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Entrevista: Julia Katharine fala sobre Won’t You Come Out to Play?, curta exibido na 24ª Mostra de Cinema de Tiradentes

por: Cinevitor

juliakatharinetiradentes2021Cineasta, roteirista e atriz: destaque em Tiradentes.

Em 2018, Julia Katharine recebeu o Prêmio Helena Ignez de destaque feminino na Mostra de Cinema de Tiradentes por seu trabalho no longa Lembro Mais dos Corvos, de Gustavo Vinagre. No ano seguinte, exibiu seu primeiro curta-metragem como diretora, Tea for Two, na Mostra Foco. Na edição do ano passado, ministrou a oficina Roteiro Colaborativo, ao lado de Thais de Almeida Prado, com destaque na criação de um roteiro ficcional colaborativo.

Agora, nesta 24ª edição, participa com Won’t You Come Out to Play? na Mostra Panorama, que apresenta um conjunto amplo e diversificado da produção de curtas-metragens realizados em 2020. Propostas experimentais, construções ficcionais e olhares documentais são lançados por realizadores de diferentes territórios do país.

Em entrevista ao CINEVITOR, a cineasta falou sobre a edição de 2021 da Mostra Tiradentes: “Ter sido selecionada mais uma vez, e em um ano tão atípico, com a mostra acontecendo on-line e não presencialmente, foi um presente, não só pra mim, como para todos os envolvidos no filme. Ficamos felizes demais e queríamos estar todos juntos no Cine Tenda celebrando a nossa arte. A importância de estar na Mostra é ter a chance de levar o filme para um público maior, já que estamos on-line e, mais uma vez, um estímulo para que eu siga fazendo filmes, contando histórias e o melhor, trabalhando com pessoas que eu admiro e tenho profundo amor”.

O filme também fez parte do Sesc Cultura ConVIDA! no programa Curtas de Quarentena, no qual cineastas se inspiraram no período de isolamento social para produzir seus filmes. Escrito e dirigido por Julia, o curta começa em um dia ensolarado de quarentena, no meio de uma pandemia mundial, quando Vanessa e Virgínia fazem escolhas para suas vidas.

tunafilmejuliaSet virtual: a atriz Tuna Dwek em cena.

Para a realização do curta, os atores captaram as imagens em seus celulares e/ou computadores, sem contato presencial com a equipe. Filmado durante a quarentena, por conta da pandemia de Covid-19, entre julho e outubro de 2020, o filme conta com Claudia Campolina, Tuna Dwek, Carlos Eduardo Valente, Bruno Perillo e Julia Katharine no elenco.

Sobre filmar à distância, Julia revelou: “Foi muito difícil dirigir remotamente porque um dos meus maiores prazeres em fazer cinema é a reunião que acontece. Ensaio, leitura de texto, conversa fiada pra nos aproximarmos mais; tudo isso me inspira e eu amo vê-los atuar estando junto, próxima sabe?! Cada um filmou suas cenas pelo celular, seguindo indicações minhas e todos estavam empolgados. Tivemos só uma reunião via Zoom e foi lindo. A Claudia Campolina e o João Marcos de Almeida, que é o montador do filme, foram os que mais me ajudaram a lidar com essa falta que senti do presencial. Conversamos muito e eles foram parceiros incríveis nessa quarentena, só tenho gratidão. Espero que o próximo seja presencial e que eu possa desfrutar da companhia de todos. Espero tê-los no elenco do meu próximo filme”.

A diretora também falou sobre o elenco: “Eu sempre escolho meus atores enquanto escrevo o roteiro. Eu tinha claro que a Claudia seria a Virgínia, o Carlos Eduardo, o pai e a Tuna, a Celina, a mãe. Só o personagem do Bruno Perillo que eu não sabia quem chamar e a Claudia trouxe ele para o filme e foi muito bom. Eu amei o Bruno de cara, já tinha visto ele na TV antes e gostado, tínhamos um outro personagem que caiu, que foi desenvolvido para o Dennis Teixeira, um ator que eu adoro e um amigo querido. Eu amo trabalhar com quem tenho afinidades e afeto. Tudo flui melhor e mais fácil. Sou grata por todos eles terem acreditado na história que eu queria contar”.

filmejulia2tiradentesClaudia Campolina em cena.

Do elenco, a atriz Tuna Dwek, que na edição passada de Tiradentes participou com o curta Estamos Todos na Sarjeta, Mas Alguns de Nós Olham as Estrelas, de João Marcos de Almeida e Sergio Silva, falou sobre o carinho que tem pelo evento: “Pra mim, é um festival muito afetuoso que não tem preconceito e abraça o cinema independente com muito respeito e critério, que é o que a gente busca. Tiradentes amplia o universo da exibição dando acesso a todos, estimula encontros e, a partir disso, nascem outros filmes. É um festival que dá muitos frutos”, disse ao CINEVITOR.

Julia Katharine falou também sobre o processo de criação do filme na quarentena: “A ideia do curta surgiu de uma vontade antiga de falar sobre uma família disfuncional, que não sabe lidar com o fato de que entre eles existe uma pessoa trans. E também pelo fato de que eu precisava falar sobre luto, sobre perda. Ano passado perdi algumas amigas pela Covid-19 e fui muito afetada emocionalmente pela quarentena”.

Sobre a repercussão virtual de Won’t You Come Out to Play? em Tiradentes, Julia destacou: “Tenho recebido mensagens muito carinhosas com apontamentos muito distintos e isso me deixa muito feliz. Sinto que o filme tocou muita gente e mesmo aqueles que não gostaram me escrevem dizendo e eu amo muito tudo o que eles trazem, pois me faz pensar e me faz querer ser melhor no meu ofício, digo, nos meus ofícios, pois eu atuo, roteirizo e dirijo meus filmes, exceto o ‘This is not Dancin Days’, que fiz para a Gilda Nomacce e só para ela. Estou bem feliz e tenho certeza de que todo o elenco e o meu montador maravilhoso João Marcos de Almeida também estão”.

O curta fica disponível até às 23h59 do dia 30 de janeiro no site do festival. Clique aqui.

Fotos: Leo Lara/Universo Produção/Divulgação.

Conheça os indicados ao 32º GLAAD Media Awards; Alice Júnior e Pabllo Vittar estão na disputa

por: Cinevitor

alicejuniorGLAADBrasil na disputa: Anne Celestino Mota e Emmanuel Rosset em Alice Júnior.

A GLAAD, Gay & Lesbian Alliance Against Defamation, é uma ONG americana que monitora publicações relacionadas ao público LGBTQIA+ na mídia. Foi fundada em novembro de 1985 por jornalistas e escritores em resposta à uma cobertura sensacionalista do New York Post sobre a epidemia da AIDS.

Desde 1990 realiza uma premiação, conhecida como GLAAD Media Awards, que reconhece e homenageia os meios de comunicação e artistas por suas representações justas, precisas e inclusivas da comunidade LGBTQIA+ e os problemas que afetam sua vidas. O evento já se tornou a premiação anual LGBTQ mais visível do mundo, com mensagens poderosas de aceitação para o público global.

Para sua 32ª edição, o anúncio dos indicados foi realizado em uma transmissão ao vivo na conta da GLAAD no TikTok. A apresentação contou com a atriz Josie Totah, com a drag queen Shangela e com o ator Jonathan Bennett. Os vencedores serão anunciados durante uma cerimônia virtual programada para abril de 2021.

Os homenageados de 2020, anunciadas anteriormente, serão honrados em uma data separada: a cantora Taylor Swift receberá o Vanguard Award; a escritora, ativista de direitos de transgêneros e apresentadora de TV, Janet Mock ganhará o Stephen F. Kolzak Award; o produtor Ryan Murphy receberá o Vito Russo Award; e a atriz Judith Light ganhará o Excellence in Media Award.

O GLAAD também restabeleceu o Prêmio Barbara Gittings de Excelência em Mídia LGBTQ, que homenageia um indivíduo, grupo ou meio de comunicação comunitário pioneiro que tenha feito uma contribuição significativa para o desenvolvimento da mídia LGBTQIA+. O homenageado deste ano é o jornal Windy City Times, pioneira publicação de notícias LGBTQ de Chicago, criada em 1985 por Jeff McCourt, Bob Bearden, Drew Badanish e Tracy Baim.

Neste ano, vale destacar a presença do brasileiro Alice Júnior, de Gil Baroni na disputa. Na trama, Alice Júnior é uma youtuber trans cercada de liberdades e mimos. Depois de se mudar com o pai para uma pequena cidade onde a escola parece ter parado no tempo, a jovem precisa sobreviver ao ensino médio e ao preconceito para conquistar seu maior desejo: dar o primeiro beijo.

O premiado longa, protagonizado por Anne Celestino Mota, fala sobre a adolescência, suas inquietações, seus sonhos e retrata a escola como um ambiente de ensino indispensável, mas que muitas vezes pode ser opressor. O diretor Gil Baroni, o roteirista e criador da ideia original Luiz Bertazzo e o corroteirista Adriel Nizer Silva, desenvolveram a história ao longo de um ano e meio.

