mostra Competitiva Nacional de Curtas, 15ª Mostra Quatro Estações, 14ª Mostra Foco Capixaba, 14ª Mostra Corsária e 12ª Mostra Outros Olhares). Flavia Candida também assina a curadoria da 10ª Mostra Cinema e Negritude e Waldir Segundo da 7ª Mostra Do Outro Lado | Cinema Fantástico. A jornalista e produtora cultural Leila Bourdoukan e o pesquisador e professor no Instituto de Artes da Unicamp, Gilberto Alexandre Sobrinho assinam a seleção da 15ª Mostra Competitiva Nacional de Longas.

E mais: a doutora em educação Bárbara Maia Cerqueira e a produtora e idealizadora do Cineclube Teresa de Benguela, Hegli Lotério foram responsáveis pela curadoria da 10ª Mostra Mulheres no Cinema. A mestra em educação, bacharel em Rádio e TV e professora de audiovisual, Suellen Vasconcelos e o crítico de cinema, criador do CINEVITOR e apresentador do podcast Plano Geral, Vitor Búrigo respondem pela curadoria da 9ª Mostra Nacional de Videoclipes. Fechando a lista: a cineclubista, roteirista, produtora e realizadora de audiovisual Margarete Taqueti e o cineasta, produtor audiovisual, roteirista e ambientalista Jefferson de Albuquerque Junior assinam a seleção da 8ª Mostra Nacional de Cinema Ambiental

Além da intensa programação de exibições da safra recente do cinema brasileiro, o 32º Festival de Cinema de Vitória presta homenagens a duas importantes personalidades da cultura. O Homenageado Nacional desta edição é Ney Matogrosso. O célebre artista tem em seu currículo quase vinte filmes, entre curtas e longas-metragens, em que se destacam trabalhos experimentais e associados ao cinema autoral brasileiro. Já a Homenageada Capixaba é Verônica Gomes: uma das figuras mais emblemáticas da produção cultural no Espírito Santo, a artista tem uma trajetória expressiva nos palcos e, nos últimos anos, mantém uma relação de proximidade com o audiovisual. 

Além das exibições nas mostras competitivas, o Festival de Cinema de Vitória, realizado pela Galpão Produções e o IBCA, Instituto Brasil de Cultura e Arte, contará com sessões especiais, debates e homenagens que transformarão a cidade de Vitória na capital do cinema. Toda programação é gratuita.

Conheça os filmes selecionados para o 32º Festival de Cinema de Vitória:

29ª MOSTRA COMPETITIVA NACIONAL DE CURTAS-METRAGENS

A Invenção do Orum, de Paulo Sena (ES)
A Nave que Nunca Pousa, de Ellen de Morais (PB)
Aparição, de Camila Freitas (SP)
Arame Farpado, de Gustavo de Carvalho (SP)
Carne Fresca, de Giovani Barros (RJ)
Entre Corpos, de Mayra Costa (AL)
Fenda, de Lis Paim (CE)
Na Volta Eu Te Encontro, de Urânia Munzanzu (BA)
O Panda e o Barão, de Melina Galante (ES)
O Tempo é um Pássaro, de Yasmin Thayná (RJ)
Sola, de Natália Dornelas (ES)
Waldo, de Fabrício Fernandez e Diego Nunes (ES)

15ª MOSTRA COMPETITIVA NACIONAL DE LONGAS-METRAGENS

Brasiliana: O Musical Negro que Apresentou o Brasil ao Mundo, de Joel Zito Araújo (MG)
Centro Ilusão, de Pedro Diogenes (CE)
Insubmissas, de Ana do Carmo, Carol Benjamin, Julia Katharine, Luh Maza e Tais Amordivino (RJ)
Mambembe, de Fabio Meira (GO)
O Deserto de Akin, de Bernard Lessa (ES)

15ª MOSTRA QUATRO ESTAÇÕES

2 de Copas, de Ana Squilanti (SP)
Kabuki, de Tiago Minamisawa (SP/SC)
Kings, de Juliana Pamplona (RJ)
Lacraia vai Tremer, de Lá Baiano e Jadson Titanium (ES)
Queimando por Dentro, de Matheus Farias e Enock Carvalho (PE)
Raposa, de João Fontenele e Margot Leitão (CE)

14ª MOSTRA FOCO CAPIXABA

A Última Sala, de Gabriela Busato e Júlio Cesar (ES)
Castelos de Areia, de Giuliana Zamprogno (ES)
Nosso Tempo a Sós, de Júlio Costa (ES)
Os Cravos, de Renan Amaral (ES)

14ª MOSTRA CORSÁRIA

Cavaram uma Cova no Meu Coração, de Ulisses Arthur (AL)
Enxofre, de Karen Akerman e Miguel Seabra Lopes (RJ/Portugal)
Lagoa Armênia, de Leonardo da Rosa (RS)
O Som do Trovão no Deserto, de Diego Zon (ES)
Sombras de Macumba na Luz da Memória, de Mysteryo (RJ)

12ª MOSTRA OUTROS OLHARES

BELA LX-404, de Luiza Botelho (RJ)
Desta Terra Viverei, de Lidiana Reis (GO)
Guarapari Revisitada, de Adriana Jacobsen (ES)
Ladeira Abaixo, de Ismael Moura (PB)
Linda do Rosário, de Vladimir Seixas (RJ)
Manoel Loreno: Improviso e Paixão, de Enzo Rodrigues (ES)
Moti, de André Okuma (SP)
Nascida com a Manhã, de João Giry (ES)
Suá, a Praia que Sumiu, de Thais Helena Leite (ES)

10ª MOSTRA MULHERES NO CINEMA

Dalva da Rua Sete, de Gab Lourenzato e Nanda Ferreira (SP)
Mães, de Bruna Aguiar (RJ)
Nosso Modo de Lutar, de Francy Baniwa, Kerexu Martim e Vanuzia Pataxó (Rede Katahirine) (DF)
Ocorrência, de Daniela Diniz e Laura Diniz (DF)

10ª MOSTRA CINEMA E NEGRITUDE 

A Sombra de um Futuro, de Gabriel Borges (PR) 
Babel, de Henrique do Carmo (ES)
Cabeça de Cabaças, de Keila Sankofa (PA/AM)
Mar de Dentro, de Lia Letícia (PE)
O Céu Não Sabe Meu Nome, de Carol AÓ (BA)
Punhal, de Clementino Junior (RJ)
Sebastiana, de Pedro de Alencar (RJ)

8ª MOSTRA NACIONAL DE CINEMA AMBIENTAL

Amazônia Azul, Tanto Mar, de Sérgio Gag (SP)
Correnteza, de Diego Müller e Pablo Müller (RS)
Insustentável: a Realidade do Petróleo na Amazônia, de André Borges e Fer Ligabue (DF)
Por que Morrem os Rios?, de Dandara Rust Raposo, Luiza Piroli, Maíra Fortuna, Maria Cecília Oliveira e Vanessa Baptista Simões (ES)
Sobre Ruínas, de Carol Benjamin (RJ)

7ª MOSTRA DO OUTRO LADO | CINEMA FANTÁSTICO

Encontros Sobrenaturais, de Lucas Carvalho (ES)
Festa Infinita, de Ander Beça (PE)
Lança-Foguete, de William Oliveira (PE)
Umbilina e Sua Grande Rival, de Marlom Meirelles (PE/PB)