Outra nome brasileiro que chama atenção na lista é da cantora Pabllo Vittar, que aparece na categoria de Melhor Artista Musical com o álbum 111. A drag queen brasileira já foi consagrada por veículos internacionais importantes, como Forbes, The New York Times e The Guardian.

Conheça os indicados ao 32º GLAAD Media Awards nas categorias de cinema:

MELHOR FILME | LANÇAMENTO AMPLO
A Festa de Formatura
A Voz Suprema do Blues
Alguém Avisa?
Jovens Bruxas: Nova Irmandade
The Old Guard

MELHOR FILME | LANÇAMENTO LIMITADO
Ammonite
E Então Nós Dançamos
I Carry You With Me
Kajillionaire
Lingua Franca
Monsoon
Rosa e Momo
The Boys in the Band
The True Adventures of Wolfboy
Você Nem Imagina

MELHOR DOCUMENTÁRIO
Atrás da Estante
Equal
For They Know Not What They Do
Howard: Sons de um Gênio
Ligue Djá: O Lendário Walter Mercado
Revelação
Scream, Queen: My Nightmare on Elm Street
Visible: Out on Television
We Are The Radical Monarchs
Welcome to Chechnya

MELHOR FILME PARA TV/STREAMING
Alice Júnior
Dashing in December
La Leyenda Negra
Má Educação
Seu Nome Gravado em Mim
The Christmas House
The Christmas Setup
The Thing About Harry
Tio Frank
Unpregnant

Foto: Divulgação/Olhar Distribuição.

24ª Mostra de Cinema de Tiradentes: cineastas falam sobre curtas-metragens e repercussão on-line

por: Cinevitor

enterradonoquintaltiradentesIsabela Catão em Enterrado no Quintal, de Diego Bauer.

Com a temática Vertentes da Criação, a 24ª edição da Mostra de Cinema de Tiradentes segue sua programação até o dia 30 de janeiro em formato on-line e gratuito. A seleção deste ano traz 114 filmes, entre longas e curtas-metragens, de 19 estados brasileiros, e reúne o que há de mais recente na cinematografia brasileira contemporânea apresentando a diversidade e a pujança criativa do setor, mesmo em cenário adverso da pandemia de Covid-19 e de dificuldades financeiras para os profissionais da área nos últimos dois anos.

Neste ano, o evento que abre o calendário audiovisual brasileiro selecionou 79 curtas-metragens para as diferentes sessões que anualmente atraem centenas de espectadores interessados em conhecer os rumos do formato na produção brasileira. A curadoria, composta por Camila Vieira, Tatiana Carvalho Costa e Felipe André Silva, recebeu 748 inscrições, de onde foram definidos os títulos, distribuídos nas mostras Foco, Panorama, Foco Minas, Temática, Praça, Formação, Jovem e Mostrinha.

Os estados de Minas Gerais e São Paulo aparecem com maior quantidade de trabalhos na seleção, com 16 filmes cada. Há ainda produções de Alagoas (1), Amazonas (4), Bahia (4), Ceará (4), Brasília (2), Espírito Santo (2), Goiás (1), Mato Grosso (1), Pará (2), Paraíba (2), Paraná (5), Pernambuco (3), Rio de Janeiro (8), Rio Grande do Norte (1), Rio Grande do Sul (6), Santa Catarina (2) e Sergipe (2).

Em entrevista ao CINEVITOR, Felipe André Silva, que estreia na equipe de curadoria de curtas, falou sobre o processo de seleção: “Foi bastante intenso. Pelo menos pra mim, que cheguei já com as engrenagens rodando. Tivemos cerca de um mês e meio para visionar, discutir e estabelecer as grades, tudo isso respeitando o diálogo com o tema geral da Mostra, que também foi descoberto dentro do processo. Talvez seja essa a principal diferença do trabalho realizado aqui para aquela curadoria que eu fazia no Janela Internacional de Cinema do Recife, por exemplo. Em Tiradentes, a temática precisa realmente ser lida como o fio condutor da seleção e das discussões, então, é muito importante entender o que os filmes podem oferecer para esse debate. Felizmente, Vertentes da Criação é um tema que abre uma gama enorme de possibilidades de enfrentamento e discussão. Então, nosso trabalho ficou um pouco mais divertido nesse sentido, na busca por compor esse quebra cabeças”.

O cineasta, que exibiu o curta Cinema Contemporâneo no ano passado em Tiradentes, falou também sobre o convite para a curadoria: “Minha primeira participação de fato na Mostra foi em 2020, quando tive a felicidade de entrar na seleção da mostra Foco com um curta. Por isso me pegou muito de surpresa o convite feito pela produção para que eu me juntasse ao time de curadores, sobretudo porque meu nome nunca foi necessariamente associado a esse trabalho, e também porque, assim eu acreditava, essa função estava muito mais ligada a pesquisadores e acadêmicos de cinema, pelo menos em Tiradentes. Acredito que o Francis [Vogner dos Reis, coordenador curatorial da Mostra] queria justamente isso, adicionar um componente cuja visão e construção de pensamento não estava necessariamente ligado a academia (não que isso seja um problema, obviamente); alguém com um viés mais puramente cinéfilo, por assim dizer. Mas recebi a tarefa com muita alegria, obviamente”.

juliawontfilmetiradentesClaudia Campolina em Won’t You Come Out to Play?, de Julia Katharine.

Pelos dados de etnia/raça autodeclarados pelos realizadores de curtas-metragens, foram 403 brancos/caucasianos, 124 negros, 75 pardos, 9 asiáticos, 5 indígenas, 1 afroindígena e 1 não-branco. Nos dados de identidade de gênero, também autodeclarados, constam entre os inscritos 308 homens brancos cisgênero, 252 mulheres cis, 1 travesti, 1 travesti não-binário, 3 homens transgêneros, 5 mulheres transgêneros e 15 não-binários. Considerando os 79 curtas-metragens selecionados, os dados de raça e gênero de realizadores são de 8 mulheres cis negras, 2 mulheres cis pardas, 26 mulheres cis brancas, 1 mulher cis indígena, 1 mulher trans amarela, 1 travesti negra, 10 homens cis negros, 1 homem cis pardo, 21 homens cis brancos, 1 homem trans branco, 2 não-binários brancos e 1 não-binário negro.

Por conta das exibições virtuais, os curtas-metragens, que sempre se destacaram no evento, dessa vez ganharam uma abrangência ainda maior. Para Diego Bauer, cineasta manauara, que fez sua estreia em Tiradentes em 2018 com o curta Obeso Mórbido, é uma alegria ver seu novo trabalho, Enterrado no Quintal, na seleção da Mostra Panorama deste ano: “A repercussão tem sido incrível. É um sentimento de que aos poucos vamos encontrando maneiras particulares de investir em uma linha de cinema. É muito recompensador quando um festival como Tiradentes acredita e investe numa maneira de dar visibilidade ao seu trabalho”.

Sobre o formato on-line, Bauer comentou: “Eu nunca nem cheguei perto de viver uma discussão como estou tendo agora com Enterrado no Quintal nesta edição de Tiradentes. Toda hora chega mensagem e alguns comentários, coisas realmente espontâneas. Vou pesquisando no Twitter e aparecem pessoas comentando sobre o filme e, com isso, percebemos o quanto Tiradentes tem um alcance incrível. Realmente o Brasil inteiro está de olho no festival. A edição on-line atraiu gente que sempre quis participar e nunca teve como. Acho que gerou um alcance incrível e a repercussão tem sido muito boa”.

olhostristestiradentesDaniel Veiga em Você Tem Olhos Tristes, de Diogo Leite.

Com ficções leves para assistir em família, narrativas divertidas para curtir e documentários com questões sociais importantes, a Mostra Praça apresenta produções diversificadas que apelam para uma relação mais direta com um público mais amplo. Nesta edição da Mostra de Cinema de Tiradentes, 13 curtas-metragens aparecem distribuídos em três sessões, entre eles, Você Tem Olhos Tristes, de Diogo Leite. No filme, Luan, interpretado por Daniel Veiga, trabalha como bikeboy de aplicativo e enfrenta dilemas e preconceitos na sua jornada diária de entregas em uma cidade grande.

O diretor falou sobre a importância de ser selecionado para o evento: “É um dos maiores festivais do Brasil e é a segunda exibição de Você Tem Olhos Tristes em um festival; a estreia foi no Festival de Gramado ano passado. Necessário lembrar que é a primeira vez que tenho um filme exibido em Tiradentes. Sempre me falaram muito bem do festival, o ambiente, os debates e as trocas pelas ruas da cidade. Muito feliz por estar participando”. Diogo também falou sobre a repercussão virtual: “Você faz um post nas redes sociais convidando as pessoas a assistir on-line, pouco depois elas estão discutindo o filme. De alguma maneira, os debates ou trocas têm sido democratizados por pessoas que às vezes não são frequentadores de festivais de cinema. É uma experiência bem legal e enriquecedora de acompanhar de como reverbera o filme em cada pessoa”.