9ª MOSTRA NACIONAL DE VIDEOCLIPES

Água pra Beber, de Lucía Santalices (Artista: Paulo Maciel e Lucía Santalices) (RJ)
Atemporal, de Gui Cavalcanti (Artista: Flávio Marciano) (GO)
Balanço do Mar, de André Leão (Artista: Gabriela CravíCanela) (AL)
Bigode, de Bianca Souza (Artista: Carulina) (SP)
Carta, de Enzo Rodrigues e Jessica Roberts (Artista: Jessica Roberts) (ES)
Cena de Cinema, de Luiza Grillo Rabello (Artista: Vitu e Luiza Dutra) (ES)
D’Áfrika, de Chico Rasta e Preto Tipuá (Artista: Preto Tipuá) (PI) 
Dialeto Marginal, de Luiz Eduardo Neves (Artista: JR Conceito) (ES)
Ensolarada, de Bruna Sozzi (Artista: Rachel Reis) (BA)
Filme Trash, de Lucas Sá (Artista: Frimes) (MA)
Foi Embora, de Zeca Vieira (Artista: César Soares) (RJ)
Gaveta, de Allef Velasco e Glenda Szlezinger (Artista: Flavie) (RJ)
Highway 262, de Klaus’Berg (Artista: Gustavo Macacko) (ES)
humanurbano: Nóis é eternidade, de Fredone Fone (Artista: MC Fredone) (ES)
Insustentável, de Pedro Baapz (Artista: Grisa) (MG)
Intuir, de Beatriz Nominato e Matheus Vinhas (Artista: João Donato e Donatinho) (AC)
João Bananeira, de Patrick Gomes e Hecthor Murilo (Artista: Gastação Infinita) (ES)
Kel Dia, de Luiza Botelho (Artista: Zubikilla Spencer) (SP/Cabo Verde)
Me Enganar, de GOMES e Pietra Couto (Artista: GOMES) (PE)
Me Proteja Orixá, de Fernanda Medeiros e Lucas Marinho (Artista: Marinho e Nébula78) (GO)
Menina Cacheada, de Lucas Almeida (Artista: Aldeia) (ES)
Mercenários do Amor, de Pedro Capello (Artista: Doce Delix) (RJ)
Meu Desenho, de Giovanni Venturini (Artista: Gio Elefante) (PR/RJ/SP)
Salve, de Antônio Carlos Jesus e Evelyn Vicente do Carmo (Artista: DoCarmo) (ES)
Santo Orixá Guerreiro, de Camila Calmon, Sabrina Repollez e Jeffão (Artista: Monique Rocha) (ES)
Sobre Dinheiro e Alma, de Luca Okido (Artista: Cassol) (PR)
Tempo, de Vanessa Yee (Artista: Victor Ramos) (ES)
To Stumble (Upon confusion), de Mooluscos (Artista: gabre) (SP/Portugal)
Ventos de Oyá, de Natália Vitral (Artista: Pôli Môräes) (GO)

Foto: Petrus Cariry.

O Último Azul, de Gabriel Mascaro, será o filme de abertura do 53º Festival de Cinema de Gramado

por: Cinevitor
Denise Weinberg em O Último Azul: filme de abertura em Gramado

Dirigido por Gabriel Mascaro, de Boi Neon e Divino Amor, O Último Azul será o filme de abertura da 53ª edição do Festival de Cinema de Gramado, com exibição hors concours no dia 15 de agosto, no Palácio dos Festivais.

Inédito no Brasil e com lançamento nos cinemas brasileiros confirmado para 28 de agosto, o longa conquistou o Urso de Prata na 75ª edição do Festival de Berlim, em fevereiro deste ano. O filme rendeu também a Gabriel Mascaro o Prêmio do Júri Ecumênico e o Berliner Morgenpost Readers’ Jury Award, além de muitos aplausos. Recentemente, O Último Azul venceu o prêmio de melhor filme ibero-americano de ficção no Festival Internacional de Cine en Guadalajara, no México, evento que também premiou a atriz Denise Weinberg com o Prêmio Maguey de melhor interpretação.

O longa é situado na Amazônia, em um Brasil quase distópico, onde o governo transfere idosos para uma colônia habitacional em que vão desfrutar seus últimos anos de vida. Antes de seu exílio compulsório, Tereza, papel de Denise Weinberg, uma mulher de 77 anos, embarca em uma jornada para realizar seu último desejo. Rodrigo Santoro, Adanilo e a atriz cubana Miriam Socarrás também integram o elenco. A produção sobre resistência e amadurecimento ao longo dos rios da Amazônia também passou por países como Colômbia, Argentina, Turquia, Portugal e Austrália.

O elenco conta também com Rosa Malagueta, Clarissa Pinheiro, Dimas Mendonça, Daniel Ferrat, Heitor Lóris, Rafael Cesar, Isabela Catão, Daniela Reis, Diego Bauer, Aldenor Santos, Tony Ferreira, Karol Medeiros, Erismar Fernandes, Júlia Kahane, Robson Ney, Luana Brandão, Ítalo Rui, Amanda Costa, Ítalo Bruce, Matheus Sabbá, Paulo Queiroz, Wallace Abreu, Jôce Mendes, Rhuann Gabriel, Arthur Gabriel, Maria Alice, Ana Oliveira, Maurício Santtos, Klindson Cruz e Isadora Gibson. O roteiro é assinado por Gabriel Mascaro e Tibério Azul; a direção de fotografia é de Guillermo Garza. A edição é de Sebastían Sepúlveda e Omar Guzmán; Memo Guerra assina a música do filme. 

Com produção da Desvia (Brasil) e Cinevinay (México), em coprodução com a Globo Filmes (Brasil), Quijote Films (Chile), Viking Film (Países Baixos) e distribuição da Vitrine Filmes no Brasil, O Último Azul foi produzido por Rachel Daisy Ellis e Sandino Saravia Vinay, produtor associado de Roma, de Alfonso Cuarón, e coprodutor dos filmes anteriores de Gabriel Mascaro.

A noite de abertura do Festival de Gramado, que nesta edição tem curadoria de Caio Blat, Camila Morgado e Marcos Santuario, é uma janela prestigiada de estreia de importantes títulos nacionais com carreira no exterior. Filmes que marcaram a cinematografia brasileira já passaram por lá, como Aquarius, Bacurau e Retratos Fantasmas, de Kleber Mendonça Filho; Motel Destino, de Karim Aïnouz; Que Horas Ela Volta?, de Anna Muylaert; entre outros títulos de prestígio. 

O Festival de Cinema de Gramado 2025, mais antigo festival de cinema ininterrupto do Brasil, que faz parte do Patrimônio Histórico e Cultural do Rio Grande do Sul, será realizado entre os dias 13 e 23 de agosto na serra gaúcha, com abertura oficial no dia 15. O festival é realizado pela Gramadotur, Autarquia Municipal de Turismo e Cultura.

Foto: Guillermo Garza.

12ª Mostra de Cinema de Gostoso: inscrições abertas para longas e curtas

por: Cinevitor
Inscrições gratuitas até 17 de agosto de 2025

As inscrições para a 12ª edição da Mostra de Cinema de Gostoso, que acontecerá entre os dias 20 e 24 de novembro, em São Miguel do Gostoso, no Rio Grande do Norte, abrem nesta quarta-feira, 18 de junho, e seguem até 17 de agosto no site oficial do evento de forma gratuita.

Poderão se inscrever filmes de todos os gêneros (obras ficcionais, não ficcionais e animações, exceto videoclipes) desde que tenham sido produzidos no Brasil e finalizados a partir do segundo semestre de 2024.

A Mostra de Cinema de Gostoso se consolidou como um evento único em todo o Brasil, ao promover a exibição de filmes a céu aberto em uma sala de cinema montada na paradisíaca Praia do Maceió em São Miguel do Gostoso, litoral potiguar, com uma programação totalmente gratuita, aliando conforto e alta qualidade de projeção.

Através da participação de filmes inscritos e convidados de todo o país, realização de cursos de formação para jovens, debates e seminários, a Mostra movimenta a cultura, o turismo e a economia no estado do Rio Grande do Norte, promovendo o acesso a bens culturais e a formação de público. Em 2025, a Mostra se prepara para mais uma edição, consolidando sua trajetória junto à cidade e à população de São Miguel do Gostoso.

Todas as sessões da 12ª Mostra de Cinema de Gostoso serão realizadas na Praia do Maceió. A Mostra Competitiva e as Sessões Especiais ocorrerão na sala ao ar livre montada na areia da praia e contam com ampla participação da comunidade local. Com 700 cadeiras espreguiçadeiras, tela de 12m x 6,5m, projeção com resolução 4K e som 7.1, a sala ao ar livre propicia uma experiência imersiva como a de uma sala de cinema de alta tecnologia. Os filmes da Mostra Competitiva concorrem ao Troféu do Júri Popular, concedido pelo voto do público ao melhor curta e longa-metragem. Também será concedido o Troféu da Imprensa, a partir da votação de jornalistas e críticos de cinema presentes à Mostra.

A Mostra de Cinema de Gostoso 2025 celebra, pelo terceiro ano consecutivo, a participação da Petrobras como patrocinadora master da 12ª edição do projeto, reafirmando o compromisso da empresa com a cultura e o audiovisual brasileiro. A parceria com a Petrobras viabiliza novamente a realização da Mostra Panorama na Sala Petrobras, uma tenda climatizada em formato geodésico localizada na Praia do Maceió, que chama a atenção do público por seu visual único e imponente. Com 7,5 metros de altura, equipada com projeção 4K, som 7.1 e capacidade para 130 pessoas, o espaço garante conforto e qualidade técnica, complementando a experiência do cinema ao ar livre. Sua estrutura singular e acolhedora torna-se um dos destaques do evento, proporcionando uma experiência cinematográfica diferenciada.

A Mostra de Cinema de Gostoso é uma sala popular de cinema a céu aberto que recebe um público de diversas regiões do país. O evento mobiliza os moradores da cidade, que participam ativamente da programação e que passaram a ter um contato mais próximo com a produção cultural de outras regiões do país. Serão realizados diariamente debates com produtores, diretores e atores dos filmes exibidos, além de um seminário sobre a recente produção audiovisual brasileira. Com esse conjunto de ações, a Mostra de Cinema de Gostoso conquistou um espaço significativo no calendário cultural do Nordeste, tornando-se uma importante referência de difusão audiovisual na região.

Desde sua primeira edição, em 2013, a Mostra de Cinema de Gostoso oferece uma série de cursos de formação técnica e audiovisual para jovens a partir de 18 anos de São Miguel do Gostoso e distrito dos arredores. Os cursos de formação são a base do projeto da Mostra de Cinema de Gostoso. Realizados meses antes do início da Mostra, eles têm como objetivo proporcionar aos jovens o domínio de diversas áreas da produção cinematográfica. O conhecimento adquirido nas oficinas é colocado em prática com a realização de curtas-metragens e a participação na equipe de organização da Mostra. Os cursos de formação têm se mostrado capazes de promover transformações profundas. Com foco no desenvolvimento pessoal e na capacitação profissional, eles estimulam o estudo e a busca por novas oportunidades de trabalho pelos jovens que participam do projeto.

Desde 2013, 153 alunos se formaram nos cursos, resultando na realização de 30 curtas-metragens e 58 oficinas. Muitos destes alunos se encontram cursando ensino técnico/superior e trabalhando com audiovisual e outras áreas. Os curtas produzidos pelos alunos têm proporcionado a esse grupo de jovens uma visibilidade em âmbito nacional e internacional, tendo sido exibidos em dezenas de festivais de cinema e comercializados para canais de TV aberta e a cabo.

A Mostra de Cinema de Gostoso é uma realização da Heco Produções e do CDHEC, Coletivo de Direitos Humanos, Ecologia, Cultura e Cidadania, e apresentada pelo Ministério da Cultura e Petrobras. A direção geral é de Eugenio Puppo e Matheus Sundfeld

Foto: Divulgação.

20ª CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto exibirá 143 títulos na programação

por: Cinevitor
Sonia Braga no curta Atenção: Perigo, de José Rubens Siqueira

A 20ª edição da CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto acontecerá entre os dias 25 e 30 de junho na cidade mineira de Ouro Preto, Patrimônio Histórico da Humanidade, celebrando duas décadas de trajetória e consolidada como o único evento do país voltado à preservação, história e educação.

Reafirmando seu compromisso com a salvaguarda do patrimônio audiovisual como pilar de memória, cidadania e transformação social, a programação gratuita será presencial e on-line, na qual a CineOP promove uma conexão entre passado, presente e futuro, tendo o cinema brasileiro como eixo de reflexão crítica e fortalecimento democrático. Os espaços que receberão o público em Ouro Preto incluem a Praça Tiradentes, o Centro de Artes e Convenções da UFOP e o Cine-Museu da Inconfidência. No ambiente digital, parte das sessões e atividades poderá ser acompanhada pelo site oficial (clique aqui).

Ao longo de seis dias, o público poderá assistir 143 filmes (25 longas, 2 médias e 116 curtas-metragens), produzidos em 17 estados brasileiros e seis países (Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Cuba e Estados Unidos). As exibições estão organizadas em 12 mostras: Histórica, Competitiva, Contemporânea Longas, Contemporânea Curtas, Educação, Valores, TV UFOP, Preservação, Mostrinha, Cine-Escola, Cine Concerto e Itaú Cultural Play.

A sessão de abertura, na quinta-feira, 26/06, às 19h30 na Praça Tiradentes, exibirá curtas emblemáticos como: A Mulher Fatal Encontra o Homem Ideal, de Carla Camurati; A Origem dos Bebês Segundo Kiki Cavalcanti, de Anna Muylaert; A Má Criada, de Sung Sfai; Esconde-Esconde, de Eliana Fonseca; e Lá e Cá, de Sandra Kogut. Entre filmes programados na Mostra Histórica e Preservação, está A Mulher de Todos, de Rogério Sganzerla (1969), em cópia restaurada, com todo seu humor tropicalista e atuação marcante de Helena Ignez.