Ainda na Mostra Praça, o curta potiguar Casa com Parede, de Dênia Cruz, registra a história de luta de mulheres, homens e crianças do assentamento 8 de Março, criado em 2013. Considerada a 12ª ocupação urbana de Natal, no Rio Grande do Norte, o território foi destruído por um incêndio em 2017. “Ter nosso filmes circulando é uma alegria, pois, é chegar nas pessoas e é para isso que contamos histórias. E claro que estar em festivais é muito importante e a Mostra Tiradentes é uma referência, um dos festivais mais reconhecidos do país. Ter nosso documentário na seleção é um misto de alegria, honra e responsabilidade”.

Dênia também comentou: “A pandemia nos fez repensar muitas coisas e nós, que fazemos arte, mais ainda. Tudo é uma adaptação. As edições virtuais de festivais trouxeram uma oportunidade singular, que é o acesso a múltiplos territórios, pois podemos chegar a um número imensamente maior de público e isso é muito positivo. Porém, o não presencial nos tirou a oportunidade do contato direto com o público, do network, do conhecer os lugares, enfim, adaptações. Agora, ter nosso filme numa edição histórica como essa, é um privilégio também. E a repercussão é muito positiva”.

casaparedetiradentesCena do curta potiguar Casa com Parede, de Dênia Cruz.

Dedicadas ao público infantil e juvenil da Mostra de Cinema de Tiradentes, as sessões Mostrinha e Jovem apresentam narrativas ficcionais nos formatos de animação e live-action. Para as crianças, cinco curtas trazem histórias lúdicas e educativas. Para os jovens, três curtas narram dramas com personagens em processo de amadurecimento para a vida adulta. De Brasília, a ficção Foguete, de Pedro Henrique Chaves, conta a história de um pai que leva seu filho para brincar em uma praça com um foguete, em que outras crianças se divertem. O brinquedo foi colocado na praça há muito tempo e o pai se recorda de quando ele mesmo era pequeno e também gostava de brincar ali.

O diretor falou sobre a participação do curta no evento mineiro: “Estou feliz demais com o caminho que o filme está trilhando em festivais, mas estar em Tiradentes é mais que especial. O festival é uma grande vitrine do cinema brasileiro e ter um filme selecionado ao lado de obras de outros grandes artistas abre novas oportunidades. Estar em Tiradentes, acima de tudo, é um passo importante para o início da minha carreira. Foguete é o meu segundo curta, que dirigi aos 17 anos, e de lá para cá tenho aprendido lições importantes. Ter esse espaço no festival me mantém animado para seguir contando histórias. E agradeço a curadoria da Mostra por estar de olho em novos cineastas. Isso significa muito”.

Pedro também destacou a importância da edição on-line: “Mesmo contando uma história tão brasiliense, fico feliz que Foguete tenha conversado com outros públicos. Apesar de não acontecer presencialmente, a conexão com o público é a melhor possível e a Mostra de Tiradentes manteve seu acolhimento e a grandeza das exibições e debates. O que a Mostra tem feito para o cinema brasileiro, em tempos tão difíceis, é fundamental para seguirmos resistindo. Agora vamos aproveitar essa possibilidade que o virtual nos traz, de seguirmos conectados, e levar essas histórias para diferentes lugares alcançando um público ainda maior. E ano que vem, com todos vacinados, estaremos juntos”.

foguetetiradentesPietro Barbosa e Marcelo Pelucio em Foguete, de Pedro Henrique Chaves.

Em 2018, Julia Katharine recebeu o Prêmio Helena Ignez de destaque feminino por seu trabalho no longa Lembro Mais dos Corvos, de Gustavo Vinagre. No ano seguinte, exibiu seu primeiro curta como diretora, Tea for Two, na Mostra Foco. Agora, participa com Won’t You Come Out to Play? na Mostra Panorama, que apresenta um conjunto amplo e diversificado da produção de curtas-metragens realizados em 2020. Propostas experimentais, construções ficcionais e olhares documentais são lançados por realizadores de diferentes territórios do país. A cineasta, atriz e roteirista falou sobre a edição de 2021: “A importância de estar na Mostra é ter a chance de levar o filme para um público maior, já que estamos on-line e, mais uma vez, um estímulo para que eu siga fazendo filmes, contando histórias e o melhor, trabalhando com pessoas que eu admiro e tenho profundo amor”. Clique aqui e leia a entrevista completa com Julia Katharine.

O cineasta mineiro Marco Antônio Pereira, que já participou da Mostra Tiradentes algumas vezes, exibe nesta edição o curta-metragem 4 Bilhões de Infinitos na Mostra Foco, cujos filmes são avaliados pelo Júri Oficial e destaca distopias cotidianas e figurações de um pós-mundo. “Exibi A Retirada para um Coração Bruto em 2018, quando ganhamos o prêmio do Júri Popular. Depois, em 2019, voltamos com Teoria sobre um Planeta Estranho. E agora chegamos com 4 Bilhões de Infinitos. Estar numa seleção de Tiradentes significa muito para nós, pois é o maior festival do nosso estado e um dos maiores do Brasil. Essa janela oferecida pelo festival legitima muito nosso trabalho”, disse. E completou: “O filme está tendo uma ótima repercussão. Muitas pessoas me mandam mensagem; alguns amando, outros odiando. Mas, o que é inegável é o grande alcance que o filme está tendo agora disponibilizado diretamente na internet. Muitas pessoas na minha cidade [Cordisburgo] estão acompanhando o festival. É a primeira vez que isso acontece”.

4bilhoesinfinitostiradentes2Cena do curta mineiro 4 Bilhões de Infinitos, de Marco Antônio Pereira.

Consagrado em diversos festivais, O Jardim Fantástico, de Fábio Baldo e Tico Dias, é outro destaque da Mostra Panorama. No filme, uma professora utiliza Ayahuasca com seus alunos e vê as crianças se conectarem com os poderes ancestrais da floresta. “A Mostra de Cinema de Tiradentes teve um papel fundamental ao longa da minha trajetória como realizador de filmes. Foi o primeiro grande festival brasileiro a olhar com carinho para os meus primeiros curtas que carregavam uma experimentação forte e tinham narrativas mais arriscadas. Caos (2010) foi exibido na Mostra Foco nesse mesmo ano depois de ter sido rejeitado por inúmeros festivais brasileiros. Foi Tiradentes que me deu certeza que eu deveria continuar experimentando cada vez mais nos meus próximos projetos”, disse Fábio Baldo.

O diretor também comentou sobre a repercussão das exibições virtuais: “É interessante esse universo das exibições on-line. O Jardim Fantástico já era um curta que tinha participado de inúmeros festivais on-line ao longo de 2020 e alcançou um público muito grande. Não imaginei que ele ainda pudesse ter repercussão. Mas, ao longo dessa semana, comecei a receber inúmeras mensagens de novas pessoas que ainda não tinham tido contato com o curta, além de críticos que tiraram um tempo para escrever sobre ele. Uma ferramenta interessante pra medir a recepção do público e a quantidade de pessoas que estão vendo seu filme é o Letterboxd. Desde que o festival começou, o filme teve quase cem novas logagens. Achei impressionante o alcance”.

ojardimfantasticokinoforumCurta paulista O Jardim Fantástico, de Fábio Baldo e Tico Dias.

Dirigido por Drica Czech e Laís Catalano Aranha, Fora de Época mostra Renata, lésbica com familiares conservadores, que acaba de votar no segundo turno das eleições presidenciais de 2018. Ansiosa e abalada psicologicamente, ela pede para que os amigos a avisem sobre o resultado e foge para um sítio da família. Sentindo-se deslocada e sem conseguir dormir, entra na casa velha onde sua mãe decidiu passar os últimos dias de vida isolada. Ao limpar o local, Renata encontra um livro que muda sua visão sobre sua mãe e sua própria história, fazendo-a tomar uma decisão sobre como deverá seguir sua vida a partir de agora.

Sobre participar do evento, Laís Catalano Aranha destacou: “Ter nosso filme selecionado para a Mostra de Cinema de Tiradentes é muito importante, já que este é um dos maiores eventos do cinema nacional, e que abre o calendário audiovisual no país. Esta seleção é um marcador pra gente, porque estamos entre realizadores que admiramos”. Drica Czech completou: “Além disso, é importante que um filme independente, com enfoque na questão do apagamento de histórias de mulheres lésbicas e bissexuais, consiga ocupar um espaço de grande visibilidade como este”.

As diretoras também falaram sobre o formato virtual: “Ao mesmo tempo que perdemos uma das partes mais bacanas de um festival, que é compartilhar uma sala de cinema e trocar impressões com outras pessoas ali, ao vivo, esta edição atípica traz uma oportunidade de levar nosso filme a mais pessoas”, disse Laís. “Tivemos retorno de pessoas de várias regiões do Brasil e com perfis bem diversos, expandindo o alcance que o curta teria caso a Mostra fosse presencial. Além disso, por ser uma edição on-line, o compartilhamento do filme em redes sociais acaba permitindo que ele chegue a pessoas que provavelmente não teriam acesso ou mesmo conhecimento deste trabalho”, completou Drica.

foradeepocatiradentesDrica Czech no curta Fora de Época.