Com a Temática Histórica: O Humor das Mulheres no Cinema Brasileiro, a 20ª CineOP propõe uma reflexão sobre o papel do humor no cinema brasileiro a partir da perspectiva das mulheres, destacando suas trajetórias tanto na atuação quanto nos bastidores das produções. A mostra evidencia a evolução que permitiu às artistas não apenas interpretar, mas também criar suas próprias narrativas cômicas com autonomia e inovação. Para os curadores Cleber Eduardo e Juliana Gusman, o humor feminino é uma expressão criativa que desafia normas de gênero e promove reflexão crítica e transformação social.

Ícone do humor brasileiro, reconhecida pela versatilidade e por personagens que criticam ironicamente as representações femininas no audiovisual, Marisa Orth, que será homenageada nesta edição, conta com uma carreira multifacetada, que transita entre o cômico e dramático, televisão, teatro e cinema. Para o curador Cleber Eduardo, Marisa sintetiza a elasticidade e força do humor feminino no audiovisual brasileiro.

Jean-Claude Bernardet no longa Ruminantes, de Tarsila Araújo e Marcelo Melo

Na temática da Preservação, a 20ª CineOP reafirma seu pioneirismo como espaço de reflexão, articulação e visibilidade para as práticas e os profissionais da preservação audiovisual brasileira. Destaca a urgência de enfrentar os desafios contemporâneos da área, como a adoção de novas tecnologias, o fortalecimento de políticas públicas e a ampliação do acesso aos acervos. A curadoria enfatiza a pluralidade e a complexidade do campo da preservação, valorizando o trabalho técnico, artístico e político das instituições e agentes que atuam, muitas vezes nos bastidores, para garantir a salvaguarda da memória audiovisual do país. Ao promover a circulação de filmes do passado para novos públicos, a CineOP reforça seu papel como elo entre a história do cinema e os debates atuais sobre identidade, cultura e pertencimento.

Como parte das comemorações pelos 20 anos da CineOP, a Mostra cria o Prêmio Preservação, voltado a reconhecer iniciativas e trajetórias de destaque na salvaguarda do patrimônio audiovisual brasileiro. Em sua primeira edição, o prêmio será concedido ao professor João Luiz Vieira, referência nacional na área, por sua atuação incansável na formação de profissionais, no fortalecimento de redes colaborativas e na defesa de políticas públicas para a preservação audiovisual. Coordenador do LUPA, Laboratório Universitário de Preservação Audiovisual, pioneiro na valorização de acervos amadores e regionais, e integrante ativo da Rede Universitária de Acervos Audiovisuais (RUAAv), João Luiz Vieira será homenageado por sua contribuição fundamental à consolidação de uma cultura de preservação no Brasil.

Na temática da Educação, a CineOP 2025 propõe um amplo debate sobre o uso dos acervos audiovisuais como ferramentas pedagógicas e lugares de memória fundamentais para a construção do conhecimento. A mostra destaca a importância dos acervos pessoais, familiares, escolares e de cineastas como fontes vivas para práticas educativas que promovem diversidade, inclusão e múltiplas vozes; especialmente de mulheres, povos indígenas, população negra e LGBTQIA+. Mais do que exibir filmes, a proposta é trabalhá-los em sala de aula com curadoria e metodologias que estimulem a reflexão crítica e o diálogo. A CineOP também reforça a defesa de políticas públicas que garantam o acesso aos acervos e a efetiva implementação da Lei 13.006/2014, que estabelece a obrigatoriedade da exibição de obras do cinema brasileiro nas escolas.

Também dentro das homenagens aos 20 anos da CineOP, será concedido o Prêmio Cinema e Educação à socióloga e educadora Maria Angélica Santos, em reconhecimento à sua trajetória marcada pelo compromisso com a formação de uma geração crítica e criativa por meio do cinema nas escolas. Referência nacional na área da alfabetização audiovisual, Maria Angélica coordenou o Programa de Alfabetização Audiovisual da Cinemateca Capitólio, em Porto Alegre, e é membro ativo do GT Cinema-Escola, grupo que atua na formulação de políticas públicas para garantir o acesso ao cinema no ambiente escolar. Sua atuação inclui ainda a participação em debates fundamentais sobre a implementação da Lei 13.006/2014 e sobre a construção do Plano Nacional de Cinema na Escola, contribuindo de forma decisiva para consolidar o cinema como linguagem e ferramenta pedagógica.

Uma das grandes inovações desta edição é a criação da Mostra Competitiva, com uma seleção de cinco longas-metragens que têm em comum o uso criativo de imagens de arquivo; daí a mostra estar intitulada Arquivos em Questão. São obras que ressignificam registros históricos, pessoais e culturais para construir novas narrativas audiovisuais e reafirmam o papel da montagem, da curadoria e da memória na criação cinematográfica.

Entre os cinco filmes programados na competição, dois deles são centrados em figuras históricas do cinema brasileiro: Luiz Sérgio Person e Jean-Claude Bernardet, com Ruminantes, de Tarsila Araújo e Marcelo Melo; e Jorge Bodanzky por ele mesmo, em parceria com Liliane Maia, em Um Olhar Inquieto, ambos documentários nos quais a memória de hoje em relação ao passado estão carregadas de afeto e de informações. Os outros três incluem fenômenos culturais e sobrenaturais em Itatira, de André Luís Garcia; fenômenos sociais com Paraíso, de Ana Rieper; e uma investigação sobre vida e morte em família em Meu Pai e Eu, de Thiago Boulin.

Cena do curta Dercy Gonçalves, de Abrão Berman e Rosina Leser Schwarz (Ro Black)

A proposta é ampliar o debate sobre como o cinema pode reinterpretar o passado com sensibilidade estética, crítica política e inovação formal. A Mostra Competitiva valoriza o trabalho de realizadores que usam o arquivo não apenas como registro, mas como linguagem artística para contar novas possibilidades de história dentro e fora das telas. Um júri composto por Alex Moura, diretor do Museu da InconfidênciaMarcus Mello, pesquisador e programador de cinema (Cinemateca Capitólio), e Sheila Schvarzman, historiadora e professora na Universidade Anhembi Morumbi, vai escolher o filme mais destacado da seleção para receber o Troféu Vila Rica no encerramento do evento.

Além da competitiva, a curadoria de longas-metragens de Cleber Eduardo e Rubens Fabricio Anzolin criou a mostra Construindo Memórias, também com filmes contemporâneos que, com ou sem arquivos, contribuem para a promoção da cultura cinematográfica brasileira e com a cultura brasileira de qualquer área. Os filmes 3 Obás de Xangô, de Sérgio Machado, O Silêncio de Eva, de Elza Cataldo, e Brasilianas: O Musical Negro que Apresentou o Brasil ao Mundo, de Joel Zito Araújo, promovem reflexões sobre memória, identidade e criatividade a partir de figuras emblemáticas, entre elas, Jorge Amado, Dorival Caymmi, Carybé, Eva Nill e a companhia musical Brasilianas.