O curta paraibano A Pontualidade dos Tubarões, de Raysa Prado, recentemente premiado no Fest Aruanda e no Comunicurtas, parte de uma alusão à literatura de Gabriel García Márquez para fabular sobre um jovem que sobrevive de pequenos bicos e aguarda ligações telefônicas em seu apartamento. “Tiradentes, na minha opinião, é um dos, se não o maior, festival de cinema brasileiro e ver A Pontualidade dos Tubarões selecionado para a 24ª edição me surpreendeu e me deixou muito feliz. É mais uma forma de dizer e ouvir que esse trabalho tão carinhoso e cuidadoso, criado coletivamente, valeu e vale a pena, mesmo com todas as dificuldades de se produzir cinema independente no atual cenário brasileiro”, disse a diretora.

Raysa também destacou a abrangência virtual do filme: “Tem sido muito bonito receber retornos de pessoas que até então eu não conhecia. Perceber que o filme se torna de quem assiste para além da criação minha e de Joseph e também de quem já nos conhecia. É potencializador ver o que o cinema é capaz de fazer para além de análises do filme. As pessoas, quando se sentem provocadas, compartilham experiências pessoais, lembram de alguma coisa que viveram, de alguma vez que se sentiram como João ou até mesmo da saudade que surge na quarentena de ver o mar. Tudo isso reafirma que o filme se torna outro quando é visto. Eu quero muito que A Pontualidade dos Tubarões seja visto por mais e mais pessoas e adquira mais significados. Claro que a vontade de estar em Tiradentes, presencialmente, sem pandemia, é o primeiro sentimento que vem, mas acho que o formato virtual também tem suas potencialidades que são interessantes de serem exploradas”.

tubaroestiradentesJoseph Anderson em A Pontualidade dos Tubarões.

O curador Felipe André Silva fez um balanço geral sobre a qualidade das obras inscritas para esta edição e falou também sobre o processo criativo dos realizadores e do cinema contemporâneo brasileiro: “É claro que o cinema brasileiro é maior do que essa porção que se inscreve em Tiradentes anualmente, mas é muito interessante perceber que temas e motivos chamaram mais a atenção dos realizadores no último ano. Nesse ano, em específico, eu acredito que rolou a tendência algo triste e coercitiva dos tais ‘filmes de pandemia’, quase que invariavelmente filmes solitários, confinados, ensimesmados e tristes, reflexos muito claros e pouco imaginativos do estado de coisas no nosso país e no mundo. Mas acho difícil usar isso, por exemplo, para dizer que a nossa produção está melhor ou pior. Os filmes da seleção que usam a chave da pandemia por exemplo, para apontar outros caminhos são muito interessantes, e o processo de artesania deles é que talvez seja o importante de se observar, porque deve ser um dos caminhos possíveis”.

Para finalizar, Felipe também destacou o formato on-line desta edição: “Tem sido uma experiência muito interessante, e inédita, receber comentários tão imediatos sobre a seleção, as composições de sessão, a resposta física que esses filmes tem gerado nas pessoas. Talvez já seja uma discussão cansada, mas é muito importante pensar o que vai sobrar para o virtual quando os festivais presenciais retornarem, pois vivemos alguns momentos muito fortes e interessantes de diálogo no nosso nicho em 2020, possibilitados pela democratização desses eventos. Espero que seja uma ideia ainda possível no futuro”.

A 24ª Mostra de Cinema de Tiradentes acontece até o dia 30 de janeiro. Os filmes estão disponíveis no site do evento. Clique aqui e saiba mais.

Entrevistas e edição: Vitor Búrigo
Fotos: Divulgação, Larissa Martins (Enterrado no Quintal), Paola Resende (Foguete), Allis Bezerra (O Jardim Fantástico).

National Board of Review anuncia lista com os melhores de 2020 no cinema

por: Cinevitor

chadwicknationalboardChadwick Boseman em Destacamento Blood: homenagem póstuma.

A National Board of Review, importante e tradicional organização de críticos de cinema dos Estados Unidos, fundada em 1909, divulga, desde 1932, uma lista com os melhores do ano da indústria cinematográfica. Em 2020, mais de 280 filmes foram analisados por um seleto grupo de cineastas, profissionais e acadêmicos da sétima arte.

Entre os consagrados, como Destacamento Blood, de Spike Lee, a organização também anunciou nesta terça-feira, 26/01, em Nova York, que o ator Chadwick Boseman receberá postumamente o NBR Icon Award, uma homenagem que celebra o trabalho dos principais artistas cinematográficos que contribuem significativamente para a história, cultura e excelência do cinema. “Chadwick Boseman foi um talento extraordinário que representou o melhor que um ator poderia ser, independentemente do papel”, disse Annie Schulhof, presidente da National Board of Review. A cerimônia de entrega dos prêmios ainda não tem data definida.

Neste ano, o cinema brasileiro não marcou presença na lista. A última vez que uma produção nacional apareceu entre os melhores da NBR foi no ano passado com o drama A Vida Invisível, de Karim Aïnouz, entre os cinco melhores longas estrangeiros.

Confira a lista com os melhores do cinema em 2020 segundo a National Board of Review:

MELHOR FILME: Destacamento Blood, de Spike Lee
MELHOR DIREÇÃO: Spike Lee, por Destacamento Blood
MELHOR ATOR: Riz Ahmed, por O Som do Silêncio
MELHOR ATRIZ: Carey Mulligan, por Bela Vingança
MELHOR ATOR COADJUVANTE: Paul Raci, por O Som do Silêncio
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Yuh-jung Youn, por Minari
MELHOR ROTEIRO ORIGINAL: Minari, escrito por Lee Isaac Chung
MELHOR ROTEIRO ADAPTADO: Relatos do Mundo, escrito por Paul Greengrass e Luke Davies
MELHOR LONGA DE ANIMAÇÃO: Soul, de Pete Docter e Kemp Powers
ATOR/ATRIZ REVELAÇÃO: Sidney Flanigan, por Nunca, Raramente, Às Vezes, Sempre
MELHOR DIREÇÃO ESTREANTE: Channing Godfrey Peoples, por Miss Juneteenth
MELHOR FILME ESTRANGEIRO: La llorona, de Jayro Bustamante (Guatemala/França)
MELHOR DOCUMENTÁRIO: Time, de Garrett Bradley
MELHOR ELENCO: Destacamento Blood
PRÊMIO NBR FREEDOM OF EXPRESSION: Uma Noite em Miami…, de Regina King
EXCELÊNCIA EM FOTOGRAFIA: Nomadland, por Joshua James Richards
NBR ICON AWARD: Chadwick Boseman
NBR SPOTLIGHT AWARD: Radha Blank, por escrever, dirigir, produzir e estrelar The Forty-Year-Old Version

MELHORES FILMES DO ANO
Bela Vingança, de Emerald Fennell
First Cow, de Kelly Reichardt
Judas e o Messias Negro, de Shaka King
Minari, de Lee Isaac Chung
Nomadland, de Chloé Zhao
O Céu da Meia-Noite, de George Clooney
O Som do Silêncio, de Darius Marder
Relatos do Mundo, de Paul Greengrass
Soul, de Pete Docter e Kemp Powers
The Forty-Year-Old Version, de Radha Blank

TOP 5 FILMES ESTRANGEIROS
Agente Duplo, de Maite Alberdi (Chile/Holanda/Espanha/Alemanha/EUA)
Apples, de Christos Nikou (Grécia/Polônia/Eslovênia)
Collective, de Alexander Nanau (Romênia/Luxemburgo)
Dear Comrades (Dorogie tovarishchi), de Andrey Konchalovskiy (Rússia)
Night of the Kings (La nuit des rois), de Philippe Lacôte (França/Costa do Marfim/Canadá/Senegal)

TOP 5 DOCUMENTÁRIOS
As Mortes de Dick Johnson, de Kirsten Johnson
Até o Fim: A Luta Pela Democracia, de Lisa Cortes e Liz Garbus
Boys State, de Amanda McBaine e Jesse Moss
Miss Americana, de Lana Wilson
The Truffle Hunters, de Michael Dweck e Gregory Kershaw

TOP 10 FILMES INDEPENDENTES
A Subida, de Michael Angelo Covino
Driveways, de Andrew Ahn
Farewell Amor, de Ekwa Msangi
Miss Juneteenth, de Channing Godfrey Peoples
Nunca, Raramente, Às Vezes, Sempre, de Eliza Hittman
Posto de Combate, de Rod Lurie
Relic, de Natalie Erika James
Saint Frances, de Alex Thompson
The Nest, de Sean Durkin
Wolfwalkers, de Tomm Moore e Ross Stewart

Foto: Divulgação/Netflix.

Bacurau, de Juliano Dornelles e Kleber Mendonça Filho, é indicado ao Independent Spirit Awards 2021

por: Cinevitor

bacurauspiritawardsCinema brasileiro na disputa: Danny Barbosa em Bacurau.

Foram anunciados nesta terça-feira, 26/01, os indicados ao Independent Spirit Awards 2021, prêmio que elege as melhores produções independentes do ano. O anúncio aconteceu durante uma transmissão no YouTube, que foi apresentada por Olivia Wilde, Barry Jenkins e Laverne Cox.

Neste ano, vale destacar a presença do brasileiro Bacurau, dirigido por Juliano Dornelles e Kleber Mendonça Filho, na categoria de melhor filme internacional. O longa, premiado no Festival de Cannes, tem se destacado internacionalmente nesta temporada com reconhecimento de diversos críticos e premiações. Além disso, o cineasta brasileiro Edson Oda concorre na categoria de melhor filme de estreia com Nine Days, produção americana premiada no Festival de Sundance.

Uma novidade nesta 36ª edição é que pela primeira vez na história do Spirit Awards, conhecido como o Oscar do cinema independente, as produções televisivas e de streaming também estão na disputa por suas realizações excepcionais em singularidade de visão, inovação e ousadia.

Conheça os indicados ao Independent Spirit Awards 2021 nas categorias de cinema, que acontecerá no dia 22 de abril:

MELHOR FILME
A Voz Suprema do Blues, produzido por Todd Black, Denzel Washington e Dany Wolf
First Cow, produzido por Neil Kopp, Vincent Savino e Anish Savjani
Minari, produzido por Dede Gardner, Jeremy Kleiner e Christina Oh
Nomadland, produzido por Mollye Asher, Dan Janvey, Frances McDormand, Peter Spears e Chloé Zhao
Nunca, Raramente, Às Vezes, Sempre, produzido por Sara Murphy e Adele Romanski

MELHOR FILME DE ESTREIA
I Carry You with Me, de Heidi Ewing
The Forty-Year-Old Version, de Radha Blank
Miss Juneteenth, de Channing Godfrey Peoples
Nine Days, de Edson Oda
O Som do Silêncio, de Darius Marder

MELHOR DIREÇÃO
Chloé Zhao, por Nomadland
Eliza Hittman, por Nunca, Raramente, Às Vezes, Sempre
Emerald Fennell, por Bela Vingança
Kelly Reichardt, por First Cow
Lee Isaac Chung, por Minari

MELHOR ROTEIRO
Bela Vingança, escrito por Emerald Fennell
Má Educação, escrito por Mike Makowsky
Minari, escrito por Lee Isaac Chung
Nunca, Raramente, Às Vezes, Sempre, escrito por Eliza Hittman
Você Nem Imagina, escrito por Alice Wu

MELHOR ROTEIRO DE ESTREIA
A Assistente, escrito por Kitty Green
Lapsis, escrito por Noah Hutton
Miss Juneteenth, escrito por Channing Godfrey Peoples
Palm Springs, escrito por Andy Siara
Straight Up, escrito por James Sweeney

MELHOR ATOR
Adarsh Gourav, por O Tigre Branco
Chadwick Boseman, por A Voz Suprema do Blues
Riz Ahmed, por O Som do Silêncio
Rob Morgan, por Bull
Steven Yeun, por Minari

MELHOR ATRIZ
Carey Mulligan, por Bela Vingança
Frances McDormand, por Nomadland
Julia Garner, por A Assistente
Nicole Beharie, por Miss Juneteenth
Sidney Flanigan, por Nunca, Raramente, Às Vezes, Sempre
Viola Davis, por A Voz Suprema do Blues

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Alexis Chikaeze, por Miss Juneteenth
Talia Ryder, por Nunca, Raramente, Às Vezes, Sempre
Valerie Mahaffey, por French Exit
Yeri Han, por Minari
Yuh-jung Youn, por Minari

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Benedict Wong, por Nine Days
Colman Domingo, por A Voz Suprema do Blues
Glynn Turman, por A Voz Suprema do Blues
Orion Lee, por First Cow
Paul Raci, por O Som do Silêncio

MELHOR DOCUMENTÁRIO
Agente Duplo, de Maite Alberdi
As Mortes de Dick Johnson, de Kirsten Johnson
Collective, de Alexander Nanau
Crip Camp: Revolução pela Inclusão, de James Lebrecht e Nicole Newnham
Time, de Garrett Bradley

MELHOR FILME INTERNACIONAL
Bacurau, de Juliano Dornelles e Kleber Mendonça Filho (Brasil)
La nuit des rois, de Philippe Lacôte (França/Costa do Marfim/Canadá/Senegal)
Preparations to Be Together for an Unknown Period of Time, de Lili Horvát (Hungria)
Quo vadis, Aida?, de Jasmila Žbanić (Bósnia e Herzegovina)
The Disciple, de Chaitanya Tamahane (Índia)

MELHOR FOTOGRAFIA
A Assistente, por Michael Latham
Bull, por Shabier Kirchner
Ela Morre Amanhã, por Jay Keitel
Nomadland, por Joshua James Richards
Nunca, Raramente, Às Vezes, Sempre, por Hélène Louvart

MELHOR EDIÇÃO
I Carry You With Me, por Enat Sidi
Nomadland, por Chloé Zhao
Nunca, Raramente, Às Vezes, Sempre, por Scott Cummings
O Homem Invisível, por Andy Canny
Residue, por Merawi Gerima

PRÊMIO JOHN CASSAVETES
La leyenda negra, de Patricia Vidal Delgado (EUA)
Lingua Franca, de Isabel Sandoval (EUA/Filipinas)
Residue, de Merawi Gerima (EUA)
Saint Frances, de Alex Thompson (EUA)
The Killing of Two Lovers, de Robert Machoian (EUA)

PRODUCERS AWARD
Gerry Kim
Kara Durrett
Lucas Joaquin

SOMEONE TO WATCH AWARD
Annie Silverstein, por Bull
David Midell, por The Killing of Kenneth Chamberlain
Ekwa Msangi, por Farewell Amor

TRUER THAN FICTION AWARD
Cecilia Aldarondo, por Landfall
Elegance Bratton, por Pier Kids
Elizabeth Lo, por Stray

PRÊMIO ROBERT ALTMAN | MELHOR ELENCO
Uma Noite em Miami…, de Regina King

Foto: Victor Jucá.

Associação Cearense de Críticos de Cinema elege os melhores filmes de 2020

por: Cinevitor

katiablanderaceccineKatia Blander em Noite de Seresta, de Sávio Fernandes e Muniz Filho.

A Aceccine, Associação Cearense de Críticos de Cinema, anuncia nesta terça-feira, 26/01, os filmes que mais se destacaram em 2020, segundo o corpo de associados composto por profissionais da crítica de cinema que atuam no Ceará. Ao longo da votação, foram citados 73 filmes entre longas, médias e curtas-metragens.

Para as categorias de melhor longa-metragem brasileiro e estrangeiro, além de considerar os lançamentos comerciais entre 1 de janeiro e 31 de dezembro, os filmes que estrearam diretamente em serviços de streaming também estavam elegíveis. Na categoria de melhor longa-metragem cearense, além dos critérios anteriores, também foram consideradas as produções exibidas em festivais de cinema; nesse ano, principalmente os eventos à distância.

‘”Os festivais sempre foram uma peça fundamental para a atividade crítica, um espaço de redescoberta, de diálogo… Em 2020 essa importância foi acentuada”, pontua Ailton Monteiro, tesoureiro da gestão. “Tivemos mais de 10 longas-metragens cearenses elegíveis para a categoria. Oito exibidos em festivais on-line que, até ano passado, eram tradicionalmente presenciais”. O critério para os prêmios de melhor curta/média brasileiro e cearense contemplava os filmes exibidos em mostras e festivais, presenciais ou on-line, ao longo de 2020.

“Atravessado pelos olhares da entidade, o recorte dessa premiação expõe origens bem diferentes”, analisa Arthur Gadelha, presidente da gestão. “Os cearenses ‘Cabeça de Nêgo’ e ‘Noite de Seresta’ contam histórias bastante distintas e tiveram uma vida intensa pelos festivais em que foram apresentados juntos. ‘Babenco – Alguém tem que ouvir o coração e dizer: Parou’ é um filme muito especial sobre cinema que conseguiu, nesse ano tão caótico, estrear dentro de uma sala de cinema. ‘República’ é um filme feito na quarentena por uma das artistas mais elétricas do cinema brasileiro, enquanto ‘Retrato de uma Jovem em Chamas’ vem da mesma edição do Festival de Cannes que premiou ‘Bacurau’, em 2019”. conclui.

Conheça os melhores filmes de 2020 segundo a Aceccine:

MELHOR LONGA-METRAGEM CEARENSE
Cabeça de Nêgo, de Déo Cardoso

MELHOR LONGA-METRAGEM BRASILEIRO
Babenco – Alguém tem que ouvir o coração e dizer: Parou, de Bárbara Paz

MELHOR LONGA-METRAGEM ESTRANGEIRO
Retrato de uma Jovem em Chamas, de Céline Sciamma (França)

MELHOR CURTA-METRAGEM CEARENSE
Noite de Seresta, de Sávio Fernandes e Muniz Filho

MELHOR CURTA-METRAGEM BRASILEIRO
República, de Grace Passô (SP)

Foto: Divulgação.