Entre os curtas-metragens, a mostra Contemporânea, com o tema Retratos, Paisagens e Arquivos de Família, traz: A Carta de Mudan e as Oito Primaveras, de Pedro Nishi; A Nave que Nunca Pousa, de Ellen Morais; Afluente, de Frederico Benevides; Este Cinema Tão Augusta, de Fábio Rogério; Fortaleza Liberta, de Natália Maia e Samuel Brasileiro; Homenagem à Hollis Frampton (ou Thiago), de Pedro Kalil; Mandinga de Gorila, de Luzé e Juliana Gonçalves; Memórias da Desindustrialização, de Vivian Castro Villarroel; Natureza Morta, de Diran Serafim; O que Fica, de Daniel Edu Mayer e Fabiane Bardemaker; Suá, a Praia que Sumiu, de Thais Helena Leite; Um Breve Respiro Democrático, de Rafael de Luna Freire; e Zizi (ou Oração da Jaca Fabulosa), de Felipe M. Bragança

Considerando a importância da CineOP em tratar o cinema como patrimônio, filmes com cópias restauradas têm destaque grande na programação, dentro da temática Preservação. O recorte chama atenção à importância dos arquivos audiovisuais como repositórios vivos de memória cultural. A curadoria de José Quental e Vivian Malusá buscou enfatizar a memória como patrimônio dinâmico, construído por meio da digitalização, restauração e recontextualização de obras.

A programação homenageia instituições fundamentais para a preservação audiovisual: os 95 anos do estúdio Cinédia, os 50 anos da Cinemateca de Curitiba, os 40 anos do Centro Técnico do Audiovisual (CTAv) e os 10 anos da Cinemateca Capitólio de Porto Alegre. Entre os destaques, estão: o longa restaurado Alô Alô Carnaval (1936), de Adhemar Gonzaga e protagonizado por Carmen Miranda; curtas de Annibal Requião (Cinemateca de Curitiba); o curta do projeto Digitalização Viajante (CTAv); e Crônica de um Rio, de Antônio Carlos Textor (Cinemateca Capitólio). Essas obras, provenientes de acervos históricos, exemplificam a reutilização de arquivos para resgatar contextos e memórias.

A Mostra também apresenta uma seleção de obras brasileiras recentemente digitalizadas ou restauradas, inscritas via chamada pública, refletindo o crescimento e a diversidade dos projetos de restauração no Brasil impulsionados por iniciativas como a Lei Paulo Gustavo. Entre os filmes, há os curtas: Na realidade…, de Jorge Abranches; Eunice, Clarice, Thereza, de Joatan Vilela Berbel; Atenção: Perigo, de José Rubens Siqueira; e Dercy Gonçalves, de Abrão Berman e Rosina Leser Schwarz (Ro Black). Além dos longas: O Capitão Bandeira contra o Dr. Moura Brasil (1971), de Antônio Calmon, que explora o tropicalismo, a crítica ao consumismo e a alienação cultural como alegorias de desconforto social da ditadura militar num tom satírico; e A Mulher de Todos (1969), de Rogério Sganzerla, que segue a vida e as escolhas da personagem principal, vivida por Helena Ignez, e a forma como ela desafia as normas sociais da época.

Regina Casé em Lá e Cá, de Sandra Kogut

A seleção da Mostra História conta com outros diversos títulos, entre eles: Alfazema, de Sabrina Fidalgo; Das Tripas Coração, de Ana Carolina; Célia & Rosita, de Gisella de Mello; Demônia: Melodrama em 3 Atos, de Cainan Baladez e Fernanda Chicolet; Doces Poderes, de Lucia Murat; Escasso, de Clara Anastácia e Gabriela Gaia Meirelles; Linda de Morrer, de Cris D’Amato; Não Quero Falar Sobre Isso Agora, de Mauro Farias; O Casamento de Louise, de Betse De Paula; Onde Está Mymye Mastroiagnne?, de biarritzzz; Os Homens que Eu Tive, de Tereza Trautman; Plano Controle, de Juliana Antunes; Ritas, de Oswaldo Santana; Sinfonia da Necrópole, de Juliana Rojas; De Perto Ela Não é Normal, de Cininha de Paula; e Na Rédea Curta, de Ary Rosa e Glenda Nicácio

Além destes, a Temática Preservação exibe curtas da cineasta norte-americana Abigail Child, que exploram identidade, gênero e memória por meio de imagens de acervos variados. Como complemento à mostra presencial, uma pequena mostra on-line composta por três obras inclui dois episódios da série /lost+found, concebida pelo preservador Hernani Heffner, com o primeiro dedicado ao ex-diretor da Cinemateca Portuguesa, José Manuel Costa, e o segundo sobre Raquel Hallak, CEO da Universo Produção e idealizadora da CineOP; e o curta Os Cinemas Estão Fechando, parte do projeto de restauração das obras de Abrão Berman pelo Museu da Imagem e Som de São Paulo.

Com o tema Lugares de Memória: Acervos e Acessos, a programação da Mostra Educação destaca a relação inventiva entre audiovisual, educação e memória. Com foco em escolas e suas comunidades, a curadoria, assinada pela Rede Kino, enfatiza experimentações sonoras e imagéticas que recriam memórias individuais e coletivas, conectando arquivos, acervos e práticas pedagógicas. A convocatória aberta recebeu 115 filmes de diversas regiões do Brasil e da América Latina, todos realizados em contextos educacionais com participação de estudantes, educadores e cineastas, com até três minutos de duração.

A curadoria priorizou obras que exploram as escolas e seus territórios como espaços de produção e reflexão sobre memórias. Inspirada pelo tema Alquimia dos Arquivos, dos Seminários Latino-Americanos da Rede Kino, a seleção valoriza a tensão entre o arquivo como documento duradouro e a performance efêmera, ligada a gestos, oralidades e sonhos. Filmes que promovem colaboração e protagonismo de estudantes e professores foram destacados, independentemente do gênero ou grau de formalização, evidenciando processos criativos coletivos.

A Mostrinha encantará crianças e famílias com o filme A Mensagem de Jequi, de Igor Amin, longa-metragem de Minas Gerais que narra as aventuras de um menino quilombola pelos rios de sua imaginação. A Sessão Cine-Escola, um programa educativo gratuito da 20ª CineOP, destinado a escolas de Ouro Preto, reúne sessões de curtas-metragens para diferentes faixas etárias entre 25 e 30 de junho de 2025. Além dos filmes, inclui debates e material pedagógico para uso em sala de aula.

A CineOP realiza dois encontros de grande importância para o setor audiovisual: 20º Encontro Nacional de Arquivos e Acervos Audiovisuais Brasileiros e Encontro da Educação: XVII Fórum da Rede Kino. Ambos são espaços estratégicos para articulação de políticas públicas, definição de ações para o setor e promoção do cinema como ferramenta de transformação social e reafirmam a missão da CineOP de ser mais que um festival de cinema: um espaço de memória, formação, articulação de políticas públicas, troca de experiências e formulação de diretrizes para o setor e transformação para o audiovisual brasileiro. Além disso, mais de 137 profissionais e convidados estarão no centro de 34 debates e rodas de conversa, reunindo especialistas nacionais e internacionais para discutir os eixos temáticos desta edição.