Festival de Berlim: série brasileira Os Últimos Dias de Gilda, de Gustavo Pizzi, é selecionada para a Berlinale Series 2021

por: Cinevitor

ultimosdiasgildaberlimProtagonista: Karine Teles na série Os Últimos Dias de Gilda.

Por conta da pandemia de Covid-19, a 71ª edição do Festival Internacional de Cinema de Berlim desenvolveu um novo formato para 2021: as plataformas da indústria European Film Market, Berlinale Co-Production Market, Berlinale Talents e o World Cinema Fund darão início ao evento em março com uma programação on-line. Em junho, acontecerá a segunda parte com inúmeras exibições de filmes para o público em cinemas e ao ar livre. A divisão permite manter os dois pilares de sustentação: mercado de cinema e festival.

“Há uma grande vontade de nos encontrarmos cara a cara. A situação atual não permite um festival físico em fevereiro, ao mesmo tempo em que é importante oferecer um mercado à indústria cinematográfica ainda no primeiro trimestre do ano”, afirma a diretora executiva da Berlinale, Mariette Rissenbeek. “Com a mudança do formato do festival em 2021, teremos a chance de proteger a saúde de todos os convidados e apoiar a retomada da indústria do cinema. Com o evento de verão, queremos celebrar um festival de cinema e oferecer ao público da Berlinale a tão esperada experiência comunitária de cinema e cultura”, completou.

O processo atual de seleção de filmes para a Competição e as seções terá continuidade. O programa será anunciado em fevereiro e apresentado virtualmente à indústria cinematográfica no European Film Market. Um júri internacional assistirá aos filmes em Berlim e escolherá os vencedores. Além dos premiados, uma seleção de filmes também será apresentada ao público no verão.

“Em resposta aos tempos em que vivemos, decidimos dividir a nossa oferta em dois eventos distintos, mas relacionados, e assim cumprir a missão da Berlinale. Enquanto em março a indústria cinematográfica estará reunida (on-line) e poderá apoiar e iluminar nossa seleção, no verão, como um recomeço, 70 anos após a primeira edição, nosso público poderá celebrar os cineastas e suas equipes, nos cinemas e a céu aberto. Isso dá a oportunidade de vivenciar as diferentes seções e perfis do festival, assistir aos filmes da Competição Internacional e comemorar com os vencedores dos Ursos de Ouro e Prata em um clima alegre”, afirma Carlo Chatrian, diretor artístico do Festival de Berlim.

Enquanto isso, novidades começam a ser reveladas. Nesta terça-feira, 26/01, foram anunciadas as produções que farão parte da Berlinale Series 2021. Em um ano inusitado, a seleção é composta por seis títulos que, com temas, narrativas e estilo visual pouco convencionais e surpreendentes, constituem um espelho do nosso tempo. O conteúdo latino-americano é representado pela primeira vez na Berlinale Series com a produções argentina Entre Hombres e a brasileira Os Últimos Dias de Gilda. Além disso, Philly D.A., uma produção americana da dupla indicada ao Oscar Josh Penn e Michael Gottwald, é a primeira série de documentários a ser convidada para o programa.

Desde 2015, o programa Berlinale Series reúne uma seleção exclusiva com o melhor das novas produções de séries em todo o mundo. De acordo com o festival, a mostra apresenta trabalhos de criadores que usam consistentemente a liberdade criativa de contar histórias em série e complementam a variedade de formatos com narrativas contemporâneas e relevantes. A Berlinale Series consagra a Berlinale como um dos primeiros festivais em todo o mundo a dar visibilidade à mudança dos hábitos de consumo de entretenimento e à importância crescente da narrativa em série, reconhecendo os muitos desenvolvimentos estético-artísticos, dramatúrgicos e formais importantes da narrativa audiovisual nesta área, que já se equiparam às produções cinematográficas.

diasdegloria2berlimKarine Teles em cena: a atriz também assina o roteiro.

As produções selecionadas para a Berlinale Series, que tradicionalmente são exibidas no Zoo Palast, com sessões de gala e tapete vermelho para homenagear o elenco e equipes, este ano serão exibidas on-line, entre os dias 1 e 5 de março.

A série original do Canal Brasil, Os Últimos Dias de Gilda, criada e dirigida por Gustavo Pizzi, dos premiados longas Benzinho e Riscado, e protagonizada por Karine Teles e Julia Stockler, é um dos destaques da programação: “A seleção de Os Últimos  Dias de Gilda para o Festival de Berlim confirma que o Canal Brasil está  no caminho certo, de apostar em séries originais, com uma assinatura de excelência. Com esse olhar diferenciado, estamos atingindo a qual idade das maiores séries do mundo”, comemora André Saddy, diretor geral do Canal Brasil.

Em quatro episódios, Os Últimos Dias de Gilda, que estreou em novembro, está disponível nos serviços de streaming Canais Globo e Globoplay e ganhará uma maratona no Canal Brasil, na sexta-feira, dia 29/01, a partir das 23h15. A série propõe uma reflexão sobre liberdade, o papel da mulher, aceitação do corpo e a onda de conservadorismo dos dias atuais, abordando temas como o avanço das igrejas neopentecostais e das milícias em comunidades e a perigosa aliança entre a religião e o poder público. A série é uma adaptação do monólogo teatral homônimo de Rodrigo de Roure.

“A seleção de Os Últimos Dias de Gilda na Berlinale Series representa a coroação de um processo muito importante que o Canal Brasil vem desenvolvendo há muitos anos, no sentido de dar aos criadores o protagonismo e a liberdade fundamentais para fazerem seu trabalho. Gilda tem se mostrado uma série com forte apelo popular no Brasil e, agora, a partir da seleção em Berlim, existe a possibilidade de falar pro mundo todo sobre uma história nossa que traz uma narrativa sobre os nossos jeitos de nos relacionarmos, fala dos nossos conflitos e preconceitos; uma história sobre política, liberdade e aceitação mútua. É sobre as diferenças, mas também é sobre a importância da empatia. Gilda é sobre a solidariedade e a união necessária pra gente seguir em frente, principalmente nesse momento da história”, disse Gustavo Pizzi.

Interpretada pela atriz Karine Teles, que também é corroteirista da série, Gilda é uma mulher livre, no mais amplo sentido da palavra, cujo comportamento incomoda muita gente ao seu redor. Com excelentes dotes culinários, cria porcos e galinhas no quintal de sua casa para o abate e produz receitas capazes de encantar amigos e amantes. Sua independência incomoda a vizinhança, principalmente Cacilda, papel de Julia Stockler, esposa de Ismael, vivido por Higor Campagnaro, que está se candidatando a um cargo público através de um partido ligado a um grupo religioso.

Gilda mantém-se de forma independente, recusa-se a aceitar a  opressão e o machismo e escolheu se relacionar de forma livre com diversas pessoas, sem amarras ou rótulos. Já Cacilda representa valores mais conservadores, julgando o tempo todo o comportamento sexual da vizinha e classificando sua fé como bruxaria. Não bastasse a agressividade de todos ao seu redor, Gilda ainda precisa lidar com o aumento da violência urbana e a briga entre traficantes, policiais e milicianos em busca do controle da comunidade onde mora.

O elenco conta também com Erom Cordeiro, Antonio Saboia, Bruno Balthazar, Dida Camero, Ana Carbatti, Lucas Gouvêa, Philipp Lavra, Renato Luciano, Mauricio Piancó, Digão Ribeiro, João Vitor Silva e Inez Viana.

Confira a lista completa com a séries selecionadas para a Berlinale Series 2021:

Entre Hombres, de Pablo Fendrik (Argentina) (HBO)
Ich und die Anderen (Me and the Others), de David Schalko (Áustria/Alemanha) (Sky)
It’s a Sin, de Peter Hoar (Reino Unido) (Channel 4 e HBO Max com All3Media International)
Os Últimos Dias de Gilda, de Gustavo Pizzi (Brasil) (Canal Brasil)
Philly D.A., de Ted Passon e Yoni Brook (EUA)
Snöänglar (Snow Angels), de Anna Zackrisson (Suécia/Dinamarca) (SVT/DR)

Foto: Divulgação/Canal Brasil.

Seridó Cine – Festival Audiovisual: conheça os selecionados

por: Cinevitor

naturezahomemseridoArlindo Bezerra em Natureza do Homem, de André Santos.

A primeira edição do Seridó Cine – Festival Audiovisual acontecerá entre os dias 8 e 13 de fevereiro em formato on-line. Ao todo, serão exibidas cinquenta obras audiovisuais divididas nas seguintes categorias: Mostra Clip, Mostra Arretada, Mostra Curta Arretada, Mostra RN Ficção e Mostra RN Doc.

O Seridó Cine conta com um recorte voltado apenas para produções audiovisuais nordestinas. Ao todo, o festival recebeu 325 produções audiovisuais. A coordenação da curadoria ficou a cargo da jornalista, produtora, curadora e cineclubista Priscilla Urpia. Para ela, foi animador ver tantos filmes inscritos: “É uma constatação de que a região se insere no mapa das produções audiovisuais do país. São narrativas diversas que contam histórias e trazem filmes especiais. A missão de dar a ver essas obras foi um exercício de apresentar um recorte das produções nordestinas, tendo como objetivo principal trazer o maior número de representantes de diversos estados”.