Nomes como Durval Ângelo, Jandira Feghali, Joelma Gonzaga, Paulo Alcoforado, Anna Muylaert, Betse de Paula, Cris D’Amato, entre outros, farão parte das discussões da CineOP. E mais: serão oferecidas sete oficinas gratuitas, presenças internacionais e diversas masterclasses, que vão explorar a relação entre arquivos audiovisuais. O Cortejo da Arte, marcado para sábado, 28/06, às 11h30, percorrerá as ruas tricentenárias de Ouro Preto com grupos folclóricos e performances teatrais, celebrando a cultura mineira. A Festa Junina: Arraiá da CineOP, no domingo, 29/06, às 18h, no Centro de Convenções, reunirá quadrilhas, barraquinhas, comida e bebida. O Sesc Cine Lounge Show animará as noites com shows de músicos mineiros, performances de DJs e intervenções artísticas, como: Xênia França, Ana Cañas cantando Rita Lee, Baile da Amandona convida Tacy e Tutu com Tacacá

A CineOP abrigará ainda lançamentos de livros, com 20 publicações, e uma exposição temática no hall de entrada do Centro de Convenções de Ouro Preto, destacando os 20 anos do evento e os conceitos de cada eixo em 2025.

Diversos títulos da 20ª CineOP integrarão a programação on-line do evento, que vai reunir títulos, alguns exibidos apenas neste formato, na plataforma do evento. A seleção inclui títulos da mostra Preservação, História e Educação e serão disponibilizados para visualização na plataforma, simultaneamente à realização da programação presencial da Mostra na cidade mineira. Também um recorte especial estará disponível na plataforma IC Play, do dia 27 de junho ao dia 13 de julho (clique aqui). Além disso, os debates conceituais e a abertura e encerramento do evento serão disponibilizados na plataforma do evento e no YouTube da Universo Produção.

Fotos: Divulgação.

Prêmio Grande Otelo 2025: Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, lidera indicações 

por: Cinevitor
Ainda Estou Aqui: 16 indicações para o filme de Walter Salles

Foram divulgados nesta segunda-feira, 16/07, os finalistas ao Prêmio Grande Otelo 2025, que é realizado pela Academia Brasileira de Cinema e considerada a maior premiação do setor audiovisual nacional.

Nesta 24ª edição, que será celebrado o cinema brasileiro no mundo, o consagrado Ainda Estou Aqui, dirigido por Walter Salles, lidera a lista com 16 indicações, entre elas, melhor atriz para Fernanda Torres, que interpreta Eunice Paiva no longa vencedor do Oscar de melhor filme internacional. A cerimônia, que acontecerá no dia 30 de julho, na Cidade das Artes Bibi Ferreira, no Rio de Janeiro, será transmitida ao vivo pelo Canal Brasil e pelo canal do YouTube da Academia.

Votado por profissionais das mais diversas áreas do setor, o Prêmio Grande Otelo, antes chamado de Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, conta com 30 prêmios no total, sendo 29 produções escolhidas pelo amplo júri formado por profissionais associados à Academia Brasileira de Cinema, e o disputado Grande Otelo de melhor filme pelo Júri Popular, escolhido pelo público por meio de votação aberta realizada no site da Academia.

Os vencedores serão escolhidos no segundo turno, de 23 a 30 de junho, com votação entre os sócios da Academia. A votação popular pela internet, para que o público eleja seu filme favorito entre os longas brasileiros finalistas de ficção (drama e comédia) e documentário, acontecerá entre os dias e 29 de julho

Em 2025, foram inscritos mais de 2 mil profissionais nas diferentes categorias: 185 filmes de longa-metragem (114 filmes de ficção, 9 de animação, 59 documentários e 3 infantis); 90 séries brasileiras (31 de ficção, 45 documentais e 14 de animação); 62 curtas-metragens (24 de ficção, 24 documentários e 14 de animação) e 8 filmes ibero-americanos.

Conheça os indicados ao 24º Prêmio Grande Otelo

MELHOR LONGA-METRAGEM | FICÇÃO
Ainda Estou Aqui, de Walter Salles
Baby, de Marcelo Caetano
Kasa Branca, de Luciano Vidigal
Malu, de Pedro Freire
Motel Destino, de Karim Aïnouz

MELHOR LONGA-METRAGEM | COMÉDIA | VOTO POPULAR
Câncer com Ascendente em Virgem, de Rosane Svartman
Estômago 2: O Poderoso Chef, de Marcos Jorge
Kasa Branca, de Luciano Vidigal
O Auto da Compadecida 2, de Flávia Lacerda e Guel Arraes
O Dia que te Conheci, de André Novais Oliveira

MELHOR LONGA-METRAGEM | DOCUMENTÁRIO
3 Obás de Xangô, de Sérgio Machado
Assexybilidade, de Daniel Gonçalves
Fernanda Young: Foge-me ao Controle, de Susanna Lira
Luiz Melodia: No Coração do Brasil, de Alessandra Dorgan
Milton Bituca Nascimento, de Flavia Moraes
Othelo, o Grande, de Lucas H. Rossi dos Santos

MELHOR LONGA-METRAGEM | ANIMAÇÃO
Abá e Sua Banda, de Humberto Avelar
Arca de Noé, de Sérgio Machado e Alois Di Leo
O Sonho de Clarice, de Fernando Gutiérrez e Guto Bicalho
Placa-Mãe, de Igor Bastos
Teca e Tuti: Uma Noite na Biblioteca, de Eduardo Perdido, Tiago Mal e Diego M. Doimo

MELHOR LONGA-METRAGEM | INFANTIL
Chico Bento e a Goiabeira Maraviosa, de Fernando Fraiha
Princesa Adormecida, de Claudio Boeckel
Tudo por um Pop Star 2, de Marco Antonio de Carvalho

MELHOR DIREÇÃO
Andrucha Waddington, por Vitória
Erico Rassi, por Oeste Outra Vez
Karim Aïnouz, por Motel Destino
Marcelo Caetano, por Baby
Walter Salles, por Ainda Estou Aqui

MELHOR PRIMEIRA DIREÇÃO DE LONGA-METRAGEM
Alessandra Dorgan, por Luiz Melodia: No Coração do Brasil
Dira Paes, por Pasárgada
João Cândido Zacharias, por A Herança
Lucas H. Rossi dos Santos, por Othelo, o Grande
Pedro Freire, por Malu

MELHOR ATRIZ | LONGA-METRAGEM
Andrea Beltrão, por Avenida Beira-Mar
Dira Paes, por Pasárgada
Fernanda Torres, por Ainda Estou Aqui
Grace Passô, por O Dia que te Conheci
Yara de Novaes, por Malu

MELHOR ATOR | LONGA-METRAGEM
Ângelo Antônio, por Oeste Outra Vez
Caio Blat, por Grande Sertão
Fabio Assunção, por Motel Destino
João Pedro Mariano, por Baby
Matheus Nachtergaele, por O Auto da Compadecida 2
Selton Mello, por Ainda Estou Aqui

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE | LONGA-METRAGEM
Bárbara Luz, por Ainda Estou Aqui
Carol Duarte, por Malu
Juliana Carneiro da Cunha, por Malu
Linn da Quebrada, por Vitória
Valentina Herszage, por Ainda Estou Aqui

MELHOR ATOR COADJUVANTE DE LONGA-METRAGEM
Antonio Pitanga, por Oeste Outra Vez
Átila Bee, por Malu
Babu Santana, or Oeste Outra Vez
Humberto Carrão, por Ainda Estou Aqui
Ricardo Teodoro, por Baby 

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
Baby, escrito por Marcelo Caetano e Gabriel Domingues
Kasa Branca, escrito por Luciano Vidigal
Malu, escrito por Pedro Freire
O Dia que te Conheci, escrito por André Novais Oliveira
Oeste Outra Vez, escrito por Erico Rassi

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
Ainda Estou Aqui, escrito por Murilo Hauser e Heitor Lorega; baseado no livro Ainda Estou Aqui, de Marcelo Rubens Paiva
Arca de Noé, escrito por Sérgio Machado; inspirado na obra Arca de Noé, de Vinicius de Moraes
Grande Sertão, escrito por Guel Arraes e Jorge Furtado; adaptado da obra Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa
O Diabo na Rua no Meio do Redemunho, escrito por Bia Lessa; adaptado da obra Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa
Retrato de um Certo Oriente, escrito por Marcelo Gomes, Maria Camargo e Gustavo Campos; adaptado da obra Relato de um Certo Oriente, de Milton Hatoum

MELHOR DIREÇÃO DE FOTOGRAFIA
Ainda Estou Aqui, por Adrian Teijido
Baby, por Joana Luz e Pedro Sotero
Grande Sertão, por Gustavo Hadba
Malu, por Mauro Pinheiro Jr. 
Motel Destino, por Hélène Louvart
O Auto da Compadecida 2, por Gustavo Hadba
Oeste Outra Vez, por André Carvalheira

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE
Ainda Estou Aqui, por Carlos Conti
As Polacas, por Camila Moussallem
Malu, por Elsa Romero
Motel Destino, por Marcos Pedroso
Oeste Outra Vez, por Carol Tanajura

MELHOR FIGURINO
A Batalha da Rua Maria Antônia, por Aline Canella 
Ainda Estou Aqui, por Claudia Kopke
Baby, por Gabriela Campos 
Grande Sertão, por Cao Albuquerque e Diana Leste
Motel Destino, por Kika Lopes e Ananda Frazão
O Auto Da Compadecida 2, por Emilia Duncan

MELHOR MAQUIAGEM
Ainda Estou Aqui, por Marisa Amenta
Grande Sertão, por Rosemary Paiva 
Malu, por Marcos Freire
O Auto Da Compadecida 2, por Rosemary Paiva
Oeste Outra Vez, por Ana Pieroni

MELHOR EFEITO VISUAL
Ainda Estou Aqui, por Claudio Peralta
Chico Bento e a Goiabeira Maraviosa, por Guilherme Ramalho, Hugo Gurgel e François Puren
Grande Sertão, por Eduardo Schaal, Guilherme Ramalho e Hugo Gurgel
O Auto Da Compadecida 2, por Claudio Peralta
Retrato de um Certo Oriente, por Ailton Piuí e João Paulo Geraldo
Vitória, por Claudio Peralta

MELHOR MONTAGEM
3 Obás de Xangô, por André Finotti
Ainda Estou Aqui, por Affonso Gonçalves
Baby, por Fabian Remy 
Cidade; Campo, por Cristina Amaral
Malu, por Marilia Moraes
O Auto Da Compadecida 2, por Fabio Jordão

MELHOR SOM
Ainda Estou Aqui, por Laura Zimmerman e Stéphane Thiébaut
Arca de Noé, por Caio Gox, André Tadeu e Carlos Paes
Chico Bento e a Goiabeira Maraviosa, por Abrão Antunes, Miriam Biderman, Ricardo Reis e Toco Cerqueira 
Malu, por Marcel Costa e Daniel Turini 
Meu Sangue Ferve por Você, por Jorge Rezende, Jorge Vaz, Miriam Birderman, Ricardo Reis e Toco Cerqueira
Motel Destino, por Moabe Filho, Pedro Moreira, Waldir Xavier e Adrian Baumeister
Vitória, por Jorge Saldanha, Alessandro Laroca e Eduardo Virmond Lima 

MELHOR TRILHA SONORA
A Batalha da Rua Maria Antônia, por Antonio Pinto
Ainda Estou Aqui, por Warren Ellis 
Grande Sertão, por Beto Villares
Motel Destino, por Amine Bouhafa 
O Clube das Mulheres de Negócios, por André Abujamra e Mateus Alves 
Oeste Outra Vez, por Guilherme Garbato 
Vitória, por Antonio Pinto 

MELHOR CURTA-METRAGEM | FICÇÃO
E Seu Corpo é Belo, de Yuri Costa (RJ)
Helena de Guaratiba, de Karen Black (RJ)
O Lado de Fora Fica Aqui Dentro, de Larissa Barbosa (MG)
Quando Aqui, de André Novais Oliveira (MG)
Zagêro, de Victor Di Marco e Márcio Picoli (RS)

MELHOR CURTA-METRAGEM | DOCUMENTÁRIO
A Noite de Garrafadas, de Eder Gomes Barbosa (RJ)
Eu Fui Assistente do Eduardo Coutinho, de Allan Ribeiro (RJ)
Mar de Dentro, de Lia Letícia (PE)
Vento Dourado, de André Hayato Saito (SP)
Você, de Elisa Bessa (RJ)
Vollúpya, de Éri Sarmet e Jocimar Dias Jr. (RJ)

MELHOR CURTA-METRAGEM | ANIMAÇÃO
A Menina e o Pote, de Valentina Homem (PE)
Eu e o Boi, o Boi e Eu, de Jane Carmen Oliveira (MG)
Eu Sou um Pastor Alemão, de Angelo Defanti (RJ)
Hoje Eu Só Volto Amanhã, de Diego Lacerda (PE)
Kabuki, de Tiago Minamisawa (SC/SP)
Menino Monstro, de Guilherme Alvernaz (SP)
Posso Contar nos Dedos, de Victória Kaminski (RS)
Receita de Vó, de Carlon Hardt (PR)

MELHOR LONGA-METRAGEM IBERO-AMERICANO
El jockey, de Luis Ortega (Argentina); indicação: Academia de las Artes y Ciencias Cinematográficas de la Argentina
Estimados Señores, de Patricia Castañeda (Colômbia); indicação: Academia Colombiana de Artes y Ciencias Cinematográficas
Grand Tour, de Miguel Gomes (Portugal); indicação: Academia Portuguesa de Cinema
La infiltrada, de Arantxa Echevarría (Espanha); indicação: Academia de las Artes y las Ciencias Cinematográficas de España
Sujo, de Astrid Rondero e Fernanda Valades (México); indicação: Academia Mexicana de Artes y Ciencias Cinematográficas

MELHOR SÉRIE | FICÇÃO | PRODUÇÃO INDEPENDENTE | TV ABERTA, PAGA OU STREAMING
Cidade de Deus: A Luta Não Para (1ª temporada) (HBO/Max)
Impuros (5ª temporada) (Star+)
Os Outros (2ª temporada) (Globoplay)
Os Quatro da Candelária (1ª temporada) (Netflix)
Senna (Netflix)

MELHOR SÉRIE | DOCUMENTÁRIO | PRODUÇÃO INDEPENDENTE | TV ABERTA, PAGA OU STREAMING
Bateau Mouche: O Naufrágio da Justiça (Max/HBO)
Falas Negras (4ª temporada) (TV Globo)
Maníaco do Parque: A História Não Contada (1ª temporada) (Amazon Prime)
Romário, o Cara (1ª temporada) (Max)
Viva o Cinema! Uma História da Mostra de São Paulo (HBO/Max)