Priscilla destaca ainda que todos os filmes são contemplados, premiados quando inscritos, pois trata-se de uma grande janela de exibição: “É fundamental para o audiovisual brasileiro a continuidade das produções da região do Nordeste, evidenciando o potencial e alcance de obras que ultrapassam territórios. Viva o cinema nordestino”, completou.

Raildon Lucena, diretor do Seridó Cine, também falou sobre o festival: “A ideia surgiu após a Mostra Nordeste do Curta Caicó. Percebi que seria interessante um novo festival com um recorte voltado apenas para produções nordestinas e abrangendo outros formatos, como clipes, médias e longas. É uma forma de potencializarmos a produção regional, valorizando os realizadores nordestinos”.

Conheça os selecionados para o Seridó Cine – Festival Audiovisual:

MOSTRA ARRETADA

A História de Parelhas, de Alex Macedo (RN)
Aponta pra Fé – Ou todas as músicas da minha vida, de Kalyne Almeida (PB)
Cavalo, de Rafhael Barbosa e Werner Salles (AL)
Fendas, de Carlos Segundo (RN)
O Jogador, de Gabriel Lima e Geraldo Guedes (PB)
O que acontece quando nada acontece, de Alcimar Veríssimo (PE)
Retirante Juvenil, de Dan Borges (BA)
Sapato 36, de Petrônio Lorena (PE)

MOSTRA CURTA ARRETADA

A Barca, de Nilton Resende (AL)
Iracema Plaza Hotel, de Reinaldo Jorge Menezes (CE)
Memórias de Quando Metemos o Pé na Estrada, de Weslley Oliveira (PI)
Nadir, de Fábio Rogério (SE)
Não Moro Mais Em Mim, de Vitor Celson e Bruna Guido (PE)
Nimbus, de Marcos Buccini (PE)
O Balido Interno, de Eder Deó (PE)
Os Porcos e a Reza, de Rogério Luiz Oliveira e Filipe Gama (BA)
Remoinho, de Tiago A. Neves (PB)
Trincheira, de Paulo Silver (AL)
Uma Força Extraordinária, de Amandine Goisbault (PE)

MOSTRA RN DOC

A Tradicional Familia Brasileira Katu, de Rodrigo Sena
Bixa Presa, de Eli Cafrê
Cabeça de Luz, de Carito Cavalcanti
Cadeira na área, de Mara Macêdo
Casa com Parede, de Dênia Cruz
Codinome Breno, de Manoel Batista
Geoparque Seridó, de Canindé Soares e Diego Cavalcanti
Júlia Porrada, de Igor Ribeiro
O Photographo Zézelino, de Damião Paz, Henrique José e Meysa Medeiros
Rosa de Aroeira, de Mônica Mac Dowell
Somente Após o Descanso, de Sihan Felix

MOSTRA RN FICÇÃO

Dona Cila, não me espere para o jantar, de Carlos Segundo
Em Reforma, de Diana Coelho
Mais Um João, de Athos Muniz
Natureza do Homem, de André Santos
Nocaute, de João Marcelino
Paralise, de Júlia Sena
Quaerenti, de Romero Oliviera e Mickaelly Moreira
Quem Sabe Ele Mude, de Kell Allen
Sicários: Entre bornais e patentes, de Gabriel Santos e Danúbio Silva
Vai Melhorar, de Pedro Fiuza
Womaneater, de Paula Pardillos

MOSTRA CLIP

Além Mar (Forró do Cabrunco), de Tárcísio Ferreira (AL)
Antúrio Branco (Sargáço Nightclub), de Pablo Reis (PE)
Camisa 9 (Diniz K9), de Thales Victor (RN)
Chato (Marco Gabriel), de Jessica Lauane (MA)
Modais (Silvio Filgueira), de Nicolas de Souza (RN)
Origem (Wescley Gama), de Dynho Silva (RN)
Primeiros Tons (André Dias), de Glauco Neves (BA)
Quadros (Juliana Gomes), de Diego Sevla (RN)
Sad Nostalgic Dream (Bessa Beach Army), de Kaio G e Lucas Cavalcanti (PB)
Tirem as Cercas (Regiane Araújo feat. Núbia e Débora Melo), de Thais Lima

O Seridó Cine – Festival Audiovisual é uma realização da Referência Comunicação com recursos da Lei Aldir Blanc Rio Grande do Norte, Fundação José Augusto, Governo do Rio Grande do Norte, Secretaria Especial de Cultura, Ministério do Turismo e Governo Federal.

Foto: Luana Tayze.

Kansas City Film Circle: conheça os melhores de 2020

por: Cinevitor

bacuraukansascriticosAlli Willow e Chris Doubek em Bacurau.

Fundada em 1966 por James Loutzenhiser, a Kansas City Film Circle é a segunda associação de críticos profissionais de cinema mais antiga dos Estados Unidos, depois do New York Film Critics Circle. A KCFCC conta com mais de 20 membros ativos de diversos meios de comunicação, como mídia impressa e on-line, rádio e TV.

Depois da morte de Loutzenhiser, em 2001, os membros votaram unanimemente para renomear seus prêmios anuais em sua homenagem. Em 2005, um novo prêmio foi estabelecido em memória de Vince Koehler, membro de longa data do KCFCC, homenageando filmes de ficção científica, fantasia e terror. Em 2006, o grupo votou para homenagear o nativo de Kansas City, Robert Altman, renomeando o prêmio de melhor direção em sua homenagem e organizando um festival de cinema em abril de 2007.

A KCFCC se reúne formalmente duas vezes por ano. A primeira reunião é realizada em meados de dezembro e inclui a votação dos prêmios; a participação (pessoalmente ou por procuração) é obrigatória para todos os membros. A segunda reunião é realizada em junho, para a posse de novos membros e eleição de dirigentes e do Conselho Deliberativo.

Todos os votos do KCFCC são abertos a todos os membros, exceto aqueles que foram suspensos por violações de regras e ética. Para a votação dos prêmios anuais, os membros nomeiam com antecedência até três candidatos em cada categoria. Qualquer filme que tenha estreado em Kansas City, exibido para a crítica ou fornecido aos críticos via streaming ou projeção de DVD no ano civil anterior à votação, é elegível para consideração.

Neste ano, pela sexta vez em seus estimados 55 anos de história, o Kansas City Film Critics Circle chegou a um impasse na categoria de melhor filme e entregou o prêmio para duas produções: Nomadland, de Chloé Zao, e Bela Vingança, de Emerald Fennell. O brasileiro Bacurau, de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, foi lembrado na categoria de melhor filme estrangeiro e ficou em segundo lugar.

Conheça os vencedores do 55º Annual James Loutzenhiser Awards:

MELHOR FILME
Bela Vingança, de Emerald Fennell
Nomadland, de Chloé Zhao

MELHOR DIREÇÃO | PRÊMIO ROBERT ALTMAN
Chloé Zao, por Nomadland
2º lugar: Aaron Sorkin, por Os 7 de Chicago

MELHOR ATOR
Riz Ahmed, por O Som do Silêncio
2º lugar: Chadwick Boseman, por A Voz Suprema do Blues

MELHOR ATRIZ
Carey Mulligan, por Bela Vingança
2º lugar: Frances McDormand, por Nomadland

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Leslie Odom Jr., por Uma Noite em Miami…
2º lugar: Paul Raci, por O Som do Silêncio

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Yuh-Jung Youn, por Minari
2º lugar: Maria Bakalova, por Borat: Fita de Cinema Seguinte

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
Bela Vingança, escrito por Emerald Fennell
2º lugar: Os 7 de Chicago, escrito por Aaron Sorkin

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
Nomadland, escrito por Jessica Bruder e Chloé Zhao
2º lugar: Estou Pensando em Acabar com Tudo, escrito por Charlie Kaufman

MELHOR FOTOGRAFIA
A Vastidão da Noite, por M.I. Littin-Menz
2º lugar: Mank, por Eric Messerschmidt

MELHOR ANIMAÇÃO
Wolfwalkers, de Tomm Moore e Ross Stewart
2º lugar: Soul, de Pete Docter e Kemp Powers

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
Druk (Another Round), de Thomas Vinterberg (Dinamarca)
2º lugar: 76 Days, de Weixi Chen e Hao Wu (China), Bacurau, de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles (Brasil) e Rosa e Momo, de Edoardo Ponti (Itália)

MELHOR DOCUMENTÁRIO
The Dissident, de Bryan Fogel
2º lugar: Crip Camp: Revolução pela Inclusão, de James Lebrecht e Nicole Newnham

MELHOR FILME DE FICÇÃO CIENTÍFICA/FANTASIA/HORROR | PRÊMIO VINCE KOEHLER
O Homem Invisível, de Leigh Whannell
2º lugar: A Vastidão da Noite, de Andrew Patterson

MELHOR FILME LGBT | PRÊMIO TOM POE
Kajillionaire, de Miranda July
2º lugar: A Festa de Formatura, de Ryan Murphy

Foto: Victor Jucá.