MELHOR SÉRIE | ANIMAÇÃO | PRODUÇÃO INDEPENDENTE | TV ABERTA, PAGA OU STREAMING
Astronauta (1ª temporada) (HBO/Max)
Cosmo, o Cosmonauta (1ª temporada) (Cartoonito)
Gildo (1ª temporada) (TV Brasil)
Irmão do Jorel (5ª temporada) (Max/Cartoon Network Latin America)
Lino: Meu Pai é Fera (1ª temporada) (Disney+)
O Show da Luna! (8ª temporada) (Discovery Kids)
Vovó Tatá (1ª temporada) (Gloobinho/Globoplay)

MELHOR ATRIZ | SÉRIE DE FICÇÃO
Adriana Esteves, por Os Outros
Alice Wegmann, por Rensga Hits
Andréia Horta, por Cidade de Deus: A Luta Não Para
Leticia Colin, por Os Outros
Roberto Rodrigues, por Cidade de Deus: A Luta Não Para

MELHOR ATOR | SÉRIE DE FICÇÃO
Andrei Marques, por Os Quatro da Candelária
Eduardo Sterblitch, por Os Outros
Gabriel Leone, por Dom
Gabriel Leone, por Senna
Matheus Nachtergaele, por Chabadabadá

Foto: Divulgação/Sony Pictures Classics.

Cine PE 2025: conheça os vencedores

por: Cinevitor
Vitória Vasconcellos, diretora de Esconde-Esconde: três prêmios

Foram anunciados neste domingo, 15/06, no Teatro do Parque, no Recife, em cerimônia apresentada pela atriz pernambucana Nínive Caldas, os vencedores da 29ª edição do Cine PE – Festival do Audiovisual.

O drama A Melhor Mãe do Mundo, dirigido por Anna Muylaert, foi consagrado com a Calunga de Prata de melhor filme e mais quatro prêmios, entre eles, melhor atriz para Shirley Cruz. O paranaense Nem Toda História de Amor Acaba em Morte, de Bruno Costa, foi o escolhido pelo público

Entre os curtas-metragens nacionais, a animação Kabuki, de Tiago Minamisawa, se destacou com quatro prêmios. Já nos curtas pernambucanos, Esconde-Esconde, dirigido por Vitória Vasconcellos, foi consagrado em três categorias, entre elas, melhor filme

O Júri Oficial da mostra Curtas Pernambucanos concedeu uma Menção Honrosa para o filme Lança-Foguete, de William Oliveira, pela iniciativa de buscar uma representação diferenciada e criativa da comunidade trans por meio do exercício da ficção científica. Já o Júri Oficial da mostra Curtas Nacionais decidiu conceder uma Menção Honrosa para a atriz Divina Valéria, pela ousadia e brilhantismo na sua interpretação no filme Cavalo Marinho, do diretor Leo Tabosa

Neste ano, o Júri Oficial de longas-metragens contou com: Daniel Bandeira, David Schurmann, Helga Nemeczyk, Rosemberg Cariry e Vânia Lima. Entre os curtas, o time de jurados foi formado por: Elias Oliveira, José Araripe Jr., Marcos Pierry, Renata Boldrini e Viviane Pistache

Composto por Neusa Barbosa, Roger Lerina e Laura Machado, o júri do Prêmio da Crítica, formado pela Abraccine, Associação Brasileira de Críticos de Cinema, concedeu a Calunga de melhor longa-metragem para o pernambucano Senhoritas, de Mykaela Plotkin. O prêmio de melhor curta nacional foi para Casulo, de Aline Flores.

Conheça os vencedores do 29º Cine PE – Festival do Audiovisual:

MOSTRA COMPETITIVA DE LONGAS-METRAGENS

Melhor Filme: A Melhor Mãe do Mundo, de Anna Muylaert (SP)
Melhor Direção: Mykaela Plotkin, por Senhoritas
Melhor Roteiro: A Melhor Mãe do Mundo, escrito por Anna Muylaert 
Melhor Atriz: Shirley Cruz, por A Melhor Mãe do Mundo
Melhor Atriz Coadjuvante: Rejane Faria, por A Melhor Mãe do Mundo
Melhor Ator: Octavio Camargo, por Nem Toda História de Amor Acaba em Morte
Melhor Ator Coadjuvante: Genézio de Barros, por Senhoritas
Melhor Fotografia: Senhoritas, por Cris Lyra
Melhor Direção de Arte: Senhoritas, por Ana Mara Abreu
Melhor Montagem: A Melhor Mãe do Mundo, por Fernando Stutz
Melhor Trilha Sonora: O Ano em que o Frevo Não Foi pra Rua, por Diogo Felipe
Melhor Edição de Som: Itatira, por Rosana Stefanoni

MOSTRA COMPETITIVA DE CURTAS-METRAGENS NACIONAIS

Melhor Filme: Kabuki, de Tiago Minamisawa (SP/SC)
Melhor Direção: Tiago Minamisawa, por Kabuki
Melhor Roteiro: Casulo, escrito por Aline Flores
Melhor Ator: Rafael Lozano, por Depois do Fim
Melhor Atriz: Aline Flores, por Casulo
Melhor Fotografia: A Caverna, por Elisa Ratts
Melhor Direção de Arte: Kabuki, por Guilherme Petreca
Melhor Montagem: Liberdade Sem Conduta, por Marília Albuquerque
Melhor Trilha Sonora: Kabuki, por Gustavo Kurlat e Ruben Feffer
Melhor Edição de Som: O Último Varredor, por Augusto Krebs

MOSTRA COMPETITIVA DE CURTAS-METRAGENS PERNAMBUCANOS

Melhor Filme: Esconde-Esconde, de Vitória Vasconcellos
Melhor Direção: Vitória Vasconcellos, por Esconde-Esconde
Melhor Roteiro: Babalu é Carne Forte, escrito por Xulia Doxágui
Melhor Ator: Asaías Rodrigues, por Sertão 2138
Melhor Atriz: Clau Barros, por Sertão 2138
Melhor Fotografia: Esconde-Esconde, por João Rubio Rubinato
Melhor Direção de Arte: Babalu é Carne Forte, por Alex Ferreira
Melhor Montagem: Sonho em Ruínas, por Priscila Nascimento
Melhor Trilha Sonora: O Carnaval é de Pelé, por Grupo Boi Tira-Teima
Melhor Edição de Som: Sonho em Ruínas, de Priscila Nascimento

OUTROS PRÊMIOS

JÚRI POPULAR
Melhor Curta Pernambucano: O Carnaval é de Pelé, de Lucas Santos
Melhor Curta Nacional: Depois do Fim, de Pedro Maciel (SP)
Melhor longa-metragem: Nem Toda História de Amor Acaba em Morte, de Bruno Costa (PR)

PRÊMIO DA CRÍTICA | ABRACCINE
Melhor Curta Nacional: Casulo, de Aline Flores (SP)
Melhor longa-metragem: Senhoritas, de Mykaela Plotkin (PE)

Foto: Felipe Souto Maior.