Carnaval Filmes lança podcast com audiodescrição em suas obras

por: Cinevitor

meguardandocarnavalpodcastCena do documentário Estou me Guardando Para Quando o Carnaval Chegar.

Depois de explorar uma maneira de ampliar o acesso aos filmes de seu catálogo para pessoas com deficiências, a Carnaval Filmes escolheu investir em um projeto que une a linguagem dos podcasts, uma espécie de programa de rádio virtual, com as facilidades da acessibilidade.

Já se tornou padrão há alguns anos, inclusive como exigência para projetos financiados com recursos públicos federais, produzir recursos de acessibilidade como libras, legendas para surdos e ensurdecidos (LSE) e audiodescrição em todos os conteúdos audiovisuais. Porém, esses recursos acabam sendo pouco acessados, restritos a algumas plataformas ou mostras especiais.

A ideia do podcast Carnaval Filmes é oferecer, de maneira gratuita e virtual, um material previamente produzido, focado especificamente no público cego e com baixa visão. Os programas contam com uma breve introdução e a descrição do produto na íntegra, seja ele filme ou série.

Já estão no ar dois episódios do podcast: o premiado documentário Estou me Guardando Para Quando o Carnaval Chegar, de Marcelo Gomes; e o primeiro episódio da série de animação infantil Bia Desenha, de Neco Tabosa e Kalor Pacheco. Estes primeiros episódios contam com audiodescrição produzida pela COM Acessibilidade Comunicacional.

Os programas estão disponíveis gratuitamente nas plataformas Spotify, Soundcloud, YouTube, Google Podcasts e Anchor. Em breve serão lançados novos episódios com outros filmes da produtora e os demais episódios da série Bia Desenha.

Foto: Divulgação.

Curta Taquary 2021: programação começa com laboratório de realização de documentários

por: Cinevitor

curtataquary2021labdocFormação: alunos durante a Oficina Documentando, em 2018.

A 14ª edição do Curta Taquary – Festival de Audiovisual acontecerá em formato híbrido (on-line e presencial), por conta da pandemia de Covid-19, entre os dias 16 (Dia Nacional da Conscientização das Mudanças Climáticas) e 22 de março (Dia da Água).

Porém, algumas atividades já foram iniciadas. Por enquanto, a programação está voltada para formação com o DocLab – Laboratório de Realização de Documentários. Os encontros estão sendo virtuais, gravados e ao vivo, mas haverá a produção de documentários com momentos presenciais com um grupo restrito. Devido à procura, uma segunda turma foi criada e as aulas começam em fevereiro. Os trabalhos produzidos pelos dois grupos serão apresentados durante a exibição de filmes no site do festival.

O Laboratório reúne 41 pessoas apaixonadas por documentários só na primeira turma. Boa parte já produziu algum trabalho e quer se aprimorar. Paula Matos é uma delas: “Trabalho com edição e documentário. Por isso, quero me aperfeiçoar na área”, disse. Raissa Dourado, também; ela é realizadora de documentários em Porto Velho, Rondônia, e “como aqui temos essa carência de formação/capacitação, busco formação para me aperfeiçoar e poder repassar também conhecimento”, explicou.

Mas, o grupo também conta com quem deseja dar os primeiros passos na produção de documentários. Jadson Barreto está fazendo pós graduação em Educação Ambiental e Cultural no IFPE e terá como trabalho de conclusão de curso um vídeo sobre a comunidade Quilombola Ilha de Mercês, em Ipojuca, Pernambuco: “Essa formação irá auxiliar e muito no meu desempenho, além de acrescentar conhecimento sobre a área que sou curioso”, justificou.

turmadoctaquary1Encontro virtual da primeira turma.

Os cineastas-educadores Marlom Meirelles e Kennel Rógis estão conduzindo essa primeira turma do laboratório e cada um orientará um grupo na execução do documentário. A segunda turma terá Marlom Meirelles e Antonio Fargoni, com programação começando a partir de 1° de fevereiro. “Estou muito surpresa com o bom andamento da turma. A gente nota comprometimento, uma responsabilidade com o curso e interesse mesmo em participar”, confessou a coordenadora pedagógica do evento, Amanda Ramos.

Outra equipe que também já está trabalhando no Curta Taquary 2021, que acontece em Taquaritinga do Norte, é a responsável pela curadoria dos filmes. Ao todo, 521 filmes foram inscritos para o festival, de 23 estados brasileiros, além do Distrito Federal. Caroline Pavez é produtora e distribuidora de filmes, mora no Chile e participa da seleção dos curtas da Mostra Internacional do festival desde 2015: “No que se refere à curadoria desta edição do Festival de Cinema Curta Taquary, serão apresentadas propostas narrativas experimentais, vídeo-dança, documentário, entre outros, que ofereçam a possibilidade de hibridismo virtual”, adiantou.

Neste ano, para cada filme inscrito uma muda de espécie nativa será plantada em Taquaritinga do Norte, Pernambuco, como forma de mobilizar a campanha de reflorestamento e recuperação de solo de áreas desmatadas e devastadas por queimadas, entre elas, a de dezembro de 2016, onde 50 hectares de mata da cidade foram destruídas.

A programação completa do 14º Festival Curta Taquary será divulgada no dia 1º de março. O evento tem o aporte financeiro do Edital de Festivais LAB PE da Lei Aldir Blanc e é uma realização das produtoras Taquary Filmes e Tá Bonito Pra Chover Produções.

Foto: Divulgação.

Meu Pai, com Anthony Hopkins e Olivia Colman, ganha trailer e data de estreia

por: Cinevitor

meupaitrailerAdaptação premiada: dos palcos para os cinemas.

Dirigido pelo dramaturgo francês Florian Zeller, roteirizado a partir de sua peça, ganhadora do Prêmio Molière, na França, Meu Pai traz Anthony Hopkins e Olivia Colman como pai e filha na ficção. O texto foi traduzido para o inglês pelo premiado dramaturgo Christopher Hampton, de Ligações Perigosas e Desejo e Reparação, que assina o roteiro com Zeller.

Ao centro de Meu Pai está a relação entre Anthony e sua filha, Anne. Ele, aos 81 anos, vive sozinho em um apartamento em Londres, e recusa a ajuda de enfermeiros e cuidadores que ela tenta impor. Quando ela resolve se mudar para Paris com seu companheiro, surge um impasse: como o pai ficará completamente sozinho? Nesse momento, o homem começa a duvidar se ela realmente o ama e também da sua própria sanidade.

Zeller, que estreia na direção de cinema, disse: “O filme é uma espécie de suspense, que convida o público a construir a narrativa, como eu fiz no teatro. Eu queria que o público se sentisse próximo aos personagens”. Na adaptação de sua própria peça, ele aponta que “o cinema e o teatro nos lembram que somos parte de algo maior que nós mesmos. Apesar das qualidades labirínticas do original, há uma sensação de alegria na peça que eu queria manter no filme”.

Para Zeller, Hopkins sempre foi a primeira opção de ator para o papel principal na adaptação de sua peça para o cinema. No teatro, o papel já foi interpretado por Robert Hirsch, Frank Langella e Fulvio Stefanini, no Brasil. “Eu tinha a profunda certeza de que Hopkins seria poderoso e devastador no papel”, disse. O ator, que foi apresentado a Zeller por Hampton, com quem trabalhou algumas vezes, confessa que ficou lisonjeado pelo convite: “Foi maravilhoso saber que escreveram o roteiro me imaginando como o personagem. Nesse caso, foi uma honra. E trabalhar nesse filme me fez pensar em minha própria mortalidade. Foi muito divertido, no set, memorizar as conversas e diálogos. De certa forma, quando as câmeras estavam rodando, nem precisava atuar”.

Colman, vencedora do Oscar de melhor atriz por A Favorita, por sua vez, confessa que trabalhar com Hopkins foi um prazer: “Ele é muito divertido. Ficávamos o tempo todo conversando, e quando diziam ‘Ação!’, ele já estava no personagem. E eu concordo com ele quando diz que temos muita sorte de trabalhar nesse filme”. A atriz conta que ficou tocada quando leu o roteiro: “Eu amo essa história. É uma das coisas mais bonitas já escritas sobre o assunto. O roteiro realmente mostra o que deve ser viver com uma pessoa portadora de Alzheimer, quando há momentos de clareza misturados com outros obscuros. Anne quer cuidar do pai, mas também precisa tocar a sua vida. Ela precisa tomar decisões muito sérias”.

O elenco conta também com Mark Gatiss, Olivia Williams, Imogen Poots, Rufus Sewell, Ayesha Dharker, Roman Zeller e Scott Mullins.

Vencedor do prêmio de melhor filme segundo o júri popular na 68ª edição do Festival Internacional de Cinema de San Sebastián, Meu Pai também foi premiado no Mill Valley Film Festival e pelos críticos de Boston, Florida, Havaí, Los Angeles, San Diego, entre outros.

Assista ao trailer de Meu Pai, que chega aos cinemas brasileiros no dia 11 de março:

Foto: Divulgação/Califórnia Filmes.